MALBA TAHAN, O PLÁGIO, E A LEPRA DE CHICO XAVIER E WALDO VIEIRA

Publicado em Obras de Chico Xavier, Obras de Waldo Vieira, Plágio, março 17th, 2026 por Vitor / 5 comentários »

Malba Tahan expõe a repetição incomum e altamente específica da expressão “lepra santa” em dois poemas atribuídos, via psicografia, a Jésus Gonçalves e Virgílio Quaglio. Para Malba Tahan, tais convergências não são traços de duas personalidades espirituais, mas indícios claros de uma mesma mão estética — humana, não sobrenatural. O artigo ainda revela um universo onde a doença é transformada em penitência e culpa, reforçando estigmas que a ciência há muito desmente. No fim, não resta nada celestial: resta apenas a marca nítida da construção humana. Para ler, clique aqui.

Livro Gratuito! “Viagens a Mundos Invisíveis”, de Anthony Peake (2011)

Publicado em EFC, EQM, Livros Gratuitos, março 16th, 2026 por Vitor / 3 comentários »

Em Viagens a Mundos Invisíveis, Anthony Peake investiga fenômenos associados às experiências fora do corpo (EFCs), partindo de um episódio pessoal vivido em abril de 2010, quando psicólogos austríacos o convidaram à Suíça para testar o dispositivo de estimulação luminosa Lucia. Durante cerca de 20 minutos, Peake, de olhos fechados, viu luzes internas em explosões azuis e manchas amarelas que não provinham da máquina, mas de sua própria atividade cerebral. A certa altura, suas percepções se dissociaram completamente do ambiente físico: ele se viu flutuando sobre uma vasta planície, milhares de metros acima dela, experimentando vertigem intensa e a sensação de estar simultaneamente na sala e em outro “lugar”. Vibrações corporais atravessaram-no como se parte de si estivesse se desprendendo do corpo físico. Assustado, pediu que o aparelho fosse desligado. Esse episódio marcou o início de sua investigação sistemática sobre estados ecsomáticos.

Peake então revisita relatos de experiências de quase morte, como os clássicos casos analisados por George Ritchie, Raymond Moody e Michael Sabom, nos quais pacientes descrevem ver seu corpo durante reanimações. Também examina episódios considerados “verídicos”, incluindo o célebre “Sapato de Maria”, no qual uma paciente descreveu com precisão um tênis encontrado depois em um parapeito externo. O autor registra, porém, críticas importantes: o caso carece de documentação independente além do testemunho da assistente social que encontrou o sapato, e análises posteriores sugerem que o objeto poderia ter sido visível a partir de certos ângulos internos, enfraquecendo sua força probatória. Porém, o autor também cita casos mais fortes.

A narrativa passa ainda pela obra de Robert Monroe, que relatou viagens a diferentes “Locais” durante estados fora do corpo, embora seus testes com o psicólogo Charles Tart não tenham conseguido validar percepções verificáveis. Outro eixo importante envolve os experimentos de visão remota com Ingo Swann no Stanford Research Institute. Apesar de Swann afirmar identificar objetos ocultos, Peake registra a crítica do mágico Milbourne Christopher, que questionou a falta de controle experimental, incluindo o fato de Swann ter ficado sozinho no ambiente e não ter percebido números posicionados onde um espelho improvisado não os alcançaria.

Peake faz um excelente trabalho mostrando as forças e fraquezas de cada caso, mostrando uma honestidade intelectual que merece ser muito elogiada!

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Livro Gratuito! “Incidentes na minha vida – Segunda Parte” (1872), de Daniel Douglas Home

Publicado em Livros Gratuitos, Materializações, Mediunidade, Obras de Daniel Douglas Home, março 13th, 2026 por Vitor / Deixe seu comentário »

Na continuação de sua autobiografia extraordinária, Daniel Dunglas Home — um dos médiuns mais célebres do século XIX — conduz o leitor por uma jornada intensa, repleta de fenômenos sobrenaturais, conflitos públicos, perseguições políticas e dilemas morais. Seu relato é menos um livro de memórias e mais um campo de batalha onde ciência, religião e incredulidade se confrontam.

Home revisita críticas devastadoras da imprensa europeia, confrontos com renomados cientistas céticos — entre eles Sir David Brewster e Lord Brougham — e demonstra como muitos destes opositores, mesmo tentando desmascará-lo, acabaram testemunhando fenômenos que desafiaram todas as explicações naturais: mesas que se erguem, instrumentos que tocam sozinhos, mãos espirituais que surgem no escuro, levitações e vozes que falam do além.

O livro se fortalece por meio de uma profusão de testemunhos: escritores, médicos, nobres, filósofos e até monarcas afirmam ter visto o impossível acontecer diante de seus olhos. A narrativa é impregnada de cartas, depoimentos e episódios detalhados, compondo uma defesa apaixonada da autenticidade de suas experiências — e colocando em xeque a arrogância de críticos que, segundo Home, atacam sem investigar.

Um dos episódios mais dramáticos da obra é sua expulsão de Roma, onde o governo papal o acusa de feitiçaria. O interrogatório policial é quase teatral: enquanto responde calmamente às perguntas, batidas misteriosas começam a soar na mesa, deixando os oficiais aterrorizados. A história ganha escala diplomática, chega à Câmara dos Comuns britânica e expõe os limites da tolerância religiosa e política do período.

Entre tensões públicas, Home narra também fenômenos delicados e íntimos: mensagens de consolo vindas de entes falecidos, previsões precisas de morte, curas surpreendentes e manifestações luminosas e perfumadas que testemunhas dizem ter observado no momento do falecimento de pessoas queridas.

A obra culmina no controverso caso Lyon v. Home, em que a viúva Jane Lyon — após adotar Home e presenteá-lo com grandes somas — o acusa de influência espiritual indevida. O livro apresenta cartas, declarações e documentos que revelam a complexidade emocional e jurídica por trás do escândalo, questionando o limite entre fé, generosidade, manipulação e ressentimento.

Ao final, o leitor se depara com uma figura paradoxal: Home é simultaneamente celebrado como prodígio espiritual, atacado como impostor e perseguido como herético — mas segue descrevendo suas experiências com serenidade e convicção inabalável.

Entre salões aristocráticos iluminados por vozes invisíveis, tribunais onde o invisível é julgado como crime, e sessões privadas que marcaram para sempre a vida de céticos eminentes, este livro é um mergulho fascinante no coração do espiritualismo vitoriano — um território onde o inexplicável desafia o senso comum e obriga o leitor a reconsiderar os limites do possível.

Para ler o livro em português, clique aqui. Para comparar com o original em inglês, clique aqui.

Livro Gratuito! “Incidentes na minha vida” (1863), de Daniel Douglas Home

Publicado em Livros Gratuitos, Materializações, Obras de Daniel Douglas Home, março 12th, 2026 por Vitor / 13 comentários »

A obra Incidentes na Minha Vida apresenta o registro sistemático das experiências mediúnicas de Daniel Dunglas Home ao longo das décadas de 1840 a 1860, tal como observadas e documentadas por testemunhas de diversas formações — médicos, cientistas, magistrados, aristocratas e religiosos. O livro descreve fenômenos físicos, luminosos, acústicos e inteligentes que, segundo os relatos, desafiam explicações fisiológicas ou mecânicas usuais.

O autor relata a ocorrência frequente de movimentação autônoma de objetos, incluindo mesas pesadas que se elevavam entre 45 cm e 1,20 m do solo, às vezes com pessoas sentadas sobre elas; móveis que se deslocavam sem contato humano; sinetas que tocavam sob a mesa; guitarras que eram tocadas no escuro ou mesmo a vários metros de distância; e objetos que desapareciam e reapareciam portando alterações físicas, como copos que retornavam cheios de substâncias diferentes.

Também são relatados episódios de levitação humana, nos quais o próprio Home teria sido elevado entre 90 cm e 1,50 m, inclusive tocando o teto, às vezes com marcas posteriormente verificáveis. Testemunhas afirmaram impossibilidade de fraude devido à iluminação adequada e ao controle visual contínuo.

A obra registra a aparição de mãos e braços incompletos, geralmente visíveis apenas até o pulso ou o cotovelo, com propriedades táteis (calor, pressão, textura), mas sem continuidade corporal. Estas mãos entregavam objetos, tocavam os presentes, escreviam mensagens e por vezes se dissolviam gradualmente ao serem seguradas.

Diversos episódios incluem pancadas inteligentes (rappings) que respondiam perguntas com precisão, além de vibrações no piso e no mobiliário semelhantes a tremores localizados. Sons complexos — como simulações de tempestades, ranger de navios ou ruídos metálicos — foram relatados por múltiplos observadores.

Fenômenos luminosos incluem luzes fosforescentes, clarões que percorriam paredes, globos luminosos associados a aparições, e brilhos que iluminavam parcialmente objetos no escuro. Tais manifestações eram percebidas por todos os presentes e, segundo as descrições, não obedeciam a padrões conhecidos de combustão ou reflexão.

As sessões frequentemente envolviam comunicação com entidades espirituais por meio de alfabetos soletrados, escrita direta ou fala em transe. Tais mensagens continham:

  • informações biográficas desconhecidas pelo médium,
  • previsões de morte confirmadas posteriormente,
  • descrições minuciosas de parentes falecidos,
  • e conteúdos morais ou religiosos.

O texto enfatiza o caráter intencional e não-aleatório dessas mensagens, distinguindo-as de simples coincidências ou ação ideomotora.

Home também descreve estados de transe com rigidez muscular extrema, perda parcial de consciência, alteração de temperatura corporal e episódios de exteriorização subjetiva (“desprendimento do corpo”), incluindo percepções visuais de ambientes distantes e de parentes no momento exato da morte. Alguns destes relatos foram posteriormente confirmados por correspondência de familiares.

A obra evidencia a tensão entre testemunho empírico e resistência científica. Figuras como Faraday e Brewster rejeitaram os fenômenos sem conseguir reproduzi-los ou explicá-los satisfatoriamente; já outros cientistas, médicos e juristas registraram declarações formais afirmando que os fenômenos ocorreram sob condições controladas e impossíveis de atribuir a truques conhecidos.

O livro também registra o impacto social das manifestações, incluindo conversões religiosas, debates públicos, hostilidade da imprensa e perseguições contra o médium. O espiritualismo é apresentado como um campo de investigação que, segundo os relatos, exige abertura metodológica e coleta rigorosa de testemunhos.

Para ler a obra em português, clique aqui. Para ler o original em inglês, clique aqui.

O Prodígio de Watseka: Uma Reavaliação Crítica

Publicado em Possessão, Uncategorized, março 11th, 2026 por Vitor / 7 comentários »

No final da década de 1870, Watseka, uma pequena cidade de Illinois, testemunhou um episódio que marcaria definitivamente a história do espiritualismo: o caso de Lurancy Vennum, adolescente que passou a sofrer crises de catalepsia, estados de consciência alterados e longos transes nos quais dizia conversar com espíritos e visitar “o céu”. Após sucessivas tentativas médicas fracassadas, cresceu a pressão para enviá?la a um asilo.

É nesse contexto que a família Roff, espiritualista e profundamente marcada pela morte da filha Mary doze anos antes, intervém. O mesmerista E. W. Stevens, chamado para avaliar Lurancy, afirma que ela apresentava múltiplas personalidades e, durante uma sessão, cedeu o corpo à própria Mary Roff. Na narrativa de Stevens (1928), a partir desse momento Lurancy vive por três meses e dez dias na casa dos Roff como se fosse Mary: demonstrando familiaridade afetiva, reconhecendo pessoas da infância de Mary, lembrando acontecimentos domésticos antigos e interagindo com segurança e equilíbrio emocional.

Quando o investigador Richard Hodgson visitou Watseka em 1890, colheu depoimentos diretos das testemunhas — especialmente Minerva Alter, irmã de Mary — e descreveu o caso como “único” e difícil de explicar por meios comuns. Embora não tenha declarado prova de sobrevivência, incluiu o caso na categoria espiritista das investigações da época.

Décadas depois, o escritor freelancer Rodger Anderson (1980) conduziu a análise crítica mais contundente do caso. Para ele, tudo pode ser explicado por histeria, dissociação, dramatização subconsciente, sugestão e aquisição involuntária de informações. A ausência de registros literais das conversas entre Lurancy e os Roff torna impossível, segundo Anderson, saber quantos erros foram omitidos ou quanta informação pode ter sido transmitida de modo indireto e inadvertido.

O pesquisador Alan Gauld (1982), entretanto, adota uma posição intermediária. Embora considere a hipótese psicológica a mais simples, ele observa que alguns detalhes apresentados por Lurancy são difíceis de atribuir apenas a sugestionabilidade. O exemplo mais citado é relatado por Minerva Alter: Lurancy, na casa da família Alter, recordou espontaneamente um episódio da infância de Mary envolvendo a prima Allie e uma galinha cujo olho fora sujo — e que Mary e Minerva depois trataram com um unguento. Esse episódio infantil, específico e doméstico, fazia parte da memória íntima da família; Minerva reconheceu imediatamente o fato. Para Gauld, tal acerto não se explica facilmente por fofoca, inferência ou indução indireta, a menos que se suponha uma grande quantidade de erros convenientemente não registrados.

Assim, cada autor lê o caso a partir de um prisma distinto:

  • Stevens o vê como evidência clara de sobrevivência espiritual.
  • Hodgson o considera extraordinário e sugestivo, mas não conclusivo de vida após a morte.
  • Anderson o interpreta como um caso marcante de dissociação e sugestão, sem necessidade de causas paranormais.
  • Gauld reconhece a força da hipótese psicológica, mas admite que certos elementos permanecem resistentes a explicações simples.

Ao final do período, Lurancy retorna à própria personalidade e leva uma vida longa, saudável e estável. O “Prodígio de Watseka” permanece, assim, não por fornecer respostas definitivas, mas porque continua a desafiar tanto crentes quanto céticos — ocupando um raro espaço liminar entre psicologia, memória e espiritualismo.

Para ler o artigo de Anderson em português, clique aqui. Para o original em inglês, clique aqui.

Livro Gratuito! “O Prodígio de Watseka”

Publicado em Livros Gratuitos, Mediunidade, Possessão, março 10th, 2026 por Vitor / 4 comentários »

Na década de 1870, a pequena cidade de Watseka, Illinois, tornou-se o centro de um dos casos mais intrigantes da história do espiritualismo. A jovem Lurancy Vennum, antes saudável, passou a sofrer episódios súbitos de dor, perda de consciência e longos transes, durante os quais descrevia encontros com espíritos, parentes mortos e “visões do céu”. Sua condição rapidamente ultrapassou a compreensão médica da época: rigidez cadavérica, estados de êxtase, alternância de personalidades e declarações que inquietavam a comunidade.

Diante da possibilidade de ser enviada a um asilo, surge a intervenção decisiva de Asa B. Roff — pai de Mary Roff, uma moça falecida doze anos antes após longos episódios de catalepsia e distúrbios mentais. Os Roff, espiritualistas experientes, acreditavam que a aflição de Lurancy tinha origem espiritual e propuseram um tratamento alternativo conduzido pelo Dr. E. Winchester Stevens, mesmerista e investigador do caso.

A partir do primeiro encontro com Stevens, o quadro se transforma abruptamente: sob orientação hipnótica, Lurancy identifica diversas entidades espirituais e finalmente afirma que “Mary Roff” deseja assumir o controle do seu corpo para ajudá-la. O que segue tornou-se um marco no espiritualismo norte-americano: durante três meses e dez dias, a jovem comporta-se, fala e reconhece pessoas exatamente como Mary — não como Lurancy.

Na casa dos Roff, demonstra memória precisa de eventos ocorridos entre 1850 e 1865; reconhece amigos de infância, chama familiares por apelidos antigos, identifica objetos preservados por décadas e relata episódios íntimos da vida de Mary que Lurancy dificilmente poderia conhecer. Testemunhas relatam reencontros emocionantes entre “Mary” e sua mãe e irmã, além de descrições detalhadas da vida espiritual, supostas visitas ao “céu” e diálogos com entidades desencarnadas.

Durante esse período, o comportamento de Lurancy/Mary é estável, sereno e cooperativo — em contraste absoluto com os acessos violentos anteriores. Ela realiza tarefas domésticas, escreve cartas, aconselha familiares e até prevê crises de saúde de pessoas próximas. Toda a comunidade acompanha, dividida entre assombro, ceticismo e fascínio.

Em 21 de maio de 1878, a entidade anuncia que partirá e que Lurancy retornará “restaurada”. A transição ocorre exatamente no horário previsto. A jovem desperta confusa, mas lúcida — e permanece saudável nas décadas seguintes, casando-se, criando filhos e levando vida normal.

O caso, documentado por médicos, ministros, jornalistas, familiares e vizinhos, permanece um enigma que desafia explicações fáceis. Para alguns, prova da sobrevivência da consciência após a morte; para outros, um caso extraordinário de histeria, dissociação ou sugestão mesmerista. Mas, acima de tudo, é uma narrativa poderosa sobre identidade, memória, dor familiar e o desejo humano de reencontro com os mortos.

Para ler o caso em português, clique aqui. Para comparar com o original em inglês, clique aqui.

Chico Xavier: 50 anos de atividade mediúnica

Publicado em Mediunidade, Obras de Chico Xavier, março 9th, 2026 por Vitor / 4 comentários »

Segue o especial da Folha Espírita em Revista numa edição comemorativa dos 50 anos de atividade mediúnica de Chico Xavier. Clique aqui.

Terezinha Cavalcanti e Irmã Noiva (Maria Martins) se materializam!

Publicado em Materializações, março 6th, 2026 por Vitor / 6 comentários »

O artigo de Estudos Psíquicos (1946) descreve, com entusiasmo quase jornalístico, uma série de supostas materializações de espíritos ocorridas no interior paulista — manifestações que teriam acontecido à luz clara, diante de médicos, familiares e diversos observadores. As protagonistas dessas aparições seriam Terezinha Cavalcanti e Irmã Noiva (Maria Martins), ambas jovens desencarnadas que, segundo os relatos, surgiam visíveis, tocáveis e até capazes de cantar, conversar longamente e oferecer flores.

O texto narra episódios cinematográficos: perfumes suaves que enchem o ambiente, luzes flutuantes, véus examinados pelos presentes, corações “ouvidos” pelos pais das jovens e fotografias tidas como provas cabais da imortalidade da alma. Ao longo das sessões, as entidades comunicam mensagens de conforto, fé e propósito espiritual, em um tom que mistura devoção religiosa e espetáculo de maravilhas.

Mas, ao mesmo tempo que fascina, o relato também deixa rastros de perguntas sem resposta. As descrições são extraordinariamente convenientes — espíritos surgindo em ambientes controlados pelos próprios médiuns, fenômenos confirmados apenas por testemunhas simpáticas à doutrina, fotografias cuja autenticidade não é examinada criticamente e detalhes físicos (como batimentos cardíacos) que em nada diferem de uma pessoa viva.

E, embora o artigo se esforce em afirmar que nada ali poderia ter sido fraude, a própria riqueza dramática da narrativa — mudanças de temperatura, brisas suaves, cantorias, aparições prolongadas — mais se aproxima de um teatro místico do que de uma observação imparcial.

No fim, o leitor fica dividido: teria sido aquele um momento histórico de contato entre dois mundos… ou apenas um exemplo clássico de crença moldando a percepção?

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Galileu Galilei se materializa!

Publicado em Materializações, março 5th, 2026 por Vitor / Deixe seu comentário »

O artigo relata uma sessão espírita ocorrida em 5 de junho de 1947 no Centro Espírita Padre Zabeu, em São Paulo. O médium João Rodrigues Cosme foi rigidamente algemado e acorrentado antes do início dos trabalhos, sendo trancado dentro de uma cabine para garantir, segundo os observadores, a autenticidade dos fenômenos. Duas médiuns auxiliares, Alicinha e Olga, também foram amarradas à frente da cabine.

A sessão começou sob luz vermelha, com grande expectativa entre as 50 pessoas presentes. Logo se ouviram ruídos vindos da cabine, seguidos pela execução da “Ave Maria” de Gounod, momento em que a luz se apagou e um megafone luminoso surgiu no ar. A voz atribuída ao espírito do Padre Zabeu saudou os presentes, fez comentários bem-humorados e deu instruções sobre caridade e a missão da casa, que dizia ser dedicada “à Criança Pobre”.

Então veio o ponto alto: o espírito anunciou que tiraria uma fotografia junto ao confrade Salgado. Ele orientou o posicionamento da cadeira e pediu ao presidente da sessão, o Sr. João Sebastião da Silva, que preparasse a máquina e disparasse após contar mentalmente até quatro. A foto foi tirada — mas, segundo o relato, quando o filme foi revelado, uma surpresa apareceu: não era o Padre Zabeu na foto, mas sim o espírito de Galileu Galilei. Acima dele, surgia parte da figura espiritual de Djanira Marques, e sobre o peito de uma das médiuns, a aparição do espírito de Zézinho, cuja viúva estava presente no salão.

Ao final, o espírito do Padre Zabeu se despediu e todos verificaram que o médium permanecia exatamente como havia sido amarrado no início. A narrativa é apresentada como documento fiel, acompanhado da fotografia original e resgatado dos Estudos Psíquicos de maio de 1949.

O relato é fascinante como documento histórico da cultura espírita brasileira, e sua narrativa é rica em elementos dramáticos, visuais e simbólicos. Entretanto, não resiste a um exame cético rigoroso. A combinação de escuridão, expectativas emocionais e ausência de controle independente coloca o episódio no mesmo patamar de inúmeros casos clássicos de fraude mediúnica do século XX.

Como registro cultural e literário, é cativante. Como evidência de fenômenos paranormais, é extraordinariamente frágil.

Para ler o artigo e ver a foto das materializações, clique aqui.

A Mediunidade de Geraldine Cummins (1983)

Publicado em Mediunidade, Obras de Geraldine Cummins, março 4th, 2026 por Vitor / 1 comentário »

O artigo apresenta a mediunidade de Geraldine Cummins como um fenômeno que ocupa uma zona limítrofe entre psicologia profunda e possível comunicação extrafísica, dificultando conclusões unívocas. Embora Cummins atribuísse seus escritos a diferentes “controles” — Silenio, orientador das obras de cunho histórico; Myers, responsável por descrições do além; e sobretudo Astor, coordenador das comunicações pessoais — ela própria admitia a possibilidade de que essas figuras fossem produtos do seu eu subliminar, ou mesmo compósitos de memória, imaginação e percepção extrassensorial. O artigo demonstra que Cummins mantinha uma postura menos crédula do que muitos de seus admiradores: reconhecia erros, anacronismos e a influência de sua própria mente, ao mesmo tempo em que avaliava seriamente os casos em que as explicações puramente psicológicas pareciam insuficientes.

Essa ambivalência se reflete nos diferentes tipos de manuscritos. Na série Cleófas, guiada por Silenio, abundam sinais de construção literária inconsciente: erudição selecionada, anacronismos teológicos e dependência de fontes acessíveis. São textos de grande vigor imaginativo, mas que dificilmente podem ser tomados como documentos mediúnicos históricos. Mais próxima do terreno psicoliterário do que de qualquer confirmação espiritualista, essa produção revela a impressionante capacidade de Cummins para dramatizar vozes e épocas.

Por outro lado, os manuscritos médicos, elaborados com seu irmão, mostram um aspecto diferente: o uso terapêutico da psicometria. Embora o artigo considere esses relatos mais sugestivos do que evidenciais, reconhece que suas narrativas etiológicas — relativas a traumas ancestrais, memórias simbólicas e reconstruções afetivas — produziam alívio real em pacientes. Mesmo que isso não comprove uma fonte sobrenatural, evidencia o potencial clínico da imaginação e da fé, e sugere que a mediunidade de Cummins funcionava como um mecanismo de reorganização psicológica com efeitos concretos.

A região mais ambígua do artigo está nos manuscritos verídicos, especialmente nos casos Marguerite Le Hand e Henry Boyce. Aqui, a explicação cética precisa lidar com informações corretas que não estavam disponíveis a Cummins, nem ao seu círculo imediato. No caso Le Hand, embora a médium tivesse uma vaga ligação com alguém que conhecera a falecida, muitos dos dados transmitidos exigiram verificação posterior no exterior, sugerindo que não derivavam de conversas ou leituras. A explicação via telepatia entre vivos continua possível, mas exige supor acesso mental a pessoas ausentes e desconhecidas — uma hipótese que, embora naturalista, não é trivial.

O caso Boyce aprofunda ainda mais essa dificuldade: o comunicador era totalmente desconhecido, não havia objetos psicométricos associados, e tampouco registros acessíveis que a médium pudesse ter consultado. Ainda assim, emergiram detalhes biográficos verificáveis. O artigo não conclui que isso implique sobrevivência, mas admite que casos assim forçam a hipótese cética a operar com formas de percepção extrassensorial extremamente amplas e pouco compreendidas.

O julgamento final do artigo é equilibrado: a mediunidade de Cummins não fornece prova conclusiva da sobrevivência, mas também não pode ser descartada como mera invenção psicológica. A escrita automática de Cummins situa-se num território híbrido, onde processos inconscientes altamente estruturados, possíveis percepções extrassensoriais e a imaginação dramatúrgica coexistem de modo difícil de separar. Sua obra permanece, assim, como um dos exemplos mais refinados de fronteira entre mente e transcendência, não porque prove qualquer hipótese, mas porque desafia igualmente o ceticismo estrito e o espiritualismo ingênuo.

Para ler o artigo em português, clique aqui. Para lê-lo em inglês no formato pdf, clique aqui.

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