Dossiê Entre a História e os evangelhos (2015)

Fim da Páscoa, coloco aqui dois artigos da Revista História Viva sobre o que há de real – ou melhor, plausível – nos Evangelhos e o que certamente é fictício. O primeiro artigo, de Lair Faria, chamado “A Paixão de Jesus”, trata o episódio das 30 moedas de prata de Judas como fictício (seria interessante uma pesquisa entre os livros psicografados que tratam este e outros episódios fictícios como reais). Achei o artigo bastante bom, e pode ser lido aqui. O segundo artigo, chamado “Jesus preso; senhor morto” de Daniel Justi, é bem mais problemático, e pode ser lido aqui. O autor defende que Cristo não foi tirado da cruz e sepultado, mas que ficou na cruz até cair dela, talvez mais de uma semana depois. Porém, sua defesa está claramente equivocada, pois ele diz: “tomando por base toda (isso mesmo, toda!documentação produzida durante o Império Romano, verificar-se-á que não há nenhum (isso mesmo, nenhum!) relato em que alguém que foi crucificado teve seu corpo retirado e sepultado”. Veja que o autor afirma que todos os documentos produzidos durante o Império Romano foram preservados de modo intacto. Inacreditável! Além disso, o autor não discute a plausibilidade histórica de José de Arimateia. Não é que a tese do autor seja impossível, mas em minha opinião ele teria que tê-la defendido bem melhor.

14 respostas a “Dossiê Entre a História e os evangelhos (2015)”

  1. Gorducho Diz:

    :o
    Philo, Contra Flaccus, X
     
    (83) I have known instances before now of men who had been crucified when this festival and holiday was at hand, being taken down and given up to their relations, in order to receive the honours of sepulture, and to enjoy such observances as are due to the dead; for it used to be considered, that even the dead ought to derive some enjoyment from the natal festival of a good emperor, and also that the sacred character of the festival ought to be regarded.

  2. Vitor Diz:

    Bom trabalho, Gorducho!

  3. Marciano Diz:

    Novamente FG.
    Que personagem teimoso, esse tal de FG.
    .
    Em vez de deixar abundantes provas de sua existência, como os personagens reais com quem teria convivido, apesar dos erros anacrônicos, nada de provas.
    .
    Se alguém diz que não houve crucificações num período indeterminado (como confessadamente já admitiram os criadores do plágio de mais um rei sol), basta um indício de que houve duas crucificações num largo período. Presto! Tudo o mais deve ser admitido.
    .
    .
    Estou detectando uma tática falaciosa.
    A contradição e a disputa impelem a exagerar as
    afirmações. Por isso, podemos
    provocar o adversário contradizendo-o e induzi-lo assim a exagerar para além do que é verdade uma afirmação que, em si e em certo contexto, pode ser verdadeira; e, uma vez refutado o exagero, é como se tivéssemos refutado também a proposição original.
    .
    Presente também a falácia da falsa instância.
    Refere-se à apagoge baseada numa instância, exemplum in contrarium. Basta que apresente um caso único para o qual o princípio não seja válido, para que este seja demolido.

  4. Marciano Diz:

    Vou esforçar-me para não comentar neste tópico apologético ao catolicismo apostólico, através do personagem FG.
    Já disse tudo o que tinha a dizer sobre esse mito (mais um) ridículo.

  5. Sanchez Diz:

    Gostei da referência Gorducho. Parabéns. Fica claro no post a separação de história e teologia profética. Seria muito bom que JCFF desse sua contribuição sobre o tema já que ele conhece bem o assunto.
    .
    Marciano
    .
    Não há até agora nenhuma apologia (a meu ver). Se continuar desta forma de delimitar história e religião o post pode render comentários produtivos.

  6. Gorducho Diz:

    Aqui abre-se a possibilidade de ser dada permissão especial, mas sei se seria aplicável a não-romanos (escravos, &c.) crucificados…
    Digesta 48.24.1
     
    Ulpianus libro nono de officio proconsulis
     
    Corpora eorum qui capite damnantur cognatis ipsorum neganda non sunt: et id se observasse etiam divus Augustus libro decimo de vita sua scribit. Hodie autem eorum, in quos animadvertitur, corpora non aliter sepeliuntur, quam si fuerit petitum et permissum, et nonnumquam non permittitur, maxime maiestatis causa damnatorum. Eorum quoque corpora, qui exurendi damnantur, peti possunt, scilicet ut ossa et cineres collecta sepulturae tradi possint.

  7. Marciano Diz:

    Sanchez, com ou sem apologia, estou com o saco cheio de falar de FG. Acho uma perda de tempo, já que o cara nunca existiu. Não vou ficar repetindo os mesmos argumentos. Se alguém se interessar (duvide-o-dó), que leia meus comentários anteriores e as fontes que citei, sobre FG, Moisés, Budha, Muhammad e TALVEZ, veja bem, T A L V E Z, Sócrates.

  8. João Diz:

    O marciano desceu da nave e tá perdido. Não se trata de apologia, mas de história. Olha só:
    “As elites romanas sentiam-se incomodadas com um projeto de reino de Deus que prometia igualdade, justiça e, o que era mais grave, um Senhor que não o próprio imperador. À medida que o tempo passava, mais pessoas aderiam ao movimento. A hegemonia romana poderia estar em risco. Ou, na melhor das hipóteses, uma nova rebelião poderia estar em curso. Roma não tem dúvidas: prenda o camponês e crucifique-o! Roma determina o assassinato. Roma. Não os judeus.”
    O texto é ridículo!De dar pena mesmo! Elites romanas?????? Que elites romanas estavam incomodadas???? A elite romana estava cagando e andando para o que acontecia na Judéia neste período histórico! Uma província imperial de segunda classe, governada por um cidadão de segunda classe (Pôncio Pilatos era cavaleiro). Desordeiros desse tipo eram mortos às duzias todos os meses na Judéia e em outras províncias. Quem em Roma se importaria com isso? E o cara faz doutorado em história? Será que ele já ouviu falar de Tácito? Tácito resume o que ocorreu na Judéia no tempo de Tibério (14-37 dC): “Sub Tiberio quies”. Ou seja: de que elite romana está falando, cara pálida?

  9. Marciano Diz:

    Ô Evangelista, dizem que quem perdeu a cabeça foi o Batista, mas quem entende de evangelhos é você.
    Perdeu a cabeça também?
    Que negócio é esse de elites romanas?
    Quando foi que EU falei nisso?
    Quem gosta de falar daZelites é o camarada Biasetto, o comunista petista recalcado que sumiu daqui.

  10. Phelippe Diz:

    Cristo não existiu, é uma fraude, todos sabemos disso, o assunto já foi estudado com profundidade neste blog, só procurar. Essa do sujeito ficar pendurado na cruz por mais de uma semana, caindo de podre, é loucura KKKKKkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.Aff, quanta imaginação.

  11. Phelippe Diz:

    http://odia.ig.com.br/noticia/mundoeciencia/2015-04-07/geologo-diz-ter-prova-de-que-jesus-foi-enterrado-junto-com-filho-e-esposa.html

  12. Toffo Diz:

    Realmente, dizer que as “elites romanas” estariam “incomodadas” com o projeto de Jesus é forçar demais a barra. Mais do que Kardec tentando enfiar a ressurreição no cano da reencarnação. A não ser que inventem mesmo uma máquina do tempo, essa história jamais será contada direito.

  13. Marcos Arduin Diz:

    Ô Xente,
    Uma simples leitura dos evangelhos é o bastante para perceber uma historieta toda montada para fazer do líder cristão o Messias tão esperado. Até o que não tinha nada a ver foi incluído. O tal Zé e sua recém esposa viviam em Nazaré, mas tiveram de ir a Belém para se registrarem, pois o Zé era descendente de Davi… E assim se cumpririam as Escrituras.
    Como diz o esquartejador, vamos pelas partes:
    1 – Nunca houve nenhum recenseamento no tempo em que Jesus nasceu.
    2 – Os recenseamentos eram feitos com finalidades fiscais. Era saber quantos tinham para se prever quanto se arrecadaria de impostos. Agora veja se tem cabimento: alguém ia se registrar numa cidade onde não vivia e nem tinha os seus negócios? Que censo inútil é esse? É bem provável que esta fosse uma malandragem de quem podia viajar quando se determinava um censo: o cara ia para outra cidade e quando o coletor de impostos ia procurá-lo, cadê? E além disso, o Zé foi se registrar em Belém porque era descendente de Davi e este nasceram em Belém. Tá e Davi não tinha ancestrais? Na dúvida, o jeito era se registrar no Jardim do Éden…
    .
    4 – O cumprimento da profecia. Que profecia? Não era profecia e sim uma profetada. Em Miquéias, cap 5 é dito que de Belém viria o Messias da mulher QUE ESTAVA PARA DAR À LUZ. Ou seja era coisa para a época do profeta e não para 600 anos depois. Essa profecia lista uma série de coisas que o tal Messias faria e Jesus não fez nada daquilo (e nem tinha como fazer; ex: ele conquistaria a Assíria, mas esta já tinha sido esmagada 600 anos antes por Nabopalassar).
    .
    E por aí vai. A única prova de que Jesus realmente deve ter existido é o fato de que a seita por ela fundada teve por líder um crucificado. Isso seria um vexame total para uma seita judaica. Então deve ser verdade mesmo.

  14. Marciano Diz:

    Em trânsito: excelente argumentação de Arduin, pena que a conclusão esteja errada.

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