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	<title>Obras psicografadas</title>
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	<description>Análise</description>
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		<title>A Vida Depois da Morte, de Scott Rogo (1986) &#8211; Livro Completo!</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 16:02:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O ótimo livro de Rogo está finalmente completo. Pode ser baixado neste link (pdf) ou neste (doc).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">O ótimo livro de Rogo está finalmente completo. Pode ser baixado neste <a href="https://mega.co.nz/#!Vd1DWAja!RNE3RCBEYcU7zGZ7Lp3sFwFlhUEhAmfNMHHxZT_6m_E">link</a> (pdf) ou <a href="https://mega.co.nz/#!lYFVkTLI!SpfcyzpJ1ivrXFV3GVjPuRggJWpd2GXN-kEzGEJ3swI">neste</a> (doc). </p>
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		<title>A VIDA DEPOIS DA MORTE, DE SCOTT ROGO (1986) &#8211; CAP&#205;TULO 4</title>
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		<pubDate>Sun, 12 May 2013 12:50:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros Gratuitos]]></category>

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		<description><![CDATA[Nese capítulo Rogo documenta diversos casos de crimes solucionados supostamente com a ajuda de espíritos. 4&#160; Contacto Espontâneo com os Mortos&#160; O drama começou em 21 de fevereiro de 1977, quando a polícia de Chicago encontrou o corpo de Teresita Basa, de 48 anos, estendido no chão apartamento no décimo quinto andar de um edifício [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Nese capítulo Rogo documenta diversos casos de crimes solucionados supostamente com a ajuda de espíritos. </p>
<p><span id="more-1600"></span>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="font-size: 20pt">4</span></b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="font-size: 20pt">Contacto Espontâneo com os Mortos</span></b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O drama começou em 21 de fevereiro de 1977, quando a polícia de Chicago encontrou o corpo de Teresita Basa, de 48 anos, estendido no chão apartamento no décimo quinto andar de um edifício onde morava. Fora apunhalada e o corpo estava parcialmente queimado. Teresita Basa, natural das Filipinas, viera para os Estados Unidos na década de 1960 e era difícil se pensar em um motivo para o crime. Ela trabalhava como terapeuta de respiração no Hospital Edgewater na zona norte de Chicago e era querida pelos seus colegas de trabalho. A princípio, a polícia achou que o assassinato poderia ter sido praticado pelo namorado da vítima, mas afastou a idéia, depois de interrogá-lo. Não havia uma pista qualquer.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A alma, espírito, fantasma, ou seja o que for, de Teresita Basa estava inquieto, e outro ato do mistério se desenrolou quatro meses mais tarde, em casa do Dr. José Chua, médico filipino, cuja esposa trabalhara no Hospital Edgewater por ocasião do crime. O Dr. Chua ficou surpreso, certa noite, vendo sua mulher, inexplicavelmente, entrar em estado de transe, quando se encontravam na localidade vizinha de Skokie. Madame Chua foi até o quarto de dormir, deitou-se, e começou a falar em seu idioma nativo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">— <i style="mso-bidi-font-style: normal">Falou em tagalong (um dialeto filipino), mas com um estranho sotaque espanhol</i> — explicou o médico, mais tarde. — <i style="mso-bidi-font-style: normal">Disse “Akoy (sou) Teresita Basa”</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O Dr. Chua confessou que ficou assustadíssimo, quando ouviu Teresita explicando que fora assassinada por um colega de trabalho, chamado Allan Showery, e o motivo fora roubar as suas jóias. A Sra. Chua saiu do transe depois que a voz estranha terminou de dar o seu recado, mas não teve a mínima lembrança do rápido episódio. O Dr. Chua ficou sem saber o que fazer.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Fosse quem fosse que estava dominando Madame Chua, o fato é que era persistente. Poucos dias depois, ocorreu outro daqueles peculiares transes. Dessa vez, a voz se queixou de que Showery continuava de posse das jóias e que oferecera um anel de pérola à mulher com quem vivia. Uma terceira comunicação ocorreu alguns dias depois, e o Dr. Chua resolveu, afinal, chamar a polícia.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os inspetores encarregados do caso, Joseph Stachula e Lee Epplen, se mostraram céticos, mas não queriam desprezar qualquer pista que lhes fosse oferecida. As fontes normais de informação tinham falhado, de maneira que se entenderam com os Chua, ao mesmo tempo incrédulos e esperançosos. O fato é que trabalharam com eficiência profissional. Chegando ao apartamento do médico, a primeira coisa que perguntaram foi se <i style="mso-bidi-font-style: normal">Teresita Basa</i> alegava ter sido estuprada pelo assassino. O Dr. Chua respondeu negativamente, explicando que a voz só falara
<personname w:st="on" productid="em assassinato. Os">em assassinato. Os</personname> investigadores ficaram impressionados com a resposta, pois a sua pergunta fora uma armadilha. Sabiam, pelo laudo da autópsia, que Teresita Basa morrera virgem. Em seguida, os Chua falaram sobre Showery e as jóias. </p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Até hoje</i>”, — escreveu mais tarde o detetive Stachula — “<i style="mso-bidi-font-style: normal">não sei se acredito mesmo que a informação tenha sido obtida daquele modo. Não obstante, tudo era perfeitamente verdadeiro</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Realmente. Trabalhando de acordo com as informações prestadas pelo Dr. Chua e o autoproclamado fantasma de Teresita Basa, a polícia de Evanston começou a focalizar a sua atenção
<personname w:st="on" productid="em Showery. Uma">em Showery. Uma</personname> busca em seu apartamento resultou na descoberta das jóias e o anel de pérola foi encontrado enfeitando a mão de sua amante. Showery foi detido, confrontado com as provas, e assinou uma confissão, admitindo o roubo e o homicídio. O caso foi oficialmente encerrado em agosto.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O estranho caso da morta que denunciou o seu próprio assassino provavelmente ficaria desconhecido, se não tivesse sido divulgado pela imprensa filipina de Chicago. A reportagem do <i style="mso-bidi-font-style: normal">Philippine Herald</i> bateu com o nariz na porta enquanto tentou obter informações da polícia, mas o seu redator-chefe, Gus Bernardes, que conhecia os Chua, pôde explorar a história a fundo, e acabou sabendo de vários de seus aspectos psíquicos, muito curiosos. Ficou sabendo, por exemplo, que vários empregados do hospital tinham se queixado do comportamento da Sra. Chua na semana que precedeu a revelação do caso. Ela costumava entrar em transe no hospital e cantava com voz de Teresita, o que assustava muito os seus colegas. O <i style="mso-bidi-font-style: normal">Herald</i> noticiou o caso em seu número de 16 de agosto, mas o fato só se tornou conhecido pelo grande público quando, em 5 de março de 1978, o <i style="mso-bidi-font-style: normal">Tribune</i> de Chicago o publicou na primeira página. Realizava-se, então, o julgamento de Allan Showery, o que fez reviver o interesse pelo caso. O testemunho dos Chua foi muito comentado, o que levou a logo entrarem em campo os crentes e os céticos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O problema era que a Sra. Chua conhecia Teresita Basa muito bem&#8230; ou, pelo menos, muito melhor do que admitira para a polícia. Ficou também esclarecido que ela conhecia e detestava abertamente Allan Showery. Essas revelações levaram um porta-voz do hospital a sugerir que as mensagens espíritas da Sra. Chua não passavam de truques de que ela lançava para para expressar as suas próprias suspeitas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">— <i style="mso-bidi-font-style: normal">Acho que ela podia saber alguma coisa a respeito de Showery, mas que arriscaria a própria vida e a vida de seu marido, se recorresse diretamente à polícia</i> — disse o porta-voz à imprensa, sugerindo também que a Sra. Chua poderia ter visto Showery com alguma das jóias.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Essa hipótese, todavia, não explica vários aspectos interessantes do caso. Em primeiro lugar, houve o fato curioso de toda a personalidade da Sra. Chua ter começado a mudar algum tempo antes do recebimento das mensagens, no verão de 1977. Embora fosse ordinariamente uma empregada correta e disciplinada, acabou sendo despedida do hospital, devido às súbitas e inexplicáveis mudanças em sua conduta, que se seguiam aos estados de transe.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As acusações do porta-voz também não explicam por que os Chua não se limitaram a fazer uma denúncia anônima pelo telefone à polícia. Diante de um crime tão sério e inexplicado, sem dúvida a polícia se apressaria a investigar a procedência de qualquer denúncia verossímil.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Novas provas do aspecto psíquico do caso vieram à luz em 1979, quando os Chua colaboraram para a publicação de um livrinho sobre o episódio. O casal acabou admitindo que as comunicações espíritas do verão de 1977 foram, realmente, conseqüência de um desafio. Durante a investigação que se seguiu imediatamente ao homicídio, a Sra. Chua disse aos seus colegas de trabalho que o espírito de Teresita poderia procurá-la, se a polícia não conseguisse descobrir o assassino. Ela testemunhara uma aparição da morta pouco tempo depois do crime, e as mensagens espíritas foram o resultado de uma crescente invasão de sua personalidade pela de Teresita.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O caso do assassinato de Teresita Basa e seu fantástico desenlace se encerraram, e apenas os seus aspectos psíquicos continuam controvertidos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Casos de vítimas de assassinatos que voltam do túmulo para denunciarem os assassinos podem parecer dessas histórias de defunto que costumam ser contadas junto das fogueiras de acampamentos. A história do casal Chua e sua estranha viagem espírita parece mais um conto de Edgar Allan Poe que um estudo de pesquisas psíquicas. No entanto, o caso do regresso do espírito de Teresita Basa não é o único nos anais da ciência psíquica, pois vários episódios semelhantes ocorreram desde fins do século passado. A revelação espírita representou, por exemplo, papel decisivo no julgamento que se seguiu à morte de uma jovem recém-casada em 1897, no Estado da Virgínia Ocidental. A vítima, Zona Heaster Shue, foi encontrada morta pelo marido, um ferreiro, junto da escada da casa, e o corpo foi enterrado logo, sem qualquer exame médico. Nem todos estavam convencidos de que a morte fora acidental, especialmente quando a mãe de Zona começou a receber visitas do espírito da filha, dizendo que tinha sido assassinada. As autoridades municipais de Greenbier Valley ordenaram a exumação do corpo e verificaram que havia fratura nas vértebras cervicais. O viúvo foi preso imediatamente e acareado com a sogra. A Sra. Heaster declarou que sua filha lhe aparecera por quatro noites seguidas, explicando que o marido a espancara violentamente, porque ela não havia feito o jantar. O júri, em dez minutos apenas, decidiu pela culpabilidade do viúvo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Um caso ainda melhor documentado foi publicado pelo Professor James Hyslop, da Sociedade Americana de Pesquisas Psíquicas, em 1911. Sua investigação referia-se ao caso da Sra. Rosa Sutton, residente em Portland, Estado de Oregon, que começou a receber visitas de seu filho morto em 1907. Ele era tenente em Annapolis e, ao que parecia, suicidara-se, depois de uma briga com oficiais seus colegas. O seu fantasma começou a aparecer para a mãe, repetidamente, dizendo que ele fora espancado e depois assassinado pelos outros oficiais. A aparição descrevia pormenorizadamente onde ele fora ferido. A exumação do cadáver comprovou que o jovem fora espancado exatamente como a aparição contava, mas ninguém foi acusado como assassino.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Um caso mais recente dessa natureza foi revelado pela UPI (agência de notícias internacional), em 1970, quando Mr. Romer Troxell, de 42 anos, residente em Livittown, no Estado da Pennsylvania, foi a Portage, no Estado de Indiana, a fim de receber o corpo de seu filho, que fora assassinado. O corpo fora encontrado à margem de uma estrada, sem qualquer documento de identificação. A voz do jovem assassinado se fazia ouvir na mente de Mr. Troxell, a partir do momento em que ele e sua esposa chegaram à cidade de carro. Ele declarou à polícia que a voz do filho o levara até o assassino, quando ele percorria a cidade, procurando o carro roubado do filho. A voz lhe dissera aonde ir, e ele não tardou a localizar o veículo. — <i style="mso-bidi-font-style: normal">Fiz uma volta e segui o carro por um quarteirão</i> — explicou. — <i style="mso-bidi-font-style: normal">Quis provocar uma batida no carro, mas Charlie me aconselhou que não fizesse isso</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Assim, ele se limitou a seguir o carro, até que o motorista o parou e desceu. Troxell o abordou e ficou conversando com ele, enquanto outro parente ia chamar a polícia. Mais tarde, as autoridades policiais prenderam o motorista, de acordo com as suas próprias informações confidenciais&#8230; informações essas que jamais tinham transmitido a Mr. Troxell. </p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">— <i style="mso-bidi-font-style: normal">Charlie me deixou depois que apanhamos o assassino</i> — disse Troxell. — <i style="mso-bidi-font-style: normal">Charlie está em paz agora. Mas a polícia estava na pista do assassino. Eu só soube disso quando me mostraram o que fora descoberto com a investigação. Mas, quando ouvi meu filho me guiando, tratei de agir. Talvez o Senhor quisesse que fosse assim</i>. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Provas da Freqüência do Contato Subjetivo com os Mortos</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Romer Troxell, a Sra. Rose Sutton e a Sra. Chua, todos eles acreditavam estar diante da presença dos mortos. Nenhum deles duvidou, por um momento, de que estavam experimentando um contacto direto com o mundo de além-túmulo. Sem dúvida, é possível que os estados de transe da Sra. Chua fossem episódios psicológicos, durante os quais o seu subconsciente expressava as suas bem fundadas suspeitas quanto a Showery. Também é possível que Mr. Troxell e a Sra. Sutton conseguissem os seus contactos <i style="mso-bidi-font-style: normal">post mortem</i> em virtude de sua profunda necessidade de acreditarem que a morte não é o fim, talvez reforçada por informação conseguida telepaticamente. Mas, por outro lado, poderiam aqueles episódios representar contactos reais com os mortos?</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Essa é uma idéia que pode parecer antiquada e incabível, hoje em dia; trata-se, porém, de uma hipótese que tem sido seriamente considerada, quando nada porque casos semelhantes são surpreendentemente comuns. Embora nem todos os casos sejam espetaculares como os aqui citados, há uma comprovação crescente de que o contacto com os mortos — ou, pelo menos, experiências que são tidas como tal comunicação — é relativamente freqüente em nossa cultura.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os psicólogos chegaram a essa conclusão no começo da década de 1970, quando começaram estudar a psicologia da morte e do pesar provocado pela morte. O Dr. Dewi Rees publicou o seu primeiro estudo de grande porte em 1971, quando discutiu <i style="mso-bidi-font-style: normal">as alucinações da viuvez</i> na revista <i style="mso-bidi-font-style: normal">British Medical Journal</i>. Foi um pioneiro. Rees interrogou 293 viúvos e viúvas acerca de suas experiências após a morte de seus cônjuges, e verificou que quase metade dos mesmos (47%) acreditava que estivera em contacto momentâneo com eles. Tais contactos não somente surgiam imediatamente após a morte, esclareceu Rees, mas, às vezes, mesmo muitos anos depois. Alguns dos episódios tinham influência telepática, ao passo que outros consistiam indiscutivelmente
<personname w:st="on" productid="em apari??es. Era">em aparições. Era</personname> evidente que estava sendo descoberta uma nova dimensão psicológica (?) do problema da viuvez. Quando se tornaram conhecidos os resultados obtidos por Rees, pesquisadores da Universidade do Estado de Wayne os acharam tão intrigantes que resolveram repetir o estudo. Obtiveram dados semelhantes.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Aqueles pesquisadores pioneiros não acreditavam que os seus consultados estivessem realmente se comunicando com os mortos. Preferiram acreditar que tinham pela frente um aspecto psicológico especial do pesar causado pela viuvez. Infelizmente, pesquisando sobre o caso, o Dr. Richard Kalish e um colega da Universidade do Sul da Califórnia, em 1974, não conseguiram demonstrar que o trauma da viuvez induz tais mudanças psicológicas severas. O Dr. Kalish não encontrou diferença entre as viúvas que entrevistou e um grupo correspondente de mulheres idosas. Seu único achado significativo foi constatar, mais uma vez, que os viúvos e viúvas afirmavam com muita freqüência ter tido contacto com os mortos. Não há, porém, um simples dado em seu estudo que possa sugerir qualquer hipótese que explique <i style="mso-bidi-font-style: normal">por quê</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Um dos problemas que apresenta o estudo do Dr. Kalish foi uma questão que ele não podia examinar na época. As autoridades psicológicas e médicas que estudavam a psicologia do trauma da viuvez, naqueles anos de pioneirismo, partiam de uma premissa discutível, uma vez que acreditavam que o contacto com os mortos era um fenômeno reduzido às pessoas que haviam se enviuvado recentemente ou que eram muito idosas. O que não levaram em consideração foi que o contacto com os mortos é freqüentemente mencionado por <i style="mso-bidi-font-style: normal">todos</i> os segmentos do público
<personname w:st="on" productid="em geral. Essa">em geral. Essa</personname> descoberta ocorreu no fim da década de 1970, e tem sido confirmada várias vezes. O estudo básico foi, mais uma vez, o trabalho do Dr. Richard Laish e de David K. Reynolds, que realizaram as suas entrevistas no sul da Califórnia. Foi entrevistada uma faixa transversal da sociedade, na esperança de se verificar como as diferenças culturais afetavam as opiniões sobre a morte e o além-túmulo. Os dois pesquisadores entrevistaram 434 adultos, de origem negra, japonesa, mexicana e branca (européia) e depois classificaram os dados encontrados segundo a idade, a raça e o sexo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os pesquisadores fizeram descobertas surpreendentes. Mais de 50 por cento das mulheres entrevistadas pretendiam ter tido contactos <i style="mso-bidi-font-style: normal">post-mortem</i>, e mais de um terço dos homens também respondeu afirmativamente. As experiências, na maior parte das vezes, ocorriam em sonhos, mas os sonhos eram descritos pelos entrevistados de maneira muito mais viva do que a habitual. Também foram mencionadas visitas de mortos por meio de vozes, aparições ou por sua presença psicologicamente sentida.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Essa última sensação era um tanto diferente da experiência da viuvez, em que é freqüentemente mencionada a impressão de “<i style="mso-bidi-font-style: normal">estar sentindo a sua presença</i>”. Os psicólogos também notaram que as experiências que lhes foram mencionadas eram mais freqüentemente agradáveis do que amedrontadoras, e que, nas raras ocasiões em que outra pessoa estava presente, tal pessoa compartilhava a experiência.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Foi uma admissão surpreendente, mas que não chegou a ser levada em consideração pelos psicólogos, quando afinal interpretaram as suas descobertas, uma vez que estavam, obviamente, mais interessados no aspecto demográfico. Evidenciou-se que a cultura não influenciou a expressão das experiências, uma vez que Kalish e Reynolds constataram que todos os grupos étnicos apresentaram casos típicos semelhantes. A descoberta mais significativa foi a de que os negros e mexicanos-americanos apresentavam maior percentagem de contacto com os mortos do que os caucásios ou orientais. Os dois primeiros grupos também tiveram experiências mais aterrorizadoras e mencionaram maior número de contactos visuais e auditivos. (Essas duas feições talvez sejam interdependentes, uma vez que uma descoberta pode ter provocado a outra.)</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Apesar de seu pioneirismo, o estudo Kalish/Reynolds foi — de um modo geral — um tanto falho em suas conclusões. A predisposição na revelação dos dados pode ter representado um papel significativo sobre o conjunto das estatísticas, problema que os psicólogos pouco fizeram para explorar ou mesmo para reconhecer. Concluíram que o grau de cultura afetava, sem sombra de dúvida, a experiência subjetiva de contacto com os mortos, sem levar em consideração o fato de certos grupos da cultura americana apenas <i style="mso-bidi-font-style: normal">informarem</i> os seus contactos mais prontamente. Também pode ser que pessoas de diferentes antecedentes étnicos e sociais se mostrem mais dispostas a falar de tais experiências, ou, por outro lado, mais inclinadas a racionalizá-las. Os dois psicólogos deveriam ter levado em consideração tal possibilidade, uma vez que a atual <i style="mso-bidi-font-style: normal">moda</i> da experiência (isto é, a forma que assumiu) não variava com quaisquer fatores demográficos. Evidentemente, estavam diante de um fenômeno de faixas culturais.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os dois pesquisadores californianos sequer encontraram qualquer correlação entre o vigor das crenças religiosas das testemunhas e a verossimilhanças de suas informações sobre contactos <i style="mso-bidi-font-style: normal">post-mortem</i>. Na verdade, as pessoas consultadas que não se consideravam especialmente religiosas revelavam contactos espontâneos com os mortos mais freqüentemente que os religiosos devotos. Os menos cultos respondiam mais vezes positivamente, mas é provável que tal fato tenha resultado de um importante elemento variável, suscetível de provocar confusão, que descreverei mais tarde. Os pesquisadores também constataram, surpreendidos, que “&#8230; <i style="mso-bidi-font-style: normal">as pessoas que se enviuvaram ou perderam entes queridos não participaram, em grande proporção, das experiências, como prevíramos</i>”. A única exceção foi o subgrupo negro.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Em resumo: não pôde ser encontrada uma base puramente psicológica para aquelas experiências. Isso, no entanto, não impediu o Dr. Kalish de afastar pessoalmente a realidade metafísica das experiências de contacto <i style="mso-bidi-font-style: normal">post-mortem</i>. Sua conclusão final foi: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Não acredito que aquelas pessoas tenham se comunicado com os mortos</i>”. Acrescentou que acreditava “<i style="mso-bidi-font-style: normal">serem as experiências vívidas e pareciam muito reais, não se tratando de sonhos, nem havendo indícios de distúrbios emocionais</i>”. O que re sentam, então, tais contactos?</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">São sinais</i>”, explicou Kalish, “<i style="mso-bidi-font-style: normal">que a intensidade da perda do ente querido ou outra experiência é muito grande e muito profunda, e que as associações anteriormente formadas com a pessoa morta são extremamente fortes</i>.” Sua conclusão é que o suposto contacto surge na própria mente da testemunha.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A despeito de suas conclusões pessoais, o trabalho pioneiro do Kalish ajudou a esclarecer esse aspecto da psicologia da morte. É claro que o “<i style="mso-bidi-font-style: normal">contacto com os mortos</i>” é uma sensação muito comum e que tais experiências ocorrem em diversas culturas, sendo expressadas de maneira muito semelhante e por pessoas de todas as faixas etárias. Isso contesta a idéia de que tais experiências resultem primordialmente da privação de um ente querido. Os dados de Kalish/Reynolds, contudo, não são os únicos. Resultados semelhantes foram obtidos quando um grupo de pesquisadores de Chicago repetiu o trabalho de Kalish/Reynolds. Foi verificado que 25 por cento das quase mil e quinhentas pessoas entrevistadas informaram ter tido contactos espontâneos com os mortos. As pessoas mais velhas e as adolescentes se mostravam particularmente inclinadas a contar as suas experiências. Os pesquisadores também constataram (como seu antecessores) que os negros se mostram particularmente inclinados a revelar os seus contactos <i style="mso-bidi-font-style: normal">post-mortem</i> e que os judeus e protestantes as revelam mais do que os católicos. Ao contrário dos seus colegas da Califórnia, porém, os pesquisadores de Chicago estavam bem conscientes de que as suas constatações podiam representar meros artefatos. A experiência dos viúvos e viúvas não afetava os dados, embora mais uma vez se tivesse a impressão de que as pessoas menos cultas experimentassem mais facilmente ou falassem mais sobre a experiência do que as pessoas mais cultas. Os pesquisadores puderam mostrar que tais conclusões eram ilusórias. Explicavam-se porque, em nossa cultura, as pessoas mais idosas, que se mostram mais dispostas a revelar tais experiências, são tipicamente menos instruídas que os norte-americanos mais jovens. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Contatos Post-Mortem Espontâneos</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Se houve quaisquer problemas flagrantes naquelas investigações, foram antes de natureza experimental do que estatística. Nem os pesquisadores da Califórnia, nem os de Illinois, pareciam realmente muito interessados no <i style="mso-bidi-font-style: normal">conteúdo</i> das respostas obtidas. Não se preocuparam com as dimensões humanas do que aprendiam. Estiveram aquelas pessoas realmente em contacto com os mortos, ou não? A resposta a essa pergunta crucial não pode ser respondida através de estatísticas, mas somente através de um estudo dos casos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O problema foi, em parte, corrigido em 1980, quando Julian Burton resolveu estudar a mesma questão de um ponto de vista mais humanista. Burton estudava o doutorado em psicologia, quando resolveu usar seus dados como base para uma tese de doutorado, tendo explicado que essa idéia surgira em conseqüência de uma dramática experiência pessoal. Sua mãe morrera em abril de 1973, aos 67 anos de idade, depois de sofrer um ataque cardíaco.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Eu e minha mãe éramos muito afeiçoados um ao outro</i>”, escreveu ele mais tarde. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Em setembro, a maior parte da família, mais conformada, voltara às suas atividades normais</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Não estavam, porém, rompidos os laços entre o Dr. Burton e sua mãe.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Em uma noite de setembro</i> — continuou ele — <i style="mso-bidi-font-style: normal">eu e minha mulher estávamos recebendo alguns parentes em nossa casa. Eu me encontrava na cozinha, descascando um abacaxi, quando ouvi, à minha direita, passos que julguei ser de minha mulher. Virei-me, para perguntar-lhe onde se achava uma determinada vasilha, quando percebi que ela caminhava para a esquerda, fora de meu campo de visão. Virei-me para lá, a fim de repetir a pergunta, e vi minha mãe parada lá. Estava perfeitamente visível, e parecia anos mais moça do que por ocasião de sua morte. Usava um vestido transparente azul-claro, debruado com um fio de seda, que eu nunca vira antes&#8230;</i>”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Mal ele chamou, a visão começou a desaparecer, pouco a pouco. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Na manhã seguinte</i> — continua a narrativa do Dr. Burton — <i style="mso-bidi-font-style: normal">procurei minha irmã Jean, e contei-lhe o que me havia acontecido. Ela ficou muito nervosa, e começou a chorar, perguntando por que seria que minha mãe não aparecera para ela. Fiquei aborrecido com isso, e perguntei-lhe se ela estava acreditando no que eu lhe contara, e, sem demora, minha irmã disse que sabia ser a verdade. Por que tinha tanta certeza? Ela respondeu que ela e minha mãe tinham saído para fazer compras, duas semanas antes de minha mãe sofrer o ataque e fora então que ela experimentara o vestido azul-claro que eu tinha visto. Embora minha mãe tivesse gostado muito do vestido e o mesmo lhe ficasse muito bem, ela não tivera coragem de pagar 200 dólares por ele</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Em conseqüência daquela aparição foi que, aos 42 anos de idade, Burton resolveu fazer o curso de doutorado.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">A aparição de minha mãe me deu a idéia de fazer a pesquisa</i>”, — admitiu. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Achei que muitas pessoas tinham experiências semelhantes para relatar</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Assim sendo, Burton organizou um questionário, perguntando aos entrevistados se já haviam sido visitados pelos mortos, qual era o seu relacionamento com os fantasmas, a natureza das experiências, se essas se repetiram, etc. Primeiramente entregou o questionário a grupos de pesquisas psíquicas da região de Los Angeles, mas não tardou a mudar a sua estratégia, quando notou a percentagem extraordinariamente alta de respostas afirmativas. Ficou desconfiado de que os consultados tinham se deixado influenciar por seu interesse em questões psíquicas, e, desse modo, enviou os questionários aos departamentos de psicologia de três escolas de Los Angeles. Ainda assim, cinqüenta por cento dos estudantes informaram ter tido contactos <i style="mso-bidi-font-style: normal">post-mortem! </i>O Dr. Burton já colheu, até agora, 1.500 respostas, e acrescentou importantes dados aos obtidos nas pesquisas anteriores na Califórnia e
<personname w:st="on" productid="em Illinois. Tamb?m">em Illinois. Também</personname> verificou que as pessoas mais velhas se mostram mais dispostas a revelar tais contactos, embora isso não seja, de modo algum, seu monopólio. A maior parte das experiências consistia de contactos durante o sono ou sensações subjetivas, embora também fossem mencionadas visões e aparições. Essas experiências foram evidentemente sensacionais, uma vez que 60 por cento das pessoas entre as idades de 16 e 60 anos mudaram com base nelas a sua atitude em face da morte.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">De qualquer modo, o que realmente impressionou Burton foram os próprios casos. Alguns eram semelhantes ao seu próprio caso pessoal,</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Quando eu me achava prestes a completar a minha tese</i>” — escreveu ele mais tarde — “<i style="mso-bidi-font-style: normal">estava trabalhando em casa, ao mesmo tempo em que minha governanta Lita Canalaes fazia a limpeza e arrumação. Era uma mulher de 30 e poucos anos, que me contou dois casos, um dos quais acontecido quando se encontrava em minha casa</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Certo dia, quando estava arrumando o meu quarto de dormir, Lita ouviu um assovio. Achando que era algum operário que estivesse olhando do lado de fora da janela (embora eu morasse no terceiro andar), ela continuou a trabalhar. O assovio se fez ouvir de novo. Quando olhou, ouviu uma voz de mulher, que a chamou duas vezes pelo nome. Lita olhou nos outros aposentos e não viu pessoa alguma. Apesar de ter se arrepiado de medo, acabou se esquecendo do caso, até chegar à sua casa, onde encontrou uma carta vinda de El Salvador, anunciando a morte de sua melhor amiga. A mãe de sua amiga escreveu que um par de sapatos que Lita lhe mandara de presente chegou três horas antes de sua morte. A notícia fez com que Lita se lembrasse que, quando eram adolescentes, ela e sua amiga costumavam chamar uma à outra assoviando. A clareza e simplicidade desse relato são semelhantes às de muitos outros que ouvi e li no decorrer da minha pesquisa</i>.” </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Outro caso foi relatado a Burton por um jovem ginasiano, e dizia respeito à morte de uma tia-avó. Não se trata, evidentemente, de um grau de parentesco suscetível de produzir laços de afeto muito estreitos, e em conseqüência, uma experiência psicológica aparentemente anômala. </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Fiquei sabendo de sua morte logo que cheguei em casa, vindo do colégio. Tinha de andar depressa, porém, para ir à lição de catecismo. Subi até o meu quarto para apanhar o livro, e, quando já ia pegá-lo, parei e olhei
<personname w:st="on" productid="em torno. Uma">em torno. Uma</personname> mulher um tanto transparente estava sentada na outra cama, com as mãos trançadas no colo, sorrindo para mim. Eu nunca estivera com ela, desde que tinha seis meses apenas, mas, não sei como, tive certeza de que era minha tia, que acabara de morrer. Tínhamos nos correspondido com ela durante anos, e ela ainda se correspondia com sua irmã, com a qual morávamos. Compreendi o que estava acontecendo, mas não tive medo, pois fiquei dominado por um profundo sentimento de afeto. Nada havia de ameaçador ou perturbador na experiência. Fiquei inteiramente imóvel, procurando guardar na memória os detalhes de sua aparência, do vestido que trazia, etc. Quaiuio a visão desapareceu, desci paia o andar de baixo e contei a minha mãe e minha irmã o que acontecera. Se alguma vez tive medo, agora já não tenho. Acredito firmemente em alguma espécie de vida depois da morte. Não tenho certeza se, algum outro </i><i style="mso-bidi-font-style: normal">membro da família que tivesse passado pela experiência, diria a mesma coisa. </i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Foi significativa a maneira com que o Dr. Burton encarou os seus dados. Na sua opinião, as experiências tais como a sua própria e outras que coligiu com muita freqüência não são anunciadas. Muitas pessoas — ele argumenta — têm medo de serem tidas como insanas se contarem os seus encontros com os mortos. Esse problema foi agravado, salienta o psicólogo, pelos profissionais da saúde mental, que procuram negar a validade de tais episódios. As experiências são, em via de regra, consideradas como tentativas das pessoas “<i style="mso-bidi-font-style: normal">de se agarrarem ao morto ou como alucinações provocadas pelo sofrimento, por ter perdido um ente querido</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">E Burton pergunta: “Mas temos o direito de fazer isso? Espero que outros investiguem esse fenômeno e juntem as suas informações ao crescente acervo de provas no sentido de que tais experiências são normais e comuns. Talvez futuramente a sensacional e amedrontadora natureza das ‘histórias de defuntos’ cederá lugar à constatação de que receber visitas dos mortos pode se tornar uma junção banal da vida quotidiana”</i>. </p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A despeito da natureza muito emotiva e freqüentemente impressionante daquelas experiências humanas, o cético continua a ter pretexto para negá-las. Com efeito, poucos casos são tão verídicos como os do Dr. Burton, e menos ainda da qualidade que teria impressionado os fundadores das pesquisas psíquicas, há cem anos. Como salienta o Dr. Burton, a maior parte dos relatos pode ser facilmente posta de lado, como simples fantasias de pessoas geralmente entregues ao sofrimento acarretado pela perda de um ente querido. Mesmo os casos mais complexos, em que algum fator psíquico desempenha um evidente papel, podem ser reduzidos a “<i style="mso-bidi-font-style: normal">essas explicações mundanas</i>”. Assim, por exemplo, talvez o Dr. Burton tenha usado uma simples clarividência, enquanto inconscientemente provocava a aparição de sua mãe, e assim por diante. As pesquisas sobre a sobrevivência tropeçam em tais questões, as mesmas que confundiam os primeiros pesquisadores, na época vitoriana. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Contato com os Mortos Através dos Sonhos</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">É significativo que a maior parte dos pesquisadores interessados em contactos espontâneos com os mortos tenha verificado serem os contactos através dos sonhos o modo mais comum de expressão. Trata-se, contudo, da forma de contacto <i style="mso-bidi-font-style: normal">post-mortem</i> suscetível de ser mais facilmente contestada. Tal fato não levou, contudo, os pesquisadores a abandonar completamente essa linha de investigação. O falecido Dr. Robert Crookall, cientista britânico que sacrificou sua aposentadoria a fim de se dedicar às pesquisas acerca da sobrevivência, argumentou longamente que alguns contactos oníricos podem ser instigados por inteligências sobreviventes. Defendeu esse ponto de vista em seu livro <i style="mso-bidi-font-style: normal">Dreams of High Significance</i> (Sonhos de Grande Significação), aparecido em 1974.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A Sra. Helen Solem, de Portland, Estado do Oregon, reabriu, recentemente, a questão, apresentando uma grande coleção de tais casos. A Sra. Solem divide presentemente o seu tempo entre a sua profissão de contadora e as pesquisas acerca da sobrevivência, tendo iniciado o seu estudo sobre os sonhos em 1983, em conseqüência de suas próprias experiências oníricas. Não tardou a começar a recolher relatos de outras pessoas, e hoje conta com um considerável acervo de materiais. Meu interesse pelos estudos da Sra. Solem se originou das minhas providências para publicação de casos verídicos de contacto com os mortos. Quando fiquei sabendo que a pesquisadora de Portland iniciara o seu trabalho, providenciei para que ela examinasse casos que incluíam a comunicação de material probante. Vários desses casos foram depois encaminhados à revista <i style="mso-bidi-font-style: normal">Fate</i>, de cuja redação faço parte como consultor.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Alguns dos relatos coletados pela Sra. Solem eram relativamente simples. Uma senhora idosa contou à pesquisadora que, em 1906, teve um sonho em que ouviu um irmão já falecido conversando com ela. A voz lhe informou que ela precisava fazer uma importante escolha: entre sua filha mais moça (então com um ano e meio) e a criança que estava esperando. A voz era muito firme, e a mulher, com relutância, escolheu a criança que estava para nascer. O desfecho do sonho ocorreu três semanas depois, quando a menina caiu de uma varanda, machucou a cabeça e morreu.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Quando relata esse episódio</i>”, explicou a Sra. Solem, “<i style="mso-bidi-font-style: normal">ela acredita que o mesmo a ajudou naquele transe difícil</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A advertência concorreu para que ela conservasse o seu juízo perfeito, evitando que o sofrimento a arrasasse.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Naturalmente, o cético irá auferir que talvez — se se acreditar que a experiência tenha sido realmente psíquica — a própria mente da mulher gerou a predição. Seria uma presunção razoável, mas nem todos os casos da Sra. Solem são tão facilmente explicados.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Em outro relato, uma mulher do Estado de Connecticut contou que seu falecido sogro lhe apareceu durante o sono, no dia seguinte ao do seu enterro. Seu intuito era lhe informar acerca de uma caderneta de banco secreta escondida em seu quarto, correspondente a um saldo de 2.800 dólares. O seu próprio marido ridicularizou a idéia, até que, depois de uma busca, a caderneta foi encontrada, e o saldo existente no banco era mesmo o mencionado no sonho.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Outro desses casos bastante complexos foi relatado por uma dona-de-casa, à qual a Sra. Solem só se refere por seu primeiro nome, Gwen.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Até a morte de minha mãe, em 1959, não me lembro de ter sonhado com pessoas mortas</i>”, ela contou. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Fiquei, porém, extremamente chocada com a morte de minha mãe, aos 49 anos de idade apenas. Muitas vezes, depois disso, ela apareceu em meus sonhos, principalmente quando eu estava preocupada ou aborrecida com alguma coisa</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Gwen não tardou a descobrir que podia pedir conselhos a sua mãe, e que a figura que aparecia nos sonhos respondia prontamente.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Uma noite, por exemplo, ela sonhou com uma sala cheia de caixões de defunto e, intuitivamente, compreendeu que seu pai ia morrer. Assustou-se, mas sua mãe apareceu e a consolou, prometendo ajudar o seu ex-marido no transe da morte. O desfecho do drama ocorreu alguns dias depois, quando um seu irmão telefonou do Estado da Virgínia, para comunicar-lhe que seu pai fora hospitalizado. Estava passando mal do coração, e os médico queriam fazer uma operação de ponte de safena. Gwen sabia que a operação seria infrutífera, mas queria que o pai tivesse todas as oportunidade possíveis. Não foi surpresa para ela saber, quatro dias depois, que ele havia morrido&#8230; mas não ficou sabendo da morte por intermédio do hospital ou de sua família. De manhã bem cedo, sua mãe lhe apareceu em sonho e lhe disse que tudo terminara. Gwen levantou-se, e viu que eram sete horas. Somente mais tarde, telefonaram do hospital, avisando que seu pai morrera às 7,10 daquele dia.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Quando foi se deitar depois do enterro, alguns dias mais tarde, Gwen imaginou se veria o pai em sonho e conversaria com ele. Sua mãe lhe apareceu de novo, e explicou que o pai só poderia aparecer mais tarde, quando tivesse se ajustado à sua nova existência espiritual. O contacto através do sonho só se deu quatro meses depois.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">É opinião da Sra. Solem que algo mais que um simples sonho está se manifestando em tais casos. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Algumas autoridades</i>”, ela argumenta, “<i style="mso-bidi-font-style: normal">acreditam que a atividade do sonho é apenas um modo de restaurar o equilíbrio emocional, livrando-nos da tensão do dia. Quando, porém, vem, através do sonho, uma informação clara, direta e até então desconhecida, tem de ser mais do que isso&#8230; É possível que tais sonhos venham com a ajuda de algo superior dentro de nós mesmos, mas, quando os mortos apa</i><i style="mso-bidi-font-style: normal">recem em nossos sonhos, parece lógico concluir que está se manifestando um ativo relacionamento mútuo</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Trata-se, sem dúvida, de uma séria dificuldade. Será jamais possível determinar onde termina a atividade da mente de um e começa a de uma inteligência externa? Este é o problema que os pesquisadores enfrentam, quando tentam avaliar as experiências subjetivas humanas, sempre tão complexas e sutis. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Outras Formas de Contato Post-Mortem</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Alguns pesquisadores começaram a estudar a literatura das visões no leito de morte, para ajudar a resolver a questão. Tais casos representam uma importante adição à literatura das provas da sobrevivência, mas não podem ser discutidos aqui senão resumidamente.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Pacientes na iminência da morte muitas vezes têm visto aparições de mortos que vêm saudá-los e conduzi-los para <i style="mso-bidi-font-style: normal">o outro lado</i>. Os primeiros pesquisadores psíquicos recolheram mesmo alguns casos em que o moribundo via um amigo que ele não sabia que havia falecido recentemente. Esses casos, porém, são muito raros. A verdadeira revelação surgiu nas décadas de 1960 e 1970, quando o Dr. Karlis Osis e a Sociedade Americana de Pesquisas Psíquicas conseguiram mostrar que muitos daqueles moribundos não sofriam de moléstia alguma ou se encontravam submetidos a qualquer tipo de tratamento suscetível de provocar o surgimento de alucinações. Posteriormente, o Dr. Osis e seu colega Dr. Erlendur Haraldson, da Universidade de Reykjavik, na Islândia, puderam mostrar que as visões no leito de morte constituem um fenômeno cultural. O ponto significativo é que, mais uma vez, a investigação psicológica mostrou que o contato subjetivo com os mortos (através de visões, sonhos ou presenças percebidas) simplesmente não pode ser explicado por qualquer mecanismo normal conhecido.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O Dr. Osis admitia mesmo que tais casos não podem servir como prova incontestável da vida após a morte, no entanto. Sua emergência poderia resultar de alguns fatores psicológicos indefinidos. Assim, ele tratou de se voltar ao estudo das aparições em geral, na esperança de encontrar alguma prova da sobrevivência. O caso a que ele se refere com mais orgulho foi um bastante complexo, que comunicou à 26ª Convenção Anual da Associação Parapsicológica, na Universidade Fairleigh Dickinson, em 1983.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O Dr. Osis começou a sua apresentação aventando a possibilidade de nem todas as aparições representarem a manifestação de um mesmo cesso psíquico. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Salientei em outra ocasião</i>”, lembrou à audiência, “<i style="mso-bidi-font-style: normal">as experiências de aparições se tornam muito mais explicáveis quando admitimos interpretações especiais de cada uma das diferentes espécies de tais aparições, em vez de juntá-las todas, como se fossem da mesma natureza fundamental</i>”. E acrescentou: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">O caso presente é de um tipo de experiência de aparição em que o aparecido parece ter uma intenção própria</i>”. Foram palavras corajosas, acerca de um fenômeno atualmente de moda entre os parapsicólogos que exploram a controvérsia da sobrevivência.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Uma vez que as pessoas de que tratava a comunicação insistiram em ser mantidas em absoluto anonimato, o Dr. Osis teve de disfarçar as suas identidades. O caso girou em torno da morte de um homem de negócios casado, de idade mediana, chamado Leslie, pai de quatro filhos. A outra <i style="mso-bidi-font-style: normal">dramatis persona</i>, no caso, foi um filho do morto, Rusty, que também morrera, ainda criança, dezoito meses antes. A morte de Leslie ocorreu em 1982, quando caiu, no sul dos Estados Unidos, o avião particular que ele estava pilotando. Ainda é desconhecida a causa do acidente, do qual a família tomou conhecimento no dia seguinte. Além do seu próprio pesar, a maior preocupação dos membros da família foi com a idosa mãe de Leslie, Marge, que se encontrava ela própria às voltas com problemas de saúde. Receava-se que a notícia da morte do filho lhe causasse um choque que não poderia suportar. Uma amiga da família participava daquela preocupação. Sendo muito devota, pediu à própria mãe — que tinha a mesma idade da mãe de Leslie — que rezasse pela alma que partira. Aquela mulher sabia que a mãe de Leslie era materialista, não acreditando em coisa alguma psíquica ou espiritual. Assim, rezou diretamente pelo morto e pediu-lhe que aparecesse à sua mãe, como <i style="mso-bidi-font-style: normal">sinal </i>de sua existência continuada. Também pediu, em suas preces, que, como um sinal pessoal para ela própria, Leslie aparecesse de mãos dadas com o filho recentemente morto. A mulher não falou com pessoa alguma, a não ser o marido, a respeito de suas rezas, e repetiu o pedido por três vezes, nos dois dias seguintes.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Marge se encontrava em seu quarto, dez horas depois das preces terem sido concluídas, quando despertou de súbito, vendo dois vultos juntos de sua cama.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Era Leslie com o menino</i>”, disse ela mais tarde ao Dr. Osis. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">E Leslie estava segurando a mão do menino. Estavam nos pés de minha cama, olhavam um para o outro. Eu estava então bem acordada. Eles estavam con</i><i style="mso-bidi-font-style: normal">tentes; estavam felizes por terem encontrado um ao outro, por estarem juntos agora. E queriam que eu soubesse disso. Senti isso</i>”. Ela explicou ainda ao Dr. Osis: </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Eles eram sólidos. Havia uma espécie de névoa em torno deles, como se fosse uma nuvem cinzenta. Mas eram sólidos, ambos. O quarto estava escuro; a luz elétrica vinha de fora, através da veneziana&#8230; mas não iluminava suficientemente para vê-los. Há muito movimento na rua onde moro. A qualquer hora que seja, estão passando caminhões e ônibus. Naquele momento não havia barulho, tudo estava excluído, como se o mundo tivesse parado. E não havia mais ninguém no mundo, a não ser nós três&#8230; </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Senti como se eles estivessem penetrando em mim, trazendo a vida para dentro de mim. Ele estava me devolvendo a vida. E essa foi a sensação mais duradoura; jamais, jamais a esquecerei. Jamais aconteceu antes e jamais tornará a acontecer. Creio que ambos vieram aqui para me trazer a paz de espírito. Realmente me ajudaram muito, isso aconteceu realmente. Não venci o pesar, mas aquilo me tornou capaz de atravessar os momentos difíceis sem morrer, porque estava muito desanimada. Tentei pretidê-los por mais tempo, mas eles foram-se embora&#8230; Foram ficando menores e desapareceram.</i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Não foi, porém, apenas Marge que recebeu naquela noite uma visita fantasmagórica. Uma sobrinha de Leslie, de seis anos apenas, que morava a <metricconverter w:st="on" productid="160 Km">160 Km</metricconverter> de distância, soube da morte do tio e viu a sua aparição três horas antes da visita a Marge. Mais tarde, ela contou ao Dr. Osis: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Eu estava acordada e de pé, quando vi uma nuvem em meu quarto e Leslie e Rusty de mãos dadas. Estavam muito parecidos&#8230;</i>” É interessante observar que a mulher que havia rezado para Leslie nada sabia a respeito da menina, e sequer sabia que ele tinha sobrinhas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Na opinião do Dr. Osis a hipótese de telepatia tinha de ser posta de lado no caso, uma vez que Marge não poderia reagir a uma mensagem telepática várias horas depois que ela fora emitida. Também seria estranho que a sobrinha tivesse reagido a tal mensagem, uma vez que não conhecia a mulher que rezou. E nem pode se admitir que ela tenha interceptado a mensagem dirigida à velha, uma vez que recebeu a mensagem três horas antes dela. As duas nem eram sequer muito íntimas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A apresentação desse caso à Associação Parapsicológica terminou com uma conclusão e uma advertência. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Um único caso não pode decidir a questão da sobrevivência</i>”, decidiu o Dr. Osis. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Diferentes estudiosos interpretarão os dados de maneira diferente, cada um de acordo com seu </i><i style="mso-bidi-font-style: normal">próprio sistema de crença. As características manifestas desse caso certamente não dão a idéia de que as aparições são imagens estáticas, destituídas de consciência. Parecem estar indicando algo muito mais poderoso e intencional</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Assim, quando a parapsicologia entra em seu segundo século de atividade, os pesquisadores que estudam a questão da sobrevivência parecem ter voltado ao ponto de partida. Do estudo dos encontros na vida real com o desconhecido, eles pesquisaram através das esferas da mediunide no transe, das experiências fora do corpo, das visões no leito de morte e das situações perto-da-morte, a fim de demonstrarem a imortalidade do homem. Parece, agora, que os parapsicólogos se encontram, mais uma vez, focalizando as experiências de aparições, como a mais promissora fonte de estudos.</p>
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		<title>A VIDA DEPOIS DA MORTE, DE SCOTT ROGO (1986) &#8211; CAP&#205;TULO 3</title>
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		<pubDate>Mon, 06 May 2013 23:10:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Neste capítulo, Rogo aborda as experiências de quase-morte (traduzidas como ‘experiências perto-da-morte’), citando as pesquisas de Sabom, Ring entre outros. É muito interessante também a descrição de uma das EQMs negativas, que parece extraída de um conto de Tolkien sobre a Terra Média. 3&#160; Documentação da Experiência Perto-da-Morte&#160; Quando foi publicado o livrinho de Raymond [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Neste capítulo, Rogo aborda as experiências de quase-morte (traduzidas como ‘experiências perto-da-morte’), citando as pesquisas de Sabom, Ring entre outros. É muito interessante também a descrição de uma das EQMs negativas, que parece extraída de um conto de Tolkien sobre a Terra Média.</p>
<p><span id="more-1598"></span>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="font-size: 20pt">3</span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal">&#160;</b></p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="font-size: 20pt">Documentação da Experiência Perto-da-Morte</span></b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Quando foi publicado o livrinho de Raymond Moody, <i style="mso-bidi-font-style: normal">Life after Life</i>, em 1975, ninguém imaginou que iria se tornar um <i style="mso-bidi-font-style: normal">bestseller</i>. Foi lançado por uma obscura editora de Atlanta, Estado da Geórgia, e continha vários relatos, não sensacionalistas, de pessoas que tinham <i style="mso-bidi-font-style: normal">morrido</i>, mas reviveram posteriormente. Em tais relatos, as pessoas, invariavelmente, contavam como tinham deixado o seu corpo, sobrevivido à morte, viajado até um estranho e maravilhoso paraíso e voltado, com relutância, aos seus corpos. Talvez tenha sido essa maneira <i style="mso-bidi-font-style: normal">otimista</i> de encarar a experiência da morte, que venceu o tabu que sempre reveste o assunto, a responsável pelo entusiástico acolhimento ao livro de Moody e outros estudos semelhantes que se seguiram. Realizaram-se simpósios sobre o assunto nas convenções anuais, tanto da Associação Parapsicológica como na Associação Psicológica Americana, e até mesmo uma sociedade de médicos foi organizada para investigar o fenômeno perto-da-morte (PDM).</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Depois da publicação do livro de Moody, centenas de pessoas têm falado acerca de suas próprias experiências. Esses casos representam um crescente conjunto probatório, mostrando que o após vida é apenas um momentâneo afastamento. Assim, por exemplo, em agosto de 1979, o boletim <i style="mso-bidi-font-style: normal">Anabiosis</i>, órgão da Associação Internacional de Estudos Perto-da-Morte, com sede no Estado de Connecticut, publicou um impressionante relato.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O jovem missivista explicou que enfrentara a sua experiência PDM em conseqüência de um terrível acidente. Estava colocando algumas compras no porta-malas de seu carro, quando este foi batido por outro carro, e ele ficou preso entre os dois veículos. Foi imediatamente levado para um hospital e conduzido para a sala de cirurgia, onde perdeu a consciência.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Algum tempo depois</i> — escreveu — <i style="mso-bidi-font-style: normal">houve um súbito clarão e me vi flutuando acima do meu corpo físico. Pude ver os cirurgiões me operando. Havia também uma enfermeira sentada em minha frente, bem acima da minha cabeça. A sensação seguinte que tive foi quando alguém pôs as suas mãos em meus ombros. Tive a impressão de que estava sentado em algo que se movia através de um túnel</i>.” </p>
</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 347.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="463">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/05/clip_image002.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/05/clip_image002_thumb.jpg" width="417" height="652" v:shapes="_x0000_i1025" /></a></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 84.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="bottom" width="113">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-size: 10pt">Este quadro, mostrando a alma de um homem deixando o corpo no momento de sua morte, foi executado por G. Parlby, sob a direção do espiritualista Hewat Mackenzie, e mostra a corda prateada que apareceu em muitas experiências.</span></i><span style="font-size: 10pt"> (Biblioteca Mary Evans) </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A carta continua, com o missivista contando que se viu depois avançando ele próprio pelo túnel, indo afinal descansar em um ambiente nevoento. Pôde notar pessoas que se moviam, e ouviu uma bela música. Afinal, algo luminoso aproximou-se dele, interrogou-o acerca de sua vida e disse-lhe para voltar ao seu corpo. Ele acordou mais tarde, atravessando o túnel de regresso.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Foi a mais bela experiência da minha vida</i>”, informou. Essa é a reação de muitas pessoas que passaram pela experiência PDM.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Casos desse tipo vêm despertando muita atenção. Até mesmo os jornais diários os estão noticiando. Caso semelhante ao aqui citado foi noticiado pelo <i style="mso-bidi-font-style: normal">Times</i> de Los Angeles, de 30 de março de 1983, que relata o que aconteceu com um jovem homem de negócios de Hollywood.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Dan O’Dowd, co-proprietário de uma empresa de vídeo de Los Angeles, quase foi morto, quando, dirigindo na Auto-Estrada da Costa do Pacífico, que atravessa o litoral do sul da Califórnia, seu carro foi atirado fora da pista por um motorista embriagado, em 27 de agosto de 1979. Disso resultou uma série de cinqüenta operações, nas quais o jovem executivo foi praticamente recomposto, pedaço por pedaço. Sua experiência perto-da-morte ocorreu durante uma operação particularmente grave, que durou quinze horas, no Centro Médico Cedars-Sinai,
<personname w:st="on" productid="em Beverly Hills. Estava">em Beverly Hills. Estava</personname> deitado na mesa de operações, quando, segundo relatou, </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">&#8230;de repente despertei, mantendo-me imóvel e vendo a máquina cardíaca (monitor) formando uma linha reta. Estava bem acordado, embora soubesse que tinha os olhos fechados. Era como ver imagens na televisão. Depois, subi e fiquei olhando para mim mesmo, de cima para baixo. Eu estava pairando sobre o meu corpo, a uma altura de um pé e meio (<metricconverter w:st="on" productid="45 cent?metros">45 centímetros</metricconverter>) a seis pés (um metro e oitenta centímetros).</i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Ficou estarrecido quando ouviu um dos médicos anunciar, de súbito, a sua morte. O executivo aparentemente teve a sua experiência perto-da-morte durante um acidente de cirurgia.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O’Dowd se encontrou em seguida em um corredor próximo, onde os seus parentes estavam reunidos, e ouviu, incredulamente, o médico anunciar que a operação falhara. Dentro em pouco, ele se encontrou de novo na sala de operações, onde os médicos ainda tentavam salvá-lo, apesar do próprio pessimismo. Enquanto ele os olhava estarrecido, os médicos aplicavam ao seu corpo dispositivos contra a fibrilação, na esperança de conseguirem reativar o coração.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">— “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Um sujeito</i> — ele explicou aos repórteres — <i style="mso-bidi-font-style: normal">manobrava o apare</i><i style="mso-bidi-font-style: normal">lho, e um outro aplicou gel, e eu, olhando de cima para baixo, me vi terrivelmente morto. Depois, aplicaram os choques. Da primeira vez, nada. Da segunda, comecei a recuar e logo pude me sentir sendo puxado para a anestesia. E para fora</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O empresário, de 32 anos, viveu para contar a história. Seus parentes ainda se lembram como os médicos lhes disseram que o coração havia parado e que estavam fazendo tudo para salvá-lo, mas era duvidoso que conseguissem. Seu médico, Dr. Mohammed Ataik, da Cedars Sinai, também ficou intrigado com o incidente.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">— <i style="mso-bidi-font-style: normal">Não quero desmenti-lo</i> — declarou ele ao <i style="mso-bidi-font-style: normal">Times</i> <i style="mso-bidi-font-style: normal">— mas, do ponto de vista médico, não tenho explicação</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Episódios de quase morte como esse são surpreendentemente comuns. Depois de estudar mais de uma centena deles, Moody mostrou que uma pessoa que passou pela experiência perto-da-morte atravessa diversas fases. Na maior parte dos casos, o doente ou vítima de acidente em geral experimenta um momento de paz, quando compreende que morreu; muitas vezes ouve ruídos de colisão; sente-se <i style="mso-bidi-font-style: normal">deixando o seu corpo</i> e viajando rumo a uma brilhante luz branca e, às vezes, experimenta uma lembrança instantânea da vida anterior, antes de entrar no além. Nesse ponto, a experiência geralmente termina, uma vez que a testemunha, ou regressa automaticamente ao seu corpo, ou é mandada voltar por alguém que encontra no além.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Muitos dos seguidores da obra de Moody acreditam que casos tal como o aqui citado provam virtualmente que sobrevivemos à morte. As provas, porém, não são tão claras assim. Durante os últimos sete anos, houve várias tentativas de desacreditar o trabalho de Moody, enquanto vários outros cientistas procuravam repetir as suas descobertas. Disso resultou uma controvérsia científica quase tão fascinante quanto as deduções originais de Moody. Presentemente, os pesquisadores chegaram à conclusão de que o estudo da experiência perto-da-morte não é tão simples e bem definido quanto o entusiasmo inicial de Moody julgava ser.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Um dos mais contundentes críticos da argumentação de vida após a morte tem sido o Dr. Robert Kastenbaum, psicólogo da Universidade de Massachusetts e diretor da revista <i style="mso-bidi-font-style: normal">Omega</i>, uma das mais prestigiosas publicações que tratam do estudo psicológico da morte. Kastenbaum está pessoalmente interessado no problema da vida após a morte, e organizou mesmo um simpósio sobre a experiência perto-da-morte, em recente reunião da Associação Psicológica Americana, mas não deixou, por isso, de dirigir vários ataques contra o movimento vida-após-a-vida. Escrevendo em 1977, na revista <i style="mso-bidi-font-style: normal">Human Behavior</i> (Comportamento Humano), Kastenbaum salienta que nem todos que sofreram a morte clínica experimentaram a sensação EFC. Tais estados fora do corpo se mostram muito infreqüentes, argumenta o psicólogo, e, portanto, não temos o direito de deduzir, de dados tão limitados, que o fenômeno é uma experiência humana universal. Salienta ainda o fato de algumas pessoas que estiveram às portas da morte experimentaram sensações de todo diferentes daquelas mencionadas por Moody e outros. Muitas pessoas não deixam seu corpo quando se dá a morte clínica, mas permanecem nele conscientes, embora pareçam se encontrar em estado de coma ou mortos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">A existência de outros tipos de relatos vindos de além da fronteira da morte ou da quase-morte não desacredita a qualidade dos relatos que tanto interesse despertam presentemente</i>”, escreveu Kastenbaum, “<i style="mso-bidi-font-style: normal">mas torna difícil aceitar a conclusão, tirada por alguns, que o processo do falecimento é, geralmente, agradável</i>.” O Dr. Kastenbaum não acredita que tais incidentes demonstrem a existência de uma vida após a morte.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As opiniões de Kastenbaum tiveram eco em outros críticos, que acusaram os partidários da vida-após-a-vida de basearem seus pontos de vista sobre a alegria da morte em um punhado de relatos anedóticos. Salientam os críticos que, antes de serem aceitos como válidos os dados de Moody, seria necessário consultar um grande número de pessoas que passaram por situações semelhantes, a fim de se verificar se se tratava de uma experiência comum, ou meramente de anomalias, ocorridas com meia dúzia de pessoas, e que foram destacadas do conceito devido à sua semelhança. Felizmente, levantamentos objetivos foram realizados desde então, e seus resultados muito concorreram para confirmar as conclusões iniciais de Moody. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Documentação da Experiência Perto-da-Morte</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Tal estudo foi empreendido pelo Dr. Michael Sabom, cardiologista da Escola de Medicina da Universidade Emory, no Estado da Geórgia, e sua assistente, Sarah Kreutziger, que, em março de 1976, começaram a interrogar pessoas que haviam experimentado a morte clínica. Conversaram, ao todo, com 100 pacientes do hospital: 71 homens e 29 mulheres, que haviam escapado da morte por pouco. Verificaram que 61 por cento haviam experimentado a clássica sensação PDM de tipo estreitamente relacionado com os anunciados pelo Dr. Moody, em 1975. Os pacientes tinham estado à morte em conseqüência de vários motivos, inclusive para da cardíaca, acidente e mesmo suicídio.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“Os pormenores desses sessenta e um por cento são surpreendentemente semelhantes”, escreveram Sabom e Kreutziger, no número do quarto trimestre de 1978 de <i style="mso-bidi-font-style: normal">Theta</i>, revista dedicada a pesquisas sobre a questão da sobrevivência após a morte. E acrescentaram: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Durante a experiência autoscópica, todos os pacientes notaram uma sensação de flutuação, de estarem fora do corpo, diferente de qualquer outra antes experimentada. Enquanto destacado do corpo físico, o paciente observava seu próprio corpo claramente</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os muitos casos de Sabom e Kreutziger são virtualmente idênticos aos tipos de experiências anunciadas por Moody. Um dos tais relatos foi feito por um guarda de segurança, que sofrerá anteriormente um infarto do miocárdio, quando em tratamento em um hospital.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Não pude mais agüentar a dor</i>”, disse ele aos pesquisadores. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Então tudo ficou escuro, negro. Depois de algum tempo, eu estava&#8230; flutuando. Pude olhar para baixo, e nunca havia notado que o chão era coberto de ladrilhos brancos e pretos. Reconheci eu mesmo ali, recurvado em uma posição de feto</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O guarda olhou então com bastante calma, enquanto um médico tentava revivê-lo, estimulando eletricamente o coração.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Tive a impressão</i>” — continuou — “<i style="mso-bidi-font-style: normal">que eu tinha de escolher entre tornar a entrar em meu corpo e assumir o risco de permitir que os médicos me ressuscitassem, ou ir para frente morrer, se é que já não estava morto. Sabia que me achava em perfeita segurança, se meu corpo morresse ou não. Eles me atingiram uma segunda vez. Reentrei em meu corpo</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O paciente não chegou a ver uma brilhante luz branca, nem viajou de verdade no além. Mas alguns dos pacientes de outros pesquisadores passaram por tal experiência.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Como resultado de sua pesquisa, Sabom e Kreutziger concluíram que as experiências PDM constituíam ocorrências verdadeiras. Salientaram que o fenômeno era muito diferente do tipo de alucinações produzidas por incisões no lobo temporal, drogas, despersonalização psicológica (quando o indivíduo se sente afastado do corpo em virtude de esgotamento nervoso) ou alucinações patológicas autoscópicas (<i style="mso-bidi-font-style: normal">ver a si mesmo</i>). O que descobriram, contudo, foi que as pessoas que tinham passado pela experiência PDM, dela saíam com a certeza de que iriam afinal sobreviver à morte. Mas a importância dessa pesquisa não parou aí, de modo algum.</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">O Estudo dos Encontros Perto-da-Morte Verídicos</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O Dr. Michael Sabom encontra-se presentemente trabalhando no Centro Médico da Administração de Veteranos de Atlanta. Tendo sido convidado a falar em um simpósio especial sobre a experiência perto-da-morte, na reunião anual da Associação Psicológica Americana de 1981,
<personname w:st="on" productid="em Los Angeles">em Los Angeles</personname>, ele relatou as pesquisas que iniciara depois de ter completado a investigação descrita. Explicou o Dr. Sabom que, embora a princípio estivesse primordialmente interessados pelos pacientes cardíacos nos hospitais em que trabalhava, não tardou a começar a colher informações de outras fontes. O que o impressionou singularmente, à medida que colhia informações sobre um número de casos cada vez maior, foi como alguns de seus pacientes cardíacos, assim como outros, assistiam realmente às operações a que eram submetidos e/ou ressurreições, durante sua experiência fora-do-corpo (FDC). Impressionou-o o fato de muitos de tais informantes terem visto e descrito minuciosamente muitos fatos que estavam além do conhecimento médico ao leigo
<personname w:st="on" productid="em geral. A">em geral. A</personname> partir de então, o Dr. Sabom começou a publicar relatos de vários outros casos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Um dos relatos diz respeito a um vigia noturno de 52 anos, no norte da Flórida, que apresentava sérios distúrbios cardíacos e foi internado no centro médico da Universidade da Flórida em novembro de 1977, para exames e subseqüente cirurgia. O Dr. Sabom ainda se encontrava estagiando no hospital naquela ocasião, e pôde acompanhar de perto o incidente. O paciente sofreu uma experiência PDM durante uma operação anterior e uma segunda em janeiro de 1978, durante a cirurgia de coração aberto.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A experiência do vigia foi típica. Segundo contou, perdeu a consciência depois de anestesiado, e recuperou-a durante a operação, que passou a ver, mas de um ponto situado a cerca de <metricconverter w:st="on" productid="60 cent?metros">60 centímetros</metricconverter> acima de seu corpo. Esse ponto privilegiado lhe permitiu ver tudo que estava acontecendo. Falou ele sobre a sensação de ser “<i style="mso-bidi-font-style: normal">como que uma outra pessoa na sala</i>” e ver os dois médicos operando o seu próprio corpo e o costurando, depois de terminada a intervenção. Sua perspectiva <i style="mso-bidi-font-style: normal">sui generis</i> também lhe possibilitou fazer pormenorizadas observações sobre a própria cirurgia. Viu os médicos enfiarem uma seringa no coração, por duas vezes. Notou também que a sua cabeça estava coberta por um lençol, e ficou surpreendido ao ver quanto era difusa a luz da sala.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O vigia noturno também se mostrou surpreso com o aspecto do coração e de como ele se mostrava durante a intervenção cirúrgica.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">“<i style="mso-bidi-font-style: normal">Tinham instrumentos de todas as espécies fincados na abertura</i>” lembrou, quando Sabom o entrevistou&#8230; </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Acho que se chamam grampos, grampeado por toda a parte. Fiqu admirado, porque pensava que devia haver sangue por toda a parte, na verdade, não havia muito sangue&#8230; E o coração não é como pensei que fosse. É grande. E isso depois que o médico já tinha tirado uns pedacinhos dele. Não tem a forma que pensei que tinha. Meu coração tem uma forma parecida com a do continente africano, largo em cima e afinado para baixo. Em forma de feijão, eis outro modo de descrevê-lo&#8230; Talvez o meu tenha um formato esquisito&#8230; (A superfície) era cor-de-rosa e amarela. Achei que a zona amarela fosse o tecido gorduroso ou coisa semelhante. Uma zona geral para a direita ou esquerda era mais escura que o resto, em vez de ser da mesma cor.</i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O paciente se interessou em observar a cirurgia com coração aberto e ouviu os médicos discutindo os processos que estavam prevendo ou executando. Discutiram acerca de um desvio, examinaram um vaso superdilatado, e até mesmo torceram o coração, para examiná-lo mais facilmente. O paciente chegou a notar que um dos médicos estava calçando um determinado tipo de sapatos e que outro tinha uma manchinha de sangue embaixo da unha.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O Dr. Sabom ficou tão intrigado com esse relato e com a sua entrevista em geral, que foi consultar o arquivo e leu o relatório do cirurgião sobre a operação. Verificou que a descrição do paciente constituía uma descrição, espantosamente exata para um leigo, dos processos realmente usados durante a intervenção cirúrgica. Fora usado um retrator auto-retentor, o paciente era portador de um aneurisma que descolorira parte do seu coração, que fora revirado durante a operação. Mesmo a seringa que tinha sido inserida desempenhou um papel na operação. Tinha sido usada para retirar ar do coração&#8230; e por duas vezes.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O que mais impressionou o médico da Geórgia foram os detalhes técnicos incluídos no relato do vigia. Não pareciam, de modo algum, estarem ao alcance de um leigo inculto, e isso constituía um indício de que a experiência perto-da-morte representava um fenômeno mais significativo do que a maior parte dos médicos admitia até então. A curiosidade do Dr. Sabom se aguçou ainda mais quando ele acompanhou o caso de uma mulher do Estado de Missouri, que fora submetida a uma cirurgia em um disco lombar, em 1972. Também ela assistira à sua operação, quando se encontrava fora do corpo, e mais tarde a descreveu minuciosamente. O mais interessante nesse caso é que a paciente viu o chefe da equipe de cirurgia fazendo a operação, quando pensava que seria o seu médico-assistente. Somente mais tarde ela ficou sabendo que o cirurgião-chefe dirigira a operação e, embora nunca o tivesse visto antes, ela o reconheceu imediatamente, quando o viu durante a convalescença.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Diante de tais fatos, o Dr. Sabom se dedicou entusiasticamente a estudar os relatos de experiências PDM, nas quais os sobreviventes descreviam os processos médicos usados durante a operação e a ressurreição. Esses relatos vinham primordialmente de cardíacos, uma vez que a especialidade do Dr. Sabom era a cardiologia. Na opinião daquele médico, se tais observações se mostrassem corretas, aqueles casos especialíssimos serviriam para documentar a existência, autenticidade e natureza psíquica da experiência perto-da-morte. O cardiologista conseguiu, até agora, recolher trinta e dois casos de indivíduos que viram o seu próprio corpo perto-da-morte, e seis vítimas de paradas cardíacas em particular apresentaram específicos e exatos detalhes acerca de suas ressurreições. O número não é grande, mas a importância do fato reside na qualidade dos casos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Um dos casos investigados pelo Dr. Sabom foi o de uma dona-de-casa de 60 anos, que fora hospitalizada com problemas na coluna vertebral. Estava sentada na cama, quando teve um ataque cardíaco e perdeu os sentidos. Voltando à consciência apenas alguns momentos depois, ela se viu ao lado de seu próprio leito e contemplando os esforços que estavam sendo feitos para revivê-la. Uma enfermeira correu até junto do seu corpo inerte, e uma turma de médicos passou a socorrê-la, batendo-lhe no peito, introduzindo um I.V. (equipamento intravenoso), aplicando uma injeção, tomando o pulso e examinando os olhos. Enquanto fora do corpo, a paciente também prestou atenção no equipamento usado pelos médicos. Viu o que chamou de <i style="mso-bidi-font-style: normal">máquina de respirar</i>, assim como um carrinho com “<i style="mso-bidi-font-style: normal">uma porção de coisas em cima</i>”. Esse carrinho ficou junto do equipamento I.V. Também ouviu um médico dizer à enfermeira que ela devia ser levada para a U. T. I. (Unidade de Tratamento Intensivo), e viu os seus pertences serem retirados das gavetas e colocados em sacolas e malas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Quando afinal o Dr. Sabom conseguiu entrevistar a mulher em questão, interessou-se principalmente pela descrição do carrinho de equipamentos feito pela paciente e perguntou se os médicos tinham tirado dele alguns instrumentos. A mulher respondeu que não, mas acrescentou: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">a máquina de respirar puseram em meu rosto. É um troço em forma de cone, que ficou em cima de meu nariz. Não deixaram muito tempo, mas tiraram logo. Acho que pensaram que era inútil</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A fim de confirmar a experiência da paciente, o Dr. Sabom entrou em contacto com o hospital onde ela fora tratada e leu o relatório sobre a emergência, que confirmou tudo que a mulher dissera, embora ela jamais tivesse tido acesso aos arquivos do hospital. A conclusão do pesquisador foi a de que a descrição da ressurreição cardíaca tinha sido extremamente realista do ponto de vista médico: o funcionamento do I.V., a massagem cardíaca externa, a administração de oxigênio por meio da máscara, a verificação das pulsações da carótida e a reação pupilar, e a coleta e registro dos objetos pessoais. Sabom, porém, não parou ali. Teve curiosidade de verificar a informação da testemunha de que tomara uma injeção no começo da tentativa de recuperação. O registro do hospital também anotara tal fato. Fora aplicada à paciente uma injeção de glicose concentrada, diante da possibilidade de ter ela entrado em coma em conseqüência de deficiência de açúcar no sangue.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O Dr. Sabom recebeu uma descrição ainda mais impressionante ressuscitação de um lavrador de 46 anos, de uma cidadezinha da Geórgia, vítima de parada cardíaca. Ele teve uma parada cardíaca durante um ataque do coração que sofreu em janeiro de 1978. Estava hospitalizado na ocasião, de modo que se encontrava em perfeitas condições, durante a experiência perto-da-morte, de observar as providências que foram tomadas para salvar a sua vida. Sabom o entrevistou em janeiro de 1979, quando os acontecimentos ainda estavam claros em sua memória. O paciente lembrava vivamente, não somente da experiência PDM, como dos acontecimentos que a provocaram.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">— <i style="mso-bidi-font-style: normal">Senti-me mal</i> — contou ao cardiologista, no começo da conversa — <i style="mso-bidi-font-style: normal">Desci da cama e fiquei de pé junto dela, e isso é a última coisa que me lembro, até ficar flutuando junto do teto</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O paciente se viu, então, deitado na cama. Ao lado do leito se encontravam o médico, sua mulher e uma terceira pessoa que não reconheceu. Sua esposa estava chorando, mas a atenção do lavrador logo se voltou para os esforços que estavam sendo feitos para salvá-lo. Passivamente, viu uma enfermeira com uma máquina para conter a fibrilação, que colocou nele “umas coisas que dão choque”, como se referiu às almofadas da máquina. Depois, o corpo saltou quase <metricconverter w:st="on" productid="30 cm">30 cm</metricconverter>, quando a carga elétrica se fez sentir, e o choque fez abortar a sua experiência fora-do-corpo. Ele teve a impressão de que estava sendo forçado a voltar para o seu corpo e metido à força dentro dele.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Depois de ouvir esse breve relato, o Dr. Sabom insistiu com o informante para que fornecesse mais detalhes acerca do uso das almofadas da máquina contra a fibrilação que lhe salvara a vida. A testemunha continuou a explicar como vira a enfermeira esfregar as almofadas depois de pegá-las, e como ligara a corrente elétrica, por meio de um comutador situado do lado direito do aparelho ao qual as almofadas estavam ligadas. Todos tinham sido advertidos para se afastarem, acrescentou.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Mais uma vez, os registros do hospital foram examinados e documentada a veracidade do relato do paciente. O Dr. Sabom ficou particularmente impressionado com a descrição que ele fez das almofadas para combater a fibrilação, uma vez que tinham sido descritos certos processos relacionados com o seu uso que somente podiam ser conhecidos por quem tivesse conhecimentos de medicina. As almofadas eram untadas com um lubrificante e rotineiramente esfregadas uma na outra, exatamente como o paciente contou, a fim de que o lubrificante ficasse bem espalhado, facilitando o contacto com a epiderme. O paciente também revelou com exatidão os lugares do seu corpo onde as almofadas tinham sido colocadas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Como o paciente vira a sua esposa chorando no quarto, o Dr. Sabom também a entrevistou, e ela confirmou a versão do marido, contando como o vira vomitar logo antes de ficar inconsciente. Ela só começara a chorar <i style="mso-bidi-font-style: normal">depois</i> que achou que o marido perdera a consciência do que lhe estava acontecendo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A esposa do paciente se mostrou muito impressionada com todo o caso, especialmente quando o seu marido lhe contou tudo que vira, depois de haver, aparentemente, perdido a consciência. O relato do marido, disse ela a Sabom, estava bem de acordo com o que ela própria se lembrava, inclusive das tentativas de salvá-lo, fazendo com que o seu coração batesse de novo. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Verificação da Experiência Perto-da-Morte</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Em face dos casos que estudara, o Dr. Sabom foi se tornando cada vez mais convencido de que a experiência perto-da-morte não podia ser considerada alucinação ou sonho. Por outro lado, porém, se sentia atormentado por uma dúvida. Não estariam aqueles pacientes fantasiando e sonhando com o que seria uma ressurreição cardíaca, baseados em leituras anteriores, programas de televisão ou outros meios de informação sobre o assunto? Tratava-se de uma possibilidade bem real, uma vez que algumas das principais testemunhas já haviam sofrido mais de um ataque cardíaco. Era possível que tivessem adquirido algum conhecimento das técnicas e equipamentos médicos utilizados no caso, em suas internações hospitalares anteriores. A maior parte das testemunhas negou tal conhecimento, mas Sabom não podia, de modo algum, ter certeza de que os cientes não haviam captado as informações, ainda que inconscientemente. </p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A fim de investigar essa possibilidade, o Dr. Sabom realizou um estudo mais esclarecedor. Começou entrevistando veteranos pacientes cardíacos, acerca de seus conhecimentos com as técnicas da reativação do coração. Alguns de tais pacientes haviam sido submetidos a operações de coração aberto ou sofrido ataques cardíacos que implicavam várias formas de tratamento. Assim, a maioria deles tivera pelo menos a oportunidade observar o uso de monitores cardíacos, aparelhos para combater a fibrilação e outros equipamentos semelhantes. Convidou-se cada paciente a imaginar que estava assistindo a um tratamento de vítimas de parada cardíaca e descrevê-lo, da maneira mais pormenorizada que fosse possível. As entrevistas foram gravadas e depois analisadas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os resultados foram arrasadores. <i style="mso-bidi-font-style: normal">Quase todos os pacientes cardíacos desconheciam os processos</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O erro mais comum era a crença alimentada pelos pacientes de que era tentada a respiração boca-a-boca. Esse recurso, na verdade, raramente é tentado nos hospitais, que contam com métodos mais eficientes de respiração artificial. Os pacientes em geral também não sabiam descrever como se processava a passagem de ar da vítima para facilitar a respiração e se mostravam confusos acerca da maneira com que é feita a massagem no coração, e como o aparelho para combater a fibrilação é descarregado. Apenas três dos pacientes de Sabom apresentaram descrições aceitáveis do processo de tratamento, mas mesmo nesse caso os conhecimentos técnicos eram limitados. O Dr. Sabom concluiu desse estudo que mesmo os pacientes cardíacos veteranos não têm uma idéia correta do tratamento para as paradas cardíacas. As suas conjecturas eram muito menos corretas do que os relatos dos pacientes que, de fato, tinham assistido àqueles processos durante a sua experiência fora do corpo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Em conseqüência disso, o Dr. Sabom não dá importância à idéia de que as pessoas que passaram pela experiência PDM estão <i style="mso-bidi-font-style: normal">sonhando</i> com as suas ressurreições, devido a contato anterior com as técnicas de reanimação cardíaca. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Deve ser procurada outra explicação para tais fatos</i>” é a sua simples conclusão.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O fato de serem incrivelmente minuciosas as observações de sobreviventes de situações perto-da-morte foi demonstrado por um caso relatado ao Dr. Sabom por um piloto da força aérea reformado, residente na Flórida. O aviador sofreu um sério ataque de coração em 1973 e teve uma parada cardíaca na manhã seguinte, quando estava se recuperando em um hospital. A parada parece ter ocorrido quando o paciente estava dormindo. Sua primeira lembrança do estado perto-da-morte vem de quando se encontrava de pé, ao lado do seu corpo. Um grupo de médicos entrava correndo. A descrição da maneira com que os médicos o fizeram reviver estava repleta de extraordinários pormenores.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">— <i style="mso-bidi-font-style: normal">A primeira coisa que fizeram</i> — contou o aviador — <i style="mso-bidi-font-style: normal">foi dar uma injeção no I.V., o anel de borracha que usam para a compressão. Recebi muita lidocatína por meio daquele dispositivo, porque eu tinha uma arritmia. Levantaram-me e me colocaram na prancha. Foi então que (o médco) começou a fazer massagem no meu peito, e não machucou, embora quebrasse uma costela. Não senti dor. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Depois, veio a administração de oxigênio, que o paciente acompanhou, vendo e ouvindo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">—<span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160; </span><i style="mso-bidi-font-style: normal">Primeiro </i>— continuou o piloto — <i style="mso-bidi-font-style: normal">me deram oxigênio com aqueles tubinhos no nariz, depois os tiraram e puseram uma máscara, que cobre a boca e o nariz. Um troço com pressão. Eu me lembro que, em vez de estar lá o oxigênio, o troço estava assoviando como se estivesse sob pressão. Parece que alguém ficou segurando o troço a maior parte do tempo</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O paciente descreveu ainda a máscara como “<i style="mso-bidi-font-style: normal">uma espécie de máscara de plástico de cor verde-clara</i>”. Estava presa ao tubo que levava o oxigênio. Ele também se lembrava do aparelho para combater a fibrilação e como olhou para o seu medidor com toda a atenção. O medidor, explicou, era quadrado, com dois ponteiros. Um ficava em uma posição fixa, colocada pela enfermeira, enquanto o outro subia e descia na escala. O segundo ponteiro “<i style="mso-bidi-font-style: normal">parecia subir bem devagar</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">—<span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160; </span><i style="mso-bidi-font-style: normal">Não subia depressa como um amperímetro ou um voltímetro</i> — explicou o aviador. — <i style="mso-bidi-font-style: normal">O outro ponteiro permaneceu parado durante as tentativas para reativar o coração</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O paciente também descreveu que o ponteiro subia cada vez mais no medidor, antes que os sucessivos choques elétricos tivessem sido aplicados ao corpo. Concluiu apresentando uma minuciosa descrição do aparelho para combater a fibrilação e dos métodos específicos usados para a aplicação de suas almofadas ao corpo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Não somente a descrição dos processos de reanimação do coração foi extremamente correta, como foi impressionante a sua precisão ao falar dos ponteiros, sem dúvida alguma fora do alcance de quem não tivesse conhecimento direto do aparelho. De fato, as máquinas usadas na década de 1970 tinham dois ponteiros em seus marcadores. Um deles ficava imóvel, porquanto era usado para pré-selecionar a quantidade de eletricidade descarregada no paciente. O outro ponteiro indicava que a máquina estava sendo carregada para alcançar a quantidade pré-escolhida, e, assim, se pouco a pouco para cima. Tais máquinas foram hoje substituídas por modelos mais modernos, mas a reconstituição feita pelo piloto estava perfeitamente de acordo com a máquina usada naquele tempo para o tratamento da parada cardíaca.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Teria, porém, o piloto visto um daqueles instrumentos em funcionamento em alguma ocasião anterior? O paciente negou que conhecesse antes o aparelho, e Sabom ficou muito impressionado com o fato de não atribuir o aviador grande importância à sua experiência. Até hoje, ele insiste que nada há de extraordinário naquilo!</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">— <i style="mso-bidi-font-style: normal">Não mudei as minhas idéias acerca da vida, da morte, do além ou de qualquer outra coisa</i> — disse ele ao Dr. Sabom.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Uma vez que o ex-piloto da força aérea não tinha interesse em usar a sua experiência para provar coisa alguma, é improvável que estivesse mentindo deliberadamente para se mostrar particularmente impressionante.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os casos resumidos neste capítulo representam apenas alguns poucos de muitos incidentes semelhantes que o Dr. Sabom recolheu. Poderiam ser citados mais casos, alguns deles com minuciosidade, mas diferem muito pouco dos que já foram aqui mencionados. Todos esses incidentes levam à conclusão de que as pessoas que passaram pela experiência perto-da-morte, durante uma parada cardíaca — ou qualquer outra situação de emergência médica — ficam realmente cientes do que lhes está acontecendo, tomam conhecimento dos processos utilizados para revivê-las e do que dizem os médicos durante a intervenção. Pesquisas subseqüentes feitas pelo Dr. Sabom e seus colegas também demonstraram que o nível técnico do que viram e ouviram é bem superior ao nível elementar de informação que a maioria das pessoas tem sobre as técnicas padronizadas usadas no tratamento das paradas cardíacas. Parece haver pouca dúvida de que a investigação do Dr. Sabom é, provavelmente, a mais importante linha de provas que a experiência perto-da-morte não pode ser atribuída a anormalidades cerebrais, alucinações resultantes da falta de oxigênio no cérebro ou a alguma obscura anormalidade psicológica. O Dr. Sabom também rejeita possibilidade de tais relatos serem atribuídos a criações subconscientes, liberações <i style="mso-bidi-font-style: normal">endórficas</i> do cérebro, pressão sobre o lobo temporal, ou outras causas fisiológicas. Tudo indica que aqueles eventos são o que parecem ser: a consciência se afasta do corpo, em conseqüência do choque da morte.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Assim, pode a experiência perto-da-morte representar realmente a primeira fase da libertação da alma, saindo do corpo?</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Como <i style="mso-bidi-font-style: normal">médico</i> e <i style="mso-bidi-font-style: normal">cientista</i>, Sabom conclui em seu livro <i style="mso-bidi-font-style: normal">Recollections of Death:</i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">&#8230; Não posso, naturalmente, afirmar que a experiência perto-da-morte indique o que se dá no momento da morte final do corpo. As experiências ocorreram nos momentos de declínio da vida. As pessoas que as relataram não foram trazidas de volta da morte, mas salvas em um ponto muito perto da morte. Assim sendo, a rigor, tais experiências são com a proximidade da morte, e não com a própria morte. Como suspeito que a experiência PDM é o reflexo de uma separação entre a mente e o cérebro, não posso deixar de indagar por que tal separação ocorre em um ponto perto-da-morte. Poderia a mente, que se separa do cérebro físico, ser, em essência, a alma que continua a existir depois da morte do corpo, de acordo com algumas doutrinas religiosas?</i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Mais Luz Sobre a Experiência Perto-da-Morte</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Um estudo semelhante foi recentemente empreendido pelo Dr. Kenneth Ring, da Universidade de Connecticut. Durante um período de mais de dois anos, Ring entrevistou 102 sobreviventes de casos perto-da-morte. Duirante esse trabalho, o pesquisador, do mesmo modo que o Dr. Sabom, esperava descobrir se os dados de Moody eram corretos, e ver se poderia determinar <i style="mso-bidi-font-style: normal">como</i> uma pessoa que passou pela experiência a reproduz. Inicialmente, ele constatou que 41 por cento dos entrevistados apresentavam a reação PDM clássica. Mas também notou que o conteúdo de tais experiências ocorria de maneira progressivamente <i style="mso-bidi-font-style: normal">declinante</i>. Expliquemo-nos. Para a finalidade de sua pesquisa, Ring classificava a experiência PDM como contendo cinco elementos <i style="mso-bidi-font-style: normal">centrais</i>. Esses elementos consistiam em: (1) sensação de paz no começo do encontro, (2) sensação de que saiu do corpo, (3) entrada na escuridão, (4) visão de uma luz, (5) entrada na luz. Ring considerou-os como as fases da experiência. Foi classificando os relatos de acordo com essas fases, que ele descobriu uma progressão declinante no fenômeno. Assim, por exemplo, 60 por cento das testemunhas experimentavam uma sensação de <i style="mso-bidi-font-style: normal">paz </i>por ocasião da morte, ao passo que apenas 40 por cento experimentavam a sensação de sair do corpo. E somente de <metricconverter w:st="on" productid="10 a">10 a</metricconverter> 15 por cento percebiam uma luz ou nela penetravam, quando viajavam para o além. Isso parecia indicar que, quanto mais per pessoa chega da morte, tantas mais fases atravessa.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Ring também descobriu que há ligeiras diferenças entre as experiências PDM e a maneira com que a pessoa morre, ou mesmo experimenta a sensação PDM. As vítimas de enfermidades parecem mais inclinadas a experimentar a sensação PDM, ao passo que as vítimas de acidentes estão na outra categoria. As tentativas de suicídio são as mais prováveis de provocar a sensação PDM. As pessoas que passam por violentas manifestações PDM são as que experimentam com mais freqüência uma <i style="mso-bidi-font-style: normal">real lembrança panorâmica</i> da vida. Ring também fez a fascinante descoberta que as pessoas que se consideram religiosas não estão mais sujeitas a experimentar a sensação PDM do que as agnósticas!</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Tanto o Dr. Ring como o Dr. Sabom mostraram, com os seus escritos, que os dados que coletaram não somente confirmam as descobertas iniciais de Moody, como demonstram a probabilidade de que haja uma vida depois da morte. Trata-se de uma sensacional conclusão que movimentou muitos membros do mundo médico. No entanto, até mesmo as cuidadosas pesquisas realizadas por médicos altamente qualificados não passaram sem contestação. Há ainda várias questões que têm de ser resolvidas, antes que as descobertas de Ring, Sabom e Moody possam servir de prova da existência de uma vida no além. A principal dessas é que não há um meio de determinar se as pessoas que entrevistaram estiveram realmente mortas. É extremamente difícil precisar o momento exato da morte. O fato de tais pessoas terem sobrevivido pode indicar, em primeiro gar, que elas não estiveram realmente tão perto da morte. A expressão <i style="mso-bidi-font-style: normal">morte clínica</i> é, de certo modo, impressionista, e não precisa. Aplica-se, em via de regra, aos indivíduos cujo coração parou momentaneamente no decorrer de operações ou em conseqüência de ataques cardíacos. Trata-se, porém, de um critério questionável para se basear um diagnóstico de <i style="mso-bidi-font-style: normal">morte</i>. </p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Um critério mais rigoroso é o exame das ondas cerebrais. O cérebro de um indivíduo que acabou de morrer não produz qualquer atividade elétrica. Submetido a um exame eletroencefalográfico, tal indivíduo não apresentaria ondas cerebrais. Infelizmente, poucas das vítimas da morte clínica são submetidas a tal exame.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os críticos também salientam que, quando o paciente se aproxima da morte, é muito possível que seja atacado de <i style="mso-bidi-font-style: normal">anoxia</i> — falta de oxigênio no cérebro. Esse estado causa alucinações, e pode provocar a experiência perto-da-morte. O fenômeno poderia, portanto, não passar de uma alucinação momentânea, nada tendo a ver com a questão da vida e da morte. </p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Essas duas objeções — que não sabemos se as testemunhas PDM estavam realmente mortas e se a experiência foi provocada pela anoxia — são extremamente difíceis de serem refutadas. Em maio de 1979, no entanto, a Associação Internacional de Estudos Perto-da-Morte anunciou ter encontrado un médico em Denver que coligira dados suficientes para demolir ambas aquelas objeções! Essa nova prova mostra que a experiência perto-da-morte é, de fato, uma verdadeira separação entre a mente e o corpo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O Dr. Fred Schoonmaker, cardiologista-chefe do Hospital St. Luke, se interessava pelo problema perto-da-morte desde 1961. Somente em 1979, porém, ele apresentou os dados. Nesse meio tempo, estudara bem mais de 1.000 casos de morte clínica no decorrer de sua prática, e constatou que 60 por cento dos pacientes que tinham tido morte clínica em conseqüência de paradas cardíacas relataram a experiência PDM. Embora não tivesse tentado fazer uma avaliação formal daqueles dados, e não tivesse seguido nenhum método científico ao coligi-los, o Dr. Schoonmaker coligira cuidadosamente o máximo possível de informações médicas e descritivas. Tais dados representam a melhor informação médica sobre o assunto já coligida. Em muitos casos, as testemunhas de Schoonmaker foram tratadas por um grande conjunto de dispositivos fisiológicos na ocasião em que passaram pela experiência PDM. O médico de Denver reunira vários relatos de PDM que tinham ocorrido em ocasiões em que podia ser cientificamente demonstrado que não havia falta de oxigênio indo para o cérebro. Também estudou pacientes que tinham tido morte clínica quando submetidos ao eletroencefalograma e recolhera 55 casos nos quais os pacientes que tinham apresentado <i style="mso-bidi-font-style: normal">eletroencefalograma plano</i>, isto é, ausência de atividade elétrica no cérebro, e que relataram experiência PDM. De acordo com todos os critérios médicos, aqueles indivíduos se encontravam irreversivelmente mortos, por ocasião de suas experiências. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">O Problema das Experiências Perto-da-Morte Negativas</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Embora vários investigadores tenham repetido as experiências de Moody, nem todos anunciaram dados semelhantes. Um dos investigadores que apresentou relatos diferentes é o Dr. Maurice Rawlings, cardiologista do Estado de Tennessee, que colheu várias informações sobre experiências perto-da-morte de todo diferentes do tipo de episódios pacíficos, agradáveis, transcendentais, anunciados por Moody, Sabom e Ring. Alguns dos relatos do cardiologista são de experiências terríveis, o que levou Rawlings, um devoto cristão, a acreditar que eles mostram a real existência do inferno.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Rawlings encontrou pela primeira vez esse tipo de experiência perto-da-morte quando estava tentanto reviver um de seus pacientes que sofrera uma parada cardíaca. O paciente começou a gritar que estava no inferno. Desde então, Rawlings colecionou muitos exemplos de experiências PDM infernais. Uma de suas correspondentes, por exemplo, experimentou tal sensação depois de um ataque do coração. Eis o que ela contou ao médico: </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Lembro-me que fiquei sem ar e depois devo ter desmaiado. Em seguida, me lembro que estava entrando em uma sala escura e vi em uma das janelas um gigante enorme, com um rosto grotesco, que estava me espiando. Em torno da janela corriam pigmeus ou elfos, que pareciam estar com o gigante. O gigante me chamou para ir até junto dele. Eu não queria, mas tive de ir. Fora, estava escuro, mas pude ouvir o choro de pessoas em torno de mim. Sentia coisas se movendo em torno dos meus pés. Enquanto andávamos por aquele túnel ou porão, as coisas iam ficando pior. Lembro-me que comecei a chorar. Depois, não sei porque, o gigante me soltou e me mandou voltar. Senti que estava sendo poupada. Não sei por quê. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Depois me lembro de estar no leito do hospital. O médico me perguntou se eu usava drogas. Disse-lhe que não tinha aquele hábito e que o caso era verdadeiro. Ele mudou toda a minha vida.</i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Em seu livro <i style="mso-bidi-font-style: normal">Beyond Death’s Door</i> (Além da Porta da Morte), Rawlings informa que uma quinta parte dos pacientes ressuscitados após uma parada cardíaca relatava experiências PDM desagradáveis. Muitos deles se esquecem da experiência, acrescenta. Devido a essa experiência pessoal, Rawlings se mostra extremamente crítico em relação aos outros investigadores da vida-após-a-vida. Na sua opinião, a maior parte das pessoas que têm uma experiência PDM desagradável bloqueia em sua mente a lembrança da mesma. Como a maior parte dos investigadores só entrevista as testemunhas semanas, ou mesmo meses, depois de suas mortes clínicas, Rawlings acredita que os seus dados sejam suspeitos. Acha que os seus próprios dados são mais objetivos e completos, uma vez que, como cardiologista atuante, podia coligir os dados tão logo os pacientes se recuperavam.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Rawlings, por sua vez, tem sido criticado por outros pesquisadores, que argumentam que as suas experiências <i style="mso-bidi-font-style: normal">infernais</i> são na realidade manipuladas, alucinações produzidas pela mente das testemunhas como reação à violenta agressão física, como as pancadas no peito e o estímulo elétrico, que faz parte das técnicas normais de ressurreição. </p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">De qualquer maneira, os dados de Rawlings não podem ser desprezados em mais ou menos. O Dr. Charles Garfield, psicólogo do Instituto de Pesquisas do Câncer da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia,
<personname w:st="on" productid="em S?o Francisco">em São Francisco</personname>, também tem recolhido dados indicando que a morte nem sempre é uma experiência agradável. O Dr. Garfield estudou 173 pacientes terminais de câncer, alguns dos quais tiveram experiências muito desagradáveis quando se aproximavam da morte. Embora muitos diziam ter ouvido uma música celestial e visto uma forte luz, outros diziam ter visto figuras demoníacas e imagens de pesadelo. Em conseqüência, Garfield concluiu que nem todo o mundo experimenta uma morte tranqüila e resignada. Ao contrário de muitos outros pesquisadores do PDM, contudo, ele não acredita que a experiência indique necessariamente que iremos invariavelmente sobreviver à morte. Na sua opinião, tudo não passa de visões que ocorrem quando se entra em um estado alterado de consciência. Esses estados mentais podem pouco ter a ver com o processo físico da morte.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Não se pode deixar de concordar com o Dr. Garfield, quando ele diz que o estudo da experiência PDM de modo algum é claro e definitivo. Por outro lado, as experiências desagradáveis observadas por Garfield e Rawlings parecem anômalas mesmo em comparação com os dados colhidos por eles próprios, além de não serem mencionadas de modo algum por outros pesquisadores. E nem podem necessariamente servir de prova contra a crença na vida após a morte. Muitos mestres espíritas e religiosos ensinam que pode haver diferentes <i style="mso-bidi-font-style: normal">planos</i> no além, alguns dos quais são mais inóspitos do que os outros. Talvez algumas poucas pessoas desventuradas tenham entrado em contacto com os planos inferiores, acerca dos quais místicos como Emmanuel Swedenborg já falavam no século XVIII.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O que é interessante é que tantos médicos e cientistas — Garfield é exceção — tenham saído de suas pesquisas acreditando em uma vida depois da morte, mesmo que não tenham iniciado o estudo do fenômeno PDM com tal intuito. O estudo da experiência PDM poderá muito bem ser a disciplina que finalmente unirá a ciência e a religião em uma causa comum.</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span></p>
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		<title>A Vida Depois da Morte, de Scott Rogo (1986) &#8211; Cap&#237;tulo 2</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Apr 2013 16:41:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Neste capítulo Rogo cita o caso impressionante do psíquico Ingo Swann, que descreveu com incrível precisão – em condições controladas – figuras que supostamente estariam inacessíveris aos seus sentidos comuns. Swann infelizmente morreu em 31 de janeiro desse ano (2013), mas até sua morte participou de diversos experimentos científicos com grande sucesso. Jamais foi pego [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Neste capítulo Rogo cita o caso impressionante do psíquico Ingo Swann, que descreveu com incrível precisão – em condições controladas – figuras que supostamente estariam inacessíveris aos seus sentidos comuns. Swann infelizmente morreu em 31 de janeiro desse ano (2013), mas até sua morte participou de diversos experimentos científicos com grande sucesso. Jamais foi pego em fraude em décadas de pesquisas. O capítulo também aborda os casos de Miss Z e de Keith Harary. </p>
<p><span id="more-1594"></span>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="font-size: 20pt">2</span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal">&#160;</b></p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="font-size: 20pt">A Mente Fora do Corpo</span></b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O seguinte relato foi escrito em 1965 por um jovem da Califórnia: </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Certo dia, no verão de 1965, cheguei de um curso de verão e, como de hábito, deitei-me na cama e tirei os sapatos. Era um desses dias muito quentes, em que as moscas ficam zumbindo ao redor da gente, e procurei cochilar um pouco. Quando me deitei, porém, uma estranha sensação me dominou. Percebi que não podia me mover e que o meu corpo todo estava tremendo, como se carregado de uma corrente elétrica. Depois, tive a impressão de estar flutuando. Fechei os olhos, a fim de fluir com a sensação e, dentro de dois segundos, senti-me flutuando acima do meu corpo. Não podia ver claramente, embora tudo no quarto parecesse envolto em uma névoa cor-de-rosa. Logo que compreendi que estava inteiramente fora do meu corpo, me vi de pé, junto de minha casa. Tentei caminhar até a porta, mas não consegui. Tremi por algum tempo e, momentos depois, me vi de novo em minha cama.</i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Na ocasião, o jovem pensou que havia passado por uma experiência verdadeiramente <i style="mso-bidi-font-style: normal">sui generis</i>. Estava enganado, pois milhares de pessoas têm experimentado a mesma coisa. Alguns experimentam a sensação quando doentes ou perto da morte, enquanto com outros ela ocorre quando caem de uma bicicleta, são atropelados ou sofrem outros acidentes que põem a vida
<personname w:st="on" productid="em perigo. Por">em perigo. Por</personname> outro lado, algumas poucas pessoas (como o jovem a que acabamos de nos referir) experimentam a sensação sem qualquer agente catalisador. Simplesmente lhes <i style="mso-bidi-font-style: normal">acontece</i> tal coisa, quando estão descansando ou repousando. Trata-se, porém,de uma experiência que jamais será esquecida por quem passou por ela. Pesquisas recentes indicam que a maior parte das pessoas que experimentaram tal sensação a acha agradável e gostaria de experimentá-la de novo. É, também, uma experiência muito comum, e inquéritos realizados recentemente, tanto nos Estados Unid como na Inglaterra, indicam que uma de cada cinco pessoas experimentará sensação semelhante em sua vida. Poucas pessoas, contado, se mostram capazes de se tornarem aptas a <i style="mso-bidi-font-style: normal">deixarem o corpo</i> à sua vontade.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Tais pessoas existem, no entanto, e, nos últimos anos, vários parapsicólogos de destaque as têm vivamente convidado a provar suas qualidades em laboratório.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Quando o Dr. Garden Murphy se dirigiu à justiça de Arizona, no processo de Kidd, em 6 de junho de 1967, trouxe à baila o assunto da experiência de <i style="mso-bidi-font-style: normal">saída do corpo</i>. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Trata-se de experiências — explicou — que ordinariamente duram poucos minutos, às vezes horas, nas quais uma pessoa, em via de regra adormecida ou em estado de coma, tem a impressão de sair do seu corpo, andar às vezes até milhas de distância do mesmo, podendo olhar para trás e ver a casa em que o corpo se encontra&#8230;</i>”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Acrescentou o psicólogo que, “<i style="mso-bidi-font-style: normal">em tais condições, o indivíduo é realmente visto por outros. Há alguns poucos casos em que a experiência acarreta a visibilidade para outro indivíduo, que vê a pessoa, não onde seu corpo se encontra no leito de enfermo, mas fora, ao ar livre</i>”. O Dr. Murphy ficou intrigado com esses relatos. Sugeriu que a presença fora do corpo talvez produzisse alguma espécie de efeito material no ponto de sua projeção, e que tal fenômeno poderia concorrer para a solução do problema da sobrevivência. Demonstraria, com efeito, que possuímos alguns aspectos da mente que podem deixar o corpo existir separado deles. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image0022.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image002_thumb2.jpg" width="507" height="249" v:shapes="_x0000_i1025" /></a></p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-size: 10pt">O corpo astral deixando o corpo físico, de acordo com os relatos de Sylvan Muldoon sobre as suas experiências fora do corpo. (Biblioteca Mary Evans)</span></i><span style="font-size: 10pt"></span>
</p>
</p>
<p> <span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">   <br style="page-break-before: always" clear="all" /></span>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Esse ponto de vista era de há muito defendido pelos partidários da teoria da sobrevivência. Parece lógico concluir que, se a mente pode funcionar afastada do corpo durante certo tempo, também poderia ser capaz de funcionar fora dele <i style="mso-bidi-font-style: normal">permanentemente</i>. Por isso é que alguns pesquisadores se interessam pela experiência fora do corpo, certos de que o estudo desse fenômeno é de suma importância para o problema da sobrevivência. Os dados apresentados no capítulo anterior demonstram a imensa dificuldade de se mostrar que os mortos podem entrar em contacto com os vivos diretamente. As experiências fora do corpo nos oferecem a possibilidade de resolver o problema da sobrevivência, mostrando que os vivos possuem a capacidade inata de sobreviverem ao choque da morte.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">É por isso que a pesquisa da natureza das experiências da mente fora do corpo se tornaram de importância primordial na questão da sobrevivência. A chave da questão em jogo é muito simples: A <i style="mso-bidi-font-style: normal">saída para fora do corpo</i> é uma forma <i style="mso-bidi-font-style: normal">verdadeira</i> de fenômeno psíquico? E, se assim é, algo realmente objetivo ou identificável deixa, de fato, o corpo durante a experiência? Provadas essas duas possibilidades, chega-se automaticamente à conclusão de que a experiência fora do corpo será afinal usada para sobrepujar a morte. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Experiências fora do Corpo</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os parapsicólogos têm se interessado pelas experiências fora do corpo desde o tempo de F.W.H. Myers, mas apenas há bem poucos anos a atenção se voltou para a exploração dos seus parâmetros. O tópico jamais se tornou o ponto focai de um sério esforço investigativo, porque não se quadrava perfeitamente na concepção <i style="mso-bidi-font-style: normal">severa </i>da parapsicologia adotada na década de 1930. Os pesquisadores induziam <i style="mso-bidi-font-style: normal">saídas do corpo</i> em seus examinados através da hipnose e tentavam fazer com que seus corpos astrais liberados produzissem ruídos ou afetassem balanças muito sensíveis. Tentaram mesmo fotografar a <i style="mso-bidi-font-style: normal">duplicata</i> humana. Foi alcançado considerável sucesso, mas é muito difícil avaliar hoje tal pesquisa. A primeira tentativa de estudar o fenômeno cientificamente, mais recentemente, ocorreu em 1965, quando o Dr. Charles Tart, psicólogo da Universidade da Califórnia, em Davis, voltou sua atenção para o assunto. Seu interesse surgiu quando uma jovem o procurou, dizendo que experimentava a sensação de sair do seu corpo durante a noite. A reação de Tart foi sugerir que ela cortasse alguns pedacinhos de papel, escrevesse números neles, colocasse-os em uma caixinha, os misturasse bem e, antes de se deitar, pegasse um deles, sem olhar o número nele escrito, e o colocasse em um lugar do quarto fora do alcance de sua vista. Tart explicou-lhe que, para provar a realidade de sua sensação, ela deveria tentar ver o número, quando fora do corpo. Poderia, então, avaliar até que ponto era eficiente a sua visão fora do corpo, e, com isso, documentar a sua experiência.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Quando a moça o procurou de novo, alguns dias depois, informando que fora bem-sucedida, o Dr. Tart ficou ainda mais intrigado. E, dentro em pouco, teve oportunidade de submeter a jovem a uma série de exames em seu laboratório especializado na universidade.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As experiências eram muito simples. Todas as noites, durante quatro dias, Miss Z (como o Dr. Tart a identificou em seu relatório) ia ao laboratório e procurava dormir ali. O laboratório dispunha de um divã, onde Misi Z se deitava, depois de ser ligada a eletrodos, por sua vez ligados a um polígnato, que registrava as ondas cerebrais e outras atividades fisiológicas durante o sono. Uma saliência se estendia da parede, por cima do divã, e cada noite era colocada ali pelo psicólogo um papel onde estava escrito um número de cinco algarismos. Miss Z era instruída para dormir e, durante a noite, se via fora do corpo, flutuava e memorizava o número. Um interfone ligava a câmara do sono a outra sala adjacente, com equipamentos, onde um pesquisador dirigia a experiência, de modo que a jovem pudesse comunicar o número imediatamente.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Nada de interessante aconteceu durante as três primeiras noites, mas a quarta sessão foi coroada de retumbante sucesso. Pouco depois de seis horas da manhã, a paciente chamou no interfone, anunciando que tinha saído do corpo, e disse o número do pesquisador. Citou corretamente todos os cinco algarismos. E mais sugestivo ainda foi o que as ondas cerebrais estavam mostrando naquele momento crítico. O eletroencefalograma revelou que, pouco antes de chamar no interfone, Miss Z saíra do sono normal para um estranho e inclassificável estado <i style="mso-bidi-font-style: normal">letárgico</i>, que não situava exatamente nem no sono nem na vigília. Isso sugeriu ao Dr. Tart que algo mais que uma simples percepção extra-sensorial explicava o sucesso da paciente.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Mais tarde, soube-se que o número na saliência da sala poderia ser lido acendendo-se uma lanterna elétrica e vendo-se o seu reflexo em um relógio que ficava acima dele. Não houve prova, contudo, de que a paciente soubesse daquilo ou levasse uma lanterna elétrica para o laboratório, e é provável que o menor movimento de sua parte afetasse os eletrodos ligados ao seu corpo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">De um modo geral, os parapsicólogos deram pouca atenção ao trabalho do Dr. Tart, que foi formalmente anunciado em 1968. Quando, porém, o legado de Kidd atribuído à Sociedade de Pesquisas Psíquicas (e subseqüentemente à Fundação de Pesquisas Psíquicas), os pesquisadores das duas instituições começaram a reconsiderar o problema da <i style="mso-bidi-font-style: normal">saída do corpo</i>. Talvez seguindo as sugestões do Dr. Murphy, admitissem que poderia ser mais eficiente enfrentar o problema da sobrevivência pesquisando com pessoas vivas do que expandindo os velhos métodos da mediunidade. A questão passa ser a de demonstrar que possuímos a capacidade de sobrevivermos, e não se o contacto com os mortos pode ser estabelecido diretamente.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O resultado disso foi que, nos anos seguintes, ambas as entidades dedicaram muito tempo, energia e dinheiro estudando o problema da experiência fora do corpo (EFC). O objetivo era encontrar um meio de demonstrar que algum aspecto da mente é suscetível de deixar o corpo durante a experiência fora do corpo. Uma vez que tal descoberta poderia ser considerada uma prova da existência da alma, a pesquisa estaria bem dentro do espírito (desculpem o trocadilho) do testamento de Kidd. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Estudos Sobre a Natureza da Visão Fora do Corpo</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As pesquisas sobre o assunto foram iniciadas na Associação Americana de Pesquisas científicas pelo Dr. Karlis Osis, por muito tempo diretor de pesquisas da organização. O Dr. Osis já se interessava antes pelas pesquisas daquela natureza e o dinheiro de Kidd lhe deu a oportunidade de que necessitava para dedicar todo o seu tempo àquele trabalho. Depois de se inteirar do assunto, através de leituras, chegou à conclusão de que o melhor meio de enfrentar o problema seria estudando a natureza da visão fora do corpo. Raciocinou que a <i style="mso-bidi-font-style: normal">vista fora do corpo</i> deveria obedecer aos princípios que regem a visão física, que é muito diferente das vagas e fragmentárias mensagens espíritas. Esperava mostrar que o paciente da EFC poderia ver de maneira muito mais consistente do que seria de se esperar em um paciente no espiritismo. Também esperava provar que a <i style="mso-bidi-font-style: normal">vista</i> na EFC seria <i style="mso-bidi-font-style: normal">limitada</i> pelos fatores que interferem na visão comum. </p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Por sorte, o Dr. Osis não teve de esperar muito tempo antes de poder pôr à prova as suas idéias. A oportunidade surgiu quando começou a experiência com Ingo Swann, um dos mais pitorescos adeptos do espiritismo, há muito tempo residente
<personname w:st="on" productid="em Nova York.">em Nova York.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Ingo Swann é um ex-funcionário das Nações Unidas, louro, bem apessoado, apreciador de um charuto, que se tornou muito conhecido no país por suas qualidades psíquicas. É também um artista profissional. Descobriu que podia sair do corpo quando era criança e foi operado para ablação das amígdalas. Anos mais tarde, já adulto, aprendeu a controlar aquele especialíssimo talento. Verificou que não somente podia projetar um elemento de sua mente completamente fora do corpo, como também continuar, ao mesmo tempo, inteiramente consciente. Para pôr em prática a sua rara qualidade, Swann se limita a sentar-se em uma confortável espreguiçadeira, em via de regra fumando um bom charuto, <i style="mso-bidi-font-style: normal">libera</i> parte de sua mente, e depois, muito à vontade, conta ao pesquisador o que está <i style="mso-bidi-font-style: normal">vendo</i> enquanto a sua mente flutua.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O Dr. Osis e sua assessora Janet Mitchel realizaram uma série completa de experiências com Swann, na Sociedade Americana de Pesquisas Psíquicas, em 1972.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Para os primeiros testes, foi especialmente preparada uma sala na sede da Sociedade. Swann deitava-se na espreguiçadeira, ligado a um polígrafo e era convidado a projetar sua mente para o teto e <i style="mso-bidi-font-style: normal">ler</i> em uma plataforma semelhante a uma caixa nele suspensa. Na caixa eram colocadas duas figuras perto uma da outra, e Swann tinha de olhar para uma delas, descrevê-la e depois <i style="mso-bidi-font-style: normal">girar a plataforma</i> e olhar para a outra figura. Posteriormente era convidado a desenhar o que vira. Foram feitas várias experiências usando o mesmo processo, mas figuras diferentes eram usadas em cada prova.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Não é difícil descobrir a racionalidade de tais testes. Se eram colocados três objetos perto uns dos outros na plataforma, Osis queria saber se Swann via todos eles, e na devida perspectiva de uns com relação aos outros. Osis acreditava que isso mostraria que a EFC é um fenômeno muito diferente da telepatia e da clarividência normais, uma vez que tais qualidades raramente são muito precisas. Tal coisa, ao contrário, mostraria que algo, realmente, <i style="mso-bidi-font-style: normal">sai do corpo</i> durante a experiência.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O mínimo que se pode dizer é que Swann atuou sensacionalmente. Em uma das experiências, ambas as leituras se compunham de formas geométricas. Uma era um coração vermelho invertido, com um abridor de envelope preto colocado por cima, e a outra um olho de boi tricolor com um pedaço cortado. Swann, enquanto fora do corpo, pôde ver e depois desenhou ambas as figuras corretamente. Não confundiu uma com a outra. Seu desenho do olho de boi foi tão preciso, que pôs o pedaço cortado na posição correta. Só cometeu um erro, invertendo a ordem das cores dos anéis que compunham o olho de boi. No caso do coração, ele desenhou uma figura oval, com um objeto semelhante a uma faca ablonga por cima. Também designou as cores corretamente.</p>
<p style="border-bottom: medium none; text-align: center; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 0cm; padding-right: 0cm; border-top: medium none; border-right: medium none; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-padding-alt: 1.0pt 4.0pt 15.0pt 4.0pt" class="MsoNormal" align="center"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image0042.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="clip_image004" border="0" alt="clip_image004" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image004_thumb2.jpg" width="494" height="739" v:shapes="_x0000_i1026" /></a></p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-size: 10pt">O espiritualista americano Ingo Swann obteve espetacular sucesso visitando os alvos (desenhos com números 37 e 40), durante uma viagem fora do corpo, depois desenhando o que vira (ao lado, a traço). (Biblioteca Mary Evans)</span></i></p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Swann também se mostrou capaz de apresentar algumas surpresas por sua própria conta durante aquelas experiências. Osis e seus auxiliares não tardaram a constatar que a visão fora do corpo de Swann podia se mostrar tão precisa que, às vezes, percebia nas figuras certos aspectos que nem eles próprios tinham notado. Swann descreve um desses incidentes em se livro autobiográfico <i style="mso-bidi-font-style: normal">To Kiss Earth Good-Bye</i>. </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Durante a experiência de 3 de março, quando a caixa foi cuidadosamente revestida por dentro com papel branco, a pessoa encarregada fazer a figura inadvertidamente não cobriu as letras impressas do lado de dentro. Essa parte impressa foi vista mas não lida por mim, quando procurei, nervosamente, perceber o que havia na caixa. Depois de ter sido do completada a experiência, mas antes que a caixa fosse descida e examinada, a pessoa encarregada de arrumar a caixa declarou, muito excitada, que a experiência devia ter fracassado, pois não havia matéria impressa na caixa. Revidei, dizendo que eu vira o impresso lá e que portanto ele devia estar lá. Para decepção de todos, quando a caixa foi descida e examinada, lá estava o impresso, exatamente como eu senti que tinha visto.</i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A fim de pôr à prova a relação entre a visão e a visão física, Osis criou um novo teste para os seus pacientes. Mais uma vez, ele esperava mostrar que <i style="mso-bidi-font-style: normal">algo</i> real da mente deixa o corpo durante a experiência. Com a ajuda de alguns dos seus colaboradores, criou um dispositivo denominado <i style="mso-bidi-font-style: normal">caixa de visualização ótica</i>, que consistia em simples caixa preta, montada em uma espécie de estrado. Tinha três pés de altura por dois de largura, e, bem no meio dela, estava aberto um curioso orifício. Quem olhasse para dentro da caixa veria uma roda dividida em quatro segmentos diferentemente coloridos. A caixa se achava também aparelhada com um projetor de <i style="mso-bidi-font-style: normal">slides</i> que, quando ativado, parecia projetar várias imagens em um quadrante escolhido. Digo <i style="mso-bidi-font-style: normal">parecia projetar</i> porque a superposição da imagem na roda era, na realidade, uma ilusão de ótica.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Essa ilusão de ótica constituía, na verdade, a chave de todo o teste. <span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span>Osis acreditava que o paciente, olhando pelo orifício da caixa, quando fora do corpo, deveria ser capaz de ver corretamente a ilusão de ótica, da mesma maneira que poderíamos, se olhássemos para dentro da caixa com os nossos olhos físicos. Acreditava também que a pessoa que se utilizas simplesmente da clarividência para olhar a caixa psiquicamente não perceberia de modo algum a ilusão.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Para o teste da caixa mágica, Osis recrutou outro médium para cobaia, Alex Tanous, um homem de olhos escuros, ar misterioso, ex-professor de teologia em Maine e que se tornou a segunda estrela de Osis no programa da EFC. Ao contrário de Swann, no entanto, Tanous realmente afirma que projeta uma imagem fantasmagórica de si mesmo, e que essa <i style="mso-bidi-font-style: normal">duplicata </i>tem sido vista ocasionalmente por outras pessoas, quando projetada.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A princípio, Tanous fracassou inteiramente no teste da caixa, para grande decepção de Osis, mas foi o próprio Tanous que descobriu qual era problema: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Quando comecei a trabalhar com a caixa ótica</i>”, lembrou mais tarde, “<i style="mso-bidi-font-style: normal">eu não podia ver a imagem objetiva, porque não tinha altura suficiente, ou, pelo menos, o meu outro eu não tinha altura suficiente. O orifício na frente da caixa ótica ficava mais ou menos à altura dos olhos em uma pessoa de estatura média. Meu eu projetado, o meu corpo astral, como constatei, quase não tem altura. É uma pequena bola de luz. Eu não podia olhar no orifício, a não ser que me espichasse, a não ser que measse na ponta dos pés e, mesmo assim, não pude ver bem</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O Dr. Osis e seu assistente construíram uma plataforma para o corpo astral de Tanous, e, sem sombra de dúvida, o paciente se tornou, de súbito, mais bem-sucedido em suas tentativas de ver o interior da caixa! </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Experiências para Localizar o Ego Fora do Corpo</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Enquanto se realizavam todos esses trabalhos
<personname w:st="on" productid="em Nova York">em Nova York</personname>, outras experiências sobre o mistério da EFC se processavam no Estado da Carolina do Norte. Ali, contudo, as investigações tomaram um rumo bem diferente das da Sociedade de Pesquisas Psíquicas. Na década de <metricconverter w:st="on" productid="1970, a">1970, a</metricconverter> Fundação de Pesquisas Psíquicas era uma entidade pequena e ainda nova, que funcionava em duas pequenas casas de madeira, perto da Universidade Duke. A despeito da modéstia de suas instalações, a Fundação passou dois anos realizando sensacionais pesquisas sobre a natureza da experiência fora do corpo. O fato mais curioso é que a Fundação focalizou toda a sua atenção para uma única pessoa, em suas investigações.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Keith Harary, apelidado <i style="mso-bidi-font-style: normal">Azul</i>, entrou em contacto com a Fundação em 1973. Acabara de se matricular na Universidade Duke, quando ficou sabendo que a Fundação estava procurando pessoas que se acreditavam capazes de sair do seu corpo voluntariamente. Como tivera experiências nesse sentido desde criança, ofereceu prontamente os seus serviços. A sua afirmação de que conseguia sair de seu corpo <i style="mso-bidi-font-style: normal">voluntariamente</i> despertou imediatamente o interesse dos investigadores da Fundação de Pesquisas Psíquicas. O Dr. Robert Morris, então Diretor de Pesquisas da Fundação, foi prontamente encarregado de organizar e dirigir as experiências. Naturalmente, o empenho de Morris era constatar se <i style="mso-bidi-font-style: normal">Azul </i>conseguia realmente sair de seu corpo, como afirmava.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Na primeira fase das experiências, Morris determinou que Azul permanecesse em uma dependência administrativa da Fundação, enquanto seus auxiliares penduravam grandes letras de papelão em outra casa, situada a cerca de dezoito metros de distância. A tarefa de Azul consistia em deixar o seu corpo, ir à outra casa e depois informar o que vira lá. A fim de fazer as suas viagens psíquicas, Azul teria apenas de deitar-se, ficar bem calmo e depois fazer com que a sua mente saísse do corpo. Habitualmente, ficava dentro de uma cabine fechada, pois não gostava de ser visto enquanto estava procurando fazer com que a mente saísse do corpo. Contudo, a fim de se manter em constante contacto com os pesquisadores, Azul avisava Morris por um interfone quando sentia que se encontrava na iminência de sair do seu corpo. Dava outro sinal, quando voltava, alguns minutos mais tarde. Imediatamente depois que Azul voltava ao seu corpo, Morris mandava que ele contasse o que vira durante a sua viagem psíquica.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Foram realizados vários desses estudos com <i style="mso-bidi-font-style: normal">objetivos</i>, e Azul foi mais ou menos bem-sucedido; os pesquisadores da Fundação não tardaram a perceber que a EFC não era um assunto muito fácil e muito simples. Algumas vezes, Azul informava o que vira com notável precisão, enquanto em outras falhava lamentavelmente. No entanto, revelou ele próprio um ou dois truques psíquicos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Assim, por exemplo, durante um teste, a única pessoa que deveria ficar na casa onde estavam as letras de papelão era Joseph Janis, um dos pesquisadores da Fundação. Sem que Azul soubesse, no entanto, outro pesquisador, um voluntário chamado Jerry Posner, entrara na sala, durante a prova, para fazer companhia a Joseph. Embora Azul não tivesse conseguido ver as letras direito, durante a experiência, imediatamente notou a presença de uma segunda pessoa na sala, e comunicou ao Dr. Morris</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O caso não parou por aí, todavia. Depois de terminada a experiência, Posner afirmou ter visto a aparição de Azul na sala em que estava! A ocasião
<personname w:st="on" productid="em que Posner">em que Posner</personname> viu a aparição correspondia àquela
<personname w:st="on" productid="em que Azul">em que Azul</personname> fazia a tentativa de sair do corpo. Esse inesperado incidente alertou os pesquisadores para o fato de que talvez Azul fosse mais capaz de ver pessoas do que as letras. Isso sugeriu a idéia de mudar a natureza das experiências.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Para a nova série de testes, os pesquisadores da Fundação foram instruídos para permanecerem no centro de meditação da entidade, dura todo o tempo da experiência. O centro era um pequeno prédio, logo atrás dos dois prédios administrativos da Fundação, dos quais era separado por um gramado. Azul era, então, levado para outro prédio, colocado em uma pequena cabine fechada, e convidado a <i>ir</i> ao centro, ver quem se encontrava lá e, depois, mencionar os seus nomes aos pesquisadores. Azul, naturalmente, ignorava completamente quais dos dez ou doze pesquisadores se encontravam no centro. Não obstante, ele se saiu muito bem no primeiro teste. Não somente revelou quem se encontrava no centro, como revelou exatamente <i>onde </i>cada voluntário se achava sentado!<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">     <br style="page-break-before: always" clear="all" /></span></p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image0061.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="clip_image006" border="0" alt="clip_image006" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image006_thumb1.jpg" width="505" height="288" v:shapes="_x0000_i1027" /></a></p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-size: 10pt">Keith Harary, o</span></i><span style="font-size: 10pt"> Azul<i style="mso-bidi-font-style: normal">, preparado, a fim de que os pesquisadores pudessem acompanhar as suas tentativas de sair do corpo. (Biblioteca Mary Evans).</i></span></p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Embora a exatidão tivesse diminuído nos testes seguintes, os pesquisadores da Fundação ficaram muito impressionados com o fato de, na ocasião, algumas das pessoas sentadas na sala terem <i style="mso-bidi-font-style: normal">visto </i>a aparição de Azul ou notado a sua presença de outra maneira. O horário dessas identificações em geral coincidia com os das tentativas EFC de Azul. Até o Dr. Morris notou a presença de Azul! Assim, em vez de resolverem o mistério da EFC, os pesquisadores da Fundação se viram envolvidos por ele.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Como acontece com muitas outras pessoas sensíveis, Azul adora animais. Uma vez que ele parecia tão eficiente em afetar as pessoas com a sua presença fora do corpo, os pesquisadores da Fundação tiveram uma idéia maravilhosa para a seguinte experiência de grandes proporções. Se Azul podia, de certo modo, afetar seres humanos com a sua presença, que aconteceria em se tratando de animais? Segundo a tradição, os animais reagem de maneira estranha em uma casa mal-assombrada e quando vêem fantasmas e coisas parecidas. Os pesquisadores da Fundação imaginavam como eles reagiriam diante do fantasma de um vivo. Assim, dois gatinhos foram recrutados, não muito voluntariamente, para as próximas experiências, sendo batizados, muito adequadamente, como Espírito e Alma.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Para os testes seguintes, Robert Morris utilizou o que é chamado <i style="mso-bidi-font-style: normal">prancha de atividade animal</i>. Trata-se de uma prancha dividida em vários quadrados iguais. Colocando-se o animal na prancha, o pesquisador pode registrar a sua <i style="mso-bidi-font-style: normal">taxa de atividade</i> normal, observando quantos quadrados atravessa e quantas vezes ele faz um barulho durante um determinado período de tempo. O plano de Morris consistia em ver se os gatos reagiam ou agiam de maneira diferente quando Azul os visitasse mentalmente, uma ocasião qualquer. A experiência na realidade foi complexa, e apenas um dos gatos foi usado. Eis como tudo foi feito:</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Azul foi levado primeiro para uma sala experimental do hospital da Universidade Duke, situada cerca de oitocentos metros da Fundação Pesquisas Psíquicas. Um pesquisador ficou em sua companhia, enquantooutro ficou com o gato, no laboratório da Fundação. O pesquisador que ficou com o gato somente foi avisado que, durante a experiência, um telefone tocaria na sala quatro vezes. Cada toque iniciava uma experiência de dois a três minutos, tempo em que o pesquisador deveria prestar toda a atenção no gato; somente em duas ocasiões, contudo, Azul se projetava <i style="mso-bidi-font-style: normal">realmente</i> até o animal. Durante as outras duas, ele meramente pensava em deixar o corpo, ou nada acontecia. O pesquisador que tomava conta do gato não tinha idéia de em qual dos quatro períodos Azul faria as suas tentativas. Sua tarefa consistia unicamente em observar o gato e anotar o seu comportamento durante aqueles quatro períodos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A experiência foi repetida várias vezes, e os resultados foram impressionantes. O gato invariavelmente ficava agitado quando era posto na plataforma. Pulava e miava constantemente. No entanto, todas as vezes que Azul se projetava até ele, o animal se acalmava de súbito, ficando imóvel e sem miar. A mudança de seu comportamento às vezes era tão acentuada, que o pesquisador que estava tomando conta do animal pouco tinha de fazer quando Azul efetuava as suas visitas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As experiências <i style="mso-bidi-font-style: normal">do gato</i> foram realizadas também com diversos animais. Eu, pessoalmente, cheguei em Durham para atuar como conselheiro nos testes no verão de 1943, quando as experiências com o gato estavam sendo completadas. Foi muito discutido pelos pesquisadores como se deveria processar a nova fase das pesquisas. Falou-se em usar menos animais domésticos, uma vez que os animais selvagens se mostrariam mais vigilantes e se sentiriam ameaçados por uma presença invisível. Alguns m nós achavam que tais animais reagiriam, portanto, mais fortemente em face de um visitante fora do corpo. Não levou muito antes de encontrarmos um objeto adequado para os nossos testes. Mr. Graham Watkins, outro conselheiro de pesquisas, se dedicava a estudos sobre animais, tendo preferência pelas cobras. Orgulhou-se e regozijou-se em apresentar a cobra mais incrível que vi em toda a minha vida. Não havia dúvida de que odiava o homem, e não cessava de dar botes, quando qualquer pessoa se aproximava dela. Watkins nos ofereceu a cobra emprestada (juntamente com as luvas para pegá-la!), a fim de ser usada nas experiências.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Para o primeiro teste, um grupo de pesquisadores levou Azul ao hospital da Universidade Duke, depois de terem acertado os seus relógios com o meu. Fiquei na sede da Fundação, juntamente com um voluntário. O prédio em que estávamos colocados dispunha de uma cabine isolada, com uma janela de observação. A cobra e sua gaiola foram colocadas ali, enquanto eu observava os seus movimentos através da janela. A experiência foi semelhante à do gato. Limitei-me a observar a cobra e anotar o seu comportamento, enquanto esperava o telefone do laboratório tocar, o que constituía o sinal de um período experimental de três minutos. Na hora seguinte, o telefone tocou quatro vezes, e Azul tentou se projetar para nós duas vezes. Não tínhamos idéia de qual dos dois períodos constituiria verdadeiro período experimental.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">No decorrer da experiência, a cobra só teve uma reação esquisita. Antes do teste e durante o primeiro período experimental, o animal se manteve calmo, apenas serpenteando tranqüilamente dentro da gaiola. Depois, passou a se mostrar mais agitada, no começo do segundo período experimental. Para meu espanto, ela deslizou, erguendo-se, em um lado da gaiola e pareceu disposta a atacar. Mordeu a gaiola furiosamente e depois, da mesma maneira misteriosa, se acalmou de novo, não tendo apresentado outras situações inabituais durante o resto da experiência.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Quando os pesquisadores da Fundação trouxeram Azul de volta laboratório naquela noite, comparamos os tempos. Verificou-se que a primeira tentativa EFC de Azul ocorrera durante o segundo período crítico. Ele nos explicou como simplesmente deixara o seu corpo, nos viu, tentou chamar a nossa atenção e depois projetou-se na gaiola com a cobra. O tempo
<personname w:st="on" productid="em que Azul">em que Azul</personname> disse ter estado com o réptil e o da forte reação animal coincidiram quase exatamente.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Devo acrescentar que tentamos realizar de novo a experiência alguns dias depois, mas a cobra resolveu não cooperar de modo algum. Antes mesmo do teste começar, ela se enroscou e dormiu. Não consegui acordá-la, de modo que a experiência fracassou.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As experiências que acabo de descrever são apenas alguns exemplos de vários testes realizados pela Fundação para pôr à prova a capacidade EFC de Azul. A questão crucial, naturalmente, era provar que realmente Azul <i style="mso-bidi-font-style: normal">saía do corpo</i>, como afirmava. Foi um problema que, mesmo depois de dois anos de investigações, não pôde ser resolvido para satisfação de todos. O Dr. Robert Morris se mostrou cético quanto à significação geral e implicações da pesquisa. Na sua opinião, era teoricamente possível que as pessoas e animais que notaram a presença de Azul estivessem reagindo a mensagens psíquicas (isto é, telepáticas ou talvez psicocinéticas) emitidas por ele, e nada mais. Eu, por outro lado, não pude aceitar essa reencarnação da hipótese do superpsiquismo, já que acho que isso não poderia explicar a coerência do comportamento do gato. O número de impressionantes identificações da presença de Azul fora do corpo também par incompatível com a idéia do superpsiquismo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Houve, mesmo, sugestivos indícios de que Azul podia mesmo produzir efeitos físicos nos lugares onde se projetava. Assim, por exemplo, durante uma experiência, ele se aproximou de um termistor situado em um dos prédios da Fundação, quando se projetou, de outro prédio. Ele se aproximou duas vezes, e em ambas as vezes o polígrafo registrou <i style="mso-bidi-font-style: normal">queda de temperatura</i>. Infelizmente Azul não pôde provocar esse efeito de forma categórica.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Desse modo, todo o trabalho da Fundação de Pesquisas Psíquicas terminou em uma atmosfera de incerteza. Sem dúvida, ficou a impressão de que uma parte da mente de Azul deixava o seu corpo durante a EFC, mas nenhuma das experiências pôde ser considerada como uma prova 100 por cento.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Tanto as pesquisas empreendidas pela Associação Americana de Pesquisas Psíquicas como pela Fundação de Pesquisas Psíquicas terminaram dois anos depois de terem sido iniciadas. O motivo é muito simples: o dinheiro do legado de Kidd acabou, e ambas as instituições tiveram de ir em busca de outros financiadores&#8230; e de outros projetos. Em 1975, as pesquisas regulares de parapsicologia sobre a EFC quase haviam se tornado uma coisa do passado. Os pesquisadores tinham feito quase tudo que podiam fazer para isolar a EFC como um fenômeno objetivo, e não meramente como uma alucinação espírita conducente. Alguns de seus dados eram compatíveis com a hipótese da <i style="mso-bidi-font-style: normal">mente projetada</i>, mas muitos dos pesquisadores ficaram decepcionados com a inconsistência dos resultados. Se alguém estava realmente atuando fora do corpo, por que não poderia fazer com que as pessoas <i style="mso-bidi-font-style: normal">sempre</i> reagissem à sua presença, ou esse alguém <i style="mso-bidi-font-style: normal">sempre </i>visse os objetos colocados em pontos distantes? Ninguém deu uma resposta satisfatória a essa embaraçosa pergunta. Felizmente, contudo, as pesquisas sobre a natureza da EFC não terminaram daquela vez — mas assumiram dimensões novas e muito mais vastas. Essa nova investigação, porém, não partiu da parapsicologia convencional.</p>
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		<title>A Vida Depois da Morte, de Scott Rogo (1986) &#8211; Cap&#237;tulo 1</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Apr 2013 10:55:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros Gratuitos]]></category>

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		<description><![CDATA[“A Vida Depois da Morte”, de Scott Rogo, é certamente o 2º melhor livro já escrito sobre o assunto no século XX, atrás apenas de “Mediunidade e Sobrevivência”, de Alan Gauld. Neste 1º capítulo, Rogo aborda casos fantásticos das médiuns Leonora Piper (americana) e Gladys Osborne Leonard (britânica). 1 &#160; Pesquisas Psíquicas e a Controvérsia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">“A Vida Depois da Morte”, de Scott Rogo, é certamente o 2º melhor livro já escrito sobre o assunto no século XX, atrás apenas de “Mediunidade e Sobrevivência”, de Alan Gauld. Neste 1º capítulo, Rogo aborda casos fantásticos das médiuns Leonora Piper (americana) e Gladys Osborne Leonard (britânica). </p>
<p><span id="more-1585"></span>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="font-size: 20pt">1 </span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal">&#160;</b></p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="font-size: 20pt">Pesquisas Psíquicas </span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="font-size: 20pt">e a Controvérsia Acerca da Sobrevivência</span></b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">O Caso de James Kidd</b><b style="mso-bidi-font-weight: normal">&#160;</b></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Um dos capítulos mais curiosos da história da jurisprudência norte-americana data de 1967, quando um excêntrico garimpeiro do Arizona, chamado James Kidd, foi declarado legalmente morto. Kidd desaparecera no deserto, perto de Phoenix, em 1949. Tal ocorrência provavelmente passaria despercebida pelos jornais e pelo público, se não fosse um estranho aspecto do caso. Quando desapareceu, o garimpeiro deixou 175.000 dólares em dinheiro e ações, depositados em um banco. Também deixou um testamento particular, datado de 2 de janeiro de 1946, no qual declarava, entre outras coisas, que deixava seus bens para “<i style="mso-bidi-font-style: normal">&#8230;a procura de alguma prova científica de uma alma que o corpo humano deixa com a morte&#8230;</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Quando foi divulgada a notícia do testamento, a agitação foi grande. Dentro em pouco a justiça de Phoenix se viu às voltas com uma multidão de pessoas que se consideravam contempladas pelo testamento. Havia espíritas, igrejas, filósofos, institutos de pesquisa e uma multidão de excêntricos, todos querendo abiscoitar a herança. As audiências judiciais que tiveram lugar nos meses seguintes estiveram repletas de profundas discussões filosóficas e de tiradas francamente humorísticas. Uma <i style="mso-bidi-font-style: normal">espírita</i> de Los Angeles demonstrou perante o juiz que seu <i style="mso-bidi-font-style: normal">espírito guia</i> podia responder a perguntas, por seu intermédio, enquanto seu secador de cabeça funcionava, de maneira que ela não pudesse ouvir as perguntas que lhe eram feitas! Um professor de filosofia de um colégio secundário da Califórnia afirmou que era capaz de provar a existência da alma pela lógica, ao passo que o Instituto de Neurologia Barrow, do Arizona, queria receber a herança para custear pesquisas sobre o cérebro. Também os parapsicólogos ficaram interessados no testamento, e tanto a Sociedade Americana de Pesquisas Psíquicas (de Nova York), como a Fundação de Pesquisas Psíquicas (de Durham, Califórnia) mandaram representantes, que depuseram perante a justiça.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O processo acabou ficando conhecido por <i style="mso-bidi-font-style: normal">O Grande Julgamento da Alma</i>, e a decisão da justiça foi decepcionante. O Juiz Robert J. Myers atribuiu a herança ao Instituto de Barrow, argumentando que o dinheiro seria melhor empregado para financiar uma pesquisa útil.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A decisão enfureceu vários dos pretendentes, que argumentavam que o Instituto se desqualificara previamente, pela própria argumentação que empregara, admitindo que não faria pesquisas sobre a alma, de maneira que as críticas se justificavam. Posteriormente, tanto a Sociedade Americana de Pesquisas Psíquicas como a Fundação de Pesquisas Psíquicas, que tinha sido fundada em 1960, expressamente para investigar os problemas da sobrevivência, apelaram da sentença. O tribunal de justiça do Estado foi mais compreensível, e deu provimento ao recurso, mandando que o juiz de primeira instância reformasse a decisão. O juiz não teve alternativa, senão atribuir a herança à Sociedade de Pesquisas Psíquicas que demonstrara, perante a justiça, estar há muito tempo empenhada em descobrir provas da vida após a morte. A Sociedade, por sua vez, resolveu dividir o legado com a Fundação.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O estranho caso de James Kidd e seu testamento ofereceram aos parapsicólogos um interessante precedente. Pública e (de certa maneira) juridicamente, foi reconhecido que a questão da vida depois da morte pode ser estudada cientificamente. Também ficou estabelecido que a ciência da parapsicologia é a melhor indicada para empreender a tarefa. A decisão da justiça foi provavelmente influenciada pelo depoimento do Dr. Gardner Murphy, que era presidente da Associação de Pesquisas Psíquicas e também um eminente psicólogo. Murphy não mediu esforços para explicar que a entidade se dedicava há muito tempo a estudar as aparições, visões no leito de morte, mediunidade e outros fenômenos psíquicos. São ocorrências raras, que sugerem que, ocasionalmente, nós, os vivos, podemos ver de relance o mundo invisível. O tribunal concordou com esse ponto de vista.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Se, porém, a parapsicologia vem explorando a questão da sobrevivência há tanto tempo, por que será que o problema da vida após a morte continua sem solução? Realmente, embora exista uma rica literatura histórica sobre o assunto, a prova decisiva da vida após a morte ainda não encontrada.</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">As Bases das Investigações Sobre a Sobrevivência</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A fim de compreender a complexidade da questão da sobrevivência, é mister conhecer primeiro algo sobre a história das investigações psíquicas. A parapsicologia é hoje uma ciência experimental, e a maioria dos pesquisadores profissionais se dedicam ao trabalho de laboratório, examinando pessoas, sobre questões relacionadas com a telepatia, clarividência, precognição e domínio da mente sobre a matéria. Essa é, realmente, apenas o mais recente aspecto que a parapsicologia adotou durante a sua curta história, em busca da respeitabilidade científica. A ciência da parapsicologia data, realmente, da década de 1880, antes do advento de estatísticas complicadas, psicofisiologia e outros instrumentos utilizados pelos parapsicólogos de hoje. As pesquisas psíquicas daquele tempo consistiam mais em uma busca filosófica e existencial, uma vez que apareceram em uma sociedade muito diferente da de hoje.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Vários fatores contribuíram para a maneira com que a cultura foi forçada a mudar durante a era vitoriana, e esses fatores naturalmente influenciaram a maneira com que as pesquisas psíquicas se desenvolveram a princípio. Foi uma época em que a ciência e as realizações científicas desafiaram a autoridade religiosa, que dirigira o pensamento europeu nos quinhentos anos anteriores. O século XIX foi uma época de grande progresso industrial e muitas invenções, e muita gente passou a acreditar que a ciência, e não a religião, poderia salvar a humanidade e torná-la senhora do universo. Essa mentalidade não foi alterada nem quando o brilhante cientista e pensador britânico Charles Darwin publicou <i style="mso-bidi-font-style: normal">A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural</i> e (mais tarde) <i style="mso-bidi-font-style: normal">A Descendência do Homem</i>. A concepção darwiniana implicava ser o homem meramente uma parte do mundo existente, e não distinto dele. As descobertas de Darwin mostraram que o homem não sofreu uma <i style="mso-bidi-font-style: normal">queda </i>espiritual da graça Divina, quando veio habitar a Terra, mas simplesmente evoluiu de formas de vida inferiores. Isso constituiu um desafio à autoridade cristã, que ensinava que o homem deve lutar para reconquistar a condição espiritual que perdeu no começo dos tempos. Durante aqueles anos, sábios, na Alemanha, também estavam mostrando que a própria Bíblia não era um documento infalível, mas podia ser analisado criticamente, como qualquer obra literária. E o que descobriram afetava seriamente a crença religiosa.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Disso resultou uma sociedade que, pela primeira vez há muito tempo, não adotava uma concepção do mundo simplesmente na base do dogma religioso. A ciência estava erguendo a humanidade acima dos deuses, e afigurou-se a necessidade de ter a religião de adotar métodos científico a fim de provar doutrinas tais como a alma e sua imortalidade.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Foi durante aqueles anos críticos que surgiu, nos Estados Unidos, um pequena seita. O espiritismo era um pequeno movimento religioso, que se enraizou profundamente na cultura norte-americana nas décadas de 1840 e <metricconverter w:st="on" productid="1850. A">1850. A</metricconverter> expansão do movimento data de 1848, quando várias testemunhas oculares puderam observar algumas estranhas manifestações espíritas, em uma pequena casa de campo em Hydesville, no Estado de Nova York. Tais manifestações consistiam principalmente de <i style="mso-bidi-font-style: normal">sinais</i> recebidos por duas adolescentes que moravam na casa, Margaret e Kate Fox, cujo pai, um pequeno fazendeiro, em breve começou a viajar pela região oriental dos Estados Unidos mostrando o poder das filhas de <i style="mso-bidi-font-style: normal">trazer</i> sinais do mundo espiritual. Aquelas demonstrações despertaram o interesse da comunidade científica, assim como do público em geral, que viu na paranormalidade a base de uma nova religião, uma religião ensinando que a comunicação com os mortos era uma realidade comum. Saber se aquelas duas primeiras <i style="mso-bidi-font-style: normal">médiuns</i> eram legítimas ou falsas tornou-se na realidade desnecessário, pois o espiritismo estava em ascensão.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O que atraiu o público norte-americano foi o fato de parecer o espiritismo uma religião <i style="mso-bidi-font-style: normal">científica</i>. Não baseava a sua teologia no dogma ou na autoridade, mas ensinava que cada interessado poderia provar por si mesmo os seus princípios fundamentais. O cético tinha simplesmente de procurar a ajuda de um espírita ou médium.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O crescimento e a expansão do movimento espírita não somente influenciaram a cultura popular, como também despertaram a atenção da intelectualidade britânica. O progresso do espiritismo na Inglaterra ocorreu mais ou menos na mesma ocasião em que um certo número de filósofos britânicos, frouxamente relacionados, em vista de sua ligação com a Universidade de Cambridge, se encontravam às voltas com dúvidas religiosas próprias. O mais destacado daqueles pensadores era o Professor Henry Sidgwick, conhecido filósofo e professor daquela universidade. Entre os seus colegas estavam o seu discípulo F.W.H. Myers e Edmund Gurney, formado em Cambridge e musicólogo de mérito.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Aqueles intelectuais estavam seriamente preocupados com as mudanças que ocorriam na cultura e nas tendências intelectuais da Grã-Bretanha. Eram filhos de ministros religiosos, educados para cultuarem as crenças e valores cristãos. Ficavam perturbados ao verem a sociedade se afastando das velhas doutrinas, mas, ao mesmo tempo, compreendiam que tais mudanças eram lógicas em um mundo que se modificava radicalmente. Sentiam que a sociedade estava na iminência de ser inundada por uma onda de ateísmo e materialismo, que, achavam, acarretaria o seu declínio. Assim, procuraram encontrar um meio de restabelecer a ordem cristã. Como não podiam mais confiar em polêmicas ou raciocínios filosóficos, viram-se tomados de perplexidade. E foi nessa ocasião que lançaram um olhar, ainda desconfiado, para o movimento espírita, que emigrara para a Inglaterra em 1852. O grupo de Cambridge decidiu afinal que naquele campo é que poderiam conquistar as suas mais importantes vitórias. De fato, acreditavam, se o supernatural podia ser cientificamente demonstrado, as conclusões a que se chegasse poderiam ser utilizadas para rejeitar o materialismo vitoriano. </p>
</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-table-layout-alt: fixed; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 86.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="bottom" width="115">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-size: 10pt">As irmãs Fox fazem uma mesa levitar, em 1850; supunha-se que tais façanhas eram causadas pelos espíritos, constituindo, assim, uma prova da sobrevivência. (Biblioteca Mary Evans.)</span></i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 349.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="466">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image0021.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image002_thumb1.jpg" width="393" height="566" v:shapes="_x0000_i1025" /></a></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Deve se salientar, no entanto, que o grupo de Cambridge não tinha o propósito de <i style="mso-bidi-font-style: normal">provar</i> o espiritismo. Seus membros simplesmente argumentavam que, se os fenômenos do espiritismo fossem verdadeiros, aqueles estranhos eventos voltariam a confirmar a natureza espiritual do homem. Alguns críticos do trabalho do grupo também acusavam aqueles pensadores de estarem emocionalmente determinados a descobrir a prova da vida após a morte. Não era esse o caso, todavia. O Professor Sidwick e seus colegas desejavam encontrar uma prova científica com a qual pudessem refutar a onda de materialismo que prevalecia em sua época. Sabiam, porém, por outro lado, que tal prova teria de ser bastante forte para influenciar qualquer crítica objetiva, assim como para satisfazer as suas próprias dúvidas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Essa é, de fato, uma das razões pelas quais a controvérsia da sobrevivência jamais foi resolvida dentro da parapsicologia. Os fundadores da ciência em breve verificaram que encontrar a prova da vida após a morte, o problema que lhes parecia fundamental, não era tão fácil como um problema de lógica ou encontrar a solução de uma equação algébrica.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O acontecimento mais importante resultante daqueles anos de busca e questionamento ocorreu em 1882, quando o grupo de Cambridge se juntou a vários dos membros mais críticos do movimento espírita. Juntos, fundaram a Sociedade de Pesquisas Psíquicas, que se tornou o primeiro corpo científico destinado ao estudo da paranormalidade. O objetivo da Sociedade consistia em investigar os relatos dos fenômenos psíquicos, estabelecer os critérios a respeito do que deveria ser considerado como prova e, em seguida, determinar a natureza dos acontecimentos. A Sociedade empreendeu tais estudos com espírito crítico, e muitas figuras destacadas da Grã-Bretanha participaram de seus trabalhos. Entre elas se encontravam vários eminentes cientistas e alguns poucos políticos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A ciência da moderna parapsicologia surgiu em conseqüência das atividades daquela instituição. Com o tempo, aconteceu mesmo que os elementos espíritas se afastaram da Sociedade, quando o grupo original de Cambridge começou a aplicar métodos cada vez mais críticos aos seus estudos. Para o que desse e viesse, a Sociedade acabou se libertando de seus antigos laços religiosos. Tornou-se essencialmente uma instituição dedicada a distinguir os fatos da ficção e da fraude, no estudo dos fenômenos psíquicos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os fundadores da Sociedade trataram de estudar uma rica variedade fenômenos de modo algum diretamente relacionados com o problema da sobrevivência. Investigaram casos de telepatia ocorridos na vida quotidiana, iniciaram pesquisas experimentais sobre a transmissão de pensamento, examinaram os casos de supostas comunicações de espíritos por meio de pancadas e se mostraram fascinados pelo estudo do hipnotismo. A preocupação central da Sociedade, porém, continuou a ser a questão da sobrevivência. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Aparições e o Caso de Sobrevivência</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Uma vez que os primeiros investigadores psíquicos realizaram grande quantidade de pesquisas práticas, não é de se admirar que a primeira prova da sobrevivência tenha procedido de experiências quotidianas do público britânico. Os fundadores da Sociedade estavam interessados em coletar e estudar casos de experiências psíquicas espontâneas (da <i style="mso-bidi-font-style: normal">vida real</i>), e, em 1886, tinham reunido um número considerável de casos de telepatia, experiências de aparições e outros episódios espíritas. O que impressionou aqueles grandes pensadores foi o número de aparições em momentos decisivos incluídos em seus dados. Eram casos em que a aparição era vista no mesmo momento em que a pessoa que a projetava realmente morria. Foram incluídos em seus apontamentos trinta e dois desses casos, e os dirigentes da Sociedade chegaram à conclusão de que uma profunda investigação daquelas informações concorreria para a solução do problema da sobrevivência.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O relato seguinte é típico daqueles primeiros casos. O relatório está datado de 20 de maio de 1884. </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Eu estava lendo, certa noite, quando, levantando os olhos do livro, vi distintamente uma colega de estudos, à qual eu era muito afeiçoado, de pé junto da porta. Eu ia manifestar a minha estranheza por sua visita, quando, horrorizado, constatei que não havia ninguém no aposento, além de minha mãe. Contei-lhe o que vira, sabendo que ela não podia ter visto, pois estava sentada de costas para a porta, nem ouvira coisa alguma de anormal, e ela achou graça em meu susto, dizendo que eu devia ter lido demais ou ter sonhado. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Um dia ou dois depois do estranho acontecimento, recebi notícia da morte de minha amiga. O estranho é que nem sequer sabia que ela estava doente, muito menos correndo perigo de vida, de modo que não podia estar preocupado quando aquilo aconteceu, mas podia estar pensando nela; isto não posso jurar. A sua doença foi curta e a morte de todo inesperada. Sua mãe me disse que ela falou a meu respeito pouco antes de morrer&#8230; Morreu na mesma noite, e mais ou menos na mesma hora em que tive a visão, no fim de outubro de 1874.</i></p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Coube a Edmund Gurney investigar aquele caso pessoalmente. Meticulosa e cuidadosamente, ele procurou determinar se a testemunha era sujeita a alucinações ou se poderia ter se enganado acerca do dia em que viu a aparição. As constatações feitas <i style="mso-bidi-font-style: normal">in loco</i> confirmaram a declaração da moça.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A maior parte daqueles primeiros relatos de aparições no momento da morte nada tinha de espetacular. Essa típica banalidade impressionou os pesquisadores da Sociedade, uma vez que não coincidia com a intensa dramaticidade de que se revestem as histórias fictícias de assombrações. De fato, um dos pesquisadores chegou a observar que tais casos eram mais capazes de fazer dormir do que de tirar o sono! O caso seguinte, por exemplo, foi mencionado por um perplexo professor. </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Há cerca de 14 anos, cerca de três horas de uma tarde de verão, eu estava passando diante da igreja da Trindade,
<personname w:st="on" productid="em Upper King Street">em Upper King Street</personname>, em Leicester, quando vi, do lado oposto da rua, um velho amigo, que eu perdera de vista havia algum tempo, porque ele saíra da cidade para seguir um curso fora. Achei esquisito ele não ter me notado, e, enquanto o seguia com os olhos, resolvendo se iria ou não me aproximar dele, chamei-o em voz alta, e fiquei um tanto surpreso, por não ter visto em que casa ele entrou, pois estava convencido de que entrara
<personname w:st="on" productid="em alguma. Na">em alguma. Na</personname> semana seguinte, fui informado de sua morte, quase repentina, em Burton-on-Trent, mais ou menos à mesma hora em que eu tivera certeza de que ele estava passando diante de mim. O que mais me impressionara naquela ocasião foi não ter ele me notado, caminhar sem fazer o menor barulho e ter desaparecido tão subitamente. Mas que era E.P.I. eu nunca duvidei. Sempre achei que se tratou de uma alucinação, mas o que me intriga é o fato de ter ocorrido justamente naquela ocasião.</i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Cuidadosas averiguações comprovaram que a testemunha jamais tivera alucinações antes. Os investigadores apuraram também que a testemunha contara o caso à sua mãe, antes de saber da morte do amigo. Infelizmente, a mãe da testemunha morrera antes de ser feita a investigação, d sorte que se perdeu uma importante testemunha. No entanto, os investigadores da Sociedade puderam revelar vários casos em que as testemunhas ainda estavam disponíveis. Em alguns casos, a aparição foi vista por mais de uma pessoa, como no seguinte exemplo: </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Há alguns anos, quando morava
<personname w:st="on" productid="em Woolstone Lodge">em Woolstone Lodge</personname>, Woolstone Berks, de cuja igreja e paróquia, etc., etc., meu marido era clérigo, certa noite, após o chá, deixei a reunião de família junto da lareira, a fim de </i><i style="mso-bidi-font-style: normal">ver se a nossa criada alemã conseguiria fazer com que uma mocinha que trabalhava conosco fizesse uma arrumação para a manhã seguinte. Quando cheguei ao alto da escada, passou por mim uma senhora que saíra de nossa casa havia algum tempo. Estava vestida de preto, de seda, com um véu de musselina na cabeça, até os ombros, e a seda farfalhava. Apenas pude ver o seu rosto de relance. Ela passou por mim, deslizando rapidamente e sem fazer o menor ruído (a não ser o da seda), e sumiu depois de dar dois passos no comprido corredor que ia até ao meu quarto de toalete e não tinha outra saída. Mal pude exclamar: “Oh Caroline!”, quando senti que havia algo de inatural, e desci a escada correndo, e voltei à sala, onde caí ajoelhada junto de meu marido, custando a me refazer. Na manhã seguinte, o pessoal de casa começou a brincar comigo por causa da visão, mas depois apareceu a criadinha que tomava conta das crianças, contando que, quando estava limpando a sua lareira, ficara tão apavorada com o aparecimento de uma mulher sentada perto dela, vestida de preto e com um véu branco cobrindo a cabeça e os ombros, que nada poderia induzi-la a voltar ao quarto. Os outros tinham ficado com medo de me contar essa confirmação da aparição, achando que os meus nervos iam ficar ainda mais abalados do que estavam. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Como por acaso, muitos de nossos vizinhos apareceram em nossa casa na manhã seguinte: Mr. Tufnell, de Uffington, perto de Faringdon, o Arquidiácono Breus, Mr. Atkins e outros. Todos se mostraram interessados, e Mr. Tufneel fez questão de anotar vários pormenores em seu próprio caderno de notas, e me fez prometer que naquela noite mesmo escreveria para minha prima, Sra. Henry Gibbs, que estivera hospedada em nossa casa durante alguns dias, e eu já começara a escrever uma carta para ela. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Escrevi imediatamente para meu tio (o Reverendo C. Crawley, de Hartpury, perto de Gloucester) e minha tia, contando tudo que acontecera. Pelo correio de volta, fiquei sabendo: “Caroline está passando muito mal em Belmont” (para onde sua família a mandou). “Está em estado desesperador.” E ela morreu, no mesmo dia ou noite em que me fez aquela visita. O choque foi grande demais para uma pessoa que não é das mais fortes, e fui um dos poucos membros da família Drawley ou Gibbs que não acompanhou o enterro.</i><i style="mso-bidi-font-style: normal">&#160;</i></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Felizmente, uma das testemunhas independentes ainda estava viva e pôde confirmar aos investigadores da Sociedade toda a série de acontecimentos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O fato de tais aparições parecerem ser legítimos fenômenos paranormais intrigou os fundadores da Sociedade. Constituiriam aquelas aparições, pensavam eles, uma prova de que o homem possui uma alma que é libertada do corpo pela morte?<span style="mso-spacerun: yes">&#160; </span>A princípio, isso se afigura uma hipótese aceitável quando, porém, passaram a examinar os dados de que dispunham mais atentamente, eles foram, pouco a pouco, se tornando menos seguros. </p>
</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 338.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="451">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image0041.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="clip_image004" border="0" alt="clip_image004" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image004_thumb1.jpg" width="414" height="554" v:shapes="_x0000_i1026" /></a></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 93.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="125">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-size: 10pt">Edmund Gurney, da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, desempenhou papel de destaque na coleta de provas das aparições. (Biblioteca Mary Evans) </span>
</p>
<p>           </i></p>
</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Travou-se um prolongado debate sobre a natureza daquelas aparições quando Edmund Hurney, RW.H. Myers e seu colega Frank Podmore se juntaram para escreverem o estudo, em dois volumes, <i style="mso-bidi-font-style: normal">Phantasmas of Living</i>. Essa publicação foi o primeiro empreendimento de grande porte da Sociedade de Pesquisas Psíquicas e ficou claro que aqueles brilhantes pesquisadores não concordavam sobre a natureza dos fantasmas&#8230; e muito menos se eles significavam a libertação da alma pelo corpo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Edmund Gurney escreveu o grosso <i style="mso-bidi-font-style: normal">Phantasms</i>. Como estava fascinado pelo estudo da telepatia, não pôde deixar de sustentar a idéia de que a aparição resultava realmente de uma forma de transmissão de pensamento. Salientou que aquelas aparições se mostravam pouco diferentes, essencialmente, das imagens visuais que algumas pessoas <i style="mso-bidi-font-style: normal">viam</i> durante a recepção de mensagens telepáticas. Isso o levou a sugerir que as aparições eram meramente uma forma exteriorizada mais perfeita da imagem mental. Era um ponto de vista radical para ser sustentado, mas Gurney apoiou a sua opinião tanto em argumentos empíricos como teóricos. Salientou que as aparições não pareciam ser objetivas, ocupando o espaço. Os dados colhidos mostravam que elas jamais deixavam coisa alguma para trás, apareciam e desapareciam sem um traço, caminhavam através das paredes e, em via de regra, apareciam trajando vestes comuns. Isso lhe parecia sinais gritantes da imaterialidade. Algumas vezes, continuava Gurney a argumentar, as aparições se apresentavam vestidas como a testemunha <i style="mso-bidi-font-style: normal">esperava</i> que estivessem. Isso indicava que as figuras eram em parte construídas na própria mente da testemunha.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Essa não era, porém, a palavra final sobre o assunto, uma vez que F.W.H. Myers refutou prontamente o seu colega. Salientou que a existência de aparições observadas por mais de uma pessoa demonstrava a sua parcial realidade objetiva. A sua explicação era que a aparição resulta de algum aspecto do organismo do moribundo que se projeta no espaço e se exterioriza em um ponto distante. Tais manifestações podem, portanto, não ser puramente físicas no sentido objetivo, mas podem representar uma parcial invasão psíquica do lugar em que se concretizam.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Edmund Gurney não pôde concordar com a complicada reabilitação feita por Myers da idéia de que as aparições eram fenômenos objetivos. Assim, contra-atacou, sugerindo que as aparições coletivas ocorrem sob a forma de um contágio telepático entre as testemunhas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Enquanto se travavam esses debates, outros pesquisadores da Sociedade organizaram uma tentativa de repetir o estudo de <i style="mso-bidi-font-style: normal">Phantasms</i>. Isso ocorreu em 1889, com uma pesquisa entre o público britânico acerca de experiências psíquicas, e os resultados foram publicados em 1894, sob o título <i style="mso-bidi-font-style: normal">Censo de Alucinações</i>. Os relatos sobre aparições no momento decisivo foram de novo notáveis pela sua presença. As provas em alguns desses casos foram ainda melhores do que as apresentadas em <i style="mso-bidi-font-style: normal">Phantasms</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A despeito da descoberta de tantos casos novos, o debate sobre a natureza das aparições caminhava, visivelmente, para um impasse. Essa situação levou alguns dos pesquisadores da Sociedade ao estudo das aparições <i style="mso-bidi-font-style: normal">post mortem</i>, isto é, dos fantasmas vistos muito depois da morte do agente. Graças a tais estudos, foram revelados casos em que as aparições transmitiam informações corretas às testemunhas. Em outros casos, o fantasma se mostrava interessado em alcançar algum objetivo ou intenção que o preocupava
<personname w:st="on" productid="em vida. Alguns">em vida. Alguns</personname> poucos casos de casas mal-assombradas também mereceram a atenção da Sociedade. Esses casos eram muito mais raros do que as aparições no momento crítico, e alguns dirigentes da Sociedade não confiavam muito em seu valor. F.W.H. Myers estudou-as mais intensamente, e concluiu que elas representavam “&#8230; <i style="mso-bidi-font-style: normal">manifestações de persistente energia pessoal</i>”, mas foi severamente criticado por Frank Podmore, que salientou que a maior parte das aparições <i style="mso-bidi-font-style: normal">post mortem</i> raramente revelava qualquer sinal verdadeiro de personalidade. Ele preferia acreditar que os relatos não passavam de embustes, ou que as aparições eram criadas na própria mente das testemunhas, embora, talvez, em decorrência da recepção de informação mediúnica. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Mediunidade e o Caso de Sobrevivência</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O grande debate da Sociedade de Pesquisas Psíquicas sobre a natureza das aparições ocupou a atenção do grupo de Cambridge da década de 1880 até a 1890. Conquanto um caso <i style="mso-bidi-font-style: normal">a priori</i> de sobrevivência pudesse ser reconstituído com os dados colhidos, certamente tais estudos não constituíam o tipo de prova satisfatória da imortalidade, que se buscava. Assim, o grupo passou a procurar tal prova em outras direções. Foi graças a isso que os fundadores da Sociedade voltaram ao movimento espírita, apesar da sua repulsa pelas fraudes que, sabiam, ali não faltavam. Os fundadores da Sociedade tinham todos investigado médiuns espíritas durante os seus primeiros estudos e se mostravam ambivalentes quanto aos resultados obtidos. Sentiram-se encorajados, contudo, quando William James, o brilhante e considerado filósofo-psicólogo de Harvard, entrou em contacto com eles, em 1885, com a espantosa notícia de que encontrara uma médium de verdade, por intermédio da qual conversara com parentes seus, comprovadamente mortos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O testemunho de pessoa dotada de mentalidade tão aberta à critica não podia ser ignorada, e abriu-se um novo capítulo na busca de provas para a parapsicologia.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A Sra. Leonore Piper não era, exatamente, a imagem de uma espírita prodigiosa. Era uma senhora casada da classe média, que levava, em Boston, uma vida eminentemente normal. Seu relacionamento com o movimento espírita só ocorreu depois que ela estava às voltas com alguns problemas médicos, em decorrência de um acidente. Seu sogro sugeriu que ela fosse consultar um famoso clarividente cego de Boston, a fim de ouvir a sua opinião sobre o tratamento conveniente. Foi durante a primeira consulta que algo de estranho aconteceu. A Sra. Piper mais tarde explicou que estava sentada, ouvindo o médium, quando <i style="mso-bidi-font-style: normal">o rosto dele pareceu ir se tornando cada vez menor, como se estivesse se afastando, até que perdi a consciência de onde me encontrava</i>. Ao que parece, ela entrou espontaneamente em transe, o que a surpreendeu, pois, até então, não demonstrara interesse pelo espiritismo. O fato é que ela passou a freqüentar as sessões do Dr. Cocke, e não tardou a descobrir que também ela tinha qualidades mediúnicas. Dentro em pouco, ela se tornou a sensação da comunidade espírita, pois, durante os seus transes, os seus clientes se mostravam capazes de entrar em contacto com amigos e parentes mortos.</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 95.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="bottom" width="127">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-size: 10pt">A Sra. Leonore Piper foi uma das médiuns que provou a comunicação espírita, de maneira satisfatória para William James. (Biblioteca Mary Evans) </span>
</p>
<p>           </i></p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 336.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="449">
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image006.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="clip_image006" border="0" alt="clip_image006" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image006_thumb.jpg" width="439" height="521" v:shapes="_x0000_i1027" /></a></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A Sra. Piper contava então apenas 25 anos de idade, e a sua desabrochante mediunidade provavelmente não teria chamado a atenção científica se não fosse aquele afortunado incidente. A sogra de William James ouviu falando a seu respeito, visitou-a e ficou tão impressionada com o seu desempenho, que chamou para o fato a atenção do genro. James e sua esposa procuraram a Sra. Piper pouco depois, e ficaram estarrecidos com as corretas mensagens que receberam.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">James participou de várias sessões com a Sra. Piper, de <metricconverter w:st="on" productid="1885 a">1885 a</metricconverter> 1886, e vários dos incidentes que testemunhou o impressionaram de modo espeicial. Durante uma das sessões, por exemplo, o psicólogo e seu irmão foram advertidos que sua tia (então residente
<personname w:st="on" productid="em Nova York">em Nova York</personname>) acabara de morrer naquela madrugada, às 12,30 horas. James nada sabia a respeito, porém mais tarde escreveu: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Ao chegar em casa, uma hora mais tarde, encontrei um telegrama dizendo: Tia Kate faleceu alguns minutos depois da meia-noite</i>.”</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A Sociedade naturalmente ficou impressionada com casos tais como esse de modo que, em 1887, resolveu entrar
<personname w:st="on" productid="em a??o. Foi">em ação. Foi</personname> enviado a Boston um de seus mais competentes investigadores, a fim de estudar o caso <i style="mso-bidi-font-style: normal">in loco</i> e apresentar um relatório a respeito. Richard Hodgson era um pesquisador correto e imparcial, mas também apaixonadamente dedicado às investigações psíquicas. Partiu para Boston, e acabou dedicando os dezoito anos seguintes de sua vida ao estudo da mediunidade da Sra. Piper. </p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Richard Hodgson fora para os Estados Unidos a fim de assumir a direção do ramo norte-americano da Sociedade de Pesquisas Científicas, que William James a ajudara a organizar. Seus planos consistiam em participar ele próprio das sessões da Sra. Piper, registrar as ocorrências, estudar todas as circunstâncias e certificar-se se a médium não estava secretamente colhendo informações sobre os seus clientes. Chegou mesmo a encarregar detetives de segui-la, e fez questão que a médium não soubesse os nomes de muitas pessoas que a consultavam. Apesar dessas medidas rigorosas, a qualidade da mediunidade da Sra. Piper continuou impressionante. Bastava-lhe sentar-se com algum cliente para, após algumas pequenas convulsões, entrar em transe e, dentro em pouco, uma curiosa personagem, que dizia se chamar <i style="mso-bidi-font-style: normal">Dr. Phinuit</i>, falava por seu intermédio e atuava como mestre-de-cerimônias na sessão. Hodgson jamais se impressionou muito com o Dr. Phinuit, que praticamente não sabia se expressar em francês e jamais pôde apresentar uma versão aceitável de sua própria vida terrena. Na realidade, Phinuit parecia ser uma parte destacada da mente da própria Sra. Piper, ou, pelo menos, era essa a opinião de Hodgson. Apesar, contudo, de suas credenciais duvidosas, o Dr. Phinuit mostrava-se muitas vezes brilhante na transmissão de mensagens verídicas dos mortos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Mais tarde, Hodgson informou que, em sua primeira sessão em casa da Sra. Piper, o Dr. Phinuit descrevera corretamente e falara em nome de alguns de seus próprios amigos já falecidos. Em particular mencionou o nome correto de um antigo colega de estudos. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Ele diz que vocês freqüentaram a escola juntos</i>”, revelou o mensageiro a Hodgson. “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Ele pula e ri. Diz que levava a melhor com você. Teve convulsões ao lutar contra a morte. Morreu com uma espécie de espasmo. Você não estava lá</i>.” Todas essas triviais informações eram corretas, e alertaram o Dr. Hodgson para o fato de estar diante de um caso potencialmente de grande importância.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As comunicações que se seguiram ao aparecimento de seu velho amigo o impressionaram ainda mais. Hodgson era australiano, e, muitos anos antes de se mudar para a Inglaterra, apaixonara-se por uma moça, que não desposara, porém, e que havia falecido muito tempo antes das sessões espíritas. Hodgson ficou atônito, quando Phinuit começou a descrever a moça, e a transmitir várias mensagens pessoais, que, mais do que qualquer outra coisa, convenceram Hodgson da autenticidade do poder mediúnico da Sra. Piper.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Apesar da notável natureza da prova, o Dr. Hodgson não ficou certo de que se tratava realmente de contacto com os mortos. Era verdade que as mensagens pareciam vir do mundo dos mortos, e que o pesquisador passou meses fiscalizando as sessões de outros clientes cujas experiências pessoais se inclinavam na mesma direção. No entanto, à semelhança de tantos outros fundadores da Sociedade, Hodgson se viu envolvido no mesmo velho debate da telepatia versus comunicação espírita, que estava prejudicando o estudo das aparições. Sem dúvida, era razoável supor que as mensagens da Sra. Piper vinham dos mortos, mas também era possível que ela estivesse lendo as mentes dos participantes da sessão e colhendo todas as informações pertinentes. Tais informações, argumentava o pesquisador, poderiam ser usadas para elaborar personificações perfeitas (mas fictícias) do morto. Essa linha de raciocínio era tentadora, uma vez que o principal controle da Sra. Piper também parecia falso. Não foi preciso um salto muito grande na fé e na lógica para presumir que <i style="mso-bidi-font-style: normal">todos </i>os espíritos que se manifestavam regularmente através da médium tinham raízes psicológicas em sua própria mente. Hodgson a princípio adotou esse ponto de vista, que sustentou em seu primeiro relatório principal sobre o caso.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Ele não foi a única pessoa a receber tais mensagens evidentes, uma vez que muitos dos participantes das sessões espíritas com os quais esteve em Boston admitiram êxitos semelhantes. Assim, a fim de examinarem a Sra. Piper em condições mais rigorosas, Hodgson e seus colegas resolveram levá-la à Inglaterra, a fim de que se apresentasse pessoalmente à Sociedade de Pesquisas Psíquicas. Os pesquisadores da Sociedade ficaram realmente à vontade para observá-la atentamente. A viagem serviu também para assegurar que a Sra. Piper não recebia informações secretas acerca dos antecedentes das pessoas que a consultavam, pois não estivera antes na Inglaterra e não lhe era possível ter acesso a tais informações. Os consultantes eram, no caso, naturalmente os próprios pesquisadores.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A Sra. Piper viajou para a Inglaterra em 1889, e foi recebida no cais por F.W.H. Myers e Oliver Lodge, um destacado físico da Universidade de Liverpool e um dos mais esclarecidos dirigentes da Sociedade de Pesquisas Psíquicas. Os dois controlaram todos os movimentos da médium e mesmo, com o seu consentimento, abriram a sua mala e se certificara de que ninguém lhe estava fornecendo informações. A despeito dessas dificuldades, a Sra. Piper realizou sessões espíritas para a Sociedade, e Liverpool e em Cambridge, com grande sucesso.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Seria impossível entrarmos em grandes detalhes acerca daquelas importantes sessões. Lodge talvez tenha sido o que mais se impressionou com a Sra. Piper, em parte devido às suas próprias experiências com ela, em um relato feito por Lodge acerca de um incidente ocorrido durante um de suas primeiras sessões. Não se deve esquecer que se trata na realidade apenas de um episódio que ocorreu durante uma sessão muito prolongada. </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Aconteceu que um dos meus tios residentes em Londres, um home muito idoso, e um dos três únicos sobreviventes de uma família muito numerosa, tinha um irmão gêmeo, falecido havia vinte anos ou mais. Interessei-o de um modo geral pelo assunto, e escrevi-lhe pedindo para me mandar alguma relíquia de seu irmão. Pelo correio da manhã de certo dia, recebi um interessante relógio de ouro que seu irmão usava e de que gostava muito; e naquela mesma manhã, sem que ninguém da casa tivesse visto o relógio ou soubesse de sua presença, entreguei-o à Sra. Piper quando se encontrava em estado de transe. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Quase que imediatamente me foi dito que o relógio tinha pertencido a um de meus tios — um que gostava muito de Tio Robert, o nome do sobrevivente — que o relógio se encontrava então em poder do mesmo Tio Robert, com o qual ele estava ansioso para se comunicar. E, depois d alguma dificuldade, e muitas tentativas malsucedidas, o Dr. Phinuit disse o nome, Jerry, diminutivo de Jeremiah, e afirmou, enfaticamente, com se uma terceira pessoa estivesse falando: “Este é meu relógio, Robert meu irmão e estou aqui. Tio Jerry, meu relógio”&#8230; </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Tendo assim ostensivamente entrado em comunicação, por esse ou aquele meio, com o que devia ser um parente morto, o qual eu conhecera apenas ligeiramente, em seus últimos anos, já cego, mas a respeito de </i><i style="mso-bidi-font-style: normal">cuja vida pregressa eu nada sabia, observei-lhe que, para que Tio Robert ficasse certo de sua presença, deveria revelar alguns fatos triviais de sua infância, todos os quais eu lhe transmitiria exatamente. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Ele concordou plenamente com a idéia, e durante várias sessões seguintes passou a instruir ostensivamente o Dr. Phinuit a mencionar uma série de pequenas coisas que permitiria a seu irmão reconhecê-lo&#8230; </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">O Tio Jerry relembrou episódios tal como uma ocasião em que os meninos nadaram juntos em uma enseada, com risco de se afogarem; um gato que mataram no terreno de Smith; a posse de uma pequena carabina e de uma pele comprida, como uma pele de cobra, que ele não achava estar em posse de Tio Robert. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Todos esses fatos foram mais ou menos completamente verificados.</i>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O único problema com as provas tais como essas era que a Sra. Piper costumava segurar as mãos dos consultantes. Alguns céticos sugeriam que o consultante poderia transmitir informações à espírita, por meio de movimentos musculares inconscientes e sutis. Essa idéia foi sustentada principalmente por Andrew Lang, um dos primeiros membros da Sociedade para Estados Psíquicos e pioneiro no estudo da antropologia e do folclore, que manteve prolongada discussão com Lodge sobre a questão, nas publicações da Sociedade. Lang encarava a Sra. Piper com ceticismo, porém mesmo ele admitiu finalmente que a referência à <i style="mso-bidi-font-style: normal">pele de cobra</i> antes citada era boa demais para ser desprezada.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Vários dos dirigentes da Sociedade puderam trabalhar com a Sra. Piper durante a sua viagem. Elaboraram juntos um relatório sobre o seu trabalho, no qual chegaram a quatro conclusões principais: (1) que não havia motivo para se suspeitar da boa fé ou honestidade da Sra. Piper; (2) que a Dr. Phinuit era provavelmente uma personalidade da própria mente da espírita; (3) que muitas vezes ele <i style="mso-bidi-font-style: normal">forçava</i> sua entrada em algumas das sessões, mas que (4) podia proporcionar farta quantidade de material altamente probante. Os pesquisadores, contudo, não se arriscaram a afirmar que as mensagens vinham dos mortos. A esse respeito se achavam inteiramente divididos. Sir Oliver Lodge preferia a sua hipótese a qualquer outra, acerca da fonte das comunicações da Sra. Piper, mas a hipótese telepática ganhava terreno, e alguns pesquisadores a aceitavam.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Mesmo, porém, sem chegarem a acordo acerca da fonte das comunicações da Sra. Piper, os dirigentes da Sociedade para Pesquisas Psíquicas não se descuidaram de estudar as suas formidáveis habilidades. Em 1890, ela regressou a Boston, onde continuou a trabalhar sob os auspícios de Hodgson. Embora os motivos não sejam claros, parece que então a qualidade de sua mediunidade estava melhorando. Algumas de suas sessões eram tão impressionantes, que a hipótese telepática teria de ser muito ampliada para explicá-las. Essa, sem dúvida, era a opinião do Reverendo S. W. Sutton e de sua senhora, que participaram pela primeira vez de sessões com a Sra. Piper em 1893. O que o casal esperava era se comunicar com filhinha Katherine, que morrera apenas seis semanas antes. Os Sutton eram pessoas inteligentes e levaram consigo um taquígrafo, providenciado pelo Dr. Hodgson, de modo que ainda temos uma anotação estenográfica completa do que transpirou durante a crítica sessão de 8 de dezembro, ocasião em que vários membros já falecidos da família Sutton, inclusive a do casal, falaram por intermédio da Sra. Piper. A sessão foi de tanta importância para se compreender a psicologia da mediunidade da Sra. Piper, que é transcrita abaixo uma versão publicada da sessão.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A sessão começou com a Sra. Piper segurando as mãos do taquígrafo. Logo depois, ela entrou em transe, e então a Sra. Sutton segurou suas mãos. Não levou muito tempo para que o enigmático Dr. Phinuit conseguisse apresentar a filha do casal. Os Sutton puderam ouvir então o guia chamando a criança para se aproximar, e depois ele falou, como se fosse a filha. Era freqüente a comunicação daquela maneira. Ele tomou uma medalha e uma tira com botões que os Sutton haviam colocado na mesa da sessão, depois falou: </p>
</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Dr. Phinuit</b></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"></b>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Anotações da Sra. Sutton</b></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 1">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Quero isso. Quero morder isso. Depressa, quero pô-los na boca&#8230;</i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Ela costumava morder isso. Os botões também. Morder os botões era proibido. Ele imitou exatamente o seu modo travesso.</i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 2">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Quero que ela fale com vocês. Quem é Frank no corpo?</i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Não conhecemos. Meu tio morreu anos antes. Gostávamos muito dele. É possível que Phinuit tenha confundido e meu tio esteja tentando se comunicar.</i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 3">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Está aqui uma senhora que desencarnou com um tumor nas estranhas.</i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Minha amiga, Sra. C., morreu de tumor ovariano.</i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 4">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Ela está com a criança&#8230; Está trazendo para mim. Quem é Dodo? Fale comigo depressa. Quero que você chame Dodo. Diga a Dodo que estou feliz. Não chorem mais por minha causa.</i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">O nome de seu irmão George.</i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 5; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">(Phinuit leva as mãos ao pescoço.) Não sinto mais nada na garganta. Papai, fale comigo. Não pode me ver? Não estou <i>morta, estou vivendo. Estou feliz com vovó.</i></i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Ela sentia muita dor na garganta e na língua.</i></p>
<p><i>Minha mãe morrera há muitos anos.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> <span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa"></span>
<p class="MsoNormal"></p>
<p>&#160;</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 1">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">(Phinuit passa a falar por si mesmo.) Estão aqui mais dois. Um, dois, três aqui&#8230; o mais velho e o mais moço que Kakie. É um menino. O que veio primeiro.</i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
</p>
<p>           <i style="mso-bidi-font-style: normal">&#160;</i></p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Está correto. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Ambos eram meninos.</i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 2">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">A pequena chama a senhora de titia. Queria que você visse essas crianças. (Dirigindo-se ao Sr. Sutton.) Você fez muito bem ao corpo. (À Sra. Sutton.) Ele é um bom homem. A língua desta pequena estava muito seca? Ela está me mostrando a sua língua. Seu nome é Katherine. Ela se chama de Kakie. Desencarnou por último. </i>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Não sua tia. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
</p>
<p>           <i style="mso-bidi-font-style: normal">&#160;</i></p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">A sua língua estava paralisada e a fez sofrer muito. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Está correto. </i>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 3">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Diga a Dodo que Kakie está no corpo espiritual. Onde está o cavalo? O grande, não o cavalinho. Papaizinho, me leva para fora (para andar a cavalo). (Falando por Katherine.) Estão vendo Kakie? As lindas flores que puseram em mim estão aqui comigo. Tomei as suas almazinhas e guardei-as comigo. Papai, quero andar a cavalo. Todos os dias vou ver o cavalo. Gosto daquele cavalo. Vou andar a cavalo. Estou com você todos </i><i style="mso-bidi-font-style: normal">os dias.</i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
</p>
<p>           <i style="mso-bidi-font-style: normal">&#160;</i></p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Eu lhe dei um cavalinho. Provavelmente se refere a um carrinho e cavalo de brinquedo.</i><i style="mso-bidi-font-style: normal">&#160;</i></p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Phinuit descreve os lírios do vale, que foram colocados em seu caixão.</i><i style="mso-bidi-font-style: normal">&#160;</i></p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
</p>
<p>           <i style="mso-bidi-font-style: normal">Ela pediu isso durante toda a sua doença. Perguntei se ela se lembrava de alguma coisa depois que foi trazida para baixo.</i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 4; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Eu estava muito quente, minha cabeça </i><i style="mso-bidi-font-style: normal">estava muito quente.</i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
</p>
<p>           <i style="mso-bidi-font-style: normal">Correto.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Foram recebidas outras mensagens, e Kakie se referiu à sua irmã Eleanor pelo nome. Depois, para grande surpresa dos Sutton, o guia começou a cantar uma canção que fora cantada para a menina antes de sua morte. A menina pediu aos pais que cantassem com ela, e o casal atendeu ao pedido. Enquanto estava cantando, ouviram uma vozinha infantil saindo da boca da médium e entoando as palavras exatas. Foram cantadas duas estrofes, antes de se prosseguir a sessão. Depois, a menina cantou, por intermédio da médium, outra canção que aprendera
<personname w:st="on" productid="em vida. Parecia">em vida. Parecia</personname> que a criança estava falando diretamente através da Sra. Piper e não mais se utilizando do guia. O que impressionou os Sutton foi o fato de serem aquelas duas canções as únicas que a menina sabia inteiramente. Nesse ponto, Phinuit reapareceu e a sessão continuou: </p>
</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Dr. Phinuit </b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"></b>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Anotações da Sra. Sutton </b>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 1">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Cadê Dinah? Quero Dinah. </i>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Dinah era uma velha boneca de pan preta, que não estava conosco. </i>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 2">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Quero Bagie. </i>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Apelido de sua irmã Margaret. </i>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 4">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Quero que Bagie traga Dinah para mim. Quero Bagie. Quero Bagie o tempo todo. Diga a Dodo, quando o virem, que gosto muito dele. Querido Dodo. Ele costumava caminhar comigo. Costumava me carregar. </i>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="bottom" width="286">
<p class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Correto. </i>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 6; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 203.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="271">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Dodo cantou para mim. Era um corpo horrível. Agora um corpo bonito. Diga a avó que gosto muito dela. Quero que ela saiba que vivo. Minha avó sabe disso, Marmie&#8230; Bisavó, Marmie.</i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 18pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="24">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p>&#160;</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 214.6pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="bottom" width="286">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Nós chamamos sua bisavó de Marmie, mas ela sempre a chamou de Grammie. Tanto a avó quanto a bisavó estavam vivas então.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Quando surgiam provas dessa espécie, o Dr. Hodgson começou a duvidar da idéia de que a telepatia era capaz de explicar as manifestações da Sra. Piper. Até mesmo o de certo modo discutível, mas vivamente simpático, Dr. Phinuit começou a se impor. Somente depois, porém, que morre um dos próprios amigos de Hodgson, e começou a se comunicar com ele por intermédio da Sra. Piper, foi que ele afinal mudou de todo a sua opinião sobre a mediunidade da mesma. Isso ocorreu em 1892, durante uma fase crucial daquela mediunidade.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Antes de <metricconverter w:st="on" productid="1892, a">1892, a</metricconverter> mediunidade de Sra. Piper se caracterizava por duas coisas. Ela sempre transmitia as suas mensagens falando em estado de transe e a sua transição para aquele estado era acompanhada por convulsões e espasmos. Foi a fase de mediunidade dominada pela sempre presente personalidade do Dr. Phinuit, para desconforto dos pesquisadores que o consideravam apenas como uma subpersonalidade da médium. Em 1892, porém, a Sra. Piper começou a se tornar capaz (sob a direção de Hodgson) de escrever automaticamente, o que dentro em pouco substituiu as palavras pronunciadas durante o estado de transe. A transição para o estado de transe também se tornou mais fácil e tranqüila naquela fase. A verdadeira mudança no transe ocorreu, todavia, com uma nova personalidade que substituiu o Dr. Phinuit como guia espiritual. George Pellew (que Hodgson chamou de <i style="mso-bidi-font-style: normal">George Pelham</i> em seus escritos sobre o caso) era um jovem amigo dos pesquisadores, dado a estudos filosóficos. Ele participou uma vez de uma sessão com a Sra. Piper, antes de sua morte, e ficou muito preocupado com os problemas da mediunidade em estado de transe. Sua morte ocorreu em 1892, em conseqüência de um acidente, e não passou muito tempo antes que ele começasse a se comunicar por intermédio da Sra. Piper. Dentro em pouco ele assumiu inteiramente o controle do estado de mediunidade da mesma.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O aparecimento do controle de Pelham também anunciou uma nova dimensão na qualidade da mediunidade, que se tornou mais focalizada e consistentemente probante. Hodgson também usou o espírito de Pelham para verificar a possível base espírita de toda a mediunidade. Nos meses seguintes, ele levou às sessões 150 pessoas, 30 das quais tinham conhecido Pelham
<personname w:st="on" productid="em vida. O">em vida. O</personname> espírito de Pelham reconheceu perfeitamente 29 delas. Seu único lapso ocorreu quando deixou de reconhecer uma moça que conhecera quando criança. A maior parte dos participantes das sessões pôde conversar com o espírito de Pelham, como se ele próprio estivesse ali em carne e osso, e a qualidade de suas muitas conversas em transe foi certamente igual à das sessões de Pelham. Hodgson ficou tão impressionado com essa nova personalidade, que escreveu outro relatório sobre a Sra. Piper, em 1898, no qual expôs os motivos que o levaram a se converter à teoria espírita.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A história subseqüente da mediunidade da Sra. Piper não é menos imponente ou dramática. Ela sofreu as mais diversas mudanças de controle, e, quando o Dr. Hodgson morreu de repente, em 1905, passou posteriormente a se comunicar por intermédio dela. A mediunidade da Sra. Piper começou a se deteriorar em 1911, e ela perdeu de todo o estado de transe, embora a escrita automática continuasse durante alguns anos mais. Ela realizou sessões ainda na década de 1920, e morreu em 1950.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Talvez se admita hoje que toda a questão da sobrevivência pode ter sido baseada na mediunidade da Sra. Piper. Mesmo, porém, com tão elevada qualidade comprobatória, alguns dos componentes da velha guarda da Sociedade de Pesquisas Psíquicas ainda se mostravam céticos quanto à hipótese espírita. Vários de seus <i style="mso-bidi-font-style: normal">guias</i>, por exemplo, ainda continuavam a ser personagens fictícias, e mesmo os mais dignos de crédito — que deveriam conhecer melhor — sustentavam a legitimidade dos que eram flagrantemente fictícios. Mesmo o altamente considerado Pelham não conseguia discutir questões filosóficas muito bem, por intermédio da Sra. Piper, apesar de se tratar de matéria a que era muito afeiçoado quando em vida. Foi com esperança de esclarecer alguns desses problemas que a Sociedade estava sempre à procura de novos e eficientes médiuns. Essa tendência foi, de certo modo, fortuita, uma vez que muitos dos fundadores da Sociedade estavam começando a passar. Surgiu uma nova geração de pesquisadores para continuar o seu trabalho. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Correspondência-Cruzada</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">F.W.H. Myers morreu em 1901, um ano depois da morte do Professor Henry Sidgwick. A morte de Gurney ocorrera alguns anos antes, tragicamente, talvez por suicídio. A direção da Sociedade de Pesquisas Psíquica caiu nas mãos de um grupo de novos intelectuais, chefiados por Alice Johnson, protegida pela esposa do Professor Sidgwick, e J. C. Piddington, erudito e advogado que cedo dedicou toda a sua atenção às pesquisas psíquicas. Esses pesquisadores ocuparam-se em estudar a mediunidade da Sra. Piper, mas também se interessando por várias outras médiuns que entraram
<personname w:st="on" productid="em cena. Entre">em cena. Entre</personname> essas se destacava a Sra. Margaret Verrall, esposa de um professor de Cambridge, e sua filha Helen. Ambas estavam bem a par do trabalho da Sociedade de Pesquisas Psíquicas antes de manifestarem sua própria mediunidade. A Sociedade também se dedicou ao estudo dos escritos automáticos da irmã de Rudyard Kipling na Índia, que identificava apenas como <i style="mso-bidi-font-style: normal">Sra. Holland</i> nos relatórios a seu respeito. Na realidade, ela entrou em contacto com a Sociedade quando se viu, de repente, recebendo mensagens automaticamente escritas do sobrevivente F.W.H. Myers. A última do grupo de novas médiuns foi uma mulher chamada apenas de <i style="mso-bidi-font-style: normal">Sra. Willet</i> nos relatórios e que era a mais talentosa do grupo. Foi somente anos depois de sua morte que foi revelada a sua identidade, como sendo a da Sra. Winifred Coombe-Tenant, destacada estadista britânica
<personname w:st="on" productid="em vida. Foi">em vida. Foi</personname> altamente satisfatório o fato de ter a Sociedade encontrado tantas médiuns talentosas, pois se viu que os falecidos fundadores da Sociedade estavam ansiosos para se comunicarem do além.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Não era de se surpreender que aqueles eminentes intelectuais quisessem entrar em contacto com os seus colegas, mas foi surpreendente a natureza de suas comunicações. Algumas vezes, uma das espíritas, trabalhando sozinha em casa, rabiscava uma mensagem pouco inteligível, mas que parecia estar relacionada com o que uma das outras estava escrevendo ao mesmo tempo. Essas mensagens muitas vezes pareciam vir do falecido Myers. Piddington e Johnson constataram, dentro em pouco, que curiosos quebra-cabeças eram transmitidos através das mensagens, uma vez que, quando elas eram juntadas, revelava-se uma importante comunicação. Tais quebra-cabeças foram imediatamente denominados <i style="mso-bidi-font-style: normal">correspondência-cruzada</i> e representaram um capítulo muito importante na literatura da mediunidade
<personname w:st="on" productid="em transe. Continuaram">em transe. Continuaram</personname> durante anos, e davam a impressão de que Myers estivesse lançando mão de um meio bem pessoal de mostrar a sua continuada sobrevivência aos colegas que deixara para trás. </p>
</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 95.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="bottom" width="127">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-size: 10pt">A Sra. Margaret Verrall foi a protagonista das correspondências cruzadas, que, afirmava, eram escritas deliberadamente por uma única personalidade: a de F. W. H. Myers, então recém-falecido. (Biblioteca Mary Evans)</span></i></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 336.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="449">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image008.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="clip_image008" border="0" alt="clip_image008" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image008_thumb.jpg" width="360" height="573" v:shapes="_x0000_i1028" /></a></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Algumas das correspondências-cruzadas se tornaram enormemente complexas, uma vez que Myers tinha o hábito de resumir seu material e citações da literatura clássica grega e romana. A maioria das médiuns ignorava aquela espécie de literatura, mas Myers era uma autoridade no assunto, de sorte que a sua escolha foi, sem dúvida, muito a propósito. Um dos casos mais fáceis de ser seguido foi o dos túmulos dos Medicis, que o <i style="mso-bidi-font-style: normal">soi-disant</i> Myers comunicou por intermédio de várias médiuns da Sociedade, em <metricconverter w:st="on" productid="1906. A">1906. A</metricconverter> correspondência-cruzada surgiu quando a Sra. Holland se encontrava visitando a Inglaterra, naquele ano. Alguns de seus escritos particulares daquele período continham mensagens de Myers alusivas a morte, sono, sombras, amanhecer, noite e madrugada. Não foram dadas chaves para se saber o significado daqueles temas, a não ser o nome de <i style="mso-bidi-font-style: normal">Margaret </i>(Verrall), que foi acrescentado.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Alusões tão crípticas sugeriam que havia nas obras uma correspondência-cruzada; assim, depois de se informarem acerca dos escritos, Alice Johnson e Piddington trataram de verificar os escritos que outras médiuns estavam enviando. Como a Sra. Piper também se encontrava na Inglaterra, naquela ocasião, J.G.P. Piddington realizou com ela outra sessão alguns meses depois e ela disse as seguintes palavras, ao voltar de transe: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">cabeça demore&#8230; louro por louro. Digo que dou isso a ela pelo lauro. Adeus</i>”. Ela viu também a aparição de um negro. Isso realmente não fazia muito sentido, de maneira que Piddington realizou outra sessão com a Sra. Piper, no dia seguinte. Durante a sessão, Myers se comunicou diretamente e explicou que a chave da críptica mensagem podia ser encontrada examinando-se os escritos da Sra. Verrall. (Não se deve esquecer que havia uma alusão a essa mesma mensagem nos incipientes escritos da Sra. Holland.) Constatou-se que o desencarnado Myers estava um pouco por fora, pois as seguintes alusões ao quebra-cabeça se encontravam nos escritos da Sra. Verral feitos
<personname w:st="on" productid="em Cambridge. Ela">em Cambridge. Ela</personname> seguiu o tema dos louros, escrevendo certo dia: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Túmulo de Alexandre&#8230; folhas de louro são emblemas, louro para a fronte do vencedor</i>”. Também a Sra. Holland ainda estava sob a influência do suposto Myers, pois, pouco depois que chegaram os escritos da Sra. Verrall, ela escreveu, certa noite: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Escuridão, luz, sombra, a cabeça de Alexander Moor</i>”. Deve se notar que nenhuma das espíritas estava em contacto com qualquer das outras.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Há pouca dúvida de que aquelas mensagens estavam inter-relacionadas embora tivessem pouco sentido para o leitor moderno. Os dirigentes da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, porém, eram versados em literatura e história clássicas, e as alusões tinham muito sentido para eles. A explicação final ocorreu quando a Sra. Willett entrou em contacto com a Sociedade, para apresentar alguns de seus escritos automáticos, que continham as palavras: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Túmulo Laurenciano, Alvorecer e Crepúsculo</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Tornou-se aparente que todas aquelas mensagens se referiam ao túmulo da família Medicis na Itália&#8230; J.G. Piddington explica, em seu relatório sobre a correspondência-cruzada, que o louro era o emblema de família de Lorenzo, o Magnífico, que foi patriarca dos Medicis. Outros símbolos esculpidos nos túmulos da família representam o amanhecer e o crepúsculo. A alusão a Alexandre não era muito estranha, uma vez que outro membro da família foi Alessandro de Medicis. Era chamado <i>O Mouro</i>, por causa de sua ascendência mulata, e foi enterrado secretamente em um túmulo da família. </p>
</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 86.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="bottom" width="115">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-size: 10pt">F. W. H. Myers com seu filho Harold.</span></i><span style="font-size: 10pt"> (Biblioteca Mary Evans) </span>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 345.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="461">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image010.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="clip_image010" border="0" alt="clip_image010" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image010_thumb.jpg" width="383" height="577" v:shapes="_x0000_i1029" /></a></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Uma interpretação do episódio, portanto, é que o falecido Myers usou o seu conhecimento a respeito dos túmulos para introduzir um quebra-cabeça literário nos escritos das médiuns. Tratava-se de um tipo de conhecimento
<personname w:st="on" productid="em que Myers">em que Myers</personname> era muito versado, mas que não estava ao alcance da cultura de algumas das espíritas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O caso dos túmulos dos Medicis é, na verdade, bem simples. Algumas das outras correspondências-cruzadas foram muito mais complexas e levaram anos para se completarem. O apogeu das correspondências-cruzadas ocorreu, provavelmente, em 1906, quando a Sra. Piper ainda se encontrava na Inglaterra. Durante uma das sessões com ela, Piddington dirigiu uma mensagem especialmente elaborada a Myers, que estava preparado para recebê-la. Expôs a Myers, por intermédio da Sra. Piper: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Estamos cientes do esquema de correspondências-cruzadas que enviaste por intermédio de várias médiuns e esperamos que continue com ele. Procura dar a A e B duas mensagens diferentes, entre as quais não seja discernível relacionamento algum. Depois, o mais cedo possível, entrega a C uma terceira mensagem que revele as sugestões ocultas.</i>” Também propôs que Myers mostrasse suas alusões à correspondência-cruzada, assinando os escritos pertinentes com um triângulo inscrito em um círculo.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Ora, essa mensagem revestiu-se de uma característica muito importante, pois foi lida em latim ciceroniano à médium já em estado de transe. A Sra. Piper, naturalmente, não sabia latim e especialmente um dialeto tão obscuro, mas o idioma era bem familiar a Myers quando
<personname w:st="on" productid="em vida. A">em vida. A</personname> mensagem foi respondida com a informação de que fora compreendida.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Passaram-se apenas algumas semanas para o desencarnado Myers ditar sua complicada correspondência-cruzada. Entre 17 de dezembro e 2 de janeiro, começaram a aparecer nos escritos da Sra. Verral e sua filha alusões aos temas de estrelas, esperança e poesia de Robert Browning. Essas alusões tiveram pouco sentido para Piddington, até que ele recebeu uma mensagem em uma sessão com a Sra. Piper, em Londres, no sentido de “<i style="mso-bidi-font-style: normal">procurar Estrela, Esperança e Browning</i>”. As alusões se mostraram então perfeitamente compreensíveis, quando Piddington tratou de procurar em Browning e verificou que a correspondência-cruzada se referia a temas contidos no poema <i style="mso-bidi-font-style: normal">Abt Vogler</i>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As correspondências-cruzadas continuaram durante anos, começando a decair na década de 1910. Os dirigentes da Sociedade de Pesquisas Psíquicas as consideraram como provas muito convincentes da sobrevivência, embora se mostrassem muito problemáticas para o estudioso moderno A maior dificuldade das correspondências-cruzadas é a necessidade de se ter conhecimentos clássicos muito amplos para apreciá-las devidamente. Escrevendo em 1972, o Dr. Robert Thouless — psicólogo britânico, que é uma autoridade no problema da sobrevivência — chegou a ponto de dizer que “<i style="mso-bidi-font-style: normal">se essa foi uma experiência imaginada&#8230; do outro lado do túmulo, acho que deve ser considerada como uma experiência muito mal imaginada. Forneceu uma grande quantidade de material cujo valor probante é muito difícil de ser julgado e acerca da qual as opiniões variam</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O veredito do Dr. Thouless é bastante severo, mas corresponde à opinião de muitos pesquisadores contemporâneos. De qualquer modo, é importante notar que os pesquisadores que estudaram as correspondências-cruzadas mais intensamente acabaram por ver nelas uma forte e quase irrefutável prova da vida após a morte. A única exceção foi o cético Frank Podmore, que acreditava que as mesmas poderiam ser explicadas pela telepatia entre as médiuns. Atribuiu especialmente à Sra. Verral como fonte da divulgação, uma vez que era a única das médiuns que tinha bom conhecimento dos clássicos. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Novas Circunstâncias nas Pesquisas Sobre a Mediunidade</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O declínio da mediunidade da Sra. Piper e da correspondência-cruzada em geral, depois de 1910, não impediu o progresso das pesquisas sobre a sobrevivência na Grã-Bretanha. Simplesmente encerrou um capítulo das pesquisas, ao mesmo tempo que outros se iniciavam. Os pesquisadores psíquicos tornavam-se mais requintados e começavam a compreender que necessitavam de novos caminhos para explorarem a natureza da mediunidade pelo transe. A oportunidade surgiu em 1915, quando Sir Oliver Lodge chamou a atenção da Sociedade de Pesquisas Psíquicas para uma outra grande médium. Era uma mulher nascida na Inglaterra que, em transe, revelava uma guia chamada <i style="mso-bidi-font-style: normal">Feda</i>, que, por sua vez, dizia ser natural da Índia, onde morrera ainda na infância. Por mais improvável que isso pudesse parecer, as pesquisas com a talentosa médium se estenderam pelas duas décadas seguintes e mesmo depois.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A Sra. Gladys Osborne Leonard nasceu em 1882. Durante a infância teve visões e encontros paranormais, mas, como acontece com tantas outras espíritas, a sua mediunidade só se manifestou quando ela começou a participar de experiências de inclinação de mesa, no porão de um teatro onde trabalhava como atriz. Seguiu-se o transe e, em 1915, ela começou a se tornar famosa nos círculos espíritas de Londres. Um amigo de Sir Oliver Lodge e sua esposa assistiam a uma das sessões espíritas de que ela participava, naquele mesmo ano, e ficaram tão impressionados que recomendaram ao físico. Lodge, depois de ser informado sobre as qualidades da Sra. Leonard, assistiu a uma das sessões espíritas, e ele e sua esposa receberam um certo número de comunicações comprobatórias de seu filho, que fora morto na guerra. A peça probante mais impressionante foi a descrição de uma fotografia, que o morto afirmava ter sido tirada dele com o seu pelotão. Essa fotografia chegou pelo correio, algum tempo depois da sessão espírita. </p>
</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 338.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="451">
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image012.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="clip_image012" border="0" alt="clip_image012" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image012_thumb.jpg" width="368" height="487" v:shapes="_x0000_i1030" /></a></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 93.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="bottom" width="125">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-size: 10pt">A Sra. Gladys Osborne Leonard deu mais de setenta sessões convencendo a Sociedade de Pesquisas Psíquicas de que as suas qualidades psíquicas eram verdadeiras. (Biblioteca Mary Evans) </span>
</p>
<p>           </i></p>
</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Lodge estava plenamente familiarizado com a psicologia da mediunidade graças à sua prolongada associação com o trabalho com a Sra. Piper, mas coube a novos e mais inovadores pesquisadores explorar as possibilidades oferecidas pela mediunidade da Sra. Leonard.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Provavelmente, as mais notáveis séries de experiências feitas com a Sra. Leonard foram empreendidas pela conhecida escritora Ann Radclyffe-Hall, que fazia parte, então, da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, e Una, Lady Troubridge, em 1919. O principal espírito comunicador foi o de uma falecida amiga de Miss Radclyffe-Hall, à qual os relatórios se referem apenas pelas iniciais (A.V.B.). As duas investigadoras participaram de sua primeira sessão com a Sra. Leonard em sua casa, no dia 19 de agosto, e Feda, então, descreveu uma mulher com cerca de 60 anos, que estava querendo se comunicar. Também descreveu as feições fisionômicas da mulher e o seu penteado. Esses dados foram suficientes para Miss Radclyffe-Hall identificar o espírito, pois sua amiga morrera pouco antes, aos 57 anos de idade. O espírito de A.V.B. também se manifestou na sessão seguinte, quando Feda explicou que a comunicadora “<i style="mso-bidi-font-style: normal">às vezes olhava de soslaio para as pessoas, sem mover a cabeça, e estava olhando daquela maneira então</i>”. Essas eram características de Miss A.V.B. em vida, e as participantes da sessão ficaram muito impressionadas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Talvez a mais impressionante das sessões foi a realizada no dia 22 de novembro. O espírito de A.V.B. aproveitou aquela ocasião para enviar um grupo de mensagens comprobatórias acerca de uma viagem às Ilhas Canárias que ela e Miss Radclyffe-Hall tinham feito certa vez. O espírito descreveu cenas de suas aventuras juntas, e finalmente mencionou que ilhas haviam visitado. Citemos algo do registro da sessão: </p>
</p>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Feda </b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Sabe alguma coisa a respeito de uma ilha, que não fica longe daqui?</i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 1">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">M.R.H.<span style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160; </span></b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Sim, sei algo a respeito de uma ilha.</i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 2">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Feda </b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Disse de súbito: “Ilha, ilha, ilha”. Fica mostrando a Feda uma faixa de terra estendida no meio da água e diz: “É uma faixa de terra estendida na água?” </i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 3">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">M.R.H.<span style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160; </span></b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Sim, é uma ilha. </i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 4; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Feda </b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Ela diz que é um lugar chamado Ter&#8230; ter&#8230; terra&#8230; Oh! Feda não consegue entender de todo, mas ela diz que é um lugar chamado Ter&#8230; Te&#8230; não. Feda não consegue entender, mas começa Te&#8230; É Tener&#8230; Tener&#8230; Ten&#8230; Ten&#8230; Como, senhora? </i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table style="border-collapse: collapse; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt" class="MsoTableGrid" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">M.R.H.<span style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160; </span></b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Tener está certo.</i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 1">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Feda </b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Teneri&#8230; Teneri&#8230; i&#8230; i&#8230; fe&#8230; fe&#8230; ife&#8230; Tenerifer. Ela diz que não concorda com “fer”. Diz que Tener está certo. Diz que cortando a última “er” está certo. </i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 2">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Feda </b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">(Em voz baixa: Tenerife, é Tenerife!) Ela continua dizendo que é uma ilha, é uma ilha, diz ela, e diz que é um belo lugar, ela diz: “Tenerife!” Sabe? Ela se manifestou de súbito. Diz que está exasperada porque a senhora não está compreendendo. Pensa que Feda está atrapalhando. Agora está dizendo que há um lugar chamado M. de novo&#8230; Masager&#8230; Masager&#8230; Madaga&#8230; Maza</i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 3">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">M.R.H </b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Maza está certo, Feda. </i>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 4">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Feda </b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Mazaga&#8230; Mazager&#8230; Mazagi&#8230; Mazagon&#8230; (Aqui omitimos vários outros esforços por parte de Feda para pronunciar o nome, que afinal terminou com </i>Mazagal<i style="mso-bidi-font-style: normal">.) </i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 5">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">M.R.H.<span style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160; </span></b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Não, não é bem Mazagal, Feda. </i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 6">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Feda<span style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160; </span></b>
</p>
</p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Mazagan! </i></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 7; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 68.4pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="91">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">M.R.H.</b></p>
</td>
<td style="padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 363.8pt; padding-right: 5.4pt; padding-top: 0cm" valign="top" width="485">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Está certo, Feda.</i></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Mazagan era o nome de uma cidade de Marrocos que as duas amigas tinham visitado a caminho das Ilhas Canárias.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Durante uma sessão posterior, Miss Radclyffe-Hall fez uma pergunta teste. Perguntou a Feda (por intermédio da médium) se o espírito comunicante podia se lembrar da palavra <i style="mso-bidi-font-style: normal">poon</i>. Feda imediatamente respondeu que a comunicante estava rindo e respondeu que a palavra era usada para significar um estado ou condição. Essa resposta correta levou a consultante a pedir ao espírito para citar outra palavra que tinham inventado. Feda pareceu ter alguma dificuldade em receber a palavra da entidade, de modo que o assunto foi posto de lado no momento. Na sessão seguinte, porém, Feda interrompeu de súbito o que estava dizendo, para exclamar: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Sporkish! Sporkish</i>. Ela diz que é a síntese de <i style="mso-bidi-font-style: normal">poon</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Estava certo. As duas amigas tinham inventado aquelas palavras como um código particular, para designar as pessoas de quem gostavam ou que achavam cacetes.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As sessões realizadas por Miss Radclyffe-Hall e Una, Lady Troubridge, para entrarem em contacto com Miss A.V.B. duraram dois anos. O espírito comunicador chegou mesmo a adquirir a capacidade de controlar diretamente a médium, que muitas vezes falava com as mesmas características vocais da falecida. Esse aspecto dramático da mediunidade da Sra. Leonard não foi um caso isolado, pois participantes de muitas sessões espíritas, naqueles anos, se comunicaram com parentes mortos por intermédio direto da médium. Todo o comportamento da Sra. Leonard se alterava naquelas ocasiões, e ela assumia as características vocais e mesmo físicas das pessoas desencarnadas. A semelhança impressionava profundamente muitos dos participantes das sessões.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Embora os relatórios de Radclyffe-Hall fossem extremamente corretos, pouco contribuíram realmente para o problema da sobrevivência. A despeito da excelente qualidade da mediunidade da Sra. Leonard e das provas, os céticos continuavam sustentando que a informação crucial poderia ter sido telepaticamente derivada da mente dos próprios participantes das sessões. Era evidente que se tornava necessário um novo método no estudo da mediunidade, e isso surgiu quando C. Drayton Thomas, clérigo britânico e membro ativo da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, começou a trabalhar com a Sra. Leonard, em 1917. Reunindo-se regularmente com a médium em sua casa, ele recebeu volumosas mensagens de seu pai e de sua irmã já falecidos. Drayton Thomas também instituiu um tipo de prova peculiar com o espírito de seu pai, que se tornou conhecida como <i style="mso-bidi-font-style: normal">prova do livro</i> e que abriu um novo capítulo nas pesquisas para se provar a sobrevivência psíquica. Em tais experiências, Drayton Thomas pedia ao espírito para examinar psiquicamente livros que se encontravam, ou em um embrulho fechado, ou em sua própria biblioteca. A sua idéia era a de forçar o espírito a fornecer informação que não podia ser furtada da própria mente do consultante.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As experiências deram ótimo resultado. Uma das provas mais espetaculares desse gênero ocorreu durante uma das primeiras sessões de Drayton Thomas com a Sra. Leonard, quando ele ouviu algumas pancadas peculiares na casa. Seu primeiro pensamento foi de que pudessem ser tentativas por parte de seu pai para entrar em comunicação com ele. Participou de uma sessão com a Sra. Leonard e não tardou a ter uma explicação do mistério. Feda — sem qualquer iniciativa por parte do consultante — a iludiu espontaneamente ao incidente e explicou que <i style="mso-bidi-font-style: normal">ela </i>fora uma das que batera na casa do clérigo. Em seguida, Feda trouxe o pai de Drayton Thomas, que comunicou uma mensagem bastante críptica, por intermédio de Feda. Nessa mensagem, disse ao filho para regressar para casa e encontrar um volume “<i style="mso-bidi-font-style: normal">&#8230;atrás da porta do seu escritório, na segunda prateleira a contar do chão e o quinto livro a partir da esquerda. Quase no alto da página 17, encontrará palavras que parecem indicar o que Feda estava </i><i style="mso-bidi-font-style: normal">tentando dizer quando bateu em seu quarto</i>”. E o espírito acrescentou: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Agora que você está ciente da tentativa de Feda, verá o inequívoco ajustamento daquelas palavras com o fato</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O clérigo mal pôde esperar o momento de voltar para casa, a fim de ver se seu pai e Feda estavam certos. O livro que encontrou no lugar indicado era um volume de Shakespeare. A página indicada continha uma passagem muito adequada de Rei Henrique IV, que dizia: “<i style="mso-bidi-font-style: normal">Não te responda rei com palavras, mas com pancadas</i>”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Sucessos tais como esse foram numerosos, e a sua eficiência não poderia ser explicada como decorrente de mera coincidência. De fato, alguns pesquisadores da Sociedade — estimulados pelo sucesso de Drayton Thomas — realizaram experiências com a <i style="mso-bidi-font-style: normal">prova do livro</i> entre eles, sem conseguirem qualquer êxito prático. Drayton Thomas mais tarde expandiu as experiências fazendo com que o espírito de seu pai predissesse palavra e trechos que apareceriam em jornais do dia seguinte. Também essas experiências foram altamente bem-sucedidas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Os resultados indicaram, sem sombra de dúvida, que a Sra. Leonard possuía extraordinária capacidade psíquica. Drayton Thomas também conseguiu demonstrar que a simples telepatia não poderia explicar muitas da comunicações que o espírito de seu pai transmitia. Ele favoreceu, assim, uma interpretação espírita das comunicações. Olhando-se, porém, atualmente, para aquelas experiências, partindo-se de uma perspectiva mais moderna, a opinião de Drayton Thomas parece um tanto abalada. Durant aqueles anos críticos, os pesquisadores não compreenderam, infelizmente, que um médium pudesse se apoiar na clarividência e precognição tão facilmente como na telepatia. Assim, os céticos contemporâneos podiam facilmente argumentar que a Sra. Leonard apenas se utilizava de seus próprios poderes psíquicos para ler os livros e jornais e depois colocar a informação na boca de seus (<i style="mso-bidi-font-style: normal">autoproclamados</i>) comunicadores.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">É difícil se refutar esse tipo de argumentação, que não explica, contudo, a curiosa psicologia da prova do livro. Drayton Thomas conseguiu mostrar que o espírito de seu pai alcançava seus maiores êxitos quando aludia a livros que tinham sido os seus prediletos
<personname w:st="on" productid="em vida. Essa">em vida. Essa</personname> descoberta parece se ajustar muito mais à hipótese espírita. Se a Sra. Leonard estivesse se valendo de seus próprios poderes psíquicos durante os testes, teria tido o mesmo resultado com qualquer dos volumes.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O Reverendo C. Drayton Thomas tratou de explorar vários outros aspectos da mediunidade da Sra. Leonard. Ele chegou finalmente à conclusão que a melhor maneira de pôr à prova a mediunidade consistia em separar completamente os consultantes da sessão propriamente dita. Isso o levou a criar o que chamou de <i style="mso-bidi-font-style: normal">consultas por procuração</i>, quando ficava com a médium, na ausência dos clientes. Ele se limitava a mostrar a designação e explicar a Feda que estava fazendo uma consulta para uma pessoa ausente que desejava entrar em contacto com um determinado espírito. O que esperava é que Feda pudesse introduzir o indivíduo desejado, mesmo em condições tão rigorosas. Os resultados combinados de muitas sessões desse gênero, realizadas por Drayton Thomas, e mais tarde pelo secretário de Sir Oliver Lodge, não se mostraram prejudicados pelo processo. As mais destacadas sessões daquele gênero foram objeto de relatório da Sociedade de Pesquisas Psíquicas em 1935, e consistiram em uma série de sessões nas quais o clérigo atuou como representante de um estranho que lhe havia escrito. O missivista desejava entrar em contacto com um neto, que morrera apenas um mês antes.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Drayton Thomas a princípio se mostrou cético, pois não achava que um espírito tão jovem pudesse falar através da médium. Suas dúvidas se dissiparam prontamente. <i style="mso-bidi-font-style: normal">Bobbie Newlove</i> conseguiu se comunicar com a ajuda dos controles psíquicos, e, dentro em pouco, enviou uma série de mensagens verídicas ao avô. Entre essas mensagens estava a correta descrição de um saleiro em forma de cachorro que ele possuíra em vida, uma roupa que usara certa vez e até mesmo o nome da rua onde estava situada a sua escola. A descrição mais impressionante foi de alguns canos que atravessavam um campo perto da escola, onde o menino gostava de brincar. Tais canos foram posteriormente localizados e pareceu provável que o menino tivesse adoecido por ter bebido a água estagnada que vazava dos canos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Na fase final de sua mediunidade, a Sra. Leonard apresentou finalmente o que pode ser considerado como a prova definitiva da sobrevivência. Os participantes podiam ouvir uma terceira voz falando na sala de sessões, muitas vezes transmitindo informações a Feda (que controlava diretamente as palavras normais da médium). Aquela voz era, ocasionalmente, bem alta, e foi muitas vezes apanhada pelo gravador, novo recurso mecânico adotado, que servia para se registrar permanentemente a mediunidade da Sra. Leonard. As gravações que ouvi são extremamente impressionantes, uma vez que a <i style="mso-bidi-font-style: normal">voz direta</i> é alta e clara, e uma voz masculina, sem dúvida alguma. (Tais gravações foram feitas durante uma das sessões de Drayton Thomas e a voz direta é atribuída a seu pai.) A voz algumas vezes parece com a de uma terceira pessoa que estivesse no aposento e fala freqüente e desinibidamente durante a sessão.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A Sra. Leonard continuou as suas sessões até a década de 1940. Sua morte ocorreu em 1968.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A despeito de todas as provas, nenhuma solução final do problema da sobrevivência resultou do estudo da mediunidade. A tentação da hipótese telepática cedo se reencarnou como a teoria do <i style="mso-bidi-font-style: normal">super-ESP</i> (percepção extra-sensorial), que argumenta que o médium pode utilizar ilimitados poderes de telepatia e de clarividência para apresentar as suas personalidades secundárias como entidades espíritas. Algo próximo da hipótese super-ESP foi mesmo parcialmente demonstrado em 1921, quando S.G. Soal, destacado pesquisador psíquico britânico, realizou uma série de sessões com a Sra. Blanche Cooper, no Colégio Britânico de Ciências Psíquicas, em Londres, conseguindo entrar em contacto com um antigo colega de estudos, chamado Gordon Davis, que transmitiu um certo número de mensagens verídicas. As provas de comunicação espírita foram impressionantes, porém mais tarde se verificou que o comunicador ainda estava vivo. Pesquisas posteriores revelaram que a médium descreveu detalhes da casa para a qual aquele cavalheiro só se mudou posteriormente.<a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="#_ftn1" name="_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference">*</span></a></p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Na década de 1930, as pesquisas sobre a sobrevivência se tornavam cada vez mais decepcionantes. A impossibilidade de se encontrar uma prova definitiva da vida depois da morte, porém, não constituía a razão primordial de estar a questão da sobrevivência sobrepujada por outras áreas da pesquisa. Apesar de sua importância no problema da sobrevivência, as pesquisas psíquicas também se dedicaram ao estudo da percepção extra-sensível. Pesquisas experimentais no terreno dos fenômenos de telepatia, clarividência e precognição alcançaram então o primeiro plano da parapsicologia. Ocorreu naquela década o aparecimento do programa de parapsicologia na Universidade Duke, em Durham, Estado da Carolina do Norte onde J.B. Rhine provocou sensação no mundo científico com as suas novas descobertas. Usando simples processos estatísticos, Rhine mostrou que muitas pessoas podiam revelar as leis da probabilidade recorrendo à ordem de símbolos geométricos gravados
<personname w:st="on" productid="em cart?es. Seus">em cartões. Seus</personname> dados e deduções revolucionaram todo o campo. Testes de percepção extra-sensorial dentro em pouco se multiplicaram em muitas academias e universidades norte-americanas, e alguns membros da jovem guarda da Sociedade de Pesquisas Psíquicas chegaram a abandonar as salas de sessões espíritas, em troca do laboratório. A parapsicologia jamais seria a mesma.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Embora as pesquisas experimentais tenham passado para o primeiro plano da parapsicologia, isso não quer dizer que a questão da sobrevivência tenha sido considerado como assunto definitivamente <i style="mso-bidi-font-style: normal">arquivado</i>. Ao contrário, as pesquisas sobre a sobrevivência vêm progredindo, lenta, mas seguramente, desde a década de 1970. O renascimento do interesse pela questão foi, sem dúvida, despertado pelas pesquisas iniciais decorrentes do caso da herança de Kidd, de que já se falou. Se examinarmos o desenvolvimento da parapsicologia em seu primeiro século de existência, verificaremos que grandes progressos foram feitos no estudo da questão da sobrevivência. Os primeiros pesquisadores psíquicos demonstraram que o problema da imortalidade humana pode ser encarado crítica e cientificamente. Também demonstraram que certas formas de fenômenos psíquicos se relacionam diretamente com a questão. Esses fenômenos — primordialmente aparições e mediunidade em transe — puderam ser usados ura legitimar a presunção <i style="mso-bidi-font-style: normal">a priori</i> de sobrevivência.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Houve apenas dois senões. Em primeiro lugar, os fundadores da Sociedade de Pesquisas Psíquicas verificaram que o estudo do problema da sobrevivência era muito mais complicado do que imaginavam. Em segundo lugar, não conseguiram eles chegar a um consenso acerca dos critérios que teriam de ser adotados para que o problema ficasse autorizadamente resolvido.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Hoje, cem anos depois do início das pesquisas psíquicas, os parapsicólogos ainda se encontram às voltas com aqueles mesmos problemas. Assim, quando o problema da sobrevivência se tornou de interesse de pesquisadores, no começo da década de 1970, tiveram de explorar novas direções, em busca de provas da imortalidade do homem.</p>
<div style="mso-element: footnote-list">   <br clear="all" /><br />
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div style="mso-element: footnote" id="ftn1">
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoFootnoteText"><a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="#_ftnref1" name="_ftn1"><span class="MsoFootnoteReference">*</span></a> Como S. G. Soal posteriormente falsificou os resultados de suas experiências de percepção extra-sensorial na Universidade de Londres, alguns pesquisadores se mostram céticos quanto à veracidade de todas as suas afirmações e de todos os seus relatórios. Há, no entanto, alguma confirmação independente de que as comunicações de Gordon Davis foram recebidas como Soal as registrou. Gordon Davis também sustentou a verdade de tudo, até a sua morte, na década de 1960. Também deve ser notado que os outros casos de comunicação espírita ocorreram posteriormente e podem ser encontrados na literatura. </p>
</p></div>
</p></div>
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		<title>Aviso sobre aquisi&#231;&#227;o de livro &#8220;Heroes catholicos&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Apr 2013 18:36:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Obras de Chico Xavier]]></category>

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		<description><![CDATA[Este post é apenas para anunciar que solicitei o livro “Heroes Catholicos”, que é citado no livro “Chico, Diálogos e Recordações” de Carlos Alberto Braga Costa. O objetivo é buscar plágios que Chico Xavier tenha cometido usando esse livro. Já fiz o pagamento e o livro deve chegar essa semana. O problema é que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Este post é apenas para anunciar que solicitei o livro “Heroes Catholicos”, que é citado no livro “Chico, Diálogos e Recordações” de Carlos Alberto Braga Costa. O objetivo é buscar plágios que Chico Xavier tenha cometido usando esse livro. Já fiz o pagamento e o livro deve chegar essa semana. O problema é que o livro custou 155 reais (150 do livro em si + 5 reais do frete). Era o único exemplar para compra que constava na “Estante Virtual”. Há muito tempo havia outro, que custava 140 reais, mas não está mais disponível. Não achei o livro disponível para download, assim, quem puder solidarizar o prejuízo comigo forneço duas contas para depósito abaixo. Assim que o livro chegar procederei ao escaneamento e disponibilizarei o livro gratuitamente. Como o livro é de 1877, não existem mais direitos autorais. </p>
<p align="justify"><strong><u>Agências para depósito</u></strong></p>
<p align="justify"><strong>Santander </strong>– Ag: 3939, Conta Corrente: 01001497-4</p>
<p align="justify"><strong>Banco do Brasil</strong> – Ag: 0597-5, Conta Corrente: 31283-5</p>
<p align="justify">Ambas as contas estão em nome de Vitor Moura.</p>
<p align="justify">Qualquer quantia é bem-vinda. Quem fizer o depósito favor anunciar nos comentários. </p>
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		<title>Resposta &#224; Cr&#237;tica do livro &#8220;Como a Igreja Cat&#243;lica Construiu a Civiliza&#231;&#227;o Ocidental&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2013 23:15:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos Publicados]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta é uma resposta de “Acauan Guajajara” (é, obviamente, um pseudônimo) às críticas de Glen Bowman ao livro “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental”. Acauan é moderador do site “Religião é Veneno”, e fez críticas muito interessantes ao Bowman, ainda mais pelo fato de ele (Acauan) não ser um católico, sequer um crente&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Esta é uma resposta de “Acauan Guajajara” (é, obviamente, um pseudônimo) às críticas de Glen Bowman ao livro “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental”. Acauan é moderador do site “Religião é Veneno”, e fez críticas muito interessantes ao Bowman, ainda mais pelo fato de ele (Acauan) não ser um católico, sequer um crente&#8230;</p>
<p align="justify">As críticas de Bowman podem ser acessadas neste <a href="http://obraspsicografadas.org/2013/crtica-ao-livro-como-a-igreja-catlica-construiu-a-civilizao-ocidental/">link</a>. </p>
<p align="justify">A resposta de Acauan ao Bowman segue abaixo. </p>
<p><span id="more-1567"></span>
<p style="text-align: center; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Comentário de Acauan, no site “Religião é Veneno”.</span></b><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: center; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="center"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Acerca da Resenha de Glen Bowman à obra “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental”, de Thomas Woods.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">(cf. <a href="http://religiaoeveneno.org/discussion/1303/a-igreja-catolica-nao-construiu-a-civilizacao-ocidental-coisa-nenhuma-os-erros-de-thomas-woods-jr-/p1">http://religiaoeveneno.org/discussion/1303/a-igreja-catolica-nao-construiu-a-civilizacao-ocidental-coisa-nenhuma-os-erros-de-thomas-woods-jr-/p1</a>)</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Como não há jeito sutil de dizer isso, vou direto ao ponto: sou fã de carteirinha do Thomas Woods. <span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span>Numa comparação que alguns tomarão como herética, acho que Woods faz pela divulgação da ciência historiográfica o que Carl Sagan fez pela Astronomia.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt"></span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Woods é imparcial? De jeito nenhum.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt"><span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Sagan era? Nem a pau.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Um exemplo é quando Carl Sagan expôs sua versão do assassinato de Hipácia de Alexandria, culpando, sem deixar margem à dúvida, o bispo da cidade, Cirilo. Há uma controvérsia histórica sobre quem foi o real mandante do assassinato. Sagan sequer vislumbrou isto, mas sua versão se tornou canônica entre seu público cativo (eu acreditei piamente nela por décadas, até que fui buscar outras fontes).</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Pode-se dizer que Sagan não era historiador e, portanto, não tinha as mesmas obrigações que Woods de ser imparcial quanto aos fatos, mas ocorre que tanto Sagan quanto Woods se apresentam no papel de cientistas, e poucos defenderam mais a imparcialidade como virtude típica da Ciência do que Sagan.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Quanto ao Glen Bowman, sei lá qual é a dele.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Qualquer colegial que leia “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental” descobre logo nas primeiras páginas que aquele é um manifesto de defesa da Igreja Católica Romana das versões que a culpam de ser uma força obscurantista, inimiga da razão e da ciência, por conta da qual o Ocidente amargou mil anos de estagnação cultural.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Woods assume claramente o papel de advogado de defesa da Igreja, não esconde isso em nenhum momento, inclusive quando fala de sua conversão ao Catolicismo (era protestante).</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Bowman julga pelos métodos das bancas avaliadoras acadêmicas uma obra de divulgação cujo propósito explícito é apresentar ao público acostumado com versões anticatólicas da História o outro lado dos fatos. E exige que Woods mostre o outro lado do outro lado, o que não faz nenhum sentido nesse tipo de publicação.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Praticamente toda crítica de Bowman se concentra na parcialidade de Thomas Woods, o que seria válido se (por conta desta parcialidade) fossem identificadas falsidades históricas no livro, o que a resenha não mostra. Quando muito, coloca em dúvida uma informação secundária que em nada influencia a conclusão geral sobre o texto criticado:</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Glen Bowman disse: “O uso que Woods faz de fontes secundárias desatualizadas é particularmente embaraçoso quando ele afirma que o lógico Pedro de Espanha mais tarde se tornou o papa João XXI. Hoje, nós não sabemos mais com certeza se ele realmente se tornou papa, algo que um historiador familiar com trabalhos mais recentes da academia deveria saber”.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Como “hoje nós não sabemos mais” é diferente de “a informação é falsa”, o único erro histórico apontado por Bowman na resenha não é tão grave assim.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">No mais, o próprio Bowman parece concordar que, no geral, as informações de Woods são corretas, e reconhece que Woods admite explicitamente erros da Igreja.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Noutro trecho, temos uma tentativa de desmerecimento generalizado das fontes usadas por Woods:</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Glen Bowman disse: “Considerando que esse livro enfatiza a história medieval, o autor deveria ter usado fontes primárias da era medieval. É difícil encontrar alguma coisa assim neste livro. Que tal manuscritos em latim e outros materiais da Idade Média, fontes chaves para qualquer estudante sério do período? Ao menos um — mas, de fato, não há nada”.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Eu poderia dizer que criticar o autor por não citar manuscritos em latim quando fala da Idade Média para público leigo em História é como criticar Stephen Hawking por não exibir as equações diferenciais que explicam seu pensamento em “O Universo numa Casca de Noz”. Mas o fato é que as fontes utilizadas por Woods são de qualidade superior à da grande maioria das obras de divulgação histórica, basta checar as notas finais.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">E, sinceramente, dá para desconfiar quando Bowman diz: </span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">“Se Woods fosse honesto na introdução, e avisasse aos leitores que o que eles vão ler não é história, mas ideologia, então poderíamos ignorar sua panfletagem entendendo-a como marketing”.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Fica a dúvida se o problema para Bowman na obra de Woods é a ideologia, ou QUAL ideologia. Pela resenha, tenho cá comigo minhas dúvidas da isenção ideológica do próprio Bowman, voltando à velha questão de até onde imparcialidade é possível, mesmo naqueles que a cobram.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Vejamos alguns comentários:</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Glen Bowman disse: “Ele afirma, sem evidência, que ‘pouca coisa está além dos limites do que ridicularizar e parodiar a Igreja’, e vê de forma favorável a afirmação de que o anti-catolicismo ‘é um dos preconceitos aceitáveis restantes na América’, uma conclusão com a qual judeus, homossexuais, obesos e muçulmanos, para citar alguns, podem não concordar”.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Oras, bolas&#8230; Woods foi muito explícito (mais, impossível) ao se referir a “preconceito aceitável”. Desde quando na América moderna os preconceitos contra as minorias citadas por Bowman são aceitáveis? Por acaso “ridicularizar e parodiar a Igreja” é condenado pelas instituições, meios de comunicação e organizações militantes com a mesma ênfase com que se condena a discriminação de judeus, homossexuais, obesos e muçulmanos? Se Bowman quer evidências, que use o Google, e há de encontrá-las em profusão.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Outro exemplo:</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Glen Bowman disse: “Seria um erro, contudo, imaginar que Woods quer chatear seus leitores. Sem dúvida a sua audiência é o católico paranóico que realmente acredita que sua fé não é respeitada. Woods conhece bem sua audiência e compreende a importância de apelar aos valores dela”.</span><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; margin-bottom: 0pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt">Oh, oh, oh&#8230; Quem está evidenciando sua ideologia agora? Quer dizer que todo o público de Thomas Woods é constituído de “católicos paranóicos”? Veja bem, ele não disse apenas “católicos”, ou “católicos devotos”, disse “católicos paranóicos”. Para quem cobra o compromisso do historiador com as evidências, o que evidencia que apenas “católicos paranóicos” lêem ou apreciam a obra de Woods? Thomas Woods é um “best seller”. Podemos concluir que seus milhões de leitores são católicos paranóicos, ou concluir que Bownam é preconceituoso com quem lê livros que ele não gostou. </span></p>
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		<title>DERRUBADO UM DOS PILARES DO ESPIRITISMO: O LIVRE-ARB&#205;TRIO &#8211; PARTE 4</title>
		<link>http://obraspsicografadas.org/2013/derrubado-um-dos-pilares-do-espiritismo-parte-4/</link>
		<comments>http://obraspsicografadas.org/2013/derrubado-um-dos-pilares-do-espiritismo-parte-4/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 07 Apr 2013 09:40:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://obraspsicografadas.org/?p=1564</guid>
		<description><![CDATA[Trago aqui uma reportagem da revista Galileu da edição de abril de 2013, sem as ilustrações, sobre a inexistência do livre-arbítrio. &#160; VOCÊ NÃO ESTÁ NO COMANDO&#160; NOVAS PESQUISAS TENTAM PROVAR QUE O LIVRE-ARBÍTRIO NÃO EXISTE: AS DECISÕES SERIAM TOMADAS AUTOMATICAMENTE POR NOSSO CÉREBRO E NÃO TERÍAMOS CONTROLE SOBRE ISSO, ENTENDA O QUE DIZ A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Trago aqui uma reportagem da revista Galileu da edição de abril de 2013, sem as ilustrações, sobre a inexistência do livre-arbítrio. </p>
<p><span id="more-1564"></span>
<p>&#160;</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">VOCÊ NÃO ESTÁ NO COMANDO</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">NOVAS PESQUISAS TENTAM PROVAR QUE O LIVRE-ARBÍTRIO NÃO EXISTE: AS DECISÕES SERIAM TOMADAS AUTOMATICAMENTE POR NOSSO CÉREBRO E NÃO TERÍAMOS CONTROLE SOBRE ISSO, ENTENDA O QUE DIZ A NEUROCIÊNCIA SOBRE SEU PODER DE DECIDIR SOBRE SUA A PRÓPRIA VIDA </p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">REPORTAGEM | RAFEL TONON<span style="mso-spacerun: yes">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </span>ILUSTRAÇÕES | CACO NEVES<span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span></p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Você pegou esta edição de GALILEU, deu uma olhada na capa e folheou a revista até que resolveu ler este texto. Talvez tenha pensado em tirar os sapatos ou tomar um copo d’água antes. Mas o fato é que você não decidiu nada disso. “Você pode pensar que fez escolhas, mas sua decisão tanto de ler este texto quanto de comer ovos ou pão no café da manhã foi tomada bem antes de você pensar sobre isso”, afirma o professor do Departamento de Ecologia e Evolução da Universidade de Chicago Jerry Coyne, um dos defensores mais fervorosos da idéia de que nossas escolhas não são determinadas por nossa vontade. Seu cérebro tomaria todas as decisões automaticamente, sem passar pelo seu conhecimento. “Nenhuma escolha é livre e consciente. Não existe livre-arbítrio”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">As palavras de Coyne podem soar radicais, mas encontram eco em uma ala de neurocientistas que vem se dedicando a estudar e divulgar como o processo de decisão está aquém de nossos desejos conscientes. “Nossas decisões são programadas automaticamente a partir do que trazemos em nossa carga genética e das experiências de vida que tivemos. Quando uma questão chega à nossa consciência, ela já havia sido previamente decidida em uma parte de nossa mente a que não temos acesso”, afirma o neurocientista e professor da Universidade da Califórnia Michael Gazzaniga, autor de <i style="mso-bidi-font-style: normal">Who’s in Charge</i> (<i style="mso-bidi-font-style: normal">Quem Está no Comando</i>, ainda sem edição no Brasil, relançado em novembro do ano passado nos EUA).</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O livro — uma compilação de pesquisas recentes que apontam para nossa falta de controle sobre as escolhas — é o terceiro de uma leva recente sobre o tema, que também atraiu os neurocientistas americanos David Eagleman, autor de <i style="mso-bidi-font-style: normal">Incógnito</i> – <i style="mso-bidi-font-style: normal">A Vida Secreta do Cérebro</i> (lançado em 2012 tanto lá fora quanto aqui), e Sam Harris, um dos grandes expoentes da teoria ateísta,
<personname w:st="on" productid="em seu Free Will">em seu <i style="mso-bidi-font-style: normal">Free Will</i></personname> (<i style="mso-bidi-font-style: normal">Livre-arbítrio</i>, sem edição no Brasil, que chegou ao mercado americano em março do ano passado). “Não temos a liberdade que pensamos ter”, afirma Harris. Entenda o porquê a seguir. </p>
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<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Lado a lado </b>
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<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Depois de 60 anos de estudos, a principal tese de Gazzaniga é que o lado esquerdo de nosso cérebro é um grande contador de histórias. É ele que dá significado a nossas experiências, memórias e fragmentos de informação e, inclusive, às nossas decisões. Mas não seria o responsável pelo ato de decidir propriamente. Essa função ficaria com o hemisfério direito, onde estão gravadas as informações genéticas e de vivências anteriores. É ali que o cérebro pegaria o atalho para fazer a escolha, baseado em padrões existentes. “Quando interpretamos os fatos, acreditamos que fomos nós que pensamos ou que decidimos aquilo. Quando, de fato, não fomos — ao menos não em nível consciente”.<span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span></p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">O LADQ ESQUERDO DO NOSSO CÉREBRO SERIA UM GRANDE CONTADOR DE HISTÓRIAS. CRIA JUSTIFICATIVAS PARA TUDO: DO TÉRMINO DE UM NAMORO À CONQUISTA DE UM EMPREGO </p>
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<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O hemisfério esquerdo — que Gazzaniga chama de interpretativo — buscaria uma explicação para tudo que se passa em nossa vida: seja o término de um namoro, a conquista ou perda de um emprego. É esse momento, na verdade de justificativas, que confundimos com o pensar e ponderar para, então, decidir. Isso é o que criaria em nós a ilusão de que temos domínio sobre nossas escolhas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Gazzaniga conseguiu demonstrar o ponto pela primeira vez em um experimento em 1962, que marcou sua pesquisa na área — e revolucionou os estudos neurocientíficos. Ele trabalhou com um paciente de cérebro partido — devido à epilepsia, ele tinha passado por uma cirurgia de seção no corpo caloso, principal via de neurônios que conecta as duas metades do cérebro e, portanto, não tinha comunicação entre os hemisférios direito (responsável pelos sentidos, como visão e audição) e o esquerdo (onde a linguagem está centralizada).</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O cérebro de qualquer pessoa funciona, digamos, de maneira cruzada. Quando ativamos, seja o braço direito ou o nosso campo de visão direito, os estímulos são recebidos pelo lado oposto do cérebro, no caso o esquerdo — e vice-versa. Ou seja, é possível isolar o estímulo cerebral somente para um hemisfério sem muita dificuldade. Foi o que Gazzanigga fez. Ele mostrou um pé de galinha para ser assimilado pelo hemisfério esquerdo do cérebro (que só viu essa imagem) e uma cena de neve pelo direito. Quando o esquerdo era estimulado, o paciente conseguia falar o que via. Quando era o direito, dizia não ver nada, apesar de o cérebro estar registrando a imagem, o que o pesquisador comprovou por escâner. Estava demonstrado que o lado esquerdo é que traz à nossa consciência o que a gente percebe.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Gazzaniga, então, pediu ao paciente para escolher uma imagem dentre muitas colocadas sobre uma mesa, já podendo olhá-las com os dois olhos. Uma das mãos apontou para uma pá e a outra para uma galinha. Ao justificar as escolhas, o voluntário disse que a galinha combinava com o pé de galinha que ele havia visto antes. Quando percebeu que também tinha apontando para uma pá, a justificativa veio mais que prontamente: “E você precisa da pá para limpar as penas da galinha”. O paciente não sabia nada sobre a cena da neve, mas teve que arranjar uma forma de explicar a pá, que remetia a ela, apontada por seus próprios dedos. Isso é o que faríamos ao tentar justificar uma decisão, na verdade, já tomada de forma automática.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">No ano passado, o pesquisador fez uma nova versão do estudo, dessa vez com nove pacientes normais e usando um aparelho para monitoramento constante do cérebro. Ele observou nas imagens o hemisfério esquerdo fazendo conexões e criando justificativas para letras e figuras que haviam sido estimuladas no lado direito. “O hemisfério esquerdo manipula um pouco as coisas para permitir que uma história faça sentido”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">É assim quando você compra um sapato de que não precisava e diz que foi por causa da liquidação, ou quando tenta se convencer de que escolheu um hotel em detrimento do outro, apesar de mais caro, porque era mais bem localizado. Na verdade, o embasamento para essas escolhas não estaria na razão, mas na misteriosa fábrica de justificativas que se encontra nos rincões obscuros de nossa mente. </p>
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<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Piloto automático</b>&#160;</p>
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<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Quando você nasce, seu cérebro (como um hardware) vem com uma programação genética que foi assimilada por gerações anteriores. Instintos e reações, como sobrevivência ou medo, estão instalados ali, de fábrica. Conforme você se desenvolve, aprende a copiar o comportamento de pessoas próximas, como seus pais, ou passa a assimilar as melhores formas de fazer as coisas na base da tentativa e erro.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Tudo isso é material que vai sendo absorvido pelo cérebro, como novos programas que você instala em um computador. E será usado na hora de fazer uma escolha. “O cérebro guia o comportamento de maneira conveniente. Não importa se a consciência está envolvida na tomada de decisão. E na maior parte do tempo, ela não está”, afirma Eagleman. Tanto é que você não pensa para respirar, comer, andar, amarrar os sapatos e nem para escolher um parceiro amoroso.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Em <i style="mso-bidi-font-style: normal">Incógnito</i>, Eagleman narra um experimento que mostra bem como somos programados para certas escolhas. Um grupo de homens foi solicitado a analisar fotos de mulheres e dizer quais acharam mais atraentes. A maioria escolheu mulheres com os olhos dilatados. “No cérebro, em grande parte inacessível, algo dizia que os olhos dilatados de uma mulher têm correlação com a excitação e a disposição sexual”, diz Eagleman.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Isso pode vir tanto de herança genética de antepassados quanto de experiências de ter estado com mulheres excitadas e, logo, com as pupilas dilatadas. Ou uma junção de ambos. “Os cérebros dos voluntários sabiam disso, mas eles não”, afirma o pesquisador. Os homens até tentaram justificar de outras maneiras suas escolhas, mas era tarde demais, o lado inacessível do cérebro já havia decidido por eles. Aliás, o que coloca hemisfério direito em posição de chefia é justamente uma questão de timing. Ele é mais ágil e dita as respostas antes.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Essa diferença foi demonstrada em um experimento conduzido no Centro Bernstein para Neurociência Computacional, em Berlim, em 2008. Os cientistas colocaram voluntários em frente a uma tela onde letras surgiam aleatoriamente. Eles deveriam apertar um botão para dizer qual era a letra assim que aparecia — em uma dinâmica semelhante a um quiz de TV em que se dá uma resposta a uma pergunta do apresentador.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Ao monitorar o cérebro dos participantes, os pesquisadores observaram que as duas partes que indicavam qual botão os voluntários iriam apertar se mostravam ativas até 7 segundos antes da ação. “Antes de você tomar consciência do que fará em seguida — tempo em que você teoricamente teria a liberdade de fazer o que bem entendesse — seu cérebro já determinou o que será feito. Só depois você toma consciência dessa ‘decisão’ e acredita que está no comando dela”, afirma Harris.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Para o autor de best-sellers sobre ateísmo e criador da fundação Project Reason — que propaga o conhecimento científico em detrimento da visão religiosa — o conceito popular de livre-arbítrio está ligado a duas presunções: a de que cada um de nós poderia ter agido diferente em alguma situação do passado ou a de que somos a força consciente de muitos de nossos pensamentos e ações no presente. “O que a ciência do cérebro tem constatado é que ambas são falsas”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Mas o resultado dessas pesquisas científicas podem não ser suficiente para entendermos o funcionamento do cérebro como um todo. Por isso, o professor de filosofia e neurociência da faculdade de Geórgia State, nos EUA, vê todas essas conclusões com cautela. Para ele, há decisões muito mais complexas do que qual botão apertar ou dizer que imagem se vê numa tela, e poderíamos funcionar de maneira diferente em outras situações. “Os neurocientistas enumeram esses estudos para mostrar que o cérebro faz tudo sozinho, e, portanto, a mente consciente não tem papel”, afirma. “Por que, então, teríamos a mente consciente?”. O fato é que o livre-arbítrio pode (ou não) ser uma ilusão. Se for, talvez seja necessária. </p>
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<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Por favor, me engane</b>&#160;</p>
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<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A idéia de liberdade de escolha foi propagada pela primeira vez por Santo Agostinho (354-430)
<personname w:st="on" productid="em O Livre-Arb?trio">em <i style="mso-bidi-font-style: normal">O Livre-Arbítrio</i></personname>, texto em que defendia que Deus criou o homem livre para fazer suas escolhas — e a ele cabia eleger entre o bem e o mal. Desde então, o tema se tornou recorrente na religião e também na filosofia (<i style="mso-bidi-font-style: normal">veja na linha do tempo abaixo</i>), espalhando a crença de que podemos definir nosso destino. Essa idéia persiste e vem sendo investigada pelo professor de filosofia e psicologia do Charleston College, na Carolina do Sul, EUA, Thomas Nadelhoffer. Ele conduz um estudo para identificar que noção de livre-arbítrio as pessoas têm hoje. </p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">LIVRE ARBÍTRIO; DE SANTO AGOSTINHO AO ENCEFALOGRAMA</b><span style="mso-spacerun: yes">&#160;</span></p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">SANTO AGOSTINHO (386)</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">Foi um dos primeiros filósofos a tratar a questão com a publicação de <i style="mso-bidi-font-style: normal">De Libero Arbítrio</i> (<i style="mso-bidi-font-style: normal">O Livre-Arbítrio</i>). Para ele, o mundo não seguia a divisão de bem e mal: Deus nos fez livres, quem opta pelo mal é porque não sabe usar a liberdade de escolha. Visão contrária à do&#8230; </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">CALVINISMO (1530)</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">Movimento protestante que pregava que Deus era o governante do mundo e o homem já nascia, então, predestinado a uma sorte imposta pelo seu Criador: os escolhidos teriam o paraíso, os outros teriam que se contentar com o que lhes foi&#8230; determinado. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">DETERMINISMO (1677)</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">Corrente proposta por filósofos e pensadores como Espinoza, Deleuze e Nietzsche, que defende que os acontecimentos da nossa vida são resultado da causalidade, tirando de nós qualquer controle sobre eles. Numa abordagem científica, essa visão foi atualizada por&#8230; </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">ISAAC NEWTON (1687)</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">O físico afirmou que o Universo era regido por leis fixas, como em um jogo de xadrez: as peças têm liberdade dentro das regras do tabuleiro. O jogo muda. mas o resultado tende a ser o mesmo. O comportamento também resultaria do ambiente de acordo com o&#8230; </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">BEHAVIORISMO RADICAL (1953)</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">Pensamento fundamentado pelo psicólogo Burrhus F. Skinner. O homem seria influenciado pelo ambiente em que vive — apesar de interagir modificando-o. Skinner acredita nas circunstâncias e rejeita as noções de livre-arbítrio, conforme testes comprovados por&#8230; </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">ENCEFALOGRAMA (1983)</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">O fisiologista Benjamin Libet mostrou que a atividade do córtex motor (que determina os movimentos) pode ser detectada cerca de 300 milisegundos antes de a pessoa sentir que tomou a decisão de caminhar. Enfim, nosso cérebro decidiria antes de sabermos. </p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">MISTURA HERANÇA GENÉTICA E EXPERIÊNCIAS VIVIDAS. ISSO É O QUE EMBASARIA SUAS DECISÕES, TOMADAS DE FORMA AUTOMÁTICA </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A definição mais recorrente até agora — dada por cerca de 70% dos dois mil entrevistados — é a de que livre-arbítrio é nossa capacidade de fazer escolhas diferentes, mesmo que tudo que antecedesse nossas decisões (por exemplo, o passado, a genética, as crenças, etc.) fosse exatamente igual. Ou seja, o oposto do que a neurociência vem se esforçando em provar. “Ainda que os cientistas concluam por certo que não temos livre-arbítrio, acreditar nele ainda pode ser uma ‘ilusão positiva’”, afirma Nadelhoffer. </p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">AINDA QUE A NEUROCIÊNCIA CONSIGA PROVAR QUE O LIVRE-ARBÍTRIO NÃO PASSA DE UMA ILUSÃO, ELA PODERIA SER NECESSÁRIA, POIS, EM TESE, FARIA AS PESSOAS MELHORES </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O filósofo afirma que evidências científicas têm mostrando que pessoas submetidas a idéias antilivre-arbítrio são mais propensas a trapacear e se tornarem agressivas. “Já os que crêem na liberdade de escolha aprendem a lidar melhor com as próprias emoções e são mais caridosos”, afirma. Em um estudo de 2010, os psicólogos sociais americanos Roy F. Baumeister e Tyler F. Stillman incentivaram pessoas a ler uma série de declarações que reforçavam o livre-arbítrio, como: “Eu sou capaz de substituir os fatores genéticos e ambientais que influenciam, por vezes, o meu comportamento”. Outro grupo de participantes, porém, foi solicitado a se debruçar sobre uma série de afirmações deterministas, incluindo: “A crença no livre-arbítrio contradiz o fato conhecido de que o Universo é governado por princípios legais da ciência”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Em seguida, os participantes tinham que recordar de algum episódio de suas vidas em que sentiram culpa e avaliar (em uma escala de <metricconverter w:st="on" productid="1 a">1 a</metricconverter> 7) o grau dessa culpa. Os que tinham lido as declarações a favor do livre-arbítrio deram notas mais altas para a culpa. “Os influenciados pelo determinismo foram levados a acreditar que pouco poderiam ter feito para mudar o curso dos eventos”, afirma Baumeister, que é professor de psicologia da Universidade do Estado da Flórida. Já os que seguiram a crença da liberdade de escolha tendiam a se responsabilizar mais pelos próprios atos e a refletir sobre eles — inclusive pensando em como fazer diferente em uma próxima vez. </p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">COM MORAL</b>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">DOUTORANDA
<personname w:st="on" productid="EM FILOSOFIA POL?TICA NA">
<personname w:st="on" productid="EM FILOSOFIA POL?TICA">EM FILOSOFIA POLÍTICA</personname> NA</personname> UFRGS, DANIELA TOCCHETTO ESCREVEU, JUNTO COM O PESQUISADOR AMERICANO THOMAS NADELHOFFER, UMA TEORIA SOBRE COMO A ILUSÃO DA LIBERDADE DE ESCOLHA AFETA A NOSSA RESPONSABILIDADE MORAL. A SEGUIR, A CONVERSA DELA COM A GALILEU </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">?<span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </span>Crer no livre-arbítrio pode tornar as pessoas melhores?</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">Acreditar na liberdade de escolha leva a um comportamento socialmente favorável, pois as pessoas tendem a se sentir mais responsáveis pelos próprios atos. Assim, existe um incentivo para aderir a um comportamento mais cooperativo, menos agressivo e mais honesto.</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">?<span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </span>Como foi a pesquisa usada para relacionar livre-arbítrio e moral?</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">Usamos a pesquisa que está sendo conduzida por Thomas e seus colegas. Ele aplica a chamada Escala de Livre-Arbítrio. Apresenta-se aos entrevistados 15 afirmações relacionadas com a existência ou não da liberdade de escolha e eles concordam ou discordam de forma gradativa. No fim, a crença é revelada em uma escala de <metricconverter w:st="on" productid="1 a">1 a</metricconverter> 7. O resultado mais surpreendente é que as concepções que as pessoas têm sobre livre-arbítrio nem sempre coincidem com as de determinismo — que afirma que nossas ações são predeterminadas. Isso gera a possibilidade logicamente absurda de atribuição de liberdade de escolha (e responsabilidade) por indivíduos que crêem no determinismo. Na prática o que ocorre é uma dissociação entre os dois conceitos.</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">? <span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </span>Negar a liberdade de escolha faria as pessoas se responsabilizarem menos pelos próprios atos?</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">A princípio, sim. No entanto, pesquisas recentes também apontam para uma psicologia humana formada de tal forma que, ainda que a crença no livre-arbítrio seja eliminada, os indivíduos continuarão dispostos a responsabilizar uns aos outros sempre que a ação em questão envolver um ato moralmente condenável — isso se refere à nossa necessidade de punir as pessoas por atos imorais; altamente mais intensa do que a de recompensá-las por atos morais.</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">? <span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </span>Como o fim da crença na vontade própria poderia afetar as leis?</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">A principal mudança seria a institucionalização de um sistema penal menos cruel e mais focado na reabilitação de infratores e na possibilidade de evitar novas infrações, do que na punição em si. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal">Colapso social? </b>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O fim da crença na liberdade de escolha poderia afetar a maneira como as pessoas agem em suas vidas, mas também ter um profundo impacto na sociedade e nas leis, quando se assume que as escolhas são guiadas pela genética e experiências pessoais, como definir, por exemplo, a pena de um criminoso. “A pessoa que comete um ato de crueldade também poderia ser vista como vítima de sua biologia e de sua história”, afirma o Ph.D em psicologia pela Universidade Cambridge Simon Baron-Cohen, que defende uma forma mais relativa de culpabilizar as pessoas, já que a ciência vem mostrando que elas não estão no comando do que fazem. “Isso nos levaria não apenas a puni-las, mas a ajudá-las.”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A idéia encontra seus poréns, mas não deixa de levantar uma reflexão sobre como a sociedade atual responsabiliza os indivíduos por seus atos. “O risco quando não se crê na liberdade de escolha está na punição ao produzir uma obediência externa, mas não uma consciência ética interna, reflexiva”, afirma Renato Janine Ribeiro, professor titular de ética e filosofia política na USP. Impor uma punição a alguém sem que essa pessoa tenha a capacidade de se arrepender e refletir sobre suas atitudes — porque crê que elas foram predeterminadas por fatores fora de seu controle — pode não ter muita valia.</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">Por outro lado, se a partir de hoje qualquer um pudesse matar ou roubar com base no argumento simplista de que “meu cérebro me mandou fazer isso”, a sociedade entraria
<personname w:st="on" productid="em colapso. Mas Gazzanigga">em colapso. Mas Gazzanigga</personname> não acredita que isso irá acontecer. “Embora nossa consciência não esteja no comando como pensávamos, nosso cérebro automático é capaz de apreender regras sociais”, afirma o pesquisador. “Inclusive, elas ajudam a criar as experiências que vão proporcionar as nossas decisões futuras, mesmo que elas sejam automáticas”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">É fato. A ciência se esforça para mostrar que estamos menos no comando do que poderíamos supor. Nosso cérebro seria uma máquina orgânica programada com uma espécie de software em que os bits são nosso código genético e experiências vividas, que lançam respostas automáticas e rápidas, que só mais tarde chegam à nossa consciência. Mas, ainda assim, esse cérebro imediatista faz parte do que somos e, no fim das contas, somos um todo. Você pode estar menos no controle do que imaginava — mas continua sendo você o dono de sua própria vida. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">Revista Galileu, abril de 2013, págs. 45-51.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>CRIMES E DESAPARECIMENTOS RESOLVIDOS COM A AJUDA DE UM PS&#205;QUICO OU M&#201;DIUM &#8211; PARTE 3 (2004)</title>
		<link>http://obraspsicografadas.org/2013/crimes-e-desaparecimentos-resolvidos-com-a-ajuda-de-um-psquico-ou-mdium-parte-3-2004/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Apr 2013 02:14:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Guy Lyon Playfair e Montague Keen investigam um caso de assassinato em que houve a participação de uma médium que prestou diversas informações à polícia. Para baixar o artigo em pdf, clique aqui. A revisão deste artigo custou 208 reais. Agradeço imensamente ao Marcio Rodrigues Horta e ao Marcos Arduin pelo financiamento. POSSIVELMENTE UM CASO [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Guy Lyon Playfair e Montague Keen investigam um caso de assassinato em que houve a participação de uma médium que prestou diversas informações à polícia. Para baixar o artigo em pdf, clique <a href="https://mega.co.nz/#!NNVSlQ6T!LzHGkF3JZvKrsFIjTztY0HgUlVBbkd6J-PLeP03pxww">aqui</a>.</p>
<p align="justify">A revisão deste artigo custou 208 reais. Agradeço imensamente ao Marcio Rodrigues Horta e ao Marcos Arduin pelo financiamento. </p>
<p><span id="more-1562"></span>
<p class="MsoTitle" align="center">POSSIVELMENTE UM CASO ÚNICO DE RESOLUÇÃO DE UM CRIME POR UM PSÍQUICO </p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">por Guy Lyon Playfair e Montague Keen</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </span></span>
</p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">RESUMO </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">“Médium pega assassino e prova vida após a morte” foi a manchete memorável da edição de 27 de outubro de 2001 do <i>Psychic News</i>, referindo-se a um então recente caso que emergiu em que uma jovem mulher chamada Christine Holohan forneceu à polícia uma série de informações exatas, detalhadas e específicas sobre um assassinato alguns dias depois de ocorrido, recebidas ostensiva e diretamente da vítima morta. Um registro mais detalhado do caso foi dado por um dos detetives envolvidos no inquérito do assassinato no<i> Journal of the Police Federation</i> (Batters, 2001). Com a plena cooperação dele e de Holohan, nós examinamos o caso cuidadosamente e concluímos que no mínimo se poderia dizer que “Médium fornece informações-chave que ajudam a levar à condenação de um assassino e é altamente sugestivo da sobrevivência de um desencarnado”.</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">INTRODUÇÃO </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Na noite de sexta-feira, 11 de fevereiro de 1983, Jacqueline Poole, 25 anos, uma assistente de loja e garçonete em meio expediente, foi assassinada em seu apartamento no subúrbio Ruislip a oeste de Londres. O primeiro agente da polícia no local foi o detetive Tony Batters, que chegou no domingo, dia 13, onde permaneceu por cinco horas, fazendo anotações detalhadas sobre a cena do crime e a vítima. Um ou dois dias mais tarde, Batters e outro detetive, o Det. Con. Andrew Smith (cada um deles leu e aprovou um esboço deste artigo; ver suas declarações inclusas ao final) foram avisados para visitar Christine Holohan, uma irlandesa de vinte e poucos anos que trabalhava meio período na RAF em Northolt enquanto treinava para tornar-se uma médium profissional, o que agora já faz há 16 anos ou mais. Ela chamou a polícia para dizer que tinha algumas informações sobre o assassinato. Até então, a polícia pedira que qualquer pessoa que tivesse conhecido Poole entrasse
<personname w:st="on" productid="em contato. Uma">em contato. Uma</personname> das pessoas que agiu assim foi um jovem chamado Anthony Ruark, que, apesar de ter antecedentes criminais (mas nenhum histórico de violência), inicialmente não foi tratado como o suspeito principal.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Holohan, no entanto, não conhecera Poole, ao menos não enquanto estava viva. Logo que os agentes da polícia chegaram a sua casa
<personname w:st="on" productid="em Ruislip Gardens">em Ruislip Gardens</personname> (a cerca de <metricconverter w:st="on" productid="5 quil?metros">5 quilômetros</metricconverter> do apartamento de Poole, não “menos do que 10 minutos a pé”, como mencionado no <i style="mso-bidi-font-style: normal">Psychic News</i>), anunciou que tem tido ‘experiências psíquicas’ desde sua infância na Irlanda, e tinha tido outra deste tipo na segunda-feira à noite — o dia seguinte à descoberta do corpo de Poole. Como ela descreveu numa entrevista ao programa da televisão irlandês (RTE) <i>The Late Late Show</i> (23 de novembro de 2001), do qual nós obtivemos uma cópia, ela foi dormir por volta da meia-noite, depois de ter tido “uma sensação muito ruim” durante todo o fim de semana seguinte ao assassinato, e tendo “sentido frio” quando ficou sabendo do ocorrido na segunda-feira numa loja local.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Naquela noite, ela continuou, ela tentava dormir quando “de repente eu tive um sentimento forte de uma presença, como se alguém estivesse no meu quarto, e eu senti que alguém puxava o meu pijama. Então pensei, vamos ver o que está ocorrendo aqui, e me arrisquei e disse “Jacqui, é você?” e as luzes foram ligadas e desligadas”.<a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="#_ftn1" name="_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">[1]</span></span></span></span></a> Ela então teve uma visão de uma mulher que informou seu nome não como sendo Jacqui Poole, mas sim como Jacqui Hunt. Este na verdade era o nome de solteira de Poole, que não tinha se tornado público até então. A aparição confirmou que ela era de fato a vítima, e que queria que Holohan a ajudasse a receber a justiça merecida, ao que Holohan respondeu que ela não podia ir à polícia a menos que tivesse alguma evidência concreta para eles. Além disso, disse, pensariam que ela tinha lido sobre o caso nos jornais ou que ouviu os detalhes de amigos. “Jacqui”, no entanto, “somente foi embora” depois de dizer algumas coisas sobre o assassino “que eu não posso repetir no ar”. Na noite seguinte ela voltaria outra vez, desta vez com uma grande quantidade de detalhes sobre a cena de crime, então Holohan decidiu chamar a polícia. Numa entrevista conosco registrada em fita em 30 de outubro de 2002, ela forneceu mais detalhes de sua visão, que ela se lembrava nitidamente depois de quase vinte anos e que claramente causara uma forte impressão nela. Ela realmente não vira Poole enquanto encarnada, mas lembrava “o contorno branco de uma pessoa” e uma “energia de luz branca”, junto com “uma voz bem definida” em seu ouvido. Ela confirmou que primeiramente tinha estado ciente de uma “presença” inesperada antes de ter ouvido sobre o assassinato. Ela não conseguiu descrever isso em mais detalhes.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Numa entrevista gravada conosco em sua casa em 6 de outubro de 2002, Tony Batters contou-nos como se sentiu quando Holohan começou a falar sobre anjos e espíritos: </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt; margin: 0cm 14.2pt 0pt" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Eu era completamente cético naquela época e não desejava continuar a entrevista, mas por educação nós nos sentamos em um sofá e ela começou a dizer coisas que imediatamente me espantaram. Anotei-as; pouco tempo depois ela entrou no que eu descreveria como um transe, embora eu não seja familiar com um transe, mas as suas pálpebras piscaram, depois se fecharam e ela falou, numa voz normal, uma série de sentenças muito curtas, e eu produzi uma cópia textual das notas originais do encontro que eu ainda possuo. </span>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Batters mostrou-nos suas notas originais (ver Figura 1) e nos deu cópias de sua transcrição das 131 declarações separadas (ver Apêndice para detalhes). Holohan disse que Poole supostamente teria ido trabalhar na noite do assassinato, dois homens tendo ligado para ela, mas ela decidiu não ir pois não estava se sentindo bem. Ela então recebeu uma visita de um homem que ela conhecia, um amigo de um amigo que ela nunca tinha gostado. Ela o deixou entrar, pensando que ele podia ter uma mensagem de seu namorado, que estava em detenção e a quem tinha visitado duas semanas antes. Holohan forneceu uma boa descrição da aparência do homem e disse que ele era um homem a quem a polícia já tinha visto. Ele tinha um apelido incomum.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Ela descreveu o apartamento de Poole exatamente como Batters o vira pela primeira vez, anotando detalhes tais como as duas xícaras de café na cozinha, uma que tinha sido lavada enquanto a outra ainda tinha algum café, um caderno de endereços preto, uma carta e uma receita. Ela descreveu o ataque, a luta e assassinato em detalhes consideráveis, dizendo que tinha começado no banheiro e que Poole foi então arrastada para o sofá, onde o seu corpo foi achado. Observou que só dois dos muitos anéis de Poole permaneceram em seus dedos. Quando o assassino fosse apanhado, disse, seus amigos ficariam surpresos, pois não acreditariam que ele seria capaz de cometer tal crime. </p>
</p>
<p> <span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">   <br style="page-break-before: always" clear="all" /></span>
<p style="text-align: center; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="center"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image002.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image002_thumb.jpg" width="450" height="627" v:shapes="_x0000_i1025" /></a></p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p align="justify">&#160;</p>
<p>   <i style="mso-bidi-font-style: normal">Figura 1. Primeira página das notas de Batters feitas durante sua entrevista de 1983 com Christine Holohan. Ele acrescentou as linhas em letras maiúsculas logo em seguida para o benefício do datilógrafo da polícia. (Cortesia de Tony Batters)</i><i style="mso-bidi-font-style: normal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">       <br style="page-break-before: always" clear="all" /></span></i></p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><i style="mso-bidi-font-style: normal"><a href="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image004.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px" title="clip_image004" border="0" alt="clip_image004" src="http://obraspsicografadas.org/wp-content/uploads/2013/04/clip_image004_thumb.jpg" width="433" height="643" v:shapes="_x0000_i1026" /></a> </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal"></i>
<p align="justify">&#160;</p>
<p>   <i style="mso-bidi-font-style: normal">Figura 2. Página do bloco de notas de Christine Holohan, no qual, a pedido dos detetives, ela escreveu o apelido do homem mais tarde condenado por assassinato, e que pode ser uma referência para o esconderijo das joias roubadas. (Cortesia de Christine Holohan)</i></p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Holohan mencionou cinco nomes além do de Jacqui Hunt: Betty, Sylvia, Terry (a quem ela mencionou seis vezes), Bárbara Stone, e Tony. Ela também mencionou “alguém vivendo num apartamento sobre uma banca de jornal” e finalmente nomeou o assassino, como descrito abaixo. Terry era o nome de um dos irmãos de Poole, de quem ela era especialmente próxima. O nome de sua mãe era Betty e a mãe do namorado se chamava Sylvia. A melhor amiga de Poole, Gloria, vivia em um apartamento acima de um vendedor de jornais. É interessante notar que enquanto Batters esteve no apartamento de Poole, depois de descobrir o corpo, ele atendeu ao telefone três vezes. As pessoas que ligaram tinham sido Betty, Sylvia e Gloria. Quanto a Bárbara Stone, o nome não dizia nada na época aos detetives e não surgiu durante as investigações. Só em 2001 ela foi identificada como sendo uma amiga íntima de Poole.</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">Holohan ainda tinha mais a oferecer. Ela disse que não conseguiu entender direito o apelido do assassino, mas que tentaria recebê-lo pela escrita automática, que ela usava com êxito com seus clientes. Os detetives perguntaram se ‘Jacqui’ também podia dar-lhes alguns indícios sobre as joias roubadas. Holohan então fez alguns rabiscos e marcas numa folha de seu bloco de notas, e escreveu o número 221, uma palavra ilegível, e as palavras ‘Ickeham’ [sic], ‘jardim’ e ‘Pokie’ (ver Figura 2). A importância do número e as primeiras duas palavras são discutidas abaixo. Pokie foi imediatamente reconhecido por um dos detetives como o apelido um tanto incomum de Anthony Ruark, que também era conhecido como Tony.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Em retrospecto, o leitor pode pensar que os detetives deveriam ter prontamente detido Ruark e acusá-lo de assassinato. Ele foi de fato detido e interrogado por algum tempo, mas teve que ser liberado por falta de evidências. De acordo com Batters, ele não era um suspeito importante (dos quais havia aproximadamente trinta na época), pois ele não tinha nenhum registro de violência, mas ele já tinha sido entrevistado pela polícia depois que voluntariamente se apresentou com sua namorada como um conhecido de Poole. A evidência do tipo fornecida por Holohan elevou-se a não mais que um rumor, embora intrigante, e não teria sido aceita em qualquer corte. Muito do que ela disse não havia ainda sido verificado nessa etapa ou não parecia relevante para a investigação. Além disso, Holohan fez suas declarações sem nenhuma ordem particular e elas soaram menos evidentes na época em que foram feitas do que quando Batters organizou-as mais tarde em grupos como descritos no Apêndice. Numa etapa inicial da entrevista, os oficiais também suspeitaram que Holohan pudesse ter obtido suas informações por meios normais, talvez por pessoas que a estivessem usando como uma forma de transmitir informações, verdadeiras ou falsas, à polícia. Devemos realçar que não surgiu nenhuma evidência de que este fosse o caso. Holohan então produziu o que foi, para os detetives, a melhor demonstração de suas capacidades. Batters a descreveu para nós da seguinte forma: </p>
</p>
<p style="text-indent: 14.2pt; margin: 0cm 14.2pt 0pt" class="MsoBodyText" align="justify">Estávamos sondando — “Onde conseguiu esta informação? Certamente você falou com os parentes? Você conhece alguém no grupo de assassinos possíveis?” E ela disse: “Veja bem, com base nessas perguntas eu acho que você não acredita
<personname w:st="on" productid="em mim. Eu">em mim. Eu</personname> gostaria de fazer algo, e Jacqui está me dizendo para fazer isto, então se algum de vocês me der algo que seja pessoal a vocês, eu tentarei mostrar algo”. Agora, o que ela fez em seguida não me dizia muito até que saímos da porta principal, quando Andy [Smith] ficou pálido e literalmente tremendo. Aquilo teve um impacto enorme nele.<span style="font-size: 10pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">O que Holohan fez, de acordo tanto com ela quanto com Batters, foi segurar o molho de chaves de Smith e fazer três declarações específicas muito claras. Ela disse que ele tinha recebido recentemente uma carta sobre um trabalho elétrico essencial, como ele de fato recebeu, de uma <i>Building Society</i> dizendo-lhe que fazer uma nova instalação elétrica na casa que esperava comprar, caso quisesse uma hipoteca. Ela disse que ele estava prestes a ser transferido para outro departamento, o que ele achou muito improvável — até que ele foi informado de sua transferência pendente somente dias depois. Primeiramente, no entanto, ela fez uma observação que deve ter sido espantosamente exata. Batters contou-nos que “até o dia da minha morte eu não posso expor o que ela disse. Foi bastante extraordinário, com detalhes”. Holohan descreveu Smith como “chocado”. Após a entrevista, a polícia decidiu investigar Ruark mais a fundo, e ele foi interrogado demoradamente pelo chefe da polícia no departamento de Ruislip, o Detetive-Superintendente Tony Lundy (agora aposentado e que, fomos informados, não estava disponível para entrevistas), que tinha orgulho do fato de nunca ter falhado em conseguir uma condenação num caso de assassinato. Outra vez Ruark teve que ser liberado por falta de evidência, e por 18 anos o caso de Poole permaneceu não resolvido.</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">O CASO É REABERTO </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Como parte de suas pesquisas de rotina em 1983, os detetives do Esquadrão de Assassinato retiraram um pulôver pertencente a Ruark de uma sacola de lixo que o Superintendente mandou ser armazenado como possível evidência junto a outros itens de casos ‘frios’ ou não resolvidos. Em 2000 o caso finalmente foi resolvido—não por uma voz do mundo dos espíritos, mas graças aos avanços recentes em LCN (Low Copy Number) [Baixo Número de Cópia] da tecnologia do DNA, em que combinações podem ser feitas entre as minúsculas amostras. O caso foi reaberto em 2000 porque um informante nomeou alguém (não Ruark) como o assassino. Um técnico de laboratório então examinou alguns itens incluindo o pulôver de Ruark usando a nova tecnologia de LCN-DNA, e como Batters (2001) lembrou: </p>
</p>
<p style="text-indent: 14.2pt; margin: 0cm 14.2pt 0pt" class="MsoBodyText" align="justify">Os resultados foram completamente conclusivos, identificando numerosas trocas de fluidos corpóreos, células de pele e fibras das roupas entre a vítima e o seu assassino, Pokie Ruark. As possibilidades de erro foram citadas na corte como menos de uma em um bilhão.<span style="font-size: 10pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify">Havia 46 combinações, e em 2002 Batters nos deu detalhes adicionais que indicam a minúcia com que os peritos criminais tinham feito seu trabalho em 1983, mais de uma década antes da tecnologia de LCN tornar-se disponível para eles. (A seu pedido, nós omitimos todo material aqui concernente ao assassinato real em consideração aos muitos parentes e amigos vivos de Jacqueline Poole).</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Ruark foi detido, preso pelo assassinato de Poole, e condenado
<personname w:st="on" productid="em Old Bailey">em Old Bailey</personname> em agosto de 2001, tendo pego prisão perpétua. O veredito do júri foi unânime. De acordo com <i>The Times</i> (25 de agosto de 2001), a condenação foi obtida “como o resultado de avanços na ciência forense”.<a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="#_ftn2" name="_ftnref2"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">[2]</span></span></span></span></a> Embora nenhuma menção tivesse sido feita </p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal">no julgamento à contribuição de Holohan no caso, Batters nos disse em 2002 que “sem a informação de Christine, nós talvez tivéssemos falhado em obter a evidência mais conclusiva” [ex.: o pulôver]. Ele também nos informou que foi apenas em 2001 que soube (do irmão de Poole, Terry) quem era Bárbara Stone. Ela era a melhor amiga de Poole, morta em um acidente na estrada 2 anos antes da morte de Poole.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Holohan fez uma ou duas declarações não-específicas tais como “eles sabiam onde estavam” e “olhando pela soleira da janela”; mencionou meia dúzia de detalhes que podiam ser lidos na imprensa local; fez algumas declarações mais de uma vez (o que torna uma contagem exata difícil), e cometeu apenas um erro direto ao dizer que o assassinato acontecera no sábado em vez de na sexta-feira. Naturalmente, é impossível dizer quantas de suas declarações não verificáveis eram verdadeiras ou falsas, mas nenhuma era inconsistente com os fatos determinados. No total, no entanto, seu índice de êxito foi notável e, acreditamos, nunca visto. Batters (2001) calcula que “das cerca de 130 declarações específicas que Christine fez, mais de 120 agora parecem ter sido provadas como sendo completamente corretas”. Não sabemos de nenhum outro caso remotamente comparável a este em termos de evidência verificada exata, e se pudéssemos expor os itens confidenciais, o caso em favor da alegação de Holohan de que a sua informação veio diretamente da Poole morta ficaria ainda mais forte. </p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">O ESCONDERIJO? </p>
</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">Depois do julgamento, Batters decidiu por si próprio examinar os nomes e numerar o que Holohan escrevera na página de seu bloco de notas que felizmente ele tinha mantido, junto com as próprias notas, e armazenado em seu sótão. As palavras que ainda o confundiam eram &#8216;jardim&#8217; e &#8216;Ickeham&#8217; (claramente um erro de ortografia de Ickenham, o subúrbio entre Uxbridge, onde Ruark viveu, e Ruislip), e sua relação, se houvesse, com o número 221. Dois jardins, o de Poole e um próximo ao apartamento de Ruark, foram revirados pela polícia, e Batters perguntou-se se as joias poderiam ter sido escondidas em outro jardim. Ruark não teria levado os itens roubados ao seu receptor costumeiro, que conhecia Poole e poderia muito bem tê-los reconhecidos, e pela mesma razão ele também não os teria levado para casa, onde se sabe que ele esteve logo depois do assassinato, porque a sua namorada também conhecia Poole. O cenário mais provável seria tê-los escondidos em algum lugar entre o apartamento de Poole e o seu.</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">Olhando um mapa do local, Batters traçou a rota que Ruark alegou ter feito para chegar a casa (ele admitiu em seu julgamento ter visitado Poole na noite do assassinato) e notou que só uma estrada ou rua, a Estrada de Swakeleys, tinha um número 221 — ou melhor, tinha um número 219 e alguns números mais altos, mas onde devia ser 221 era um espaço aberto usado como um jardim público facilmente acessível da estrada. Batters nos disse o que ele pensou e fez quando foi ao local: </p>
<p align="justify">
<p style="text-indent: 14.2pt; margin: 0cm 14.2pt 0pt" class="MsoBodyText" align="justify">Se eu fosse um ladrão, onde eu esconderia as coisas? Aqui há folhagens e árvores ao lado da 219, vou e olho no matagal, e há pedras protuberantes. Eu limpo o caminho e retiro as pedras, e há um buraco de aproximadamente <metricconverter w:st="on" productid="15 cent?metros">15 centímetros</metricconverter> de largura e <metricconverter w:st="on" productid="18 cent?metros">18 centímetros</metricconverter> de profundidade, mas está vazio. Isto é totalmente inconclusivo, mas acredito, sim, que esse teria sido o lugar ideal para esconder o material no caminho [de casa]. Eu pensaria, tendo percorrido a rota, que seria o primeiro ponto comunalmente acessível onde poderia fazê-lo sem ser notado, porque não pode ser visto de nenhuma das casas.<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">     <br style="page-break-before: always" clear="all" /></span></p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText" align="justify"><span style="font-size: 12pt"><font size="2">Naturalmente, é possível que o buraco tenha sido feito depois de 1983, talvez por crianças brincando, porém é preciso dizer que é muita coincidência encontrar um esconderijo ideal para um punhado de anéis e braceletes para o que pode bem ter sido o jardim do nº 221 na única estrada do local com aqueles vários números de casas.</font></span>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">PRECEDENTES </p>
</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">“Excetuando-se as fabricações e confabulações criadas por psíquicos e seus biógrafos, distorções da mídia, e casos de fraude total, permanece um número considerável de casos documentados em que detetives psíquicos conseguiram êxitos impressionantes aparentemente inexplicáveis” (Lyons &amp; Truzzi, 1991, p. 155). Esta foi a conclusão dos autores de um estudo detalhado e altamente crítico de detecção psíquica. No entanto, não é sempre certo que tais êxitos sejam devido ao exercício de qualquer sentido psi, embora possa ser o caso da ‘intuição’ às vezes (talvez sempre?) ter um componente psi. Por exemplo, num caso de 1977 muito divulgado em Chicago, Allan Showery foi condenado pelo assassinato de uma mulher filipina chamada Teresita Basa após a alegação feita por outra mulher filipina, Remibias Chua, de que ela tinha se comunicado com o espírito de Basa em sua língua nativa, o Tagalog, e foi-lhe dito sobre o roubo de um anel além do assassinato. Confrontado com esta evidência, Showery (que já havia sido entrevistado pela polícia) confessou e o anel foi recuperado. Lyons e Truzzi (1991, pp. 59, 245-6) notam que como Chua conhecera tanto Basa e Showery, ela pode ter suspeitado que o último era culpado e compôs sua história mediúnica para incriminá-lo. (Não está claro, no entanto, como ela poderia ter sabido sobre o anel).</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">Um caso mais contundente é descrito pela médium Dixie Yeterian (1984, pp. 49-56). Ela recebeu a visita pela manhã de um jovem que lhe pediu ajuda para achar seu pai perdido e deixou alguns dos pertences do pai com ela para que ela fizesse uma leitura psicométrica. Yeterian imediatamente ‘viu’ que o homem na realidade havia assassinado seu pai, e imediatamente chamou a polícia. Detiveram o homem e conseguiram uma confissão e uma condenação. O detetive encarregado contou a Lyons e Truzzi (1991, p. 2) que se tratava de um ‘caso fora do comum’ e admitiu que tinha trabalhado com Dixie anteriormente. Um detalhe interessante do registro de Yeterian é sua experiência do que ela chama de uma ‘divisão psíquica’ em que “às vezes eu via a situação do ponto de vista do filho, e em outras vezes eu captava as percepções do homem assassinado” (Yeterian, 1984, p. 52). Holohan parece ter experimentado uma “divisão” semelhante, no seu caso em três partes — Bratters, Poole e Ruark.</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">Por mais impressionantes que estes casos pareçam ser, em cada um deles a médium conhecia ou ao menos tinha encontrado o assassino e poderia ter colhido pistas importantes por meios normais, tais como leitura da linguagem corporal ou anotando observações ou comportamentos suspeitos. Um caso em que isto não pode se aplicar é o do assassinato do autor e parapsicólogo D. Scott Rogo em 1990, em que um grupo de médiuns encabeçados pela amiga de Rogo, Betty Bandy forneceu à polícia de Los Angeles informações exatas que, embora não reabrissem o caso, “certamente o teriam feito, não estivesse o novo exame já a caminho”, de acordo com o detetive encarregado (Smith, 1992).</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">Lyons e Truzzi (1991) e Bardens (1965, cap. 4) citam vários outros casos em que médiuns deram demonstrações impressionantes de clarividência e produziram evidência que foi útil para a polícia. Tais relatórios datam de vários séculos passados, embora em sua pesquisa erudita de “Ghosts Before the Law”, Lang (1894, pp. 248-273) pôde citar só um caso remotamente comparável ao de Poole. Este caso aconteceu em 1631 e foi resumido em detalhes por Surtees (1816-1840, II, 146-149), e envolveu um moleiro chamado James Graham que alegou que o espírito plenamente materializado de uma vítima local de assassinato chamada Anne Walker tinha lhe aparecido dando plenos detalhes de sua morte e da localização do seu corpo, e nomeou seus dois assassinos. Estes foram devidamente presos, após a descoberta do corpo no lugar indicado por Graham, embora não houvesse outra evidência contra eles ou a favor da visão de Graham. Há suspeitas de que Graham tivesse cometido o assassinato e criado esta história fantástica, o que seria totalmente inverificável e não nos soa muito verdadeiro, embora observemos que enquanto Graham aparentemente não tinha nenhum motivo para cometer o assassinato, um dos homens presos supostamente tinha um motivo muito forte.</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">Depois de uma investigação cuidadosa do caso amplamente publicado do século XIX da suposta identificação do assassino serial conhecido como Jack Estripador feita pelo médium Robert Lees, West (1949) avaliou a alegação como “não apoiada pelos fatos conhecidos”. Voltando ao presente, Ahsan (2003) descreve sua investigação no uso de psíquicos pelos pela polícia britânica e irlandesa, e cita uma declaração de um Inspetor Detetive da Irlanda em que uma médium chamada Diane Lloyd Hughes foi usada para ajudar num caso de assassinato de 1999 na Irlanda e “era capaz de esboçar os detalhes do assassino, descrição, etc., e seu auxílio aumentou grandemente nossa investigação. Espero trabalhar com ela no futuro”. Um testemunho um tanto mais significativo foi apresentado em um videoclipe durante o programa <i>The Ultimate Psychic Challenge</i> no Canal 4 em 23 de agosto de 2003, quando vários oficiais da Polícia da Filadélfia elogiaram o papel que um médium do Reino Unido, Keith Charles, desempenhara para ajudar a localizar pessoas ou objetos desaparecidos. Suspeitamos que a colaboração de médiuns e da polícia poderia ser maior do que a última está geralmente disposta a admitir, e pode mesmo aumentar em conseqüência do caso de Poole. Batters nos contou que ele não recebeu nenhuma das ‘críticas’ esperadas após a publicação do seu artigo de 2001, e que muitas das reações de seus colegas foram bastante favoráveis.</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">Quanto a Holohan, que agora vive na Irlanda e trabalha como uma médium profissional, ela nos disse que nunca teve uma experiência semelhante ao seu suposto encontro com Poole, embora Batters (2003) tenha declarado que num caso recente “ela deu informações muito pertinentes para a polícia sobre a localização do corpo de uma vítima de assassinato, verificadas quando [o corpo foi] achado em Hampshire, em setembro de <metricconverter w:st="on" productid="2001”">2001”</metricconverter>. Depois de uma breve sessão privada seguindo nossa entrevista com ela em outubro de <metricconverter w:st="on" productid="2002, a">2002, a</metricconverter> esposa de um de nós (Keen) pode testificar que Holohan espontaneamente deu-lhe informações específicas e muito impressionantes sobre uma questão bastante privada da família além do conhecimento normal de Holohan. </p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">DISCUSSÃO </p>
</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">Tendo em mente a máxima de que qualquer fenômeno psi que pareça ser único é suspeito até que seja provado verdadeiro, nós agora examinaremos os meios em que a informação produzida por Holohan poderia ter sido obtida por outra fonte além da Poole desencarnada. Estas podem ser quaisquer fontes normais ou paranormais que não envolvam a comunicação de espíritos. Explicações normais parecem muito difíceis de serem encontradas em vista da ausência de qualquer indicação de que Holohan conhecesse alguém ligado ao caso ou que tivesse aprendido algo sobre ele pelos meios de comunicação locais que pudesse explicar algo além de talvez meia dúzia das declarações listadas no Apêndice, e absolutamente nenhuma daquelas que nós retivemos.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Batters se lembra de que ele e dois colegas examinaram cada jornal nacional e local disponível durante vários dias depois do assassinato, achando só dois ou três artigos muito curtos (ex.: na <i>Uxbridge News</i> [Notícia de Uxbridge] e no <i>Ruislip Echo</i> [Eco de Ruislip] de 18 de fevereiro e um comprido do <i>Uxbridge Gazette</i> [Gazeta de Uxbridge] de 17 de fevereiro), todos os quais nós vimos. Pode ser dito quase com certeza que tudo o que Holohan poderia ter aprendido dos meios de comunicação era o nome de Poole (mas não o seu nome de solteira), endereço, causa de morte e perda das joias; que não tinha havido nenhum sinal de entrada forçada e que Poole havia se separado de seu marido sete meses antes.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Uma possível explicação paranormal é que ela leu a mente de Batters, como ele próprio suspeitou inicialmente, já que, como ele nos disse, muito do que Holohan lhe descreveu era exatamente como ele tinha visto. Isso incluiu detalhes tais como as duas xícaras de café na cozinha das quais só uma tinha sido lavada, a pilha de jornais não lidos, o envelope e a carta, e os dois anéis que permaneceram nos dedos da vítima, além de uma descrição exata da posição do corpo, roupas e ferimentos. Esta explicação também pode ser rejeitada pela simples razão de que Holohan também forneceu informação que nem ela nem Batters poderiam ter sabido à época, notavelmente a descrição do assassino (para não mencionar seu apelido incomum), suas atividades anteriores e a reação dos seus amigos à pergunta se ele era capaz de violência. De fato, como Batters repetidamente nos disse, a única possível fonte para toda a informação é Jacqueline Poole. A hipótese de telepatia tem que explicar o fato de que Holohan lia três mentes, a de Batters, a de Ruark e a da Poole morta, e obtinha informações (p.ex. a referência a Bárbara Stone) que não eram conhecidas por nenhuma pessoa diretamente relacionada ao caso por dezoito anos. Consideramos que este caso adiciona peso considerável às escalas de credibilidade de psi normal ou de super-psi contra a sobrevivência e comunicação de desencarnados no lado do último. Como Gauld (1977, p. 589) observa numa discussão sobre comunicadores ‘esporádicos’ ou comunicadores não conhecidos por seus contactantes: </p>
</p>
<p style="text-indent: 14.2pt; margin: 0cm 14.2pt 0pt" class="MsoBodyText" align="justify">É óbvio que os casos de comunicações verificadas de comunicadores inesperados rejeitam a teoria de telepatia dos consulentes. Se, além disso, a informação correta comunicada não poderia ter sido adquirida telepática nem clarividentemente por qualquer fonte isolada e sim montada a parir de uma diversidade de fontes, até mesmo a teoria de super-PES torna-se algo forçado.<span style="font-size: 10pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">O que precisa ser explicado pelos proponentes de super-PES ou da hipótese de super-psi é, Gauld adiciona, a questão de como o médium seleciona da massa infinita de material teoricamente disponível somente esses itens que têm ligação com o comunicador esporádico
<personname w:st="on" productid="em quest?o. Al?m">em questão. Além</personname> disso, podemos adicionar, Holohan não forneceu qualquer informação específica que eventualmente não fosse descoberta como sendo relevante, direta ou indiretamente, ao assassinato de Poole; ela não deu qualquer informação incorreta à exceção do dia do assassinato, e não mencionou quaisquer outros nomes além dos aqui listados, sendo que todos foram identificados como ligados intimamente à vítima. O argumento mais forte contra uma explicação de super-psi e a favor de uma hipótese de sobrevivência seguramente deve ser que uma grande quantidade de informação dada por Holohan só poderia ter vindo de uma pessoa que, na época da comunicação, estava sem dúvida morta.</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">
<p align="center">CONCLUSÃO </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Críticas comuns de casos de resoluções de crimes por psíquicos são que eles são auto-relatados, às vezes muito tempo depois do acontecimento; eles não são corroborados pela polícia; a evidência é selecionada para focar nos acertos (ou suposições afortunadas) enquanto suprimem numerosos erros; e que ocorrem “forçações de barra” ou declarações gerais que podem se aplicar a qualquer coisa. (“Estou vendo água” ou “a letra A é significativa?”). Wiseman, West e Stemman (1996) revisam alguns casos em que estas críticas parecem justificadas. Detetives psíquicos também podem estar completamente errados. Batters (2001) lembrou que “durante o curso da investigação [de Poole], nós recebemos várias chamadas das pessoas oferecendo seus serviços como psíquicas, mas o que diziam não passava de disparates”.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Foi sugerido que alguma informação pode ter sido obtida através de parentes de Poole ou amigos. Mas nós não estamos cientes de qualquer evidência de quaisquer dos amigos ou parentes de Poole de que eles conhecessem Holohan. Além do mais, a única pessoa fora os funcionários da polícia que teve permissão para entrar no apartamento desde o ocorrido foi o pai do namorado de Poole, que entrou pela janela do saguão para identificar o corpo, permanecendo por apenas alguns segundos. Ele não tinha nenhum meio de saber que o corpo estava ferido, quais as mudanças de roupa realizadas, como eram a cozinha ou o banheiro — sendo estes alguns dos detalhes informados pela médium. Nem foi permitido que qualquer membro da família entrasse no apartamento. O primeiro a entrar foi o ex-marido de Poole uma semana mais tarde, bem depois do chamado de Holohan à polícia e da subsequente entrevista. Ainda que — como uma hipótese ainda mais tênue — Holohan conhecesse Ruark ou algum de seus amigos, isto não explicaria mais do que uma fração da informação que ela comunicou, ainda que fosse sugerido que Ruark prontamente desse a Holohan uma descrição detalhada do modo com que ele acabara de assassinar a Sra. Poole. Além disso, tivesse havido qualquer evidência de que Holohan freqüentasse os mesmos bares que Poole, em particular o <i style="mso-bidi-font-style: normal">Windmill</i>, onde Ruark e muitos de seus principais amigos bebiam, a polícia teria descoberto isto imediatamente. De fato o único contato de Holohan com bares ocorreu em duas ocasiões em que ela trabalhou em um bar diferente, o Tally-Ho. Mas mesmo que ela tenha se misturado com muitos dos amigos de Poole, ou supostamente freqüentado os mesmos bares, isso não pode ter nenhuma relevância sobre a riqueza de detalhes exatos que ela forneceu.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Nenhuma das críticas acima, no entanto, pode ser aplicada ao caso de Poole, em que as evidências, muitas delas altamente específicas, foram registradas dentro de alguns dias do assassinato pelo primeiro agente da polícia a visitar a cena do crime, e tudo está informado aqui, não houve qualquer seleção ou supressão exceto onde foi claramente expresso. Além do mais, o material suprimido, que nos foi mostrado, adiciona muita força a este caso. É muito provável que nenhum caso deste tipo venha a ser perfeito, dada a impossibilidade de provar uma negativa. No entanto, no programa de televisão mencionado acima, Tony Batters declarou que “aceitei o fato de que Jacqui se comunicou com Christine”, assim como, nos disse, aceitaram todos os seus colegas policiais com quem ele discutiu o caso. Nós não encontramos uma explicação alternativa plausível de como a informação comunicada foi reunida. Se algum dos leitores tiver uma explicação, teremos prazer em ouvi-la. </p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">AGRADECIMENTOS </p>
</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">Agradecemos ao Tony Batters e à Christine Holohan por seu precioso tempo e plena cooperação, ao Andrew Smith por ler e aprovar o esboço que enviamos; ao Canon Michael Perry por sua pesquisa na biblioteca no caso de Walker, e ao Professor Chris French e ao Dr. Adrian Parker por nos informarem sobre o caso de Poole. Também agradecemos os comentários e sugestões dos editores (atuais e prévios) e dos três árbitros anônimos. </p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">REFERÊNCIAS<span style="letter-spacing: 0.1pt; color: black">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="letter-spacing: 0.1pt; color: black">Ahsan, T. (2003) Psychics solve crime. </span><i><span style="letter-spacing: 0.1pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Prediction 69 (5), </span></i><span style="letter-spacing: 0.1pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">18-22.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="letter-spacing: 0.05pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Bar dens, D. (1965) <i>Ghosts and Hauntings. </i><city w:st="on">
<place w:st="on">London</place></city>: The Zeus Press.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="letter-spacing: 0.15pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Batters, A. (2001) But ghosts can’t testify? <i>Police December, </i>23-27.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="letter-spacing: 0.05pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Batters, A. (2003) Personal communication <i>to </i>Keen,<span style="mso-spacerun: yes">&#160; </span>16th April.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="letter-spacing: 0.3pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Gauld, A. (1977) Discarnate survival. In Wolman, B. B. (ed.) <i>Handbook of Para</i></span><i><span style="color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">psychology. </span></i><state w:st="on">
<place w:st="on"><span style="color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">New York</span></place></state><span style="color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">: Van Nostrand Reinhold.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span><span style="color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Lang, A. (<street w:st="on">1894) <i>Cock Lane </i><i>and Common-Sense. </i><city w:st="on">
<place w:st="on">London</place></city>: Longman, Green &amp; Co.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify">
<place w:st="on"><city w:st="on"><span style="letter-spacing: -0.1pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Lyons</span></city></place><span style="letter-spacing: -0.1pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">, A. and Truzzi, M. (1991) <i>The Blue Sense: Psychic Detectives and Crime. </i><state w:st="on">
<place w:st="on">New York</place></state>: </span><span style="letter-spacing: -0.05pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Warner Books.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="letter-spacing: -0.05pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Smith, S. S. (1992) Leaving the body: the life and death of D. Scott Rogo. <i>Fate November, </i></span><span style="letter-spacing: -0.1pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">62-69.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="letter-spacing: 0.05pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Surtees, R. (1816-40) <i>The History and Antiquities of the
<placetype w:st="on">County</placetype>
<placename w:st="on">Palatinate</placename> of
<place w:st="on"><city w:st="on">Durham</city></place> (4 </i></span><i><span style="letter-spacing: -0.05pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">vols). </span></i><city w:st="on">
<place w:st="on"><span style="letter-spacing: -0.05pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">London</span></place></city><span style="letter-spacing: -0.05pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">: J. B. Nichols &amp; Son.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="letter-spacing: 0.2pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">West, D. J. (1949) The identity of ‘Jack the Ripper’. <i>JSPR 35, </i>76-80.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="letter-spacing: -0.05pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Wiseman, R., West, D. and Stemman, R. (1996) An experimental test of psychic detection. </span><i><span style="letter-spacing: 0.4pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">JSPR 61, </span></i><span style="letter-spacing: 0.4pt; color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">34-45.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> </span>
<p align="justify"></p>
<p align="justify">
<p style="text-indent: -14.2pt; background: white; margin-left: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="color: black; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Yeterian, D. (1984) <i>Casebook of a Psychic Detective. </i>Briarcliff Manor: Stein &amp; Day.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"></span></p>
</p>
<p> <span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; color: black; font-size: 12pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa; mso-bidi-font-size: 9.0pt">   <br style="page-break-before: always" clear="all" /></span>
<p style="text-align: center; background: white; margin-right: 0.9pt" class="MsoNormal" align="center"><span style="color: black; mso-bidi-font-size: 9.0pt">APÊNDICE</span>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">A declaração de 1983 de Christine Holohan a Batters e Smith foi feita numa série de frases curtas que Batters anotou, preenchendo 199 linhas de seu bloco de notas A5. As declarações não estavam numa ordem imediatamente reconhecível, e Holohan freqüentemente mudava de assunto, ocasionalmente se repetindo. Citamos abaixo todas as declarações (exceto o material sensitivo concernente ao assassinato real, declarações não-específicas tais como essas mencionadas acima, e repetições) como anotadas por Batters (coluna do lado esquerdo), junto com seus comentários (coluna do lado direito), aos quais adicionamos mais detalhes por escrito fornecidos por ele em nossa entrevista em 2002. Nossos comentários estão entre colchetes. Algumas repetições foram omitidas e a ordem das declarações foi alterada para dar um registro mais coerente do seu conteúdo ao leitor. </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">1. Detalhes do acontecido</span></b><b><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></b></p>
</p>
<table style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-collapse: collapse; border-top: medium none; border-right: medium none; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-padding-alt: 0cm 3.5pt 0cm 3.5pt; mso-border-insideh: .5pt solid windowtext; mso-border-insidev: .5pt solid windowtext" class="MsoNormalTable" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Desde Dom[ingo] Jacqui Hunt. Dizendo que não devia ter estado lá. Suposto que teria ido trabalhar. Dois homens ligaram para ela mais cedo. Ela não quis ir. Não sentia-se bem. Teve esta experiência por volta das 9 horas. Noite de sábado”. </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Na noite do assassinato (sexta-feira, 11de fevereiro de 1983) Jacqueline Poole (JP) estava prestes a começar um novo trabalho como garçonete. Dois funcionários do bar ligaram para o seu apartamento às 19h45min para levá-la ao trabalho. Ela tinha dito aos amigos pouco antes disso que ela se sentia doente demais para sair, e que então ficaria
<personname w:st="on" productid="em casa. O">em casa. O</personname> assassinato aconteceu entre 20h45min e 21h15min de sexta-feira, não no sábado. Esta é a única declaração incorreta que Christine Holohan (CAP) fez. [O nome de solteira de JP, Hunt, não tinha se tornado público na época da entrevista.] </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 1">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Ela está me mostrando uma corrente. Corrente de porta. Não tem certeza se deve deixá-lo entrar. Pensou que ele tinha uma mensagem. Essa é a razão pela qual ela o deixa entrar”. </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Um amigo a visitara em relação à sua planejada visita ao seu filho (o então namorado atual dela), que estava num centro de detenção. O amigo partiu às 20h05min da noite e confirmou que JP tinha colocado a corrente na porta quando ele saiu. JP sabia que Ruark também conhecia seu namorado e podia estar trazendo uma mensagem dele ou sobre ele. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 2">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Ela o conhece socialmente, o homem responsável. Não é um ex-namorado. O amigo de um amigo — parte de um grupo de amigos. Conheceu-o há aproximadamente 6 meses. Ela nunca gostou deste sujeito. Ele estava se tornando uma peste. Ele a visitava no trabalho. Ela disse que ficava muito irritada com isto. Disse-lhe que contaria a mais alguém”. </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Por vários meses JP e seu namorado visitaram o bar que Ruark costumava frequentar. Ela definitivamente o conhecia, mas rejeitara suas tentativas de flertar com ela. Um homem com sua descrição foi visto visitando JP na loja onde ela trabalhou no dia do assassinato, e também em outro dia anterior a essa semana. O pai do seu namorado disse que ela tinha querido contar-lhe algo na sua última visita a ela, mas que tinha mudado de ideia. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 3; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“A ligação está na prisão. Ambos tiveram o mesmo amigo que estava na prisão. Não prisão, ela diz, “detenção”. Foi visitá-lo duas semanas antes.”</span></b></p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Seu namorado estava num Centro de Detenção e não numa delegacia ou prisão. CH não entendeu a diferença. A última visita de JP a seu namorado foi 12 dias antes do assassinato e exatamente duas semanas antes do seu corpo ter sido achado.</span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> <span style="font-size: 10.5pt">
<p>&#160;</p>
<p> </span><br />
<table style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-collapse: collapse; border-top: medium none; border-right: medium none; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-padding-alt: 0cm 3.5pt 0cm 3.5pt; mso-border-insideh: .5pt solid windowtext; mso-border-insidev: .5pt solid windowtext" class="MsoNormalTable" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Ela está falando sobre o roubo. Joias. Está me mostrando um St. Christopher. Pulseira pesada. Sua avó deu-lhe algo. Sua mãe deu-lhe algo para o Natal. Muito amável. Uma parte foi roubada, a outra ficou. Há outro anel além destes dois? Ela está dizendo Terry, ela pergunta por Terry.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">JP sempre usou várias correntes, pulseiras e anéis, alguns dados por sua família. Os itens mencionados foram todos roubados; só dois anéis dos doze ou quase isso que ela tinha usado mais cedo nesse dia permaneceram em seus dedos, estavam apertados demais para serem retirados. Terry era um de seus três irmãos, a quem ela era muito próxima. CH citou o nome dele seis vezes. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 1">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Ela estava deprimida. Tomava pílulas. Ainda tem uma receita. Está passando por um divórcio. Está pensando em seu marido.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">JP tomava remédios para tensão e depressão causadas por problemas pessoais. Uma nova receita foi achada em sua bolsa. Esteve separada de seu marido durante vários meses e um divórcio era iminente. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 2; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Ela queria que sua vida pessoal fosse mantida
<personname w:st="on" productid="em segredo. Com">em segredo. Com</personname> as pessoas erradas do passado. Queria romper com o passado. Estava indo para outro trabalho. Conseguiu uma entrevista. Trabalhou
<personname w:st="on" productid="em bar. Tr?s">em bar. Três</personname> cervejarias. Diz área de Hillingdon. Bebia mais do que devia. Conheceu muitas pessoas. Perguntou por Terry outra vez. Recebo o nome Bárbara — Bárbara Stone.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Quase todas estas declarações eram corretas ou altamente possíveis, exceto por não haver nenhum registro de uma entrevista pendente. Embora JP não tivesse nenhuma ficha criminal, ela certamente se misturou em círculos criminais e tinha contado a um amigo no dia anterior ao assassinato que ela queria romper com o passado. Era considerada como alguém que bebia socialmente em vez de habitualmente, mas podia ter sentido ou ouvido que andava bebendo mais do que devia. Todos os contatos conhecidos de JP foram localizados durante a investigação de 14 meses, mas ninguém mencionou Bárbara Stone. [isso não ocorreu até o julgamento em 2001 quando Batters soube pelo irmão de JP, Terry, quem ela era]. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> <b><span style="font-size: 10.5pt">
<p>&#160;</p>
<p>   </span></b>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><metricconverter w:st="on" productid="2. A"><b><span style="font-size: 10.5pt">2. A</span></b></metricconverter><b><span style="font-size: 10.5pt"> cena do crime</span></b><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></p>
</p>
<table style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-collapse: collapse; border-top: medium none; border-right: medium none; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-padding-alt: 0cm 3.5pt 0cm 3.5pt; mso-border-insideh: .5pt solid windowtext; mso-border-insidev: .5pt solid windowtext" class="MsoNormalTable" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Agora ela está me mostrando onde vive. Dois lotes de apartamentos. O nome da estrada começa com ‘L’. Algo “Close”. Ele está estacionado na esquina. Há um estacionamento. Esteve lá antes. Fez algo, um trabalho para ela no passado. Ela não quis deixá-lo entrar. Ele disse que tinha uma mensagem.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">JP viveu numa casa dividida em dois apartamentos,
<personname w:st="on" productid="em Lakeside Close.">em Lakeside Close.</personname> (CH podia ter visto o nome em relatórios de jornal.) Há áreas de estacionamento na rua, mas não um estacionamento normal. Há uma curva na estrada, mas nenhuma esquina, a qual é possível se referir como sendo à esquina do edifício. Ruark tinha visitado o apartamento de JP quatro meses antes do assassinato para trocar seu gerador, que seu namorado tinha desligado depois de uma briga, deixando JP na escuridão, o que ele sabia que a deixava com medo. Ruark também desligou os geradores na noite do assassinato. Isto pode ter ligação com o modo como a atenção de CH foi direcionada a JP quando as luzes de seu quarto foram ligadas e desligadas. É muito provável que JP teria deixado Ruark entrar se ele dissesse que tinha uma mensagem de seu namorado, que ele conhecia. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 1; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Estou num corredor. Jornais não lidos. Há um armário.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Verdade, mas fácil de adivinhar. Havia vários jornais no tapete de JP [quando Batters entrou pela primeira vez no apartamento, o qual tinha um armário no corredor]. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> <span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa"></span>
<p class="MsoNormal"></p>
<p>&#160;</p>
<table style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-collapse: collapse; border-top: medium none; border-right: medium none; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-padding-alt: 0cm 3.5pt 0cm 3.5pt; mso-border-insideh: .5pt solid windowtext; mso-border-insidev: .5pt solid windowtext" class="MsoNormalTable" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Duas xícaras na cozinha. Uma lavada. Ela fez uma xícara de café.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Outra vez verdadeiro, mas menos fácil de adivinhar. A cozinha era muito arrumada; os únicos itens não guardados eram uma xícara lavada no escorredor de louça e outra xícara cheia até a metade de café. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 1">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Ela fica me levando ao banheiro. Foi atacada no banheiro.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">O corpo de JP foi encontrado no sofá, mas há um toalheiro recentemente danificado no banheiro e um tapete desarrumado. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 2">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Agora a sala de estar. Ela não conseguiu chegar ao telefone.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Um amigo tinha telefonado a JP quando Ruark podia ter estado no apartamento. Ela parecia assustada e pediu que ele ligasse de novo em 15 minutos. Ele ligou 30 minutos mais tarde, mas não ninguém atendeu o telefone. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 3; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Há um envelope e uma carta. Acabou de chegar. Um livro preto de endereço. Lugar pequeno, agradável, compacto. Você achou-o diferente. Os móveis foram redistribuídos. As almofadas do sofá estão mexidas. Fora de lugar. Um pouco à frente. Usa jeans, um suéter. Mudei minhas roupas duas vezes, ela diz.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Uma carta recentemente entregue foi achada, também um livro preto de endereço. (CH não mencionou um livro vermelho de endereço também encontrado). O sofá era compacto, bem decorado e arrumado com exceção das almofadas no chão. O fato que JP tinha mudado de roupas duas vezes foi verificado no julgamento em 2001. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 11pt"></span>
</p>
<p>   </b><b><span style="font-size: 10.5pt">3. O assassinato</span></b><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="font-size: 10.5pt">[CH fez 58 afirmações sobre o assassinato das quais apenas uma (o dia em que ocorreu) estava errada. Essas são omitidas aqui por razões já citadas. CH descreveu cada estágio do ataque em detalhes, e dos comentários escritos de Batters está claro que enquanto muitas das declarações são inevitavelmente inverificáveis, a grande maioria era correta, provável ou consistente com as observações ou deduções da cena do crime].</span><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">4. O assassino</span></b><b><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></b></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Como lembrado por Batters, em notas digitadas em 2002 e dadas a nós em nossa entrevista de outubro:</span><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i><span style="font-size: 10.5pt">As pálpebras de Christine se agitaram. Ela voltou ao estado normal. </span>
</p>
<p>   </i></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i><span style="font-size: 10.5pt">“Desculpe-me. Tenho que parar.” </span>
</p>
<p>   </i></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i><span style="font-size: 10.5pt">“Como você está se sentindo?” </span>
</p>
<p>   </i></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i><span style="font-size: 10.5pt">“Muito cansada. Isto requer muito energia.” <b></b>
</p>
<p>     </span></i></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i><span style="font-size: 10.5pt">“Você conseguirá continuar?” </span>
</p>
<p>   </i></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i><span style="font-size: 10.5pt">“O que você precisa saber? Eu não sei onde paramos. Foi útil?” </span>
</p>
<p>   </i></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i><span style="font-size: 10.5pt">“Extremamente interessante. Mas precisamos de mais informações sobre o assassino. Há mais?” </span>
</p>
<p>   </i></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i><span style="font-size: 10.5pt">“Recomeçarei em alguns minutos. Você já recebeu o nome? Eu nunca consegui entender o nome que ela usa para se referir a ele. Gostaria de uma bebida? Recomeçarei em seguida.”</span></i><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText3"><span style="font-size: 10.5pt">Durante o café, perguntas foram feitas sobre as possíveis fontes de informação de Christine, p.ex. a família da vítima, amigos, a polícia, e sobre suas notas escritas e vida pessoal. </span><span style="font-style: normal; font-size: 10.5pt; mso-bidi-font-style: italic">[CH tinha mencionado que às vezes produzia informações através da escrita automática quando ela não podia receber a informação da maneira normal].</span><i><span style="font-size: 10.5pt"></span></i></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i><span style="font-size: 10.5pt">Depois dos cafés: retornou ao transe como antes, mas mais rapidamente. Depois de uma espera (aprox. 30 segundos):</span></i><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">     <br style="page-break-before: always; mso-special-character: line-break" clear="all" /></span></p>
<p class="MsoNormal">
<p>&#160;</p>
</p>
<table style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-collapse: collapse; border-top: medium none; border-right: medium none; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-padding-alt: 0cm 3.5pt 0cm 3.5pt; mso-border-insideh: .5pt solid windowtext; mso-border-insidev: .5pt solid windowtext" class="MsoNormalTable" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“O indivíduo responsável. Ela está me enviando imagens. Cinco pés e oito polegadas, não muito mais. Pele escura, cabelo afro-ondulado colorido. Vinte e poucos anos. 22. Conhece-o. Aniversário em abril, maio. É de Touro. Tem tatuagens nos braços. Espada? Cobra? Rosa? Recebo um nome, Tony. Tem um apelido, não um nome próprio. Eu não consigo entender o que ela diz. Um nome engraçado, como o nome de uma coisa.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Uma boa e detalhada descrição de Anthony Ruark, como, por exemplo, a sua pele miscigenada, o cabelo e altura (5&#8217;9&#8242;). Nasceu em abril de 1959, e tinha 23 na época do assassinato. Tinha várias tatuagens nos braços. [Presumimos que ele era conhecido por alguns como Tony, e que JP não conhecia sua idade exata e adivinhara.] Pokie é uma gíria australiana para uma máquina de jogos. Ruark jogava nela constantemente. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 1">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Ele esteve trabalhando recentemente, como pintor ou decorador. Não tem um trabalho regular, não um trabalho próprio. É frio, astuto, entrou em lugares antes. E é esperto com carros. Macaco de graxa, é como ela o chama. Teria trabalhado num carro de um amigo.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Ele era um criminoso ativo envolvido em arrombamento e roubo de carro. Seu único negócio legítimo, aprendido na prisão, era como rebocador. Tinha trabalhado como um por dois dias na semana antes do assassinato. Era mecânico de carro DIY, embora o termo &#8216;macaco de graxa&#8217; não tenha surgido durante a investigação. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 2">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“É um rapaz conhecido na área A polícia já o viu. O rapaz vive num imóvel. Uma casa popular ou apartamento. Gosta de beber. Está ainda por perto, bebendo com amigos. Bebia com um grupo de amigos na noite anterior.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Ruark era uma das duas dúzias de pessoas que se declararam como amigo ou conhecido de JP. Vivia num pequeno apartamento
<personname w:st="on" productid="em Uxbridge. Era">em Uxbridge. Era</personname> um beberrão regular — <metricconverter w:st="on" productid="3 a">3 a</metricconverter> <metricconverter w:st="on" productid="4 litros">4 litros</metricconverter> de cerveja por dia e tinha passado a noite anterior numa cervejaria com seus fregueses regulares. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 3">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Ele tem uma namorada. Ela conhecia Jacqui. Tem o cabelo escuro, é pequena, bonita. Tem um C em suas iniciais. Vocês têm o grupo correto. Vocês estão próximos.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Ele tinha uma namorada regular, pequena e bonita, morena, cujo sobrenome começava com C. [Batters se questiona sobre o motivo da fonte só ter dado uma inicial, já que JP conhecia a mulher bem.] Ruark estava prestes a ficar noivo dela, cerca de dois dias depois do assassinato, e precisava de dinheiro urgentemente para um anel. Quando foi detido três dias depois do assassinato, ele carregava £400 para os quais não tinha explicação. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 4">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Ele passou dez minutos olhando o local. Ele está olhando um relógio. E um espelho.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Estas declarações não foram verificadas, e se verdade sugere que JP reteve alguma forma de consciência imediatamente após a morte [supondo que morreu instantaneamente, como parece quase certo]. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 5">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Verifique o álibi dele.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Isto era naturalmente uma instrução ao invés de uma declaração, e a polícia checou os álibis de Ruark (ele tinha dois), testando-os completamente, desmentindo um e não conseguindo corroborar o outro. Vários outros suspeitos também não conseguiram confirmar seus álibis e não havia nenhuma evidência para ligar Ruark ao assassinato na época. </span>
</p>
</p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 6; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Alguém o viu sair? A senhora do outro lado da estrada poderia ter visto, uma senhora com um cão. Estava frio—ele não tinha nenhum arrependimento quando foi embora. Quando você o pegar, seus amigos ficarão surpresos. Eles não acreditarão que ele é capaz de fazer isto.”</span></b></p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Uma vizinha andava com seu cão toda a noite, mas não pôde ajudar. Depois de ir para casa para se trocar, Ruark passou o resto da noite num clube com amigos, que mais tarde descreveu-o como completamente normal e descontraído. Todos os que o conheciam pensaram que ele era incapaz de cometer um crime violento.</span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> <span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa"></span>
<p class="MsoNormal"></p>
<p>&#160;</p>
</p>
<table style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-collapse: collapse; border-top: medium none; border-right: medium none; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-padding-alt: 0cm 3.5pt 0cm 3.5pt; mso-border-insideh: .5pt solid windowtext; mso-border-insidev: .5pt solid windowtext" class="MsoNormalTable" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">           <br style="page-break-before: always" clear="all" /></span>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 10.5pt">“Há algo sobre uma alegação de seguro. Verifique uma alegação de seguro. Recebo o nome Sylvia. Ela tem medo de dizer algo. Diz Betty. Uma amiga de sua mãe? Algo sobre sua mãe. Há alguém vivendo num apartamento sobre uma loja, um amigo. Uma loja de jornal. Mantenha-se na direção que você está indo.” </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 3.5pt; width: 230.3pt; padding-right: 3.5pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="307">
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Descobriu-se mais tarde que Ruark fez uma alegação fraudulenta de seguro depois de vender os próprios pertences e alegar que foram roubados. A única Sylvia que surgiu durante a investigação era a mãe do namorado de JP. A mãe de JP se chamava Betty, e ela tinha uma amiga com esse nome. A amiga mais próxima de JP, Gloria, vivia em um apartamento em cima de um vendedor de jornais. [como Batters anotou na época, todas estas três mulheres telefonaram enquanto ele estava no apartamento depois de acharem o corpo de JP, e não houve outras chamadas nas cinco horas que ele passou no local.]</span><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Das declarações que CH fez sobre o assassino, 3 ou 4 não foram verificadas e nenhuma era incorreta.</span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> <b><span style="font-size: 10.5pt">
<p>&#160;</p>
<p>   </span></b>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal" align="justify"><b><span style="font-size: 10.5pt">4. Nomeando o assassino</span></b><b><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></b></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><span style="font-size: 10.5pt">Batters lembrou em suas notas mencionadas acima:</span><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><i><span style="font-size: 10.5pt">Christine saiu do transe para o seu estado normal, como antes. </span>
<p align="justify"></p>
<p>   </i></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><i><span style="font-size: 10.5pt">“Eu sei que você quer um nome. Eu não posso receber. O que ela diz não faz sentido. Tentarei escrevê-lo.” </span>
<p align="justify"></p>
<p>   </i></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><i><span style="font-size: 10.5pt">“Como você fará isso já que você não pode entender?” </span>
<p align="justify"></p>
<p>   </i></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><i><span style="font-size: 10.5pt">“Vou só segurar a caneta. Espero que Jacqui comece a escrever. Fiz isso antes para parentes.” </span>
<p align="justify"></p>
<p>   </i></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><i><span style="font-size: 10.5pt">Pedimos que tentasse obter também alguma informação sobre as joias. </span>
<p align="justify"></p>
<p>   </i></p>
<p align="justify">
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><i><span style="font-size: 10.5pt">[CH então pegou seu bloco de notas, uma caneta esferográfica e disse em voz alta: – “Jacqui, eles precisam saber o nome dele. O nome dele. E o que aconteceu às suas joias.”</span></i><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText3" align="justify"><span style="font-size: 10.5pt">Ela voltou ao transe como antes. Segurou a caneta meio solta, meio que na parte de cima. Depois de aproximadamente 30 segundos a caneta começou a sacudir, escrevendo em uma área do papel. Então moveu a outra parte da folha, e escreveu uma palavra muito lenta e espasmodicamente. Os olhos de Christine ficaram fechados, mas ela podia ter tido o controle. A caneta então moveu-se para outro ponto, começou a escrever, então parou. Começou de novo no mesmo ponto depois de alguns segundos, e escreveu uma palavra. Este padrão repetiu-se várias vezes.</span><span style="font-size: 10.5pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><span style="font-size: 10.5pt">Deste modo, CH escreveu <span style="letter-spacing: 0.05pt; color: black">‘Ickeham’ [sic], ‘221’, ‘jardim’ e ‘Pokie’. Como já descrito, esta informação levou à prisão de Ruark e à descoberta de Batters de um possível esconderijo no terreno junto ao Nº 219.</span></span></p>
<p align="center"><span style="font-size: 10.5pt">DECLARAÇÃO</span></p>
<p><span style="font-size: 10.5pt"></span><span style="font-size: 10.5pt">Eu confirmo que o registro acima confere </span><span style="font-size: 10.5pt">com o meu registro da entrevista que fiz com <span style="color: black">Christine Holohan e com o meu conhecimento do caso.</span></span><span style="color: black; font-size: 10.5pt">&#160;</span></p>
</p>
<p style="background: white; margin-left: 11.7pt" class="MsoNormal"><span style="color: black; font-size: 10.5pt; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">(Assinado) <span style="letter-spacing: -0.05pt">Anthony Paul Batters. Metropolitan Police Warrant </span><span style="letter-spacing: 0.05pt">Nº</span><span style="letter-spacing: -0.05pt"> 153617. 27.11.2002</span></span><span style="color: black; font-size: 10.5pt; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 11pt; margin: 0cm 0.7pt 0pt; background: white" class="MsoNormal"><span style="color: black; font-size: 10.5pt; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">(Assinado)</span><span style="font-size: 10.5pt; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> <span style="letter-spacing: -0.05pt; color: black">Andrew Smith, Detective Sergeant. </span></span><span style="letter-spacing: -0.05pt; color: black; font-size: 10.5pt">Metropolitan Police Warrant </span><span style="letter-spacing: 0.05pt; color: black; font-size: 10.5pt">Nº</span><span style="letter-spacing: -0.05pt; color: black; font-size: 10.5pt"> 91/167901. </span><span style="letter-spacing: -0.2pt; color: black; font-size: 10.5pt">27.11.2002</span><b><span style="font-size: 9pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">&#160;</span></b></p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center">DEDICATÓRIA </p>
</p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2" align="justify">É com profunda tristeza que informo as mortes de Tony Batters, em 30 de dezembro de 2003, e de Montague Keen, em 15 de janeiro de 2004, e eu gostaria de dedicar este artigo à memória deles. <span style="mso-tab-count: 3">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </span></p>
<p style="text-indent: 14.2pt" class="MsoBodyText2"><span style="mso-tab-count: 3"></span>&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; GLP </p>
</p>
<p style="text-align: justify" class="MsoNormal"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Artigo publicado originalmente como:</i></b> Playfair, G. L; Keen, M. A Possible Unique Case of Psychic Detection. <i><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Journal of the Society for Psychical Research</span></i><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">, Vol. 68.1, </span><span style="letter-spacing: 0.05pt; color: black; font-size: 10pt; mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">Nº</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US"> 874, pp. 1-17, January 2004.</span><span style="mso-ansi-language: en-us" lang="EN-US">&#160;</span></p>
</p>
<p style="text-align: center" class="MsoNormal" align="center"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">Este artigo foi traduzido por Vitor Moura Visoni e revisado por Inwords.</i></b><span style="mso-tab-count: 1">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </span></p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Este artigo tem uma réplica no site <a href="http://www.tonyyouens.com/ruislip_murder.htm">http://www.tonyyouens.com/ruislip_murder.htm</a> e uma pequena tréplica no site <a href="http://www.aeces.info/Top40/Cases_51-75/case69_poole.pdf">http://www.aeces.info/Top40/Cases_51-75/case69_poole.pdf</a> </p>
<div style="mso-element: footnote-list">   <br clear="all" /></div>
<div style="mso-element: footnote-list">
<hr align="left" size="1" width="33%" /></div>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt; mso-element: footnote" class="MsoFootnoteText" align="justify"><a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="#_ftnref1" name="_ftn1"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 10pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">[1]</span></span></span></span></a> Holohan nos garantiu que ela não se lembra de alguma vez ter encontrado ou mesmo ouvido sobre Poole ou quaisquer de seus amigos, nem mesmo seu assassino. Os detetives entrevistaram todos os conhecidos de Poole, e Holohan não estava entre eles. Seu nome sequer constava na lista telefônica de Poole.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt; mso-element: footnote" class="MsoFootnoteText" align="justify"><a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="#_ftnref2" name="_ftn2"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 10pt; mso-ansi-language: pt-br; mso-fareast-font-family: &#39;Times New Roman&#39;; mso-fareast-language: pt-br; mso-bidi-language: ar-sa">[2]</span></span></span></span></a> Batters nos disse em julho de 2003 que “sem as informações de Christine, nós não teríamos (a) recuperado o pulôver; (b) entrevistado e ouvido as declarações de todo mundo com quem Ruark veio a entrar em contato depois [da noite do assassinato] e (c) checado e verificado todos os seus movimentos durante a quinzena prévia. Estes três elementos foram vitais para combater as potenciais (e reais) defesas, que eu acredito teriam levantado dúvida suficiente para levar a um veredicto de “inocente”. Assim consideramos inegável que Holohan exerceu um papel significativo, embora anônimo, na condenação de Ruark.</p>
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		<title>O Pl&#225;gio de Anna Prado</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Mar 2013 13:54:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Obras de Anna Prado]]></category>

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		<description><![CDATA[Anna Prado foi uma médium de efeitos físicos, muito famosa no Brasil no início do século XX. Nasceu em 1883 e morreu em 23 de abril de 1923 em um acidente no fogão ao incendiar as próprias vestes. Há dois livros básicos sobre ela, “O Trabalho dos Mortos”, de Raymundo Nogueira de Faria, e “O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Anna Prado foi uma médium de efeitos físicos, muito famosa no Brasil no início do século XX. Nasceu em 1883 e morreu em 23 de abril de 1923 em um acidente no fogão ao incendiar as próprias vestes. Há dois livros básicos sobre ela, “<a href="http://bvespirita.com/O%20Trabalho%20dos%20Mortos%20-%20Livro%20do%20Jo%C3%A3o%20(Nogueira%20de%20Faria).pdf">O Trabalho dos Mortos</a>”, de Raymundo Nogueira de Faria, e “O que eu vi”, de Ettore Bosio. Recentemente foi lançado um 3º livro, “Anna Prado, a mulher que falava com os mortos”, de Samuel Nunes Magalhães. A mensagem a seguir, feita por meio da escrita direta, é admitida ser uma cópia de uma mensagem constante
<personname w:st="on" productid="em O Evangelho Segundo">
<personname w:st="on" productid="em O Evangelho">em <i style="mso-bidi-font-style: normal">O Evangelho</i></personname><i style="mso-bidi-font-style: normal"> Segundo</i></personname><i style="mso-bidi-font-style: normal"> o Espiritismo</i>, de Allan Kardec. </p>
<p><span id="more-1554"></span>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">&#160;</p>
<table style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-collapse: collapse; border-top: medium none; border-right: medium none; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-yfti-tbllook: 480; mso-padding-alt: 0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-border-insideh: .5pt solid windowtext; mso-border-insidev: .5pt solid windowtext" class="MsoTableGrid" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr style="mso-yfti-irow: 0; mso-yfti-firstrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 216.1pt; padding-right: 5.4pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="288">
<p style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="color: #222222">Mensagem de 13 de janeiro de 1921 do ‘espírito’ Guilherme pela médium Anna Prado</span></p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 216.1pt; padding-right: 5.4pt; border-top: windowtext 1pt solid; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="288">
<p style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="color: #222222">Mensagem “A Paciência” de Um Espírito Amigo, em Havre, em 1862, e publicada
<personname w:st="on" productid="em O Evangelho Segundo">em <i style="mso-bidi-font-style: normal">O</i> <i style="mso-bidi-font-style: normal">Evangelho Segundo</i></personname><i style="mso-bidi-font-style: normal"> o Espiritismo</i>, capítulo 9, item 7, de Allan Kardec</span></p>
</td>
</tr>
<tr style="mso-yfti-irow: 1; mso-yfti-lastrow: yes">
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: windowtext 1pt solid; padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 216.1pt; padding-right: 5.4pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="288">
<p style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt; margin: 0cm 0cm 0pt; background: white"><span style="color: #222222">A paz seja entre vós.</span><span style="color: #222222; font-size: 10pt"> </span>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt; margin: 0cm 0cm 0pt; background: white"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue">A dor é uma benção que Deus envia aos escolhidos. Não vos aflijais quando sofrerdes, mas vos designou a dor neste mundo para obterdes a glória do céu.</span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue; font-size: 10pt"> </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt; margin: 0cm 0cm 0pt; background: white"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue">Sede pacientes, pois a paciência é também uma forma de caridade ensinada por Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil das caridades; porém, a mais penosa e, por consequência, a mais meritória é a que consiste em perdoar aqueles que Deus colocou entre o vosso caminho para serem instrumentos do vosso sofrimento e vos porem em provas a Paciência.</span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue; font-size: 10pt"> </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt; margin: 0cm 0cm 0pt; background: white"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue">“A vida é difícil, bem o sei: compõe-se de mil futilidades, quais alfinetadas que acabam por ferir: mas é mister comparar os deveres que nos são impostos às consolações e compensações, que nos vem do outro lado, para então vermos que as bênçãos são mais numerosas que as dores. O fardo, quando se olha para cima, parece mais leve do que quando se curva a cabeça para o chão.</span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue; font-size: 10pt"> </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt; margin: 0cm 0cm 0pt; background: white"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue">Coragem, amigos, o Cristo é o vosso modelo; nenhum de vós sofreu como ele, que, aliás, não tinha motivo para isso, ao passo que vós tendes de expiar o passado e fortificar-vos para o futuro. Sede, portanto, pacientes e cristãos; esta palavra encerra tudo.”</span></b><span style="color: #222222; font-size: 10pt"> </span>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="color: #222222">Eu vos abençôo. Boa noite. Dou este conselho porque vejo a união entre vós; continuem a ser unidos. É o que desejo.</span></p>
</td>
<td style="border-bottom: windowtext 1pt solid; border-left: medium none; padding-bottom: 0cm; padding-left: 5.4pt; width: 216.1pt; padding-right: 5.4pt; border-top: medium none; border-right: windowtext 1pt solid; padding-top: 0cm; mso-border-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-left-alt: solid windowtext .5pt; mso-border-top-alt: solid windowtext .5pt" valign="top" width="288">
<p style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt; margin: 0cm 0cm 0pt; background: white"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue">A dor é uma benção que Deus envia aos seus escolhidos. Não vos aflijais quando sofrerdes; mas,</span></b><span style="color: #222222"> ao contrário, bem-dizei o Senhor Todo Poderoso que </span><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue">vos designou a dor neste mundo para obterdes a glória do céu.</span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue; font-size: 10pt"> </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt; margin: 0cm 0cm 0pt; background: white"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue">Sede pacientes, pois a paciência é também uma forma de caridade ensinada por Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil das caridades; a mais penosa e, por consequência, a mais meritória é a que consiste em perdoar aqueles que Deus colocou entre o vosso caminho para serem instrumentos do vosso sofrimento e vos porem em prova a Paciência.</span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue; font-size: 10pt"> </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt; margin: 0cm 0cm 0pt; background: white"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue">“A vida é difícil, bem o sei: compõe-se de mil futilidades, quais alfinetadas que acabam por ferir: mas é mister comparar os deveres que nos são impostos às consolações e compensações, que nos vem do outro lado, para então vermos que as bênçãos são mais numerosas que as dores. O fardo, quando se olha para cima, parece mais leve do que quando se curva a cabeça para o chão.</span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue; font-size: 10pt"> </span>
</p>
<p>           </b></p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt; margin: 0cm 0cm 0pt; background: white"><b style="mso-bidi-font-weight: normal"><span style="color: blue">Coragem, amigos, o Cristo é o vosso modelo; nenhum de vós sofreu como ele, que, aliás, não tinha motivo para isso, ao passo que vós tendes de expiar o passado e fortificar-vos para o futuro. Sede, portanto, pacientes e cristãos; esta palavra encerra tudo.</span></b>” <i style="mso-bidi-font-style: normal">Um Espírito amigo</i>. (Havre, 1862.)</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt; background: white"><span style="color: #222222; font-size: 10pt"></span>
<p>&#160;</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">São interessantes as justificativas que Samuel oferece para considerar a mensagem autêntica, e não um plágio. Vejamo-las: </p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><i style="mso-bidi-font-style: normal">No que diz respeito à mensagem que nos fala sobre a paciência, apógrafo quase perfeito de uma outra já referida, pode parecer, num primeiro olhar, que tudo não passou de ingênua fraude, pelas visíveis semelhanças e diferenças existentes entre elas. Porém, uma análise mais demorada do assunto nos diz que esse fato, longe de concorrer para a idéia de fraude, reforça a autenticidade do fenômeno descrito, pois que, havendo interesse de algum dos participantes em iludir e enganar os demais, naturalmente que teria transcrito a referida mensagem em sua inteireza ou teria escrito, ele mesmo, uma outra mensagem que fosse de sua própria lavra. </i>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><em>Dessa forma, salientamos que, sob nosso ponto de vista, as diferenças existentes entre as duas mensagens depõem em favor do fato aqui narrado, mesmo que os negadores de cátedra, com a ilusória altivez que os caracteriza, continuem afirmando o contrário.</em> (pág. 92)</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Pergunto-me se Samuel considera apenas se a ausência do trecho “<span style="color: #222222">ao contrário, bem-dizei o Senhor Todo Poderoso que” justifica dizer que a mensagem não foi transcrita em sua inteireza. Chega a ser ridícula tal argumentação. A mensagem é um plágio descarado. </span>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal"><span style="color: #222222">Fica claro que Anna Prado era uma fraudadora, e se alguém ainda tem dúvidas basta consultar o livro “<a href="http://bvespirita.com/O%20Trabalho%20dos%20Mortos%20-%20Livro%20do%20Jo%C3%A3o%20(Nogueira%20de%20Faria).pdf">O Trabalho dos Mortos</a>”, com muitas fotos grotescas de espíritos materializados. </span>
</p>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal">Quem tiver o livro de Ettore Bosio “O que eu vi” e puder digitalizá-lo muito agradeço, pois nem para compra na Estante Virtual encontrei.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 14.2pt" class="MsoNormal" align="justify"><strong>P.S:</strong> Acabei de saber que o livro do Ettore Bosio não foi publicado, e foi Samuel quem obteve uma cópia para seus estudos. Vários trechos do livro de Ettore foram transcritos no livro de Samuel, de modo que a obra deste último é, ainda, a única forma de consultar os relatos originais de Ettore.</p>
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