Livro “Como A Igreja católica Construiu a Civilização ocidental” (2008) – Capítulo 09

Neste capítulo Woods defende a ideia de que foi a Igreja Católica que inventou a caridade tal como a conhecemos no Ocidente.

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Atenção: Isso não é uma defesa da Doutrina Católica. Não acredito que Maria pariu virgem muito menos que continuou assim após o parto; que Jesus multiplicou pães e peixes, etc. Também abomino a discriminação que é feita contra homossexuais (ao dizer que homossexualismo é pecado)  bem como a propaganda feita contra o aborto, o incentivo ao não uso de camisinha e afins.

IX.

COMO A CARIDADE CATÓLICA MUDOU O MUNDO

UMA ATITUDE ASSOMBROSA 

No início do século IV, a fome e a doença assolavam o exército do imperador Constantino. Pacômio, um soldado pagão, observava com assombro como muitos dos seus companheiros romanos ofereciam comida e assistência aos que precisavam de ajuda, socorrendo-os sem qualquer discriminação. Cheio de curiosidade, quis saber quem eram essas pessoas e descobriu que eram cristãos. Que tipo de religião era aquela, admirou-se, que podia inspirar tais atos de generosidade e humanidade? Começou a instruir-se na fé e, antes de o perceber, já estava no caminho da conversão[1].

Esse mesmo sentimento de assombro, continuaram a suscitá-lo as obras de caridade católicas através dos tempos. O próprio Voltaire, talvez o mais prolífico propagandista anti-católico do século XVIII, se mostrou respeitosamente admirado com o heróico espírito de sacrifício que animou tantos dos filhos e filhas da Igreja. “Talvez não haja nada maior na terra – disse ele – que o sacrifício da juventude e da beleza com que belas jovens, muitas vezes nascidas em berço de ouro, se dedicam a trabalhar em hospitais pelo alívio da miséria humana, cuja vista causa tanta aversão à nossa sensibilidade. Tão generosa caridade tem sido imitada, mas de modo imperfeito, por gente afastada da religião de Roma”[2].

Exigiria volumes sem conta elaborar uma lista completa das obras de caridade católicas promovidas ao longo da história por pessoas, paróquias, dioceses, mosteiros, missionários, frades, freiras e organizações leigas. Basta dizer que a caridade católica não tem paralelo com nenhuma outra, em quantidade e variedade de boas obras, nem no alívio prestado ao sofrimento e miséria humanos. Podemos ir mais longe e dizer que foi a Igreja Católica que inventou a caridade tal como a conhecemos no Ocidente.

Tão importante como o puro volume das obras de benemerência é a diferença qualitativa que distinguiu a caridade da Igreja daquela que a havia precedido. Seria tolice negar que os grandes filósofos antigos proclamaram nobres sentimentos traduzidos em filantropia; ou que homens de valor fizeram importantes e substanciais contribuições em prol das suas comunidades. Esperava-se dos ricos que financiassem termas, edifícios públicos e todo o tipo de entretenimentos populares. Plínio o Jovem, por exemplo, nem de longe foi o único a dotar a sua cidade natal de uma escola e uma biblioteca.

Não obslante, o espírito de caridade no mundo antigo era, em certo sentido, deficiente, se o compararmos com aquele que foi praticado pela Igreja. A maior parte dos gestos de generosidade nos tempos antigos envolvia um interesse próprio: não eram puramente gratuitos. Os edifícios financiados pelos ricos exibiam ostensivamente os seus nomes. As doações eram feitas de modo a deixar os beneficiários em dívida para com os doadores, ou entào atraíam as atenções para as suas pessoas e a sua grande liberalidade. Servir de coração alegre os necessitados e ampará-los sem nenhuma expectativa de recompensa ou reciprocidade, não era certamente o princípio que prevalecia.

Cita-se por vezes o estoicismo – uma antiga escola de pensamento que remonta mais ou menos ao ano 300 a.C. e que permanecia viva nos primeiros séculos da era cristã – como uma linha pré-cristã de pensamento que recomendava fazer o bem ao semelhante sem esperar nada em troca. Os estóicos ensinavam que homem bom era aquele que, como cidadão do mundo, cultivava o espírito de fraternidade para com os seus semelhantes e, por essa razão, parecia ser um mensageiro da caridade. Mas também ensinavam que era preciso suprimir os sentimentos e as emoções como coisas impróprias de um homem. O homem devia manter-se totalmente imperturbável perante quaisquer acontecimentos exteriores, mesmo os mais trágicos: devia possuir um autodomínio tão forte que fosse capaz de encarar a pior catástrofe com absoluta indiferença. Esse era também o espírito com que o homem sábio devia assistir os menos afortunados: não impelido pelo desejo de compartilhar a aflição e a tristeza daqueles a quem socorria, nem estabelecendo qualquer vínculo emocional com eles, mas com o espírito de desinteresse e a ausência de emoção próprios de quem simplesmente cumpre o seu dever. Rodney Stark diz que a filosofia clássica “considerava a piedade e a compaixão como emoções patológicas, defeitos do caráter que os homens racionais deviam evitar. Dado que a piedade implicava prestar uma ajuda ou alívio imerecidos, era contrária à justiça”[3]. Assim se explica que o filósofo romano Sêneca tenha podido escrever:

“O sábio poderá consolar aqueles que choram, mas sem chorar com eles; socorrerá o náufrago, dará hospitalidade ao proscrito e esmolas ao pobre [...]. restituirá o filho à mãe em prantos, salvará o cativo da arena e até mesmo enterrará o criminoso – mas em toda a sua mente e no seu semblante estará igualmente imperturbável. Não sentirá compaixão. Socorrerá e fará o bem porque nasceu para assistir os seus semelhantes, para trabalhar pelo bem-estar da humanidade e para dar a cada um a sua parte [...]. O seu rosto e a sua alma não denunciarão nenhuma emoção quando olhar para o aleijado, o esfarrapado, o encurvado e o mendigo esquelético e macilento. Mas ajudará aqueles que merecem e, como os deuses, será propício ao infeliz [...]. Só os olhos doentes se umedecem ao verem lágrimas em outros olhos[4].

É verdade que, paralelamente ao desenvolvimento do cristianismo, algumas das asperezas do primitivo estoicismo começaram a dissolver-se. Dificilmente se poderão ler as Meditações de Marco Aurélio, o imperador romano do século II e filósofo estóico, sem impressionar-se com o grau de semelhança que há entre o pensamento desse nobre pagão e o cristianismo; foi por isso que São Justino Mártir veio a elogiar os estóicos seus contemporâneos. Mas a implacável supressão da emoção e do sentimento, que tanto caracterizou essa escola, já havia cobrado o seu tributo, desconhecendo a grandiosa dimensão do ser humano. Entre os muitos exemplos de estoicismo, ressalta o de Anaxágoras, um homem que, ao ser informado da morte do seu filho, se limitou a observar: “Eu nunca pensei que tivesse gerado um imortal”. E espanta-nos o vazio moral de Stilpo, que, ante a conquista da sua cidade natal e a perda das suas filhas levadas para a escravidão ou o concubinato, proclamou que, ao fim e ao cabo, não tinha realmente perdido nada, já que o homem sábio transcende todas as suas circunstâncias[5]. Era simplesmente lógico que aqueles homens, tão impermeáveis à realidade do mal, fossem indolentes à hora de aliviar os seus efeitos sobre os seus semelhantes: “Homens que se recusavam a reconhecer a dor e a doença como males – anota um observador – também estavam pouco propensos a aliviá-las aos outros”[6].

O espírito de caridade na Igreja não surgiu no vácuo, mas bebeu a sua inspiração nos ensinamentos de Cristo. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros (Jo 13, 34-35; cfr. Ti 4, 11). São Paulo afirmou que os cuidados e a caridade dos cristãos deviam ser oferecidos mesmo aos que não pertencessem à comunidade dos fiéis, ainda que fossem inimigos da fé (cfr. Rom. 12, 14-20; Gál. 6, 10). Aí estava um novo ensinamento para o mundo antigo.

De acordo com William Lecky, um crítico freqüentemente severo da Igreja, “não se pode sustentar nem na prática, nem na teoria, nem nas instituições fundadas, nem no lugar que a ela foi atribuído na escala dos deveres, que a caridade ocupasse na Antigüidade um lugar comparável aquele que atingiu no cristianismo. Quase todo o socorro era prestado pelo Estado, muito mais por razões políticas do que por sentimentos de benevolência; e o costume de vender crianças, os inumeráveis enjeitados, a presteza com que os pobres se candidatavam a gladiadores e as freqüentes vagas de fome mostram como era grande a extensão dos miseráveis que ficavam esquecidos”[7].

OS POBRES E OS DOENTES 

A prática de oferecer dádivas destinadas aos pobres desenvolveu-se cedo na história da Igreja. Os fiéis colocavam as suas oferendas sobre o altar durante a missa e, em certos dias de penitência, doavam uma parcela dos frutos da terra nas coletas que tinham lugar antes da leitura da epístola. Também se faziam contribuições em dinheiro para os cofres da Igreja, assim como coletas extraordinárias entre os fiéis ricos. Os primeiros cristãos, que jejuavam com freqüência, doavam aos pobres o dinheiro que teriam gasto com a comida. São Justino Mártir relata que muitas pessoas que tinham amado as riquezas e as coisas materiais antes de se converterem, agora se sacrificavam de ânimo alegre pelos pobres[8].

Poderíamos continuar a citar longamente as boas obras da Igreja primitiva, praticadas tanto por humildes como por ricos. Os próprios Padres da Igreja, que legaram um enorme corpo literário e erudito à civilização ocidental, encontraram tempo para se dedicarem pessoalmente ao serviço dos seus semelhantes. Santo Agostinho fundou um albergue para peregrinos e escravos em fuga e distribuiu roupas entre os pobres. (Avisava às pessoas que não lhe oferecessem peças de roupa caras, porque as venderia e daria o produto aos pobres[9]). São João Crisóstomo fundou uma série de hospitais em Constantinopla[10]. São Cipriano e Santo Efrém empenharam-se em promover obras de assistência em tempos de fome e de epidemias.

A Igreja primitiva também institucionalizou a atenção às viúvas e aos órfãos, bem como aos enfermos, especialmente durante as epidemias. Por ocasião das pestes que assolaram Cartago e Alexandria no século III, os cristãos suscitaram respeito e admiração pela coragem com que consolavam os moribundos e enterravam os mortos, enquanto os pagãos abandonavam ao seu terrível destino até os próprios amigos[11].

No século III, São Cipriano, bispo de Cartago, repreendeu a população pagã porque, em vez de ajudar as vítimas da praga, as saqueava. “Não demonstrais nenhuma compaixão pelos doentes, mas tão somente avidez e pilhagem depois que morrem. Aqueles que se encolhem de medo à hora de trabalhar por piedade mostram-se audaciosos à hora de extrair lucros ilícitos. Aqueles que fogem de enterrar os mortos mostram-se ávidos do que eles tenham deixado”. Esse Padre da Igreja conclamou os cristãos a mobilizar-se para assistir os doentes e enterrar os mortos. Lembremo-nos de que se estava ainda em uma época de intermitente perseguição aos cristãos e, portanto, o que o grande bispo pedia aos seus seguidores era que ajudassem as mesmas pessoas que às vezes os perseguiam. Dizia ele: “Se só fizermos o bem aos que nos fazem o bem, que faremos mais do que fazem os pagãos e publicanos? Se somos filhos de Deus, que faz brilhar o seu sol sobre bons e maus, e manda a sua chuva sobre justos e injustos, provemo-lo pelos nossos atos, bendizendo aqueles que nos amaldiçoam e fazendo o bem aos que nos perseguem”[12].

No caso de Alexandria, o bispo Dionísio relatou que os pagãos “repeliam os que começassem a ficar doentes, afastavam-se deles, mesmo que se tratasse dos amigos mais queridos, largavam os moribundos à beira das estradas, deixando-os insepultos quando morriam, tratando-os com o mais completo desprezo”. Em contraste, relatou que muitos cristãos “não fugiam de amparar-se uns aos outros, visitavam os doentes sem pensar no perigo que corriam e serviam-nos assiduamente [...], atraindo para si mesmos as doenças dos seus vizinhos e assumindo de livre vontade as cargas dos sofrimentos daqueles que tinham à sua volta”[13].

Santo Efrém é lembrado pelo seu heroísmo quando a fome e a peste se abateram sobre Edessa, a cidade em cujos arredores vivia como eremita. Não apenas coordenou a coleta e distribuição de esmolas, mas também fundou hospitais, cuidou dos doentes e dos mortos[14]. Quando a fome atingiu a Armênia sob o reinado de Maximiano, os cristãos prestaram assistência aos pobres sem considerar a filiação religiosa. Eusébio, o historiador da Igreja do século IV, conta-nos que, como resultado do bom exemplo dos cristãos, muitos pagãos “se interessaram por uma religião cujos discípulos eram capazes de uma dedicação tão desinteressada”[15]. Juliano, o Apóstata, que odiava o cristianismo, lamentou a bondade dos cristãos para com os pagãos: “Esses ímpios galileus não alimentam apenas os seus próprios pobres, mas também os nossos; dando-lhes as boas-vindas nos seus ágapes, atraem-nos como se atraem as crianças com um doce”[16].

OS PRIMEIROS HOSPITAIS E OS CAVALEIROS DE SÃO JOÃO 

Discute-se se existiram na Grécia e em Roma instituições semelhantes aos nossos hospitais. Muitos historiadores põem-no em dúvida, enquanto outros apontam alguma rara exceção aqui e acolá, mas mais para cuidar dos soldados doentes ou feridos do que da população em geral. Parece dever-se à Igreja a fundação das primeiras instituições atendidas por médicos, onde se faziam diagnósticos, se prescreviam remédios e se contava com um corpo de enfermagem[17].

No século IV, a Igreja começou a patrocinar a fundação de hospitais em larga escala, de tal modo que quase todas as principais cidades acabaram por ter o seu. Na sua origem, esses hospitais tinham por fim hospedar estrangeiros, mas depois passaram a cuidar dos doentes, viúvas, órfãos e pobres em geral[18]. Como explica Guenter Risse, os cristãos ultrapassaram “a recíproca hospitalidade que prevalecia na antiga Grécia e as obrigações familiares dos romanos” para cuidarem de atender “grupos sociais marginalizados pela pobreza, doença e idade”[19]. No mesmo sentido, o historiador da medicina Fielding Garrison observa que, antes do nascimento de Cristo, “o espírito com que se tratava a doença e o infortúnio não era o de compaixão, e cabe ao cristianismo o crédito pela solicitude em atender o sofrimento humano em larga escala”[20].

Em um ato de penitência crista, uma mulher chamada Fabíola fundou o primeiro grande hospital público em Roma; percorria as ruas em busca de homens e mulheres pobres e enfermos necessitados de cuidados[21]. São Basílio Magno, conhecido pelos seus contemporâneos como o Apóstolo das Esmolas, fundou um hospital em Cesaréia, no século IV. Era conhecido por abraçar os leprosos miseráveis que ali buscavam alívio, manifestando uma terna piedade para com esses prescritos, sentimento que, mais tarde, tomaria famoso São Francisco de Assis. Não é de surpreender que os mosteiros também desempenhassem um papel importante no cuidado dos doentes[22]. De acordo com o mais completo estudo da história dos hospitais:

“Após a queda do Império Romano, os mosteiros tornaram-se gradualmente provedores de serviços médicos organizados, dos quais não se dispôs por vários séculos em nenhum lugar da Europa. Dada a sua organização e localização, essas instituições eram virtuais oásis de ordem, piedade e estabilidade, que favoreciam a cura. Para prestar esses cuidados práticos, os mosteiros tornaram-se também lugares de ensino médico entre os séculos V e X, o período clássico da assim chamada medicina monástica. Durante o renascimento carolíngio dos anos 800, os mosteiros também despontaram como principais centros de estudo e transmissão dos antigos textos médicos”[23].

A Regra de São Bento enfatizava a importância de cuidar dos monges doentes, mas não há provas de que o pai do monaquismo moderno também tivesse atribuído ao mosteiro a tarefa de prestar cuidados médicos à população em geral. Contudo, como em muitas outras coisas, a força das circunstâncias contribuiu significativamente para a ampliação das funções e perspectivas de um mosteiro.

As ordens militares, fundadas durante as Cruzadas, administravam hospitais por toda a Europa. Uma dessas ordens, a dos Cavaleiros de São João (também conhecidos como hospitalários), germe do que, mais tarde, veio a tomar-se a Ordem de Malta, deixou uma marca particularmente significativa na história dos hospitais europeus, sobretudo pelas inusitadas dimensões do seu edifício em Jerusalém. Fundado em torno 1080, esse hospital procurou atender os pobres e proporcionar um alojamento seguro aos peregrinos, muito freqüentes em Jerusalém, particularmente após a vitória cristã na Primeira Cruzada, em fins do século. A extensão das suas operações cresceu significativamente depois de Godofredo de Bulhões, que doou à instituição uma série de propriedades.

O sacerdote alemão João de Würzburg ficou muito impressionado com o que viu na sua visita a esse hospital, não só pelos cuidados que se dispensavam aos doentes como pelas obras de caridade que se levavam a cabo: “A casa – diz ele – alimentava tantas pessoas, de fora e de dentro, e dava tão grande quantidade de esmolas aos pobres, quer aos que vinham bater à sua porta, quer aos que não saíam dos seus tugúrios, que nem mesmo os administradores ou os encarregados da despensa daquela casa eram capazes de calcular o total dos gastos”. Teodorico de Würzburg, outro peregrino alemão, maravilhou-se de que “andando pelas dependências do hospital, não conseguíamos de modo algum avaliar o número de pessoas que lá jaziam, pois eram milhares as camas que víamos. Nenhum rei ou tirano teria poder suficiente para manter o grande número de pessoas alimentadas diariamente naquela casa”[24].

Em 1120, os hospitalários elegeram Raimundo du Puy como administrador do hospital, substituindo o falecido irmão Gerardo. O novo administrador concentrou os seus esforços na atenção aos doentes internados, contando, em benefício deles, com os heróicos sacrifícios dos que trabalhavam naquela casa. Lemos em “Como os nossos senhores os doentes devem ser recebidos e atendidos” – art. 16 do código estabelecido por Du Puy para a administração do hospital – que “na mesma obediência com que o diretor e a congregação do hospital velam pela existência desta casa, assim seja recebido o enfermo que aqui vier: fazei com que participe do Santo Sacramento, tendo antes confessado os seus pecados ao sacerdote, e depois seja carregado para a cama e nela tratado como se fosse o nosso Senhor”. Uma história moderna dos hospitais refere que “o decreto de Du Puy, modelo tanto para os serviços de caridade como para a incondicional devoção ao doente, lomou-se um marco na história dos hospitais”[25]. Diz Guentcr Risse:

“Não surpreende que, com a nova torrente de peregrinos que chegou ao reino latino de Jerusalém, os seus testemunhos sobre a caridade dos hospitalários de São João se tivessem espalhado rapidamente por toda a Europa, incluída a Inglaterra. A existência de uma ordem religiosa que manifestava com tanto ardor a sua lealdade aos doentes inspirou a criação de uma rede de instituições similares, especialmente nos portos da Itália e do sul da França onde os peregrinos se concentravam para embarcar. Ao mesmo tempo, ex-internados agradecidos, nobres caridosos e monarcas de um canto ao outro da Europa faziam substanciais doações de terras. Em 1131, o rei Afonso de Aragão legou um terço do seu reino aos hospitalários”[26].

No transcorrer do século XII, o hospital começou a parecer-se cada vez mais com um hospital moderno e menos com uma hospedaria para peregrinos: a sua missão ficou especificamente definida como a de cuidar dos doentes, mais do que de proporcionar abrigo aos viajantes necessitados. Nesse sentido, o Hospital de São João, inicialmente um estabelecimento só para cristãos, começou a admitir também doentes muçulmanos e judeus.

O hospital impressionava também pelo seu profissionalismo, organização e regime rigoroso. Faziam-se pequenas cirurgias. Os doentes recebiam duas vezes ao dia a visita de médicos, além de um banho e duas refeições principais. Os funcionários só podiam comer depois dos pacientes. Um grupo de mulheres estava a postos para realizar outras tarefas e assegurar que os doentes tivessem roupa e lençóis limpos[27].

Essa sofisticada organização, coroada pelo esmero no atendimento aos enfermos, serviu de modelo para a Europa, onde começaram a surgir em todos os lugares, tanto em cidades principais como em aldeias modestas, instituições inspiradas no hospital de Jerusalém. Os próprios hospitalários chegaram a administrar no século XIII cerca de vinte hospitais e casas de leprosos[28].

ASSISTÊNCIA EFICAZ 

As obras de caridade católicas foram tão impressionantes que até os próprios inimigos da Igreja, muito a contragosto, tiveram de reconhecê-lo. O escritor pagão Luciano (130-200) observou com espanto: “É inacreditável a determinação com que as pessoas dessa religião se ajudam umas às outras nas suas necessidades. Não se poupam em nada. O seu primeiro legislador meteu-lhes na cabeça que eles eram todos irmãos!”[29] Juliano, o Apóstata, o imperador romano que, nos anos 360, fez a violenta, mas frustrada, tentativa de fazer o Império retornar ao seu primitivo paganismo, admitiu que os cristãos se avantajavam aos pagãos no seu devotamento às obras de caridade. “Enquanto os sacerdotes pagãos negligenciam os pobres – escreveu –, os odiados galileus [isto é, os cristãos] devotam-se às obras de caridade e, em um alarde de falsa compaixão, introduzem com eficácia os seus perniciosos erros. Vede os banquetes de amor e as suas mesas preparadas para os indigentes. Tal prática é habitual entre eles e provoca desprezo pelos nossos deuses”[30]. Martinho Lutero, o mais inveterado inimigo da Igreja Católica até o fim da vida, viu-se obrigado a admitir: “Sob o Papado, o povo era ao menos caridoso e não havia necessidade de recorrer à força para obter esmolas. Hoje, sob o reinado do Evangelho (com isso, referia-se ao protestantismo), em vez de dar, as pessoas roubam-se umas às outras, e parece que ninguém julga possuir alguma coisa enquanto não se apropria dos bens do vizinho”[31].

O economista do século XX Simou Palien observou a propósito da ação da Igreja: “Na Idade Média, era muito comum dar comida e abrigo aos trabalhadores, tratar com caridade os desafortunados e aliviá-los das doenças, das pragas e da fome. Quando vemos o número de hospitais e enfermarias, a magnanimidade dos monges e o sacrifício pessoal das freiras, não podemos duvidar de que os marginalizados daqueles tempos eram pelo menos tão bem assistidos como os de agora”[32]. Frederick Hurter, um biógrafo do papa Inocêncio III no século XIX, chegou a declarar: “Todas as instituições de beneficência que a raça humana possui hoje em dia para minorar a sorte dos desafortunados, tudo o que tem sido feito para socorrer os indigentes e os aflitos nas vicissitudes das suas vidas e em qualquer tipo de sofrimento, procede direta ou indiretamente da Igreja de Roma. Ela deu o exemplo, perseverou na sua tarefa e, com freqüência, proporcionou os meios necessários para levá-la a cabo”[33].

A extensão das atividades caritativas da Igreja aprecia-se às vezes com mais clareza quando deixam de existir. Na Inglaterra do século XVI, por exemplo, o rei Henrique VIII suprimiu os mosteiros e confiscou-lhes as propriedades, distribuindo-as a preço de banana entre os homens influentes do seu reino. O pretexto para essa medida foi que os mosteiros se haviam tornado fonte de escândalo e imoralidade, embora restem poucas dúvidas de que tais acusações fantasiosas não faziam mais do que dissimular a cobiça real. As conseqüências sociais da dissolução dos mosteiros devem ter sido muito significativas. Os Levantes do Norte de 1536, uma rebelião popular também conhecida como a Peregrinação da Graça, tiveram muito a ver com a ira popular causada pelo desaparecimento da caridade monástica. Em uma petição dirigida ao rei dois anos mais tarde, observava-se:

“A experiência que tivemos com a supressão dessas casas mostra-nos claramente que se provocou e continuará a provocar-se neste reino de Vossa Majestade um grande mal e uma grande deterioração, assim como um grande empobrecimento de muitos dos nossos humildes súditos, pois faltarão a hospitalidade e o sustento com que essas casas proporcionavam grande alívio aos pobres de todas as regiões próximas dos referidos mosteiros”[34].

Os mosteiros eram conhecidos por serem proprietários generosos e bondosos, pois cobravam pouco pelo arrendamento das suas terras e estabeleciam os contratos a longo prazo. “O mosteiro era um proprietário que nunca morria; os arrendatários tratavam com um senhorio imortal; as suas terras e casas nunca mudavam de proprietário; os que as arrendavam não estavam sujeitos a nenhuma das muitas incertezas que afetavam os outros arrendatários”[35] Foi por isso que a dissolução dos mosteiros e a distribuição das suas terras só pôde significar “a ruína para dezenas de milhares de camponeses pobres, o colapso das pequenas comunidades que constituíam o seu mundo e um futuro de verdadeira mendicância”[36].

Com a dissolução dos mosteiros, desapareceram também quase por completo as condições favoráveis em que os camponeses vinham trabalhando essas terras. Segundo um historiador, “os novos proprietários (lojistas, banqueiros ou nobres em decadência) não tinham nenhuma afinidade com o meio rural e exploraram os seus domínios com um espírito meramente mercantil: as rendas a pagar aumentaram, as terras de lavradio converteram-se em pastagens e as pequenas propriedades agrícolas foram fechadas. Milhares de desempregados foram atirados para as estradas. As diferenças sociais acentuaram-se e a miséria cresceu assustadoramente”[37].

Os efeitos negativos da dissolução dos mosteiros fizeram-se sentir também nas obras de assistência aos necessitados. Até há relativamente pouco tempo, havia um consenso histórico acerca da atividade caritativa dos católicos na Inglaterra: dava-se como certa uma freqüente crítica protestante segundo a qual o socorro prestado aos pobres pelos mosteiros não teria sido quantitativamente substancial nem qualitativamente benéfico, como sustentavam os seus defensores católicos. Ao contrário, insistia-se em que a caridade monástica tinha sido escassa e que as exíguas quantias a ela destinadas eram distribuídas sem critério, sem o cuidado de distinguir bem os verdadeiramente necessitados dos imprevidentes crônicos e dos meramente vadios. Com isso, estes últimos eram injustamente premiados e o seu número tendia a multiplicar-se, em prejuízo dos realmente necessitados.

Nos nossos dias, os historiadores começaram a desfazer essa grosseira distorção, cuja origem remonta aos fins do século XVII e começos do século XVIII, e é conseqüência do viés protestante de Gilherl Burnet na sua História da Reforma da Igreja da Inglaterra[38]. De acordo com Paul Slack, um pesquisador moderno, “a dissolução dos mosteiros, capelas, sociedades religiosas e fraternidades nas décadas de 1530 e 1540 levou a uma drástica redução das fontes de caridade. É verdade que a real ajuda que elas prestavam aos pobres estava localizada geograficamente, mas era mais substancial do que com freqüência se supõe, e a sua supressão deixou um verdadeiro vazio”[39].

Neil Rushton também fornece importantes evidências de que os mosteiros tinham todo o cuidado em dirigir a sua ajuda aos verdadeiramente necessitados. E quando não o faziam – explica Barbara Harvey no seu estudo Vivendo e morrendo na Inglaterra. 1100-1540 –, o culpado não era o conservadorismo ou a brandura de coração dos monges, mas sim as restrições impostas pelos doadores quanto ao modo de os mosteiros fazerem uso das suas doações. Alguns doadores estabeleciam nos seus testamentos em que casos se deviam dar esmolas. Por outro lado, se o propósito de tais doações era, em parte, aliviar o sofrimento dos pobres, também tinha em vista chegar ao maior número possível de pessoas, a fim de o benfeitor ganhar o maior número possível de orações pelo repouso eterno da sua alma. Em qualquer caso, com o passar do tempo, os mosteiros foram-se tornando mais cautelosos em selecionar os beneficiários das suas esmolas[40].

No decorrer dos séculos que se seguiram à morte de Carlos Magno (em 814), muito da atenção aos pobres, até então a cargo das igrejas paroquiais, começou a deslocar-se para os mosteiros. Em palavras do rei francês Luis IX, os mosteiros eram o patrimonium pauperum, o patrimônio dos pobres, expressão com que já desde o século IV se costumava designar todos os bens da Igreja, mas que era verdade particularmente no caso dos mosteiros. Afirma um historiador que “em todos os distritos, tanto nas altas montanhas como nos vales profundos, se ergueram mosteiros em torno dos quais se articulava a vida religiosa das redondezas: os mosteiros mantinham escolas, ofereciam modelos para a agricultura, indústria, piscicultura e reflorestamento, albergavam o viajante, socorriam o pobre, davam amparo aos órfãos, cuidavam dos doentes e eram o lugar de refúgio para todos os que carregavam o fardo da miséria espiritual e corporal. Durante séculos, foram os centros de toda a religião, caridade e atividade cultural”[41].

E William Lecky escreveu a este propósito: “Com o passar do tempo, a caridade assumiu muitas formas, e todos os mosteiros se tornaram focos dos quais irradiava. Pela ação dos monges, os nobres sentiam-se tocados, os pobres eram protegidos, os doentes atendidos, os viajantes abrigados, os cativos resgatados, as mais remotas esferas do sofrimento peneiradas. Durante o mais negro período da Idade Média, os monges fundaram um refúgio para peregrinos, em meio aos horrores das neves alpinas”[42]. Os beneditinos, os cistercienses e os premonstratenses, assim como, mais tarde, as ordens mendicantes – franciscanos e dominicanos – distinguiram-se pelo zelo com que se dedicavam às obras de caridade.

Se os viajantes pobres podiam confiar na hospitalidade monástica, também os viajantes ricos eram bem-vindos, uns e outros como se fossem o próprio Cristo. Mas os monges não se limitavam a esperar que os pobres os procurassem. Saíam à procura dos que viviam nas regiões circundantes. Lanfranc, arcebispo de Cantuária, por exemplo, confiava ao seu esmoler (o distribuidor de esmolas) a responsabilidade de descobrir e socorrer os doentes e os pobres que viviam nas imediações do mosteiro. Sabe-se de casos em que os pobres recebiam alojamento por tempo indefinido[43].

Além de ajudas institucionalizadas, os monges também davam aos pobres o que lhes sobrava da sua própria comida. Gilberto de Sempringham, que fazia com que as suas sobras fossem bastante substanciais, colocava-as em um prato – chamava-lhe “o prato do Senhor Jesus” – e punha-o claramente à vista dos seus irmãos monges, com o óbvio intuito de incitá-los a emular a sua generosidade. Também era costume, em memória dos monges falecidos, servir a sua comida e bebida e, ao final da refeição, distribuí-la aos pobres. Observava-se essa prática ao longo de pelo menos trinta dias e até por um ano inteiro após o falecimento do monge, e, no caso de um abade, até mesmo perpetuamente[44].

Assim como o ataque da Coroa inglesa aos mosteiros, no século XVI, debilitou a rede de caridade que essas instituições tinham criado, também o ataque da Revolução Francesa à Igreja, no século XVIII, abalou a fonte de tantas boas obras. Quando o governo revolucionário francês nacionalizou as propriedades da Igreja, em novembro de 1789, o arcebispo de Aix-em-Provence advertiu que semelhante roubo ameaçava o bem-estar e a educação do povo francês. Tinha toda a razão: em 1847, a França contava com 47% menos hospitais do que no ano do confisco, e, em 1799, os 50.000 estudantes que estavam matriculados em universidades dez anos antes tinham-se reduzido a 12.000[45].

Embora os livros-texto de história ainda não o mencionem, o certo é que a Igreja Católica revolucionou a pratica das obras de caridade, tanto no seu espírito como na sua aplicação. Os resultados falam por si mesmos: até então, nunca se tinha gasto tanto em esmolas, nunca tinha havido tantas doações com fins caritativos, nunca se tinha chegado a criar instituições destinadas a cuidar das viúvas, dos órfãos, dos pobres e dos doentes.




[1] Alvin J. Schmidt, Under the Influence: How Christianity Transformed Civilization, Zondervan, Grand Rapids, Michigan, 2001, pág. 130.

[2] Michael Davies, For Altar and Throne: The Rising in the Vendée, Remnant Press, St. Paul, Minnesota, 1997, pág. 13.

[3] Vicent Carroll e David Shiflett, Christianity on Trial, Encounter Books, San Francisco, 2001, pág. 142.

[4] William Edward Hartpole Lecky, History of European Morals from Augustus to Charlemagne, vol. 1, D.  Appleton, and Co., New York, 1870, págs. 199-200.

[5] Ibid., pág. 201.

[6] Ibid., pág. 202. Para uma boa discussão sobre a ausência da idéia de caridade cristã no mundo antigo, ver Gerhard Uhlborn, Christian Charity in the Ancient Church, Charles Scribner’s Son, New York, 1883, págs. 2-44.

[7] William E. H. Lecky. History of European Morals from Augustus to Charlemagne, vol. 1, pág. 83.

[8] John A.Ryan. “Charity and Charities”, em Catholic Encyclopedia: Charles Guillaume Adolphe Schmidt, The Social Results of Early Christianity, Sir Isaac Pitman & Sons, Londres, 1907, pág. 251.

[9] Gerhard Uhlhorn, Christian Charity in the Ancient Church, págs. 187-8.

[10] Cajetan Baluffi, The Charity of the Church, trad. Denis Gargan, M. H. Gill and Son, Dublin, 1885, pág. 39; Alvin J. Schmidt, Under the Influence, pág. 157.

[11] William E. H. Lecky, History of European Morals from Augustus to Charlesmagne, vol. 1, pág. 87; Cajetan Baluffi, The Charity of the Church, págs. 14-5; Charles G. A. Schmidt, The Social Results of Early Christianity, pág. 328.

[12] Gerhard Uhlhorn, Christian Charity in the Ancient Church, págs. 187-8.

[13] Alvin J. Schmidt, Under the Influence, págs. 153-5.

[14] Cajetan Baluffi, The Charity of the Church, págs 42-43; Charles G.A. Schmidt, The Social Results of Early Christianity, págs, 255-6.

[15] Charles G.A. Schmidt, The Social Results of Early Christianity, pág, 328.

[16] Ibid.

[17] Alvin J. Schmidt, Under the Influence, págs. 153-5.

[18] John A. Ryan, “Charity and Charities”, em Catholic Encyclopedia: Guenter B. Risse, Mending Bodies, Saving Souls: A History of Hospitals, Oxford University Press. New York, 1999, págs. 79 e segs.

[19] Guenter B. Risse, Mending Bodies, Saving Souls, pág. 73.

[20] Fielding H. Garrison. An Introduction of the History of Medicine, W. B. Saundenrs, Philadelphia, 1914, pág 118; citado em Alvin J. Schmidt, Under the Influence, pág. 131.

[21] William E. H. Lecky. History of European Morals from Augustus to Charlemagne, vol. 1, pág. 85.

[22] Roberto Margotta, The History of Medicine, Paul Lewis, ed., Smithmark, New York, 1996, pág. 52.

[23] Guenter B. Risse, Mending Bodies, Saving Souls, pág. 95.

[24] Ibid., pág. 138.

[25] Ibid., pág. 141.

[26] Ibid., págs. 141-2.

[27] Ibid., pág. 147.

[28] Ibid., pág. 149.

[29] Vicent Carroll e David Shiflett, Christianity on Trial, pág. 143.

[30] Cajetan Baluffi, The Charity of the Church, pág. 16.

[31] Ibid., pág. 185.

[32] Citado em John A. Ryan, “Charity and Charities”, em Catholic Encyclopedia.

[33] Cajetan Baluffi, The Charity of the Church, pág. 257.

[34] Cit. em Neil S. Rushton, “Monastic Charitable Provision in Tudor England: Quantifying and Qualifying Poor Relief in the Early Sixteenth Century”, Continuity and Change 16 (2001), pág. 34. A tradução deste trecho de petição foi adaptada pelo autor ao inglês moderno.

[35] William Cobbett, A History of the Protestant Reformation in England and Ireland, TAN, Rockford, Illinois, 1988 [1896], pág. 112.

[36] Philip Hughes, A Popular Historyof the Reformation

[37] Henri Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: 1. A reforma protestante, trad. Emérico da Gama, em História da Igreja de Cristo, vol. 4, Quadrante, São Paulo, 1996, pág. 454.

[38] Neil S. Rushton, “Monastic Charitable Provision in Tudor England”, pág. 10.

[39] Ibid., pág. 11.

[40] Barbara Harvey, Living and Dying in England, 1100-1540: The Monastic Experience, Clarendon Press, Oxford, 1993, págs. 22 e 33.

[41] Georg Ratzinger, citado em John A. Ryan, “Charity and Charities”, Catholic Encyclopedia.

[42] William E. H. Locky, History of European Morals from Augustus to Charlemagne, vol. 1, pág. 89.

[43] Barbara Harvey, Living and Dying in England, pág. 18.

[44] Ibid., pág. 13.

[45] Michael Davies, For Altar and Throne, pág. 11.

3 respostas a “Livro “Como A Igreja católica Construiu a Civilização ocidental” (2008) – Capítulo 09”

  1. mrh Diz:

    Bixo, ao – pessa 1 grana pro vattikano, pra financiar o blog. Propaganda d graça, hoje, ñ fazz sentido…

  2. ary pires Diz:

    bela porcaria mesmo essa série…. muito ruim….mas o vitor edita nossas críticas…não sei onde que está minha critica anterior……acho q ele deletou….kkkkkkkkk

  3. Eduardo Diz:

    Ary Pires, vc é idiota? É burro? É burro da módinha, não é?! Um cara como vc, vem e publica um comentário inutil desses, descreditando a obra baseada em pesquisas historicas por um PhD de Harvard q deve ter passado os ultimos 10 anos apenas estudando antes de começar a escrever o livro, apenas por que é contrario a tudo o q vc deve ter ouvido nas novelas, filminhos ou da boca de professores de historia que nem sequer passaram uma unica fonte de referencia?!
    Voce é muito burro, isso sim, apenas analise a sua hipocrisia: Se um zé-ruela qualquer, assim como vc, escrevesse um livro criticando a Igreja, sem qualquer tipo de embasamento historico ou fonte de referencia, vc e milhares de outras pessoas, vibrariam alucinados…

    Cuidado, o pior cego é aquele que não quer ver.

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