As Fraudes do Médium Mirabelli (Parte 3)

Dando prosseguimento às reportagens do Correio Paulistano.

Correio Paulistano – Sábado, 27 de maio de 1916; página 3 

No mundo das maravilhas

É mister que se faça luz na noite do mistério 

O sr. Carlos Mirabelli, a nosso ver, não passa de um hábil prestidigitador 

Depois de oito dias de silêncio, respondeu ao nosso repto o sr. Carlos Mirabelli. 

Acusando o recebimento da aludida carta, endereçamos, ao pseudo médium, as linhas que se seguem: 

“Ilmo. Sr. – Capital – Saudações – Acusamos o recebimento da carta de v.s. datada de ontem, a qual declara aceitar o repto lançado por esta folha no sentido de exibir-se publicamente, e com o fim de demonstrar que de fato possui a por nós contestada força mediúnica. 

Ficamos inteirados de todo o conteúdo desta carta, notadamente da parte em que v. s. declara ‘SER PRECISO QUE TENHAMOS PACIÊNCIA E REPITAMOS A SESSÃO CASO OS FENÔMENOS NÃO SURJAM LOGO NA PRIMEIRA; E QUE SE NÃO FOR DO AGRADO DE DEUS QUE ELES SE DÊEM, SERÁ FEITA A SUA VONTADE’. 

Quanto às pessoas de que se deve compor a sessão, deixamos a escolha das mesmas ao seu critério, contanto, porém, que à direção deste jornal seja reservado o direito de indicar três dos seus redatores para assistirem às suas experiências. 

Sem outro motivo, subscrevemo-nos – Pela redação do ‘Correio Paulistano’. (a) Antonio Carlos da Fonseca.” 

Terminando, devemos declarar que, se até a quinta sessão o sr. Mirabelli não conseguir realizar os fenômenos que até há muito pouco se lhe eram tão familiares, inseriremos imediatamente a nossa vasta e sensacional reportagem sobre o caso.

Uma resposta a “As Fraudes do Médium Mirabelli (Parte 3)”

  1. William Diz:

    Crítica: Correio Paulistano – Sábado, 27 de maio de 1916; página 3.
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    Anotam os dias que o médium demorou em responder e logo no início usam o termo “pseudo-médium”. Afinal, como o leitor pode intuir sobre o texto, o “Correio Paulistano” já sabe que ele é uma fraude, mas, ironicamente, quer investigar “imparcialmente” para expor a verdade ao público.
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    Segue os termos contraditórios:
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    “Ilmo. Sr. – Capital – Saudações – Acusamos o recebimento da carta de v.s. datada de ontem, a qual declara aceitar o repto lançado por esta folha no sentido de exibir-se publicamente, e com o fim de demonstrar que de fato possui a POR NÓS CONTESTADA força mediúnica”.
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    Eles não podem contestar nada antes de estudar. A intenção já é evidente.
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    Prossegue:
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    “Terminando, devemos declarar que, se até a quinta sessão o sr. Mirabelli não conseguir realizar os fenômenos que até há muito pouco se lhe eram tão familiares, inseriremos imediatamente a nossa vasta e sensacional reportagem sobre o caso”.
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    Leitores, como podem concluir, de uma vez por todas, o “Correio Paulistano” não cansa em fazer tom de ameaças e passa pro cima de bom senso básico.

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