Criptomnésia e a Parapsicologia

Este artigo de Ian Stevenson aborda diversos casos envolvendo criptomnésia, não só relacionados à  parapsicologia, mas literários também. Também revela casos em que a criptomnésia é incapaz de explicar. A tradução é minha e não passou por revisão, então quaisquer erros perdoem e favor avisar.

A frase de George Watson que abre o artigo de Stevenson é fenomenal. Aplica-se como uma luva ao caso de Chico Xavier.

CRIPTOMNÉSIA E PARAPSICOLOGIA* 

por IAN STEVENSON** 

‘Originalidade é a supressão de fontes’

George Watson (1978)

INTRODUÇÃO 

Os cânones da pesquisa em parapsicologia nos pedem para não favorecer uma interpretação paranormal para um caso a menos que tenhamos eliminado—ou completamente ou tão próximo disso que não faça diferença—todas as possibilidades para o sujeito ter obtido por meios normais o conhecimento mostrado na experiência. Esta regra se aplica caso estejamos falando sobre um sonho telepático, uma aparição coincidente com a morte, uma comunicação mediúnica, uma alegação de se lembrar de uma vida passada ou qualquer outra experiência em que uma comunicação paranormal de informação pareça ter ocorrido.

A informação comunicada deve ser verificada como correta, o que significa que ela deve (normalmente) existir em algum lugar, ou na forma impressa ou na mente de uma pessoa viva. (Não precisamos nos deter aqui sobre outras fontes por vezes importantes). Cada um desses dois tipos de depósitos possui suas vantagens. Por um lado, a informação existente somente na mente de alguém é menos acessível a outras pessoas do que material impresso; mas está sujeita também à fraqueza da memória—tanto para o esquecimento quanto para o embelezamento [dos fatos]. Por outro lado, documentos escritos se mantêm estáveis, mas alguns tipos, tais como jornais e livros, frequentemente possuem uma ampla distribuição de modo que pode ser muito difícil excluir a possibilidade de o sujeito ter visto uma particular fonte de informação. Assim a mesma fonte que verifica uma aparente experiência paranormal também pode sugerir uma explicação normal para ela.

Os sujeitos de uma experiência em que uma informação foi aparentemente comunicada por meios paranormais sempre negam que eles tenham tido conhecimento prévio dessa informação. É uma força do trabalho experimental em parapsicologia que experimentos projetados adequadamente podem sempre excluir conhecimento prévio da parte do percipiente da informação adquirida. Nós podemos similarmente eliminar tal conhecimento na maioria dos casos espontâneos em que os eventos comunicados ocorreram a uma distância física dos sujeitos e próximos ao momento de suas experiências, de modo que a informação sobre os eventos não poderia ter chegado a eles por meios normais; e se os eventos não foram contemporâneos com as percepções, mas ocorreram no passado, não deveria haver registro disponível publicamente ou forma de outra transmissão normal disponível aos sujeitos.

Quando nós avaliamos a probabilidade de que o sujeito de um caso que pareça incluir uma comunicação paranormal possa ter tido acesso normal a fontes de informação relevantes, nós não podemos nos basear exclusivamente no testemunho do próprio sujeito. Foi possível mostrar que algumas aparentes comunicações paranormais vieram, ou quase certamente vieram, da exposição normal anterior do sujeito a tais fontes. Na maioria desses casos os sujeitos tinham esquecido completamente sua exposição anterior a essa informação. Em tais casos—em que nós podemos assumir a honestidade dos sujeitos—nós dizemos que eles exibiram criptomnésia. Este termo foi definido pelo psicólogo James Drever (1952, p. 55) como ‘memória sem identificação ou reconhecimento como experiência prévia, [as] experiências prévias originais sendo esquecidas ou reprimidas, e seu restabelecimento aparecendo como uma experiência nova’. Alguns psicólogos preferem a frase amnésia da fonte ao termo criptomnésia.[1]

Eu proponho neste artigo passar em revista os melhores casos conhecidos de criptomnésia com o propósito de ver quais as lições gerais que podemos extrair deles e se nós podemos desenvolver de seu estudo diretrizes para julgar se a criptomnésia é uma explicação provável para casos que venhamos a investigar no futuro. 

REGRAS PROPOSTAS PARA INTERPRETAR UM CASO COMO CRIPTOMNÉSIA 

Eu já disse que o proponente de uma interpretação paranormal de um caso tem a obrigação de excluir processos normais de comunicação. Caso leiamos o relatório de um caso assim e permaneçamos não convencidos pela evidência de tal exclusão, nós podemos rejeitar a explicação paranormal ou suspender o julgamento. Caso, entretanto, digamos positivamente que o caso é um de criptomnésia, a obrigação de fornecer a evidência recai sobre nós. Nós deveríamos ser capazes de identificar uma fonte normal (ou fontes) de informação e mostra que o sujeito foi (definitivamente ou provavelmente) exposto a essa fonte ou fontes. Nós deveríamos, acredito, seguir algumas regras que eu devo oferecer para atribuir claramente um caso à criptomnésia. Essas regras podem ajudar na avaliação de casos individuais; mas eu espero que elas possam adicionalmente estimular a pesquisa disciplinada em um assunto que nós sabemos relativamente pouco.

Muito do nosso primeiro entendimento do assunto da criptomnésia vem do período das primeiras investigações da mediunidade, durante o qual inquéritos obstinados expuseram diversos momentos de criptomnésia; e isso nunca deixou de ser um risco no estudo da mediunidade. Mais recentemente, o assunto tem-se tornado crescentemente importante com o desenvolvimento do interesse popular em casos de regressão durante hipnose a ‘vidas passadas’. Alguns participantes acríticos em tais experimentos—hipnotistas e sujeitos semelhantes—são propensos a pensar que a pouca leitura que um sujeito alega ter feito na escola, ou subsequentemente, não poderia responder pelos ricos detalhes implantados em um cenário de ‘vida passada’ na, digamos, França do século XV; e eles são igualmente inclinados a subestimar outras fontes das quais o sujeito pode ter aprendido detalhes pertinentes. Por outro lado, alguns críticos desses casos assumem que se um livro que contém alguns detalhes da ‘vida passada’ foi publicado em algum lugar, isso por si só é suficiente para explicar a ‘vida passada’. Eles então não fazem esforço para estudar em detalhe a correspondência entre o livro e a ‘vida passada’, para saber se o sujeito de fato leu o livro em questão, ou avaliar a probabilidade de que ele o tenha feito. A ingenuidade incrédula pode nos atrapalhar tanto quanto a ingenuidade crédula.

Eu proponho 3 regras para estabelecer criptomnésia enquanto interpretação para um caso. Para mostrar como eu cheguei a propor essas regras e para testar sua utilidade contra casos específicos, eu irei revisar muitos dos melhores casos de criptomnésia no campo da parapsicologia. Durante o caminho eu devo mencionar, por razões de comparação, alguns casos de cópia sem ciência por escritores, que foram acusados de plágio.[2] E finalmente, eu discutirei alguns casos da parapsicologia em que a criptomnésia foi sugerida, mas que não é, em minha opinião, uma explicação satisfatória.

Seria embaraçosamente inconveniente para o autor de um artigo sobre criptomnésia esquecer as fontes de suas próprias informações. Portanto, eu realizei grandes esforços para expor todas as minhas; e isso é ainda mais necessário pois por razões de espaço eu devo resumir muitos casos brevemente esperando que os leitores interessados irão estudar os detalhes adicionais deles nos relatórios originais.

Antes de iniciar minha revisão dos casos relevantes, mencionarei duas das minhas três regras propostas. Os leitores acharão a terceira regra, que eu irei discutir abaixo, mais fácil de entender e aceitar após considerar o valor das duas primeiras ao avaliar os casos específicos que irei mencionar.

Para apresentar a minha primeira regra, eu devo lembrar-lhes que o nosso conceito de plágio (e cópia literária inconsciente) se refere á forma com que as idéias são expressas, não as idéias em si. Portanto, minha primeira regra é:

(a)            Deve haver uma correspondência em detalhe entre a informação expressada pelo sujeito e aquela disponível por meios normais a ele de outra pessoa ou em alguma outra fonte, como um documento impresso, filme, ou programa de televisão.

Na prática essa regra geralmente significa que nós devemos demonstrar uma similaridade de palavras, frases e imagens (e da ordem em que elas são expressas) entre a produção do sujeito e sua presumida fonte normal. Enganosocorrendo no presumido original e repetidos na aparente reprodução deveriam pesar junto com as similaridades. (Em algumas breves comunicações, como eu irei explicar depois, enganos ocorrendo tanto na comunicação como na possível fonte normal podem receber pesos maiores do que o normal). Em suma, nós devemos julgar se R (a alegada reprodução) é mais ou menos proximamente uma cópia de O (o presumido original). R não precisa ser uma cópia exata de O, mas nós devemos ser capazes de dizer que O foi sua fonte, já que a informação encontrada em R também está contida em O.

Minha segunda regra é extraída da nossa definição de criptomnésia. Dizemos que criptomnésia é lembrar um evento particular, enquanto esquece como ou mesmo ele foi conhecido. Isso significa que o sujeito de fato em algum momento tomou conhecimento dele. Então minha segunda regra afirma:

(b)            Deve haver evidência de que o sujeito de fato em algum momento tomou conhecimento da informação por meios normais, ou que é provável que ele o tenha feito.

A segunda cláusula dessa regra diminui a severidade da primeira. Provas dessa magnitude são extremamente difíceis de obter, e eu acho que nós devemos deixar espaço para julgamentos baseados em evidências aquém disso. O que eu espero excluir principalmente por essa regra são afirmações irresponsáveis de que uma fonte particular ou fontes podem ter sido a fonte de uma afirmação do sujeito sem qualquer esforço ter sido feito para mostrar que o sujeito de fato foi exposto a ela ou teve acesso à fonte.

Eu gostaria que nós aplicássemos essas duas regras uma independente da outra. Mas na prática nós frequentemente não podemos fazer isso, e veremos que em alguns casos nós podemos estar justificados em favorecer a criptomnésia enquanto explicação ainda que nós não tenhamos evidência direta que o sujeito sequer tenha visto uma passagem impressa que nós tenhamos identificado provisoriamente como sua fonte normal.

REVISÃO DE CASOS 

Abordando agora casos reais, é um prazer registrar que os mais antigos casos de criptomnésia registrados dos quais estou ciente satisfazem ambas estas regras.[3] Coleridge soube deste caso em uma visita a Göttingen, e nosso registro disto vem de sua Biografia Literaria (Coleridge, 1817/1926, págs. 70-72). O caso de Coleridge é com alguma dificuldade reconhecível em transmogrificações por autores posteriores que, cofiando em suas próprias memórias quando não deveriam, ilustram paramnésia (distorção da memória), se não criptomnésia. O caso é discernível, eu acho, em uma passagem de Moby Dick de Melville (1851/1926, pág. 476). O relato de Melville é marcadamente condensado, embora acurado; mas eu li outros relatórios do mesmo caso, rechauffé, em que lá ocorreram erros tais como atribuir o caso ao neurologista francês Charcot, transformando a fonte das elocuções do sujeito de um pastor protestante para um rabi, e mudando a língua principal em questão de hebreu para aramaico. Em vista de tais distorções pode ser de algum valor colocar a essência do caso em um registro moderno nas próprias palavras de Coleridge:

Uma jovem mulher de 24 ou 25 anos, que não sabia nem ler nem escrever, contraiu uma febre nervosa; durante a qual… ela continuou incessantemente falando latim, grego, e hebreu… folhas completas de seus delírios foram anotadas de sua própria boca, e descobriu-se consistir de frases, cada uma coerente e inteligível por si, mas com pouca ou nenhuma conexão umas com as outras. Do hebreu, apenas uma pequena porção pôde ser localizada na Bíblia; o restante pareceu estar no dialeto rabínico. Qualquer truque ou conspiração estava fora de questão.

Coleridge então descreveu como um jovem médico, determinado a entender o caso, investigou o passado da garota e eventualmente soube que na idade de nove anos ela foi levada para a casa de um pastor com quem ela permaneceu como parte criança adotiva, parte criança, até a morte dele. O médico acabou localizando uma sobrinha do pastor de quem ele soube alguns dos hábitos dele e que felizmente tinha preservado a biblioteca do seu tio. O relato de Coleridge continua:

… foi costume do velho homem, por anos, andar para cima e para baixo por uma passagem em que a porta da sua cozinha abria, e a ler ele próprio com sua alta voz, um dos seus livros favoritos. Um número considerável destes ainda estava de posse da sobrinha… Entre os livros foi encontrada uma coleção de escritos rabínicos, junto com vários dos Pais Gregos e Latinos; e o médico sucedeu de identificar tantas passagens com aquelas anotadas no leito da jovem mulher, que nenhuma dúvida poderia restar em qualquer mente racional concernente á verdadeira origem das impressões feitas em seu sistema nervoso[4] (págs. 71-72).

Casos de Criptomnésia entre 1870 e 1910

O mais antigo caso de criptomnésia registrado na literatura da pesquisa psíquica foi, eu lamento dizer, um que Myers (1895) indulgentemente como talvez tendo uma origem paranormal. Eu me refiro à comunicação através de Stainton Moses em Shanklin, Ilha de Wight, em 10 de fevereiro de 1874, das mortes na Índia de Berty Henry D’Oyly Jones e dois jovens irmãos (Moses, 1879, págs. 61-63). Myers não aceitou esse caso casualmente; ele teve os registros das mortes das crianças verificados nos registros do Escritório Indiano. Infelizmente, ele subestimou a possibilidade de Stainton Moses ter visto um obituário das crianças em um jornal. O próprio Moses, ciente da possibilidade de que ele pudesse ter adquirido informação sobre as crianças por meios normais, procurou por obituários no India Mail e no Pall Mall Budget. O último periódico relatou a morte das crianças, mas não forneceu seus nomes completos, tal qual havia feito a comunicação mediúnica. Podmore (1897) descobriu que esses nomes e tudo o mais nas comunicações havia sido publicado nas colunas de obituário no The Times em 4 de fevereiro de 1874, 6 dias antes da sessão pertinente. (Deve-se acrescentar que a comunicação nada tinha além do que o obituário do The Times forneceu).

Podmore (1897) bem como Flournoy (1911) trataram outro e ainda melhor caso famoso para o qual Stainton Moses era o médium, o de Abraham Florentine, com reserva similar. Uma pequena comunicação (em uma sessão também na Ilha de Wight) em 1º de setembro de 1874 deu o nome do comunicador, sua idade e morte, a data de sua morte, o local de sua morte (Brooklin, Nova Iorque), e o detalhe que ele tinha sido um veterano da Guerra em 1812 (Moses, 1874, 1875). A brevidade da comunicação, similar nesta característica à de Berty Henry D’Oyly Jones, fez um obituário em um jornal ser uma fonte normal provável. Foi somente em 1921, porém, que Dingwall (veja Note, 1921, 1922) encontrou os obituários de Abraham Florentine no Brooklyn Dale Eagle de 5 de agosto de 1874 e o New York Daily Tribune de 6 de agosto de 1874. Houve um grande espaço de tempo entre essas datas e 1º de setembro (quando o comunicador se manifestou) para um ou ambos destes jornais terem cruzado o Atlântico e serem vistos por Stainton Moses. Criptomnésia pareceu ainda mais provável porque ambos os jornais deram a mesma idade de Abraham Florentine na época de sua morte como o próprio comunicador fez durante a sessão; e sua idade estava discrepante com a informação dada pela viúva do comunicador a um inquérito anterior sobre os fatos (Moses, 1879). Pareceu improvável que a viúva estaria errada sobre a idade do seu marido na época de sua morte; assim pareceu razoável supor que a informação dada pelo comunicador foi extraída do médium ter visto um ou outro dos jornais que tinham fornecido a informação (aparentemente incorreta). Essa conclusão poderia estar correta, mas sua premissa não. Muitos anos depois eu descobri, consultando uma cópia do atestado de óbito de Abraham Florentine e conseguindo para exame o registro do seu enterro no Greenwood Cemetery no Brooklyn, que a viúva estava errada sobre a sua idade quando morreu. Os jornais e o comunicador estavam certos afinal de contas (Stevenson, 1965).

As comunicações sobre os irmãos Jones e Abraham Florentine satisfazem a minha primeira regra, mas não a segunda. Os jornais continham os relatos das mortes dos comunicadores, os quais poderiam ter sido vistos por Moses, mas nós não temos evidência de que ele o tivesse feito. Por outro lado, os comunicadores não fornecem nenhuma informação a mais (nem a menos) do que os obituários dos jornais continham. Para esses casos eu devo dizer, portanto, que a criptomnésia é possível, talvez mesmo provável, mas não provada.

No próximo caso, o de Hélène Smith (Flournoy, 1900, 1901), nós temos uma comunicação mais ampla e uma possível fonte impressa identificada, mas ainda nenhuma evidência direta de que a médium viu a fonte.[5] A descrição de Hélène Smith (durante uma sessão) da princesa árabe Simandini, que se casou com um príncipe Hindu de Kanara, Sivrouka Nayaka de Tchandraguiri, incluindo detalhes dos nomes e a data (1401) que aparecem em Histoire générale de l’Inde por de Marlès (1828). Até onde Flournoy pôde determinar, somente duas cópias do livro de Marlès existiam em Geneva (onde Flournoy e Hélène Smith viviam) na época em que o caso se desenvolveu. Ambos estavam cobertos com poeira, e parecia improvável que Hélène tivesse visto algum deles, embora ela pudesse ter visto outra cópia em outro lugar. Embora Flournoy não pudesse achar evidências de que Hélène Smith tivesse lido de Marlès, a ocorrência dos mesmos prováveis erros históricos tanto em seu livro quanto na narração de Hélène Smith dos eventos correspondentes tornam quase certo que o segundo foi extraído do primeiro.[6]

Na última década do século XIX e a primeira do século XX, três casos de cópias inconscientes por autores receberam larga atenção. Destes, o primeiro foi também o mais triste, porque o ‘plagiador’ foi a cega e surda heróica Helen Keller. Em sua autobiografia (Keller, 1903/1920), escrita quando ela ainda estava no início dos seus vinte anos, ela descreveu um extenso ‘plágio’ do qual ela foi a perpetradora inconsciente aos doze anos. Ela tinha escrito uma pequena história, os detalhes os quais pareceram chegar naturalmente em sua mente com uma força que ela inocentemente confundiu com poder criativo. Sua história foi admirada por sua família e enviada para um editor, que também gostou e a publicou sob o título ‘The Frost King’. Não muito tempo depois alguém chamou a atenção de Helen Keller para a similaridade entre ‘The Frost King’ e uma história chamada ‘The Frost Fairies’ por Margaret T. Canby, que foi publicada (em 1874, antes de Helen Keller ter nascido) em um livro chamado Birdie and His Fairy Friends. Nas próprias palavras de Helen Keller: 

As duas histórias eram tão parecidas em pensamento e linguagem que era evidente que a história de Miss Canby havia sido lida por mim, e que a minha era—um plágio. Foi difícil para mim entender isso; mas quando eu entendi eu fiquei atônita e triste. 

Helen Keller tentou então lembrar se alguém havia lido[7] ‘The Frost Fairies’ para ela, mas não pôde se lembrar de nada relevante. Sua professora, Miss Sullivan, também foi incapaz de se lembrar de ‘The Frost Fairies’, mas ela investigou a questão mais a fundo. Eventualmente ela descobriu que uma cópia de Birdie and His Fairy Friends tinha pertencido a uma mulher, Mrs. S. C. Hopkins, com quem Helen Keller permaneceu por quatro anos, quando ela tinha oito anos de idade. Durante a ausência ou as férias de Miss Sullivan, Mrs. Hopkins tentava entreter Helen Keller lendo vários livros para ela, e ela se sentia segura que Birdie and His Fairy Friends tinha sido um deles. Helen Keller acrescentou ao seu relato deste episódio um detalhe adicional de interesse psicológico. Embora ela não se lembrasse de ter tido o livro ‘The Frost Fairies’ lido para ela—mesmo após ela ter sabido que isso deveria ter acontecido—ela achou que o fato de a história conter palavras com as quais ela não era familiar, e as quais ela teria pretendido perguntar à sua professora ausente para explicá-las depois, tinha sido um fator a impressionar a história em sua mente, ainda que ela tivesse depois esquecido completamente o momento dessa impressão.

Em 1904 um jovem jornalista e crítico de teatro de Berlim, Siegfried Jacobsohn, foi mostrado ter usado em dois de seus artigos cerca de vinte linhas verbatim que tinham sido publicadas por outro jornalista, Gold, em 1897 (Taylor, 1965). Jacobsohn tinha uma reputação tanto de integridade quanto de talento; ele não tinha necessidade de copiar de Gold. Ele sabia que ele tinha lido o artigo de Gold, mas negou qualquer intenção consciente de usá-lo. Ele sabia que ele tinha uma notável memória retentiva e achou que no contexto de escrever um artigo sobre um tópico similar ao do artigo de Gold as palavras e frases do último chegaram à sua mente e ele as colocou em seu artigo sem reconhecer sua fonte original. Embora Jacobsohn tenha sofrido horrivelmente com a vergonha de ser acusado de plágio, ele também tinha defensores (Harden, 1904; Schnitzler, 1904), que achavam que sua cópia de Gold tinha sido inconsciente e portanto um exemplo de criptomnésia.

Quase ao mesmo tempo que o caso Jacobsohn, C. G. Jung (1905/1957) publicou um artigo sobre criptomnésia no qual ele mostrou que Nietzsche tinha usado em Thus Spake Zarathustra uma série de cenas e imagens que ocorriam no volume quatro de Blätter aus Prevorst de Justinus Kerner que tinha sido publicado em meados dos anos 1830s (Kerner, 1833, págs. 57-58). Jung soube que quando jovem Nietzsche tinha tido um profundo interesse em Kerner, e é quase certo que ele leu Blätter aus Prevorst naquele período de sua vida; mas provavelmente não depois. Quando, anos depois, Nietzsche estava escrevendo sobre o inferno, o símbolo de um vulcão lhe ocorreu como a entrada para o inferno; isso, por sua vez, evocou por associação outras imagens usadas por Kerner, de forma que Nietzsche empregou algumas delas sem estar ciente de que o estava fazendo. As imagens tinham adormecido em sua mente por muitos anos—cerca de 26 pelos meus cálculos—que ele não as reconheceu como outras que não suas próprias quando elas chegaram à superfície de sua consciência.

Flournoy (1911) publicou ainda outro caso de cópia que pode ter sido inconsciente ou pode ter sido plágio.Ele reproduziu em paralelo colunas de parágrafos de um trabalho Terres Lostaines por P. Seippel publicado em 1897 e seções correspondentes de um trabalho Unum Sint escrito por uma autora russa, Madame de P. (não identificada de outro modo por Flournoy), e publicado em 1900. Madame de P., a quem Flournoy discutiu o assunto, negou que ela tivesse lido ou sequer visto Terres Lostaines. Entretanto, uma comparação dos textos publicados por Flournoy convenceria a maioria dos leitores que porções dos textos de Madame de P. foram extraídas de algum modo do de Seippel. A seção relevante do livro de Seippel foi publicada na Gazette de Lausanne (31 de agosto de 1896), e como Madame de P. era uma visitante freqüente da ocidental Suíça (fluente em francês), Flournoy supôs que ela poderia ter visto o capítulo de Seippel no jornal, embora não talvez no livro publicado depois.

Nesta pesquisa nós ainda estamos na primeira década do século XX. Vimos que psicólogos e parapsicólogos começaram a discriminar entre criptomnésia e plágio consciente. Nós veremos depois, entretanto, que essa divisão não é sempre tão simples como gostaríamos que fosse. Antes de apresentar mais exemplos complicados, eu irei mencionar a seguir o primeiro caso publicado por um parapsicólogo em que o sujeito soube que criptomnésia deveria ter ocorrido.

Este caso não é, entretanto, um parapsicológico. Ele consiste meramente de afirmações por um homem que alegou se lembrar da campanha presidencial dos Estados Unidos de 1840, em que William Henry Harrison foi eleito presidente. A campanha de eleição foi, por várias razões, uma das mais notáveis da história americana, e o sujeito do caso estava bastante certo, enquanto ele se lembrava disso, de que ele estava narrando detalhes das suas próprias experiências. Seu ouvinte, entretanto, percebeu que como o narrador não havia nascido até 1847, ele não poderia se lembrar da campanha presidencial de 1840 em primeira mão. Confrontado com esta cronologia, o sujeito lembrou que quando criança ele tinha ouvido as vívidas narrações dos seus tios das suas experiências na campanha presidencial, e depois ele percebeu que ele as tinha adotado inconscientemente como as suas próprias (Hyslop, 1906, págs. 371-73).

Um caso de possível criptomnésia que ocorreu durante esses anos levou Richet (1905-07a) ao relatá-lo, a cunhar o termo xenoglossia. O sujeito, uma francesa, escreveu em um estado de dissociação parcial longas frases em grego, uma língua a qual ele não tinha conhecimento consciente. Richet descobriu que muitas das frases gregas existiam em um dicionário grego-francês; mas ele não obteve evidência que o sujeito tivesse visto o dicionário alguma vez. O caso, o primeiro bem investigado de aparente xenografia paranormal, compreensivelmente suscitou controvérsia e ceticismo entre os contemporâneos de Richet na S. P. R. (Lodge e outros, 1905-07; Richet, 1905-07b).

Com o caso seguinte chegamos ao primeiro (que eu conheço) em que o próprio sujeito foi capaz de indicar a fonte normal de comunicações aparentemente paranormais. O caso, conhecido geralmente pelo nome, Blanche Poynings, do alegado comunicador, permanece até hoje um modelo para os investigadores imitar (Dickison, 1911). Durante a hipnose, o sujeito declarou numerosos detalhes, incluindo muitos nomes próprios corretos, sobre a vida de Blanche Poynings, que era uma figura menor na corte do Rei Ricardo II. (As comunicações assumiram a forma de mensagens transmitidas de uma personalidade desencarnada). Depois de verificar a acurácia dos detalhes comunicados por Blanche Poynings, Dickinson, o investigador do caso, achou uma oportunidade para sondar a memória do sujeito dos livros sobre a corte de Ricardo II que ela poderia ter lido. Isso levou o sujeito (através de uma prancheta) a mencionar Countess Mauld por Emily Holt. Este livro, publicado em 1892, continha todos os detalhes corretos incluídos nas comunicações de Blanche Poynings, embora o sujeito tivesse caracterizado Blanche Poynings diferentemente da representação da novelista dela. O sujeito subsequentemente lembrou ter lido o livro, ou ao menos de tê-lo examinado, quando ela tinha doze anos de idade. A correspondência entre os numerosos detalhes nas comunicações e aqueles no livro, junto com a admissão pelo sujeito de que ela tinha visto o livro, retira toda a dúvida de que ele foi a fonte do material factual correto nas comunicações.

O sujeito era uma jovem mulher de idade não especificada na época das comunicações. Se nós supormos que ela tinha cerca de 25 anos naquela época, o conteúdo do livro permaneceu adormecido em sua mente por mais de doze anos antes de ser usado como os ingredientes factuais para a encenação das aparentes comunicações de Blanche Poynings. Vale a pena adicionar que, do relato de Dickison do caso, nós sabemos que o sujeito reteve e posteriormente incluiu nas comunicações ao menos 23 nomes próprios, a maioria deles de pessoas pouco conhecidas. 

Casos de Criptomnésia entre 1910 e 1950

Durante as poucas décadas seguintes após os primeiros anos deste século, psicólogos e parapsicólogos parecem ter escrito pouco sobre criptomnésia. Ao menos, eu pouco encontrei nas fontes que consultei. O tema, entretanto, não caiu no esquecimento completamente, como mostra a nota (Note, 1921, 1922) concernente aos relatórios de jornais pertinentes ao caso de Abraham Florentine mostra.

Em 1936 Lewis relatou a experiência de um oficial do exército inglês que tinha pego a si mesmo, por assim, dizer, em um ato de criptomnésia (Lewis 1936). O oficial e sua esposa viajavam em uma parte da Inglaterra a qual eles nunca tinham visitado antes quando chegaram a uma lagoa à beira da estrada, à qual ambos pareceram reconhecer. Sabendo que eles nunca a tinham visto antes, eles começaram a pensar que devem ter vivido naquela região em alguma vida passada. Um aparente reconhecimento de outros objetos na área reforçou a sua convicção de terem vivido lá. Quando eles retornaram a Londres, eles foram novamente a uma galeria de arte a qual tinham visitado pouco antes de iniciar sua viagem. Lá eles viram um quadro de uma lagoa à beira da estrada, o qual tinham visto na época de sua primeira visita à galeria de arte, mas tinham esquecido completamente no intervalo. O quadro explicou adequadamente sua experiência de déjà vu quando estiveram na lagoa em sua viagem.

Um caso instrutivo, de uma cópia aparentemente inconsciente chamou a atenção do público em 1950 (Skelton, 1956; Taylor, 1965). Em 1949 a poetisa V. Sackville-West publicou um poema chamado ‘The Novice and Her Love’ na Poetry Review. Quase imediatamente depois ela observou que outro poeta, Clifford Dyment, publicou (também em 1949) um poema quase idêntico, ‘Saint Augustine at Thirty-Two’, em uma coleção chamada Poems 1935-48. Os dois poemas eram impressionantemente parecidos. A primeira versão de Dyment deste poema, que ele tinha publicado em 1943, continha 100 palavras, e destas, 88 ocorriam no poema de Sackville-West e quase exatamente na mesma ordem.

O caso primeiro se tornou conhecido pela correspondência na New Statesman. Eu posso aqui fornecer apenas o mais breve resumo, selecionando para ênfase pontos que parecem relevantes para o nosso tema aqui—criptomnésia e parapsicologia[8]. Quando Sackville-West observou pela primeira vez a similaridade entre os dois poemas, ela não podia sequer se lembrar de ter visto o poema de Dyment antes. Mas revelou-se que ela tinha visto, como o desenvolvimento posterior do caso mostrou.

Dyment achou que ele tinha escrito seu poema ‘no início da guerra’ (Segunda Guerra Mundial), o que significaria (para um inglês) entre 1939 e 1942. Ele publicou primeiro ‘ St. Augustine at Thirty-Two’ em 1943 no St. Martin’s Review. Em 1944 ele o republicou em uma coleção dos seus poemas, The Axe in the Woods, e uma cópia do seu livro foi para Sackville-West para revisão. Dyment recebeu uma carta de Sackville-West (datada de 8 de novembro de 1944) em que ela elogiou vários de seus poemas e disse, em particular, o quanto ela tinha apreciado ‘St. Augustine at Thirty-Two’. Ainda assim, Sackville-West achou que ela tinha escrito seu poema ‘por volta de 1942 ou 1943’, o que teria sido (provavelmente) antes da primeira publicação de Dyment em 1943. Mas Sackville-West não tinha memória de compor o seu poema, embora ela se lembrasse de enviar uma cópia para um amigo. Ela foi incapaz de documentar a partir de qualquer registro escrito quando exatamente ela o tinha escrito. Parece extremamente improvável que a sua composição antedatasse a de Dyment, porque quando, em 1944, ela leu e elogiou o poema de Dyment ela não o reconheceu como o seu próprio. Ainda assim, 5 anos depois, quando ela viu o poema de Dyment novamente, ela reconheceu. A composição de Sackville-West portanto quase certamente deriva da sua leitura do poema de Dyment. Ela negou que ela tivesse feito uma cópia do poema de Dyment, e ela não pôde achar uma cópia em um livro de notas onde ela algumas vezes coloca cópias que ela faz dos poemas de outros poetas. Dois estudantes do caso, entretanto, sugeriram que ela de fato fez uma cópia do poema de Dyment, que tinha chamado sua atenção, mas descuidadamente não colocou o nome de Dyment em sua cópia. Depois, quando o editor do Poetry Review pediu-lhe por um poema para publicar, ela escolheu esse escrito em sua própria caligrafia sem perceber que não tinha sido ela própria a compô-lo. Sackville-West admitiu ter a ‘memória mais errática’, então essa explicação pode ser a correta. Se ela copiou o poema de Dyment, o ato de fazê-lo pode ter fixado o texto em sua memória, mas estou inclinado a pensar que isso também teria fixado em sua memória o fato de que ela o tinha feito. Por outro lado, se ela nunca copiou o poema de Dyment, sua memória o teria retido somente de ela tê-lo lido uma ou duas vezes em 1943-1944. Esta interpretação implica que uma exposição extremamente breve levou a uma lembrança quase exata de aproximadamente 100 palavras na ordem em que elas foram escritas. Eu tenho enfatizado esse aspecto do caso porque depois eu considerarei os diferentes períodos de exposição aos materiais lembrados que nós encontramos em casos de criptomnésia em parapsicologia.

Com o caso seguinte retornamos à parapsicologia. Este caso é o de um homem identificado como Mr. A (Pickford, 1943), que era o médium para um ‘círculo familiar’ de um grupo de espiritualistas em Glasgow. Durante as sessões ele passava por uma mudança de personalidade, ao menos à extensão de uma marcante mudança em sua voz, e comunicadores falaram através dele. Eles eram normalmente compositores alemães famosos, tais como Haydn, Beethoven, e Weber. Os comunicadores mostraram algum conhecimento de música e do supostamente compositor comunicante. Eles usavam poucas palavras e expressões da língua alemã, mas nenhuma xenoglossia em grande escala ocorreu. O caso chegou à atenção de Pickford em 1937, quando a Sra. A. consultou-o sobre as comunicações do marido, aparentemente com o motivo de convencer Pickford que seu marido era um grande médium. Pickford realizou uma extensa entrevista com ela e subsequentemente uma com o Sr. A. Dois anos depois ele fez uma entrevista de acompanhamento com ela. Ela estava confiante que seu marido não tinha conhecimento normal da língua alemã, dos compositores comunicantes, ou de sua música. Mas Pickford foi capaz de saber do Sr. A. que ele tinha uma tendência para a dissociação voltando muitos anos. Isto começou não muito depois da Primeira Guerra Mundial, durante a qual o Sr. A. tinha servido nas trincheiras da França. O Sr. A. tinha tido estados de fuga durante esse período, que foram suficientemente severos de forma que às vezes ele perdia contato com a sua própria unidade e saía das linhas britânicas, adentrando nas alemães, e—miraculosamente— saía novamente. Ele parece ter permanecido no lado alemão tempo suficiente para ter pego algumas palavras e frases do alemão. As memórias do Sr. A. dessas saídas permanecem vagas. Depois, após a guerra, ele continuou errante, provavelmente às vezes em um estado dissociativo. Ele lembrou que ele tinha gasto muito tempo lendo em livrarias públicas, e ele ‘achou que ele tinha gasto algum tempo estudando a biografia dos grandes compositores alemães, os quais ele sentia uma especial simpatia’ (Pickford, 1943, pág. 365). Infelizmente, Pickford não obteve permissão para fazer cópias dos registros das sessões, e assim ele não pôde determinar se as elocuções dos comunicadores correspondiam próxima ou amplamente com o que o Sr. A. pudesse ter lido sobre eles nas bibliotecas. Entretanto, o caso é um dos poucos em que foi encontrada evidência da aprendizagem de um médium em um estado dissociado em que informações vieram a ser expressas novamente durante um estado de dissociação posterior.

Casos de Criptomnésia entre 1950 e 1980

Um interesse renovado em criptomnésia data da publicação do caso de Bridey Murphy (Bernstein, 1956/1978), que foi seguido a princípio vagarosamente, mas nos anos 1970s mais rapidamente, pela publicação de muitos outros casos do mesmo gênero: regressão durante a hipnose a uma aparente vida passada. Este não é um artigo sobre experimentos em regressão hipnótica, e eu proponho apresentar somente aqueles casos que nos ajudem a entender melhor quão normalmente uma informação adquirida pode ser expressa por pessoas que não se lembram como elas obtiveram essa informação. Depois eu argumentarei que o caso Bridey Murphy quase certamente não é um de criptomnésia, e certamente não provado de acordo com as minhas regras. Mas alegou-se ser explicável em termos de criptomnésia (Gardner, 1957; Klinc, 1956). A publicação do relatório do caso Bridey Murphy estimulou não somente mais experimentos em regressão hipnótica a possíveis vidas passadas, mas também a vários relatos de experiências em que o conteúdo das presumidas vidas passadas foi rastreado a informações apreendidas pelo sujeito sob circunstâncias normais.

Em um desses casos o sujeito hipnotizado falou uma língua eventualmente identificada como Oscan (Rosen, 1956). (Esta língua não emergiu explicitamente como parte de uma ‘personalidade passada’). O próprio sujeito foi levado—não sabemos exatamente por quais meios— a lembrar que ele tinha lido as palavras em Oscan que ele depois reproduziu em uma biblioteca, onde ele tinha estado sonhando acordado sobre a sua namorada. Ele viu as palavras quando ocorreu dos seus olhos caírem sobre uma cópia de A Grammar of Oscan and Brumian (1904) de Buck, que estava aberto sobre uma mesa diante dele. A porção de texto assim absorvida foi uma seção de dez palavras de ‘The Curse of Vibia’, que data do terceiro século A. C.

Mais sistematicamente, Zolik (1958, 1962), conduziu dois experimentos que empregaram o método usado tão sucessivamente cinqüenta anos antes por G. L. Dickinson. Ele primeiro pediu aos sujeitos hipnotizados que voltassem a uma ‘vida passada’, o que eles pareceram fazer; ele depois os instruiu (hipnotizados mas não regressados à vida passada) a vasculhar as memórias de suas (presentes) vidas e informar-lhe das origens dos ingredientes usados para compor as ‘vidas passadas’. Zolik acreditava que eles tinham feito isso com sucesso. Entretanto, uma leitura cuidadosa dos relatos de Zolik levantou dúvidas em minha mente sobre o que de fato ele efetuou. A correspondência entre o conteúdo das ‘vidas passadas’ induzidas hipnoticamente e as presumidas fontes normais de informação (para os dois casos que Zolik publicou em detalhe) está longe de ser próxima. Além disso, Zolik não verificou de forma independente as fontes mencionadas pelos sujeitos, então resta uma possibilidade que eles estivessem respondendo às convincentes instruções do hipnotista completamente enquanto eles nomeavam as fontes assim como teriam feito quando produziram antes a ‘vida passada’.

Zolik, entretanto, teve sucessores, e muitos deles foram mais sucedidos do que ele em mostrar (com detalhes combinantes) correspondências entre uma ‘vida passada’ hipnoticamente induzida e fontes normais de informação (Björkhem, 1961; Hilgard, 1977; e Kampman e Hirvenoja, 1978).

Um dos dois casos relatados por Kampman e Hirvenoja parece particularmente valioso. Uma garota finlandesa de doze a treze anos foi regredida durante a hipnose a oito ‘vidas passadas’, incluindo uma como uma menina inglesa chamada Dorothy que vivia na Idade Média. A ‘personalidade Dorothy’ cantou uma canção medieval em inglês. Sete anos depois o sujeito foi novamente hipnotizado e pedido para lembrar a fonte para a canção em inglês. Ela então lembrou que ela a tinha visto em uma tradução finlandesa de um livro (The History of Music) de Benjamin Britten e Imogen Holst (1958). A canção medieval é a famosa começando por ‘Sumer is icumen in’. Britten e Holst reproduziram dezoito de suas palavras no livro. O sujeito tinha evidentemente visto o livro e assimilado a canção em sua memória pouco antes da primeira sessão hipnótica na qual a ‘personalidade Dorothy’ emergiu. Não houve nada incomum na construção da sua ‘personalidade Dorothy’, por assim dizer, em sua mente, a partir de quaisquer materiais em inglês disponíveis à mão. Esse é o modo com que sujeitos hipnotizados pedidos para produzir uma ‘vida passada’ seguem instruções. O que é notável é a capacidade do sujeito de identificar sete anos depois o livro exato em que ela tinha visto a canção medieval.[9]

Não diminuiria o sucesso de Dickinson e Kampman se nós pudéssemos saber quantas vezes em muitos casos uma busca fracassada por fontes normais de informação foi feita com um sujeito hipnotizado que tinha anteriormente comunicado detalhes de uma vida passada. (Eu sei de um caso em que tal busca fracassou em descobrir uma fonte normal; este é o caso de Jensen [Stevenson, 1974c]. O fracasso em encontrar uma fonte normal não elimina criptomnésia enquanto interpretação para um caso particular, mas pode ajudar a impedir um encerramento muito rápido do caso.

Meus dois exemplos seguintes vêm da mediunidade. No primeiro deles Edmunds (1966) mostrou uma grande similaridade entre muitos parágrafos de textos escritos automaticamente (em março de 1949) por Geraldine Cummins, para os quais o suposto comunicador era o Coronel P. H. Fawcett, e um artigo escrito pelo próprio Coronel Fawcett e publicado na Occult Review em 1923. (Fawcett era um explorador inglês que desapareceu nas florestas brasileiras em 1925; ele nutria um interesse pela pesquisa psíquica). Edmunds, como Flournoy, apresenta trechos do artigo original e da escrita em colunas paralelas ordenadas para facilitar sua comparação. A correspondência entre os escritos e o artigo não é exata. Não é tão próxima quanto aquela entre o poema de Sackville-West e o de Dyment; mas não está longe disso. As idéias desenvolvidas são muito similares, e em muitos locais as mesmas frases e palavras ocorrem em referência aos mesmos tópicos em ambos os textos. A similaridade entre os textos não pode ser vista como acidental.

Ao mesmo tempo em que essas similaridades foram descobertas, a própria Geraldinne Cummins (1966) ofereceu 3 interpretações para elas, e eu não consigo pensar em outra que valha a pena adicionar. A primeira foi que o Coronel Fawcett, tendo sobrevivido à morte, estava se comunicando através de Miss Cummins e, tendo retido idéias que ele escreveu quando vivo, estava repetindo-as nos escritos, frequentemente com as mesmas palavras e frases. Miss Cummins sugeriu um elo plausível entre o seu próprio interesse na vitalidade das árvores (um tema de textos similares) e aquele do falecido Coronel Fawcett que pudesse tê-lo levado (enquanto um comunicador desencarnado) a citar suas próprias observações sobre o assunto nos escritos.

A segunda possibilidade era que Miss Cummins tinha lido o artigo do Coronel Fawcett na Occult Review e que porções de suas memórias dele emergiram em seus escritos através de um processo de associação normal (ainda que subconsciente) quando ela pensou estar recebendo uma comunicação do falecido Coronel Fawcett. Mas ela alguma vez leu o artigo do Coronel Fawcett? A própria Miss Cummins admitiu que isso era possível, mas ela achava isso improvável e certamente não tinha memória alguma de tê-lo feito. Se, entretanto, a criptomnésia é a explicação correta para o caso, a extensão do intervalo entre a exposição normal á informação e sua posterior emergência—vinte e seis anos—pode ser um recorde nesse aspecto. (Mas no caso de Nietzsche [Jung, 1905/1957] o intervalo era mais ou menos o mesmo).

Miss Cummins também sugeriu uma terceira explicação para as semelhanças entre os dois textos: telepatia entre ela própria e Miss E. B. Gibbes, que estava em sua companhia e foi a investigadora de sua escrita automática por muitos anos. Miss Gibbes tinha quase certamente lido o artigo em questão pelo Coronel Fawcett. Miss Cummins não achou dificuldade em sugerir que telepatia poderia explicar as similaridades nas palavras e textos. Ela escreveu que uma vez ela obteve telepaticamente do poeta W. B. Yeats ‘quase palavra por palavra um esboço de um enredo dramático que ele estava trabalhando’. Eu não posso fazer um julgamento sobre esta alegação sem saber quanto de material foi transmitido ‘quase palavra por palavra’. Entretanto, é, eu acho,  altamente incomum para alguém alegar a comunicação telepática ‘palavra por palavra’ de tanta informação. A mais longa de tais comunicações que eu pude me lembrar consistia de duas estrofes de versos, cada uma com quatro linhas (Suringar, 1923).

O segundo caso, relatado por Berendt (1970), contém muitos menos detalhes que o precedente; ainda assim tem algum valor como exemplo da retenção criptomnésica de informação percebida auricularmente. Berendt teve uma sessão com uma médium de Londres, subsequentemente teve alguma leve correspondência com ela, e então outra sessão (também em Londres) aproximadamente dois anos após a primeira. Na ocasião da segunda sessão, a médium não reconheceu Berendt conscientemente. Não obstante, ela imediatamente retornou para o tema da primeira sessão. Isso concernia ao assassinato de um dos amigos de Berendt, de detalhes os quais a médium não poderia saber por meios normais. O assassinato do amigo estava na, ou próximo, à superfície da mente de Berendt em cada ocasião, e isso pode ter facilitado a comunicação sobre isso por telepatia entre Berendt e a médium. Ainda assim, como na segunda ocasião a médium começou a sessão com o tema de sessão anterior, Berendt concluiu que ela o tinha inconscientemente reconhecido e que isso estimulou, através de associações normais, a emergência do tema desenvolvido durante a primeira sessão dois anos antes.

AS CIRCUNSTÂNCIAS QUE FACILITAM CRIPTOMNÉSIA

Se a minha pesquisa dos casos foi razoavelmente compreensiva e incluiu, como eu espero, quase todos os casos investigados pelos parapsicólogos, então a conclusão mais importante que nós podemos extrair disso é que os materiais disponíveis são muito escassos para justificar exceto as afirmações mais gerais sobre as circunstâncias que facilitam a criptomnésia. Apesar da escassez dos casos em número, os relatos frequentemente fracassam em fornecer o detalhe que gostaríamos de ter sobre as correspondências entre a comunicação e sua presumida fonte normal. E nós raramente somos informados sobre o que gostaríamos de saber sobre os estados de consciência dos sujeitos nestes casos, ou quando eles assimilaram a informação pela primeira vez ou no momento de sua emergência posterior das profundezas de suas memórias. Mas essas lacunas no nosso conhecimento não precisam nos frustrar. Uma completa exposição da ignorância pode ser o primeiro passo em um programa de pesquisa. Com esses avisos, e adicionando aqui e ali mais alguns casos ilustrativos, eu a seguir resumirei o pouco que nós podemos agora dizer sobre como a criptomnésia ocorre e como as memórias nela envolvidas se expressam.

 A Quantidade de Informação Envolvida em Criptomnésia

Os leitores terão observado nos exemplos que eu dei que a informação retida criptomnesicamente e corretamente comunicada foi extremamente breve. Muitos casos correspondem a apenas duas ou três linhas de um obituário de jornal; a recitação Oscan retida pelo sujeito de Rosen consistia de apenas dez palavras; e a canção medieval da ‘personalidade Dorothy’ estudada por Kampman e Hirvenoja tem (em sua forma impressa) apenas dezoito palavras. Por outro lado, nós também encontramos muitos outros exemplos em que a informação era muito mais abundante, e o caso de Dickinson incluiu uma provisão abundante de nomes próprios.

Dos casos considerados nós podemos, talvez, extrair um aviso para estarmos alertas concernente à possibilidade de criptomnésia quando uma comunicação sobre um evento passado é curta. Nós não podemos, entretanto, dizer o contrário. Nós não sabemos agora os limites da quantidade de material que pode ser retida criptomnesicamente e depois emergir, ou uma reprodução literal ou condensada ou alterada de outra forma.

A Modalidade Sensorial de Material Incorporado Criptomnesicamente

Na maioria dos casos que eu revisei o sujeito obteve a informação pertinente através da leitura, o que significa de uma fonte impressa. Nós vimos, entretanto, que no caso relatado por Coleridge isso veio em palavras faladas que o sujeito ouviu. E no caso de Helen Keller isso veio no estímulo táctil pelo qual seus professores liam livros para ela. Com a grande extensão do rádio e da televisão, nós deveríamos esperar que casos futuros de criptomnésia derivassem do material exposto e esquecido deste tipo da mídia. Infelizmente, a quantidade e a transigência de muito o que é difundido provavelmente aumentará a dificuldade de identificar as fontes exatas de informação criptomnesicamente retida desta fonte.

A Duração da Exposição à Fonte de Informação

A duração da exposição do sujeito ao material pertinente pode ser breve. Helen Keller pode ter tido ‘The Frost Fairies’ lido apenas uma vez para ela. Quase certamente o sujeito de Dickinson leu Countess Maud (a fonte para as aparentes comunicações de Blanche Poynings) apenas uma vez. E eu mencionei quão improvável é que Sackville-West possa ter lido o poema de Dyment ‘St. Augustine at Thirty-Two’ mais de uma ou duas vezes antes que ela pudesse retê-lo quase numa reprodução exata.

Bose (1959) relatou o caso de um menino em Calcutá, Índia, que disse que ele se lembrava do suicídio de uma mulher da aldeia sobre a qual ele forneceu detalhes em que as pessoas ao redor dele pensaram que ele não poderia saber por meios normais. Mas exaustivos inquéritos levaram à descoberta de um pedaço de jornal (preso a um vidro de janela) em uma casa onde o garoto havia estado por alguns dias alguns anos antes. Um relato do suicídio foi impresso no pedaço de jornal, que foi lançado na época da visita do garoto a esse local. Não se sabe se o garoto leu o relato do suicídio no jornal ou se ouviu os adultos falando a respeito disso; em qualquer caso sua exposição à informação foi certamente breve.

Alguns psicólogos experimentais estudaram a retenção da informação a qual sujeitos foram expostos brevemente. Mas em seus experimentos, como os de Potter e Levy (1969), parecem normalmente terem sido dirigidos a estudar a memória de curto-prazo, quando ao considerar a criptomnésia frequentemente nos deparamos com informação que o sujeito aprendeu meses ou anos antes de sua posterior emergência.

Um experimento que Bayer (1973, págs. 57-58) conduziu testou a capacidade de um sujeito reter por um período de duas semanas informação a qual ela foi brevemente exposta apenas uma vez. Bayer segurou diante desse sujeito uma série de 30 cartões vazios completamente brancos (cada um com uns 8 centímetros quadrados) e instruiu-a a ver em cada cartão sucessivo algum objeto que ele sugerisse a ela, como um navio, um chapéu, um carro, etc. Bayer fez uma lista dos objetos sugeridos e escreveu um número correspondente a cada objeto nas costas de cada cartão. Ele então misturou os cartões e apresentou-os novamente ao sujeito, com os números nas costas ocultos dela e sem ele próprio saber qual objeto ele tinha anteriormente sugerido que ela visse em cada cartão. O sujeito então denominou cada objeto os objetos anteriormente sugeridos para cada cartão sem um erro sequer. Duas semanas depois Bayer então chamou o sujeito inesperadamente e repetiu o experimento, o qual o sujeito realizou novamente sem um erro. Neste caso nós devemos supor que o sujeito identificou cada cartão vazio por uma leve marca em sua superfície e foi capaz de associar essa marca com o objeto sugerido, de forma que quando ela depois reconheceu a marca ela podia também lembrar o objeto que ela ‘viu’ antes no cartão vazio. Telepatia de Bayer parece improvável pelo desenho do experimento. O sujeito de Bayer não estava hipnotizado, mas ostensivamente em um estado de consciência normal.

Um caso que eu estudei pode incluir a mais breve exposição ao material conhecida na história deste tópico. É um de comunicadores mediúnicos se manifestando através de um tabuleiro ouija. A médium principal, Mrs. Southey (pseudônimo), fazia sessões regularmente com uma amiga, Mrs. Crowson (pseudônimo), cuja mão também descansava sobre o ponteiro do tabuleiro. As letras indicadas pelo ponteiro foram ditadas a uma terceira pessoa ou para um gravador e depois transcritas em palavras e frases legíveis e inteligíveis. Deste modo um número bem grande de comunicadores esporádicos foi registrado e sua existência subsequentemente verificada. Eu visitei e me sentei com Mrs. Southey a Mrs. Crowson em duas ocasiões. A honestidade delas não me pareceu estar em questão; outro membro sênior da S. P. R. que também as visitou concordou com a minha avaliação sobre esse ponto, e eu espero que os leitores a aceitem como válidas, de forma que eu possa prosseguir afirmando o que eu penso ter sido a fonte correta para alguns desses comunicadores esporádicos. Atinge-me primeiro como algo estranho que a existência de muitos desses comunicadores esporádicos fosse verificada em colunas de obituário do Daily Telegraph (de Londres). Foi impossível também ignorar a grande similaridade entre algumas das declarações dos comunicadores esporádicos sobre eles mesmos e as curtas notícias de obituário do Daily Telegraph. Como as comunicações de Abraham Florentine e Bertie Henry D’Oyly Jones, essas desse tipo com Mrs. Southey geralmente não fornecem mais ou menos informação do que a que o obituário de verificação forneceu. 

Eu perguntei sobre a disponibilidade do Daily Telegraph a Mrs. Southey e a Mrs. Crowson. Mrs. Southey nem assinava o Daily Telegraph nem o lia. Mas o marido de Mrs. Crowson assinava-o, e ele fazia o quebra-cabeça de palavras-cruzadas. Ela me disse que ela não lia o jornal regularmente, mas ela me disse que às vezes pegava o jornal para ver se ela conseguia terminar uma palavra-cruzada que havia vencido o seu marido. Os obituários no Daily Telegraph era (e são) impressos na mesma página que as palavras-cruzadas, ou vice-versa de acordo com o que lhe interessar mais. Fazedores de palavras-cruzadas tendem a dobrar o jornal duas vezes, de forma que eles têm diante deles o quarto da página onde a palavra-cruzada está impressa. Com o Daily Telegraph isso deixa uma margem por volta da palavra-cruzada frequentemente coberta pelas notícias do obituário. Quando eu descobri que muitas das notícias de obituário que tinham verificado os comunicadores esporádicos tinham sido impressas na página de trás não muito longe do quebra-cabeça, eu considero razoável supor que quando Mrs. Crowson (que também colocava sua mão sobre o ponteiro do tabuleiro ouija) tentava terminar o quebra-cabeça para o seu marido, as notícias de obituário entravam em seu campo de visão. Eu não acho que ela as lia no sentido costumeiro que nós temos de leitura; mas ela não obstante as assimilava. Outras notícias de obituário colocadas em outra parte na página ela pode ter absorvido por vislumbres enquanto ela pegava o jornal e se sentava na cadeira para resolver o quebra-cabeça.[10]

Eu devo citar um exemplo para ilustrar os possíveis meios normais para adquirir informação à qual estou me referindo. Em uma sessão realizada (por Mrs. Southey e Mrs. Crowson) em 28 de setembro de 1966, a seguinte comunicação foi recebida:

Norman Denis. Meu nome é Norman Denis de Salisbury. Da Sociedade de Jesus, Rhodesia. Membro da Linnean [palavra ininteligível].

Em 24 de setembro de 1966, o Daily Telegraph incluiu o seguinte entre as notícias de obituário:

Dennis, em 19 de setembro, repentinamente em Salisbury, Rodhesia, Norman, da Sociedade de Jesus, e membro da Linnean Society, 54 anos. Missa de Réstia na Farm Street Church, W. 1., em 15 de outubro, meio-dia.

Em 24 de setembro de 1966 a palavra-cruzada estava no canto direito inferior da página, a notícia da morte de Norman Dennis no canto superior esquerdo.

Goodrich-Freer (1899, pág. 113) relatou um caso um tanto similar. Ela viu em sua bola de cristal uma notícia de obituário no The Times. Ela subsequentemente lembrou que na noite anterior ela tinha usado a página desse jornal contendo os obituários como um escudo contra um fogo da lareira que estava muito quente. A notícia do obituário ficou na frente dos seus olhos e uma impressão dela ficou retida em sua mente, sem ela estar ciente disso no momento em que ocorreu.

Pareceria, portanto, que com algumas pessoas uma breve exposição à informação pode ser suficiente para que ela seja lembrada e depois expressada quando outras condições estão presentes para que isso possa acontecer. Alguns psicólogos podem não acreditar nisso, mas muitos anunciantes evidentemente sim. Disto eu posso dar um exemplo da experiência dos oficiais do centro médico nos Estados Unidos. Sabe-se bem que os fabricantes farmacêuticos visam anúncios nos centros oficiais na esperança de treiná-los para prescrever as drogas dos anunciantes em preferência àquelas dos seus competidores. Igualmente bem-sabido é o hábito dos oficiais de jogarem fora quase todo esse material sem mais do que uma olhadela nele. A Universidade do Hospital de Virgínia fornece um barril convenientemente colocado na sala de correspondência para receber esses descartes não lidos. Um anunciante decidiu enfrentar esse desafio colocando o nome de sua droga impressa audácia e verticalmente do lado de fora do envelope na margem esquerda; desse modo mesmo que o oficial aborrecido tentasse jogar o envelope no barril de resíduos de papel, seus olhos iriam inevitavelmente cair no nome da droga que o fabricante queria que ele prescrevesse.

A Duração da Retenção da Informação antes de sua Emergência Posterior

Sobre esse assunto eu pouco posso dizer. A maioria dos exemplos reconhecidos mostram uma retenção por um período de algumas semanas apenas. Entretanto, no caso de Cummins (se for melhor interpretado como um caso de criptomnésia) e no caso de Nietzsche o intervalo entre a exposição normal à informação e a sua posterior emergência foi de 26 anos. E foi de cerca de 12 anos no caso Blanche Poynings e 7 no caso Jacobsohn de cópia literária.

Algumas Pessoas Seriam Mais Prováveis de Exibir Criptomnésia do que Outras?

Pouco pode ser dito sobre esse tema também. Não é de qualquer ajuda afirmar, após o fato, que as pessoas que exibiram criptomnésia tinham uma capacidade de memorização melhor. Os sujeitos dos casos de criptomnésia parecem ter exibido uma ampla variação na excelência das suas memórias. Alguns sujeitos, como Jacobsohn e Daniels (cujo caso eu considerarei abaixo), eram conhecidos por (ou supunha-se) terem boa memória; outros, como Sackville-West, menosprezavam suas memórias.

A qualidade geral da memória de uma pessoa pode ter pouco peso no desenvolvimento de um caso de criptomnésia, já que o interesse exerce um grande papel naquilo que uma pessoa lembra; nós podemos ser bastante esquecidos de um conteúdo que nós achamos tedioso enquanto nos lembramos bem de algo que achamos excitante. Além disso, nós precisamos saber algo mais sobre pessoas que lembram material sem saber depois onde elas o apreenderam, ou mesmo que elas o tinham apreendido. Uma pessoa passível de se tornar um sujeito de um caso de criptomnésia pode ter hipermnésia para o conteúdo e amnésia para a fonte.

Os sujeitos dos casos investigados por parapsicólogos em que a criptomnésia foi demonstrada ter quase todas as pessoas capazes de entrar em estados bem profundos de dissociação—fossem os auto-induzidos da mediunidade ou os induzidos pela hipnose por outros.[11] Devemos considerar a possibilidade que pessoas com essa grande capacidade de dissociação podem ser pessoas com uma facilidade incomum de lembrar informação à qual elas foram brevemente expostas. Eu não estou dizendo que todo mundo com hipermnésia é capaz de dissociação,[12] somente que pessoas com dissociação podem também ter hipermnésia, ao menos algumas vezes.

O Estado de Consciência do Sujeito Quando Exposto à Informação 

Para este aspecto da criptomnésia nós também não temos quase nenhuma informação substancial. Como mencionado acima, a maioria das pessoas que forneceu a evidência que dispomos para criptomnésia foram capazes de entrar em estados dissociados. E elas também podem ser o tipo de pessoas que, em um estado de dissociação parcial, assimilam informação sem depois estarem cientes que o fizeram. Mas de evidência direta para apoiar essa conjectura, eu não posso oferecer quase nenhuma. Somente no caso de Pickford e no de Berendt nós temos evidência que os sujeitos obtiveram a informação que eles depois produziram nas comunicações enquanto eles estavam em um estado dissociado anterior. A esses exemplos, nós podemos talvez adicionar o sujeito de Rosen, que recordou que ele esteve ‘sonhando acordado’ quando ele leu e absorveu em sua memória a recitação Oscan. Talvez possamos conjecturar também que Goodrich-Freer e Mrs. Crowson (usando um tabuleiro ouija com Mrs. Southey), que reproduziu obituários de jornais, assimilaram estes quando estavam em um estado de leve dissociação; certamente elas não estavam lendo deliberadamente os obituários à época.

O Estado de Consciência do Sujeito Quando a Informação Emerge

Concernente ao trazer o material à expressão, nós sabemos que estados de dissociação, sejam voluntariamente induzidos ou trazidos pela sugestão de um hipnotista, facilitam a transmissão de informação ordinariamente latente na mente.

Outro caso de cópia aparentemente inconsciente, que eu irei agora resumir, fornece peso à ideia que a informação figurando em casos de criptomnésia pode ser expressa em um estado de desatenção aos estímulos externos o que eu acho pode ser visto como um tipo menor de dissociação. Em 1972 um cientista americano (Daniels, 1972) reconheceu publicamente que ao escrever um livro ele tinha sem querer usado porções substanciais dos trabalhos de outros que tinham escrito sobre o mesmo assunto que ele. Não era, ele confessou, uma questão de somente usar as idéias dos outros. Nas notas de rodapé em seu livro, Daniels reconheceu essas faltas; mas escreveu que ‘chegou à minha atenção’ que tinha também usado as próprias palavras deles. Como ele próprio declarou:

…demais das palavras, bem como das idéias, do autor citado foram usadas. Em um caso, chega-se a 55 palavras consecutivas; em outros há frases, partes de frases, ou frases-chave que são na verdade as mesmas que aquelas usadas pelo autor citado.

Daniel foi então explicar como ele achava que essas cópias tinham ocorrido. Ele esteve lendo os livros em questão (porque eles tratavam deste tema) durante o esboço de seu próprio livro. Ele fez várias notas do que ele leu, mas não copiou qualquer material delas. Entretanto ele reteve muitas das palavras usadas do que ele leu enquanto ele trabalhava em seu próprio projeto. Ele disse ainda:

Quando eu escrevi minha própria seção, longe de simplesmente relatar o trabalho de Cremin [um autor de quem ele copiou], e o de outros, enquanto eu pensava o que eu estava fazendo, eu estava na verdade reproduzindo partes com a ajuda das breves notas e da leitura recente [dos trabalhos os quais ele plagiou as frases]. Eu certamente sou ciente de que eu tenho uma capacidade extraordinária de lembrar material quando eu quero, mas eu nunca antes tinha percebido que eu o fazia inconscientemente [ênfase adicionada].

O estado que Daniels descreve de si mesmo enquanto ele estava escrevendo seu livro pode ser não familiar a ele; mas é bastante familiar a muitos estudantes de composição literária e musical. Muitos autores e compositores descreveram seus trabalhos como quase sendo escritos para eles por forças expressivas que tinham apenas que ser soltas para que o trabalho de escrever sobre o papel fosse feito. Seus ingredientes tinham frequentemente estado dentro da mente dos autores ou compositores por algum tempo e o ato de criação consistia em conferir novas e belas formas sobre o material latente. A vinda de ‘Kubla Kahn’ a Coleridge enquanto ele estava em um sono narcótico-induzido fornece um exemplo extremo de como os conteúdos mentais podem ser agregados por forças criativas durante os estados de dissociação. Poucos escritores podem igualar os poderes de síntese de Coleridge, mas ainda menos escritores podem realizar um trabalho criativo quando em um estado não totalmente diferente do dele quando ele compôs ‘Kubla Klan’.[13]

Embora um estado de dissociação parcial (ou completo) possa facilitar a expressão de material mantido criptomnesicamente, ele não é necessário para a sua emergência. Flournoy (1911, págs. 449-452) se referiu a isso 70 anos atrás quando ele revisou uma série de comunicadores esporádicos que lhe pareceram provavelmente extraídos de leituras em enciclopédias. Os assistentes negaram que eles tivessem alguma vez ouvido falar dos comunicadores antes que eles tivessem se manifestado e também—mais ao ponto presente—negaram que eles estivessem em um estado de ‘sonambulismo’ quando o grupo recebeu as comunicações. Eu concordo com a insistência de Flournoy de que material criptomnesicamente retido pode emergir durante um estado de consciência que não parece de forma alguma anormal.

MAIS CONSIDERAÇÕES SOBRE AS REGRAS PARA JULGAR QUANDO A CRIPTOMNÉSIA OCORREU 

Eu gostaria agora de voltar a duas das minhas três regras para dizer que a criptomnésia ocorreu, e para refrescar a sua memória eu direi as duas novamente: (a) uma correspondência próxima deve existir entre a fonte aparente e o material reproduzido, e (b) nós devemos ter evidência não de que o sujeito possa ter visto a fonte em algum lugar, mas de que ele de fato ou provavelmente o fez. A primeira regra tem a fraqueza que as opiniões podem divergir concernente ao que nós devemos considerar uma ‘correspondência próxima’. Se os leitores estudarem cuidadosamente, nos relatos originais, os exemplos de criptomnésia que eu forneci, eles podem formar seu próprio julgamento sobre o assunto, mas eu ficaria surpreso se eles não concordassem comigo que a maioria desses exemplos ilustra uma ‘correspondência próxima’. A grau de correspondência, entretanto, varia consideravelmente de caso para caso, e isso me traz ao tópico da interdependência das minhas primeiras duas regras.

A Interdependência das Primeiras Duas Regras Propostas

Eu disse antes que casos algumas vezes ocorrem em que nós não devemos aplicar essas duas regras inflexivelmente e independentemente uma da outra. Eu acho que às vezes nós podemos concluir que a criptomnésia provavelmente ocorreu ainda que nós não obtenhamos evidência de que o sujeito sequer tenha visto a suposta fonte da informação comunicada ou por outro lado aprendido a informação por meios normais. Nós podemos fazer isso quando a correspondência verbal entre a comunicação e a presumida fonte normal é extremamente próxima. Em alguns desses casos que eu citei, especialmente os casos de cópia inconsciente, como o de Sackville-West, nós devemos, eu acho, concluir que o sujeito viu o original, mesmo que nós não tenhamos como saber pela evidência de que ele o fez. Quão próximas as correspondências entre os dois textos devem ser antes de nós fazermos um julgamento eu não me aventuro a dizer. Eu acredito que a maioria dos leitores concordarão, entretanto, que quão mais próximos os textos lembrem um ao outro, mais provável é um ter sido extraído do outro.

Será fácil fazer um julgamento deste tipo em duas circunstâncias. Primeiro, quando uma comunicação, digamos de um comunicador esporádico, fornece um material factual não mais do que uma simples notícia de morte de jornal pode verificar, nós podemos estar justificados em pensar que o médium de alguma forma viu o obituário, ainda que isso pareça improvável. Por exemplo, ainda que pareça improvável que Stainton Moses na Inglaterra tenha visto os jornais de Nova Iorque que traziam a notícia da morte de Abraham Florentine, a similaridade factual entre as notícias de morte e a comunicação torna esse julgamento mais provável do que teria sido se as duas passagens comparadas tivessem mostrado disparidades maiores.

Segundo, nós podemos chegar a uma conclusão similar quando a presumida fonte normal contém um erro repetido em uma comunicação posterior, dado que saibamos que a fonte estava disponível ao sujeito do caso. Eu darei um exemplo de tal engano.

Em um caso de comunicador esporádico que eu investiguei em 1960, um médium inglês praticante na Filadélfia, Pensilvânia, produziu uma comunicação de um homem que dizia ter vivido em Bristol e morrido acidentalmente. (Pelo sotaque do comunicador assumiu-se que ele era inglês, então de Bristol, Inglaterra parecendo ser a resposta certa, e não nenhuma das Bristols que existem nos Estados Unidos). Algumas das comunicações foram dadas vocalmente pelo médium, e algumas presumivelmente na escrita automática. O comunicador disse que seu nome era Albert Sargeant. Ele deu seu endereço e a data do acidente, bem como uns poucos outros detalhes a respeito. O principal assistente da sessão verificou os detalhes através de correspondência com o escritório do major de Bristol (Wood, 1958, pág. 92). Sabendo que o médium já tinha se envolvido em sessões fraudulentas, mas pensando que isso também não impediria que ele exibisse alguns poderes paranormais, eu decidi averiguar o caso mais profundamente. Eu escrevi para a viúva do comunicador e rapidamente recebi uma resposta amigável dela. Ela confirmou a exatidão da comunicação, e acrescentou: ‘Você perceberá que o nome foi escrito “Sargent”‘. (O nome correto era ‘Sargeant’). Ela me enviou uma cópia do relatório do acidente no Bristol Evening Post, do qual eu pude ver que toda a informação comunicada—nem mais, nem menos—ocorreu no curto relatório do jornal, incluindo o erro no nome do comunicador. Tendo aprendido a lição do caso de Abraham Florentine, eu verifiquei no Escritório de Registro dos Generais em Londres que o comunicador tinha de fato morrido na data que sua viúva me deu e que seu nome era escrito ‘Sargent’. Se eu adicionar que o médium veio do oeste da Inglaterra e que provavelmente assinava nos Estados Unidos os jornais de lá, poucos discordarão da minha conclusão de que este caso foi uma fraude.

Beloff e eu seguimos linhas de raciocínio similares ao estudar outro médium, especializado em comunicadores esporádicos (Stevenson e Beloff, 1980). Neste caso uma similaridade de estilo e sentimentos próximos expressados por diferentes comunicadores sugeriu que a própria médium contribuiu com ao menos uma parte substancial das comunicações. Então observamos que tudo verificável contido nas comunicações tinha sido impresso em 8 linhas de um livro que descobrimos em uma biblioteca regularmente usada pela médium e seu marido. Em seguidas descobrimos que um erro em outra comunicação ocorreu em outro livro da mesma biblioteca.[14] E finalmente, para um terceiro caso nós encontramos similaridades próximas tanto do conteúdo quanto da organização daquele conteúdo entre a comunicação e as quatro páginas de uma biografia à qual a médium e seu marido tinham fácil acesso em uma biblioteca de uma cidade vizinha; a biografia em questão não continha erros que as escritas reproduzissem, mas as escritas continham de fato vários erros egrégios (vindos de uma outra fonte). Embora nós não tenhamos evidência de que a médium leu os livros em questão antes de ela ter feito suas comunicações, um acúmulo da evidência que eu mencionei, e alguma outra evidência, faz-nos sentir justificados em concluir que a informação nos livros veio de alguma forma normal a estar diante dos olhos da médium.[15] 

CONCLUSÕES GARANTIDAS PELO ATUAL CONHECIMENTO DE CRIPTOMNÉSIA 

Neste ponto eu devo interromper para resumir o que eu acho que nós podemos dizer com confiança sobre as possibilidades de ocorrência da criptomnésia.

Primeiro, após uma breve exposição a uma informação vista ou ouvida, algumas pessoas preservaram-na mais ou menos intacta em suas memórias e trouxeram-na à consciência anos depois. Algumas vezes as pessoas que o fizeram estavam cientes de assimilar a informação por meios normais no momento em que a lembraram; em outros casos elas não pareceram estar cientes disso. Existem também níveis intermediários de consciência da assimilação, exemplos disso vindos de sujeitos que não tiveram nenhuma memória ciente de sua exposição à informação, mas que puderam depois—usando um estado hipnótico ou dissociado—indicar sua fonte. A demonstração de criptomnésia em algumas pessoas convida, mas não garante, a conclusão de que qualquer um pode ser um repositório para qualquer informação a que ele foi exposto. Flournoy (1911), que deveria justificadamente ser visto como um dos fundadores do estudo sério da criptomnésia, adotou esta postura, mas sua posição derivou de um número pequeno de casos. (O número de casos bem-estudados aumentou desde a sua época, mas não muito). Entretanto, a maioria dos parapsicólogos provavelmente concorda com Flournoy, o que pode explicar sua usual falta de interesse em qualquer caso dependente de verificação em uma fonte impressa à qual o sujeito pode ter tido acesso.

Enquanto parapsicólogos nós estamos certamente cometidos a acreditar que, em princípio, a informação pode ser obtida paranormalmente sobre eventos passados não menos do que sobre presentes ou futuros. Se nós acreditarmos que algumas pessoas exibem conhecimento paranormal sobre o futuro, nós devemos estar preparados para acreditar que algumas pessoas podem ter conhecimento paranormal sobre o passado. Com o intuito de dar alguma ênfase ao meu ponto, deixe-me lembrar-lhes de apenas um caso em que, em minha visão, o sujeito demonstrou conhecimento paranormal de eventos passados. Eu me refiro ao caso das comunicações de ‘G. P.’ através de Mrs. Piper (Hodgson, 1898). O comunicador ‘G. P.’ mostrou um conhecimento detalhado de pessoas conhecidas ao falecido George Pelham mas completamente estranhas a Mrs. Piper. O caso consistiu em mais do que a médium declarar os nomes dos amigos de George Pelham, o que ela poderia talvez ter realizado por meio de telepatia; em muitos momentos ela corretamente caracterizou o relacionamento desses amigos com George Pelham, e exibiu um conhecimento detalhado de suas vidas o qual ela não poderia ter tido acesso por meios normais. A autenticidade dessa série de sessões nunca foi questionada. Os resultados estão abertos a duas interpretações de fenômenos paranormais: (1) comunicações da mente sobrevivente e desencarnada de George Pelham, ou (2) uma apresentação dramatizada pela mente de Mrs. Piper de detalhada informação que ela obteve das pessoas vivas, algumas das quais não estavam presentes durante as sessões pertinentes. Em qualquer uma dessas interpretações, Mrs. Piper exibiu conhecimento paranormal de eventos passados.

Como Ducasse (1960) uma vez observou, em palavras um tanto diferentes, um modo seguro de evitar a descoberta de qualquer coisa nova é assumir que cada novo caso que encontramos pode ser entendido apenas por supor que ele lembra completamente algum caso que já conhecemos. Pelo contrário, avanços na ciência normalmente vêm da insistência de alguém de que dois casos (ou outros fenômenos) que superficialmente parecem os mesmos têm, de fato, importantes diferenças. Essas diferenças podem geralmente ser vistas somente através de um estudo cuidadoso de pequenos detalhes.

De minha parte eu aceito que o conhecimento paranormal do passado é tão provável quanto o do presente ou do futuro. (Eu não pretendo negar que o estudo do conhecimento paranormal do passado é ainda mais difícil do que o estudo da precognição). A tarefa que eu mesmo propus, entretanto, é a de identificar os caminhos em que o conhecimento paranormal do passado poderia ser expresso sob condições que satisfazem nossas exigências para chamá-lo de paranormal. Isso me leva a mencionar a minha terceira regra para julgar um caso ser de criptomnésia.

A IMPORTÂNCIA DE CONSIDERAR TODOS OS ASPECTOS DE UM CASO PARTICULAR.

Antes eu disse que a responsabilidade para a interpretação paranormal de um caso reside com o sujeito e investigadores, que devem mostrar que eles excluíram os meios normais pelos quais o sujeito pode ter obtido a informação expressa na comunicação. A evidência fornecida pode não convencer os outros, e se não convencer, uma postura de suspensão do julgamento de suas partes me parece inteiramente aceitável. Mas se os observadores permitirem-se não se empenhar e afirmarem que o caso definitivamente possui uma explicação normal, tal como a de criptomnésia, eu acho que eles têm o dever de mostrar os passos exatos da ocorrência deste processo. Não é suficiente dizer como isso pode ter ocorrido. (Similarmente, para a acusação mais grave de fraude, nós exigimos que os alegadores da fraude mostrem não apenas como isso pode ter ocorrido, mas de que a fraude de fato ocorreu ou que é muito provável que tenha ocorrido).

Se os advogados da criptomnésia aceitarem essa responsabilidade, eles devem responder por todas (ou ao menos a maioria) as características de um caso satisfatoriamente. Então a minha terceira regra é:

(c)   Todos os elementos de um caso devem ser considerados em sua análise, não apenas selecionando partes.

Eu acho essa regra bem estabelecida na parapsicologia. Para dar um exemplo, eu preciso apenas lembrar-lhes que nós não precisamos descartar a evidência de ‘G. P.’ ter sido um comunicador desencarnado porque nós concluímos que ‘Phinuit’, que forneceu um relato completamente não verificável da vida terrestre que ele alegou ter vivido, era uma personalidade secundária de Mrs. Piper. Na declaração da minha terceira regra, eu desejo, portanto, que nós consideremos todas as porções de uma comunicação ou série de comunicações que são apresentadas juntas. Isso é o que eu quero dizer pela palavra caso nesta regra. Entretanto, podemos concluir que diferentes elementos do todo que estamos considerando possuem fontes diferentes. Ao menos em princípio, uma comunicação poderia derivar de uma mistura de material extraído por meios paranormais ao qual foi acrescentado, talvez por associação na mente do médium, material que o médium adquiriu por meios normais.

Devemos achar essa terceira regra fácil de seguir quando uma comunicação e um obituário verificador estão cada um compactados em poucas linhas. Existem, entretanto, muitos tipos de casos que são muito mais resistentes a uma solução fácil, e pode ser útil elaborar um inventário deles.

CASOS QUE A CRIPTOMNÉSIA NÃO EXPLICA

Antes de descrever tipos de casos que são, em princípio, invulneráveis à interpretação de criptomnésia, eu devo lembrar-lhes de uma das minhas declarações de abertura: ao apresentar um caso como sendo paranormal, nós devemos ser capazes de mostrar que o sujeito não obteve por meios normais o conhecimento que ele exibiu. Assim a criptomnésia é apenas uma explicação normal para um caso à qual temos que nos precaver.

Os tipos de conhecimento paranormal do passado que me parecem, em princípio, eliminar a possibilidade de criptomnésia, são os seguintes:

(a) Casos em que o sujeito declara fatos sobre uma pessoa que não poderia derivar de fontes impressas (ou outra normalmente disponível). Isso poderia ocorrer quando nenhuma impressa ou outra fonte normalmente disponível existisse; e poderia ocorrer quando tais fontes existissem, mas são normalmente inacessíveis ao sujeito, porque o sujeito é muito jovem para ler, não possui acesso a rádio ou televisão, ou vive tão distante da pessoa descrita ou comunicante que é improvável que o sujeito pudesse sequer ter ouvido falar sobre ela. Os exemplos óbvios aqui são os muitos casos do tipo reencarnação em que os sujeitos são jovens crianças quando seus casos começaram (Stevenson, 1974b, 1975, 1977, 1980). Para que esses casos não sejam por demais exaltados, eu devo lembrar aos leitores que uma desvantagem de verificar as declarações do sujeito com fontes não registradas é a falibilidade da memória humana. 

Também há casos mediúnicos neste grupo, e eu acho que o caso do comunicador ‘G. P.’ através de Mrs. Piper fornece um exemplo excelente. Assim fazem também alguns casos de psicometria que mostram conhecimento paranormal de casos passados da parte de um sensitivo (Osty, 1923; Pagenstecher, 1922).

(b) Casos em que alguns, mas não todos, dos fatos corretos comunicados são verificados em um relatório impresso de jornal ou outra fonte publicamente acessível; os fatos corretos restantes são verificados apenas por testemunho oral ou diários não publicados e material similar inacessível ao público geral. Entre os casos nessa classe podemos incluir aqueles de Klaas Kraijenbrink (Zorab, 1940), John Wightman (Tyrrell, 1939), Robert Passanah (Stevenson, 1970), Harry Stockbridge (Gauld, 1971), Robert Marie (Stevenson, 1973), Runolfur Runolfsson (Haraldsson and Stevenson, 1975ª) e Gudni Magnulsson (Haraldsson and Stevenson, 1975b). Vale a pena observar em conexão com alguns desses casos que se parte da informação verídica comunicada não veio de fontes impressas, não há razão para acreditar que alguma tenha vindo, embora seja possível—como a hipótese de percepção super extrassensorial supõe—que o médium envolvido selecionou aqui e ali de fontes diferentes o que fosse preciso para a fabricação das comunicações.

O caso relatado por Zorab (1940) exemplifica o contrário daqueles em que uma comunicação repetiu o erro em uma fonte impressa. O relatório do jornal sobre a morte acidental do comunicador (que foi impresso antes da comunicação) tinha muitos detalhes incorretos que foram dados corretamente na comunicação.

(c) Casos em que os fatos são desconhecidos a qualquer pessoa viva. Esses podem ser de dois tipos. No primeiro, nenhuma pessoa viva poderia saber a informação; essa condição seria satisfeita se resultados bem-sucedidos fossem obtidos nos testes de sobrevivência com criptogramas (Thouless, 1946-49a, 1946-49b) e a combinação de fechaduras (Srtevenson, 1968, 1976a). No segundo subtipo a informação poderia, em princípio, ser conhecida a uma pessoa viva, mas quase certamente não foi. Eu incluiria neste grupo casos de comunicadores esporádicos em que toda a informação correta comunicada foi verificada em duas ou mais fontes independentes (ver, por exemplos, os casos de Robert Passanah [Stevenson, 1970] e Runolfur Runolfsson [Haraldsson and Stevenson, 1975a]). E eu incluiria também casos tais como aqueles propostos por Murphy (1945) de comunicações de um grupo de pessoas desencarnadas que não tiveram conhecimento uma da outra quando vivas ou sabiam que elas tinham partilhado de um interesse em comum—por exemplo, a coleta de porcelana Wedgwood.

(d) casos em que o sujeito exibe uma habilidade aparentemente não-aprendida, tal como a xenoglossia responsiva (Stevenson, 1974c, 1976b; Stevenson and Pasricha, 1980). Eu não sei de nenhum caso em que uma pessoa aprendeu uma língua estrangeira ao ponto de ser capaz de conversar inteligivelmente e então esquecer que o tivesse feito.

Quando nós podemos estar seguros de que o sujeito de um caso não aprendeu por meios normais as palavras de uma língua estrangeira em uma xenoglossia recitativa, o caso pode ser enquadrado nesse grupo, como eu acho que o caso de Swarnlata Mishra se faz (Stevenson, 1974b).

O caso de Patience Worth (Prince, 1927/1964; Litvag, 1972) também pertence a esse grupo porque, em minha visão, do que nós sabemos sobre a leitura do sujeito antes do caso ser desenvolvido, a criptomnésia não pode responder pelas características lingüísticas do caso.

CASOS DE CRIPTOMNÉSIA POSSÍVEL MAS NÃO PROVADA

Como eu observei, os tipos de casos precedentes (quando nós aceitamos a sua autenticidade) parecem-me, em princípio, inexplicáveis como exemplos de criptomnésia. Resta mencionar um pequeno número de casos em que a criptomnésia não pode ser descartada, mas não foi demonstrada. Eu me refiro a casos em que o sujeito demonstrou conhecimento de vários detalhes recônditos sobre um local e época anteriores, este conhecimento estando além de qualquer coisa que possamos explicar pelo que sabemos da leitura do sujeito ou outra exposição à informação comunicada. Eu incluo nesta categoria o caso de Bridey Murphy (Bernstein, 1956/1978), o de Edward Ryall (1974), e o menos famoso caso de Nyria (Campbell Praed, 1931). Em nenhum desses casos há alguém sendo identificado correspondendo aos fatos afirmados sobre uma pessoa falecida, e assim eles não podem ser vistos como verificados com relação a essa importante característica. O interesse em cada caso reside nos muito detalhes obscuros sobre os períodos referentes relatados nas comunicações. No caso de Edward Ryall, e num grau menor, no de Bridey Murphy, as declarações corretas estão misturadas com vários erros e prováveis invenções. Isso não necessariamente elimina o valor dos detalhes corretos comunicados. Nenhuma fonte ou fontes foram identificadas como tendo fornecido normalmente os fatos corretos aos sujeitos destes casos. Obviamente que tais fontes existem ou não teria sido possível verificar os detalhes corretos. As verificações, entretanto, exigiram muitas fontes, algumas delas acessíveis apenas a acadêmicos. É assim mais fácil nesses casos imaginar uma fraude com uma pesquisa oculta do que uma vasta leitura seguida por um esquecimento completo dela. Sob as circunstâncias nós não podemos dizer positivamente que os casos não são exemplos de criptomnésia, mas se as minhas regras propostas possuem validade eles não foram demonstrados pertencerem a tal grupo.[16] 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A principal lição que devemos aprender de um estudo de casos de criptomnésia é tão óbvia que pode parecer desnecessário dizê-la, mas eu o farei mesmo assim: nós devemos estar constantemente vigilantes pela possibilidade de criptomnésia em qualquer caso quando comunicações sobre eventos passados forem oferecidas para a nossa avaliação.

Existem, entretanto, modos adicionais pelos quais podemos nos beneficiar do estudo da criptomnésia. Um desses é a aderência ao aviso que nós devemos atentar tanto às diferenças quanto às similaridades entre os casos do mesmo tipo geral. Essa preleção honra Frederic Myers, um dos nossos pioneiros que fez um grande esforço para conservar-se dos materialistas do século XIX de aplicar massivamente suas explicações em termos físicos a todos os fenômenos que caíam sob o seu alcance. Era necessário resgatar, por assim dizer, alguns desses fenômenos e isolá-los para um estudo em separado que permitisse interpretações diferentes. Nós emularíamos Myers e seus contribuintes pobremente se dentro do campo de estudo que eles estabeleceram esquecêssemos essa lição e nós mesmos impacientemente forçássemos uma interpretação sobre casos que são algo similares mas na verdade diversos.

O catálogo de casos suspeitos e provados de criptomnésia que eu apresentei pode desencorajar alguns parapsicólogos de estudar casos de conhecimento ostensivamente paranormal do passado. Mas eu acho, pó outro lado, que apenas as pessoas inaptas irão desistir. Investigadores mais robustos continuarão e poderão perseguir muitas linhas de inquérito frutíferas.

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Stevenson, I. Cases of the Reincarnation Type, Vol. II. Ten Cases in Sri Lanka. Charlottesville: University Press of Virginia, 1977.

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University Press of Virginia, 1980. Stevenson, I. and Beloff, J. An analysis of some suspect drop-in communications. JSPR, 1980, 50, 427-447.

Stevenson, I. and Pasricha, S. A preliminary report on an unusual case of the reincarnation type with

xenoglossy, JASPR, 1980, 74, 331-348. Suringar, J. V. A case of thought-transference. JSPR, 1923, 21, 170-175.

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Thomas, N. W. Reminiscence of a long-forgotten language. JSPR, 1903, 11, 16-18.

Thouless, R. H. A test of survival. ProcSPR, 1946-1949a, 48, 253-263.

Thouless, R. H. Additional note on ‘A test of survival.’ ProcSPR, 1946-1949b, 48, 342-343.

Tyrrell, G. N. M. A communicator introduced in automatic script. JSPR, 1939, 31, 91-95.

Watson, G. The Discipline of English: A Guide to Critical Theory and Practice. London: The Macmillan Press, Ltd., 1978.

Wilson, I. Mind Out of Time? London: Victor Gollancz, Ltd., 1981. Wood, E. C. Death—The Gateway to Life. New York: Exposition Press, 1958.

Zolik, E. S. An experimental investigation of the psychodynamic implications of the hypnotic ‘previous existence’ fantasy. Journal of Clinical Psychology, 1958, 14, 178-183. (Also unpublished case reports presented at the meeting of the American Psychological Association, 1958.)

Zolik, E. S. ‘Reincarnation’ phenomena in hypnotic states. International Journal of Parapsychology, 1962, 4, 66-75.

Zorab, G. A case for survival? JSPR, 1940, 31, 142-152. 

Referência original: Cryptomnesia and Parapsychology by Dr. Ian Stevenson (Journal of the Society for Psychical Research 52:1-30, 1983) 

Traduzido por Vitor Moura Visoni.



* Este artigo é uma versão ampliada da Myers Memorial Lecture realizada em Londres em 19 de março de 1892.

** Agradeço à McDonnell Foundation, Inc., e à Bernstein Brothers Parapsychology and Health Foundation pelo apoio à minha pesquisa em parapsicologia. Sou grato a Laura Dale e Emily Williams Cook por numerosas sugestões que ajudaram a melhorar o artigo.

[1] Nós poderíamos incluir muitos hábitos e memórias comportamentais sob o título de criptomnésia. Por exemplo, poucos adultos que sabem como andar lembram como, quando infantes, eles aprenderam a fazê-lo. Ainda assim escritores sobre o assunto normalmente empregam a palavra criptomnésia para se referir somente à informação cognitiva cuja aquisição a pessoa não está ciente conscientemente.

Como a maior parte da informação que conta nesses casos de criptomnésia foi impressa, é fácil esquecer que a criptomnésia pode também ocorrer em casos envolvendo percebida auricularmente; com o aumento nos meios de comunicação auriculares, tais como rádio e televisão (que é audiovisual), nós podemos esperar encontrar no futuro mais casos de criptomnésia mostrando fontes auriculares.

Eu não descobri exatamente quando a palavra criptomnésia foi usada pela primeira vez, mas Myers (1903, vol. 2, p. 136) creditou Flournoy como a tendo introduzido, embora ele não diga onde. Flournoy (1900) usou a palavra em seu estudo da mediunidade de Hélène Smith.

[2] Escritores que foram descobertos terem usado extensivamente as imagens e palavras de outro escritor sem conhecimento são normalmente acusados de plágio.  Mas a palavra plagiário deriva do latim plagiarium, que significa um raptor. A palavra inglesa plágio é, portanto, melhor reservada para casos em que um escritor deliberadamente usa o trabalho de outro escritor sem o conhecimento deste. Nos casos literários que eu devo mencionar, a melhor interpretação parece ser a de cópia inconsciente. (Não obstante, alguns desses escritores foram acusados de plágio).

Não é sempre fácil distinguir entre cópias inconscientes e plágio, como o caso de Coleridge nos alerta. Lefebure (1977) descreveu como o uso de ópio prostrou as faculdades intelectuais e o julgamento moral concernente às suas cópias de outros autores. Assim ele parece algumas vezes não saber que ele estava usando o material de outros escritores; e em outros momentos ele parece ter sabido disto, mas não achou que fosse errado. Ele próprio se defendeu contra as acusações de plágio em sua Biografia Literaria (1817/1926, págs. 86-87), que entretanto contém ela mesma longas passagens que Coleridge copiou ou plagiou.

[3] Eu omito desta pesquisa o caso ainda mais antigo relatado por Monboddo (1782), bem como alguns posteriores em que um adulto falou (talvez durante uma doença) uma língua aprendida na infância mas não usada novamente até o incidente em questão. Nesses casos os sujeitos esqueceram como falar a língua em seu estado normal, mas não que eles uma vez tinham-no feito; esses não são casos verdadeiros de criptomnésia, em que nós exigimos que o sujeito não lembre mais (em seu estado ordinário) como a informação foi adquirida ou que foi adquirida. Os leitores interessados nesses casos de línguas semi-esquecidas que foram surpreendentemente faladas na maioridade encontrarão referências a eles em Stevenson (1974c).

[4] Nossa gratidão a Coleridge por documentar este caso não nos precisar deixar cegos às limitações do seu relatório. Suas informações parecem ser de segunda mão, terceira mão, ou algo além disso. Ele não soube do caso até mais de um ano depois que ocorreu e não publicou seu relatório até 18 anos depois disso. E finalmente, ele não fornece textos, seja das elocuções da jovem mulher ou dos livros que o pastor foi dito ter lido em voz alta dentro do alcance da audição dela. Thomas (1903) fez essas críticas muitos anos atrás. 

[5] Flournoy investigou muitos exemplos de criptomnésia da parte de Hélène Smith. Aqui eu vou considerar apenas um desses casos, e deste, apenas uma parte: os nomes e a data que foram fornecidos pela encarnação prévia do ‘ciclo Hindu’. Mais detalhes sobre isso e de outros momentos de possível criptomnésia na mediunidade de Hélène Smithpodem ser encontrados nos livros de Flournoy (1900, 1901).

[6] Chari (1963, 1976) realizou uma pesquisa buscando descobrir a possível existência de um Príncipe Sivrouka Nakaya que poderia em 1401 ter construído um forte em Chandragiri. (Aqui eu adoto a romanização inglesa do nome). A existência de 3 Chandragiris diferentes deixou essa busca mais difícil, mas, rapidamente, foi impossível identificar um príncipe indiano chamado Sivrouka Nakaya cuja vida correspondesse às comunicações feitas na comunicação de Hélène Smith. Chari concluiu que de Marlès (que não forneceu uma fonte primária para as suas afirmações) tinha provavelmente colhido algumas lendas distorcidas e as deu com uma certeza à qual não mereciam. Se esse julgamento estiver correto e de Marlès registrou erros quer outros historiadores não repetiram, mas que encontraram seu caminho na comunicação de Hélène Smith, aumenta-se a probabilidade de que ela, afinal de contas, de algum modo viu uma cópia do livro de de Marlès. Eu discuto mais abaixo o peso adicional que podemos dar em nossas avaliações aos erros que ocorrem tanto em uma comunicação quanto em uma presumida fonte impressa para ela.

[7] Eu uso a palavra lido livremente aqui, porque a comunicação com Helen Keller ocorria através da feitura de letras e outros sinais na palma de sua mão.

[8] Mais detalhes sobre o caso poderão ser encontrados em Skelton (1956) e na correspondência no New Stateman de 21 de janeiro de 1950 (pág. 62) e 28 de janeiro de 1950 (pág. 100).

[9] Em dois relatos deste caso, Kampman (1973; Kampman e Hirvenoja, 1978) sugere algo diferente para a idade do sujeito, e seu primeiro relato da ‘personalidade Dorothy’ não se refere à canção medieval.

Eu examinei uma cópia da página relevante da versão finlandesa de The Story of Music (chamado Musikiin Vaiheet), e descobri que ela reproduz as mesmas 18 palavras (inglesas) da canção que aparece na versão em inglês. (Meus agradecimentos a Rita Castrén-N6are por me fornecer uma cópia desta página).

[10] Eu acho importante acrescentar que outras comunicações por Mrs. Southey (assistida por Mrs. Crowson) me pareceram mostrar evidência de processos paranormais, ainda que os comunicadores esporádicos verificados nas colunas de obituário do Daily Telegraph não.

[11] Eu omito de consideração aqui os casos de cópia literária inconsciente. Ao menos um desses, o de Sackville-West, pode corresponder a nada mais do que esquecer sobre ter copiado um poema por outro poeta. Nós sabemos pouco sobre as circunstâncias envolvidas em cada um desses casos.

[12] O mnemonista a quem Lurie (1968) podia lembrar anos de informação à qual ele foi brevemente exposto. Não há evidência que esse sujeito estivesse em um estado alterado de consciência fosse quando ele foi exposto ao material a ser lembrado ou quando ele o lembrou anos depois.

[13] Fruman (1973) e Lefebure (1977) argumentam com alguma plausibilidade que Coleridge pode ter deliberadamente enganado os leitores quando ele disse que ‘Kubla Kahn’ veio a ele em um sonho. O prefácio de Coleridge ao poema é um tanto implausível. Há evidência, entretanto, de que ele revisou o poema com a habilidade a qual ele era um mestre. Parece-me possível que Coleridge, que estava com pouco dinheiro quando ele escreveu o poema, pode ter desejado excitar o interesse nele descrevendo-o como uma efusão que lhe veio completamente durante uma intoxicação por drogas.

[14] Desde a publicação do nosso artigo original sobre esse caso, Beloff e eu soubemos que outro livro que esteve disponível na biblioteca regularmente usada pela médium e seu marido contém muito do que está correto nessa escrita e também contém outro dos seus erros.

[15] Eu disse antes que os (prováveis) erros no Histoire générale de l’Inde de Marlès e a similaridade entre esses erros e as declarações que ocorreram durante o ‘ciclo Hindu’ de Hélène Smith aumenta a probabilidade de que ela de alguma forma leu a cópia do livro de Marlès, embora não exista evidência de que ela o tenha feito.  

No caso da regressão hipnótica a uma suposta vida passada, o sujeito, que pareceu reviver sendo julgado por bruxaria no século XVI, forneceu vários detalhes acurados sobre um julgamento real em Chelmsford, Essex. (Moss with Keeton, 1979). Entretanto, o sujeito colocou o julgamento no ano de 1556, quando de fato ocorreu em 1566. O mesmo erro na datação ocorreu em uma reimpressão no século XIX de um capítulo de livro do século XVI que relatou o julgamento, e alguns escritores posteriores sobre bruxaria copiaram o erro em seus livros. Embora uma fonte imediata do conhecimento do sujeito deste julgamento não tenha sido identificada, sua inclusão do erro na datação aumenta a probabilidade de que a informação de fato foi extraída de uma fonte impressa ou de outra fonte que tenha repetido o erro (Wilson, 1981).

[16] Esta declaração indica certa mudança na minha visão concernente à melhor interpretação do caso de Ryall desde que eu escrevi a Introdução (Stevenson, 1974a) para Second Time Round (Ryall, 1974). Naquela época eu me reservei ao direito de mudar de ideia sobre o caso à luz de melhor evidência. Eu não acredito agora que os nomes próprios de John Fletcher e de sua família e amigos derivam de memórias de uma vida passada. (A pesquisa por nomes de famílias na paróquia e em outros registros tinha mal começado na época que o livro de Ryall foi escrito e publicado). É óbvio que os erros que Ryall cometeu não podem ter essa fonte também.  Resta possível, entretanto, que ele teve algumas memórias de uma vida anterior e estas estão em Second Time Round, talvez ainda compreendendo a maior parte dele, mas misturadas—agora indissoluvelmente—com acréscimos posteriores de fontes normais e invenções literárias para completar a narrativa.

Antes de sua morte Ryall me comunicou e a outros correspondentes um considerável corpo de detalhes adicionais sobre a sua alegada vida passada que ele não incluiu em Second Time Round. Eu espero no futuro publicar algo sobre este material com uma análise mais completa de seu caso do que seria apropriado neste artigo.

13 respostas a “Criptomnésia e a Parapsicologia”

  1. Antonio G. - POA Diz:

    Eu gosto desta descrição da Desciclopédia:
    -
    “Criptomnésia é um distúrbio no cérebro que faz com que as pessoas tenham ideias impressionantes, mas impressionantemente ultrapassadas. Normalmente ele já viu algum dia algo parecido com isso, mas por algum motivo o qual ninguém realmente sabe, a pessoa se esquece completamente de onde tirou tal ideia, pois a mesma já existe em algum outro lugar e algum outro gênio já a havia criado.”

  2. Antonio G. - POA Diz:

    Na medicina se diz que a criptomnésia é a volta à memória de um fato passado que a pessoa havia esquecido e acha que é novo, que nunca aconteceu.
    .
    Na parapsicologia e no espiritismo… bom, vocês já sabem. rsrsrs

  3. Abreu Diz:

    Olá Vitor,

    Gostaria de parabenizá-lo pelo blog, que conheci ontem por fruto do acaso, em decorrência de uma feliz pesquisa feita no Google.

    Compartilho seu interesse acadêmico pelo assunto e sua curiosidade pelo que chamamos de “verdade”, seja ela qual for.

    A partir de hoje, passo a frequentar esse espaço – tanto para a leitura dos artigos, como para participar das intrigantes discussões que ora surgem por aqui.

    Nos vemos por aqui. Um abraço!

  4. Toffo Diz:

    no caso de CX, não me parece nem criptomnésia… ele não fazia supressão de fontes.

  5. Vitor Diz:

    Oi, Toffo
    Chico Xavier não disse a fonte de vários de seus livros, isso para mim é supressão de fontes, que as pessoas tomavam como obra original. mas concordo que o caso dele não é criptomnésia, e sim pilantragem mesmo.

  6. Marco Diz:

    Legal esse artigo Victor. Já trabalhei muito com identificação (automática) de estilo & plágio e gosto de temas relacionados com estes.

  7. Toffo Diz:

    Vitor, na verdade me expliquei mal. Eu quis dizer que, no caso, CX não era nada original, por isso não suprimia fontes. Mas o verdadeiro sentido é o contrário: suprimia tudo. Tanto suprimiu que a famosa história do peixinho dourado acabou sendo revelada involuntariamente pela própria pessoa que forneceu a história a CX. E o mineirinho foi tão sacana que ainda botou a história na conta de Emmanuel.

  8. Marciano Diz:

    Falando em cx, acabo de ver o filme “E a vida continua”, comecei a ler o livro. o filme é pior do que o “Nosso Lar”, muito pior, e o livro, pelo que vi até agora, vinte vezes (ou fezes) pior do que o filme.
    No filme tem até casamento de espíritos no além.

  9. Antonio G. - POA Diz:

    Marciano, não vi o filme e nem li o livro. E detestei.
    .
    Casamento de espíritos no além… Será que rola uma noite de sexo, libidinagem e lascívia?
    .
    Sds.

  10. Toffo Diz:

    Tem muito mais. Além do casamento d’autre-tombe, nesse livro os espíritos não só influenciam como também decidem heranças e sucessões terrenas, julgam crimes, bancam o cupido e promovem uniões, enfim, segundo CX a vida continua mesmo, alcoviteira como ela só. Os protagonistas morrem na Terra e despertam num hospital de luxo, com empregados e serviço de hotel, em que nenhum dos pacientes parece vir das camadas mais pobres da população. Este foi o derradeiro livro da série André Luiz e, a meu ver, o mais “materialista” deles. Acho que, para quem é espírita, acreditar numa história dessas é aceitar que a vida continua (classe-média) num plano espiritual qualquer, é claro, não evidentemente para quem é pobre.

  11. Toffo Diz:

    interessante que, relendo as postagens mais antigas deste blog, vi que a primeira delas, em 2007, mencionava justamente a criptomnésia. Trata-se de um estudo comparativo entre a obra “O Átomo” de Fritz Kahn e o livro “Mecanismos da Mediunidade”, atribuído a André Luiz. http://obraspsicografadas.org/2007/livro-mecanismos-da-mediunidade-1960-de-chico-xavier-e-waldo-vieira/#comments

    Os primeiros internautas que postaram aqui parece que não aparecem mais. Mas em relação às obras acima, creio não haver dúvidas de que é plágio, sim. A própria “explicação” de André Luiz de que teria consultado “obras terrenas” para “psicografar” o livro me parece uma tentativa de disfarçar o crime. Pois se ele realmente existisse e tivesse o mínimo de decência que se espera de um autor, teria declinado a bibliografia que consultou, isto é, as tais “obras terrenas”. Qualquer autor de carne e osso decente o faz. Por que não o faria? Cada vez mais me convenço da farsa que foi “o médium Francisco Cândido Xavier”.

  12. Marciano Diz:

    Antonio, deve rolar sexo, entretanto deve ser obrigatório o uso de camisinhas plasmadas, ou o espírito engravida e nasce um espiritinho. Se eu conseguir ler tudo, te conto.
    .
    Toffo, perfeita, como sempre, sua análise. Os pobres vão todos para o umbral e os ricos de verdade, como Gates, Eike, etc, vão direto para os planos superiores, os quais são só mencionados, nunca mostrados.
    .
    Ando sem tempo, o debate está ótimo, sinto não poder participar tanto quanto queria, acho que vou continuar acompanhando somente como leitor, até conseguir uma folga.
    Um abraço a todos.

  13. Marciano Diz:

    Toffo, eu mencionei uma história de Guy de Maupassant que li há alguns anos. Pois bem, eu ainda tenho o livro, encontreio-o, estou relendo-o e identifiquei a história em que um dos personagens explicava o suposto fenômeno da premonição. Chama-se “Magnétisme”.
    Eis o texto em que o personagem explica o fenômeno
    .
    “- Et vous expliquez ça, vous ?
    - Parfaitement, monsieur, j’ai trouvé le secret. Le fait m’avait surpris et même vivement embarrassé ; mais moi, voyez-vous, je ne crois pas par principe. De même que d’autres commencent par croire, je commence par douter ; et quand je ne comprends nullement, je continue à nier toute communication télépathique des âmes, sûr que ma pénétration seule est suffisante. Eh bien, j’ai cherché, cherché, et j’ai fini, à force d’interroger toutes les femmes des matelots absents, par me convaincre qu’il ne se passait pas huit jours sans que l’une d’elles ou l’un des enfants rêvât et annonçât à son réveil que le “pé était mort à la mé”. La crainte horrible et constante de cet accident fait qu’ils en parlent toujours, y pensent sans cesse. Or, si une de ces fréquentes prédictions coïncide par un hasard très simple, avec une mort, on crie aussitôt au miracle, car on oublie soudain tous les autres songes, tous les autres présages, toutes les autres prophéties de malheur demeurés sans confirmation. J’en ai pour ma part considéré plus de cinquante dont les auteurs, huit jours plus tard, ne se souvenaient même plus. Mais si l’homme, en effet, était mort, la mémoire se serait immédiatement réveillée, et l’on aurait célébré l’intervention de Dieu, selon les uns, du magnétisme, selon les autres.”
    .
    Quem quiser o audiobook, aqui está o link:
    http://archive.org/details/Magnetisme

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