LIVRO “COMO A IGREJA CATÓLICA CONSTRUIU A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL” (2008) – CAPÍTULO 08

Nesse capítulo Woods revela as contribuições dos católicos no campo da Economia. Para baixar o capítulo em pdf, clique aqui.

Atenção: Isso não é uma defesa da Doutrina Católica. Não acredito que Maria pariu virgem muito menos que continuou assim após o parto; que Jesus multiplicou pães e peixes, etc. Também abomino a discriminação que é feita contra homossexuais (ao dizer que homossexualismo é pecado)  bem como a propaganda feita contra o aborto, o incentivo ao não uso de camisinha e afins.

VIII.

A IGREJA E A ECONOMIA

Habitualmente, começa-se a contar a história do pensamento econômico a partir de Adam Smith e de outros pensadores do século XVIII. Os próprios católicos, particularmente os hostis à economia de mercado, também tendem a identificar os princípios e a visão da economia moderna com os pensadores do Iluminismo. No entanto, os medievais e os últimos comentaristas escolásticos entenderam e teorizaram sobre a livre economia seguindo roteiros que se revelaram profundamente fecundos para o desenvolvimento de um sadio pensamento econômico no Ocidente. A economia moderna constitui, portanto, outra área na qual, até há pouco, a influência católica vinha sendo freqüentemente obscurecida ou negligenciada. A verdade é que hoje começa-se a reconhecer os católicos como os seus fundadores. 

OS FUNDADORES DA CIÊNCIA ECONÔMICA 

Joseph Schumpeter, um dos grandes economistas do século XX, na sua História da análise econômica (1954), prestou homenagem às menosprezadas contribuições dos escolásticos. “Foram eles – escreveu –, mais do que qualquer outro grupo, os que chegaram mais perto de ser os fundadores da ciência econômica”[1]. Ao nome de Schumpeter, poderíamos acrescentai» o de outros estudiosos de prestígio, corno Raymond de Rooveryl Marjorie Grice-Hutchinson e Alejandro Chafuen[2].

Murray N. Rothbard, outro grande economista do século XX, dedicou um longo capítulo da sua aclamada história do pensamento econômico às reflexões dos escolásticos, que alcançaram o cume na Escola austríaca de economia, uma escola do pensamento econômico que se desenvolveu em fins do século XIX e que continua viva nos dias atuais. (Esta escola pode gloriar-se de uma série de brilhantes economistas, desde Carl Menger até Eugen von Böhm-Bawerk e Ludwig von Mises. Um dos seus membros mais destacados, F.A. Hayek, ganhou o Prêmio Nobel de economia em 1974).

Mas antes de examinarmos o trabalho dos últimos escolásticos, devemos considerar as contribuições, freqüentemente ignoradas, de estudiosos católicos ainda mais antigos. Jean Buridan (1300-1358), por exemplo, que foi reitor da Universidade de Paris, trouxe importantes novidades à moderna teoria monetária. Em vez de encarar o dinheiro como um produto artificial, fruto da intervenção do Estado, Buridan demonstrou que o dinheiro surgiu livre e espontaneamente no mercado, primeiro como uma mercadoria útil e depois como meio de troca. Por outras palavras, o dinheiro não surgiu por um decreto governamental, mas como meio de simplificar as trocas: tratava-se de encontrar uma “mercadoria” que pudesse ser desejada e adotada utilmente por todos[3].

Essa “mercadoria” amplamente desejada devia, por conseguinte, ser adotada antes de mais nada em função da sua capacidade de satisfazer necessidades não monetárias. Devia também possuir certas características importantes: devia ser facilmente manuseável e divisível, além de durável, e possuir um alto valor por unidade de peso, de tal modo que uma pequena quantidade dela tivesse valor suficiente para facilitar praticamente todas as transações. “Nesse sentido – escreve um especialista –, Buridan deu início à classificação das qualidades monetárias dos produtos, que viria a ser tema do primeiro capitulo dos manuais sobre o dinheiro e os bancos até o fim da era do padrão-ouro, na década de 1930”[4].

Nicolau Oresme (1325-1382), bispo de Lisieux, discípulo de Buridan, deu uma importante contribuição à teoria monetária. Polifacético expert em matemática, astronomia e física, escreveu Um tratado sobre a origem, natureza e transformações do dinheiro, que foi considerado “um marco da ciência monetária”, pois “fixou padrões que não seriam superados em muitos séculos e mesmo hoje, sob certos aspectos”. Também foi chamado “o pai e fundador da ciência monetária”[5].

Foi ele o primeiro a afirmar o principio que mais tarde viria a tornar-se conhecido como “a lei de Gresham”. De acordo com ela, se duas moedas coexistem na mesma economia, e o governo fixa para uma e outra um valor que diverge do que poderiam alcançar no mercado livre, a moeda que o governo supervalorizou artificialmente levará esse mesmo governo a tirar de circulação a desvalorizada. Por isso, Oresme sustentou que “se o valor das moedas fixado legalmente difere do valor de mercado dos metais, a moeda subvalorizada desaparecerá totalmente da circulação e permanecerá como única moeda a que está supervalorizada”[6].

Com efeito, é o que aconteceria hoje se o governo declarasse que três quartos de dólar devem ser lidos como equivalentes a uma nota de um dólar. As pessoas deixariam imediatamente de usar as notas de um dólar e quereriam fazer os seus pagamentos com os quartos de dólar artificialmente valorizados. As notas desapareceriam de circulação.

Oresme compreendeu também os perniciosos efeitos da inflação. Explicou que a perda de valor da unidade monetária decretada pelo governo não contribui para a solidez da economia, pois interfere no comércio e provoca uma alta geral de preços, além de enriquecer o governo à custa do povo. Sugeriu que o ideal seria que o governo nunca interferisse no sistema monetário[7].

Os últimos escolásticos partilharam desse ponto de vista sobre a economia monetária. Observaram que houve na Espanha do século XVI uma clara relação de causa e efeito entre a afluência dos metais preciosos do Novo Mundo e a forte inflação de preços. E chegaram à conclusão mais geral – por dizer, a uma lei econômica – de que a excessiva abundância qualquer mercadoria tenderia a trazer consigo um decréscimo no seu preço. Naquilo que foi descrito por alguns estudiosos como a primeira formulação da teoria quantitativa do dinheiro, o teólogo escolástico Martín de Azpilcueta (1493-1586) escreveu:

“Em países onde há uma grande escassez de dinheiro, todas as mercadorias disponíveis para venda, mesmo que sejam equivalentes, e até a própria mão de obra humana, são oferecidas por menos dinheiro do que em lugares onde ele é abundante. Assim, vemos por experiência que. na França, onde o dinheiro é mais escasso do que na Espanha, o pão, o vinho, as roupas e o trabalho têm um valor muito menor. E, mesmo na própria Espanha, em épocas em que o dinheiro era mais escasso, as mercadorias disponíveis para venda e o trabalho custavam muito menos do que depois da descoberta das Índias, que inundou o país de ouro e prata. A razão disso é que o dinheiro vale mais onde e quando é escasso do que onde e quando é abundante. A observação de que, como dizem alguns, a escassez de dinheiro reduz o preço dos outros produtos, tem a sua origem na circunstância de que a excessiva valorização do dinheiro faz com que as outras coisas pareçam baratas; é como acontece quando um homem baixo se coloca ao lado de outro muito alto: parece menor do que quando se coloca ao lado de um homem da sua mesma estatura”[8].

Outro trabalho importante no campo da teoria econômica foi o do cardeal Thomas de Vio, chamado Caietano (1468-1534), um eclesiástico extraordinariamente influente que, entre outras coisas, tinha entrado em discussão com Martinho Lutero acerca da autoridade pontifícia, fazendo-o cair em contradição[9]. No seu tratado De cambiis, de 1499, em que procurou defender o comércio exterior do ponto de vista moral, Caietano também fez notar que o valor do dinheiro no presente podia ser afetado pelas expectativas da situação do mercado no futuro: tanto pela expectativa de acontecimentos prejudiciais e danosos – que podiam ir desde as fracas colheitas até a guerra – como pela expectativa de mudanças no volume de dinheiro em circulação. Desse modo, escreve Murray Tothbard, “o cardeal Caietano, um príncipe da Igreja do século XVI, pode ser considerado o fundador da teoria das expectativas na economia”[10].

A TEORIA DO VALOR SUBJETIVO 

Entre os mais decisivos e importantes princípios econômicos desenvolvidos e amadurecidos com a ajuda dos últimos escolásticos e dos seus imediatos predecessores, encontra-se a teoria do valor subjetivo. Baseados em parte nas suas próprias análises e em parte inspirados nos comentários de Santo Agostinho na sua obra A cidade de Deus, esses pensadores católicos sustentaram que o valor não deriva de fatores objetivos, como o custo da produção ou o volume de trabalho nela empregada, mas da avaliação subjetiva dos indivíduos.

O frade franciscano Pierre de Jean Olivi (1248-1298) foi o primeiro a propor essa teoria. Sustentava que “o preço justo” de um bem resultava da avaliação subjetiva que os indivíduos fizessem desse bem, da medida em que o considerassem útil e desejável para eles. Mais propriamente, surgia da interação entre compradores e vendedores no mercado, manifestada pelo próprio ato de comprar ou abster-se de comprar determinada mercadoria por determinado preço[11]. Um século e meio mais tarde, São Bernardino de Sena, um dos maiores pensadores em matéria econômica da Idade Média, adotou a teoria do valor subjetivo de Olivi, praticamente palavra por palavra[12]. Quem imaginaria que essa teoria proveio de um frade franciscano do século XIII?

Os últimos escolásticos adotaram também essa posição. Como escreveu Luis Saravía de la Calle, no século XVI:

“Aqueles que medem o justo preço pelo trabalho, custos e riscos que corre a pessoa que comercia ou produz uma mercadoria, ou pelo custo do transporte e despesas de viagem [...], ou pelo que o fabricante tem de pagar pela produção, riscos e mão de obra, cometem um grande erro, e erro ainda maior cometem aqueles que admitem um lucro de vinte ou dez por cento. Porque o justo preço tem origem na abundância ou escassez das mercadorias, comerciantes e dinheiro [...], e não nos custos, trabalho e risco. Se tivéssemos de tomar em consideração o trabalho e o risco para avaliar o justo preço, nenhum comerciante jamais sofreria perdas, nem se levaria em conta a abundância ou escassez de mercadorias. Os preços não são normalmente fixados com base nos custos. Por que um fardo de linho, trazido por via terrestre da Inglaterra com grande dispêndio, há de valer mais que um transportado por mar, com um gasto bem menor? Por que um livro escrito a mão há de valer mais que um impresso, quando este último tem os seus custos de produção mais bem planejados? O justo preço não depende dos custos, mas de como se avalia geralmente um bem”[13].

E o cardeal jesuíta Juan de Lugo (1583-1660) corroborou essa teoria com argumentos próprios:

“Os preços não variam de acordo com a perfeição intrínseca e substancial dos artigos – uma vez que os ratos são mais perfeitos que o milho e, mesmo assim, valem menos –, mas em função da sua utilidade para as necessidades humanas e, por conseguinte, em função do apreço que se tem por eles: em uma casa, as jóias são muito menos úteis que o milho e, mesmo assim, o seu preço é muito mais alto. E devemos levar em conta não apenas a apreciação dos homens prudentes, mas também a dos imprudentes, caso eles sejam suficientemente numerosos em um lugar. É por isso que, na Etiópia, as nossas bijuterias são trocadas eqüitativamente por ouro, porque sâo comumente mais estimadas ali. E, entre os japoneses, objetos antigos feitos ferro e cerâmica, que não valem nada para nós, alcançam um alto preço por causa da sua antigüidade. A estima se tem por um bem, mesmo quando insensata, eleva-lhe o preço natural, uma vez que o preço deriva da estima que suscita. O preço natural sobe pela abundância de compradores e de dinheiro, e desce pelos fatores contrários”[14].

Luis de Molina (1535-1600), outro jesuíta, declarou igualmente:

“O justo preço das mercadorias não é fixado de acordo com a utilidade que o homem vê nelas, como se, caeteris paribus, a natureza e a necessidade de usá-las determinassem a quantia do preço [...]. Depende de como cada homem aprecia uma mercadoria. Isso explica por que o justo preço de uma pérola, que só pode ser usada como adorno, é mais alto que o justo preço de uma grande quantidade grãos, vinho, carne, pâo ou cavalos, embora a utilidade destas coisas (que também são de natureza mais nobre) seja mais prática e superior que a utilidade de uma pérola. É por isso que podemos concluir que o justo preço de uma pérola depende do valor que os homens lhe confiram como enfeite”[15].

Carl Menger, cuja obra Princípios da economia (1871) teve uma influência tão profunda no desenvolvimento da economia moderna (e que tem sido identificado com a tradição aristotélico-tomista[16]), explicou de um modo muito prático as implicações do valor subjetivo. Suponhamos que o tabaco deixasse repentinamente de ter qualquer utilidade para os seres humanos; a partir desse momento, já ninguém mais o desejaria ou necessitaria dele para coisa alguma. Imaginemos, além disso, uma máquina que tivesse sido projetada unicamente para o processamento do tabaco e não servisse para nenhuma outra finalidade. Como resultado dessa mudança do gosto das pessoas – com a perda do valor-de-uso do tabaco, como diria Menger –, o valor dessa máquina cairia igualmente para zero. Daqui se conclui que o valor do tabaco não deriva dos custos da sua produção. Os fatores de produção empregados no processamento do tabaco têm o seu próprio valor derivado do valor subjetivo que os consumidores dão ao tabaco, que é o produto final para o qual se empregam esses fatores[17].

A teoria do valor subjetivo, essencial para a economia, não tem nada a ver com o antropocentrismo ou o relativismo moral. A economia lida com a realidade e com as implicações das escolhas humanas. Para entender e explicar as escolhas humanas, devem-se levar em conta os valores que nelas se vêem (o que não significa, naturalmente, aprovar esses valores). No caso descrito por Menger, isso conduz-nos muito simplesmente à lógica conclusão de que, quando as pessoas não dão valor a determinado objeto, também não dão valor aos fatores especificamente destinados a produzi-lo.

Esta teoria implica também uma refinação direta da teoria do valor-trabalho, hoje associada a Karl Marx, o pai do comunismo. Marx não acreditava na moral objetiva, mas acreditava que se podia atribuir valores objetivos aos bens econômicos. Esse valor objetivo baseava-se no número de horas de trabalho empregadas na produção de determinado bem. Não é que Marx afirmasse que o valor de um produto resulta do mero trabalho despendido: não disse que, se eu passasse todo o dia colando latas vazias de cerveja umas às outras, o fruto desse meu trabalho seria ipso facto valioso: as coisas só seriam consideradas valiosas – admitia Marx –, se os indivíduos lhes atribuíssem valor de uso. Mas, uma vez que os indivíduos atribuíssem valor de uso a um bem, o valor desse bem seria determinado pelo número de horas de trabalho empregadas na sua produção[18].

Marx deduziu da sua teoria do valor-trabalho a idéia de que, em uma economia livre, os trabalhadores eram “explorados” porque, sendo o seu esforço a fonte de todo o valor, os salários que recebiam não refletiam plenamente esse esforço. Para ele, os lucros retidos pelo empregador eram totalmente imerecidos e levavam a uma injusta apropriação daquilo que, por direito, pertencia aos trabalhadores.

Está fora do nosso propósito fazer aqui uma refutação temática de Marx. Mas, com o auxílio das reflexões dos últimos escolásticos, podemos ao menos entender o erro primário em que incorreu a teoria do valor-trabalho[19]. Marx não estava errado ao perceber a relação que há entre o valor de um bem e o valor-trabalho empregado na produção desse bem; esses dois elementos estão freqüentemente relacionados. O seu erro foi ter invertido os termos da relação causal. Um bem não o seu valor derivado do trabalho nele empregado. É o trabalho empregado nele que tem o seu valor derivado da maior ou menor estima que os consumidores têm pelo produto final.

Vemos assim que, quando São Bernardino de Sena e os escolásticos do século XVI argumentaram a favor da teoria valor subjetivo, apontavam para um conceito econômico crucial que, implicitamente, antecipou e refutou um dos maiores erros econômicos da época moderna. O próprio Adam Smith, conhecido pela história como o maior defensor do livre mercado e da liberdade econômica, foi bastante ambíguo na sua exposição da teoria do valor, a ponto de ler deixado a impressão de que os bens têm o seu valor derivado do trabalho empregado na sua produção. Rothbard foi mais longe e chegou a sugerir que a teoria do valor-trabalho formulada por Smith no século XVIII alimentou a teoria de Marx no século seguinte, e que a economia – para não dizer o mundo como um todo – teria corrido muito melhor sorte se o pensamento econômico tivesse permanecido fiel à teoria do valor exposta pelos pensadores católicos aqui referidos. Os economistas franceses e italianos, influenciados pelos escolásticos, mantiveram de modo geral a posição correia; foram os economistas ingleses que se desviaram tão tragicamente para as linhas de pensamento que culminaram em Marx.

CATÓLICOS E PROTESTANTES 

Uma pesquisa sobre a influência do pensamento católico no desenvolvimento da ciência econômica não pode deixar de lado as contribuições de Emil Kauder. Kauder elaborou uma vasta obra de conjunto, na qual procurou descobrir, entre outras coisas, por que a (correta) teoria do valor subjetivo se desenvolveu e floresceu entre os pensadores católicos, franceses ou italianos, enquanto a (incorreta) teoria do valor-trabalho exerceu tanta influência nos pensadores protestantes, sobretudo anglo-saxões.

Na sua obra Uma história da teoria da utilidade marginal (1965), sugeriu que a solução para esse quebra-cabeça podia ser encontrada na importância que um protestante de inteligência tão excepcional como Calvino atribuiu ao trabalho. Para Calvino, o trabalho – fosse de que natureza fosse – gozava de uma aprovação divina e era um campo decisivo para que o homem pudesse dar glória a Deus. Essa idéia levou os pensadores dos países protestantes a enfatizar o trabalho como elemento determinante do valor. “Qualquer filósofo social ou economista exposto ao calvinismo – explicou Kauder – será tentado a dar ao trabalho um papel de destaque na sua teoria social ou econômica; e não se pode encontrar melhor modo de exaltar o trabalho do que pela combinação do trabalho com a teoria do valor, tradicionalmente a verdadeira base de um sistema econômico. Deste modo, o valor torna-se o valor-trabalho”[20].

De acordo com Kauder, observava-se essa tendem pensadores como John Locke e Adam Smith, que, nos seus escritos, puseram grande ênfase no trabalho, embora as suas concepções fossem mais propriamente deístas em sentido amplo do que protestantes[21]. Esses pensadores absorveram as idéias calvinistas que dominaram o seu meio cultural. Smith, por exemplo, sempre simpatizou com o presbiterianismo (que era um calvinismo organizado), e essa simpatia bem pode explicar a ênfase que pôs no trabalho como fator determinante do valor[22].

Os países católicos, porém, profundamente influenciados pela linha de pensamento aristotélica e tomista, não sentiram a mesma atração pela teoria do valor-trabalho. Aristóteles e São Tomás encararam a atividade econômica como meio de proporcionar prazer e felicidade. Daí resultava que os objetivos da economia eram profundamente subjetivos, uma vez que o prazer e a felicidade não são estados quantificáveis do ser e a sua intensidade não pode ser medida com precisão. A teoria do valor subjetivo seguia-se a essa premissa como a noite sucede ao dia. “Se a finalidade da economia é, em certa medida, o prazer – escreveu Kauder –, então, de acordo com o conceito aristotélico da causa final, todos os princípios da economia, incluído o do valor, devem derivar desse objetivo. Segundo esse modelo, o valor tem a função de mostrar quanto de prazer pode derivar dos bens econômicos”[23].

Logicamente, é impossível provar o acerto da explicação de Kauder, embora o autor reúna sugestivas evidências de que os pensadores protestantes e os católicos daquele tempo tiveram uma sensibilidade incipiente a respeito da raiz teológica dos respectivos desentendimentos sobre o valor econômico. De qualquer modo, permanece o fato de que os pensadores católicos, mercê da sua específica tradição intelectual, chegaram à conclusão correta sobre a natureza do valor, ao passo que os protestantes se enganaram amplamente.

Mesmo que os pensadores católicos tivessem chegado por simples acaso a esses importantes princípios econômicos e depois os tivessem visto enlanguescer sem influir nos seus sucessores, já teria sido um feito. Mas a verdade é que essas idéias dos últimos escolásticos exerceram uma profunda influência, e temos provas que nos permitem seguir o seu rasto ao longo dos séculos.

O protestante holandês Hugo Grotius, conhecido pelas suas contribuições para a teoria do direito internacional, citou expressamente esses pensadores no século XVII e adotou muitos dos seus pontos de vista econômicos. A sua influência nesse século também persistiu na obra de influentes jesuítas, tais como Leonardo Lessius e Juan de Lugo[24]. Na Itália do século XVIII, há fortes evidências dessa influência no padre Ferdinando Galiani, que é citado por vezes como o introdutor das idéias de utilidade e escassez como fatores determinantes do preço[25].

(Igualmente, Antônio Genovesi, um contemporâneo de Galiani, deveu muito ao pensamento escolástico). “O papel central dos conceitos de utilidade, escassez, e valor de mercado – escreve Rothbard – espalhou-se pela França a partir de Galiani, até chegar ao abbé francês Ètienne Bonnot de Condillac (1714-80) em fins do século XVIII, assim como a um outro pensador Anne-Robert-Jacques Turgot (1727-81). [...] François Quesnay (1694-1774) e os fisiocratas franceses do século XVIII – considerados, muitas vezes, como os fundadores da ciência econômica – foram também muito influenciados pelos escolásticos”[26].

No seu livro Fé e liberdade: o pensamento econômico dos últimos escoláslicos (2003), Alejandro Chafuen mostra que, questão após questão, esses pensadores dos séculos XVI e XVII apenas compreenderam e desenvolveram princípios econômicos decisivos, mas também defenderam os princípios da liberdade econômica e da economia de livre mercado. Dos preços e salários ao dinheiro e à teoria do valor, os últimos escolásticos anteciparam o melhor do pensamento econômico dos últimos séculos. Especialistas em história do pensamento econômico têm tido uma consciência cada vez mais clara da contribuição proporcionada pelos últimos escolásticos à economia[27]. Por isso, é uma rematada tolice alegar – como fazem alguns polemistas – que a idéia do livre mercado foi desenvolvida no século XVIII por anti-católicos fanáticos. Na época em que foi publicada a Encyclopédie francesa, violentamente anti-católica, essas idéias já vinham sendo veiculadas havia centenas de anos, e o que essa obra fez foi repetir as análises escolásticas acerca da formação dos preços[28].



[1] Joseph A Schumpeter, History of Economic Analysis, Oxford University Press, New York, 1954, pág. 97.

[2] Veja-se Raymond de Roover: “The Concept of the Just Price: Theory and Economic Policy”, Journal of Economic History 18 (1958), págs. 418-34. Id., “Business, Banking and Economic Thought in Late Medieval and Modern Europe”, em Julius Kishner, ed., Selected Studies of Raymond de Roover, University of Chicago Press, Chicago, 1974, págs. 306-45; Alejandro A. Chaufuen, Faith and Liberty: The Economic Thought of the Late Scholastics, Lexington, Lanham, Maryland, 2003; Marjorie Grice-Hutchinson, The School of Salamanca: Readings in Spanish Monetary Theory, 1544-1605, Clarendon Press, Oxford, 1952; id., Early Economic Thought in Spain, 1177-1740, George Allen & Unwin, Londres, 1978; Joseph A. Schumpeter, History of Economic Analysis; Murray N. Rothbard, An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, vol. I: Economic Thought Before Adam Smith. Edward Elgar, Hants, England, 1995, págs. 99-133.

[3] Murray N. Rothbard, An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, vol. I. pags. 73-74. Ludwig von Mises, o grande economista do todo XX, demonstrou que o dinheiro nasceu desse modo.

[4] Ibid., pág. 74: veja-se também Thomas E. Woods. The Church and the Market: A Catholic Defense of the Free Economy, págs. 87-89, 93.

[5] Jorge Guido Hulsmann, “Nicholas Oresme and the First Monetary Treatise”, 09.05.2004, http://www.mises.org/fullstory.aspx?control=1516.

[6] Murray N. Rothbard, An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, vol. 1, pág. 76.

O raciocínio de Oresme era assim: suponhamos que as duas moedas sejam o ouro e a prata e que, no mercado, dezesseis onças de prata têm o mesmo valor que uma onça de ouro. Suponhamos ainda que o governo estabeleça uma equivalência legal de 15 para 1, de lal modo que as pessoas sejam forçadas a tratar quinze onças de prata e uma onça de ouro como se tivessem igual valor. Essa razão, logicamente, supervaloriza a prata, já que, de acordo valor de mercado dos dois metais, dezesseis moedas de prata eqüivalem a uma de ouro. Mas o governo, com a sua razão de 15 para 1, está dizendo ao público que eles podem pagar dívidas contraídas em moedas de ouro a uma razão de apenas quinze moedas de prata por uma moeda de ouro em vez das dezesseis que a avaliação do mercado requereria. Como resultado, as pessoas começarão a fugir do ouro e a fazer os seus pagamentos em prata.

[7] Jorg Guido Hulsmann, “Nicholas Oresme and the First Monetary Treatise”.

[8] Alejandro A. Chafuen, Faith and Liberty, pág. 62.

[9] Lutero rejeitou a doutrina de que – ao dar ao Apóstolo Paulo as chaves do reino dos céus (cfr. Mt 16, 18) – Cristo tivesse investido os sucessores de Pedro na autoridade de ensinar e governar o mundo cristão. Mas Caietano demonstrou que, em um versículo paralelo do Velho Testamento (Is, 22, 22), também se usou o simbolismo da chave e que a chave era efetivamente um símbolo da autoridade que seria transmitida aos sucessores.

Para uma boa visão geral dessa imagem da chave na Bíblia, e particularmente da passagem de MT 16, 18, freqüentemente contestada, veja-se Stanley I., Jaki, The Keys of Kingdom: A Tool’s Witness to Truth, Franciscan Herald Press, Chicago, Illinois, 1986.

[10] Murray N. Rothbard, An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, vol. 1, págs. 100-1.

[11] Ibid., págs. 60-1.

[12] Ibid., pág. 62.

[13] Cit. por Murray N. Rothbard, “New Light on the Prehistory of the Austrian School”, em Edwin G. Dolan, ed., The Foundations of Modern Austrian Economics, Sheed & Ward, Kansas City, 1976, pág. 55.

[14] Cit. por Alejandro A. Chafuen, Faith and Liberty, págs. 84-5.

[15] Ibid., pág. 84.

[16] “Entende-se melhor Carl Menger no contexto do neo-escolasticismo aristotélico” (Samuel Bostaph, “The Methodenstreit”, em Peter J. Boettke, ed.., The Elgar Companion to Austrian Economics, Edward Elgar, Chelterham, UK, 1994, pág. 460.

[17] Carl Menger, Principles of Economics, Libertarian Press, Grove City, Penn, 1994, págs. 64-66.

[18] Deixemos de lado algumas dificuldades imediatas dessa teoria, por exemplo a sua incapacidade de explicar por que as obras de um artista sobem de preço após a sua morte; certamente, não houve nenhum trabalho adicional que justificasse esse aumento de preço. A teoria do trabalho é inútil para explicar esse fenômeno tão comum.

[19] Para uma refutação direta de Marx, veja-se o esquecido clássico de Eugen von Böhm-Bawerk, Karl Marx and the Close of His System, TF Unwin, Londres, 1898). Pode-se encontrar em George Reisman (Capitalism, Jameson Books, Ottawa, Illinois, 1996) uma réplica ainda mais forte essencial acerca do erro de Marx em não levar em conta a teoria do valor subjetivo. As restantes obras indicadas nestas Notas, podem-se ver argumentos suplementares que mostram por que as idéias de Marx sobre a exploração do trabalho eram essencialmente infundadas.

[20] Emil Kauder, A History of Marginal Utility Theory, Princeton University Press, Princeton, 1965, pág. 5.

[21] Locke é freqüentemente mal interpretado neste ponto, pois não é verdade que acreditasse na teoria do valor-trabalho. Os seus ensinamentos sobre o trabalho tinham a ver, não tanto com a teoria do valor-trabalho, mas com a justiça da aquisição inicial em um mundo em que os bens ainda não tivessem proprietários. Locke afirmava que, em um estado natural, em que pouquíssimos bens são propriedade privada dos indivíduos, é lícito que alguém reclame como próprio um bem ou um pedaço de terra ao qual tenha aplicado o seu trabalho – por exemplo, desmatando um campo ou simplesmente colhendo uma maçã de uma árvore. O trabalho exercido sobre um bem proporciona ao indivíduo um direito moral sobre esse bem. Depois que um bem se tornou propriedade privada, deixa de ser necessário que a pessoa continue a aplicar-lhe trabalho para retê-lo e designá-lo como próprio. Os bens de propriedade privada são legitimamente propriedade dos seus donos quer tenham sido adquiridos diretamente do “estado de natureza”, conforme vimos, quer tenham sido adquiridos por compra ou por educação de quem possuía legitimamente o título de propriedade. Isto nada tem a ver com atribuir um valor aos bens com base no valor empregado.

[22] Emil Kauder, A History of Marginal Utility Theory, págs. 5-6.

[23] Ibid., 9. Os grifos são nossos.

[24] A Escoláslica veio a ser desprezada tanto pelos protestantes como pelos racionalistas, e é por isso que as referências explícitas às obras dos últimos escolásticos por parte de alguns dos seus sucessores foram fugazes. Não obstante, os historiadores do pensamento podem reconstruir a influência desses pensadores, sobretudo porque foram os próprios inimigos da Escolástica que citaram expressamente as suas obras. Veja-se Murray N. Rothbard, “New Light on the Prehistory of the Austrian School”, págs. 65-7.

[25] Estou em grande dívida com Murray N. Rothbard, “New Light on the Prehistory of the Austrian School”, a propósito das minhas considerações sobre a influência posterior dos últimos escolásticos.

[26] Veja-se Murray N. Rothbard, “New Light on the Prehistory of the Austrian School”, pág. 66.

[27] Cfr. Thomas E. Woods. The Church and the Market: A Catholic Defense of Free Economy, em que desenvolvo as contribuições dos últimos escolásticos.

[28] Veja-se Murray N. Rothbard, “New Light on the Prehistory of the Austrian School”, pág. 67.

17 respostas a “LIVRO “COMO A IGREJA CATÓLICA CONSTRUIU A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL” (2008) – CAPÍTULO 08”

  1. Antonio G. - POA Diz:

    Fico pensando se o único (e melhor) meio de a civilização ocidental ter chegado ao seu atual estágio de desenvolvimento (?) teria sido através da religião, notadamente da Igreja Católica. Será que a humanidade não poderia prescindir do jugo imposto pelo inefável pai celestial? Não estaríamos muito mais evoluídos socialmente, moralmente, e até tecnologicamente, sem a nefasta influência do obscurantismo religioso?
    Particularmente, estou convencido de que sim, estaríamos muito melhor. Não creio que chegamos até aqui por causa das religiões, mas, sim, apesar delas. Aquém ou além de Greenwich.

  2. Cassio1961 Diz:

    E o que dizer então sobre o que fazem hoje em dia os “apóstolos e bispos”, verdadeiros cancros escorados em bilhões de reais ofertados ingenuamente ou não, pela ganância do “povo de deus”.
    É triste e engraçado ver aquela gente sofrida, de pé, espremidos, esperando ver um “milagre” (que todos sabemos ser mais uma enganação, lembram-se de CX, e outros…), pois é, mudam-se os nomes, personagens, instituições, épocas, etc, mas o desejo final é o mesmo…conseguir vantagens inconfessáveis.

  3. Vitor Diz:

    Oi, Antonio
    a Ciência só pôde se desenvolver devido à ideia religiosa de um legislador divino que teria criado um mundo ordenado. Ela não se desenvolveu em outras culturas. Para não citar Woods, vou pegar outro autor que defende a mesma ideia, G. F. Kneller, que escreveu “A CIÊNCIA COMO ATIVIDADE HUMANA”:
    .
    “O que fica por explicar é por que os próprios chineses, em mais de um milênio de investigação, não conseguiram atinar com o método matemático-experimental nem descobrir a filosofia mecanicista. Foram propostas várias respostas. [...] Uma outra proposta é que os chineses careciam da idéia de um legislador divino, e por isso nunca se aperceberam de que a natureza tem leis. Não há dúvida de que essa idéia propiciou autoconfiança à ciência européia. Se o universo foi planejado por Deus, então é compreensível e pode ser analisado como uma máquina, para ver como funciona. Ao revelar esse plano, a Ciência presta homenagem ao seu Criador.”[...] Mais à frente, ele diz: “A noção de um legislador divino tornou a Ciência autoconfiante e respeitável, e o legado da astronomia ptolemaica e da matemática árabe forneceu os instrumentos conceptuais para um avanço importante e decisivo. “

  4. Vitor Diz:

    Oi Antonio
    complementando, com isso não quero dizer que a religião católica não tenha suas mazelas. É claro que tem. Mas a ideia de que chegamos até até aqui “apesar do” catolicismo em vez de “por causa do” catolicismo me parece falsa e de fato não é essa a visão dos acadêmicos, pelo menos os que achei.

  5. Fabiano Diz:

    Vitor, entendo que todo católico deve se emocionar quando chega essa época natalina e queira demonstrar seus sentimentos da mais alta fé, mas se esse católico for uma pessoa de argumentos razoáveis, deverá perceber que a seita que defendem, a doutrina católica, produziu e ainda continua produzindo mais malefícios que benefícios. O próprio livro “sagrado” defendido pelos católicos, é um amontoado de plágios de acontecimentos anteriores, tanto no AT quanto no NT.
    -
    Sim Vitor, você está certo ao citar Kneller sobre o fato da ideia “de um legislador divino e um mundo ordenado que contribuiu para os avanços da ciência”, mas erra ao querer pensar que esta visão seja religiosa ou que ao menos pudesse ter algum vínculo com a igreja católica. Grandes filósofos egípcios e gregos já discursavam sobre isso e citei em outro post as ideias de Hermes Trimegisto. Matemática e ciência tá mais para a filosofia do que para a religião. Matemática e ciência podem prescindir de toda a religiosidade.
    -
    Portanto, a frase que Antônio disse tem toda razão de ser, pois apesar do catolicismo, as ideias filosóficas de mais de 2.000 anos antes de Cristo, ainda perduram aos dias de hoje. Muitos foram os filósofos que defendiam a imortalidade da alma, já o dogma da ressurreição foi criado posteriormente para atender os desejos pecuniários desta seita negocista que é a igreja católica. Se não fosse por essa seita católica, provavelmente as ideias destes filósofos estariam hoje bem mais difundidas. E é por isso que os cursos de filosofia vêm se proliferando em todo o mundo nos dias atuais, já que não há mais fogueiras e temos mais liberdade de pensar e de expressar-nos. Ao filosofarmos mais, consequentemente chegamos a conclusões mais acertadas sobre os porquês das coisas. E o espiritismo nada mais intenta, que resgatar os conhecimentos dessa filosofia, que muitos católicos e protestantes desejariam ver sepultados, para assim poderem mais livremente continuar com seus engôdos e faturamentos.
    -
    Feliz 2013 a todos!

  6. Jorge o guinorante Diz:

    Cassio1961: concordo plenamente com voce e acho essas igrejas industriais bem mais nocivas e perigosas à sociedade atual do que a ICAR, só não concordo com ” aquela gente sofrida”. A maioria não é muito sofrida não, e se defende muito bem. Eu frequentei pra ver. Uma horda de gente bem safada e ganaciosa, isso sim.
    Sim existem alguns sofridos, minoria idêntica àquela que frequenta centros espíritas em busca de sinais ou mensagens de pessoas amadas que se foram antes do tempo, tragicamente ou não.
    Detalhe sobre escola católica: No livro do sexto ano de Geografia de uma escola paulista católica ensina-se o conceito de Etnocentrismo. Coisa estranha, já que qualquer religião é etnocêntrica e a escola é católica. E está ensinando um conceito que pode vir a minar suas bases. Também no mesmo ano letivo é ensinado que existem muitas religiões e todas devem ser respeitadas.Mas nas igrejas evangélicas nunca se debatem os absurdos da bíblia, eles preferem passagens como o “óbolo da viúva” cujo discurso termina em : ” dê o seu tudo” , como a viúva deu. Se fossem debater aqueles absurdos , provavelmente perderiam muito$ dividendo$.
    O espírita logo diz que não pede dízimo, mas muitos centros são mantidos por doações e eu já vi o que acontece quando uma conta bancária beneficiente chega aos 5,6 ou 7 dígitos. A coisa fica complicada e as respostas do titular ficam surreais, e, de qualquer modo, os doadores não podem mesmo ver o saldo né?
    Isso também não é uma defesa ao catolicismo já que sou um intolerante religioso. Odeio todas . Apenas eu quis dizer que os católicos ( pelo menos os dessa escola) são mais tolerantes até com idéias meio estranhas como ensinar às crianças o conceito de Etniocentrismo e respeito tendo um livro que a tudo condena.

  7. Fabiano Diz:

    Jorge, prefiro acreditar que você não seja de todo um “guinorante”, mas um ser desinformado, com alguns resquícios saudosista do catolicismo e que talvez encaixe ai o etnocentrismo que você parece concordar, já que estou assumindo que você foi criado e crescido no maior país católico do mundo. Etnocentrismo não é coisa boa, portanto não se espante quando ver alguma escola católica ensinando isso em sala de aula. Para que não continues a ser enganado, recomendo que leia de vez em quando o blog do Paulopes, como por exemplo esta matéria: http://www.paulopes.com.br/2011/11/igreja-catolica-so-se-lembra-do-lado.html#.UObyf2_ZYrU
    -
    Quanto aos dízimos e doações. Pedir dízimos é algo realmente pouco comum no meio espírita. Mas receber doações é algo distinto. Por exemplo, este blog recebe doações para ajudar na tradução de livros e textos. O Greenpeace recebe doações para ajudar ursos polares. A Unicef também recebe doações ajudar crianças do mundo inteiro. Agora imagine que um tio seu, por não ter herdeiros diretos, resolvesse deixar de livre e espontânea vontade, um apartamento com valor na cifra de 6 dígitos para você. Poderia alguém fazer alguma acusação sobre a sua pessoa? Então, porque você faz uma insinuação destas? Agora veja que a ICAR, que parece “mais boazinha” para você, ao ensinar etnocentrismo não pode ensinar ao mesmo tempo o respeito e a tolerância religiosa. Você está sendo vítima de um engôdo ou conto do vigário. Veja que a turma dos ICARistas tem motivos de sobra para exigir o tal dizimo: http://sbdizimo.blogspot.com.

  8. Biasetto Diz:

    Fabiano,
    Bom o seu comentário e muito boa sua indicação: Paulo Lopes. Acompanho tudo que ele posta no facebook.
    Esta matéria que você indicou aí, é exatamente o que eu penso e tentei dizer nos meus comentários aqui.
    Valeu !!!
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    Ah! o catolicismo está com os dias contados no Brasil também. Mais uma década e o Brasil terá mais evangélicos do que católicos. Previsão do próprio IBGE. Também não me agrada muito, porque tem uma turma completamente insana, no meio evangélico. Porém, acredito que tudo faz parte de um processo, que levará a um crescimento constante dos ateus e não religiosos. Não vejo isto como maravilhoso – o ateísmo, mas vejo com muito bom grado, que as pessoas comecem a perceber que as religiões/igrejas, pregam dogmatismos, fantasias, querem algemá-las e limitá-las a “vaquinhas de presépios”. E antes que me chamem de um desafortunado profano, pregador da luxúria, porque já fizeram isto comigo aqui, vou continuar afirmando, que ética, moral, dignidade e sabedoria, vão no sentido inverso do que as religiões pregam.
    Uma sociedade se constrói com boas leis e conhecimento.

  9. mrh Diz:

    q xatice, e fora da proposta do blog…

  10. Vitor Diz:

    Eu não acho chato, mas mesmo que seja, é necessário. Se querem criticar a Igreja Católica, então que pelo menos conheçam melhor essa instituição…

  11. Fabiano Diz:

    Biasetto, também gosto muito de ler os artigos de Paulo Lopes e sempre é bom conhecermos os dois lados da moeda. Se aqui há uma propaganda católica, lá ocorre o contrário, expõe de forma nua e crua as mazelas da cúria romana e de seus súditos.

  12. Fabiano Diz:

    Vitor, o que o Vaticano menos quer é que se conheça melhor a sua instituição. Lá tudo é feito na surdina, na calada da noite, a verdade é sempre encoberta ou mascarada. Se o seu desejo é o de realmente mostrar aos leitores deste blog o que ocorre dentro desta instituição que só males tem trazido para a humanidade, então lhe sugiro publicar de forma completa, como a que vem fazendo agora, alguns livros como: “Sua Santidade, as Cartas Secretas de Bento XVI”, de Gianluigi Nuzzi ou “O Vaticano contra Cristo”, de I millenari, este último teve sua publicação proibida no Brasil.
    http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/ha-vontade-de-limpeza-no-vaticano-diz-autor-de-livro-polemico
    http://www.wook.pt/ficha/o-vaticano-contra-cristo/a/id/78381

  13. Fabiano Diz:

    Vitor, sugiro também a publicação do livro “Jesus, aproximação histórica”, de José Antonio Pagola. Este livro, ao mesmo tempo irá aproximar os leitores de Jesus e afastará os leitores da seita vaticana e católica.
    http://www.padrescasados.org/archives/1507/vaticano-processa-o-teologo-basco-jose-antonio-pagola/comment-page-1/

  14. Vitor Diz:

    Oi, Fabiano

    Gianluigi Nuzzi é um jornalista, não é um acadêmico. Já o livro do Pagola do que vi de algumas revisões parece ser recomendado.

  15. Fabiano Diz:

    Vitor, não entendi direito. Para você um jornalista não é um acadêmico? Mesmo sabendo que Gianluigi Nuzzi é membro da Ordem dos Jornalistas do Conselho Regional da Lombardia, na Itália? Não sei se você é jornalista acadêmico, ou seja aquele que é formado em uma universidade com o curso de jornalismo, ainda assim não vejo isso como um obstáculo para veicular uma informação verdadeira. Repare que muitos dos leitores de seu blog, não quer saber se você é formado ou não em jornalismo, se é ou não um acadêmico. Para eles e para mim, o mais importante é a fonte das pesquisas, é a veracidades dos fatos, é a verdade nua e crua.
    -
    Neste caso Gianluigi Nuzzi é peça fundamental no tabuleiro, é o peão coroado como uma peça forte no jogo de xadrez. Ele, Nuzzi, que era inofensivo, passa a ter um papel forte, decisivo e destruidor para o vaticano. Ele reúne nada mais nada menos, que as cartas do próprio Ratzinger e de outros cardeais ligados ao papa. E para isso contou com a ajuda e a inocência de Paolo Gabriele, o ex-mordomo do papa, que por amor e fidelidade ao papa, resolveu denunciar as cartas que, para ele, Gabriele, poderiam ajudar a livrar o papa das artimanhas, das invejas, das disputas de poder, dos assassinatos, que ocorreram e que continuam ocorrendo dentro do próprio vaticano e fora, ainda sob seu domínio.

  16. Vitor Diz:

    Oi, Fabiano
    não basta a informação ser verdadeira, é preciso inseri-la em um contexto adequado para não criar uma imagem falsa. Para mim o Nuzzi ser membro da Ordem dos Jornalistas do Conselho Regional da Lombardia não quer dizer absolutamente nada. Não sei que ordem é essa, não sei a seriedade dela, não sei o quão confiável ela seria. Mas se o que o Nuzzi diz presta, então com o tempo seu material será aproveitado pelos acadêmicos. Aguardemos.

  17. ary pires Diz:

    bela droga essa série….vitor se você é democrático deixa meu post aqui e não deleta…….melhor falar sobre o espiritismo

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