Marilusa Moreira de Vasconcellos e o livro “Duda”

Este artigo visa apresentar trechos semelhantes entre a obra “psicografada” Duda, da alegada médium Marilusa Moreira de Vasconcellos, e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

 

Introdução 

O livro “Duda”, da alegada médium Marilusa Moreira de Vasconcellos, tem como “espírito comunicante” Machado de Assis. Encontraram-se várias correspondências entre este livro e outro do próprio Machado de Assis enquanto vivo, chamado “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Consegui uma pista inicial através de uma tese de Thais Montenegro Chinellato, que havia percebido apenas uma semelhança entre as obras, a frase “voltemos à casinha”. Suspeitei de algo mais e consegui descobrir muitas outras semelhanças. Cores foram usadas para facilitar ao leitor a visualização delas, assim como um e-book do livro “Memórias”, conseqüentemente as páginas seguem a numeração do e-book: 

Duda

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Por um instante, viu-a como realmente era, uma jovem bonita e apaixonada, e a descoberta de seu amor tão desesperado, bateu-lhe sobre o pensamento as asas dos anjos.

Capítulo XLIII, pág. 93

– Sim, senhor; é o nome da noiva. Um anjo, meu pateta, um anjo sem asas. Imagina uma moça assim, desta altura, viva como um azougue, e uns olhos… filha do Dutra… 

Capítulo XXVIII, pág. 36

Há que se dizer que este dia teria lances dúbios. 

[...] 

Fechamos a outra página sem sangue, felizmente. 

[...] 

Fecha o livro da vida e guarda lá dentro exclamações e informes, reclamações e insultos. Não lhe importa o prestígio público ou os sonhos, o declínio ou o sucesso, na nudez da realidade, fecha a nota biográfica, um responso, uma página e sai sem dar explicações.

 

 

 

Capítulo LII, pág. 110

MAS ESTAVA ESCRITO que esse dia devia ser o dos lances dúbios.  

[...] 

Que lhe custasse creio; naqueles dias, principalmente, vi-o de modo que devia custar-lhe muito. Mas o tempo (e é outro ponto em que eu espero a indulgência dos homens pensadores!), o tempo caleja a sensibilidade, e oblitera a memória das cousas; era de supor que os anos lhe despontassem os espinhos, que a distância dos fatos apagasse os respectivos contornos, que uma sombra de dúvida retrospectiva cobrisse a nudez da realidade; enfim, que a opinião se ocupasse um pouco com outras aventuras. O filho, crescendo, buscaria satisfazer as ambições do pai, seria o herdeiro de todos os seus afetos. Isso, e a atividade externa, e o prestígio público, e a velhice depois, a doença, o declínio, a morte, um responso, uma notícia biográfica, e estava fechado o livro da vida, sem nenhuma página de sangue.

Capítulo CXII, pág. 104

Sei que esperavas um grande desespero, pensamentos de suicídio, coisas assim. 

 

Capítulo LIII, pág. 111

Eu bem sei que, para titilar-lhe os nervos da fantasia, devia padecer um grande desespero, derramar algumas lágrimas, e não almoçar. 

Capítulo CXV, pág. 105

Pobre e santa mulher! Foi a emoção! 

[...] 

Seu pensamento ora está para além do mar, ora para além da mesa. 

Capítulo LIII, pág. 111

– Morreu como uma santa, respondeu ele; 

[...] 

Pobre Leocádia! murmurou sem responder ao pedido. Um cadáver… o mar … o céu… o navio… 

Capítulo XIX, pág. 27

Voltemos à casinha. Duda a relembrar a dureza do antigo ‘marido’ e os toques (…)

Capítulo LV, pág. 113

VOLTEMOS à casinha. Não serias capaz de lá entrar hoje, curioso leitor; 

Capítulo LXX, pág. 72

 

Discussão 

É de se perguntar se Machado de Assis (espírito) teria ficado tão sem criatividade no plano espiritual, a ponto de repetir várias expressões e frases entre os dois livros. O caso me parece apontar muito mais a uma cópia (consciente ou inconsciente) pela médium da obra de Machado quando vivo, especialmente quando se leva em consideração que já há um histórico disso, na obra “Confidências de um Inconfidente”. 

Bibliografia 

http://www.bibliaspa.com.br/pdf/livrosite/11.pdf (acessado dia 14/01/2008) 

Vasconcellos, Marilusa Moreira. Duda. Editora Espírita Radhu Ltda. 1ª edição, dezembro de 1987. 

Chinellato, Thaís Montenegro. O Espírito da Paraliteratura. Um Estudo da Obra Psicográfica de John Wilmot Rochester. Editora Espírita Radhu Ltda. 1989 

http://obraspsicografadas.haaan.com/2007/marilusa-moreira-de-vasconcellos-e-o-livro-confidncias-de-um-inconfidente/ (acessado dia 14/01/2008)

11 respostas a “Marilusa Moreira de Vasconcellos e o livro “Duda””

  1. Evandro Diz:

    Olá! Não conheço essa médium, pelo menos nunca li livro algum dela e sinceramente é a primeira vez que leio sobre ela.

    Realmente, o “voltemos à casinha” está estranho, mas o resto são palavras e frases comuns que se encontra em qualquer livro… talvez “lances dúbios” também, mas não sei a que ponto isso tira o crédito da obra, tanto da médium quanto do suposto espírito. É um assunto espinhoso esse não é? :)

  2. Vitor Diz:

    É pra lá de espinhoso! Mas alguém tem que meter a mão na massa… :)

    Penso que existam mais correspondências, mas fiquei sem paciência de procurar. De qualquer forma acho que já tem o suficiente para levantar seríssimas suspeitas…

    Um abraço.

  3. Anderson Diz:

    GOSTARIA DE SABER POR QUEO SENHOR VITOR(OU SERÁ QUE O NOME É MARCIO?) TEM TANTA RAIVA DA SENHORA MARILUSA.
    DEIXA ELA VIVER A VIDA DELA E VIVA A SUA .

  4. Antonio Baracat Diz:

    Prezado Vitor,

    Parabéns pelo seu trabalho. De posse de suas observações, mais a leitura e releitura que fiz do livro “Duda”, que comprei baratinho num sebo, não tenho a menor dúvida de que o “Bruxo do Cosme Velho” voltou às lides literárias depois de morto. Ao invés de suspeitas, as coincidências confirmam a origem comum de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Duda”, dentre outras obras do mesmo autor.

  5. Jane Diz:

    Não acredito em religiões nem espiritismo, mas sou
    escritora amadora e o fato de repetir expressões aleatórias em vários textos é uma características de cada escritor. Cada um tem seu estilo e sempre repetem palavras e até frases.

    Isto não prova cópia de nada.

    Entretanto eu não acredito em absolutamente nada que seja sobrenatural, a não ser que seja feito diante de testemunhas especializadas para provar que a veracidade dos fatos.

    Abraços.

  6. Dafne Meris Diz:

    Caro Vitor,

    Você demonstrou muito bem as semelhanças dos textos, confirmando assim a psicografia. Parabéns, o espiritsmo agradece.

  7. Andrea Diz:

    E como que as semelhanças entre os textos provam a psicografia? O gênio Machado de Assis se repetindo…santa ingenuidade!

    Está muito claro que a “médium” copiou, conscientemente ou não, trechos do livro!

    parabéns Vitor! O site está ótimo!

  8. Matheus Diz:

    Bandida deveria ir pra cadeia por usar o nome dele !!!! assim como outros fizeram antes, bando de urubus que vivem a custa dos mortos.

  9. Francisco Diz:

    Observem bem como em cada cabeça há uma sentença, na gíria do povo. O problema é que as pessoas as vezes dão opinião sem conhecer o fato profundamente. Sr. Vitor: entre no You Tube e veja lá as psicografias e a médium pintando 4 quadros ao mesmo tempo, de 4 pintores diferentes, com os mesmos estilos de quando eram vivos, em poucos minutos. Veja, sr: CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS. O sr deveria se reportar contra o todo e não um fato que lhe convém. É claro que as coincidências que o sr aponta, só faz aumentar a certeza que o escritor é o mesmo.

  10. elcio Diz:

    Querida Jane, bom dia. Respeitamos o seu direito de acreditar ou nao no que quiser e requerer provas científicas para acreditar em algo.No caso do Espiritismo, trata-se da ciência dos espíritos, do conjunto de leis que regem o espírito e nasceu, enquanto doutrina codificada, da pesquisa da realidade a partir de um conjunto de fatos pesquisados por Allan Kardec, Lombroso, Russell Wallace e outros homens de ciência, pesquisadores, de moral ilibada e respeitados em suas especialidades. A partir daí , comprovada a realidade do espírito, ele se comunica por um médium e pesquisamos se há compatibilidade entre os escritos de antes e pós-mortem. Veja os estudo sobre Chico Xavier.

  11. leris Diz:

    Um absurdo machado voltar ditar um livro e não falar se a Capitu traiu ou não traiu.

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