ESPECIAL DE NATAL! Livro “Como a Igreja católica Construiu a Civilização Ocidental” (2008) – Capítulo 01

Com o Natal chegando, e já que o tema ciência x religião é um tema recorrente neste blog, resolvi apresentar um livro que traz informações muito interessantes sobre o papel da Igreja Católica na construção de nossa atual civilização. O livro destrói muitos mitos que ainda hoje existem em nosso meio, como de que a Igreja teria sido sempre um empecilho ao progresso científico, ou de que a Idade Média foi uma época de “trevas”. Pretendo a cada nova postagem apresentar um capítulo para ser discutido. Quem quiser baixar o capítulo 1, clique aqui.

Atenção: Isso não é uma defesa da Doutrina Católica. Não acredito que Maria pariu virgem ou que continuou assim após o parto; que Jesus multiplicou pães e peixes, etc. Também abomino a discriminação que é feita contra homossexuais (ao dizer que homossexualismo é pecado) bem como a propaganda feita contra o aborto, ao não uso de camisinha e afins.

I.

A IGREJA INDISPENSÁVEL

Philip Jenkins, renomado professor de história e estudos religiosos da Pennsylvania State University, chamou ao anti-catolicismo “o último preconceito aceitável nos Estados Unidos”. É difícil contestar esse juízo: nos nossos meios de comunicação e na nossa cultura popular, pouca coisa é inadmissível quando se trata de ridicularizar ou de satirizar a Igreja. Os meus alunos, quando têm alguma noção a respeito dela, só sabem mencionar a sua pretensa “corrupção”, sobre a qual ouviram intermináveis histórias de duvidosa credibilidade dos seus professores do ensino médio.

A questão é que, no ambiente cultural da atualidade, é fácil esquecer – ou não tomar conhecimento sequer – tudo aquilo que a nossa civilização deve à Igreja Católica. Muitos reconhecem que ela influenciou, sem dúvida, a música, a arte e a arquitetura, mas não vão além disso. Para o nosso estudante do ensino médio, a história do catolicismo pode ser resumida em três palavras: ignorância, repressão e estagnação: ninguém fez o menor esforço por mostrar-lhe que a civilização ocidental deve à Igreja o sistema universitário, as ciências, os hospitais e a previdência, o direito internacional, inúmeros princípios básicos do sistema jurídico, etc. etc. O propósito deste livro é precisamente mostrar essas influências decisivas, mostrar que devemos muito mais à Igreja Católica do que a maior parte das pessoas – incluídos os católicos – costuma imaginar. Porque, para sermos exatos, foi ela que construiu a civilização ocidental.

Como nem é preciso dizer, o Ocidente não deriva apenas do catolicismo; ninguém pode negar a importância da antiga Grécia e de Roma, ou das diversas tribos germânicas que sucederam ao Império Romano do Ocidente, como elementos formadores da nossa civilização. E a Igreja não só não repudiou nenhuma dessas tradições, como na realidade aprendeu e absorveu delas o melhor que tinham para oferecer.

Nenhum católico sério pretende sustentar que os eclesiásticos tenham acertado em todas as decisões que tomaram. Cremos que a Igreja manterá a integridade da fé até o fim dos tempos, não que cada uma das ações de todos os papas e bispos que já houve esteja acima de qualquer censura. Pelo contrário, distinguimos claramente entre a santidade da Igreja, enquanto instituição guiada pelo Espírito Santo, e a natureza inevitavelmente pecadora dos homens que a integram, incluídos os que atuam em nome dela.

Mas estudos recentes têm submetido a revisão uma série de episódios históricos tradicionalmente citados como evidências da iniqüidade dos eclesiásticos, e a conclusão a que chegam depõe em favor da Igreja. Hoje sabemos, por exemplo, que a Inquisição não foi nem de longe tão dura como se costumava retratá-la e que o número de pessoas levadas aos seus tribunais foi muito menor – em várias ordens de magnitude![1] – do que se afirmava anteriormente E isto não é nenhuma alegação nossa, mas conclusão claramente expressa nos melhores e mais recentes estudos.[2]

De qualquer modo, com exceção dos estudiosos da Europa medieval, a maioria das pessoas acredita que os mil anos anteriores à Renascença foram um período de ignorância e de repressão intelectual, em que não havia um debate vigoroso de idéias nem um intercâmbio intelectual criativo, e em que se exigia implacavelmente uma estrita submissão aos dogmas. Ainda hoje continua a haver autores que repetem essas afirmações. Numa das minhas pesquisas, deparei com um livro de Christopher Knight e Robert Lomas intitulado Second Messiah [“O segundo Messias”], em que se traça um quadro da Idade Média que não poderia estar mais longe da realidade, mas que o público em geral “engole” sem hesitar, por força do preconceito e da ignorância reinantes. Podemos ler ali, por exemplo: “O estabelecimento da era cristã romanizada marcou o começo da Idade das Trevas, esse período da história ocidental em que se apagaram todas as luzes do conhecimento e a superstição substituiu o saber. Esse período durou até que o poder da Igreja Católica foi minado pela Reforma”[3]. E também: Desprezou-se tudo o que era bom e verdadeiro e ignoraram-se todos os ramos do conhecimento humano em nome de Jesus Cristo[4].

Hoje em dia, é difícil encontrar um único historiador capaz de ler semelhantes comentários sem rir. Essas afirmações contradizem frontalmente muitos anos de pesquisa séria, e no entanto os seus autores – que não são historiadores de profissão – repetem com inteira despreocupação esses velhos e gastos chavões. Deve ser frustrante lecionar história medieval! Por mais que se trabalhe e se publiquem evidências em contrário, quase todo o mundo continua a acreditar firmemente que a Idade Média foi um período intelectual e culturalmente vazio e que a Igreja não legou ao Ocidente senão métodos de tortura e repressão.

O que Knight e Lomas não mencionam é que, durante essa “Idade das Trevas”, a Igreja desenvolveu o sistema universitário europeu, autêntico dom da civilização ocidental ao mundo. Muitos historiadores se maravilham diante da ampla liberdade e autonomia com que se debatiam as questões naquelas universidades. E foi a exaltação da razão humana e das suas capacidades, o compromisso com um debate rigoroso e racional, a promoção da pesquisa intelectual e do intercâmbio entre os estudantes dessas universidades patrocinadas pela Igreja – foi isso que forneceu as bases para a Revolução Científica.

Nos últimos cinqüenta anos, praticamente todos os historiadores da ciência – entre eles Alistair C. Crombie, David Lindberg. Edward Grant, Stanlev Jaki. Thomas Goldstein e John L Heilbron – chegaram à conclusão de que a própria Revolução Científica se deveu à Igreja, E a contribuição católica para a ciência não se limitou às idéias – incluídas as teológicas – que tornaram possível o método cientifico: muitos dos principais inovadores científicos foram sacerdotes, como Nicolau Steno, um luterano converso que se tornou sacerdote católico e é considerado o pai da geologia, ou Athanasius Kircher, pai da egiptologia, ou ainda Rogério Boscovich, considerado freqüentemente o pai da teoria atômica moderna. A primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre foi ainda outro sacerdote, o pe. Giambattista Riccioli. E os jesuítas dominaram a tal ponto o estudo dos terremotos que a sismologia ficou conhecida como “a ciência jesuítica”.

E isso não é tudo. Poucos conhecem as contribuições da Igreja no campo da astronomia, apesar de cerca de trinta e cinco crateras da Lua terem sido descobertas por cientistas e matemáticos jesuítas, dos quais receberam o nome. John L. Heilbron, da Universidade da Califórnia em Berkeley, comentou que “durante mais de seis séculos – desde a recuperação dos antigos conhecimentos astronômicos durante a Idade Média até o Iluminismo – a Igreja Católica Romana deu mais ajuda financeira e suporte social ao estudo da astronomia do que qualquer outra instituição e, provavelmente, mais do que todas as outras juntas”[5]. Mesmo assim, o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência continua a ser até hoje um dos temas mais completamente silenciados pela historiografia moderna.

Embora a importância da tradição monástica seja reconhecida em maior ou menor grau nos livros de História – todo o mundo sabe que, no rescaldo da queda de Roma, os monges preservaram a herança literária do mundo antigo, para não dizer a própria capacidade de ler e escrever –, o leitor descobrirá nesta obra que a sua contribuição foi, na realidade, muito maior. Praticamente não há ao longo da Idade Média nenhum empreendimento significativo para o progresso da civilização em que a intervenção dos monges não fosse decisiva. Os monges proporcionaram “a toda a Europa [...] uma rede de indústrias-modelo, centros de criação de gado, centros de pesquisa, fervor espiritual, a arte de viver  [...], a predisposição para a ação social, ou seja, [...] uma civilização avançada, que emergiu das vagas caóticas da barbárie circundante. São Bento, o mais importante arquiteto do monacato ocidental, foi, sem dúvida alguma, o pai da Europa. E os beneditinos, seus filhos, foram os pais da civilização européia”[6].

O desenvolvimento do conceito de Direito Internacional é normalmente atribuído aos pensadores e teóricos do direito dos séculos XVII e XVIII Na realidade, porém, encontramos pela primeira vez esse conceito jurídico nas universidades espanholas do século XVI. e foi Francisco de Vitória, um sacerdote e teólogo católico e professor universitário, quem mereceu o título de pai do direito internacional. Em face dos maus tratos infligidos pelos espanhóis aos indígenas do Novo Mundo, Vitória e outros filósofos e teólogos começaram a especular acerca dos direitos humanos fundamentais e de como deveriam ser as relações entre as nações. E foram esses pensadores que deram origem à idéia do direito internacional tal como hoje o concebemos.

Aliás, todo o direito ocidental é uma grande dádiva da Igreja. O direito canônico foi o primeiro sistema legal moderno a existir na Europa, demonstrando que era possível compilar um corpo de leis coerente a partir da barafunda de estatutos, tradições, costumes locais etc. que caracterizava tanto a Igreja como o Estado medievais. De acordo com Harold Berman, “a Igreja foi a primeira a ensinar ao homem ocidental o que é um sistema legal moderno. Foi a primeira a mostrar que costumes, estatutos, decisões judiciais e doutrinas conflitantes podem ser conciliados por meio de análise e síntese”.[7]

A própria idéia de que o ser humano tem direitos bem definidos não se deve a John Locke e Thomas Jefferson – como muitos poderiam pensar – mas ao direito canônico. E muitos outros princípios legais importantes do nosso direito também se devem à influencia da Igreja, graças ao empenho milenar dos eclesiásticos em substituir as provas em juízo baseadas em superstições – como o ordálio –, que caracterizavam o ordenamento legal germânico, por procedimentos baseados na razão e em conceitos legais elaborados.

De acordo com a história econômica tradicional, a economia moderna teria sido criada por Adam Smith e outros teóricos do século XVIII. Estudos mais recentes, no entanto, vem enfatizando a importância do pensamento econômico dos últimos escolásticos, particularmente dos teólogos espanhóis dos séculos XV e XVI. Tem-se chegado até a designar esses pensadores – assim o faz o grande economista do século XX Joseph Schumpeter – como os fundadores da moderna economia científica.

A maior parte das pessoas tem uma vaga noção das obras assistenciais da Igreja Católica, mas muitas vezes não sabe como foi única a sua ação nesse campo. O mundo antigo fornece-nos alguns exemplos de liberalidade para com os pobres, mas tratava-se de uma liberalidade que procurava fama e reconhecimento para o doador, tendendo a ser indiscriminada e não dirigida especificamente àqueles que passavam necessidade. Os pobres eram com excessiva freqüência tratados com desprezo, e a simples idéia de ajudar os necessitados sem nenhuma expectativa de reciprocidade ou de ganho pessoal era alheia à mentalidade da época. Mesmo William Lecky, um historiador do século XIX sempre hostil à Igreja, chegou a admitir que a dedicação aos pobres – tanto no seu espírito como nos seus objetivos – constituiu algo novo no mundo ocidental e representou um avanço surpreendente com relação aos padrões da antigüidade clássica.

*          *          *

Em todas essas áreas, a Igreja imprimiu uma marca indelével no próprio coração da civilização européia. Um recente livro de história da Igreja Católica tem por título Triumph [Triunfo”]; é um título extremamente apropriado para resumir o percurso de uma instituição que tem no seu haver tantos homens e mulheres heróicos e tantas realizações históricas. Até agora, encontramos relativamente poucas dessas informações nos livros de texto que a maioria dos estudantes tem de estudar no ensino médio e superior.

A Igreja Católica configurou a civilização em que vivemos e o nosso perfil humano de muitas maneiras além das que costumamos ter presentes. Por isso insistimos em que ela foi o construtor indispensável da civilização ocidental. Não só trabalhou para reverter aspectos moralmente repugnantes do mundo antigo – como o infanticídio e os combates de gladiadores –, mas restaurou e promoveu a civilização depois da queda de Roma. Tudo começou pela educação dos bárbaros, e é neles que nos detemos ao iniciarmos este livro. 




[1] Isto é, no número de zeros depois dos algarismos significativos. Concretamente, não foram milhões como às vezes se diz, mas centenas (N. do E.)

[2] Veja-se, por exemplo, Henry Kamen, The Spanish Inquisition: A Historical Revision, Yale University Press, New Haven, 1999; Edward M. Peters, Inquisition, University of California Press, Berkeley, 1989.

[3] Christopher Knight e Robert Lomas, Second Messiah, Fair Winds Press, Gloucester, Massachusetts, 2001, pág. 70.

[4] Christopher Knight e Robert Lomas, Second Messiah, pág. 71.

[5] John L. Heilbron, The Sun in the Church: Cathedrals as Solar Observatories. Harvard University Press, Camhridge, 1999, pág 3.

[6] Réginald Grégoire. Léo Moulin e Ravmond Oursel. The Monastic Realm, Rizzoli. New York  1985. pág. 277.

[7] Harold J. Berman. The Interaction of Law and Religion. Abingdon Press, Nashville. Tennessee, 1974. pág. 39.

36 respostas a “ESPECIAL DE NATAL! Livro “Como a Igreja católica Construiu a Civilização Ocidental” (2008) – Capítulo 01”

  1. Carlos Diz:

    Olá Vitor,
    .
    Uma rápida olhada na Wiki diz que Jenkis é um católico (“com tendência episcopal”; não sei o que isso significa em termos práticos) (catholic-turned-episcopalian). O fato é que a análise histórica é sobre a ótica de alguém vinculado a um credo religioso, e que portanto deve ser cuidadosamente examinado.
    .
    Isso não quer dizer que o Jenkins é um cara intelectualmente desonesto; aliás, ele pode ter razão em vários aspectos do que propõe. O que é preciso estar atento são as mensagens subliminares que permeiam o texto. Por exemplo, logo na primeira frase ele diz: “os meus alunos só sabem mencionar a pretensa “corrupção” sobre a qual ouviram histórias de duvidosa credibilidade…”. Será mesmo que a corrupção na igreja é de “duvidosa” credibilidade”? Não é bem isso que os fatos noticiados na imprensa tem mostrado. E se há corrupção moral e material, por que não haveria “corrupção intelectual” para defender, custe o que custe, a instituição?
    .
    Entendo mais o livro do Jenkins como uma reação aos problemas atuais do catolicismo. A instituição hoje tem sido atacada em várias frentes: na Europa o desencanto com a religião associado à ressurgência do islamismo com a imigração e, nos países de tradição católica, como o Brasil, o crescimento das IURDs. Alguém tem que dizer, “olha nós não somos tão maus assim!” E para isso a igreja conta com um respeitado time de intelectuais engajados à causa, como o Jenkis! Se ela vai conseguir passar a mensagem de “boazinha” é uma outra história.

  2. Vitor Diz:

    Oi, Carlos
    só aviso que Jenkins não é o autor do livro, e sim Thomas E. Woods, Jr., que “recebeu o bacharelado pela Universidade de Harvard e o doutorado pela Universidade de Columbia, além de outros títulos. Já publicou o best-seller ‘The Politicaly Incorrect Guide to American History’, bem como ‘The Church Confronts Modernity: Catholic Intellectuals and the Progressive Era’ e ‘The Church and the Market: A Catholic Defense of the Free Economy’. É membro do Ludwig von Mises Institute.”

  3. Carlos Diz:

    Desculpe-me Vitor, fui levado a crer que o Jenkis era o autor do livro. O comentário que deixei no entanto permanece pois o Thomas Woods também é católico com expressiva biblibliografia em defesa dos valores da igreja.

  4. Vitor Diz:

    Oi, Carlos
    no decorrer do livro são citadas muitas bibliografias de autores nada simpáticos à Igreja e que ainda assim reconhecem as suas contribuições, o que ajuda a diminuir um pouco o seu viés.

  5. Vitor Diz:

    André Ribeiro, seus comentários nada acrescentam ao debate – um dizia apenas “que lixo!” e o outro acusava-me de ser católico – e por isso foram deletados. Por favor, se tiver críticas ao que é afirmado no estudo, apresente-as com a devida bibliografia.

  6. André Ribeiro Diz:

    rs …

  7. André Ribeiro Diz:

    A ICAR “construiu a civilização ocidental”. E daí?
    Onde está a beleza disso? A mesma civilização responsável por duas grandes guerras que mataram mais de 50 milhões de pessoas e feriram dez vezes este número.
    A mesma civilização que invadiu e se apoderou da América, levando outros 50 milhões de primitivos habitantes do continente à morte.
    A mesma civilização que invadiu, espoliou e retaliou a África, além de escravizar milhões de negros, num dos negócios mais nojentos da História.
    A mesma civilização capitaneada pelos EUA, o país que mais interveio em outros países, que lançou duas bombas atômicas sobre centenas de milhares de pessoas, matando-as instantaneamente.
    A mesma civilização que levou milhares à fogueira, que ainda insiste – os fervorosos católicos, em perseguir minorias, combater e criticar os “diferentes”, além de continuar propagando mentiras, farsas e reacionismos.
    Me poupe Vítor Moura, me poupe !!!

  8. Carlos Diz:

    Desculpe-me ainda Vitor, mas o aspecto geral dessa primeira parte me parece nitidamente panfletário.
    .
    Do pouco que conheço sobre a a história da ciência assinalo o comentário de que Nicolau Steno teria sido o pai da geologia. Na verdade se há um “pai” esse foi James Hutton que, em contraste com o que o texto pretende demonstrar, combateu o modelo bíblico da criação defendido justamente pela igreja. Ainda a afirmação de que São Bento teria seria o “pai da Europa” (sic) é outra colocação descabida. Aliás, que o autor quer dizer “pai da Europa”?

  9. Vitor Diz:

    Oi, Carlos
    na Infopédia reconhece-se o Steno como um dos fundadores da geologia moderna: http://www.infopedia.pt/$nicolau-steno
    .
    Naturalista dinamarquês, nascido em 1638 e falecido em 1686, é um dos fundadores das modernas geologia e cristalografia.
    Procurou conhecer os géneses dos cristais de quartzo, avançando com ideias que tiveram grande interesse científico e prepararam descobertas posteriores que foram feitas por Romeu de Lisle e René-Just-Haüy.
    Enunciou as bases da estratigrafia a partir do estudo de fósseis e da sua interpretação.
    Fundamentando-se no estudo geológico da Toscana, apresentou hipóteses credíveis sobre a formação da crosta da Terra, que publicou num trabalho que intitulou De solido intra solidum naturaliter contento. Descobriu também o canal excretor das glândulas parótidas.

    .
    O James Hutton nasceu em 1726, quase um século depois do Steno. Ainda assim, ele é considerado um dos fundadores da geologia moderna também.
    .
    Quando ao São Bento ser o “pai da Europa”, acho que houve um erro de tradução, porque no mesmo livro é informado que Carlos Magno é quem seria o pai da Europa. Ocorre que São Bento foi considerado o PATRONO da Europa em 1964 pelo Papa Paulo VI.

  10. Carlos Diz:

    Oi Vitor,
    a diferença fundamental entre Steno e Hutton é que o primeiro foi bispo e depois virou santo, enquanto Hutton foi apenas um naturalista e fazendeiro. Evidentemente o Woods, em linha com a proposta do livro, iria propagandear o Steno.
    .
    O que ocorre é que o Hutton, mesmo um século depois, percebeu como o “sistema Terra” funciona e lançou inquestionavelmente as bases da moderna geologia. O Steno também ofereceu uma contribuição importante, a lei da superposição das camadas, e que Hutton posteriormente utilizou em suas descobertas. Porém, nem de longe o Steno teve a visão do Hutton no tocante ao significado da deposição de camadas na Terra (à época produto do dilúvio universal, o qual o Steno piamente acreditava).
    .
    Finalmente, se fosse utilizar o critério do precurssor (pai), o Woods poderia ter dito que Abraham Ortelius (1596) teria sido o pai da geologia visto que foi quem primeiro propôs que os continentes se separavam. Ou então o judeu Moisés que bateu com o cajado na pedra para sair água (deveria ter noção de nível freático, o bom Moisés). A questão não é essa, mas apenas como as fontes podem ser convenientemente manipuladas.

  11. Vitor Diz:

    Oi, Carlos
    eu não achei nenhuma referência chamando o Ortelius de um dos pais ou fundadores da geologia moderna. Ainda que ele tenha conjecturado a deriva continental, isso não é suficiente. Seria o mesmo que dizer que Julio Verne é o pai da astronáutica por ter vislumbrado a ida do Homem à Lua. Ele precisaria ter buscado provas, oferecido maiores estudos. Ele é considerado o criador do primeiro atlas moderno – o que não é desprezível – mas só.
    .
    É claro que o Woods em diversos momentos vai puxar a sardinha pro lado dele. Ele vai até dizer que o padre Francesco Lana-Terzi é quem é o pai da aviação, em vez do nosso Santos Dumont, porque foi o Francesco quem primeiro descreveu a geometria e a física de uma aeronave. Mas o objetivo é mostrar que a Igreja contribuiu no avanço e na difusão do conhecimento. Acho que ele se saiu bem nisso.

  12. Marciano Diz:

    Estou convencido da honestidade e da importância da igreja ctólica. Estou até pensando em me converter ao catolicismo, eu não sabia que a igreja tem sido tão injustiçada assim.

  13. André Ribeiro Diz:

    Marciano, acho que vou virar ministro de eucaristia.

    Carlos Magno inaugurou uma tradição de conquista em que se misturaram o morticínio e a conversão – a cristianização à força, que a Idade Média iria praticar durante longo tempo. Ao longo do Mar do Norte foram, primeiramente, os saxões a sofrer, entre 772 e 803 numa série de campanhas em alternavam as vitórias e as revoltas dos vencidos.
    O desastre sofrido pelos francos no Süntal teve como resposta uma repressão feroz: Carlos Magno mandou decapitar quatro mil e quinhentos revoltosos em Verden. (Jacques Le Goff, A civilização do ocidente medieval)

    Assim, por meio da guerra e do saque aos povos vencidos, Carlos Magno e seus guerreiros duplicaram o território sob domínio franco. Na noite de Natal do ano 800, Carlos Magno foi coroado imperador na basílica de São Pedro, em Roma. (Alfredo Boulos Júnior, História, sociedade e cidadania. FTD)

  14. Vitor Diz:

    Oi, André Ribeiro,

    coloquei o 2º capítulo que fala bastante de Carlos Magno e seu papel, bem como o da Igreja.

  15. Fabiano Diz:

    Através de um processo de duvida metódica, Descartes fundamentou um dos pilares da filosofia moderna. E foi duvidando de tudo, de todas as imposições, que ele pôde vislumbrar o mundo, que só é acessível pela razão, que é a parte superior da alma, como disse Platão. Além de filosofo, era também um excelente matemático. Concebeu a geometria analítica e o sistema de coordenadas, este que temos nos GPSs. E lutava contras as ideias impostas pela igreja católica de sua época. Chegou a formular uma tese sobre o heliocentrismo, mas teve que abandonar devido a condenação de Galileu. Vale recordar um pouco, quais eram os métodos de tortura praticados pela inquisição, para que não seja varrido de nossa memória o nome de todos aqueles que um dia lutaram por um mundo melhor: http://rochaferida.blogspot.com/2011/06/metodos-de-tortura-da-inquisicao.html#axzz2EpWmr4v1

  16. Vitor Diz:

    Oi, fabiano
    o caso Galileu merecerá menção especial no capítulo 5. Aguarde.

  17. Marciano Diz:

    O que tem de bom nas religiões deve ser enaltecido.
    Não foi só a Igreja Católica que contribuiu para o avanço das ciências e para o progresso da humanidade.
    A Contribuição Islâmica Para a Civilização Humana

    Num breve esboço como este não pode haver dúvidas sobre a enumeração das muitas formas em como a Cultura Islâmica contribuiu para a Civilização da raça humana. Não temos opção senão limitar-nos a nomear com brevidade algumas das mais importantes descobertas que devemos ao gênio da descoberta Muçulmana e de mencionar alguns dos intelectuais, filósofos e escritores que acrescentaram brilho à Ciência e à Literatura, e exerceram uma notável influência sobre o pensamento Ocidental.

    ASTRONOMIA

    As primeiras das ciências a atrair a curiosidade dos intelectuais Muçulmanos foram a Astronomia e a Matemática. A sua revolução de espírito e, sem dúvida, também o movimento prático na sua formação levou os Árabes a voltar a sua atenção em primeiro lugar para as ciências exatas.

    A Astronomia em particular interessou não somente a homens de ciência como também a vários Califas, tanto do Oriente como do Ocidente (Espanha), e certos Sultões Seljúcidas e Khans, descendentes de Gengis Khan e Timur, tornaram-se seus fervorosos devotos. Observatórios emergiram de todos os importantes centros do Império Islâmico. Os de Bagdá, Cairo, Córdoba, Toledo e Samarkanda adquiriram um merecido reconhecimento.

    A Escola de Astronomia de Bagdá data do tempo do rei Al Mansur, o segundo Califa Abássida (754-775), que era ele próprio astrônomo. Com os seus sucessores Harun Ar Rashid e Al Mamun a escola produziu alguns importantes trabalhos. As teorias antigas foram revistas, vários erros de Ptolomeu foram retificados, e as tabelas Gregas corrigidas.

    É creditada à Escola de Bagdá a descoberta do movimento do apogeu do sol, da avaliação da inclinação do eixo da eclíptica e a sua progressiva diminuição, e a do estudo detalhado da duração exata do ano. Os intelectuais de Bagdá notaram a irregularidade da mais alta latitude da lua e descobriram uma terceira desigualdade lunar, conhecida pelo nome de variação.

    Previram manchas solares, estudaram os eclipses e o aparecimento dos cometas e outros fenômenos celestiais, investigaram a imobilidade da terra, e foram os primeiros percursores de Copérnico e de Kepler.

    Os resultados destas observações feitas pela Escola de Bagdá foram registradas na Tabela Verificada, Yahya Bin Abu Mansur é considerado como o principal autor deste trabalho. Entre os mais famosos intelectuais desta Escola mencionamos: Al Batani, a quem Lalande situa entre os vinte mais importantes astrônomos do mundo; Abu Wefa, cujo nome está ligado a um dos fundamentos da astronomia, o da terceira desigualdade lunar; o astrônomo Muçulmano estava cem séculos à frente do intelectual Dinamarquês, Tycho Braho, a quem erroneamente foi atribuída esta descoberta.

    O ilustre Qali Ibn Younis, o inventor do pêndulo e do relógio solar, para quem o Califa Fátimida Al Hakim (990-1 02 1 ) teve o observatório construído no Monte Mocattam, é considerado como o fundador da Escola do Cairo.

    Publicou a grande Tabela Hakemita, cuja precisão ultrapassava a de todos os seus antecessores. Durante este mesmo período, Hassan Ibn Al Haitham, outro astrônomo e matemático da Escola do Cairo, escreveu o célebre tratado sobre as ópticas que serviram como base aos trabalhos de Roger Bacon e Kepler. Não é desinteressante notar aqui, de passagem, que Ibn Haitham foi o primeiro a advogar a construção da barragem de Aswan para elevar o nível das águas do Nilo.

    Os estudos de Astronomia não tiveram menor apreço na Espanha Muçulmana. O Emir de Córdoba, Abd Ar Rahman II, mostrou interesse particular nesta ciência, Infelizmente pouco do trabalho de Astronomia da Espanha Muçulmana chegou até nós.

    Quase tudo foi destruído durante a reconquista e durante o período das perseguições religiosas; sabemos, contudo, que nos seus dias de apogeu os observatórios de Córdoba e Toledo gozavam de enorme reputação. A História preservou os nomes de muitos intelectuais da Andaluzia como: Maslamah Al Mahribi, Omar Ibn Khaldoun, Averróis, e alguns outros.

    Pode-se concluir sobre a alta qualidade dos trabalhos perdidos desses intelectuais Muçulmanos através de numerosos autores contemporâneos Cristãos que se baseiam neles. Por isso parece que as Tabelas de Astronomia de Afonso X, conhecidas por Tabelas Afonsinas, foram influenciadas em alto grau por trabalhos dos muçulmanos, senão baseadas inteiramente nelas.

    As guerras e as lutas internas que a partir do século XI varreram a Ásia tiveram enorme peso na vida intelectual da sociedade Muçulmana. De certo que retardaram o progresso da Civilização consideravelmente, mas não o paralisaram totalmente. A Escola de Bagdá sobreviveu à queda política do Califado Oriental e ao fortalecimento do Império.

    A sua atividade criativa não cessou até meados do século XV, Entretanto a sua influência espalhou-se pela Ásia Central, Índia e China. Um dos mais ilustres intelectuais do Islam, Abdu Rahman Muhammad Bin Ahmad Al Biruni, que formou um laço vivo entre as tradições da Escola de Bagdá e as dos intelectuais Indianos, viveu na Corte de Mahmud de Ghazna (997-1030).

    O Sultão Malik Shah (1072-1092), um soberano iluminado que contava entre os seus amigos, com muitos intelectuais e homens da literatura, foi fortemente atraído pela Astronomia. As observações que ele apoiou levaram à reforma do Calendário, com dez séculos de avanço sobre a reforma Gregoriana e também com maior precisão. A honra desta reforma deve-se a Abdur Rahman Hasseni e a Omar Khayyam, o autor dos famosos versos que tornaram o seu nome imortal.

    Os governantes Mongóis não fizeram menos para encorajar a Ciência. O selvagem e de má memória Hulagu, que foi responsável pela destruição de Bagdá, construiu em Meragab um Observatório modelo, cujo Diretor era Nasr Ed Dine Thusi, o autor das Tabelas Ilkhanianas, responsáveis pelo aperfeiçoamento de numerosos instrumentos usados na observação. A partir deste novo Centro de Estudos, os trabalhos

    dos astrônomos de Bagdá e do Cairo encontraram o seu caminho para a China durante o reinado de Kublai Khan. Mas foi durante o reinado de Ulugh Beg, o neto de Tamerlão, que a Astronomia Muçulmana atingiu o seu maior brilho.

    Ulugh Beg, cujo nome, como o de seu pai, Shah Ruh, está ligado de perto ao impressionante movimento artístico e literário que nós chamamos de Renascença Timurida, era um devoto da Astronomia. É considerado como o último representante da Escola de Bagdá.

    O seu trabalho, que foi publicado em 1437, dá uma visão compreensiva do conhecimento contemporâneo da Astronomia. Um século mais cedo do que Kepler, ele ligou a Astronomia dos Antigos com a da Era Moderna.

  18. Marciano Diz:

    MATEMÁTICA

    Conjuntamente com a Astronomia, a Matemática era uma ciência que os Muçulmanos favoreciam mais.

    Muitos princípios básicos de Aritmética, Geometria e Álgebra foram descobertos por intelectuais Muçulmanos. Na Aritmética ainda usamos os numerais e o método de contar inventado pelos Árabes.

    Ao fundar a Casa da Aprendizagem, o Califa Al Mamun nomeou seu diretor Mohammad Bin Mussa Bin Al Khwarizmi. O seu tratado de álgebra é intitulado: Al Gabr Wal Mukabala (Cálculo por Símbolos). É da primeira parte deste título deste trabalho que vem a palavra “álgebra”, e de uma variante do nome do autor, Alkarizmi, a palavra ‘algarismo’. Este trabalho, no dizer de Gerard de Cremona:

    “Após ser a pedra angular do edifício matemático construído pelos Árabes que vieram a seguir a ele, estava um dia para iniciar os seus primeiros colegas Ocidentais na beleza dos cálculos algébricos e ao mesmo tempo aos da aritmética decimal “.

    A opinião de Philip Hitti:

    “Um dos melhores espíritos científicos do Islam, Al Khwarizmi, é, sem duvida, o homem que exerceu maior influência sobre o pensamento matemático durante toda a Idade Média, “.

    O seu trabalho foi continuado por Thabit Bin Garrah, o tradutor da ”Almagest” de Ptolomeu, que desenvolveu a Álgebra e primeiro descobriu as suas aplicações à Geometria. A Trigonometria é o ramo das Matemáticas que os Árabes cultivaram com mais diligência pela sua aplicação à Astronomia.

    Os primeiros passos nesta ciência datam de Al Batani, que teve a idéia engenhosa de substituir a correspondência dos arcos, que os Gregos usavam nos seus cálculos trigonométricos, por metade da correspondência do dobro do arco, quer dizer, pelo seno do arco em questão.

    Al Batani foi o primeiro a usar nos seus trabalhos expressões como ‘seno’ e ‘coseno’. Introduziu-as nos cálculos gnômicos e chamou-as de ‘sombras ampliadas’. É o que nós chamamos na moderna Trigonometria a tangente.

    A introdução da tangente na Trigonometria provou ser de capital importância. Os matemáticos modernos não fizeram esta feliz descoberta senão quinhentos anos depois. É creditada a Regiomontanus (1464), mas quase um século depois Copérnico não a conhecia.

    A invenção do símbolo ‘zero’ por Muhammad Bin Ahmad em 976 foi uma invenção que revolucionou a Matemática, mas não chegou a ser usada no Ocidente senão no início do século XIII.

    Finalmente vamos recordar que Nasr Ed Dine Thusi foi o primeiro a duvidar da inatacabilidade da Geometria Euclidiana. Ele deve ser visto como um distante percursor de Lobat- chevsky e Riemann na Geometria não-Euclidiana (1 829).

  19. Marciano Diz:

    TRIGONOMETRIA

    Outro ramo das matemáticas desenvolvido pelos Muçulmanos é a trigonometria que foi instituída como um ramo distinto das matemáticas por Al Biruni. Os matemáticos Muçulmanos, principalmente Al Battani, Abu Wafa, Ibn Yunus e Ibn Al Haytham, também desenvolveram a astronomia esférica e aplicaram-na na solução de problemas astronômicos.

    TEORIA NUMÉRICA

    O amor pelo estudo de quadrados mágicos e números primos conduziu os Muçulmanos a desenvolverem a teoria dos números. Al Khujandi descobriu um caso particular do teorema de Fermat em que a “soma de dois cubos não pode ser outro cubo”, enquanto Al Karaji estudou as progressões aritméticas e geométricas.

    Al Biruni também lidou com progressões enquanto Ghiyath Al Din Jamshid Al Kashani levou ao seu pico o estudo da teoria numérica entre os Muçulmanos.

    FÍSICA

    ”Os Muçulmanos é que deviam ser vistos como os reais fundadores da Física” A. Humboldt.

    É pena que os principais tratados muçulmanos da Física se tenham perdido. Alguns deles são nossos conhecidos somente pelos títulos. Mas um pequeno conjunto de trabalhos chegou até nós e conservam o testemunho da importância dos seus estudos e justificam a opinião de Humboldt. Os tratados sobre óptica por Hassam Ali Haitan (Alhasen) (965-1039) foi um acontecimento de importância primária na Ciência.

    M. Charles conclui que era “o começo da moderna ciência óptica”. Este trabalho lida com a aparente posição de imagens em espelhos, com a refração, e com a aparente dimensão dos objetos, com o uso da câmara escura que se provou ser tão importante na fotografia, etc.

    As pesquisas de Hassan Ali Haitan acerca das lentes de aumento inspiraram as experiências de Roger Bacon, Kepler e outros Cientistas Ocidentais com o microscópio e o telescópio. Criticando a teoria de Euclides e Ptolomeu, ele foi o primeiro a fornecer uma descrição exata do olho, das lentes e da visão bi-ocular.

    O conhecimento Muçulmano da mecânica era igualmente avançado para aquela época. Podemos ter alguma idéia disso pelos muitos instrumentos engenhosos que os intelectuais Muçulmanos usaram nas suas pesquisas, e que mais tarde foram aceites no Ocidente.

    E. Bemard de Oxford expressou a opinião que foram os Muçulmanos Árabes que descobriram o uso dos pêndulos nos relógios. De qualquer modo, não há dúvida que tinham relógios acionados por pesos inteiramente diferentes da clepsidra. Benjamim de Tudela, que no século XII visitou as comunidades Judaicas no Levante, forneceu uma descrição do famoso relógio na Mesquita em Damasco.

    É inegável que o compasso foi inventado pelos Chineses, mas foram os Muçulmanos que o aperfeiçoaram e lhe deram uso prático aplicando a agulha magnética aos problemas da navegação.

    QUÍMICA

    É exagero dizer que a Química como Ciência não existia antes dos Árabes. Certamente os Gregos compreenderam alguns dos elementos, mas não sabiam nada acerca das substâncias mais importantes tais como o álcool, o ácido sulfúrico, aguarrás e ácido nítrico. Foram os muçulmanos que os descobriram juntamente com o potássio, sal amoniacal, nitrato de prata, sublimado corrosivo, e a preparação do mercúrio.

    Se juntarmos a isto o fato de que um dos processos básicos em Química, distilação, foi uma descoberta muçulmana, e que eles foram os primeiros a utilizar os métodos de sublimação, cristalização, coagulação, ”cuppelation” para extrair ou combinar substâncias, temos que reconhecer que a contribuição muçulmana para esta ciência foi realmente decisiva. Um grande número de termos usados na Química, tais como álcool, alambique, alkali, elixir, etc… são de origem Árabe.

    Sem dúvida alguma que o maior Químico Árabe foi Abu Mussa Djafar Al Kuhi (Djeber) que viveu na segunda metade do século VIII. Os seus trabalhos formaram uma enciclopédia científica virtual e forneceram um sumário de Química contemporânea.

    Muitos destes trabalhos foram traduzidos para Latim. O mais importante deles, é a Soma da Perfeição, traduzido para Francês em 1672. Abu Bakr Zakaria Al Razi (Razes), no seu livro Al hawi, foi o primeiro a descrever como se fazia ácido sulfúrico, e álcool, que era obtido por distilação fermentando goma ou açúcares.

    Nesta ciência os muçulmanos partiram da pesquisa teórica para a aplicação prática. A aplicação da Química à Farmácia não é o menor dos benefícios que devemos aos intelectuais Muçulmanos. Um grande número de produtos de uso diário tais como a cânfora, água distilada, emplastres, xaropes, ungüentos, são um legado dos muçulmanos.

    O progresso que fizeram na Química Industrial é mostrado através da grande capacidade dos seus artesãos na arte de tingir, na curtição do couro, e no tempero do aço. Entre as invenções que foram de grande beneficio para a Indústria, deve-se fazer uma menção especial à pólvora e fabricação de papel a partir do algodão, linho ou trapos.

    A invenção da pólvora esteve por muito tempo ligada aos nomes de Roger Bacon, Alberus Magnus e Berthold Schwarz. Também é freqüentemente atribuída aos Chineses. Pesquisas de Reinaud e Favé mostraram claramente que:

    “Através dos Chineses descobriram o salitre, e o seu uso em fogos de artifício; foram os Árabes e unicamente os árabes que inventaram a pólvora como uma substância explosiva capaz de disparar projéteis, quer dizer, armas de fogo”.

    Fizeram disso uso notável em 1342, para defender Algeciras quando foi atacada por Afonso XI. Seria difícil exagerar a importância da invenção do papel. Abriu uma nova era para a civilização. A difusão de livros baratos e a popularização da aprendizagem tornaram-se possíveis somente desde que os muçulmanos substituíram o pergaminho do mundo antigo e o papel de seda dos Chineses por papel comum tal como hoje o conhecemos.

  20. Marciano Diz:

    Nas ciências humanas grande foi também a contribuição do Islamismo:
    GEOGRAFIA E HISTÓRIA

    “A sua paixão por viajar “, diz Renan, “é um dos mais admiráveis traços do caracter dos Árabes e um dos que ajudaram a marcar profundamente a História da (Civilização. Na altura do grande ímpeto da Navegação espanhola e Portuguesa, nos séculos XV e XVI, nenhum povo contribui tanto como os Árabes para o alargamento da concepção do Universo do Homem, e para lhe dar uma idéia exata do Planeta em que vive, o que é o pré-requisito de todo o progresso verdadeiro. ”

    Já no século IX os mercadores Árabes, que foram os primeiros a explorar essas regiões distantes, visitaram a China, a África e o longínquo Norte do que conhecemos agora por URSS. A história da viagem de um certo Suleyman, escrita em 851 e acabada em 880, por Abu Zayd, foi a primeira obra publicada na China.

    Masudi (Bassan Ali Al Masudi), cujo grande mérito foi reconhecido pelo mundo científico no final do século XVIII, viajou, em meados do século X, de uma ponta à outra do imenso império dos Califas. Também visitou Ceilão, Madagascar e Zanzibar. Na sua famosa obra “Pastagens Douradas”, descreve a natureza dos países que viu, “as suas montanhas, os seus mares, os seus reinos, as suas dinastias, e também as crenças e costumes dos seus habitantes”.

    Ibn Haykal Al Biruni, Idrissi e Ibn Batuta são outros viajantes e eruditos, autores de obras geográficas incalculáveis, que revelaram ao Ocidente, horizontes pouco sonhados. Idrissi, que nasceu em Ceuta em 1099 e viveu na corte de Palermo, escreveu um tratado sobre geografia para Rogério II da Sicília. “Durante trezentos e cinqüenta anos”, disse Sédillot, “os cartógrafos europeus não fizeram mais do que copiar este tratado, com insignificantes variáveis”.

    Fazemos uma menção especial ao mapa geral do mundo de Ulugh Beg, o neto de Timur (Tamerlão), e o autor das famosas Tábuas Astrológicas com o seu nome. Ao redigi-las, ele baseou-se principalmente nas obras de Nasr Ed Dine Thusi e nas observações de AlKoshadji. Este último empreendeu uma viagem à China, e verificou a medida de um grau do meridiano e o tamanho do mundo.

    Temos também uma palavra acerca das cartas marítimas feitas pelos muçulmanos. Sédillot escreve que:

    “Vasco da Gama viu uma em 149 7 pertencente a Malem Cana, mouro de Gujerat que o guiou a Melinde. Outra, realizada pelo árabe Omar, ajudou Albuquerque quando ele navegava no mar de Oman e no Golfo Pérsico) “.

    O trabalho dos eruditos Muçulmanos pode muito bem ter contribuído para a descoberta da América. Numa carta escrita do Haiti e datada de Outubro de 1498, Cristovão Colombo enumera Aventuez (Averróis) como um dos autores que o levou a acreditar na existência do Novo Mundo.

    O número de escritores Muçulmanos que nos deixaram obras históricas é muito grande. No dicionário histórico de Kâtib Tchelebi, chamado Hadja Khalfa, podem encontrar-se uma centena de historiadores famosos.

    As antigas obras históricas remontam aos tempo,, dos omíadas, um dos primeiros escritores foi provavelmente Abu Minat, citado por Masudi no seu “Pastagens Douradas”. Ele morreu no ano 130 da Hégira (747 d.C.).

    Os eruditos Ocidentais reprovam os historiadores Muçulmanos por estarem demasiado interessados em descrever fatos e negligenciarem as idéias gerais e a investigação das ligações entre os eventos da história, Esta censura é talvez justificada, mas só parcialmente.

    Na verdade, a maioria dos historiadores Muçulmanos não era dada a construir essas vastas teorias que cada vez mais preocupavam a mente do Ocidente e caracterizavam a ciência

    histórica atual. Eles consideravam-se como coletores de informação e arquivistas para a posteridade. Evitavam colocarem-se como intérpretes e juizes de acontecimentos passados.

    Esta concepção de história difere, sem dúvida nenhuma, da do Ocidente, Mas é isto uma coisa boa ou má? É um ponto a se debater. De qualquer maneira é admissível que um autor que faz seu o dever de transmitir as tradições que lhe foram transmitidas, sem as comentar ou criticar… mostre urna sinceridade e uma imparcialidade maiores do que os autores que nos apresentam documentos que foram censurados, corrigidos ou falsificados de acordo com as suas crenças.

    Mas tendo dito isto, seria injusto acusar os historiadores Muçulmanos de tacanhez de espírito e falta de juízo crítico. Pelo contrário, eles ganharam fama pela sua grandeza de visão, e trouxeram um interesse esclarecido sobre questões que a história ocidental considerava como fora do seu domínio. Por isso é que a história literária ocupa um grande lugar nos seus trabalhos.

    Podemos mencionar aqui, como exemplo, alguns dos mais representativos destes incontáveis historiadores Muçulmanos.

    Tâbari (Abu Djafar Mohammad Ibn Djerir At Tabâri), que nasceu em 839 e morreu em 922, adquiriu, como historiador, advogado e teólogo, uma autoridade que raramente foi ultrapassada no Oriente. Masudi considerado como o maior dos seus predecessores.

    “A Crônica de Abu Djafar Mohammad Ibn Djerir Al Tabâri”

    Diz ele:

    “Se sobressai de todas as outras obras históricas pelo seu brilho, e é muito superior a elas. A verdade da informação, os costumes e os fatos científicos nela mencionados tornam-na tão útil como instrutiva. ”

    O seu livro, “A Crônica”, é considerado uma das obras básicas da história árabe. O seu valor em termos de informação sobre as origens do Islam é inestimável. Contém um número incalculável de informação valiosa acerca da língua, os costumes e as características da época. A história de “A Crônica” remonta ao ano de 914 d. C..

    Masudi (Bassan Ali Al Masudi), que nasceu em Bagdá no final do século IX e morreu no Cairo em 956, eclipsou todos os outros, tal como Tabâri, pela extensão e variedade do seu conhecimento, e dirigiu a sua atenção para um grande número das mais diversas questões. Entre outras coisas, devemos-lhe os estudos pormenorizados sobre a História da Literatura. Salienta Renan :

    “Pode-se dizer, que Masudi, antecipando os métodos do criticismo moderno, entendeu como a literatura ligeira Pode influenciar a história política e social de uma época. ”

    Os vastos trabalhos históricos de Masudi estão incluídos na obra com o título ”Akhbar Az Zaman” e que tem mais de 20 volumes. Infelizmente estes livros não checaram até nós. As “Pastagens Douradas” e o “Livro da instrução”, são as únicas obras do célebre historiador que sobreviveram até aos nossos dias.

    lbn Miskawayh, um distinto historiador que morreu em 1030, foi um dos principais moralistas do Islam. Só a sua obra é suficiente para mostrar como é tacanho e arbitrário o julgamento dos que negam que os historiadores têm algum sentido crítico. Uma mente original, independente e céptica, Ibn Miskawayh é o autor da importante obra: “Tadjarabi Al Uman” (A Experiência das Nações), na qual trata da história da Pérsia Antiga e dos Árabes até à sua época.

    Na mesma linha está a obra de Makkari (Ahmed Ibn Mohammad Al Makkari) o historiador mais importante da Espanha Muçulmana, que nasceu no final do século XVI e morreu em 1631. O seu grande tratado, “Antologia sobre a História e Literatura dos Árabes na Espanha”, foi publicado em Leyden entre 1855 e 1859.

    É uma verdadeira mina de informação acerca das diferentes regiões de Espanha, e da vida, costumes e características dos habitantes. Num estilo que é ao mesmo tempo ligeiro e preciso, o autor descreve um quadro admirável da vida diária na Andaluzia, que mostra que havia uma intensa atividade intelectual não só nas grandes cidades como Córdoba, Granada e Sevilha, mas também em toda a extensão do país.

    Os pormenores dados por ele sobre a vida de advogados, médicos, músicos, cantores, e mulheres cultas tal como advogadas e poetisas, são de um valor inestimável ao reconstruir-se a brilhante sociedade da Espanha Muçulmana.

    Rashid Ed Dine (Fadl Alla Rashid Ed Dine Al Mamadani) é um dos maiores, senão o maior historiador do Iran. Hamadan, Kazvin e Tebriz disputam a honra de ser a sua terra natal. Um historiador de primeira, um escritor de estilo soberbo, Rashid Ed Dine compôs a sua História dos Mongóis a pedido de Ghazan Khan.

    Ele acrescentou-lhe um apanhado de outras raças e uma descrição das regiões conhecidas pelos Mongóis. Esta obra considerável, dividida em quatro volumes e com o titulo: Djami At Táwarth (O Resumo da História) foi completada em 1130. As obras de Rashid Ed Dine são as pedras fundamentais do nosso conhecimento do épico Mongol e da história dos Turcos.

  21. Marciano Diz:

    CIÊNCIAS POLÍTICAS E SOCIOLOGIA

    As obras delicadas à sociologia e filosofia políticas constituem uma das verdadeiras jóias da Literatura Muçulmana. Escritores das três principais línguas do Islam, Árabe, Persa e Turca, expuseram variados e profundos pontos de vista sobre a arte de governar e os diversos problemas da vida comunitária.

    Al Farabi, o maior filósofo Muçulmano antes de Avicenna, escreveu um tratado de alta espiritualidade e nobre sentimento intitulado “A Cidade modelo “.

    Partindo do princípio Platônico de que o homem foi feito para viver em sociedade, Al Farabi chega à conclusão que o Estado perfeitamente organizado deve cobrir todo o mundo habitado e compreender toda a humanidade.

    A idéia do estado universal evoca geralmente nas mentes européias a concepção do Império Romano, as lutas entre o governo papal e o Império durante a Idade Média ou as teorias de certos utópicos modernos. Isto não foi uma idéia nova no pensamento político Muçulmano. Está mais vezes implícito na concepção teocrática do Islam.

    “A Cidade Modelo” é uma das suas expressões, De acordo com as tendências místicas da sua filosofia, o autor atribui altos objetivos morais ao estado universal e aos seus governantes. Al Farabi acreditava que o dever deste Estado era assegurar aos seus cidadãos um governo perfeito na terra e felicidade depois da morte. A cidade ideal deve ser administrada por um governador supremo, que possua as seguintes qualidades:

    “grande inteligência, uma memória infalível, eloquência, um modo de pensar estudioso, moderação, generosidade, amor pela justiça, firmeza de propósito sem fraqueza e determinação em fazer o bem”.

    Se não se conseguir encontrar todas estas qualidades num só homem, tem de se procurar então dois ou três ou mais homens que juntos tenham as qualidades necessárias para um governante, e confiar-lhes o governo do Estado. Al Farabi chega então, tal como Platão, à idéia do governo pelos sábios, ou a república aristocrática.

    As largas visões de Al Farabi contrastam fortemente com os preceitos de Ibn Zahin, um Árabe siciliano do século XII cuja obra “Salan Al Mota” foi comparada ao livro de Maquiavel, “O Príncipe”. Contém algumas máximas concebidas no mesmo espírito do estadista de Florença, mas ainda mais subtil e pérfida.

    Al Mawerdi (972-1058), um famoso advogado que foi juiz em Ostow, perto de Nishapur, é o autor do celebrado “Kitab Al Ahkam As Sultaniah ” (O livro das regras do poder). Esta obra, onde se encontra uma teoria muito interessante do Califado, está devotada às principais instituições políticas, sociais e legais do Estado do Islam. “Al Akham As Sultaniah ” foi traduzido para Francês, tal como outra das obras de Al Mawerdi intitulada “Estatutos Governamentais”.

    Ibn Khaldun ( 1332-1406). Aqueles que criticam a Civilização islâmica, que vêem neta só um pálido reflexo da cultura helênica e lhe negam qualquer originalidade, são forçados a reconhecer que possuímos uma filosofia da história, a primeira a ser escrita, nem árabes nem europeus, tiveram alguma vez uma visão da história ao mesmo tempo tão compreensiva e tão filosófica.

    A opinião geral de todos os críticos de Ibn Khaldun é que ele foi o maior historiador de sempre produzi- do pelo Islam e um dos maiores de todos os tempos. Muito antes dos sociologistas, antes de Conte, Vico, Marx e Spengler, ele dedicou-se à evolução da sociedade humana e tentou dar uma explicação racional para o progresso da história.

    Ibn Khaldun escreveu uma história do mundo em três livros, com uma introdução, e uma autobiografia. O primeiro livro junto com a introdução forma uma parte separada a que chamamos a ”Prolegômenos”.

    Esta parte constitui por si só um momento imperecível e a ela deve o autor o seu renome internacional. Nela se encontram pela primeira vez reflexões gerais sobre a história, as diversas formas de civilização resultantes do clima, vida nômade ou sedentária, e dos vários hábitos peculiares de cada uma dessas civilizações, tal como as instituições sociais, ciências e artes por eles adaptadas.

    O autor fala sobre as ciências do Alcorão, matemática, canto e música instrumental, agricultura e ofícios. É uma verdadeira enciclopédia impregnada por um profundo espírito filosófico, onde a própria história é olhada como parte integrante da filosofia, diz Ibn Khaldun:

    “Olhemos agora a natureza interna da ciência da história: é o exame e verificação de fatos, a cuidadosa investigação das causas que os provocaram, uma profunda compreensão da maneira como os fatos se desenrolam e como surgem; a história forma por isso um importante ramo da filosofia, e deve ser considerada conto uma das ciências”

    Esta é já uma moderna concepção da história, ver o seu papel principal corno a análise dos fatos e a procura das causas. Pressupõe um completo conhecimento da civilização humana e da psicologia.

    É praticamente impossível analisar aqui a imensa obra de Ibn Khaldun. As observações engenhosas e eruditas sobre a fragilidade das civilizações, a evolução cíclica e o papel proeminente da elite na formação de Estados, que ele usa para apoiar a sua teoria, são fascinantes.

    O ponto de partida de Ibn Khaldun é a afirmação de que há unia analogia completa entre a vida de um Estado e a de um homem ou a de qualquer outra criatura viva. Tal como eles, os Estados nascem, crescem e morrem. Tal como eles estão sujeitos a certas regras de evolução natural. Ibn Khaldun dedica-se à descoberta e explicação desta evolução.

    As suas idéias econômicas são tão modernas como as suas visões políticas. “O Estado”, declara o escritor do Maghrib:

    “É o grande negociante; tal como um gestor bom e de larga visão deve ver que o dinheiro que recebe através dos impostos volta à circulação entre o povo. Impostos moderados são o melhor incentivo ao trabalho. Por outro lado, ao aumentar impensadamente qualquer imposto, este torna-se infrutífero “‘

    Ele examina o mais criticamente possível e com o maior detalhe a confiscação, os monopólios e o controle oficial do comércio, antes de chegar à conclusão que a riqueza de um Estado se baseia na sua população, no seu espírito de empreendimento e na sua produtividade.

    A intervenção do Estado e a interferência exagerada das autoridades públicas diminuem esta riqueza e impedem o desenvolvimento normal da economia. Na verdade, as escolas modernas do liberalismo econômico não acrescentam nada a esta visão, que foi formada no final do século XIV.

    Abul Fazl (1551-1602). Filósofo, erudito, homem de Estado e amigo pessoal de um poderoso e iluminado imperador, Abul Fazl é uma das mais atraentes figuras da índia Mongol. O seu “Akbar Nameh ” é sem dúvida a mais importante obra da história muçulmana na índia.

    Está dividida em três partes-. a primeira contém a história da incursão de Timur (Tamerlão) na índia e dos príncipes Timúridas que reinaram nesse país; a segunda é inteiramente dedicada ao longo e glorioso reinado de Akbar; a terceira, chamada “Ayn I Akbari “, dá um grande número de informações valiosas acerca dos trabalhos da máquina legal e administrativa do Estado, sobre as condições sociais dos indianos, e a sua religião, filosofia e lei.

    Vários capítulos tratam de questões relacionadas com as suas artes e ofícios, finanças públicas, relatórios administrativos e estatísticos; outros falam de melhoramentos técnicos nas armas das suas tropas, livros que foram traduzidos, etc.

    “Ayn I Ákbari ” também contém uma quantidade considerável de máximas, juízos morais e preceitos políticos de Akbar, que o seu leal ministro e amigo registrou dia a dia. Diz Carra de Vaux:

    “Essa obra extraordinária, cheia de vida, idéias e aprendizagem, onde cada aspecto da vida é examinado, registrado e classificado, e onde o progresso ofusca continuamente a vista, é um documento do qual a civilização Oriental se deve, com razão, orgulhar.

    Os homens cujo gênio encontra a sua expressão neste livro estavam avançados para a sua época na arte da prática de governo, e talvez também estivessem avançadas nas suas especulações acerca da filosofia religiosa. Esses poetas, esses filósofos, sabem como lidar com o mundo da matéria. Eles observam, classificam, calculam, experimentam.

    Todas as idéias que lhes ocorrem são testadas contra fatos. Eles expressam-nas com eloquência, mas também as apoiam com estatísticas. No Ocidente estamos em dívida para com Leibnitz por nos ter mostrado o interesse existente nas estatísticas, que consideramos como uma nova ciência, e o serviço que nos pode prestar.

    O governo de Akbar usou-as metodicamente na sua administração há 300 anos atrás, juntamente com os princípios da tolerância, justiça e humanidade ”.

  22. Marciano Diz:

    Sem falar nas Artes:
    ARQUITETURA E ARTES PLÁSTICAS

    O crescimento da Arte Muçulmana é um dos mais rápidos progressos jamais registados pela História. No início da Hégira , a Arte Muçulmana não existia. Ela nasceu da fusão de estilos que os Árabes encontraram durante a sua conquista dos países do leste do Mediterrâneo.

    Uma vez estabelecida, rapidamente se expandiu pelo vasto Império dos Califas. A fórmula desta nova Arte era com alegria modificada e enriquecida pelos diversos povos que faziam parte da Comunidade Islâmica de acordo com os seus gênios nativos e as influências exteriores a que tinham estado sujeitos.

    Por isso é que os monumentos do Cairo ou de Córdoba podem ser confundidos com os de Samarkanda ou Delhi. O equilíbrio sóbrio de planos e volumes, a sobriedade arquitetural dos monumentos de Aleppo e Damasco diferem da fantasia luxuriante dos Palácios de Granada e Sevilha.

    A inteligência abstrata dos homens do deserto encontra a sua expressão nas linhas geométricas do arabesco; os floridos azulejos esmaltados de Isphahan refletem os sonhos poéticos do Iran.

    Mas esta diversidade de maneira nenhuma exclui a unidade. O estilo Muçulmano destaca-se de todos os outros. Esta unidade é resultado da unidade espiritual da Comunidade Islâmica e da sensibilidade especial criada pelos ensinamentos do Alcorão.

    Foi a religião que ajudou a dar à Arte Muçulmana as fortes características espirituais e abstratas pelas quais é reconhecida. É vista principalmente nas concepções arquitetônicas dos artistas Muçulmanos e no desenho arabesco. É nos difícil julgar a Arte Muçulmana porque só restam uns poucos monumentos da arquitetura secular.

    Infelizmente não restou um só traço dos antigos monumentos de Bagdá, mas há um grande número de obras históricas que descrevem a capital Abássida como um milagre de beleza.

    Mas, a devastação dos mongóis sob as ordens de Hulagu em 1258 arruinou-a completamente, de tal maneira que hoje é impossível dizer onde a maioria dos palácios estava situada. Somente descrições e registros nos podem evocar os esplendores que pertenceram às “Mil e Uma Noites”.

    É provável que tais requintes luxuosos dificilmente nos parecessem reais se não se tivessem refletido em monumentos como o Al Hambra e o Al Cazar de Sevilha. Embora o Al Hambra seja ainda hoje um puro encantamento para os olhos pela sua natureza intimista, não se pode comparar com outros palácios que desapareceram para sempre, embora ainda tenhamos descrições deles, como, por exemplo, na própria Espanha o Madinal Az Zahra, construido por Abdur Rahman An Nasir em honra da sua amada, que se chamava Zahra.

    É, por isso, a Arte Sagrada dos Muçulmanos as Mesquitas que nos dá testemunho do caráter monumental e do esplendor ornamental do passado arquitetônico do Islam. É indiscutível a sua influência na arquitetura das igrejas e castelos medievais.

    A Espanha medieval aceitou fielmente a maior parte das tradições artísticas da Andaluzia, que esteve sob ocupação direta dos muçulmanos. De igual modo foi considerável a influência sobre a arte Italiana como resultado da fixação dos Árabes na Sicília. Entrou na França via Septimania. As obras de Emile Mâle, a autoridade neste assunto, ressaltam esta importância.

    Mâle esclareceu algumas analogias sugestivas entre a Arte Muçulmana e certos elementos da arquitetura Romanesca. Por isso certas formas muito características da Arte Muçulmana: o arco trilobado, a cúpula – um ornamento especial em forma de flor aberta e mosaicos de azulejo no estilo oriental, podem ser vistos em Auvergne, na Notre Dame du Port, em Clermont. Mosaicos à maneira Muçulmana e instrumentos ornamentais tal como os mencionados podem ser vistos em várias outras Igrejas em Auvergne. A influência da Mesquita de Córdoba é evidente na Notre Dame de Puy.

    A.Fikry diz:

    “Não pode ser por acidente que se vê na Catedral de Puy o arco trilobado, o arco em ferradura e o arco de duas cores da Mesquita de Córdoba. A origem oriental de todas estas formas é comprovada pelos caracteres árabes que emolduram a entrada. A fachada multi-colorida, o arco duplo que é tão característico da Mesquita em Córdoba, e os pendentes também nos fazem lembra a Andaluzia “.

    Na parte geral deste artigo tivemos ocasião de mencionar a influência Muçulmana nas artes industriais. Ela foi maior nas artes menores. Os objetos de luxo feitos pelos habilidosos artífices do Islam deslumbravam os ocidentais. Muitos destes objetos ainda existem em tesouros reais e eclesiásticos.

    Copos e jarros em cristal e vidros esmaltados de cores brilhantes parecem ter sido apreciados por uma vaga especial, tal como trabalhos de pele encrustados, armas, tapetes e tecidos, principalmente sedas, sendo as mais bonitas usadas nas vestes reais e sacerdotais, tal como o fato usado na coroação dos Santos Imperadores Romanos, ou a esplêndida casula que pode ser vista no Museu das Artes Decorativas, em Paris.

    A influência Muçulmana não estava só ativa nas artes industriais. Veja-se como F. Diez, na sua obra sobre a Arte Muçulmana, descreve a influência que, segundo ele, as esculturas de Seljucidas sobre temas vivos tiveram sobre a Europa:

    “A maior importância artística desta ornamentação Turco-lslâmica, que incorpora assuntos vivos, reside na sua difusão para o Norte da Europa. A explicação deste estilo ornamental nos finais da Idade Média deve ser encontrada na deslocação das rotas de comércio mundial do Sul para o Norte resultante das migrações dos Turcos e do seu avanço constante para Oeste. Uma rota comercial costumava passar da Ásia Menor para Norte, rodeando o Sul dos Urais ou através deles, e depois o leste da Alemanha e o Mar Báltico para a Inglaterra. As cidades mercadoras, tal como Hamburgo, Lubeck, Riga e Novgorod foram descobertas durante a segunda metade do século XII. Vladimir e Sudal, de Moscovo, ultrapassaram Kiev em importância. As fachadas de velhas igrejas nestas duas cidades ainda testemunham hoje a extensão da entrada deste estilo decorativo Turco-islâmico na Europa ”

    Vamos recordar de passagem o papel principal da Arte Muçulmana no desenvolvimento da Arte e Terminologia Heráldica.

    Por isso a árvore da vida, esse símbolo querido do esoterismo oriental, freqüentemente flanqueado por animais frente a frente, pode ser encontrado em esculturas, em colunas e em baixo-relevo, como, por exemplo, em Saint Laurent de Grenoble, Saint Etienne de Beauvais, Saint Bríce de Chartres, Notre Dame de La Couture em Le Mans, e em muitas outras igrejas.

    O mesmo tema aparece freqüentemente em tecidos, objetos de cristal, marfim e manuscritos iluminados. Na Bíblia de Charles de Bald, encontramos leões nos lados da árvore sagrada; no Evangelho de Lothair são chitas, o que prova a origem oriental do motivo que inspirou o artista.

    Encontram-se animais frente a frente sem a árvore da vida em outros lugares: La Trinité em Caen, em Saint Germain des Prés, em Paris, e em outros lados. As flores estilizadas em forma de palma que surgiram na era Carolíngia.

    Estes são temas muito originais e muito individualistas, fáceis de reconhecer. Mas a Arte Decorativa Muçulmana é com posta por um conjunto de linhas. Por isso é difícil decidir se esta ou aquela combinação foi tomada pelo Ocidente, de uma forma mais ou menos modificada.

    No entanto, tais empréstimos devem ter tido lugar, porque se encontra na arte romanesca motivos claramente inspirados em inscrições árabes a tal nível que tem sido possível ter alguns deles. Exemplos disto podem ser encontrados em Voúte Chilhac no Haute Loire, em colunas em Toulouse e Saint Guillaume Le Desert e um baixo relevo no Museu de Lyon.

    Uma porta da catedral em Puy está cercada por um friso de inscrições árabes que diz: Ma Cha Allah (Esta foi a vontade de Deus). A propósito destes frisos de inscrições árabes é curioso notar que no Museu Britânico se pode ver a cruz irlandesa do século I X ter no centro as palavras: Bismillah (Em nome de Deus).

  23. Marciano Diz:

    CIÊNCIAS MÉDICAS

    Os ahadith do Profeta Muhammad(que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele), contêm muitas instruções relativamente à saúde incluindo hábitos dietéticos; isto tornou-se a fundação do que ficou conhecido mais tarde por “medicina profética” (al-tibb al-nabawi).

    Devido à grande atenção prestada no Islam à necessidade de cuidar do corpo e da higiene, muito cedo na História Islâmica os Muçulmanos começaram a cultivar o campo da medicina voltando-se mais uma vez para todo o conhecimento disponível para eles. No século IX a Medicina Islâmica é coroada com o aparecimento do Grande Compêndio: A Medicina Anti-séptica da Anatomia da Varíola, seu autor foi Rhazes;

    O Paraíso da Sabedoria (Fírdaws al-híkmah) por Ali ibn Rabban Al-Tabari, que sintetizou as tradições da Medicina Hipocrática e Galénica com as da índia e da Pérsia. O seu aluno, Muhammad ibn Zakariyya Al-Razi (Rhazes), foi um dos maiores médicos que deu ênfase à medicina clínica e à observação.

    Era um mestre do prognóstico e da medicina psicossomática e também da anatomia. Foi o primeiro a identificar e tratar a varíola, a usar álcool como anti-séptico e a fazer uso médico do mercúrio como purgativo. O seu “Kitab al hawi” (Latim: Continens) é a maior obra jamais escrita sobre Medicina Islâmica e foi reconhecido como uma autoridade médica no Ocidente até ao século XVIII.

    O CÂNONE DA MEDICINA E A MENINGITE

    No entanto, o maior de todos os médicos Muçulmanos, foi Ibn Sina que foi chamado “o príncipe dos médicos” no Ocidente. Ele sintetizou a Medicina Islâmica na sua principal obra de arte, al-Qanun fi’l Tibb (O Cânone da Medicina), que é o mais famoso de todos os livros médicos na História.

    Foi a autoridade máxima em assuntos médicos na Europa durante quase seis séculos e ainda é ensinado onde quer que a Medicina Islâmica tenha sobrevivido até aos nossos dias em terras como o Paquistão e a índia.

    Ibn Sina descobriu muitos medicamentos e identificou e tratou várias doenças tal como a meningite, mas a sua maior contribuição foi na filosofia da medicina, Criou um sistema de medicina no qual a prática médica podia ser realizada e no qual os fatores físicos e psicológicos, medicamentos e dieta eram combinados.

    CIRCULAÇÃO PULMONAR

    Depois de Ibn Sina, a Medicina Islâmica dividiu-se em vários ramos. No Mundo Árabe, o Egito continuou o Centro Principal do Estudo da Medicina, principalmente da Oftalmologia que alcançou o seu ponto mais alto no reinado de Al Hakim.

    O Cairo possuía hospitais excelentes que atraíram também médicos de outros lugares incluindo Ibn Buttan, autor do famoso “Calendário da Saúde”, e Ibn Nafis que descobriu a pequena circulação ou circulação pulmonar do sangue muito antes de Michel Servetus, a quem é habitualmente atribuída a descoberta.

    GINECOLOGIA

    Quanto às terras Ocidentais do Islam, incluindo Espanha, esta área foi igualmente testemunha do aparecimento de médicos proeminentes tal como Sa’d Al Katib de Córdoba que realizou um tratado sobre Ginecologia, e a principal figura Muçulmana da Cirurgia no século XII, Abul Qasim Al Zahrawi (Albucasis) cuja obra prima médica Kitab al Tasrit foi muito conhecida no Ocidente corno “Concessio”.

    Deve-se também mencionar a família de Ibn Zuhr que produziu vários médicos proeminentes e Abu Marwan Abd al Malik que foi o médico clínico mais proeminente do Maghrib. Os conhecidos filósofos espanhóis Ibn Tufayl e Ibn Rushd, foram também médicos proeminentes,

    A Medicina Islâmica continuou na Pérsia e noutras terras Ocidentais do Mundo islâmico sob a influência de Ibn Sina com o aparecimento do principal compêndio médico persa como a Enciclopédia de Sharaf al-Din al-Jurjani e os comentários acerca do cânone por Fakbr al-Din al-Razi e Qutb al-Din al-Shirazi.

    Mesmo depois da invasão mongol, os estudos médicos continuaram como pode ser visto na obra de Rashid ai-Din Fadlallah, e pela primeira vez surgiram traduções da Medicina Chinesa e interesse na acupuntura entre os Muçulmanos.

    A tradição médica Islâmica foi revivida no período Safávida quando várias doenças, tal como a tosse convulsa, fora m diagnosticadas e tratadas pela primeira vez e foi dada muita atenção à farmacologia.

    Muitos médicos persas, tal como Ayn al-Mulk de Shiraz, viajaram para a índia nesse tempo para introduzir a época de ouro da medicina Islâmica no subcontinente e para plantar a semente da tradição médica Islâmica que continua a florescer até hoje no solo dessa terra.

    GRANDES HOSPITAIS

    O mundo Otomano era também uma arena de grande atividade médica derivada da herança de Ibn Sina. Os turcos Otomanos eram principalmente conhecidos pela criação de grandes hospitais e centros médicos.

    Estes incluíam não só unidades de tratamento das doenças físicas, mas também enfermarias para doentes com padecimentos psicológicos. Os Otomanos foram também os primeiros a receber a influência na medicina como na farmacologia.

    Ao mencionar os Hospitais Islâmicos é necessário dizer que todas as principais cidades islâmicas tinham hospitais; alguns, como os de Bagdá, eram hospitais-escolas enquanto outros, como o Hospital Nasiri do Cairo, tinham milhares de camas para doentes com quase todo o tipo de doenças.

    Era dada muita importância à higiene nesses hospitais e Al Rhazi chegou mesmo a escrever um tratado sobre higiene nos hospitais. Alguns hospitais especializaram-se em doenças peculiares incluindo doenças psicológicas. A cidade do Cairo tinha mesmo um hospital especializado em doentes com insônia.

    FARMACOLOGIA

    As autoridades médicas Islâmicas estavam também preocupadas com o significado da Farmacologia e muitas obras importantes, tal como o Cânon por isso tiveram livros inteiros dedicados a este assunto. Os muçulmanos tomaram-se herdeiros não só do conhecimento farmacológico dos gregos como o contido nas obras de Dióscorides, mas também das vastas receitas de ervas dos Persas e Indianos.

    Também estudaram eles próprios os efeitos medicinais de muitas drogas, especialmente ervas. As maiores contribuições neste campo vieram dos cientistas do Maghrib tal como Ibn Juljul, Ibn al-Salt e o mais original dos farmacologistas muçulmanos, o cientista do século XII, al-Ghafíqi, cujo “Livro das Drogas Simples” fornece as melhores descrições das propriedades medicinais das plantas conhecidas pelos Muçulmanos.

    A Medicina Islâmica combinava o uso de drogas para fins medicinais com considerações dietéticas e um modo de vida totalmente derivado dos ensinamentos do Islam, para criar uma síntese que não se extinguiu até aos dias de hoje, apesar da introdução da medicina moderna em quase todo o Mundo Islâmico.

  24. Marciano Diz:

    BOTÂNICA e ZOOLOGIA

    Quanto à Botânica, os tratados mais importantes foram escritos no século XII em Espanha com o aparecimento da obra de al-Ghafíqi. Este é também o período em que foi escrita a mais conhecida obra árabe sobre agricultura, o “Kitab al-falahah”.

    Os Muçulmanos também mostraram grande interesse na Zoologia, principalmente em cavalos, como testemunhado pelo texto clássico de al-Jawaliqi, e em falcões e outros pássaros de caça. As obras de al-Jahiz e al-Damiri são particularmente famosas no campo da Zoologia e lidam com as dimensões literárias, morais e mesmo teológicas do estudo dos animais e bem como com os aspectos puramente zoológicos do assunto.

    Isto também é verdade para uma classe inteira de escritos sobre “as maravilhas da Criação” da qual o livro de Abu Yahya al-Qazwini, o “Aja’ih al- makhluqat ” (As Maravilhas da Criação) é o mais famoso.

    TECNOLOGIA

    O Islam herdou a experiência milenar nas várias formas da tecnologia dos povos que entraram no mundo do Islão e das nações que se tornaram parte do Dar al-Islam. Um vasto leque de conhecimento tecnológico, desde a construção de rodas de água pelos romanos até ao sistema subterrâneo de água pelos persas, tomou-se parte e uma parcela da tecnologia da ordem recém-formada.

    Os Muçulmanos também importaram certos tipos de tecnologia do Oriente tal como o papel que trouxeram da China e cuja tecnologia transmitiram mais tarde ao Ocidente. Também desenvolveram muitas formas de tecnologia com base em conhecimentos preexistentes tal como a arte metalúrgica de fabricação das famosas espadas Damascenas, uma arte que recua ao fabricação do aço, milhares de anos antes, no planalto Iraniano.

    Da mesma forma os Muçulmanos desenvolveram novas técnicas arquitetônicas de abóbadas, métodos de ventilação, preparação de tintas, técnicas de tecelagem, tecnologia relacionadas com a irrigação e outras numerosas formas de tecnologia, algumas das quais sobreviveram até aos nossos dias.

    O HOMEM E A NATUREZA

    No geral, a Civilização Islâmica deu ênfase à harmonia entre o homem e a natureza como se vê no desenho tradicional das cidades Islâmicas. Era feito um uso máximo de elementos naturais e forças, e os homens construíam de harmonia com natureza e não em oposição à natureza.

    Alguns dos passos tecnológicos Muçulmanos, tal corno barragens que sobreviveram por mais de um milênio, cúpulas que podem suportar tremores de terra, e o aço que revela um incrível conhecimento metalúrgico, atestam o conhecimento excepcional dos Muçulmanos em muitos campos da tecnologia. De fato, foi uma vasta tecnologia superior que impressionou primeiro os cruzados na sua tentativa, sem sucesso, de capturar a Terra Santa, e muita da sua tecnologia foi trazida pelos cruzados para resto da Europa.

    INFLUENCIA DA CIÊNCIA E ENSINO ISLÂMICOS NO OCIDENTE

    A mais antiga Universidade do mundo ainda em funcionamento é a Universidade Islâmica de Fez, no Marrocos com 1100 anos, conhecida por Qarawiyyin.

    Esta tradição antiga do Ensino Islâmico influenciou fortemente o Ocidente através da Espanha. Nesta terra onde Muçulmanos, Cristãos Judeus viveram na maior parte do tempo em paz, durante vários séculos, as traduções começaram a ser feitas no século XI, principalmente em Toledo, das Obras Islâmicas para Latim, muitas vezes através de eruditos judeus, a maioria do quais sabia árabe e escrevia em árabe.

    Como resultado dessas traduções, o Pensamento Islâmico e, através dele, muito do Pensamento Grego tornaram-se conhecidos no Ocidente, e Sistema Educacional islâmico foi copiado pela Europa e, até hoje, o termo cadeira numa Universidade reflete o Árabe Kurssi (assento, literalmente) no qual um professor se senta para ensinar os seus alunos na Madrassah (Escola de Ensino Superior).

    À medida que as Civilizações Européias cresceram e chegaram à Idade Média, dificilmente havia um campo do ensino ou formas de arte, quer fosse literatura ou arquitetura, onde não houvesse alguma influência da presença islâmica.

    O Ensino Islâmico tomou-se deste modo parte da Civilização Ocidental mesmo se, com o advento do Renascimento, o Ocidente não só se tenha voltado contra o seu próprio passado medieval, como tenha procurado esquecer a longa relação que tinha tido com o Mundo islâmico, que era baseada no respeito intelectual apesar da oposição religiosa.

  25. Marciano Diz:

    Temos razões para falar acerca de um verdadeiro culto do poeta nos países anglo-saxônicos. O clube Omar Khayyam, fundado em Londres em 1892, deu origem a várias instituições similares.

  26. JP Diz:

    Vitor, qual foi a finalidade de se postar este texto? Ainda não entendi a relação existente com o conteúdo geralmente aqui disponibilizado.

  27. Vitor Diz:

    Oi JP,
    é um especial de Natal. Serve para dar uma visão completamente diferente da atuação da Igreja daqueles séculos longínquos. Quiçá servirá para alguém comparar com o conteúdo de livros psicografados que retratem essa época e concluir pela autenticidade ou falsidade da história.

  28. André Ribeiro Diz:

    propaganda católica, só isso !

  29. Vitor Diz:

    Oi André Ribeiro,
    mas a propaganda é verdadeira? Ou Woods está mentindo? Veja o que um crítico do livro chamado Bowman disse:
    .
    “Na maior parte do tempo, o livro de Woods é de leitura fácil, e muito do que ele diz é incontestável. [...] Não se tem de ser católico para entender que Woods – parte historiador , parte apologista – muitas vezes fala a verdade.”
    .
    http://www.isthatlegal.org/archives/2006/01/feelgood_histor.html

  30. Marciano Diz:

    Estou comemorando o Muharram, a partir do dia 14 passarei a comemorar o Safar, desde 14 de novembro que desejo a todos vocês um feliz 1434.

  31. Marco Diz:

    Oi Victor,

    Sem querer ser chato, mas apenas pra que não fique a impressão que Bowman suporta Woods, logo após dizer que Woods “…muitas vezes fala a verdade”, ele completa:
    .
    “Contudo, há um erro fatal em seu argumento e não está no que ele diz, mas no que ele omite” (tradução um tanto livre, mas creio que correta =)).
    .
    Em linhas gerais, Bowman acusa Woods de ressaltar apenas partes da história católica que interessam ao seu argumento, omitindo convenientemente o que não parece adequado. Isso me faz lembrar uma propaganda da Folha que dizia “é possível contar uma mentira dizendo apenas a verdade”.
    .
    Não estou acusando Woods de mentir deliberadamente, mas acho que sempre temos que ver os dois lados de um argumento, antes de nos posicionarmos.

  32. Fabiano Diz:

    Ao querer publicar “um livro completo” defendendo a igreja católica, este blog, obraspsicografada, está dando um tiro no próprio pé, fugindo dos objetivos aqui propostos. Mas não é atoa esse desespero em defesa desta igreja, que vem mostrando, perante as pesquisas, uma queda assustadora. E logo aqui, no país mais católico do mundo? Mas o percentual de crescimento da igreja protestante também já não é tão animadora. Mas o que deve mesmo preocupar a elite católica, deve ser o fato de que a parte da população mais abastada financeiramente, que poderia render maiores lucros para os cofres de Roma, faz agora parte das correntes espiritas, que não só tem melhores condições financeiras, mas, também, são os mais escolarizados. Maldito Chico! Clamam as vozes além do Atlântico. Fazendo uma análise sobre os ataques ao espiritismo e agora a defesa da igreja católica, fica fácil entender, o porquê de tanta agitação. Felizmente para o Brasil e infelizmente para Roma, que vem passando por várias crises internas na “EUROZONE” , este natal vai continuar sendo minguado para o bendito 16-66. És tu o nosso Deus?
    Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/censo-igreja-catolica-tem-queda-recorde-no-percentual-de-fieis-5344997
    http://rapidlibrary.com/files/efesios-o-deus-bendito-16-pdf_ulzbbezmxzi89on.html

  33. Fabiano Diz:

    Livro perdido de Nostradamus. Estaria ele certo? Tudo indica que sim: http://www.youtube.com/watch?v=9mWwntF9BVg

  34. Contra o Chiquismo. Diz:

    “Marciano Diz:
    DEZEMBRO 12TH, 2012 ÀS 15:32
    O que tem de bom nas religiões deve ser enaltecido.
    Não foi só a Igreja Católica que contribuiu para o avanço das ciências e para o progresso da humanidade.”

    A contribuição do ‘espiritismo’:
    A descoberta de um civilização humana em Marte ,Geração Espontânea , o Ectoplasma e o Fluido Cósmico Universal.

  35. Pedro Diz:

    Fabiano,

    Descartes fundamentou um dos pilares da CIÊNCIA moderna.

    Depois que a ciência apareceu, sobrou à Filosofia só deitar-se nos louros do passado e se aposentar na função que tinha, a de descobrir como esse mundo funciona.

    Hoje quem tem a incumbência natural de descobrir como esse mundo funciona é a ciência.

  36. Otavio Ferreira Diz:

    André Ribeiro. Como Carlos Magno foi coroado imperador na Basílica de São Pedro, no ano 800, se a Basílica de São Pedro começou a ser construída em 1506, setecentos anos depois??
    E vc cita um tal Alfredo Boulos como referência.
    Estranho.

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