Revelações da Superinteressante sobre Chico Xavier

A revista Superinteressante de abril de 2010 abordou Chico Xavier. A matéria trouxe, entre outras coisas, a confirmação por Waldo Vieira que Chico Xavier fraudava e um erro grosseiro do médium em uma psicografia.

Na matéria da Superinteressante, encontramos:

Mas há quem diga que Chico tinha um jeito de conseguir os dados. “Funcionários do centro espírita iam à fila pegar detalhes dos mortos. Ou aproveitavam as histórias relatadas por parentes nas cartas em que pediam uma audiência. As mensagens de Chico continham essas informações”, diz o médico Waldo Vieira, com quem Chico dividiu o trabalho no centro entre 1955 e 1969.

Quanto ao erro grosseiro na psicografia, trata-se do caso de Roberto Muszkat, morto aos 19 anos com um choque anafilático após uma cirurgia de desvio de septo. Seus pais eram judeus, e algumas das cartas de Roberto vinham com frases em hebraico. Seria isso uma grande evidência de sobrevivência?

Não. Roberto não falava hebraico. Erro grosseiro. Chico Xavier, entretanto, tentando “salvar” a psicografia, disse que Roberto estava aprendendo o idioma em uma colônia judaica no mundo espiritual. E essas desculpas esfarrapadas sempre se faziam presentes em Chico. Quando Chico era pego psicografando cartas de pessoas analfabetas, ele dizia que essas pessoas estavam aprendendo a ler e a escrever no mundo espiritual. (ver esse link)

Voltando ao caso Roberto Muszkat, como o médium poderia ter fraudado cartas com frases em hebraico se ele – o médium – não sabia hebraico?

A resposta é que ele sabia. No mínimo, há uma boa evidência disso, conseguida também pela equipe da revista Superinteressante. Na matéria, lê-se:

Em sua biblioteca [ou seja, de Chico Xavier], preservada até hoje em Uberaba, há mais de 500 livros e revistas, com obras em inglês, francês e até hebraico.

Infelizmente não é informada a época em que ele adquiriu o livro, mas a presença de livros em hebraico na biblioteca particular do médium sugere fortemente que ele conhecia ou tinha visto ao menos algumas frases em hebraico. De fato, isso seria mais do que suficiente para ele compor a psicografia, que possuía apenas algumas pouquíssimas expressões em hebraico. (Ver o livro “A Vida Triunfa”, caso 33).

Parabéns à equipe da Superinteressante pela investigação! Recomendo a todos a matéria, que traz esses e outros dados significativos.

336 respostas a “Revelações da Superinteressante sobre Chico Xavier”

  1. Gonçalves Diz:

    Boa noite,

    “Recomendo a todos a matéria, que traz esses e outros dados significativos”.

    Sem ofensa mas, se forem tão significativos quanto estes que você postou, melhor para Chico.

    1 – Por que a palvra de Waldo tem mais valia que a de Chico? Se ficar uma pela outra, acredito que se deva dar o benefício da dúvida ao acusado. Não se trata nem de matéria religiosa. É assim que o Direito funciona, não?

    2 -A revista fornece provas das acusações ou sustenta-se unicamente no testemunho de Waldo? Dissidentes não são fontes exatamente imparciais… E se a coleta ocorreu, até que ponto ela corrompeu o conteúdo ou demonstrou intuito fraudulento? Alguma informação a esse respeito?

    3 – Sobre o caso Muskat, há várias respostas possíveis.

    — 3.1. O Kardecismo crê em aptidões latentes: “Uma faculdade pode, também, ficar adormecida durante uma existência, porque o Espírito quer exercer outra, que não se relacione com ela. Nesse caso, permanece em estado latente, para reaparecer mais tarde.” (LE – Q.220)

    Tradução: o fato do encarnado desconher isto ou aquilo não significa que não seja capaz de fazê-lo enquanto espírito.
    — 3.2. A depender da ocasião em que a comunicação era feita, em relação ao momento do desencarne, a resposta de Chico é plausível, em função da latência anteriormente descrita, cujo moção é gradual.

    3.3. – Semana passada a família do rapaz que você citou, morto há mais de trinta anos, deu entrevista reafirmando sua confiança em Chico e na mensagem emitida. Com a palavra, o pai:
    “O marido demorou a se convencer. “Eu lia aquilo várias vezes até que começou a vir coisas lá que não tinha como eu contestar, porque só eu podia saber disso”, lembra o Dr. David.”
    http://g1.globo.com/globoreporter/0,,MUL1547014-16619,00-FAMILIA+JUDIA+RECORRE+A+CHICO+PARA+TER+NOTICIAS+DO+FILHO+MORTO.html
    -
    Acho que ele conhece o filho melhor que nós e já está há trinta anos meditando sobre a mensagem. Acredito que, fosse uma fraude, ele já teria constatado.
    -
    Abraços a todos.

  2. Marcio Gomes Diz:

    Eu tenho, vc pq não menciona toda a reportagem da Superinteressante ?? (Se quiser posso disponibilizar ele para voce). Pq menciona somente alguns trechos dela ?? Assim leva ao que lero seu blog julgar erradamente não é mesmo ??

  3. Marcio Gomes Diz:

    Vitor,

    O interessante é que vc não menciona em lugar nenhum que a propria familia de Roberto Muszkat acredita em chico xavier, que não foi somente uma carta, foram varias provas, inclusive o proprio Roberto Muszkat, conhece o grande valor dele inclusive no globo reporter e na superinteressante. E para quem conhece o espiristimo não significa dizer que se hoje sou analfabeto e não posso escrever, então o que dizer de uma criança que sabe tocar piano com 5 anos de idade ou então matematica ou então todas as capitais do mundo se não estou geografia ????

    Aproveito aqui para lançar o desafio.. faça uma pesquisa para desmascarar o chico sobre o caso da carta que livrou o amigo do filho do diretor da TV da prisão.. faz ai rapaz..

  4. Gilberto Diz:

    Então os espíritos mencionados cresceram intelectualmente depois da morte, né? Então por que Olavo Bilac, Humberto de Campos e tantos outros PIORARAM MUITO depois de mortos? Contraíram Mal de Parkinson no Além?

  5. Marcio Gomes Diz:

    Gilberto,

    Para explicar melhor a você sobre o que acontece depois de morto, sugiro que você leia o “Nosso Lar” ou então espere até 3 de setembro para ver o filme.

    http://bit.ly/bY4cEx

    Aproveite até esse tempo para você e o Vitor escrever mais e mais tentando justificar ou que não tem justitificativa.

    Boa sorte nobres amigos..

  6. Ionaldo Diz:

    Nesse caso do judeu morto, o interessante é que foi exibido no globo reporter da semana passada, a família do mesmo, que ainda hoje é muito grata a Chico, e atesta a veracidade das mensagens, isto a super não disse.

  7. Vitor Diz:

    Caro Gonçalves,

    na minha opinião, o pai do Roberto está se auto-iludindo. Um indício disso é que se houvesse coisas lá que só ele soubesse mesmo, ele não precisaria ler a carta várias vezes raciocinando em cima dela até que aparecessem esses fatos íntimos. Eles seriam vistos de imediato.

    Fato é que dos 3 envolvidos – Chico, Otília e Waldo – dois já admitiram fraude nas materializações: Otília e Waldo. E Chico com certeza fraudava sessões de materializações, pois ele materializou Públio Lentulus, um espírito que nunca existiu tal como descrito em “Há Dois Mil Anos”. Sendo assim, creio ser preciso muita fé aliada a muita ingenuidade para acreditar que houvesse qualquer coisa de verdadeiro naquelas materializações.

  8. William X Diz:

    Gonçalves,
    -
    A falta de honestidade intelectual será exposta aos poucos. O “Ceticismo Aberto” até agora não divulgou o link da “Crítica Espiritualista” referente ao caso da foto de Mirabelli (levitação) e materializações de Uberaba. Elogiam o “alto nível” do debate apenas para mascarar o que está acontecendo na verdade.
    -
    É óbvio que se conhecem as árvores por seus frutos, muito provavelmente são religiosos disfarçados de “céticos”. Irei tentar selecionar colaboradores para acabar com essa falta de escrúpulo que está reinando nos sites.
    -
    Há um cheiro de catolicismo se propagando à Km de distância (outras religiões estão usando as informações desses sites para enganarem as pessoas que não possuem referencia alguma dos assuntos).
    -
    O problema não é a opinião, mas a forma como se forma a opinião. Está acontecendo um absurdo e isso tem que acabar.
    -
    Se o “CETICISMO ABERTO” não divulgar os links do blog “Crítica Espiritualista” iremos denunciar através de outros meios para todos saberem disso. Espero que os links apareçam ainda hoje.

  9. William X Diz:

    Pessoal,
    -
    Gostaria de contar inicialmente som Sonia N. , Marcos Ardruin, Carlos Magno e me interessei em entrar em contato com Bruna Buzzo (por favor, quem tiver o contato dela informe para a Sonia ou para mim mesmo).
    -
    Não basta acusar, temos que enriquecer com ilustrações, documentos, informações. Quando houver fraude evidente não iremos fazer a mínima questão de defender, caso contrário…

  10. Gilberto Diz:

    William, que mania de perseguição de vocês. O seu blog tem UM DIA de vida, e teve 1 acesso até as 4:00 da manhã de hoje (o meu apenas), e você já ataca o Ceticismo Aberto dizendo que ele “esconde a verdade” por não divulgar seu blog. Que absurdo. E quanto ao Catolicismo, por que VOCÊS é que usam Jesus, Maria, Evangelhos lidos de forma distorcida, Ave-Marias e Pai-Nossos em seus centros? Qual a razão disso?

  11. William X Diz:

    Vitor,
    -
    Espera mais um pouco antes de afirmar categoricamente que Chico Xavier fraudava, senão suas “pesquisas” podem ficar comprometidas em futuro breve.
    -
    Eu perguntei para você se podia usar material do seu site, não recebi resposta alguma e tomei a liberdade de quebrar essa “ética” em pró do esclarecimento (leitores). Fique à vontade para usar material do blog.
    -
    Aguarde.

  12. William X Diz:

    Gilberto,
    -
    Gostaria de dizer que te respeito muito na condição de ser humano assim como todos os detratores, contudo, discordo fortemente da forma como vocês opinam.
    -
    O blog não será visitado por ninguém caso não seja divulgado, basta utilizar caracteres chaves como “Chico Xavier” e “Mirabelli” no Google e você irá constatar que o “Ceticismo Aberto” e “Obras Psicografadas” aparecem facilmente.
    -
    O “Ceticismo Aberto” tem que divulgar os links que eu postei lá, apenas isso. Eles sumiram com o material da foto de Mirabelli que eu havia postado tempos atrás, depois deram uma desculpa esfarrapada. Não irão omitir novamente (uma vez que se trata de um espaço que deveria ser democrático para discussão) porque senão serão denunciados.
    -
    Agora, realizei novas críticas sobre a foto de Mirabelli, com imagens, argumentando, praticamente “pegando na mão” do leitor para ele caminhar passo a passo sobre meu ponto de vista e refletir atentamente sobre o caso.

  13. Marcio Gomes Diz:

    Vitor,

    Claro que a sua opinião seria essa, mas o que mais me deixa indignado com “certas” pessoas é que vc coloca as coisas supostamente ruins e não menciona nada a respeito sobre as obras boa que existe..Outro detalhe é será mesmo que o pai do Roberto está se auto enganando durante 30 anos ?? não tivesse conficção, ele sendo judeu que é irá falar e mencionar sobre chico xavier .

    Faltou responder os meus questionamentos, sobre o restante da materia da superinteressante, sobre o depoimento do david nasser nos anos 1980 e finalmente a carta que salvou o amigo do filho do diretor da tv.. responde ai e ver se faz uma pesquisa alguma vez com fatos fundamentados em realidade.

  14. Vitor Diz:

    Marcio,
    acho bem provável que o pai do Roberto esteja se enganando durante 30 anos. Só o fato de o filho ter escrito uma mensagem em língua que ele não aprendera em vida e ele ter aceitado a desculpa esfarrapada de Chico Xavier para tal demonstra-o. É auto-ilusão, sinto dizer.

    Quanto ao restante da matéria da super, o que você quer, que me prendam por infrigir copyright? Quem quiser que compre.

    O depoimento do Nasser já comentei aqui diversas vezes. O Nasser nunca admitiu ter mentido em nada referente ao Chico. Eles apenas se mostrou arrependido por não ter comentado sobre a descoberta de sua verdadeira identidade pelo Chico.

    E quanto à carta “que salvou o amigo do filho do diretor da tv”, o que você viu de especial ali? Ou melhor, o que há na carta que precisa de explicação?

  15. Carlos Magno Diz:

    William:
    -
    Desculpe minha ignorância, como se deve fazer a fim de colaborar com o blog? Já estive dando uma olhada nas duas postagens.

  16. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    -
    “E quanto ao Catolicismo, por que VOCÊS é que usam Jesus, Maria, Evangelhos lidos de forma distorcida, Ave-Marias e Pai-Nossos em seus centros? Qual a razão disso?”
    -
    Quanto a esse seu comentário acima, entre aspas, quero informar:
    -
    1) Sua argumentação deixa entrever, claramente, que o
    Catolicismo se considera PROPRIETÁRIO DE JESUS E DOS EVANGELHOS.
    -
    2) Nós, os espíritas, NUNCA USAMOS Jesus. Ele é o nosso Mestre e o nosso Médico. E é no nosso CORAÇÃO que Ele se encontra. Não nos templos de pedra. COMO ACONTECE NA MAIORIA DAS RELIGIÕES.
    -
    Não são os espíritas que exibem a figura de Jesus, de
    todas as formas possíveis e imagináveis, dentro e fora dos templos, desde o seu nascimento à sua morte.
    -
    Para os espíritas, Jesus é a Luz que tirou o Mundo das trevas da ignorância, trazendo novos ensinamentos, que desagradaram e continuam desagradando a milhões de pessoas, que não vêm sua doutrina com bons olhos. E continuam a distorcê-la, da forma como bem entendem, de acordo com as suas conveniências materialistas e nada espirituais.
    -
    Jesus disse incansáveis vezes: “Meu reino não é deste mundo”, no entanto, o que se vê?
    Vou parar por aqui, porque não adianta argumentar.
    -
    3) Os centros espíritas em que você encontrou devotos de Maria, e que rezam o Pai Nosso e Ave Maria, devem ser de católicos. Nunca espíritas.
    -
    Os espíritas respeitam a figura de Maria de Nazaré, mas não somos “devotos” .
    -
    Os espíritas não “rezam”. Os espíritas ORAM, o que é muito diferente.
    -
    Quanto aos Evangelhos: nós os interpretamos, de acordo com o direito inalienável do livre arbítrio. E não com a obrigação de acreditar no que nos impõem, como acontece com TODAS AS RELIGIÕES. Essas imposições é que, normalmente, distorcem o seu sentido, por isso há tantas. No Espiritismo, embora haja liberdade de interpretação, há unidade de entendimento, porque há a lógica acrescentada pelos espíritos superiores, através de Allan Kardec e, posteriormente, através da mediunidade de Chico Xavier. Só assim podemos entender as grandes diferenças que existem na Terra.
    -
    Agora, pode espernear à vontade. Já estou acostumando.

  17. Fernanda Prado Diz:

    Sim, sou uma pessoa cética . Acredito apenas no que a matemática pode me provar. Mas confesso que estou muito intrigada com as tais cartas do além! Como pode Chico Xavier imitar a assinatura do morto? E como pode ter colhido tão rapidamente informações íntimas entre familiares a ponto de fraudar cartas? Deste modo, tenho pela primiera vez meu ceticismo abalado e estou em busca de afirmar ou não minhas tão seguras certezas, embora no íntimo sempre duvidando até o fim!

  18. Charles Xavier Diz:

    Por que os espíritos não apresentam provas materiais de sua existência? Se o propósito de toda espiritualidade é amealhar fiéis para uma suposta “verdade” e salvá-los da ignorância, por que não se manifestam em laboratórios em testes controlados ou em programas de TV ao vivo? Não justifiquem dizendo que “os espíritos não precisam provar sua existência”, porque passaram quase todo um século (de meados do séc.XIX a meados do séc.XX) tentando provar sua existência por meio de manifestações tais como as de Uberaba e das Irmãs Fox. Por que as provas são sempre subjetivas e passíveis de enganação? Fazer um encefalograma e descobrir diferenças cerebrais não prova a vida após a morte, apenas um possível defeito mental. Por que não aparecem diante do público, para provar definitivamente que existe vida após a morte? Querem provar, e quando contestados sobre a refutabilidade de suas provas, alegam que não precisam provar nada. Pelo reino de deus, os homens esquecem o reino que lhes é de direito: o reino da Terra. Parem de acreditar em espíritos desencarnados e passem a acreditar mais no ser humano. Não sou cético, mas como diria Fox Mulder: “I want to believe!”

  19. Carlos Magno Diz:

    Charles Xavier:
    -
    Os seus porquês, são facilmente respondíveis por quem é espírita e espiritualista. Ou seja, quem é do ramo. Para quem detem na mente a cegueira do objetivismo não há respostas plausíveis. É dar socos em pontas de facas.
    -
    Um bom conselho, companheiro, se deseja se dar ao luxo de entender os mecanismos do espiritismo, pense não só com o intelecto, mas se souber use o principal: o discernimento, a consciência do homo sapiens sapiens. Sem isso, nada feito, nota zero para suas conclusões e inquirições. Melhor tratar de sua vidinha material.
    -
    Chato ter de repetir isso sempre, os caras não aprendem nunca!

  20. Marcus Carvalho Diz:

    É muito cômoda a lorota de que se “aprendeu no além” alguma coisa.
    Por que os pesquisadores do “além” não descobrem a cura do câncer ou da AIDS? Ou então como manipular o espaço-tempo para viagens intergaláticas? Tempo de sobra eles parecem ter. Aliás como deve ser o Large Hadron Collider no mundo onde vivem os mortos?

  21. Charles Xavier Diz:

    Carlos Magno,

    falou bonito mas não respondeu nada. Por que não existe prova material da existência post-mortem? Não é facultado ao Espiritismo o direito de se esquivar da prova científica, já que o propósito inicial da doutrina é ser, tanto quanto uma revelação espiritual, uma ciência da vida após a morte. Assim, se as únicas provas materiais foram dadas quando não havia condições de experimentação digna (e muitas experimentações foram até refutadas à época, como as realizadas por Houdini), acredito que o próprio Espiritismo está escapulindo do “pregado” por seu criador, Allan Kardec Denizard Rivail. O Espiritismo se quer ciência, se diz ciência, se acredita ciência, mas sempre escapa ao exame da ciência.

  22. Carlos Magno Diz:

    Prezado:
    -
    O espiritismo não tem de provar nada a cético nenhum, não tem de submeter médiuns a experiências laboratoriais alguma. O resultado dessas experiências já sabemos. Os doutos céticos vão sempre dizer que médium é mentiroso, é anímico, é imaginoso, psicótico, que não existe espírito, etc. Já vimos esse filme muitas vezes com aqueles desavisados que foram induzidos, ou buscavam fama.
    -
    Médium que se preza não vai servir de macaquinho de realejo para céticos. Eles que façam experiências com seus familiares e produzam os laudos que desejarem. Médiuns se submetem à ciência de cientistas espiritualistas, isso já vi e participei, e ponto final.
    -
    Se os caras foram na Umbanda e um herói materialista chegou às seguintes conclusões, após o enquadramento bizarro de médiuns em quatro categorias: 1. altamente sugestionáveis; 2. indivíduos pouco dotados e com sentimentos de inferioridade; 3. portadores de disritmia cerebral; 4. casos de psicose delirante.”, sobra alguma coisa do mediunismo e de Umbanda para esses doidos que não sabem nada e pensam que sabem muito?
    -
    Fazer da ciência um instrumento pernicioso de manipulações céticas somente demonstra o desrespeito e despotismo de homens que se julgam donos da verdade.

    -
    Você se diz não cético, o que é uma inverdade. Suas próprias palavras o desmentem. Não existem somente métodos laboratoriais para se descobrir o lado sensível da vida e mundos interligados à vida física, o que de fato não é essa a intenção de tantos homens empedernidos que usam a ciência como instrumento de seus próprios ceticismos.

  23. Carlos Magno Diz:

    Marcus Carvalho:
    -
    Muito simples, vá lá e pergunte aos do além, porque eles não podem dar a você essas respostas. Você merece, meu filho, aliás, todos os céticos, os materialistas, ateus e os tolinhos que ainda se sentam nos bancos acadêmicos, merecem todas as respostas do além, sem qualquer esforço mental.
    -
    Tô contigo e não abro, tá tudo errado nesse mundo. Mas vai mudar com ajuda de Mamon!

  24. Peter Stak Diz:

    Pessoal,
    É bem conhecido que uma pessoa que estuda o estilo de um certo escritor pode como exercicio escrever também no estilo daquele autor.
    Meu professor do colegial nos ensinou está técnica , e é muito legal, e várias pessoal conseguiam escrever ao estilo de Eça de Queiroz, ou de Jose de Alencar.
    O que o Chico Xavier fazia era exatamente isto, era um hábil escritor que sabia escrever IMITANDO o estilo de outros autores, nada de inédito, só imitação.
    Resumindo, uma fraude completa, uma burla, um aproveitador da ignorância de seu próximo.
    Deve estar agora pagando feio por seus atos, sem qquer possibilidade de se regenerar, simplesmente pq ele não quer.

  25. Marcio Gomes Diz:

    Amigos ceticos,

    vcs acham se fosse para provar alguma coisa, vcs existiriam no mundo? existiria este blog? o que o vitor iria fazer na vida? ja pensou nisso vitor ? Assim perderia a graça nao eh mesmo. Entao continue ceticos, pq sem o contraditorio nao existiria a verdade. Vcs tem todo o direito de duvidar de tudo.

  26. Carlos Magno Diz:

    Peter Stak:
    -
    Você é um espanto, amigo! Onde aprendeu a analisar o mediunismo do Chico dessa soberba maneira? Ah, já sei, Cambridge? Oxford? Sorbonne? Acertei uma, não? Quem sabe as três!
    -
    Ave Genius, Ave Caesar!

  27. Carlos Magno Diz:

    Amigo cético,
    -
    Você deve mesmo continuar cético, debochado, provocador, ser jornalista e montar farsas circenses somente para demolir espíritas e manchar os nomes de pessoas dignas! Sem você, querido cético desse naipe tão geral, jamais se provará que a religião, o espiritismo e o esoterismo são farsas, que milhões no mundo, senão bilhões, os seguem feito bobinhos sem nada saber!

  28. William X Diz:

    Peter Stak
    -
    Desafio você fazer um “Parnaso” e enviar para mim imitando os autores que eu selecionar, a quantidade estabelecida. Sobre um assunto que eu escolher.
    -
    Irei deixar você treinar 4 meses, lendo alguns autores, pra realizar o seu “pastiche”.
    -
    Vc tem o material que todo mundo imitava de forma tão “legal” como foi dito?

  29. moizes montalvao Diz:

    Prezado Márcio Gomes,
    .
    Desnecessário estudo que desmascare a carta mediúnica, que ajudou a inocentar um acusado. Isso é fácil de ser esclarecido.
    .
    Cartas psicografadas, notadamente as de Chico, foram esporadicamente acatadas em tribunais por juízes simpáticos ao espiritismo. No entanto, serviram subsidiariamente para favorecer ao réu, não foram, nem poderiam ser a única prova existente. O Estado brasileiro é laico, não existem “provas” jurídicas de cunho religioso. Se for assim, os católicos podem surgir com “revelações” dos santos e da Virgem; os pentecostais com manifestações do Espírito Santo; os umbandistas com testemunhos de suas entidades, etc. Imagine, num tribunal o advogado exibe carta psicografada que inocenta o acusado. Então, o promotor poderá contratar um inspirado pelo Espírito Santo a “revelar” que a carta é falsa e o réu culpado. Já pensou a confusão?
    .
    Se as provas dos autos apontarem para a culpa do acusado, nenhuma psicografia poderá mudar esse quadro. Um juiz que julgasse unicamente pelo material psicografado, além de tomar reprimenda do órgão que o fiscaliza, veria o julgamento anulado por qualquer parte interessada.
    .
    Não fique eufórico com o alarde que se faz em torno dessas “absolvições”, são apenas empolgamentos de crentes desejosos de ver seu herói atuando vitoriosamente em todas as frentes. Não há a menor chance de um procedimento exótico desses se tornar rotineiro no meio jurídico.

    Abraços,

    Moizés Montalvão.

  30. Carlos Magno Diz:

    William:
    -
    Pergunto novamente: como se deve fazer para colaborar no blog? Já estive lá duas vezes.

  31. William X Diz:

    Charles Xavier,
    -
    Escreveu “Houdini isso e aquilo” e não falou nada. Vc parece não conhecer alguns capítulos da história da ciência, mas eu irei contar em tempo apropriado, de forma muito clara.

  32. Carlos Magno Diz:

    Oi, Montalvão,
    -
    Saudades de seu ceticismo radical, jornalístico e teórico. Ser um estado laico, ajuda ou atrapalha? Será que como no plenário de Brasília, não teriam outras mentes, além das dos juízes, para elucidar?
    -
    Acho que céticos não deveríam julgar juízes e jurados como simples crentes em casos de espiritismo. A lei é basicamente pelas provas substanciais além de ser basicamente racional. Pensando bem, é comum da comunidade cética contrariar tudo o que os contarie.
    -
    Grande abraço.

  33. Marcio Gomes Diz:

    Aqui eh melhor blog de humor que ja vi. melhor que o kibe loco. O entao o juiz era espirita? Vou tentar desvendar estsa farsa. Vamos la a teoria da conspiracao global. Neste caso ja preveram que o chico iria psicografar a carta, o tribunal sabiamente escolheu um juiz espirita. A globo escolheu uma vitima que tinha um pai cetico, desculpe, Ateu ai fizeram um roteiro com tony ramos, aguadaram em rio branco no acre. Fui cetico agora? entao vcs mais um motivo para viver, descobrir a farsa da carta do tribunal. E assim fazer justiça e participar do seriado arquivo morto no sbt.

  34. Marcos Arduin Diz:

    Por que os espíritos não apresentam provas materiais de sua existência?
    - Porque não são seres materiais.
    #
    Se o propósito de toda espiritualidade é amealhar fiéis
    - Não é esse o propósito. Tal propósito é o das igrejas pentecostais para aumentar a renda do pastor com os dízimos…
    #
    para uma suposta “verdade” e salvá-los da ignorância, por que não se manifestam em laboratórios em testes controlados ou em programas de TV ao vivo?
    - Descreva-me os experimentos e os testes controlados a serem feitos.
    #
    Não justifiquem dizendo que “os espíritos não precisam provar sua existência”, porque passaram quase todo um século (de meados do séc.XIX a meados do séc.XX) tentando provar sua existência por meio de manifestações tais como as de Uberaba e das Irmãs Fox.
    - E quem acreditou nos experimentos e pesquisas feitas apesar disso tudo?
    #
    Por que as provas são sempre subjetivas e passíveis de enganação?
    - Porque essas são as que funcionam. Eu posso reconhecer uma carta psicografada pelo espírito de meu pai ou num diálogo com um médium que diz falar pelo espírito dele obter dados que só eu sei. Isso é a prova que me satisfaz. Mas só a mim. Os outros que consigam as suas.
    #
    Fazer um encefalograma e descobrir diferenças cerebrais não prova a vida após a morte, apenas um possível defeito mental.
    - E daí? E se não houver defeito mental algum?
    #
    Por que não aparecem diante do público, para provar definitivamente que existe vida após a morte? Querem provar, e quando contestados sobre a refutabilidade de suas provas, alegam que não precisam provar nada.
    - O problema é que não nos dizem o que provaria alguma coisa…
    #
    Pelo reino de deus, os homens esquecem o reino que lhes é de direito: o reino da Terra. Parem de acreditar em espíritos desencarnados e passem a acreditar mais no ser humano. Não sou cético, mas como diria Fox Mulder: “I want to believe!”
    - Está se dirigindo ao público errado. Não buscamos, nem queremos implantar reino de deus nenhum por aqui. Todos os que tentaram isso só produziram reinos cruéis e tirânicos.

  35. Santos Diz:

    Caros Montalvão, Carlos Magno e amigos, só pra informação pra vocês, esclarecida a mim por Odarico Carvalho, iminente advogado criminalista do Rio de Janeiro há pouco tempo: “Uma carta psicografada não é usada como prova, como muitos acreditam. Um juíz e/ou júri são obrigados a ouví-la como um testemunho do médium sobre a índole do acusado. É um cidadão dando sua opinião sobre outro. A carta nunca pode ser usada como prova e nem é aceita como palavra do finado.” Observo que, sem excessões, é a vítima inocentando o réu; mecanismo interessante de ação dos espíritos, eu diria. Em vez de ajudar a resolver o crime, apenas procuram inocentar o réu. Alguns réus foram absolvidos, outros condenados, mas nenhuma carta foi usada como prova, por isso não ser aceito na legislação brasileira. Quem foi inocentado, mesmo havendo o depoimento sobre a índole do réu criado um clima positivo para a absolvição, o foi por outros motivos que não a carta psicografada. O último caso famoso foi o de Suzane von Richthofen. Ela apresentou uma carta psicografada de seus pais, mas o conteúdo da carta, que a inocentava, foi ignorado pelo júri e ela foi condenada pelas provas apresentadas a favor de sua condenação. Não poderia ser de outra forma num estado laico, como o brasileiro. Boa noite.

  36. William X Diz:

    Carlos Magno,
    -
    Entre em contato com a Sonia por e-mail. E diga para ela passar o seu (ela já tem o seu?).

  37. William X Diz:

    Marcos Arduin,
    -
    Entre em contato comigo pelo e-mail q vc já tem. Quero apresentar algumas idéias. Foi vc que enviou um e-mail já não foi?
    -
    Gostaria muito de contar com suas opiniões e participação.

  38. Gil Santos Diz:

    Cara Sonia, não espernearei! Suas respostas foram satisfatórias. Mas a relação do espiritismo com o catolicismo é inquestionável, mesmo sendo apenas uma via de mão única. As incursões de Xavier no cristianismo foram desastrosas e cheias de furos. Ele se saía bem melhor quando mandava mensagens genéricas de auto-ajuda. E, de novo, boa sorte com o blog!!

  39. Gil Santos Diz:

    Quanto à família judia, por que, se Xavier psicografou tantas cartas, essa é tão mencionada? Me parece que ele deu muitas outras “bolas dentro”. Ou estarei errado?

  40. Gonçalves Diz:

    Prezados,
    -
    Um chama Chico de aproveitador. Qual proveito ele tirou disso, não sei, exceto passar 60 anos ouvindo as mesma acusações que vocês repetem agora.
    -
    Outro diz que o pai do jovem judeu falecido está se auto-iludindo desde 1979. Deve ser da família e conhecer bem o falecido e o pai, a ponto de saber quais intimidades foram reveladas. Ah, esqueci, foram os espiões de Chico.
    -
    Outro diz que é lorota “aprender no além”, mostrando que sequer leu o trecho transcrito sobre rememoração das faculdades latentes.
    -
    Outro diz que o professor dele ensinou uma técnica pra escrever igual a Eça e José de Alencar. Francamente…. acho que, até para quem jamais tivesse ouvido falar em Kardec, seria mais fácil acreditar na mediunidade de Chico do que nesse curso…
    -
    Outro diz que Chico dava desculpas esfarrapadas (sic) aos destinatários das cartas, como se devesse alguma justificativa contratual pela má qualidade da prestação.
    -
    Fui procurar os textos que “provavam” a inexistência de Públiu e se dizia “não há indícios, não há registros etc”. O mesmo tipo de “prova” que há vinte anos “provava” a inexistência histórica do Cristo.
    -
    Francamente, senhores. Nada há aqui além de disse-me-disse.
    -
    Continuarei na minha, como disseram, ingenuidade. Perdoem lhes ter tomado o tempo.
    -
    Sds

  41. Sonia N. Diz:

    Gonçalves:
    -forma.
    Espero que você volte muitas vezes. Precisamos da sua coerência e perspicácia.
    -
    Seus comentários são bastante interessantes e comedidos, melhorando o “clima” que, às vezes, se forma.
    -
    Abraços afetuosos

  42. Sonia N. Diz:

    (cont.)

    desconsidere a palavra “forma”, no início.

  43. Vitor Diz:

    Gonçalves,

    eu não conheço pessoalmente o pai. Mas tenho o livro “A Vida Triunfa” que relata o caso, é o de número 33. É reproduzida a segunda mensagem. Fora os nomes dos familiares (que poderiam ter sido conseguido em conversas, obituários, entre outras formas), nada de evidencial é fornecido. A primeira mensagem dizia respeito a impressões do mundo espiritual, a segunda a impressões do momento do desencarne.

    Quanto a “rememoração das faculdades latentes”, não foi essa a explicação que o médium forneceu, assim, não cabe sua consideração aqui. A explicação foi a de fazer um cursinho de hebraico no além. Estranho não ter mencionado isso antes, apenas depois de percebido o problema. Estranho também que essa desculpa era encontrada em outros casos.

    Quando à inexistência de Públio Lentulus, coloco aqui as palavras do senhor José Carlos, levemente adaptadas:

    “Provar uma negativa, ainda mais em História Antiga, é um trabalho hercúleo. A inexistência dum “Públio Lêntulo” bisneto de Lêntulo Sura somente poderia ser provada, p.ex., se houvesse sobrevivido (ou se se vier a descobrir) alguma fonte fidedigna que informasse que Lêntulo Sura não teve descendentes masculinos que lhe houvessem sobrevivido. Isso, de fato, não existe, até ao presente momento. Não obstante, puderam ser levantados argumentos históricos bastante sólidos (calcados numa bibliografia que procurou seguir o “estado da arte”, e que encontra-se disponível, em detalhes, para verificação e escrutínio, em http://www.4shared.com/file/63104287/b77a1e58/Epistula_Lentuli_I_atualizada.html) no sentido de tornar a existência desse Lêntulo muitíssimo implausível:

    a) não se conhecem descendentes de Lêntulo Sura, ao contrário, tudo indica que ele não os teve, já que foi seu enteado Marco Antônio que teve de providenciar suas exéquias;

    b) nenhum dos Lêntulos citados na época imperial, de Augusto e dos Júlio-Cláudios (portanto, contemporâneos de Cristo e da geração apostólica), pode ser considerado como descendente de Lêntulo Sura;

    c) nenhum desses Lêntulos históricos é citado na psicografia;

    d) os únicos Lêntulos citados na psicografia (o próprio Públio Lêntulo e um seu “parente”, Sálvio Lêntulo) não são citados nas fontes históricas;

    e) toda a “mise-en-scène” histórica da psicografia é derrubada pelo conhecimento factual de que se dispõe sobre a sociedade romana, e judaica, bem como sobre a estrutura político-administrativa e social do Império Romano na época: p.ex., nenhum senador exerceria funções “em Esmirna”, nem iria numa “missão” numa província procuratoriana como a Judéia; e, enfim, não houve nenhum Lêntulo no “conselho de guerra” de Tito por ocasião da guerra judaica.”

  44. Sonia N. Diz:

    Gil Santos ou Gilberto:
    -
    O Chico Xavier nunca fez “incursões” no Cristianismo.
    -
    ELE É CRISTÃO, ASSIM COMO, QUALQUER ESPÍRITA.
    -
    Quanto às outras gracinhas, nem vou responder.
    -
    Em relação à família judia, estamos comentando porque ela foi mencionada no post, de forma mentirosa, como todas as matérias que referem ao Chico Xavier.

  45. Vitor Diz:

    Isso, Sônia, perfeito, considere que todas as matérias deste blog são mentirosas. É a única coisa que você pode fazer, de fato. Fechar os olhos, os ouvidos, para tudo que é apresentado e dito aqui. É a única forma de você manter sua fé intacta. Como o Gilberto disse, você entrou em negação.

    Melhoras, Sônia.

  46. Sonia N. Diz:

    Vitor:
    -
    Você é extremamente repetitivo. Minha fé se mantém intacta, exatamente porque mantenho os olhos e os ouvidos bem abertos, pra tudo que é apresentando e dito aqui, por vocês, responsáveis pelo blog.
    -
    Agradeço e desejo o mesmo, quanto às melhoras.

  47. SeriousBusiness Diz:

    [quote="Victor"]
    ‘eu não conheço pessoalmente o pai. Mas tenho o livro “A Vida Triunfa” que relata o caso, é o de número 33. É reproduzida a segunda mensagem. Fora os nomes dos familiares (que poderiam ter sido conseguido em conversas, obituários, entre outras formas), nada de evidencial é fornecido. A primeira mensagem dizia respeito a impressões do mundo espiritual, a segunda a impressões do momento do desencarne.

    Quanto a “rememoração das faculdades latentes”, não foi essa a explicação que o médium forneceu, assim, não cabe sua consideração aqui. A explicação foi a de fazer um cursinho de hebraico no além. Estranho não ter mencionado isso antes, apenas depois de percebido o problema. Estranho também que essa desculpa era encontrada em outros casos.’
    [/quote]

    ===================================

    Os indícios que depõem em favor do CX nesse caso são mais consideráveis que as hipóteses que lhe diriam contra:

    1 – Por existir a possibilidade de as informações serem coletadas por outros meios, não significa necessariamente que elas não foram adquiridas mediunicamente.

    2 – No que tange à escrita no idioma Hebraico. Se CX realmente estivesse dando uma “desculpa esfarrapada”, ele, como profundo conhecedor da doutrina, simplesmente poderia ter inventado uma “rememoração de faculdade latente”, o que seria plenamente aceitável segundo o conhecimento da reencarnação. No entanto, ele usou algo menos aceitável (em tese) que seria aprendizado no mundo espiritual.

    3 – Classificar como “desculpa esfarrapada” pelo fato de você não acreditar é somente opinião pessoal sua, que deve ser respeitada, mas não constitui evidência de que não há aprendizado no mundo espiritual sob a forma de cursos, e muito menos de que as respectivas mensagens são falsas.

    4 – Foi dito que na carta havia informações que eram de conhecimento estrito da família e que não havia como o médium ter conhecimento prévio do acontecido. Se vc levantar a hipótese de leitura fria, terá de prová-la. Até lá será um hipótese como outra qualquer e não uma “evidência” de falsidade de CX.

    Abraços

  48. Gil Santos Diz:

    Sonia, a fé é algo ótimo, mas acreditar particularmente no fenômeno Otília te dá um certo descrédito. Mas tudo bem. Estou lendo a biografia de Einstein (The World As I See It) e ele se dizia um homem religioso, no sentido que ele dá ao termo, mas ele diz que a sobrevivência após a morte física é um conceito que vem do medo ou da fraca alma de uma pessoa absurdamente egoísta. A cada dia eu acredito mais nisso. Esse processo de negação só pode vir de uma pessoa muito amedrontada com a morte ou que se ache muito boa para simplesmente “morrer”.

  49. Sonia N. Diz:

    Vitor:
    -
    Também é estranho que não haja nenhuma referência histórica a Jesus, que foi uma figura extremamente polêmica, tanto para os judeus, quanto para os romanos.
    Alguém que realizou tanto milagres, e disse coisas que feriram tanto a uns quanto a outros, obrigando uns e outros a se unirem para eliminá-lo, por subverter a ordem de uns e outros. Seus feitos atravessaram os séculos e mudaram a face do mundo. E, no entanto, ele não consta da História.
    Por que? Por um motivo simples, aquele foi o período da História, tanto do Império Romano, quanto do povo judeu, do qual temos menos informações. Não se conhecem historiadores daquele período. É uma verdadeira colcha de retalhos, com algo pinçado aqui, outro ali, e é só. Um dado interessante é que o Senado da época, era composto por 600 senadores. E quais foram esses senadores? Onde estão os seus nomes? E suas famílias, seus descendentes?
    -
    Procure encontrá-los na História.
    -
    Por isso, Vitor, nada é definitivo. Nada é conclusivo sobre Publio Lentulus.
    -

  50. Marcos Arduin Diz:

    Ops! Sonia N, aqui discordamos. Chico e os espíritas (não inclui os rustenistas) NÃO SÃO CRISTÃOS.
    #
    Neste ponto sou mais técnico: cristão é um qualificativo para pessoas, ideias ou doutrinas que concordam com as elucubrações teológicas cristãs. Assim um cidadão cristão CRÊ nessas elucubrações e isso que o torna cristão. Nada tem a ver com seus atos ou práticas da vida. Os inquisidores, os cruzados, os donos de escravos católicos e protestantes, os integrantes da Ku-Klux-Khlan são cristãos genuínos pela razão que eu já disse.
    #
    Já o espírita NÃO É CRISTÃO. Não o é porque sua base de doutrina é o ensino dos espíritos e não a Bíblia. Esta é para os cristãos sua regra de fé e prática. É divinamente inspirada, exata, infalível e absolutamente verdadeira em tudo sobre o que se manifesta. Assim então, um verdadeiro cristão deve crer que o Universo foi criado em 6 dias há 6.000 anos, deve crer que a Terra é plana e situada no centro do Universo, deve crer que o céu é sólido, deve crer num Dilúvio que inundou a Terra inteira até 8 metros acima do cume do Everest, deve crer que o sangue de Cristo lava os pecados e que a crença nele é fator de Salvação. Há mais a dizer, mas o dito acima é o fundamental para que alguém se apresente como cristão. Como os espíritas não acreditam em nada disso, então não podem se apresentar como cristãos.
    #
    Só que para os espíritas não existe Salvação. Nossa situação pior ou melhor, agora e no futuro, está na dependência dos nossos atos presentes. Não temos portanto um Salvador que vai desviar a ira de Deus contra nós. Jesus, contudo, foi um cara exemplar, que nos deixou ensinamentos exemplares. Não há porque descartá-lo. Muitos espíritas pensam ser cristãos porque erroneamente é ensinado que o Cristianismo é uma doutrina de amor ao próximo. Ora, taí a história do Cristianismo para provar que não é nada disso.
    #
    Como a maioria dos espíritas no Mundo vive em países de maioria cristã, apresentar-se como cristão é fazer parte do bando. Politicamente pega mal se anunciar como um não cristão. Mas a verdade é que tecnicamente o espírita não é cristão porque não crê nas elucubrações teológicas cristãs e nem tem a Bíblia por exata e infalível.
    #
    É isso.

  51. Marcio Gomes Diz:

    Gente,

    Sobre o conspiração da ORGANIZAÇÕES GLOBO o que acham ? E suas tentativas de tentar conquistar o universo ? algum comentário sobre isso ? outra coisa ninguem comentou sobre como é que o tribunal de justiça naquela epoca colocou um juiz espirita no caso ???? O chico charlatão mandou seus espiões para saber da vida intima do pai do filho morto ?? Como é que a Globo tem esse poderes, pois ja sabia que em 2010 iria fazer um filme centralizado neste caso ??? E ai vitor, o que acha da minha proposta de você dedicar o seu tempo fazendo levantamento deste caso e finalmente fazer JUSTIÇA com a familia e dizer que não foi acidente e sim ASSASINATO.

    Agora é serio, estou com uma dúvida. Se chico Xavier fez 409 livros psicografados, o Vitor levará quantos anos para provar que é uma falsa todos esse livros ?? Pelo menos uma reincanação ele terá que ter.. Tem esse direito..

  52. Sonia N. Diz:

    Marcos Arduin:
    -
    Você tem toda a razão!
    -
    Agradeço sua intervenção e clareza nas explicações.
    -
    Confundimos cristianismo com a figura de Jesus, que para nós é exemplo de amor, fé e caridade (entendendo-se aqui que a palavra caridade abrange qualquer atitude positiva e benéfica).
    -
    Valeu como ensinamento para todos que postam aqui.
    -
    Abraços afetuosos

  53. Sonia N. Diz:

    Márcio Gomes:
    -
    Só tenho uma correção a fazer: o Chico escreveu 451 livros, dos quais, 39 foram publicados depois de sua morte.
    -
    Quanto ao que acontece aqui, nestes blogs, é assim mesmo. O objetivo não é esclarecer nada. O objetivo único aqui é “provar” que o Chico Xavier e tudo o mais que resultou de seu trabalho, não passa de uma farsa.
    -
    Mas, não desanime. Continue com os seus comentários e os seus questionamentos, que ajudam aqueles que “passam por aqui”, cujas dúvidas podem ser clareadas com argumentos, como os seus.
    -
    Abraços afetuosos

  54. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sobre as referências históricas: Jesus x Públio Lêntulo.

    Esta mensagem está sendo postada nos tópicos “Revelações da ‘Superinteressante’ sobre Chico Xavier” e “Há Dois Mil Anos – Uma Fraude Histórica Completa”

    Não há como comparar o tipo de evidência histórica que se pode obter (ou que se esperaria obter) num caso e noutro (Jesus e “Lêntulo”). Jesus (e seu movimento) eram, inicialmente, algo marginal mesmo no Judaísmo, quanto mais para a sociedade romana como um todo – virtuais desconhecidos, muito longe do interesse da “corrente principal” de historiadores ou mesmo etnógrafos. Jesus não era um nobre, sequer era um sacerdote, num mundo (num lugar, e numa época) em que os sacerdotes dominavam não apenas a cena religiosa, mas também a política e, mesmo, a cultural. Assim, a existência de registros contemporâneos específicos com relação à pessoa de Jesus fica, inevitavelmente, prejudicada (daí, inclusive, a ausência de tradições sobre o seu aspecto físico…). No entanto, desde bastante cedo há evidências claras acerca do movimento cristão em si, e, nelas, acerca de seu fundador (referências suficientemente comprometedoras para afastar a hipótese duma “fantasia”); nenhum pesquisador sério contesta, p.ex., a historicidade das cartas de São Paulo Apóstolo, que fazem remontar as notícias sobre o movimento cristão, e sobre o próprio Jesus, seu ensinamento e sua morte, à década de 50 dC, estando viva ainda a geração que conviveu com Jesus (e podendo facilmente desmentir Paulo, se o que ele contasse acerca do pregador galileu não passasse de fábulas). Havia opositores ao movimento, mas não havia pessoas que negassem a existência de Jesus; o que estava em jogo era o que Jesus ensinava, e mais, o que Ele significava, não o fato de Ele ter ou não existido. E, mesmo que se considere que os Evangelhos canônicos (e os Atos dos Apóstolos) tenham sido escritos após a guerra judaica de 66-72 dC (uma teoria no mínimo questionável, mas, vá lá…), isso os poria no quarto final do séc. I dC, ainda suficientemente próximos aos eventos narrados e às testemunhas da primeira geração. Adicionalmente, há também referência clara aos cristãos em Suetônio (os “chrestiani” expulsos de Roma sob Cláudio, c. 49 dC, cf. Atos dos Apóstolos, cap. 18, vers. 2o, sobre Áquila e Priscila), bem como em Tácito (perseguição sob Nero, logo após o incêndio de Roma, em julho de 64 dC – cf. “Anais”, livro XV, cap. 44). E, por último, no começo do séc. II dC, sob o império de Trajano (98-117 dC), a carta de Plínio, o Moço, governador da Bitínia, acerca de como lidou com os cristãos na região (“Cartas”, livro X, carta 96, relatório de Plínio, e 97, reposta de Trajano). Mesmo as alusões histórico-geográficas constantes nos Atos dos Apóstolos (p.ex., os Sérgios Paulos de Chipre, os magistrados da Tessalônica corretamente denominados “politarcas”, etc.) são precisas – algo bem diferente do “mishmash” de “Lêntulo” em “Há Dois Mil Anos”.

    Quanto aos Lêntulos, ao contrário, lida-se não com elementos “marginais”, mas com o próprio “centro” do poder. Está-se referindo a uma família da aristocracia senatorial romana, e uma que esteve, ao longo do período de Augusto e dos Júlio-Cláudios (especialmente sob Augusto, Tibério e Calígula) bem próxima do círculo de poder e do próprio Imperador. O tipo de evidência histórica que se esperaria obter seria de outro tipo – e o é de fato; como já foi EXAUSTIVAMENTE mostrado, há evidências detalhadas de inúmeros Lêntulos dessa época. E, como também já foi exaustivamente demonstrado, há evidências bastante sólidas no sentido de apontar a inexistência específica dum “Públio Lêntulo”, descendente de Lêntulo Sura, contemporâneo de Cristo, etc. O que dele se diz em “Há Dois Mil Anos” é de tal modo importante que uma pessoa que tivesse tido a carreira que a psicografia lhe atribui teria deixado traços históricos – e simplesmente não há nenhum! Não apenas isso: todo o mundo desenhado por “Emanuel” na psicografia não existe na evidência histórica, e a evidência histórica somente aponta pessoas que não são citadas na psicografia. Especificamente sobre a família, assim, seria bom que os espíritas pudessem contestar o seguinte:

    O único “parente” de Lêntulo na psicografia, “Sálvio Lêntulo” (um nome aliás impossível pela prosopografia da época), não tem nenhum registro histórico;

    Ao contrário, nenhum dos Lêntulos historicamente atestados (principalmente os Getúlicos e os Salvidienos Orfitos) são sequer mencionados na psicografia;

    Nada se fala acerca do “cursus honorum” de “Lêntulo” na psicografia; e sua “missão” na Judéia, no contexto administrativo da época, não faz nenhum sentido.
    —-
    Adicionalmente, não houve um “Lêntulo” no conselho de guerra de Tito. Sabe-se (por Flávio José) a composição precisa desse conselho de guerra, e lá não consta nenhum “Lêntulo”…

    Não é necessário, assim, conhecer todos os 600 senadores romanos (desculpa esfarrapada, que brota de mentes fanáticas, as quais querem, por todos os meios, provar o que não pode ser provado) para se analisar “Lêntulo” e concluir que, na melhor das hipóteses, há seriíssimas dúvidas acerca de sua existência histórica.

    Aliás, muita coisa sobre a aristocracia senatorial romana e as famílias senatoriais da época imperial pode ser analisada na obra de Settipani, “Continuité Gentilice”, e na detalhadíssima bibliografia que o acompanha. É só pesquisar…

    Somando-se a isso, tem-se, adicionalmente: a) a ignorância de Xavier/Emanuel acerca da prosopografia romana da época – fato que já foi detalhado num outro estudo; b) sua ignorância acerca das estruturas administrativas da época (o “cargo” de Lêntulo em Esmirna, a sua inexistente atuação no “conselho de guerra” de Tito; a presença de tropas legionárias na Judéia antes da revolta de 66-72 dC, etc.); c) a descrição da figura de Jesus constante na “carta de Lêntulo”, que somente se formou a partir dos fins do séc. IV dC, e que somente se consolidou a partir do séc. IX dC; d) a ausência de qualquer referência, em qualquer escritor, cristão ou pagão, de “Lêntulo” e de sua carta, até ao séc. XV dC.

    Diante de tudo isso, então, estariam os espíritas na obrigação moral de (como em vários outros casos) simplesmente seguir as diretrizes do próprio Kardec, e rejeitar, no mínimo por prudência, essa identificação (como já comentei numa outra mensagem). Insistir nisso somente os leva a situações embaraçosas e cada vez mais afastadas da ciência histórica e da simples razão. Mas, é claro, já deve ter se tornado óbvio que o que menos alguns espíritas “kardecistas” fazem é seguir o próprio Kardec. Não são “kardecistas”; são apenas “kardecólatras” (quando lhes convém) ou “chicólatras”.

    De novo o desafio: se têm tanta certeza assim da efetiva existência de “Lêntulo”, façam então um apanhado, detalhado, de tudo isso, e publiquem (ou procurem publicar…) em revistas históricas conceituadas, no Brasil e no exterior. Deve haver historiadores de profissão entre os espíritas kardecistas. Se acreditam mesmo em “Lêntulo”, que façam isso. Vejamos quem aceita tais publicações, e mais, que tipo de críticas esse material receberia…

    Acrescente-se que, ao fim das contas, o ônus da prova, no que diz respeito a Lêntulo, pertence inteiramente aos “kardecistas” que afirmam categoricamente que ele existiu. Afirmam isso contra toda a evidência histórica (como já se mostrou aqui); portanto, devem provar, à exaustão, e convincentemente, e com argumentos racionais, que a pessoa em questão efetivamente existiu, que esteve na Judéia, que escreveu ao “Senado” (ou ao Imperador…), etc. E refiro-me a provas concretas, não à própria psicografia, ou de eventuais “revelações”. Ainda estou esperando… Produzam evidências palpáveis e documentos históricos fidedignos que mostrem que existiu um Públio Lêntulo, descendente de Lêntulo Sura, que exerceu funções em Esmirna, que esteve no conselho de guerra de Tito, que esteve numa “missão” na Judéia na época de Pilatos, e que escreveu um relatório (ao Senado? Ao Imperador?) sobre um certo Jesus de Nazaré.

    Dizer que a época de Augusto e dos Júlio-Cláudios (c. 30 aC a 68 dC) é um dos períodos pior documentados da História Romana é duma ignorância tão grande que é somente plausível (e cabível) na cabeça de alguns fanáticos. Essa, ao contrário, é uma das épocas MAIS BEM DOCUMENTADAS da História romana (e judaica), tanto pelos textos históricos em si quanto pelas evidências arqueológicas e epigráficas.

    Para o estudo (detalhado) do enorme corpo de inscrições do período, referentes tanto a aspectos administrativos quanto, principalmente, à genealogia das famílias senatoriais romanas, pode-se consultar tanto Sherk (“Translated Documents of Greece and Rome – The Roman Empire – Augustus to Hadrian”) quanto, principalmente, o já citado Settipani (“Continuité Gentilice et Continuité Familiale dans les familles sénatoriales romaines à l’époque imperial – mythe et realité”), citadas, inclusive, na Bibliografia da pesquisa.

    Sobre as fontes históricas, o período, ao contrário do que se diz, é coberto por várias obras. A seguir, um resumo despretensioso.

    Muitos compendiadores posteriores, consultando obras da época, deixaram resumos ou tabelas cronológicas que abarcaram o período em questão, e que fornecem detalhes preciosos: a “Crônica” de São Jerônimo, a “Epítome dos Césares” de Aurélio Vítor, o “Breviário” de Flávio Eutrópio, etc. Isso, claro, sem contar os cronistas bizantinos posteriores, ou sem considerar o tesouro de informações que se pode obter, esporadicamente, quer a partir da “Suda”, quer a partir da “Biblioteca” do patriarca Fócio. É questão de pesquisar…

    Acrescentem-se as listas consulares, principalmente os Fastos Capitolinos (completos até ao final do reinado de Augusto) e os Fastos Ostienses (relativamente completos para o período Júlio-Cláudio, com algumas falhas).

    A enorme obra “A Partir da Fundação da Cidade” (“Ab Urbe Condita”), de Tito Lívio, em 142 “livros” (i.e., rolos), cobria o período que vai desde a fundação (tradicional) de Roma, em 753 aC, até à época de Augusto (até c. 8 aC). Infelizmente, boa parte não sobreviveu no seu texto completo, mas tem-se um resumo (“Periochae”) de toda a obra, que fornece informações úteis.

    O historiador Tácito (que escreveu na época de Trajano), um dos grandes historiadores romanos, cobriu, em detalhes, com seus “Anais”, o período da morte de Augusto à de Nero (14-68 dC); dessa obra, restam completas as partes referentes aos anos 14 a 29 dC, 31 a 37 dC e 47 a 66 dC. Suas “Histórias” cobriam o período dos Flávios (68-96 dC), restando completos os acontecimentos referentes ao ano 69 dC e à terrível guerra civil da ocasião.

    Veleio Patérculo, que escreveu sob o império de Tibério (reinou 14-37 dC), deixou um “Compêndio de História Romana” em dois “livros” (rolos); o 1o é um resumo, que vai desde as “origens troianas” de Roma até à destruição de Cartago, na Terceira guerra púnica (146 aC); o 2o cobre o período de 146 aC a 29 dC, sendo que o período a partir de Júlio César é tratado com especial detalhe.

    O historiador Gaio Suetônio Tranqüilo, secretário particular do Imperador Adriano (reinou 117-138 dC), deixou, entre outras obras, o “Sobre as Vidas dos Césares”, cobrindo a biografia de Júlio César, o ditador, e dos onze Imperadores seguintes, de Augusto a Domiciano; fora o início da biografia de César, a obra chegou-nos completa, e revela detalhes importantes referentes a todo o período compreendido entre c. 50 aC e 96 dC.

    As “Cartas” de Plínio o Moço, embora um pouco posteriores, lançam luz sobre a alta sociedade romana do final do séc. I dC e inícios do séc. II dC.

    A “História Romana” (“Rhomaika”), do senador Cássio Dião Coceiano, natural da Nicéia bitiniana, que viveu sob os Severos, iniciava-se (como a de Tito Lívio) na fundação mítica de Roma, em 753 dC, indo até à época do autor (1o quartel do séc. III dC). Não nos chegou inteira, mas cobre, completa e detalhadíssima, todo o período de Augusto até ao ano 46 dC, tendo-se, a partir de então, um resumo (epítome) que leva a narrativa até ao ano 229 dC.

    Assim, dizer que não há fontes históricas para o período é algo inacreditável. Dois dos historiadores (Tácito e Cássio Dião) eram senadores, tinham acesso aos altos círculos do poder, e um (Suetônio) era secretário particular (“ab epistulis”) do Imperador, tendo acesso a documentos importantes. E, para o período de Augusto e dos Júlio-Cláudios, boa parte dessas obras nos chegou completas…

    Especificamente sobre a história judaica, temos as obras completas do historiador (sacerdote e, segundo ele próprio, fariseu) José, filho de Matias (ou Matatias), Iosef ben-Matathiahu, mais conhecido pelo seu nome romano de Flávio José (Flavius Iosephus). “As Antiguidades Judaicas”, em 20 “livros” (rolos) cobrem o período desde a Criação até imediatamente antes da eclosão da revolta contra Roma, em 66 dC; “A Guerra Judaica”, em 7 “livros”, cobre o período de 175 aC até ao final da revolta, com a rendição de Masada (c. 72 dC).

    Tudo isso, é claro, sem se esquecer todas as evidências históricas que a Numismática pode fornecer.

    As fontes históricas romanas começam a escassear (inicialmente de modo lento) depois do império de Adriano (117-138 dC); as lacunas tornam-se grandes na época dos Severos (193-235 dC), e, nos 50 anos seguintes, mostram-se bastante graves (o período da “anarquia militar”, 253-284 dC). A partir de Diocleciano, a situação começa a melhorar. Para Constantino e seus sucessores, até ao início do séc. V dC (grosso modo, da “Paz da Igreja” em 313 dC, até 410 dC, ano do saque de Roma pelos visigodos de Alarico), a situação melhora sensivelmente, para voltar a apresentar problemas a partir daí. Esse, resumidamente, é o estado das fontes históricas romanas para o período imperial. O período de Augusto (30 aC – 14 dC) e dos Júlio-Cláudios (14 – 68 dC) é um dos mais bem documentados, se não o mais bem documentado, de toda a História romana (exceção talvez para o período republicano final, especialmente a época de Cícero).

    Felizmente para nós, infelizmente para “Emanuel”…

    Gostaria, sinceramente, de saber qual o historiador que disse que o período em questão é um dos menos documentados da História Romana. Citação, nome, livro, etc.

    Por tudo isso, o “affair” “Públio Lêntulo” está virtualmente concluído – a não ser na cabeça de alguns “chicólatras”. Para esses, claro, nada do que se disser, ou do que se mostrar, será, algum dia, ou alguma vez, suficiente. Enfim, que julguem os leitores.

    A propósito, apenas para complementar, nenhum espírita, de qualquer espécie, e nem ninguém que pratica a necromancia, pode dizer-se “cristão”. Quanto mais não seja, pelo fato de a Bíblia, e o Cristianismo, renegarem explicitamente a reencarnação. Acerca disso, há, acessível na Internet, um estudo muito bem feito, documentado e pormenorizado, “A Reencarnação na Bíblia” (falhasespiritismo.6te.net/reencarnacao_biblica.html). Os espíritas, e outros do gênero, podem continuar se dizendo “cristãos” (afinal, o nome de Cristo é, ainda, um bom “marketing”), mas, da mesma forma que o fato de eu dizer que uma bola é um cubo não faz da bola um cubo, o dizer-se “cristão” JAMAIS fará um espírita ser cristão. Isso não quer dizer que um espírita seja, ipso facto, uma pessoa má, ou que (ao menos na visão soteriológica católica) esteja também automaticamente condenado ao Inferno (e nem o fato de se ser cristão é garantia suficiente de salvação, diga-se de passagem); quer dizer apenas que ele não é cristão, que não aceita o ponto fulcral da mensagem de Cristo, que é o Seu sacrifício expiatório pela humanidade pecadora, bem como uma série de doutrinas centrais do Cristianismo (p.ex., o Julgamento Final, a ressurreição dos mortos), afirmando, ao contrário, doutrinas que jamais foram esposadas, quer pelo Judaísmo, quer pelo Cristianismo, como a necromancia e a reencarnação. O fato de aspectos morais do ensinamento cristão serem levados em consideração, ou mesmo serem seguidos, por determinada pessoa não faz dessa pessoa, automaticamente, um cristão; um ateu, p.ex., pode considerar que a “parte moral” dos ensinamentos de Jesus (o “Sermão da Montanha” de Mateus, p.ex.) seja muito boa e nobre, e pode até procurar aplicar tais princípios, ora mais, ora menos, na sua vida do dia-a-dia; mas isso, obviamente, não faz dele um cristão – continuará sendo um ateu. Mais uma vez, isso não quer dizer que o ateu desse exemplo seja uma má pessoa, ou que (mais uma vez, na visão soteriológica católica) esteja automaticamente condenado ao Inferno – mas cristão, obviamente, ele não é. Como os espíritas. Eles são espíritas (aliás, muitos nem isso, porque sequer conseguem seguir os princípios gerais enunciados por Kardec acerca da evidenciação de fenômenos espíritas…), mas não são, em absoluto, cristãos. É uma questão de escolha. Só isso.

  55. Charles Xavier Diz:

    Prezados,
    é interessante receber ataques histéricos de espíritas pelo teor de meus comentários. Vou explicar: não sou espírita, mas também não sou ignorante no assunto. Por muito tempo li e estudei diversas religiões, frequentei centros kardecistas por mais de quatro anos (inclusive em iniciação mediúnica) e saí por total falta de “resposta às minhas perguntas”. Muitos colegas espíritas que me condenam por buscar respostas “laboratoriais”, alegando que os espíritos não são “macaquinhos de cientistas”, se esquecem que o principal objetivo da doutrina proposta por Kardec é o conhecimento da realidade espiritual, principalmente no quis diz respeito a realizar todos os testes científicos possíveis. Espiritismo Kardecista não é ocultismo, é ciência, e como tal deve se submeter a condições de experimento científico. “Espíritos não são materiais” não é boa alegação, pois existe o fenômeno da materializações aí justamente para provar isso.
    -
    Olha, camaradas, sabe por que sou cético, como dizem? Porque nunca obtive respostas onde queria. Aproveito para pedir aos amigos espiritas que leiam mais Allan Kardec, de peito aberto e sem as máscaras do deslumbramento, e revejam os conceitos da própria doutrina praticada no Brasil. Inicialmente, Kardec buscou elaborar uma doutrina moral que tivesse por fundamento o ensinamento prestado por espíritos superiores, mas tudo dentro de uma base científica com rigor e experimentação. Óbvio que, em sua época, isso fosse tão passível de embuste, mas hoje temos meios de controle que poderiam definitivamente extirpar quaisquer dúvidas. LEMBREM-SE: O ESPIRITISMO NÃO ESTÁ AQUI PARA OCULTISMO (acredite se quiser), E SIM PARA CIÊNCIA DA VIDA APÓS A MORTE.
    -
    O propósito de toda doutrina religiosa é, sim, amealhar fiéis. Não que isso represente gerar renda. Se o propósito religioso fosse a salvação individual, Jesus teria atingido o nirvana e não morrido na cruz. Pense antes de escrever, sempre.
    -
    Resumindo:
    aos amigos espíritas que adoram citar Kardec sem o ler, sugiro uma leitura crítica de suas obras. Espiritismo não é ocultismo nem dogmática religiosa, é, antes de mais nada, ciência, e como tal deve agir e funcionar. Provar cientificamente a existência de vida após a morte não traria ônus algum ao espiritismo, muito pelo contrário, aumentaria sua credibilidade e os argumentos de seus defensores (frequentei centros kardecistas e sei o quanto as “provas de existência dos espíritos” são importantes e sempre citadas, indo desde materializações até fotografias).
    -
    Não é nocivo desvelar a ignorância sobre a vida após a morte, então faça-se. Pior é o deslumbramento.

  56. Vitor Diz:

    Prezado Senhor José Carlos,

    muito obrigado por seus esclarecimentos, perfeitos como sempre. Ficaram bem evidentes as mentiras e o fanatismo da Sônia que, tentando salvar o Chico a qualquer custo, não se importa em passar por cima da História e criar um mundo de conto de fadas.

    Um abraço e volte sempre!

  57. Marcos Arduin Diz:

    Nesse particular sou obrigado a concordar com você, Vitor. É uma pena que meus confrades espíritas estejam se deixando incomodar por muita bobagem e pouca porcaria.
    #
    Há 2000 anos é só UM ROMANCE. Não é um livro de História e nem deve ser tomado como tal. Há escritores que são mais cuidadosos. Quando escrevem romances nos quais são apresentados fatos históricos, eles cuidam de verificar o melhor possível como a coisa aconteceu para não falar bobagens.
    #
    Não é o caso do Don Brown, por exemplo, que falou um monte de asneiras históricas no Código da Vinci. Mas o livro vendeu pois era um romance polêmico e não porque era um tratado histórico.
    #
    A mesma coisa fica para os livros romanceados do Chico. São ROMANCES apenas e não devem ser tomados por verdades históricas, independente de os personagens ou fatos eventualmente terem existido ou não. No que temos de nos centrar é na MENSAGEM EDIFICANTE que se possa tirar deles.
    #
    Apelo para que meus confrades parem de brigar por bobagens. Lêntulo e Lêntulos nunca existiram? Tudo bem! Não vou dizer que Há 2000 anos é uma porcaria só por causa disso. A trama continua sendo boa.

  58. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Arduin:

    Apenas umas pequenas observações sobre exegese bíblica: a tradição exegética católica não está, de modo algum, vinculada exclusivamente à literalidade do texto inspirado, principalmente no que diz respeito a ilações de índole “científica” que dele possam emanar. Como já se disse, a Bíblia ensina “como ir aos Céus”, e não “como funcionam os Céus”. Muitas das descrições constantes no texto sagrado são simbólicas ou alegóricas, ou então escritas na linguagem da época. Há toda uma tradição católica de interpretação alegórica; entrar em detalhes aqui seria fastidioso, mas que baste o fato de que inspiração bíblica não implica (ao menos para nós, católicos), necessariamente, na literalidade do texto.

    Há, evidentemente, alguns trechos bíblicos que a doutrina da Igreja considera como devendo ser interpretados literalmente (porque essa é a tradição antiqüíssima, quer do “consenso dos fiéis”, desde o início, desde os tempos apostólicos, quer do “consenso dos Santos Padres”, e mais, dizem respeito especificamente à Revelação divina) – p.ex., a literalidade da invocação eucarística na Última Ceia, com a presença real do Corpo e do Sangue nas espécies consagradas, desde então, em todas as cerimônias cristãs validamente celebradas; ou então o nascimento virginal de Jesus. Quanto a isso, as discussões podem se dar no nível filosófico-teológico, mas não no científico.

    Mas – repito – nada do que diz respeito à evidenciação científica do funcionamento do Universo incorpora-se, ao menos em termos gerais, nessa rubrica. Portanto, o acreditar que o Universo foi criado em 6 dias há seis mil anos, ou o fato de a Terra ser plana (e situada no centro do Universo), ou o fato de o céu ser “sólido”, ou a existência (literal) dum Dilúvio universal, nada disso diz respeito, necessariamente, ao ser-se cristão (católico, ao menos), e nem liga-se à inspiração das Sagradas Escrituras. Os primeiros itens por dizerem respeito a aspectos da realidade física, que estão fora da alçada da Revelação (“ir aos Céus”, não “como os Céus funcionam”…); o último, por tratar-se (diferentemente das narrativas do Novo Testamento) de tradição oral semita antiqüíssima (com ecos inclusive na literatura sumério-acadiana), e não ligar-se, necessariamente, a nenhum fato histórico específico e inquestionável.

    Especificamente sobre o fato de a Terra ser “plana”, mesmo na Idade Média sabia-se que não era; o único escritor de alguma importância que invocou a Terra como plana, de meu conhecimento, foi Cosme, chamado “Indikopleustes” (“o marinheiro das Índias”), um comerciante grego que viveu no séc. VI dC, e que escreveu a respeito um livro denominado “Topografia Cristã”. Mas ele não representou em absoluto a corrente principal sequer dos ensinamentos científicos a respeito, quanto mais a posição da Igreja, ou das autoridades eclesiásticas

    Sobre o geocentrismo, seguia-se, no geral, o que as próprias ciências (da época) consideravam razoável; o modelo de cálculo das posições planetárias de Ptolomeu de Alexandria, pressupondo uma Terra no centro do Universo, era (e continuou sendo ao longo de toda a Idade Média, e até aos inícios dos tempos modernos) o que havia de mais avançado. A aparente imobilidade da Terra, bem como a ausência de paralaxes estelares discerníveis, eram argumentos adicionais a essa visão.

    Quanto ao fato de o sangue de Cristo “lavar os pecados”, isso significa (a partir de agora, resumo e simplifico bastante o assunto…) simplesmente que Ele nos justifica diante de Deus, pela ofensa a Deus que representa todo e qualquer pecado. Porque, no pecado (que é a desobediência à vontade de Deus), um dos ofendidos, obviamente, é sempre Deus; como Deus é Absoluto e Infinito, qualquer reparação devida a Deus deveria ser igualmente absoluta e infinita para ser eficaz, coisa que nenhum ser humano pode oferecer. Por causa disso (incapacidade do ser humano de ofertar a Deus, sempre um ofendido no pecado, uma reparação infinita e absoluta), o próprio Cristo, Deus e homem, sacrificou-se expiatoriamente – sendo plenamente homem, podia redimir a natureza humana; sendo plenamente Deus, podia ofertar ao Pai um sacrifício de mérito infinito. É nesse sentido que se entende que “Cristo morreu pelos nossos pecados” (um “mantra” repetido “ad nauseam”, e que quase ninguém, de fato, compreende). Porque as demais conseqüências do pecado: a ofensa ao próximo (vítima de nosso pecado), bem como a quitação da culpa pelo ato do pecado em si (i.e., a “reparação do dano” que o pecado provoca), permanecem ambos sob nossa inteira responsabilidade – não basta “crer em Cristo”, ou “confessar que Jesus é o Senhor” para, automaticamente, se estar salvo; os demônios também crêem em Cristo, e também dobram os joelhos diante de Deus, mas isso não os faz deixar de ser demônios, e nem de já estarem condenados…

    A ofensa ao próximo é perdoada por Deus gratuitamente, mas a partir do arrependimento sincero do pecador (i.e., do arrependimento movido por motivo sobrenatural, a “perfeita contrição”); a culpa (i.e., a “reparação dos danos”), a partir da execução de boas obras (se não forem suficientes, a quitação dar-se-á no estado que se convenciona denominar “purgatório”). É assim (resumida e simplificadamente) que pensa a Igreja; é assim que ela deve ser entendida e julgada.

    Quanto à crença em Cristo e em Sua Igreja como fator de salvação (inclusive a tão citada, e tão pouco entendida, frase “fora da Igreja não há salvação e nem perdão dos pecados”, pronunciada no Quarto Concílio lateranense), isso é um fato, mas deve ser entendido como a Igreja sempre entendeu, i.e., excluindo-se a “ignorância invencível”, conforme os dois pronunciamentos a seguir deixam claro (as citações, as retirei do portal http://www.montfort.org.br):

    “Com efeito, pela fé há de sustentar-se que fora da Igreja Apostólica Romana ninguém pode salvar-se; que esta é a única arca da salvação; que quem nela não tiver entrado, perecerá no Dilúvio. Entretanto, também é preciso ter por certo que aqueles que sofrem de ignorância da verdadeira religião, se aquela [ignorância] é invencível, não são eles ante os olhos do Senhor réus por isso de culpa alguma. Ora pois, quem será tão arrogante que seja capaz de assinalar os limites desta ignorância, conforme a razão e a variedade de povos, regiões, caracteres e de tantas outras e tão numerosas circunstâncias?” (Pio IX, alocução “Singulari Quadam”, 1854).

    “Coisa notória é para Nós e para Vós que aqueles que sofrem de ignorância invencível acerca de Nossa Santíssima Religião, que cuidadosamente guardam a Lei Natural e seus preceitos, esculpidos por Deus nos corações de todos e que estão dispostos a obedecer a Deus e levam vida honesta e reta, podem conseguir a vida eterna, pela operação da virtude da luz divina e da graça; pois Deus, que manifestamente vê, esquadrinha e conhece a mente, o ânimo, os pensamentos e os costumes de todos, não consente, de modo algum, conforme Sua suma Bondade e Clemência, que ninguém seja castigado com eternos suplícios, se não é réu de culpa voluntária”. (Pio IX, “Quanto Confficiamur Moerore”)

    Que isso baste, por enquanto, acerca da salvação individual.

    Há, evidentemente, uma justa e honesta dúvida: durante muito tempo, teve-se (p.ex.) o Geocentrismo como algo “natural”; havia um consenso, mesmo entre eclesiásticos, acerca de tal fato, e as próprias Escrituras Sagradas eram citadas em apoio a isso. Assim, quais, afinal, seriam os limites do “simbolismo” e do “alegorismo” bíblicos? A meu ver, houve uma tendência histórica de se considerar que uma determinada configuração do mundo, que parecia “óbvia”, e que assim constava (por assim parecer) nas Escrituras, foi alçada a uma posição “científica” absoluta, quando não há posições científicas absolutas, e nem a Bíblia cuida de as dar. Situações nem sempre agradáveis resultaram disso, nas quais as autoridades eclesiásticas nem sempre se portaram com a prudência necessária. Não obstante, quanto a tal tópico, além daquela famosa carta de Boécio a João o Diácono (o futuro papa João I), no qual o ilustre filósofo assevera que deve-se, sempre que possível, conciliar a fé e a razão, eu procuro guiar-me pelas ponderações do Cardeal Belarmino, que coloco na próxima mensagem.

    Enfim, quanto à existência ou não de “Lêntulo”, isso seria, sem dúvida, sr. Arduin, algo totalmente secundário, se o “romance” “Há Dois Mil Anos” se apresentasse como obra de ficção – ou seja, se se mostrasse como um mero romance. Mas não é o caso; ele se apresenta não como uma obra de ficção, mas sim (apesar de usar dubiamente o nome “romance”) como um testemunho efetivo e histórico de alguém que historicamente existiu. E, note bem, sr., como já disse aqui várias vezes, muito da “autoridade” de Emanuel derivou justamente da identidade desse guia, do fato desse “Emanuel” ter sido, DE VERDADE, quem ele alegava ser – o senador Lêntulo, contemporâneo de Cristo, que com Ele conviveu, que sobre ele escreveu, que teve a filha curada, etc. Não se trata, infelizmente, apenas de levar em conta “a mensagem” – porque “a mensagem” foi levada a sério, em boa medida, justamente porque o “mensageiro” apresentava credenciais impressionantes e prestigiosas – e que não são, em absoluto, verificáveis. A trama pode ser “boa”, mas não se baseia, como alega, em fatos reais. E isso compromete de forma marcante toda pretensa “autoridade” da “mediunidade” de Xavier, como, aliás, já foi várias vezes aqui comentado.

  59. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    No “affair” Galileu, as ponderações do Cardeal Belarmino, constantes numa carta endereçada ao Provincial dos Carmelitas da Calábria, padre Paulo Antônio Foscarini, datada de 12 de abril de 1615, me têm servido de guia na (às vezes difícil) tarefa de limitar o escopo “simbólico” das Sagradas Escrituras. A tradução em língua portuguesa, a seguir, segue “Galileu Galilei – Ciência e Fé”, São Paulo, Nova Stella Editorial e Rio de Janeiro, MAST, 1988, Coleção “Clássicos da Ciência”, vol. 3.

    “(…) Primeiro, digo que me parece que Vossa Paternidade e o Senhor Galileu ajam prudentemente, contentando-se em falar por suposição e não de modo absoluto, como eu sempre cri que tenha falado Copérnico. Porque dizer que, suposto que a Terra se move e o Sol está parado, salvam-se todas as aparências melhor do que com a afirmação dos excêntricos e epiciclos, está dito muitíssimo bem e [nisso] não há perigo algum. E isto basta para o matemático.

    Mas querer afirmar que realmente o Sol está no centro do Mundo e gira apenas sobre si mesmo sem correr do Oriente ao Ocidente, e que a Terra está no Terceiro Céu, e gira com suma velocidade em volta do Sol, é coisa muito perigosa, não só de irritar todos os filósofos e teólogos escolásticos, mas também de prejudicar a Santa Fé, ao tornar falsas as Sagradas Escrituras.

    Porque Vossa Paternidade mostrou bem muitos modos de explicar as Sagradas Escrituras, mas não os aplicou em particular, pois, sem dúvida, haveria de encontrar grandíssimas dificuldades se tivesse querido explicar todas as passagens que o Sr. mesmo citou.

    Segundo, digo que, como o Sr. sabe, o Concílio [de Trento] proíbe explicar as Escrituras contra o consenso comum dos Santos Padres. E, se Vossa Paternidade quiser ler, não digo apenas os Santos Padres, mas os comentários modernos sobre o Gênesis, sobre os Salmos, sobre o Eclesiastes, sobre Josué, verá que todos concordam em explicar literalmente que o Sol está no Céu e gira em torno da Terra com suma velocidade, e que a Terra está muitíssimo distante do Céu, e está imóvel no centro do mundo.

    Considere agora o Sr., com sua prudência, se a Igreja pode tolerar que se dê às Escrituras um sentido contrário aos Santos Padres e a todos os expositores gregos e latinos. Nem se pode responder que esta não é uma matéria de fé, porque, se não é matéria de fé ‘por parte do objeto’, é matéria de fé ‘por parte de quem fala’. Assim, seria herético quem dissesse que Abraão não teve dois filhos e Jacó doze, como quem dissesse que Cristo não nasceu duma Virgem, porque um e outro o diz o Espírito Santo pela boca dos Profetas e Apóstolos.

    Terceiro, digo que, se houvesse verdadeira demonstração de que o Sol esteja no centro do Mundo e a Terra no Terceiro Céu, e de que o Sol não circunda a terra, mas a Terra circunda o Sol, então seria preciso proceder com muita atenção na explicação das Escrituras que parecem contrárias [a tal tese], e dizer, antes, que não as entendemos [às Escrituras], do que dizer que é falso aquilo que se demonstra [nelas]. Mas não crerei que há tal demonstração até que me seja mostrada. Nem é o mesmo demonstrar que, suposto que o Sol esteja no centro e a Terra no Céu, salvam-se as aparências, e demonstrar que na verdade o Sol esteja no centro e a Terra no Céu. Porque a primeira demonstração creio que possa haver, mas da segunda tenho dúvida muitíssimo grande e, em caso de dúvida, não se deve abandonar a Escritura Sagrada, explicada pelos Santos Padres. (…)”

    Até aqui, o Cardeal Belarmino.

    Note-se (e chamo a atenção, muito especialmente, para o último trecho citado da carta), que não se adota uma posição ossificada, rígida, “dogmática”, mas sim uma “dúvida razoável” – leva-se na devida conta a tradição, mas, diante de situações científicas BEM DEMONSTRADAS E FUNDAMENTADAS (e não apenas simples suposições), humildemente se reconhece não que as Sagradas Escrituras estejam erradas, mas, ao contrário, que nós não as pudemos compreender em sua essência. Esse tem sido o caminho que, pessoalmente, tenho procurado trilhar, quando se me deparo com situações aparentemente contraditórias entre as ciências naturais e as Sagradas Escrituras.

  60. Silvio Diz:

    Céticos ou não, espiritualistas ou não, a morte vos aguarda, pensem que em breve serão cinzas ou restos mortais dentro de um caixão.. pensem que daqui a um segundo ou daqui a 10 anos vcs irão morrer.. imginem-se mortos.. tudo o que desejavam fazer se foi, oque planejavam se foi, o que anseavam sei foi.. mortos dentro do túmulo.. sob a lápide fria.. mortos.. e perdem tempo discutindo e querendo impor sua verdade aos outros.. vivam a vida enquanto podem pq uma coisa é certa.. a MORTE vai bater em breve em vossas portas.. se não houver vida após a morte tudo se acaba… se houver tudo continua.. uma questão de 50% e não provar ou nao provar, de ter ou nao ter razão.. vivam a vida saudável da melhor forma possivel.. lembrem-se a morte, a lapide vos aguarda….

  61. Marcio Gomes Diz:

    Vitor,

    Leve essas suas teorias para a Rede Record, talvez eles tente fazer um filme e quebrar o recorde no ultimo fim de semana (sexta, sábado e domingo) por mais de 590 mil pessoas.

  62. SeriousBusiness Diz:

    Peraí! Pára tudo, agora.

    Será que estou interprentando errado os posts acima?

    O grande pesquisador José Carlos Ferreira Fernandes, que desvendou a “fraude histórica completa” de “Há dois mil anos” é um erudito católico?

    Eu tava até aceitando de bom grado as revelações desse estudo, mas diante da constatação de que a fonte é nada isenta, nem desinteressada vou ter que pronunciar aquele velho meme da internet:

    “tem que ver isso ae, mano!”

  63. Gil Santos Diz:

    “Não consigo conceber um Deus que recompense e puna suas criações, ou cuja vontade seja entendida por nós. Um indivíduo que sobreviva a sua morte física também está além da minha compreensão, e nem espero outra coisa; tais noções vêm do medo ou do absurdo egoísmo de almas enfraquecidas.” – A. Einstein

  64. Gil Santos Diz:

    SeriousShit, por favor. Essa velha retórica espírita é manjadíssima. Qual é a religião do “cara que não acredita nem na mínima besteirinha espírita?” Qualquer que seja a resposta (Católico, Evangélico, Umbandista, Budista, ateu, etc.) a resposta é sempre a MESMA: “Tá explicado!” Isso é mais velho que Kardec! Se o cara ainda diz que é “espírita ateu” vocês dizem: “Impossível! Um espírita NUNCA pode ser ateu! Ele tem que acreditar em Deus, em Jesus, Na Nossa Senhora de Achirupita, nos Erês Órfãos de Angola, na Otília Docinho Super-Poderosa, na Atlântida (com Cyl Farney e tudo), nos seres Lunáticos, nas pinturas feitas com o esfíncter do Antônio Gasparetto, em Xavier, em Wolverine e até na Família Azul-Marinho!!!! Então quem pode estudar SÉRIO tais assuntos? NINGUÉM, né? O processo de negação de vocês está saindo do patológico e chegando à Maga Patalógica!

  65. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Ao que se denomina “Serious Business”:

    Não sou um “grande” pesquisador. Sou apenas um pesquisador.

    Um texto (qualquer texto) deve ser analisado e julgado à luz de seus argumentos e de sua fundamentação, não importando o viés filosófico, ou religioso, do autor. Se o autor conseguiu, ou procurou, ser isento, seu texto também o será; ao contrário, o texto o denunciará.

    Descartar “a priori” um texto contrário a algumas assertivas e pretensões espíritas (note bem: não se trata dum texto anti-espírita) apenas porque o autor é católico e, então, “obviamente será contra” é tão estúpido quanto, p.ex., descartar “a priori” um texto contrário a alguma posição católica apenas porque o autor é espírita e, então (mais uma vez), “obviamente será contra”.

    Se usarmos seu raciocínio, os debates simplesmente cessarão. Somente levarei em conta quem concorda comigo; todos os demais “obviamente serão contra”, e devem, portanto, ser desconsiderados. Não sei quanto ao sr., mas para mim isso é uma mistura de burrice e de fanatismo (somente não sei exatamente qual a proporção de cada ingrediente)…

    Por outro lado, o sr. pode, cabalmente, terminar com toda essa questão: mostre que suas opiniões são um “negócio sério”; leia a pesquisa, faça as suas próprias pesquisas, e aponte os erros ou incorreções que porventura existam na minha. Mostre que existiu, mesmo, um Públio Lêntulo, etc., etc. Como o sr. tão profundamente mencionou, “tem que ver isso aê, mano!”…

  66. SeriousBusiness Diz:

    Fique calmo,
    -
    Eu não descartei o texto, e muito menos “a priori” e concordo com o que vc falou sobre a maneira como um texto deve ser julgado. Onde foi que eu disse ao contrário.
    -
    Aliás, nem emiti opinião alguma acerca do seu texto. Onde está, mostre-me?
    -
    Só estranhei o fato de isso não ter sido divulgado aqui, pois a partir do momento em que um pesquisador erudito da igreja católica faz uma pesquisa dessa magnitude e aparece aqui em vários momentos atacando Chico Xavier e posteriormente justificando doutrinas e opiniões da igreja católica, tem algo a mais que pura vontade científica de divulgar a verdade à população.
    -
    E esses dados acerca de sua pessoa são importantes sim, se foram omitidos de boa ou de má fé não vou julgar. Fica a cargo de sua consciência e/ou da do dono desse espaço.

  67. SeriousBusiness Diz:

    Gil Santos,
    -
    Nem li o que vc escreveu. Li o post acima com a citação de Einstein…
    -
    Vou te contar uma coisa: isso se chama falácia do apelo à autoridade.
    -
    Albert Einstein, falando de religião, é uma pessoa qualquer. Ele era uma autoridade em Física e não em assuntos da espiritualidade.
    -
    Fica aí a reflexão pra vc. Quando quiser falar sério e sem xingamentos estou a disposição.
    -
    Abraços

  68. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Prezado sr. “Serious Business”:

    O sr. mencionou em sua mensagem que “estava aceitando de bom grado as revelações desse estudo” [i.e., minha pesquisa sobre Lêntulo], até que constatou que “a fonte é nada isenta, nem desinteressada”.

    Espero que sua aceitação estivesse se dando a partir do exame do texto. Se era (é) assim, que bom, continue; meu perfil é, quanto a isso, irrelevante. Se não, então meu conselho é que o sr. seja muito crítico, e não aceite a pesquisa “por aceitar”. Comece de novo, do começo, anote suas dúvidas, pesquise, se encontrar algo estranho no texto ou nas suas pesquisas não hesite em postar, e siga adiante…

    Quando ao fato de eu, como pesquisador, representar, segundo o sr., uma fonte “nada isenta, nem desinteressada”, isso, a meu ver, é, em parte, um erro de apreciação e, em parte, um truísmo. Um erro de apreciação porque não sou eu que devo ser julgado, mas sim a minha pesquisa; é ela que é isenta, ou não. Ela pode ser um reflexo de minha personalidade e de minhas inclinações (tudo o que escrevemos, creio, assim o é), mas é a ela, à pesquisa, que devem ser miradas as lupas do exame e da crítica. E um truísmo porque, a rigor, toda e qualquer fonte é, de algum modo, interessada. A questão, mais uma vez, é se o “interesse” é ou não bem fundamentado.

    Nunca me preocupei em declarar minhas convicções pessoais (nem aqui e nem em nenhum outro lugar), porque, quanto a elas, somente Deus me julgará, e mais ninguém; é um assunto entre eu e Ele. Mas, diante duma série de questionamentos, noutras mensagens deste “blog”, já havia me declarado católico (não que isso, a meu ver, tivesse qualquer importância especial). Tal característica, novamente enfatizo, não tem (ou não deveria ter) nada a ver com a apreciação (e a crítica) de minha pesquisa. Se a ler, verificará que em nenhum instante apelo para argumentos de ordem teológica ou metafísica para demonstrar minha tese. O trabalho é exclusivamente de pesquisa histórica. E nesse campo deve ser analisado.

    Creio que este “blog” NÃO É um espaço para argumentos de ordem teológica; quanto à “justificação” da Igreja Católica, somente respondi a uma série de ataques gratuitos que foram feitos, e que continuam sendo feitos. Nunca partiu de mim qualquer início de discussão, quanto a isso. E concordo inteiramente que esse tipo de assunto deveria estar ausente deste “blog” – o Vítor, quanto a isso, tem demonstrado uma tolerância enorme… Somente aviso que não pretendo deixar nenhum tipo de acusação sem resposta. Como já mencionei antes, está na hora de as pessoas justificarem suas opiniões, se as afirmam de modo tão enfático.

    Quanto à pesquisa em si, coloco-me, tanto quanto meu tempo permitir, à sua disposição, como à disposição de todos. É a minha obrigação.

  69. SeriousBusiness Diz:

    Vc está combatendo um espantalho que vc mesmo criou.
    O fato de eu aceitar de bom grado vinha da crença que a pesquisa era de uma fonte científica isenta, ou cética. Pensei que era um historiador neutro.
    -
    Ainda assim, não mencionei que ia deixar de aceitar pelo fato de vc ser católico. Apenas recomendei maior atenção a partir dessa constatação.
    -
    É como se tivéssemos uma pesquisa detonando a Globo e em um segundo momento descobre-se que a pesquisa foi feita pela Record. Entende?
    -
    Outra observação: Vc muito provavelmente não é um simples católico. Vc tem um alto nível de eruditismo e provavelmente tem envolvimento com a ICAR que vai bem além da prática leiga. Já fui católico, estudei exegese moderna e sei reconhecer tais características de longe. Qual o seu vínculo com a ICAR, vc é Padre, é Teólogo ou o que? (estou perguntando isso só por curiosidade, não estou desfazendo desses títulos ou de sua pessoa)
    -
    Isso, a priori, não compromete o teor da sua pesquisa, mas a omissão desses dados chama a atenção de uma forma negativa. Os dados deveriam ter sido divulgados aqui ou onde quer que vc tenha publicado suas pesquisas. Inclusive com a citação de trabalhos anteriores seus, se possível. Daria mais transparência ao trabalho.

  70. Vitor Diz:

    SeriousBusiness,

    eu, de minha parte, não gosto de dar detalhes pessoais daqueles que fornecem pesquisas para o meu blog. Na submissão de um artigo científico, por exemplo, o nome do pesquisador é retirado para que o revisor não saiba quem escreveu o artigo e assim não tenha qualquer viés no momento de revisá-lo. Também não são pedidas informações relacionadas a crença ou de qualquer outro tipo. Eu busco adotar a mesma política para evitar possíveis ataques aos pesquisadores, em vez de às pesquisas. O leitor pode possuir um viés do tipo “não leio nada escrito por um católico”. Não acho justo. Enfim, a omissão desses dados – de minha parte – segue simplesmente um padrão exigido na revisão por pares. O leitor, afinal, também é um revisor.

    Um abraço.

  71. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Meu caro Sr. “Serious Business”:

    Sei que isso não tem, a rigor, a menor importância, mas o sr. não teria um outro nome pelo qual eu me poderia dirigir à sua pessoa?

    Em sua última mensagem, o sr. mencionou coisas bem interessantes. Talvez se trate apenas, ao fim, não de “espantalho”, mas sim de diferentes pontos-de-vista. Para mim, a “publicação” de minhas inclinações filosófico-religiosas eram (e são) irrelevantes; igualmente, não me interesso muito em saber qual é a daquele com quem debato (quando o debate não diz respeito especificamente a tópicos religiosos, como é, ou deveria ser, o caso aqui). Procuro, tanto quanto possível, me ater ao assunto debatido. E creio (continuo acreditando) que isso é secundário. Mas não me furto a indicar minhas crenças, se e quando isso for demandado.

    O sr. crê que muito se poderia ganhar com uma “transparência” acerca de tal tipo de coisa. Para mim, repito, isso é irrelevante, tanto no que se refere à minha própria pessoa quanto aos outros, ao menos no tipo de discussão que está ocorrendo (ou melhor, que deveria estar ocorrendo…) aqui – que é (deveria ser…) uma discussão fundamentada em pesquisa histórica. Fatos são fatos. Contra nós, ou a nosso favor…

    Se tal “omissão”, a seu ver, chama a atenção de modo negativo, sinto muito, somente posso lamentar esse seu ponto-de-vista (embora consiga entendê-lo). Eu, quanto a mim, mantenho o meu.

    O sr. mencionou o fato de sua aceitação “de bom grado” originar-se da crença de que a pesquisa “era de uma fonte científica isenta, ou cética”; e que pensava que eu era um “historiador neutro”.

    Desculpe-me, mas não entendi o que o sr. quis dizer com “fonte científica isenta”. Se se refere às fontes bibliográficas que utilizei na pesquisa, posso lhe garantir que, tanto quanto me foi humanamente possível, foram “científicas” e “isentas” – é só verificá-las. Se se refere especificamente a mim como autor, bem, creio que não há, a rigor, nenhum autor “isento”; todos nós temos nossos interesses, e, a meu ver, não há nada demais nisso. Resta saber se tais interesses resultaram ou não duma análise racional e bem fundamentada (ou, ao menos, tão racional e tão bem fundamentada quanto possível).

    Não conheço nenhum historiador “neutro”. A neutralidade é algo que se busca, sabendo-se de antemão que nunca se a irá alcançar. Nas nossas veias, afinal, corre sangue. O que posso lhe dizer é que, pessoalmente, procuro ser “o mais neutro possível”. Obviamente, nem o sr., e nem ninguém, precisam acreditar nisso – a análise da pesquisa é que responderá a esse quesito.

    Pois, sendo ou não fornecido o “perfil filosófico-religioso” do autor, fatalmente suas “inclinações” irão manifestar-se no seu texto; e, se descambarem para a desonestidade, isso, mais cedo ou mais tarde, ficará evidente. Quanto a isso, creio, teremos que “concordar em discordar”…

    Eu não condenaria um espírita que deseja tornar conhecidos aspectos de sua doutrina. E nem, “a priori”, consideraria que seus textos fossem “tendenciosos”, apenas por ser espírita – se fossem, isso fatalmente ficaria evidente, mais cedo ou mais tarde. A mesma coisa para um “céptico”, ou para qualquer outro. Em nenhum momento me imiscuí em detalhes da doutrina espírita, além do estritamente necessário para responder a ataques que me foram feitos, e que nunca partiram de mim.

    Não sou teólogo, muito menos padre. Nunca tive nenhuma posição na Igreja, nunca estudei em colégios religiosos. Sou um simples leigo – um “simples católico”. Talvez tenha apenas tido um pouco mais de curiosidade, e de tenacidade, nas minhas investigações; só isso… Numa outra ocasião, aqui mesmo neste “blog”, quando ainda estava iludido acerca das boas intenções de alguns, cheguei a esboçar um pequeno perfil histórico meu; se estiver mesmo tão interessado assim (creio que isso é totalmente irrelevante, mas, vá lá…), acesse o tópico “Há Dois Mil Anos – Uma Fraude Histórica Completa”, mensagem minha de 14 de março último, ao final.

    A transparência do trabalho é o próprio trabalho. O autor é apenas um instrumento. Somente o alerto, sr., que há muitas pessoas que, a pretexto de não terem de avaliar o trabalho, prendem-se ao “perfil” do autor.

    Só publiquei minha pesquisa aqui – não o fiz em nenhum portal católico, ou religioso, ou ateu; isso se liga ao meu conhecimento (e, ouso dizer, à minha amizade) com o sr. Vítor Moura (como com o sr. Júlio Siqueira), de há anos; foram os primeiros que, mesmo esposando “perfis filosóficos” distintos do meu, haviam chegado, por vias diferentes, a algumas das mesmas dúvidas, e das mesmas constatações (mas não, necessariamente, às mesmas explicações!). Deus, só Ele, é justo e bom; Ele sabe o que faz, nos manobra a ponto de nos fazer encontrar similitudes nos lugares aparentemente mais improváveis, a fim de quebrar o nosso orgulho. Mas, quanto à pesquisa, ela está livre para ser publicada (e criticada) em qualquer lugar; somente rogo que sejam dados os devidos créditos (bons e maus…) ao autor.

  72. Espírita_Cristão Diz:

    Senhores,

    No exato momento em que considerei que os espíritas ditos sérios que postam neste weblog iriam virar a mesa, me deparo com a situação em que, eles próprios, negam serem cristãos. Ótimo !!! De onde viriam, então, as referências usadas na codificação do Evangelho Segundo o Espiritismo? Do Alcorão? Do Torá?

    Somente para lembrá-los, em TODOS os capítulos do Evangelho há referências claras à Bíblia e aos diálogos propostos por Cristo, logo, o alicerce da codificação é Cristã !!!

    Está lá no Evangelho: “O Espiritismo é, pois obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra” (E.S.E, Cap. 1, Item 7)

  73. SeriousBusiness Diz:

    Pode me chamar de “SeriousBusiness” mesmo, apenas tire o Sr. e use vc, se quiser.

    Aliás, eu uso esse nick em referência ao meme “internet, serious business” justamente por que eu não tenho muita paciência para discussões longínquas, com xingamentos e agressões do todo tipo, acerca de temas controversos na internet.

    Vou me resumir então:

    1- Como eu não acusei, ataquei ou condenei vc nem sua pesquisa, qquer coisa que vc diga nesse sentido, vc está dizendo para o espantalho e não para mim – não irei rebater. Já expliquei mais de uma vez que apenas fiz apenas uma ressalva e quis mesmo saber de quem se tratava…

    2- Sou da opinião que em se tratando de temas religiosos, é importante sim divulgar o perfil do pesquisador no que tange a religião. Se vc não acha, ponto final. É opinião sua e não vou te obrigar a concordar comigo.

    3- Quando eu disse “historiador neutro” eu quis dizer historiador que não tem nenhum interesse particular ou motivação maior em atacar determinada religião ou crença. Só isso. Não condeno a parcialidade, prefiro o tendencioso ao falso imparcial (não, não estou dizendo que vc é o falso imparcial)…

    4- Agradeço pelas informações prestadas acerca de sua pessoa.

    Abraços

  74. CALOQUIANO Diz:

    Ardiduim, se você quer acreditar nessa bosta de Espiritismo, então acredite; é sua fé cara, se manca, se encherga….você fica nos blogs e sites céticos postando latadas de argumentos abstratos, pura retórica.

    Nenhum site cético lhe respeita como bom argumentador(STR antiga, falhas do espiritismo, Ceticismo Cberto, etc…)

    Se manca, velho…VOCÊ É O BOBO DA CORTE PROS CÉTICOS!

  75. Charles Xavier Diz:

    Alguém dentre vós já viu “dead people”? Ou só temos conhecimento livresco?

  76. Gil Santos Diz:

    O C.M. até sumiu. Pois com “parceiros na fé” como esses que postam por aqui é melhor ficar sozinho! A propósito, só agora notei que o meu “autocompletar” colocou meu nome de outra forma, mas o Gil é o mesmo Gilberto querido de sempre. Estou reformulando meu blog, e, se o Vítor permitir, gostaria de colocar o meu link aqui após a reformulação. O meu blog é sobre literatura, cinema, cultura pop, arte, humor e camundongos (!), e não tem nem um postinho sequer sobre religião ou mesmo ceticismo. Um abraço.

  77. Marcos Arduin Diz:

    Bem, Zé Carlos, é o seguinte:
    Não precisava escrever tanto para explicar sobre Bíblia e Ciência. O lance é que todos temem estar aceitando a coisa errada e quando a coisa errada dá mostras de estar mesmo errada, aí tudo se faz para condenar quem aponta o erro.
    A crença em Dilúvio de Noé e criação do Universo há 6-10 mil anos em seis dias são sustentadas pelos evangélicos em sua maioria. Contudo, algumas seitas tentam flexibilizar a coisa quando se torna indefensável. Assim os Testemunhas de Jeová, por exemplo, creem na literalidade do Dilúvio, mas são criacionistas de longo prazo, ou seja, admitem que a criação teria ocupado mais tempo do que o indicado no texto bíblico. Quanto ao Geocentrismo e Terra plana, há uns poucos grupos radicais que sustentam ainda hoje essa posição, embora a fonte não me dê nomes. Mas no geral, essas duas coisas caducaram na maioria das seitas cristãs. Diante da realidade, o jeito foi REINTERPRETAR O TEXTO BÍBLICO. Os Tjs falam de um texto onde é citado “o círculo da Terra”. E aí vem com sua pseudo exegese dizer que a palavra círculo também podia ser entendida como “redondeza” e daí passam a afirmar que “A bíblia já dizia que a Terra era redonda”, coisa que a Bíblia jamais disse.
    #
    O meu lance, Zé Carlos, foi a jogada da INFABILIDADE da Bíblia proclamada pelos grupos cristãos e as falhas contra a realidade que nela se apresenta. A Bíblia é como uma velha rabeca que toca qualquer toada: escolha os textos certos e dê a eles a interpretação que melhor lhe convir e aí terá resolvido as contradições e incoerências bíblicas. Só que nós espíritas não estamos dispostos a fazer esse jogo. Pegamos da Bíblia o que podemos dela aproveitar (e nem sempre as coisas nesse sentido são feitas direito). Não nos dói nem um pouquinho saber que a Bíblia ensinou besteiras porque era o que o povo pensava na época. Por isso não temos necessidade alguma de fazer malabarismos para salvar sua infabilidade tão falha.
    #
    E quanto ao livro do Emmanuel, vamos pensar umas coisas:
    1) Já ouviu falar em jogada de marketing? Pois Emmanuel pode ter feito exatamente isso. Se esses tais Lêntulos NUNCA EXISTIRAM, de onde surgiram? Quem os inventou e com que propósito? Ainda que lendários, ficam em algum lugar no imaginário popular. Desculpe-me, mas pouco sei a respeito. A única vez que vi citado um tal de Públio Lêntulo foi numa suposta descrição física e psicológica de Jesus. Se é só isso que se sabe, então Emmanuel fez essa jogada: incluiu essa figura como sendo uma encarnação passada e fez toda aquela história, dando uma impressão biográfica de si mesmo.
    -
    2) Isso pode não ser uma coisa lá muito elegante para os puristas, mas para efeito comercial funciona. No Código da Vinci, Don Brown já começou dizendo ter se baseado em fatos e que sua pesquisa era realidade. Tudo mentira! Todas as “fontes de pesquisa” dele eram fraudulentas. Mas isso causava mais impacto à sua obra. É só um romance de ficção, mas ao desavisado fica parecendo que ao menos a pesquisa feita foi fatual. Num curso que fiz na Escola do Escritor, uma das alunas estava entusiasmada com o Don Brown e falou da pesquisa que ele fez e depois eu a desmenti, esclarecendo-a que tudo aquilo era pura balela. Pois bem, se Emmanuel queria que sua obra chamasse mais a atenção, ajudasse a divulgar mais o Espiritismo e fosse mais chamativa, ele não poderia “biografar” um Ioselus Manuelus qualquer: tinha que ser alguém de quem o público já tivesse ouvido falar em algum lugar.
    -
    3) Um romance lhe permite certas liberdades que não existem na vida real. No meu especificamente, o meu irmão que é advogado disse que a maneira como coloquei um julgamento de um caso de adoção não seria daquela maneira, nem resolvido de forma tão rápida. Claro, Direito não é a minha praia e eu sabia que as coisas diante de um juiz não necessariamente se passavam da maneira que coloquei. Só que eu não podia me dar ao luxo de cansar os leitores fazendo a narrativa minuciosa de um julgamento só para estar de acordo com a realidade. Daí então, Emmanuel talvez não tenha decidido por um cuidado minucioso com sua obra, uma vez que só gente como nós aqui é que iríamos nos preocupar com tais coisas.
    -
    4) E finalmente: Nenhum livro espírita, mesmo aqueles escritos por Kardec, tem entre os espíritas o valor equivalente à Bíblia para os evangélicos. Qualquer obra espírita é passível de erros, falhas, enganos e venha a ter necessidade de reparos à medida que certas coisas caducam. Por esse motivo não acho que meus confrades deveriam chiar porque estão achando erros em obras do Chico ou de qualquer outro médium. Pelo contrário, deveríamos sim é agradecê-los por isso e pensar na ideia de se colocar notas de rodapé explicativas e assim todo mundo sai ganhando.
    #
    É isso.

  78. Marcos Arduin Diz:

    Coloquial, é o seguinte:
    1) Não sou doce para ninguém gostar de mim.
    2) Não estou buscando o respeito de ninguém.
    3) Posso ser bobo da corte dos céticos, mas sou um bobo chato. Eu queria que o pessoal cético demonstrasse a validade do que afirmam quando dizem que cientistas foram risivelmente empulhados e que os médiuns eram hábeis sacanas, etc e tal. Só que NUNCA encontrei um só argumento válido para nada disso. Então só posso concluir que tais afirmativas céticas são produto de fé e não resultado de uma ponderação lógica, de testes comparativos, de análises precisas e conscenciosas.
    #
    Por isso então, não há motivos para eu deixar a bosta do Espiritismo só porque os merdeiros céticos acham que eu deveria sair.

  79. Emanuel Oliveira Diz:

    Sr Vitor Moura e restante equipa:
    Obrigado por revelarem as vossas estratégias. Vocês sabem a intenção com que fazem este “trabalho”. Não sei é se saberão que estão a ser meros instrumentos. Mas enquanto continuar com esta face visível, estaremos mais vigilantes. Quando a vossa consciência despertar, responderão perante ela por cada armadilha q colocam. Têm o livre arbítrio que Deus vos dá, mesmo que não tenham nenhuma credibilidade científica, filosófica e religiosa. Apelo a quem esteja contra as ideias destes srs. que as separe dos individuos, “porque eles não sabem o que fazem”. Respeite-mo-los como irmãos no caminho e que Deus nos ampare a todos

  80. Emanuel Oliveira Diz:

    Carta de Richard Simonettie à Revista Super-Interessante sobre Chico Xavier que também desmascara tudo o que está neste blog

    Senhor Sérgio Gwercman ([email protected])
    Diretor de redação da revista Super Interessante
    Sou assinante dessa revista há muitos anos. Sempre a encarei como publicação séria, fonte de informações a oferecer subsídios para meu trabalho como escritor espírita, autor de 49 livros publicados.

    Essa concepção caiu por terra ao ler, na edição de abril, infeliz reportagem sobre Francisco Cândido Xavier, pretensiosa e tendenciosa, objetivando, nas entrelinhas, denegrir e desvalorizar o trabalho do grande médium.

    Isso pode ser constatado já na seção “Escuta”, com sua assinatura, em que V.S. pretende distinguir respeito de reverência, como se reverência não fosse o respeito profundo por alguém, em face de seus méritos.

    Podemos e devemos reverenciar Chico Xavier, não por adesão de uma fé cega, mas pela constatação racional, lúcida, lógica, de que estamos diante de uma personalidade ímpar, que fez mais pelo bem da Humanidade do que mil edições de Superinteressante, uma revista situada como defensora do bom jornalismo, mas que fez aqui o que de pior existe na mídia – a apreciação superficial e tendenciosa a respeito de alguém ou de uma notícia, com todo respeito, como pretende seu editorial, como se fosse possível conciliar o certo com o errado, o boato com a realidade, o achincalhe com o respeito.

    Para reflexão da repórter Gisela Blanco e redatores dessa revista que em momento algum aprofundaram o assunto e nem mesmo se deram ao trabalho de ler os principais livros psicografados pelo médium, sempre com abordagem superficial, pretendendo “explicar” o fenômeno Chico Xavier, aqui vão alguns aspectos para sua reflexão e – quem sabe? – um cuidado maior em futuras reportagens.

    De onde a repórter tirou essa bobagem de que “toda essa história começou com as cartas dos mortos?”

    Se as eliminarmos em nada se perderá a grandeza de Chico Xavier. A história começa bem antes disso, com a publicação, em 1932, do livro Parnaso de Além-Túmulo, quando o médium tinha apenas 22 anos.

    A reportagem diz: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”

    Afirmativa maliciosa, sugerindo o pastiche, a técnica de copiar estilo literário. O repórter não se deu ao trabalho de observar que no próprio Parnaso há, nas edições atuais, 58 poetas desencarnados, menos conhecidos e até desconhecidos, como José Duro, Alfredo Nora, Alma Eros, Amadeu, B.Lopes, Batista Cepelos, Luiz Pistarini, Valado Rosa… Poetas do Brasil e de Portugal que se identificam pelo seu estilo, em poesias personalíssimas enriquecidas por valores de espiritualidade.

    Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo dos autores”. São totalmente fiéis.

    Não tem a mínima noção de que a técnica do pastiche, a imitação de estilo literário, é extremamente difícil, quase impossível. Pastichadores conseguem imitar uma página, uma poesia de alguém, jamais toda uma obra ou as obras de centenas de autores.

    Afirma que Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida, sempre insinuando o pastiche. Leitor voraz? Passava os dias lendo? Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e atendendo à atividade profissional.. Não conheço um único documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”. Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.

    Fala também que Chico teria 500 livros em sua biblioteca e que “a lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos”.

    E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu intermédio. Chico tinha livros deles? E de poetas que sequer publicaram livros?

    Quanto a Humberto de Campos, cuja família tentou receber na justiça os direitos autorais pelas obras psicografadas por Chico, o que seria ótimo acontecer, o reconhecimento oficial da manifestação dos Espíritos, esqueceu-se a repórter de informar que Agripino Grieco, o mais famoso crítico literário de seu tempo, recebeu uma mensagem do escritor, de quem era amigo. Reconheceu que o estilo era autenticamente de Humberto de Campos, mas que o fato para ele não tinha explicação, já que, como católico praticante, não admitia a possibilidade de manifestação dos espíritos.

    Esqueceu ou ignora que Chico, médium psicógrafo mecânico, recebia duas mensagens simultaneamente, com ambas as mãos sendo usadas por dois espíritos. Desafio Superinteressante a encontrar um prestidigitador capaz de fazer algo semelhante.

    Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na revista.

    A repórter reporta-se às reuniões mediúnicas das quais Chico participava como shows que o tornaram famoso e destila seu veneno. Cita o sobrinho de Chico que, dizendo-se médium, confessou que era tudo de sua cabeça, o mesmo acontecendo com o tio. Por que passar essa informação falsa, se o próprio sobrinho de Chico, notoriamente perturbado e alcoólatra, pediu desculpas pela sua mentira? Joga penas ao vento e espera que o leitor as recolha? Omitiu também a informação de que ele confessou que pessoas interessadas em denegrir o médium pagaram-lhe pela acusação.

    Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na reportagem. Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?

    Na questão das cartas, milhares e milhares de cartas de Espíritos que se comunicavam com os familiares, sugere a repórter que assessores de Chico conversavam com as pessoas, anotando informações para dar-lhes autenticidade. Lamentável mentira. E ainda que isso acontecesse, Chico precisaria ser um prodígio para ler rapidamente as informações e inseri-las no contexto de cada mensagem, de cada espírito, mistificando sempre.

    E as mensagens dirigidas a pessoas ausentes? E os recados aos presentes? Não eram só mensagens. Eram incontáveis recados. A pessoa aproximava-se de Chico e ele, sem conhecer nada de sua vida, transmitia recados de familiares desencarnados, na condição de um ser interexistente, que vivia simultaneamente a vida física e a espiritual, em contato permanente com os Espíritos.

    Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho. Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”. Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso, porquanto ele não estava lá.

    Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo conhecimento. Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo. Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido, verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam respeito ao meu mal. Curaram-me.

    Concebesse a repórter que, como dizia Shakespeare, há mais coisas entre a Terra e o Céu do que concebe nossa vã sabedoria, e não se atreveria a escrever sobre assuntos que desconhece, com o atrevimento da ignorância.

    Outras “pérolas” da reportagem:

    Oferece “explicações” lamentáveis para o fenômeno Chico Xavier..

    Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade.

    Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião de um médico. Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação? E porventura o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos mediúnicos durante a crise epilética?

    Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto. Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a “manifestação”.

    Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia Carlos Imabassahy, grande escritor espírita, inconsciente velhaco, porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele próprio.

    Informa a repórter que “acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de 15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para Uberaba, um polo do Espiritismo onde contaria com um apoio de amigos”.

    Mentira. Ele deixou Pedro Leopoldo, onde tinha muitos amigos, não por estar “acuado”, mas simplesmente seguindo uma orientação do Mundo Espiritual, em face de tarefas que desenvolveria em Uberaba que, então sim, com sua presença transformou-se em “polo do Espiritismo”.

    Na famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi “bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Bombardeado? Safou-se? O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um mistificador? Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento os entrevistadores “bombardearam” Chico.. E em nenhum momento ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de Espiritismo.

    Falando da indústria (?) Chico Xavier, há um box sobre “Dieta do Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium, simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem? Se eu divulgar via internet que Superinteressante recomenda o uso de cocô de galinha para deter a queda de cabelos, seria razoável que alguma revista concorrente citasse essa tolice, mencionando a suposta autoria, sem verificação prévia?

    Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de ensinamentos bem-humorados do médium.

    Não fosse algo tão lamentável, tão séria essa agressão contra a figura respeitável e venerável de Chico Xavier, eu diria que essa reportagem, ela sim, senhor redator, foi uma piada de péssimo gosto!

    Doravante porei “de molho” as informações dessa revista, sem o crédito que lhe concedia.

    A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena! Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso, transitou pela Terra.”

    E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir, conforme sugere. Não morreu pelo Espiritismo. Viveu como espírita. E se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na citada reportagem.

    Finalizando, um ditado Zen para reflexão dos redatores da Super:

    O dedo aponta a lua.

    O sábio olha a lua..

    O tolo olha o dedo.

    Richard Simonetti

    Bauru, 3 de abril de 2010..

  81. bo Diz:

    Não há nenhum conjunto forte e concreto de evidências a cerca dos fenômenos espirituais supostamente perpetrados por Chico Xavier. Pela parcimônia investigativa, navalha de Occam, todos os supostos fenômenos espirituais encontram explicação em fenômenos físicos, detectáveis, mensuráveis. O pressuposto espiritualista por si só é insustentável: como uma substância não-física amorfa, indetectável, imensurável, pode causar um fenômeno físico? Por si só, não é uma hipótese científica, mas imaginativa e não-empírica.

  82. Emanuel Oliveira Diz:

    Carta à revista Super Interessante

    Este e-mail eu mando para conhecimento dos meus amigos espíritas não omissos.

    A revista Super Interessante, que acaba de chegar às bancas, traz na sua capa, a foto do Chico Xavier, como inúmeras outras revistas que estão nas bancas, de todo o Brasil.

    Ocorre que a matéria, escrita por uma repórter, chamada Gisela Blanco, é um verdadeiro festival de bobagens, com objetivos claros de denegrir a imagem do Chico, bem como a do Espiritismo. Qualquer pessoa que ler, vai perceber as intenções da repórter e não será muito difícil concluir sobre qual deve ser a tendência religiosa dela.

    O meu amigo, Richard Simonetti, que leu a revista antes de mim, escreveu, imediatamente, uma carta à Direção de Redação da referida revista, como espírita não omisso e não praticante da falsa humildade que ele é, e eu também escrevi a minha. Ressalte-se que o Simonetti não costuma, também, deixar sem respostas as besteiras que são publicadas contra o Espiritismo, pelas grandes revistas.

    Quero informar que, dando uma olhada nas revistas de uma banca de um Shopping, aqui em São Paulo, verifiquei, rapidamente, 14 revistas, que trazem o Chico na capa, ou alguma citação a ele, com matéria falando dele, mas, de forma positiva.

    Passo, então, para a sua apreciação, a minha carta e a carta do Simonetti.

    O email do Diretor de Redação está aí: Sérgio Gwercman, [email protected] e também o geral da própria revista Super Interessante, que é o [email protected]. Caso você queira, também, mandar um e-mail para lá, fique a vontade.

    São Paulo, 5 de abril de 2010.

    De: Alamar Régis Carvalho

    Para: Revista SUPERINTERESSANTE

    Diretor de Redação: Sérgio Gwercman

    [email protected]

    Senhor Redator:

    Indignadamente venho protestar, veementemente, pela explícita parcialidade, preconceito e espírito armado, praticado por Gisela Blanco, na edição de abril da Super interessante, quando escreveu a infeliz e lamentável matéria sobre o Chico Xavier, matéria essa que a revista, também, comete um grande equívoco, comprometendo o seu conceituado nome, ao dizer que a suposta “investigação” é da revista e não de uma repórter desprovida de ética e honestidade jornalística, sem perceber que nem todos os seus leitores são acéfalos e desinformados.

    Durante anos, lendo com admiração a Super interessante, nunca vi essa, até então, respeitável revista se expor a tamanho ridículo como nesta matéria que, na minha concepção, chega a praticar o que chamo de mau caratismo jornalístico.

    Não é que, movido por cegueira religiosa, gostaríamos de matérias apenas elogiosas ao Chico, favoráveis ao Espiritismo ou sempre concordantes com uma determinada idéia, porque aí estaríamos, também, nas mesmas condições dos ridículos. O problema é a infelicidade da repórter, numa revista desse porte, comportando-se como se fosse uma estagiária, que não sabe o que é imparcialidade no escrever e que não tem experiência em checar as fontes das informações, antes de levar a público.

    Em princípio, logo no primeiro parágrafo, identificamos o quanto a repórter é despreparada, quando utiliza-se da expressão “Kardecismo”, para se referir a doutrina que tem um nome, que é “Espiritismo”, já identificando, aí, que a sua cultura é a do “ouvi dizer”, o que é lamentável em uma jornalista, sobretudo de uma revista de tamanho conceito em um país, como é a Super interessante que, pelo seu nível e pela posição da editora Abril, deveria selecionar melhor os seus profissionais.

    Percebe-se, também, claramente, a má fé da repórter, quando ela coloca o “Há quem diga que Chico tinha um jeito de conseguir os dados”, numa pré-disposição em querer caracterizar, de qualquer jeito, o que ela já vem intencionada a mostrar, que é fraude.

    Ora, senhor redator, há quem diga também que Jesus era um homossexual, que tinha os seus apóstolos como seus amantes, a ponto até de colocar esta insana visão na película de um filme, com proposta de ser exibido no mundo todo. Os muçulmanos radicais, que odeiam o Cristianismo, certamente vão adorar esse filme e saírem por aí, conceituando Jesus conforme a cabeça do irresponsável e inconseqüente cineasta. É justo, isto?

    Se surgir algum escritor, qualquer, para dizer que os apóstolos trocaram os potes de água por potes de vinhos, enquanto Jesus fizesse um gesto de mágica, para distrair o povo de Canaã e que, ainda, o vinho teria sido roubado, pelo próprio Jesus, de uma grande vinícula de Jerusalém, a Super interessante publicaria uma matéria insinuando que Jesus fora ladrão e trapaceiro, sob a alegação do há quem diga?

    Na sua inconseqüência jornalística, Gisela vem também reforçar a tese do “há quem diga”, colocando que “funcionários do centro espírita iam à fila pegar detalhes dos mortos”.

    Que funcionários seriam esses? Desde quando centros espíritas possuem funcionários, sobretudo para a prática de atitudes tão estúpidas quanto essas, insinuadas, ainda mais o centro dirigido pelo Chico, que sempre viveu em condições modestas, para servir e nunca para se servir das pessoas?

    Será que essa inconseqüente e irracional Gisela não teve o mínimo de inteligência para discernir, antes, que se o Chico quisesse aplicar algum golpe, para enganar, ludibriar e trapacear pessoas, obviamente teria, ele, se apoderado do dinheiro proveniente da venda dos seus livros que, em situação normal, faria qualquer escritor rico, em qualquer parte do mundo?

    Onde já se viu, por exemplo, um político corrupto aplicar as suas safadezas e jogadas ilícitas, que não fossem para ter benefícios materiais próprios, que viessem a beneficiar a ele, aos seus familiares e filhos, recheando a sua conta bancária e aumentando o seu patrimônio pessoal? Alguém conhece algum corrupto que não esteja muito bem de vida, do ponto de vista material?

    Qual foi o patrimônio do Chico, em Pedro Leopoldo ou Uberaba, que a Gisela viu, para ter feito colocações tão infelizes?

    Deixa de ser apenas leviandade jornalística e passa a ser, também, burrice jornalística.

    Até hoje está conservada em sua casa, em Uberaba, a cama que ele deitava e onde morreu, bem como os móveis da casa e os seus pertences.

    Só mesmo uma pessoa de elevado índice de acefalia para admitir que um homem, com propostas de enganar os outros, por tantas décadas, conseguindo vender mais de 25 milhões dos seus livros produzidos, poderia viver numa casa tão simples como aquela, deitando-se numa cama daquela, só faltando um pinico embaixo.

    Teria, no mínimo, uma mansão sofisticada, quarto em mármores e granitos, a mais luxuosa banheira e aposentos semelhantes à casa do Edir Macedo.

    Falar nisto, Sérgio, que tal a sugestão para que a mesma Gisela faça uma investigação jornalística, hem? Tem vários nomes, em nosso país e, se você quiser, posso lhe dar várias informações. Quero ver, nos próximos números da Super interessante, se ela vai continuar desenvolvendo o seu trabalho jornalístico, nessa linha investigativa, logo no Brasil que é um prato cheio, para tal.

    Quando Gisela coloca a parte da matéria que titula de Pirotecnia, chega a insistir no ridículo, quando fala em “shows do Chico”, luzes coloridas por detrás dos panos, demonstra, mais uma vez, a sua cara e a sua intenção na matéria.

    Ela cita também, sempre tendenciosamente, o episódio do tal sobrinho do médium, ocorrido, ainda, na década de 50, mas conta a história pela metade, tendo omitido que aquele jovem, de apenas 25 anos na época, se deixou seduzir por pessoas maldosas, que lhe deram dinheiro, e muito dinheiro, para fazer aquilo. Por que omitiu essa parte, Gisela? Fingiu que não soube disto? É ou não é matéria investigativa?

    Ficou parecendo as levianas afirmativas do padre Quevedo, quando diz que as irmãs Fox confessaram que todos os fenômenos de Hydesville eram fraudulentos, mas omitindo o fato delas terem feito a tal “confissão”, seqüestradas por padres, com chicotes e instrumentos de torturas nas mãos, obrigando-as, sob ameaça de morte, a dizerem aquilo.

    Que a Super interessante pergunte a si mesma: Será que um universo de milhões de pessoas, dentre elas inúmeras possuidoras de nível intelectual e de inteligência elevada, doutores, mestres, PHDs, pesquisadores, investigadores, cientistas e, inclusive, vários jornalistas também praticantes do jornalismo investigativo seriam todos ingênuos, bobos e desinteligentes, a ponto de não terem percebido as tais fraudes, que a “super inteligente” Gisela aponta, como se fosse uma super revelação?

    Ainda bem que nem todo mundo é trouxa, inclusive os leitores da Super interessante, para se deixarem levar pelo veneno que existe na alma de certos repórteres ou jornalistas que se aproveitam de uma poderosa tribuna, da respeitável Editora Abril, para denegrir a imagem de quem teve uma vida, incontestável, semeando o Amor.

    Eu poderia entrar em mais detalhes, sobre as aleivosias colocadas na matéria, mas o grande escritor Richard Simonetti, meu amigo, já escreveu para vocês e disse muita coisa que precisava ser dita.

    Para concluir, quero dizer que continuarei, sim, a ser leitor da Super interessante, mas, com mais atenção, sabendo dessa sua fragilidade. Não a condenarei, por conta de um momento tão infeliz e estúpido, porque sei que o errar é humano e tenho quase certeza de que a matéria não deve ter agradado nem mesmo a sua chefia de redação; mas vou continuar cobrando, da jornalista investigativa Gisela, que, para demonstrar a sua coerência, traga já nos próximos números da revista, matérias, também investigativas, com o mesmo espírito, da indústria da religião neste país, praticadas “em nome de JE$U$”, amém.

    É daí que o Brasil vai perceber quais eram os reais interesses pessoais dela.

    Um forte abraço

    Alamar Régis Carvalho

    Analista de Sistemas, escritor, profissional de rádio e televisão

  83. Gil Santos Diz:

    “Será que um universo de milhões de pessoas, dentre elas inúmeras possuidoras de nível intelectual e de inteligência elevada, doutores, mestres, PHDs, pesquisadores, investigadores, cientistas e, inclusive, vários jornalistas também praticantes do jornalismo investigativo…” “…Je$u$…” A humildade espírita e o respeito por Jesus parece que morreram com Xavier… A mentira é a palavra de ordem. O censo indica 1,3 milhões de espíritas, e não milhões… A verdade dói. Mas ela vem. Tentem pará-la. Não conseguirão. Sinto muito.

  84. Gonçalves Diz:

    Sra. Sônia, grato pelas palavras. Até a indelicadeza de lhe chamarem de fanática cometeram.
    -
    Sr. José Carlos,
    -
    Ao ler seu (longuíssimo) texto, me perguntei que obstinação movia um homem a tamanha pesquisa. Ao final, contudo, dada a sua exposição de quem é ou não é cristão, como se lhe coubesse definir quem é ou deixa de sê-lo. Sua inclinação natural anti-kardecista faz toda a diferença, embora o senhor defenda o contrário.
    -
    Confessando minha ignorância, jamais havia lido algumas de suas palavras como “prosopografia” ou “soteriologia”. Grato pelo ensinamento.
    -
    Como já foi explicado, as obras espíritas não são compêndios historiográficos, e o que ali é dito tem dua razão de ser. Os “erros” apontados já eram antevistos pelo próprio Emmanuel, que sempre ressalvava o pedantismo dogmático e literário dos seus detratores.
    -
    Suas críticas, inclusive às referentes ao posicionamento bíclico quanto à necromancia, são literalmente mais velhas que o Chico, todas devidamente já esgotadas em fóruns apologéticos.
    -
    Boa noite a todos,
    Sds

  85. William X Diz:

    bo,
    -
    O idealismo, em princípio, tem potencial de competir em pé de igualdade com o materialismo. Vc não sabe do q fala, o fenômeno mediúnica é mensurável sim (pelo menos alguns fenômenos).
    -
    Desafio vc provar a existência da matéria.
    -
    Materialismo é um pressuposto, vai estudar filho!
    -
    Não é todo mundo pangaré aqui não.
    -
    Infelizmente sinto q aqui está cheio de católico se passando por “cético”, estão morrendo de medo do q vai acontecer, o catolicismo declinar. Estão morrendo de medo com o potencial espírita, apesar de estar localizado praticamente em solos brasileiros.
    -
    A coisa envolve política, a maioria das pessoas não são imparciais, justas, de terno e gravata. Pior que nem batina evidencia o espírito, mas os frutos…o leitor honesto já sabe qual o propósito do “Ceticismo Aberto” e “Obras Psicografadas”. Já sabe, só isso…A “Superinteressante” não é uma revista séria, não mantém unidade, qualquer um fala o que quer.
    -
    Por falar nisso, segue o comentário de um leitor da Superinteressante:
    -
    ” RETORNO DE LAURA , 06 Abril 2010 – 23:41
    BOA NOITE AMIGO ROBERTO GERMANO, TAMBEM VI O LINDO CURRICULO DO “TURATTI”…DEPOIS DA MINHA REPULSA COM RELAÇAO A SUPER E CIA SOBRE A MATERIA SOBRE CHICO XAVIER, FUI ME CERTIFICAR DE ONDE VINHA ESSE TURATTI! ENTAO, ELE FOI DISCIPULO DO PADRE QUEVEDO, NO CLAP – CENTRO DE PARAPSICOLOGIA, FUNDADO PELO MESMO PADRE. FOI EXPULSO DE SITES, BLOGS,MAS NÃO DESISTE…UM PRAZER MÓRBIDO DE ATACAR ESPÍRITAS!!PERCEBE QUE AQUI ESTA SENDO O PARAÍSO PRA ELE? SÓ HÁ UM JEITO DE TRATAR UMA PESSOA ASSIM, IRONIA! JÁ QUE O MESMO NÃO SABE SE COMPORTAR CIVILIZADAMENTE , EU NÃO TEREI RESPEITO ALGUM COM O TURATTI! ABRAÇOS”.
    -
    Leitores honestos, é isso o que acontece. Nós iremos expor cada vez mais o que está acontecendo na verdade. Só não ver quem não quer. Aqui e no “Ceticismo Aberto” NÃO CÉTICOS a maioria, SÃO RELIGIOSOS. Não posso provar por enquanto, mas os frutos denunciam as ávores.

  86. Gil Santos Diz:

    Peraí, deixa ver se entendi. Aquelas revistas todas da banca que dizem idiotices inconsequentes como a afirmação espírita que o autismo não é dificuldade de eliminação de toxinas, mas sim pagamento de Karma, e que puxam o saco de Xavier para ele vender mais livros, e para o dinheiro ir não-sei-pra-onde, estão certas. A Superinteressante, por expor um pitico da fraude Xavier está errada. Por que temem a verdade e se seguram à mentira com medo de afundar? Não se procupem, vocês vão apenas boiar e ir à uma linda praia chamada “verdade”. Não tenham medo dela. Soltem dessa bóia. Se continuarem segurando nela, a maré virá e irá tragá-los. William, NINGUÉM tem medo do potencial espírita. São justamente pessoas como você que fazem essa religião encolher. Com suas afirmações estapafúrdias, seus truques de salão e sua ciência do século retrasado. Procurem se renovar. Esqueçam os prodígios e as mágicas e encarem o futuro, ou vocês desaparecerão. Aprendam a separar o joio do trigo, e façam o espiritismo evoluir. Parem de aceitar TUDO sem questionar. O Catolicismo que criticam cresce (e pode ultrapassar o Protestantismo nos EUA) no mundo por aprender a se renovar nos últimos 100 anos, mesmo sem perder suas crenças básicas. Vocês não apenas estão em negação, mas também agora estão usando o mecanismo de defesa da “projeção”, acusando os outros das coisas que são características suas. A terapia é cada vez mais indicada. E não, não sou católico…

  87. William X Diz:

    Gil Santos,
    -
    Você é “evangélico”, é “católico”, é o que filho?
    -
    Fique tranqüilo que se você for algum “padre” disfarçado de cético, não ver, em vida, suas carolas se transferindo totalmente para os centros espíritas e “catequizando” o espiritismo, mas irá ver as próprias carolas defenderem a figura de Chico Xavier. Apenas eu sinto que essa armação é feita pela “elite” católica entende, não pela gente ignorante e humilde (perceba isso como ironia), sabe, essa humildade, essa ignorância, esse espírito de criança do qual Jesus se referia, os religiosos desonestos, essa elite, teme.
    -
    Sabe por que alguns querem que o espiritismo deixe de praticar “mágica de salão”?
    -
    Porque uma de suas maiores forças está na experiência, sai à força de vocês induzirem “suas negas” a modificarem o espiritismo. Porque sem essa evidencia, sem a mediunidade explorada, o espiritismo seria apenas mais uma religião. Mas o espiritismo não é apenas uma religião, ele é religião (por sua moral cristã), é filosofia, é uma “nova” ciência que apenas engatinha, por enquanto. Por isso vocês temem meu filho.
    -
    Outra coisa, lava a boca para falar sobre “ciência do século retrasado”, porque você é um nada perto de um William Crookes, um Charles Richet, um Alfred Russel Wallace, um William James, um Oliver Dodge, um William Huggins, um Newton, um Leibniz, um Aksakof, um Paul Gibier, enfim. Você se acha moderninho e superior porque sua bunda repousa nos ombros desses caras. Se liga mané! Você tem que saber o que está falando senão vai passar vergonha.
    -
    Pior que a reencarnação pode ser interpretada, sobretudo nas palavras de Jesus.
    -
    Podem chorar.

  88. William X Diz:

    Gil,
    -
    Vc acha q eu perco meu tempo aqui querendo convencer vcs desonestos, mal intencionados?
    -
    Apenas irei postar informações para o leitor de primeira viagem. No fundo vcs sabem que não irão ganhar os espíritas, nem os céticos, talvez nem mesmo o leitor honesto de primeira viagem q por curiosidade pode formar uma opinião com esse lixo de manipulação toda…td isso é medo de vcs mesmos. Apenas isso.

  89. Gil Santos Diz:

    Negação, projeção e paranóia. Procure ajuda amigo. Falo sério.

  90. William X Diz:

    Gil,
    -
    Tire a máscara e muito obrigado por vcs todos divulgarem o espíritismo. Quem sabe não aumenta o número de espíritas um pouco né.

  91. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Arduin:

    Com relação à sua última postagem a mim endereçada:

    Sobre exegese bíblica, creio que nossos respectivos pontos-de-vista já foram esclarecidos e mostrados de forma suficientemente razoável aos leitores e eventuais interessados; estender-se no assunto (embora seja um tema sem dúvida fascinante) seria algo que, creio, fugiria totalmente à proposta deste “blog”.

    Sobre suas considerações acerca do caráter de “Há Dois Mil Anos”, permita-me aqui externar minha discordância, a par de meu espanto.

    Apesar da obra se intitular (dubiamente, devo enfatizar) um “romance”, não pode ser considerada, em absoluto, uma obra de ficção. Isso infere-se a partir da própria introdução à mesma (“Na Intimidade de Emanuel – Ao Leitor”), que o sr. (e os leitores) podem facilmente consultar e da qual, para comodidade, retiro os trechos a seguir.

    “Leitor, antes de penetrares o limiar desta história, é justo apresentemos à tua curiosidade algumas observações de Emmanuel, o ex-senador Públio Lentulus, descendente da orgulhosa ‘gens Cornelia’, recebidas desse generoso Espírito, na intimidade do grupo de estudos espiritualistas de Pedro Leopoldo, Estado de Minas Gerais”.

    “Em 7 de setembro de 1938, afirmava ele em pequena mensagem endereçada aos seus amigos encarnados: ‘Algum dia, se Deus mo permitir, falar-vos-ei do orgulhoso patrício Públio Lentulus, a fim de algo aprenderdes nas dolorosas experiências de uma alma indiferente e ingrata. Esperemos o tempo e a permissão de Jesus’”.

    “Emmanuel não esqueceu a promessa. Com efeito, em 21 de outubro do mesmo ano, voltava a recordar, noutro comunicado familiar: ‘Se a bondade de Jesus nos permitir, iniciaremos o nosso esforço, dentro de alguns dias, esperando eu a possibilidade de grafarmos as nossas lembranças do tempo em que se verificou a passagem do Divino Mestre [i.e., Jesus] sobre a face da Terra’”.

    “Durante todo o esforço de psicografia, o Autor deste livro [i.e., Emanuel] não perdeu ensejo de ensinar a humildade e a fé a quantos o acompanham. Em 30 de dezembro de 1938, comentava, em nova mensagem afetuosa: ‘Agradeço, meus filhos, o precioso concurso que me vindes prestando. Tenho-me esforçado, quanto possível, para adaptar uma história tão antiga ao sabor das expressões do mundo moderno, mas, em relatando a verdade, somos levados a penetrar, antes de tudo, na essência das coisas, dos fatos e dos ensinamentos. Para mim essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas. Suaves pela rememoração das lembranças amigas, mas profundamente dolorosas, considerando o meu coração empedernido, que não soube aproveitar o minuto radioso que soara no relógio da minha vida de Espírito, há dois mil anos. (…)’”

    “No dia 4 de janeiro de 1939, grafava ele [i.e., Emanuel] esta prece, ainda com respeito às memórias do passado remoto: (…) ‘Diante de meus pobres olhos, desenha-se a velha Roma dos meus pesares e das minhas quedas dolorosas… Sinto-me ainda envolto na miséria de minhas fraquezas e contemplo os monumentos das vaidades humanas… Expressões políticas, variando nas suas características de liberdade e de força, detentores da autoridade e do poder, senhores da fortuna e da inteligência, grandezas efêmeras que perduram apenas por um dia fugaz!… (…) Ante minh’alma surgem as reminiscências das construções elegantes das colinas célebres; vejo o Tibre que passa, recolhendo os detritos da grande Babilônia imperial, os aquedutos, os mármores preciosos, as termas que pareciam indestrutíveis… Vejo ainda as ruas movimentadas, onde uma plebe miserável espera as graças dos grandes senhores, as esmolas de trigo, os fragmentos de pano para resguardarem do frio a nudez da carne. Regurgitam os circos… Há uma aristocracia do patriciado observando as provas elegantes do Campo de Marte e, em tudo, das vias mais humildes até os palácios mais suntuosos, fala-se de César, o Augusto!… (…)’”

    Até aqui, trechos da introdução do próprio livro “Há Dois Mil Anos”, e as palavras do próprio “Emanuel”.

    Torna-se evidente, assim (pelas palavras do próprio “guia”!) que a psicografia “Há Dois Mil Anos” não pode ser considerada obra de ficção – que “Emanuel” de fato afirmava ter sido, numa encarnação passada, uma personagem histórica específica e “real”, perfeitamente localizada no espaço e no tempo, o senador romano Públio Lêntulo, contemporâneo de Cristo, etc.

    E, acreditando literalmente nas palavras do “guia”, o movimento espírita kardecista brasileiro, como um todo, tomou essa identidade não apenas como garantida mas também como garantia da autenticidade de suas “recordações” e de suas “mensagens”. “Lêntulo” validou “Emanuel”, que, por sua vez, validou Xavier. Basta o sr. (ou qualquer um) realizar uma rápida pesquisa no “Google”, com os nomes “Publio Lentulus”, “Emanuel”, “Chico Xavier”, juntos ou separados, e encontrará grandes quantidades de portais espíritas nos quais a identidade do “guia” é tomada literalmente, e como coisa certa.

    De novo: para o movimento espírita kardecista brasileiro, visto como um todo, o “guia” Emanuel foi, de fato, Públio Lêntulo; e as pessoas chegaram a essa conclusão não indiretamente, não subjetivamente, não a partir de suas próprias imaginações, mas sim de forma bem direta: o próprio “guia” reivindicou para si essa identidade histórica precisa (como se torna evidente a partir dos trechos citados mais acima da “introdução” da psicografia “Há Dois Mil Anos”).

    E mais: em 1939, Xavier era ainda (relativamente) desconhecido, ao menos no Brasil como um todo; uma parte não negligenciável de sua fama e de sua autoridade posteriores foi construída justamente a partir da suposição de que ele, o médium, contava, como mentor, e de forma privilegiada, com esse “guia” “Emanuel”; e a autoridade de “Emanuel”, por sua vez, repousa totalmente na identidade que afirmou ter tido outrora.

    Portanto, a situação é muito simples: uma boa parte da fama e da autoridade de Xavier iniciaram-se, e basearam-se, no seu “guia” Emanuel; a autoridade de Emanuel, por sua vez, baseou-se totalmente na veracidade de suas identidades passadas, das quais a mais importante foi a do senador Públio Lêntulo, o contemporâneo de Cristo; mas, quanto à efetiva existência desse Públio Lêntulo…

    Me parece, se o sr. me permite a expressão, o caso dum gigante apoiado em pés de barro.

    Toda essa situação, claro, prejudica irremediavelmente sua teoria da “jogada de marketing”. Se, efetivamente, a entidade fez tal tipo de “jogada” que o sr. sugere, trata-se não de simples “marketing”, mas sim de grosso engano, de engodo puro e simples. Porque ela deu a entender perfeitamente, a todos que leram o livro, que aquilo que alegava em termos de sua identidade era a pura verdade.

    Ou seja, se valer a teoria que o sr. esposa, a entidade mentiu, e mentiu descaradamente, em prol da “difusão da doutrina”. Deixe-me expressar aqui, sr. Arduin, minha opinião de que, mesmo que se tome sua teoria como verdadeira, ela revelaria não uma entidade confiável, mas sim um “guia” inescrupuloso, que não hesitaria em utilizar “jogadas de marketing” para espalhar seus ensinamentos. Quando se nota que ele, explícita e deliberadamente, tudo fez para que se acreditasse nas suas pretensões de identidade, a sordidez de seu caráter torna-se patente, comprometendo todas as suas “manifestações” e “mensagens”. Se pôde utilizar-se de “jogadas de marketing”, e se pôde mentir sobre sua identidade – do que mais foi capaz? Como confiar num “guia” assim?

    Tenho certeza que o sr. não acharia tal atitude de “Emanuel” condizente com um “espírito superior”.

    E, de novo: onde estavam os tais outros “espíritos superiores”, que nem se deram ao trabalho de avisar Xavier, ou os espíritas, acerca desse “marketing”? É assim que o sr. crê que o mundo espiritual trabalha? Sinceramente, sr., se é assim, creio que o melhor é não termos nenhum tipo de contato com essa “gente”… Eles não são confiáveis; ao contrário, mostram-se inescrupulosos. Já bastam os defeitos, as tramóias e as intrigas dos “encarnados”!…

    A confiabilidade da mediunidade de Xavier repousa, numa proporção não negligenciável, no fato de que o “guia” Emanuel havia sido, DE FATO, Públio Lêntulo. E o que se tem demonstrado aqui, com uma pesquisa histórica cuidadosa, é que tal pretensão não se sustenta.

    Mas o pior disso tudo é que a situação poderia (como já mencionei noutras mensagens deste “blog”) facilmente ter sido verificada na própria época. Qualquer consulta a livros de referência (a “La Grande Encyclopédie”, tomo XXII, pág. 18, s.v. “Lentulus”, ou o “Dictionnaire de la Biblie”, de F. Vigouroux e outros, vol. IV, cols. 167-172, s.v. “Publius Lentulus”) presentes na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 1939 (portanto, à disposição do público), poderia ter levado a informações bastantes detalhadas a respeito das (na melhor das hipóteses) tremendas dúvidas e incongruências históricas acerca da identidade desse tal Lêntulo. Ou seja, tenho a impressão que ninguém, na época, se deu ao trabalho de realizar uma verificação da situação, por mais rasteira que fosse; todas as “maravilhas” de Pedro Leopoldo foram prontamente “aceitas” pelo movimento espírita (assim me parece) de modo absolutamente acrítico.

    Note, sr. Arduin, que o grande ônus da prova pertence a quem por primeiro afirma algo, e que utiliza esse “algo” em suas pretensões. Foi o movimento espírita kardecista brasileiro que afirmou não apenas a autenticidade da mediunidade de Xavier, mas também endossou a identidade de seu “guia” Emanuel; e, dessa afirmação, colheu os resultados, em termos de prestígio, veracidade das mensagens, etc. O ônus de provar que, efetivamente, esse “Emanuel” foi o tal “Públio Lêntulo” repousaria INTEIRAMENTE com os espíritas kardecistas brasileiros. A nós outros, basta a “dúvida razoável”. E a situação que ora se coloca é a seguinte: por um lado, os espíritas kardecistas brasileiros mostraram-se incapazes, ao menos até agora, de provar, “kardequianamente”, de forma racional e efetiva, a partir de dados históricos, sequer a existência de Lêntulo, quanto mais a identidade dele com “Emanuel”; e, por outro, já foi aqui demonstrado, “kardequianamente”, racionalmente, de modo mais do que razoável, com base em pesquisas históricas (não em “revelações” ou “manifestações”), a improbabilidade da existência desse Lêntulo.

    Usando os princípios do próprio Kardec… o que restaria fazer? Alias, que diria Kardec de tudo isso?

  92. Marcos Arduin Diz:

    Giberto,
    Se alguém sabe E TEM PROVAS de que Chico Xavier fraudou assim, assado, frito e cozido, então que as apresente. Mas a tal reportagem apenas joga para a platéia. INSINUA coisas e o desejo da repórter é que os leitores navegem na dela.
    #
    Pode chorar o quanto você, o Turrato & Cia Bela quiserem, mas não será assim que vão nos mostrar que o Espiritismo é falso.

  93. Marcos Arduin Diz:

    Ops! Em terra de olho, quem tem um cego… errei!
    Dirigi ao Giberto, quando na verdade era ao Gil Sanctus.
    Desculpe a falha.

  94. Charles Xavier Diz:

    Prezados,

    quer dizer que, quando contestadas as fontes, “Há 2000 anos” se torna “Código Da Vinci”?
    Então, me mantivermos a pesquisa, “Nosso Lar” virará “A Casa dos Espíritos” e, “Livros dos Médiuns”, o “Livro de Eli”?
    -
    O Espiritismo precisa de mais pesquisa, mais ciência, como era do interesse do próprio Allan Kardec. Sabe todo o contato mediúnico? Então, poderia ser melhor investigado para se evitar deslumbramentos. Primeiramente, deveria se provar a existência de vida após a morte.

  95. Gilberto Diz:

    Gil Santos é Gilberto. É que instalei aquela porcaria do Windows 7 e o “autocompletar” colocou o meu nome e Email que uso na minha profissão: Gil Santos, professor de parapsicologia do CLAP (Centro Latino-Americano de Papanicolaugia). Desculpe, tenho que ir à missa e a uma reunião de cúpula dos DDEDQTCTM (Desmistificadores Do Espiritismo Do Qual Todos os Católicos Têm Medo)…

  96. Gilberto Diz:

    Quando voltar da reunião (na pauta hoje vamos resolver a reportagem de capa da revista anti-espírita “Brasileirinhas”) reinstalarei o XP, que desde 2002 não me falha…

  97. Sonia N. Diz:

    Gilberto/Gil Santos:
    -
    Tenho gostado muito de seus comentários.
    -
    De longe, são os melhores desse blog. Todos deveriam se espelhar em você.
    -
    Grande abraço

  98. hermano Diz:

    O Brasil é o país onde o espiritismo mais se desenvolveu. Provavelmente é porque o nível intelectual da população é muito alto.

  99. Marcos Arduin Diz:

    Não exatamente Charlie. Não disse que Há 2000 anos VIROU Código da Vinci, mas que teria se servido de uma técnica semelhante. Emmanuel deixou no ar que aquilo seria uma biografia dele… Acredite quem quiser. O Don Brown já no início mentia, falando de fatos e realidades de uma pesquisa baseada em fraudes… E ele SABIA disso. Era a sua deixa para tornar o seu romance polêmico ainda mais atrativo. Houve muitos que tomaram essas afirmativas como verdadeiras, mas e daí? O romance vai mudar a vida de alguém?
    #
    Interessante que no curso que fiz, indicava o que é literatura e o que não é. A literatura deixa marcas, provoca introspecção, reflexão, traz uma mensagem. O que não acontece com o Código da Vinci, é só uma leitura divertida, mas seu efeito acaba aí. Nunca li o Há 2000 anos, mas terá ele algum efeito diferente?
    #
    Quanto ao Nosso Lar e Livro dos Médiuns, é muito improvável as suas sugestões, Charlie. O Nosso Lar não remete a nada além dele. O Livro dos Médiuns é essencialmente técnico e destinado aos espíritas.
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    Quanto a precisar de mais pesquisa, tem toda razão. Mas certas coisas dependem muito da capacidade do médium, seu nível cultural, sua orientação espiritual e finalmente recursos para isso. Chico só recebia as mensagens de Emmanuel. Recebeu um romance com uma série de coisas as quais não tinha meios ou recursos para verificar em minúcias. Com mais o que fazer na vida, achou por bem levá-lo adiante assim mesmo. Afinal se trazia uma mensagem boa edificante, independente de quais erros históricos que tenham passado, então o que vale é isso.
    #
    Quero lembrá-lo de que no Espiritismo não temos livros sagrados. Qualquer um deles, caducado em vista dos conhecimentos atuais, pode muito bem ser abandonado ou retificado com notas de rodapé, sem que os espíritas chorem por isso. O que já não acontece com a sagrada Bíblia, cujos erros e falhas são ou abonados ou “interpretados” para manter intocável sua exatidão e infabilidade.

  100. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Arduin:

    Pelo que entendi, na sua opinião qualquer exagero, fantasia ou mesmo mentira é justificável, se for “para o bem da causa” e “para a propagação da doutrina”. É isso? Os fins justificam os meios?

    Sr. Arduin, a meu ver não se está tratando aqui de meros detalhes, ou de mero aperfeiçoamento de pontos doutrinais – está se tratando da identidade de um “guia” que, A PARTIR DESSA IDENTIDADE, assentou sua influência. Isso, em minha opinião, é sério; não sei o que o sr. pensa a respeito, mas, para mim, se tal identidade for implausível (nem digo “falsa” – digo implausível…), toda a mensagem fica automaticamente comprometida. Eu, se fosse espírita, absolutamente não a aceitaria nesses termos – pelo “bem da doutrina”!

    Se a mensagem era tão “boa”, por que o “guia” teve que assumir uma identidade, digamos, no mínimo duvidosa? “Jogo para a platéia”? Todo o Espiritismo kardecista brasileiro, então, é um mero “jogo de marketing”? Onde fica mesmo aquela frase de Kardec, sobre ser preferível rejeitar dez verdades a se aceitar uma só teoria errônea? Aquela, que transcrevo a seguir:

    “Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom-senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.” (“O Livro dos Médiuns”, cap. XX, “Da Influência Moral do Médium”, item 230, pág. 340 da última edição “online” disponível no portal da FEB)

    Onde fica? Ela é usada, ou é só para constar? Ou é também um mero “jogo de marketing”?

    E, mesmo supondo-se que Xavier não tivesse tido tempo para “verificar” os “detalhes históricos” (!!!), a obra foi esposada pela FEB; será que NINGUÉM na FEB se deu ao trabalho de realizar alguma verificação sobre os fatos? É assim que os espíritas kardecistas brasileiros agem? É assim que levam adiante a sua “fé raciocinada”? Tem “bom aspecto”, então “embrulha e manda”? Os otários que comprem, e que acreditem? Repito: se alguém se desse ao trabalho, na sede da FEB, no Rio de Janeiro, então Capital Federal, de ir à Biblioteca Nacional, na Cinelândia, e pesquisasse sobre aquele tal “Lêntulo” que andava aparecendo nos grotões das Gerais, logo ficaria sabendo da implausibilidade histórica da referida figura. Já citei inclusive os livros (“La Grande Encyclopédie” e “Dictionnaire de la Bible”) presentes então naquela biblioteca, que tratavam do assunto (podia haver mais; pelo menos esses havia…) E, noutra mensagem neste “blog” (no tema “Há Dois Mil Anos – Uma Fraude Histórica Completa”, mensagem minha de 22 de março, “Primeira Parte”), me dei ao trabalho de citar os principais trechos desses livros, no original em língua francesa. Eu gastei umas poucas horas para, há anos, quando ainda no Rio, conseguir essa informação. Será que o “bem da doutrina” não mereceu dos espíritas kardecistas de então esse mesmo gasto de tempo? Ou tudo não passou, como o sr. mesmo insinua, de “jogo de marketing”?

    O sr. me desculpe, sr. Arduin, não me leve a mal, mas seu ponto-de-vista quanto a esse assunto me parece absolutamente espantoso, indefensável e não fundamentado. Eu sinceramente espero que tenha sido apenas uma opinião pessoal que o sr. expressou, por assim dizer, de modo um tanto descuidado, no meio de inúmeros outros afazeres seus, profissionais ou não. Pelo teor de suas outras mensagens, sr. Arduin, eu o considero indigno de seus cuidados e de sua exatidão de pesquisador.

    E o sr. ainda vem falar de exegese bíblica…

  101. Gilberto Diz:

    Não acho o espiritismo FALSO. MUITOS espíritas, mas não todos, se seguram a fraudes como se fossem verdadeiras, objetos intocáveis, verdadeiros dogmas. Há pesquisas sérias na Parapsicologia. O problema é que, quando uma pesquisa dessas esbarra num dogma qualquer, vocês caem em cima para calá-la. Acontece no Catolicismo também. Quando Oscar Quevedo escreveu “Antes que os Demônios Voltem” e afirmou o óbvio, que os demônios não existem, a Igreja Católica o calou por 20 anos! Destruíram sua valiosíssima biblioteca! Só uma alma generosa e aberta como Dom Paulo Evaristo Arns que, mesmo ainda acreditando em demônios, o liberou para suas pesquisas. Sei que uso de ironia aqui e ali, mas o faço quando vejo exageros. A ironia é uma visão exagerada também. O espiritismo é uma religião vencedora (é a 14° vez que falo isso) quando ela assume o seu lado religioso de religar o homem a Deus. Isso ela faz muito bem. Ela tem um conceito de Deus muito favorável, e os espíritas o exaltam como eles acham que deve ser exaltado: com caridade, amor, crescimento espiritual e obras assistenciais. Xavier teve esse lado elevado à enésima potência! O que incomoda a todos (e até a alguns espíritas) é o explicacionismo, a crítica de que todas as religiões estão erradas, a visão de que ser cético é o pior dos xingamentos, a mitologia Kardecista (E.T.s, racismo, gnomos etc.), mágicas de salão (Dr. Fritz, uma pitada de Xavier, Katie King), viagens astrais, reencarnações de gente famosa (ninguém foi Xing Ling em outra vida), revelações científicas bombásticas (a explicação do autismo, da aids, do bicho-de-pé), entre outras pérolas. O trabalho do Vítor é um trabalho cético, de um ateu que acredita em vários aspectos espirituais (eu não, infelizmente), mas que quer que não percamos o bonde da história e que TODOS evoluam. Isso, para um ateu e até para um materialista como eu, é um conceito prá lá de espírita! Do bom espírita!

  102. Sonia N. Diz:

    Sr.José Carlos Ferreira Fernandes:

    Contra as evidências, não há argumentos que resistam.
    -
    De acordo com a sua pesquisa, não há sinais, ao longo da História, tanto do Império Romano, quanto do povo judeu, à época reportada, da existência de um senador de nome Publio Lentulus, que correspondesse às afirmações contidas no livro psicografado por Francisco Candido Xavier, “Há dois mil anos”, de autoria do espírito Emmanuel. Consequentemente, conclui-se que Emmanuel não passa do produto de uma mente privilegiada (Chico Xavier), cujos mecanismos, ainda são absolutamente desconhecidos pelos adeptos da doutrina espírita. Assim como, infelizmente (e principalmente), pela ciência, que deveria ter sido acionada pela cúpula responsável pelo Regimento Estatutário da Doutrina Espírita, ou seja, a FEB, para estudá-lo.
    -
    Percebe-se ao longo de suas explanações, interesse genuíno, na busca da verdade, tanto mais que se nota um conhecimento profundo dos fundamentos da doutrina promulgada por Allan Kardec, muito embora o senhor pertença a uma crença religiosa, cujos ditames lhe sejam totalmente adversos, ou seja , O Catolicismo Romano.
    -
    Infelizmente, trabalho tão sério e meticuloso, indício de conhecimentos notáveis de História (que é sua área), encontra-se “perdido”, em meio a comentários jocosos, desonestos, descabidos e fora de propósitos, por parte dos céticos e de zombeteiros. E, mesmo por parte dos próprios espíritas (eu, inclusive), que deveriam seguir o seu conselho e “arrumarmos nós mesmos a nossa casa”, sem que houvesse necessidade de sermos lembrados de nossas responsabilidades, por parte de quem não é de direito.
    -
    Portanto, acreditando na sinceridade de sua iniciativa, creio que o senhor poderia dirigir-se à Federação Espírita Brasileira, legitimando as suas pesquisas, para que a FEB tome as devidas providências quanto a este caso, que é muito sério. A fim de que as diretrizes da Doutrina Espírita retome ou reforce o trabalho investigativo, quanto aos fenômenos mediúnicos, já que quanto à Doutrina propriamente dita, nada há a referendar, pela excelência de seus fundamentos, baseados todos nos ensinamentos de Jesus, o Cristo Salvador. Com a ressalva de que o Cristo não tem para nós, o mesmo significado instituído pela Igreja do Catolicismo Romano. Nosso entendimento de Cristo, é muito diferente, ou seja, resume-se a seguir, na prática, os seus ensinamentos e os seus exemplos.
    -
    Se o senhor não considera essa atitude de bom alvitre, acredito que poderia então, prestar um grande serviço à sociedade, publicando suas pesquisas, através da “mídia”, escrita, falada e televisiva, justificando empenho tão grande em desmistificar a obra do médium Francisco Cândido Xavier.
    -
    Com certeza absoluta, as obras geradas pela pessoa Chico Xavier e pelo médium Francisco Cândido Xavier, continuarão a dar seus frutos. Ninguém há de querer destruir a marretadas, todas as edificações espíritas geradas pelo seu trabalho, ou seja, os hospitais, as creches, os asilos, os orfanatos, os abrigos, as oficinas, as escolas, as distribuições de alimentos, as “sopas” diárias e tantas outras benesses diretamente ligadas à sua pessoa. A imensa quantidade de Entidades Beneficentes que carregam o nome de Emmanuel e de Chico Xavier, inspiradas em suas orientações, em todos os quadrantes do Brasil, continuarão os seus trabalhos de assistência dignificante.

    Os “milhares de adeptos relapsos” poderão afastar-se, decepcionados quanto aos fenômenos mediúnicos, interesse único de suas incursões ao Espiritismo. Portanto, não farão falta ao Movimento Espírita, pois, nada fazem nesse sentido. Possivelmente, sentirão eles, falta do assistencialismo praticado no meio espírita, sem qualquer tipo de preconceito e sem qualquer tipo de cobrança.
    -
    Entretanto, os adeptos verdadeiros, semelhantes em tudo a Pedro, e não a Tomé,
    continuarão firmes em suas atividades no Bem, contribuindo com suas parcelas para uma sociedade mais justa e mais digna, em busca de um tempo de paz entre os homens de Bem, na Terra. E firmes em suas convicções espíritas. E, com certeza maior ainda, da autenticidade do trabalho, da bondade e do amor, genuinamente cristão, de Chico Xavier. Que nada há de apagar. Nem com escândalos. Porque nem os escândalos envolvendo o seu nome, diversas vezes, nesse país, fizeram-no desistir um único dia, de trabalhar em benefício do próximo.
    -
    E tendo o senhor, Sr. José Carlos, completado o seu trabalho, através da divulgação de sua pesquisa, não precisará daí em diante, esfalfar-se a explicar em detalhes, a cada comentarista deste blog, o grande equívoco dos espíritas. E poderá, finalmente, dormir em Paz!
    -
    Abraços afetuosos, mesmo que o senhor pense que eu sou hipócrita e que as emoções fazem mal à saúde. Só quem está habituado a abraçar de verdade, sabe o quanto é emocionante e agradável (sem precisar de grandes explanações a respeito).

  103. Sonia N. Diz:

    (cont.)
    -
    Sr. José Carlos, não pense que estou sendo jocosa ou debochada. Estou sendo sincera. Acredito firmemente,
    em “cada” palavra que proferi.

  104. Marcos Arduin Diz:

    Pelo que entendi, na sua opinião qualquer exagero, fantasia ou mesmo mentira é justificável, se for “para o bem da causa” e “para a propagação da doutrina”. É isso? Os fins justificam os meios?
    - Olha, meu caro Zé, é o seguinte: exageros, fantasias e mentiras COM VISTAS A OCULTAR OU DISFARÇAR coisas sérias certamente não seriam aceitáveis. Agora no caso em questão, elas em nada prejudicam. Como eu disse, trata-se de um romance, o qual o autor preencheu lacunas com dados os quais talvez nem ele tivesse certeza da veracidade, pois sua intenção não era fazer um romance histórico baseado em fatos em sim transmitir uma mensagem de edificação espiritual.
    Do primeiro caso, uma mentira, fantasia e exagero para disfarçar coisa séria, vou lhe dar um exemplo para efeito de comparação.
    Na Bíblia você pode conferir a história do juiz Jefté. Ele fez um voto a Deus, dizendo que se lhe desse a vitória num combate, quando ele voltasse para a casa, a primeira pessoa que viesse a recebê-lo seria oferecida em sacrifício queimado a Deus. Jefté venceu a batalha e na volta para a casa, a primeira pessoa a vir recebê-lo, toda feliz, foi sua filha única. Arrasado, Jefté revelou-lhe o voto e a filha só pediu-lhe três meses para lamentar a sua virgindade com suas amigas, pois ela nunca viria a ser mãe. Terminado o prazo, Jefté cumpriu seu voto, sacrificando sua filha a Deus.
    Tal texto, Zé, é TÃO INDIGESTO À FÉ CRISTÃ, que os exegetas e hermenêutas inventaram uma história totalmente implausível para contornar o lance do sacrifício. Dizem eles que Jefté não matou sua filha, mas ofereceu-a ao tabernáculo onde lá ela ficaria em serviço perpétuo até sua morte. Assim ela jamais se casaria e tal situação seria “equivalente à oferta queimada”. Tremenda besteira, pois só HOMENS levitas entre 20 e 50 anos podiam prestar serviços ao tabernáculo. E sacerdote podia casar-se, levita podia casar-se, narizeu podia casar-se… O que impedia a filha de Jefté de se casar?
    Vê só o desespero dos teólogos cristãos para salvar os créditos da Bíblia?
    Felizmente não temos problemas assim no Espiritismo…
    #
    Zé Carlos, Emmanuel (o espírito) EXISTE e foi o guia do Chico enquanto ele esteve por aqui. Agora, se o Emmanuel foi algum Lêntulo e Manuel da Nóbrega em existências anteriores, aí é ASQ – Acredite se quiser. Portanto não vejo comprometimento algum.
    #
    Teoria ou ideia sem comprovação ou verificação alguma, sem dúvida devem ser rejeitadas sob o risco de se aceitar uma pataquada. As verdades ressurgem, mas as pataquadas, uma vez encasteladas, viram castelos difícies de serem derrubados. Nós espíritas tivemos um problema com o Rustenismo, que dominou a FEB até recentemente. Mas o próprio Kardec diz sob essa questão de identidade: Importa saber se a mensagem é REALMENTE de Sócrates, Napoleão, etc e tal, quando se trata de CONCEITOS GERAIS? Não, pois a verificação dessa identidade é praticamente impossível. Assim resta-nos ater ao CONTEÚDO da mensagem, sem dar tanta atenção ao eventual autor.
    É o caso do Emmanuel. Dá para saber se ele foi mesmo algum personagem do passado?
    #
    No texto que você transcreveu o LM, repare na frase: “Desde que uma OPINIÃO nova venha a ser expendida (…)”. Questão, Zé, é quando se trata de IDEIAS, OPINIÕES, CONCEITOS, ETC E TAL. Já a identidade não é de maior relevância.
    #
    Aí, meu caro, é como eu disse: o que interessa no ROMANCE? A verdade histórica de fatos que talvez nem pudessem ser verificados, ou trama e a mensagem que ela traz? Eu não respondo pela FEB e se ela não foi prudente em verificar certas coisas (aliás, naquela época ela era MUITO IMPRUDENTE, pois era dominada pelo Rustenismo), problema dela. Ainda insisto que estão fazendo muito cavalo de batalha em cima de itens acessórios, que não invalidam o romance quanto ao seu conteúdo.
    #
    Bem, Zé, é minha opinião pessoal sim, mas não a acho infeliz ou errada. Como eu lhe disse, se o romance pretendesse ser histórico, então sim suas exigências deveriam ter sido satisfeitas. Mas se não tem essa pretensão, então qual é o problema? É isso que não estou entendendo.
    #
    É… não tenho vocação para exegeta e hermenênuta, mas quando me apresentam interpretações bem malucas para salvar um dito bíblico, como o exemplo que dei, acho que posso dar o meu pitaco.

  105. Gilberto Diz:

    Se Lêntulo e Manuel da Nóbrega não existiram e foram apenas personagem de um romance espírita, por que Xavier confirmava que Lêntulo e Manuel da Nóbrega existiam, Arduin? Xavier estava errado, confirmado por um auto-entitulado, mas desnecessário, defensor? E realmente os espíritas não têm problema em desvendar os “mistérios bíblicos”: é só se comunicar com o espírito de alguém que estava lá e desvendar o caso, como por exemplo, “Paulo e Estevão”, de Xavier. Será que esses eram apenas personagens do livro? Sendo assim, céticos e espíritas selam um acordo histórico. Parabéns, Arduin!

  106. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    -
    O Padre Manoel da Nóbrega existiu e faz parte da História do Brasil.
    -
    Eis algumas informações sobre ele:
    -
    “Aos 27 anos, foi ordenado pela Companhia de Jesus (1544), fazendo-se pregador. Viajou por Portugal, Galiza e o resto da Espanha na pregação do Evangelho. Surpreendido com o convite do rei D. João III, embarcou na armada de Tomé de Sousa (1549). Chegaram à Bahia em 29 de março de 1549 e, celebrada a primeira missa, ter-se-ia voltado para seus auxiliares e dito: «Esta terra é nossa empresa.»

    Foi dele amigo e conselheiro, como também o foi de Mem de Sá, a serviço da Coroa, com a missão de dedicar-se à catequese dos indígenas na colonização do Brasil. Chegaram com ele os jesuítas Leonardo Nunes, João de Azpilcueta Navarro, Antônio Pires e os irmãos jesuítas Vicente Rodrigues e Diogo Jácome.

    Assim que aportou deu início ao trabalho de catequese dos indígenas, desenvolvendo uma intensa campanha contra a antropofagia existente entre os nativos e ao mesmo tempo combatendo a sua exploração pelo homem branco. Participou da fundação das cidades do Salvador e do Rio de Janeiro e também na luta contra os franceses como conselheiro de Mem de Sá”.
    -
    Quanto a Paulo e Estêvão, são personagens do Novo Testamento e existiram também. Procure conhecer.
    -
    A única dificuldade reside no personagem Publio Lentulus.
    -
    Abraços afetuosos

  107. Marcos Arduin Diz:

    O problema aqui, Giberto, é que estou vendo o pessoal queimando muito óleo grosso para pouca energia produzida. Não sei porque tanta chiadeira. Vários dos livros de Chico Xavier são ROMANCES e, como já disse, NÃO TÊM COMPROMISSO COM REALIDADE HISTÓRICA. Querem apenas passar uma mensagem de bondade E SÓ! Se os seus personagem existiram ou não e, se existiram, fizeram ou não fizeram que foi dito no romance é ASQ – Acredite se quiser.
    #
    Vamos cair na real? A preocupação de vocês é garantir um mateiral de ótima qualidade ao povão, de forma que esse não seja enganado por fantasias, ou a preocupação real é a GLÓRIA de haver achado erros nos livros do Chico e assim provar que ele era um sacana?

  108. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sra. Sônia N.:

    “Explicar detalhes” faz parte do ofício, e creio ser minha obrigação, já que iniciei o tema; só esperaria que isso fosse feito num clima minimamente civilizado, e dentro do próprio tema, sem que se tenha que fugir dele a cada instante. Afinal, todos nós, nalguma medida, somos caminhantes e aprendizes.

    Como creio já ter mencionado noutras mensagens, a presente pesquisa sobre a “Epistula Lentuli” não se encontra ainda completa; e acredito que não estará em, pelo menos, um ano, talvez mais. Quanto à “divulgação”, embora a sra. provavelmente não acredite nisso, eu não estou à cata de publicidade; se quisesse isso, não teria postado minha pesquisa aqui – teria retocado o texto um pouco mais, utilizado uma linguagem mais “incisiva” e até “violenta”, aumentado o número de citações bíblicas e o postado nalguns “blogs” religiosos, quer católicos, quer (principalmente) protestantes. Ou, então, retocado um pouco o texto num outro sentido, retirado qualquer citação bíblica, incluído alguns clichês materialistas e anti-religisos e o postado nalguns “blogs” céticos ou ateus. É fácil se criar polêmica, quando se quer. Claro, o assunto em si já é polêmico, e delicado; por isso procurei ser tão discreto quanto possível e, ao mesmo tempo, colocá-lo num fórum que atingisse um público razoável, ainda que relativamente seleto e diversificado. Não me arrependo disso. Dentro do que existia, foi o melhor que pude fazer.

    Rádio, TV, revistas, jornais, nem pensar. Claro, se, algum dia, quiserem citar o trabalho, que citem. Acho isso difícil, os textos são forçosamente muito longos e cheios de detalhes, e a linguagem jornalística é telegráfica. Isso é bom por um lado, mas mau por outro; este assunto (embora haja quem reclame de meus “textos longuíssimos”) não é simples, e não pode ser tratado telegraficamente. As pessoas têm que se acostumar a isso, se querem, mesmo, investigar algo com um grau razoável de profundidade. Textos jornalísticos têm o seu lugar e a sua importância – que, a meu ver, não é aqui.

    Se a FEB, ou qualquer outro, quiser usar as informações da pesquisa, que use. Estão aqui, disponibilizadas, de graça. Isso, sinceramente, não me diz respeito.

    Sobre alguns pontos específicos de sua última mensagem:

    A) Não entrei no mérito do que “seria” Emanuel – se uma “entidade”, se o “inconsciente” de Xavier, se outra coisa; esse tipo de pesquisa não pode ser levado adiante via método histórico. A metodologia a ser empregada é outra, sobre a qual meus conhecimentos são superficiais. Que os “técnicos” se pronunciem. Sem emoções…

    B) Sem dúvida, seria bom que o Espiritismo kardecista brasileiro explicitasse seus “protocolos de validação” para fenômenos mediúnicos. Os “princípios gerais”, pelo que me consta, já foram inclusive delineados pelo próprio Kardec, e eu mesmo já os citei aqui (ao menos alguns deles). Tais protocolos poderiam (deveriam) incluir investigação histórica detalhada, se e quando isso for pertinente (no caso de “Emanuel” é, já que ele se apresentou como uma pessoa cuja existência e atuação histórico-temporal pode ser verificada desse modo). Mas isso, mais uma vez, não me diz respeito. Os espíritas que provem aquilo que alegam. Quanto a isso, e aliás quanto a tudo, resta-me apenas exercer meu direito à “dúvida razoável”. Note bem a expressão: “dúvida razoável”; não meramente “dúvida persistente”. As pessoas têm que dizer, ao menos em linhas gerais, o que as satisfaria. Nesse ponto, o sr. Arduin tem bastante razão. Mas, se os espíritas sequer conseguem evidenciar o que alegam, então, pela “dúvida razoável”, não sou em absoluto obrigado a levar esses “fenômenos” em consideração, e nem perder meu tempo com eles. Tudo aquilo que é gratuitamente afirmado também pode ser gratuitamente negado.

    C) Assim, são os espíritas kardecistas que têm que provar que Lêntulo existiu historicamente, e mais, que “Emanuel” não é um embuste, ou o “subconsciente” de Xavier, ou um “espírito galhofeiro”, ou um ET, ou o que seja, mas sim esse “Lêntulo”, “espírito superior”, ou coisa que o valha. Portanto (restringindo-me ao aspecto histórico da questão), não sou eu que tenho que provar que Lêntulo não existiu, mas sim vocês que ele existiu. Para a “dúvida razoável” à qual tenho direito, creio que já demonstrei mais do que o necessário a sua enorme, esmagadora, implausibilidade histórica. Isso me basta. O resto é com vocês…

    D) Tanto quanto posso comentar acerca das “materializações de Uberaba”, arrisco-me a dizer que esse é precisamente o caso dos “fenômenos” da sra. Otília. Antes de mais nada, onde estão os “protocolos de validação” dos fenômenos? Por que, por primeiro, e antes do “affair” d’O Cruzeiro, foram tais “maravilhas” consideradas genuínas, ou, ao menos, aceitáveis à doutrina? E mais, por que, no seguimento, se chamou a reportagem duma revista, e não uma comissão, digamos, mais “científica”, para o presenciar? Se eu fosse um dos líderes espíritas na ocasião, as últimas pessoas que eu quereria presentes seriam jornalistas ou repórteres; e as primeiras, investigadores, pesquisadores e médicos, tanto espíritas quanto “cépticos”, além, é claro, dos indispensáveis mágicos. Eu, sinceramente, olho as fotos e vejo um ser humano com um lençol; o que é que faz com que os espíritas vejam uma materialização ectoplásmica? No meu entender, essa situação já está irremediavelmente perdida. Fosse o que fosse, não foi adequadamente estudado e validado, a começar pelos próprios espíritas. Me desculpe, sra., mas me parece muito mais “show de salão” (talvez seja mais um daqueles “jogos de marketing” a que o sr. Arduin fez referência…) do que fenômeno de materialização. E, repetindo, tudo aquilo que é gratuitamente afirmado também pode ser gratuitamente negado. Diante das circunstâncias, o meu direito à “dúvida razoável” é suficiente para que eu os rejeite, não por negação pura e simples, mas por prudência e demonstração insatisfatória. É esperar a próxima oportunidade (se é que haverá uma próxima), e então tentar fazer as coisas um pouco melhor – ao menos no que diz respeito à “evidenciação interna”…

    E) Sobre as “obras” de Xavier, já emiti aqui minha opinião a respeito, que é de seu conhecimento, bem como dos leitores. Por convicção, por “fé” (aderência voluntária e racional a um corpo doutrinal…), não aceito os fenômenos mediúnicos. Mas as obras meritórias serão levadas na devida consideração por Deus. Com as devidas considerações referentes à “ignorância invencível”, no meu entendimento (e aqui sigo os ensinamentos da Igreja) um espírita que procure levar uma vida honesta e participe ativamente, dentro de suas possibilidades, da ajuda ao próximo, tem muitíssimas mais chances de salvação do que um cristão “legalista” que já se tem virtualmente como um “eleito do Senhor”. A sra., claro, não concordará comigo, mas nossa responsabilidade pessoal, como cristãos católicos, bem como o nível de exigência que o Eterno pode nos cobrar (e vai nos cobrar), é muito maior, porque o tesouro que nos foi entregue é, de longe, infinitamente, o mais valioso de todos. A quem muito foi dado, muito será cobrado.

    F) Não sou contrário às emoções, apenas creio que elas devem ser mantidas sob o devido controle. Uma grande parte das desgraças do mundo originaram-se justamente das “emoções” e da irracionalidade.

    JCFF

  109. Blog Shalom – Carmadélio » Arquivo do Blog » * NÃO EXISTE espiritismo “cristão”. Existe espiritismo e sua doutrina não é cristã. Diz:

    [...] http://obraspsicografadas.haaan.com/2010/revelaes-da-superinteressante-sobre-chico-xavier/ [...]

  110. SeriousBusiness Diz:

    Sonia N. e outros espíritas beligerantes.
    -
    Por que tanta obstinação em fazer esse user (Jose Fernandes) mudar a opinião dele acerca do tema? O que se observa aqui é que a dicussão já passou há muito do limite de uma simples troca de idéias.
    -
    Ele tem todo o direito de achar que o espiritismo é obra do diabo e a ICAR é santa e a única detentora da verdade. É o que a maioria das pessoas aqui no País acreditam.
    -
    Não se deixem encarcerar pela vaidade do exclusivismo que corre no sangue dos que se põem a atacar a crença alheia. Não é preciso “provar” que a religião do outro é ruim, para que a nossa seja boa.
    -
    Procurem abandonar o quanto antes essas discussões improdutivas. Quem somos nós para almejar a unanimidade que nem o próprio Cristo conseguiu?
    -
    E se alguém lhes provocar com xingamentos ou desfeitas, deixe passar. Não é retrucando o latido de um cão que se prova superioridade em relação a ele…
    -
    O que estou lhes falando não é de forma alguma lição de moral. Sei que todos vocês já sabem de tudo o que foi dito acima. Mas às vezes, no calor das emoções, acabamos esquecendo as boas maneiras e entramos num círculo vicioso de ações e reações nada dignos de um cristão. No fim das contas, a saída desse círculo é mais rápida quando vem alguém de fora e nos chama a atenção.
    -
    Abraços

  111. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Arduin:

    Quer me parecer que nossa discordância repousa no caráter de “veracidade histórica” dos romances do “ciclo de Emanuel”. O sr. sustenta que são apenas romances, sem pretensão histórica, e que se não lhes deve aplicar o rigor da exigência da exatidão histórica.

    Eu discordo – e penso que tenho boas bases para tanto.

    Vou omitir sua expressão infeliz “jogo de marketing”, porque, sinceramente, ela está entalada na minha garganta. Não a levarei absolutamente em conta. Para mim, o sr. não disse o que disse. Ponto.

    Tomarei duas de suas frases, nas suas duas últimas mensagens:

    “Como eu lhe disse, se o romance pretendesse ser histórico, então sim suas exigências deveriam ter sido satisfeitas. Mas se não tem essa pretensão, então qual é o problema? É isso que não estou entendendo”.

    “Vários dos livros de Chico Xavier são ROMANCES e, como já disse, NÃO TÊM COMPROMISSO COM REALIDADE HISTÓRICA. Querem apenas passar uma mensagem de bondade E SÓ! Se os seus personagem existiram ou não e, se existiram, fizeram ou não fizeram que foi dito no romance é ASQ – Acredite se quiser.

    Até aqui, o sr.

    Ora, mantenho a minha convicção de que o “ciclo de Emanuel”, em geral, e de que a psicografia “Há Dois Mil Anos”, em particular, têm, sim, compromisso com a realidade histórica, e, sim, pretenderam-se históricos. Claro, também quiseram passar uma “mensagem de bondade”, mas não foi só isso.

    Além da simples “mensagem de bondade”, quiseram, inequivocamente, “divulgar a doutrina” (p.ex., a justificação da reencarnação e da “lei do Karma”, quando Lêntulo acaba cegado para “pagar” o que seu bisavô paterno Lêntulo Sura, o conspirador catilinário, havia feito…). E, justamente para melhor alicerçarem, e justificarem, essa “mensagem de bondade”, a par dessa “divulgação da doutrina”, apelaram PARA O PRESTÍGIO E A VERACIDADE DA IDENTIDADE DO GUIA.

    Para isso, bastam duas constatações:

    A primeira é a própria “Introdução” à psicografia “Há Dois Mil Anos”, cujos trechos relevantes citei em minha mensagem de 7 de abril. Leia-a novamente, sr. Arduin. Note esses trechos: “Leitor (…) apresentemos à tua curiosidade algumas observações de Emmanuel, o ex-senador Públio Lentulus (…); “Algum dia (…) falar-vos-ei do orgulhoso patrício Públio Lentulus, a fim de algo aprenderes nas dolorosas experiências de uma alma indiferente e ingrata”; “(…) iniciaremos o nosso esforço (…) esperando eu a possibilidade de grafarmos as nossas lembranças do tempo em que se verificou a passagem do Divino Mestre [i.e., Jesus] sobre a face da Terra”; “(…) para mim essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas. Suaves pela rememoração das lembranças amigas, mas profundamente dolorosas, considerando o meu coração empedernido, que não soube aproveitar o minuto radioso que soara no relógio da minha vida de Espírito, há dois mil anos. (…)”; “(…)Diante de meus pobres olhos, desenha-se a velha Roma dos meus pesares e das minhas quedas dolorosas (…)”.

    Convenhamos, sr. Arduin, os textos acima são evidência cabal de que o que “Emanuel”/Lêntulo transmitia a Xavier eram (ou pretendiam ser) as suas recordações de sua vida na antiga Roma, sob o império de Tibério, como o senador Públio Lêntulo… Qualquer pessoa, ao ler essa “Introdução”, e a obra, estaria convencida de que o que ali se narrava não era um mero “romance de entretenimento”, ou “obra de ficção de cunho moralizante” – era mais que isso, era um testemunho que se pretendia efetivamente histórico e verídico.

    Isso, para mim, é claríssimo. Creio que também o seja para qualquer um que leia o livro, mais especificamente a sua “Introdução”. Não sei por quê não o é para o sr. Leia de novo a “Introdução”. Se o que lá se alega não é a pretensão à exatidão histórica da narrativa (das “memórias”) e da identidade do “guia”, eu então, sinceramente, sr. Arduin, não sei o que, na sua opinião, seria uma “alegação de historicidade”.

    Isso quanto à “Introdução”. Além dela, tem-se o modo como “Emanuel” foi sempre recepcionado pela comunidade espírita kardecista brasileira, como um todo. Pesquise na Internet, sr. Arduin. Ele é sempre citado (e reverenciado) como tendo sido, outrora, o “orgulhoso senador Publio Lentulus” (também como o padre Manuel da Nóbrega, mas isso não nos interessa aqui); e não metafórica, ou simbolicamente, mas sim de modo REAL. Repito: dessa identidade, TOMADA COMO REAL E GARANTIDA, o “guia” retirou sua autoridade, e “validou” suas mensagens a Xavier. Pesquise. Leia o que se diz de “Emanuel” nos portais espíritas. Veja se não é assim… Ora, se a intenção de Emanuel se centrasse apenas “na mensagem”, por que deixou que, ao longo de décadas, fosse considerado, efetivamente, como o tal Lêntulo? Por que não esclareceu as coisas? Mais uma “jogada de marketing”, sr. Arduin? É disso que o Espiritismo kardecista brasileiro vive?

    Portanto, sr. Arduin, sua tese da “não-historicidade intrínseca” do “ciclo de Emanuel”, e de “Há Dois Mil Anos” em particular, não se sustenta. “Emanuel” quis, de fato, que acreditassem que ele era quem ele dizia ser, e afirmou essa identidade como algo historicamente efetivo e real. Mais: dessa identidade portentosa, dessa (pretensa) convivência com o próprio Jesus, retirou sua autoridade. Negar isso é simplesmente querer, como se diz popularmente, “tentar tapar a luz do Sol com uma peneira”.

    Portanto, sr. Arduin, mantenho o meu ponto de vista, e mais, creio que o ponto de vista do sr. é insustentável. Mas, enfim, que os leitores decidam por si mesmos.

    O exemplo de exegese bíblica (o caso de Jefté, do capitulo 11 do livro dos Juízes), que o sr. cita como contraponto à não-historicidade dos romances de Emanuel, a meu ver, não se encaixa muito bem no assunto. Creio que a infeliz filha foi, de fato, sacrificada; mas o fato não é citado, no livro dos Juízes, como um “exemplo a se seguido”; ao contrário, a narrativa é, quanto a isso, neutra, e pretende (assim a nossa tradição exegética dominante, quanto a tal assunto) emitir um ensinamento sobre a imprudência de certos votos feitos a Deus, bem como sobre a veleidade de se querer “forçar” ou “subornar” Deus a partir dum voto. Não se destina, em absoluto, a apoiar um sacrifício humano (algo que a lei mosaica, de resto, explicitamente proibia, cf. Deuteronômio, cap. 12, vers. 29-31; cap. 18, vers. 9-10). Jefté é citado como herói, inclusive na epístola de São Paulo aos Hebreus (cap. 11, vers. 32), não por ter sacrificado a filha, mas sim por ter derrotado os amonitas, e o cerne “moral” da história (além, subsidiariamente, da imprudência de certos votos…) centra-se no fato de o instrumento divino para a libertação de Israel ter sido um marginalizado, desprezado, expulso de sua herança, filho duma prostituta – o próprio Jefté. Sinceramente, não vejo nessa história grandes problemas exegéticos, e nem grande relação com o que se discutia antes. Claro, se o sr. quiser, poderemos aprofundar essa questão, mas creio que isso seria desnecessário. De qualquer modo, não seria conveniente, creio, fazê-lo aqui, neste fórum.

    Quanto ao fato de “Emanuel” existir, e de ser o “guia” de Xavier, isso não faz parte de minha pesquisa. É algo “fora de escopo”, no que concerne à investigação meramente histórica que realizei. Sem dúvida, os espíritas poderão (aliás, deverão) exibir os “protocolos de validação” que sustentem essa alegação, mas isso, especificamente, não me diz respeito, aqui.

    Enfim, posso falar por mim: meu desejo, sim, é disponibilizar, dentro de minhas limitações, um material de “boa” qualidade a quem o quiser consultar, de forma que tais pessoas possam formar uma opinião em bases mais seguras e racionais, sem serem, tanto quanto possível, enganadas por fantasias. E creio, sr. Arduin, que essa seja também a sua intenção, com as suas mensagens (apesar daquela sua miserabilíssima e infelicíssima expressão sobre a “jogada de marketing”)…

  112. Gilberto Diz:

    Sr. Fernandes. Gosto muito dos seus posts, pois são elucidativos como poucas coisas aqui, mas eu, intuitivamente apenas, concordo com Arduin. E se, digamos “se”, Xavier realmente escrevia romances, ainda que com fiapos de História, fictícios, apenas para dissiminar a doutrina? Será que não era essa a intenção de Xavier? Ser mentor de uma religião que não deu certo na Europa justamente por carecer de amor e fraternidade? Sei que a doutrina espírita é refutada por muitas coisas na Bíblia, mas a Bíblia também não se contradiz bastante, não? E não foi Jesus que disse que, se não estão contra Ele, estão a favor Dele? Vejo nos textos de Xavier se falar em Cristo o tempo todo. Não seria uma forma (tá, sei, diferente e até mesmo herege do ponto de vista Católico-Protestante) de pregar o evangelho? Será que Xavier não “consertou” muitos aspectos da doutrina, levando-a a um patamar mais Cristão. É só uma reflexão…

  113. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Gilberto:

    Suas opiniões… Repito que nada tenho contra “romances históricos”, de cunho moralizante, sejam espíritas ou não, que se apresentem como tais – ou seja, como obras de ficção. O problema é quando isso não acontece. Não sei se sou um demente, mas, para mim, afirmar categoricamente algo que não se é, e, a partir disso, construir todo um edifício de autoridade, é simplesmente falsidade. E quem isso afirma é um mentiroso. Ponto.

    Senão, vejamos o seguinte símile: se eu me apresento a uma pobre comunidade carente como médico formado (sem ter sequer algum dia pisado numa faculdade de Medicina), e passo a dar consultas, e a receitar remédios; mesmo que tenha “conhecimentos auto-didatas” de Medicina, de modo a (por hipótese) não prejudicar ninguém, e geralmente acertar nos diagnósticos; mesmo que não cobre nada, ou quase nada, pelas minhas consultas, e, mais ainda, na maioria das vezes dê de graça os remédios, especialmente aos mais pobres; se, além de tudo isso, ainda servir de “conselheiro” para essas pessoas – a seu ver, sr. Gilberto, isso tudo justifica a minha impostura inicial? Sim ou não? Digamos, o sr. é um delegado perspicaz, e descobre tudo; o sr. me prende, ou não?

    As perguntas, claro, são meramente retóricas. A grande questão é: por que diabos eu não me pus a fazer o bem àquelas pessoas sem alegar ser médico, e dentro das minhas possibilidades reais? Por que tive que mentir? Se fosse fazendo vários cursos da espécie (primeiros socorros, etc.), não poderia também, ao fim, ter feito bastante por aquelas pessoas, sem ter que mentir? Talvez não conseguisse fazer as coisas tão velozmente, mas, sem dúvida, as faria direito – sem mentiras.

  114. SeriousBusiness Diz:

    JCFF,
    -
    Vou expor minha opinião sobre o tema que vc está discutindo com o arduim pq estou achando a discussão interessante e não pq quero mudar o ponto de vista de qualquer um de vcs.
    -
    - O fato de não ser histórico pode até diminuir o valor do livro como um todo, mas não o extirpa. Ao meu ver trata-se de um romance como todas as implicações que a palavra “romance” tem. Aliás, há muitos espíritas que t~em essa mesma consideração acerca dos romances do CX (me situo nessa posição, inclusive).
    -
    -O romancista tem o direito de dizer que trata-se de fatos reais ou que é baseado em fatos reais, há muitos casos parecidos na literatura e até no cinema. É um recurso comum e que não é considerado fraude ou charlatanismo.
    -
    - A bíblia tem exemplos bastante parecidos. Ex: Livro de Jó, que foi aceito por muito tempo como livro histórico, mas que a exegese moderna atribui caráter apenas literário, fictício (assim como o Gênesis e alguns outros trechos do AT e NT). Nem por isso esse livro deixa de ser usado como fonte de inspiração para fiéis de diversas denominações. Aliás, a maioria dos católicos e protestantes acreditam na historicidade do livro, que é insustentável perante uma análise mais aprofundada de sua estrutura.
    -
    - A verdade “nua e crua”, para a maioria das pessoas, é mais danosa do que benéfica. O próprio Jesus Cristo evitava de falar diretamente a verdade para um povo que era ignorante e que decerto não poderia tirar proveito de seus ensinamentos. Ele usava parábolas e metáforas para tentar otimizar a absorção de seus ensinamentos. Ele procurava falar na linguagem do povo da época sem se preocupar com detalhes técnicos. Outro exemplo: A ICAR, valendo-se dessa mesma máxima, procura evitar que o “povão” tenha contato com uma exegese mais aprofundada ou mesmo a documentos considerados “perigosos”, o que poderia causar sérias desilusões nos fiéis tidos por menos entendidos.
    -
    Enfim, é meu ponto de vista. Não quero iniciar com isto um debate exegético sem fim.

    Abraços

  115. SeriousBusiness Diz:

    Só uma curiosidade,

    Tem dois Gilbertos postando comentários ou é o um Gilberto só?

    t+

  116. Roberto Passos Diz:

    Willian, gostaria de acessar o seu blog, é possível?
    Abraços

  117. Roberto Passos Diz:

    Willian, é possível acessar o seu blog?
    Abraços

  118. Sonia N. Diz:

    Roberto Passos:
    -
    Desculpe a intromissão, mas o William anda meio sumido, por isso eu passo prá você, porque vale muito acessar:
    -
    http://www.criticaespiritualista.blogspot.com/
    -
    Um abraço

  119. Juliano Diz:

    Ao José Carlos Ferreira Fernandes,

    Excelente o teu comentário das 02:05 pm. Resta claro que para o espiritismo, e aqui eu incluo o Waldo Vieira e sua Conscienciologia/Projeciologia, o pessoal das religiões em geral, as neopentecostais em especial, citando o mal interpretado Maquiavel: “Os fins justificam os meios.” Se for para “ajudar os outros”, vale tudo, até mentir e mentir. Alguns como o Chico Xavier de boa intenção, mas não deixam de ser mentirosos. Vide a fraude da dita materialização de Uberaba; a bela explicação técnica sua sobre a inconsistência no que tange aos nomes latinos da obra “Há dois mil anos”, o que claramente a desqualifica como psicografada; e por aí vai.
    E, pra mim, resta cada vez mais claro que na verdade o desejo primeiro desse pessoal todo são os holofotes. É o estrelato. Mesmo que revestido muitas vezes de (…) um pretenso desejo falso de no fundo ser um anônimo. O desejo pelo dinheiro vem junto, mas não é o principal, exceção, diga-se, neste ponto dinheiro ao Chico Xavier. Este defeito de faturar grana com o sucesso ele não tinha, tenho convicção disto e afirmar o contrário é leviandade.
    Mas, em síntese, a idéia movedora primeira desse pessoal todo é: “Visando ser conhecido e amado pelo público, vale tudo.”
    Concluo. Eu sinceramente acredito na reencarnação. Acho ela óbvia e lógica. E vários estudos sérios a demonstram. Principalmente casos de crianças que relataram ter vivido em tal e tal lugar, como tal e tal cidadão, e vai-se aquele lugar e atesta-se que exitiu de fato tal cidadão, desconhecido do público, e por óbvio da criança, e viveu antes dela nascer.
    Porém, esse circo todo religioso e mítico só depõe contra a reencarnação, a projeção astral, o estudo dos fenômenos parapsíquicos em geral, e etc (…) E acabam inibindo uma pesquisa técnica científica feita por pessoas éticas e com potencial para desenvolver uma teoria científica digna de análise. Uma pena.
    Creio que as coisas precisam ser colocadas no seu devido lugar. À religião a religião, uma crença sem preocupação de provar os seus dogmas, e o espiritismo entra aí. E tem que se assumir assim e fazer o que sabe, ajudar os mais pobres. E esquecer que é uma pretensa ciência, pois não é. E à ciência a ciência. Técnica, pode-se dizer hoje com uma perspectiva holística sim, mas técnica acima de tudo e para um fenômeno ser aceito o mesmo deve ser demonstrado e repitido. No caso da reencarnação, um estudo mais sério em crianças poderia demonstrar em vários localidades diferentes o processo de rememoração, ao final havendo uma gama de experiências que ateste a veracidade científica da mesma.
    Um abraço a você, ao Vitor, ao Gilberto, que pelejam, literalmente, em prol de uma maior clareza desse processo todo aqui colocado nesse blog.

  120. Flávia Diz:

    Dê um lidinha ai:

    Carta de Richard Simonetti à Redação da Abril Cultural.

    Senhor Sérgio Gwercman

    Diretor de redação da revista Super Interessante

    Sou assinante dessa revista há muitos anos. Sempre a encarei como publicação séria, fonte de informações a oferecer subsídios para meu trabalho como escritor espírita, autor de 49 livros publicados.

    Essa concepção caiu por terra ao ler, na edição de abril, infeliz reportagem sobre Francisco Cândido Xavier, pretensiosa e tendenciosa, objetivando, nas entrelinhas, denegrir e desvalorizar o trabalho do grande médium.

    Isso pode ser constatado já na seção “Escuta”, com sua assinatura, em que V.S. pretende distinguir respeito de reverência, como se reverência não fosse o respeito profundo por alguém, em face de seus méritos.

    Podemos e devemos reverenciar Chico Xavier, não por adesão de uma fé cega, mas pela constatação racional, lúcida, lógica, de que estamos diante de uma personalidade ímpar, que fez mais pelo bem da Humanidade do que mil edições de Superinteressante, uma revista situada como defensora do bom jornalismo, mas que fez aqui o que de pior existe na mídia – a apreciação superficial e tendenciosa a respeito de alguém ou de uma notícia, com todo respeito, como pretende seu editorial, como se fosse possível conciliar o certo com o errado, o boato com a realidade, o achincalhe com o respeito.

    Para reflexão da repórter Gisela Blanco e redatores dessa revista que em momento algum aprofundaram o assunto e nem mesmo se deram ao trabalho de ler os principais livros psicografados pelo médium, sempre com abordagem superficial, pretendendo “explicar” o fenômeno Chico Xavier, aqui vão alguns aspectos para sua reflexão e – quem sabe? – um cuidado maior em futuras reportagens.

    De onde a repórter tirou essa bobagem de que “toda essa história começou com as cartas dos mortos?”

    Se as eliminarmos em nada se perderá a grandeza de Chico Xavier. A história começa bem antes disso, com a publicação, em 1932, do livro Parnaso de Além-Túmulo, quando o médium tinha apenas 22 anos.

    A reportagem diz: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”

    Afirmativa maliciosa, sugerindo o pastiche, a técnica de copiar estilo literário. O repórter não se deu ao trabalho de observar que no próprio Parnaso há, nas edições atuais, 58 poetas desencarnados, menos conhecidos e até desconhecidos, como José Duro, Alfredo Nora, Alma Eros, Amadeu, B.Lopes, Batista Cepelos, Luiz Pistarini, Valado Rosa… Poetas do Brasil e de Portugal que se identificam pelo seu estilo, em poesias personalíssimas enriquecidas por valores de espiritualidade.

    Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo dos autores”. São totalmente fiéis.

    Não tem a mínima noção de que a técnica do pastiche, a imitação de estilo literário, é extremamente difícil, quase impossível. Pastichadores conseguem imitar uma página, uma poesia de alguém, jamais toda uma obra ou as obras de centenas de autores.

    Afirma que Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida, sempre insinuando o pastiche. Leitor voraz? Passava os dias lendo? Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e atendendo à atividade profissional. Não conheço um único documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”. Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.

    Fala também que Chico teria 500 livros em sua biblioteca e que “a lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos”.

    E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu intermédio. Chico tinha livros deles? E de poetas que sequer publicaram livros?

    Quanto a Humberto de Campos, cuja família tentou receber na justiça os direitos autorais pelas obras psicografadas por Chico, o que seria ótimo acontecer, o reconhecimento oficial da manifestação dos Espíritos, esqueceu-se a repórter de informar que Agripino Grieco, o mais famoso crítico literário de seu tempo, recebeu uma mensagem do escritor, de quem era amigo. Reconheceu que o estilo era autenticamente de Humberto de Campos, mas que o fato para ele não tinha explicação, já que, como católico praticante, não admitia a possibilidade de manifestação dos espíritos.

    Esqueceu ou ignora que Chico, médium psicógrafo mecânico, recebia duas mensagens simultaneamente, com ambas as mãos sendo usadas por dois espíritos. Desafio Superinteressante a encontrar um prestidigitador capaz de fazer algo semelhante.

    Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na revista.

    A repórter reporta-se às reuniões mediúnicas das quais Chico participava como shows que o tornaram famoso e destila seu veneno. Cita o sobrinho de Chico que, dizendo-se médium, confessou que era tudo de sua cabeça, o mesmo acontecendo com o tio. Por que passar essa informação falsa, se o próprio sobrinho de Chico, notoriamente perturbado e alcoólatra, pediu desculpas pela sua mentira? Joga penas ao vento e espera que o leitor as recolha? Omitiu também a informação de que ele confessou que pessoas interessadas em denegrir o médium pagaram-lhe pela acusação.

    Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na reportagem. Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?

    Na questão das cartas, milhares e milhares de cartas de Espíritos que se comunicavam com os familiares, sugere a repórter que assessores de Chico conversavam com as pessoas, anotando informações para dar-lhes autenticidade. Lamentável mentira. E ainda que isso acontecesse, Chico precisaria ser um prodígio para ler rapidamente as informações e inseri-las no contexto de cada mensagem, de cada espírito, mistificando sempre.

    E as mensagens dirigidas a pessoas ausentes? E os recados aos presentes? Não eram só mensagens. Eram incontáveis recados. A pessoa aproximava-se de Chico e ele, sem conhecer nada de sua vida, transmitia recados de familiares desencarnados, na condição de um ser interexistente, que vivia simultaneamente a vida física e a espiritual, em contato permanente com os Espíritos.

    Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho. Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”. Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso, porquanto ele não estava lá.

    Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo conhecimento. Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo. Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido, verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam respeito ao meu mal. Curaram-me.

    Concebesse a repórter que, como dizia Shakespeare, há mais coisas entre a Terra e o Céu do que concebe nossa vã sabedoria, e não se atreveria a escrever sobre assuntos que desconhece, com o atrevimento da ignorância.

    Outras “pérolas” da reportagem:

    Oferece “explicações” lamentáveis para o fenômeno Chico Xavier.

    Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade.

    Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião de um médico. Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação? E porventura o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos mediúnicos durante a crise epilética?

    Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto. Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a “manifestação”.

    Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia Carlos Imbassahy, grande escritor espírita, inconsciente velhaco, porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele próprio.

    Informa a repórter que “acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de 15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para Uberaba, um polo do Espiritismo onde contaria com um apoio de amigos”.

    Mentira. Ele deixou Pedro Leopoldo, onde tinha muitos amigos, não por estar “acuado”, mas simplesmente seguindo uma orientação do Mundo Espiritual, em face de tarefas que desenvolveria em Uberaba que, então sim, com sua presença transformou-se em “polo do Espiritismo”.

    Na famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi “bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Bombardeado? Safou-se? O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um mistificador? Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento os entrevistadores “bombardearam” Chico. E em nenhum momento ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de Espiritismo.

    Falando da indústria (?) Chico Xavier, há um box sobre “Dieta do Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium, simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem? Se eu divulgar via internet que Superinteressante recomenda o uso de cocô de galinha para deter a queda de cabelos, seria razoável que alguma revista concorrente citasse essa tolice, mencionando a suposta autoria, sem verificação prévia?

    Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de ensinamentos bem-humorados do médium.

    Não fosse algo tão lamentável, tão séria essa agressão contra a figura respeitável e venerável de Chico Xavier, eu diria que essa reportagem, ela sim, senhor redator, foi uma piada de péssimo gosto!

    Doravante porei “de molho” as informações dessa revista, sem o crédito que lhe concedia.

    A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena! Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso, transitou pela Terra.”

    E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir, conforme sugere. Não morreu pelo Espiritismo. Viveu como espírita. E se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na citada reportagem.

    Finalizando, um ditado Zen para reflexão dos redatores da Super:

    O dedo aponta a lua.

    O sábio olha a lua.

    O tolo olha o dedo.

    Richard Simonetti

    Bauru, 3 de abril de 2010.

  121. Charles Xavier Diz:

    De novo a carta do Richard Simonetti?
    Caramba de LP arranhado.

  122. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. “Serious Business”:

    Juro que esta é a minha ÚLTIMA intervenção nesse assunto de exegese bíblica e caráter histórico ou ficcional do “ciclo de Emanuel”; creio que os vários pontos de vista já foram suficientemente expostos, e acredito que os leitores podem agora, se quiserem, tirar suas próprias conclusões.

    Comentarei apenas alguns poucos pontos de sua última mensagem.

    Quando Jesus falava em parábolas, deixava claro que eram parábolas, i.e., narrativas fictícias para mera ilustração dum tema (ou seja, um recurso “pedagógico”, por assim dizer). E os ouvintes sabiam disso. Não me parece que os leitores de Emanuel soubessem, ou fossem alertados, de que (segundo alguns), era tudo “de mentirinha”, “só mensagem”…

    Precisar as fronteiras de estilos e determinar o caráter “histórico” de muitos livros bíblicos, especialmente os mais antigos do Velho Testamento, pode ser algo sumamente problemático. Naquelas épocas remotas, havia ainda uma enorme “zona cinzenta” entre a narrativa mítica, ou alegórica, ou simbólica, e a narrativa, por assim dizer, “histórica”, ou melhor, “proto-histórica” (as primeiras “crônicas reais”, hinos celebrando chefes guerreiros ou vitórias, etc.). E mesmo a “história”, então, baseava-se muitas vezes em tradições orais progressivamente fossilizadas e repassadas de geração em geração, muitas vezes em forma estereotipada, ou mesmo metrificada. “Gênesis” é um caso clássico. Lá há alegoria, poesia, tradição oral “histórica” (p.ex., as genealogias), “ciclos” folclóricos, e até restos de registros “históricos” efetivos. Junte a isso as próprias alterações dos sucessivos redatores e compiladores (que, muitas vezes, não entendiam certas expressões arcaicas, caídas em desuso, ou então “atualizaram” materiais mais antigos, como, p.ex., na classificação dos povos constante no capítulo 10 do referido livro, ou na anacrônica expressão “Ur dos Caldeus”), e veja que penetrar nesse “matagal” é algo bem complexo.

    Veja, estou resumindo muito, e simplificando. A questão, é claro, começa a mudar de figura a partir do estabelecimento da monarquia israelita, com Saul e depois Davi; e é totalmente outra no caso do Novo Testamento, onde padrões historiográficos desenvolvidos inicialmente entre os assírios e neo-babilônicos, e fixados pelos gregos a partir de Heródoto de Halicarnasso, podem (e devem) ser esperados. A “tolerância”, por assim dizer, que se pode ter (com os devidos cuidados, e análises meticulosas) com Gênesis, e com Jó, e até mesmo com Jonas (que eu considero um dos mais simpáticos livros da Bíblia), não se pode em absoluto empregar com os Evangelhos, ou com os Atos dos Apóstolos.

    Isso, evidentemente, não diminui em nada a “inspiração” das Sagradas Escrituras. A exegese pode ser flexível nalguns aspectos (no caso das assertivas “científicas”, como já comentei noutra mensagem deste “blog”, ou então, como agora estou comentando, nalguns casos “históricos”), mas será inflexível no que diz respeito à Revelação e à Moral. E, de fato, tem sido assim. A moral que a Igreja hoje defende, baseada nas Escrituras, é a moral que sempre defendeu, e que sempre defenderá – por isso, inclusive, é acusada de “retrógrada”.

    Permita-me ilustrar com um pequeno exemplo. Imediatamente antes na época de Jesus (mais especificamente, no tempo de Herodes o Grande), viviam dois grandes sábios (“rabinos”, como seriam denominados depois) judeus, Hillel e Shammai. Ambos tinham sua maneira de interpretar as Escrituras, mais especificamente a Lei divina, o Pentateuco (a Torá). Hillel, no geral, era mais brando, asseverando que o essencial no agir humano era, por assim dizer, a intenção da justiça, e que, ao fim de nossa vida terrena, as boas ações superassem as más. Shammai, ao contrário, era mais rigoroso, insistindo na obediência da Lei como um todo – todos os preceitos eram importantes, porque sua origem era igualmente divina, e a desobediência ainda que a alguns era algo sumamente grave. E, claro, havia inumeráveis discussões entre os sábios judeus acerca de vários tópicos concernentes à interpretação da Lei, com o inevitável casuísmo, interpretações contraditórias e acúmulo de detalhes. Quanto a isso, conta-se que, certa vez, um pagão foi a Shammai e desafiou-o a explicar-lhe a Lei no tempo em que ele (o pagão) pudesse se agüentar de pé apoiado-se numa perna só. Shammai não gostou da petulância do sujeito, insultou-o e expulsou-o de sua presença, chegando até a agredi-lo fisicamente. Então o pagão foi até Hillel, e lhe fez o mesmo desafio (talvez esperando outra reprimenda e expulsão). Mas Hillel lhe respondeu: “Não faças aos outros o que não queres que te façam; nisso consiste toda a Lei [Torá]. O resto é comentário. Agora, vai em paz, e estuda.” (cf. Talmude da Babilônia, tratado “Shabbat”, fólio 31a). Diz-se tradicionalmente que, impressionado, o pagão retirou-se, estudou e, ao fim, acabou se convertendo ao Judaísmo (embora essa última parte não conste nessa passagem do Talmude; mas isso não é importante para o meu argumento).

    O “cerne”, o “imutável”, nas Escrituras, é a Revelação divina, o conhecimento do Eterno (na medida, e nos termos, em que Ele quiser se revelar), a par de sua parte moral (na narrativa talmúdica citada simbolizada pela “Regra de Ouro”, enunciada no seu sentido negativo – Jesus a enunciaria no seu sentido positivo, proceder com os outros do modo como se gostaria que procedessem conosco); todo o resto depende disso, é “comentário”. Não que seja, em absoluto, “secundário” – é “complementar”, e passível duma exegese, por assim dizer, adaptativa. O (verdadeiro) processo exegético, por conseguinte, não se trata dum amontoado casuístico de “elucubrações teológicas” para justificar tudo a qualquer custo, mas sim da procura, humilde mas confiante, duma compreensão melhor e mais genuína dos “complementos”, dos “comentários”, a fim de melhor se entender, e se praticar, na sua plenitude, e do modo que o Antigo de Dias deseja de nós, o “essencial”.

    Claro, há dificuldades nisso, muitas vezes tremendas; como aliás já mencionei, os limites nem sempre são precisos: onde termina a alegoria e começa a literalidade? Quanto a isso, como já comentei, e além do que a Igreja ensina como de interpretação literal, eu procuro seguir as orientações de Boécio e do Cardeal Belarmino. Até agora, me têm sido duma utilidade inestimável.

    Não toco mais nesses assuntos. Juro. Vamos todos, então, em paz, estudar…

  123. Marcos Arduin Diz:

    Bom gente, o dever me chama e não estou com muito tempo para me dedicar ao blog.

    Sabe, Zé Carlos, o problema dos livros de Chico em questão de romance, continua como eu lhe disse: são fantasias em última análise. Se a real existência e identidade do Lêntulo fosse algo de suma importância, tanto para a existência de Emmanuel, como para a própria doutrina espírita, então se justificaria tanto quebra-pau.
    #
    Eu não sei se o Lêntulo existiu ou não. Esse texto, que só li por cima, fala sim e não ao mesmo tempo: http://www.lideranca.org/cgi-bin/index.cgi?action=forum&board=treinamento&op=display&num=2986
    #
    Vai saber se o nome era completo ou incompleto? Vai que já acharam, mas não acham que é ele?
    #
    Veja bem Zé, que a questão de identificação exata é algo que só pode ser obtido POR QUEM CONHECEU O FALECIDO. Assim, um pai, filho, irmão, etc podem dispor de elementos que lhes permitiram identificar um parente falecido, pois sabem de coisas que só eles saberiam ou identificam nas comunicações a letra ou formas de expressão que o parente tinha. Nesse particular não tem problema.
    #
    Agora se quem nos escreve assina como Napoleão, Júlio César, Augusto, Beethoven…? Não tem nenhum parente vivo para nos confirmar nada a respeito deles. O máximo que podemos nos fiar é quando nos dizem coisas que não são do conhecimento comum e só dedicados historiadores saberiam.
    #
    Nós espíritas, em qualquer situação saíriamos perdendo: já estamos aqui com muitos posts só para saber se Lentulo existiu ou não, pois a história não nos dá pistas fáceis de sua existência.
    #
    Agora imaginem se Chico e a FEB fizessem uma extensa pesquisa sobre a Roma antiga, checando tudo o que fosse possível, e no final elegessem um senador com mais possibilidades de fazer o papel atribuído ao Lentulo? Que iriam dizer então? Que nada houve de especial no romance e que tudo o que ele fala é só resultado de pesquisa feita e que Chico estaria querendo enganar os leitores, vendendo uma “revelação” espiritual que não foi nada mais do que a revelação de uma boa pesquisa feita por ele e pela FEB.
    #
    Já que não dá para contentar a todos…

  124. Roberto Passos Diz:

    Sonia N, ou Willian. Não consigo acessar o blog naquele endereço.
    Abraços

  125. Sonia N. Diz:

    Roberto Passos:
    -
    O blog está temporariamente “fora do ar”, para complementação de matéria.
    -
    Tenha um pouco de paciência, que logo poderá ser acessado. E a espera vai valer a pena.
    -
    Abração

  126. moizes montalvao Diz:

    Prezados Carlos Magno e Márcio Gomes,
    .
    “Choveram” tantas mensagens que só agora vi seus recados. Acredito que o escorreito comentário do Santos não deixa dúvidas quanto a inadequabilidade jurídica das “provas judiciais mediúnicas”.
    .
    Aliás, o Santos tocou num ponto interessante. As psicografias de Chico, mesmo as que não foram utilizadas em tribunais, eram sempre “inocentadoras”. Se havia suspeita de suicídio, de uso de drogas, bebedeiras, desrespeito às normas de segurança; logo vinha o recado “revelando” que as causas foram: problemas no veículo; desfalecimentos inesperados; escorregões; causas fortuitas, enfim, tudo para absolver o morto de ter ocasionado a tragédia que lhe suscitou a morte. Os falecidos contatados por Chico não estavam entre o grande número de jovens que se aventuram insanamente nas emoções imprudentes típicas da idade; eram todos comportados, ajuizados, respeitadores…
    .
    A curiosa situação é facilmente explicada: Chico estava no papel de consolador de corações despedaçados pela dor da ausência: jamais iria contribuir para incrementar o sofrimento dos enlutados. Uma nobre atitude, mas, que demonstra o arranjo bem terreno das mensagens alegadamento provinda de espíritos…
    .
    Voltando ao uso de psicografia no judiciário: vê-se, pois, que não se tratou, como o Márcio imaginou, de recorrer a teses conspirativas (juízes arranjados, jurados escolhidos com base na simpatia espírita), nada disso. Independentemente de crenças religiosas, o fato é que cartas psicografadas, usadas como provas judiciais, são uma excrescência jurídica e não têm a menor condição de ser tornar procedimento comum em qualquer tribunal. Nem psicografias, nem “revelações do Espírito Santo”, nem testemunhos de “incorporados”, ou coisas parecidas. Gostemos ou não.
    .
    Magno, prazer em revê-lo também…

  127. moizes montalvao Diz:

    SeriousBusiness Disse (falando de José Carlos Ferreira Fernandes):
    .
    “Eu tava até aceitando de bom grado as revelações desse estudo, mas diante da constatação de que a fonte é nada isenta, nem desinteressada vou ter que pronunciar aquele velho meme da internet: ‘tem que ver isso ae, mano!’ ”
    .
    O mal é esse: descartar o sábio porque não provém de fonte que lhe seja simpática. Não sou católico, mas tenho de reconhecer que José Carlos está bem documentado em suas explanações. Em vez de descartá-lo a priori, por que não tentar mostrar as fragilidades de seu arrazoado? Talvez porque seja mais fácil desqualificar a pessoa a confrontar suas idéias… lamentável…

  128. moizes montalvao Diz:

    Prezado José Carlos Ferreira Fernandes,
    .
    Apreciei deveras seus comentários altamente esclarecedores. Haveria disponibilidade de e-mail, ou site, para que houvesse contato futuro? Tenho algumas questões a elucidar que, acredito, seu conhecimento muito contribuiria para esclarecimento. Por exemplo, alega-se que os judeus, ao tempo de Jesus, eram reencarnacionistas, e que os primeiros cristãos agasalhavam a crença nas múltiplas existências. Fiz estudos preliminares sobre esses e outros temas, mas, certamente que ponderações de quem conheça mais aprofundadamente tais assuntos serão muito úteis.
    .
    Claro, se houver interesse e disponibilidade para a gentileza.
    .
    Meu e-mail: [email protected]

  129. Carlos Magno Diz:

    Montalvão:

    -
    Permita-me entrar. A idéia da reencarnação os cristãos não herdaram somente dos judeus, mais corretamente dos hebreus cabalistas. Essa idéia também subsistia de antigos gnósticos, de budistas e da tradição védica. Os livros dos Vedas têm passagens sobre reencarnações, chamadas por eles de sanskaras. Algumas alegorias da história de Jesus são versões de outras passagens como de Krishna, por exemplo, milênios antes. Acredito que você saiba disto, mas esteja atrás da história como fonte.
    -
    Tem-se que a igreja adulterou certas referências dos evangelhos onde era mencionado claramente o processo reencarnatório.
    -
    O problema é a história oficial também ofuscar e não reconhecer; no entanto acredito que com boa vontade se acharão menções sobre esses fatos.
    -
    Abraços.

  130. moizes montalvao Diz:

    Prezado Marcos Arduin:
    .
    Nada obstante os esclarecimentos do José Carlos, peço vênia para acrescentar comentários ao seu belo opinativo. Eu diria que, em linhas gerais, você retratou mais ou menos o que significa ser cristão, levando em conta as objeções a seguir:
    #
    ARDUIN: Neste ponto sou mais técnico: cristão é um qualificativo para pessoas, ideias ou doutrinas que concordam com as elucubrações teológicas cristãs. Assim um cidadão cristão CRÊ nessas elucubrações e isso que o torna cristão. Nada tem a ver com seus atos ou práticas da vida. Os inquisidores, os cruzados, os donos de escravos católicos e protestantes, os integrantes da Ku-Klux-Khlan são cristãos genuínos pela razão que eu já disse.
    #
    MONTALVÃO COMENTA: você está certo, embora esteja errado. Não se pode dizer que os integrantes da ku-klux-klan sejam cristãos genuínos. Aliás, cristão legítimo é mercadoria rara. O que mais existe são crentes nominais, que abraçam superficialmente o cristianismo e se acham por cima da carne-seca. Faço-lhe uma indagação, qual é o cerne da mensagem de Cristo? Difícil saber? Não, facílimo: está lá em Mateus 22:
    .
    “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
    Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.
    Este é o grande e primeiro mandamento.
    E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
    Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”
    .
    Antes, no capítulo 7 do mesmo livro, o Mestre disse:
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    “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas.”
    .
    Então, com base nessas exortações, pode-se afirmar que um kukluxklaniano seria cristão?
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    O modelo de conduta que Cristo deixou é raramente observado integralmente, alguns o obedecem em parte, outros nem isso.
    .
    É certo que os católicos e protestantes escravagistas, os cruzados e os inquisidores estavam atrelados ao meio social que permitiu que tais personagens e comportamentos eclodissem. Não devemos cometer o equívoco de ler o passado com olhos de hoje, pois a leitura será distorcida.
    .

    ARDUIN: Já o espírita NÃO É CRISTÃO. Não o é porque sua base de doutrina é o ensino dos espíritos e não a Bíblia. Esta é para os cristãos sua regra de fé e prática. É divinamente inspirada, exata, infalível e absolutamente verdadeira em tudo sobre o que se manifesta. Assim então, um verdadeiro cristão deve crer que o Universo foi criado em 6 dias há 6.000 anos, deve crer que a Terra é plana e situada no centro do Universo, deve crer que o céu é sólido, deve crer num Dilúvio que inundou a Terra inteira até 8 metros acima do cume do Everest, deve crer que o sangue de Cristo lava os pecados e que a crença nele é fator de Salvação. Há mais a dizer, mas o dito acima é o fundamental para que alguém se apresente como cristão. Como os espíritas não acreditam em nada disso, então não podem se apresentar como cristãos.
    #
    MONTALVÃO COMENTA: existe um grupo no meio cristão, nominado “fundamentalista” que defende a literalidade bíblica em tudo, ou quase tudo, o que o livro relata. Entretanto, essa posição não é generalizada. É claro que boa parcela dos cristãos considera expressiva parcela dos relatos bíblicos alegóricos. Podiam ser tidos por literais ao tempo em que escritos, pois a ciência da época admitia as concepções prolatadas, hoje insustentáveis. Uma curiosidade: a Bíblia pode, em certos trechos transmitir a idéia de que a Terra seria plana e imóvel; porém, em outros trechos ela profere afirmações quase revolucionárias, como se lê no livro de Jó: “O Seol está nu perante Deus, e não há coberta para o Abadom. Ele estende o norte sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada. (Jó 26:6,7).”
    .
    Também, a Bíblia é única regra de conduta e fé para os protestantes; os católicos acrescentam o magistério eclesiástico (ou coisa parecida), que é a autoridade da Igreja em legislar infalivelmente sobre questões doutrinárias.
    .
    ARDUIN: Só que para os espíritas não existe Salvação. Nossa situação pior ou melhor, agora e no futuro, está na dependência dos nossos atos presentes. Não temos portanto um Salvador que vai desviar a ira de Deus contra nós. Jesus, contudo, foi um cara exemplar, que nos deixou ensinamentos exemplares. Não há porque descartá-lo. Muitos espíritas pensam ser cristãos porque erroneamente é ensinado que o Cristianismo é uma doutrina de amor ao próximo. Ora, taí a história do Cristianismo para provar que não é nada disso.
    #
    MONTALVÃO COMENTA: uma das grandes divergências entre cristianismo e espiritismo. Na ótica cristã, “salvar-se” depende de um ato misericordioso da divindade, o que não elide a participação da criatura no processo, pelo ato da busca dessa misericórdia. No espiritismo, o processo de salvação é relegado ao esforço pessoal, quem caprichar mais vai mais rápido; quem esmorecer, fica atrasado. Claro, dito mui superficialmente.
    .
    Seria isso…
    .
    Grande abraço,

  131. SeriousBusiness Diz:

    Noizes MOntalvão,

    Já discuti o assunto com o próprio JCF e isso já foi encerrado aqui mesmo. E por gentileza não distorça meus argumentos…

    t+

  132. SeriousBusiness Diz:

    JCF,
    -
    Já que é a sua última iteração no assunto, vai ser a minha última também.
    -
    Todo esse seu texto foi para dizer de uma forma rebuscada que a exegese irá adequar ao aceitável qualquer erro que há na Bíblia e que mesmo que nem tudo seja flores, o importante mesmo é o ensinamento e a moral.
    -
    Eu até concordo com isso, aliás, não poderia deixar de concordar. Não posso contrariar minha própria linha de argumentação: ao meu ver o importante realmente é o ensino e a moral.
    -
    Por outro lado, não acho coerente ser extremamente flexível e bondoso com os textos dos quais se serve a sua doutrina e ao mesmo tempo extremamente rígido e exigente com os que pertencem a doutrina alheia.
    -
    O livro “há 2 mil anos”, por ter incoerências históricas, é uma “fraude histórica completa” – seus ensinamentos, a partir daí, não valem nada por que o autor é um mentiroso e isso sem dúvida afeta tudo o que ele fez e inclusive a religião como um todo. Já a Bíblia, que contém deficiências mil, deve ser lida com toda pompa exegética e humildade, para podermos extrair o ensinamento e a moral dos escritores inspirados por Deus, que não queriam fazer um relato histórico ou científico, mas tão somente transmitir uma mensagem edificante pelo método daquele período. Não é o texto bíblico que contém erros, somos nós que não soubemos interpretar corretamente o que aparentemente era erro. Devemos ter todo o cuidado para ver onde termina o alegórico e onde começa a parte literal, e assim por diante…
    -
    É aquela velha história do argueiro e da trave no olho…
    -
    Por fim, esses debates não me agradam de jeito algum. Sempre fico com receio de ter ofendido alguém (mil perdões se eu tiver te ofendido, não tive a intenção) e muitas vezes fico com nojo de mim, quando vejo que respondi a provocações de baixo nível.
    -
    Fazia mais de ano que eu não participava desse blog e agora estou indo novamente, não devo voltar tão cedo.
    -
    Grande abraço e paz a todos!

  133. Gilberto Diz:

    SeriousBusiness, primeiro desculpe pelo SeriousS**t! É que uso essa expressão com frequencia e é uma tentação fazer brincadeira com seu Nick. Expliquei anteriormente que meu nome saiu Gil Santos por causa de uma reconfiguração no meu computador, mas sou eu mesmo. Não acreditar em abobrinhas espíritas (e de INÚMERAS outras religiões, diga-se de passagem) não quer dizer que eu seja anti-espírita. Me apresentam dessa forma por falta de, sei lá, um termo mais ofensivo (“cético” NÃO me ofende). Ser anti-espírita seria refutar uma religião (não ciência em minha opinião) que faz o bem de uma maneira muito diligente. Se “amar o próximo” é o grande mandamento cristão, então me desculpe o Sr. José Fernandes, mas os espíritas SÃO cristãos, sim. Da maneira mais elementar e pura (e herege, segundo os “doutores da lei”) que se pode ser. O que eu refuto com muita veemência é o lado pseudo-científico, anacrônico e refutador de verdades que CERTOS espíritas defendem com unhas e dentes, das ridículas publicações espíritas e de, devo admitir, de uma parcela muito pequena do trabalho de Xavier. Essa parcela me incomoda, mas não tira o crédito de guru supremo da história do Brasil. Nenhum religioso sozinho (talvez Padre Cícero, mas há muita lenda envolvida) ajudou tanta gente. Tá, se ele era uma fraude, então teria que afirmar “os fins justificam os meios” e aí entro em terreno perigoso, e isso pode me desacreditar. Mas nada, nenhuma opinião, vai apagar o bem que ele fez. Mesmo se ele não fosse apenas uma pequena fraude, mas sim uma GRANDE fraude. MUITA gente faturou e fatura em cima dele, e até certo ponto, o mitificam pro dinheiro continuar entrando. Pra quem acham que a Globo Filmes vai doar a renda do Filme “Chico Xavier”? Pra família Marinho, é claro! Mas repito NADA PODE APAGAR o bem que ele fez. Com cold reading, com hot reading, com hot-dog reading, sei lá. Existiu e pronto. Chupemos essa manga!

  134. Marcos Arduin Diz:

    Oi Malvadão (brincadeirinha!)
    Bem, Moisés, é o seguinte:
    Antes de mais nada, aquilo que diz os dois mandamentos lá NÃO É PRIVILÉGIO exclusivo dos cristãos. Em maior ou menor grau pode ser encontrado nas outras doutrinas religiosas. Além disso, a condição de alguém se deixar envolver por aquilo é entendido no Espiritismo como um resultado da evolução espiritual. Assim um espírito suficientemente evoluído ENTENDE aquela mensagem como sendo de valor fundamental.
    Já um mais evoluído no sentido intelectualizado e sorbonizado, mas moralmente mais baixo que a sola do sapato, vai se concentrar nas elucubrações teológicas e fazer do Cristianismo aquilo que eu disse. Infelizmente, essa segunda condição agrada à maioria que não é nem uma coisa e nem outra. É muito mais barato cumprir rituais religiosos e pagar dízimos do que se melhorar moralmente.
    Os apologistas cristãos com quem discuti e as obras e publicações cristãs que li batem sempre na tecla da pureza DOUTRINÁRIA. Por isso então é que restringi o Cristianismo às elucubrações teológicas e o desvinculei da DOUTRINA DO CRISTO.
    Já que a Ku-Klux-Khlan, a Inquisição, Cruzadas, etc e tal foram produtos abençoados pelas igrejas cristãs em suas épocas, então seus membros ERAM CRISTÃOS. Se não cumpriam aqueles dois mandamentos, isso não tem a menor importância para os cristãos pois a Igreja/o pastor disse que…
    #
    Bem, é certo que há um grupelho, muito influente nos EUA, que batalha pela literalidade bíblica. Mas não se deixe impressionar por “revelações revolucionárias”. Filósofos pré-socráticos já falavam desse lance da Terra estar suspensa sobre o nada. Portanto não é privilégio de uma revelação paranormal na Bíblia. Fique tranquilo quanto a isso.
    #
    É esse o ponto no qual os apologistas cristãos nos amaldiçoam: os espíritas não têm Deus; salvam-se a si mesmos.
    É isso.

  135. moizes montalvao Diz:

    Magno disse: “A idéia da reencarnação os cristãos não herdaram somente dos judeus, mais corretamente dos hebreus cabalistas. Essa idéia também subsistia de antigos gnósticos, de budistas e da tradição védica. (…) Algumas alegorias da história de Jesus são versões de outras passagens como de Krishna, por exemplo, milênios antes. (…) Tem-se que a igreja adulterou certas referências dos evangelhos onde era mencionado claramente o processo reencarnatório.”
    -

    COMENTANDO: Sobre a Cabala, existe controvérsia a respeito de sua antiguidade. Certos estudos contestam a idéia de que os cabalistas subsistem desde séculos antes de Cristo e afirmam que seitas esotéricas judaicas eram confundidas com esse grupamento. Há quem situe o início da cabala no século III a.C., quando os textos mais significativos desse movimento esotérico apareceram, notadamente o “Sefer Ietzirah”. Seja como for, a cabala era uma agremiação hermética (mais aberta na atualidade), cujas idealizações eram de divulgação restrita, portanto, mesmo que dentre seus ensinos houvesse apologia reencarnacionista esta não estaria disseminada dentre os judeus. Os que defendem a crença comum na reencarnação durante os tempos bíblicos asseguram que tratava-se de crença popular. Kardec afirmava que os judeus apenas “confundiam” reencarnação com ressurreição: citavam a última quando tencionavam falar da primeira. Uma idéia não só estranha, mas de difícil defesa.
    .
    Embora dentre os primeiros cristãos não houvesse um sistema de crenças consolidado, inclusive muitas superstições eram acreditadas, a suposição de que os primeiros seguidores de Cristo cultivavam o reencarnacionismo é mantida fragilmente. A mensagem de Cristo, divulgada pelos discípulos e pelos primeiros apóstolos, não tinha cunho reencarnacionista, portanto seria muito difícil que tal concepção vigesse no meio cristão.
    .
    A semelhança das mensagens de Cristo com a sabedoria do pensamento oriental, se existe, é circunstancial. O ineditismo da pregação de Jesus, torna seu discurso singular e dificilmente comparável com o de qualquer outro líder religioso.
    .
    A alegação de que a Igreja teria suprimido os textos bíblicos reencarnacionistas é bastante comentada no meio espiritista. Entretanto, a mensagem do Novo Testamente é eminentemente ressurrecionista. Dificilmente duas doutrinas contrastantes teriam agasalho no conteúdo neotestamentário. Daí a fraca possibilidade de que tal proposição tenha fundamento. É mais provável que tenha ocorrido inserções nos textos originais que supressões.
    .
    Supondo-se a ocorrência de expurgo reencarnacionista na Bíblia, por que a espiritualidade não veio em socorro dos defensores da reencarnação e não reconstruiu os escritos primitivos? Não tenciono fazer blague ao dizer isso, mas, de fato seria trabalho quase que obrigatório por parte dos espíritos: o que significaria, dentre outras razões, inimaginável reforço demonstrativo da existência um contingente de espíritos comunicando, orientando e mostrando o que acontece conosco depois que passamos para a horizontal.
    .
    É claro essa miúdas afirmações que fiz, precisariam ser ampliadas, com a citação de textos bíblicos que mostrem a impossibilidade de conter reencarnação no escrito sagrado, e pela análise dos relatos supostamente reencarnacionistas como o do diálogo entre Jesus e Nicodemos, o qual, desde Kardec, é utilizado como apologia das múltiplas existências.
    .
    Contudo, o dinamismo desse blog, onde ilações das mais variadas modalidades transitam conjuntamente, não seria o espaço ideal para desenvolver-se avaliações da espécie. Mesmo assim, na medida do possível, se for o caso, comentários mais ou menos amplos poderão ser postados.
    .
    Visto que nem sempre estou ligado à internet (às vezes passo vários dias fora), talvez eu não possa responder tempestivamente ao provável retruque que se seguirá à presente ponderação, e, quando eu retornar, pode ser que o assunto já tenha perdido o fôlego. Portanto, caso não receba retorno de pronto fica explicado o motivo.
    .
    Grande abraço,
    .
    Moizés.

  136. moizes montalvao Diz:

    SeriousBusiness disse: “Já discuti o assunto com o próprio JCF e isso já foi encerrado aqui mesmo. E por gentileza não distorça meus argumentos…”

    Você está certo. Quando fiz o comentário estava com a página desatualizada e não acompanhei o decorrer da conversa. Preciso, pois, reler todo o debate para avaliar se mantenho o que foi dito, ou parte, ou nada. Pelo que vi, superficialmente, você efetivamente confrontou as ponderações do José Carlos (se com sucesso ou não, cabe verificar em leitura posterior), o que, portanto, desqualifica a primeira idéia de que tivesse ocorrido argumento “ad hominem”.
    .
    Felicidades.
    .
    M.

  137. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. “Serious Business”:

    Devo, de fato, “morder minha língua” (ou, no caso, meus dedos, que digitam no teclado este texto), porque terei que romper minha promessa anterior. Mas algumas considerações suas, em sua última mensagem, foram interessantes e importantes a ponto de justificarem essa desobediência. Peço-lhe, e aos demais, tanto desculpas quanto paciência.

    O sr. diz: “(…) a exegese irá adequar ao aceitável qualquer erro que há na Bíblia e, que mesmo que nem tudo sejam flores, o importante mesmo é o ensinamento e a moral”.

    Apenas retificaria (pois parece não ter ficado claro, e isso é importante): “o ensinamento moral E a revelação divina”; não se trata apenas de se seguir um código moral. Porque (a nosso ver) Aquele que disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai a não ser por Mim”, etc., estava exigindo de seus discípulos algo mais do que apenas a prática dum código moral, por mais importante (e necessária) que tal prática venha a ser. Não só uma “mensagem edificante”, mas também a Revelação divina. Para esse (se me permite a expressão) “núcleo duro”, não há compromisso possível – inclusive a Igreja vem sendo sistematicamente rotulada de “retrógrada”, de “obscurantista”, e de muitos outros nomes impublicáveis aqui, justamente por manter-se-lhe fiel… O mais (usando a nomenclatura de Hillel) é “comentário”, e, sim, pode (e deve) ser adequado.

    O sr. também diz: “Por outro lado, não acho coerente ser extremamente flexível e bondoso com os textos dos quais se serve a sua doutrina e ao mesmo tempo extremamente rígido e exigente com os que pertencem a doutrina alheia”.

    Sua colocação é perfeita, sr. “Serious Business”. Somente lhe faço notar o seguinte: a) não se é, em absoluto, nem “bondoso” e nem “flexível” com o que importa (com o “núcleo duro”), como mencionei acima; e b) a flexibilidade é função daquilo que o texto, em si, alega.

    Permita-me explicar melhor este último ponto. A interpretação alegórica, ou simbólica, não é, em absoluto, algo novo, uma espécie de “tábua de salvação” a que a Igreja se agarrou quando se viu “engolfada pela maré da Razão”. Não é algo moderno, do séc. XVIII em diante – é algo antigo, é uma tradição. Começou, ainda que dum modo nem sempre sistemático, com os próprios Profetas da Antiga Aliança (“Quero misericórdia, não sacrifício”… a mensagem paradigmática, e que resume bem essa postura, está em Isaías, cap. 1, vers. 10-20). Continuou com o próprio Jesus (“Ouvistes o que foi dito” [...] “… eu, porém, digo-vos…”), estava presente no seu contemporâneo mais jovem, o filósofo judeu Filão de Alexandria, cuja obra é, em si, um monumento à interpretação alegórica, e que influenciou decisivamente a exegese cristã posterior – inclusive a medieval. Paralelamente, as Sagradas Escrituras eram consideradas um depositório da “fé” – da revelação divina e da lei moral, mas não das “ciências”. Que sirva de exemplo quanto a isso (um entre vários…), apenas, Santo Alberto Magno (1193-1280), o grande escolástico: “O objetivo das ciências naturais não é simplesmente aceitar as afirmações de outros, mas investigar as causas atuantes [i.e., o que efetivamente ocorre, a partir da experimentação] na Natureza” (“Sobre os Minerais”, livro II, trato II, 1); ou ainda: “Ao estudar-se a Natureza não se deve inquirir como o Deus Criador, em Sua vontade, pode usar Suas criaturas para operar milagres, mostrando assim Seu poder; deve-se, ao contrário, investigar o que na Natureza ocorre a partir de suas próprias causas imanentes” (“Sobre o Céu e Sobre o Mundo”, livro I, trato IV, 10). Ou, enfim: “Em matéria de fé, fundamento-me em Santo Agostinho; mas, no que diz respeito às ciências naturais, prefiro basear-me em Aristóteles e em seus comentaristas árabes, porque Santo Agostinho não conheceu muito bem a natureza das coisas” (“Sentenças”, XIII, C-2).

    Assim, as Sagradas Escrituras (ao menos na nossa tradição católica) nunca reivindicaram autoridade científica, ou, por outra, nunca se supôs entre nós que baseassem a sua autoridade no fato de descreverem com exatidão “como” o mundo funciona. No caso específico do “ciclo de Emanuel”, por outro lado, e de “Há Dois Mil Anos”, em particular, a exatidão (e realidade) histórica É, efetivamente, uma reivindicação do “guia” e dos textos, e reivindicação explícita – já demonstrei isso exaustivamente, em várias mensagens anteriores. A autoridade de “Emanuel” deriva do fato de ele ser quem diz ser. E essa identidade É verificável e analisável historicamente. Portanto, não é ser “extremamente rígido e exigente” submeter as obras do “ciclo de Emanuel”, e “Há Dois Mil Anos” em particular, a um escrutínio investigativo histórico o mais rigoroso possível (coisa, aliás, que os próprios espíritas deveriam ter feito…). Proporei três situações:

    Primeira Situação (Hipotética): o “guia” diz, via Xavier: “Podeis chamar-me de ‘Emanuel’, se assim desejardes, pois necessitais dum nome para me designar. Vivi muitas peripécias ao longo de minhas várias existências; inclusive, convivi, em circunstâncias nem sempre exemplares, com Jesus, o Divino Mestre. Mas isso não vem ao caso – não vos fornecerei mais detalhes, aprendei a vos ater ao essencial, e não ao secundário; ao contrário, passar-vos-ei, ó irmãos, dentro do que puderdes apreender, meu verdadeiro tesouro: aquilo que aprendi ao longo dessas muitas jornadas”. Muito bom. Neste caso hipotético, não haveria investigação histórica alguma a ser feita. Apenas o que se poderia exigir seriam os “protocolos de validação” que garantissem que, em termos aceitáveis à doutrina, tratava-se, efetivamente, duma “entidade” se manifestando, e não duma alucinação, ou duma obra do inconsciente, etc.

    Segunda Situação (Hipotética também): Xavier diz: “Amados, humildemente vos brindo com esta despretensiosa obra, que é uma coletânea, em estilo de romance, e adaptada a uma história que pretendo de leitura fácil e proveitosa, de diversos testemunhos e situações, de vários espíritos de elevada estatura moral e alto grau de evolução, alguns que a mim próprio se manifestaram, outros a outros colegas; a par de reminiscências de minhas leituras da inefável Doutrina, a Nova Revelação que ora nos guia rumo ao Amor”. Muito bom também. Neste caso hipotético, não haveria nem investigação histórica e nem exigência de protocolo de validação algum – a mensagem seria, efetivamente, o importante, e apenas à luz da mensagem a obra poderia vir a ser julgada.

    Terceira Situação (Real): o “guia” diz, via Xavier: “Podeis chamar-me de ‘Emanuel’; em encarnação passada, fui o orgulhoso patrício e senador romano Publio Lentulus, da ‘gens Cornélia’, contemporâneo de nosso Divino Mestre Jesus, e que com Ele conviveu, em circunstâncias nem sempre exemplares. Meu bisavô paterno foi Lêntulo Sura, o nefando conspirador catilinário; exerci um cargo em Esmirna, depois fui em missão à Palestina, na época de Pôncio Pilatos. Muitas outras coisas ainda me aconteceram, que narrarei na ocasião oportuna; participei da conspiração patrícia contra Nero, e durante a Guerra Judaica, tendo em vista minha anterior permanência em terras palestinas, bem como meu conhecimento dos usos e costumes locais, participei no conselho de guerra de Tito, o comandante militar, filho do Imperador. Capturado pelos insurgentes, fui cegado, para pagar as crueldades que eu próprio, quando encarnado como Sura, havia praticado; e, ao fim, morri na erupção do Vesúvio, na cidade de Pompéia, no início do império de Tito. Reencarnei outras vezes; sobre esse assunto, falar-vos-ei depois. Essas, em resumo, foram algumas de minhas passadas passagens por este planeta de expiação. A partir de agora, ó irmãos, passarei a vos transmitir, na medida de vossa capacidade de apreensão, minhas experiências em tantas jornadas, e em outras mais”. Neste caso, cabe tanto a investigação histórica quanto a exigência dos “protocolos de validação”. Eu venho realizando a investigação histórica, já que os espíritas kardecistas não quiseram, nem então e nem depois, se dar a esse trabalho.

    Espero, sr. “Serious Business”, que a situação tenha ficado clara. Um grande abraço.

    JCFF.



    Sr. Arduin:

    Sobre sua última mensagem, o que acima enderecei ao sr. “Serious Business”, creio, esclarece algumas de suas colocações. Sua separação entre “elucubrações teológicas” e “pureza doutrinária” cristã, por um lado, e “doutrina de Cristo”, por outro, não faz sentido para nós. A “doutrina de Cristo” inclui não apenas “ensinamentos morais”, mas também uma “revelação divina”, revelação essa que os espíritas não aceitam. Para nós, um espírita pode até seguir o “ensinamento moral” de Cristo na sua totalidade (que bom se o fizer!…); mas não segue “a doutrina de Cristo” em sua totalidade. Quanto às “elucubrações teológicas”, os espíritas também têm as suas – pegam da Bíblia, mesmo dos Evangelhos, aquilo que acham que devem pegar, e ignoram os próprios ditos de Jesus que não se adaptam à sua doutrina (que não é cristã, é emandada das revelações dos espíritos). Um grande abraço, também.

    JCFF

  138. moizes montalvao Diz:

    FLAVIA E A CARTA DE SIMONETTI.
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    FLÁVIA,
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    A carta de Simonetti foi uma apreciável tentativa de demonstrar que minhoca tem chifre. Apesar de alinhar alguns argumentos de boa qualidade, a maior parcela do escrito é constituída de ilações falaciosas. Ele parte da suposição, extraída não se sabe de onde, de que Chico Xavier foi caluniado pela reportagem. Veja os comentários que fiz dos principais trechos:
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    SIMONETTI: De onde a repórter tirou essa bobagem de que “toda essa história começou com as cartas dos mortos?”
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    COMENTÁRIO: Simonetti deve ter lido a reportagem com raiva, pois nem percebeu que “toda essa história” se refere ao que a jornalista comentava ao início do texto, a respeito do grande número de cartas que Chico recebe, mesmo depois de morto.
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    SIMONETTI: Se as eliminarmos em nada se perderá a grandeza de Chico Xavier. A história começa bem antes disso, com a publicação, em 1932, do livro Parnaso de Além-Túmulo, quando o médium tinha apenas 22 anos.
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    COMENTÁRIO: a autora não estava iniciando o relato cronológico da vida de Chico. Ela seria não só ingênua, mas completamente desatenta, se aventasse que a aventura mediúnica de Chico começara com as cartas psicografadas.
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    SIMONETTI: A reportagem diz: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”
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    COMENTÁRIO: nada de desabonador contra Chico na declaração da jornalista. Simonetti mostra-se tão irado, que vê desaforo até onde não existe. O próprio Chico dizia que “o telefone só toca de lá para cá”, dando a entender que realmente ele não “escolhia” os espíritos.
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    SIMONETTI: Afirmativa maliciosa, sugerindo o pastiche, a técnica de copiar estilo literário. O repórter não se deu ao trabalho de observar que no próprio Parnaso há, nas edições atuais, 58 poetas desencarnados, menos conhecidos e até desconhecidos, como José Duro, Alfredo Nora, Alma Eros, Amadeu, B.Lopes, Batista Cepelos, Luiz Pistarini, Valado Rosa… Poetas do Brasil e de Portugal que se identificam pelo seu estilo, em poesias personalíssimas enriquecidas por valores de espiritualidade.
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    COMENTÁRIO: coisa alguma do que foi dito descarta a probabilidade de que Chico tenha sido um singular talentoso, capaz de reproduzir, com admirável facilidade o estilo de variados autores. Não seria o primeiro com tal pendor e, certamente, não será o último. O que fazia Chico Xavier, e alguns outros, diferentes é o fato de atribuirem suas habilidades à influência dos espíritos.
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    SIMONETTI: Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo dos autores”. São totalmente fiéis.
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    COMENTÁRIO: trata-se da opinião de Simonetti, que cabe ser respeitada, mas dificilmente diz a realidade. Há discussão sobre a qualidade dos escritos vertidos por Chico Xavier, se estariam à altura dos autores quando vivos: alguns dizem que sim, outros negam.
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    SIMONETTI: Não tem a mínima noção de que a técnica do pastiche, a imitação de estilo literário, é extremamente difícil, quase impossível. Pastichadores conseguem imitar uma página, uma poesia de alguém, jamais toda uma obra ou as obras de centenas de autores.
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    COMENTÁRIO: argumento falacioso. É fato que não são muitos os capazes de imitar, com a agilidade que Chico demonstrava, o estilo do grande número de autores por ele retratados. Entretanto, raridade não significa singularidade. Dificilmente se conseguirá sustentar que Chico fosse o único capaz de realizar o que praticava. E, ainda que fosse (o que certamente não é o caso), mesmo assim, poderia tratar-se do maior representante conhecido de uma habilidade incomum, ou seja, haveria outros com igual capacidade, só que menos intensa. Traçando-se um paralelo com, por exemplo, quem tenha facilidade em simular vozes alheias, são conhecidos habilidosos capazes de fazer vocalmente o que Chico realizava graficamente.
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    SIMONETTI: Afirma que Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida, sempre insinuando o pastiche. Leitor voraz? Passava os dias lendo? Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e atendendo à atividade profissional. Não conheço um único documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”. Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.
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    COMENTÁRIO: Chico provavelmente era um leitor dedicado (não “voraz” conforme o epíteto da revista), mas, o que certamente lhe facilitava a absorção de conhecimentos seria a grande capacidade de memorizar o que examinava em uma única leitura. Alguns afortunados possuem esse dom: basta o primeiro exame e conseguem reter a maior parte do que é lido.
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    SIMONETTI: Fala também que Chico teria 500 livros em sua biblioteca e que “a lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos”.
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    E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu intermédio. Chico tinha livros deles? E de poetas que sequer publicaram livros?
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    COMENTÁRIO: a biblioteca de Chico não diz tudo sobre sua capacidade memorativa. Sendo agraciado com uma memória acima do comum, ele não dependia tanto dos livros, boa parte dos informes que utilizava estava já armazenada em sua mente, a melhor fonte de consulta rápida.
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    É indiscutível que Chico possuia cultura de muito boa qualidade. Embora o próprio se esforçasse por sedimentar a imagem de pouco letrado, o que lhe criaria facilidade para investir na imagem de médium inspirado pelo além, o exame das cartas que trocava com seus amigos (muitas foram destruídas, mas outro tanto conservou-se) demonstra cabalmente que não se tratava de nenhum parvo.
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    SIMONETTI: Quanto a Humberto de Campos, cuja família tentou receber na justiça os direitos autorais pelas obras psicografadas por Chico, o que seria ótimo acontecer, o reconhecimento oficial da manifestação dos Espíritos, esqueceu-se a repórter de informar que Agripino Grieco, o mais famoso crítico literário de seu tempo, recebeu uma mensagem do escritor, de quem era amigo. Reconheceu que o estilo era autenticamente de Humberto de Campos, mas que o fato para ele não tinha explicação, já que, como católico praticante, não admitia a possibilidade de manifestação dos espíritos.
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    COMENTÁRIO: se foi da forma como o Simonetti afirma, coisa alguma no episódio favorece ou contradiz a suposta mediunidade. Grieco procedera como deve agir o sábio diante de fenômeno que não consegue explicar: simplesmente reconhece que não tem como explicar. Tal não equivale a admitir o “poder” espiritual de Chico, apenas informa que o crítico omitiu-se de arriscar uma opinião. Além disso, sem saber-se quais elementos teriam levado Agripino Grieco a ver em escrito de Chico a mão de Humberto de Campos, não podemos conferir se ele estava nos seus melhores dias avaliativos ao proferir a declaração. Exiba, pois, Simonetti o texto referido para que seja analisado.
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    SIMONETTI: Esqueceu ou ignora que Chico, médium psicógrafo mecânico, recebia duas mensagens simultaneamente, com ambas as mãos sendo usadas por dois espíritos. Desafio Superinteressante a encontrar um prestidigitador capaz de fazer algo semelhante.
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    COMENTÁRIO: fosse eu da redação de Superinteressante, que tem condição de investigar com maior facilidade que nós, aceitaria o desafio, só para ver o que Simonetti diria quando trouxesse exemplos de quem consiga realizar tais feitos, e sem atribuí-los à mediunidade. Escrever duas mensagens diferentes ao mesmo tempo diz respeito à idiossincrasias psíquicas e manuais. Não são espetáculos tais que comprovarão a mediunidade. Pena que Chico não esteja mais vivo para que se lhe fosse proposto redigir simultâneamente um escrito filosófico com a esquerda e um sobre física quântica com a direita. Duvido que saísse algo que prestasse…
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    SIMONETTI: Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na revista.
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    COMENTÁRIO: conquanto fossem cientistas respeitáveis em seus campos de atividade, não conseguiram convencer seus pares sobre os fenômenos de materialização.
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    Tampouco conseguiram esclarecer como os espíritos faziam para materializarem-se tão consistentemente, a ponto de possuirem as características de um ser de carne e osso (até com batimentos cardíacos!). Os crentes acham isso muito natural, apesar de não terem meios de explicar como a “coisa” acontece. Na atualidade, as materializações ou são lembranças de um passado difícil de se explicar, ou ficam restritas a platéias seletas, sempre constituídas de alegres crentes. Onde as teorias científicas explicando tais supostos fenômenos? Onde?
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    SIMONETTI: A repórter reporta-se às reuniões mediúnicas das quais Chico participava como shows que o tornaram famoso e destila seu veneno. Cita o sobrinho de Chico que, dizendo-se médium, confessou que era tudo de sua cabeça, o mesmo acontecendo com o tio. Por que passar essa informação falsa, se o próprio sobrinho de Chico, notoriamente perturbado e alcoólatra, pediu desculpas pela sua mentira? Joga penas ao vento e espera que o leitor as recolha? Omitiu também a informação de que ele confessou que pessoas interessadas em denegrir o médium pagaram-lhe pela acusação.
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    COMENTÁRIO: o episódio entre Chico e o sobrinho ainda não foi bem esclarecido. No meio espírita circula a versão do suborno. Mas, existem pontos não esclarecidos no caso. Quem deu dinheiro ao rapaz para que difamasse o tio? Qual foi a motivação para tal ato? Por que o sobrinho arrependeu-se? E a obra de Amaury Pena, o que foi feito dela?
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    SIMONETTI: Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na reportagem. Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?
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    COMENTÁRIO: atualmente, sabe-se que espetáculos com perfumes são truques que, de tanto serem repetidos, se tornaram banais. Que condição teria um espírito de manipular perfumes? E os odores saem de onde? Para uso doméstico esses “shows” tem sua aplicabilidade, mas duvido que os espíritas, ou mesmo os “espiritos”, consigam apresentar explicação satisfatória para essas perfurmações.
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    SIMONETTI: Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho. Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”. Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso, porquanto ele não estava lá.
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    COMENTÁRIO: o exemplo dado pelo articulista é sintomático: o sujeito ia “toda” noite deitar-se à sepultura do filho e ninguém sabia o que ele fazia… É mais provável que toda a família soubesse e ele pensasse que não tinham conhecimento. Não é nada difícil que a esposa comentasse com alguém que “gostaria que o marido parasse com aquilo”. Nesse caso, a intervenção de Chico Xavier teria sido salutar, pois ajudara o sujeito a equacionar positivamente a saudade que o dominava. Igual resultado provavelmente seria obtido com uma boa psicoterapia.
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    SIMONETTI: Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo conhecimento. Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo. Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido, verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam respeito ao meu mal. Curaram-me.
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    COMENTÁRIO: em outras palavras, o autor poderia, por si mesmo, buscar o remédio homeopático adequado ao seu problema, mas preferiu tê-lo vindo das mãos de Chico Xavier. Diversas explicações podem ser apresentadas. Uma delas é que medicamentos homeopáticos, alguns deles, são indicados para variadas moléstias. Outro detalhe, uveíte deixa os olhos intensamente irritados, não seria difícil notar que o relatante estivesse com problemas na vista. Se alguém percebeu, não é eliminada a hipótese de que Chico tenha sido notificado. O que muito facilitaria a receitagem… Não afirmo que tenha sido assim, porém é fato que existiriam meios de Chico Xavier indicar medicamentos que “dissessem respeito” a inflamações visuais. Não esquecer que Chico receitava medicamentos homeopáticos que, dificilmente, fazem mal a alguém e embalados pelo prestígio do médium tinham força sugestiva muito intensa.
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    SIMONETTI: Outras “pérolas” da reportagem:
    Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade.
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    COMENTÁRIO: ocorre que a “psicose” foi aventada por Alexander Moreira de Almeida, conhecido espírita, diretor do NEPER – Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Não foi suposição feita pela repórter. Alexander citou a hipótese de psicose para mostrar uma interpretação que considera errônea, pois os os médiuns em geral possuem boa sanidade mental. É só ler direitinho o que está escrito…
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    SIMONETTI: Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião de um médico. Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação? E porventura o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos mediúnicos durante a crise epilética?
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    Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto. Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a “manifestação”.
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    Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia Carlos Imabassahy, grande escritor espírita, inconsciente velhaco, porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele próprio.
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    COMENTÁRIO: o que a reportagem mostra são explicações alternativas para as manifestações de Chico Xavier, não se apega a qualquer delas e afirma “a explicação pode estar num meio-termo”. O que de ofensivo há nesta suposição? Simonetti parece exigir que uma revista não-espírita reconheça incontinenti que Chico Xavier fosse verdeiramente incrementado por espíritos.
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    SIMONETTI: Na famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi “bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Bombardeado? Safou-se? O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um mistificador? Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento os entrevistadores “bombardearam” Chico. E em nenhum momento ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de Espiritismo.
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    COMENTÁRIO: de fato, não houve propriamente “bombardeio”. Entretanto, a revista estava, sim, elogiando o desempenho de Chico, que teria conseguido dar conta do interrogatório, e Simonetti achou que estivesse agredindo. O programa foi uma iniciativa espírita, com objetivo de exaltar a imagem de Chico Xavier como autêntico médium. Até psicografia ao vivo aconteceu durante o evento. Chico foi sabatinado, mas por seus amigos e simpatizantes. Apenas umas poucas personalidades, estranhas ao espiritismo, foram autorizadas a dirigir indagações ao entrevistado. Tudo debaixo do mais meticuloso colchão protetor.
    .
    SIMONETTI: A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena! Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso, transitou pela Terra.”
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    COMENTÁRIO: “progresso e bem estar dos homens” na visão espiritista, diga-se de passagem. Apesar de não haver nada de reprovável no fato de Chico ter sido um divulgador da mediunidade, da reencarnação e de doutrina espírita geral; supõe-se que a revista foi a procura do homem, não do médium, e buscou entender como ele foi visto por diferentes olhos: dos crentes e dos demais.
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    SIMONETTI: E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir, conforme sugere. Não morreu pelo Espiritismo. Viveu como espírita. E se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na citada reportagem.
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    COMENTÁRIO: não pareceu que a reportagem o tenha descrito como mártir. Se bem que Chico, realmente, viveu e morreu pelo espiritismo; porém essa foi sua opção e, acreditamos, sua felicidade. Que Deus o tenha…

  139. Carlos Magno Diz:

    Moizés,
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    Não pretendo retrucar porque já estou desde logo sem fôlego, visto este assunto não se resolver nunca nem com réplicas, tréplicas, ou sob escritos verborrágicos tão ao gosto do José Carlos, que se julga conhecedor inconteste ao desejar esfregar nos narizes alheios somente fatos históricos oficiais.
    -
    Somente inferi posições já conhecidas. Há realmente mil e uma ponderações e citações que poderia trazer-lhe e isso inundaria o blog do Vitor e não provaríamos absolutamente coisíssima alguma. Uma vez céticos, céticos até morrer, não adianta, não se arredam pés e já estou tirando meu time de campo.
    -
    Somente reafirmo que a história oficial é uma, em grande parte envolta em tantas dúvidas, hiatos, documentos apócrifos e manipulada. Quem duvidar disso é um romântico sem sal, porque a história foi feita por homens ambiciosos e déspotas. Não é porque os alfarrábios acadêmicos estão cheios de documentos plenos de narrativas reconhecidos pelos especialistas que é a verdade ipsis litteris. Em muitos casos nem se aproxima da honestidade. E a história contada por Emmanuel, ocultistas, esotéricos e espíritas detém correções e inserções que os acadêmicos não dispõem e quando expostas não as aceitam, são refutadas e ponto final. Por que? Porque os homens que formularam e formulam a história são basicamente materialistas ou contrários à divulgação das versões espiritualistas, sejam elas espíritas ou esotéricas. Isso já é sintomático e dirigido; nem perco mais meu tempo em discutir nem ponderar.
    -
    De todas as formas foi um grande prazer conversar novamente com você.
    -
    Grande abraço.

  140. Sonia N. Diz:

    Sr. José Carlos:
    -
    Sem precisar “morder a língua ou os dedos”, mas prestando um serviço, que eu sei o senhor sente prazer, poderia explicar melhor, inserida em seu último comentário, a réplica ao Sr. Marcos Arduin?
    -
    Como o senhor já sabe, não tenho qualquer tradição católica, pois, nasci em família espírita, cujo pai já procedia de família espírita também. Portanto, não estou afeita aos ditames da Igreja do Catolicismo Romano. Tenho tentado me inteirar (para refutá-lo), seguindo o seu conselho, mas confesso que, para mim, é muito difícil entender toda a “burocracia parafernálica” eclesiástica (nem sei se posso expressar-me assim) do catolicismo, para explicar a simplicidade da doutrina de Jesus.
    -
    Seu texto, em resposta ao Sr. Arduin:
    “Sobre sua última mensagem, o que acima enderecei ao sr. “Serious Business”, creio, esclarece algumas de suas colocações. Sua separação entre “elucubrações teológicas” e “pureza doutrinária” cristã, por um lado, e “doutrina de Cristo”, por outro, não faz sentido para nós.
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    {[A “doutrina de Cristo” inclui não apenas “ensinamentos morais”, mas também uma “revelação divina”, revelação essa que os espíritas não aceitam. Para nós, um espírita pode até seguir o “ensinamento moral” de Cristo na sua totalidade (que bom se o fizer!…); mas não segue “a doutrina de Cristo” em sua totalidade}]
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    Quanto às “elucubrações teológicas”, os espíritas também têm as suas – pegam da Bíblia, mesmo dos Evangelhos, aquilo que acham que devem pegar, e ignoram os próprios ditos de Jesus que não se adaptam à sua doutrina (que não é cristã, é emandada das revelações dos espíritos)”
    -
    O senhor poderia, por favor, explicar principalmente, o texto que coloquei entre “chaves e colchetes”?
    Se possível, sem as suas costumeiras explanações tão extensas, que a gente desanima de perguntar qualquer coisa ao senhor. Aliás, foi por isso que mencionei em minha última mensagem (ao senhor) que publicasse sua pesquisa; num livro, seria muito mais fácil de entendimento, em vez de explicações extensas, perdidas em meio a tantos comentários. Fui sincera, mas o senhor entendeu mal minhas palavras (com certeza, porque, reconheço, já fui extremamente rude com o senhor). Portanto, nem me passou pela cabeça que o senhor estivesse à cata de sensacionalismo, porque sei que se o quisesse, já o teria conseguido. O senhor é comedido e não pisa em terreno “fofo”.
    -
    Abraços afetuosos, mesmo que o senhor…(já sabe)

  141. Sonia N. Diz:

    Carlos Magno:
    -
    Você não só deu um tiro no pé, como cometeu suicídio, hen?
    -
    Abração

  142. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sra. Sônia N:

    Inicialmente, permita-me lembrar-lhe que se a “”Doutrina de Jesus” (“DJ”, para simplificar) fosse assim tão “simples”, não haveria tantas discordâncias em torno dela. As Escrituras (e a “DJ” nelas) não são assim de tão simples interpretação, como inclusive já se advertia na 2a Carta de São Pedro Apóstolo, cap. 1, vers. 20: “Antes de mais nada, sabei que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação particular”; e também na mesma epístula, cap. 3, vers. 14-16: “Por isso, queridos irmãos, durante este tempo de espera, esforçai-vos para que Deus vos encontre sem mancha e sem culpa, vivendo em paz. Considerem que a paciência de Deus para conosco tem em vista a nossa salvação, conforme vos escreveu o nosso amado irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada. Em todas as suas cartas ele fala disso. É verdade que nelas há alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e vacilantes distorcem, como fazem com as demais Escrituras, para a sua própria perdição”.

    A “DJ” inclui não apenas uma parte “moral”, mas igualmente uma Revelação da natureza divina, uma revelação de Deus a nós acerca d’Ele mesmo.

    A parte “moral” pode, ao menos em linhas gerais, ser razoavelmente resumida no “Sermão da Montanha” de Mateus. Sua prática está à disposição de qualquer ser humano, seja ou não cristão.

    A parte referente à “Revelação”, no que diz respeito a Jesus, afirma, entre outras coisas: que ele é ao mesmo tempo homem e Deus; que nasceu duma Virgem; que realizou um sacrifício expiatório pelos pecados da Humanidade (nos termos que já mencionei noutra mensagem deste “blog”), etc.

    Essa Revelação é evidenciada em diversas passagens dos próprios Evangelhos. Atendo-nos apenas num de seus aspectos, o caráter divino de Cristo, Jesus afirma-se explicitamente não apenas como Profeta, ou Homem Sábio, ou (se preferir) “Espírito Evoluído”, mas sim como Deus. Alguns poucos exemplos:

    A) a própria nomenclatura empregada no Novo Testamento (e seguida pelos escritores cristãos posteriores), atribuindo a Jesus o título de “Senhor” (“Kyrios”), um título exclusivo de Deus no grego utilizado nos meios judaicos helenísticos;

    B) também, o poder de Jesus de reinterpretar a Lei (cf. Mateus, cap. 5, vers. 17-48), sendo Ele inclusive o “senhor do Sábado” (Mateus, cap. 12, vers. 1-8; Marcos, cap. 2, vers. 22-28; Lucas, cap. 6, vers. 1-5);

    C) igualmente, o fato de Jesus ser o Messias, maior que Jonas ou Salomão (Mateus, cap. 12, vers. 38-42 e Lucas, cap. 11, vers. 29-32; comparar com as passagens em Marcos, cap. 8, vers. 10-12, e João, cap. 6, vers. 30-40), ou mesmo maior que Davi (Mateus, cap. 22, vers. 41-46; Marcos, cap. 12, vers. 35-37; Lucas, cap. 20, vers. 41-44);

    D) o fato de Jesus ter o poder de perdoar os pecados, algo que somente Deus poderia fazer (Mateus, cap. 9, vers. 1-8, sendo que o vers. 8 deve ser lido em conexão com Mateus, cap. 18, vers. 15-18, em que o poder de perdoar é entregue à comunidade da Igreja; Marcos, cap. 2, vers. 1-12; Lucas, cap. 5, vers. 17-26);

    E) o próprio prólogo do Evangelho de São João, no qual é explicitamente declarada a divindade de Jesus (João, cap. 1, vers. 1-16), o que é repetido ao final do referido Evangelho, na confissão de São Tomé, o que antes havia duvidado (João, cap. 20, vers. 19-20, especialmente o vers. 28: “Meu Senhor e meu Deus!”, “Ho Kyrios mou kai ho Theos mou!”)

    F) enfim, o fato de o próprio Jesus aplicar a Si a expressão divina “Eu Sou”, reivindicando a plenitude da Divindade, incluindo a Eternidade (João, cap. 8, vers. 39-59, especialmente o vers. 58: “Jesus então lhes respondeu: ‘Eu vos garanto: antes que Abraão existisse, Eu Sou.’” (“Prin Abraam ghenêstai, Ego eimi”). Com efeito, o termo “Yahweh” (“Javé”), o nome próprio divino por excelência, pode ser, com razoável precisão, traduzido como “Aquele-que-É”, “Ente”, no sentido de que Deus é o Único que existe de forma absoluta, já que tudo o que há derivou d’Ele (veja-se Êxodo, cap. 3o, versículos 13 e 14: “Moisés então replicou a Deus: ‘Quando eu me dirigir aos filhos de Israel, direi: o Deus de vossos antepassados enviou-me a vós; e se eles me perguntarem: qual o seu nome?, o que responder-lhes-ei?’ Deus disse a Moisés: ‘Eu sou Aquele que sou’ [“Ehyê asher ehyê” no hebr.; “Ego eimi ho Ôn” no gr.]. E continuou: ‘Falarás assim aos filhos de Israel: Eu Sou enviou-me até vós’”). Portanto, quando Jesus disse, solenemente, “Antes que Abraão existisse, Eu Sou”, estava clara e explicitamente proclamando a Sua divindade”.

    Nem falo aqui de outros temas (o nascimento virginal, presente nas narrativas da infância de Mateus e de Lucas; ou o Julgamento Final e a Ressurreição dos Mortos, contrários a qualquer idéia reencarnacionista), para os quais, igualmente, podem ser obtidas citações explícitas nos Evangelhos, e que compõem a Revelação. Restrinjo-me, quanto aos detalhes, à divindade de Cristo.

    Tudo isso é, também, “DJ”. Está na Bíblia; mais ainda, consta nos próprios Evangelhos, dito e proclamado pelo próprio Jesus. No entanto, os espíritas não aceitam isso…

    E mais: era compreendida a divindade de Jesus como tal desde o início, como testemunha, p.ex., a Carta de São Paulo Apóstolo aos Filipenses, cap. 2, vers. 6-11 (redigida antes mesmo de qualquer dos Evangelhos canônicos): “Ele tinha a condição divina, mas não Se apegou a Sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-Se a Si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-Se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-se obediente até aà morte, e morte de cruz! Por isso, Deus O exaltou grandemente, e Lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome; para que, ao Nome de Jesus, se dobre todo joelho no Céu, na Terra e sob a Terra; e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”.

    E da mesma forma testemunham os escritos cristãos mais antigos, além das Escrituras: os Padres Apostólicos, os Apologistas, etc. Poderia ilustrar isso com inúmeras outras citações, mas não o farei. Peço que a sra. confie em mim. Se não confiar (é seu direito legítimo), procure então ler, pelo menos, os Padres Apostólicos e os Apologistas. P.ex., se lê razoavelmente a língua inglesa, vá à “Christian Classics Ethereal Library” (www.ccel.org), um portal não exclusivamente católico, e lá procure por “Church Fathers”, na aba à esquerda. Terá muito, muito o que ler, mas vale a pena, acredite-me. Pode inclusive baixar todos os arquivos, em extensão “pdf”, e divertir-se.

    Portanto, há um volume considerável, avassalador, de evidências, neotestamentárias tanto quanto dos primitivos cristãos, a respeito da divindade de Cristo. Que, desde o início, fazia parte da “DJ”.

    Mas que os espíritas não aceitam…

    A sra., claro, vai responder ou que os trechos citados não são “genuínos”, que foram “adulterados”, ou “acrescentados”; ou então apelará para algum casuísmo (como tentar, p.ex., igualar “ressurreição” com “reencarnação”).

    Não era assim, contudo, que, desde o início, pensavam os CRISTÃOS.

    Mas é assim que pensam, agora, os ESPÍRITAS.

    Que têm, portanto, quanto à Revelação Divina (que é parte da “DJ”) as suas próprias “elucubrações teológicas”: ou pegam dos Evangelhos só o que mais lhes convém (o resto é convenientemente considerado como “adulteração”), ou então “elucubram” e torcem os significados (que são claros – basta ler os exemplos que citei antes, e que não são, em absoluto, os únicos…), para adaptar a “DJ” à sua verdadeira doutrina, que não é a “DJ”, é a “Doutrina dos Espíritos” (“DE”, para simplificar).

    Por isso, da “DJ” os espíritas somente podem cumprir (no máximo) a parte moral, o “Sermão da Montanha” (não que isso seja pouco, entenda-me; a maioria dos cristãos nem isso faz…).

    Até aí, tudo bem; é direito dos espíritas considerar que, da “DJ”, somente devem seguir a sua parte moral. Mas não me parece justo, ou mesmo honesto, misturar uma parte da “DJ” com os tais “ensinamentos dos espíritos”, “reencarnação” (que não é, em absoluto, o ensinamento de todos os espíritos – os “espíritos” dos países anglo-saxões não a ensinaram… estranho, não?), e dizer que ISSO, a “DE”, é “DJ”. Não é.

    Assumam-se. Não como cristãos (que não são), mas como espíritas (que podem vir a ser, se, de verdade, seguirem a sua “DE”).

    Vejamos se esse assunto, assim, se fecha em definitivo; que as pessoas possam agora refletir, e que eu não tenha que, de novo, morder minha língua, ou meus dedos…

  143. SeriousBusiness Diz:

    JCFF,
    -
    Eu até poderia continuar essa conversa infinitamente se resolvesse citar a exegese do NT para mostrar que muita coisa que vc critica no “Há dois mil Anos” também consta na Bíblia, inclusive no NT. Mas isso não acabaria nunca e eu certamente desitiria pelo cansaço em uma ou duas rodadas…
    -
    Quando eu falei de rigor e benevolência, eu não estava dizendo que vc não pode ou não deve fazer pesquisas de cunho histórico acerca dos livros (acho que vc deve sim, você é bom nisso). Eu estava me referindo à opinião pessoal que vc emitiu com base no resultado que vc trouxe ao site. São duas coisas diferentes: os resultados da pesquisa e a opinião que do conhecimento deles se origina. A impositividade que porventura derive de seu artigo não se extende às suas opiniões pessoais, ainda que relativas á sua própria pesquisa.
    -
    Quero, por fim, ressaltar um ponto da sua resposta ao Arduin, sobre os espíritas não serem cristãos.
    -
    Vc disse que os espíritas não seguem a doutrina cristã em sua totalidade.
    -
    Eu digo que eles seguem sim, e o fazem com muito zelo. O que eles não seguem é a doutrina cristã segundo a Igreja Católica Apostólica Romana, que é repleta de “add ons” para convencer os que se encontram sob sua égide que a única verdade se encontra ali, somente ali e ponto final, da mesma forma que é feita em todas as outras religiões exclusivistas.
    -
    De qualquer forma, quem julga é Deus e é ele quem vai apontar quem foi cristão ou não quando se fizer necessário.
    -
    Abraços

  144. SeriousBusiness Diz:

    Gilberto,

    Desculpas aceitas. Tenho reparado há algum tempo nos seus posts e vi que vc melhorou bastante na forma de se expressar e mesmo o conteúdo subiu de nível em relação às nossas disputas antigas aqui no blog, apesar de ter algumas recaídas pro lado do humor mal criado, o que é um erro comum que também costumo cometer.

    Foi por isso que perguntei se havia dois Gilbertos, pois um deles parecia bem mais “evoluído” que o outro. Mas no final das contas era a mesma pessoa :lol:

    Vou me afastar por um tempo do blog e espero um dia voltar e ter embates saudáveis contigo sobre as questões da espiritualidade.

    Grande abraço.

  145. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Caro sr. “Serious Business”:

    Então, “concordemos em discordar”. Penso que muito material útil, de várias tendências, já foi aqui disponibilizado; todos nós temos então bastante com que nos ocupar. E os leitores, por sua vez, creio, já têm uma visão bem razoável dos vários pontos de vista, em questão, bem como indicações sobre como e onde poderiam se aprofundar mais, se quiserem.

    Sem dúvida, no fim das contas, podemos ter várias e agradáveis surpresas, como insinua Borges no final daquele seu belo conto, “Os Teólogos”…

    Um grande abraço,

    JCFF.

  146. Livre Pensador Diz:

    Antes de mais nada, gostaria de esclarecer que não sou espírita, muito menos cético, que não sou cristão e nem tampouco ateu. Sou, e vendo o embate desesperado das duas posições neste blog, muito felizmente, um livre pensador. Dito isso, queria questionar uma coisa: SE ficasse provado (o que ao meu ver, embora muitos argumentos sejam interessantes, ainda não me convenci) que chico xavier fosse um charlatão (o que ao mesmo tempo provaria que o cara é um gênio), o que mudaria na ideologia de vocês? Os espíritas deixariam de ser espíritas, e os céticos se tornariam mais céticos? Se os espíritas deixassem de ser espíritas, que raio de doutrina é essa que se embasa num homem e não nos seus conceitos profundos para existir? Se os céticos se tornarem mais céticos, isso não evidenciaria um grau de credulidade no fato discutido até que ele se provasse errado? Sinceramente, e com respeito imenso a todos vocês, não se afundem em suas trincheiras desejando quebrar a opinião um do outro, pois isso só aproxima vocês do pensamento fanatizante das seitas fundamentalistas tão claramente distantes do pensamento espírita e cético. O Blog traz questoes interessantes a serem discutidas, embora o faça de uma maneira tendenciosa, pois como não tender a pensamentos que nos afeiçoam? Porém, não traz novidade em termos de ideologias, pois tentar desmascarar o Chico Xavier é algo que existe desde que ele surgiu para o público. E mesmo assim, ele nunca atacou seus detratores, pois mais do que um crente em seu pensamento, foi um ser humano compreensível e respeitoso aos ideais diferentes do seu, e isso é fato comprovadíssimo por sua história. Se fez ou não fez tudo que professou, se escreveu por conta própria ou através dos “espíritos”, isso pode ser discutido com certeza. Mas só acredito que essa discussão tão inflamada para destruir ou salvar um homem, seja algo que não vai mudar nenhum ponto no pensamento de vocês . Ainda não vi nenhum comentário de ninguém (embora confesse conhecer o site a pouquíssimo tempo, de maneira que vcs podem me corrigir) dizendo que mudou de opinião sobre chico xavier e o espiritismo a partir do que se colocou aqui. Daí volto a questionar, o que muda com o desmascaramento de chico xavier para vocês, crentes no espiritismo e no ceticismo?

  147. Paula Diz:

    Livre pensador:
    Sou espirita e concordo com seu comentário e complemento: apenas nossas próprias experiências é que podem mudar ou não nossas opiniões. De nada adianta um querer provar para o outro que está certo. O tempo trará a resposta para todos.
    Abraços,

  148. Gon Diz:

    Com todo respeito, continuem pesquisando.
    Falo de pesquisa, de perto. Bate boca não leva a nada e não prova nada. É pura perda de tempo.

  149. Sonia N. Diz:

    Sr. José Carlos:
    -
    Que vontade de “socar ” o senhor, enquanto o senhor “morde a sua língua ou os seus dedos”… aliás, prá que morder a língua, se o senhor só escreve… escreve… e escreve… cáspita, e como escreve…
    -
    E eu fico aqui, com vontade de morder o monitor, prá acompanhar o seu raciocínio…que inferno!!!
    -
    A gente não vai se entender nunca…
    -
    Tomara que apareça um outro José Carlos na sua vida!!!
    -
    Eu não queria rogar-lhe esta praga, mas agora já foi, pronto…
    -
    Boa noite

  150. Gino Diz:

    Todos morrem!
    E a cada um segundo suas obras…
    Alguns podem compreender facetas desta realidade enquanto outros compreenderão às custas das próprias experiências. A misericórdia DIVINA permitiu recebermos algumas informações da passagem e vida futura pela psicografia de Chico Xavier. Somos livres de aproveitar com estas bençãos de DEUS ou aprender com os nossos próprios erros.
    Escolhemos e vivemos as consequências…BOA ESCOLHA.

  151. Gilberto Diz:

    É Sonia, os ‘Doutores da Lei” não mudaram nada nesses dois mil anos. Continuam achando que sua teologia intocável é a expressão da mensagem de Cristo. Tenho uma Bíblia em Inglês que é toda impressa em tinta preta, mas as palavras de Jesus são impressas em tinta vermelha. É espetacular, pois você vê realmente como o homem (sendo filho de Deus ou simplesmente um pacifista espetacular) pensava. Quando eu quero ler a Bíblia, apesar de eu já tê-la lido inteira e relido diversas partes em toda a minha vida, hoje eu ignoro tudo e só leio o que está em vermelho. É impressionante a diferença que isso faz. É por isso que eu afirmei sentir que os espíritas SÃO CRISTÃOS, sim. Nenhum “Doutor da Lei” interpretaria dessa forma herege, é claro. É muito perigoso pensar da maneira simples que Jesus pensava. Ele morreu por causa disso, muitas pessoas morreram por causa disso, e hoje, apesar de não matarem mais, o mandamento de “amar o próximo” ainda parece ser algo perigoso de se colocar em prática. E se você o coloca, os “Doutores da Lei” exigem o “copyright”, cobram “royalties” e exigem um “backstage pass”, senão você está “out”!

  152. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    -
    Cada vez gosto mais dos seus comentários e, consequentemente, de você. “A árvore se conhece pelos frutos”.
    -
    Abração

  153. As fraudes de Chico Xavier | Repórter de Cristo Diz:

    [...] http://obraspsicografadas.haaan.com/2010/revelaes-da-superinteressante-sobre-chico-xavier/ [...]

  154. camila Diz:

    bom…vc só mostrou o lado “negativo” da matéria né…se fosse mentira tudo isso, a “máscara” do chico xavier já teria caído faz tempo(e não essa acusação de merda que nem a sua). E os outros milhões de casos?já teria caído a “máscara” dele, se fosse tudo mentira mesm, como vc exilca os fraudes das outras coisas que só ele conseguia fazer?eu mesmo tenho um conhecido já recebeu cartas psicografadas do Chico e sei que ela não deu nenhuma informação seja lá qual for a maneira!!!
    O povo mete o pau, mas o espiritismo é a doutrinação que mais acha as respostas pra todas as perguntas…e quando a água bate na bundinha vai correndo num centro espírita!
    a maioria das religioes é só vc saber um pouco mais de História que vai ver que é muitaaas mentiras…

    abraço

  155. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    -
    O Espiritismo é mais ou menos o que você descreve nesse seu comentário.
    -
    Jesus simplificou tudo. Até os Dez Mandamentos, que foi a primeira revelação. Resumiu-os em apenas dois:
    “Amar a Deus, sobre TODAS AS COISAS” (sabemos que NINGUÉM segue o primeiro) e ao PRÓXIMO como a si mesmo” (não especificando QUEM é o próximo). Entretanto, os “doutores da lei”, mais uma vez usurparam os seus ensinamentos tão simples e abrangentes, e LIMITARAM O PRÓXIMO aos seus interesses excusos, espúrios, mentindo, matando e enganando, asqueirosamente em NOME DELE.
    -
    Não quero falar mais sobre isso.
    -
    Hoje é domingo, dia de família reunida o dia inteiro. É só risada e alegria!
    -
    Irei NOVAMENTE assistir ao filme do Chico. E voltarei do cinema, como todo mundo que tem assistido, com uma alegria imensa, por ter sido testemunha e contemporânea, de um dos momentos mais importantes da História do Brasil e, consequentemente, da renovação do campo das idéias.
    -
    Abração e bom dia!

  156. Carlos Magno Diz:

    Sonia,
    -
    Nem dei um tiro no pé e nem sou candidato ao suicídio. Simplesmente cansei desses céticos que nunca arredam pés (como já disse). O Chico é imortal, eles serão esquecidos ainda hoje. O Chico deve ter escrito umas 5.000 páginas ou mais que inspiram milhões, os céticos e pseudo escrevem em blogs onde sempre o mesmo e mirrado número de amiguinhos vem falar e aplaudir. Ou escrevem livros e reportagens julgando-os sensacionais, mas sem nenhum impacto negativo à doutrina como infantilmente sonham e esperam pela fama.
    -
    Logo cheguei a real conclusão, talvez tardia, de que a verdade materializada pelo Chico por si mesma se sustenta; é só ver a dedicação dos espíritas que não conhecem e nem querem saber quem são os seus detratores. Vou é tratar de meus afazeres espirituais ao invés de estar me azedando e baixando meu padrão vibratório com sátiros irônicos, teóricos e pseudo cultos, e com quem escolheu ser o que é, gosta disto e já se cristalizou nessa forma-pensamento. Paciência.
    -
    O que falei está falado, o que defendi está defendido, disto jamais me arrependerei, mas agora é ponto final! Não pretendia mais escrever aqui, mas voltei para um esclarecimento já que a aprecio.
    -
    Abraços prezada, e ao William.

  157. Carlos Magno Diz:

    Correção: 50.000 páginas (entre livros e mensagens) ou mais.

  158. Gilberto Diz:

    Tchau, C.M. Vitor, adoro os anúncios Google deste blog e de outros sites espíritas. O de hoje é: “Você é um Vampiro? Clique aqui e descubra.” Demais…

  159. Vitor Diz:

    Só para deixar claro eu não tenho nada a ver com o que o Google escolhe botar como anúncio :)

  160. Sonia N. Diz:

    Meu querido Carlos Magno:
    -
    Pede o meu e-mail para o William e entra em contato comigo, por favor. Assim eu explico melhor porque fiz aquele comentário (desagradável, eu sei, e peço desculpa), mas foi proposital. Tanto é que você entrou em contato, da única forma que temos, que é por aqui.
    -
    Você sabe o quanto eu aprecio os seus comentários e, principalmente, sua lealdade, demonstrada na defesa férrea que você mantém aqui, do Espiritismo e, em especial, de Chico Xavier.
    -
    Você é espécime em extinção, meu amigo. Lealdade e fidelidade aos amigos e aos princípios esposados por si e pelos outros, atualmente, é raro e pouco cultivado.
    -
    Parabéns, pela pessoa que você é!
    -
    Abraços. Te aguardo.

  161. Marcio Diz:

    Caro José Carlos,

    saiba q prezo muito sua erudição e seus escritos, e suas intervenções no estudo do espiritismo têm sido d inestimável valor, superior ao q os próprios espíritas fizeram;

    porém, no afã d defender a sua posição, creio q vc ultrapassou o limite histórico q tão justamente impôs às obras d CXavier.

    Ñ é possível dizer peremptoriamente q Jesus declarou-se divino, pela simples razão q ele nada escreveu q tenha chegado até nós; o q temos é pseudo-epigráfico e foi escrito, na melhor das hipóteses, p/ discípulos d discípulos.

    Assim, as melhores interpretações das escrituras cristãs mostram q muita água rolou p/ debaixo da ponte das pregações d Jesus até a fixação em texto d algo em seu nome, o q é suficiente p/ ñ desqualificar uma interpretação racionalista d Jesus, tal como a d Kardec, cuja estratégia era comentar somente o aspecto moral, na minha opinião, d modo tb válido.

    Concordo c/ vc q a associação d ressureição c/ reencarnação é 1 horror, e q há vários outros pontos simplesmente errados na leitura q Kardec faz dos evangelhos, + há méritos e recursos em sua leitura tb.

    O q penso ñ se deve fazer e pode ser criticado c/ a mesma ênfase q se critica a posição espírita é a crença corrente d outras linhas cristãs q Jesus disse isso ou aquilo.

    Disseram q Jesus disse, essa é a melhor posição q temos presentemente, e ela ñ vem em favor da interpretação ortodoxa do cristianismo; pelo contrário, abre espaço p/ revisões perfeitamente legítimas.

  162. Sonia N. Diz:

    Carlos Magno:
    -
    O e-mail do William:
    -
    <[email protected]
    -
    Abração

  163. Carlos Magno Diz:

    Sonia:
    -
    Amiga, imagine se vou ficar zangado ou magoado com você? Somente comentei sobre sua observação a fim de que ficasse mais clara a posição assumida. Tudo bem, deixo um grande beijo para você. Foi um grande prazer tê-la conhecido pela telinha e lido seus ótimos textos (coisas da modernidade, não é mesmo?). Fuiii!

  164. Gilberto Diz:

    C.M.: Tchau de novo. Um super-abraço. Que seus projetos e planos sejam bem-sucedidos. Como se diz por aí: “Vai na fé!”

  165. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Prezado sr. Márcio,

    Grato pela parte que me toca; o sr. foi muito indulgente.

    Suas considerações são perfeitas: como Sócrates, Jesus não deixou nada escrito “do próprio punho”. Para Sócrates, temos que nos basear principalmente em Platão, talvez em Xenofonte, e em Aristófanes (uma fonte hostil). No que diz respeito a Jesus, temos que nos basear nos Evangelhos canônicos e (ao menos) nalgumas das cartas de São Paulo Apóstolo. Não há outra opção.

    Posso compreender perfeitamente sua perplexidade, porque eu também a senti no passado. “Como é que se pode ter certeza sobre o que o mestre galileu efetivamente ensinou?” Mas a questão, quanto a isso, é bem simples: o que se sabe de Jesus é o que se tem, basicamente, no Novo Testamento. É aceitar ou não – é confiar ou não naquilo que os Evangelhos e algumas cartas de São Paulo falam de Jesus, e sobre o que os Atos (e os demais escritos neotestamentários) testemunham acerca da ação dos Apóstolos, e do que eles pregavam sobre Jesus.

    Claro, pode-se não aceitar. Mas, no meu modo de ver, não aceitar implica um excessivo cepticismo, já que as fontes, no geral, encontram-se razoavelmente próximas dos eventos narrados. As cartas de São Paulo (como já citei numa outra mensagem neste tópico) fazem recuar as referências ao movimento cristão (e a seu fundador) à década de 50 dC, em plena geração apostólica; e, mesmo que se admita que os Sinópticos tenham sido escritos somente após a revolta judaica de 66-72 dC (algo sobre o que tenho sérias dúvidas), mesmo assim, os Quatro Evangelhos teriam tomado sua forma atual no último quartel do séc. I dC, ainda suficientemente próximos da primeira geração cristã.

    A redação e fixação de tais documentos, assim, deu-se numa época na qual ainda viviam muitos dos envolvidos nos acontecimentos originais (nem todos simpáticos ao movimento de Jesus), e na qual a lembrança REAL dos fatos ainda era recuperável; e, além disso, uma série de detalhes “comprometedores” dados a respeito do mestre galileu (p.ex., sua morte na cruz) afastam, ao menos nas suas linhas gerais, quer a suspeita da não-existência, quer a ambigüidade dos pontos gerais de sua doutrina.

    Não se esqueça, sr. Márcio: dizer, na época, que alguém havia morrido na cruz era o equivalente a dizer, hoje, que uma pessoa tinha sido condenada e morta, legalmente, por terrorismo. Não teria sido dito, se não tivesse uma boa probabilidade de ter sido justamente o que ocorreu – o que ganhariam os Apóstolos com isso? O mesmo se diga também, p.ex., do conceito de “ressurreição” (“anastasis”) dos mortos (diferentemente de “reencarnação”, “metempsychôsis”; também “metensômatôsis”, ou “ensômatôsis”; nalguns casos, “paligghenesia”, embora o uso específico desta última palavra em tal contexto seja um tanto problemático, já que significava simplesmente “renovação”). O conceito da ressurreição, do reerguimento dos mortos, com seus corpos, era algo ainda um tanto problemático dentro do próprio Judaísmo (os saduceus, p.ex., não a aceitavam), que se dirá no mundo greco-romano… No mundo mediterrânico, a concepção original platônica da alma (ao contrário da aristotélica) era a majoritariamente vigente, mesmo nas suas vertentes mais “materialistas” do estoicismo e do epicurismo. Tal concepção tendia a favorecer muito mais uma idéia do indivíduo em si como “alma” (e daí a possibilidade da “metempsychôsis”), sendo o corpo algo secundário, do que como o “sínolo” (“synolos”, união sintética) alma-corpo-espírito, que era, numa coincidência surpreendente, tanto a concepção aristotélica quanto a judaica.

    Não foi à toa que, no discurso de Paulo no Areópago, em Atenas, os ouvintes estranharam o orador, e perderam o interesse, justamente quando ele começou a mencionar a “ressurreição” (“anastasis” – veja Atos, cap. 17, vers. 16-34; especialmente, vers. 32-33). O Apóstolo, com efeito, não estava falando de “reencarnação”, mas sim de “ressurreição”.

    E também não foi à toa que, muito depois, na Idade Média, as obras “esotéricas” de Aristóteles, redescobertas a partir de traduções árabes (por sua vez, geralmente, traduções do siríaco), puderam ser utilizadas na grande síntese teológica escolástica. Mas isso é outra história.

    Malgrado influências platônicas (muitas vezes, neoplatônicas) sempre presentes, a concepção do ser humano por parte da Igreja Católica, como não podia deixar de ser, é aristotélica – não por causa de Aristóteles em si, mas porque essa é a tradição judaica, o ver-se o indivíduo como “synolos” composto de corpo, alma e espírito, numa união sintética. A concepção espírita kardecista está bem mais próxima do platonismo – o “ser individual” é a “alma”, ou “espírito” (os dois conceitos praticamente confundem-se, sendo que a alma é o “espírito encarnado”, cf. “Livro dos Espíritos”, resposta à questão 134), e o “corpo” não passa de “invólucro grosseiro”. A pneumatologia espírita é flagrantemente diferente da, digamos, pneumatologia “judaico-aristotélica”. Não poderia ser de outra maneira, já que somente considerando-se que a “alma/espírito” é a essência do indivíduo se poderia justificar em termos filosóficos aceitáveis a reencarnação. Ao contrário, se o “ser individual” não é apenas a “alma/espírito”, mas o “synolos” corpo-alma-espírito (“soma”, “psychê” e “pneuma”), uma justificativa filosoficamente razoável para o reencarnacionismo queda-se extremamente difícil. Eu poderia elencar uma série de citações tanto do Antigo quanto do Novo Testamento a esse respeito, mas isso tornaria a mensagem longa – além de abrir mais um campo ara uma polêmica sem fim, que não caberia aqui neste “blog”. Sugeriria ao sr., sr. Márcio, uma pesquisa cuidadosa acerca do assunto. Tente os termos “psychê” e “pneuma”, no grego, e “nefesh” (ou “nephesh”) e “ruach” em hebraico (ou os equivalentes “anima” e “spiritus”, em latim). Veja quantas vezes, e em que circunstâncias, cada um deles ocorre na Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, tanto no texto original hebraico quanto na tradução dos Setenta (quando essa comparação puder ser feita). Garanto-lhe que o assunto é sumamente fascinante.

    Sobre os textos em si: atualmente, a crítica textual procura não apenas recompor a leitura pretensamente “original” dos textos, mas também discernir fontes, adições, etc. Ora, tudo isso, embora válido em si, é extremamente problemático, porque não há, em absoluto, evidências físicas, efetivas, de Jesus, mais antigas do que as constantes nos Sinópticos, em João, e nalgumas cartas de São Paulo Apóstolo. Qualquer tentativa de “reconstituição” dum texto mais “primitivo”, ou “autêntico”, sobre os ditos do Mestre não tem, assim, nenhuma base documental efetiva, a não ser as próprias hipóteses (que não passam disso, hipóteses) da análise textual – inverificáveis “em campo”, por assim dizer…

    Sobre a crítica textual neotestamentária, se o sr. quiser obter algumas informações iniciais sobre o assunto, eu sugeriria o portal “New Testament Textual Criticism”, muito bom (http://www.skypoint.com/members/waltzmn/).

    Portanto, a situação atual é bem simples: ou se aceita tudo, ou se nega tudo. Porque (usando a terminologia utilizada numa outra mensagem aqui deste tópico) quem escreveu as “letrinhas vermelhas” também escreveu as outras letrinhas; se se aceitam as “letrinhas vermelhas” como autênticas, também as outras devem sê-lo. Pelo contrário, se se desconfiam das outras, deve-se desconfiar, igualmente, das “letrinhas vermelhas” – já que todas têm a mesma origem, os mesmos autores, e porque não há, atualmente ao menos, nenhuma possibilidade de se obter, efetivamente, a partir de fontes mais antigas, nada diferente do que consta no Novo Testamento.

    Levando-se em conta, assim, o testemunho do próprio Novo Testamento; mais, dos próprios Evangelhos; mais ainda, das próprias “letrinhas vermelhas”, Jesus, sim, declarou-se “divino”. Numa outra mensagem minha deste tópico, me dei ao trabalho de listar vários testemunhos evangélicos, com palavras do próprio Jesus (“letrinhas vermelhas”…) acerca disso. Mas, obviamente, para quem não segue a Doutrina de Jesus, mas a sua própria doutrina, o que “não combina” é convenientemente desconsiderado – ou então torcido. Nas próprias “letrinhas vermelhas”.

    No presente espaço, obviamente, não podemos ir muito além deste resumo. Na continuação de meu estudo sobre a aparência física de Jesus, inseri considerações bem mais detalhadas a respeito, tanto em termos de testemunhos neotestamentários quanto dos primitivos cristãos. Quanto a isso, somente posso pedir a sua paciência, sr. Márcio.

    Por mim, dou por encerrado esse assunto. Um abraço,

    JCFF.

  166. Gilberto Diz:

    JCCFF, obrigado pela explicação das “letrinhas vermelhas”, mas acho que ela NÃO procede. Antes dos evangelhos serem escritos haviam apenas as “letrinhas vermelhas”, ou seja, as palavras proferidas por Cristo, que desde a Sua morte eram passadas oralmente, fielmente. As “letrinhas vermelhas” eram os ensinamentos diretos de Jesus e foram repetidos por décadas antes de serem colocadas no papel. O que foi escrito no papel depois foi claramente uma VERSÃO do que Paulo e os evangelistas entendiam o que Cristo foi. Quando Mateus procurou aproximar Cristo de Moisés a “criar” o mito dos infantes sendo mortos por Herodes, ou colocar um anjo com rosto brilhante na porta do sepulcro de Jesus (enquanto Marcos dizia que era o jardineiro!) ele o fez por iniciativa própria, por motivos estilísticos, ou para passar uma imagem mais mística de Jesus. Todos os evangelhos e as Epístolas foram escritas por pessoas que davam suas versões, opiniões ou inseriram idéias claramente inventadas. Mas a tradição do que Jesus disse de forma oral foi passada integralmente através de suas palavras. É impressionante como os QUATRO evangelhos são tão coerentes nisso. Acho que isso se dá pelo fato de que as palavras de Jesus eles tinham certeza quais foram, e elas TINHAM que ser repetidas fielmente. As “letrinhas pretas” já não tinham esse compromisso. Sei que os “Doutores da Lei” adoram passar por cima de Jesus e dizer: Bom, aqui Jesus quis dizer que…(preencha a lacuna). mas quando Jesus dizia algo particularmente interpretativo, como as parábolas, ele SEMPRE as interpretava. Nunca deixou para os “Doutores da Lei” interpretarem. Por isso eu gosto das “letrinhas vermelhas”. Desculpe a heresia. Ainda bem que os “Doutores da Lei” de hoje em dia têm menos credibilidade que o mais humilde pastor ou mãe-de-santo da favela, que pregam a mais pura (e herege) palavra de Deus que se pode imaginar!

  167. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Gilberto,

    Tudo o que o sr. falou, em linhas gerais, é perfeitamente correto. Mas note que:

    A) Existem discrepâncias tanto nas “letrinhas vermelhas” quanto nas “letrinhas pretas”; ainda, há “letrinhas vermelhas” que constam num Evangelho e não constam noutro; ou constam em ordem diferente, ou sob circunstâncias diferentes; isso é bem patente, principalmente (embora não só) no Evangelho de João;
    B) As “letrinhas vermelhas” que foram passadas, quanto a isso, são também “uma versão do que Paulo e os evangelistas entendiam” – a fonte imediata de todas as “letrinhas”, pretas ou vermelhas, é a mesma, a pregação oral da geração apostólica; se se desconfia das “letrinhas pretas”, também se deve desconfiar das “vermelhas”;
    C) Não apenas as coleções de “letrinhas vermelhas” (“ditos do Senhor”, “loghia Kyriaka”) tendiam a assumir desde cedo, na catequese oral, uma forma estereotipada, mas também várias das narrativas auxiliares (“letrinhas pretas”), que, inclusive, davam sentido a muitas das “letrinhas vermelhas”;
    D) Mesmo considerando-se apenas as “letrinhas vermelhas”, várias delas, que citei anteriormente, apontam para a divindade de Cristo (de fato, em minha mensagem, eu praticamente só citei palavras de Cristo);
    E) Ao fim, estamos todos, por assim dizer, dependentes “do que os Evangelistas, e Paulo, entendiam”; e eu creio que, de todas as pessoas que conviveram com Jesus, eles estavam entre aqueles que melhores chances tinham de interpretar corretamente os ensinamentos do Mestre.

    De novo, sr. Gilberto, não se trata de “heresia” – afinal, as pessoas pensam o que querem. Não entendo a razão do sr. utilizar essa palavra, ou outras expressões do tipo. Não se trata, igualmente, de menosprezar ninguém por não aceitar a divindade de Jesus; creio que meus pontos de vista a esse respeito já ficaram bem claros. Trata-se apenas de definir bem o que é uma coisa e o que é outra. Se se quer ser “flexível”, ou “sincrético”, tudo bem – mas que não se confunda o resultado do “sincretismo” com cada uma de suas partes constituintes. Um “suco de frutas” batido no liquidificador pode ter, como um dos ingredientes, morangos, p.ex. – mas não é, em absoluto, um morango…

    Mas, é claro, as suas observações são pertinentes; e tudo indica que o núcleo inicial dos relatos evangélicos foi uma série de “coleções” de “ditos do Senhor” (i.e., “letrinhas vermelhas”).

    Um abraço,

    JCFF.

  168. Gilberto Diz:

    Caro JCFF,
    -
    Tudo o que o sr. falou, em linhas gerais, também é perfeitamente correto. Mas note que:
    A)Eu sinto pequenas discrepâncias nas “letrinhas pretas”, mas nenhuma nas “letrinhas vermelhas”. Se elas “constam num Evangelho e não constam noutro; ou constam em ordem diferente, ou sob circunstâncias diferentes”, elas não demonstram discrepância, pois foram ditas pelo mesmo homem. Pode ser apenas uma impressão. Mas é uma ÓTIMA impressão.
    B)Nunca “desconfiei” das “letrinhas pretas”, tipo: elas são mentiras! Apenas acho que as “letrinhas vermelhas” soam extremamente coerentes e “destoam” das “letrinhas pretas”. O senhor já experimentou (se é que possuí uma Bíblia como a minha) ler só as “letrinhas vermelhas”? Talvez eu seja louco, mas eu particularmente me sinto mais íntimo do coração de Cristo quando me concentro APENAS nas suas palavras. Mas as “letrinhas pretas” não são motivo para “desconfiança”!
    C)Se o senhor sugere que devamos fazer uma “sopa de letrinhas” com o evangelho e rotulá-la de “estereótipo” (no dicionário: “Conceito infundado sobre um determinado grupo social, atribuindo a todos os seres desse grupo uma característica, frequentemente depreciativa; modelo irrefletido, imagem preconcebida e sem fundamento”), então PRA QUÊ USAR AS ESCRITURAS? VAMOS DESCARTAR ESSA “SOPA DE LETRINHAS” e comer arroz-com-feijão!
    D)Não disse que há dúvidas quanto a divindade de Cristo. Nunca disse isso! Apenas disse que ele pode ser interpretado como filho de Deus ou como um grande pacifista. Isso depende de quem interpreta.
    E)Aqui o senhor dá uma informação totalmente equivocada. Nem Paulo nem os Evangelistas conviveram com Cristo! Somente Pedro, que tem um pedacinho pequenininho da Bíblia…
    - Quanto à palavra “heresia”, eu a uso com a interpretação de Santo Irineu, que escreveu em seu seminal trabalho dentro da Igreja Católica “Heresias”, que “quem deseja conhecer a verdadeira doutrina basta que conheça a tradição que vem dos apóstolos e a fé anunciada aos homens”: tradição e fé que “chegaram a nós através da sucessão dos bispos”. Dentro deste conceito, se você não aceita ou acata a autoridade dos bispos católicos, e vê Jesus a seu modo, mesmo que o senhor não veja problema nisso, segundo a Igreja Católica e os “Doutores da Lei”, isso é heresia!
    -
    Não quero criar uma religião do tipo “Igreja Universal das Letrinhas Vermelhas” ou algo assim. Apenas encontro conforto e proximidade de Cristo nessa minha bendita Bíblia! Às vezes temos que ler umas coisas MUITAS vezes para ela fazerem sentido. E acho que os editores dessa Bíblia em questão (Alías, é a “Good News Bible”, uma tradução com a linguagem de hoje feita pela Sociedade Bíblica Católica Americana) tinham algum motivo pra fazer uma edição assim. Qualquer que seja a inspiração pra fazerem isso, eu sou extremamente grato pelo fato de que isso foi feito. Imagino que muitas pessoas no mundo entenderam dessa forma também. A propósito, as últimas “letrinhas vermelhas” da Bíblia dizem: “Eu volto logo.”

  169. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    -
    Posso usar seus últimos argumentos, em resposta ao Sr. José Carlos, no meu blog?
    -
    Não é o mesmo blog do William.
    -
    E não tem nada a ver com o William, desde que nem o conheço pessoalmente.
    -
    Mas, não quero divulgar meu blog aqui nesse espaço.
    -
    Você me autoriza? São argumentos excelentes de quem se considero um cético.
    -
    Fiquei EMOCIONADA com o seu entendimento, ou melhor, quanto à missão de Jesus. E o seu discernimento, com respeito às informações contidas na Bíblia (AT). É muito, muito próximo do nosso entendimento.
    -
    Abração e aguardo.

  170. Sonia N. Diz:

    (retificação)
    -
    …de quem se considera um cético.
    -
    …com o seu entendimento, quanto à missão de Jesus.

  171. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Meu caro Gilberto,

    Então, teremos, como em muitos casos, que “concordar em discordar”:

    A) Não posso concordar integralmente com sua afirmação de que as “letrinhas vermelhas”, quando vistas sozinhas, não apresentam discrepância. No conjunto, claro, criam uma “ótima impressão”, mas não uma “impressão unificada” – longe disso. E retirar as “letrinhas pretas” tira, por assim dizer, vários dos contextos em que os ditos foram proferidos; isso pode (veja bem, PODE), nalguns casos, levar a dificuldades sérias, deixando os ditos, por assim dizer, “no ar”. Sobre as próprias “letrinhas vermelhas”, devo insistir na discrepância que existe, mesmo entre elas. E não se trata apenas do caso (já importante em si) de que várias das “letrinhas vermelhas” existem apenas numa das fontes. Sem falar no caso de João, Lucas, p.ex., tem uma quantidade razoável de “material próprio”, ou, o que é mais importante ainda, tratado de maneira própria. Apenas três exemplos: a parábola do filho pródigo (Lucas, cap. 15, vers. 11-32), ou a do rico glutão e do pobre Lázaro (Lucas, cap. 16, vers. 19-31) constam apenas em Lucas, e em nenhum outro lugar; e as “bem-aventuranças” em Mateus e em Lucas são marcadamente diferentes (compare Mateus, cap. 5, vers. 1-12 com Lucas, cap. 6, vers. 17-26). Em Mateus, as bem-aventuranças (ditas “na montanha”, vers. 1) são oito, e são mais “espiritualizadas” que as de Lucas; e em Lucas, às quatro bem-aventuranças (ditas “na planície”, vers. 17), seguem-se (vers. 24-26) as respectivas “maldições” (“ai de vós…”). Veja, sr. Gilberto, todas essas “discrepâncias” (que não são poucas, e nem podem ser consideradas destituídas de importância…), nas próprias “letrinhas vermelhas”, e apenas nesse exemplo específico (muitos outros poderiam ser citados, e não só comparando-se Lucas e Mateus)… O que quero dizer é que mesmo as “letrinhas vermelhas” que nos foram preservadas, o foram dentro do “programa”, por assim dizer, de cada Evangelista; têm, elas próprias, sua discrepância específica. Não se as pode tomar isoladamente; e, mesmo que se as tome a elas, apenas, creio que não estão tão perto assim de se constituírem, como o sr. diz, um relato “sem discrepância” – mesmo tendo sido “ditas” pelo mesmo homem.

    B) Eu, por mim, não creio que as “letrinhas vermelhas” destoem das “pretas”. Não, o sr. não é louco, o sr. apenas está propondo uma maneira alternativa de se lerem os Evangelhos, e isso é válido (e interessante), como um plano de estudos. Mas penso, mais uma vez, como disse, que as “letrinhas pretas”: a) nos vieram dos mesmos que preservaram as “vermelhas”, e que b) como disse (e mostrei) no item anterior, tanto umas quanto outras estavam subordinadas ao “programa” catequético, por assim dizer, de cada Evangelista, e tinham suas próprias discrepâncias. Tentar separar somente as “letrinhas vermelhas” não torna, em absoluto, as discrepâncias menores.

    C) Não entendi. Parece-me que o que disse é que todo o conjunto (letrinhas “vermelhas e pretas”) deve ser levado igualmente na devida conta, e, obviamente, TODAS as letrinhas vermelhas. Se dei outra impressão, então aproveito a ocasião para corrigi-la.

    D) Sem dúvida – mesmo várias “letrinhas vermelhas”, ainda que vistas sozinhas, testemunham sobre a divindade de Cristo (já citei várias dessas passagens). A expressão “filho de Deus” carrega uma certa ambigüidade; quando vista isoladamente, fica difícil se dizer se se trata dum epíteto comum a todos os seres humanos, ou se alguns são “filhos de Deus” num sentido especial (daí, mais uma vez, a importância do contexto, e do “programa” de cada Evanelista!). Quanto a Jesus ser um “grande pacifista”, bem, isso depende muitíssimo de interpretação – inclusive sobre o que vem a ser, afinal, um “pacifista”. Falando em termos bem gerais, penso que, se Jesus fosse só (ou principalmente) um “pacifista” (no sentido usual que hoje se dá a esse adjetivo), não teria sido crucificado…

    E) O sr. tem razão, em parte. Mateus e João foram Apóstolos, conviveram efetivamente com Jesus. Marcos, pela tradição, foi “o intérprete de Pedro”, e então seu Evangelho reflete a catequese petrina, ligando-se diretamente ao chefe do Colégio Apostólico. E Lucas, por tradição, esboçou a catequese paulina. Claro, o sr. pode contra-argumentar dizendo que os Evangelhos foram todos escritos após a revolta judaica de 66-72 dC, e que as atribuições (especialmente às de Mateus e de João, os Apóstolos) são fictícias. Mas essa é uma hipótese moderna, que não encontra apoio nem na tradição mais antiga, e nem em nenhum tipo de achado arqueológico ou papirológico. Faltam produzir ainda os “textos originais”, mesmo o tal documento “Q” (que é uma ficção hipotética) ou os “loghia Kyriaka” que teriam servido de base a Marcos, ou o “material suplementar” de Lucas, por exemplo. De novo, creio, teremos que “concordar em discordar”.

    Seu uso (técnico) da palavra “heresia” é correto. Basicamente, a heresia é a “interpretação particular”, que não se fundamenta na tradição eclesiástica, que é a tradição apostólica.

    Que o sr. continue encontrando conforto e proximidade de Cristo em sua Bíblia. Nada contra destacar os ditos proferidos por Jesus (segundo os Evangelistas) em letras vermelhas. Mas creio que não apenas essas devem ser (todas) lidas, mas que o próprio contexto (“letrinhas pretas”) deve ser levado em consideração.

    Mais uma vez, um grande abraço.

    JCFF.

  172. Gilberto Diz:

    Claro, Sonia! Mas lembre-se que é uma visão pessoal, visceral. Não sou teólogo. Meu conhecimento de teologia é patético! Não acredito no sobrenatural, e nem acho que Jesus foi sobrenatural também. Acho que “viajaram na maionese” em relação a Ele e principalmente à Maria (no caso da Igreja Católica) que, por exemplo, pasmem, só em 1957 “oficialmente” subiu aos céus!!!!! Uma forçação de barra descabida. Fazem tudo para santificá-la, inclusive chamando-a de “co-redentora”, indo contra as próprias escrituras que supostamente tanto veneram!!! João Paulo II inclusive disse este disparate: “Maria é a quarta parte da Santa Trindade”!!!! Trindade de QUATRO partes? Acredito que Ele existiu. Tem céticos que negam a existência dele (acho que é porque nunca Ele nunca teve perfil no Facebook e não tem Twitter!). Mas se Ele não tivesse existido, bem, os Judeus seriam OS PRIMEIROS a afirmar isso. É a mesma lógica daquela história de que a Viagem à Lua foi feita em Hollywood. Os Russos seriam os PRIMEIROS a afirmar isso! O ceticismo e a procura de conforto espiritual NÃO SÃO incompatíveis. Trabalhei alguns anos com um retiro espiritual de casais ligado à Igreja Presbiteriana com a minha esposa (que é católica), e lá tinha de tudo, INCLUSIVE alguns ateus. Todos fazendo um trabalho por seus semelhantes em crise no casamento, promovendo a reaproximação. Um trabalho de amor ao seu semelhante. Acredito que se faz o mesmo tipo de trabalho nos centros espíritas. Mas que é heresia, É!! No sentido clássico da palavra. Mas desde quando heresias pararam alguém de fazer o bem? De propagar o amor, que acreditamos ser a mensagem-mor de Cristo? NUNQUINHA! Cito Einstein sempre por ele não aceitar a vida após a morte, nem por aceitar “um Deus que puna ou recompense suas criaturas”. Palavras sábias e céticas, mas o mesmo homem se considerava religioso e dava uma importância fundamental às religiões para suprir as demandas da alma humana. Se ele podia pensar assim sendo “frio e cético”, acho que eu, humildemente, posso pensar da mesma forma.

  173. Gilberto Diz:

    JCFF, estamos vendo a mesma Lua em fases diferentes. Um afirma que é “redonda e brilhante” e o outro que “parece um sorriso”. Acho que a Lua “que parece um sorriso” muito mais bacana! É pessoal. Repito, meu conhecimento em teologia é menos que patético. Mas tenho essa FORTE impressão. Apenas sugiro uma leitura da Bíblia como faço apenas por intuição pessoal. Me deparei com tal edição da Bíblia e achei a idéia muito interessante. Sendo o senhor católico, e acredito que mais crente do que eu, não poderia ser uma inspiração de Deus (ou do Espírito Santo, se preferir) a publicação de uma Bíblia pela Igreja Católica com esse interessante detalhe das “letrinhas”? Por que não? Se “Deus escreve certo por linhas tortas”, será que dessa vez Ele não escreveu certo por linhas também certas? É apenas uma intuição, repito. Um forte abraço, e saiba que tenho um ENORME respeito pela Igreja Católica e pela sua tradição e, principalmente, pelos seus fiéis!

  174. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Gilberto:

    É possível. Nunca se pode ter certeza de por qual porta a Sabedoria irá entrar. E não se subestime – nem como teólogo, muito menos como “crente”. Dessas duas coisas (como de “louco”), todos nós temos muito mais do que “um pouco”. Sds,

    JCFF.

  175. GILBERTO Diz:

    pergunto aos leitores que dizem que chico xavier é impostor , algum espírito de morto manifestou em vcs.
    e disse???? ou porque os milhoes de direitos autorais
    doados nao foram parar na conta de vcs? SAO MAIS
    POBRES QUE O O MAIOR POBRE DO MUNDO !!!!!

  176. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    -
    Só prá não deixar você no “vácuo”… Obrigada.
    -
    Hoje, eu tenho muitas atividades, durante o dia e à noite. Então só poderei fazer alguns comentários, em resposta ao seu, lá pelas 23:00 horas.
    -
    Muito obrigada pela sua atenção e gentileza
    -
    Super abraço

  177. moizes montalvao Diz:

    PREZADO MÁRCIO,
    Márcio escreveu (os termos entre aspas simples são palavras desconhecidas de minha humilde pessoa): “porém, no afã ‘d’ defender a sua posição, creio ‘q vc’ ultrapassou o limite histórico ‘q’ tão justamente impôs às obras ‘d Cxavier’.
    .
    ‘Ñ’ é possível dizer peremptoriamente ‘q’ Jesus declarou-se divino, pela simples razão ‘q’ ele nada escreveu ‘q’ tenha chegado até nós; o ‘q’ temos é pseudo-epigráfico e foi escrito, na melhor das hipóteses, ‘p/’ discípulos ‘d’ discípulos.
    .

    Só curiosidade: que língua é essa na qual sua distinta pessoa redige? Lembra um pouco o português, mas ainda não atinei a origem… Estou tentanto “traduzir” seu recado, se conseguir, comentarei, o que mais me encuca é o “p/”… Do pouco que entendi, parece que questiona a divindade de Cristo, doutrina que é mui claramente demonstrada no Novo Testamento. Se for isso, e se estiver interessado em conhecer melhor o assunto, fale: passar-lhe-ei informes adequados.
    .
    Abraços duvidosos.

  178. moizes montalvao Diz:

    Prezadíssimo Arduin,
    .
    Após alguns dias de férias longe da internet, retorno para fechar o pensamento em confronto.
    .
    Oi Malvadão (brincadeirinha!)
    .
    Oi, Arderruim (brincadeirinha também!)

    .
    ARDUIN: Antes de mais nada, aquilo que diz os dois mandamentos lá NÃO É PRIVILÉGIO exclusivo dos cristãos. Em maior ou menor grau pode ser encontrado nas outras doutrinas religiosas. Além disso, a condição de alguém se deixar envolver por aquilo é entendido no Espiritismo como um resultado da evolução espiritual. Assim um espírito suficientemente evoluído ENTENDE aquela mensagem como sendo de valor fundamental.
    .
    COMENTÁRIO: para o cristianismo a “evolução” se dá em termos de “crescimento” espiritual (algumas denominações cristãs utilizavam, com muita inspiração, o termo “santificação” para descrever essa condição de aprimoramento de vida. Infelizmente, na atualidade, a santificação tornou-se conceito esquecido). Na concepção espírita a “evolução” se dá por meio de várias existências, suposição que o cristianismo não apanigua. Todos os espíritos podem entender a mensagem do amor, devido à sua simplicidade. Nem todos conseguem praticá-la e poucos a vivenciam na profundidade adequada. É claro que as máximas cristãs não são privilégios do cristianismo, o que significa que os passos essenciais para se atingir uma existência plena estão disseminados em boa parte das filosofias religiosas. Talvez o mérito de Jesus foi ter mostrado a importância crucial desse comportamento.
    .
    ARDUIN: Já um mais evoluído no sentido intelectualizado e sorbonizado, mas moralmente mais baixo que a sola do sapato, vai se concentrar nas elucubrações teológicas e fazer do Cristianismo aquilo que eu disse. Infelizmente, essa segunda condição agrada à maioria que não é nem uma coisa e nem outra. É muito mais barato cumprir rituais religiosos e pagar dízimos do que se melhorar moralmente.
    .
    COMENTÁRIO: discordo um pouco, embora concorde outro tanto. Espíritos moralmente solados, na visão cristã, podem ser recuperados. Deus chama e o pecador, se este ouvir a voz, toma a iniciativa de buscar a mudança. Não há caso perdido como, de certa forma propaga o espiritismo, pois, na idealização espiritista, um decaído terá de experienciar um multiplicadilhão de vidas até aprender a viver corretamente. Quando um “cristão” vilipendia seu semelhante, ele não está se “concentrando em lucubrações teológicas”, está, simplesmente, desprezando a orientação primária do cristianismo.
    .
    ARDUIN: Os apologistas cristãos com quem discuti e as obras e publicações cristãs que li batem sempre na tecla da pureza DOUTRINÁRIA. Por isso então é que restringi o Cristianismo às elucubrações teológicas e o desvinculei da DOUTRINA DO CRISTO.
    .
    COMENTÁRIO: como você bem percebeu, o ensinamento essencial do cristianismo está apartado de doutrinas. Estas existem aos magotes, algumas muito semelhantes entre si, outras esdrúxulas (uma delas você citou em outra postagem: os Testemunhas de Jeová). Entretanto, o amor, como base da mensagem de Cristo, permeia toda e qualquer elaboração doutrinária.
    .
    ARDUIN: Já que a Ku-Klux-Khlan, a Inquisição, Cruzadas, etc e tal foram produtos abençoados pelas igrejas cristãs em suas épocas, então seus membros ERAM CRISTÃOS. Se não cumpriam aqueles dois mandamentos, isso não tem a menor importância para os cristãos pois a Igreja/o pastor disse que…
    .
    COMENTÁRIO: a Ku-Klux-Khlan fora apoiada por alguma agremiação religiosa? Não disponho de tal informação…
    .
    Não cumprir os mandamentos não tinha importância para as lideranças religiosas consideradas nos variados contextos políticos vividos pelo cristianismo. Em nenhum momento da história cristã as palavras de Cristo foram descartadas e substituídas por outra orientação. Mesmo quase olvidada de forma generalizada, a voz do Filho de Deus ainda se fazia presente e ainda se faz até a atualidade. Só precisamos pôr em prática.
    .
    A inquisição, as cruzadas, as perseguições aos judeus, e muito mais, foram momentos políticos vividos pelo cristianismo. Podiam ter, na época, justificativa religiosa, mas ? aí você está correto ? eram lucubrações, que se tornaram ações, favorecidas pelo contexto sóciopolítico vigente naqueles dias.
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    ARDUIN: Bem, é certo que há um grupelho, muito influente nos EUA, que batalha pela literalidade bíblica. Mas não se deixe impressionar por “revelações revolucionárias”. Filósofos pré-socráticos já falavam desse lance da Terra estar suspensa sobre o nada. Portanto não é privilégio de uma revelação paranormal na Bíblia. Fique tranquilo quanto a isso.
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    COMENTÁRIO: Bem, não falei em “revelações revolucionárias”, disse, “quase revolucionárias”. O caso é que não está, no presente escopo, em discussão o pensamento grego ou de outros civilizados sobre a situação da Terra. Destaquei o fato de que a Bíblia fala da “Terra sustentada sobre o nada” porque, em geral, pensa-se que seus livros apenas divulgam concepções primitivas. É certo que Aristarco de Samos, mais de 1500 anos antes de Copérnico concebera um sistema heliocêntrico, embora fosse voz isolada, visto que ninguém dera atenção à proposta do filósofo (Aristarco teria tido um só discípulo). Outros pensadores antigos também se anteciparam no tempo apresentando suposições revolucionárias, mas não foram ouvidos em suas épocas.
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    De qualquer modo, é fato que o livro de Jó, cuja data de autoria é incerta ? as hipóteses o situam dentre os séc. VI e IV a.C. ?, registra a Terra descansando sobre o “vazio”.
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    ARDUIN: É esse o ponto no qual os apologistas cristãos nos amaldiçoam: os espíritas não têm Deus; salvam-se a si mesmos.
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    COMENTÁRIO: como se faz para “salvar-se a si mesmo”? Nas páginas bíblicas, no Velho Testamento, Moisés apresentou os mandamentos, os quais, se fossem cumpridos à risca, permitiriam ao homem cair na graça divina por esforço próprio. Porém, não se sabe de um indivíduo que tenha conseguido observar aquelas regras integralmente. Então, qual seria o caminho de autosalvação?
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    Abraços regeneradores.

  179. moizes montalvao Diz:

    MAGNO,
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    Antes que eu parta em férias internetianas novamente, respondo-lho:
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    MAGNO: Não pretendo retrucar porque já estou desde logo sem fôlego, visto este assunto não se resolver nunca nem com réplicas, tréplicas, ou sob escritos verborrágicos tão ao gosto do José Carlos, que se julga conhecedor inconteste ao desejar esfregar nos narizes alheios somente fatos históricos oficiais.
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    COMENTÁRIO: meu nobre confrontante, não desista tão fácil. “Da discussão nasce a luz”, debates são assim mesmo, ninguém quer abrir mão daquilo em que acredita, mesmo se cotejado com argumentos de boa procedência. A cada conversa, planto eu uma sementinha em sua pessoa e pode ser que uma delas floresça. Você, de sua parte, também planta suas sementinhas…
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    Quanto ao José Carlos, sua ponderação a respeito do dito parece “ad hominem”, em realidade, é preciso contestar os argumentos que ele apresenta, em vez de pontuá-lo negativamente. O fato é que o sujeito é bom de pesquisa e apresenta ponderações firmes. Para enfrentá-lo tem que estar bem municiado…
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    MAGNO: Somente inferi posições já conhecidas. Há realmente mil e uma ponderações e citações que poderia trazer-lhe e isso inundaria o blog do Vitor e não provaríamos absolutamente coisíssima alguma. Uma vez céticos, céticos até morrer, não adianta, não se arredam pés e já estou tirando meu time de campo.
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    COMENTÁRIO: creio que o importante não é a suposição de que os céticos morrerão céticos (será que ceticismo dá câncer?). Pode inundar o blog com considerações e citações, creio que há espaço disponível (e suponho que o Vitor abra oportunidade para tal). Infelizmente nem sempre estarei atento para responder-lhe com a presteza que merece, mas o caso é que precisamos ter nossos argumentos aferidos, principalmente por quem pensa diferentemente do que eles propõem, só assim saberemos que possuem a saúde que supomos que tenham.
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    Por exemplo, você havia dito que as concepções reencarnacionistas dos judeus do tempos de Jesus eram, em parte, oriundas da cabala. Meus miúdos comentários discordaram dessa afirmação. Então lhe cabe ou demonstrar que estou equivocado, ou aceitar o que foi dito e partimos para outra discussão. É mais ou menos assim que nosso mútuo esclarecimento “progrede”.
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    MAGNO: Somente reafirmo que a história oficial é uma, em grande parte envolta em tantas dúvidas, hiatos, documentos apócrifos e manipulada. Quem duvidar disso é um romântico sem sal, porque a história foi feita por homens ambiciosos e déspotas. Não é porque os alfarrábios acadêmicos estão cheios de documentos plenos de narrativas reconhecidos pelos especialistas que é a verdade ipsis litteris. Em muitos casos nem se aproxima da honestidade. E a história contada por Emmanuel, ocultistas, esotéricos e espíritas detém correções e inserções que os acadêmicos não dispõem e quando expostas não as aceitam, são refutadas e ponto final. Por que? Porque os homens que formularam e formulam a história são basicamente materialistas ou contrários à divulgação das versões espiritualistas, sejam elas espíritas ou esotéricas. Isso já é sintomático e dirigido; nem perco mais meu tempo em discutir nem ponderar.
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    COMENTÁRIO: você está correto: a história está cheia de incorreções e relatos interesseiros. Mas, pense só: na atualidade existem métodos especializados de minimizar essas distorções: a crítica histórica é uma ciência que busca recuperar a autenticidade dos relatos antigos: com técnicas aprimoradas de comparações, pesquisas paralelas e verificações facultadas por outras ciências (por exemplo, a astronomia tem ajudado a história a conferir diversos relatos antigos). Em suma, há todo um conhecimento altamente técnico auxiliando o conferimento dos registros históricos. Então, se os “alfarrábios” não trazem a verdade verdadeira, são, sem dúvida, boas fontes de informações sobre os acontecimentos de antanho, desde que passados pelos filtros da crítica textual.
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    Por outro lado, o que os místicos oferecem em contrapartida? Múltiplas afirmações calcadas tão-somente na autoridade de entidades fantasmais. Boa parte da força das digressões chicoxaverianas está fundamentada nas prédicas de Emmanuel que é uma figura imaginária. Mas, mesmo que essa figura imaginária e outras fossem dignas de crédito, não se sabe lá por que meios ou forças, eles devem passar pela peneira das avaliações. Não basta que os espíritas e simpatizantes insistam que os discursos de Emmanuel e Cia devam ser obrigatoriamente acatados, por terem sido formulados por entes considerados especiais pelos grupos que os reverenciam. Tais discursos têm que ser mesmo sopesados e criticados com igual rigor com que os documentos históricos são avaliados. Não é válido defender, contra qualquer demonstração contrária, que os escritos esotéricos contêm verdades que estão além do alcance do pesquisador comum. Temos, sim, que analisar que verdades são essas e dar-lhes, se merecerem, o crédito devido. Por isso é que estamos discutindo nesse e noutros espaços.
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    MAGNO: De todas as formas foi um grande prazer conversar novamente com você.
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    MONTALVÃO: de minha parte, o prazer provindo dessa conversa é supimpamente real.

  180. Gilberto Diz:

    Peraí, esse GILBERTO em letras GARRAFAIS não sou eu, Gilberto escrito normal, tá legal? Esse cavalheiro (pelo nome vejo que é um cavalheiro) é apenas um hormônimo, como disse um aluno meu certa vez…

  181. bo Diz:

    William X, seu retardado mental. A ciência não se baseia em provas definitivas. A matéria é mensurável. Coloca uma câmera de video e se filme tentando atravessar a parede. A hipotética ‘matéria’ vai se mostrar bem concreta não é? Tenta fazer isso, quem sabe mandam te internar no hospital psiquiátrico de uma vez.

    Me aponte um só artigo científico indexado em alguma revista de peso para revisão de pares que mensure fenômenos mediúnicos espiritualistas como você afirma. Não existem, por isso você não vai apresentar um só.

  182. Marcos Arduin Diz:

    Oi Malvadão (brincadeirinha!)
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    Oi, Arderruim (brincadeirinha também!)
    Aceita!
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    COMENTÁRIO: para o cristianismo a “evolução” se dá em termos de “crescimento” espiritual (algumas denominações cristãs utilizavam, com muita inspiração, o termo “santificação” para descrever essa condição de aprimoramento de vida. Infelizmente, na atualidade, a santificação tornou-se conceito esquecido). Na concepção espírita a “evolução” se dá por meio de várias existências, suposição que o cristianismo não apanigua. Todos os espíritos podem entender a mensagem do amor, devido à sua simplicidade. Nem todos conseguem praticá-la e poucos a vivenciam na profundidade adequada. É claro que as máximas cristãs não são privilégios do cristianismo, o que significa que os passos essenciais para se atingir uma existência plena estão disseminados em boa parte das filosofias religiosas. Talvez o mérito de Jesus foi ter mostrado a importância crucial desse comportamento.
    - O problema, Malvadão, é que tal mensagem, como eu já disse, É MUITO DIFÍCIL DE SER PRATICADA EM VISTA DOS SACRIFÍCIOS PESSOAIS A SEREM FEITOS. Lá no início do Cristianismo OFICIAL, os que começaram a achar a mensagem interessante ADIAVAM ao máximo o seu batismo, pois enquanto não fossem batizados, podiam farrear e pecar à vontade. Constantino só se batizou pouco antes de morrer. A cobrança pela melhoria pessoal não era prioritária. Quando os papas começaram a distribuir indulgências, foi como colocar o Céu à venda. Frederico, o sábio, príncipe eleitor da Saxônia era muito astuto (esse cognome o sábio não era por acaso). Quando o papa Alexandre VI mandou levantar fundos para organizar uma cruzada contra os turcos, Frederico juntou a grana, mas disse que só a entregaria ao papa quando a cruzada estivesse de fato organizada. Como isso nunca aconteceu, ele usou esse dinheiro para fundar a Universidade de Winttemberg.
    Com a ajuda de Teztel, Frederico juntou dinheiro com venda de indulgências e usou essa grana para construir uma ponte. Mas quando o mesmo Teztel reapareceu para vender indulgência para a contrução da nova basílica de São Pedro, Frederico proibiu-o de entrar na Saxônia: ele não queria ver o dinheiro de seu condado fluindo para Roma. Só que os seus súditos cruzavam a fronteira e iam lá comprar as ditas indulgências. Havia até uma tabela: sodomia: 12 ducados; feitiçaria: 8 ducados; blasfêmia 7 ducados; parricídio: 4 ducados… E de posse desses documentos papais, os saxões, como bons negociantes, os apresentaram a Lutero, então padre e monge agostiniano, para que atestasse a validade deles. Lutero simplesmente disse que NADA VALIAM. A menos que se REFORMASSEM E DEIXASSEM SUA VIDA PECAMINOSA, MORRERIAM EM SEUS PECADOS.
    E o resto, você já sabe: começou aí a Reforma.
    Como vê, Malvadão, a tal Santificação é a parte MAIS DIFÍCIL do Cristianismo, pois ela exige que nos reformemos, que cortemos os pecados na carne e no osso. E MUITO POUCA gente está disposta a isso.
    Lá no livro LIBERTAÇÃO de André Luís, salvo engano, há uma cena onde é mostrado o ritual da missa visto pelo lado espiritual. O padre, sem vocação e de má vibração, distribuía a hóstia aos constritos. Mas na fila, apenas uma jovem era uma verdadeira constrita; os outros estavam na fila só para aparecer ao público. As hóstias eram luminosas e a moça, ao recebê-la na boca, a luz deixou a hóstia e alojou-se em seu coração. Já com os outros, assim que a receberam na boca, a luz apagou-se imediatamente. Era para que não recebecem o que não mereciam.
    Entendeu como é que é isso visto pelo lado espírita? Sim, um espírito encarnado pode sim se melhorar ainda nesta existência, pois ela é feita para isso. Mas se não o fizer, tem as outras… nem sempre em condições fáceis.
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    COMENTÁRIO: discordo um pouco, embora concorde outro tanto. Espíritos moralmente solados, na visão cristã, podem ser recuperados. Deus chama e o pecador, se este ouvir a voz, toma a iniciativa de buscar a mudança. Não há caso perdido como, de certa forma propaga o espiritismo, pois, na idealização espiritista, um decaído terá de experienciar um multiplicadilhão de vidas até aprender a viver corretamente. Quando um “cristão” vilipendia seu semelhante, ele não está se “concentrando em lucubrações teológicas”, está, simplesmente, desprezando a orientação primária do cristianismo.
    - Acho que você entende menos do Espiritismo do que imagina. Caso PERDIDO está no Cristianismo, pois para este só há UMA vida na qual tem de se acertar. E Kardec fez as colocações mal respondidas pela fé cristã: como ficam os alienados mentais, os bebês falecidos, os nascidos antes do Cristo, etc e tal? Como eles se salvam? É exatamente nisso que o Espiritismo preenche a lacuna. Aquele que não pode aproveitar uma existência, pode corrigir-se em outras. Melhor se informar direito.
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    COMENTÁRIO: como você bem percebeu, o ensinamento essencial do cristianismo está apartado de doutrinas. Estas existem aos magotes, algumas muito semelhantes entre si, outras esdrúxulas (uma delas você citou em outra postagem: os Testemunhas de Jeová). Entretanto, o amor, como base da mensagem de Cristo, permeia toda e qualquer elaboração doutrinária.
    - Malvadão, o caso é que eu SOU PRÁTICO. Não me interessa o que uma doutrina diz, mas sim quais são os seus efeitos na prática. Juram os comunistoides que conheci que Marx era um gênio e que suas obras são espetaculares. Nunca as li e nem pretendo. Motivo: TODOS os governos que adotaram o Marxismo como doutrina política só produziram opressão, crimes, ditaduras e o povão só se ferrou. Assim então concluí que o Marxismo é uma porcaria.
    O Orlando Fedelho (ops, Fedeli) lá do Monfort escreveu um texto apresentando Kardec como um racista brutal e grosseiro. Não dou razão a ele, mas ainda que fosse verdade, qual o efeito disso? NENHUM! Karde pode ter escrito alguma besteira influenciado pela Ciência e Eurocentrismo de sua época, mas isso é opinião dele e sobre os espíritas, NÃO TEVE O MENOR EFEITO. E posso lhe apresentar uma prova disso:
    Na cidade onde moro, São Carlos, passou por aqui no início dos anos 1900 a educadora Anália Franco, ESPÍRITA, que fundou umas escolinhas para crianças pobres… E quase foi expulsa daqui porque cometeu uma tremenda e inaceitável obscenidade para a catolicíssima sociedade são carlense: pôs crianças brancas e negras para ESTUDAREM JUNTAS. Pode uma coisa dessa? Então agora lhe pergunto: por que uma espírita, seguidora de uma doutrina “fundada” por um racista brutal e grosseiro tinha uma postura absolutamente antirracista e uma catolicíssima sociedade, cuja fé foi fundada por um tal de Cristo, que pregou o amor ao próximo, achou uma obscenidade inaceitáel crianças brancas e negras estudarem juntas?
    Esse é o meu ponto, Malvadão: o Cristianismo produziu melhores sociedades? Levou à produção de leis mais justas? Governantes cristãos foram melhores do que governantes pagãos? A resposta a tudo isso é um sonoro NÃO.
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    COMENTÁRIO: a Ku-Klux-Khlan fora apoiada por alguma agremiação religiosa? Não disponho de tal informação…
    - Já ouviu aquele ditado que diz que para que o mal triunfe, basta que os bons nada façam? Pois é: a Khlan aí era uma sociedade CRISTÃ (só brancos, protestantes e anglo-saxões podiam fazer parte dela) que triunfou na aprovação de leis que segregavam os negros e os alijavam de uma série de direitos. Que fizeram os líderes cristãos contra isso? CALARAM-SE… ou até apoiaram a coisa. A Khlan foi extinta quando conseguiu seus objetivos segregacionistas e quando o governo quis cobrar-lhe os impostos atrasados. Mas em 1916 UM PASTOR METODISTA a ressuscitou, fazendo campanha não só contra os negros, mas incluindo os judeus, latinos, índios e católicos… Bons cristãos esses caras, não?
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    Não cumprir os mandamentos não tinha importância para as lideranças religiosas consideradas nos variados contextos políticos vividos pelo cristianismo. Em nenhum momento da história cristã as palavras de Cristo foram descartadas e substituídas por outra orientação. Mesmo quase olvidada de forma generalizada, a voz do Filho de Deus ainda se fazia presente e ainda se faz até a atualidade. Só precisamos pôr em prática.
    - Se as palavras do Cristo NÃO SÃO POSTAS EM PRÁTICA, então são letra morta. É como as nossas leis aqui que pegam… ou não pegam. A palavra pode figurar no texto, mas é SUBSTITUÍDA por outras consideradas mais relevantes para o pecador e/ou para os clérigos. Como será que o Pedir Mais Cedo se vira quando lê lá na Bíblia que não se pode servir a Deus e a Manon (o deus do dinheiro)?
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    A inquisição, as cruzadas, as perseguições aos judeus, e muito mais, foram momentos políticos vividos pelo cristianismo. Podiam ter, na época, justificativa religiosa, mas ? aí você está correto ? eram lucubrações, que se tornaram ações, favorecidas pelo contexto sóciopolítico vigente naqueles dias.
    - Você imagina Jesus empunhando a espada e cortando as cabeças de mulheres e crianças cristãs e muçulmanas como fizeram os cruzados? Ou acendendo uma fogueira onde se queimará toda uma família judia? Os contextos sóciopolíticos talvez tenham mudado daquela época para cá, mas a fé cristã mudou tanto assim com eles? O papa João Paulo II era como o nosso guia Mulla: fazia cafuné em caras e sociedades suspeitas de violações diversas quando à integridade física e moral de pessoas. Ironicamente, o Bento XVI aí até ia contra, mas era desautorizado pelo papa. E agora sobrou para ele consertar a bronca.
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    COMENTÁRIO: Bem, não falei em “revelações revolucionárias”, disse, “quase revolucionárias”. O caso é que não está, no presente escopo, em discussão o pensamento grego ou de outros civilizados sobre a situação da Terra. Destaquei o fato de que a Bíblia fala da “Terra sustentada sobre o nada” porque, em geral, pensa-se que seus livros apenas divulgam concepções primitivas. É certo que Aristarco de Samos, mais de 1500 anos antes de Copérnico concebera um sistema heliocêntrico, embora fosse voz isolada, visto que ninguém dera atenção à proposta do filósofo (Aristarco teria tido um só discípulo). Outros pensadores antigos também se anteciparam no tempo apresentando suposições revolucionárias, mas não foram ouvidos em suas épocas.
    - Meu caro, nada disso salva a Bíblia como prova de que sua fonte de revelação tenha sido a mente do próprio Deus, como um cristão é OBRIGADO A CRER. Das falhas científicas, passando para as falhas morais, pouco se salva do texto bíblico.
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    De qualquer modo, é fato que o livro de Jó, cuja data de autoria é incerta ? as hipóteses o situam dentre os séc. VI e IV a.C. ?, registra a Terra descansando sobre o “vazio”.
    - E também diz que o Céu é sólido como um espelho de metal. Muito científico, não acha?
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    COMENTÁRIO: como se faz para “salvar-se a si mesmo”? Nas páginas bíblicas, no Velho Testamento, Moisés apresentou os mandamentos, os quais, se fossem cumpridos à risca, permitiriam ao homem cair na graça divina por esforço próprio. Porém, não se sabe de um indivíduo que tenha conseguido observar aquelas regras integralmente. Então, qual seria o caminho de autosalvação?
    - Para o cristão, a salvação vem da ACEITAÇÃO DO CRISTO COMO SALVADOR. Em resumo é o seguinte: nossos venerados ancestrais, Adão e Eva, pisaram na bola e isso fez o Divino lançar uma maldição contra TODA a Humanidade. Para tentar corrigir essa burrada, então um terço do Deus deu as caras aqui na Terra, ensinou uma série de coisas boas, mas o real motivo da sua vinda foi levar uma baita surra, ser humilhado e finalmente pregado numa cruz para secar. Ao passar por tudo isso, desviou a ira dos outros 2/3 de Deus para ele. Aí então se um humano reconhecesse esse sacrifício do 1/3 de Deus, então os outros 2/3 declarariam esse humano salvo e ele ia para o Céu feito anjinho. Já se o tal humano não aceitasse essa elucubração teológica e não considerasse que deveria aceitar tal sacrifício por não entendê-lo, então os 2/3 de Deus manteriam sua ira e o tal humano vai para o Inferno.
    Entendeu como é a coisa? Vem mais ainda. Tal aceitação de sacrifício só pode ser feita por FÉ. Mas a fé não vem dos homens: é um DOM DE DEUS. Significa portanto que, no meu caso, os 2/3 de Deus me negaram a fé e por isso não acredito no sacrifício resgatador do Cristo. Assim então vou para o inferno. Já o Pedir Mais Cedo recebeu esse dom e aí então e crê no sacrifício do Cristo e por isso vai para o Céu.
    Tem muito mais a dizer sobre as elucubrações teológicas cristãos, mas vai ficar muito longo.
    É isso.
    .
    Abraços regeneradores.

  183. Sonia N. Diz:

    Marcos Arduin:
    -

    Seus comentários são muito esclarecedores, embora a sua forma de expressão, às vezes, possa chocar aos menos avisados ou moralistas, que enxergam os espíritas como “vaquinhas de presépio”.
    -
    Entretanto, se me permite, faço uma observação. E se acaso, estiver errada, corrija-me, por favor, já que não sou afeita aos ditames do Catolicismo Romano.
    -
    ##Para o cristão, a salvação vem da ACEITAÇÃO DO CRISTO COMO SALVADOR. Em resumo é o seguinte: nossos venerados ancestrais, Adão e Eva, pisaram na bola e isso fez o Divino lançar uma maldição contra TODA a Humanidade##.
    -
    Eu entendo que Quem cometeu o erro foi Deus (de acordo com as crenças dogmáticas do Catolicismo Romano). Por ter criado apenas um casal, com a incumbência de povoar a Terra. O casal teve dois filhos homens. Caim e Abel . Caim matou Abel, restando apenas Caim.
    Conclui-se que Eva teve que coabitar com o próprio filho, para dar continuidade à espécie humana. Assim, parece que Deus começou tudo errado. Então, eu pergunto, por que as criaturas devem ser penalizadas por um erro de Deus? Pois, de acordo com a Bíblia, foi Ele quem criou o incesto, ou seja, o pecado original.
    -
    Essa não é de forma alguma, a crença dos espíritas, porque não levamos ao pé da letra, a simbologia bíblica.
    Nossa interpretação é totalmente diferente e, acreditamos, seja muito mais lógica e justa, com a perfeição de Deus.
    -
    Se houver uma explicação melhor, agradeço
    -
    Abraços afetuosos

  184. Gilberto Diz:

    Sonia, apesar de eu achar que tais partes da Bíblia são apenas mitos, já me deram uma explicação super-plausível em relação aos primeiros habitantes da Terra, segundo a Bíblia. Quando Caim matou Abel, Adão e Eva já teriam tido diversos outros filhos, que tiveram filhos com seus irmãos e irmãs, e primos e primas, e tios e sobrinhas, por aí vai. As pessoas supostamente viviam centenas de anos naquela época. Por isso mesmo, Caim pode ter se casado com uma prima distante. A consanguinidade é uma carecterística do ser humano. É ela que faz um povo ser tão parecido em seus indivíduos e diferente de outros. É, parece que todas as religiões procuram explicações científicas para seus mitos… E tudo faz um sentido danado… Abraços Mis!

  185. Marcos Arduin Diz:

    Bem, Sonia
    O Giberto aí já deu a explicação usualmente recorrente entre os cristãos. Sacomé: a Bíblia é omissa em muitas partes e daí é preciso recorrer às elucubrações teológicas para tapar os buracos.
    Só não dá para entender porque a Bíblia menciona uns três filhos homens antes e só DEPOIS do terceiro é que Adão e Eva teriam filhos e filhas…
    #
    Cá entre nós espíritas, o tal pecado original foi os espíritos que não aceitaram ser bons o bastante para viverem no mundo de regeneração que se tornou o planeta (supostamente aquele tal que orbita a estrela Capella, na constelação do Cocheiro) e foram chutados para cá. Trouxeram consigo essa lenda da perda do paraíso, comum a vários outros povos.
    É isso.

  186. Marcos Arduin Diz:

    Só mais um adendo, Malvadão:
    A questão da santificação, na fé cristã, é entendida como uma AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO nas disposições íntimas da alma. Assim portanto, um camarada doidão por pornografia, uma vez batizado e tendo aceitado a Cristo como seu Salvador, receberá a ação do Espírito Santo e isso MUDARÁ as disposições íntimas da sua alma. Como pornografia é pecado, então ele, que antes não perdia oportunidade de conseguir coisa “nova” a respeito, agora terá nojo disso e nunca mais vai querer ver essa coisa.
    -
    Bonito na teoria, mas alguém já viu isso acontecer na vida real? Roupantes podem acontecer, como no caso da conversão de Irineu Gasparetto à igreja Renascer, quando ele destruiu tudo o que fizera como médium. Mas isso não tinha raízes. Suas disposições íntimas NÃO MUDARAM. Ele continuava a fins de grana e lhe fora prometido um cargo de pastor, com o salário de 20.000 por mês. O cargo veio, o salário não. No fim ele deixou a igreja e voltou para a casa da mamãe…
    -
    E a realidade não deixa mentir: como eu lhe disse, os povos cristãos não são melhores do que os outros em nada. Líderes cristãos pisam na bola com frequência. Taí o Jimmy Swaggart que não me deixa mentir. Portanto os ensinos de Cristo, simples na palavra, são complicadíssimos quando temos de lutar contra as nossas imperfeições.
    É isso.

  187. Gilberto Diz:

    Marcos, falou e disse. Mas, ao meu ver, a explicação espírita para os acontecimentos no “Paraíso” e depois disso são invencionices AINDA MAIS escabrosas que as cristãs tradicionais. !E.T. Phone Capella!!

  188. Marcos Arduin Diz:

    Não se pode agradar a todos, Giberto. Aliás, eu só citei o Capella aí porque é relativamente falado no meio espírita, mas quanto a isso é ASQ – Acredite se quiser. Acho que a PROPOSTA faz sentido, embora não afiance os detalhes.

  189. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    .
    Desculpe, mas difícil é “engolir” o incesto PERMITIDO
    por Deus, apenas no começo , como consta no rodapé da Bíblia que consultei. Pelo que entendi, ele EXIGIU que fosse assim, pois, não foi capaz de criar outra alternativa para as suas criaturas. E depois puniu-as para sempre, por um erro que Ele cometeu. Também acho estranho que você Gilberto (cético), considere super plausível a explicação que lhe deram (o incesto). Você fala em mito. Mitos simbolizam personalidades, comportamentos, fatos e situações. Qual o significado do incesto imposto por Deus, na expansão da espécie humana?

  190. luiz Diz:

    SOBRE O CASO MUSZKAT, EM QUE A EXPLICAÇÃO FOI DE QUE O MORTO ESTAVA APRENDENDO HEBRAICO NA ESPIRITUALIDADE, LEMBRA OUTRO EM QUE CHICO PSICOGRAFOU MENSAGEM EM INGLÊS, COM ERROS DE GRAMÁTICA TÍPICOS DE QUEM CONHECE A GRAMÁTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA MAS NÃO A INGLESA, COMO ACONTECE COM QUEM FALA PORTUGUÊS E ESTÁ COMEÇANDO A APRENDER INGLÊS, EXPLICANDO, QUANDO QUESTIONADO SOBRE OS ERROS, QUE O ESPÍRITO AUTOR DA MENSAGEM ESTAVA APRENDENDO INGLÊS NA ESPIRITUALIDADE.
    TENHO DUAS INDAGAÇÕES: PRIMEIRO, COM QUE FINALIDADE ESPÍRITOS APRENDEM LÍNGUAS SÓ FALADAS POR ENCARNADOS. SEGUNDO, COMO CONCILIAR TAL EXPLICAÇÃO COM O FATO ASSEGURADO NA DOUTRINA ESPÍRITA, INCLUSIVE VÁRIOS LIVROS PSICOGRAFADOS PELO CHICO, DE QUE OS ESÍRITOS COMUNICAM-SE TELEPATICAMENTE, SEM USAS PALAVRAS OU IDIOMAS DE ENCARNADOS?

  191. Gilberto Diz:

    Sonia, não defendo nada, pra mim é mitológico e não faz sentido. A evolução da espécie humana é bem conhecida de todos. NÃO viemos dos macacos, como gostam de chacotar. Na verdade viemos de pequenos mamíferos que sobreviveram à extinção dos dinossauros e de todos os animais grandes da terra, além de 90% da vida marinha. Portanto, descendemos de ratinhos!!! Todos os mamíferos descendem. A proteção mútua e sentido de grupo tornou os mamíferos bem adaptáveis. Evoluímos até primatas superiores e aí o homem surgiu. Acredito que a representação do Genesis seja alegórica. O embate de Caim e Abel provavelmente vem de antigas lendas palestinas que contavam de embates entre agricultores e pastores, um conflito sangrento, onde irmãos matavam irmãos. Quanto ao incesto propriamente dito, bem, prefiro o termo consanguinidade. A consanguinidade significa a sua própria existência. Você só existe graças a ela. Veja a lógica. Somos 6 bilhões de habitantes no mundo. Cada um teve uma mãe e um pai. E cada pai e mãe teve também seus pais. Mesmo que consideremos que as famílias humanas tenham tido em média 4 filhos por toda a existência humana, se fizermos os cálculos voltando no tempo até a 1 milhão de anos, que parece ser a idade do hominídeo mais parecido conosco (os verdadeiros “Adão e Eva”) pra frente, até os dias de hoje, a Terra teria que ter mais de 300 trilhões de habitantes! Isso não acontece devido a muitos fatores, como a morte antes de ter filhos e outras. Mas a razão mais importante para termos “apenas” 6 bilhões de habitantes está na consanguinidade. Ou seja, me encesta que eu gosto!

  192. Sonia N. Diz:

    Luiz:
    -
    A comunicação telepática ocorre entre os espíritos desencarnados.
    -
    Mas se eles quiserem se comunicar conosco, de uma forma a ser divulgada para várias pessoas, terá que ser através da psicografia ou da psicofonia, você não acha?
    -
    Então, é óbvio que terão que escrever ou falar, na língua em que desejam expressar-se para serem entendidos
    -
    O mundo espiritual não é a Disneylandia, onde tudo acontece num passe de mágica. E mais complicado ainda é a manifestação dos espíritos, no mundo material.
    E será sempre difícil, até descobrirmos os mecanismos que possam tornar esse intercâmbio tão viável, quanto a televisão, que nos permite ver o mundo inteiro, sem sair de casa.
    -
    Abraços

  193. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    -
    Às vezes, você é tão “tchutchuquinho”, tão bonitinho para explicar as coisas.
    -
    Se você não tivesse nascido, alguém teria que te inventar.
    -
    Você assessora muito bem o Vitor, nas largas ausências dele.
    -
    Abraços

  194. Marcos Arduin Diz:

    Bem, Luiz. Cá comigo eu não perco tempo em defender o Chico em coisas que ele tenha errado. Herrar é omano…
    Acho que Chico se sairia melhor dizendo que a ÚNICA maneira de um espírito se manifestar sem interferência do médium é se ele psicografasse através da mão de um defunto. Só que como o defunto está metabolicamente inativo, então não há como o espírito animar um corpo morto.
    Talvez o espírito quisesse mandar uma mensagem em inglês, mas se conhecia as palavras e seus significados e não a gramática, deu no que deu.

  195. Gilberto Diz:

    Só não entendo uma coisa que Xavier disse que os espíritas repetem sem parar. Ele disse que o telefone só toca de lá pra cá. Então como é que ele “chamava” os espíritos para darem mensagens a ele? Ele usava MSN? Eles usam Twitter? Eles têm E-mail? Ou ele era das antigas e “mandava um moleque lá” pra chamar eles?

  196. Marcos Arduin Diz:

    Se ler as obras de Kardec, saberá que a EVOCAÇÃO de espíritos era rotina com ele. Sim, podemos chamar os espíritos que conhecemos ou até vultos históricos, mas ficamos com um problema: como garantir que são EXATAMENTE quem chamamos.
    Kardec deixou claro que se o nosso objetivo é NOS INSTRUÍRMOS, bons espíritos não nos deixariam de atender, mesmo que não sejam exatamente os chamados, pois o que interessa são os ensinamentos de ordem geral.
    Podemos evocar espíritos de parentes, mas nem sempre eles estão disponíveis ou em condições de atender ao chamado, ou os parentes não estão ainda prontos a passar por isso.
    O fato de pouco se fazer evocações hoje em dia deve-se à natureza do trabalho de doutrinação, pois nesse caso deve vir quem precisar (voluntaria ou forçadamente).
    É isso.

  197. Gilberto Diz:

    Então Xavier disse uma coisa que não procede? Se ele era a reencarnação de Alan Kardec segundo ele mesmo (confirmado pelo seu filho), ele não sabia dessas coisas? Realmente, mesmo querendo acreditar em Xavier, isso fica mais difícil a cada dia. É difícil até de lhe dar o benefício da dúvida.

  198. Marcos Arduin Diz:

    Hã? Chico reencarnação de Kardec? Tanto quanto eu saiba ele sempre NEGOU isso. Os puxassaquistas dele saíram com essa, como se Chico já não tivesse feito o bastante por si mesmo. Imagine se ele precisava da “honra” de ser reencarnação de Kardec. Pode-se dizer que Chico fez um trabalho muito significativo, como se esperaria de Kardec, caso este reencarnasse. Mas as personalidades de ambos SÃO MUITO DISTINTAS. Kardec não transigia com o erro e nem fugia de uma briga. Já Chico queria ficar de bem com todo mundo, o que é péssimo quando se trata de lidar com erros doutrinários. A fim de não brigar com a FEB, por muitos anos aceitou as pataquadas desta.
    #
    Quanto a reencarnações de Kardec, teve um cara que procurou Leon Denis e lhe contou todo ufano que descobrira no Havre um cara de uns 30 anos que seria a reencarnação de Kardec. Bem, tal revelação bombástica entrou por um ouvido e saiu pelo outro e Denis não deu a mínima. E fez bem, pois exceto por esse babaca, ninguém nunca soube o que fez de bom para o Espiritismo esse “Kardec reencarnado”.
    -
    Erasto Prestes também tem o seu Kardec reencarnado. Não é o Chico, considerado por este um fraco, feio, bichona, de fala mansa, etc e tal. Para Erasto, Kardec reencarnou no pai dele, Severino Prestes. Bem, louve-se o amor filial do cara, mas sinto muito. Tanto quanto eu saiba, Severino não realizou para o Espiritismo absolutamente nada de relevante. Foi um “Kardec” muito apagado.
    -
    Alziro Zarur, fundador da LBV. Não sei muito sobre ele. Tanto quanto eu saiba, não teria dito de seu próprio punho que seria Kardec reencarnado, mas de qualquer forma o seu sucessor, Paiva Neto, escreveu o livro A saga de Alziro Zarur, onde lá diz que este seria a reencarnação de Kardec. Bem, Zarur aceitou o rustenismo, que é uma deturpação do Espiritismo. Estranho que um Kardec reencarnado fizesse isso.
    -
    Agora um Kardec reencarnado declarado: Osvaldo Polidoro. Fundador do Divinismo, ele diz que é a busca do homem se tornar divino e assim não precisar mais reencarnar. Ele sim, alcançou essa condição, mas Cristo não. Este ainda precisa reencarnar para alcançar a condição divina. Muito humilde esse cara, já falecido. Há uma foto dele, onde se coloca na mesma posição em que se vê o busto de Kardec lá no túmulo. Chico não deixou de aproveitá-lo: ao ser interrogado sobre quem seria a reencarnação de Kardec, ele ou Polidoro, Chico respondeu: _ O Alto manda ficar com Polidoro. _ Uma maneira elegante de se dizer: Tire esse bicho de cima de mim! Quem tiver inteligência, que julgue se Polidoro poderia ser reencarnação de Kardec.
    #
    É isso.

  199. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    -
    O Chico disse algo certíssimo, quando afirmou que “o telefone só toca de lá prá cá”.
    -
    Já comentei isso em outro tópico.
    -
    Nós podemos evocar os espíritos, quando e quantas vezes quisermos, mas não é a nossa evocação que garante a resposta.
    -
    A evocação poderá ser feita pelo maior e melhor médium do mundo, mas se não houver interesse por parte dos espíritos em comunicar-se, por um motivo qualquer, a comunicação não vai acontecer.
    Ou seja, quando isso acontece, o médium pode até pegar no fone, mas ele estará mudo. Então, o médium aguarda. Aí, de repente, ele toca. O médium atende e “ouve” (capta, pressente, percebe, ouve, vê, dependendo do tipo e grau de mediunidade) a “voz” (manifestação) do outro lado.
    -
    É mais ou menos isso, de modo simplificado, embora a manifestação dos espíritos não seja tão simples assim, quando é autêntica, coisa meio rara.
    -
    Abração

  200. Ed Verdade Diz:

    OPINIÃO DE J.BONANI SOBRE A MATÉRIA ESCRITA PELA REPÓRTER GISELA BLANCO NA REVISTA SUPER INTERESSANTE :

    · Há muito estamos em atividade na área da comunicação, prova das mais difíceis, principalmente, quando através do estudo ganhamos condições de entender um pouco dos ensinamentos contidos nas obras básicas do Espiritismo. Fomos alertados por amigos a respeito dos acontecimentos que envolveram a revista Super interessante e a jornalista Gisela Blanco com a reportagem publicada a respeito do querido Chico. Confessamos, que de inicio ficamos chocados. A fera que ainda existe em nós, foi despertada e tivemos vontade de revidar, chamar a atenção da repórter , quando navegando pela Internet, deparamos com o comentário dirigido ao diretor da revista, assinado pelo Richard Simonetti, esclarecendo que nada daquilo escrito era verdade e com certeza comprometeu a credibilidade da revista. Tínhamos certeza absoluta que o Alamar Regis, um entusiasta da doutrina, dedicado defensor da verdade “doa a quem doer”, haveria de manifestar-se. Não deu outra. Reforçando as palavras de Simonetti, jogou pesado, alias quando se fala em nome da verdade, a coisa pesa mesmo e isso com certeza abriu caminho para muitas pessoas se manifestarem com certeza. Passado os primeiros momentos quando a informação chegou até nós, paramos para pensar e chegamos a seguinte conclusão. Nós que militamos na área da informação, da comunicação, desejamos a todo custo aparecer como os primeiros a informar, os primeiros a descobrir algo que vai movimentar a massa etc. Está no sangue do jornalista. Alguns são sensatos e equilibrados, não dando muita importância se os seus nomes vão ser comentados ou não, apenas cumprem os seus deveres de produzirem o melhor, até porque são pagos para isso. Outros, coitados infelizes, querem aparecer de qualquer maneira. Sonham com os seus nomes comentados, com a polêmica que vão provocar. Não importa que a qualquer momento sejam desmascarados. Querem mesmo é aparecer, se projetar, pelo menos por alguns momentos. Como não tem competência, apelam para o sensacionalismo negativo. Buscam nomes respeitáveis, pessoas de prestígio, querida pelo povo, inatacáveis e partem para a ação inferior, sonhando com os seus nomes lembrados por muitos sem, medir as conseqüências.. Estava demorando muito a investida das trevas contra a luz, pois a repercussão do filme Chico Xavier,os comentários que envolveram o Espiritismo na comemoração do Centenário de nascimento do médium de Uberaba, estavam incomodando demais o mundo trevoso. Com muita habilidade envolveram a nossa irmã jornalista, que acabou se transformando em instrumento nas mãos de entidades perversas que se comprazem na escuridão e partiram contra a luz tentando apagá-la ou pelo menos desviar a atenção dos distraídos. Se Chico estivesse entre nós qual seria a sua reação? Certa vez um jornal de São Paulo publicou mil mentiras trazendo a tona o nome de Chico. Mais do que depressa o jornal a serviço de um movimento religioso chegou as mãos do médium. Todos falavam nos ouvidos de Chico, a lei de imprensa lha da o direito de responder ocupando o mesmo espaço. Chico, compreendeu a investida das trevas que gosta de polêmica e de discussão, apenas respondeu: Não devo responder nada a não ser agradecer, pois os meus irmãos do jornal, revelaram alguns dos meus defeitos ignorando os mil que ainda possuo! Foram generosos!
    · Partindo desse princípio, altamente cristão, pedimos a todos que nos honram com a sua leitura, que orem, pela jornalista Gisela vitima das trevas. Que Jesus possa ampará-la na difícil profissão que abraçou nessa encarnação para que não se repita o ESCÂNDALO tão comprometedor cujo instrumento chama-se GISELA BLANCO. Um assunto “interessante” para ser estudado sob a luz do Espiritismo.
    J BONANI.

  201. Sonia N. Diz:

    Ed Verdade:
    -
    Eu sou espírita, mas não penso como o Sr. J. Bonani e tantos outros espíritas. De posse do livre arbítrio, cada pessoa tem o direito inalienável de pensar, sentir, acreditar, opinar, desacreditar o que quiser.
    -
    Não me soa bem, creditar sempre às trevas, pensamentos ou atitudes contrárias àquelas consideradas ideais pelos espíritas.
    -
    Também não me soa bem essa linguagem piegas, que se tivesse fundo verdadeiro, não se expressaria, de forma alguma, contrariando o direito dos jornalistas manifestarem suas opiniões, seja lá qual for. Veja o Simonetti e o Alamar, “botaram a boca no trombone”, fazendo valer também as suas opiniões. E não, “dando uma bronca meiga”, pedindo para rezarmos pela jornalista. Dá licença!!!
    -
    Nada mais chato do que espírita, tentando “imitar” Chico Xavier. E “imitação” totalmente falseada. Porque o povo acha que falar em orar pelos inimigos o tempo todo, convence alguém disso. É só prestar atenção à resposta do Chico. Despojada, tipo “tenho mais o que fazer, não vou perder tempo com fofoca” e fim de papo. Ele não disse “estou rezando pelos pobres jornalistas, atacados pelas trevas”.
    -
    Desculpem-me meus “confrades e confreiras espíritas”, mas esse negócio de responsabilizar as trevas (obsessores) pelas atitudes humanas é a versão espírita do inferno (satanaz) católico e evangélico. Só muda o nome.
    -
    Nesse ponto sou mais os céticos. E mais uma vez serei excomungada pelos meus “pares”. Mas, já estou acostumada.

  202. Gilberto Diz:

    “Gisela vitima das trevas”. Realmente Sonia, isso parece coisa de evangélico fanático, não de espírita!! Ele não teve argumentos para refutá-la e veio com essa. O casal Hernandez disse a mesma coisa quando foram presos, O bispo Macedo também, mas pelo menos Macedo foi inocentado pela justiça. O diabo tem muita força mesmo, quando, é claro, ele tira férias e dá uma saidinha da África, onde ele pratica seu hobby de castigar mulheres e crianças indefesas.

  203. Gilberto Diz:

    Legal são os comentários dos espíritas em relação ao artigo de JB Bonani (ele ainda não desencarnou? esse cara narrou a primeira partida do Flamengo!). Um disse que “Gisela a se vinculou com o maligno. ” Outro (chamado “João de Deus” disse:” Se visitarmos o twiter dela podemos observar que até seu apelido é bem vulgar: Gigi Blanco, imagine só como não será a pessoa.” O último comentário diz: “A Doutrina Espírita se encontra no auge do seu apogeu, isto está incomodando muito.” Uma pérola da arrogância (e desconhecimento do censo!).

  204. Emanuel Oliveira Diz:

    Denis Soares
    Recebi algumas boas cartas redigidas por confrades indignados com a reportagem veiculada neste mês na revista Superinteressante sobre Chico Xavier, cartas essas destinadas a rebater o que foi publicado pela revista.

    Antes de ler tais cartas, tive o cuidado de comprar e ler a revista, pra não incorrer no mesmo equívoco de superficialidade e fuga ao contraditório que, depois, vi que a revista incorreu.

    Comprar a revista, aliás, não anda tarefa fácil, pois embora lançada há poucos dias, já está esgotada em muitas bancas. Teria o objetivo da controvérsia sido alcançado com o barulho que fez vender muito e rapidamente?

    Mas para sermos sucintos, vejamos que em determinado ponto a reportagem menciona que Chico participou do programa Pinga Fogo na década de 70, foi “bombardeado” de perguntas e se “safou”.

    Então eu diria: se Chico se “safou” daquele contexto, em que a audiência da TV brasileira era unânime em torno do já extinto canal, e em que estudiosos conhecedores de suas ciências tentaram encurralar o médium mineiro, qual será a dificuldade em se “safar” de uma reportagem tão claramente tendenciosa, sem base séria de pesquisa e veiculada numa revista de quase desprezível expressão?

    Ou seja, tudo segue como está, não merecendo a publicação sequer o barulho dos espíritas, que devem tentar compreender que se a publicação assim agiu por ignorância, deve contar com nossa comiseração; se agiu por leviandade, que conte com nossa compaixão; e se agiu tão somente com o interesse de vender mais revistas, que nossa indulgência silencie paciente, pois já compreendemos que os mecanismos que movimentam os interesses na matéria física não costumam se coadunar com a verdade e com os elevados valores do espírito.

    Os tempos são de livre expressão. E quem constrói suas convicções sobre a areia e as espalha, que suporte os custos do desmoronamento inevitável.
    http://viajantedouniverso.blogspot.com:80/

    P.S.
    http://www.observatoriodaimprensa.com.br:80/artigos.asp?cod=585FDS008

  205. Sonia N. Diz:

    Leitores em geral:
    -
    Já acessei o link, colocado aqui pelo Sr. Emanuel Oliveira. É imperdível!!!
    -
    Justiça é a verdadeira caridade. É nisso que eu acredito!
    -
    A matéria feita pelo José Edmar Arantes Ribeiro, Bacharel em Física, em resposta à matéria da Superinteressante sobre Chico Xavier, é “Verdadeiramentinteressante”. Na medida certa e justa; fora do contexto e linguajar religioso, tão ao gosto dos fiéis e, mais ainda, dos opositores, que encontram aí, ainda mais motivos para combater os espíritas.
    -
    http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=585FDS008
    -
    Abração

  206. Marcos Arduin Diz:

    Muito bom. Esse aí foi mais lúcido e incisivo que o Alamar, o Simonetti e o Bonani. Só discordo de uma coisa: o lance de Chico ser o responsável por fazer pessoas acreditarem na vida após a morte. Do jeito que está na reportagem, é uma baita besteira! A crença nisso é comum a muitas religiões. Só umas poucas, como os adventistas e os jeovistas, acreditam no Sono da Morte, em que os mortos não teriam existência espiritual. O autor poderia ter refutado aquela besteira, mas não o fez.

    É isso.

  207. Alexandre Diz:

    Pessoal,
    Esse post é parcial. Pelo simples fato de que a reportagem da Superinteressante mostra o lado do mito Chico Xavier, sobre altos e baixos, controvérsias e sucessos, mas o post só realçou o que é discutível. Ou seja, direcionou a opinião do leitor.
    Disse discutível porque há respostas para essas controvérsias.
    Uma delas:
    - porque não há materialização em todas as esquinas hoje em dia?
    Porque a materialização é fenômeno mediúnico, e quem não desenvolveu as habilidades mediúnicas não consegue ver os espíritos! Ora, não é impossível para um sujeito sedentário fazer um gol de placa?
    Outros perguntariam: “mas mesmo assim você vê o gol de placa ocorrendo”. Exato, e as pessoas viam as materializações na época, confiram em César Lombroso, William Crookes, Gabriel Dellane.
    E porque não há mais materilizações hoje em dia?
    Porque esse não é o foco. Kardec dizia que o espiritismo tem um fundo moral, não apenas científico. Isso também responde àquelas perguntas de porque o espiritismo utiliza entidades “católicas”, eu diria cristãs, na sua cultura, nas suas preces. Porque o objetivo é moral, quiçá (verdadeiramente) cristão.
    Se os críticos realmente lerem Kardec, encontrarão isso tudo. No entanto, como os críticos normalmente não são tão informados, prevalece o orgulho de contestar, ou algo do tipo.
    Essa discussão é do século 19, pessoal!
    Abraços

  208. moizes montalvao Diz:

    EMANUEL DISSE: “Mas para sermos sucintos, vejamos que em determinado ponto a reportagem menciona que Chico participou do programa Pinga Fogo na década de 70, foi “bombardeado” de perguntas e se “safou”.
    Então eu diria: se Chico se “safou” daquele contexto, em que a audiência da TV brasileira era unânime em torno do já extinto canal, e em que estudiosos conhecedores de suas ciências tentaram encurralar o médium mineiro, qual será a dificuldade em se “safar” de uma reportagem tão claramente tendenciosa, sem base séria de pesquisa e veiculada numa revista de quase desprezível expressão?”
    .
    COMENTÁRIO: Chico não se “safou” de bombardeio algum. Afora João de Scantimburgo, que fez algumas perguntas apimentadas, os demais questionadores foram amenos em suas indagações e deixaram Francisco bem descontraído. O destaque naquele programa, coisa que poucos comentam, foi a demonstração da grande cultura e capacidade oratória do homem de Uberaba. Para quem se apega ao argumento de que Chico era iletrado, o Pinga-Fogo desmente.
    .
    Abraços,

  209. moizes montalvao Diz:

    SONIA DISSE: Leitores em geral:
    -
    Já acessei o link, colocado aqui pelo Sr. Emanuel Oliveira. É imperdível!!!
    -
    Justiça é a verdadeira caridade. É nisso que eu acredito!
    -
    A matéria feita pelo José Edmar Arantes Ribeiro, Bacharel em Física, em resposta à matéria da Superinteressante sobre Chico Xavier, é “Verdadeiramentinteressante”. Na medida certa e justa; fora do contexto e linguajar religioso, tão ao gosto dos fiéis e, mais ainda, dos opositores, que encontram aí, ainda mais motivos para combater os espíritas.
    -
    COMENTÁRIO: O texto de José Edmar aponta diversos equívocos cometidos pela reportagem de Superinteressante. A maior parte desses apontamentos está correta e passa despercebida da apreciação do leitor superficial. Entretanto, creio, a intenção da reportagem foi mostrar o homem e o mito, sem fechar parecer conclusivo a respeito dessa cativante figura que foi Francisco Cândido Xavier. Neste quesito, a reportagem cumpriu medianamente o objetivo.
    .
    Por outro lado, há alguns reparos a serem feitos no arrazoado do físico, citarei os principais.
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    EDMAR: “Logo na capa, em sequência a uma pergunta com um erro de concordância verbal, segue outra mal formulada: “Quem foi o homem que fez milhões de brasileiros acreditar em espíritos? Qual o segredo das mensagens que ele psicografou?” (grifo nosso). A revista começa assim, e o mesmo erro de concordância verbal seria repetido na abertura da reportagem em foco, à pág. 50: “Há 100 anos nascia o homem que faria brasileiros de todos os credos acreditar na vida após a morte” (grifo também nosso)”
    .
    COMENTÁRIO – Parece querer dizer que seria “acreditarem”, em vez de acreditar, não vou entrar em questionamento, pois quase sempre que me meto a discutir gramática saio ferido; mas “auditivamente” a frase parece correta.
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    EDMAR: “A autora, no box “A Ciência e Chico Xavier”, à pág. 56, após dizer que, para cientistas, a explicação da fenomenologia de Chico Xavier estaria em um meio-termo entre a fraude e a hipótese espírita, simplesmente aloca definições de psicose, epilepsia, criptomnésia e telepatia, sem apresentar quaisquer posições de cientistas de que os conceitos mencionados explicariam o caso Chico Xavier!… Não bastasse isso, duas de suas definições estão equivocadas, o que será discutido na seção “Conceitos Errados”, mais abaixo.
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    COMENTÁRIO: O “box que nada explica” está relativamente correto, mas carece de melhor reflexão sobre a qualidade da informação ali prestada. Concordo que haja erros, porém, em princípio, parece-me que dá para “salvar” o trabalho.
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    EDMAR: “À pág. 51, a autora diz que a origem de toda a história do fenômeno Chico Xavier foram as cartas dos mortos, e nas páginas seguintes (até a pág. 55) ilustra a afirmação com episódios de pessoas que teriam recebido cartas de seus filhos ou irmãos falecidos. Errado! Chico Xavier começou escrevendo versos de poetas brasileiros e portugueses mortos, que apareceram em Parnaso de Além-Túmulo, obra publicada em 1932 pela Federação Espírita Brasileira que chamou a atenção de vários intelectuais brasileiros pelo estilo dos poemas, fiel ao dos autores aos quais eles eram atribuídos.”
    .
    COMENTÁRIO: Em minha primeira leitura, entendi que a autora, ao dizer “a origem de toda essa história”, se referisse ao trabalho com cartas dos mortos, não a história da mediunidade de Chico. Agora, após novo exame, vejo que a objeção de José Edmar faz sentido.
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    “EDMAR: À pág. 54, é dito que Waldo Vieira fundara um centro de estudos religiosos em Foz do Iguaçu. Errado! O centro fundado por Waldo Vieira é voltado ao estudo da consciência e não tem caráter religioso.”
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    COMENTÁRIO: Correto e errado: embora o centro de Waldo seja voltado para o estudo da “projeciologia” e “conscienciologia”, não tem muito a ver com os estudos psicológicos e neurológicas da consciência, somente com a discutível idéia de que a consciência possa projetar-se fora do corpo e viajar ao léu e ao créu .
    .
    EDMAR: “À pág. 56, Gisela Blanco escreve o seguinte:
    “O que você veria se estivesse na plateia de Chico Xavier na década de 1940? Para começar, um médium sentado em frente a uma cortina, a cerca de 10 metros dos espectadores. (…) Lentamente, vultos brancos apareceriam – os médiuns explicavam que eram espíritos que haviam se materializado”.
    Errado! Primeiramente, ao que nos consta, Chico Xavier somente iniciara sua atuação pública como médium de materialização em 1952, e pouco tempo depois, em 1953, deixaria de atuar como tal (vide livro Chico Xavier – Mandato do Amor). Depois, nas sessões de materialização o médium mineiro ficava deitado e atrás de uma cortina. Por fim, nestas mesmas sessões, que os vultos eram espíritos materializados podia ser deduzido pelos próprios espectadores.”
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    COMENTÁRIO: Correto quanto ao erro da autora: talvez ela quisesse dizer “década de 1950”, e disse “de 1940”. O certo é que errou. Agora, cabe avaliar melhor as sessões de materialização realizadas por Chico Xavier. Até então, baseado nos relatos sobre Otília Diogo, julguei que a participação de Francisco se restringira a apoios ocasionais, porém, noto que não, pois ele se envolveu mais profundamente no assunto, portanto, sua responsabilidade é maior.
    .
    EDMAR: “À pág. 56, a autora enfeixou sob o termo “psicose” todos os quadros ditos dissociativos, o que não é aceito pela Associação Americana de Psiquiatria desde 1994 (vide Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), e também considerou “criptomnésia” como um distúrbio da memória, quando não há qualquer razão para categorizar este fenômeno, genericamente, como “distúrbio”.
    .
    COMENTÁRIO: Correto. Talvez ela tenha consultado o dicionário Aurélio, onde a criptomnésia é classificada, erroneamente a meu ver, como “distúrbio”.
    .
    EDMAR: “Sobre o fenômeno da materialização de espíritos, a autora, Gisela Blanco, às páginas 56-57, escreve o seguinte:
    “Registre-se: materializar uma pessoa, ou fazer surgir massa do nada equivalente a um homem de 70 quilos, não seria tarefa fácil. Seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidrelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas e exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.”
    Aqui, a autora mistura alhos com bugalhos. O processo de materialização de espíritos não está relacionado à produção de matéria “do nada”. Segundo informações dos próprios espíritos, aceitas e de certa forma já verificadas por pesquisadores da fenomenologia espírita como o russo Alexandre Aksakof (1832-1903), o italiano Ernesto Bozzano (1862-1943) e o brasileiro R. A. Ranieri (1919-1989), o referido processo se daria às custas de “desmaterialização” do médium (em maior escala) e dos participantes das sessões (em menor escala).”
    .
    COMENTÁRIO: Parece que a jornalista estivesse discorrendo sobre o quanto de energia seria necessária para “materializar” um corpo, montando-o átomo por átomo, ou coisa parecida. Edmar prefere explicações “velhas” (Aksaksof, Bozzano), que não conseguem ser replicadas na atualidade. Certamente não está se pronunciando como físico, sim como espírita.
    .
    EDMAR: “Em caixa alta na primeira página da reportagem (pág. 50), a autora do texto, Gisela Blanco, nos diz que fora o mito Chico Xavier que fizera brasileiros de todos os credos acreditarem em vida após a morte, que mudara a vida de famílias desconsoladas e que colocara a ciência em busca de respostas para seus fenômenos. A matéria, entretanto, não dá subsídios para tal afirmação. Fora o homem Chico Xavier o responsável por tudo aquilo.”
    .
    COMENTÁRIO: José Edmar está correto, porém suas razões não parecem as melhores: Chico não “fez brasileiros de todos os credos acreditarem em vida após a morte”. A crença na vida após a morte transcende ao trabalho de Francisco Xavier. A jornalista errou por creditar a Chico a capacidade de levar brasileiros a crer na vida pós-morte, pois deveria ter dito: “crer na vida pós-morte, conforme a idealização espírita”. O mérito de Francisco foi o de incrementar a fé espírita no Brasil, não a crença na vida além.
    .
    EDMAR: “Às págs. 52-53, lemos o seguinte (grifo nosso): “(…) Célia representa o público cativo de Chico: as mães. Atrás de notícias dos filhos mortos, elas compareciam em massa nos dois centros que Chico teve (…).” Aqui a autora procura imputar um caráter de sedutor ou algo do tipo a Chico Xavier. Pura leviandade.”
    .
    COMENTÁRIO: Exagero chamar de leviandade o texto selecionado. Que Chico Xavier era um “sedutor” não há dúvida, mas não da maneira que o comentarista parece ter entendido a redação de Superinteressante. Seria, sim, leviano imaginar que mães enlutadas fossem à procura de Chico por conta de seus “belos olhos azuis”, e, talvez, mais leviano ainda supor que a jornalista tenha tido a intenção de aventar tal idéia.
    .
    EDMAR: “À pág. 54, vemos em letras garrafais: “Show de materialização de espíritos e truques para incrementar as sessões de psicografia. O lado pirotécnico de Chico Xavier provocou desconfiança”. Além do comentário estar desvinculado do assunto tratado nas páginas 54-55, a autora desconhece, ou finge desconhecer, que as sessões de materialização não tinham qualquer conotação de espetáculo. Além disso, levianamente, afirma que Chico usara de truques em suas sessões de psicografia, sem ao menos discutir mais amplamente a questão ao longo do texto sobre o assunto, às páginas 56-57, apenas fazendo referência ao caso de um fotógrafo da revista Realidade que, em 1971, teria visto um assessor de Chico Xavier borrifar perfume no ar…”
    .
    COMENTÁRIO: Realmente, a jornalista deveria ter sido mais ilustrativa. Contudo, “shows” de perfumagens são, salvo firme comprovação em contrário (por meio de verificações com controles adequados), truques de prestidigitação.
    .
    EDMAR: “Ainda à pág. 56, após dizer que das investidas da imprensa Chico Xavier não escaparia (“Eles queriam explicações não só para a linha direta que Chico dizia ter com as celebridades do outro lado, mas também para alguns shows que o médium andava fazendo por aí”), a autora inicia uma subseção com o título “A pirotecnia”, sempre procurando incutir um tom humorístico à sua reportagem. O curioso é que Gisela Blanco fala nesta subseção de uma reportagem de 1944 da revista O Cruzeiro, de uma denúncia de Chico Xavier por um sobrinho e sobre o programa Pinga-Fogo de 1971 do qual Chico participara. Estes tópicos, porém, nada tem a ver com o que ela denomina “pirotecnia”. Pirotécnica parece-nos a falta de clareza da autora…”
    .
    COMENTÁRIO: De certo modo, houve, sim, pirotecnia (no sentido metafórico, dando a entender que os temas expostos eram explosivos). Porém, José Edmar está correto, faltou amarrar melhor os eventos “pirotécnicos”.
    .
    EDMAR: “Ainda à pág. 57, referindo-se à participação de Chico Xavier em 1971 do programa Pinga-Fogo, da TV Tupi, a autora escreve: “Por quase 3 horas, o médium foi bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Ora, safar-se é esquivar-se, escapulir-se, fugir. Assim referindo-se à atuação de Chico Xavier no Pinga-Fogo, a autora parte do pressuposto de que ele teria algo a esconder. Lamentável! Muita falta de imparcialidade.”
    .
    COMENTÁRIO: Menos, meu caro. Aí há algum exagero em sua consideração. Conquanto, gramaticalmente a objeção esteja correta, pois safar-se significa fugir, escapulir; entretanto, é clara a boa intenção da jornalista. Quis dizer que Chico se saiu bem do interrogatório, isso está implícito no contexto. O intento que percebi é o de elogiar Francisco, não depreciá-lo. Por outro lado, há sério equívoco na sentença, que não foi notado por Edmar: em verdade Francisco não foi “bombardeado”, o “Pinga-fogo” foi uma programação inteiramente apologética, no qual o entrevistado esteve sempre cercado pela proteção de seus amigos terrenos, dos poucos críticos que participaram só Scantimburgo teve atuação produtiva. Outra informação que a reportagem não deu é que houve duas edições do programa. A referência que a autora faz é ao primeiro programa.
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    EDMAR: “À pág. 59, a autora escreve: “Uma imagem captada pela TV Globo mostrou um raio de sol entrando no quarto do medium [sic] exatamente no dia em que Chico teve uma melhora repentina”. Seria mesmo um raio de sol? Cadê as fontes que atestam isto?”
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    COMENTÁRIO: Não foi um raio de sol. Foi o reflexo do sol na lente da câmara. A própria TV Globo, que divulgou o raio entrando na janela, no programa seguinte demonstrou a ilusão. Isso já está mais que documentado. Admira-se que hoje ainda quem defenda, implícita ou explicitamente, que o “raio de luz” seria algum espírito ou força espiritual adentrando o quarto do doente.

  210. antonio Diz:

    o blog é ridículo, o autor medíocre no que se propoe. 0% de conteúdo científico, fazer ciência não é contestar apenas, escrever por escrever qualquer um pode, porém existem textos com raciocínios lógicos. Gerar conteúdo e não simplesmente contestar conteúdo.

    O que o autor do blog faz é contestar tudo para que as pessoas fiquem tentando lhe dar provas ou lhe mostrar uma realidade que sua mente não é capaz de ver e sua preguiça não é capaz de ler. Coisa de gente preguiçosa com QI lógico baixo.

    Faz as contestações com textos pobres e tendenciosos, o texto onde diz que as palestras do Divaldo não são confiáveis é a síntese do pensamento pobre, capaz apenas de gerar lixo, infelizmente a internet não é capaz de descartar esses lixos. Afoito em contestar, o orgulho o fez gastar apenas 1/10 do tempo para desculpar-se.

    O objetivo deste site é analisar cientificamente livros ou mensagens ditos “psicografados”

    Por favor, alguém consegue ver alguma ciência em algum texto do autor do blog?

    O objetivo do espiritismo cristão é a reforma moral interna de cada um, é a pessoa saber que é errado e não fazer o errado, querer para o próximo o que gostaria de ter para si mesmo, o texto do “homem de bem” resume o objetivo do espiritismo. O Divaldo difunde algumas palavras simples, amor e caridade. Meu QI diz que quem contesta pessoas que difundem o amor e caridade sem enriquecer ou pedir nada por isso, não está do lado do bem e deveria orar pedindo a Deus redenção e sabedoria.

  211. antonio Diz:

    Sugestão: troque o
    “O objetivo deste site é analisar cientificamente livros ou mensagens ditos “psicografados”

    por

    ” o objetivo desse site é ganhar alguns cliques fáceis no AdSense do Google e colocar algum dinheiro no bolso”.

    Ficará mais honesto.

  212. moizes montalvao Diz:

    Marcos Arduin Disse:
    APRIL 14TH, 2010 ÀS 9:28 PM

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    “MONTALVÃO1″ são os comentários iniciais, aos quais seguiram a réplica de Arduin, MONTALVÃO2 são as ponderações atuais.
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    MONTALVÃO1: para o cristianismo a “evolução” se dá em termos de “crescimento” espiritual (algumas denominações cristãs utilizavam, com muita inspiração, o termo “santificação” para descrever essa condição de aprimoramento de vida. Infelizmente, na atualidade, a santificação tornou-se conceito esquecido). Na concepção espírita a “evolução” se dá por meio de várias existências, suposição que o cristianismo não apanigua. Todos os espíritos podem entender a mensagem do amor, devido à sua simplicidade. Nem todos conseguem praticá-la e poucos a vivenciam na profundidade adequada. É claro que as máximas cristãs não são privilégios do cristianismo, o que significa que os passos essenciais para se atingir uma existência plena estão disseminados em boa parte das filosofias religiosas. Talvez o mérito de Jesus foi ter mostrado a importância crucial desse comportamento.
    .
    ARDUIN – O problema, Malvadão, é que tal mensagem, como eu já disse, É MUITO DIFÍCIL DE SER PRATICADA EM VISTA DOS SACRIFÍCIOS PESSOAIS A SEREM FEITOS.
    Lá no início do Cristianismo OFICIAL, os que começaram a achar a mensagem interessante ADIAVAM ao máximo o seu batismo, pois enquanto não fossem batizados, podiam farrear e pecar à vontade. Constantino só se batizou pouco antes de morrer.
    .
    Montalvão2 – De fato, difícil praticar, em toda a inteireza (e para muitos até mesmo parcialmente), a regra áurea de Cristo. Tanto que Jesus disse: “Larga é a porta que conduz a perdição e estreita a da salvação”. A dificuldade advém, principalmente, da existência de alternativas outras, destoadas do espírito do amor, e que, ilusoriamente, são mais “fáceis” de ser trilhadas. E esta é a origem de nossas mazelas. Porém, dificuldade ou facilidade não altera o normativo. Ele está aí, a vista de todos, qual um lembrete indelével, a nos dizer: esta é a trilha correta.
    A cobrança pela melhoria pessoal não era prioritária.
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    MONTALVÃO2 – “cobrança” não parece ser a melhor palavra neste contexto; encaixaria bem o termo “estímulo”. Seja como for, a “melhoria pessoal”, como a própria expressão informa, é “pessoal”. O máximo que os guias religiosos podiam fazer seria lembrar constantemente a necessidade de viver-se sob a égide da mútua solidariedade e do amor a Deus. Coisa que poucos faziam no passado, ou fazem hoje, e continuarão não fazendo no futuro. Isso significa que a mensagem primordial do cristianismo está esquecida, embora existam vários que a mantém acesa em suas mentes, a mostrar que é possível viver conforme a orientação divina.
    O que entendo de sua palavra é que a história do cristianismo mostra que a orientação de Jesus não foi levada muito a sério pelos cristãos. Quanto a isso, concordo. Entretanto, conforme foi dito, tal não altera o princípio. Não se sabe de ungido por Deus que tenha vindo a corrigir o ditame. Imagine, um líder carismático dizendo: “Ai, tchurma, esse negócio de um amar o outro, já vimos que é difícil pacas. O quente agora é cada um por si e Deus pelos mais bonitos”.
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    ARDUIN: Quando os papas começaram a distribuir indulgências, foi como colocar o Céu à venda. Frederico, o sábio, príncipe eleitor da Saxônia era muito astuto (esse cognome o sábio não era por acaso). Quando o papa Alexandre VI mandou levantar fundos para organizar uma cruzada contra os turcos, Frederico juntou a grana, mas disse que só a entregaria ao papa quando a cruzada estivesse de fato organizada. Como isso nunca aconteceu, ele usou esse dinheiro para fundar a Universidade de Winttemberg.
    Com a ajuda de Teztel, Frederico juntou dinheiro com venda de indulgências e usou essa grana para construir uma ponte. Mas quando o mesmo Teztel reapareceu para vender indulgência para a contrução da nova basílica de São Pedro, Frederico proibiu-o de entrar na Saxônia: ele não queria ver o dinheiro de seu condado fluindo para Roma. Só que os seus súditos cruzavam a fronteira e iam lá comprar as ditas indulgências. Havia até uma tabela: sodomia: 12 ducados; feitiçaria: 8 ducados; blasfêmia 7 ducados; parricídio: 4 ducados… E de posse desses documentos papais, os saxões, como bons negociantes, os apresentaram a Lutero, então padre e monge agostiniano, para que atestasse a validade deles. Lutero simplesmente disse que NADA VALIAM. A menos que se REFORMASSEM E DEIXASSEM SUA VIDA PECAMINOSA, MORRERIAM EM SEUS PECADOS.
    E o resto, você já sabe: começou aí a Reforma.
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    MONTALVÃO2 – sobre a Reforma, embora as 95 teses de Lutero possam ser consideradas o ponto zero do movimento, a rigor o protestantismo não começou aí, pois Martinho Lutero não tinha intenção de criar um cisma na Igreja. Nem ele maginava que seu protesto iria resultar em rachadura no palácio da “guardiã da herança de Cristo”. Mas, isso é detalhe, sua assertiva sobre a origem da Reforma é aceitável.
    As indulgências foram uma jogada “genial”, oficializada pelo papa Clemente VI. A tese amadureceu da distinção feita pela Igreja entre penas definitivas e penas temporais. As primeiras levavam, sem escalas, ao inferno; as outras garantiam estada no purgatório.
    Para as penas do purgatório havia o paliativo das indulgências. Somente o papa, ou quem por ele autorizado, podia aplicar as indulgências. Duas coisas são importantes considerar nessa questão: 1) havia um conjunto de considerações teológicas embasando a propositura das indulgências, e, o mais admirável, 2) foram aceitas, com muita satisfação, pelos fiéis. Estes viram na prática uma forma de aliviar possíveis sofrimentos no purgatório e livrar parentes que por lá estivessem. Sim, porque as indulgências podiam perdoar pecados de vivos e de mortos.
    Na época de Lutero, sob o pontificado de Leão X, a venda de indulgências atingira níveis escandalosos. O papado financiava múltiplos empreendimentos com a renda desse comércio: construção de igrejas; financiamento de exércitos cruzados; gastos diversos do clero, eram algumas das destinações das gordas rendas advindas da venda de indulgências.
    Ao tempo de Lutero, o arcebispo de Mainz, Alberto, estava mais endividado que o Brasil no tempo da construção de Brasília. Então obteve do papa autorização para vender indulgências. Pretendendo aproveitar ao máximo as vantagens desse comércio, buscou o melhor dos vendedores de indulgências, e encontrou em Tetzel, um frade dominicano, a pessoa indicada. Tetzel era um capeta pra vender. Seus discursos de camelô da Praça XV levavam milhares de pessoas a adquirir os perdões mercantis. Nem Silvio Santos, nos bons tempos de vendedor de rua, vendia mais que o frade.
    Um dia, Tetzel chegou a cidade onde Martinho Lutero era monge. Lutero fizera votos de pobreza e buscava a santidade por meio de uma vida despojada de interesses mundanos. Muitas vezes se autoflagelou, intentando livrar-se dos pecados que acreditava oprimi-lo.
    Lutero e Tetzel eram antípodas religiosos, mesmo estando debaixo da mesma ideologia religiosa. Lutero lavava calçadas, mendigava o pão, levava vida de indigente, buscando a plena harmonização com os ideais de Cristo. Tetzel era um mercenário da salvação. Oferecia perdões para todas as ofensas imagináveis, desde que o interessado estivesse disposto a pagar o custo pela benesse.
    Lutero sentiu-se escandalizado ante o pérfido trabalho do monge, o que o estimulou a publicar as 95 teses. Nesta não havia acusação contra Roma, nem mesmo Tetzel era atacado. Lutero punha-se especificamente contra a exploração vil das indulgências. Sua fidelidade ao papa continuava firme. Somente depois, quando Lutero manteve seus pontos de vista diante dos cléricos com quem debateu é que o movimento começou a tomar forma, vindo a ocasionar a grande separação.
    As indulgências foram dogmatizada pela Igreja, ainda hoje são vendidas medalhas milagrosas, terços perdoadores e toda uma série de relíquias tidas por abençoadoras. Conquanto os exageros passados hajam sido expurgados, o comércio continua.
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    ARDUIN: Como vê, Malvadão, a tal Santificação é a parte MAIS DIFÍCIL do Cristianismo, pois ela exige que nos reformemos, que cortemos os pecados na carne e no osso. E MUITO POUCA gente está disposta a isso.

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    MONTALVÃO2 – concordo com você, mas um dado que parece esquecido em sua reflexão. Estamos focando as atitudes de homens que se diziam cristãos genuínos. Mas, entre dizer e fazer (melhor, dizer e viver) há enorme distância. A mesma Igreja que produziu santos, produziu demônios. Só que isso acontece em qualquer instituição religiosa. Não há qualquer garantia que qualquer ideologia religiosa vá automaticamente transformar seus participantes em anjos. Em todas, anote aí, todas, sempre haverá ovelhas e lobos (se bem que eu deteste essa expressão). Em qualquer organização, onde seres humanos interajam, encontraremos deuses e capetas. Neste ponto, a meu ver, está o grande equívoco de sua argumentação.
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    ARDUIN: Lá no livro LIBERTAÇÃO de André Luís, salvo engano, há uma cena onde é mostrado o ritual da missa visto pelo lado espiritual. O padre, sem vocação e de má vibração, distribuía a hóstia aos constritos. Mas na fila, apenas uma jovem era uma verdadeira constrita; os outros estavam na fila só para aparecer ao público. As hóstias eram luminosas e a moça, ao recebê-la na boca, a luz deixou a hóstia e alojou-se em seu coração. Já com os outros, assim que a receberam na boca, a luz apagou-se imediatamente. Era para que não recebecem o que não mereciam.
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    MONTALVÃO2 – há livros de montão contando histórias semelhantes. Numa de sua parábolas, Jesus falou do sujeito que agradecia a Deus por não ser miserável e desgraçado quanto o infeliz que estava próximo. Enquanto isso, o “infeliz” apenas dizia: Deus, tem misericórdia de mim! Se você usar a história de Chico Xavier e substituir o padre sem vocação e de má vibração, por um espírita, seja vocacionado ou não, e, em vez de hóstia, pensar num passe, o enredo praticamente não precisará ser modificado.
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    ARDUIN: Entendeu como é que é isso visto pelo lado espírita? Sim, um espírito encarnado pode sim se melhorar ainda nesta existência, pois ela é feita para isso. Mas se não o fizer, tem as outras… nem sempre em condições fáceis.
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    MONTALVÃO2 – a questão seria saber como essa “contabilidade” funciona e se funciona. Que garantia haveria de que na próxima existência não erraremos mais que na anterior, acumulando novos débitos? E se na seguinte acontecer o mesmo? É provável que sempre fiquemos no vermelho ao fecharmos o balanço existencial. Desse modo, as múltiplas existências seriam um processo infindo, a perenizar uma caminhada de dores vida após vida.
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    MONTALVÃO1: discordo um pouco, embora concorde outro tanto. Espíritos moralmente solados, na visão cristã, podem ser recuperados. Deus chama e o pecador, se este ouvir a voz, toma a iniciativa de buscar a mudança. Não há caso perdido como, de certa forma propaga o espiritismo, pois, na idealização espiritista, um decaído terá de experienciar um multiplicadilhão de vidas até aprender a viver corretamente. Quando um “cristão” vilipendia seu semelhante, ele não está se “concentrando em lucubrações teológicas”, está, simplesmente, desprezando a orientação primária do cristianismo.
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    ARDUIN- Acho que você entende menos do Espiritismo do que imagina. Caso PERDIDO está no Cristianismo, pois para este só há UMA vida na qual tem de se acertar. E Kardec fez as colocações mal respondidas pela fé cristã: como ficam os alienados mentais, os bebês falecidos, os nascidos antes do Cristo, etc e tal? Como eles se salvam? É exatamente nisso que o Espiritismo preenche a lacuna. Aquele que não pode aproveitar uma existência, pode corrigir-se em outras. Melhor se informar direito.

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    MONTALVÃO2 – aqui há um raciocínio espírita que parece inatacável, mas, se bem examinado, se mostra suspeito. As questões em pauta são: por que uma vida não é suficiente? Por que várias vidas seriam melhor que uma? Se considerarmos que nossa existência no porvir depende da decisão que Deus tomar a nosso respeito, não será uma ou um milhão de existências que mudará qualquer coisa. Levemos em conta, também, que as idealização sobre o porvir, desde as mais simplórias, até as mais complexas, são conjecturas elaboradas do “lado de cá”. As milhões de mensagens pretensamente provinda de espíritos foram insuficientes para a confecçao de um demonstrativo incontestável da realidade futura. Descrições variadas, conflituosas umas com as outras, fantasias de todas as espécies e fotocópias das instituições terrenas foi isso o que os “espíritos” nos apresentaram.
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    MONTALVÃO1: como você bem percebeu, o ensinamento essencial do cristianismo está apartado de doutrinas. Estas existem aos magotes, algumas muito semelhantes entre si, outras esdrúxulas (uma delas você citou em outra postagem: os Testemunhas de Jeová). Entretanto, o amor, como base da mensagem de Cristo, permeia toda e qualquer elaboração doutrinária.
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    ARDUIN – Malvadão, o caso é que eu SOU PRÁTICO. Não me interessa o que uma doutrina diz, mas sim quais são os seus efeitos na prática. Juram os comunistoides que conheci que Marx era um gênio e que suas obras são espetaculares. Nunca as li e nem pretendo. Motivo: TODOS os governos que adotaram o Marxismo como doutrina política só produziram opressão, crimes, ditaduras e o povão só se ferrou. Assim então concluí que o Marxismo é uma porcaria.
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    MONTALVÃO2 – o marxismo não é uma porcaria, mas os marxistas (alguns deles) podem ser. De um modo grosseiro, posso dizer que o erro de Marx foi achar que modificando as instituições modificaria os homens. O problema que apontei acima se repete na revolução comunista: nela há homens sérios, desejos de implantar um regime de plena igualdade social, os quais concorrem com outros que pretendem implementar sistema dos mais iguais que os iguais. Se quiser entender a revolução na Rússia, que foi a nação que esforçou-se por implementar o marxismo em sua totalidade, sem ler Marx, compulse “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Nesse romance explica-se o motivo do fracasso da proposta marxista. Basicamente, o mesmo que sucedeu no catolicismo, ocorreu no marxismo: a revolução gerou homens genuinamente interessados na comunização das riquezas, qual Lênin, Trotzki e muitos outros; paralelamente, produziu uma aberração chamada Stálin, um carniceiro diante do qual Hitler parecia um aluno de jardim-de-infância.
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    ARDUIN: O Orlando Fedelho (ops, Fedeli) lá do Monfort escreveu um texto apresentando Kardec como um racista brutal e grosseiro. Não dou razão a ele, mas ainda que fosse verdade, qual o efeito disso? NENHUM! Karde pode ter escrito alguma besteira influenciado pela Ciência e Eurocentrismo de sua época, mas isso é opinião dele e sobre os espíritas, NÃO TEVE O MENOR EFEITO. E posso lhe apresentar uma prova disso:
    Na cidade onde moro, São Carlos, passou por aqui no início dos anos 1900 a educadora Anália Franco, ESPÍRITA, que fundou umas escolinhas para crianças pobres… E quase foi expulsa daqui porque cometeu uma tremenda e inaceitável obscenidade para a catolicíssima sociedade são carlense: pôs crianças brancas e negras para ESTUDAREM JUNTAS. Pode uma coisa dessa? Então agora lhe pergunto: por que uma espírita, seguidora de uma doutrina “fundada” por um racista brutal e grosseiro tinha uma postura absolutamente antirracista e uma catolicíssima sociedade, cuja fé foi fundada por um tal de Cristo, que pregou o amor ao próximo, achou uma obscenidade inaceitáel crianças brancas e negras estudarem juntas?
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    MONTALVÃO2 – li o artigo de Fedeli, achei-o parcialista, não é, realmente, uma boa avaliação. E peca por desconsiderar o contexto no qual Kardec estava inserido. Paralelamente ao suposto racismo de Kardec, conviviam convicções religiosas que viam no indígena um meio termo entre o homem e o animal e consideram os negros criaturas destituídas de alma.
    Anália Franco, independentemente de ser espírita, era alma com visão adiante da de sua época. Pessoas assim existem em diversas agremiações religiosas e mesmo fora delas. Euclides da Cunha ao visitar o palco dos combates em Canudos produziu uma obra avançada em termos de direitos humanos. Padres jesuítas, muitos deles, tomavam índios sob sua proteção, defendendo-os da sana assassina de fazendeiros. Cândido Rondon desbravou os sertões, disposto a “morrer se preciso fosse, matar jamais”. Homens e mulheres esclarecidos surgem, em todas as épocas, para deixar o registro de que ainda há esperança para o ser humano: em meio a tanta insensibilidade e exploração do próximo, essas almas santas nos mostram o lado bom de nossa humanidade.
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    ARDUIN: Esse é o meu ponto, Malvadão: o Cristianismo produziu melhores sociedades? Levou à produção de leis mais justas? Governantes cristãos foram melhores do que governantes pagãos? A resposta a tudo isso é um sonoro NÃO.
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    MONTALVÃO2 – cristianismo, nem religião alguma, produzirá melhores sociedades. O objetivo das religiões é produzir pessoas melhores, mais esclarecidas. O poder corrompe, e tende a corromper até almas ilibadas, pelo peso da influência e pressão dos maus. Quando houver muito mais pessoas ciosas de que o bom é ser bom, então teremos sociedades mais justas.
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    MONTALVÃO1: a Ku-Klux-Khlan fora apoiada por alguma agremiação religiosa? Não disponho de tal informação…
    - Já ouviu aquele ditado que diz que para que o mal triunfe, basta que os bons nada façam? Pois é: a Khlan aí era uma sociedade CRISTÃ (só brancos, protestantes e anglo-saxões podiam fazer parte dela) que triunfou na aprovação de leis que segregavam os negros e os alijavam de uma série de direitos. Que fizeram os líderes cristãos contra isso? CALARAM-SE… ou até apoiaram a coisa. A Khlan foi extinta quando conseguiu seus objetivos segregacionistas e quando o governo quis cobrar-lhe os impostos atrasados. Mas em 1916 UM PASTOR METODISTA a ressuscitou, fazendo campanha não só contra os negros, mas incluindo os judeus, latinos, índios e católicos… Bons cristãos esses caras, não?
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    MONTALVÃO2 – aqui vale o dito anteriormente. O “pastor metodista” que patrocinou a klu-klux-klan… só Jesus. Imagine o que as “ovelhas” desse líder não ouviam?
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    MONTALVÃO1- Não cumprir os mandamentos não tinha importância para as lideranças religiosas consideradas nos variados contextos políticos vividos pelo cristianismo. Em nenhum momento da história cristã as palavras de Cristo foram descartadas e substituídas por outra orientação. Mesmo quase olvidada de forma generalizada, a voz do Filho de Deus ainda se fazia presente e ainda se faz até a atualidade. Só precisamos pôr em prática.
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    ARDUIN – Se as palavras do Cristo NÃO SÃO POSTAS EM PRÁTICA, então são letra morta. É como as nossas leis aqui que pegam… ou não pegam. A palavra pode figurar no texto, mas é SUBSTITUÍDA por outras consideradas mais relevantes para o pecador e/ou para os clérigos. Como será que o Pedir Mais Cedo se vira quando lê lá na Bíblia que não se pode servir a Deus e a Manon (o deus do dinheiro)?
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    MONTALVÃO2 – as palavras de Cristo, felizmente, são postas em prática por um grande número de pessoas, mesmo entre não-cristãos. Inclusive, Chico Xavier é exemplo. Quanto a Edir Macedo, diante de Mateus 6:24, certamente vai lembrar de que conhece texto “melhor” e vai pular a leitura.
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    MONTALVÃO1: A inquisição, as cruzadas, as perseguições aos judeus, e muito mais, foram momentos políticos vividos pelo cristianismo. Podiam ter, na época, justificativa religiosa, mas ? aí você está correto ? eram lucubrações, que se tornaram ações, favorecidas pelo contexto sóciopolítico vigente naqueles dias.
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    ARDUIN – Você imagina Jesus empunhando a espada e cortando as cabeças de mulheres e crianças cristãs e muçulmanas como fizeram os cruzados? Ou acendendo uma fogueira onde se queimará toda uma família judia? Os contextos sóciopolíticos talvez tenham mudado daquela época para cá, mas a fé cristã mudou tanto assim com eles? O papa João Paulo II era como o nosso guia Mulla: fazia cafuné em caras e sociedades suspeitas de violações diversas quando à integridade física e moral de pessoas. Ironicamente, o Bento XVI aí até ia contra, mas era desautorizado pelo papa. E agora sobrou para ele consertar a bronca.
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    MONTALVÃO2 – o que não podemos olvidar é que os homens religiosos, mesmo os mais sinceros e esclarecidos, estão inseridos no contexto social de seu tempo. Nos tempos de meu xará, Moisés, Deus mandava passar a fio de espada, em vários casos, homens, mulheres e crianças dos povos derrotados. Em outras situações, até os animais eram condenados. Daí surge a indagação exclamativa: Que Deus é esse que não poupa nem crianças? Ora, numa sociedade teocrática, conforme as civilizações passadas, decisões políticas eram atribuídas à vontade dos deuses, fosse Javé, Baal, ou qualquer outro daimon. Se os judeus antigos matavam por determinação divina, seus vizinhos faziam o mesmo, por “ordem” de seus deuses. Ninguém se surpreendia com essas coisas. Hoje as coisas mudaram, mas não tanto: nas guerras, as nações em conflito rogam a Deus que as protejam nas batalhas e lhes permitam matar mais combatentes que o inimigo.
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    MONTALVÃO1: Bem, não falei em “revelações revolucionárias”, disse, “quase revolucionárias”. O caso é que não está, no presente escopo, em discussão o pensamento grego ou de outros civilizados sobre a situação da Terra. Destaquei o fato de que a Bíblia fala da “Terra sustentada sobre o nada” porque, em geral, pensa-se que seus livros apenas divulgam concepções primitivas. É certo que Aristarco de Samos, mais de 1500 anos antes de Copérnico concebera um sistema heliocêntrico, embora fosse voz isolada, visto que ninguém dera atenção à proposta do filósofo (Aristarco teria tido um só discípulo). Outros pensadores antigos também se anteciparam no tempo apresentando suposições revolucionárias, mas não foram ouvidos em suas épocas.
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    ARDUIN – Meu caro, nada disso salva a Bíblia como prova de que sua fonte de revelação tenha sido a mente do próprio Deus, como um cristão é OBRIGADO A CRER. Das falhas científicas, passando para as falhas morais, pouco se salva do texto bíblico.
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    MONTALVÃO2 – não comungo a crença de que a Bíblia seja a revelação divina. Mas, nela há discursos que nos levam a pensar em alguma participação da divindade em sua elaboração. A Bíblia não tem “falhas” científicas porque não é um livro de ciência. As falhas foram daqueles que tentaram usar os textos bíblicos como fonte de ciência. Quanto as falhas morais, poderia ilustrar algumas?
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    MONTALVÃO1: De qualquer modo, é fato que o livro de Jó, cuja data de autoria é incerta ? as hipóteses o situam dentre os séc. VI e IV a.C. ?, registra a Terra descansando sobre o “vazio”.
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    ARDUIN – E também diz que o Céu é sólido como um espelho de metal. Muito científico, não acha?
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    MONTALVÃO2 – deve estar se referindo a Jó 37:18: “Acaso podes, como ele, estender o firmamento, que é sólido como um espelho fundido?”. Conforme falei, os livros bíblicos não são opúsculos científicos. Quando discursam sobre ciência, relatam a ciência da época em que foram escritos. Meu comentário sobre Jó registrar que a Terra estava “apoiada no vazio”, não tencionava validar a “ciência” exposta na obra; intentou mostrar que o espaldo em textos bíblicos, feito por teólogos para condenaram cientistas, pode não ter sido realizado com a atenção necessária.
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    MONTALVÃO1: como se faz para “salvar-se a si mesmo”? Nas páginas bíblicas, no Velho Testamento, Moisés apresentou os mandamentos, os quais, se fossem cumpridos à risca, permitiriam ao homem cair na graça divina por esforço próprio. Porém, não se sabe de um indivíduo que tenha conseguido observar aquelas regras integralmente. Então, qual seria o caminho de autosalvação?
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    ARDUIN – Para o cristão, a salvação vem da ACEITAÇÃO DO CRISTO COMO SALVADOR. Em resumo é o seguinte: nossos venerados ancestrais, Adão e Eva, pisaram na bola e isso fez o Divino lançar uma maldição contra TODA a Humanidade. Para tentar corrigir essa burrada, então um terço do Deus deu as caras aqui na Terra, ensinou uma série de coisas boas, mas o real motivo da sua vinda foi levar uma baita surra, ser humilhado e finalmente pregado numa cruz para secar. Ao passar por tudo isso, desviou a ira dos outros 2/3 de Deus para ele. Aí então se um humano reconhecesse esse sacrifício do 1/3 de Deus, então os outros 2/3 declarariam esse humano salvo e ele ia para o Céu feito anjinho. Já se o tal humano não aceitasse essa elucubração teológica e não considerasse que deveria aceitar tal sacrifício por não entendê-lo, então os 2/3 de Deus manteriam sua ira e o tal humano vai para o Inferno.
    Entendeu como é a coisa? Vem mais ainda. Tal aceitação de sacrifício só pode ser feita por FÉ. Mas a fé não vem dos homens: é um DOM DE DEUS. Significa portanto que, no meu caso, os 2/3 de Deus me negaram a fé e por isso não acredito no sacrifício resgatador do Cristo. Assim então vou para o inferno. Já o Pedir Mais Cedo recebeu esse dom e aí então e crê no sacrifício do Cristo e por isso vai para o Céu.
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    MONTALVÃO2 – Esse “plano” de salvação ? aceitar Jesus como salvador ? é mais divulgado no meio protestante. No catolicismo o processo possui maior sofisticação. Existe, sim, a aceitação do sacrifício de Jesus, mas este tem ser conjugado com o cumprimento dos sacramentos, que mantêm o fiel na justa senda para chegar a Deus. Já refleti bastante sobre essa proposição: para “salvar-se” basta aceitar Jesus (considerando o discurso protestante). Então, eu me perguntava: será só isso? Sou um privilegiado, pois ouvi a mensagem, entendi e aceitei. E os milhões que nasceram antes de Cristo ir para a cruz? E os milhões que viveram, mesmo depois da crucificação, mas não conheceram o apelo de salvação? E os milhões que ouviram e não entenderam? E Marcos Arduin que, coitado, nasceu destituído da fé regeneradora? A resposta que encontrei (não definitiva) é que se Jesus veio realmente resgatar a humanidade, esse resgate tem ser amplo, geral e irrestrito, tem que abranger a todos, católicos, protestantes, espíritas, umbandistas, seixonoeístas, alquimistas, motoristas, tratoristas, ateístas, Marcos Arduin e todos os demais.
    É claro, alguém vai perguntar: e os grandes monstros que foram gerados? Hitler, Stálin, Pol Pot, Miloseviski, Átila… para esses não vai haver inferno? Não sei. Mas, admito que Deus punirá adequadamente os casos que requererem justiça. Felizmente, não cabe a mim decidir a sorte de ninguém.
    Pode, ainda, surgir outra indagação: então, não tem essa de aceitar Jesus? Se não, por que protestantes e católicos pregam isso? Minha resposta é: se for necessário decidir, acatar ou recusar a proposta divina; caso seja desse modo, em algum momento de nossa existência, seja cá, seja lá, seremos notificados clara e objetivamente do contrato, de modo que não reste a menor dúvida quando a escolha for feita.
    Quanto ao “sanguinário” sacrifício de Jesus (Deus matando Deus para saciar a ira divina), realmente soa aberrante, mas quando visto apenas no aspecto de penalidade: Deus precisava ser apaziguado para que não aniquilasse de uma vez por todas sua criação. Mas, se olhar de modo mais amplo, o quadro repudiável toma outra forma. Jesus não foi posto na cruz para “secar”. O resultado de seu sacrifício foi a rearmonização do projeto divino e Jesus recuperou suas prerrogativas divinas, das quais abrira mão para se mostrar aos homens como um deles, embora sempre conservando a consciência de sua origem.
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    É isso, ou quase…

  213. moizes montalvao Diz:

    Marcos Arduin Disse:
    APRIL 14TH, 2010 ÀS 9:28 PM

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    “MONTALVÃO1″ são os comentários iniciais, aos quais seguiram a réplica de Arduin, MONTALVÃO2 são as ponderações atuais.
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    MONTALVÃO1: para o cristianismo a “evolução” se dá em termos de “crescimento” espiritual (algumas denominações cristãs utilizavam, com muita inspiração, o termo “santificação” para descrever essa condição de aprimoramento de vida. Infelizmente, na atualidade, a santificação tornou-se conceito esquecido). Na concepção espírita a “evolução” se dá por meio de várias existências, suposição que o cristianismo não apanigua. Todos os espíritos podem entender a mensagem do amor, devido à sua simplicidade. Nem todos conseguem praticá-la e poucos a vivenciam na profundidade adequada. É claro que as máximas cristãs não são privilégios do cristianismo, o que significa que os passos essenciais para se atingir uma existência plena estão disseminados em boa parte das filosofias religiosas. Talvez o mérito de Jesus foi ter mostrado a importância crucial desse comportamento.
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    ARDUIN – O problema, Malvadão, é que tal mensagem, como eu já disse, É MUITO DIFÍCIL DE SER PRATICADA EM VISTA DOS SACRIFÍCIOS PESSOAIS A SEREM FEITOS.
    Lá no início do Cristianismo OFICIAL, os que começaram a achar a mensagem interessante ADIAVAM ao máximo o seu batismo, pois enquanto não fossem batizados, podiam farrear e pecar à vontade. Constantino só se batizou pouco antes de morrer.
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    Montalvão2 – De fato, difícil praticar, em toda a inteireza (e para muitos até mesmo parcialmente), a regra áurea de Cristo. Tanto que Jesus disse: “Larga é a porta que conduz a perdição e estreita a da salvação”. A dificuldade advém, principalmente, da existência de alternativas outras, destoadas do espírito do amor, e que, ilusoriamente, são mais “fáceis” de ser trilhadas. E esta é a origem de nossas mazelas. Porém, dificuldade ou facilidade não altera o normativo. Ele está aí, a vista de todos, qual um lembrete indelével, a nos dizer: esta é a trilha correta.
    A cobrança pela melhoria pessoal não era prioritária.
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    MONTALVÃO2 – “cobrança” não parece ser a melhor palavra neste contexto; encaixaria bem o termo “estímulo”. Seja como for, a “melhoria pessoal”, como a própria expressão informa, é “pessoal”. O máximo que os guias religiosos podiam fazer seria lembrar constantemente a necessidade de viver-se sob a égide da mútua solidariedade e do amor a Deus. Coisa que poucos faziam no passado, ou fazem hoje, e continuarão não fazendo no futuro. Isso significa que a mensagem primordial do cristianismo está esquecida, embora existam vários que a mantém acesa em suas mentes, a mostrar que é possível viver conforme a orientação divina.
    O que entendo de sua palavra é que a história do cristianismo mostra que a orientação de Jesus não foi levada muito a sério pelos cristãos. Quanto a isso, concordo. Entretanto, conforme foi dito, tal não altera o princípio. Não se sabe de ungido por Deus que tenha vindo a corrigir o ditame. Imagine, um líder carismático dizendo: “Ai, tchurma, esse negócio de um amar o outro, já vimos que é difícil pacas. O quente agora é cada um por si e Deus pelos mais bonitos”.
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    ARDUIN: Quando os papas começaram a distribuir indulgências, foi como colocar o Céu à venda. Frederico, o sábio, príncipe eleitor da Saxônia era muito astuto (esse cognome o sábio não era por acaso). Quando o papa Alexandre VI mandou levantar fundos para organizar uma cruzada contra os turcos, Frederico juntou a grana, mas disse que só a entregaria ao papa quando a cruzada estivesse de fato organizada. Como isso nunca aconteceu, ele usou esse dinheiro para fundar a Universidade de Winttemberg.
    Com a ajuda de Teztel, Frederico juntou dinheiro com venda de indulgências e usou essa grana para construir uma ponte. Mas quando o mesmo Teztel reapareceu para vender indulgência para a contrução da nova basílica de São Pedro, Frederico proibiu-o de entrar na Saxônia: ele não queria ver o dinheiro de seu condado fluindo para Roma. Só que os seus súditos cruzavam a fronteira e iam lá comprar as ditas indulgências. Havia até uma tabela: sodomia: 12 ducados; feitiçaria: 8 ducados; blasfêmia 7 ducados; parricídio: 4 ducados… E de posse desses documentos papais, os saxões, como bons negociantes, os apresentaram a Lutero, então padre e monge agostiniano, para que atestasse a validade deles. Lutero simplesmente disse que NADA VALIAM. A menos que se REFORMASSEM E DEIXASSEM SUA VIDA PECAMINOSA, MORRERIAM EM SEUS PECADOS.
    E o resto, você já sabe: começou aí a Reforma.
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    MONTALVÃO2 – sobre a Reforma, embora as 95 teses de Lutero possam ser consideradas o ponto zero do movimento, a rigor o protestantismo não começou aí, pois Martinho Lutero não tinha intenção de criar um cisma na Igreja. Nem ele maginava que seu protesto iria resultar em rachadura no palácio da “guardiã da herança de Cristo”. Mas, isso é detalhe, sua assertiva sobre a origem da Reforma é aceitável.
    As indulgências foram uma jogada “genial”, oficializada pelo papa Clemente VI. A tese amadureceu da distinção feita pela Igreja entre penas definitivas e penas temporais. As primeiras levavam, sem escalas, ao inferno; as outras garantiam estada no purgatório.
    Para as penas do purgatório havia o paliativo das indulgências. Somente o papa, ou quem por ele autorizado, podia aplicar as indulgências. Duas coisas são importantes considerar nessa questão: 1) havia um conjunto de considerações teológicas embasando a propositura das indulgências, e, o mais admirável, 2) foram aceitas, com muita satisfação, pelos fiéis. Estes viram na prática uma forma de aliviar possíveis sofrimentos no purgatório e livrar parentes que por lá estivessem. Sim, porque as indulgências podiam perdoar pecados de vivos e de mortos.
    Na época de Lutero, sob o pontificado de Leão X, a venda de indulgências atingira níveis escandalosos. O papado financiava múltiplos empreendimentos com a renda desse comércio: construção de igrejas; financiamento de exércitos cruzados; gastos diversos do clero, eram algumas das destinações das gordas rendas advindas da venda de indulgências.
    Ao tempo de Lutero, o arcebispo de Mainz, Alberto, estava mais endividado que o Brasil no tempo da construção de Brasília. Então obteve do papa autorização para vender indulgências. Pretendendo aproveitar ao máximo as vantagens desse comércio, buscou o melhor dos vendedores de indulgências, e encontrou em Tetzel, um frade dominicano, a pessoa indicada. Tetzel era um capeta pra vender. Seus discursos de camelô da Praça XV levavam milhares de pessoas a adquirir os perdões mercantis. Nem Silvio Santos, nos bons tempos de vendedor de rua, vendia mais que o frade.
    Um dia, Tetzel chegou a cidade onde Martinho Lutero era monge. Lutero fizera votos de pobreza e buscava a santidade por meio de uma vida despojada de interesses mundanos. Muitas vezes se autoflagelou, intentando livrar-se dos pecados que acreditava oprimi-lo.
    Lutero e Tetzel eram antípodas religiosos, mesmo estando debaixo da mesma ideologia religiosa. Lutero lavava calçadas, mendigava o pão, levava vida de indigente, buscando a plena harmonização com os ideais de Cristo. Tetzel era um mercenário da salvação. Oferecia perdões para todas as ofensas imagináveis, desde que o interessado estivesse disposto a pagar o custo pela benesse.
    Lutero sentiu-se escandalizado ante o pérfido trabalho do monge, o que o estimulou a publicar as 95 teses. Nesta não havia acusação contra Roma, nem mesmo Tetzel era atacado. Lutero punha-se especificamente contra a exploração vil das indulgências. Sua fidelidade ao papa continuava firme. Somente depois, quando Lutero manteve seus pontos de vista diante dos cléricos com quem debateu é que o movimento começou a tomar forma, vindo a ocasionar a grande separação.
    As indulgências foram dogmatizada pela Igreja, ainda hoje são vendidas medalhas milagrosas, terços perdoadores e toda uma série de relíquias tidas por abençoadoras. Conquanto os exageros passados hajam sido expurgados, o comércio continua.
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    ARDUIN: Como vê, Malvadão, a tal Santificação é a parte MAIS DIFÍCIL do Cristianismo, pois ela exige que nos reformemos, que cortemos os pecados na carne e no osso. E MUITO POUCA gente está disposta a isso.

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    MONTALVÃO2 – concordo com você, mas um dado que parece esquecido em sua reflexão. Estamos focando as atitudes de homens que se diziam cristãos genuínos. Mas, entre dizer e fazer (melhor, dizer e viver) há enorme distância. A mesma Igreja que produziu santos, produziu demônios. Só que isso acontece em qualquer instituição religiosa. Não há qualquer garantia que qualquer ideologia religiosa vá automaticamente transformar seus participantes em anjos. Em todas, anote aí, todas, sempre haverá ovelhas e lobos (se bem que eu deteste essa expressão). Em qualquer organização, onde seres humanos interajam, encontraremos deuses e capetas. Neste ponto, a meu ver, está o grande equívoco de sua argumentação.
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    ARDUIN: Lá no livro LIBERTAÇÃO de André Luís, salvo engano, há uma cena onde é mostrado o ritual da missa visto pelo lado espiritual. O padre, sem vocação e de má vibração, distribuía a hóstia aos constritos. Mas na fila, apenas uma jovem era uma verdadeira constrita; os outros estavam na fila só para aparecer ao público. As hóstias eram luminosas e a moça, ao recebê-la na boca, a luz deixou a hóstia e alojou-se em seu coração. Já com os outros, assim que a receberam na boca, a luz apagou-se imediatamente. Era para que não recebecem o que não mereciam.
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    MONTALVÃO2 – há livros de montão contando histórias semelhantes. Numa de sua parábolas, Jesus falou do sujeito que agradecia a Deus por não ser miserável e desgraçado quanto o infeliz que estava próximo. Enquanto isso, o “infeliz” apenas dizia: Deus, tem misericórdia de mim! Se você usar a história de Chico Xavier e substituir o padre sem vocação e de má vibração, por um espírita, seja vocacionado ou não, e, em vez de hóstia, pensar num passe, o enredo praticamente não precisará ser modificado.
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    ARDUIN: Entendeu como é que é isso visto pelo lado espírita? Sim, um espírito encarnado pode sim se melhorar ainda nesta existência, pois ela é feita para isso. Mas se não o fizer, tem as outras… nem sempre em condições fáceis.
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    MONTALVÃO2 – a questão seria saber como essa “contabilidade” funciona e se funciona. Que garantia haveria de que na próxima existência não erraremos mais que na anterior, acumulando novos débitos? E se na seguinte acontecer o mesmo? É provável que sempre fiquemos no vermelho ao fecharmos o balanço existencial. Desse modo, as múltiplas existências seriam um processo infindo, a perenizar uma caminhada de dores vida após vida.
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    MONTALVÃO1: discordo um pouco, embora concorde outro tanto. Espíritos moralmente solados, na visão cristã, podem ser recuperados. Deus chama e o pecador, se este ouvir a voz, toma a iniciativa de buscar a mudança. Não há caso perdido como, de certa forma propaga o espiritismo, pois, na idealização espiritista, um decaído terá de experienciar um multiplicadilhão de vidas até aprender a viver corretamente. Quando um “cristão” vilipendia seu semelhante, ele não está se “concentrando em lucubrações teológicas”, está, simplesmente, desprezando a orientação primária do cristianismo.
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    ARDUIN- Acho que você entende menos do Espiritismo do que imagina. Caso PERDIDO está no Cristianismo, pois para este só há UMA vida na qual tem de se acertar. E Kardec fez as colocações mal respondidas pela fé cristã: como ficam os alienados mentais, os bebês falecidos, os nascidos antes do Cristo, etc e tal? Como eles se salvam? É exatamente nisso que o Espiritismo preenche a lacuna. Aquele que não pode aproveitar uma existência, pode corrigir-se em outras. Melhor se informar direito.

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    MONTALVÃO2 – aqui há um raciocínio espírita que parece inatacável, mas, se bem examinado, se mostra suspeito. As questões em pauta são: por que uma vida não é suficiente? Por que várias vidas seriam melhor que uma? Se considerarmos que nossa existência no porvir depende da decisão que Deus tomar a nosso respeito, não será uma ou um milhão de existências que mudará qualquer coisa. Levemos em conta, também, que as idealização sobre o porvir, desde as mais simplórias, até as mais complexas, são conjecturas elaboradas do “lado de cá”. As milhões de mensagens pretensamente provinda de espíritos foram insuficientes para a confecçao de um demonstrativo incontestável da realidade futura. Descrições variadas, conflituosas umas com as outras, fantasias de todas as espécies e fotocópias das instituições terrenas foi isso o que os “espíritos” nos apresentaram.
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    MONTALVÃO1: como você bem percebeu, o ensinamento essencial do cristianismo está apartado de doutrinas. Estas existem aos magotes, algumas muito semelhantes entre si, outras esdrúxulas (uma delas você citou em outra postagem: os Testemunhas de Jeová). Entretanto, o amor, como base da mensagem de Cristo, permeia toda e qualquer elaboração doutrinária.
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    ARDUIN – Malvadão, o caso é que eu SOU PRÁTICO. Não me interessa o que uma doutrina diz, mas sim quais são os seus efeitos na prática. Juram os comunistoides que conheci que Marx era um gênio e que suas obras são espetaculares. Nunca as li e nem pretendo. Motivo: TODOS os governos que adotaram o Marxismo como doutrina política só produziram opressão, crimes, ditaduras e o povão só se ferrou. Assim então concluí que o Marxismo é uma porcaria.
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    MONTALVÃO2 – o marxismo não é uma porcaria, mas os marxistas (alguns deles) podem ser. De um modo grosseiro, posso dizer que o erro de Marx foi achar que modificando as instituições modificaria os homens. O problema que apontei acima se repete na revolução comunista: nela há homens sérios, desejos de implantar um regime de plena igualdade social, os quais concorrem com outros que pretendem implementar sistema dos mais iguais que os iguais. Se quiser entender a revolução na Rússia, que foi a nação que esforçou-se por implementar o marxismo em sua totalidade, sem ler Marx, compulse “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Nesse romance explica-se o motivo do fracasso da proposta marxista. Basicamente, o mesmo que sucedeu no catolicismo, ocorreu no marxismo: a revolução gerou homens genuinamente interessados na comunização das riquezas, qual Lênin, Trotzki e muitos outros; paralelamente, produziu uma aberração chamada Stálin, um carniceiro diante do qual Hitler parecia um aluno de jardim-de-infância.
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    ARDUIN: O Orlando Fedelho (ops, Fedeli) lá do Monfort escreveu um texto apresentando Kardec como um racista brutal e grosseiro. Não dou razão a ele, mas ainda que fosse verdade, qual o efeito disso? NENHUM! Karde pode ter escrito alguma besteira influenciado pela Ciência e Eurocentrismo de sua época, mas isso é opinião dele e sobre os espíritas, NÃO TEVE O MENOR EFEITO. E posso lhe apresentar uma prova disso:
    Na cidade onde moro, São Carlos, passou por aqui no início dos anos 1900 a educadora Anália Franco, ESPÍRITA, que fundou umas escolinhas para crianças pobres… E quase foi expulsa daqui porque cometeu uma tremenda e inaceitável obscenidade para a catolicíssima sociedade são carlense: pôs crianças brancas e negras para ESTUDAREM JUNTAS. Pode uma coisa dessa? Então agora lhe pergunto: por que uma espírita, seguidora de uma doutrina “fundada” por um racista brutal e grosseiro tinha uma postura absolutamente antirracista e uma catolicíssima sociedade, cuja fé foi fundada por um tal de Cristo, que pregou o amor ao próximo, achou uma obscenidade inaceitáel crianças brancas e negras estudarem juntas?
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    MONTALVÃO2 – li o artigo de Fedeli, achei-o parcialista, não é, realmente, uma boa avaliação. E peca por desconsiderar o contexto no qual Kardec estava inserido. Paralelamente ao suposto racismo de Kardec, conviviam convicções religiosas que viam no indígena um meio termo entre o homem e o animal e consideram os negros criaturas destituídas de alma.
    Anália Franco, independentemente de ser espírita, era alma com visão adiante da de sua época. Pessoas assim existem em diversas agremiações religiosas e mesmo fora delas. Euclides da Cunha ao visitar o palco dos combates em Canudos produziu uma obra avançada em termos de direitos humanos. Padres jesuítas, muitos deles, tomavam índios sob sua proteção, defendendo-os da sana assassina de fazendeiros. Cândido Rondon desbravou os sertões, disposto a “morrer se preciso fosse, matar jamais”. Homens e mulheres esclarecidos surgem, em todas as épocas, para deixar o registro de que ainda há esperança para o ser humano: em meio a tanta insensibilidade e exploração do próximo, essas almas santas nos mostram o lado bom de nossa humanidade.
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    ARDUIN: Esse é o meu ponto, Malvadão: o Cristianismo produziu melhores sociedades? Levou à produção de leis mais justas? Governantes cristãos foram melhores do que governantes pagãos? A resposta a tudo isso é um sonoro NÃO.
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    MONTALVÃO2 – cristianismo, nem religião alguma, produzirá melhores sociedades. O objetivo das religiões é produzir pessoas melhores, mais esclarecidas. O poder corrompe, e tende a corromper até almas ilibadas, pelo peso da influência e pressão dos maus. Quando houver muito mais pessoas ciosas de que o bom é ser bom, então teremos sociedades mais justas.
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    MONTALVÃO1: a Ku-Klux-Khlan fora apoiada por alguma agremiação religiosa? Não disponho de tal informação…
    - Já ouviu aquele ditado que diz que para que o mal triunfe, basta que os bons nada façam? Pois é: a Khlan aí era uma sociedade CRISTÃ (só brancos, protestantes e anglo-saxões podiam fazer parte dela) que triunfou na aprovação de leis que segregavam os negros e os alijavam de uma série de direitos. Que fizeram os líderes cristãos contra isso? CALARAM-SE… ou até apoiaram a coisa. A Khlan foi extinta quando conseguiu seus objetivos segregacionistas e quando o governo quis cobrar-lhe os impostos atrasados. Mas em 1916 UM PASTOR METODISTA a ressuscitou, fazendo campanha não só contra os negros, mas incluindo os judeus, latinos, índios e católicos… Bons cristãos esses caras, não?
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    MONTALVÃO2 – aqui vale o dito anteriormente. O “pastor metodista” que patrocinou a klu-klux-klan… só Jesus. Imagine o que as “ovelhas” desse líder não ouviam?
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    MONTALVÃO1- Não cumprir os mandamentos não tinha importância para as lideranças religiosas consideradas nos variados contextos políticos vividos pelo cristianismo. Em nenhum momento da história cristã as palavras de Cristo foram descartadas e substituídas por outra orientação. Mesmo quase olvidada de forma generalizada, a voz do Filho de Deus ainda se fazia presente e ainda se faz até a atualidade. Só precisamos pôr em prática.
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    ARDUIN – Se as palavras do Cristo NÃO SÃO POSTAS EM PRÁTICA, então são letra morta. É como as nossas leis aqui que pegam… ou não pegam. A palavra pode figurar no texto, mas é SUBSTITUÍDA por outras consideradas mais relevantes para o pecador e/ou para os clérigos. Como será que o Pedir Mais Cedo se vira quando lê lá na Bíblia que não se pode servir a Deus e a Manon (o deus do dinheiro)?
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    MONTALVÃO2 – as palavras de Cristo, felizmente, são postas em prática por um grande número de pessoas, mesmo entre não-cristãos. Inclusive, Chico Xavier é exemplo. Quanto a Edir Macedo, diante de Mateus 6:24, certamente vai lembrar de que conhece texto “melhor” e vai pular a leitura.
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    MONTALVÃO1: A inquisição, as cruzadas, as perseguições aos judeus, e muito mais, foram momentos políticos vividos pelo cristianismo. Podiam ter, na época, justificativa religiosa, mas ? aí você está correto ? eram lucubrações, que se tornaram ações, favorecidas pelo contexto sóciopolítico vigente naqueles dias.
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    ARDUIN – Você imagina Jesus empunhando a espada e cortando as cabeças de mulheres e crianças cristãs e muçulmanas como fizeram os cruzados? Ou acendendo uma fogueira onde se queimará toda uma família judia? Os contextos sóciopolíticos talvez tenham mudado daquela época para cá, mas a fé cristã mudou tanto assim com eles? O papa João Paulo II era como o nosso guia Mulla: fazia cafuné em caras e sociedades suspeitas de violações diversas quando à integridade física e moral de pessoas. Ironicamente, o Bento XVI aí até ia contra, mas era desautorizado pelo papa. E agora sobrou para ele consertar a bronca.
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    MONTALVÃO2 – o que não podemos olvidar é que os homens religiosos, mesmo os mais sinceros e esclarecidos, estão inseridos no contexto social de seu tempo. Nos tempos de meu xará, Moisés, Deus mandava passar a fio de espada, em vários casos, homens, mulheres e crianças dos povos derrotados. Em outras situações, até os animais eram condenados. Daí surge a indagação exclamativa: Que Deus é esse que não poupa nem crianças? Ora, numa sociedade teocrática, conforme as civilizações passadas, decisões políticas eram atribuídas à vontade dos deuses, fosse Javé, Baal, ou qualquer outro daimon. Se os judeus antigos matavam por determinação divina, seus vizinhos faziam o mesmo, por “ordem” de seus deuses. Ninguém se surpreendia com essas coisas. Hoje as coisas mudaram, mas não tanto: nas guerras, as nações em conflito rogam a Deus que as protejam nas batalhas e lhes permitam matar mais combatentes que o inimigo.
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    MONTALVÃO1: Bem, não falei em “revelações revolucionárias”, disse, “quase revolucionárias”. O caso é que não está, no presente escopo, em discussão o pensamento grego ou de outros civilizados sobre a situação da Terra. Destaquei o fato de que a Bíblia fala da “Terra sustentada sobre o nada” porque, em geral, pensa-se que seus livros apenas divulgam concepções primitivas. É certo que Aristarco de Samos, mais de 1500 anos antes de Copérnico concebera um sistema heliocêntrico, embora fosse voz isolada, visto que ninguém dera atenção à proposta do filósofo (Aristarco teria tido um só discípulo). Outros pensadores antigos também se anteciparam no tempo apresentando suposições revolucionárias, mas não foram ouvidos em suas épocas.
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    ARDUIN – Meu caro, nada disso salva a Bíblia como prova de que sua fonte de revelação tenha sido a mente do próprio Deus, como um cristão é OBRIGADO A CRER. Das falhas científicas, passando para as falhas morais, pouco se salva do texto bíblico.
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    MONTALVÃO2 – não comungo a crença de que a Bíblia seja a revelação divina. Mas, nela há discursos que nos levam a pensar em alguma participação da divindade em sua elaboração. A Bíblia não tem “falhas” científicas porque não é um livro de ciência. As falhas foram daqueles que tentaram usar os textos bíblicos como fonte de ciência. Quanto as falhas morais, poderia ilustrar algumas?
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    MONTALVÃO1: De qualquer modo, é fato que o livro de Jó, cuja data de autoria é incerta ? as hipóteses o situam dentre os séc. VI e IV a.C. ?, registra a Terra descansando sobre o “vazio”.
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    ARDUIN – E também diz que o Céu é sólido como um espelho de metal. Muito científico, não acha?
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    MONTALVÃO2 – deve estar se referindo a Jó 37:18: “Acaso podes, como ele, estender o firmamento, que é sólido como um espelho fundido?”. Conforme falei, os livros bíblicos não são opúsculos científicos. Quando discursam sobre ciência, relatam a ciência da época em que foram escritos. Meu comentário sobre Jó registrar que a Terra estava “apoiada no vazio”, não tencionava validar a “ciência” exposta na obra; intentou mostrar que o espaldo em textos bíblicos, feito por teólogos para condenaram cientistas, pode não ter sido realizado com a atenção necessária.
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    MONTALVÃO1: como se faz para “salvar-se a si mesmo”? Nas páginas bíblicas, no Velho Testamento, Moisés apresentou os mandamentos, os quais, se fossem cumpridos à risca, permitiriam ao homem cair na graça divina por esforço próprio. Porém, não se sabe de um indivíduo que tenha conseguido observar aquelas regras integralmente. Então, qual seria o caminho de autosalvação?
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    ARDUIN – Para o cristão, a salvação vem da ACEITAÇÃO DO CRISTO COMO SALVADOR. Em resumo é o seguinte: nossos venerados ancestrais, Adão e Eva, pisaram na bola e isso fez o Divino lançar uma maldição contra TODA a Humanidade. Para tentar corrigir essa burrada, então um terço do Deus deu as caras aqui na Terra, ensinou uma série de coisas boas, mas o real motivo da sua vinda foi levar uma baita surra, ser humilhado e finalmente pregado numa cruz para secar. Ao passar por tudo isso, desviou a ira dos outros 2/3 de Deus para ele. Aí então se um humano reconhecesse esse sacrifício do 1/3 de Deus, então os outros 2/3 declarariam esse humano salvo e ele ia para o Céu feito anjinho. Já se o tal humano não aceitasse essa elucubração teológica e não considerasse que deveria aceitar tal sacrifício por não entendê-lo, então os 2/3 de Deus manteriam sua ira e o tal humano vai para o Inferno.
    Entendeu como é a coisa? Vem mais ainda. Tal aceitação de sacrifício só pode ser feita por FÉ. Mas a fé não vem dos homens: é um DOM DE DEUS. Significa portanto que, no meu caso, os 2/3 de Deus me negaram a fé e por isso não acredito no sacrifício resgatador do Cristo. Assim então vou para o inferno. Já o Pedir Mais Cedo recebeu esse dom e aí então e crê no sacrifício do Cristo e por isso vai para o Céu.
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    MONTALVÃO2 – Esse “plano” de salvação ? aceitar Jesus como salvador ? é mais divulgado no meio protestante. No catolicismo o processo possui maior sofisticação. Existe, sim, a aceitação do sacrifício de Jesus, mas este tem ser conjugado com o cumprimento dos sacramentos, que mantêm o fiel na justa senda para chegar a Deus. Já refleti bastante sobre essa proposição: para “salvar-se” basta aceitar Jesus (considerando o discurso protestante). Então, eu me perguntava: será só isso? Sou um privilegiado, pois ouvi a mensagem, entendi e aceitei. E os milhões que nasceram antes de Cristo ir para a cruz? E os milhões que viveram, mesmo depois da crucificação, mas não conheceram o apelo de salvação? E os milhões que ouviram e não entenderam? E Marcos Arduin que, coitado, nasceu destituído da fé regeneradora? A resposta que encontrei (não definitiva) é que se Jesus veio realmente resgatar a humanidade, esse resgate tem ser amplo, geral e irrestrito, tem que abranger a todos, católicos, protestantes, espíritas, umbandistas, seixonoeístas, alquimistas, motoristas, tratoristas, ateístas, Marcos Arduin e todos os demais.
    É claro, alguém vai perguntar: e os grandes monstros que foram gerados? Hitler, Stálin, Pol Pot, Miloseviski, Átila… para esses não vai haver inferno? Não sei. Mas, admito que Deus punirá adequadamente os casos que requererem justiça. Felizmente, não cabe a mim decidir a sorte de ninguém.
    Pode, ainda, surgir outra indagação: então, não tem essa de aceitar Jesus? Se não, por que protestantes e católicos pregam isso? Minha resposta é: se for necessário decidir, acatar ou recusar a proposta divina; caso seja desse modo, em algum momento de nossa existência, seja cá, seja lá, seremos notificados clara e objetivamente do contrato, de modo que não reste a menor dúvida quando a escolha for feita.
    Quanto ao “sanguinário” sacrifício de Jesus (Deus matando Deus para saciar a ira divina), realmente soa aberrante, mas quando visto apenas no aspecto de penalidade: Deus precisava ser apaziguado para que não aniquilasse de uma vez por todas sua criação. Mas, se olhar de modo mais amplo, o quadro repudiável toma outra forma. Jesus não foi posto na cruz para “secar”. O resultado de seu sacrifício foi a rearmonização do projeto divino e Jesus recuperou suas prerrogativas divinas, das quais abrira mão para se mostrar aos homens como um deles, embora sempre conservando a consciência de sua origem.
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    É isso, ou quase…

  214. moizes montalvao Diz:

    ARDUIN DISSE: “Cá entre nós espíritas, o tal pecado original foi os espíritos que não aceitaram ser bons o bastante para viverem no mundo de regeneração que se tornou o planeta (supostamente aquele tal que orbita a estrela Capella, na constelação do Cocheiro) e foram chutados para cá. Trouxeram consigo essa lenda da perda do paraíso, comum a vários outros povos.
    É isso.”
    ______________________
    Arduin,
    .
    Capela é um sistema estelar onde provavelmente não existem planetas. Como então, houve migração planetária de lá para cá?
    .
    Suponho que admitir que a lenda do paraíso tenha vindo de Capela é mais de lascar que acreditar na literalidade da narrativa do Gênesis…
    .
    abraços pasmados.

  215. moizes montalvao Diz:

    ARDUIN DISSE: Só mais um adendo, Malvadão:
    A questão da santificação, na fé cristã, é entendida como uma AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO nas disposições íntimas da alma. Assim portanto, um camarada doidão por pornografia, uma vez batizado e tendo aceitado a Cristo como seu Salvador, receberá a ação do Espírito Santo e isso MUDARÁ as disposições íntimas da sua alma. Como pornografia é pecado, então ele, que antes não perdia oportunidade de conseguir coisa “nova” a respeito, agora terá nojo disso e nunca mais vai querer ver essa coisa.
    .
    MONTALVÃO COMENTA:
    .
    Prezadíssimo Arduiníssimo,
    .
    Você continua a confundir pensamento cristão com prática cristã. A atitude de homens não tão bem intencionados não altera a mensagem de Cristo, apenas mostra que nem todos estão a fim de levá-la a sério.
    .
    Fiquei curioso com a história da adesão de Gasparetto à renascer. Onde encontro informações a respeito?
    .
    De onde tirou a informação de que a conversão gera ação do renovadora imediata do espírito santo, a ponto de transformar um taradão num celibatário?
    .
    Esse Arduin…

  216. marcio Diz:

    Olá José Carlos & folks;

    discordamos realmente d q a única opção é “aceitar tudo” ou ñ do q os evangelhos falam d Jesus.
    Haveria aí, na aceitação d tudo, 1 compromisso católico (ou ortodoxo d 1 outra tendência qquer) ñ submetido ao crivo da razão?
    Veja vc q ñ entro no terreno d seu direito d ter fé, + apenas debato 1 aparente pressuposto d suas considerações sobre o período testamentário.
    Embora tenha errado ao associar reencarnação c/ ressureição, a teologia d Kardec tem alguns méritos: 1 consiste exatamente em ñ considerar a tese acima como obrigatória – influenciado pela ilustração, racionalista ptto, ñ poderia aceitar tranquilamente os milagres descritos no novo testamento, fundamentos da idéia d 1 Jesus divino.
    Cumpria bipartir as narrativas, procurando o plausível (a doutrina moral) e o equívoco (os milagres como feitos sobrenaturais e provas da divindade d Jesus).
    Efetivamente, esse é o caminho presumido nos textos escritos pelos eruditos do tema q ñ possuem ligação confessional d Renan a hoje.
    Assim, mantenho q seus estudos são ótimos, karo José Carlos, + q vc tem dificuldade d submeter algumas d suas karas convicções ao mesmo método crítico, esforço intelectual q há muito faço c/ as minhas, apesar das dores do método.
    A alegação d q entre a pregação d Jesus (q, ptto, penso ter existido como personagem histórico) e a fixação dos textos testamentários passou-se pouco tempo parece-me tb revelar compromisso d fé.
    Passou bastante tempo (físico, psicológico e político), suficiente p/ subverter memórias afetivas, p/ a fixação d 1 novo compromisso: narrar milagres q comprovariam a natureza divina do mestre (entenda, c/ filho da ilustração, eu tb ñ penso q milagres tenham realmente acontecido: assim, p/ mim, parece claro q as narrações são tendenciosas e sua origem dificilmente pode ser atribuída a Jesus).
    Paulo ñ conheceu seu mestre, ptto, suas narrativas ñ tem Jesus p/ fonte direta; alguns personagens q conheceram Jesus podem ter distorcido afetivamente suas memórias e seus crédulos discípulos podem tê-las fixado dentro d 1 novo programa, a saber, apresentá-lo c/ super-homem, c/ 1 genealogia q remete aos fundadores do judaísmo (legítimo rei, ptto) e filho dileto d Deus (divino, ptto).
    Naqueles anos, alguns cristãos estavam em franco afastamento do judaísmo d sua raiz e criticavam pesadamente os partidos judaicos, tendência q aparece na boca d Jesus nos evangelhos, sem q tenhamos q ser dóceis e aceitar o uso q alguns pósteros fizeram do mestre galileu.
    Assim, há muita mediação histórica entre Jesus e as narrativas, o q faz c/ q a estratégia geral d Kardec seja perfeitamente legítima, e ofereça 1 legítimo cristianismo ñ ortodoxo.
    Tv os discípulos dos discípulos ñ tenham percebido a profunda convicção d q Jesus pode ter tido na mudança do mundo pela moralidade solidária (d Hilel e ttos outros mestres judeus), e tenham carregado no fundamento religioso, mágico ou miraculoso.
    Akele abraço, Marcio

  217. moizes montalvao Diz:

    Ô Marcio,
    .
    Por que você não escreve em idioma português? Tenho quase certeza de que há conteúdo útil em seus escritos, mas fica difícil traduzí-los. Afinal, em que língua vossa mercê redige, marcianês, cachorrês, capelês, ou o quê?
    .
    Aquele amplexo.

  218. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Márcio,

    A seguir, algumas considerações a respeito de sua última mensagem. Meus comentários após os “###”. Dei-me a liberdade de “expandir” seu texto. Qualquer erro, por favor avise-me…

    Olá José Carlos & folks;

    ### Olá!

    Discordamos realmente de que a única opção é “aceitar tudo” ou não do que os Evangelhos falam de Jesus.

    ### Depende de como se encaram os Evangelhos: como fontes históricas, como Palavra de Deus, como testemunho dum “mestre de moral” (do tipo de Confúcio, p.ex.). E note que uma mesma pessoa pode encará-los de formas diversas, de acordo com o tipo de trabalho que esteja fazendo. Eu, como pesquisador, tenho que encará-los de um modo; como homem com uma determinada fé, de um outro. Nenhum problema nisso, a meu ver, desde que não se misturem as coisas.

    Haveria aí, na aceitação de tudo, um compromisso católico (ou ortodoxo, ou duma outra tendência qualquer) não submetido ao crivo da razão?

    ### Depende; não entendi ainda, totalmente, o que o sr. quer dizer por “aceitação de tudo”. Se a aceitação de “tudo” inclui a aceitação dos milagres, bem como da divindade de Jesus e de seu sacrifício expiatório pelos pecados da Humanidade, isso implicaria um compromisso CRISTÃO. Se tal compromisso fosse tomado a partir de verdadeira fé, teria sido sim “submetido ao crivo da razão”.

    Veja você que não entro no terreno de seu direito de ter fé, mas apenas debato um aparente pressuposto de suas considerações sobre o período testamentário.

    ### OK. Mas, em minhas pesquisas, não tomei os escritos neotestamentários (quando os tomei) como Palavra de Deus, e sim como fontes históricas, nas ocasiões em que se pudessem prestar a esse papel. Nas minhas mensagens no “blog”, quando fui repetidamente indagado acerca de minha fé, e praticamente constrangido a declará-la, então a declarei, e, quando desafiado, ou quando percebi interpretações equivocadas dessa mesma fé, então me manifestei a respeito. É triste, mas parece que as pessoas precisam rotular-se umas às outras.

    Embora tenha errado ao associar reencarnação com ressurreição, a teologia de Kardec tem alguns méritos: um consiste exatamente em não considerar a tese acima como obrigatória – influenciado pela ilustração, racionalista portanto, não poderia aceitar tranquilamente os milagres descritos no Novo Testamento, fundamentos da idéia dum Jesus divino.

    ### Olhe, sr. Márcio, não sei se consegui entender sua argumentação; vou tentar respondê-la por partes. Se perdi alguma coisa, me esclareça, e, se possível, escreva as palavras inteiras. A) Nem Jesus, nem o Judaísmo, alguma vez esposaram a crença na reencarnação; isso é um fato; B) Isso, por si só, não torna a reencarnação algo “falso” – apenas impede que os espíritas, ou quaisquer outros que esposem visões reencarnacionistas, usem Jesus, ou a Bíblia em geral, para fundamentarem tal idéia – isso é simplesmente um erro; C) Quanto aos milagres, há, no meu caso, duas posturas; D) como pesquisador, tratando os Evangelhos como fontes históricas, não há como se ter um pronunciamento acerca deles; a constatação do pesquisador (e do historiador) é que a sociedade da época aceitava a existência de milagres; que os contemporâneos aceitavam o fato de que Jesus havia realizado milagres (ou seja, era um “taumaturgo”); e que esses milagres eram de tal monta a confirmar (i.e., a “serem um selo”) a sua missão; isso basta para o historiador; E) como religioso, tratando os Evangelhos como Palavra de Deus, e pela fé esposada pela Igreja, desde então e sempre, os milagres efetivamente ocorreram, e são de fato um selo da missão de Cristo, incluindo tanto os Seus ensinamentos morais quanto o Seu caráter divino e o Seu sacrifício expiatório; F) acerca da “definição”, da “explicação” e da “utilidade” do milagre, bem como a sua relação com as leis e o ordenamento da natureza física, isso já é assunto de Teologia; não gostaria de enveredar por essa seara, já que fatalmente, e infelizmente, gerará apenas mais discussões e confusão. E não me parece ser o tema deste “blog”. O que posso lhe adiantar é que (teologicamente falando, ao menos para nós católicos) a aceitação de milagres não obsta nem o funcionamento racional do mundo, as “leis físicas”, e nem é algo contrário à razão. Mas isso é outra história.

    Cumpria bipartir as narrativas, procurando o plausível (a doutrina moral) e o equívoco (os milagres como feitos sobrenaturais e provas da divindade d Jesus).

    ### Não acho que os milagres são “equívocos”. Obviamente, o sr. pode “depenar” os Evangelhos do que o sr. considera “equívocos”, e ficar apenas com a “doutrina moral”. Ou seja, ignorar o que incomoda e ficar apenas com o que lhe dá conforto. Tudo bem; mas fazer isso NÃO É seguir Jesus. O que o sr. chama “equívoco” é parte integrante dos Evangelhos, e da mensagem cristã, tal como foi entendida, desde o início, pelos próprios cristãos.

    Efetivamente, esse é o caminho presumido nos textos escritos pelos eruditos do tema que não possuem ligação confessional, de Renan até hoje.

    ### Tudo bem, desde que assumam tal postura, e não queiram se passar por cristãos, ou, pior, dizer que “cristianismo” é a visão “depenada” dos Evangelhos que escolheram. Por exemplo, eu posso achar os “ensinamentos morais” de Confúcio muito bons, e até tomar alguns para meu uso, a fim de “crescer como pessoa”, ou “crescer espiritualmente”. Mas isso, por si só, não faz de mim um confucionista. O sr. pode tomar quantos “ensinamentos morais” de Jesus quiser; isso não fará do sr. um cristão, se o sr. ignorar justamente o cerne da mensagem cristã, e da missão de Cristo – o Seu sacrifício expiatório pelos pecados da Humanidade. É tudo uma questão de escolha. Temos livre arbítrio.

    Assim, mantenho que seus estudos são ótimos, caro José Carlos, mas que você tem dificuldade de submeter algumas de suas caras convicções ao mesmo método crítico, esforço intelectual que há muito faço com as minhas, apesar das dores do método.

    ### Grato por seu elogio. Talvez o sr. diga que não submeto “algumas de minhas caras convicções” ao mesmo método crítico por eu não ter tido ainda a oportunidade de mostrar todo o meu estudo acerca da “Epistula Lentuli”. P.ex., e sem querer abrir aqui uma discussão sobre o tema, eu não aceito o Santo Sudário de Turim como peça autêntica, e tenho bons motivos históricos para isso. O mesmo, diga-se de passagem, com relação a inúmeras outras “relíquias”. E, se o sr. acompanha as discussões neste “blog”, pode perceber que em muitas delas eu não me furtei de expressar-me criticamente acerca de posições tomadas pela Igreja no passado. Eu me considero filho da Igreja, não seu escravo.

    A alegação de que entre a pregação de Jesus (que, portanto, penso ter existido como personagem histórico) e a fixação dos textos testamentários passou-se pouco tempo parece-me também revelar compromisso de fé.

    ### Não vejo dessa maneira. Tal “alegação” é perfeitamente sustentável, tendo em vista a crítica interna dos textos dos Evangelhos, os testemunhos dos escritores cristãos posteriores e mesmo os achados papirológicos. A alegação duma data mais antiga para a composição dos Evangelhos, quanto a isso, carece de demonstração.

    Passou bastante tempo (físico, psicológico e político), suficiente para subverter memórias afetivas, para a fixação dum novo compromisso: narrar milagres que comprovariam a natureza divina do mestre (entenda, como filho da ilustração, eu também não penso que milagres tenham realmente acontecido: assim, para mim, parece claro que as narrações são tendenciosas e sua origem dificilmente pode ser atribuída a Jesus).

    ### O que o sr. entende como “bastante tempo”? E por que o sr. acha que (independentemente de milagres terem “ocorrido” ou não) as pessoas, desde o início, não percebiam “milagres” na atuação de Jesus? Lembre-se, devemos procurar perceber como as pessoas DA ÉPOCA pensavam; e, para as pessoas da época, mesmo as mais “instruídas”, o “milagre”, a intervenção direta de Deus (ou dos deuses) no mundo era algo tido como normal, e mais, estabelecido. O que o sr. expressa é, sem dúvida, uma hipótese de trabalho; o que falta é DEMONSTRAR isso. Tudo bem – demonstre, então, que, inicialmente, “não houve milagres”, e que esses somente entraram “depois” nas narrativas sobre Jesus. A única maneira minimamente decente de fazer isso é obter textos antigos referentes a Jesus (papiros, no caso), arqueológica, estilística ou caligraficamente datáveis dum “período primitivo”, em que não ocorressem tais narrativas de milagres. Isso foi feito por alguém? Quanto a milagres: o que é que o sr. entende por “milagre”?

    Paulo não conheceu seu mestre, portanto, suas narrativas não têm Jesus por fonte direta; alguns personagens q conheceram Jesus podem ter distorcido afetivamente suas memórias e seus crédulos discípulos podem tê-las fixado dentro de um novo programa, a saber, apresentá-lo como super-homem, com uma genealogia que remete aos fundadores do judaísmo (legítimo rei, portanto) e filho dileto de Deus (divino, portanto).

    ### Tudo isso que o sr. mencionou é, sem dúvida, uma bela e boa hipótese de trabalho; mas, do modo como o sr. enunciou, não passa disso. Tudo bem – demonstre então isso. Onde estão as evidências? Onde estão os documentos antigos que podem dar apoio a essa sua hipótese? Onde os achados papirológicos ou arqueológicos? Tanto quanto é de meu conhecimento, os mais antigos testemunhos físicos que temos dos textos do Novo Testamento (fragmentos de papiros do início do séc. II dC) já exibem textos iguais aos que hoje temos dos Evangelhos canônicos…

    Naqueles anos, alguns cristãos estavam em franco afastamento do judaísmo de sua raiz e criticavam pesadamente os partidos judaicos, tendência que aparece na boca de Jesus nos evangelhos, sem que tenhamos que ser dóceis e aceitar o uso que alguns pósteros fizeram do mestre galileu.

    ### “Naqueles anos” quando? Quais cristãos? Quais textos o sr. poderia citar como evidência insofismável disso? Percebe, sr. Márcio, o cerne da questão? Aventar hipóteses é algo relativamente fácil. É, aliás, algo legítimo, e que deve ser feito. Mas tem-se que ir além; tem-se que “meter a mão na massa” e procurar as EVIDÊNCIAS. Sem evidências comprobatórias em contrário, o melhor, o mais racional inclusive, é seguir o que se tem – os textos do próprio Novo Testamento, e o testemunho dos mais antigos escritores cristãos, os Padres Apostólicos e os Apologistas.

    Assim, há muita mediação histórica entre Jesus e as narrativas, o que faz com que a estratégia geral de Kardec seja perfeitamente legítima, e ofereça um legítimo cristianismo não ortodoxo.

    ### Deve-se demonstrar, em primeiro lugar, que há “muita mediação histórica” entre Jesus e as narrativas (as epístolas paulinas mais antigas são da década de 50 dC, cerca de 20 anos após a morte de Jesus; isso, para o sr., é “muita mediação histórica”?). E a “estratégia de Kardec”, a meu ver, é gratuita, como é gratuita a de qualquer pessoa que lê os Evangelhos, os “depena” do que não gosta, e toma apenas o que acha que deve.

    Talvez os discípulos dos discípulos não tenham percebido a profunda convicção de que Jesus pode ter tido na mudança do mundo pela moralidade solidária (de Hilel e tantos outros mestres judeus), e tenham carregado no fundamento religioso, mágico ou miraculoso.

    ### Pode ser. É mais uma hipótese de trabalho. Demonstre isso…

    Aquele abraço, Marcio.

    ### Abraços, JCFF.

  219. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    CORREÇÃO: Em minha mensagem anterior, ao invés da frase “A alegação duma data mais antiga para a composição dos Evangelhos, quanto a isso, carece de demonstração”, leia-se “A alegação duma data mais RECENTE para a composição dos Evangelhos, quanto a isso, carece de demonstração”.

    JCFF.

  220. Gilberto Diz:

    A fila funciona desta maneira: Os Judeus dizem que são os escolhidos pelo próprio Deus. Os Cristãos os desabonam dizendo que Jesus era o Messias, que era Deus, logo eles passaram a ser os escolhidos. Os espíritas dizem que receberam a mensagem do Consolador verdadeiro e possuem o real entendimento do evangelho, logo são eles os escolhidos. Os Naturalistas acreditam que Deus está em todos os lugares, e que as religiões levam a picuinhas e os afastam de Deus, logo eles são os verdadeiros escolhidos. Os ateus dizem que todos estão errados, pois não existe Deus, logo ninguém escolhe ninguém, mas como eles sabem mais que os outros, eles escolhem a si mesmos. E eu escolhi seguir “shitmydadsays” no twitter, que é a quintessência da sabedoria. Deem uma espiada!

  221. Marcos Arduin Diz:

    Arduin,
    .
    Capela é um sistema estelar onde provavelmente não existem planetas. Como então, houve migração planetária de lá para cá?
    .
    Suponho que admitir que a lenda do paraíso tenha vindo de Capela é mais de lascar que acreditar na literalidade da narrativa do Gênesis…
    .
    abraços pasmados.

    Malvadão é o seguinte: como sabe que no sistema de Capella NÃO HÁ PLANETAS? Isso já foi confirmado pelos astrônomos?
    Tudo bem, mesmo que seja… Dizer que houve uma migração DE ESPÍRITOS de Capella para cá é tão palpável e verificável quanto dizer que houve uma vinda de Rigel, de Vega, de Antares…
    .
    E caso não saiba, o autor dessa lenda espírita é o tal Emmanuel. Se os cristãos e outros podem ter suas lendas, que mal há em termos as nossas?

  222. Gilberto Diz:

    As gigantescos sóis gêmeos, Capella e 51 Peg são tão próximos, que um planeta em qualquer uma de suas erráticas e instáveis órbitas, seria tão instável que impossibilitaria qualquer tipo de atmosfera ou mesmo de vida. Isso sem falar do calor absurdo que faria na superfície de tais planetas, que consistiriam de uma massa derretida de matéria e gases tóxicos. Os astrônomos já têm evidência de um planeta nesse sistema solar, mas ele faz uma órbita de apenas 4 dias em volta desse sol enorme, numa velocidade absurdamente alta, tornando-o apenas uma bola ardente, sem vida e altamente instável.
    -
    Fonte: http://discovermagazine.com/1996/mar/acapella719

  223. moizes montalvao Diz:

    ARDUIN FALOU E DISSE: Malvadão é o seguinte: como sabe que no sistema de Capella NÃO HÁ PLANETAS? Isso já foi confirmado pelos astrônomos?
    .
    Tudo bem, mesmo que seja… Dizer que houve uma migração DE ESPÍRITOS de Capella para cá é tão palpável e verificável quanto dizer que houve uma vinda de Rigel, de Vega, de Antares…
    .
    E caso não saiba, o autor dessa lenda espírita é o tal Emmanuel. Se os cristãos e outros podem ter suas lendas, que mal há em termos as nossas?
    .

    COMENTÁRIO: Rê, rê, rê. Você está certo, meu amigo, não importa o que digamos ou pensemos, em breve a frota do comandante Ashtar Sheran virá nos salvar a todos. Enquanto aguardamos, comamos e bebamos…
    .
    Abraços intergaláticos.

  224. Marcos Arduin Diz:

    Não lembro onde, Giberto, mas já foi dito que mesmo com sóis duplos, haveria possibilidade de plantas terem órbitas estáveis. É uma questão de distância…
    .
    Além disso, O QUE É A VIDA? O sabidão sabe me defini-la? Eu entendo que formas de vida SÃO UMA IMPOSIÇÃO das condições do planeta e não um repeteco do que entendemos como forma de vida por aqui…

  225. Gilberto Diz:

    No caso de Capella, NADA pode existir ali, nem vida, e nem mesmo pedra!! Nada existe lá sem estar queimando a temperaturas solares. E sendo bombardeadas por radiações extremas. E girando a uma velocidade impensável ao ser humano. É sim uma imposição. Da Física e da Natureza. Estude a tabela periódica, os elementos lá estão em TODO o Universo.

  226. SeriousBusiness Diz:

    Os elementos da Tabela Periódica podem até estar em todo o Universo, mas nada garante que são os únicos!
    -
    Mesmo por que, pelas últimas descobertas da ciência, já se sabe que a matéria que conhecemos (a matéria bariônica) não é o único tipo de matéria que existe. Existe um outro tipo de matéria e de energia que não são detectáveis pelos nossos sentidos e que preenchem a grande maioria do Universo (energia e matéria escuras).
    -
    Detalhe que na codificação de Kardec os espíritos falaram explicitamente sobre isso. E falaram também sobre a existência de vida em outros planos/dimensões, constituídas por essa tal matéria diferente da nossa…
    -
    t+++++

  227. Marcio Diz:

    Oi José Carlos e folks,

    como vc, eu tb ia considerar o debate acima extinto, + 1 passagem pareceu-me tão contundente q ñ pude deixar d salientá-la, pois encerra efetivamente o cerne d nossa diferença:
    -
    “O sr. pode tomar quantos “ensinamentos morais” de Jesus quiser; isso não fará do sr. um cristão, se o sr. ignorar justamente o cerne da mensagem cristã, e da missão de Cristo – o Seu sacrifício expiatório pelos pecados da Humanidade”.
    -
    Parece haver algo d protestante na afirmação acima, + em virtude da guinada da ICatólica, imagino q o atual Papa subscreva inteiramente essa posição, assim c/ vc; todavia, a quantidade d dogmas implícitos na afirmação acima é tão grande q parece compreensível q 1 parte substantiva da elite brasileira manifeste simpatia pela teologia d Kardec.
    _
    A começar pela obrigação d crer no pecado original, do qual a humanidade precisava ser salva, feito este realizado p/ Jesus (ou ainda, sua versão + light, p/ ñ enrubescer o devoto qdo este fala do tema, a d q a humanidade possuía pecados p/ os quais o senhor dos exércitos exigia 1 bode expiatório (perdão, perdão pela ironia, não resisti…minha culpa, minha máxima culpa)).
    _
    Efetivamente, se essa for a condição p/ ser cristão, somente quem está disposto a suspender o juízo racional em face d seus dogmas pode realmente sê-lo. Ou tv ñ: começo a gostar d Kardec 1 pouco +, ao perceber q ele nos fez passar d ano, liberando-nos do jardim da infância.
    _
    Embora Kardec tenha errado ao ligar a reencarnação c/ a ressureição, vale a pena dizer pq ele o fez: em sua filosofia da história, c/ 1 evolucionista, acreditava q o + recente era o + perfeito, e o passado – perfeito. Assim, parecia-lhe legítimo associar idéias d acordo c/ a cronologia d seu surgimento e seu grau d proximidade da perfeição. Ptto, o materialismo teria pouca verdade, a ressureição + verdade e a reencarnação a verdade completa. Moisés trouxe a 1ª revelação, o cristianismo a 2ª e, o espiritismo, a 3ª, em graus… e assim p/ diante.
    Essa filosofia da história foi bem difundida p/ Comte e pelos positivistas, os 3 estágios da civilização etc., sendo 1 precursora da outra e p/ aí vai.
    -
    Assim, é possível argumentar q Kardec entendia q a ressureição ñ se associa simplesmente c/ a reencarnação, como “a mesma coisa”, c/ sugerem seus estudos, karo José Carlos, + ele entendia q, diferentes, seriam idéias aproximáveis pq uma seria precursora da outra e a 1ª explicável a partir da última.
    1 filosofia da história desacreditada hoje, s/ dúvida, inclusive p/ mim, + muito popular no XIX, q muito influenciou Kardec.
    -
    Assim, Kardec ñ deve ser apresentado nesse ponto c/ ignorante ou desonesto (em absoluto vc o fez, karo José Carlos, ñ se trata aqui d nenhuma acusação, + 1 tentativa d explicação da fonte do erro d Kardec e d esclarecer q tv ele ñ considerasse ressureição e reencarnação simplesmente c/ a mesma coisa, + apesar d diferentes, em 1 continuidade histórica e filosófica), + c/ alguém fortemente fincado na filosofia científica d seu tempo, q transpôs essa filosofia p/ a teologia.

  228. Marcio Diz:

    Perdão se fui contundente ou ofensivo, + enfim, está dito…

  229. Marcos Arduin Diz:

    Giberto… Aprendi há muito tempo desconfiar de apelos enfáticos. Se não me apresentar dados precisos de que de fato NADA EXISTE lá além das estrelas gêmeas, então fico na dúvida. Além disso, em matéria de elucubrações astronômicas, já hipóteses baseadas em cálculos e especulações perderem a validade quando o fato mostrou que…
    .
    Se nada pode orbitar essas duas gêmeas devido à instabilidade, como é que duas anãs vermelhas também está lá, fazendo parte do conjunto?

  230. Marcos Arduin Diz:

    EDMAR: “Sobre o fenômeno da materialização de espíritos, a autora, Gisela Blanco, às páginas 56-57, escreve o seguinte:
    “Registre-se: materializar uma pessoa, ou fazer surgir massa do nada equivalente a um homem de 70 quilos, não seria tarefa fácil. Seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidrelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas e exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.”
    Aqui, a autora mistura alhos com bugalhos. O processo de materialização de espíritos não está relacionado à produção de matéria “do nada”. Segundo informações dos próprios espíritos, aceitas e de certa forma já verificadas por pesquisadores da fenomenologia espírita como o russo Alexandre Aksakof (1832-1903), o italiano Ernesto Bozzano (1862-1943) e o brasileiro R. A. Ranieri (1919-1989), o referido processo se daria às custas de “desmaterialização” do médium (em maior escala) e dos participantes das sessões (em menor escala).”
    .
    COMENTÁRIO: Parece que a jornalista estivesse discorrendo sobre o quanto de energia seria necessária para “materializar” um corpo, montando-o átomo por átomo, ou coisa parecida. Edmar prefere explicações “velhas” (Aksaksof, Bozzano), que não conseguem ser replicadas na atualidade. Certamente não está se pronunciando como físico, sim como espírita.
    .
    Malvadão, faz favor: quais são as NOVAS explicações para o fenômeno de materialização e que podem ser (e são) perfeitamente replicadas hoje em dia e que desbancam a pronúncia do espírita em favor da pronúncia do físico?

  231. Marcos Arduin Diz:

    “MONTALVÃO1? são os comentários iniciais, aos quais seguiram a réplica de Arduin,
    MONTALVÃO2 são as ponderações atuais.
    Deixei só esses para não sobrecarregar mais o texto. Quem quiser saber o Montalvão1 e a minha réplica, que consulte o texto acima
    .
    Montalvão2 – De fato, difícil praticar, em toda a inteireza (e para muitos até mesmo parcialmente), a regra áurea de Cristo. Tanto que Jesus disse: “Larga é a porta que conduz a perdição e estreita a da salvação”. A dificuldade advém, principalmente, da existência de alternativas outras, destoadas do espírito do amor, e que, ilusoriamente, são mais “fáceis” de ser trilhadas. E esta é a origem de nossas mazelas. Porém, dificuldade ou facilidade não altera o normativo. Ele está aí, a vista de todos, qual um lembrete indelével, a nos dizer: esta é a trilha correta.
    A cobrança pela melhoria pessoal não era prioritária.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Malvadão eu não disse que a norma foi mudada. Norma é que nem a lei: pode não ser cumprida, mas está na lei. Só quero dizer que uma norma que não é levada a ferro e fogo por quem de direito, não tem eficácia. Não se pode contemporizar: ou o cara se melhora e se cura de seus defeitos ou vai se ferrar. A partir do momento em que se diga: reze 10 padre nosso e 20 ave-marias o estupro da sua filha que você cometeu está perdoado… Acabou-se a norma.
    .
    MONTALVÃO2 – “cobrança” não parece ser a melhor palavra neste contexto; encaixaria bem o termo “estímulo”. Seja como for, a “melhoria pessoal”, como a própria expressão informa, é “pessoal”. O máximo que os guias religiosos podiam fazer seria lembrar constantemente a necessidade de viver-se sob a égide da mútua solidariedade e do amor a Deus. Coisa que poucos faziam no passado, ou fazem hoje, e continuarão não fazendo no futuro. Isso significa que a mensagem primordial do cristianismo está esquecida, embora existam vários que a mantém acesa em suas mentes, a mostrar que é possível viver conforme a orientação divina.
    O que entendo de sua palavra é que a história do cristianismo mostra que a orientação de Jesus não foi levada muito a sério pelos cristãos. Quanto a isso, concordo. Entretanto, conforme foi dito, tal não altera o princípio. Não se sabe de ungido por Deus que tenha vindo a corrigir o ditame. Imagine, um líder carismático dizendo: “Ai, tchurma, esse negócio de um amar o outro, já vimos que é difícil pacas. O quente agora é cada um por si e Deus pelos mais bonitos”.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Pois é, Malvadão, mas só que aí me reservo o direito de dizer ao padre, bispo, pastor ou apologista cristão qualquer que o Cristianismo é o que parece e não o que deveria parecer. De que me adianta ele me dizer que se todos seguissem a palavra do Cristo, o mundo seria muito melhor se quem se anuncia como cristão não a segue?

    MONTALVÃO2 – sobre a Reforma, embora as 95 teses de Lutero possam ser consideradas o ponto zero do movimento, a rigor o protestantismo não começou aí, pois Martinho Lutero não tinha intenção de criar um cisma na Igreja. Nem ele maginava que seu protesto iria resultar em rachadura no palácio da “guardiã da herança de Cristo”. Mas, isso é detalhe, sua assertiva sobre a origem da Reforma é aceitável.
    As indulgências foram uma jogada “genial”, oficializada pelo papa Clemente VI. A tese amadureceu da distinção feita pela Igreja entre penas definitivas e penas temporais. As primeiras levavam, sem escalas, ao inferno; as outras garantiam estada no purgatório.
    Para as penas do purgatório havia o paliativo das indulgências. Somente o papa, ou quem por ele autorizado, podia aplicar as indulgências. Duas coisas são importantes considerar nessa questão: 1) havia um conjunto de considerações teológicas embasando a propositura das indulgências, e, o mais admirável, 2) foram aceitas, com muita satisfação, pelos fiéis. Estes viram na prática uma forma de aliviar possíveis sofrimentos no purgatório e livrar parentes que por lá estivessem. Sim, porque as indulgências podiam perdoar pecados de vivos e de mortos.
    Na época de Lutero, sob o pontificado de Leão X, a venda de indulgências atingira níveis escandalosos. O papado financiava múltiplos empreendimentos com a renda desse comércio: construção de igrejas; financiamento de exércitos cruzados; gastos diversos do clero, eram algumas das destinações das gordas rendas advindas da venda de indulgências.
    Ao tempo de Lutero, o arcebispo de Mainz, Alberto, estava mais endividado que o Brasil no tempo da construção de Brasília. Então obteve do papa autorização para vender indulgências. Pretendendo aproveitar ao máximo as vantagens desse comércio, buscou o melhor dos vendedores de indulgências, e encontrou em Tetzel, um frade dominicano, a pessoa indicada. Tetzel era um capeta pra vender. Seus discursos de camelô da Praça XV levavam milhares de pessoas a adquirir os perdões mercantis. Nem Silvio Santos, nos bons tempos de vendedor de rua, vendia mais que o frade.
    Um dia, Tetzel chegou a cidade onde Martinho Lutero era monge. Lutero fizera votos de pobreza e buscava a santidade por meio de uma vida despojada de interesses mundanos. Muitas vezes se autoflagelou, intentando livrar-se dos pecados que acreditava oprimi-lo.
    Lutero e Tetzel eram antípodas religiosos, mesmo estando debaixo da mesma ideologia religiosa. Lutero lavava calçadas, mendigava o pão, levava vida de indigente, buscando a plena harmonização com os ideais de Cristo. Tetzel era um mercenário da salvação. Oferecia perdões para todas as ofensas imagináveis, desde que o interessado estivesse disposto a pagar o custo pela benesse.
    Lutero sentiu-se escandalizado ante o pérfido trabalho do monge, o que o estimulou a publicar as 95 teses. Nesta não havia acusação contra Roma, nem mesmo Tetzel era atacado. Lutero punha-se especificamente contra a exploração vil das indulgências. Sua fidelidade ao papa continuava firme. Somente depois, quando Lutero manteve seus pontos de vista diante dos cléricos com quem debateu é que o movimento começou a tomar forma, vindo a ocasionar a grande separação.
    As indulgências foram dogmatizada pela Igreja, ainda hoje são vendidas medalhas milagrosas, terços perdoadores e toda uma série de relíquias tidas por abençoadoras. Conquanto os exageros passados hajam sido expurgados, o comércio continua.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Não precisa dessa aula sobre reforma. Talvez você devesse ler o livro As Marcas do Cristo, de Hermínio Correa Miranda, vol II, onde ele trata de Lutero. Na opinião deste autor, Lutero é reencarnação de Paulo, assim como várias das pessoas que se envolveram com ele seriam reencarnação de outras que conviveram com Paulo. Não vou entrar no mérito disso. O que interessa por ora, é que a INDULGÊNCIA é uma doutrina legítima até sob o ponto de vista da Doutrina Espírita. O culpado de uma falta perde perdão e o obtém, MAS ISSO NÃO O DISPENSA DA PUNIÇÃO TEMPORAL, ou seja, no dizer da DE, da REPARAÇÃO DO MAL PRATICADO. Essa é a doutrina da Indulgência. A porca torceu o rabo quando se inventou que os santos e Cristo, pelas obras que fizeram, acumularam no Céu um “tesouro de merecimentos” e o papa ficou com a chave da arca desse tesouro, podendo agraciar com “indulgência” os pecadores que fizessem algo pela igreja. E ainda não era uma indulgência plena: o pecador ficaria PARCIALMENTE redimido de seus EVENTUAIS PECADOS MAIS LEVES. Note que a coisa começou muito restrita! Mas no Renascentismo, tal uso e costume se degenerou e as indulgências passaram a serem vendidas como passaportes para o Céu. Deu no que deu.
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    MONTALVÃO2 – concordo com você, mas um dado que parece esquecido em sua reflexão. Estamos focando as atitudes de homens que se diziam cristãos genuínos. Mas, entre dizer e fazer (melhor, dizer e viver) há enorme distância. A mesma Igreja que produziu santos, produziu demônios. Só que isso acontece em qualquer instituição religiosa. Não há qualquer garantia que qualquer ideologia religiosa vá automaticamente transformar seus participantes em anjos. Em todas, anote aí, todas, sempre haverá ovelhas e lobos (se bem que eu deteste essa expressão). Em qualquer organização, onde seres humanos interajam, encontraremos deuses e capetas. Neste ponto, a meu ver, está o grande equívoco de sua argumentação.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: É chover no molhado, Malvadão. Uma instituição que se preze pela divulgação e busca pelo cumprimento do Cristianismo enquanto doutrina e prática TEM QUE BATALHAR POR ISSO. Não pode deixar brechas para os aproveitadores e farsantes. Eu aqui sou membro de Comissão de Extensão e lá elaboramos editais para que os docentes que vão fazer projetos de extensão saibam o que podem e não podem pedir ou fazer. Não são perfeitos, mas cuidados de cercar o máximo possível as interpretações dúbias. As instituições religiosas deveriam se pautar pelo mesmo esquema, senão fica que nem os canalhas dos nossos paralamentares. Eles lá instituíram que o paralamentar tem direito a uma cota de passagem para ir e voltar à sua cidade de origem nos fins de semana (que em geral começa na tarda da quinta-feira e termina na manhã de terça-feira…). Só que eles usavam essas passagens para ir à Disneylândia com a família… e davam a desculpa de que “isso não havia sido proibido”… Assim procedem também as instituições religiosas.
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    MONTALVÃO2 – há livros de montão contando histórias semelhantes. Numa de sua parábolas, Jesus falou do sujeito que agradecia a Deus por não ser miserável e desgraçado quanto o infeliz que estava próximo. Enquanto isso, o “infeliz” apenas dizia: Deus, tem misericórdia de mim! Se você usar a história de Chico Xavier e substituir o padre sem vocação e de má vibração, por um espírita, seja vocacionado ou não, e, em vez de hóstia, pensar num passe, o enredo praticamente não precisará ser modificado.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: _ E daí?
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    MONTALVÃO2 – a questão seria saber como essa “contabilidade” funciona e se funciona. Que garantia haveria de que na próxima existência não erraremos mais que na anterior, acumulando novos débitos? E se na seguinte acontecer o mesmo? É provável que sempre fiquemos no vermelho ao fecharmos o balanço existencial. Desse modo, as múltiplas existências seriam um processo infindo, a perenizar uma caminhada de dores vida após vida.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Suponho que essa contabilidade dê certo por um simples detalhe: há pessoas boas e ruins neste mundo. Onde e como as pessoas boas aprenderam a ser boas? Elas são encontradas em quaisquer países, condições de vida, de credos e descredos…
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    MONTALVÃO2 – aqui há um raciocínio espírita que parece inatacável, mas, se bem examinado, se mostra suspeito. As questões em pauta são: por que uma vida não é suficiente? Por que várias vidas seriam melhor que uma? Se considerarmos que nossa existência no porvir depende da decisão que Deus tomar a nosso respeito, não será uma ou um milhão de existências que mudará qualquer coisa. Levemos em conta, também, que as idealização sobre o porvir, desde as mais simplórias, até as mais complexas, são conjecturas elaboradas do “lado de cá”. As milhões de mensagens pretensamente provinda de espíritos foram insuficientes para a confecçao de um demonstrativo incontestável da realidade futura. Descrições variadas, conflituosas umas com as outras, fantasias de todas as espécies e fotocópias das instituições terrenas foi isso o que os “espíritos” nos apresentaram.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Não entendi lhufas. O que temos é um posicionamento filosófico. Diz você que UMA vida é suficiente? Qual o destino de um recém-nascido falecido horas depois de nascer? Qual o destino de um alienado mental profundo? Qual o destino de um bronco ignorante que não teve oportunidades de aprender e melhorar? Essas perguntas foram feitas por Kardec e continuamos a fazê-las. Numa pluralidade de existências temos a resposta: o que não foi nessa, pode ser em outras. Este é o princípio. No que o Cristianismo é melhor do que ele?
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    MONTALVÃO2 – o marxismo não é uma porcaria, mas os marxistas (alguns deles) podem ser. De um modo grosseiro, posso dizer que o erro de Marx foi achar que modificando as instituições modificaria os homens. O problema que apontei acima se repete na revolução comunista: nela há homens sérios, desejos de implantar um regime de plena igualdade social, os quais concorrem com outros que pretendem implementar sistema dos mais iguais que os iguais. Se quiser entender a revolução na Rússia, que foi a nação que esforçou-se por implementar o marxismo em sua totalidade, sem ler Marx, compulse “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Nesse romance explica-se o motivo do fracasso da proposta marxista. Basicamente, o mesmo que sucedeu no catolicismo, ocorreu no marxismo: a revolução gerou homens genuinamente interessados na comunização das riquezas, qual Lênin, Trotzki e muitos outros; paralelamente, produziu uma aberração chamada Stálin, um carniceiro diante do qual Hitler parecia um aluno de jardim-de-infância.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Malvadão, o socialismo é todo ele enquadrado na Lei de Murphy, aquela que diz que quando uma coisa tem de tudo para dar errado, ela DÁ ERRADO. Por que é que NENHUM país que adotou o Socialismo conseguiu realizar o que Marx SUPOSTAMENTE pretendia? Exatamente porque ele NÃO TEM SISTEMA DE CONTROLE PURAL. Tem UM LÍDER, UM PARTIDO, UMA CUPINCHADA que manda e desmanda sem contestação. Aí já fedeu tudo. E fora a PRINCIPAL FALHA FILOSÓFICA: por que os homens devem ser iguais EM TUDO? Eu me sinto muito bem com o meu velho Fiat Pálio ED, mod 1997. Várias vezes meu irmão caçula aconselhou-me vendê-lo e comprar um carro novo. Não quis. Já outro faz questão de uma limusine. Não se trata de necessidade (onde uma limusine vai, o meu carrinho vai também) e sim de um gosto. Não faz o menor sentido exigir igualdade de riquezas, pois essa é conseguida de forma totalmente artificial e forçada. Lá em Cuba, os barbeiros e cabeleireiros cobravam uma tabela e davam toda a féria ao governo e ganhavam 20 reais por dia. Ora, para que vou caprichar, ser rápido e orientar a um freguês sobre o que fica melhor, se só vou ganhar 20 independe do serviço feito? Agora o Governo Cubano liberou esse sistema: os profissionais pagam imposto e cobram e trabalham o quanto e como bem entenderem. Tão meio perdidos ainda, mas o que vai acontecer? Quem quiser ganhar mais, vai caprichar mais, trabalhar mais, etc e tal. Se ficar rico, qual é o problema? Se os outros ficarem com inveja, por que devo lhes dar crédito com o discurso sobre “exploração do homem pelo homem”?
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    MONTALVÃO2 – li o artigo de Fedeli, achei-o parcialista, não é, realmente, uma boa avaliação. E peca por desconsiderar o contexto no qual Kardec estava inserido. Paralelamente ao suposto racismo de Kardec, conviviam convicções religiosas que viam no indígena um meio termo entre o homem e o animal e consideram os negros criaturas destituídas de alma.
    Anália Franco, independentemente de ser espírita, era alma com visão adiante da de sua época. Pessoas assim existem em diversas agremiações religiosas e mesmo fora delas. Euclides da Cunha ao visitar o palco dos combates em Canudos produziu uma obra avançada em termos de direitos humanos. Padres jesuítas, muitos deles, tomavam índios sob sua proteção, defendendo-os da sana assassina de fazendeiros. Cândido Rondon desbravou os sertões, disposto a “morrer se preciso fosse, matar jamais”. Homens e mulheres esclarecidos surgem, em todas as épocas, para deixar o registro de que ainda há esperança para o ser humano: em meio a tanta insensibilidade e exploração do próximo, essas almas santas nos mostram o lado bom de nossa humanidade.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: E o que tornou essas almas “santas”? Foi educação, a fé religiosa ou a evolução espiritual ao longo das encarnações?
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    MONTALVÃO2 – cristianismo, nem religião alguma, produzirá melhores sociedades. O objetivo das religiões é produzir pessoas melhores, mais esclarecidas. O poder corrompe, e tende a corromper até almas ilibadas, pelo peso da influência e pressão dos maus. Quando houver muito mais pessoas ciosas de que o bom é ser bom, então teremos sociedades mais justas.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Uma vez que tivemos na sociedade ocidental Estados COM RELIGIÃO e ainda hoje temos em vários países as chamadas teocracias (Islamismo, por exemplo), então caberia sim a religião PRODUZIR SOCIEDADES MELHORES. Se não o fez… E as sociedades religiosas não fora do mundo…
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    MONTALVÃO2 – aqui vale o dito anteriormente. O “pastor metodista” que patrocinou a klu-klux-klan… só Jesus. Imagine o que as “ovelhas” desse líder não ouviam?
    ARDIRUIM RESPONDENDO: As “ovelhas” tinham a Bíblia e os ensinamentos de Jesus, ou seja, tinham luzes para se guiar. Se COMO CRISTÃOS QUE ERAM preferiram se associar a uma organização criminosa que se diz genuinamente cristã… (sabia que a cruz de fogo significa o Cristo?).
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    MONTALVÃO2 – as palavras de Cristo, felizmente, são postas em prática por um grande número de pessoas, mesmo entre não-cristãos. Inclusive, Chico Xavier é exemplo. Quanto a Edir Macedo, diante de Mateus 6:24, certamente vai lembrar de que conhece texto “melhor” e vai pular a leitura.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Seria o “Dê a César o que é de César e a Deus o que é Deus”?
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    MONTALVÃO2 – o que não podemos olvidar é que os homens religiosos, mesmo os mais sinceros e esclarecidos, estão inseridos no contexto social de seu tempo. Nos tempos de meu xará, Moisés, Deus mandava passar a fio de espada, em vários casos, homens, mulheres e crianças dos povos derrotados. Em outras situações, até os animais eram condenados. Daí surge a indagação exclamativa: Que Deus é esse que não poupa nem crianças? Ora, numa sociedade teocrática, conforme as civilizações passadas, decisões políticas eram atribuídas à vontade dos deuses, fosse Javé, Baal, ou qualquer outro daimon. Se os judeus antigos matavam por determinação divina, seus vizinhos faziam o mesmo, por “ordem” de seus deuses. Ninguém se surpreendia com essas coisas. Hoje as coisas mudaram, mas não tanto: nas guerras, as nações em conflito rogam a Deus que as protejam nas batalhas e lhes permitam matar mais combatentes que o inimigo.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Não está isso em contradição com a sua afirmativa de que a função (ou propósito, pelo menos) da Religião é fazer pessoas serem melhores?
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    MONTALVÃO2 – não comungo a crença de que a Bíblia seja a revelação divina. Mas, nela há discursos que nos levam a pensar em alguma participação da divindade em sua elaboração. A Bíblia não tem “falhas” científicas porque não é um livro de ciência. As falhas foram daqueles que tentaram usar os textos bíblicos como fonte de ciência. Quanto as falhas morais, poderia ilustrar algumas?
    ARDIRUIM RESPONDENDO: O problema é que os cristãos, ao menos os fundamentalistas, dizem que a Bíblia não é um livro de Ciência, mas TUDO o que ela aborda que tenha conotação científica ESTÁ ABSOLUTAMENTE CORRETO. Tal discurso…
    Falhas morais? Está bem: temos lá o Deus dos cristãos ENDURECENDO o coração do Faraó para que ele não deixe os israelitas caírem fora de lá e daí o faraó e seu povo se danaram todos na mão irada do Deus dos cristãos… Acha que um Deus desses é moralizado? E temos em 1 Samuel 15:1-9 esse mesmo Deus ordenando o massacre de todo um povo por um motivo absolutamente torpe. Se o Deus dos cristãos não é nadinha melhor do que os deuses pagãos, então vale o que?
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    MONTALVÃO2 – deve estar se referindo a Jó 37:18: “Acaso podes, como ele, estender o firmamento, que é sólido como um espelho fundido?”. Conforme falei, os livros bíblicos não são opúsculos científicos. Quando discursam sobre ciência, relatam a ciência da época em que foram escritos. Meu comentário sobre Jó registrar que a Terra estava “apoiada no vazio”, não tencionava validar a “ciência” exposta na obra; intentou mostrar que o espaldo em textos bíblicos, feito por teólogos para condenaram cientistas, pode não ter sido realizado com a atenção necessária.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Alguma vez esses teólogos foram além de superestimar certas citações bíblicas com validade científica e ESCONDER os textos contrários a isso ou usar das mais absurdas justificativas “científicas” para validá-los?
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    MONTALVÃO2 – Esse “plano” de salvação ? aceitar Jesus como salvador ? é mais divulgado no meio protestante. No catolicismo o processo possui maior sofisticação. Existe, sim, a aceitação do sacrifício de Jesus, mas este tem ser conjugado com o cumprimento dos sacramentos, que mantêm o fiel na justa senda para chegar a Deus. Já refleti bastante sobre essa proposição: para “salvar-se” basta aceitar Jesus (considerando o discurso protestante). Então, eu me perguntava: será só isso? Sou um privilegiado, pois ouvi a mensagem, entendi e aceitei. E os milhões que nasceram antes de Cristo ir para a cruz? E os milhões que viveram, mesmo depois da crucificação, mas não conheceram o apelo de salvação? E os milhões que ouviram e não entenderam? E Marcos Arduin que, coitado, nasceu destituído da fé regeneradora? A resposta que encontrei (não definitiva) é que se Jesus veio realmente resgatar a humanidade, esse resgate tem ser amplo, geral e irrestrito, tem que abranger a todos, católicos, protestantes, espíritas, umbandistas, seixonoeístas, alquimistas, motoristas, tratoristas, ateístas, Marcos Arduin e todos os demais.
    É claro, alguém vai perguntar: e os grandes monstros que foram gerados? Hitler, Stálin, Pol Pot, Miloseviski, Átila… para esses não vai haver inferno? Não sei. Mas, admito que Deus punirá adequadamente os casos que requererem justiça. Felizmente, não cabe a mim decidir a sorte de ninguém.
    Pode, ainda, surgir outra indagação: então, não tem essa de aceitar Jesus? Se não, por que protestantes e católicos pregam isso? Minha resposta é: se for necessário decidir, acatar ou recusar a proposta divina; caso seja desse modo, em algum momento de nossa existência, seja cá, seja lá, seremos notificados clara e objetivamente do contrato, de modo que não reste a menor dúvida quando a escolha for feita.
    Quanto ao “sanguinário” sacrifício de Jesus (Deus matando Deus para saciar a ira divina), realmente soa aberrante, mas quando visto apenas no aspecto de penalidade: Deus precisava ser apaziguado para que não aniquilasse de uma vez por todas sua criação. Mas, se olhar de modo mais amplo, o quadro repudiável toma outra forma. Jesus não foi posto na cruz para “secar”. O resultado de seu sacrifício foi a rearmonização do projeto divino e Jesus recuperou suas prerrogativas divinas, das quais abrira mão para se mostrar aos homens como um deles, embora sempre conservando a consciência de sua origem.
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    É isso, ou quase…
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Só que para nós espíritas, Malvadão, isso não faz o menor sentido. Entendemos que Deus é um ente INATINGÍVEL pelos seres humanos. Ou seja, NADA DO QUE EU FAÇA será capaz de mudar o estado de espírito da Divindade. Entendemos que a Divindade é o máximo daquilo que podemos conceber como perfeito… e os espíritos nos alertaram: _ TUDO o que o homem imagina perfeito ESTÁ LONGE DA PERFEIÇÃO. Existem qualidades e atributos que DESCONHECEMOS em vista da nossa imperfeição. Dentro dos nossos limites, portanto, concebemos que Deus não pode se enganar. Logo ele não poderia ter criado nem diabos ou demônios e nem um casal mais burro que o Nosso Guia Mulla, casal esse incapaz de distinguir entre bem e mal, certo ou errado. Se a tal macieira lá do Jardim do Éden seria capaz de conceder-lhe essa capacidade, o lógico seria esperar que Deus os estimulassem a comê-la. Pretendia Deus ter parvos imbecis como sua “maior” criação? Só mesmo o Deus dos Cristãos, que pela Bíblia vejo que menos perfeito até do que o Nosso Guia Mulla…
    .
    Depois eu continuo

  232. Marcos Arduin Diz:

    ARDUIN DISSE: Só mais um adendo, Malvadão:
    A questão da santificação, na fé cristã, é entendida como uma AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO nas disposições íntimas da alma. Assim portanto, um camarada doidão por pornografia, uma vez batizado e tendo aceitado a Cristo como seu Salvador, receberá a ação do Espírito Santo e isso MUDARÁ as disposições íntimas da sua alma. Como pornografia é pecado, então ele, que antes não perdia oportunidade de conseguir coisa “nova” a respeito, agora terá nojo disso e nunca mais vai querer ver essa coisa.
    .
    MONTALVÃO COMENTA:
    .
    Prezadíssimo Arduiníssimo,
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    Você continua a confundir pensamento cristão com prática cristã. A atitude de homens não tão bem intencionados não altera a mensagem de Cristo, apenas mostra que nem todos estão a fim de levá-la a sério.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Já comentei sobre isso, Malvadão e acho que não vale a pena voltar ao assunto. Se a mensagem do Cristo não dá o suporte necessário para que o cristão se sinta estimulado a praticar o Cristianismo como sendo a mensagem do Cristo em prática, então a mensagem não vale nada.
    .
    Fiquei curioso com a história da adesão de Gasparetto à renascer. Onde encontro informações a respeito?
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Já lhe passei por e-mail o folheto divulgado pelos bispo da Renascer sobre como Irineu Gasparetto se converteu e as graças que obteve disso e também sua forma Chiquista de expressar sua gratidão a Deus… Quanto à sua saída da Renascer porque aí seus ganhos caíram muito… Aí já é outra história da qual sei pouco.
    .
    De onde tirou a informação de que a conversão gera ação do renovadora imediata do espírito santo, a ponto de transformar um taradão num celibatário?
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    Esse Arduin…
    ARDIRUIM RESPONDENDO: Bem, é o que li em revistas e livros cristãos (já li mais de 50 obras cristãs anti-espíritas) e outras onde é dito isso. Só não explicaram bem como isso funciona… Da minha parte, acho que NÃO FUNCIONA.

  233. moizes montalvao Diz:

    SeriousBusiness Disse(!!!) : “(…) Detalhe que na codificação de Kardec os espíritos falaram explicitamente sobre isso. E falaram também sobre a existência de vida em outros planos/dimensões, constituídas por essa tal matéria diferente da nossa…”
    .
    MONTALVÃO (ADMIRADO) INQUIRE: Sr. Serious, não entendo nadica de nada de física, mas visto que li um titiquinho de kardec, lhe indago: onde é que os “espíritos”, na codificação kardequiana, ou em qualquer outro canto escrevível deste mundo, falaram “explicitamente” sobre isso (ou seja, que “existe um outro tipo de matéria e de energia que não são detectáveis pelos nossos sentidos e que preenchem a grande maioria do Universo (energia e matéria escuras)”?
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    E mais, onde foi que falaram ou disseram da existência de vida em outros planos, contituída por essa “tal matéria”?
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    Aguardo, pasmado, seus esclarecimentos.

  234. moizes montalvao Diz:

    ARDUIM DISSE: Malvadão, faz favor: quais são as NOVAS explicações para o fenômeno de materialização e que podem ser (e são) perfeitamente replicadas hoje em dia e que desbancam a pronúncia do espírita em favor da pronúncia do físico?
    .
    MALVADÃO: Novas explicações? Não conheço nenhuma. O que sei são as alegações dos crédulos em materializações que, na falta de esclarecimentos atuais, escudam-se em conjecturas centenárias. Quem examinar, por exemplo, as concepções de Bozzano sobre o assunto quedar-se-á embasbacado ante tanta ingenuidade. Ernesto Bozzano publicou um livreto intitulado “Materializações de Espíritos em proporções minúsculas”, com fotos probatórias. Nessas fotos aparecem bonecos mal ajambrados, que o autor afirmava serem registros de espíritos. As materializações minúsculas contêm claros sinais de fraude. Difícil crer que pessoa de elevada cultura como o foi Bozzano pudesse afiançar baboseiras como aquelas. São demonstrações como essas que os apologistas propalam no intento de “comprovar” a cientificidade dos eventos materializativos.
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    Então, meu comentário afirmou que aqueles velhos experimentos não são replicados na atualidade. E não são mesmo. Ou sabe de algum que tenha sido? Os poucos casos de materialização modernos são muito fraquinhos. Veja o caso de Otília Diogo. É espantoso que espíritas sinceros gastem preciosa energia garimpando verdade naquele teatro. Considermos o livro de Rizzini “Otilia Diogo e a Materialização de Uberaba”, por alguns considerado demonstração de que Otília deva figurar no panteão dos legítimos médiuns de efeitos físicos. A leitura dessa obra mostra, ao contrário, toda a fragilidade do argumento materializativo. Rizzini e Luciano, embora tenham se esforçado, só conseguiram deixar claro que não havia nada de legítimo em Otília Diogo. É só ler o livro com mediano senso crítico, nem precisa ser muito rigoroso na leitura, não. Estou preparando apreciações a essa obra, logo que terminar divulgarei.
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    O que seu desafio pretende é passar-me uma rasteira argumentativa: visto que não tenho como relatar experimentos modernos que comprovem a inexistência de legítimas materializações, então vale o que os experimentadores do passado divulgaram. Parece-me que não é bem assim. As pesquisas científicas de antanho podem, a qualquer momento, ser repetidas por cientistas contemporâneos e verificada se as conclusões primevas estavam corretas.
    .
    Entretanto, com as materializações os adeptos dessa crença exigem que fiquemos com o que os antigos disseram e ponto final. Ora, não desse modo que o conhecimento científico se firma. Toda e qualquer teoria, por mais consolidada que esteja, é passivel de acarretar dúvidas futuras. Essas dúvidas ensejam novos experimentos, cujos resultados podem ratificar as ilações precedentes, ou modificá-las em parte, ou totalmente.
    .
    Na atualidade, o meio espírita possui cientistas bem formados. Deveria partir desses as investigações modernas sobre esse tema são eivado de superstições e crendices. É isso que não entendo: por que ficar discutindo Otília Diogo a partir do ponto em que as exibições geraram um mar de dúvidas e girar infindamente em torno desse contexto nebuloso, em lugar de efetuar novas e melhor controladas experiências? Quem não deve não teme. Se as aparições de Otília só convenceram os crédulos, tudo bem, vamos trazer outros médiuns e realizar experimentos com controles mais rigorosos e divulgar esses resultados. Não, preferem defender a dúvida e a confusão. Realmente, não entendo… Os que resguardam Otília deveriam começar se perguntando por que as aparições tinham que vir com véus… escondendo o quê?
    .
    Eu gostaria muito de saber que materializações são possíveis. Caso fossem, buscaria dedicadamente obter a aparição de minha mãezinha, que partiu muito cedo; ou de meu irmão mais novo, que também se foi jovem e tantos outros queridos. Lamentavelmente, tudo de concreto que se tem nesses sonhos são investigações “rigorosas” datadas de mais de século… Muito pouco…Nada.
    .
    Falei?

  235. Sonia N. Diz:

    Montalvão:
    -
    Desculpe a intromissão, mas quem trouxe esse assunto à baila foi o Vitor. O blog é dele, não dos espíritas. Se ele está interessado apenas nos fenômenos mediúnicos, e não no lado moral do Espiritismo, como ele mesmo afirma, deveria tomar a iniciativa de pesquisar novos médiuns de efeitos físicos. Seria ele o novo cientista, encarregado de um trabalho notável, digno, consciencioso.
    -
    Mas não é isso que vemos. Ele levanta casos impossíveis de serem avaliados com a devida imparcialidade, pois, TODAS as pessoas envolvidas estão mortas. E casos que, à época, foram indevidamente analisados, causados por interesses escusos, deixando rastros totalmente duvidosos a respeito dos acontecimentos.
    -
    Portanto, qual o verdadeiro propósito de toda essa celeuma de Dom Vitor?
    Difamar Chico Xavier. Porque Dom Vitor envolve com o nome dele qualquer “embrulho” que queira fazer.
    -
    E os espíritas postam aqui (esse é o meu caso) somente para defender Chico Xavier. Nada mais. O resto é pura consequência.
    -
    Quanto aos assuntos referentes às diversas mediunidades, nem vale a pena trazer o conhecimento aqui. É pura perda de tempo. Aqui a negativa é o tom para tudo que se refira ao Espiritismo.
    -
    Mais uma coisa, Montalvão: tire suas dúvidas sobre materializações e/ou qualquer fenômeno mediúnico, estudando o assunto, com o mesmo afinco com que ataca o que não conhece.

  236. Vitor Diz:

    Sônia,
    comentando:

    01 – Ele levanta casos impossíveis de serem avaliados com a devida imparcialidade, pois, TODAS as pessoas envolvidas estão mortas

    Mentira sua, Sônia. Você está MENTINDO! Agindo assim, você não tem MORAL alguma para discutir comigo. Waldo Vieira está VIVÍSSIMO e ele mesmo já admitiu – DIVERSAS VEZES – que Chico Xavier fraudava. Pergunte a ele.

    02 – E casos que, à época, foram indevidamente analisados, causados por interesses escusos, deixando rastros totalmente duvidosos a respeito dos acontecimentos.

    Duvidoso só para quem quer salvar o que não pode ser salvo.

    Sônia, você está numa lenga-lenga sem fim, mentindo descaradamente, não apresentando contra-argumentações para o que foi colocado aqui. O Luciano e o Rizzini não levaram o Petit para se confrontar com o Eboli. Eles não aceitaram refazer os experimentos em condições controladas. Otília foi pega em fraude tempos depois. Waldo Vieira admitiu que Chico fraudava. Chico tinha um controle que nunca existiu. Chico plagiava livros. Chico entrevistava as pessoas para conseguir informações.

    Só não vê quem não quer, Sônia.

  237. moizes montalvao Diz:

    ARDUIM – retirei algumas parte, que acho já estar bem discutida. Respondo às demais, com “MALVADÃO3″.
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: Pois é, Malvadão, mas só que aí me reservo o direito de dizer ao padre, bispo, pastor ou apologista cristão qualquer que o Cristianismo é o que parece e não o que deveria parecer. De que me adianta ele me dizer que se todos seguissem a palavra do Cristo, o mundo seria muito melhor se quem se anuncia como cristão não a segue?
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    MALVADÃO3: o caso é que estamos sendo rigorosos com o cristianismo e, talvez, condescendentes com outros. Em qualquer grupo, religioso, social, extraterreno, a realidade é essa. Nossas leis nos dizem como devemos nos comportar para que a sociedade seja justa, equilibrada e não haja ninguém ferrando ninguém. Quem quiser saber o que é um país harmonioso, democrático, feliz, que leia a constituição. A nossa mesmo, a brasileira. Na magna lei temos a imagem do máximo equilíbrio social. Lá, por exemplo, diz: “Todos são iguais perante a lei”. Só que, na prática, alguns traduzem assim: “pau que bate em Francisco não é o mesmo que bate em Chico”. Em suma, não há mágica no processo: “ser cristão” não garante transformação milagrosa em santo. Cristianismo é uma caminhada, alguns vão bem, tropeçam, se aprumam; outros parecem não entender… Mas, tem muitos por aí, anônimos ou conhecidos, dentro ou fora da Igreja, que vivenciam a mensagem de Cristo exemplarmente…
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: Não precisa dessa aula sobre reforma. Talvez você devesse ler o livro As Marcas do Cristo, de Hermínio Correa Miranda, vol II, onde ele trata de Lutero. Na opinião deste autor, Lutero é reencarnação de Paulo, assim como várias das pessoas que se envolveram com ele seriam reencarnação de outras que conviveram com Paulo. Não vou entrar no mérito disso. O que interessa por ora, é que a INDULGÊNCIA é uma doutrina legítima até sob o ponto de vista da Doutrina Espírita. O culpado de uma falta perde perdão e o obtém, MAS ISSO NÃO O DISPENSA DA PUNIÇÃO TEMPORAL, ou seja, no dizer da DE, da REPARAÇÃO DO MAL PRATICADO. Essa é a doutrina da Indulgência. A porca torceu o rabo quando se inventou que os santos e Cristo, pelas obras que fizeram, acumularam no Céu um “tesouro de merecimentos” e o papa ficou com a chave da arca desse tesouro, podendo agraciar com “indulgência” os pecadores que fizessem algo pela igreja. E ainda não era uma indulgência plena: o pecador ficaria PARCIALMENTE redimido de seus EVENTUAIS PECADOS MAIS LEVES. Note que a coisa começou muito restrita! Mas no Renascentismo, tal uso e costume se degenerou e as indulgências passaram a serem vendidas como passaportes para o Céu. Deu no que deu.
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    MALVADÃO 3: Gosto dos escritos de Hermínio Miranda, algumas de suas pesquisas são de boa qualidade, embora as interpretações que oferece sejam discutíveis. Por exemplo, a teoria herminiana da “memória extracerebral” parece-me tétrica. De qualquer modo, o livro que recomendou não conheço, na primeira oportunity examina-lo-ei. Mas, falando em reencarnação, um dos hábitos de Hermínio é justamente o de identificar vivências anteriores. Tanto Hermínio quanto Luciano dos Anjos são campeões em descobrir quem foi quem tempo a dentro. No livro “Eu sou Camille Desmoulins”, escrito parceiramente por Luciano e Hermínio, a dupla diverte-se, juntamente com Cesar Burnier, nomeando as várias vidas de alguns conhecidos. É deles a “revelação” de que Chico Xavier, durante a Revolução Francesa, fora uma moça acaipirada, chamada Jeanne d’Arencourt, que faleceu tuberculosa.
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    Quanto a suposição herminiana de que Paulo reencarnou em Lutero, certamente nem o apóstolo nem o monge alemão concordariam com essa exótica conjectura.
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    Desconheço como funciona o mecanismo espírita das indulgências. Sabe em que parte da codificação consta a norma? Imagino que Kardec tenha proferido algo parecido com o que, se não me engano, a rainha da Inglaterra dissera, ao comentar o Tratado de Tordesilhas: “Em que parte do testamento de Adão consta que o mundo deva ser dividido entre Portugal e Espanha?”. Talvez o codificado falara algo equivalente: “Em que lugar do mandamento divino consta que os tesouros de Cristo devam ficar sob a guarda do papa?”. Se Kardec não disse tal coisa, deve ter pensado, pois inteligente como era…
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    Em minha opinião, indulgências estão no patamar das superstições. Esse negócio de comprar perdão acho muito suspeito. Além disso, estou bem satisfeito com minha medalhinha das sete graças hereditárias, que me garante remissões pecaminosas até a senilidade…
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    MONTALVÃO2 – concordo com você, mas um dado que parece esquecido em sua reflexão. Estamos focando as atitudes de homens que se diziam cristãos genuínos. Mas, entre dizer e fazer (melhor, dizer e viver) há enorme distância. A mesma Igreja que produziu santos, produziu demônios. Só que isso acontece em qualquer instituição religiosa. Não há qualquer garantia que qualquer ideologia religiosa vá automaticamente transformar seus participantes em anjos. Em todas, anote aí, todas, sempre haverá ovelhas e lobos (se bem que eu deteste essa expressão). Em qualquer organização, onde seres humanos interajam, encontraremos deuses e capetas. Neste ponto, a meu ver, está o grande equívoco de sua argumentação.
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: É chover no molhado, Malvadão. Uma instituição que se preze pela divulgação e busca pelo cumprimento do Cristianismo enquanto doutrina e prática TEM QUE BATALHAR POR ISSO. Não pode deixar brechas para os aproveitadores e farsantes. Eu aqui sou membro de Comissão de Extensão e lá elaboramos editais para que os docentes que vão fazer projetos de extensão saibam o que podem e não podem pedir ou fazer. Não são perfeitos, mas cuidados de cercar o máximo possível as interpretações dúbias. As instituições religiosas deveriam se pautar pelo mesmo esquema, senão fica que nem os canalhas dos nossos paralamentares. Eles lá instituíram que o paralamentar tem direito a uma cota de passagem para ir e voltar à sua cidade de origem nos fins de semana (que em geral começa na tarda da quinta-feira e termina na manhã de terça-feira…). Só que eles usavam essas passagens para ir à Disneylândia com a família… e davam a desculpa de que “isso não havia sido proibido”… Assim procedem também as instituições religiosas.
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    MALVADÃO 3: a qual “Comissão de Extensão” se refere? Mas seja qual for, pode ser a melhor norma do mundo, conforme o é a orientação cristã do amor, mas, se não houver gente que leve a sério o orientativo, babou. Parece que estamos falando a mesmo coisa com blablablá diferente. Pense na Lei Federal das Licitações. Este dispositivo é um primor de equilíbrio democrático. Não há um buraquinho que permita safadeza. No entanto, conhece processo de concorrência mais cafajeste que as licitações públicas? As normas são boas, já os encarregados de aplicá-la…
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    De modo semelhante, os editais que você elabora devem ser supimpas. Sei que é criterioso em suas atividades. Entretanto, suponha que um outro Arderruim, este ruim de verdade, passe a controlar a coisa? Qual será o resultado? E eu lhe indago, qual foi a brecha que a norma cristã do amor deixou para aproveitadores e farsantes?
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    Tanto as instituições religiosas quanto os poderes nacionais possuem nobres incumbências. As religiões tratam de conceder ao fiel as melhores orientações para se haver bem com Deus; os três Poderes são responsáveis por gerir a máquina pública, de modo que se tenha uma nação próspera, organizada e com qualidade de vida para todos os cidadãos. Infelizmente, sabemos que entre o ideal e a realidade a distância ainda é grande.
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    Quando criança eu sonhava ser “poderoso” quando crescesse, planejava elaborar leis que resolvesse todos os problemas. A principal delas seria: “É proibido fazer mal aos outros”. No entanto, eu não imaginava que alguém se antecipara ao meu projeto: Os Dez Mandamentos já diziam isso. (Ah, agora lembrei: uma vez me candidatei a vereador numa cidadezinha interiorana. Minha proposta básica: reduzir a remuneração dos edis a, no máximo, dois salários mínimos. Sabe qual foi o resultado? Foi que nem naquele samba do Dicró: “Nem a minha mãe votou em mim”. A população preferiu ficar com vereadores de alto custo. É mais chique…
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    MONTALVÃO2 – há livros de montão contando histórias semelhantes. Numa de sua parábolas, Jesus falou do sujeito que agradecia a Deus por não ser miserável e desgraçado quanto o infeliz que estava próximo. Enquanto isso, o “infeliz” apenas dizia: Deus, tem misericórdia de mim! Se você usar a história de Chico Xavier e substituir o padre sem vocação e de má vibração, por um espírita, seja vocacionado ou não, e, em vez de hóstia, pensar num passe, o enredo praticamente não precisará ser modificado.
    ARDIRUIM RESPONDENDO: _ E daí?
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    MALVADÃO 3: é que a história da missa pelo “lado espiritual” parecia querer mostrar o parco valor desse cerimonial religioso. Então, eu tentei mostrar que o enredo poderia se aplicar a qualquer rito.
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    MONTALVÃO2 – a questão seria saber como essa “contabilidade” funciona e se funciona. Que garantia haveria de que na próxima existência não erraremos mais que na anterior, acumulando novos débitos? E se na seguinte acontecer o mesmo? É provável que sempre fiquemos no vermelho ao fecharmos o balanço existencial. Desse modo, as múltiplas existências seriam um processo infindo, a perenizar uma caminhada de dores vida após vida.
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: Suponho que essa contabilidade dê certo por um simples detalhe: há pessoas boas e ruins neste mundo. Onde e como as pessoas boas aprenderam a ser boas? Elas são encontradas em quaisquer países, condições de vida, de credos e descredos…
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    MALVADÃO 3: É fato, há boas e más pessoas no mundo. E tais podem ser resultantes de vivências passadas. Certo. Também poderiam ser oriundas de fracassados experimentos extraterrenos. “Sabemos” muito bem que alienígenas ultra-super-hiper inteligentes produzem os genes humanos e os projetam nos úteros femininos, por meio de canhões biodônticos de mira fina. Visto que alguns desses disparos não se fazem à perfeição, daí a origem de gente má. Mas, também é bem possível que os maus e os bons se formem a partir das aglomerações angélicas ou demoníacas que se formam ao redor da grávida. Se a futura mamãe atrair anjos seu redor, estes influenciarão positivamente o feto, gerando um ente bom; se, em lugar de anjos, achegarem-se demônios (ferrou!), vai nascer um novo marginal.
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    É fato que a biologia explica que combinações genéticas, somadas a influências ambientais favoráveis ou desafortunadas, engedram tanto pessoas sadias quanto fragilizadas, física e mentalmente. Mas, o que é a biologia materialista diante da espiritual?
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    MONTALVÃO2 – aqui há um raciocínio espírita que parece inatacável, mas, se bem examinado, se mostra suspeito. As questões em pauta são: por que uma vida não é suficiente? Por que várias vidas seriam melhor que uma? Se considerarmos que nossa existência no porvir depende da decisão que Deus tomar a nosso respeito, não será uma ou um milhão de existências que mudará qualquer coisa. Levemos em conta, também, que as idealização sobre o porvir, desde as mais simplórias, até as mais complexas, são conjecturas elaboradas do “lado de cá”. As milhões de mensagens pretensamente provinda de espíritos foram insuficientes para a confecçao de um demonstrativo incontestável da realidade futura. Descrições variadas, conflituosas umas com as outras, fantasias de todas as espécies e fotocópias das instituições terrenas foi isso o que os “espíritos” nos apresentaram.
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: Não entendi lhufas. O que temos é um posicionamento filosófico. Diz você que UMA vida é suficiente? Qual o destino de um recém-nascido falecido horas depois de nascer? Qual o destino de um alienado mental profundo? Qual o destino de um bronco ignorante que não teve oportunidades de aprender e melhorar? Essas perguntas foram feitas por Kardec e continuamos a fazê-las. Numa pluralidade de existências temos a resposta: o que não foi nessa, pode ser em outras. Este é o princípio. No que o Cristianismo é melhor do que ele?
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    MALVADÃO 3: talvez coubesse indagar: as questões kardequianas são legítimas? Veja só, ele se perguntou, dentre outras: qual o destino de um alienado mental? Perguntou a quem? Dizem que foi aos espíritos. Então os espíritos responderam: esse alienado vai está pagando débitos passados, fique tranquilo que em próximas encarnações tudo vai se ajeitar. Então Kardec concluiu: Ah, bom! Mas, e se Kardec fizesse tais indagações a espíritos não reencarnacionistas? Sim, pois sabemos que esses existem, e respondem frequentemente aos apelos dos médiuns que os consultam. Pois é, o que espíritos esclarecidos, esclarecidos mas detratores da reencarnação, explicariam sobre a razão de alguém nascer, viver dois minutos e depois tchau? Certamente teriam de propor outra sugestão que não incluísse a hipótese de múltiplas existências…
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    Os cristãos, em geral, diante de perguntas difíceis como essas, costumam recorrer aos “insondáveis desígnios de Deus”. Estão bem perto do que penso. Em minha opinião, se quiserem saber qual o destino espiritual de um louco, de um abortado, de um sem cérebro, respondo tranquilamente: NÃO SEI. Deus nunca me disse nada a respeito. E se não disse é porque não lhe interessa que eu saiba. Parece-me que o que Deus tem a me dizer sobre essas questões, se resume no seguinte: “meu filho procure viver da melhor maneira, seguindo a máxima de amar a Deus e ao próximo. Se puder, divulgue isso entre seus pares. Quanto a como será do “outro lado”, deixa comigo que dessa parte cuido eu.”
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    MONTALVÃO2 – o marxismo não é uma porcaria, mas os marxistas (alguns deles) podem ser. De um modo grosseiro, posso dizer que o erro de Marx foi achar que modificando as instituições modificaria os homens. O problema que apontei acima se repete na revolução comunista: nela há homens sérios, desejos de implantar um regime de plena igualdade social, os quais concorrem com outros que pretendem implementar sistema dos mais iguais que os iguais. Se quiser entender a revolução na Rússia, que foi a nação que esforçou-se por implementar o marxismo em sua totalidade, sem ler Marx, compulse “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Nesse romance explica-se o motivo do fracasso da proposta marxista. Basicamente, o mesmo que sucedeu no catolicismo, ocorreu no marxismo: a revolução gerou homens genuinamente interessados na comunização das riquezas, qual Lênin, Trotzki e muitos outros; paralelamente, produziu uma aberração chamada Stálin, um carniceiro diante do qual Hitler parecia um aluno de jardim-de-infância.
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: Malvadão, o socialismo é todo ele enquadrado na Lei de Murphy, aquela que diz que quando uma coisa tem de tudo para dar errado, ela DÁ ERRADO. Por que é que NENHUM país que adotou o Socialismo conseguiu realizar o que Marx SUPOSTAMENTE pretendia? Exatamente porque ele NÃO TEM SISTEMA DE CONTROLE PURAL. Tem UM LÍDER, UM PARTIDO, UMA CUPINCHADA que manda e desmanda sem contestação. Aí já fedeu tudo. E fora a PRINCIPAL FALHA FILOSÓFICA: por que os homens devem ser iguais EM TUDO? Eu me sinto muito bem com o meu velho Fiat Pálio ED, mod 1997. Várias vezes meu irmão caçula aconselhou-me vendê-lo e comprar um carro novo. Não quis. Já outro faz questão de uma limusine. Não se trata de necessidade (onde uma limusine vai, o meu carrinho vai também) e sim de um gosto. Não faz o menor sentido exigir igualdade de riquezas, pois essa é conseguida de forma totalmente artificial e forçada. Lá em Cuba, os barbeiros e cabeleireiros cobravam uma tabela e davam toda a féria ao governo e ganhavam 20 reais por dia. Ora, para que vou caprichar, ser rápido e orientar a um freguês sobre o que fica melhor, se só vou ganhar 20 independe do serviço feito? Agora o Governo Cubano liberou esse sistema: os profissionais pagam imposto e cobram e trabalham o quanto e como bem entenderem. Tão meio perdidos ainda, mas o que vai acontecer? Quem quiser ganhar mais, vai caprichar mais, trabalhar mais, etc e tal. Se ficar rico, qual é o problema? Se os outros ficarem com inveja, por que devo lhes dar crédito com o discurso sobre “exploração do homem pelo homem”?
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    MALVADÃO 3: praticamente concordo com o que disse. Apenas em relação ao Fiat é que discordo. Aliás foi um Fiat que me fez ver a insanidade dessa grande maldição do século XX e parte do XXI: os veículos automotores. Há alguns anos abdiquei de meus direitos de ter qualquer coisa movida a combustível, exceto bicicleta. E estou feliz! Quem não está é minha mulher, que vem pentelhando meu juízo para que eu mude de idéia… não entendo por que as pessoas têm medo de assaltos, de balas perdidas, mas não têm medo do trânsito que mata e fere muito mais qualquer outra forma de violência. Eu só atravesso ruas após rezar dois padres-nossos e três aves-Marias… Só um pitaquinho de nada na questão comunista, creio que o projeto comunista não propõe que os homens sejam igualzinhos, sim que estejam mais próximos uns dos outros economicamente. (Antes que me denuncie: não sou adepto do marxismo ou de qualquer outra ideologia. Apenas me esforço para aderir ao projeto de Cristo de amar o próximo, embora seja difícil pacas.)
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    Anália Franco, independentemente de ser espírita, era alma com visão adiante da de sua época. Pessoas assim existem em diversas agremiações religiosas e mesmo fora delas. Euclides da Cunha ao visitar o palco dos combates em Canudos produziu uma obra avançada em termos de direitos humanos. Padres jesuítas, muitos deles, tomavam índios sob sua proteção, defendendo-os da sana assassina de fazendeiros. Cândido Rondon desbravou os sertões, disposto a “morrer se preciso fosse, matar jamais”. Homens e mulheres esclarecidos surgem, em todas as épocas, para deixar o registro de que ainda há esperança para o ser humano: em meio a tanta insensibilidade e exploração do próximo, essas almas santas nos mostram o lado bom de nossa humanidade.
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: E o que tornou essas almas “santas”? Foi educação, a fé religiosa ou a evolução espiritual ao longo das encarnações?
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    MALVADÃO 3: certo, certo, pode ter sido a imaginada “evolução espiritual”, advinda de interminável vai-e-vem matéria-espírito-espírito-matéria. Mas, um espírito inglês me disse mediunicamente que isso de evolução espiritual não existe. E agora, o que faço? Por outro lado, conheço histórias de pessoas que eram “pior que o capeta” e por meio de meditações, estudos e bons conselhos se tornaram santos…
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    MONTALVÃO2 – cristianismo, nem religião alguma, produzirá melhores sociedades. O objetivo das religiões é produzir pessoas melhores, mais esclarecidas. O poder corrompe, e tende a corromper até almas ilibadas, pelo peso da influência e pressão dos maus. Quando houver muito mais pessoas ciosas de que o bom é ser bom, então teremos sociedades mais justas.
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: Uma vez que tivemos na sociedade ocidental Estados COM RELIGIÃO e ainda hoje temos em vários países as chamadas teocracias (Islamismo, por exemplo), então caberia sim a religião PRODUZIR SOCIEDADES MELHORES. Se não o fez… E as sociedades religiosas não fora do mundo…
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    MALVADÃO 3: o que posso dizer disso é que Jesus afirmou: “o meu reino não é deste mundo”. Também, não conheço qualquer discurso de Cristo conclamando pela formação de governos religiosos, por que estes seriam melhores. A orientação de Jesus é dirigida à mudança pessoal. Não se propõe transformação grupal. Se esses convertidos se reúnem para formar governos o problema será deles caso não realizem boa administração.
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    MONTALVÃO2 – aqui vale o dito anteriormente. O “pastor metodista” que patrocinou a klu-klux-klan… só Jesus. Imagine o que as “ovelhas” desse líder não ouviam?
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: As “ovelhas” tinham a Bíblia e os ensinamentos de Jesus, ou seja, tinham luzes para se guiar. Se COMO CRISTÃOS QUE ERAM preferiram se associar a uma organização criminosa que se diz genuinamente cristã… (sabia que a cruz de fogo significa o Cristo?).
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    MALVADÃO 3: correto, tinham as luzes de Cristo para os guiar mas preferiam o fogo da maldade. Fazer o quê? Creio que disse antes que os partidos políticos se assemelham a organizações religiosas. Assim como os eleitores delegam representantes, para que, pelos eleitores, realizem a administração pública; os fiéis religiosos passam procuração tácita aos seus líderes a fim de que lhes indiquem os melhores caminhos. Quem escolher mal, já sabe, né?
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    MONTALVÃO2 – as palavras de Cristo, felizmente, são postas em prática por um grande número de pessoas, mesmo entre não-cristãos. Inclusive, Chico Xavier é exemplo. Quanto a Edir Macedo, diante de Mateus 6:24, certamente vai lembrar de que conhece texto “melhor” e vai pular a leitura.
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: Seria o “Dê a César o que é de César e a Deus o que é Deus”?
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    MALVADÃO 3: rê, rê, acho que esse texto, para Macedo, foi um achado… só que ele deve ter mudado um pouco: “dê a Deus o que é de Deus, depositando na Universal”.
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    MONTALVÃO2 – o que não podemos olvidar é que os homens religiosos, mesmo os mais sinceros e esclarecidos, estão inseridos no contexto social de seu tempo. Nos tempos de meu xará, Moisés, Deus mandava passar a fio de espada, em vários casos, homens, mulheres e crianças dos povos derrotados. Em outras situações, até os animais eram condenados. Daí surge a indagação exclamativa: Que Deus é esse que não poupa nem crianças? Ora, numa sociedade teocrática, conforme as civilizações passadas, decisões políticas eram atribuídas à vontade dos deuses, fosse Javé, Baal, ou qualquer outro daimon. Se os judeus antigos matavam por determinação divina, seus vizinhos faziam o mesmo, por “ordem” de seus deuses. Ninguém se surpreendia com essas coisas. Hoje as coisas mudaram, mas não tanto: nas guerras, as nações em conflito rogam a Deus que as protejam nas batalhas e lhes permitam matar mais combatentes que o inimigo.
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: Não está isso em contradição com a sua afirmativa de que a função (ou propósito, pelo menos) da Religião é fazer pessoas serem melhores?
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    MALVADÃO 3: não, de modo algum. O que é “ser bom” hoje não era necessariamente o mesmo no passado. Em tempos remotos não vingar a morte de um parente seria considerado errado. Deixar de apedrejar um condenado também seria tido por atitude malévola, etc.
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    MONTALVÃO2 – não comungo a crença de que a Bíblia seja a revelação divina. Mas, nela há discursos que nos levam a pensar em alguma participação da divindade em sua elaboração. A Bíblia não tem “falhas” científicas porque não é um livro de ciência. As falhas foram daqueles que tentaram usar os textos bíblicos como fonte de ciência. Quanto as falhas morais, poderia ilustrar algumas?
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: O problema é que os cristãos, ao menos os fundamentalistas, dizem que a Bíblia não é um livro de Ciência, mas TUDO o que ela aborda que tenha conotação científica ESTÁ ABSOLUTAMENTE CORRETO. Tal discurso…
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    MALVADÃO 3: é o que eles dizem, será que um dia perceberão a tolice que defendem?
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    ARDIRRUIM: Falhas morais? Está bem: temos lá o Deus dos cristãos ENDURECENDO o coração do Faraó para que ele não deixe os israelitas caírem fora de lá e daí o faraó e seu povo se danaram todos na mão irada do Deus dos cristãos… Acha que um Deus desses é moralizado? E temos em 1 Samuel 15:1-9 esse mesmo Deus ordenando o massacre de todo um povo por um motivo absolutamente torpe. Se o Deus dos cristãos não é nadinha melhor do que os deuses pagãos, então vale o que?
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    MALVADÃO 3: aí que está. Isso era o esperado dos deuses naqueles tempos. E o povo que tinha por divindade Javé não era diferente. Se hoje Lula se pronunciasse dizendo à nação que recebera ordem divina para que matássemos todos os argentinos, poucos iriam aceitar esse discurso. Em tempos remotos, um recado desses seria prontamente acatado com a mesma naturalidade com que se vai a um xópin fazer compras. E o mais interessante, os argentinos, quando tomassem conhecimento da “ordem” do deus brasileiro, aceitrariam a informação como veraz e passariam a apelar ao seu deus para que os protegessem. É muito comum, no Velho Testamento, a expressão “Deus entregou nas mãos de Israel seus inimigos”, significando que a vitória na batalha lhes fora concedida por Deus”, mas também se encontra: “o rei fez o que era mau aos olhos do Senhor e todo o Israel foi dominado por tal reino durante tantos anos”. Vitória e derrota tudo provinha de Deus. Era a mentalidade teocrática. Tem muitas narrativas bíblicas que na atualidade nos revoltam, porém para os que viviam aquelas experiências eram acontecimentos triviais. Se quer um exemplo, veja em Juízes 11 a história de Jefté, bastante ilustrativa.
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    Jefté fora combater os amonitas. No caminho fez um voto a Iavé: se voltasse da batalha vitorioso, a primeira pessoa que saísse a saudá-la seria dada em sacrifício de gratidão. Venceu e ao chegar próximo de casa, a filha única, lhe saiu ao encontro festejando o retorno paterno. Então, fazer o quê? Uma promessa a Deus tinha de ser cumprida. O curioso é que a moça, ao saber do compromisso, em vez de se revoltar, aceitou numa boa… só mesmo naquele tempo…
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    Veja a narrativa:
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    JUÍZES 11

    29 Então o Espírito do Senhor veio sobre Jefté, de modo que ele passou por Gileade e Manassés, e chegando a Mizpá de Gileade, dali foi ao encontro dos amonitas.
    30 E Jefté fez um voto ao Senhor, dizendo: Se tu me entregares na mão os amonitas,
    31 qualquer que, saindo da porta de minha casa, me vier ao encontro, quando eu, vitorioso, voltar dos amonitas, esse será do Senhor; eu o oferecerei em holocausto.
    32 Assim Jefté foi ao encontro dos amonitas, a combater contra eles; e o Senhor lhos entregou na mão.
    33 E Jefté os feriu com grande mortandade, desde Aroer até chegar a Minite, vinte cidades, e até Abel-Queramim. Assim foram subjugados os amonitas pelos filhos de Israel.
    34 Quando Jefté chegou a Mizpá, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela a filha única; além dela não tinha outro filho nem filha.
    35 Logo que ele a viu, rasgou as suas vestes, e disse: Ai de mim, filha minha! muito me abateste; és tu a causa da minha desgraça! pois eu fiz, um voto ao Senhor, e não posso voltar atrás.
    36 Ela lhe respondeu: Meu pai, se fizeste um voto ao Senhor, faze de mim conforme o teu voto, pois o Senhor te vingou dos teus inimigos, os filhos de Amom.
    37 Disse mais a seu pai: Concede-me somente isto: deixa-me por dois meses para que eu vá, e desça pelos montes, chorando a minha virgindade com as minhas companheiras.
    38 Disse ele: Vai. E deixou-a ir por dois meses; então ela se foi com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade pelos montes.
    39 E sucedeu que, ao fim dos dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o voto que tinha feito; e ela não tinha conhecido varão. Daí veio o costume em Israel,
    40 de irem as filhas de Israel de ano em ano lamentar por quatro dias a filha de Jefté, o gileadita.

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    MONTALVÃO2 – deve estar se referindo a Jó 37:18: “Acaso podes, como ele, estender o firmamento, que é sólido como um espelho fundido?”. Conforme falei, os livros bíblicos não são opúsculos científicos. Quando discursam sobre ciência, relatam a ciência da época em que foram escritos. Meu comentário sobre Jó registrar que a Terra estava “apoiada no vazio”, não tencionava validar a “ciência” exposta na obra; intentou mostrar que o espaldo em textos bíblicos, feito por teólogos para condenaram cientistas, pode não ter sido realizado com a atenção necessária.
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    ARDIRUIM RESPONDENDO: Alguma vez esses teólogos foram além de superestimar certas citações bíblicas com validade científica e ESCONDER os textos contrários a isso ou usar das mais absurdas justificativas “científicas” para validá-los?
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    MALVADÃO3 – Essa é um tanto difícil de responder, teria de efetuar pesquisa e avaliar as diversas respostas e manifestações teológicas ao longo da história. Em princípio, dou-lhe razão.
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    MONTALVÃO2 – Esse “plano” de salvação – aceitar Jesus como salvador – é mais divulgado no meio protestante. No catolicismo o processo possui maior sofisticação. Existe, sim, a aceitação do sacrifício de Jesus, mas este tem ser conjugado com o cumprimento dos sacramentos, que mantêm o fiel na justa senda para chegar a Deus. Já refleti bastante sobre essa proposição: para “salvar-se” basta aceitar Jesus (considerando o discurso protestante). Então, eu me perguntava: será só isso? Sou um privilegiado, pois ouvi a mensagem, entendi e aceitei. E os milhões que nasceram antes de Cristo ir para a cruz? E os milhões que viveram, mesmo depois da crucificação, mas não conheceram o apelo de salvação? E os milhões que ouviram e não entenderam? E Marcos Arduin que, coitado, nasceu destituído da fé regeneradora? A resposta que encontrei (não definitiva) é que se Jesus veio realmente resgatar a humanidade, esse resgate tem ser amplo, geral e irrestrito, tem que abranger a todos, católicos, protestantes, espíritas, umbandistas, seixonoeístas, alquimistas, motoristas, tratoristas, ateístas, Marcos Arduin e todos os demais.
    É claro, alguém vai perguntar: e os grandes monstros que foram gerados? Hitler, Stálin, Pol Pot, Miloseviski, Átila… para esses não vai haver inferno? Não sei. Mas, admito que Deus punirá adequadamente os casos que requererem justiça. Felizmente, não cabe a mim decidir a sorte de ninguém.
    Pode, ainda, surgir outra indagação: então, não tem essa de aceitar Jesus? Se não, por que protestantes e católicos pregam isso? Minha resposta é: se for necessário decidir, acatar ou recusar a proposta divina; caso seja desse modo, em algum momento de nossa existência, seja cá, seja lá, seremos notificados clara e objetivamente do contrato, de modo que não reste a menor dúvida quando a escolha for feita.
    Quanto ao “sanguinário” sacrifício de Jesus (Deus matando Deus para saciar a ira divina), realmente soa aberrante, mas quando visto apenas no aspecto de penalidade: Deus precisava ser apaziguado para que não aniquilasse de uma vez por todas sua criação. Mas, se olhar de modo mais amplo, o quadro repudiável toma outra forma. Jesus não foi posto na cruz para “secar”. O resultado de seu sacrifício foi a rearmonização do projeto divino e Jesus recuperou suas prerrogativas divinas, das quais abrira mão para se mostrar aos homens como um deles, embora sempre conservando a consciência de sua origem.
    .

    ARDIRUIM RESPONDENDO: Só que para nós espíritas, Malvadão, isso não faz o menor sentido. Entendemos que Deus é um ente INATINGÍVEL pelos seres humanos. Ou seja, NADA DO QUE EU FAÇA será capaz de mudar o estado de espírito da Divindade. Entendemos que a Divindade é o máximo daquilo que podemos conceber como perfeito… e os espíritos nos alertaram: _ TUDO o que o homem imagina perfeito ESTÁ LONGE DA PERFEIÇÃO. Existem qualidades e atributos que DESCONHECEMOS em vista da nossa imperfeição. Dentro dos nossos limites, portanto, concebemos que Deus não pode se enganar. Logo ele não poderia ter criado nem diabos ou demônios e nem um casal mais burro que o Nosso Guia Mulla, casal esse incapaz de distinguir entre bem e mal, certo ou errado. Se a tal macieira lá do Jardim do Éden seria capaz de conceder-lhe essa capacidade, o lógico seria esperar que Deus os estimulassem a comê-la. Pretendia Deus ter parvos imbecis como sua “maior” criação? Só mesmo o Deus dos Cristãos, que pela Bíblia vejo que menos perfeito até do que o Nosso Guia Mulla…
    .
    MALVADÃO3 – meu jovem, essa aí vai dar assunto para longa digressão. Terei que voltar noutra oportunidade, pois meus dedos pedem descanso… Depois continuo…
    .

  238. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Márcio,

    A seguir, vão algumas considerações, ainda que um pouco tardias, a respeito de sua última mensagem. Como de costume, meus comentários após os “###”. Dei-me a liberdade de “expandir” seu texto. Vai ficar muito difícil para mim, nos próximos dois meses, por motivos de viagens e de trabalho, acompanhar o “blog” ou responder tempestivamente a questionamentos; por isso, espero que demoras sejam compreendidas. Qualquer erro de interpretação, por favor avise-me…

    Oi José Carlos e folks,

    ### Oi!

    Como você, eu também ia considerar o debate acima extinto, mas passagem pareceu-me tão contundente que não pude deixar de salientá-la, pois encerra efetivamente o cerne de nossa diferença: “O sr. pode tomar quantos “ensinamentos morais” de Jesus quiser; isso não fará do sr. um cristão, se o sr. ignorar justamente o cerne da mensagem cristã, e da missão de Cristo – o Seu sacrifício expiatório pelos pecados da Humanidade”.

    Parece haver algo de protestante na afirmação acima, mas em virtude da guinada da Igreja Católica, imagino que o atual Papa subscreva inteiramente essa posição, assim como você; todavia, a quantidade de dogmas implícitos na afirmação acima é tão grande que parece compreensível que uma parte substantiva da elite brasileira manifeste simpatia pela teologia de Kardec.

    ### Sr. Márcio, essa SEMPRE foi a doutrina da Igreja. A missão de Cristo, sem dúvida, incluiu milagres (porque a nossa fé não é perfeita, afinal…), e ensinamentos de cunho moral; mas o cerne, o principal, foi o Seu sacrifício expiatório, como creio inclusive que já mencionei noutras mensagens deste “blog”. E não vejo assim tantos “dogmas implícitos” – foi como foi, e como os cristãos, desde o início, encararam assim a situação. E sobre a elite brasileira, ela que faça o que quiser.

    A começar pela obrigação de crer no pecado original, do qual a humanidade precisava ser salva, feito este realizado por Jesus (ou ainda, sua versão mais ‘light’, para não enrubescer o devoto quando este fala do tema, a de que a humanidade possuía pecados para os quais o Senhor dos Exércitos exigia um bode expiatório – perdão, perdão pela ironia, não resisti… minha culpa, minha máxima culpa).

    ### Não consegui entender muito bem a sua linha de argumentação. Arriscarei apenas um comentário: a questão não se liga tanto ao pecado original (ou melhor, não apenas a ele), mas sim ao fato de que, no pecado (em qualquer pecado), Deus é sempre um dos ofendidos; e, sendo Deus infinito, nenhuma reparação do ser humano (que não é infinito, mas limitado; que não é Criador, mas criatura) seria suficiente. Por isso Jesus, plenamente Deus (e assim infinito) e plenamente homem (e assim da mesma natureza que nós pela carne, exceto no que diz respeito ao pecado), realizou um sacrifício expiatório único, suficiente para todo o sempre. A partir daí, desse Sacrifício (revivido em cada Missa), o antigo culto sacrificial quedou-se não apenas obsoleto, mas também revogado.

    Efetivamente, se essa for a condição para ser cristão, somente quem está disposto a suspender o juízo racional em face de seus dogmas pode realmente sê-lo. Ou talvez não: começo a gostar de Kardec um pouco mais, ao perceber que ele nos fez passar de ano, liberando-nos do jardim da infância.

    ### Não vejo “irracionalidade” na fé; creio que já discuti isso noutras mensagens deste “blog”. O sacrifício expiatório de Cristo é plenamente compreensível; é aliás, a única via para garantir ao ser humano a chance de entrar no Reino. Note bem, sr. Márcio, que tal sacrifício não nos exime de nossas obrigações: nem do arrependimento sincero, movido por razões sobrenaturais (condição para o perdão dos pecados), e nem da prática das boas obras (condição para a reparação dos pecados). Prefiro isso a uma série de “reencarnações” e a uma tal “lei do Karma”, ou “de causa e efeito”, que me pune por algo de que não me lembro, e de que não faço a mínima idéia… Prefiro me pensar como responsável pelo que fiz, e faço, AQUI, sobre o quê tenho controle, e do que conheço, no meu íntimo, minhas motivações e minhas falhas, do que por “algo” que não conheço, nem de que não me lembro, nem do que faço a mínima idéia. Jardim de infância por jardim de infância…

    Embora Kardec tenha errado ao ligar a reencarnação com a ressurreição, vale a pena dizer por que ele o fez: em sua filosofia da história, como um evolucionista, acreditava que o mais recente era o mais perfeito, e o passado, menos perfeito. Assim, parecia-lhe legítimo associar idéias de acordo com a cronologia de seu surgimento e seu grau d proximidade da perfeição. Portanto, o materialismo teria pouca verdade, a ressurreição mais verdade, e a reencarnação, a verdade completa. Moisés trouxe a primeira revelação, o cristianismo a segunda, e o espiritismo, a terceira, em graus… e assim p/ diante. Essa filosofia da história foi bem difundida p/ Comte e pelos positivistas, os três estágios da civilização etc., sendo uma precursora da outra, e por aí vai.

    ### Supondo que seja isso… então, é isso. Mas isso não é Cristianismo. Se o sr. pensa que toda essa justificativa é boa e coerente, então siga em frente. Eu penso que não é. Concordemos em discordar…

    Assim, é possível argumentar que Kardec entendia que a ressurreição não se associa simplesmente com a reencarnação, como “a mesma coisa”, como sugerem seus estudos, caro José Carlos, mas ele entendia que, diferentes, seriam idéias aproximáveis, porque uma seria precursora da outra, e a primeira, explicável a partir da última. Uma filosofia da história desacreditada hoje, sem dúvida, inclusive por mim, mas muito popular no XIX, q muito influenciou Kardec.

    ### Não sei… A mim me parece que Kardec quis equacionar “ressurreição” com “reencarnação”, a fim de poder utilizar a Bíblia, e a mensagem de Jesus, como justificativas para a sua visão espírita reencarnacionista (talvez tenha feito isso honestamente; talvez acreditasse realmente nisso; mas o fato é que isso é equivocado). Tal panorama, pelo menos, é o que pude deduzir do que li e pesquisei. Mas, claro, o sr. aventou uma nova, e interessante, hipótese de trabalho. Vá adiante, pesquise um pouco mais e demonstre isso…
    ###
    Assim, Kardec não deve ser apresentado nesse ponto como ignorante ou desonesto (em absoluto você o fez, caro José Carlos, não se trata aqui de nenhuma acusação, mas uma tentativa de explicação da fonte do erro de Kardec e de esclarecer que talvez ele não considerasse ressurreição e reencarnação simplesmente como a mesma coisa, mas, apesar de diferentes, em uma continuidade histórica e filosófica), mas como alguém fortemente fincado na filosofia científica de seu tempo, que transpôs essa filosofia p/ a teologia. Perdão se fui contundente ou ofensivo, + enfim, está dito…

    ### Eu não acredito que Kardec tenha sido ignorante, muito pelo contrário, era uma pessoa inteligente e intelectualmente bem preparada. Tenho evidências seguras disso. Não acredito também que ele tenha sido, ao menos em linhas gerais, “desonesto”; teve algumas posturas “duvidosas”, mas todos nós temos as nossas – ele era, sem dúvida, um apaixonado pelo que fazia, e o zelo pela construção dum edifício “racionalmente respeitável” concernente aos “fenômenos espíritas” pode tê-lo movido a algumas linhas de atuação atualmente difíceis de interpretar, ou mesmo, nalguns casos, de aceitar. Mas, dentro das circunstâncias, eu não o classificaria de “desonesto”.

    ### De todas essas posturas “difíceis de entender”, a que mais me espantou foi justamente a referente à necessidade da reencarnação para a evolução dos espíritos. Porque veja, sr. Márcio, os espíritos evocados, na época (falamos dos meados do séc. XIX) nos EUA e na Inglaterra, em sua esmagadora maioria, eram contrários à reencarnação, mesmo à reencarnação compulsória; e mesmo na França, havia uma escola espírita não-reencarnacionista, a de Pierart (diretor da “Révue Spiritualiste”, contrária à “Révue Spirite” de Kardec), o secretário do barão du Potet de Sennevoy, veterano pesquisador do “magnetismo animal”, na tradição de Mesmer. Ora, se o que interessava para o estabelecimento da doutrina espírita era (como frisava Kardec) o “consenso universal dos ensinamentos dos espíritos”, por que os ensinamentos dos espíritos “não-reencarnacionistas” (que podiam ser “minoria” na França, mas que eram esmagadora “maioria” nos EUA e na Inglaterra) não foram considerados? A mim me parece que, quanto a isso, Kardec e sua “entourage” já eram reencarnacionistas antes de serem espíritas, na tradição das idéias de Gotthold Ephraim Lessing e de seus seguidores franceses, Pierre Leroux (cf. “De l’Humanité”, 1840) e Jean Reynaud (cf. “Philosophie Réligieuse – Ciel et Terre”, 1854). Mas isso é outra história – e, talvez, mais um tema de pesquisa para o sr.

    ### Especificamente quanto à questão “ressurreição” x “reencarnação” em Kardec, o sr. aventou uma belíssima hipótese de trabalho. Se é que posso lhe dar algum conselho, creio que o sr. poderia tentar levar isso adiante. Daria uma boa tese, e, sem dúvida, apararia muitas arestas. O sr. pode não acreditar (muitos fanáticos aqui, claro, não acreditarão jamais), mas eu, sinceramente, gostaria que tais arestas fossem aparadas. Como já foi dito, “nunca se sabe exatamente por que porta a Sabedoria irá entrar”…

    ### E, por favor, não se desculpe. O sr. não foi ofensivo; e, quanto a ser contundente, isso é bom, desde que de forma civilizada. Se não podemos discutir divergências, ainda que profundas, de modo educado, então para quê serve essa tal de Civilização? Nada tenho a me queixar do sr. Abraços,

    JCFF.

  239. Marcos Arduin Diz:

    Malvadão, com relação a materializações, é o seguinte:
    1) NADA do que for apresentado agrada aos céticos. As formas materializadas variavam muito de acordo com o potencial do médium. As de Kate King pareciam formas humanas inteiras… E aí o pessoal cético vem dizer que nada provam, pois poderiam ser apenas pessoas disfarçadas.
    - As de Anna Prado pareciam pessoas também, mas em alguns casos, davam formas DESPROPORCIONAIS, de forma a revelar que NÃO SE TRATAVAM de pessoas disfarçadas de fantasmas… Mas aí o pessoal cético vem dizer que seriam marionetes bancando fantasmas.
    - As de Eva Carriere, pareciam formas planas de vários tamanhos… Mas aí o pessoa cético vem dizer que são bonecos grosseiros.
    Ou seja: não temos como agradar a essa gente.
    -
    2) Eu ficaria mais satisfeito se os experimentos feitos nos tempos antigos HOUVESSE sido devidamente refutados. Que o pessoal que diz que foram farsas circenses REPRODUZISSEM a tal farsa RESPEITANDO os protocolos e obtendo os exatos mesmos resultados. Mas tanto quanto eu saiba, isso NUNCA foi feito.
    -
    3) Até pior: o grande bam-bam-bam cético Massimo Polidoro precisou mentir para defender a fé cética. Ele escreveu um artigo sobre Ana Eva Fay, dizendo não ter dúvidas que um truque muito tosco teria sido feito e com isso ela enganou o William Crookes. Polidoro recorre até a fontes mentirosas em apoio ao seu ponto de vista.
    -
    4) Para a comunidade cética, a credibilidade de uma pessoa será maior quanto mais ela mentir em defesa da fé cética. Então aí vem um problema: de que adianta cientistas fazerem experimentos com médium de materialização? Se derem uma de repórteres do Cruzeiro, serão aclamados como gênios. Se derem uma de Waldo e 19 médicos, serão chamados de vendidos e farsantes. Fosse o James Randi que estivesse lá… ia ser tudo muito diferente!
    -
    5) No caso da Otília aí, você deve ter visto o e-mail, a própria revista informou a Chico e Waldo que eles seriam alvo de ataques. Para mim, se verdadeira essa declaração do Waldo, liquida-se o assunto. Os repórteres não estavam nem aí com a desmoralização de uma anarfa zero à esquerda e de um bando de médicos “zé-manés”: o alvo deles o tempo todo eram Waldo e Chico. Se os dois não estivessem lá, talvez nem saísse reportagem alguma.
    -
    É isso.
    Marcos

  240. Marcos Arduin Diz:

    De todas essas posturas “difíceis de entender”, a que mais me espantou foi justamente a referente à necessidade da reencarnação para a evolução dos espíritos. Porque veja, sr. Márcio, os espíritos evocados, na época (falamos dos meados do séc. XIX) nos EUA e na Inglaterra, em sua esmagadora maioria, eram contrários à reencarnação, mesmo à reencarnação compulsória; e mesmo na França, havia uma escola espírita não-reencarnacionista,
    -
    Zé Carlos, é o seguinte:
    1) O fato de um cara bater com as dez e seu espírito se ver livre da matéria NÃO IMPLICA QUE ELE FIQUE SABENDO DE TUDO imediatamente, ou mesmo muitos anos depois.
    -
    2) Os espíritos, portanto, PODEM PRESERVAR SEUS MESMOS CREDOS QUE TINHAM QUANDO ENCARNADOS. Assim então temos confrarias católicas, protestantes, judias, islâmicas e outras no mundo espiritual.
    -
    3) Portanto nada surpreendente que espíritos digam desconhecer ou mesmo renegar a reencarnação.
    -
    4) E também não se pode negar o GOSTO dos encarnados a respeito. Os anglo-saxônicos e europeus etnocêntricos jamais aceitaram a ideia de reencarnação, pois ela INEVITAVELMENTE leva à questão espinhosa de: mas um homem branco, cristão e rico pode vir a encarnar como uma mulher negra, pagã e pobre? O Espiritismo diz que sim… o orgulho europeu etnocêntrico diz que não. Assim, se um espírito ensinasse reencarnação, seria imediatamente repelido pelos etnocêntricos.
    -
    5) Edgar Cayce, médium americano, era visceralmente anti-reencarnacionista. E ficava abismado quando os consulentes que o procuravam diziam ter ouvido do espírito que ele incorporava que este tinha dito que tinham sido tal e qual em encarnação passada (a mediunidade de Cayce era psicofônica mecânica, ou seja, ele não tinha consciência do que o espírito dizia). Custou muito para ele engolir esse “sapo dendrobrata”.
    -
    É isso.

  241. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Arduin:

    Sinceramente, não gostaria de iniciar mais uma discussão polêmica; a observação foi posta “en passant”, na resposta a um internauta, sem qualquer intenção de gerar mais um fio de argumentação. Mas, já que o sr. se deu ao trabalho de a responder, então acrescento mais alguns comentários a respeito. Sigo suas ponderações; minhas considerações, como de costume, após o “###”.

    1) O fato de um cara bater com as dez e seu espírito se ver livre da matéria NÃO IMPLICA QUE ELE FIQUE SABENDO DE TUDO imediatamente, ou mesmo muitos anos depois.

    ### Se é assim, então NUNCA poderemos ter certeza do conteúdo de NENHUMA comunicação mediúnica. Isso vale tanto para as ignorantes almas “não-reencarnacionistas” quanto, também, para as ignorantes almas “reencarnacionistas”. Ou seja, de fato, quer uma posição, quer outra (segundo seu próprio raciocínio), é meramente arbitrária…

    2) Os espíritos, portanto, PODEM PRESERVAR SEUS MESMOS CREDOS QUE TINHAM QUANDO ENCARNADOS. Assim então temos confrarias católicas, protestantes, judias, islâmicas e outras no mundo espiritual.

    ### Esse argumento vale tanto para um lado quanto para o outro; e, aparentemente, não se aplicaria ao conjunto formado pelos EUA, pela França e pela Inglaterra. Todos esses países compartilhavam da mesma civilização ocidental, de raiz judaico-cristã. Se valesse o seu argumento, sr. Arduin, então teria de haver um consenso (claro, não necessariamente uma unanimidade, mas um bom consenso) entre as “almas” de todos esses lugares. O que não ocorreu. Isso é um fato. Nem católicos (majoritários na França) e nem protestantes (majoritários nos EUA), e nem anglicanos (na Inglaterra) eram reencarnacionistas. Então, por que os espíritos que se manifestavam a Kardec (mas não a Pierart), na França ainda majoritariamente católica, eram reencarnacionistas?

    3) Portanto nada surpreendente que espíritos digam desconhecer ou mesmo renegar a reencarnação.

    ### O problema é justamente a distribuição geográfica disso. Que alguns espíritos fossem “dissidentes” nesses lugares, mas dentro dum mesmo padrão, é algo até razoável. Mas por que o comportamento foi assim tão distinto e clivado? E mais, por que Kardec não levou isso em conta, e considerou, como bom pesquisador, a questão da reencarnação compulsória como “em aberto”? Percebe a dificuldade, sr. Arduin? No meu modo de entender a questão, me parece que considerar que os espíritos “reencarnam” ou “não” tinha mais a ver com os preconceitos dos “codificadores” do que, propriamente, com qualquer comunicação mediúnica real. O Espiritismo kardecista, a meu ver, foi codificado por um pequeno grupo de pessoas que já esposava idéias reencarnacionistas evolutivas ANTES dos fenômenos das irmãs Fox iniciarem – como se pode ver pelos autores que citei, Lessing e seus continuadores franceses; essas idéias estavam bem representadas num certo núcleo “urbano” e “burguês” na França, mas não na Inglaterra, e nem no Reino Unido; e justamente na França, surge o “dogma” (porque é um dogma) reencarnacionista… Estranho, não?

    4) E também não se pode negar o GOSTO dos encarnados a respeito. Os anglo-saxônicos e europeus etnocêntricos jamais aceitaram a ideia de reencarnação, pois ela INEVITAVELMENTE leva à questão espinhosa de: mas um homem branco, cristão e rico pode vir a encarnar como uma mulher negra, pagã e pobre? O Espiritismo diz que sim… o orgulho europeu etnocêntrico diz que não. Assim, se um espírito ensinasse reencarnação, seria imediatamente repelido pelos etnocêntricos.

    ### O sr. me desculpe, sr. Arduin, mas esse raciocínio me parece muito pobre. Os franceses eram tão “racistas” quanto os ingleses ou americanos. Todos esses povos compartilhavam uma mesma civilização, a ocidental, de matriz judaico-cristã; e, na época, todos se sentiam igualmente orgulhosos com relação a tal civilização e à “raça branca”; NENHUM deles gostaria de ser comparado a “raças inferiores” (e o próprio francês Kardec partilhava desse preconceito, como é sabido; basta ver suas declarações acerca da raça negra). Novamente: era a mesma matriz civilizacional; esperar-se-iam respostas “espirituais” ao menos semelhantes.

    5) Edgar Cayce, médium americano, era visceralmente anti-reencarnacionista. E ficava abismado quando os consulentes que o procuravam diziam ter ouvido do espírito que ele incorporava que este tinha dito que tinham sido tal e qual em encarnação passada (a mediunidade de Cayce era psicofônica mecânica, ou seja, ele não tinha consciência do que o espírito dizia). Custou muito para ele engolir esse “sapo dendrobrata”.

    ### Tudo bem; mas se Cayce era “visceralmente anti-reencanacionista”, Kardec pode ser, então, classificado como “visceralmente reencarnacionista”, já que não levou em conta FATOS que eram de seu conhecimento, ocorridos nas manifestações espíritas não apenas dos EUA e da Inglaterra, mas na própria França (escola de Pierart). Diante da dúvida (porque realmente havia uma dúvida; não eram apenas “alguns” espíritos que contradiziam a idéia reencarnacionista, eram MUITOS – a maioria em dois dos países nos quais iniciou-se o movimento do “New Spiritualism”), o melhor era deixar a questão em aberto, não? Ao contrário, Kardec e sua escola dogmatizaram pesadamente em cima dela. Novamente, a mim me parece que já esposavam tais crenças ANTES. Havia um clima na França (mas não na Inglaterra, e nem nos EUA) para isso. Mas, é claro, trata-se dum assunto fascinante, e que daria uma boa pesquisa. O sr., sendo um pesquisador cuidadoso e consciencioso, poderia, creio, investigar tal assunto, com vagar. Tenho bastante material a respeito, mas está ainda desordenado, e demorará alguns anos até que eu consiga checá-lo e pôr tudo em ordem.

    ### Abraços,

    JCFF.

  242. moizes montalvao Diz:

    SONIA DISSE: Montalvão:
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    Desculpe a intromissão, mas quem trouxe esse assunto à baila foi o Vitor. O blog é dele, não dos espíritas. Se ele está interessado apenas nos fenômenos mediúnicos, e não no lado moral do Espiritismo, como ele mesmo afirma, deveria tomar a iniciativa de pesquisar novos médiuns de efeitos físicos. Seria ele o novo cientista, encarregado de um trabalho notável, digno, consciencioso.
    -
    Mais uma coisa, Montalvão: tire suas dúvidas sobre materializações e/ou qualquer fenômeno mediúnico, estudando o assunto, com o mesmo afinco com que ataca o que não conhece.
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    COMENTÁRIO: Dileta Sonia. Não entendi leite integralmente seu escrito, portanto, se eu disser algo que não tenha a ver com coisa alguma, peço perdões mil.
    .
    O problema de pesquisar novos médiuns materializadores é que está cada vez mais difícil aparecerem. Tenho a impressão de que, na medida em que surgem meios eficientes de aferição, a mediunidade de efeitos físicos decresce. Isso é muito sintomático para a análise dessa fenomenologia. Some a isso que nem sempre o investigador dispõe de recursos para ir a qualquer canto e, às vezes, chegar lá para não ver nada. Outro problema é que, nos poucos eventos noticiados, quase sempre não se admitem pessoas estranhas, só os apologistas e crentes são acatados.
    .
    A conclusão é que se trata de classe de eventos fechada em torno de seus acreditadores e de difícil investigação.
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    Estou há vários meses negociando com um médium amigo minha participação em evento da espécie. Segundo ele, no centro onde desenvolve sua mediunidade, ocorrem sessões em que espíritos se materializam. Contudo, até o momento a autorização não veio. Caso consiga o favor, ainda terei de obter vênia para filmagens, gravações sonoras e, mais complicado ainda, vigiar o médium enquanto o processo se desenrola. Em outras palavras, pode ser autorizado apenas o acompanhamento visual da ocorrência sem qualquer possibilidade de controle. Por ora, nem isso foi possível obter.
    .
    E a história não acaba aí: se ficarem dúvidas na primeira experiência será imprescindível participar de outras, até que parecer seguro seja conseguido, seja para negar a veracidade do acontecimento, seja para confirmá-lo. Qualquer que seja a conclusão deverá estar adequadamente embasada.
    .
    Ao final das experiências, relatório com dados consistentes precisa ser emitido, de modo que quaisquer interessados no assunto possam conferir o que foi realizado e, se necessário, rever os pontos discutíveis.
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    Isso o que falei é apenas o básico. Outros procedimentos mais ou menos complexos podem ser necessários, dependendo do que se encontre no palco das experiências.
    .
    Se você conhecer médiuns que realizam tais feitos, informe, principalmente se forem receptivos à investigação.
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    Quanto ao seu conselho para que eu estude o assunto, você sabe que suas recomendações me são mui preciosas e tenciono segui-las à risca. Possuo algum material de pesquisa, o qual examino atenciosamente; mas se puder indicar fontes que considere adequadas para a perfeita compreensão desses casos, agradeço se as indicar.
    .
    Abraços aguardativos.

  243. Sonia N. Diz:

    Vitor:
    -
    Agora que vi o seu comentário, em resposta ao que eu havia dito ao Montalvão.
    -
    Se me permite, a ÚNICA pessoa a MENTIR DESCARADAMENTE é você. E, como um papagaio, repetindo sempre a mesma coisa, na tentativa de acreditar no que diz, mais até, do que tenta convencer aos outros.
    -
    A lenga-lenga é sua, porque não há contra-argumentação que não encontre de sua parte e de sus compañeros, respostas prontas, ou seja, a mesma lenga-lenga, repetida como papagaios treinados.
    -
    Você acha que vou perder meu tempo, dando informações, no mínimo, interessantes?
    -

  244. Vitor Diz:

    Isso, Sônia. FUJA de apresentar qualquer prova para o que você alega, forçando-nos simplesmente a acreditar em sua palavra. Infelizmente, sua palavra é muito pouco.

  245. Sonia N. Diz:

    Marcos Arduin:
    -
    José Carlos disse a Marcos Arduin:
    -
    _ “### Tudo bem; mas se Cayce era “visceralmente anti-reencanacionista”, Kardec pode ser, então, classificado como “visceralmente reencarnacionista”, já que não levou em conta FATOS que eram de seu conhecimento, ocorridos nas manifestações espíritas não apenas dos EUA e da Inglaterra, mas na própria França (escola de Pierart). Diante da dúvida (porque realmente havia uma dúvida; não eram apenas “alguns” espíritos que contradiziam a idéia reencarnacionista, eram MUITOS – a maioria em dois dos países nos quais iniciou-se o movimento do “New Spiritualism”), o melhor era deixar a questão em aberto, não? Ao contrário, Kardec e sua escola dogmatizaram pesadamente em cima dela. Novamente, a mim me parece que já esposavam tais crenças ANTES. Havia um clima na França (mas não na Inglaterra, e nem nos EUA) para isso. Mas, é claro, trata-se dum assunto fascinante, e que daria uma boa pesquisa. O sr., sendo um pesquisador cuidadoso e consciencioso, poderia, creio, investigar tal assunto, com vagar. Tenho bastante material a respeito, mas está ainda desordenado, e demorará alguns anos até que eu consiga checá-lo e pôr tudo em ordem###.

    Marcos, enquanto isso, ninguém encarna, né? Todos os processos evolutivos, arquivados. As leis divinas permanecerão em suspenso, até que o Sr. José Carlos coloque todo o seu material em ordem, para “definir” se a reencarnação é ou não uma realidade.
    -
    Estou impressionada, não só com o interesse expresso, como da humildade envolvida no processo.
    -
    Marcos, desculpe a intromissão, mas…

  246. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sra. Sônia N.,

    Quanto à sra., lembro-lhe que AINDA ainda estou esperando a sua resposta, referente àquelas suas duas fontes de consulta da brilhante “pesquisa” que a sra. fez. Aquela, que ia PROVAR que a Igreja Católica não valia nada. Essas duas fontes, que a sra. citou com tanta segurança para embasar seus argumentos, foram a sra. Mary Schultze, do “Centro de Pesquisas Religiosas” (e seu artigo “Fátima, a deusa do cascalho”; ver em http://www.maryshultze.com/articles.php), e o pessoal do texto sobre as concordatas da Igreja, do portal http://www.espada.eti.br. Lembra? Eu continuo esperando… eles também falaram algumas coisas sobre o Espiritismo. No que eles falaram sobre o Espiritismo, ELES ESTÃO CERTOS OU ESTÃO ERRADOS?

    Apenas responda à minha pergunta, sra. Sônia N., sem subterfúgios. Eles (a sra. Mary Schultze e o pessoal da “Espada”) estão certos ou estão errados no que pensam do Espiritismo? (A) “Sim, eles estão certos”; (B) “Não, eles estão errados”; por piedade, incluirei uma terceira opção: (C) “Não sei”. Responda, sra. Sônia N.

    JCFF.

  247. Sonia N. Diz:

    José Carlos:
    -
    Colei aqui o que respondi no outro tópico.

    “Não mexa com quem tá quieta!
    -
    Você tá querendo outro versinho?! Posso até tentar…
    -
    Mas, aí você vai correr pro Vitor, prá fazer queixa de mim, igualzinho da outra vez…” rsss
    -
    ___________________________________________________
    Mas, vou acrescentar mais uma coisinha:
    -
    Encontrar argumentos desairosos sobre a Igreja do Catolicismo Romano, em sites evangélicos ou comunistas, até se entende. É exatamente o que acontece aqui com o Espiritismo, constantemente atacado por vocês.
    -
    Mas, as incoerências absurdas que encontrei nos sites da própria Igreja do Catolicismo Romano, torna o assunto mais complicado para vocês, principalmente o senhor, que me desafiou a PROVAR que o Catolicismo Romano formou-se através da ganância e de poder.
    Aliás, isto seria redundância de minha parte, porque me parece que só o senhor não sabe disso.
    -
    Por isso, prefiro não fazer comentários…
    -
    As nossas pequenas “arengas” nos exercitam ao necessário “jogo de cintura”. Não quero passar disso.
    -

  248. Marcio Diz:

    Olá José Carlos,

    encerrando da minha parte, fico contente d vc ñ ter ficado chateado. Q bom, q bom, viva a civilização (e tb 1 pitadinha d boa formação na moral cristã)!!!
    -
    E chega desse papo. Continuarei lendo e aprendendo c/ os seus textos; tomara q vc estenda seu interesse crítico p/ outros campos do espiritismo, além dos livros d CXavier e Kardec.
    -
    Efetivamente, o espiritualismo ñ era reencarnacionista, e o Kardecismo se deve a Kardec, e ñ a médiuns recebendo mensagens similares p/ toda parte. O critério do controle universal dos ensinamentos dos espíritos nasceu teórico e assim ficou sempre.
    -
    Mas o XIX ñ era democrático mesmo, vide Marx e ttos outros. Qdo o debate é democrático, veja vc qto calor e pouca luz se faz em busca d algo c/ 1 neoespiritismo.
    -
    A quase necessidade da encarnação p/ a evolução é, creio, 1 tentativa d explicar o pq deste mundo. Se a encarnação ñ fosse a condição da evolução, ou ao – a principal condição da evolução (sempre houve 1 debate sobre isso no espiritismo), pq o mundo material existiria (sempre na perspectiva d Kardec)? Devemos lembrar q Kardec concebe o mundo espiritual c/ primordial e Deus c/ muito parcimonioso, c/ vemos no caso dos mundos habitados: Kardec infere a existência d vida material em todos os orbes pq Deus ñ trabalha em vão.
    -
    Olá Sonia,
    mal acabei d escrever o comentário no outro post sobre a cosa nostra e a história d alguns dirigentes do espiritismo brasileiro e realmente tb achei q exagerei.
    -
    P/ pior q tenha sido a conduta d alguns dirigentes, ñ são agrupamentos comparáveis. A cosa nostra é 1 organização dedicada ao crime, sistematicamente, estaria + p/ os agrupamentos d obsessores c/ os quais deparamos em nossas reuniões d desobssessão, e aos quais solicitamos reconsideração.
    -
    Entre o bem avançado e o crime organizado, estaríamos exatamente onde Kardec nos colocou, c/ espíritos em regeneração (admitindo, claro, os pressupostos da doutrina), uns + cheios d truques e outros + ingênuos.
    -
    Qto ao restante, depois da citação da cosa nostra, eu mantenho. Saiba q, tv, insisto no tv (pq ñ conheço vc, creio), eu tenha + anos d espiritismo & sessões d desobsessão q vc d vida, cara jovem (?).
    -
    As críticas q elaboro ou aceito ñ são feitas p/ alguém d fora nem descompromissadas – tive meus anos d euforia chiquista, preguei aos amigos, li e reli essas obras, sorvi cada letra delas. Só a maturidade intelectual permitiu q eu visse as coisas d modo racional, s/ deixar d apreciar o gde horizonte aberto pelo espiritualismo.

  249. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sra. Sônia N:

    De si não quero versos risíveis, quero apenas respostas.

    Aliás, todos sabemos da” profundidade” de suas análises. Afinal, era a sra. que ia pomposamente PROVAR, diante de todos os leitores do “blog”, que a Igreja Católica formou-se a partir da ganância e do poder… e deu no que deu. Foi a sra. que disse que o período coberto por “Há Dois Mil Anos” era muito mal documentado… e deu no que deu. É a sra. que, desonestamente, insiste no fato de que se despreza o aspecto social das obras de Xavier, ou por ele influenciadas, quando nada disso fazia parte da discussão original.

    Nada do que afirmei aqui, afirmei gratuitamente (ao contrário da sra.). De minha parte, não há, e nem nuna houve, ataque gratuito ao Espiritismo, muito menos a Xavier. Quem desviou o assunto, da questão da historicidade de Lêntulo/Emanuel para religião, moral e obras de Chico Xavier, não fui eu, foi a sra – coisas de chicólatra fanática, que é o que a sra. é. Foi a sra. que começou isso tudo. Portanto, é justo que eu queira suas respostas.

    Assim, sra. Sônia N, eu continuo insistindo em sua resposta (claro, a sra. nunca a dará, a vergonha é muita, mas continuarei insistindo): os dois portais que a sra. citou como evidência da podridão da Igreja Católica, o da sra. Mary Schultze, e o do pessoal da “Espada”, ESTÃO CERTOS OU ESTÃO ERRADOS NO QUE FALAM A RESPEITO DO ESPIRITISMO?

    JCFF.

  250. Gilberto Diz:

    Arduin, essa história de que a ciência não vale pro espiritismo, e há outras formas de vida que podem sobreviver a 1 milhão de megatons explodindo na cara realmente não cola. Seres “menos densos” e outras dimensões então, sem prova, não dá. Os espíritas vivem revertendo o ônus da prova. Não dá pra provar que NÃO HÁ uma raça de seres que sobreviva a 1 milhão de megatons explodindo na cara! Dá pra provar o contrário. Mas é claro que aí caímos na ciência que o espiritismo desaprova, apesar de desesperadamente se agarrar a ela para explicações “lógicas” de seus feitos sobrenaturais. Se Kardec disse que o espiritismo é ciência, então ele tem que aceitar os ditames da mesma. Mas nem precisa responder, por favor. Já sei a resposta. Vou navegar um pouco no “Babado”.

  251. Marcos Arduin Diz:

    Sr. Arduin:

    Sinceramente, não gostaria de iniciar mais uma discussão polêmica; a observação foi posta “en passant”, na resposta a um internauta, sem qualquer intenção de gerar mais um fio de argumentação. Mas, já que o sr. se deu ao trabalho de a responder, então acrescento mais alguns comentários a respeito. Sigo suas ponderações; minhas considerações, como de costume, após o “###”.
    — Suprimi as minhas colocações anteriores para não sobrecarregar o texto.
    .
    ### Se é assim, então NUNCA poderemos ter certeza do conteúdo de NENHUMA comunicação mediúnica. Isso vale tanto para as ignorantes almas “não-reencarnacionistas” quanto, também, para as ignorantes almas “reencarnacionistas”. Ou seja, de fato, quer uma posição, quer outra (segundo seu próprio raciocínio), é meramente arbitrária…
    .
    Zé Carlos, isso é EXATAMENTE o que me deixa confortável no Espiritismo: a NÃO-CERTEZA. Os cristãos me oferecem uma obra afiançada como sendo o PRÓPRIO DEUS, EXATA E INFALÍVEL, ABSOLUTAMENTE VERDADEIRA EM TUDO SOBRE O QUE SE MANIFESTA. Mas ao analisar essa dita obra, a tal de Bíblia Sagrada, noto contradições em relação à realidade, absurdos morais, lendas e contos da Carochinha… Como posso aceitar essas coisas como verdades infalíveis?
    .
    É aí que no Espiritismo é dito NÃO SER DONO DA VERDADE. O que temos são ensinos e revelações DOS ESPÍRITOS, que, ao contrário do Deus dos Cristãos e de seus profetas, NÃO SÃO INFALÍVEIS, NEM DONOS DA SUPREMA SABEDORIA E MORALIDADE. É como receber ensinamentos e revelações de turistas que visitaram outro país. Eles têm a visão COMPLETA do país que visitaram? Não! Só viram algumas coisas e mais nada. Relatam suas experiências. Assim também são os espíritos: eles nos relatam suas experiências. A experiência de um espírito X será distinta da do espírito Y. Assim, portanto, temos todo o direito de usar do nosso raciocínio, perspicácia e tudo o mais para aceitar ou rejeitar os ensinamentos dos espíritos. Tal como Kardec fez.

    ### Esse argumento vale tanto para um lado quanto para o outro; e, aparentemente, não se aplicaria ao conjunto formado pelos EUA, pela França e pela Inglaterra. Todos esses países compartilhavam da mesma civilização ocidental, de raiz judaico-cristã. Se valesse o seu argumento, sr. Arduin, então teria de haver um consenso (claro, não necessariamente uma unanimidade, mas um bom consenso) entre as “almas” de todos esses lugares. O que não ocorreu. Isso é um fato. Nem católicos (majoritários na França) e nem protestantes (majoritários nos EUA), e nem anglicanos (na Inglaterra) eram reencarnacionistas. Então, por que os espíritos que se manifestavam a Kardec (mas não a Pierart), na França ainda majoritariamente católica, eram reencarnacionistas?
    .
    O lance aqui, Zé Carlos, é que os tais espíritos trouxeram a Kardec uma revelação, o ensinamento reencarnacionista. O próprio Kardec disse que o repeliria SE FOSSE ILÓGICO. Mas aí é que veio o detalhe: tal ensinamento É LÓGICO e respondia a uma série de questões que o Cristianismo NÃO É CAPAZ DE DAR RESPOSTA SATISFATÓRIA. Por isso Kardec o aceitou. E ao contrário dos profetas bíblicos, que diante de uma revelação do Divino só podiam dizer MUUU!, Kardec quebrava o pau com os espíritos. Discutia com eles. Se a coisa que queriam ensinar não estava bem explicada, ele ou rejeitava ou deixa o ensinamento de quarentena.

    ### O problema é justamente a distribuição geográfica disso. Que alguns espíritos fossem “dissidentes” nesses lugares, mas dentro dum mesmo padrão, é algo até razoável. Mas por que o comportamento foi assim tão distinto e clivado? E mais, por que Kardec não levou isso em conta, e considerou, como bom pesquisador, a questão da reencarnação compulsória como “em aberto”? Percebe a dificuldade, sr. Arduin? No meu modo de entender a questão, me parece que considerar que os espíritos “reencarnam” ou “não” tinha mais a ver com os preconceitos dos “codificadores” do que, propriamente, com qualquer comunicação mediúnica real. O Espiritismo kardecista, a meu ver, foi codificado por um pequeno grupo de pessoas que já esposava idéias reencarnacionistas evolutivas ANTES dos fenômenos das irmãs Fox iniciarem – como se pode ver pelos autores que citei, Lessing e seus continuadores franceses; essas idéias estavam bem representadas num certo núcleo “urbano” e “burguês” na França, mas não na Inglaterra, e nem no Reino Unido; e justamente na França, surge o “dogma” (porque é um dogma) reencarnacionista… Estranho, não?
    .
    Não entendi muito bem o que é o tal problema geográfico. Kardec recebeu uma revelação que achou lógica e daí codificou o ESPIRITISMO. Já outros entenderam haver comunicações espirituais, mas a eventual revelação reencarnacionista não encontrou eco entre eles. Ficou até uma situação gozada nos dias de hoje: há os ESPIRITUALISTAS, que aceitam a realidade de comunicações espirituais, mas rejeitam a reencarnação; e grupos REENCARNACIONISTAS, mas que rejeitam comunicações espirituais.

    ### O sr. me desculpe, sr. Arduin, mas esse raciocínio me parece muito pobre. Os franceses eram tão “racistas” quanto os ingleses ou americanos. Todos esses povos compartilhavam uma mesma civilização, a ocidental, de matriz judaico-cristã; e, na época, todos se sentiam igualmente orgulhosos com relação a tal civilização e à “raça branca”; NENHUM deles gostaria de ser comparado a “raças inferiores” (e o próprio francês Kardec partilhava desse preconceito, como é sabido; basta ver suas declarações acerca da raça negra). Novamente: era a mesma matriz civilizacional; esperar-se-iam respostas “espirituais” ao menos semelhantes.
    .
    De novo caímos na situação de se rejeitar um ensinamento não por ser lógico, mas por ser espinhoso. Kardec NÃO FEZ RESTRIÇÕES QUANTO À QUESTÃO DE REENCARNAÇÃO EM QUALQUER SEXO, RAÇA, POVO OU CONDIÇÃO SOCIAL. Quanto à questão de Kardec x negro, carregam-se demais nas tintas para tê-lo do que atacar em vista do politicamente correto de hoje. Baseado no que dizia a Ciência de sua época, Kardec tinha por conta de que os negros seriam uma raça inferior, com capacidades cognitivas e intelectuais inferiores. Daí, tal como Tomás de Aquino, que “cristianizou” o Aristóteles e fundou a Escolástica, Kardec viu aí algo lógico: se o negro é física e intelectualmente inferior aos brancos, então é de se supor que espíritos inferiores reencarnem neles.
    .
    Mas esse pensamento, QUE ERA OPINIÃO DE KARDEC, caducou diante da realidade MUITO POSTERIOR À SUA MORTE. Quando negros passaram a lutar pelos seus direitos e mostraram-se igualmente inteligentes e iguais aos brancos em tudo, o que Kardec pensava perdeu o sentido. E felizmente, tal pensamente NUNCA teve qualquer repercussão entre os espíritas.

    ### Tudo bem; mas se Cayce era “visceralmente anti-reencanacionista”, Kardec pode ser, então, classificado como “visceralmente reencarnacionista”, já que não levou em conta FATOS que eram de seu conhecimento, ocorridos nas manifestações espíritas não apenas dos EUA e da Inglaterra, mas na própria França (escola de Pierart). Diante da dúvida (porque realmente havia uma dúvida; não eram apenas “alguns” espíritos que contradiziam a idéia reencarnacionista, eram MUITOS – a maioria em dois dos países nos quais iniciou-se o movimento do “New Spiritualism”), o melhor era deixar a questão em aberto, não? Ao contrário, Kardec e sua escola dogmatizaram pesadamente em cima dela. Novamente, a mim me parece que já esposavam tais crenças ANTES. Havia um clima na França (mas não na Inglaterra, e nem nos EUA) para isso. Mas, é claro, trata-se dum assunto fascinante, e que daria uma boa pesquisa. O sr., sendo um pesquisador cuidadoso e consciencioso, poderia, creio, investigar tal assunto, com vagar. Tenho bastante material a respeito, mas está ainda desordenado, e demorará alguns anos até que eu consiga checá-lo e pôr tudo em ordem.

    Como já disse, Zé Carlos, o que levou Kardec a aceitar a reencarnação foi a sua LÓGICA. Seria interessante saber que respostas davam os espíritos não-reencarnacionistas às questões que Kardec levantava e que não eram bem respondidas pela fé cristã.
    ### Abraços,

    JCFF.
    Outros, Marcos

  252. Sonia N. Diz:

    José Carlos:
    -
    Você deveria me agradecer. Quando eu apareci por aqui, há uns dois meses, você e sua pequisa, estavam restritos ao tópico do “Há dois mil anos”. Ninguém te conhecia. Só o Carlos Magno, de vez em quando, dava uns cutucões. Aí eu comecei a trocar mensagens com você. E depois, disso, você deslanchou… virou celebridade. Hoje você ocupa lugar de destaque no blog do Vitor, com vários tópicos assinados por você. O que mais você quer de mim, Javert?
    -
    Você viu? O feitiço virou contra a feiticeira…

  253. Sonia N. Diz:

    Dileto Montalvão:
    -
    Em primeiro lugar, o termo exato é “médium de efeitos físicos” (e não médium materializador). A materialização encontra lugar de destaque entre os fenômenos mediúnicos, porque é a comprovação por excelência da realidade espiritual, pois, pode ser comprovada por qualquer pessoa que esteja presente ao local. Já foi dito exaustivamente aqui, que qualquer fenômeno mediúnico tem a única finalidade de mostrar que a vida continua após a morte física e que ela é ainda mais intensa do que a vida na matéria. Não é diversão para quem não tem o que fazer da vida. Este fenômeno tem decrescido à medida em que a doutrina reencarnacionista se efetiva, através de outros meios doutrinários que tenham menos riscos, tais como, a psicofonia e a psicografia, popularizada, principalmente através da mediunidade de Chico Xavier.
    -
    O fato de estarem restritas aos espíritas e simpatizantes, tanto no passado, quanto no presente, se explica. Qualquer setor da vida, exige condições específicas de preservação, manutenção e restauração. Senão, vejamos: nenhum médico idôneo elegeria o lixão como lugar ideal para realizar cirurgias. Nenhuma cozinheira lavaria verduras e legumes dentro do vaso sanitário. Nenhuma mãe daria uma mamadeira de cachaça para o seu bebê. Enfim, tudo tem seu lugar, suas necessidades e sua hora.
    Além de não conhecermos, exatamente, os mecanismos que fazem acontecer este fenômeno, eles também acontecem de formas diferentes, por diferentes médiuns. Alguns materializam figuras inteiras, perfeitas, que caminham, conversam e tocam os circunstantes, como qualquer pessoa “viva”. Outros, materializam partes do corpo: mãos, pés, flores e outros objetos. Em alguns casos, as materializações são parciais, mostrando apenas um rosto perfeito, envolvido por ectoplasma. Já aconteceram materializações diminutas (figuras de adultos minimalizadas). Materializações de crianças também aconteceram, com freqüência. E até mesmo de aparelhos com finalidades terapêuticas.
    De acordo com algumas informações espirituais, o ectoplasma “dorme” no núcleo da célula do ser humano. Todos o possuem. Entretanto, apenas alguns (os médiuns) o possuem em quantidade e com capacidade de ser “exsudado”, em condições especiais, dando oportunidade ao fenômeno em si. Da mesma forma que precisamos revelar um filme fotográfico no escuro, senão ele vela, o ectoplasma “vela”, “queima”, na claridade. Por isso, a necessidade da penunbra. Ao que parece, o ectoplasma liberado através do orifícios do corpo do médium, ao entrar em contato com o ar, condensa-se, semelhando-se a uma espuma densa, com cheiro e cor característicos. É mais ou menos o que acontece com a espuma de barba, em spray, ao sair da embalagem.
    Os riscos, vou ilustrar com um fato acontecido com pessoa muito próxima. Meu sogro era ateu até meados da década de 50, quando foi convidado a participar de uma sessão de materialização em um Centro Espírita, em São Paulo, convertendo-se então, ao Espiritismo. Foi avisado com antecedência dos cuidados necessários à participação. Não poderia fumar, beber alcoólicos, comer carne e nem ter relações sexuais, durante os três dias que antecedessem as materializações. Deveria tomar bastante água, procurar manter os pensamentos positivos e na noite marcada, fazer uma refeição ligeira, três horas antes do ínicio da sessão. Meu sogro contou que havia muitos convidados naquela noite, alguns comunistas, e tão descrentes quanto ele.
    -
    A sessão foi iniciada após uma prece de abertura, estando já o médium devidamente instalado em sua cabine, adormecendo logo em seguida. Depois de um tempo, surgiu uma entidade masculina, cumprimentou a todos, colocou um disco na vitrola por breves momentos e depois, a pedidos do dirigente da sessão, aproximou-se para cumprimentar um por um, fraternalmente. De súbito, um dos assistentes agarrou-lhe fortemente a mão, pensando em desmascarar a fraude. O espírito desmanchou-se em suas mãos e o médium, no mesmo instante, começou a gemer desesperadamente na cabine. As luzes se acenderam, desataram o mais rápido possível as suas amarras e, em meio ao desespero que se formou, levaram-no quase sem vida ao hospital. Conseguiram salvá-lo, mas nunca mais recuperou a saúde.
    -
    É por isso, que essas sessões são realizadas quase que exclusivamente por espíritas e simpatizantes, porque existem regras que DEVEM ser seguidas, em razão dos riscos que o médium corre de perder a saúde e a vida em um desses experimentos, realizados por pessoas debochadas, “metidas a besta”, que não respeitam os outros e as leis do espírito, que são totalmente diferentes das leis da matéria. Que pensam que mandam nos espíritos, como em seus empregados e que o Espiritismo precisa deles para existir ou para se firmar. Ciência significa conhecimento e adquiri-lo não significa escarnecimento ou não cumprimento de certos requisitos. Nos laboratórios onde se fabricam remédios não entra ninguém sem roupa adequada e esterilizada. Você diria que é uma exigência idiota, ou que eles estão escondendo alguma coisa?
    -
    Quanto a médiuns de efeitos físicos, não conheço nenhum. Mesmo porque não tenho qualquer interesse nesse sentido. Em minha opinião, a mediunidade já cumpriu o seu papel. Agora é por nossa conta; já temos material farto para estudos. O que não muda em nada o fato de haver médiuns autênticos e dedicados às suas responsabilidades.
    -
    Um grande abraço fraternal

  254. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sra. Sônia N:

    Acredite em mim, essa “fama” (se é que existe) não me diz absolutamente nada, não me vale absolutamente nada. Os dois únicos diálogos que gostaria de ter travado, não os travei ainda.

    JCFF.

  255. Eduardo Diz:

    Entendi que: “O objetivo deste site é analisar cientificamente livros ou mensagens ditos “psicografados”".
    Bom…
    E, o que é ciência?
    Penso que podemos dizer que “ciência é o esforço para descobir e aumentar o conhecimento humano de como a realidade funciona.” (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia).
    Portanto, quando partimos de crenças pré formadas não iremos praticar ciência verdadeira e não chegaremos em nenhum lugar.
    Vejo que quando acreditamos em algo, lutamos para torná-la verdadeira. Pois, se não for tudo e todo o nosso mundo que se baseava nela desmorona. Então, discussões desse tipo são sem proveito.
    Eu acredito na mediunidade e na mediunidade do Chico Xavier. E, também, acredito que nós, homens, temos falhas e partir dos erros para justificar que algo não tem valor é começar de forma errada. E, penso que se o Chico Participasse dessa discussão, ele nos diria para “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximos como a nós mesmo”. E, não foi isso que Jesus nos ensinou?
    Se queremos um planeta repleto de amor não devemos repetir os mesmos erros de antes, só que agora usando de tecnologia.
    Penso que cada um de nós devemos orar por um mundo melhor e pedir ao alto que nos envie as verdades divinas sem termos que nos confrontarmos (novamente) e sim nos respeitarmos. Pois, assim emanaremos mais amor em nosso planeta.
    Que a paz de Deus sempre pulse nos nossos corações.

  256. Gilberto Diz:

    Por favor, amigos psicógrafos, me ajudem com a minha pesquisa. Por favor, psicografem Mazzaroppi e me tirem essa dúvida: ele era ou não era baitola? Preciso entregar um manuscrito até quarta e preciso dessa informação. Quem puder me ajudar, obrigado. (Será que um dos diálogos que o JCFF queria travar era com o Mazzaroppi? Acho que Mazzaroppi se tornou espírita. Principalmente depois do filme “Jeca Macumbeiro”, onde ele recebia o “Caboclo Chupa-Rolha”!! )

  257. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Arduin:

    Bem, cada um tem as suas predileções, ou a sua visão do mundo. Quanto a mim, não me agrada nem um pouco essa “não certeza” que o sr. comenta. Se é assim, então para quê consultar os espíritos? Comamos e bebamos, porque, “do lado de lá”, tudo é incerto, e o que se diz hoje pode se mudar amanhã!… Pessoalmente, creio que as coisas “do lado de lá” (supondo que haja mesmo um “do lado de lá”) são dum determinado modo, e pronto. Por exemplo, reencarnamos ou não reencarnamos – e isso desde sempre. Há ou não há uma “lei de causa e efeito” – e isso desde sempre. Há ou não há um Inferno – e isso, também, desde sempre. Se é para se mudar tudo a cada nova “revelação”, então… Como guiar nossos passos, aqui, diante da perspectiva dum “além” absolutamente incognoscível e, pior, potencialmente movediço?

    Quanto ao “argumento da lógica”, eu pergunto: lógica DE QUEM? E o que é que nos garante que a nossa lógica “humana” é a Verdade? Quando julgamos, pela nossa lógica, o Além, estamos, de fato, assumindo o lugar de Deus, pronunciando-nos (nós, limitados) sobre o Absoluto. Isso é um pecado gravíssimo – é um pecado de soberba, de orgulho, da criatura se querer fazer Criador, e de querer dobrar as realidades metafísicas àquilo que ela, limitada, considera “lógico”. É uma das manifestações do “pecado contra o Espírito”, que não terá perdão, nem nesta vida, nem na outra.

    E, de qualquer modo, se a nossa “lógica” é tudo o que importa, e guiaremos nossos julgamentos e nossas ações por ela, PARA QUÊ CONSULTAR OS ESPÍRITOS? Não importa o que digam – se estiverem “de acordo” com o nosso figurino, OK; se não, os descartamos. Ora, se é assim, então não precisamos deles para nada. Somos auto-suficientes, calidamente relaxando nas nossas “Jaccuzzis” de lógica… Podemos construir nossos sistemas filosófico-religiosos tranquilamente, sem necessidade de nenhuma interferência dos “espíritos”. Como foi o caso de Lessing e de seus discípulos franceses, Leroux e Reynaud (dentre outros). Eles construíram uma bela teoria reencarnacionista evolutiva, sem necessitarem, aparentemente, de nenhuma sessão mediúnica.

    Bem, é isso o que penso. Mas, claro, o assunto é bastante fértil, tanto do ponto de vista da investigação histórica quanto de considerações metafísicas. Quisera eu ter mais tempo para me dedicar a isso…

    Abraços,

    JCFF.

  258. Marcos Arduin Diz:

    Sabe, Zé Carlos, aquilo que disse como não-certeza não significa não-verdade. Significa revelações, porém que não têm um aval de INFABILIDADE, tal como têm o papa e a Bíblia. Essa não-certeza apenas quer dizer que, se no futuro uma nova realidade surgir e fizer caducar o que foi dito, apenas nos adaptamos a ela.
    .
    É como o exemplo que dei do suposto racismo de Kardec. A realidade DA SUA ÉPOCA permitia aquela interpretação. Mas a realidade da NOSSA ÉPOCA provou que ela não era válida. Então foi abandonada… ou talvez devesse dizer: NUNCA FOI LEVADA A SÉRIO.
    .
    Que fez a Santa Madre Igreja Católica quando ficou claro que o sistema Geocêntrico estava falho? Lutou com unhas, dentes, torturas e fogueiras piedosas para mantê-lo em pé até ser finalmente forçada a capitular… No Espiritismo não temos necessidade disso.
    .
    A ÚNICA lógica que temos disponível é a lógica humana, meu caro. E pretender que essa lógica está proibida de se pronunciar sobre o Além é coisa lá para Santo Roberto Bellarmino se pronunciar. Já que o seu Deus não foi capaz de nos passar uma mensagem CLARA E OBJETIVA, que respondesse a TODAS as nossas dúvidas e questões, então não reclame se a mensagem deixada é acusada de ser duvidosa. E não temo ameaças vindas do seu Deus.
    .
    Quem disse que CONSULTAMOS os mortos? Consultar os mortos seria para saber o resultado da loteria, como tirar o marido da outra, como se livrar de desafeto… Isso é comum em certos cultos afro-católicos, mas no Espiritismo tais coisas NÃO SÃO ACEITÁVEIS. O que “consultamos” são sobre coisas que podem nos ajudar espiritualmente.
    .
    É isso

  259. SeriousBusiness Diz:

    JCFF disse:
    -
    Quanto ao “argumento da lógica”, eu pergunto: lógica DE QUEM? E o que é que nos garante que a nossa lógica “humana” é a Verdade? Quando julgamos, pela nossa lógica, o Além, estamos, de fato, assumindo o lugar de Deus, pronunciando-nos (nós, limitados) sobre o Absoluto.
    -
    —————–
    -
    Muito bom! Agora pegue isso e aplique a si mesmo, incluindo a sua própria crença…

  260. Sonia N. Diz:

    Serious:
    -
    “Bingo e Linha”
    -
    Aplausos

  261. Sonia N. Diz:

    Graças Senhor, por ele não ter mais tempo para “isso”…

  262. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    -
    Recebi uma “comunicação do Mazzaroppi prá você:
    -
    “Manda o Giba prantá mandioca, sô”
    -

  263. moizes montalvao Diz:

    ARDUIN,
    .
    Permita só um pitaquinho: “Edgar Cayce, médium americano, era visceralmente anti-reencarnacionista. E ficava abismado quando os consulentes que o procuravam diziam ter ouvido do espírito que ele incorporava que este tinha dito que tinham sido tal e qual em encarnação passada (a mediunidade de Cayce era psicofônica mecânica, ou seja, ele não tinha consciência do que o espírito dizia). Custou muito para ele engolir esse “sapo dendrobrata”.
    .
    MONTALVÃO COMENTA: então, já enguliu o sapo caiceano? Perigo, perigo…
    .
    Se entendi bem sua postulação, Cayce seria reencarnacionista dormindo e contrarreencarnacionista acordado… Teria continuado tal até o fim de sua onírica existência? Será que o id dorminhoco, em qualquer tempo, não converteu o ego vigilante?
    .
    Li algumas coisas sobre Cayce há alguns anos, mas ria tanto que tive de parar. Se mal me lembro, parece que não havia espírito na parada caiceática: o bruto dormia e dizia o que lhe ia na mente doentia, fosse noite, fosse dia. Dessa, digo, daquela imaginação supimpa brotaram múltiplas reencarnações atlantes: todos os desembestados que consultavam o médium soneca fatalmente teriam vivido em Atlantida, alguns eram partidários da “lei do um”, os demais adeptos dos “filhos de belial”. Estes dois grupos viviam se comendo (oralmente) e quem não tava dum lado tava doutro.
    .
    Portanto, sugiro que cuspa rapidinho esse sapo venenoso. A não ser que seu interesse seja somente divertir-se. Neste caso, está no lugar certo: Cayce é garantia de boas gargalhadas.
    .
    Os filhos de belial mandam lembranças caiceanas.

  264. Sonia N. Diz:

    Montalvão:
    -
    Você viu minha resposta a você, lá em cima?
    -
    Espero ter-me expressado claramente. Mas, qualquer dúvida, estou ás ordens.
    -
    Amplexus no psicossoma (como diria Vi-Waldo Vieira)

  265. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    O sr. Serious Business comentou o seguinte:

    “JCFF disse:

    Quanto ao “argumento da lógica”, eu pergunto: lógica DE QUEM? E o que é que nos garante que a nossa lógica “humana” é a Verdade? Quando julgamos, pela nossa lógica, o Além, estamos, de fato, assumindo o lugar de Deus, pronunciando-nos (nós, limitados) sobre o Absoluto.

    Muito bom! Agora pegue isso e aplique a si mesmo, incluindo a sua própria crença…”

    Até aqui, o sr. Serious Business. Quanto a isso, comento:

    É o que procuro fazer, sr. Serious Business – aplicar tais princípios a mim mesmo. Creio que, na maioria dos casos, com algum sucesso (embora, claro, sempre ocorram escorregões); mas sempre com o máximo de boa-vontade. Quanto a aplicar tal princípio em minha própria crença, digo-lhe que tal princípio JÁ FAZ PARTE de minha crença, e é por ele que tento me guiar. Nossa lógica é limitada, porque somos limitados. O próprio Apóstolo disse: “O amor [caridade] jamais passará; as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência também desaparecerá. Pois o nosso conhecimento é limitado; limitada é também a nossa profecia. Mas, quando vier a perfeição, desaparecerá o que é limitado” (1a carta aos Coríntios, cap. 13, vers. 8-10). Por isso minha crença aceita, integral e humildemente, a Revelação divina. Imutável. Ela pode ser melhor ou pior compreendida, ela pode ser mais bem desenvolvida em termos de argumentação (e isso é o campo da teologia), mas seu “núcleo duro” de moral e de revelação da natureza divina é imutável. Por conservar sem alteração tal “núcleo duro”, inclusive, a Igreja a que pertenço é, quase sempre, acusada de “ultrapassada”, “fanática”, “obscurantista”, ou coisa pior. Quanto a isso, não negociamos com modas, nem impomos a tal revelação nossa “lógica”. Portanto, sr. Serious Business, como o sr. pode ver, nosso negócio é, de fato, sério. Sds,

    JCFF.

  266. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Arduin:

    Tendo em vista seus últimos comentários, julgo-me no dever de acrescentar algumas (últimas) considerações. Como de costume, após o “###”.

    Sabe, Zé Carlos, aquilo que disse como não-certeza não significa não-verdade. Significa revelações, porém que não têm um aval de INFABILIDADE, tal como têm o papa e a Bíblia. Essa não-certeza apenas quer dizer que, se no futuro uma nova realidade surgir e fizer caducar o que foi dito, apenas nos adaptamos a ela.

    ### OK. Nós também, naquilo que não se encontra na Revelação – ou seja, no “núcleo duro” dos ensinamentos morais e nas comunicações que Deus Se dignou a nos fazer acerca de Sua natureza. Quanto a isso, acreditamos que há um “mundo do Além” que efetivamente existe, e efetivamente existe duma certa forma, e que não “muda” de acordo com a mudança das nossas modas.

    É como o exemplo que dei do suposto racismo de Kardec. A realidade DA SUA ÉPOCA permitia aquela interpretação. Mas a realidade da NOSSA ÉPOCA provou que ela não era válida. Então foi abandonada… ou talvez devesse dizer: NUNCA FOI LEVADA A SÉRIO.

    ### Concordo. A sociedade européia da época era, no geral, bem racista. Incluindo muitos que se diziam “cristãos” (o que é uma lástima, e uma contradição em termos). Eu, pessoalmente, nunca dei grande importância a esses aspectos da doutrina kardecista; e, se citei o fato, foi justamente para enfatizar que o “meio” europeu, tanto dum lado quanto do outro do Canal da Mancha (e do Oceano Atlântico), era, quanto a isso, semelhante; e, portanto, seria de se esperar que as “manifestações espirituais” fossem também, no geral, semelhantes…

    Que fez a Santa Madre Igreja Católica quando ficou claro que o sistema Geocêntrico estava falho? Lutou com unhas, dentes, torturas e fogueiras piedosas para mantê-lo em pé até ser finalmente forçada a capitular… No Espiritismo não temos necessidade disso.

    ### Eu sinceramente sugeriria que o sr. reconsiderasse suas fontes históricas. Mas, já que o sr. falou com tanta certeza, tanta firmeza, tanta convicção, e sendo o sr. um pesquisador cuidadoso, creio que não há de me furtar de uma DEMONSTRAÇÃO detalhada disso. Sinceramente, sr. Arduin, gostaria de saber exatamente como, e em que medida, a Igreja defendeu o sistema geocêntrico. Era dogma? Era proibido discutir outras possibilidades? Dê-me detalhes da “luta” da Igreja, “com unhas e dentes”, e também com “torturas” e com “fogueiras piedosas”, para manter de pé tal sistema. Diga-me quem foi torturado, e queimado, pela Igreja, por defender concepções científicas de índole heliocêntrica (ou não-geocêntrica). Não tenha pressa (mesmo porque, nos próximos dois meses, mal terei tempo de me dedicar a assuntos outros que não os do trabalho). Use o tempo que quiser. Inclusive, se quiser postar suas considerações privadamente, para o meu correio eletrônico particular, no Terra, peça-o ao sr. Vítor Moura. Eu realmente gostaria de saber em quê o sr. se baseia para afirmar o que afirmou no parágrafo anterior. Prepare o texto com todo o cuidado possível, e com todas as evidências bibliográficas que o sr. tem disponíveis. Novamente – use o tempo que necessitar; não há pressa, em absoluto; as boas coisas são feitas com vagar. Apenas, se puder, mantenha-me, de tempos em tempos, informado do andamento de seu trabalho. Quinzenalmente, ou mensalmente, como preferir. Uma ou duas frases bastam. Estou esperando.

    A ÚNICA lógica que temos disponível é a lógica humana, meu caro. E pretender que essa lógica está proibida de se pronunciar sobre o Além é coisa lá para Santo Roberto Bellarmino se pronunciar. Já que o seu Deus não foi capaz de nos passar uma mensagem CLARA E OBJETIVA, que respondesse a TODAS as nossas dúvidas e questões, então não reclame se a mensagem deixada é acusada de ser duvidosa. E não temo ameaças vindas do seu Deus.

    ### Bem, vamos por partes. A única coisa que temos disponível para nós, como “ferramenta intrínseca nossa”, sim, é a lógica humana. Concordo quanto a isso. Mas não temos só isso à nossa disposição; temos também tanto a Natureza, e o que nela ocorre, quanto também a Revelação divina. Se a aceitamos (a Revelação) ou não, é outro problema. Mas Deus Se revelou a nós, em etapas, ao longo de séculos. E é claro que a lógica humana não está proibida de se pronunciar sobre o Além, ao menos entre nós, católicos; há inclusive a Teologia para isso. Mas ela (a lógica humana) não pode “dobrar” o Além à sua vontade, ou pintá-lo à sua imagem e semelhança, de acordo com a “moda” da vez – é justamente aí que reside o “núcleo duro” da moral e da revelação de Deus sobre Si mesmo. Não temos o direito de nos considerar absolutos, e de dizer como o Além deve ser. Mas nem a Igreja, e muito menos o Cardeal Belarmino jamais se posicionaram contra tal uso da lógica humana em Teologia (dentro dos limites já citados), e menos ainda em ciências (sem qualquer limite, já que a Revelação divina não trata de ciências). Releia o trecho da carta de Belarmino a Foscarini, de 1615, que já disponibilizei aqui neste “blog”, não me lembro exatamente se neste tópico especificamente ou não. Sua posição (a do Cardeal) não é, em absoluto, de “dogmatismo”, ou de “fechamento da questão” (como foi a posição de Kardec com relação ao reencarnacionismo, e isso é um fato); ele aceita o sistema copernicano como ferramenta matemática, mas, quanto ao mais, quer evidências – o que é perfeitamente razoável; e o que nem Galileu, e nem ninguém, na época, podia dar, diga-se de passagem. Belarmino foi muito mais “científico” que Kardec. Quanto à mensagem de Deus ter sido “clara” e “objetiva”, acreditamos que foi sim; há dificuldades de detalhe, como sempre haverá, já que nossa “lógica” é limitada, e limitada é também a nossa ciência. Essa, inclusive, é a razão pela qual há divergências. Quanto às dúvidas humanas, sempre as haverá, seja num sistema filosófico, seja noutro. É o nosso entendimento que pode ser duvidoso, não a mensagem divina. Sobre ameaças, creio que elas, no fundo, se originam de nós mesmos, não de Deus. É a conseqüência do exercício do livre arbítrio.

    Quem disse que CONSULTAMOS os mortos? Consultar os mortos seria para saber o resultado da loteria, como tirar o marido da outra, como se livrar de desafeto… Isso é comum em certos cultos afro-católicos, mas no Espiritismo tais coisas NÃO SÃO ACEITÁVEIS. O que “consultamos” são sobre coisas que podem nos ajudar espiritualmente.

    ### Devo discordar do sr., sr Arduin. O cerne do Espiritismo (quer da corrente anglo-saxã, quer da corrente kardecista) é o ensinamento dos espíritos (ou, ao menos, isso é o que dizem); eles, os espíritos, são consultados, aliás ativamente – são evocados; e, tendo já vivido várias vidas, são, sim, espíritos de pessoas mortas. Portanto, os espíritas, quaisquer espíritas, consultam os mortos, ou aceitam a consulta aos mortos e aquilo que dessa consulta resulta, quer em termos doutrinais, quer em termos de informação pessoal ou familiar. Os assuntos consultados podem ser “elevados” ou não, mas isso não altera, em absoluto, o fato de que os mortos são consultados, e de que aquilo que revelam é a base da doutrina espírita. A consulta aos mortos, qualquer consulta, denomina-se necromancia. Ocorre, assim, o esclarecimento de algo (ou seja, a obtenção de informação), não por meio de investigação ou inquirição intelectual junto à Natureza, mas sim solicitação de informação, ou ajuda, de índole sobrenatural (“manteia”, o correlato grego da “divinatio” latina), a partir, no caso, da ajuda dos mortos (“nekroi”). Os espíritas são, todos eles, e sem exceção, necromantes, ou apoiadores da necromancia, se não a praticam diretamente. Sua doutrina baseia-se nisso. Se determinados assuntos são “aceitáveis” ou não, repito, isso pouco importa. Os mortos, ainda assim, são consultados. Como os espíritas obtêm, dos “espíritos” (i.e., das almas de pessoas que já viveram, i.e., das almas dos mortos) “coisas que os podem ajudar espiritualmente”, obtêm informações dos mortos. Isso é necromancia. Com todas as letras.

    É isso.

    ### Sim, sem dúvida, é isso. Abraços,

    JCFF.

  267. Gilberto Diz:

    Sonia, obrigado pela informação. Então ele ERA boiolão. Isso confirma uma história do ator David Cardoso, que diz que certa vez foi convidado por Mazzaroppi a ir sozinho à sua casa. Chegando lá, Mazzaropi perguntou se Cardoso queria dançar e ele, ainda jovem e sem querer perder o emprego, disse que sim. Mas ao começar a dança, ele estava tão desajeitado que o Mazzaroppi parou e disse: “É, você não sabe dançar mesmo.” E pediu que ele saísse. Cardoso não entendeu nada, mas um amigo de Mazzaroppi lhe confidenciou: “A dança que ele queria era outra…” Sua psicografia foi de extrema valia.

  268. Sonia N. Diz:

    Gilberto:
    -
    Viu só? A coisa funciona mesmo…
    -
    Só tem uma correção… não foi psicografia!
    -
    Foi Vi-Waldografia…

  269. Marcos Arduin Diz:

    Malvadão, sobre o Cayce, não sei muita coisa e, a bem da verdade, não estou interessado. Citei-o apenas como um contra-exemplo da afirmativa de que “aos anglo-saxônicos os espíritos não ensinaram a reencarnação”. O caso dele mostra que foi ensinada sim, mas era REJEITADA pelos médiuns. Um direito deles.

  270. Marcos Arduin Diz:

    Zé Carlos, sobre ENSINAMENTOS MORAIS, nós espíritas não discutimos: Allan Kardec fez uma compilação desses ensinos e fez o Evangelho Segundo o Espiritismo, que nada mais é do que a compilação das leis morais, com comentários dele e associados a comentários de espíritos.
    -
    Fica incômodo para nós é quando encontramos, numa mesma obra dita por si mesma inspirada pelo seu Deus, dois pesos e duas medidas quanto a moralidade. É como a moral socialista do PT e seus afinados: assassinatos e torturas cometidas pelos cumpanheirus contra a Ditadura são coisas boas, dignas e aprovadas; assassinatos e torturas cometidas pelos milicos são crimes imprescritíveis e têm de ser punidos severamente…
    -
    A menos que o professor de Iniciação à Astronomia da USP estivesse enganado em algum lugar, o que aprendi foi o seguinte:
    Cláudio Ptolomeu SISTEMATIZOU o sistema geocêntrico, descrevendo-o no Almagesto. Sua popularização se deveu ao fato de ter feito junto umas tabelas que permitiam calcular as posições passadas e futuras dos astros e, para os astrólogos, isso era de fundamental importância. Não tivessem os gregos sido dominados pelos romanos, talvez o geocentrismo cairia, pois as tais tabelas precisavam sempre serem reformuladas. Alguma coisa estava errada, mas não sabiam o que. Aristóteles endossou o geocentrismo e quando sua Santa Madre Igreja tomou conhecimento dos escritos aristotélicos em segunda mão através dos árabes, São Tomás de Aquino “cristianizou” o Aristóteles. Quer dizer, pegou as citações cosmogônicas dele e “converteu-as” aos postulados bíblicos. Surgiu daí a Escolástica. E foi um casamento muito feliz… na época.
    -
    Mas continuava o problema das tabelas instáveis. E foi então que Copérnico “chupou” o heliocentrismo de alguns filósofos gregos e refez as tabelas com base nele. Espertamente, apresentou isso como um “artifício para facilitar os cálculos” e não como uma descrição da realidade (aliás, não ajudou muito: as tabelas continuavam se defasando). Diante disso, o inquisidor que examinou o caso disse: _ Tudo bem! Como ARTIFÍCIO, é aceitável, mas A VERDADE É O GEOCENTRISMO.
    -
    Veio então o tal Galileu “Galiléia”, que não teve a mesma prudência do Copérnico e aí foi chamado a se explicar. Tentou mostrar o telescópio (se não acreditam em minhas palavras, olhe aqui), e que a questão de descrição de movimento e repouso “depende do referencial”. Só aí é que ele descobriu uma coisa: não dá para exigir que um burro pense. Os inquisidores não quiseram saber de nada e só repetiam (aqui está o DOGMA) uma passagem bíblica que diz que a Terra PERMANECERÁ ETERNAMENTE FIXA.
    -
    Galileu só não fez o curso de churrasco gratuito oferecido pela sua Santa Madre Igreja (onde ele entraria com sua própria carne) porque deu pra trás. Giordano Bruno, graças à bondade de Santo Roberto Bellarmino, acabou tendo de fazê-lo. Aliás, eu pensei que canonização fosse uma coisa séria, mas parece que ela depende do fígado do papa. Mussolini fez uma homenagem a Giordano Bruno e Pio XII, furioso com isso, canonizou o Bellarmino em resposta a esse insulto.
    -
    A Natureza DESMENTE a revelação divina: o Universo não começou há 6.000 anos, nem foi feito em 6 dias, nem houve Dilúvio Universal, nem a Terra é plana, nem ocupa o centro do Universo e nem o céu é sólido.
    Quanto ao resto, ficamos com um problema: se queremos ser reconhecidos como católicos, protestantes, espíritas, judeus, muçulmanos e mais que o valha, é porque estamos afinados com o que ensina cada uma dessas religiões. Fala você em “núcleo duro”? Sim, nós espíritas também o temos… a única diferença é que se for desmentido pela realidade, então podemos sacrificá-lo. Mas até hoje isso não aconteceu.
    -
    O que nos leva a desconsiderar as argumentações de religiosos contra nós nesse ponto é a incapacidade desse pessoal de entender os motivos de porque houve alguma proibição contra a “consulta aos mortos”. Batem o pé: _ Deus assim determinou e TEMOS DE OBEDECER, e jamais questionar seus santos motivos.
    Bem, há tantas outras coisas que o Deus dos Cristãos ordenou e duvido e faço pouco que os cristãos queriam obedecê-lo…
    Kardec fez todo um raciocínio sobre porque motivo Moisés determinou essa proibição. Não dou muita consideração a isso, pois prefiro pensar em outras coisas. Moisés provavelmente NUNCA EXISTIU: ele apenas PERSONIFICA em si TODO UM PERÍODO DE VIDA DO POVO HEBREU. É como aquele sábio Licurgo, que estabeleceu todo o modo de vida que deveria ser seguido pelo povo de Esparta. Nenhum historiador acredita que uma sociedade possa nascer dessa maneira. Há quem diga que o tal texto bíblico foi feito na época de Davi e Salomão: antes só existiam lendas e tradições orais.
    -
    A consulta aos mortos, através dos necromantes, era uma pedra no sapato do sistema sacerdotal. Afinal o povo tinha de sustentar esse clero caro e que pouco dava em troca. Já com o necromante a coisa era curta e grossa: paga-se a consulta, pega-se o conselho e fim de papo. Daí então o clero judeu determinou que Deus proibiu de consultar os mortos… Desobedecer a Deus dava muita dor de cabeça.
    É isso.

  271. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Arduin,

    ### Presumo, então, que estamos acertados acerca de seu trabalho sobre a Igreja e o geocentrismo. Estou esperando. Quanto à sua “avant-première”, com a qual o sr. ora nos brinda, tecerei apenas alguns rápidos comentários. Como de costume, após “###”.

    Zé Carlos, sobre ENSINAMENTOS MORAIS, nós espíritas não discutimos: Allan Kardec fez uma compilação desses ensinos e fez o Evangelho Segundo o Espiritismo, que nada mais é do que a compilação das leis morais, com comentários dele e associados a comentários de espíritos.

    ### Sim. Uma compilação. E, como em toda compilação, deve-se ter um certo cuidado com o “frankenstein” resultante.

    Fica incômodo para nós é quando encontramos, numa mesma obra dita por si mesma inspirada pelo seu Deus, dois pesos e duas medidas quanto a moralidade. É como a moral socialista do PT e seus afinados: assassinatos e torturas cometidas pelos cumpanheirus contra a Ditadura são coisas boas, dignas e aprovadas; assassinatos e torturas cometidas pelos milicos são crimes imprescritíveis e têm de ser punidos severamente…

    ### Essa é uma questão de exegese bíblica e de progressão da Revelação. Pode ser discutida, em âmbito teológico. Vou colocá-la à parte, já que o sr. me deve, antes, seu trabalho sobre a Igreja e o geocentrismo. Depois, aqui ou (preferencialmente) noutro fórum, poderemos discutir isso detalhada e demoradamente. É um assunto fascinante, e creio que ambos temos muito a compartilhar e a aprender.

    A menos que o professor de Iniciação à Astronomia da USP estivesse enganado em algum lugar, o que aprendi foi o seguinte:

    ### Pelo que o sr. mencionará a partir de agora, creio que ele simplificou demais, e enganou-se em vários pontos. Não entrarei em maiores detalhes, já que, quanto a isso, o sr. apresentar-me-á todo o “rationale”, que faz parte de seu trabalho acerca da Igreja e do Geocentrismo. Permitir-me-ei apenas algumas rápidas pinceladas.

    Cláudio Ptolomeu SISTEMATIZOU o sistema geocêntrico, descrevendo-o no Almagesto.

    ### Sim. O nome “Almagesto” é o nome árabe pelo qual a obra passou a ser conhecida; o nome original, em grego, é “Composição Matemática” (“Mathematikê Syntaksis). O nome “Almagesto” é o da tradução árabe (“Kitab al-Majisti”, “o Grande Livro”, porque era “o” livro de Astronomia, por excelência).

    Sua popularização se deveu ao fato de ter feito junto umas tabelas que permitiam calcular as posições passadas e futuras dos astros e, para os astrólogos, isso era de fundamental importância.

    ### Sim, em termos. Não apenas para os astrólogos, mas também para os astrônomos (problemas do calendário). A grande questão a resolver dizia respeito às retrogressões das órbitas planetárias (ou seja, em determinados pontos de suas órbitas, os planetas como que “retrocediam”, “voltando” no céu). Isso foi enfrentado supondo-se que os planetas não se moviam numa órbita circular, mas sim num círculo (“epiciclo”) cujo centro, esse sim, movia-se numa órbita circular (“deferente). Mediante esse artifício de epiciclos e deferentes, que herdou de seus antecessores da época helenística (principalmente Apolônio, natural de Perga da Panfília, o mesmo das seções cônicas, e Hiparco, da Nicéia bitiniana, o que havia descrito o movimento de precessão dos equinócios), mais a sua inovação própria, os “equantes”, Cláudio Ptolomeu conseguiu encaixar, de modo matematicamente aceitável, as retrogressões e as demais anomalias das órbitas planetárias num sistema geocêntrico. Claro, isso possibilitou a montagem de tabelas para o “cálculo perpétuo” das órbitas planetárias, algo muito interessante para considerações acerca de calendário e/ou de horóscopos. A Terra era retirada do centro da deferente, e, eqüidistante entre tal centro e a Terra, estabelecia-se o “ponto equante”, com relação ao qual o planeta se movia uniformemente. Tal artifício possibilitou a correção, com razoável grau de precisão, de muitas das “anomalias” das órbitas planetárias (além das retrogressões).

    Não tivessem os gregos sido dominados pelos romanos, talvez o geocentrismo cairia, pois as tais tabelas precisavam sempre serem reformuladas.

    ### Nada a ver. Cláudio Ptolomeu realizou suas observações (e escreveu seus livros – o “Almagesto” foi apenas um deles) na Alexandria dos meados do séc. II dC, em pleno domínio romano. Ele concebeu simplesmente a melhor ferramenta até então disponível para o cálculo das órbitas planetárias.

    Alguma coisa estava errada, mas não sabiam o que.

    ### Em termos, sabiam sim. Para algumas órbitas planetárias, e à medida que os instrumentos de observação (ainda não ópticos) iam se tornando, progressivamente, mais exatos, ficava difícil estabelecer um conjunto epiciclo-deferente-equante aceitável. Então, sucessivamente, vários astrônomos tentaram resolver a questão, inserindo mais epiciclos (p.ex., fazendo com que um segundo epiciclo se movesse em torno do epiciclo original).

    Aristóteles endossou o geocentrismo (…)

    ### Apenas para constar, Aristóteles de Estágira é anterior a Cláudio Ptolomeu de Alexandria. Aristóteles viveu no séc. IV aC (foi contemporâneo de Alexandre, o Grande), e Ptolomeu, no séc. II dC; uns quinhentos anos os separam. Virtualmente todos os “cientistas” (astrônomos) da Antiguidade, antes e depois de Aristóteles, endossaram o geocentrismo. A exceção notável foi Aristarco, natural da ilha de Samos, que viveu no início do séc. III aC, e que esposou o heliocentrismo. Mas tanto uma hipótese quanto a outra exibiam problemas mensurais (já que todos, geocentristas ou helioicentristas, utilizavam-se de órbitas circulares), que somente foram superados, em parte, pela “síntese” de Ptolomeu. Basicamente, três motivos acabaram levando ao consenso, entre os antigos gregos, de que a hipótese geocêntrica era a melhor: a) a ausência de paralaxes estelares observáveis; b) a aparente imobilidade da Terra, e c) o arsenal de cálculo aplicado às órbitas geocêntricas, primeiramente por Apolônio de Perga e Hiparco de Nicéia, e depois por Cláudio Ptolomeu de Alexandria (epiciclos, deferentes, equantes).

    (…) e quando sua Santa Madre Igreja tomou conhecimento dos escritos aristotélicos em segunda mão através dos árabes, São Tomás de Aquino “cristianizou” o Aristóteles.

    ### Isso é, em termos bem gerais, verdadeiro do ponto-de-vista estritamente filosófico, bem como do da experimentação científica (que era o cerne do pensamento aristotélico), mas não do ponto-de-vista astronômico. Inclusive noutros comentários neste “blog” já mencionei, ainda que bem por alto, a razão de tal síntese entre a filosofia de Aristóteles e o Cristianismo ter sido viável. Mas, embora Aristóteles fosse geocentrista, e desse uma justificativa filosófica para tal posicionamento, o aparato mensural que havia proposto para os movimentos das órbitas planetárias (baseado na hipótese das esferas homocêntricas de Eudoxo de Cnido) já havia há muito sido posto de lado pelo sistema ptolemaico. E note-se que a aplicação da filosofia aristotélica à teologia cristã, o “tomismo”, não foi nem unânime na época, e nem aceita sem várias contestações. O clima intelectual das universidades medievais estava bem distante do dogmatismo rígido. Procure se informar melhor a respeito, sr. Arduin.

    Quer dizer, pegou as citações cosmogônicas dele e “converteu-as” aos postulados bíblicos.

    ### Não foi necessário. A visão antiga, em geral, era a da imobilidade da Terra. Aristóteles forneceu algumas considerações adicionais sobre isso, mas a Astronomia baseava-se no Almagesto, não no “corpus” aristotélico. E – o que é mais importante – eram conhecidas várias críticas quer ao sistema ptolemaico em si, quer ao próprio geocentrismo; assim, apenas à guisa de exemplo, entre os próprios filósofos cristãos da Antiguidade Tardia, João Filopão criticou a teoria aristotélica do movimento e da queda dos corpos; e, entre os árabes, al-Biruni e Nassir Edin, entre outros, criticaram, em variados graus, as sucessivas “camadas” de epiciclos que o sistema, mais e mais, exigia, à medida que os instrumentos de observação (ainda não ópticos) se desenvolviam.

    Surgiu daí a Escolástica. E foi um casamento muito feliz… na época.

    ### A Escolástica é uma vertente teológica cristã que se baseia na filosofia aristotélica, de modo geral, principalmente na sua ontologia e gnosiologia. Não tratava, em si, de Astronomia, e nem das demais ciências. A contribuição aristotélica nesse campo foi a ênfase na necessidade da observação. Nem sempre tal observação e experimentação foi possível, dado o primitivismo dos artefatos de medição da época, mas houve progressos dignos, quer na alquimia, quer na óptica, quer na botânica e mesmo no magnetismo. Nomes como os Santo Alberto Magno (1193/1206 – 1280), de João Buridan (cônego em Arras, em 1342), de Guilherme de Occam (1285-1347), de Nicolau Oresme, bispo de Lisieux e m1377 e do cardeal Nicolau de Cusa, bispo de Brixen, no Tirol, em 1450, perfilam-se entre os grandes representantes da ciência dessa época, e testemunham o grau de liberdade especulativa então existente.

    Mas continuava o problema das tabelas instáveis.

    ### Em termos. Não eram a rigor as “tabelas instáveis”; era o desenvolvimento dos instrumentos de medição (não ópticos, ainda), que levavam à progressiva necessidade de “mais epiciclos”. Era o progresso…

    E foi então que Copérnico “chupou” o heliocentrismo de alguns filósofos gregos e refez as tabelas com base nele.

    ### Vamos por partes. O cônego Nicolau Copérnico, influenciado por certas idéias pitagóricas, e também pela antiga concepção de Aristarco de Samos, ressuscitou tal sistema, mas melhorando-o sensivelmente, através em parte das ferramentas utilizadas pelo próprio Ptolomeu. Ele partiu da idéia pitagórica (depois reformulada por Aristarco) de que o Sol, como “iluminador” do Universo, deveria ficar no seu centro, onde cumpriria melhor sua “função”. Além disso, tomou a peito restaurar um sistema “ordenado” no Universo, em que os movimentos planetários fossem (como “deveriam” ser) circulares e uniformes. Assim, foi levado a rejeitar os equantes ptolemaicos (que tinham como conseqüência impor movimentos circulares não-uniformes aos planetas). Mas ficava, claro, o problema das retrogressões e das anomalias. Como não seria possível, sem o uso de equantes, manter a Terra no centro do Universo E calcular decentemente as órbitas planetárias, então sua saída – sua única saída – era “mudar o paradigma”; e serviu-se então de Aristarco e de sua idéia heliocêntrica. Pôs o Sol no centro, eliminou os equantes, mas impôs aos planetas dois epiciclos (ver detalhes aqui: http://wlym.com/~animations/part1/copernicus.html). Com esse “novo” artifício, concebeu um sistema heliocêntrico viável, relativamente simples em comparação com a “nuvem” de deferentes, epiciclos e equantes em que estava se transformando o Universo planetário ptolemaico, e mais exato matematicamente em termos de predições. Fez constar tal sistema no seu livro “Sobre os Movimentos das Esferas Celestes” (“De Revolutionibus Orbium Coelestium”), impresso em 1543, ano de sua morte, e dedicado ao papa Paulo III.

    Espertamente, apresentou isso como um “artifício para facilitar os cálculos” e não como uma descrição da realidade (aliás, não ajudou muito: as tabelas continuavam se defasando). Diante disso, o inquisidor que examinou o caso disse: _ Tudo bem! Como ARTIFÍCIO, é aceitável, mas A VERDADE É O GEOCENTRISMO.

    ### Novamente, vamos por partes. A visão eclesiástica acerca de modelos científicos era pragmática: eles eram úteis na medida em que podiam medir, com a melhor acurácia possível, os fenômenos que pretendiam medir. Mas não deviam, NECESSARIAMENTE, ser um espelho da “Realidade” (com “R” maiúsculo), já que podiam mudar (i.e., podiam ser obtidos sistemas mais exatos), ao passo que a Realidade, como a Verdade, não mudaria. O geocentrismo era, desde tempos imemoriais, considerado algo “natural” e “verdadeiro” (mas não era um “dogma” da Igreja), apoiado também, aparentemente ao menos, por passagens das próprias Escrituras. Um sistema de medições que fosse mais exato em termos de cálculo das órbitas planetárias era algo de índole científica, que não dizia respeito à Teologia, e não estava, inclusive, sob o âmbito da Inquisição. Hipóteses científicas eram julgadas estritamente em termos de sua utilidade pragmática. O que havia, especificamente em termos do “affair” “geocentrismo” x “heliocentrismo”, é que nenhum dos dois sistemas dispunha de nenhuma prova “intrínseca”; ao contrário, se havia alguma prova “intrínseca”, tal “prova” estava mais do lado do geocentrismo, já que (pelas aparências), a Terra estava imóvel. Portanto, diante dessa situação, e sem nenhuma prova intrínseca a favor do heliocentrismo (já que os instrumentos da época ainda não detectavam paralaxes estelares), o mais “razoável” era, ainda, continuar com a antiga hipótese. Mas o ensino do sistema copernicano nunca foi proibido, desde que ele fosse apresentado como aquilo que era, na época – uma hipótese, que “salvava as aparências” de modo viável. De novo, vale a pena, quanto a isso, repetir os trechos importantes do Cardeal Belarmino, constantes na carta endereçada ao Provincial dos Carmelitas da Calábria, padre Paulo Antônio Foscarini, datada de 12 de abril de 1615 (cf. “Galileu Galilei – Ciência e Fé”, São Paulo, Nova Stella Editorial e Rio de Janeiro, MAST, 1988, Coleção “Clássicos da Ciência”, vol. 3):

    “(…) Primeiro, digo que me parece que Vossa Paternidade e o Senhor Galileu ajam prudentemente, contentando-se em falar por suposição e não de modo absoluto, como eu sempre cri que tenha falado Copérnico. Porque dizer que, suposto que a Terra se move e o Sol está parado, salvam-se todas as aparências melhor do que com a afirmação dos excêntricos e epiciclos, está dito muitíssimo bem e [nisso] não há perigo algum. E isto basta para o matemático.

    Mas querer afirmar que realmente o Sol está no centro do Mundo e gira apenas sobre si mesmo sem correr do Oriente ao Ocidente, e que a Terra está no Terceiro Céu, e gira com suma velocidade em volta do Sol, é coisa muito perigosa, não só de irritar todos os filósofos e teólogos escolásticos, mas também de prejudicar a Santa Fé, ao tornar falsas as Sagradas Escrituras.

    Porque Vossa Paternidade mostrou bem muitos modos de explicar as Sagradas Escrituras, mas não os aplicou em particular, pois, sem dúvida, haveria de encontrar grandíssimas dificuldades se tivesse querido explicar todas as passagens que o Sr. mesmo citou.

    Segundo, digo que, como o Sr. sabe, o Concílio [de Trento] proíbe explicar as Escrituras contra o consenso comum dos Santos Padres. E, se Vossa Paternidade quiser ler, não digo apenas os Santos Padres, mas os comentários modernos sobre o Gênesis, sobre os Salmos, sobre o Eclesiastes, sobre Josué, verá que todos concordam em explicar literalmente que o Sol está no Céu e gira em torno da Terra com suma velocidade, e que a Terra está muitíssimo distante do Céu, e está imóvel no centro do mundo.

    Considere agora o Sr., com sua prudência, se a Igreja pode tolerar que se dê às Escrituras um sentido contrário aos Santos Padres e a todos os expositores gregos e latinos. Nem se pode responder que esta não é uma matéria de fé, porque, se não é matéria de fé ‘por parte do objeto’, é matéria de fé ‘por parte de quem fala’. Assim, seria herético quem dissesse que Abraão não teve dois filhos e Jacó doze, como quem dissesse que Cristo não nasceu duma Virgem, porque um e outro o diz o Espírito Santo pela boca dos Profetas e Apóstolos.

    Terceiro, digo que, se houvesse verdadeira demonstração de que o Sol esteja no centro do Mundo e a Terra no Terceiro Céu, e de que o Sol não circunda a Terra, mas a Terra circunda o Sol, então seria preciso proceder com muita atenção na explicação das Escrituras que parecem contrárias [a tal tese], e dizer, antes, que não as entendemos [às Escrituras], do que dizer que é falso aquilo que se demonstra [nelas]. Mas não crerei que há tal demonstração até que me seja mostrada. Nem é o mesmo demonstrar que, suposto que o Sol esteja no centro e a Terra no Céu, salvam-se as aparências, e demonstrar que na verdade o Sol esteja no centro e a Terra no Céu. Porque a primeira demonstração creio que possa haver, mas da segunda tenho dúvida muitíssimo grande e, em caso de dúvida, não se deve abandonar a Escritura Sagrada, explicada pelos Santos Padres. (…)”

    ### Até aqui, Belarmino. Sabe-se hoje que o prefácio à obra de Copérnico, no qual consta explicitamente o seu sistema como sendo uma “mera hipótese”, não foi redigido por ele próprio, mas por seu amigo Osiander. De qualquer modo, o sistema copernicano foi considerado (ao menos entre os católicos) como aquilo que era – uma hipótese científica.

    Veio então o tal Galileu “Galiléia”, que não teve a mesma prudência do Copérnico e aí foi chamado a se explicar. Tentou mostrar o telescópio (se não acreditam em minhas palavras, olhe aqui), e que a questão de descrição de movimento e repouso “depende do referencial”. Só aí é que ele descobriu uma coisa: não dá para exigir que um burro pense. Os inquisidores não quiseram saber de nada e só repetiam (aqui está o DOGMA) uma passagem bíblica que diz que a Terra PERMANECERÁ ETERNAMENTE FIXA.

    ### Me parece que as coisas não foram assim tão “lineares” como o sr. dá a entender. Mas, como o sr. nos brindará com um trabalho mais detalhado, prefiro esperar por tal trabalho. O que posso lhe garantir (e creio que o sr., pesquisando com cuidado a situação, confirmará), é que Galileu insistiu em que sua hipótese ERA a realidade, mas que não pôde apresentar provas convincentes, à época, para isso. E que, numa atitude no mínimo imprudente, minou todos os apoios que tinha, inicialmente, no meio científico católico, incluindo o dos jesuítas (entre os quais encontravam-se vários dos maiores astrônomos da época). Mas, como disse, aguardo o seu texto detalhado, sr. Arduin.

    Galileu só não fez o curso de churrasco gratuito oferecido pela sua Santa Madre Igreja (onde ele entraria com sua própria carne) porque deu pra trás. Giordano Bruno, graças à bondade de Santo Roberto Bellarmino, acabou tendo de fazê-lo. Aliás, eu pensei que canonização fosse uma coisa séria, mas parece que ela depende do fígado do papa. Mussolini fez uma homenagem a Giordano Bruno e Pio XII, furioso com isso, canonizou o Bellarmino em resposta a esse insulto.

    ### Claro, o sr. DEMONSTRARÁ circunstanciadamente tudo o que disse no parágrafo anterior. Aguardo com ansiedade seu trabalho, sr. Arduin.

    A Natureza DESMENTE a revelação divina: o Universo não começou há 6.000 anos, nem foi feito em 6 dias, nem houve Dilúvio Universal, nem a Terra é plana, nem ocupa o centro do Universo e nem o céu é sólido.

    ### A revelação divina não diz respeito a como a Natureza funciona. Já comentei sobre isso, até mesmo de modo detalhado. Procure minhas considerações neste “blog”, que, se não me engano, foram-lhe inclusive dirigidas, sr. Arduin.

    Quanto ao resto, ficamos com um problema: se queremos ser reconhecidos como católicos, protestantes, espíritas, judeus, muçulmanos e mais que o valha, é porque estamos afinados com o que ensina cada uma dessas religiões. Fala você em “núcleo duro”? Sim, nós espíritas também o temos… a única diferença é que se for desmentido pela realidade, então podemos sacrificá-lo. Mas até hoje isso não aconteceu.

    ### Ou seja, não têm “núcleo duro” nenhum; na prática (em termos do Espiritismo kardecista, ao menos), cultuam apenas a “lógica humana” – de novo, para quê consultar os espíritos?

    O que nos leva a desconsiderar as argumentações de religiosos contra nós nesse ponto é a incapacidade desse pessoal de entender os motivos de porque houve alguma proibição contra a “consulta aos mortos”. Batem o pé: _ Deus assim determinou e TEMOS DE OBEDECER, e jamais questionar seus santos motivos.
    Bem, há tantas outras coisas que o Deus dos Cristãos ordenou e duvido e faço pouco que os cristãos queriam obedecê-lo…
    Kardec fez todo um raciocínio sobre porque motivo Moisés determinou essa proibição. Não dou muita consideração a isso, pois prefiro pensar em outras coisas. Moisés provavelmente NUNCA EXISTIU: ele apenas PERSONIFICA em si TODO UM PERÍODO DE VIDA DO POVO HEBREU. É como aquele sábio Licurgo, que estabeleceu todo o modo de vida que deveria ser seguido pelo povo de Esparta. Nenhum historiador acredita que uma sociedade possa nascer dessa maneira. Há quem diga que o tal texto bíblico foi feito na época de Davi e Salomão: antes só existiam lendas e tradições orais.

    A consulta aos mortos, através dos necromantes, era uma pedra no sapato do sistema sacerdotal. Afinal o povo tinha de sustentar esse clero caro e que pouco dava em troca. Já com o necromante a coisa era curta e grossa: paga-se a consulta, pega-se o conselho e fim de papo. Daí então o clero judeu determinou que Deus proibiu de consultar os mortos… Desobedecer a Deus dava muita dor de cabeça.

    ### Nada disso estava sob discussão; eu não havia entrado absolutamente no mérito da necromancia; apenas disse (e continuo dizendo, e sustento) que os espíritas (tanto os da corrente anglo-saxã quanto os da corrente kardecista) são necromantes, ou apóiam a necromancia. Só isso. E isso, aliás, é evidente. Quanto a suas observações acerca da “razão” da proibição da necromancia, o sr. aventou uma hipótese de trabalho muito interessante, embora eu não consiga encontrar, nas minhas pesquisas e leituras, sustentação para tal. Mas, claro, posso estar equivocado. Assim, eu lhe pediria, sr. Arduin, que DEMONSTRASSE circunstanciadamente esse ponto de vista. Claro, depois da apresentação de seu trabalho acerca da Igreja e do geocentrismo. Mesmo porque me será muito difícil, nos próximos dois meses, dedicar-me a outros assuntos além dos do trabalho.

    É isso.

    ### Sim, é isso. Abraços,

    JCFF.

  272. moizes montalvao Diz:

    SONIA: pequenitas respostitas ao seu belo arrazoado.
    .
    SONIA:Em primeiro lugar, o termo exato é “médium de efeitos físicos” (e não médium materializador).
    .
    MONTALVÃO: corretíssimo, porém não é inadequado falar de “médium materializador”, tampouco de “levitador”, “s0norizador”, “perfumador”, etc., podem ser tidas como que especialidades dentro da atividade maior, que é a suposta capacidade de realizar feitos sob a energização espiritual.
    .
    SONIA: A materialização encontra lugar de destaque entre os fenômenos mediúnicos, porque é a comprovação por excelência da realidade espiritual, pois, pode ser comprovada por qualquer pessoa que esteja presente ao local.
    .
    MONTALVÃO: concordo parcialmente, embora não totalmente: é fato que, a materialização pode ser “comprovada por qualquer pessoa que esteja no local”, mas, acrescente: e que ACREDITE NO FENÔMENO. Dentre os desacreditadores, alguns, realmente, se confessam convencidos, outros saem desconfiadíssimos; outros encontram indícios de fraude, e por aí vai… Mais: sendo o evento materializativo a “comprovação por excelência” da espiritualidade, então não deveria nem acabar ou murchar, nem ficar limitada a confrarias de crédulos, conforme acontece contemporaneamente.
    .

    SONIA: Já foi dito exaustivamente aqui, que qualquer fenômeno mediúnico tem a única finalidade de mostrar que a vida continua após a morte física e que ela é ainda mais intensa do que a vida na matéria. Não é diversão para quem não tem o que fazer da vida. Este fenômeno tem decrescido à medida em que a doutrina reencarnacionista se efetiva, através de outros meios doutrinários que tenham menos riscos, tais como, a psicofonia e a psicografia, popularizada, principalmente através da mediunidade de Chico Xavier.
    .
    MONTALVÃO: concordo e discordo. Primeiro: Chico talvez certamente popularizou a psicografia no Brasil (mas temos que considerar que grandes psicógrafos existiram antes dele, qual Yvonne Pereira). Quanto ao fenômeno ter decrescido, confesso que não entendo, nem considero sua explicação suficientemente ampla. Sem dúvida, materializações incontestes seriam demonstrações dramáticas da sobrevivência, da comunicação e da ação espiritual nesta vida. Porém, não conheço um caso capaz de satisfazer aos céticos. Atender aos crentes é uma coisa (e relativamente fácil), mas, por que os desconfiados não se aceitam? Por que são cegos, teimosos, limitados? Ou porque ficam muitos pontos obscuros nas aparições, que nunca são suficientemente aclarados?
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    SONIA: O fato de estarem restritas aos espíritas e simpatizantes, tanto no passado, quanto no presente, se explica. Qualquer setor da vida, exige condições específicas de preservação, manutenção e restauração. Senão, vejamos: nenhum médico idôneo elegeria o lixão como lugar ideal para realizar cirurgias. Nenhuma cozinheira lavaria verduras e legumes dentro do vaso sanitário. Nenhuma mãe daria uma mamadeira de cachaça para o seu bebê. Enfim, tudo tem seu lugar, suas necessidades e sua hora.
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    MONTALVÃO: Outro baita problemão, considere: não estamos falando de fenomenologia exclusiva, de algo que só sucederia com os iniciados, não! Trata-se da “comprovação por excelência” da realidade espiritual. Seriam os espíritos tão tolos a ponto de só se interessarem em mostrar a realidade espiritual a alguns afortunados? Não tencionam eles demonstrar, sem sombra de dúvida, que os espíritos falam conosco? Que a sobrevivência é realidade? Que reencarnamos? (Oops, esta última só os espíritos da linha francesa é que almejam provar isso, os espíritos anglos querem mais é negar). Pois bem, então, mesmo que os eventos ocorram em locais e condições específicas, alguém aí, por favor, avisem aos espíritos que os incréus precisam, urgentemente, ser desincreuzados. Senão, a coisa cai no ridículo!
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    MONTALVÃO: agora um pouquinho de “graça” para concorrer com a graciosa graça de Sonia. SONIA: “nenhum médico idôneo elegeria o lixão como lugar ideal para realizar cirurgias”. CERTO, mas se necessário, um médico idôneo fará, sim, cirurgia num lixão, ou mesmo num lixinho. SONIA: “Nenhuma cozinheira lavaria verduras e legumes dentro do vaso sanitário”. CERTO, mas houve tempo em que pessoas pobres do interior tiveram a merecida condição de morar em casa decente. Ao depararem os vasos sanitários, alguns acharam que era lugar para plantar flores; outros pensaram que fosse uma espécie de pia e lavaram muitas coisas no local. SONIA: “Nenhuma mãe daria uma mamadeira de cachaça para o seu bebê”. CERTO: contudo, o autor de AQUARELA DO BRASIL, escreveu: “No dia em que eu apareci no mundo; Juntou uma porção de vagabundo; Da orgia, de noite, teve samba e batucada; Que acabou de madrugada, em grossa pancadaria; Depois, do meu batismo de fumaça; MAMEI UM LITRO E MEIO DE CACHAÇA; E fui adormecer feito um despacho; Deitadinha no capacho; Na porta dos enjeitados…”.

    SONIA: Além de não conhecermos, exatamente, os mecanismos que fazem acontecer este fenômeno, eles também acontecem de formas diferentes, por diferentes médiuns.
    .
    MONTALVÃO: outro problemaço. São mais de cem anos de fenomenologia materializativa, só no ambiente espiritista. E, até os dias atuais, muito pouca coisa de objetivo se pode dizer a respeito do assunto. Já não era hora de sabermos os mecanismos? Não seria o tempo de conhecermos o assunto mais amiudadamente, de modo que dele pudéssemos fazer uso profícuo? Já não estaria em tempo, sabermos, afinal, o que é esse tal de ectoplasma? Não seria caso de urgência urgentíssima explicar como é que espíritos conseguem materializar-se em carne e osso? Não dá pra se ficar falando de algo majestoso de forma superficial…
    .
    SONIA: Alguns materializam figuras inteiras, perfeitas, que caminham, conversam e tocam os circunstantes, como qualquer pessoa “viva”. Outros, materializam partes do corpo: mãos, pés, flores e outros objetos. Em alguns casos, as materializações são parciais, mostrando apenas um rosto perfeito, envolvido por ectoplasma. Já aconteceram materializações diminutas (figuras de adultos minimalizadas). Materializações de crianças também aconteceram, com freqüência. E até mesmo de aparelhos com finalidades terapêuticas.
    .
    MONTALVÃO: tudo bem, mesmo achando que essas “criações” se explicam melhor com outras considerações, faço força para acreditar que seja conforme afirma. O problema maior é o esbarrão que tudo isso na dá na abismal ignorância que se tem a respeito do processo materializativo. O ectoplasma, que seria a substância básica, a esclarecer tudo, ou quase, é a “coisa” mais nebulosa que qualquer nebulosidade já pode produzir. Os espíritas reclamam que os céticos são descrente devido algum distúrbio que os levaria a duvidar, mesmo diante da mais escandalosa comprovação. Porém, o que de concreto e efetivo têm os espíritas a esclarecer a respeito do ectoplasma? Digo-o no aspecto científico: colher o material, levá-lo para exame em laboratório, ter a matéria disponível para averiguação por qualquer cientista, etc. Sabe de laboratório espirita que possua estoque de ectoplasma, que possa ser devidamente examinado?
    .
    SONIA: De acordo com algumas informações espirituais, o ectoplasma “dorme” no núcleo da célula do ser humano. Todos o possuem. Entretanto, apenas alguns (os médiuns) o possuem em quantidade e com capacidade de ser “exsudado”, em condições especiais, dando oportunidade ao fenômeno em si. Da mesma forma que precisamos revelar um filme fotográfico no escuro, senão ele vela, o ectoplasma “vela”, “queima”, na claridade. Por isso, a necessidade da penunbra. Ao que parece, o ectoplasma liberado através do orifícios do corpo do médium, ao entrar em contato com o ar, condensa-se, semelhando-se a uma espuma densa, com cheiro e cor característicos. É mais ou menos o que acontece com a espuma de barba, em spray, ao sair da embalagem.
    .
    MONTALVÃO: concordaria com tudo o que disse, desde que esse escorregadio ectoplasma, fosse no claro, fosse no escuro, pudesse ser colhido para análise. Com a quantidade de emanações ectoplásticas já produzidas, deveria haver amostras generosas da substância. Mas, nada! Além disso, quais a experiências atuais que os laboratórios espíritas estão levando a efeito com o ectoplasma? Poderia dar alguma informação a respeito, pois confesso-me deveras curioso…
    .
    SONIA: Os riscos, vou ilustrar com um fato acontecido com pessoa muito próxima. Meu sogro era ateu até meados da década de 50, quando foi convidado a participar de uma sessão de materialização em um Centro Espírita, em São Paulo, convertendo-se então, ao Espiritismo. Foi avisado com antecedência dos cuidados necessários à participação. Não poderia fumar, beber alcoólicos, comer carne e nem ter relações sexuais, durante os três dias que antecedessem as materializações. Deveria tomar bastante água, procurar manter os pensamentos positivos e na noite marcada, fazer uma refeição ligeira, três horas antes do ínicio da sessão. Meu sogro contou que havia muitos convidados naquela noite, alguns comunistas, e tão descrentes quanto ele.
    .
    MONTALVÃO: creio que qualquer investigador cético, interessado em averiguar o assunto, acederia a tais exigências sem reclamos.
    -
    SONIA: A sessão foi iniciada após uma prece de abertura, estando já o médium devidamente instalado em sua cabine, adormecendo logo em seguida. Depois de um tempo, surgiu uma entidade masculina, cumprimentou a todos, colocou um disco na vitrola por breves momentos e depois, a pedidos do dirigente da sessão, aproximou-se para cumprimentar um por um, fraternalmente. De súbito, um dos assistentes agarrou-lhe fortemente a mão, pensando em desmascarar a fraude. O espírito desmanchou-se em suas mãos e o médium, no mesmo instante, começou a gemer desesperadamente na cabine. As luzes se acenderam, desataram o mais rápido possível as suas amarras e, em meio ao desespero que se formou, levaram-no quase sem vida ao hospital. Conseguiram salvá-lo, mas nunca mais recuperou a saúde.
    .
    MONTALVÃO: fosse o Arduim, talvez dissesse: onde o registro documentado dessa sessão? Fotos? Testemunhos dos participantes. Nome do médium. Em que hospital se internou? Relação dos comunistas… Porém, deixemos essas exigências, por enquanto, de lado. Pensemos na morte do médium. Trata-se de alegação repetida em vários eventos, mas que carece de estudos mais aprofundados. Com Florence Cook, a médium estudada por Crookes, aconteceu coisa parecida: Volckman agarrou e espírito materializado, disposto a comprovar a fraude. Estava dominando a aparição, porém alguns dos participantes se lançaram contra ele, permitindo que o espírito fugisse. Foram ver o estado de Florence. A moça estava pondo o coração pela boca, como se houvesse corrido dez quilômetros sem treino. Mas não ficou com a menor sequela.
    Rizzini e Luciano também instigaram esse procedimento aos repórteres de O CRUZEIRO, depois da reportagem que falava de fraude foi publicada. Sugeriram que os da Revista deveriam ter agarrado o espírito. Esse caso dá margem para variadas reflexões. Por outro lado, pensemos: sem agarrões, os que apoiavam as materializações de Otília ficaram irados com a opinião dos do jornalistas, o que não diriam se se atrevessem a agarrá-la?
    Não duvido do relato de seu sogro, mas gostaria de contar com a versão de céticos que estiveram presentes ao encontro. Em casos da espécie é preciso ouvir variadas testemunhos para uma apreciação segura.
    -
    SONIA: É por isso, que essas sessões são realizadas quase que exclusivamente por espíritas e simpatizantes, porque existem regras que DEVEM ser seguidas, em razão dos riscos que o médium corre de perder a saúde e a vida em um desses experimentos, realizados por pessoas debochadas, “metidas a besta”, que não respeitam os outros e as leis do espírito, que são totalmente diferentes das leis da matéria. Que pensam que mandam nos espíritos, como em seus empregados e que o Espiritismo precisa deles para existir ou para se firmar. Ciência significa conhecimento e adquiri-lo não significa escarnecimento ou não cumprimento de certos requisitos. Nos laboratórios onde se fabricam remédios não entra ninguém sem roupa adequada e esterilizada. Você diria que é uma exigência idiota, ou que eles estão escondendo alguma coisa?
    .
    MONTALVÃO: tudo o que disse faz sentido, porém seria necessário que existissem estudos específicos, demonstrando que as coisas são conforme apregoa. Caso contrário fica igual ao caso do chinelo virado. Minha tia morria de pavor se via calçado com a sola virada para cima: significava risco iminente de morte ao usuário do calçado. E para comprovar, conhecia vários casos em que a tragédia ocorrera. Cresci com esse medo, até a adolescência. Um dia saí de manhã para a escola e ao voltar vi que meu chinelo ficara virado a manhã inteira. Era o fim. Esperei pela morte durante uma semana. Até que comprovei que chinelo virado não mata ninguém. Talvez o mesmo se dê com as agarraduras: estudos criteriosos podem demonstrar que espírito agarrado não mata médium (mal) amarrado.
    -
    SONIA: Quanto a médiuns de efeitos físicos, não conheço nenhum. Mesmo porque não tenho qualquer interesse nesse sentido. Em minha opinião, a mediunidade já cumpriu o seu papel. Agora é por nossa conta; já temos material farto para estudos. O que não muda em nada o fato de haver médiuns autênticos e dedicados às suas responsabilidades.
    .
    MONTALVÃO: que pena. É bom que os crentes já estejam devidamente convencidos. E o que fazer dos céticos? Pobres deles…
    -
    SONIA: Um grande abraço fraternal
    .
    MONTALVÃO: Dois enormes fraternais amplexos.

  273. Sonia N. Diz:

    Montalvão:
    -
    Montalvão disse:
    “que pena. …. E o que fazer dos céticos?
    Pobres deles…
    -
    Sonia diz: Nada, oras. Vocês são tão felizes!
    Por que vocês querem provar que não existe, o que todo mundo sabe que não existe?
    -
    Nós, os espíritas, somos os poucos tontos do mundo que acreditam nesta balela. Então, por que vocês se preocupam tanto? Nós somos tontos e felizes!
    -

  274. Vitor Diz:

    É a primeira vez que eu vejo a Sônia sendo auto-crítica :)

  275. Sonia N. Diz:

    Vitor:
    -
    Eu te amo!

    Aplausos, abraços, flores, estrelas, tudo de bom…

  276. Vitor Diz:

    Imagina se me odiasse :)

  277. Sonia N. Diz:

    É a felicidade dos tontos!
    -
    Acabei de chegar do Centro…
    -
    Boa sorte, boa noite e tenha bons sonhos…

  278. Gilberto Diz:

    Será que servem o tal Santo Daime no centro da Sonia? Isso explicaria muitas coisas… Abraços…

  279. Marcos Arduin Diz:

    ### Presumo, então, que estamos acertados acerca de seu trabalho sobre a Igreja e o geocentrismo. Estou esperando.
    - Eu acho que não, Zé Carlos, pois tanto quanto pude ver, você já mostrou erudição suficiente para que eu não perca tempo (que aliás não tenho muito) em entrar nas minúcias desse assunto. É suficiente para mim saber que sua Santa Madre Igreja pôs Galileu na cadeia e Giordano na fogueira por se meterem a besta de questionar o Geocentrismo. Isso já é a prova provada de que tal conceito era levado MUITO A SÉRIO por sua Igreja e não creio que precisaria ler o processo judicial inteiro de ambos para concluir que sobre isso sua Igreja dizia sim e não ao mesmo tempo.
    -Quanto ao resto…
    .
    ### Sim. Uma compilação. E, como em toda compilação, deve-se ter um certo cuidado com o “frankenstein” resultante.
    - Eu sou DURO E PRÁTICO, Zé Carlos. Não me interessa muito o que diz uma religião ou doutrina ou postulados morais e sim quais são as consequências práticas deles. De nada adianta para mim um certo Cristo ter dito: _ Ame ao próximo como a si mesmo _ Se os que proclamam essas palavras promoveram massacres, intolerância, escravidão, abusos de autoridade, etc e tal.
    .
    ### Essa é uma questão de exegese bíblica e de progressão da Revelação. Pode ser discutida, em âmbito teológico. Vou colocá-la à parte, já que o sr. me deve, antes, seu trabalho sobre a Igreja e o geocentrismo. Depois, aqui ou (preferencialmente) noutro fórum, poderemos discutir isso detalhada e demoradamente. É um assunto fascinante, e creio que ambos temos muito a compartilhar e a aprender.
    - Já disse porque entendo que a sua Santa Madre Igreja levava a sério o Geocentrismo e fico com a impressão de que se tiver de detalhar a coisa, falarei a quem já sabe.
    Já disse alguém que Estatística é torturar os números até que eles digam o que queremos. Pelo que tenho visto nos textos religiosos, acho que exegese e hermenêutica devem ser algo parecido em relação ao texto bíblico…
    .

    ### Pelo que o sr. mencionará a partir de agora, creio que ele simplificou demais, e enganou-se em vários pontos. Não entrarei em maiores detalhes, já que, quanto a isso, o sr. apresentar-me-á todo o “rationale”, que faz parte de seu trabalho acerca da Igreja e do Geocentrismo. Permitir-me-ei apenas algumas rápidas pinceladas.
    - Bem, obrigado pelo detalhamento, que eu não quis fazer por achar válida a frase de Oscar Wilde: _ Livros que esgotam o assunto nos esgotam também. _ Eu não pretendi entrar em ordem cronológica, aperfeiçoamentos, epiciclos, etc. ou citar opiniões divergentes _ o que interessava era só o CONCEITO GEOCÊNTRICO _ e o produto final: o Geocentrismo era válido e aceito como VERDADE pela sua Santa Madre Igreja, tanto que Galileu e Giordano…
    .
    ### Vamos por partes. O cônego Nicolau Copérnico, influenciado por certas idéias pitagóricas, e também pela antiga concepção de Aristarco de Samos, ressuscitou tal sistema, mas melhorando-o sensivelmente, através em parte das ferramentas utilizadas pelo próprio Ptolomeu. …. etc.
    - Exatamente. Copérnico não chegou ao heliocentrismo por medidas, até porque era um pão-duro que preferiu usar um instrumento mais tosco, quando já existiam melhores em sua época, e só deixou registradas 40 medidas, o que é insuficiente para concluir qualquer coisa.
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    ### Mas querer afirmar que realmente o Sol está no centro do Mundo e gira apenas sobre si mesmo sem correr do Oriente ao Ocidente, e que a Terra está no Terceiro Céu, e gira com suma velocidade em volta do Sol, é coisa muito perigosa, não só de irritar todos os filósofos e teólogos escolásticos, mas também de prejudicar a Santa Fé, ao tornar falsas as Sagradas Escrituras.
    - Como vê, o tal bondoso cardeal fechou a questão do dogma no texto acima. O Geocentrismo era tido como o verdadeiro _ A REALIDADE. Seus sucessivos aperfeiçoamentos eram só APERFEIÇOAMENTOS: não mudavam a essência do conceito.
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    ### Me parece que as coisas não foram assim tão “lineares” como o sr. dá a entender. Mas, como o sr. nos brindará com um trabalho mais detalhado, prefiro esperar por tal trabalho. O que posso lhe garantir (e creio que o sr., pesquisando com cuidado a situação, confirmará), é que Galileu insistiu em que sua hipótese ERA a realidade, mas que não pôde apresentar provas convincentes, à época, para isso. E que, numa atitude no mínimo imprudente, minou todos os apoios que tinha, inicialmente, no meio científico católico, incluindo o dos jesuítas (entre os quais encontravam-se vários dos maiores astrônomos da época). Mas, como disse, aguardo o seu texto detalhado, sr. Arduin.
    - Acho que vou ficar devendo esse brinde, pois você mesmo já me poupou do trabalho. A questão que eu levantei era: A Santa Madre Igreja levava a sério o Geocentrismo _ inclusive como dogma de fé _ ou não? No seu parágrafo já está claro que sim, pois se Galileu quis “mudar a realidade” para pior com relação à fé…
    E não sei se suas provas eram insuficientes, acho que ele não seria tão imprudente a ponto de falar do que não tinha certeza. Numa coleção da Abril, OS GRANDES PERSONAGENS DA HISTÓRIA UNIVERSAL, traz um trecho onde Galileu dizia: _ Passei a apresentar as minhas provas, mas por infelicidade minha NÃO FORAM OUVIDAS. Berravam indignados o tempo todo, querendo me convencer do escândalo.
    .
    ### A revelação divina não diz respeito a como a Natureza funciona. Já comentei sobre isso, até mesmo de modo detalhado. Procure minhas considerações neste “blog”, que, se não me engano, foram-lhe inclusive dirigidas, sr. Arduin.
    - Sabe, volta e meia aparecem textos, em geral evangélicos, citando coisas que “provam que a Bíblia foi escrita por um Criador com conhecimento de causa” e que, portanto, fala de como a Natureza funciona. Um exemplo é a determinação da circunscisão no oitavo dia…
    Agora o que eu disse É O QUE A BÍBLIA DIZ. Não se trata ali da descrição de nenhum mecanismo de como a natureza funciona… É só “pá-pum”!
    .
    ### Ou seja, não têm “núcleo duro” nenhum; na prática (em termos do Espiritismo kardecista, ao menos), cultuam apenas a “lógica humana” – de novo, para quê consultar os espíritos?
    - Adianta alguma coisa um suposto Deus, através de supostos profetas nos revelar um “núcleo-duro” que ao longo do tempo se comporta como um elástico e, podendo ser esticado ou encolhido para caber em cada situação ou época?
    .
    Quanto ao resto, isso leva tempo e como você está com o mesmo problema que eu _ temos trabalho a fazer _ então fica para outra ocasião.
    Valeu.
    .

  280. Sonia N. Diz:

    Marcos:
    -
    Por isso que eu desisti.
    -
    Fico com Einstein:

    “A leitura após certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo o homem que lê de mais, usa o cérebro de menos e adquire a preguiça de pensar”.
    -
    “A imaginação é mais importante que o conhecimento. Conhecimento auxilia por fora, mas só o amor socorre por dentro. Conhecimento vem, mas a sabedoria tarda”.
    -
    “O homem erudito é um descobridor de fatos que já existem – mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir”.
    -
    “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original”.
    -
    “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.
    -
    “A tradição é a personalidade dos imbecis”.

  281. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Arduin:

    Bem, então, que seja para uma próxima vez. Quero deixar claro que nada tenho contra a concisão e a simplificação (embora talvez muitos não acreditem nisso…), mas jamais à custa de levar, ou de poder levar, a uma apreciação falsa dos fatos. Se, como se costuma dizer, o preço da democracia é a eterna vigilância, então um dos preços da verdade (ou da busca da verdade) é a investigação minuciosa.

    O sr. fala que, para a “a Santa Madre”, o geocentrismo era algo importante, a ponto de quase levar Galileu à fogueira, e de tê-lo feito efetivamente com Bruno. Essa observação, a meu ver, é um exemplo cristalino do que uma “concisão” e “simplificação” excessivas do problema podem gerar. O geocentrismo era importante não só para a Igreja, mas para a sociedade como um todo; era o que parecia “verdadeiro” (afinal, o sr. “sente” a Terra girar?), era apoiado por todos os “cientistas” de renome, era também, aparentemente apoiado pelas próprias Escrituras, etc. Para desafiá-lo, qualquer sistema teria de apresentar evidências de MUITO peso. Belarmino “fechou” a questão diante do que era o “consenso” da época, mas (como o sr. pode perceber lendo os trechos de sua carta a Foscarini aqui citados) “abriu-a” no que concerne a uma possível demonstração convincente do novo sistema, asseverando inclusive que uma reinterpretação do entendimento das Escrituras deveria seguir-se. Quanto ao “affair” Galileu, embora ninguém nesse “imbróglio” possa ser considerado inocente, uma boa parte da confusão foi criada pelo próprio temperamento de Galileu. E, quanto a Bruno, dizer que ele foi queimado por causa de suas convicções heliocêntricas, ou copernicanas, é simplesmente piada. Aliás, considerar Bruno como um “mártir da ciência” é, em si, uma piada. Isso, claro, não significa apoiar a morte da pessoa, mas querer transformá-lo (como a Galileu) em “mártir da ciência” é simplesmente ridículo. Apesar de (nossa) crônica falta de tempo, seria muito interessante, quanto a Bruno, e mesmo quanto ao “renascimento cultural” dos séculos XV-XVI (assuntos muito mal conhecidos, e pior interpretados), a leitura da obra da dama Frances Amelia Yates, “Giordano Bruno e a Tradição Hermética”, aqui editado pela Cultrix. Vale mesmo pela leitura, e, via Internet, sai por cerca de R$ 50.

    De qualquer modo, então, até julho… Abraços,

    JCFF.

    —(*)—

    Sra. Sônia N:

    No que diz respeito a “preguiça mental”, creio que a sra. pode nos instruir bastante a respeito, tendo em vista inclusive o nível das “pesquisas” que tem postado neste “blog”.

    JCFF.

  282. moizes montalvao Diz:

    .
    Sonia disse: “Por isso que eu desisti…Fico com Einstein”.
    .
    Ditosa, permita-me um pitágoras na sua divagação einsteiniana.
    .
    Primeiro, antes do segundo: os gênios são criaturas de mente privilegiada em algum ou alguns setores do saber, não são necessáriamente sábios. Fora de suas áreas de destaque podem ser tão, ou menos, medianos quanto a maioria dos comuns. Ouçamo-los quando se pronunciam a respeito de coisas além de seus domínios e cotejemos o que vale ser anotado.
    .
    Einsten havia se separado da esposa e morava sozinho. Sua filha (ou uma delas, não lembro quantos filhos eram) foi visitá-la. O gênio estava preparando o almoço, uma sopa. Um dos componentes era ovo cozido, que fora posto com casca. A moça notou que havia algo incrustado na obra galinácea. Examinou melhor e constatou tratar-se de titica. Einstein colhera o ovo e esquecera, ou não sabia, que entre a produção e a cozinhação havia processo intermediário chamado lavagem. Quantos ovos cagados o cientista não teria comido?
    .
    Considerando a advertência, analisemos as exortações einstenianas:
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    “A leitura após certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo o homem que lê de mais, usa o cérebro de menos e adquire a preguiça de pensar”.
    .
    COMENTÁRIO: não é informado após que idade a leitura se torna distrativa. Tampouco o que significa “ler demais”. Recomendação, portanto, pouco produtiva.
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    “A imaginação é mais importante que o conhecimento. Conhecimento auxilia por fora, mas só o amor socorre por dentro. Conhecimento vem, mas a sabedoria tarda”.
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    COMENTÁRIO: miscelânia de conceitos sem muito nexo. O que tem a imaginação com a sabedoria? Ou com o amor? Certamente, haveria muito o que se explicar sobre em que sentido se pode dizer que a imaginação seja mais importante que o conhecimento…
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    “O homem erudito é um descobridor de fatos que já existem – mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir”.
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    COMENTÁRIO: também não diz muita coisa, o que significa “valores que não existem”? alguém pode criar método infalível de roubar bancos. Será um valor novo, outrora inexistente… Outras definições sobre o que seja o sábio certamente não esbarram na dita acima. Eu tenho “uma minha”: o sábio é que aquele que aprendeu viver plenamente, extraindo o melhor da existência, sem prejudicar seu próximo.
    .
    “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original”.
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    COMENTÁRIO: isso conta para qualquer idéia, inclusive “idéia de jerico”? Conheço gente que está sempre se abrindo para idéias novas, nenhuma que preste. E outra: será que mente inchada é sinônimo de inteligência?
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    “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.
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    COMENTÁRIO: essa é até razoável…
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    “A tradição é a personalidade dos imbecis”.
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    COMENTÁRIO: outra que não diz muito. Parece daquelas frases que motoristas filósofos gravam em pára-choques, qual: “A força da tua inveja é a velocidade do meu sucesso”…
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    Por fim, querida amiga, não desista nunca, afinal você é ou não brasileira? Lula está de olho…
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    Tratando de frases de efeito, fico com a de meu filósofo predileto (Montalvão das quebradas): “viva da melhor forma possível, mesmo que morra tentando”.
    .
    Abraços sabiosos.

  283. Marcos Arduin Diz:

    Pois é, Zé Carlos, temos mais o que fazer para o momento. Deixemos pra lá essa discussão. Apenas para encerrar, lembro-o que como eu disse, prefiro ser prático e duro quanto a certas questões.
    Se Giordano Bruno virou churrasco por outras coisas além de defender o Heliocentrismo, não tô nem aí. Basta-me o Galileu, pois tanto quanto eu saiba, a ira da Santa Madre Igreja contra ele resumia-se a isso.
    -
    Quando o Champolion decifrou os hieroglifos, a sua Santa Madre Igreja ficou estarrecida: já pensou se ficasse demonstrado que os egípcios existiam antes de depois do Dilúvio (datado em 2.300 AC)? Mais uma para mostrar que a Bíblia não dizia a verdade…
    Então, em situações assim, como com o Geocentrismo, é de se perguntar o que vale mais: o dogma ou a realidade?
    -
    Quanto aos seus questionamentos, pode-se dizer que Galileu foi o real fundador da Ciência (antes ela não existia). Quando se lança uma dúvida, ela deve ser resolvida dentro do que é previsto pela hipótese. Pelo sistema heliocêntrico, ficava bem explicado porque Mercúrio e Vênus não se afastam do Sol. Já pelo sistema geocêntrico, não havia razão para isso acontecer. Mas, disse você que havia bons astrônomos jesuítas. Quais deles discutiram com Galileu e demonstraram que ele estava errado, sem nem precisar recorrer às Escrituras?
    -
    Pense e me responda em julho.
    Abraços

  284. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sr. Arduin:

    Dizer que a “ciência moderna” simplesmente “não existia” antes de Galileu é não apenas algo forte mas, no mínimo, incompleto (eu diria mesmo inexato). Novamente, a situação é bem mais complexa do que uma visão “minimalista” ou “resumida” ensejaria.

    Apenas como “avant-première” sobre nossas futuras conversas acerca de tais temas, deixaria duas séries de citações sobre a atividade científica (e astronômica) dos Jesuítas, sobre os problemas teológico-científicos envolvidos e sobre os contatos (amigáveis inicialmente, depois envenenados principalmente pela inabilidade de Galileu) entre os jesuítas e o cientista.

    A primeira série de citações encontra-se em “A Globalização e os Jesuítas – Origens, Histórias e Impactos”, Anais, II, Maria Clara Lucchetti Bingemer, Ed. Loyola, 2007 – Anais do Seminário Internacional realizado entre 25 e 29 de setemro de 2006 na PUC-RJ, na Unisinos – São Leopoldo – RS e na Faculdade Jesuítica de Filosofia e Teologia – BH), especificamente na conferência “Contribuição da Companhia de Jesus para a renovação científica da Idade Moderna”, de Alfredo Dinis, SJ, Faculdade de Filosofia – Braga, Portugal.

    Às páginas 177-178:

    “Com efeito, a atividade intelectual dos jesuítas, desde a fundação da Companhia de Jesus até à sua supressão em 1773, nem sempre foi vista como muito positiva. Por um lado, os jesuítas aparecem como estando na origem da condenação de Galileu, como sendo incapazes de se abrirem aos novos rumos do saber que conduziram ao surgimento da ciência moderna a partir do século XV. Por outro lado, a instituição de uma censura interna à Companhia de Jesus que passava a pente fino os livros que os seus membros desejavam publicar criou nos historiadores a imagem de que existia entre os jesuítas uma total ausência de liberdade de investigar, pensar e publicar. Feingold resumiu esta imagem da Companhia de Jesus nos seguintes termos: “… a percepção de que os seus membros estavam comprometidos com uma pedagogia humanista estéril, com a filosofia aristotélica e com a filosofia tomista, conduziu à conclusão de que eles não deveriam ser contados entre os que contribuíram para desenvolvimentos posteriores. Os jesuítas puderam assim ser desvalorizados como pedagogos, até mesmo como obscurantistas, como alguém a quem faltava algo considerado central para a emergência da ciência moderna: um compromisso explícito e ativo para com a novidade e a mudança. Uma outra acusação feita à Companhia de Jesus afirmava que os seus membros perseguiam ativamente os proponentes de novas idéias científicas. No período inicial da Idade Moderna, alguns consideravam dever-se culpar os Jesuítas por praticamente todas as ações realizadas contra a nova ciência. Galileu e Descartes fizeram isso, tal como os seus discípulos, e do mesmo modo os seus admiradores, mesmo sendo verdade que os jesuítas estavam em grande parte inocentes. O forte sentimento antijesuítico tornou possível que estas acusações fizessem efeito e fossem perpetuadas. Formou-se entre os historiadores o consenso de que existiam poucos motivos para que a ciência praticada pelos jesuítas fosse seriamente estudada”. [Mordechai Feingold, Prefácio em “Jesuit Science and Republic of Letters”, Cambridge, MA, “The MIT Press”, 2002, viii]. Uma das razões que explicam a distorção que tem existido entre os historiadores acerca da ciência praticada pelos jesuítas no início da Idade Moderna tem a ver com o paradigma historiográfico que dominou até recentemente.

    O paradigma historiográfico tradicional tendeu a considerar dignos de interesse e investigação apenas os grandes nomes da história da ciência, como Kepler, Galileu ou Newton. Mas é evidente que quando se fala de fundadores da modernidade não se pode de modo nenhum desvalorizar a importância de muitos intelectuais, entre os quais não poucos jesuítas, que contribuíram com o seu trabalho para que esses fundadores emergissem. Também neste aspecto tem havido uma grande mudança no modo de compreender os inícios da modernidade. Os intelectuais deste tempo, incluindo os jesuítas, estavam em contato permanente entre si, quer através de publicações e correspondência, quer através de encontros pessoais. Galileu é, a este respeito, um caso paradigmático, uma vez que manteve intensos e constantes contatos com os seus contemporâneos, entre os quais diversos jesuítas, que condiziam investigações no campo científico. Este fato só recentemente começou a ser reconhecido, sobretudo a partir de estudos de William Wallace [“Galileo and his Sources: the Heritage of the ‘Collegio Romano’ in Galileo’s Science”, Princeton, 1984], Ugo Baldini [“’Legem Impone Subactis’ – Studi su Filosofia e Scienza dei Gesuiti in Itália, 1540-1632”, Roma, Bulzoni, 1992; “Saggi sulla Cultura della Compagnia de Gesù, secoli XVI-XVIII, Pádua, CLEUP Ed., 2000] e Mordechai Feingold [já citado], entre outros.

    (…)

    às págs. 182 e 184–185:

    [Sobre o grande Cristóvão Clávio, ensinou por 45 anos no Colégio Romano], formando sucessivas gerações de jesuítas que foram depois ensinar nos colégios e universidades da Companhia de Jesus, e evangelizar os povos distantes. Clávio publicou 19 obras, dentre as quais uma edição dos “Elementos” de Euclides (1589), uma “Geometria Practica” (1604) e uma “Opera Mathematica” (1611). Os seus conhecimentos de Astronomia levaram o papa Gregório XIII a nomeá-lo para a comissão que reformou o calendário gregoriano, e fizeram dele um dos principais interlocutores de Galileu [cf. Ugo Baldini, “Cristoforo Clavio insegnante e teórico di Astronomia, 1563-1593”, in “Saggi sulla Cultura della Compagnia di Gesù”, já citada, págs. 15-48]. Algumas de suas obras foram sucessivamente reeditadas e utilizadas no ensino em toda a Europa e nos países de missão. O missionário italiano Matteo Ricci traduziu algumas das obras de Clávio para o chinês.

    As cartas que sobreviveram entre a sua enorme correspondência revelam que ele era interlocutor privilegiado não apenas de muitos italianos, entre os quais Galileu, mas de muitas outras figuras de relevo em diversos países. Filósofos, cientistas, reis e bispos são apenas algumas das classes de pessoas que o consultavam. Foi determinante a sua influência na importância que a “Ratio Studiorum” atribui ao estudo da Matemática, uma área em que Clávio se tornara uma autoridade incontornável. Ann Blair reconhece que este jesuíta “… se manteve atualizado em relação a novos desenvolvimentos na matematização dos fenômenos físicos, como o movimento, algo que para a maior parte dos aristotélicos tradicionais se assemelhava a uma impossível superação de fronteiras disciplinares” [“Natural Philosophy”, in Katharine Park & Lorraine Daston (Eds.), “Cambridge History of Science – Early Modern Science”, Cambridge University Press, 2006, pág. 388]. Feingold considera indispensável reconhecer que a matematização dos fenômenos físicos, uma característica fundamental da ciência moderna, recebeu contributos não apenas de Clávio, mas de muitos outros jesuítas dos séculos XVI e XVII (…) O Colégio Romano foi um dos lugares mais importantes onde as novas descobertas científicas eram objeto de discussão, e onde as suas implicações filosóficas e teológicas eram mais sistematicamente analisadas. Ele foi também um dos principais pontos de contato entre os jesuítas e Galileu.

    (…)

    Os jesuítas são habitualmente vistos como adversários e inimigos de Galileu, mas a verdade é que este teve inúmeros contatos com eles, particularmente no Colégio Romano, como se disse, contatos que foram significativamente frutuosos para o próprio Galileu. Contrariamente à opinião corrente até há pouco, segundo a qual os jesuítas eram inimigos declarados de Galileu e se manifestaram incapazes de compreendê-lo. William Wallace considera que “… seria mais justo afirmar que Galileu se beneficiou dos seus contatos com os jesuítas durante mais da metade da sua vida, e que pelo menos alguns dos seus êxitos como cientista podem ser-lhes creditados” [“Galileo’s Jesuit Connections and their Influence on his Science”, in Mordechai Feingold (Ed.), “Jesuit Science”, 99]. O primeiro contato de Galileu com os jesuítas, certametne com Clávio, entre outros, verificou-se em 1587, no Colégio Romano. Mais tarde, entre 1589 e 1591, ele freqüentou aulas de alguns professores do Colégio, como Paulo Valla. A esta conclusão chegou William Wallace depois de muitos anos de investigação, comparando os manuscritos das aulas lecionadas no Colégio nos anos em que Galileu por lá passou com os manuscritos os primeiros apontamentos de Galileu, afirmando que estes apontamentos são praticamente notas de leitura das aulas de Valla, e provavelmente de outros jesuítas que ensinavam no Colégio. Este período coincide aliás com o início da carreira de Galileu como professor na Universidade de Pisa [cf. “Jesuit Influences on Galileo’s Science”, John O’Malley et al, “The Jesuits II – Cultures, Sciences and the Arts, 1540-1773”, Toronto University Press, 2006, págs. 314-335]. Segundo Wallace, “… isso prova que idéias iniciais de Galileu sobre o método científico e sobre o estudo do movimento não foram formada exclusivamente pelos professores, como Francesco Buonamici, que o ensinaram em Pisa. Elas foram também influenciadas pelos jovens jesuítas colegas e provavelmente discípulos de Cristóvão Clávio, que ensinavam Lógica e Filosofia Natural em Roma. Além disto, muita da terminologia utilizada pelos jesuítas ao tratar destas matérias foi adaptada por Galileu e desenvolvida por ele como parte integrante das ‘nuove scienze’ que ele iria elaborar nos seus escritos posteriores” [“Galileo’s Jesuit connections”, pág. 100]. O contato dos jesuítas com galileu e a influência que exerceram sobre ele representam certamente uma importante ntersecção da Companhia de Jesus com a modernidade, algo que tem sido negligenciado”.

    Até aqui, as palavras de Alfredo Diniz.

    Creio que há aqui material suficiente para ulteriores reflexões.

    A segunda série de citações encontra-se em “Os Jesuítas: Missões, Mitos e Histórias”, Jonathan Wright, Relume Dumará, Rio de Janeiro, 2006, Págs. 203-204 e 206:

    “Desde que as idéias de Copérnico fossem tratadas como uma hipótese matemática, útil para calcular os aparentes movimentos dos céus, em vez de serem aclamadas como um relato preciso da realidade física do cosmos, não haveria realmente problema. Este, entretanto, foi o limite que Galileu ultrapassou. Ele insistiu que o modelo copernicano consistia numa descrição precisa de como o universo realmente era. Infelizmente, não tinha nenhuma prova definitiva para sua afirmação. Sua insistência de que os clérigos deveriam começar a interpretar passagens da Escritura de maneira nova, menos literal, estava fadada a incomodar. Ninguém questionava – de fato, o jesuíta [Cardeal] Robeto Belarmino disse isso explicitamente para Galileu – que o livro da natureza e a Bíblia tinham que concordar: essa era uma questão de lógica, já que ambos tinham Deus como autor. Se havia uma contradição aparente, então se tratava de uma falha de interpretação, e se uma prova irrefutável da teoria heliocêntrica pudesse ser fornecida, então palavras como aquelas em Josué deveriam ser reinterpretadas. Entretanto, segundo insistiu Belarmino, a não ser que se tivesse uma prova irrefutável, não seria razoável permanecer com a interpretação tradicional?

    Nesse meio tempo, a teoria poderia certamente ser usada como uma hipótese útil, talvez até mesmo louvável. Entretanto, um cientista que se desviasse em direção a comentários a respeito do papel e da competência da exegese bíblica – citando o famoso dito do Cardeal Baronius, “a Bíblia nos diz como chegar ao Céu, não como funcionam os Céus”, e coisas do tipo – iria sem dúvida nenhuma causar irritação, principalmente numa Igreja tridentina, ferozmente comprometida com a idéia de fazer da interpretação da Bíblia uma questão reservada apenas aos teólogos (e nada daquela exegese luterana com livre acesso a todos) e que, depois de um século de mudança e novidade, suspeitava de qualquer tipo de inovação.

    Galileu irritou os jesuítas, mas não porque fossem extraordinariamente resistentes a tudo o que ele tinha a dizer. Antes do famoso drama (da “lei do silêncio” em 1616 até ao julgamento de 1633), os jesuítas no Colégio Romano (de quem, como se soube, Galileu de fato derivou uma e suas teorias físicas) estavam perfeitamente felizes, olhando através de telescópios e confirmando as observações do astrônomo. Galileu era um correspondente amigável do jesuíta Cristóvão Clávio, e o jesuíta Cristóvão Grienberger o defenderia diante das críticas iniciais; Galileu seria recebido no Colégio Romano em 1611 como um hóspede de honra, digno de celebrações elaboradas, e os jesuítas falariam dos satélites de Júpiter em seus sermões. [Obs.: rapidamente os jesuítas romanos confirmaram as descobertas de Galileu expressas no “Sidereus Nuncius” de 1610, e as apoiaram publicamente; e já em 1615, o “Sidereus Nuntius” era objeto do curso de João Paulo Lembo, no Colégio de Santo Antão, em Lisboa – JCFF]

    Haveria rixas entre determinados jesuítas e Galileu (com Scheiner a respeito das manchas solares, com Horácio Grassi a respeito dos comentas), mas, de um modo geral, o gênio da observações de Galileu era totalmente reconhecido pela Companhia de Jesus. Adam Schall von Bell – apesar de nã obter chegado a discutir o heliocentrismo – levaria até mesmo notícias dessas observaç~eso para a China, incluindo de bom grado conversas sobre as montanhas na Lua e as fases de Vênus em seu tratado astronômico de 1626. Uma afinidade indiscutível entre Galileu e os cientistas da Companhia causou, ou melhor, aprofundou, rivalidades institucionais entre jesuítas e membros da ordem dominicana – que rotineiramente se recusavam a manter qualquer diálogo com as novas teorias. Essa foi uma conseqüência que alguns dentro da Companhia podiam aceitar: ameaças teológicas e filosóficas talvez pudessem ser contidas, permitindo que os benefícios práticos fossem inteiramente explorados. Quando, entretanto, Galileu insistiu, sem provas suficientes, que o sistema copernicano era literalmente verdadeiro, pressionou demais os jesuítas.

    Sabemos que Galileu estava certo, e era praticamente impossível para as pessoas naquela época acharem que Galileu estivesse provavelmente certo. Entretanto, a resposta da Igreja, de alguém como Roberto Belarmino, p.ex., não deve ser demonizada. O caso Galileu não representou uma batalha entre religião e ciência, mas uma batalha entre paradigmas científicos antagônicos e o desejo de se manter ligado a um modelo aristotélico de ciência já bem estabelecido, quando não parecia haver nenhuma razão contundente para abandoná-lo. Nas primeiras décadas do século XVII era uma política intelectualmente viável.

    De maneira também importante, não faz sentido falar de uma responsabilidade católica ou jesuíta unificada a Galileu. Alguns jesuítas atacaram Galileu de maneira um tanto virulenta, alguns o abandonaram com relutância ou covardia, outros buscaram encontrar um meio termo na cosmologia de Tycho Brahe, e ainda outros fariam grande pressão para que se usasse o sistema de Copérnico como um modelo hipotético ideal. Em 1671, Honorato Fabri passaria 50 dias na prisão por fazer isso com tanto prazer. Alguns jesuítas, tais como Venceslau Kirwitzer e uma série de astrônomos na Espanha e em Portugal pareciam até mesmo ter aceitado que a teoria copernicana era uma representação precisa da realidade física.

    (…)

    Alguns jesuítas de fato se apegaram ao que se interpretava como idéias e conceitos científicos moribundos por pura preguiça e conveniência, e por causa disso a reputação da Companhia foi prejudicada. Outros, entretanto, surgiram como defensores proeminentes de novas tendências científicas, e não apenas porque queriam evitar de serem dispensados de suas posições acadêmicas. Um jesuíta cartesiano não era uma figura desconhecida na cena intelectual européia, enquanto jesuítas como Gaspar Sagner e José Stepling seriam úteis na divulgação das idéias de Newton, dentro e fora da Europa. Tiago Belgrado, por sua vez, faria uma importante contribuição para a emergente ciência da Eletricidade. E, além disso, fosse qual fosse o paradigma científico com o qual um jesuíta em particular concordasse, isso não necessariamente influenciava a qualidade de sua pesquisa. Um pessoa poderia fazer observações astronômicas importantes, acreditasse ou não que a Terra orbitava em redor do Sol; uma pessoa poderia produzir avanços na tecnologia do microscópio, não importando se acreditava ou não em teorias botânicas modernas. Filipe Buonanni trabalhou inteiramente dentro de uma estrutura interpretativa aristotélica, mas ninguém pode questionar a importância de seus estudos a respeito das conchas do mar. Inácio Gastão Pardies criticou a teoria da cor de Newton, mas sua crítica na verdade serviu para melhorar e aperfeiçoar as idéias do cientista.”

    Até aqui, as palavras de Wright.

    Quanto a Jean-François Champollion (1790-1832), que decifrou os hieróglifos (seus estudos começaram em 1808, mas somente em 1822 terminou a tarefa…), não sei muito a respeito, mas, pelo que me lembro, o que o diferenciou dos outros que tentaram a mesma empresa foram, principalmente, os dois seguintes pontos: a) não deu importância às fantasias mirabolantes da “Hieroglífica” de Horapolo de Nilópolis (escritor egípcio da Antiguidade Tardia), a qual apresentava a escrita hieroglífica como inteiramente simbólica, e mais, esotérica; e b) basear-se nos estudos coptas do jesuíta Atanásio Kircher, do séc. XVII. Diferentemente de Kircher (que tentou decifrar os hieróglifos, a partir das inscrições constantes nos obeliscos romanos, usando como guia Horapolo), Champollion intuiu que a chave da pronúncia do antigo idioma egípcio estava no copta, que seria a forma mais “moderna” da velha linguagem da época dos Faraós (e acertou). Também, ele partiu do princípio que nomes estrangeiros seriam transliterados para o egípcio foneticamente; e começou seus estudos a partir dos cartuchos dos reis ptolomeus e dos imperadores romanos, podendo “colecionar”, por comparação dos nomes e titulaturas gregas e coptas, o significado (fonético) de muitos símbolos.

    Que eu saiba, não houve nenhuma oposição da Igreja a seus estudos, nem antes e nem depois de 1822. Em 1824, realizou, patrocinado pela Coroa francesa, uma viagem à Itália, e em Roma pôde examinar não apenas os obeliscos, mas teve acesso livre às coleções papirológicas da Biblioteca do Vaticano. Na ocasião, o próprio papa reinante, Leão XII (1823-1829), o convidou a preparar um trabalho relativo aos obeliscos romanos, que foi impresso às custas do pontífice.

    É isso. Abraços, e até julho,

    JCFF.

  285. Sonia N. Diz:

    MONTALVÃO:

    Sonia disse: “Por isso que eu desisti…Fico com Einstein”.
    .
    MONTALVÃO: “Ditosa, permita-me um pitágoras na sua divagação einsteiniana.”
    .
    MONTALVÃO: “Primeiro, antes do segundo: os gênios são criaturas de mente privilegiada em algum ou alguns setores do saber, não são necessáriamente sábios. Fora de suas áreas de destaque podem ser tão, ou menos, medianos quanto a maioria dos comuns. Ouçamo-los quando se pronunciam a respeito de coisas além de seus domínios e cotejemos o que vale ser anotado”
    Sonia responde- Qual a novidade na sua observação? É o óbvio! Só que as citações de Einstein, são o resultado de SUAS (portanto, de seus domínios) experiências e observações, algumas bem documentadas em suas biografias.
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    MONTALVÃO: “Einsten havia se separado da esposa e morava sozinho. Sua filha (ou uma delas, não lembro quantos filhos eram) foi visitá-lo. O gênio estava preparando o almoço, uma sopa. Um dos componentes era ovo cozido, que fora posto com casca. A moça notou que havia algo incrustado na obra galinácea. Examinou melhor e constatou tratar-se de titica. Einstein colhera o ovo e esquecera, ou não sabia, que entre a produção e a cozinhação havia processo intermediário chamado lavagem. Quantos ovos cagados o cientista não teria comido?”
    Sonia responde- Você apenas ilustrou o que já havia dito, com erros. Einstein teve três filhos, de seu primeiro casamento: Lieserl, Hans e Eduard. Lieserl (a única menina) morreu ainda bebê, Hans tornou-se professor de Hidráulica, e Eduard, formado em Música e Literatura, morreu em um hospital psiquiátrico na Suíça. Quanto ao fato dele ter comido ovos com titica, pelo jeito não fez diferença alguma, nem à sua genialidade, invejada por todos os cientistas de sua época, nem à sua saúde, pois, morreu em idade avançada.
    -
    MONTALVÃO: Considerando a advertência, analisemos as exortações einstenianas:
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    Einstein: “A leitura após certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo o homem que lê de mais, usa o cérebro de menos e adquire a preguiça de pensar”.
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    MONTALVÃO: Não é informado após que idade a leitura se torna distrativa. Tampouco o que significa “ler demais”. Recomendação, portanto, pouco produtiva.
    Sonia responde- Para um bom entendedor, poucas palavras bastam. Não esqueça que ele pensava como um gênio.
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    Einstein: “A imaginação é mais importante que o conhecimento. Conhecimento auxilia por fora, mas só o amor socorre por dentro. Conhecimento vem, mas a sabedoria tarda”.
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    MONTALVÃO: Miscelânia de conceitos sem muito nexo. O que tem a imaginação com a sabedoria? Ou com o amor? Certamente, haveria muito o que se explicar sobre em que sentido se pode dizer que a imaginação seja mais importante que o conhecimento…
    Sonia responde- Pois é, Montalvão. Coisas de gênio…não se explica. Ou você entende, ou não entende
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    Einstein: “O homem erudito é um descobridor de fatos que já existem – mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir”.
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    MONTALVÃO: Também não diz muita coisa, o que significa “valores que não existem”? alguém pode criar método infalível de roubar bancos. Será um valor novo, outrora inexistente… Outras definições sobre o que seja o sábio certamente não esbarram na dita acima. Eu tenho “uma minha”: o sábio é que aquele que aprendeu viver plenamente, extraindo o melhor da existência, sem prejudicar seu próximo.
    Sonia responde- Roubar bancos não é um bom exemplo. Isso demonstra a sua dificuldade em criar algo novo, como justificativa. Melhorar o método de roubar, definitivamente, não é um novo valor, é simplesmente aperfeiçoar o que já existe. E é só o que a maioria faz, ou seja, melhorar o que os verdadeiramente sábios criam (imaginam!).
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    Einstein: “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original”.
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    MONTALVÃO: Isso conta para qualquer idéia, inclusive “idéia de jerico”? Conheço gente que está sempre se abrindo para idéias novas, nenhuma que preste. E outra: será que mente inchada é sinônimo de inteligência?
    Sonia responde- A mente só se abre (expande) com pensamentos nobres. “Idéias de jerico” são o resultado de mentes atrofiadas, que “melhoram” idéias imprestáveis, que deve ser o caso das pessoas que você disse que conhece. Quanto à sua pergunta, a mente não incha. Só o ego…
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    Einstein: “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.
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    MONTALVÃO: Essa é até razoável…
    Sonia responde- Eu diria que está bem além do razoável… Quem sou eu para questionar Einstein, nos seus domínios?
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    Einstein: “A tradição é a personalidade dos imbecis”.
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    MONTALVÃO: Outra que não diz muito. Parece daquelas frases que motoristas filósofos gravam em pára-choques, qual: “A força da tua inveja é a velocidade do meu sucesso…
    Sonia responde- A tradição manteve e mantém ainda, povos e indivíduos em atraso social, moral e intelectual, privando-os de alternativas e/ou opções. Sem falar, na impossibilidade de manifestar a criatividade, inerente à espécie humana. Não darei exemplos de imbecis e imbecilidade, em respeito aos próprios, que não sabem que o são.
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    MONTALVÃO: Por fim, querida amiga, não desista nunca, afinal você é ou não brasileira? Lula está de olho…
    Sonia responde- Aqui cabe uma pergunta. O que você quis dizer, exatamente, com “Lula está de olho…”?
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    MONTALVÃO: Tratando de frases de efeito, fico com a de meu filósofo predileto (Montalvão das quebradas): “viva da melhor forma possível, mesmo que morra tentando.
    Sonia responde- Tenho dúvidas, quanto a autenticidade…
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    MONTALVÃO: Abraços sabiosos.
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    Sonia: Saudações einsteinianas!

  286. Sonia N. Diz:

    Sr. José Carlos:
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    Tanto o senhor tem pedido, que passo a responder.
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    JOSÉ CARLOS: “No que diz respeito a “preguiça mental”, creio que a sra. pode nos instruir bastante a respeito, tendo em vista inclusive o nível das “pesquisas” que tem postado neste “blog”.”
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    Antes de mais nada, ainda não postei pesquisa alguma nesse blog. Colei os seguintes links: http://www.sobreasaguas.com.br/romano.htm e
    http://www.espada.eti.br/catolica.htm
    e coloquei no 4shared.com – armazenamento e compartilhamento de arquivos grátis, atendendo à sua solicitação, em resposta ao seu desafio, para que eu provasse, historicamente, que a Igreja do Catolicismo Romano formou-se a partir da ganância e do poder. Porque eu fiz essa afirmação, em um dos comentários trocados com o senhor, há mais de um mês atrás. E que quase lhe provocou um colapso nervoso, pelo inusitado da questão. Creio, senhor, que apenas si (perdoai-me Camões, se empreguei errado o si) desconhecia essa realidade. Peço perdões, por tirá-lo dessa doce ilusão.
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    O senhor ainda está chocado com a minha “colagem” , alegando que um dos site é de uma evangélica que odeia os católicos (e os espíritas também) e o outro site “só Deus sabe de quem é”, mas tem matéria a perder de vista (pejorativas), a respeito da Igreja Católica.
    .
    Chamou-me de preguiçosa, relapsa, mal-educada, que não gosto de pensar, que dou desculpas esfarrapadas; enfim, só não disse que eu sou um amor. De resto, virei a chacota do blog. Com isso, persegue-me em todos os tópicos, cobrando-me a pesquisa e também uma resposta que já dei. E que o incomoda, por ser inteligente, coisa que o senhor não admite que eu possa ser, nem um pouquinho. Senhor José Carlos, quero lembrá-lo de que hoje em dia, já se admite que a mulher tem alma, coisa que a SUA Igreja negou. E, se temos alma, pensamos. Pois não?
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    Quanto à sua afirmação a respeito de minha “preguiça mental”, não arredo pé de minhas convicções. Ao contrário do que se “acha”, quem gosta de pensar, não gosta de pesquisar. Pesquisa é área de burocrático. Burocrático pesca aqui, pesca ali, pesca acolá, vai juntando, pondo um temperinho, até fazer uma bela “Paella”. E depois põe um nome diferente no prato. Conclusão, cozinha com ingredientes alheios.
    .
    A sua estreiteza de visão vem do fato de viver enterrado em livros.
    Subestima-me. Julga-me pelas “brincadeiras” que faço, vez por outra com os debatedores. O Gilberto já disse até que no meu Centro Espírita se oferece o chá do Santo Daime. (Dai-me paciência, Senhor!)
    -
    Já fui bastante generosa com o senhor, permitindo-lhe aparecer bastante às minhas expensas. Isso não me incomoda “muito”, porque estou aqui por conta de defender Chico Xavier, e não a mim, que sou um nada.
    -
    A pesquisa, cobrada incessantemente pelo senhor, com tom de dono de engenho, está pronta há muito tempo. No MEU blog.
    .
    O senhor acha que vou enriquecer o blog do Vitor, cuja única finalidade é difamar a quem defendo? E continuar dando oportunidade ao senhor,
    de se locupletar com suas intermináveis réplicas, produto de possíveis frustrações, defendendo o indefensável, que é a sua amada Igreja do Catolicismo Romano? Enquanto denigre o Espiritismo e a figura de Chico Xavier?
    -
    Não gostaria de expressar-me assim, em respeito aos católicos, dos quais tenho vários amigos, que não conhecem o “núcleo doutrinário” de sua Igreja. Se conhecessem, não lhe seriam devotos. E acho até que muitos sabem. Por isso, buscam os Centros Espíritas, assim como, outras denominações cristãs, fartos de uma mensagem vazia, sem sentido. Respondo nesse tom, em razão do senhor se referir de forma totalmente depreciativa ao Espiritismo e, pior ainda, aos espíritos (em especial, Emmanuel) e ao Chico Xavier.
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    Repito, o seu estreitamento de visão, o seu embotamento voluntário, o seu fanatismo, não conseguem fazê-lo curvar-se diante dos escândalos que, atualmente, envolvem a sua amada Igreja, no MUNDO TODO. Que NADA mais consegue abafar.
    Ninguém toca nesse assunto aqui. Veja as diferenças entre nós, os espíritas, e o senhor, Sr. José Carlos.
    -
    O senhor insiste tanto, que vou repassar um trecho do texto contido em um site Católico Apostólico Romano, a respeito da Inquisição. E o faço porque é assunto que lhe diz respeito, como historiador. http://www.paginaoriente.com/catecismo/inquisicao.htm
    .
    “Em 1231, através o Papa Gregório IX lança a bula Excommunicamus, que estabelecia a Santa Inquisição, tendo adquirido funcionamento próprio através de um decreto, de 1233, sistematizando leis e jurisprudências acerca dos crimes relativos à feitiçaria, blasfêmia, usura e heresias. Os processos eram constituídos a partir de denúncias e confissões, feitas muitas vezes para evitar de incorrer em um outro crime considerado pior: o de ser “fautor de hereges”, isto é, acobertar ou fomentar as heresias. As penas aplicadas tinha uma gradação de penas que iam do jejum, multas, pequenas penitências e até a prisão. NOS CASOS CONSIDERADOS MAIS GRAVES, OS ACUSADOS ERAM ENTREGUES AO “BRAÇO SECULAR”, ISTO É, À AUTORIDADE CIVIL, A QUAL GERALMENTE APLICAVA A PENA MÁXIMA DA MORTE NA FOGUEIRA, EM UM ATO PÚBLICO, CHAMADO, “AUTO DE FÉ”, ISSO EM CASOS EXTREMOS EM QUE O HEREGE, VOLUNTARIAMENTE NEGAVA-SE A PEDIR PERDÃO OU A RETRATAR-SE.
    …………..
    Note-se a incoerência entre estes dois trechos, em maiúsculas. O artigo é o mesmo, um dando continuidade ao outro.
    …………..
    Em conseqüência disso, foram sendo desvirtuados os verdadeiros objetivos das leis do Santo Ofício. PESSOAS CONDENADAS À FOGUEIRA, NA MAIORIA DAS VEZES, ERAM SENTENCIADAS POR MEMBROS DO CLERO EM ATENDIMENTO AOS INTERESSES DOS SOBERANOS, VEZES SEM PAR, À REVELIA DO PAPA. A QUESTÃO, PORTANTO, SUTILMENTE EMBARALHAVA QUESTÕES POLÍTICAS COM RELIGIOSAS E ESSA CONFUSÃO AINDA ECOA NOS DIAS ATUAIS. SEM DÚVIDA, MUITAS BARBARIDADES FORAM COMETIDAS, A MAIORIA DELAS EM NOME DO PAPA E DA SANTA MADRE IGREJA. EM NOME DA IGREJA, E NÃO PELA IGREJA.
    .
    ## Daí a necessidade de pelo menos tentarmos entender, mesmo que palidamente tais questões e seus reflexos exercidos por maus pastores atraídos aos cargos eclesiásticos, não por vocação, mas com a flagrante intenção de trocas de interesses e favores políticos. Surpreendentemente, muitos destes homens que receberam tais investiduras, eram santos religiosos, piedosos. Pela inata nobreza de caráter, preferiram fidelidade a Roma a serem servis aos interesses do rei. Pagando com a vida, assumiram as honras dos altares.##
    (Se o senhor puder explicar melhor este trecho, eu agradeço, porque não consegui entender, de tão incoerente).
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    Em 1542 a Inquisição foi restabelecida como órgão oficial da Igreja, revigorado e dirigido de Roma pelo Santo Ofício, sendo que seu objetivo era deter o avanço protestante em Portugal, Espanha e Itália. Tempos de significativas mudanças no mapa religioso e político da Europa.
    .
    Devemos ressaltar ainda que há muitas divergências entre os HISTORIADORES sobre a questão da inquisição. Sem dúvida, o tempo nos separou daquele capítulo longínquo, de forma que estabelecer um raciocínio preciso sobre tais acontecimentos exigiria um estudo muito aprofundado sobre o assunto. As circunstâncias da época, os conceitos da sociedade, as decisões do clero e do poder civil, toma um vulto demasiadamente complexo e talvez incompreensível para a sociedade contemporânea. O certo é que críticas a respeito e os conseqüentes ataques à Igreja sem conhecimento de causa é, no mínimo, leviandade. Como católicos, sabemos que OS PAPAS DA ÉPOCA, AGIRAM ACERTADAMENTE, E TOMARAM não posturas e atitudes pessoais, MAS SIM DIVINAS, SOB INSPIRAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO. É uma pena que os HISTORIADORES atuais tentem responsabilizar a igreja por atos isolados praticados por outros interesses, como mencionamos. NA ETERNIDADE, TUDO SERÁ DEFINITIVAMENTE ESCLARECIDO.
    (Que nome se dá a isso, senão CINISMO? CINISMO da pior espécie, porque é cometido em nome de Deus)
    .
    O senhor, Sr. José Carlos, historiador meticuloso que é, que valoriza pontos e vírgulas muito mais do que as pessoas, ARAUTO E DEFENSOR DA VERDADE, acima de tudo, deveria disponibilizar-se a fazer este trabalho para a SUA IGREJA. Em vez de ocupar seu tempo, sua capacidade de organização e compilação de dados, no triste mistér de difamar e achincalhar a Doutrina Espírita e uma pessoa exemplar, como Chico Xavier. Deveria tentar provar a inocência da Igreja do Catolicismo Romano, do horror que foi a Santa Inquisição e o Santo Ofício (que coisa mais podre, chamar de santo e de santa, instituições criminosas!). E, principalmente, PROVAR fidedignamente, que o último trecho da matéria todo em maiúscula, é VERDADEIRO. Ou seja, que os Papas agiram sob inspiração divina, ao criar a Inquisição e colocar em prática todos os atos sórdidos que foram cometidos: milhões de pessoas perseguidas e mortas, em nome de Deus, só porque pensavam diferente dos interesses da Igreja do Catolicismo Romano. Fogueiras, torturas, infâmias, todo tipo de horror imaginável, foram colocados em ação, em nome de Deus e em nome de Jesus, que só falou em amor. Grupos étnicos foram dizimados, em nome da sua Santa Madre Igreja, o senhor sabe disso?
    .
    Se o senhor lograsse êxito num trabalho deste porte, poderia, quem sabe, redimir-se
    do mal uso que tem feito de seu talento.
    .
    Eis outro tópico do mesmo site, referente às HERESIAS:
    Para refletir:
    O estigma da heresia foi sempre e é: o orgulho. A humildade sempre foi e é o baluarte, a defesa mais segura da fé. Diz Santo Agostinho: “Há diversos caminhos que conduzem ao conhecimento da verdade, o primeiro é o da humildade; humildade é o segundo e o terceiro é ainda a humildade. Eu fiquei crente, porque me pus a crer o que não compreendia”. Santo Agostinho foi uma das inteligências mais esclarecidas que o mundo possuiu. O orgulho gerou as heresias antigas e novas. As mais antigas, como o arianismo, o nestorianismo, o luteranismo, o calvinismo, são suas filhas legítimas. As contemporâneas possuem origens externas, mas sua prática e aceitação podem facilmente culminar em cismas internos. São influências exteriores como: a macumba, O ESPIRITISMO, o ocultismo, búzios, tarô, horóscopo, tributos a Iemanjá, dentre tantas outras. Tais SEITAS procuram, de forma sistematicamente calculada, não só infiltrar suas errôneas idéias, mas principalmente, influenciar e confundir católicos e até mesmo membros do próprio clero. Em investidas não só heréticas, mas blasfematórias, fazem lavagens em escadarias de igrejas, prevêem o futuro, tentam nos seduzir numa sutil leitura de horóscopo, ou numa “brincadeira” à beira da praia na entrada do Ano Novo. O verdadeiro católico, se afasta desse laços perigosos que comprometem a salvação eterna.
    DIANTE DISSO, DEVEMOS TOMAR POSTURA FIRME. NÃO DEVEMOS SER VARAS QUE SE DEIXAM AGITAR PELO VENTO. Peçamos ao divino Espírito Santo a sabedoria necessária para que possamos IDENTIFICAR TAIS BURACOS, ARMADILHAS E CILADAS. De maneira atraente e sedutora o mundo se vale de todos os artifícios para nos afastar da Igreja de Cristo.
    .
    Tudo que está registrado aqui, foi retirado do site Católico Apostólico Romano:
    http://www.paginaoriente.com/catecismo/inquisicao.htm
    .
    Portanto, o senhor não poderá me acusar de perjúrio.
    .
    Saudações

  287. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sra. Sônia N:

    “Quem semeia ventos, colhe tempestades”.

    Foi a sra. que, por primeiro, desviou o assunto da mera discussão da existência de Lêntulo/Emanuel para ataques (gratuitos) à minha pessoa, a meus motivos para pesquisar o assunto, e depois à Igreja Católica (o que tudo isso tem a ver com Lêntulo?), e com alegações (também falsas) de que eu estaria “denegrindo Xavier”. Onde o denegri? Onde desprezei sua obra?

    De fato, a sra. desviou o assunto porque não tinha (como não tem) nenhum argumento sério a opor às minhas pesquisas (e também a outros textos postados neste “blog”). Foi-lhe dada, e aos demais, total liberdade tanto para contestar quanto para publicar o que quisessem…

    Minhas respostas foram apenas isso: não provocações, mas respostas, não a suas argumentações (porque a sra., até agora, não foi capaz de mostrar nenhuma), mas a seus ataques gratuitos e às suas mentiras. A sra. atacou gratuitamente, do nada, a Igreja, em tom de empáfia, como se fosse dona da verdade, mas mostrou-se incapaz de provar minimamente o que disse; “colou” textos pinçados do “Google”, oriundos de portais que, desgraçadamente, eram tão “duros” para com a Igreja Católica quanto para com o seu amado Espiritismo (eles estão certos ou errados afinal, hein?); enganou-se miseravelmente quando tentou insinuar que o período histórico de Jesus era “mal documentado”; mentiu quando insinuou, e continua insinuando, que eu estaria denegrindo Xavier; e agora mente quando diz que a Igreja não reconhecia alma à mulher (além das inumeráveis santas que são honradas com a veneração nos altares, Santa Teresa de Ávila é “Doutora da Igreja”…).

    Tudo isso para fugir do óbvio: a sra. não tem respostas a fornecer às evidências que aqui foram apresentadas. E, por causa disso, e porque, no íntimo, sabe que sua causa é perdida, vomita ódio ao trabalho de pesquisa: “Pesquisa é área de burocrático. Burocrático pesca aqui, pesca ali, pesca acolá, vai juntando, pondo um temperinho, até fazer uma bela ‘paella’. E depois põe um nome diferente no prato. Conclusão, cozinha com ingredientes alheios”.

    Quem cozinha com ingredientes alheios é a sra., que não consegue ir além do simples “copiar e colar”. Apenas para seu esclarecimento, isso não é “pesquisa”. É ignorância e pretensão, fruto de sua soberba, que a sra. procura ocultar com uma pseudo-humildade e uma adoração idolátrica ao nume de Xavier. Ele, para a sra., já deixou de ser o ser humano que, bem ou mal, realizou obras meritórias de caridade: é o escudo que a sra. utiliza para abrigar toda a sua ignorância e todo o seu fanatismo. É o pretexto que a sra. encontrou para dar uma aura de respeitabilidade ao seu embotamento intelectual, à sua estreiteza de visão e à sua incapacidade crítica (afinal, é tudo “para defender Chico”!…) Que belo serviço a sra. lhe presta, e a seus confrades espíritas!…

    Se a sra. se considera a “chacota do blog”, deve agradecer apenas a si própria.

    A sra., portanto, é a única responsável pela sua atual situação. Porque, de minha parte, sempre a tratei com educação, sempre procurei, dentro do possível do espaço, responder às suas indagações – até a sra., como que do nada, começar a me insultar gratuitamente, e a desviar o assunto para outros temas.

    De novo, lembro-lhe que há um modo muito simples e salutar de resolver toda essa questão: PROVANDO, racional e documentadamente, que Públio Lêntulo existiu, que foi tudo aquilo que “Emanuel” disse que foi, e mais, que esse “Emanuel” era, de fato, Lêntulo. Faça isso; para quem está de posse da “verdade”, e que nem sequer precisa de “pesquisa” para isso, deve ser fácil…

    JCFF.

  288. BEBEL MINHA FILHA Diz:

    que arrazo com a d.Sônia
    sábias palavras meu amigo
    aplausos para ti de pé
    inteligentíssimo vc

  289. Gilgamesh Diz:

    Duvidar é um direito de todos, contudo, como explicar mensagens com detalhes e pormenores que apenas pouquíssimas ou mesmo apenas uma pessoa da família conhecia? Existem muitos casos de pessoas que foram ao Chico Xavier no intuito de receber alguma mensagem de entes falecidos, e, chegando lá, nada comentaram a respeito do finado. Depois de um tempo de espera, o próprio Chico Xavier ou algum auxiliar falava em voz alta o nome do falecido e, por vezes, lia a mensagem em voz alta ou apenas entregava à(s) pessoa(s) interessada(s), esta(s) ficava(m) surpresa(s) diante de certos detalhes citados na mensagem, sem coisa alguma ter sido comentada, nem ao Chico Xavier e nem a quaisquer de seus auxiliares. Informações que apenas alguns poucos íntimos ou somente uma pessoa sabia. Detalhes como, por exemplo, certos apelidos íntimos, informações de foro íntimo, acontecimentos ocorridos não comentados, etc. Por exemplo: Em uma mensagem de um jovem falecido à sua família, ele afirma que uma cunhada, que havia perdido um filho antes de dar à luz, voltaria a engravidar e seria o mesmo espírito do feto que não vingara, e que tomasse as devidas precauções para não o perder novamente, pois tinha problemas para manter uma gestação até o fim. Todavia, ninguém havia comentado coisa alguma sobre o tal aborto involuntário a ninguém do centro espírita, incluindo Chico Xavier, é claro. Este foi um dos detalhes que deixaram os familiares perplexos. Alguns meses depois, a cunhada do falecido jovem engravidou, conforme ele havia mencionado na mensagem. A perplexidade foi maior e todos os familiares, alguns bem céticos, passaram a acreditar na veracidade das psicografias de Chico Xavier. Isto foi só um exemplo dentre muitos.

  290. Gilgamesh Diz:

    Em 1971, Chico Xavier foi ao programa Pinga Fogo da extinta TV Tupi. Neste programa, ele mencionou que havia água na Lua, e muita água. Água suficiente para sustentar grandes colônias humanas por milhares de anos. No entanto, em 1971, o homem já tinha ido à Lua mais de uma vez e nunca tinha encontrado o menor resquício de água. Os cientistas da época afirmavam categoricamente que era absolutamente impossível haver água na Lua. Na época, isto era uma certeza incontestável: “É impossível existir água na Lua, e ponto final!”. No programa Pinga Fogo, Chico Xavier afirmou que foi Emmanuel que passou tal informação a ele. A maioria esmagadora das pessoas não acreditou nele. Foi motivo até de chacota por alguns. Contudo, quase 40 anos depois, sondas descobrem água na Lua!!! Água em abundância!!! Água suficiente para manter colônias humanas por milhares de anos!!!!!

  291. Gilgamesh Diz:

    Pesquisas científicas mais recentes sobre espírito e mediunidade: http://video.google.com/videoplay?docid=-3327644094192421723#
    http://www.edconhecimento.com.br/pdf/pineal.pdf
    http://www.scribd.com/doc/1084780/27-Epifise-e-o-Mecanismo-da-Comunicacao-Mediunica-Versao
    http://oarquivo.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1780:glandula-pineal&catid=44:qualidade-de-vida&Itemid=128

  292. moizes montalvao Diz:

    Gilgamesh Disse: “Existem muitos casos de pessoas que foram ao Chico Xavier no intuito de receber alguma mensagem de entes falecidos, e, chegando lá, nada comentaram a respeito do finado. Depois de um tempo de espera, o próprio Chico Xavier ou algum auxiliar falava em voz alta o nome do falecido e(…) esta ficava surpresa diante de certos detalhes citados na mensagem, sem coisa alguma ter sido comentada, nem ao Chico Xavier e nem a quaisquer de seus auxiliares. (…) Em uma mensagem de um jovem falecido (…) ele afirma que uma cunhada, que havia perdido um filho antes de dar à luz, voltaria a engravidar e seria o mesmo espírito do feto que não vingara, e que tomasse as devidas precauções para não o perder novamente(…) Todavia, ninguém havia comentado coisa alguma sobre o tal aborto involuntário a ninguém do centro espírita, incluindo Chico Xavier, é claro. (…) Alguns meses depois, a cunhada do falecido jovem engravidou, conforme ele havia mencionado na mensagem(…)
    Em 1971, Chico Xavier foi ao programa Pinga Fogo da extinta TV Tupi. Neste programa, ele mencionou que havia água na Lua, e muita água. Água suficiente para sustentar grandes colônias humanas por milhares de anos. No entanto, em 1971, o homem já tinha ido à Lua mais de uma vez e nunca tinha encontrado o menor resquício de água. Os cientistas da época afirmavam categoricamente que era absolutamente impossível haver água na Lua. Na época, isto era uma certeza incontestável: “É impossível existir água na Lua, e ponto final!”. No programa Pinga Fogo, Chico Xavier afirmou que foi Emmanuel que passou tal informação a ele. A maioria esmagadora das pessoas não acreditou nele. Foi motivo até de chacota por alguns. Contudo, quase 40 anos depois, sondas descobrem água na Lua!!! Água em abundância!!! Água suficiente para manter colônias humanas por milhares de anos!!!!!”
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    COMENTÁRIO – MONTALVÃO – Prezado Epopéia de Gilgamesh:
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    Excelente seu informe de que Emmanuel tenha “dito” a Chico que havia água na lua. Porém o mesmo Emmanuel não revelou fatos mais contundentes, os quais somente agora a ciência começa a investigar seriamente, como exemplo cito dois: 1) a lua é feita de queijo; 2) papai noel, durante a entressafra de presentes, vive na face desconhecida do satélite.
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    Brincadeirinha…
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    Agora sem brincadeirinhas.
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    Diante da constatação, praticamente inequívoca, de que Emmanuel é personagem imaginado (conforme os estudos do José Carlos Ferreira bem demonstram), é imprescindível refletir a respeito das declarações do médium de que recebia informações daquele pseudoespírito. Chico acertou que havia água na lua. O que podemos concluir disso? Que Emmanuel, de fato, o supriu com a informações correta? Mas, considerando que Emmanuel é uma quimera, a pergunta deverá ser reformulada: como Chico soube que havia água na lua?
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    A idéia da lua com água, no meio espírita, vem desde Kardec, em “A Gênese” o codificar fala: “Daí, duas naturezas essencialmente distintas na superfície do mundo lunar: uma, sem qualquer analogia com o nosso, porquanto lhe são desconhecidos os corpos fluidos e etéreos; a outra, leve, relativamente à Terra, pois que todas as substâncias menos densas se encaminharam para esse hemisfério. A primeira, perpetuamente voltada para a Terra, sem águas e sem atmosfera, a não ser, aqui e ali, nos limites desse hemisfério subterrestre; a outra, rica de fluidos, perpetuamente oposta ao nosso mundo”.
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    Conquanto, Kardec, em nota de rodapé, explique que trata-se de teoria, ele votava grande simpatia a essa explicação, que lhe teria sido passado pelo espírito de Galileu Galilei: o grande cientista, retornara trazendo informações que não conseguira descortinar em vida; depois de morto, fora pessoalmente ao espaço investigar melhor e resolvera contribuir com a codificação…
    .
    Entretanto, conjecturas asseverando algumas das postulações atribuídas a Galileu-espírito, haviam sido formuladas desde antes da codificação. A de que existiam “mares” na lua, por exemplo, fora defendida pelo astrônomo Giovanni Battista Riccioli, em 1651 e era conhecida ao tempo de Kardec.
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    Na década de 1960 surgiram novas hipóteses sobre a existência de água no satélite terrenal. Astrônomos defendiam que haveria pontos no orbe onde o líquido estaria congelado. Tal suposição advinha de saber-se de áreas lunares eternamente protegidas da radiação solar, locais com temperaturas em torno de 200º negativos.
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    Portanto, Chico-Emmanuel deve ter tomado conhecimento dessa idéia e a abraçado. Não era “certeza incontestável” que não existisse água na lua…
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    Entretanto, as “incríveis” revelações astronômicas de Chico, esbarram em dramáticos escorregões: a “mãe” de Chico fez-lhe confidências estrepitosas sobre a inexistente civilização marciana, que seria muito mais avançada que a nossa. Você encontrará a narrativa em “Cartas de uma morta”. Chico também patrocinou a fantasiosa migração de Capela para a Terra; entretanto, a astronomia informa que em Capela não há nada em comum com o sistema solar. Trata-se de local inadequado para a vida, ao menos vida como a que se conhece.
    .
    Então, não basta ter “acertado” uma e errado outras para que se emita louvações a capacidade revelativa de Francisco.
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    Faz muito mais sentido supor que Chico conseguia informes por meios próprios e os projetava em Emmanuel, entidade que, sabemos, é irreal.
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    Aí passamos para o terreno das cartas mediúnicas. Nesse campo pisa-se em terreno altamente movediço. Contudo, indiretamente é possível identificar a origem bem terrena das missivas. Trata-se de assunto que exige comentário de certa longura. Noutra oportunidade falarei melhor a respeito. Por enquanto, considere as questões seguintes:
    1) as cartas, em sua maioria, eram recebidas por pessoas fortemente propensas a validar a origem espiritual das missivas. Poucos, se é que havia algum, iam “testar” o médium. Nesse clima, é factível que muitos “esquecimentos” ocorressem. Enlutados comentavam suas intimidades, ou ao médium, ou a algum de seus assessores e no calor da emoção de ter recebido a tão sonhada comunicação espiritual, não viram motivos para “lembrar” que a informação fora divulgada por eles mesmos. É uma hipótese, mas viável. O caso é que não havia controle naquele ambiente ansioso por revelações espirituais que permitisse estudo seguro sobre o que ali ocorria;

    2) Praticamente todas as cartas eram redigidas do mesmo modo. Em outras palavras: os espíritos, independentemente de idade, formação intelectual, ideologias, religião, etc., todos tinham o mesmo modo de redigir. Isso é forte indício de que havia uma mente comum elaborando os recados;

    .
    3) Os acertos são muito exaltados, mas os desacertos são esquecidos. Havia gente que ficava frustrada com as cartas, por que nelas não viam motivos para aceitar que foram ditadas pelos falecidos. Apareciam informações falhadas. Não basta que Chico acertasse em algumas, ele teria de acertar sempre. Não basta que, vez em quando, assinasse de forma parecida com o registro gráfico do morto, tal teria de ocorrer sempre. E não era assim que acontecia. As assinaturas constituem um bom exemplo, pois podem ser investigadas. Costuma-se celebrar alguns poucos casos em que os autógrafos eram parecidos com os do morto, mas nada se diz a respeito dos outros casos, maioria com certeza, em que não havia qualquer semelhança.
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    A história da cunhada que engravidaria esbarra numa restrição afirmada pelo próprio Kardec: espíritos não conhecem o futuro! Como poderia o falecido saber que a moça voltaria a engravidar se ele não tinha a capacidade de saber o porvir? Quando as cartas são avaliadas com certa atenção, surgem diversas questões contraditórias, que passam despercebidas aos olhos dos enlutados desejosos de receber notícias do além.
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    Portanto, caro epopéico Gilgamesh, o assunto precisa ser estudado em maior amplitude. Considerando tão-somente os pontos favoráveis chega-se a conclusões distorcidas, quase sempre.
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    Analisar essa figura maravilhosa que foi Chico Xavier exige muito mais que discursos deslumbrados, frequentemente eivados com boa dose de fantasias. É preciso levar em conta diversas questões, as quais são discretamente deixadas em segundo plano pelos apologistas da mediunidade.
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    Abraços epopéicos.

  293. Marcos Arduin Diz:

    ARDUIM – retirei algumas parte, que acho já estar bem discutida. Respondo às demais, com “MALVADÃO3?.
    E eu retirei o Malvadão2 e o Ardirruim anteriores e coloquei Ardirruim2 para não sobrecarregar o texto. Desculpe a demora, mas o tempo não ajuda.
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    MALVADÃO3: o caso é que estamos sendo rigorosos com o cristianismo e, talvez, condescendentes com outros. Em qualquer grupo, religioso, social, extraterreno, a realidade é essa. Nossas leis nos dizem como devemos nos comportar para que a sociedade seja justa, equilibrada e não haja ninguém ferrando ninguém. Quem quiser saber o que é um país harmonioso, democrático, feliz, que leia a constituição. A nossa mesmo, a brasileira. Na magna lei temos a imagem do máximo equilíbrio social. Lá, por exemplo, diz: “Todos são iguais perante a lei”. Só que, na prática, alguns traduzem assim: “pau que bate em Francisco não é o mesmo que bate em Chico”. Em suma, não há mágica no processo: “ser cristão” não garante transformação milagrosa em santo. Cristianismo é uma caminhada, alguns vão bem, tropeçam, se aprumam; outros parecem não entender… Mas, tem muitos por aí, anônimos ou conhecidos, dentro ou fora da Igreja, que vivenciam a mensagem de Cristo exemplarmente…
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    ARDIRRUIM 2- Malvadão eu sou RIGOROSO com todos os que querem me vender uma mercadoria alegando ser melhor do que as outras. O Cristianismo NÃO É uma religião, mas um saco de gato de várias religiões, umas ditas mais cristãs que outras, e todas com algum factoide que é apresentando como a prova de que são A VERDADEIRA religião. A título de exemplo, vou citar os Testemunhas de Jeová, não para fazê-los pagar pelos outros, mas porque os conheço um pouco mais.
    - Esses Tjs têm por factoides a alegação de que foram testados e aprovados pelo próprio Cristo em 1918, pois eram o único grupo religioso no Mundo que seguia a Bíblia e seus ensinamentos de forma correta e dispõe até hoje de um “escravo fiel e discreto” que é o seu colegiado de líderes, encarregados de lhes fornecer “alimento espiritual no tempo apropriado”. Esse colegiado de líderes é chamado Corpo Governante e tem poder de vida e morte e controle total sobre a mente dos demais jeovistas. Na maioria das igrejas cristãs os fiéis têm alguma liberdade para pensar, opinar; teólogos ou mesmo fiéis comuns podem escrever textos, ter páginas na internet sobre assuntos da sua fé, etc e tal. TUDO ISSO é EXPRESSAMENTE PROIBIDO a um jeovista. Somente o Corpo Governante pode publicar e opinar entre eles. Um Tj não pode escrever NADA sobre sua religião. No máximo o que fazem é, de posse das publicações autorizadas, irem de porta em porta “pregar a Bíblia”.
    - Tal esquema foi montando com vistas a não haver dissidências, discussões e, principalmente, desafio à autoridade e autoritarismo do Corpo Governante. Mas se acontecer de um jeovista pisar na bola. Digamos, ele for surpreendido lendo um livro de outra religião que fale a respeito dos Tjs? Ou se ficar sabendo que ele ou ela trai o cônjuge? Ou que num hospital, foi ministrada transfusão de sangue? Ou que se está duvidando de algum ensinamento que ache falho? _ O jeovista será submetido a uma COMISSÃO JUDICATIVA. Que é uma reunião entre o acusado e líderes locais (os tais anciões) e aí devem ser esclarecidas as coisas. O Tjs pode ser DESASSOCIADO (= excomungado) para preservar a integridade e segurança do grupo. Fala-se desassociado pois os jeovistas entendem o seu grupo como uma “sociedade” (Sociedade Torre de Vigia).
    - Tudo bem. No que se refere a elucubrações teológicas, já que o Corpo Governante tem o monopólio exclusivo quanto a elas, não teria problemas. Quanto às situações de índole pessoal (adultério, jogo, fumo, gandaia, etc), a decisão de dar um pé na bunda do jeovista é porque querem vender a imagem de gente muito certinha, que faz tudo direitinho como Jeová manda. Mas acontece um problema sério aí. Não é só a Santa Madre Igreja que está com problemas de pedofilia. A Torre de Vigia também está com esse problema e por conta de um método parecido para “resolvê-la”. Padres e bispos pedófilos eram transferidos para outras paróquias, mas punição a eles não! Entre os jeovistas, a tal Comissão Judicativa também tem de se pronunciar sobre casos de pedofilia entre seus membros. Como é feito isso? Uma vítima denuncia aos anciões um abusador sexual. Ele é chamado à Comissão, que o interroga a respeito do assunto. Se ele confessar, será desassociado. Se não confessar, aí então será declarado não culpado e a vítima terá de calar a boca. Para se fazer valer, terá de seguir o princípio bíblico que determina que apresente ao menos DUAS testemunhas de que viram o abusador cometer o crime. Tanto quanto eu saiba, os pedófilos não costumam cometer seus crimes na frente dos outros… Sem testemunhas, a criança abusada nada pode fazer além de esperar que “Jeová tome as contas no tempo apropriado”. A criança NÃO PODE PROCURAR A POLÍCIA, pois isso significa que ela está REJEITANDO o arranjo teocrático de Jeová e apelando para o sistema Mundano. Ao fazer isso, então ela será desassociada por ter rejeitado a Jeová. Essa é uma maneira de se proteger os pedófilos dentro do grupo. Não o fazem por amor a eles, mas por amor à imagem da seita. Na Igreja Católica tem pedófilos; aqui não!
    - Aqui no Brasil já tem um caso denunciado. O pedófilo foi desassociado… mas READIMITIDO pouco tempo depois, o que deixou o pessoal do templo muito ressabiado. Mas falei tudo isso para mostrar que mesmo uma religião cristã TÃO CERTINHA só o é na aparência. Cadê o certinho a fundo? No que realmente interessa?
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    MALVADÃO 3: Gosto dos escritos de Hermínio Miranda, algumas de suas pesquisas são de boa qualidade, embora as interpretações que oferece sejam discutíveis. Por exemplo, a teoria herminiana da “memória extracerebral” parece-me tétrica. De qualquer modo, o livro que recomendou não conheço, na primeira oportunity examina-lo-ei. Mas, falando em reencarnação, um dos hábitos de Hermínio é justamente o de identificar vivências anteriores. Tanto Hermínio quanto Luciano dos Anjos são campeões em descobrir quem foi quem tempo a dentro. No livro “Eu sou Camille Desmoulins”, escrito parceiramente por Luciano e Hermínio, a dupla diverte-se, juntamente com Cesar Burnier, nomeando as várias vidas de alguns conhecidos. É deles a “revelação” de que Chico Xavier, durante a Revolução Francesa, fora uma moça acaipirada, chamada Jeanne d’Arencourt, que faleceu tuberculosa.
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    Quanto a suposição herminiana de que Paulo reencarnou em Lutero, certamente nem o apóstolo nem o monge alemão concordariam com essa exótica conjectura.
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    Desconheço como funciona o mecanismo espírita das indulgências. Sabe em que parte da codificação consta a norma? Imagino que Kardec tenha proferido algo parecido com o que, se não me engano, a rainha da Inglaterra dissera, ao comentar o Tratado de Tordesilhas: “Em que parte do testamento de Adão consta que o mundo deva ser dividido entre Portugal e Espanha?”. Talvez o codificado falara algo equivalente: “Em que lugar do mandamento divino consta que os tesouros de Cristo devam ficar sob a guarda do papa?”. Se Kardec não disse tal coisa, deve ter pensado, pois inteligente como era…
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    Em minha opinião, indulgências estão no patamar das superstições. Esse negócio de comprar perdão acho muito suspeito. Além disso, estou bem satisfeito com minha medalhinha das sete graças hereditárias, que me garante remissões pecaminosas até a senilidade…
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    ARDIRRUIM2 – Esse lance de saber ou supor quem foi quem durante as reencarnações não passa de um exercício de futilidade e lamento que Hermínio perca seu tempo com isso. Agora quanto à indulgência, NÃO ME REFERI À TEOLOGICA CATÓLICA A RESPEITO, mas à indulgência enquanto CONCEITO: é o perdão concedido a uma falta quando pleiteado por um culpado e este é concedido. Mas tal concessão NÃO O LIVRA da punição temporal (= reparação do mal feito). Na fé cristã perdão parece ter o sentido de REMISSÃO PURA E PLENA. Ou seja, um Hitler, um Átila, um Sérgio Fleury, nos momentos finais de sua vida, que se arrependa dos pecados e crimes cometidos e peça perdão a Deus, aceitando a Cristo como seu Salvador, vai pro céu feito anjinho, perdoado de tudo e sem ter de passar por punição nenhuma. Assim diz a fé cristã (o Zé Carlos aqui pode protestar, dizendo que na Fé Católica ao menos há o Purgatório, onde lá terá de purgar seus crimes).
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    MALVADÃO 3: a qual “Comissão de Extensão” se refere? Mas seja qual for, pode ser a melhor norma do mundo, conforme o é a orientação cristã do amor, mas, se não houver gente que leve a sério o orientativo, babou. Parece que estamos falando a mesmo coisa com blablablá diferente. Pense na Lei Federal das Licitações. Este dispositivo é um primor de equilíbrio democrático. Não há um buraquinho que permita safadeza. No entanto, conhece processo de concorrência mais cafajeste que as licitações públicas? As normas são boas, já os encarregados de aplicá-la…
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    De modo semelhante, os editais que você elabora devem ser supimpas. Sei que é criterioso em suas atividades. Entretanto, suponha que um outro Arderruim, este ruim de verdade, passe a controlar a coisa? Qual será o resultado? E eu lhe indago, qual foi a brecha que a norma cristã do amor deixou para aproveitadores e farsantes?
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    Tanto as instituições religiosas quanto os poderes nacionais possuem nobres incumbências. As religiões tratam de conceder ao fiel as melhores orientações para se haver bem com Deus; os três Poderes são responsáveis por gerir a máquina pública, de modo que se tenha uma nação próspera, organizada e com qualidade de vida para todos os cidadãos. Infelizmente, sabemos que entre o ideal e a realidade a distância ainda é grande.
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    Quando criança eu sonhava ser “poderoso” quando crescesse, planejava elaborar leis que resolvesse todos os problemas. A principal delas seria: “É proibido fazer mal aos outros”. No entanto, eu não imaginava que alguém se antecipara ao meu projeto: Os Dez Mandamentos já diziam isso. (Ah, agora lembrei: uma vez me candidatei a vereador numa cidadezinha interiorana. Minha proposta básica: reduzir a remuneração dos edis a, no máximo, dois salários mínimos. Sabe qual foi o resultado? Foi que nem naquele samba do Dicró: “Nem a minha mãe votou em mim”. A população preferiu ficar com vereadores de alto custo. É mais chique…

    ARDIRRUIM2 – Ter gente safada para controlar essa coisa de Extensão Universitária onde atuo é MUITO DIFÍCIL. Eu estou no andar de baixo: recebemos (eu e os membros da comissão assessora) os projetos e relatórios de docentes que fazem a extensão (= atividades que são destinadas ao público interno e externo à Universidade – por exemplo: Projeto de ensino nutricional a pessoas portadoras de osteoporose). O meu papel é verificar se os projetos e relatórios estão atendendo às exigências do edital e NÃO POSSO decidir sozinho: outro membro da comissão tem de estar junto e decidir se está de acordo ou não. E em geral, mais outros membros da comissão também estão presentes, ou seja, mesmo que eu quisesse “empurrar” um projeto fajuto ou um relatório mal feito, iria ter de subornar muita gente. Supondo que conseguisse, o mal feito iria para a secretaria, onde as secretárias podem detetar o problema e aí informar ao superior imediato, que vai chamar a Comissão e exigir explicações. Compreendeu o meu drama?
    - Comé? A lei das licitações é uma boa? Quem dera fosse! A questão é que os controles ficam por conta de quem é nomeado pelo Mulla e seus ministros da base aliada… que são indicados pelos congressistas, que precisam do Caixa 2 para financiarem suas campanhas. E apesar de ser uma piada em termos de constituição, o Tribunal de Contas pegou uma série de falcatruas e a reação do Mulla foi de muita indignação, não contra as falcatruas, mas contra o Tribunal por estar atrapalhando os planos do Governo para essa eleição. Parece que a aplicação dessa Lei de Licitações não se parece nada com a Extensão Universitária da qual faço parte.

    MALVADÃO 3: é que a história da missa pelo “lado espiritual” parecia querer mostrar o parco valor desse cerimonial religioso. Então, eu tentei mostrar que o enredo poderia se aplicar a qualquer rito.
    ARDIRRUIM2 – Bem, para que serve um rito religioso se ele não melhora as pessoas de per si?
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    MALVADÃO 3: É fato, há boas e más pessoas no mundo. E tais podem ser resultantes de vivências passadas. Certo. Também poderiam ser oriundas de fracassados experimentos extraterrenos. “Sabemos” muito bem que alienígenas ultra-super-hiper inteligentes produzem os genes humanos e os projetam nos úteros femininos, por meio de canhões biodônticos de mira fina. Visto que alguns desses disparos não se fazem à perfeição, daí a origem de gente má. Mas, também é bem possível que os maus e os bons se formem a partir das aglomerações angélicas ou demoníacas que se formam ao redor da grávida. Se a futura mamãe atrair anjos seu redor, estes influenciarão positivamente o feto, gerando um ente bom; se, em lugar de anjos, achegarem-se demônios (ferrou!), vai nascer um novo marginal.
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    É fato que a biologia explica que combinações genéticas, somadas a influências ambientais favoráveis ou desafortunadas, engedram tanto pessoas sadias quanto fragilizadas, física e mentalmente. Mas, o que é a biologia materialista diante da espiritual?
    ARDIRRUIM2 – A biologia materialista é só mais uma coisa inútil quando não oferece a descrição precisa do que afirma e não apresenta soluções. O Watson (que é o co-autor da descoberta da estrutura do DNA e não o que trabalha com o Sherlock) falou que os negros são mais burros que os brancos. Ih! Caíram de pau em cima do homem! Agora o que de fato e concreto a biologia materialista subsidiou-o para afirmar o que disse?
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    MALVADÃO 3: talvez coubesse indagar: as questões kardequianas são legítimas? Veja só, ele se perguntou, dentre outras: qual o destino de um alienado mental? Perguntou a quem? Dizem que foi aos espíritos. Então os espíritos responderam: esse alienado vai está pagando débitos passados, fique tranquilo que em próximas encarnações tudo vai se ajeitar. Então Kardec concluiu: Ah, bom! Mas, e se Kardec fizesse tais indagações a espíritos não reencarnacionistas? Sim, pois sabemos que esses existem, e respondem frequentemente aos apelos dos médiuns que os consultam. Pois é, o que espíritos esclarecidos, esclarecidos mas detratores da reencarnação, explicariam sobre a razão de alguém nascer, viver dois minutos e depois tchau? Certamente teriam de propor outra sugestão que não incluísse a hipótese de múltiplas existências…
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    Os cristãos, em geral, diante de perguntas difíceis como essas, costumam recorrer aos “insondáveis desígnios de Deus”. Estão bem perto do que penso. Em minha opinião, se quiserem saber qual o destino espiritual de um louco, de um abortado, de um sem cérebro, respondo tranquilamente: NÃO SEI. Deus nunca me disse nada a respeito. E se não disse é porque não lhe interessa que eu saiba. Parece-me que o que Deus tem a me dizer sobre essas questões, se resume no seguinte: “meu filho procure viver da melhor maneira, seguindo a máxima de amar a Deus e ao próximo. Se puder, divulgue isso entre seus pares. Quanto a como será do “outro lado”, deixa comigo que dessa parte cuido eu.”
    ARDIRRUIM2 – Penso que se Kardec perguntou essas mesmas coisas aos espíritos não reencarnacionistas, deve ter recebido as mesmas respostas estranhas que você mencionou acima. Ah! E Malvadão, para não ficar escrevendo demais, deixe as bobagens de lado. O caso dos Ets acima foi só um enchimento de linguiça inútil. Os problemas das dores e aflições humanas têm embaraçado os filósofos e confundido as religiões. Não pretendemos que estejam plenamente resolvidos, mas a maior luz sobre eles, senão a única, veio do Espiritismo. As religiões cristãs nesse ponto trazem-nos ensinos e respostas que são de uma lastimável pobreza e impossível aceitação. Se o seu Deus não disse coisa alguma respeito, então não devo nada a ele. Que história é esse de que tenho de andar direito e amar ao próximo, quando o irmão que veio depois de mim só viveu quatro horas e morreu? Eu, por ser espírita, estou condenado ao Inferno, certo? E o meu irmão? Teria ele ido pro Céu? Se é assim eu trocaria de lugar com ele com muito prazer. Se uma criança por ter morrido criança vai pro Céu, então um infanticida deveria ser aclamado, em vez de execrado. Percebe o absurdo filosófico ao qual chegamos? Eu sou espírita por conta disso: o Espiritismo me dá as respostas que procuro. A fé cristã não.
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    MALVADÃO 3: praticamente concordo … não sou adepto do marxismo ou de qualquer outra ideologia. Apenas me esforço para aderir ao projeto de Cristo de amar o próximo, embora seja difícil pacas.) – ARDIRRUIM2 – Desculpe ter cortado o seu texto, mas detesto filosofia barata.
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    Anália Franco, independentemente de ser espírita, era alma com visão adiante da de sua época. Pessoas assim existem em diversas agremiações religiosas e mesmo fora delas. Euclides da Cunha ao visitar o palco dos combates em Canudos produziu uma obra avançada em termos de direitos humanos. Padres jesuítas, muitos deles, tomavam índios sob sua proteção, defendendo-os da sana assassina de fazendeiros. Cândido Rondon desbravou os sertões, disposto a “morrer se preciso fosse, matar jamais”. Homens e mulheres esclarecidos surgem, em todas as épocas, para deixar o registro de que ainda há esperança para o ser humano: em meio a tanta insensibilidade e exploração do próximo, essas almas santas nos mostram o lado bom de nossa humanidade.
    ARDIRRUIM2 – E onde é que as religiões se encaixam nisso tudo?
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    MALVADÃO 3: certo, certo, pode ter sido a imaginada “evolução espiritual”, advinda de interminável vai-e-vem matéria-espírito-espírito-matéria. Mas, um espírito inglês me disse mediunicamente que isso de evolução espiritual não existe. E agora, o que faço? Por outro lado, conheço histórias de pessoas que eram “pior que o capeta” e por meio de meditações, estudos e bons conselhos se tornaram santos…
    ARDIRRUIM2 – Que espírito inglês foi esse e que mais de útil ele disse? Ah! O demônio virou santo? Eh! Eh! Deixe-me lhe dizer uma coisa, Malvadão, há um ditado errado que diz que a ocasião faz o ladrão. O certo é: a ocasião REVELA o ladrão. Os pior que o capeta aí por acaso foram TESTADOS? Sim, pois é esse um dos objetivos da reencarnação. O espírito pode aparentar ser o capeta que virou santo… enquanto não foi testado. Mas é na reencarnação que a verdade aparece, pois aí sua memória está apagada. Os REAIS SENTIMENTOS dele então podem aflorar sem censura. Quero lembrá-lo que a memória apagada apenas elimina a interferência de lembranças passadas, MAS NÃO CRIA OBSTÁCULOS À MORAL do indivíduo.
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    MALVADÃO 3: o que posso dizer disso é que Jesus afirmou: “o meu reino não é deste mundo”. Também, não conheço qualquer discurso de Cristo conclamando pela formação de governos religiosos, por que estes seriam melhores. A orientação de Jesus é dirigida à mudança pessoal. Não se propõe transformação grupal. Se esses convertidos se reúnem para formar governos o problema será deles caso não realizem boa administração.
    ARDIRRUIM2 – Ih! Cara! Não se vivem sem governos para administração da sociedade. Isso é mais velho que o cacique e o pajé! Não sei se leu o livro Cristianismo, a Mensagem Esquecida, do Hermínio C. Miranda, onde ele aborda uma questão importante no início do Cristianismo: o “cala boca Magda” que deram no Espírito Santo. Sim, pois se ler os Evangelhos e os textos paulinos, verá que o Espírito Santo ATUAVA nos primórdios do Cristianismo. Há textos de Paulo que eu até parei para verificar a capa e ver se era mesmo a Bíblia, pois eles me pareciam estatutos de centro espírita!
    Mas o que deu errado? Deu errado que quando todos os apóstolos bateram com as 10, os instrutores assumiram o comando para nunca mais deixá-lo. Se verificar lá a ordem na igreja: 1) Apóstolo, 2) Os que recebem o Espírito Santo (=médiuns), 3) instrutores (diáconos e presbíteros), 4) os tais que falavam línguas. Só que quando os instrutores, além de segurar a bucha durantes as perseguições, assumiram o comando, passaram a fazer as coisas do jeito deles. Se o médium queria informar que o Espírito Santo disse que… Aí o instrutor dizia ser o Diabo quem falava e desconsiderava os avisos. Resultado: o Espírito Santo levou um cadeado na boca. A coisa não era assim tão rígida no início e até foi tolerada por séculos. Se Joana D’Arc houvesse nascido 300 anos antes, poderia ser até uma pitonisa de igreja… Mas na sua época, o Espírito Santo calou-se para sempre (para sempre até Kardec destrancar o cadeado da boca dele).
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    MALVADÃO 3: correto, tinham as luzes de Cristo para os guiar mas preferiam o fogo da maldade. Fazer o quê? Creio que disse antes que os partidos políticos se assemelham a organizações religiosas. Assim como os eleitores delegam representantes, para que, pelos eleitores, realizem a administração pública; os fiéis religiosos passam procuração tácita aos seus líderes a fim de que lhes indiquem os melhores caminhos. Quem escolher mal, já sabe, né?
    ARDIRRUIM2 – É a contradição humana… Os americanos dizem MUUU! para seus péssimos líderes religiosos, mas torcem o nariz para políticos pegos em corrução. Já nós aqui dizemos MUUU! para os dois…
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    MALVADÃO 3: rê, rê, acho que esse texto, para Macedo, foi um achado… só que ele deve ter mudado um pouco: “dê a Deus o que é de Deus, depositando na Universal”.
    ARDIRRUIM2 – Teria sido dele as palavras: “Jesus é o Caminho; eu sou o pedágio”?
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    MALVADÃO 3: não, de modo algum. O que é “ser bom” hoje não era necessariamente o mesmo no passado. Em tempos remotos não vingar a morte de um parente seria considerado errado. Deixar de apedrejar um condenado também seria tido por atitude malévola, etc.
    ARDIRRUIM2 – Por isso mesmo é muito verdadeira a frase que diz que o homem faz Deus à sua imagem e semelhança… Ao menos sobre isso, Kardec recebeu a seguinte resposta dos espíritos quanto a Deus dizer sim numa época e não em outra: _ Deus não se engana: os homens é que são obrigados a mudar suas leis à medida que progridem. _ Esta é uma das razões pelas quais acho que a Bíblia é obra humana e não uma “revelação Divina”.
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    MALVADÃO 3: é o que eles dizem, será que um dia perceberão a tolice que defendem?
    ARDIRRUIM2 – Bem, como já dizia o colega Einstein: _ Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana… E não estou certo quanto ao Universo.
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    MALVADÃO 3: aí que está. Isso era o esperado dos deuses naqueles tempos. E o povo que tinha por divindade Javé não era diferente. Se hoje Lula se pronunciasse dizendo à nação que recebera ordem divina para que matássemos todos os argentinos, poucos iriam aceitar esse discurso. Em tempos remotos, um recado desses seria prontamente acatado com a mesma naturalidade com que se vai a um xópin fazer compras. E o mais interessante, os argentinos, quando tomassem conhecimento da “ordem” do deus brasileiro, aceitrariam a informação como veraz e passariam a apelar ao seu deus para que os protegessem. É muito comum, no Velho Testamento, a expressão “Deus entregou nas mãos de Israel seus inimigos”, significando que a vitória na batalha lhes fora concedida por Deus”, mas também se encontra: “o rei fez o que era mau aos olhos do Senhor e todo o Israel foi dominado por tal reino durante tantos anos”. Vitória e derrota tudo provinha de Deus. Era a mentalidade teocrática. Tem muitas narrativas bíblicas que na atualidade nos revoltam, porém para os que viviam aquelas experiências eram acontecimentos triviais. Se quer um exemplo, veja em Juízes 11 a história de Jefté, bastante ilustrativa.
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    Jefté fora combater os amonitas. No caminho fez um voto a Iavé: se voltasse da batalha vitorioso, a primeira pessoa que saísse a saudá-la seria dada em sacrifício de gratidão. Venceu e ao chegar próximo de casa, a filha única, lhe saiu ao encontro festejando o retorno paterno. Então, fazer o quê? Uma promessa a Deus tinha de ser cumprida. O curioso é que a moça, ao saber do compromisso, em vez de se revoltar, aceitou numa boa… só mesmo naquele tempo…
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    Veja a narrativa:
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    JUÍZES 11
    29 Então o Espírito do Senhor veio sobre Jefté, de modo que ele passou por Gileade e Manassés, e chegando a Mizpá de Gileade, dali foi ao encontro dos amonitas.
    30 E Jefté fez um voto ao Senhor, dizendo: Se tu me entregares na mão os amonitas,
    31 qualquer que, saindo da porta de minha casa, me vier ao encontro, quando eu, vitorioso, voltar dos amonitas, esse será do Senhor; eu o oferecerei em holocausto.
    32 Assim Jefté foi ao encontro dos amonitas, a combater contra eles; e o Senhor lhos entregou na mão.
    33 E Jefté os feriu com grande mortandade, desde Aroer até chegar a Minite, vinte cidades, e até Abel-Queramim. Assim foram subjugados os amonitas pelos filhos de Israel.
    34 Quando Jefté chegou a Mizpá, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela a filha única; além dela não tinha outro filho nem filha.
    35 Logo que ele a viu, rasgou as suas vestes, e disse: Ai de mim, filha minha! muito me abateste; és tu a causa da minha desgraça! pois eu fiz, um voto ao Senhor, e não posso voltar atrás.
    36 Ela lhe respondeu: Meu pai, se fizeste um voto ao Senhor, faze de mim conforme o teu voto, pois o Senhor te vingou dos teus inimigos, os filhos de Amom.
    37 Disse mais a seu pai: Concede-me somente isto: deixa-me por dois meses para que eu vá, e desça pelos montes, chorando a minha virgindade com as minhas companheiras.
    38 Disse ele: Vai. E deixou-a ir por dois meses; então ela se foi com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade pelos montes.
    39 E sucedeu que, ao fim dos dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o voto que tinha feito; e ela não tinha conhecido varão. Daí veio o costume em Israel,
    40 de irem as filhas de Israel de ano em ano lamentar por quatro dias a filha de Jefté, o gileadita.

    ARDIRRUIM2 – Por isso mesmo que eu digo que quem fez o Deus da Bíblia foi o povo hebreu. Acho que já dizia Voltaire: _ Creio no Deus que fez os homens, mas não no Deus que os homens fizeram. A propósito, você segue alguma igreja? O que os clérigos dela dizem dessa história deJefte e sua filha? Um dia peguei minha prima testemunha de jeová de jeito com isso… depois eu conto.
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    MALVADÃO3 – Essa é um tanto difícil de responder, teria de efetuar pesquisa e avaliar as diversas respostas e manifestações teológicas ao longo da história. Em princípio, dou-lhe razão.
    ARDIRRUIM2 – No meu entender, Kardec matou a charada dessas manifestações teológicas ao longo da história: não havia Deus nenhum na jogada. Eram apenas espíritos tribais que se manifestavam através dos médiuns (=profetas) e daí então os absurdos morais, os erros científicos, as leis imbecis, etc e tal.
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    MALVADÃO3 – meu jovem, essa aí vai dar assunto para longa digressão. Terei que voltar noutra oportunidade, pois meus dedos pedem descanso… Depois continuo…
    ARDIRRUIM2 – Fico no aguardo.

  294. moizes montalvao Diz:

    PREZADIA SONIA: conquanto não estejamos adentrados ao tema da discussão no tópico presente, o que pode nos conduzir a sendas inopinadas, respondar-lha-ei, visto não ter índole para deixar sem responsório brilhante ponderação qual a postada, ainda que seja resposta a resposta de resposta.

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    MONTALVÃO: “Primeiro, antes do segundo: os gênios são criaturas de mente privilegiada em algum ou alguns setores do saber, não são necessáriamente sábios. Fora de suas áreas de destaque podem ser tão, ou menos, medianos quanto a maioria dos comuns. Ouçamo-los quando se pronunciam a respeito de coisas além de seus domínios e cotejemos o que vale ser anotado”

    Sonia responde- Qual a novidade na sua observação? É o óbvio! Só que as citações de Einstein, são o resultado de SUAS (portanto, de seus domínios) experiências e observações, algumas bem documentadas em suas biografias.
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    MONTALVÃO2: Você, como sempre, está certa no que tange a Einstein, pois certamente o conhece melhor que este humílimo escrevinhador. Note, contudo, que a advertência que fiz foi genérica: quando a lancei aos quatro ventos ainda não havia entrado em Einstein. E, visto que considerou óbvio meu alerta, nada mais há a ser dito concernente ao espírito crítico que deve estar presente perante máximas pretensamente sabedoriais.
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    Sonia responde- Você apenas ilustrou o que já havia dito, com erros. Einstein teve três filhos, de seu primeiro casamento: Lieserl, Hans e Eduard. Lieserl (a única menina) morreu ainda bebê, Hans tornou-se professor de Hidráulica, e Eduard, formado em Música e Literatura, morreu em um hospital psiquiátrico na Suíça. Quanto ao fato dele ter comido ovos com titica, pelo jeito não fez diferença alguma, nem à sua genialidade, invejada por todos os cientistas de sua época, nem à sua saúde, pois, morreu em idade avançada.
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    MONTALVÃO2: geralmente confiro as referências que apresento, antes de divulgá-las, mas, estou de mudança e minhas fontes estão já embaladas. Por isso fiz o comentário fiando-me na traiçoeira memória. Tão logo consiga achar a publicação donde arretirei a ilustração farei a corrigenda cabível (pode não ter sido uma filha, .
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    MONTALVÃO: Não é informado após que idade a leitura se torna distrativa. Tampouco o que significa “ler demais”. Recomendação, portanto, pouco produtiva.
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    Sonia responde- Para um bom entendedor, poucas palavras bastam. Não esqueça que ele pensava como um gênio.
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    MONTALVÃO2: peço vênia para discordar. O gênio não pode ser inalcançável, notadamente quando se pronuncia para reles mortais. Se ele achou que falou e disse, I’m sorry, nesse caso, não falou nem dizeu. Creio que a intenção do gênio foi alertar que: “deve haver harmonioso balanceamento entre a leitura e a reflexão. Ou seja, a leitura em si não é má, em idade alguma, o ruim é ler sem meditar e sem aplicar proficuamente o resultante do exercício leiturativo.
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    Sonia responde- Pois é, Montalvão. Coisas de gênio…não se explica. Ou você entende, ou não entende.
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    MONTALVÃO2: realmente, infelizmente não entendi… e você, entendeu?
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    Sonia responde- Roubar bancos não é um bom exemplo. Isso demonstra a sua dificuldade em criar algo novo, como justificativa. Melhorar o método de roubar, definitivamente, não é um novo valor, é simplesmente aperfeiçoar o que já existe. E é só o que a maioria faz, ou seja, melhorar o que os verdadeiramente sábios criam (imaginam!).
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    MONTALVÃO2: Bem antes de Cristo, o Eclesiates dizia: “O que tem sido, isso é o que há de ser; e o que se tem feito, isso se tornará a fazer; nada há que seja novo debaixo do sol”. Então, temos duas assertivas sapientes e contraditórias. Um diz: “nada se faz de novo”; o outro retruca: “sábio é fazer o novo”. Vou tentar um meio-termo: “o sábio é o que consegue dar nova feição ao lugar-comum”. Pescou?

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    Sonia responde- A mente só se abre (expande) com pensamentos nobres. “Idéias de jerico” são o resultado de mentes atrofiadas, que “melhoram” idéias imprestáveis, que deve ser o caso das pessoas que você disse que conhece. Quanto à sua pergunta, a mente não incha. Só o ego…
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    MONTALVÃO2: você deve, como sempre, estar certa. Só que, cá entre nós, não foi isso o que Einstein, a rigor, disse. Ele não distinguiu idéias nobres de idéias de jerico. Talvez você retruque, mas isso é óbvio! Pode ser que seja, contudo, ainda acho que a mente se expande tanto para a direita (tradicionalmente, o lado do bem), quanto para a esquerda. Ainda, considere que no presente caso, não contestei o dito einsteiniano, apenas indaguei se tal se aplicaria tanto para o céu quanto para o inferno. Continuo a pensar que sim, embora, pelo visto, sua digníssima pessoa entenda diferentemente.
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    Einstein: “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.
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    MONTALVÃO: Essa é até razoável…
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    Sonia responde- Eu diria que está bem além do razoável… Quem sou eu para questionar Einstein, nos seus domínios?
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    MONTALVÃO2: apenas parte de seus domínios. O átomo era área de Einstein; o preconceito, não sabemos…
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    Einstein: “A tradição é a personalidade dos imbecis”.
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    MONTALVÃO: Outra que não diz muito. Parece daquelas frases que motoristas filósofos gravam em pára-choques, qual: “A força da tua inveja é a velocidade do meu sucesso…
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    Sonia responde- A tradição manteve e mantém ainda, povos e indivíduos em atraso social, moral e intelectual, privando-os de alternativas e/ou opções. Sem falar, na impossibilidade de manifestar a criatividade, inerente à espécie humana. Não darei exemplos de imbecis e imbecilidade, em respeito aos próprios, que não sabem que o são.
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    MONTALVÃO2: não seja severa com a pobre tradição. O dito se aplica ao tradicional retrógrado, que não admite mudança, o que em parte está correto. Contudo, há, sim, o tradicional liberal, aquele que está pronto a examinar e a aceitar a inovação. Se todos fossem renitentemente apegados ao “status quo” o mundo não teria avançado um passo e, no entanto, bem ou mal avança. Portanto, dizer que “A tradição é a personalidade dos imbecis”, carece ser melhor explicado. Do jeito que o dito foi dito, equivale a: “amar é nunca ter que pedir perdão”, que fez maior sucesso há alguns anos, e significa o quê?
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    MONTALVÃO: Por fim, querida amiga, não desista nunca, afinal você é ou não brasileira? Lula está de olho…

    Sonia responde- Aqui cabe uma pergunta. O que você quis dizer, exatamente, com “Lula está de olho…”?
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    MONTALVÃO2: rê, rê… não sabe mais reconhecer um chispe, digo, chiste quando diante de?
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    MONTALVÃO: Tratando de frases de efeito, fico com a de meu filósofo predileto (Montalvão das quebradas): “viva da melhor forma possível, mesmo que morra tentando.

    Sonia responde- Tenho dúvidas, quanto a autenticidade…
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    MONTALVÃO2: ah, não, o autor é muito cioso de sua inediticidade e possui um conjunto de ditos da mais pura inedideteza, quais os a seguir: 1) jeans apertado é a melhor forma de evitar sexo indesejado; 2) é preciso vários paus para se fazer uma canoa; 3) quem com ferro fere, com ferro será conferido; 4) cuidado: viver pode ser a causa de sua morte; etecéteras…
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    MONTALVÃO: Abraços sabiosos.
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    Sonia: Saudações einsteinianas!
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    MONTALVÃO2: advertisement: estarei dias fora, por motivo de mudança de domicílio, o que causará desligamento por tempo indeterminado do computador. Lamentavelmente, pois, não poderei responder futuras considerações com a presteza desejada.

  295. moizes montalvao Diz:

    Marcos Arduin Disse: E eu retirei o Malvadão2 e o Ardirruim anteriores e coloquei Ardirruim2 para não sobrecarregar o texto. Desculpe a demora, mas o tempo não ajuda.
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    MONTALVÃO COMENTA: já eu extirpei um pouco de Arderruim e de Malvadão, e procurei conservar o que seja atinente aos presentes comentários, que são introduzidos com MALVADÃO4
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    ARDIRRUIM 2- (…) O Cristianismo NÃO É uma religião, mas um saco de gato de várias religiões, umas ditas mais cristãs que outras, e todas com algum factoide que é apresentando como a prova de que são A VERDADEIRA religião. A título de exemplo, vou citar os Testemunhas de Jeová, não para fazê-los pagar pelos outros, mas porque os conheço um pouco mais.
    - Esses Tjs têm por factoides a alegação de que foram testados e aprovados pelo próprio Cristo em 1918, pois eram o único grupo religioso no Mundo que seguia a Bíblia e seus ensinamentos de forma correta e dispõe até hoje de um “escravo fiel e discreto” que é o seu colegiado de líderes, encarregados de lhes fornecer “alimento espiritual no tempo apropriado”. Esse colegiado de líderes é chamado Corpo Governante e tem poder de vida e morte e controle total sobre a mente dos demais jeovistas. Na maioria das igrejas cristãs os fiéis têm alguma liberdade para pensar, opinar; teólogos ou mesmo fiéis comuns podem escrever textos, ter páginas na internet sobre assuntos da sua fé, etc e tal. TUDO ISSO é EXPRESSAMENTE PROIBIDO a um jeovista. Somente o Corpo Governante pode publicar e opinar entre eles. Um Tj não pode escrever NADA sobre sua religião. No máximo o que fazem é, de posse das publicações autorizadas, irem de porta em porta “pregar a Bíblia”.
    (…)
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    MALVADÃO4: gostei da explanação sobre os Testemunhas de Jeová. Você destacou ponto curioso nas práticas desse grupo: eles apreciam contestar a doutrina de outras denominações, mas não admitem, sequer examinam, objeções ao que pregam. Uma das características marcantes das “testemunhas” é o hábito de lançar profecias concernentes aos tempos finais, notadamente sobre o retorno de Cristo. Todas essas profecias, diga-se, falhadas. Para eles, 1914 marca o retorno “invisível” de Jesus, quando o Filho de Deus começou a governar o reino e o fará até que Satanás seja vencido na batalha do Armagedon e implantado o Reino de Deus. Quando tal acontecer, 144.000 homens especiais, escolhidos ao longo da história, auxiliarão Deus na administração do novo reino, no céu. Os demais “salvos” viverão na Terra renovada. Os “outros”, condenados pela desobediência à vontade de Jeová, serão definitivamente aniquilados. Os testemunhas de Jeová (que preferem ser chamados “As” testemunhas de Jeová), são conhecidos pela polêmica em torno das transfusões de sangue, que não admitem, pois contrariaria determinação divina.
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    Dado curioso sobre 1914 é que a data teria sido descoberta por conta de estudos proféticos da Bíblia. No entanto, a maioria dos fiéis não sabe que tratou-se de adaptação, realizada após a primeira grande falhança das previsões do futuro. Na segunda metade do Séc. XIX, Charles Russel, que viria a ser o primeiro líder do grupo, havia aderido a uma idéia em voga naqueles dias, em certas partes dos Estados Unidos: a de que Cristo retornaria em 1874. Chegado aquele ano, Jesus não veio. O grupo do qual Russel fazia parte queimou a mufa, tentando descobrir onde errara, e concluiu que o Filho de Deus realmente voltara, só que invisível. Depois da volta invisível seguir-se-ia período tribulativo de 40 anos, tal qual o povo de Israel, que vagara 40 anos no deserto, até entrar na terra prometida. 1874 mais 40 dá 1914, ano em que Jesus surgiria triunfal e definitivamente, e seria visto por todos, dando a pincelada final na implantação do reino paradisíaco.
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    Entretanto, 1914 veio, com ele a guerra, e nada de Jesus. Nessa data, o grupo liderado por Russel, era denominado “Estudantes da Bíblia”, o título atual de Testemunhas de Jeová seria adotado em 1931. Pois bem, visto que Jesus resolvera não aparecer, uma crise tomou forma e ameaçou a união dos “estudantes”. Alguns remendos proféticos foram realizados e estipulou-se novo prazo, desta feita, 1915. Outro desacerto. Joseph Rutheford, que sucedera Russel (falecido em 1915) ficou com a incumbência de arrumar a casa. A solução implementada por Rutheford foi muito criativa: “esqueceu-se” do retorno invisível em 1874 e divulgou que a volta não-visível se dera em 1914. Desta feita, preferiam não prever outros 40 anos de tribulação, em lugar, afirmaram que “aquela geração” (a de 1914) não morreria até que Jesus retornasse visivelmente. Trocando em miúdos, significa que, pelo menos, o último da geração de 1914 estaria vivo quando Cristo se tornasse visível. Com isso, evitava-se estabelecer uma data específica. Nos anos de 1960, ocorreu movimento prevendo o aparecimento de Jesus para 1974, o que resultou em outro malogro, habilmente acobertado pelos dirigentes. Estes afirmaram que os defensores de 1974 constituíram grupo dissidente, não apoiado pelo “corpo governante” (que são os diretores da Sociedade Torre de Vigia). De qualquer modo, a geração de 1914 está findando, restam poucos vivos, portanto, na ótica das “testemunhas”, Jesus não demora a aparecer…
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    Os testemunhas de Jeová e os mórmons não são usualmente qualificados dentre os grupos cristãos propriamente ditos, devido a certas peculiaridades de suas doutrinas. E eles parecem não se incomodar muito com isso, pois fazem questão de se considerarem os “únicos cristãos legítimos”.
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    Quanto ao cristianismo ser um “saco de gatos”, discordo um pouco, embora não tenha ânimo para tentar mostrar que esteja, em parte, equivocado…
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    -
    ARDIRRUIM2 – Esse lance de saber ou supor quem foi quem durante as reencarnações não passa de um exercício de futilidade e lamento que Hermínio perca seu tempo com isso. Agora quanto à indulgência, NÃO ME REFERI À TEOLOGICA CATÓLICA A RESPEITO, mas à indulgência enquanto CONCEITO: é o perdão concedido a uma falta quando pleiteado por um culpado e este é concedido. Mas tal concessão NÃO O LIVRA da punição temporal (= reparação do mal feito). Na fé cristã perdão parece ter o sentido de REMISSÃO PURA E PLENA. Ou seja, um Hitler, um Átila, um Sérgio Fleury, nos momentos finais de sua vida, que se arrependa dos pecados e crimes cometidos e peça perdão a Deus, aceitando a Cristo como seu Salvador, vai pro céu feito anjinho, perdoado de tudo e sem ter de passar por punição nenhuma. Assim diz a fé cristã (o Zé Carlos aqui pode protestar, dizendo que na Fé Católica ao menos há o Purgatório, onde lá terá de purgar seus crimes).
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    MALVADÃO4: em linhas gerais, o que você diz está concorde com os discursos religiosos cristãos. Mas, me parece um tanto complicado para nós, limitados em nossa capacidade avaliativa, querer definir taxativa e detalhadamente os critérios divinos. A idéia de perdão realmente está contida na Bíblia, porém a de que não haverá tratamento adequado para as injustiças cometidas de uns para com outros me parece difícil admitir.
    ..
    ARDIRRUIM2 – Ter gente safada para controlar essa coisa de Extensão Universitária onde atuo é MUITO DIFÍCIL. Eu estou no andar de baixo: recebemos (eu e os membros da comissão assessora) os projetos e relatórios de docentes que fazem a extensão (= atividades que são destinadas ao público interno e externo à Universidade – por exemplo: Projeto de ensino nutricional a pessoas portadoras de osteoporose). O meu papel é verificar se os projetos e relatórios estão atendendo às exigências do edital e NÃO POSSO decidir sozinho: outro membro da comissão tem de estar junto e decidir se está de acordo ou não. E em geral, mais outros membros da comissão também estão presentes, ou seja, mesmo que eu quisesse “empurrar” um projeto fajuto ou um relatório mal feito, iria ter de subornar muita gente. Supondo que conseguisse, o mal feito iria para a secretaria, onde as secretárias podem detetar o problema e aí informar ao superior imediato, que vai chamar a Comissão e exigir explicações. Compreendeu o meu drama?
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    - Comé? A lei das licitações é uma boa? Quem dera fosse! A questão é que os controles ficam por conta de quem é nomeado pelo Mulla e seus ministros da base aliada… que são indicados pelos congressistas, que precisam do Caixa 2 para financiarem suas campanhas. E apesar de ser uma piada em termos de constituição, o Tribunal de Contas pegou uma série de falcatruas e a reação do Mulla foi de muita indignação, não contra as falcatruas, mas contra o Tribunal por estar atrapalhando os planos do Governo para essa eleição. Parece que a aplicação dessa Lei de Licitações não se parece nada com a Extensão Universitária da qual faço parte.
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    MALVADÃO4: certamente o segmento em que atua é menos sujeito a corrupção que, por exemplo, algumas áreas de licitações públicas. Sendo assim, sorte sua pois, além de não ficar exposto a pressões de safardanas, pode manter a lisura de procedimento sem sofrer sanções (sim, porque o honesto muitas vezes é castigado e o corrupto premiado). O fato é que certas áreas são mais propensas que outras a ser vitimadas por sugadores de bens públicos. Tradicionalmente, obras, saúde, transportes, instituições financeiras ligadas a governos, constituem os pontos mais visados.
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    ARDIRRUIM2 – Bem, para que serve um rito religioso se ele não melhora as pessoas de per si?
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    MALVADÃO4: o rito em si não tem o fito específico de melhorar as pessoas. O rito, qualquer que seja, é a maneira regulamentada pelo grupo de manifestar devoção à divindade. A melhora se dá pela observação dos preceitos morais e éticos que as variadas confissões religiosas disponibilizam a seus seguidores.
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    ARDIRRUIM2 – A biologia materialista é só mais uma coisa inútil quando não oferece a descrição precisa do que afirma e não apresenta soluções. O Watson (que é o co-autor da descoberta da estrutura do DNA e não o que trabalha com o Sherlock) falou que os negros são mais burros que os brancos. Ih! Caíram de pau em cima do homem! Agora o que de fato e concreto a biologia materialista subsidiou-o para afirmar o que disse?
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    MALVADÃO4: Watson provavelmente estava interpretando (e mal) certas observações atinentes as características biológicas de negros e não-negros. Neste caso a biologia materialista não é culpada. A culpa advém dos preconceitos que Watson carregava consigo e que tentava validar cientificamente…
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    MALVADÃO 3: (…) Os cristãos, em geral, diante de perguntas difíceis como essas, costumam recorrer aos “insondáveis desígnios de Deus”. Estão bem perto do que penso. Em minha opinião, se quiserem saber qual o destino espiritual de um louco, de um abortado, de um sem cérebro, respondo tranquilamente: NÃO SEI. Deus nunca me disse nada a respeito. E se não disse é porque não lhe interessa que eu saiba. Parece-me que o que Deus tem a me dizer sobre essas questões, se resume no seguinte: “meu filho procure viver da melhor maneira, seguindo a máxima de amar a Deus e ao próximo. Se puder, divulgue isso entre seus pares. Quanto a como será do “outro lado”, deixa comigo que dessa parte cuido eu.”
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    ARDIRRUIM2 – Penso que se Kardec perguntou essas mesmas coisas aos espíritos não reencarnacionistas, deve ter recebido as mesmas respostas estranhas que você mencionou acima. Ah! E Malvadão, para não ficar escrevendo demais, deixe as bobagens de lado. O caso dos Ets acima foi só um enchimento de linguiça inútil. Os problemas das dores e aflições humanas têm embaraçado os filósofos e confundido as religiões. Não pretendemos que estejam plenamente resolvidos, mas a maior luz sobre eles, senão a única, veio do Espiritismo. As religiões cristãs nesse ponto trazem-nos ensinos e respostas que são de uma lastimável pobreza e impossível aceitação. Se o seu Deus não disse coisa alguma respeito, então não devo nada a ele. Que história é esse de que tenho de andar direito e amar ao próximo, quando o irmão que veio depois de mim só viveu quatro horas e morreu? Eu, por ser espírita, estou condenado ao Inferno, certo? E o meu irmão? Teria ele ido pro Céu? Se é assim eu trocaria de lugar com ele com muito prazer. Se uma criança por ter morrido criança vai pro Céu, então um infanticida deveria ser aclamado, em vez de execrado. Percebe o absurdo filosófico ao qual chegamos? Eu sou espírita por conta disso: o Espiritismo me dá as respostas que procuro. A fé cristã não.
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    MALVADÃO4: Se Kardec contatou espíritos não-reencarnacionistas e recebeu respostas “esquisitas”, por que as teria descartado radicalmente, a ponto de sequer considerá-las na codificação? Teria ele concluído que, pelo fato daqueles espíritos repudiarem a reencarnação, não mereciam confiança? E porque não avaliou a possibilidade de aqueles estarem certos e os reencarnacionistas equivocados? Creio que Kardec foi na onda dos “espíritos” que faziam eco às suas prévias crenças.
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    A ilustração dos ets pode ter sido encheção de lingüiça para você e para mim, mas para milhares, talvez milhões, de simpatizantes da hipótese, tratar-se-iam de considerações muito sérias.
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    Se o espiritismo lhe dá as respostas que procura, fique com quem ou o que lhe atende aos anseios: não está entre as minhas pretensões culturais desconverter ninguém. O caso é que para os cristãos o cristianismo dá as respostas; para budistas, o budismo responde; para taoístas, o tao diz. Eu poderia gastar longas linhas buscando mostrar que as “explicações” espíritas não são tão completas quanto se pensa. E pretendo fazê-lo em estudo que deverá exigir maiores reflexões que miúdos comentários como os que aqui se realiza. Por ora, deixo um tópico para reflexão. Você diz que o espiritismo-reencarnacionista esclarece, ao asseverar, por exemplo, que uma criança que viva somente alguns minutos estaria quitando um tantinho de dívida que ficou da existência anterior. Pois bem, se formos esmiuçar essa suposição (coisa que pretendo realizar noutra oportunidade) teremos material para diversas objeções. Em âmbito mais amplo, quando se abraça a explicação reencarnacionista, no caso da criança que nasce e morre imediatamente, automaticamente valida-se uma crença que, infelizmente, não é generalizada. Para que se pudesse acatar, sem restrições, a idéia reencarnacionista seria necessário que a reencarnação fosse coisa demonstrada inequivocamente, ou, ao menos aceita universalmente.
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    Com um pouquinho de criatividade, podemos dar uma resposta “cristã” aos casos da espécie e a vários outros. Façamos um exercício. Existe a doutrina dos anjos rebelados. Segundo ela, Lúcifer, seguido por legiões de anjos, comandou um levante contra o Altíssimo, intentando destronar a Deus e ocupar seu lugar. A batalha foi terrível, mas os inimigos do divino derrotados e agrilhoados em prisões cósmicas até o final dos tempos. Ocorre que alguns desses rebelados manifestaram sincero arrependimento e rogaram ao todo-poderoso que os redimisse. Ora, quem redime do pecado é, unicamente, o sangue de Cristo, derramado em favor da humanidade. Anjos constituem outra classe de seres, que não humanos, portanto estão fora do projeto regenerador. Para que tais seres pudessem ser perdoados, teriam de estar no grupo alcançado pelo sangue do Filho de Deus. Então, o Criador permite que esses anjos arrependidos encarnem em corpos humanos, apenas o suficiente para serem bafejados pela redenção. Daí a razão de nascer gente que morre em seguida. Há, ainda, casos de anjos que eram comandantes de batalhões de revoltosos, os quais instavam seus comandados a resistir, até último alento, as hostes divinas que vinham combatê-los. Para estes, restou punição mais drástica: são os que nascem com retardos mentais graves e irreversíveis, com aleijões dramáticos, ou mesmo com doenças que lhes condenará a vida curta e dolorida. Entretanto, nem todos os casos de defeitos físicos ou mentais são oriundos de nascimentos angelicais. Alguns desses vêm com propósito definido de mostrar ao mundo que, mesmo diante da adversidade, há perspectivas de existências ricas e produtivas. Tais criaturas, no céu, receberão um galardão adequado às dores vivenciadas.
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    Veja só: a “explicação” acima responde, sem apelos reencarnativos, diversas questões que poderiam estar incomodando a mente de muitos. Elaborei-a neste momento, portanto, não foi profundamente refletida e podem haver pontos não esclarecidoas por essa idealização. De qualquer modo, seria resposta não reencarnacionista a várias dúvidas. Agora, pergunto-lho: estaria um reencarnacionista disposto a abrir mão de sua crença em vista de ter surgido esclarecimento cristão para suas indagações? Vou responder: DIFICILMENTE! Em verdade, não seriam propriamente as “explicações” mais ou menos amplas que cativam alguns adeptos da hipótese de múltiplas existências, seria tão-somente o aspecto geral da crença, capaz de seduzir o interesse de muitos. A idéia de que, se uma vida não deu certo, haverá outras disponíveis para consertar-se o que ficou pendente, é atrativa para várias mentes; e continuará sendo atrativa, mesmo que fique claro que as “explicações” não explicam tanto e a suposição carreia para si diversos dificultadores. Enfim, trata-se de uma questão de identificação pessoal: se a conjectura harmonizou com seus anseios íntimos então “é ela”, independentemente de haver ou não outra melhor…

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    MALVADÃO 3: praticamente concordo … não sou adepto do marxismo ou de qualquer outra ideologia. Apenas me esforço para aderir ao projeto de Cristo de amar o próximo, embora seja difícil pacas.) –
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    ARDIRRUIM2 – Desculpe ter cortado o seu texto, mas detesto filosofia barata.
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    MALVADÃO4: agora fiquei em dúvida: qual a filosofia barata referida, a minha ou a marxista? Se for a minha, não tenho que discordar, pois como filósofo não tiro nem para um cafezinho. De qualquer modo, de minha filosofia, levando em conta que a referência seja a ela, o que conservou foi a parte melhorzinha, o que muito me envaidece (vaidade no bom sentido).
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    Anália Franco, independentemente de ser espírita, era alma com visão adiante da de sua época. Pessoas assim existem em diversas agremiações religiosas e mesmo fora delas. Euclides da Cunha ao visitar o palco dos combates em Canudos produziu uma obra avançada em termos de direitos humanos. Padres jesuítas, muitos deles, tomavam índios sob sua proteção, defendendo-os da sana assassina de fazendeiros. Cândido Rondon desbravou os sertões, disposto a “morrer se preciso fosse, matar jamais”. Homens e mulheres esclarecidos surgem, em todas as épocas, para deixar o registro de que ainda há esperança para o ser humano: em meio a tanta insensibilidade e exploração do próximo, essas almas santas nos mostram o lado bom de nossa humanidade.
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    ARDIRRUIM2 – E onde é que as religiões se encaixam nisso tudo?
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    MALVADÃO4: religião propriamente nenhuma, mas podemos dizer que o “espírito cristão” estava presente nas atitudes dessas e de muitas outras.
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    MALVADÃO 3: certo, certo, pode ter sido a imaginada “evolução espiritual”, advinda de interminável vai-e-vem matéria-espírito-espírito-matéria. Mas, um espírito inglês me disse mediunicamente que isso de evolução espiritual não existe. E agora, o que faço? Por outro lado, conheço histórias de pessoas que eram “pior que o capeta” e por meio de meditações, estudos e bons conselhos se tornaram santos…
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    ARDIRRUIM2 – Que espírito inglês foi esse e que mais de útil ele disse? Ah! O demônio virou santo? Eh! Eh! Deixe-me lhe dizer uma coisa, Malvadão, há um ditado errado que diz que a ocasião faz o ladrão. O certo é: a ocasião REVELA o ladrão. Os pior que o capeta aí por acaso foram TESTADOS? Sim, pois é esse um dos objetivos da reencarnação. O espírito pode aparentar ser o capeta que virou santo… enquanto não foi testado. Mas é na reencarnação que a verdade aparece, pois aí sua memória está apagada. Os REAIS SENTIMENTOS dele então podem aflorar sem censura. Quero lembrá-lo que a memória apagada apenas elimina a interferência de lembranças passadas, MAS NÃO CRIA OBSTÁCULOS À MORAL do indivíduo.
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    MALVADÃO4: o “espírito inglês” me disse muitchas coisas. Com o tempo revelarei algumas delas. Também há um ditado: “pelos frutos os conhecereis”. Uma pessoa recuperada moralmente mostra seus reais sentimentos pelas atitudes. É assim que se testa na própria existência a mudança individual. E sabemos de casos assim: há, sem dúvida, capetas falsamente santificados, porém muitos autênticos… A memória apagada, na filosofia reencarnacionista, não cria obstáculos à moral. É claro. O sujeito está vivendo uma “nova” existência, os preceitos morais que observar serão os que nesta vida adquirirá. Supor que alguém já traga uma moral prontinha de outra existência é, até prova contrária, fantasia. Embora, não lembrar não fosse óbice para uma vida moral, o que a rigor não tem nada a ver, por outro lado, esquecer cria um óbice medonho: estou aqui, purgando males que pratiquei antanhamente, mas não lembro do que fiz, quem fui, se dei ou deixei de dar, se matei ou se vivi, se arranhei ou se mordi, se fui anjo ou fui capeta…

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    MALVADÃO 3: o que posso dizer disso é que Jesus afirmou: “o meu reino não é deste mundo”. Também, não conheço qualquer discurso de Cristo conclamando pela formação de governos religiosos, por que estes seriam melhores. A orientação de Jesus é dirigida à mudança pessoal. Não se propõe transformação grupal. Se esses convertidos se reúnem para formar governos o problema será deles caso não realizem boa administração.
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    ARDIRRUIM2 – Ih! Cara! Não se vivem sem governos para administração da sociedade. Isso é mais velho que o cacique e o pajé! Não sei se leu o livro Cristianismo, a Mensagem Esquecida, do Hermínio C. Miranda, onde ele aborda uma questão importante no início do Cristianismo: o “cala boca Magda” que deram no Espírito Santo. Sim, pois se ler os Evangelhos e os textos paulinos, verá que o Espírito Santo ATUAVA nos primórdios do Cristianismo. Há textos de Paulo que eu até parei para verificar a capa e ver se era mesmo a Bíblia, pois eles me pareciam estatutos de centro espírita!
    Mas o que deu errado? Deu errado que quando todos os apóstolos bateram com as 10, os instrutores assumiram o comando para nunca mais deixá-lo. Se verificar lá a ordem na igreja: 1) Apóstolo, 2) Os que recebem o Espírito Santo (=médiuns), 3) instrutores (diáconos e presbíteros), 4) os tais que falavam línguas. Só que quando os instrutores, além de segurar a bucha durantes as perseguições, assumiram o comando, passaram a fazer as coisas do jeito deles. Se o médium queria informar que o Espírito Santo disse que… Aí o instrutor dizia ser o Diabo quem falava e desconsiderava os avisos. Resultado: o Espírito Santo levou um cadeado na boca. A coisa não era assim tão rígida no início e até foi tolerada por séculos. Se Joana D’Arc houvesse nascido 300 anos antes, poderia ser até uma pitonisa de igreja… Mas na sua época, o Espírito Santo calou-se para sempre (para sempre até Kardec destrancar o cadeado da boca dele).
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    MALVADÃO4: Chii, essa arrepiou tudo! Meu caro, se você defende que “receber o Espírito Santo” equivale a ser médium, então essa conversa irá muito loooonge! Lamentavelmente, estou com pouco tempo para comentar mais demoradamente. De qualquer forma, saiba que a mensagem de Cristo e a do apóstolo Paulo afiançam que o Espírito Santo habita em todo o convertido. Não há distinção, como no espiritismo, entre médiuns e não-médiuns. A presença do Espírito seria o “presente” dado ao convertido. Falar línguas, profetizar, efetuar curas, seriam os “dons do Espírito”: Deus selecionaria alguns dentre os fiéis, por conta do amadurecimento no Espírito e os agraciaria com dons variados. A idéia de mediunidade passa distante dos ensinamentos paulinos. Vou procurar ler o livro recomendado…
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    MALVADÃO 3: correto, tinham as luzes de Cristo para os guiar mas preferiam o fogo da maldade. Fazer o quê? Creio que disse antes que os partidos políticos se assemelham a organizações religiosas. Assim como os eleitores delegam representantes, para que, pelos eleitores, realizem a administração pública; os fiéis religiosos passam procuração tácita aos seus líderes a fim de que lhes indiquem os melhores caminhos. Quem escolher mal, já sabe, né?
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    ARDIRRUIM2 – É a contradição humana… Os americanos dizem MUUU! para seus péssimos líderes religiosos, mas torcem o nariz para políticos pegos em corrução. Já nós aqui dizemos MUUU! para os dois…
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    MALVADÃO4: significaria que somos tão ruins em religião quanto os americanos e piores que eles em política? De minha parte, não digo MUUU! para nenhum dos lados: diante de um mal político ou de um safardana religioso, só consigo dizer: OHHHHH!
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    MALVADÃO 3: rê, rê, acho que esse texto, para Macedo, foi um achado… só que ele deve ter mudado um pouco: “dê a Deus o que é de Deus, depositando na Universal”.
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    ARDIRRUIM2 – Teria sido dele as palavras: “Jesus é o Caminho; eu sou o pedágio”?
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    MALVADÃO4: muito boa! Merece um frasquinho de óleo ungido!
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    MALVADÃO 3: não, de modo algum. O que é “ser bom” hoje não era necessariamente o mesmo no passado. Em tempos remotos não vingar a morte de um parente seria considerado errado. Deixar de apedrejar um condenado também seria tido por atitude malévola, etc.
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    ARDIRRUIM2 – Por isso mesmo é muito verdadeira a frase que diz que o homem faz Deus à sua imagem e semelhança… Ao menos sobre isso, Kardec recebeu a seguinte resposta dos espíritos quanto a Deus dizer sim numa época e não em outra: _ Deus não se engana: os homens é que são obrigados a mudar suas leis à medida que progridem. _ Esta é uma das razões pelas quais acho que a Bíblia é obra humana e não uma “revelação Divina”.
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    MALVADÃO4: quando fizer referências a Kardec, please, indique a localização, pois dá um trabalhão achar sem um mapa. De qualquer modo, Kardec (ou os espíritos, depende de como se olha) não disse novidade. O próprio Cristo várias vezes contestou a lei e, pelo menos numa ocasião, quando confrontado com questionamentos do povo, que dizia: “então, por que Moisés nos mandou fazer assim:”, Jesus respondeu: “Por causa da dureza de vosso coração”. A Bíblia pode não “ser a revelação divina”, mas pode “conter” revelações divinas…
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    MALVADÃO 3: é o que eles dizem, será que um dia perceberão a tolice que defendem?
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    ARDIRRUIM2 – Bem, como já dizia o colega Einstein: _ Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana… E não estou certo quanto ao Universo.
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    MALVADÃO4: ponto para Einstein…
    ..
    ARDIRRUIM2 – Por isso mesmo que eu digo que quem fez o Deus da Bíblia foi o povo hebreu. Acho que já dizia Voltaire: _ Creio no Deus que fez os homens, mas não no Deus que os homens fizeram. A propósito, você segue alguma igreja? O que os clérigos dela dizem dessa história de Jefte e sua filha? Um dia peguei minha prima testemunha de jeová de jeito com isso… depois eu conto.
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    MALVADÃO4: segui várias vertentes religiosas, inclusive com curtas passagens pelo espiritismo. Estive no meio umbandista, dentre os católicos e, durante maior tempo, entre protestantes. Hoje minha religião se prende a duas máximas bíblicas, uma delas já citei, à meta do amor incondicional; a outra é encontrada no Antigo Testamento: “Buscar-me-eis e me achareis, diz o Senhor, quando me buscardes de todo vosso coração”. Devido minha “religião” não possuir cléricos, não sei o que diriam do caso de Jefté. De minha parte, creio que muitas coisas podem ser ditas, o episódio desse juiz é rico em lições. Sumariamente, posso afirmar que Jefté, dentro do contexto religioso de Israel, fizera uma promessa descabida. Coincidência ou não, o episódio é apenas relatado, sem qualquer informação a respeito da aceitação divina daquele voto. Mesmo assim, Jefté se sentiu preso ao compromisso, pois uma promessa a Deus não cumprida significaria maléficios variados, tanto ao prometedor quanto à sua família, com probabilidades de estender-se a todo o povo.
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    Por outro lado, você diz coisa interessante: “quem fez o Deus da Bíblia foi o povo hebreu”. Pode ter sido, mas, destaque-se que o “Deus da Bíblia” sempre foi concepção bastante avançada em comparação com a das divindades dos povos vizinhos ao de Israel. Independentemente, uma coisa está correta em sua afirmação, só que eu a estenderia a todos os tempos e povos: Deus é sempre “feito” pela mente humana. Não significa declaração ateísta, acredito que Deus é; porém as visões que dele se têm são oriundas dos almejos pessoais. Quando muito, conseguimos roçar numa modesta percepção da divindade que, certamente, está muito distante daquilo que Deus seja de fato.
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    MALVADÃO3 – Essa é um tanto difícil de responder, teria de efetuar pesquisa e avaliar as diversas respostas e manifestações teológicas ao longo da história. Em princípio, dou-lhe razão.
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    ARDIRRUIM2 – No meu entender, Kardec matou a charada dessas manifestações teológicas ao longo da história: não havia Deus nenhum na jogada. Eram apenas espíritos tribais que se manifestavam através dos médiuns (=profetas) e daí então os absurdos morais, os erros científicos, as leis imbecis, etc e tal.
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    MALVADÃO4: ok, é uma interpretação, com a qual não concordo, porém não vou mexer nela por enquanto…
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    MALVADÃO3 – meu jovem, essa aí vai dar assunto para longa digressão. Terei que voltar noutra oportunidade, pois meus dedos pedem descanso… Depois continuo…
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    ARDIRRUIM2 – Fico no aguardo.
    .
    MALVADÃO4: continuarei devendo. Vou ficar uns dias afastado devido a minha mudança de domicílio. Ao começar a fuçar meus modestos haveres descobri a imensidão de quinquilharias armazenadas no espaço exíguo no qual sobrevivo. Estou tentanto peneirar o que presta e o que serve. Isso leva tempo e conduz a estado próximo da insanidade… Além disso, estou prestes a desligar o computador, o qual ficará em animação suspensa por vários dias… talvez até descubra que a vida é melhor sem ele…
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    Abraços viandantes.

  296. Gilgamesh Diz:

    E aí Moza! Beleza?! Como é que estão as coisas aí com D-us? Qual dos 3 decálogos é o verdadeiro?
    ?
    ?
    Brincadeirinha…
    .
    Agora sem brincadeirinhas.
    .
    Prezado Moizes Montalvao, suas colocações a respeito das afirmações de água na lua na Época de Kardec e no início da década de 60 não provam coisa alguma contra Chico Xavier. Os astrônomos que teorizavam sobre a existência de água no lado escuro da lua, nos primórdios da década de 60, não sustentaram tal afirmação depois das missões Apolo, e Chico Xavier fez tal afirmação em plena era de exploração da superfície lunar, portanto, sendo Chico Xavier um superdotado (com memória fotográfica, leitura dinâmica, etc.) charlatão, como muitos afirmam, e não um médium, creio que ele não seria louco de contradizer os cientistas de então, correndo o risco de cair em descrédito num futuro relativamente próximo. Quanto ao caso da cunhada que o espírito afirmou que engravidaria. Você comentou que o espírito predisse o futuro, mas não foi isso que houve (e nem eu disse isso). O caso foi que o espírito do feto abortado retornara ao plano espiritual e estava a preparar-se para vir a ser o filho desta mesma cunhada novamente, ou seja, não se tratava de previsão do futuro, e o fato ocorreu poucos meses depois. Quanto às mensagens, são suas opiniões, pura especulação sua. Milhares foram ao Chico Xavier e não contaram a ninguém detalhes que constavam nas mensagens. Isto é fato que pode ser constatado em diversos depoimentos de muitos documentários. Você afirmou “as cartas, em sua maioria, eram recebidas por pessoas fortemente propensas a validar a origem espiritual das missivas”: Isso não totalmente verdade, porque muitos céticos e até opositores ao espiritismo receberam mensagens e comprovaram os detalhes sem nada terem comentado; “Enlutados comentavam suas intimidades, ou ao médium, ou a algum de seus assessores”: Chico Xavier psicografava 8 horas por dia, para dezenas de pessoas. Para que esta sua afirmação tenha lógica, Chico Xavier ou seus assessores teriam de anotar tais comentários, em face da quantidade de pessoas, ou memorizá-los. Memorizar seria inviável e não há relatos de tais anotações; “e no calor da emoção de ter recebido a tão sonhada comunicação espiritual, não viram motivos para “lembrar” que a informação fora divulgada por eles mesmos”: Isso poderia até proceder se fossem poucas pessoas no dia-a-dia das psicografias, mas eram muitas. Em meio a tantos, será que ninguém se lembraria de ter comentado alguma intimidade? Será que todo mundo que recebeu mensagens psicografadas comentou informações íntimas aos assessores ou ao próprio Chico Xavier? Esse seu argumento foi muito fraco; “O caso é que não havia controle naquele ambiente ansioso por revelações espirituais que permitisse estudo seguro sobre o que ali ocorria”: Isso não vale como desculpa para dizer que o Chico Xavier não fora desmascarado por causa do ambiente, que impedia quaisquer estudos, porque não era uma balbúrdia. Aliás, essa sua afirmação não procede porque o Dr. Paul Hilde, da NASA, foi a Uberaba e estudou a mediunidade de Chico Xavier; “Praticamente todas as cartas eram redigidas do mesmo modo”: Como assim do mesmo modo? Você se refere à mesma caligrafia? Se for a caligrafia, essa sua afirmação não procede porque já houve mensagens de Chico Xavier que foram submetidas a exames grafotécnicos, e passaram; “Havia gente que ficava frustrada com as cartas, por que nelas não viam motivos para aceitar que foram ditadas pelos falecidos. Apareciam informações falhadas”: Se realmente existiam informações falhadas, porque nunca chegaram a conhecimento público? Você tem provas cabais disso?
    Chico Xavier viveu 92 anos, desses 92 anos, 75 foram psicografando (tempo de sobra para ser desmascarado publicamente, com provas reais, irrefutáveis, diga-se de passagem). Durante esses 75 anos, não faltaram pessoas com coragem para desmascará-lo e levar a público, no entanto, nunca tiveram êxito, fato que é notório. Seus opositores, por fracassarem na tentativa de desmascará-lo, ficavam tão somente no campo das especulações, como vemos até hoje. Agora, com o Chico Xavier morto há 8 anos, é tarde demais para se provar alguma coisa, ou seja, é mais fácil especular. Dentre essas especulações, ouve-se de tudo: Que ele era doente mental, leitor voraz, profissional do pastiche, tinha memória fotográfica, leitura dinâmica, escrita dinâmica, telepatia, etc., menos que se comunicava com mortos. Muitos preferem transformar Chico Xavier em um superdotado ou em algum tipo professor Charles Xavier (líder dos X-Men) do que admitir a sua mediunidade ou, simplesmente, dizer que não têm explicação. Quanto às acusações, também vale de tudo: Distorcer ou citar fatos parcialmente ou só caluniar descaradamente.
    Alguns que afirmam que ele era doente mental, também dizem que ele era mestre na técnica do pasticho, excelente falsificador e leitor voraz com memória fotográfica, leitura e escrita dinâmica, o que fazia dele também um grande embusteiro. Todavia, é um tanto ilógico um doente mental reunir tantas qualidades inerentes a um superdotado, e que tipo de charlatão faria tudo isso durante 75 anos sem usufruir nem um pouco dos milhões que poderia angariar?
    Dentre os opositores do espiritismo, muitos que se dizem ateus, se empenham integralmente na luta para derrubar o espiritismo. Algo que é muito suspeito, pois se são ateus, porque tentam obstinadamente destruir o espiritismo? Isso mostra que existe fanatismo até entre os ateus.
    Raciocinando de um ponto de vista neutro, como um verdadeiro ateu: Se Chico Xavier era fraude, então ele deveria ser desmascarado publicamente enquanto estava vivo, e isto poderia ser feito mais de uma vez em função de sua notoriedade, entretanto, isto nunca ocorreu, e houve tempo de sobra pra isso. Agora é tarde demais.
    Abraços mosaicos.

  297. Eduardo Diz:

    Gigalmesh,
    -
    Muito bom seu post.
    -
    Anota aí mais uma das “caracteriscas” de Chico Xavier que um dos participantes do blog elencou. Ele tinha mediunidade, mas não a vida toda, ou seja, passou uma boa parte do tempo nas fantasias mentais com base na doença mental, leitura voraz, pastiche, memória fotográfica, leitura dinâmica, escrita dinâmica, telepatia, era extremamente inteligente, escrevia poesias desde cedo, tinha a capacidade de decorar a vidas das pessoas que seu “assessores” investigavam, etc. Mas antes teve de fato mediunidade. Mas que antes é esse?
    -
    Assim, Chico foi um mediúm que ficou doido por causa da mediunidade?
    -
    Eu prefiro pensar que explicar o fenômeno Chico Xavier ainda não é possível e não será por um bom tempo. Sendo assim, suas lições (psicografia) estando de acordo, em minha opinião, com o evangelho de Jesus é uma fonte de aprendizado cristão.
    -
    Sds

  298. Gilgamesh Diz:

    Eduardo, pra você vê como os fanáticos opositores de Chico Xavier e do espiritismo especulam tanto que chegam até a se perderem em suas colocações. Este que falou que Chico Xavier já teve mediunidade e que foi esta que o deixou doente mental, entra em contradição com sua posição anti-espiritismo. Então Chico Xavier era doente mental, mas era, ao mesmo tempo, leitor voraz, o rei do pastiche, tinha memória fotográfica, leitura dinâmica, escrita dinâmica, telepatia, era extremamente inteligente, escrevia poesias desde cedo, tinha a capacidade de decorar a vidas das pessoas que seus “assessores” investigavam, etc.? Quer dizer que Chico Xavier, além de ser um super-humano, também possuía uma rede de investigação (quase uma CIA ou uma KGB)? E ainda era doente mental? Ô loco! Francamente! É inverossímil, mas muitos pensam assim. Como eu disse antes: Para esses, é mais compreensível transformar Chico Xavier no professor Charles Xavier dos X-Men (mas doente mental, diga-se de passagem) do que admitir que ele recebesse mensagens da espiritualidade ou, simplesmente, resignar-se com a temporária carência da Ciência nas explicações de tais fenômenos, mesmo que continuem sem acreditar.

  299. Magno Rodrigues Diz:

    Amigos e amigas…
    Não venho aqui para criticar ou para acusar…
    Mas é que realmente não entendo tamanha confusão por tão pouco…
    Acreditar ou deixar de acreditar em determinada coisa não mudará nada. Acredito que o desenvolvimento não será induzido. Oque tanto queremos saber está dentro de nós…
    Acho que tanto pros que acreditam em espiritismo quanto pros que não acreditam, existe uma palavra, um sentimento que se chama AMOR…
    Amamos nossos familiares, pais, nossos filhos, irmãos, amigos, etc…
    Já imaginaram se um desses entes queridos algum dia lhe pedissem a prova de seu amor. Oque você faria? Quem poderia provar a veracidade ou até mesmo a existência de seu amor? E mesmo que conseguisse provas científicas sobre tal existência dependeria únicamente da outra pessoa de acreditar ou não.
    O amor ao próximo nos desenvolvem tanto o espírito quanto a matéria. A nossa ingenuidade em busca de respostas as quais somos tão imperfeitos para alcançar é diretamente proporcional a nossa ignorancia.
    Acredito que encontraremos tais respostas para nossas dúvidas quando aprendermos a amarmos uns aos outros.

  300. Eduardo Diz:

    Gilgamesh,
    -
    Sabe que os fanáticos são importantes. É necessário tal condição. Acho que eu sou tb fanático e, se não sou, tenho meus momentos em tal contexto.
    -
    Se Paulo de Tarso não fosse um judeu fanático, não teria se transformado em um cristão fanático. Aprendi isso lendo Paulo e Estevão de Chico Xavier. Foi o Saulo fanático que deu ensejo ao Paulo fanático que foi o grande responsável pela divulgação da mensagem do cristo.
    -
    Os fanáticos, quer sejam espíritas ou não, estão no espaço permitido aqui divulgando a Doutrina. Mas isso não quer dizer que não se pode contestá-los. Tal espiral é que mantém a condicão de envolvimento dos fanáticos e não fanáticos e assim a Doutrina ganha, na minha opinião.
    -
    Mas veja o que Chico fez e ainda faz. Que cidadão fantástico foi Chico Xavier. Imagine se ele fosse “normal” o que não teria feito. Talvez tenha sido doido de maneira proposital para que não o colocassem em um pedestal acima do próprio Cristo….rs.
    -
    Sds espíritas

  301. Gilgamesh Diz:

    Prezado Eduardo, concordo totalmente com você. Seu raciocínio tem lógica. Tudo valeu e vale a pena, porque enriquece-se, no mínimo, a experiência, e isso é salutar.

  302. Gilberto Diz:

    O “sucesso” das psicografias de Xavier se dava à amostragem seletiva. Fazendo dezenas de psicografias por dia, com informações passadas de antemão ou não, é impossível não acertar várias, talvez centenas de vezes. Ou vocês acham que os testemunhos de prosperidade das igrejas da TV são falsos? É claro que não são. Das milhares ou milhões de pessoas que “oram” por prosperidade, várias, talvez centenas, acabam realmente prosperando, seja por sorte, engajamento aquecido pela fé, ou mesmo por serem bons negociantes. É claro que os milhares que não prosperam simplesmente não dão “testemunhos” e ficam calados. Por amostragem seletiva, a “conclusão” que se tira é que a prosperidade vem de verdade. Xavier acertava muitas vezes, e pouquíssimas vezes dava show de detalhes. O caso do rapaz Judeu foi um tiro tão certo que tem essa história repetida até dizer chega. Talvez Xavier acertou tanto por causa das inúmeras entrevistas que a família havia dado, ou simplesmente pela experiência de Xavier em leitura fria (foram décadas de prática). Se esse fenômeno é tão normal. corriqueiro e acerta sempre, por que só no Brasil se faz? E não venham dizer que o Brasil é a “nação do evangelho”, de forma predestinada, por que aí estão dizendo que os 1,3 milhões de espíritas são o que Deus quer para o mundo. Ele não pensa tão pequeno! Ou pensa?

  303. Gilgamesh Diz:

    Gilberto, já apareceram inúmeros relatos, nos meios de comunicação, de pessoas decepcionadas com a teologia da prosperidade. Flagrantes de farsa em cultos, etc. Você foi parcial. Você disse “Talvez Xavier acertou tanto por causa das inúmeras entrevistas que a família havia dado, ou simplesmente pela experiência de Xavier em leitura fria (foram décadas de prática). Se esse fenômeno é tão normal”. Então, experiência de leitura faz a gente acertar coisas que desconhecemos dos outros? E isso é normal? Eu não sabia disso, isso, pra mim, é novidade. Leio muito, mas até hoje nunca consegui acertar coisa alguma da vida de ninguém que eu desconheça. Talvez, esteja lendo pouco. Creio que tenho que ler mais.
    Talvez, Chico Xavier tinha uma ultra memória para poder decorar rapidamente as dicas e acertar a maioria. Será que ele era superdotado, doente mental e charlatão ao mesmo tempo? Incrível isso! Chico Xavier era um super-humano e ainda comandava uma rede de investigadores! Fabuloso!!! Dessa forma, vocês endeusam Chico Xavier, transformando-o em um semi-deus. Nem os espíritas fazem isso. Todavia, tudo isso não passa de conjecturas; especulações; hipóteses…
    Gilberto, você também perguntou “por que só no Brasil se faz?”. Creio que você esteja bastante enganado sobre isso. Basta ver a quantidade de filmes espiritualistas já feitos.

  304. Gilberto Diz:

    “Leitura fria” ou “cold reading” é uma técnica usada habitualmente por supostos médiuns para ‘descobrir” coisas que ninguém podia saber. Atualmente os maiores nomes do assunto são Uri Geller, que no programa do Jô, usando “leitura fria”, conseguiu redesenhar exatamente o que o Jô havia desenhado secretamente antes do programa e selado num envelope que ninguém tocou, e James Von Praagh, que dá de mil a zero em Xavier e em outros supostos “médiuns”. Quando esteve no Brasil, Von Praagh disse até o nome do cachorro do falecido pai da jornalista da Globo News. Gostei da resposta dela: “Impressionante. Inacreditável. Mas que é uma técnica, isso é.” No Brasil o maior expoente é o mágico Kronnus, mas ele não se diz médium e simplesmente um estudioso do assunto e mágico de salão. Leia a respeito. É muito esclarecedor. Eu mencionei apenas a psicografia no meu comentário. A psicografia originada nos Estados Unidos e Europa, foi logo abandonada nesses lugares, e migrou para o Brasil, onde encontrou o porto seguro da não averiguação e fé cega, e onde suas fraquezas são explicadas por rasa retórica (animismo, criptominésia, plágio inconsciente, etc.).

  305. Gilgamesh Diz:

    Prezado Gilberto, o fato de alguém simular com truques um fenômeno mediúnico, não significa que este seja truque também. Realmente existem muitos embusteiros no espiritismo, mas em todo lugar existem pilantras. A técnica da leitura fria é muito utilizada por investigadores policiais e muitos charlatões a utilizam no espiritismo e em outras correntes religiosas. Porém, nunca vi um pilantra que não tenha grandes ambições materiais para si, que não queira tirar proveito da pilantragem em benefício próprio, para enriquecimento financeiro. Afinal, esta é a finalidade da pilantragem em si.
    Outro que ponho em questão é o fato de Chico Xavier ter psicografado durante 75 anos e ninguém, nesse período, o desmascarou, levando a público provas reais, concretas e irrefutáveis de sua charlatanice.
    Outra coisa, a título de esclarecimento: A história que contei acerca do espírito que afirmara que a cunhada engravidaria novamente, não era a mesma do menino judeu, que você se referiu.
    Gilberto, explique isto, por favor: http://www.youtube.com/watch?v=UdFGRmftBo0 ou http://www.youtube.com/watch?v=7VzUVY88B1U

    Grato!

  306. Gilberto Diz:

    Quem queria desmascarar Xavier? Nenhum dos crentes que lá ia, é claro. E poucos pesquisadores não-crentes se importavam com um guru do interior de um país do Terceiro Mundo. Ninguém “levou a público provas reais, concretas e irrefutáveis de sua charlatanice” simplesmente porque o ônus da prova é de quem faz as afirmações etraordinárias que Xavier fazia. Quanto ao vídeo do Youtube da luz, a resposta é simples: um efeito comum da câmera; um reflexo. Que aliás nem “entrou”no suposto quarto de Xavier, pois passou direto. Veja o vídeo de novo. Ou quem sabe foi para um paciente do primeiro andar?????

  307. Gilgamesh Diz:

    Gilberto, por favor, não falte com a verdade. Muitos tentaram desmascarar Chico Xavier, sem êxito, e ficavam só no campo das especulações. Chico Xavier teve inúmeros ferrenhos opositores, gente com coragem para desmascará-lo e levar a público, contudo, nunca tiveram sucesso.
    Você disse “simplesmente porque o ônus da prova é de quem faz as afirmações etraordinárias”. Você está distorcendo a lógica: Quem acusa deve arcar com o ônus da prova.
    Olhei esse vídeo diversas vezes e a luz não vai para o andar de baixo. Também pesquisei sobre esse vídeo e descobri que tanto o filme quanto o equipamento foram periciados e não encontraram nada de errado. Você disse que se trata de reflexo, mas de onde? Quem vê esse vídeo várias vezes e é pessoa imparcial e coerente, que não é anti-espiritismo, percebe que o tal facho luminoso não tem nada a ver com reflexo e as circunstâncias não são propícias para isso. Um facho luminoso vem do alto, na direção da janela do quarto onde está Chico Xavier. O facho, visto em câmera lenta, divide-se em dois em determinado momento e depois volta a ser um. Que reflexo é esse que ocorre logo com Chico Xavier hospitalizado, heim? Um reflexo em movimento com a câmera estática, na sombra, sem veículos movimentando-se à frente do equipamento de vídeo, sem superfícies refletivas em movimento à frente da câmera e sem quaisquer emissores de luz movimentando-se à frente das lentes? O formato do facho luminoso não condiz com o formato de reflexos em lentes, que são circulares em sua maioria ou, no máximo, ovalados, conforme o ângulo da fonte geradora, e quanto mais ovalados ficam menos opacos. O facho está muito condensado para ser um reflexo. Um reflexo, naquelas circunstâncias, teria de vir de baixo para cima. A fonte luminosa que originou o suposto reflexo teria de aparecer ou, pelo menos, a esteira de sua claridade. Todo reflexo em lentes de câmeras gera duplos bem menos opacos, que, paralelamente, seguem a mesma trajetória do reflexo principal. O facho luminoso em questão não se enquadra em nenhum dos casos. Teria como simular esse suposto reflexo em outra câmera da mesma marca e modelo, nas mesmas condições? Creio que não. A simulação teria de gerar um reflexo idêntico e exatamente nas mesmas circunstâncias.

  308. Emilio Peres Diz:

    Gilberto disse:

    “E poucos pesquisadores não-crentes se importavam com um guru do interior de um país do Terceiro Mundo”.
    -
    Eis o fulcro de toda a questão.

  309. Gilberto Diz:

    Gilgamesh, o vídeo abaixo do Fantástico já afirma que o raio passou em frente da janela e não entrou. Olhe novamente e verá o feixe indo para o canto da tela, abaixo da janela de Chico. É mais um hoax. Fazer o que?
    -
    http://www.youtube.com/watch?v=U1muOxCl568&feature=related

  310. Marcos Arduin Diz:

    MONTALVÃO COMENTA: já eu extirpei um pouco de Arderruim e de Malvadão, e procurei conservar o que seja atinente aos presentes comentários, que são introduzidos com MALVADÃO4
    .
    E tirei o Ardirruim2 e incluí o ardirruim3

    MALVADÃO4: gostei da explanação sobre os Testemunhas de Jeová. Você destacou ponto curioso nas práticas desse grupo: eles apreciam contestar a doutrina de outras denominações, mas não admitem, sequer examinam, objeções ao que pregam. Uma das características marcantes das “testemunhas” é o hábito de lançar profecias concernentes aos tempos finais, notadamente sobre o retorno de Cristo. Todas essas profecias, diga-se, falhadas. Para eles, 1914 marca o retorno “invisível” de Jesus, quando o Filho de Deus começou a governar o reino e o fará até que Satanás seja vencido na batalha do Armagedon e implantado o Reino de Deus. Quando tal acontecer, 144.000 homens especiais, escolhidos ao longo da história, auxiliarão Deus na administração do novo reino, no céu. Os demais “salvos” viverão na Terra renovada. Os “outros”, condenados pela desobediência à vontade de Jeová, serão definitivamente aniquilados. Os testemunhas de Jeová (que preferem ser chamados “As” testemunhas de Jeová), são conhecidos pela polêmica em torno das transfusões de sangue, que não admitem, pois contrariaria determinação divina.
    .
    ARDIRRUIM 3 – Eu sei disso, Malvadão, mas um testemunha de jeová NÃO SABE. O que acontece é que as literaturas antigas são abandonadas e só interessa o que é novo. O que não foi mudado, é repetido, mas as “burradas” simplesmente somem nas novas publicações. Eu tenho uma prima testemunha de jeová que eu diria que é perfeita no que se refere ao quesito absoluta doutrinação: ela é INCAPAZ de entender um texto bíblico que não tenha passado pela interpretação dos líderes. Ela até diz que eu fortaleço a sua fé, pois ao questionar que um texto bíblico está dizendo isso, ela vai “conferir” e aí fica sabendo que “me enganei” e que o texto estava dizendo exatamente o que é ensinado pela liderança. Quer um exemplo? É proibido a um jeovista comemorar aniversário natalício. Não porque haja alguma proibição bíblica quanto a isso, mas apenas por que são citados dois aniversários comemorados por dois reis ímpios (o faraó do tempo de José e Herodes), onde mandaram cortar a cabeça de alguém. Aí falei a ela do livro de Jó, onde diz que os dez filhos de Jó se reuniam para comemorar CADA UM O SEU PRÓPRIO DIA. O que é esse próprio dia? É o dia do aniversário! Mas ela disse que leu a Bíblia a respeito e “viu” que eu estava “errado”. Mas nem eu sei no que.
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    Quanto à transfusão de sangue NÃO EXISTE nada na Bíblia, pois tal coisa era completamente desconhecida naqueles tempos. Os dois primeiros líderes jeovistas nada disseram sobre isso. Foi o terceiro líder deles, Nathan H. Knorr, que ficou muito bem impressionado com a coragem e determinação dos soldados nazistas, que recusavam receber sangue americano, pois temiam que ele pudesse ser de um negro, índio ou judeu, e assim contaminariam seu valioso sangue ariano. Então lendo os textos levíticos, onde se dizia que o sangue não podia ser usado como alimento e que era a vida e por isso tinha de ser derramado ao chão, etc e tal, então ele inventou essa “teologia” sobre “abster-se de sangue” por determinação de Jeová. Ah! Também é proibido pela Bíblia consumir a gordura dos animais (essa aí até que é uma lei saudável…), mas sobre isso, os líderes jeovistas não inventaram teologia alguma. Também foram proibidas as vacinas e os transplantes, mas com o tempo essas proibições foram levantadas. Não teria problema: não se sabe de nenhum jeovista que tenha morrido por causa de recusar vacina ou transplante. O mesmo já não acontece com as transfusões: houve muitas mortes por causa dessa “posição bíblica”. Por conta disso, mesmo já não levando tão a sério ultimamente essa questão, a Torre de Vigia não pode simplesmente dizer que “uma nova luz” brilhou e se determinou que agora é permitido fazer transfusão de sangue. Até mesmo os panacas jeovistas, especialmente os que perderam parentes e familiares, certamente iria cobrar muitas explicações…

    MALVADÃO4 – Dado curioso sobre 1914 é que a data teria sido descoberta por conta de estudos proféticos da Bíblia. No entanto, a maioria dos fiéis não sabe que tratou-se de adaptação, realizada após a primeira grande falhança das previsões do futuro. Na segunda metade do Séc. XIX, Charles Russel, que viria a ser o primeiro líder do grupo, havia aderido a uma ideia em voga naqueles dias, em certas partes dos Estados Unidos: a de que Cristo retornaria em 1874. Chegado aquele ano, Jesus não veio. O grupo do qual Russel fazia parte queimou a mufa, tentando descobrir onde errara, e concluiu que o Filho de Deus realmente voltara, só que invisível. Depois da volta invisível seguir-se-ia período tribulativo de 40 anos, tal qual o povo de Israel, que vagara 40 anos no deserto, até entrar na terra prometida. 1874 mais 40 dá 1914, ano em que Jesus surgiria triunfal e definitivamente, e seria visto por todos, dando a pincelada final na implantação do reino paradisíaco.
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    Entretanto, 1914 veio, com ele a guerra, e nada de Jesus. Nessa data, o grupo liderado por Russel, era denominado “Estudantes da Bíblia”, o título atual de Testemunhas de Jeová seria adotado em 1931. Pois bem, visto que Jesus resolvera não aparecer, uma crise tomou forma e ameaçou a união dos “estudantes”. Alguns remendos proféticos foram realizados e estipulou-se novo prazo, desta feita, 1915. Outro desacerto. Joseph Rutheford, que sucedera Russel (falecido em 1915) ficou com a incumbência de arrumar a casa. A solução implementada por Rutheford foi muito criativa: “esqueceu-se” do retorno invisível em 1874 e divulgou que a volta não-visível se dera em 1914. Desta feita, preferiam não prever outros 40 anos de tribulação, em lugar, afirmaram que “aquela geração” (a de 1914) não morreria até que Jesus retornasse visivelmente. Trocando em miúdos, significa que, pelo menos, o último da geração de 1914 estaria vivo quando Cristo se tornasse visível. Com isso, evitava-se estabelecer uma data específica. Nos anos de 1960, ocorreu movimento prevendo o aparecimento de Jesus para 1974, o que resultou em outro malogro, habilmente acobertado pelos dirigentes. Estes afirmaram que os defensores de 1974 constituíram grupo dissidente, não apoiado pelo “corpo governante” (que são os diretores da Sociedade Torre de Vigia). De qualquer modo, a geração de 1914 está findando, restam poucos vivos, portanto, na ótica das “testemunhas”, Jesus não demora a aparecer…
    ARDIRRUIM 3 – Na verdade não foi em 1974 e sim em 1975 que era o ano em que o fim do mundo viria. A Torre de Vigia NUNCA deixou escrito nada muito explícito sobre isso. Fazia só fortes insinuações tipo “quão apropriado seria se Jeová..”, “tudo indica que…”, “em 1974 completam-se 6.000 anos da criação de Adão e depois virá o milênio…” Havia toda uma teologia montada sobre isso que dava todas as pintas de que o fim viria em 1975. Uma delas é a geração de 1914. Baseado no texto que diz que “essa geração de forma alguma passará”, os líderes jeovistas entenderam que se referia à geração que viu os acontecimentos de 1914. Mas a contabilidade dessa geração começava com “quem tinha conhecimento suficiente para discernir o que acontecia” ou seja, teriam de ser no mínimo adolescentes de 15 anos. Em 1975 esses aí estariam com 76 anos. Mas o fim do mundo não veio. Chegou 1985 e aí a tal “geração que não passaria” estava virtualmente extinta. Aí veio uma nova luz que diz que o termo “geração” incluiria a geração inteira. Isso quer dizer que os bebês nascidos em 1914 entravam agora na contagem e assim a tal geração ganhou mais 15 anos de sobre vida. Mas no fim dos anos 1990, voltou o problema. A geração estava de novo virtualmente extinta. Que fez a liderança jeovista? Simplesmente SUMIU com a geração de 1914. Tem uma edição da Despertai!, onde se diz que a revista é editada etc etc ANTES QUE PEREÇA A GERAÇÃO QUE VIU OS ACONTECIMENTOS DE 1914. Na edição seguinte é dito no lugar dessa frase “ANTES DE JEOVÁ POR FIM A ESSE ANÁRQUICO SISTEMA DE COISAS”. Não lembro as palavras exatas, mas é por aí. É só procurar em sitios de jeovistas dissidentes.
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    MALVADÃO4 – Os testemunhas de Jeová e os mórmons não são usualmente qualificados dentre os grupos cristãos propriamente ditos, devido a certas peculiaridades de suas doutrinas. E eles parecem não se incomodar muito com isso, pois fazem questão de se considerarem os “únicos cristãos legítimos”.
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    Quanto ao cristianismo ser um “saco de gatos”, discordo um pouco, embora não tenha ânimo para tentar mostrar que esteja, em parte, equivocado…
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    ARDIRRUIM 3 – Inclua os Adventistas nesse grupo desconsiderado pelos cristãos tradicionais.
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    MALVADÃO4: em linhas gerais, o que você diz está concorde com os discursos religiosos cristãos. Mas, me parece um tanto complicado para nós, limitados em nossa capacidade avaliativa, querer definir taxativa e detalhadamente os critérios divinos. A idéia de perdão realmente está contida na Bíblia, porém a de que não haverá tratamento adequado para as injustiças cometidas de uns para com outros me parece difícil admitir.
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    ARDIRRUIM 3 – Bem, é bom saber que o Purgatório já foi patenteado pela Igreja Católica… O cristão protestante, entretanto, NÃO TEM ESCAPATÓRIA: é obrigado a dizer que qualquer criminoso, por pior que seja, se em seus últimos minutos aceito a Cristo, então vai pro céu numa boa.
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    MALVADÃO4: certamente o segmento em que atua é menos sujeito a corrupção que, por exemplo, algumas áreas de licitações públicas. Sendo assim, sorte sua pois, além de não ficar exposto a pressões de safardanas, pode manter a lisura de procedimento sem sofrer sanções (sim, porque o honesto muitas vezes é castigado e o corrupto premiado). O fato é que certas áreas são mais propensas que outras a ser vitimadas por sugadores de bens públicos. Tradicionalmente, obras, saúde, transportes, instituições financeiras ligadas a governos, constituem os pontos mais visados.
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    MALVADÃO4: o rito em si não tem o fito específico de melhorar as pessoas. O rito, qualquer que seja, é a maneira regulamentada pelo grupo de manifestar devoção à divindade. A melhora se dá pela observação dos preceitos morais e éticos que as variadas confissões religiosas disponibilizam a seus seguidores.
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    ARDIRRUIM 3 – As confissões religiosas têm de descobrir uma maneira de fazer seus fiéis entenderem que DE NADA ADIANTA seguir os ritos se não se melhorarem moralmente. Mas acho que igrejas que batessem bem nessa tecla não seriam das mais cheias. Já dizia um certo Cristo que larga é a porta que leva à perdição e muitos são os que passam por ela…
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    MALVADÃO4: Watson provavelmente estava interpretando (e mal) certas observações atinentes as características biológicas de negros e não-negros. Neste caso a biologia materialista não é culpada. A culpa advém dos preconceitos que Watson carregava consigo e que tentava validar cientificamente…
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    ARDIRRUIM 3 – Sacomé essa gente, né? Quando crimes são cometidos em nome de supostas religiões ou princípios religiosos, são as religiões que não prestam. Quando crimes são cometidos em nome de supostos avais científicos, não é a Ciência que não presta e sim os homens… Vamos longe assim.
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    MALVADÃO4: Se Kardec contatou espíritos não-reencarnacionistas e recebeu respostas “esquisitas”, por que as teria descartado radicalmente, a ponto de sequer considerá-las na codificação?
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    ARDIRRUIM 3 – O que uma resposta estranha, que não responde nada, acrescentaria à codificação? Se eu escrevesse uma obra antissocialista, certamente desconsideraria qualquer argumento dos defensores do socialismo que não respondessem às questões que eu levantasse. Assim fez Kardec.
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    MALVADÃO4 – Teria ele concluído que, pelo fato daqueles espíritos repudiarem a reencarnação, não mereciam confiança? E porque não avaliou a possibilidade de aqueles estarem certos e os reencarnacionistas equivocados? Creio que Kardec foi na onda dos “espíritos” que faziam eco às suas prévias crenças.
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    ARDIRRUIM 3 – Ainda estou no aguardo de provas de que Kardec JÁ TINHA OPINIÃO reencarnacionista antes de se meter com os espíritos. E repetindo: Kardec desconsiderou os argumentos dos outros… porque não tinham argumentos. À pergunta de porque há os que nascem estropiados, enquanto outros nascem perfeitos, por que uns vivem e morrem em paz, enquanto outros levam uma vida desgraçada, etc e tal, os espíritos não reencarnacionistas não souberam o que responder. Da mesma forma que as igrejas cristãs não sabem ou, como você fez, jogam a coisa pra Deus, que UM DIA há de os explicar seus motivos.
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    MALVADÃO4 – Se o espiritismo lhe dá as respostas que procura, fique com quem ou o que lhe atende aos anseios: não está entre as minhas pretensões culturais desconverter ninguém. O caso é que para os cristãos o cristianismo dá as respostas; para budistas, o budismo responde; para taoístas, o tao diz. Eu poderia gastar longas linhas buscando mostrar que as “explicações” espíritas não são tão completas quanto se pensa. E pretendo fazê-lo em estudo que deverá exigir maiores reflexões que miúdos comentários como os que aqui se realiza. Por ora, deixo um tópico para reflexão. Você diz que o espiritismo-reencarnacionista esclarece, ao asseverar, por exemplo, que uma criança que viva somente alguns minutos estaria quitando um tantinho de dívida que ficou da existência anterior. Pois bem, se formos esmiuçar essa suposição (coisa que pretendo realizar noutra oportunidade) teremos material para diversas objeções. Em âmbito mais amplo, quando se abraça a explicação reencarnacionista, no caso da criança que nasce e morre imediatamente, automaticamente valida-se uma crença que, infelizmente, não é generalizada. Para que se pudesse acatar, sem restrições, a idéia reencarnacionista seria necessário que a reencarnação fosse coisa demonstrada inequivocamente, ou, ao menos aceita universalmente.
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    ARDIRRUIM 3 – Ô cara! Houve um certo Galileu Galiéia que se ferrou na mão da Santa Madre Igreja porque foi conta o dogma UNIVERSALMENTE ACEITO de que a Terra está fixa no centro o Universo. Por que só se a reencarnação fosse um conceito amplamente aceito poderia ser tida por correta? Faz me lembrar uma pixação no centro acadêmico do Instituto de Biociências onde fiz minha graduação e pós-graduação: “Coma lixo! 33 milhões de famintos não podem estar errados”.
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    MALVADÃO4 – Com um pouquinho de criatividade, podemos dar uma resposta “cristã” aos casos da espécie e a vários outros. Façamos um exercício. Existe a doutrina dos anjos rebelados. Segundo ela, Lúcifer, seguido por legiões de anjos, comandou um levante contra o Altíssimo, intentando destronar a Deus e ocupar seu lugar. A batalha foi terrível, mas os inimigos do divino derrotados e agrilhoados em prisões cósmicas até o final dos tempos. Ocorre que alguns desses rebelados manifestaram sincero arrependimento e rogaram ao todo-poderoso que os redimisse. Ora, quem redime do pecado é, unicamente, o sangue de Cristo, derramado em favor da humanidade. Anjos constituem outra classe de seres, que não humanos, portanto estão fora do projeto regenerador. Para que tais seres pudessem ser perdoados, teriam de estar no grupo alcançado pelo sangue do Filho de Deus. Então, o Criador permite que esses anjos arrependidos encarnem em corpos humanos, apenas o suficiente para serem bafejados pela redenção. Daí a razão de nascer gente que morre em seguida. Há, ainda, casos de anjos que eram comandantes de batalhões de revoltosos, os quais instavam seus comandados a resistir, até último alento, as hostes divinas que vinham combatê-los. Para estes, restou punição mais drástica: são os que nascem com retardos mentais graves e irreversíveis, com aleijões dramáticos, ou mesmo com doenças que lhes condenará a vida curta e dolorida. Entretanto, nem todos os casos de defeitos físicos ou mentais são oriundos de nascimentos angelicais. Alguns desses vêm com propósito definido de mostrar ao mundo que, mesmo diante da adversidade, há perspectivas de existências ricas e produtivas. Tais criaturas, no céu, receberão um galardão adequado às dores vivenciadas.
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    Veja só: a “explicação” acima responde, sem apelos reencarnativos, diversas questões que poderiam estar incomodando a mente de muitos. Elaborei-a neste momento, portanto, não foi profundamente refletida e podem haver pontos não esclarecidoas por essa idealização. De qualquer modo, seria resposta não reencarnacionista a várias dúvidas. Agora, pergunto-lho: estaria um reencarnacionista disposto a abrir mão de sua crença em vista de ter surgido esclarecimento cristão para suas indagações? Vou responder: DIFICILMENTE! Em verdade, não seriam propriamente as “explicações” mais ou menos amplas que cativam alguns adeptos da hipótese de múltiplas existências, seria tão-somente o aspecto geral da crença, capaz de seduzir o interesse de muitos. A idéia de que, se uma vida não deu certo, haverá outras disponíveis para consertar-se o que ficou pendente, é atrativa para várias mentes; e continuará sendo atrativa, mesmo que fique claro que as “explicações” não explicam tanto e a suposição carreia para si diversos dificultadores. Enfim, trata-se de uma questão de identificação pessoal: se a conjectura harmonizou com seus anseios íntimos então “é ela”, independentemente de haver ou não outra melhor…
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    ARDIRRUIM 3 – O problema com seu modelo acima, Malvadão, é que eu tenho de pensar que Deus é muito burro, insciente e não resolve o problema de justiça, pois ficamos com a lenda do pecado original ainda intacta e as questões que Kardec mesmo levantou contra os dogmas cristãos não ficam resolvidas. A capacidade de concepção de Deus por parte do homem é limitada pela sua inerente perfeição, entretanto podemos ter um vislumbre do que seria o ente Deus. Kardec o colocou como sendo eterno, único, onipotente, onisciente, imaterial, imutável, soberanamente justo e bom e infinito em todas as suas perfeições. Os próprios espíritos o advertiram: isso é do ponto de vista humano, pois há outros atributos que o homem desconhece. Não consigo conceber um Deus perfeito que criasse seres imperfeitos se seu propósito não era esse. O Diabo & Cia Bela são criação de Deus e se ele quis criar seres perfeitos, mas enganou-se em sua realização de obra, então o Deus dos cristãos NÃO É INFALÍVEL. Se não é infalível, não pode ser perfeito. Quanto às outras considerações que fez, terá de inventar sua própria igreja, pois certamente vai ouvir muita queixa de teólogos cristãos quanto ao seu modelo.
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    MALVADÃO4: agora fiquei em dúvida: qual a filosofia barata referida, a minha ou a marxista? Se for a minha, não tenho que discordar, pois como filósofo não tiro nem para um cafezinho. De qualquer modo, de minha filosofia, levando em conta que a referência seja a ela, o que conservou foi a parte melhorzinha, o que muito me envaidece (vaidade no bom sentido).
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    Anália Franco, independentemente de ser espírita, era alma com visão adiante da de sua época. Pessoas assim existem em diversas agremiações religiosas e mesmo fora delas. Euclides da Cunha ao visitar o palco dos combates em Canudos produziu uma obra avançada em termos de direitos humanos. Padres jesuítas, muitos deles, tomavam índios sob sua proteção, defendendo-os da sana assassina de fazendeiros. Cândido Rondon desbravou os sertões, disposto a “morrer se preciso fosse, matar jamais”. Homens e mulheres esclarecidos surgem, em todas as épocas, para deixar o registro de que ainda há esperança para o ser humano: em meio a tanta insensibilidade e exploração do próximo, essas almas santas nos mostram o lado bom de nossa humanidade.
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    ARDIRRUIM 3. – Chamo de filosofia barata aquele monte de explicações e descrições dos belos ideais socialistas… que na prática só produziram ditaduras desumanas. Uma prova provada de que essa filosofia nada vale. A minha pergunta é: quem esclareceu os homens e mulheres esclarecidos que surgiram em épocas onde o pensamento oficial ia contra o que eles pensavam? No Espiritismo diríamos que são espíritos que já tomaram muita pancada em encarnações anteriores e aí chegaram à condição de espíritos que aprenderam com seus erros. Agora estavam aptos a serem missionários e trazerem para a sua época uma visão contrária ao pensamento oficial.
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    MALVADÃO4: religião propriamente nenhuma, mas podemos dizer que o “espírito cristão” estava presente nas atitudes dessas e de muitas outras.
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    ARDIRRUIM 3 – E o que vem a ser esse tal “espírito cristão”? É de comer ou de beber? Afinal um muçulmano, judeu, budista, confucionista ou outros istas estariam privados de fazerem coisas semelhantes por não ter nenhum cristão para lhes passar algum espírito por perto?
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    MALVADÃO4: o “espírito inglês” me disse muitchas coisas. Com o tempo revelarei algumas delas. Também há um ditado: “pelos frutos os conhecereis”. Uma pessoa recuperada moralmente mostra seus reais sentimentos pelas atitudes. É assim que se testa na própria existência a mudança individual. E sabemos de casos assim: há, sem dúvida, capetas falsamente santificados, porém muitos autênticos… A memória apagada, na filosofia reencarnacionista, não cria obstáculos à moral. É claro. O sujeito está vivendo uma “nova” existência, os preceitos morais que observar serão os que nesta vida adquirirá. Supor que alguém já traga uma moral prontinha de outra existência é, até prova contrária, fantasia. Embora, não lembrar não fosse óbice para uma vida moral, o que a rigor não tem nada a ver, por outro lado, esquecer cria um óbice medonho: estou aqui, purgando males que pratiquei antanhamente, mas não lembro do que fiz, quem fui, se dei ou deixei de dar, se matei ou se vivi, se arranhei ou se mordi, se fui anjo ou fui capeta…
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    ARDIRRUIM 3 – Umas das grandes besteiras que é dita pela filosofia socialista é que a criminalidade é fruto das desumanas condições de vida a que é submetida a população carente. Por essa filosofia imbecil, só pobre se torna bandido. Os riquinhos e remediados nunca seriam criminosos, pois não foram submetidos às desumanas condições de vida da população carente… Taí o falecido índio Galdino que não me deixa mentir… Tão aí vários parentes meus que foram submetidos às desumanas condições de vida da população carente e nem por isso cometeram qualquer crime. Também estão aí as diferenças intelectuais e morais entre as pessoas num mesmo estrato social. Tudo isso seria apenas obra de educação?
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    MALVADÃO4: Chii, essa arrepiou tudo! Meu caro, se você defende que “receber o Espírito Santo” equivale a ser médium, então essa conversa irá muito loooonge! Lamentavelmente, estou com pouco tempo para comentar mais demoradamente. De qualquer forma, saiba que a mensagem de Cristo e a do apóstolo Paulo afiançam que o Espírito Santo habita em todo o convertido. Não há distinção, como no espiritismo, entre médiuns e não-médiuns. A presença do Espírito seria o “presente” dado ao convertido. Falar línguas, profetizar, efetuar curas, seriam os “dons do Espírito”: Deus selecionaria alguns dentre os fiéis, por conta do amadurecimento no Espírito e os agraciaria com dons variados. A idéia de mediunidade passa distante dos ensinamentos paulinos. Vou procurar ler o livro recomendado…
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    ARDIRRUIM 3. O Espírito Santo habita? Como é isso? Por que SÓ ALGUNS teriam os dons? Parece que Barnabé tinha os tais dons, mas ele e Paulo não se entenderam… Faltou Espírito Santo em algum lugar… Há entre esses dons estava o de DISCERNIR ESPÍRITOS. Que dom mais estranho se o único espírito atuante era o Santo…
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    MALVADÃO4: significaria que somos tão ruins em religião quanto os americanos e piores que eles em política? De minha parte, não digo MUUU! para nenhum dos lados: diante de um mal político ou de um safardana religioso, só consigo dizer: OHHHHH!
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    ARDIRRUIM 3 – Eu digo: filho DILMA puta!
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    MALVADÃO4: muito boa! Merece um frasquinho de óleo ungido!
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    ARDIRRUIM 3 – UNGIR significa PASSAR ÓLEO. Óleo ungido é óleo que foi lambuzado com mais óleo, ou seja, é a mesma coisa que água molhada…
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    MALVADÃO4: quando fizer referências a Kardec, please, indique a localização, pois dá um trabalhão achar sem um mapa. De qualquer modo, Kardec (ou os espíritos, depende de como se olha) não disse novidade. O próprio Cristo várias vezes contestou a lei e, pelo menos numa ocasião, quando confrontado com questionamentos do povo, que dizia: “então, por que Moisés nos mandou fazer assim:”, Jesus respondeu: “Por causa da dureza de vosso coração”. A Bíblia pode não “ser a revelação divina”, mas pode “conter” revelações divinas…
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    ARDIRRUIM 3 – A referência a Kardec: http://www.geae.inf.br/pt/livros/le/le3-1-1.html
    O problema é que os cristãos querem entender que TODA a Bíblia é uma revelação divina e quanto a distinguir quais seriam revelações e quais não, aí iria depender a conveniência de cada um…
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    MALVADÃO4: ponto para Einstein…
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    MALVADÃO4: segui várias vertentes religiosas, inclusive com curtas passagens pelo espiritismo. Estive no meio umbandista, dentre os católicos e, durante maior tempo, entre protestantes. Hoje minha religião se prende a duas máximas bíblicas, uma delas já citei, à meta do amor incondicional; a outra é encontrada no Antigo Testamento: “Buscar-me-eis e me achareis, diz o Senhor, quando me buscardes de todo vosso coração”. Devido minha “religião” não possuir cléricos, não sei o que diriam do caso de Jefté. De minha parte, creio que muitas coisas podem ser ditas, o episódio desse juiz é rico em lições. Sumariamente, posso afirmar que Jefté, dentro do contexto religioso de Israel, fizera uma promessa descabida. Coincidência ou não, o episódio é apenas relatado, sem qualquer informação a respeito da aceitação divina daquele voto. Mesmo assim, Jefté se sentiu preso ao compromisso, pois uma promessa a Deus não cumprida significaria maléficios variados, tanto ao prometedor quanto à sua família, com probabilidades de estender-se a todo o povo.
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    Por outro lado, você diz coisa interessante: “quem fez o Deus da Bíblia foi o povo hebreu”. Pode ter sido, mas, destaque-se que o “Deus da Bíblia” sempre foi concepção bastante avançada em comparação com a das divindades dos povos vizinhos ao de Israel. Independentemente, uma coisa está correta em sua afirmação, só que eu a estenderia a todos os tempos e povos: Deus é sempre “feito” pela mente humana. Não significa declaração ateísta, acredito que Deus é; porém as visões que dele se têm são oriundas dos almejos pessoais. Quando muito, conseguimos roçar numa modesta percepção da divindade que, certamente, está muito distante daquilo que Deus seja de fato.
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    ARDIRRUIM 3. Sem reparos. O homem só pode fazer um Deus que caiba em suas cabeças…
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    MALVADÃO4: continuarei devendo. Vou ficar uns dias afastado devido a minha mudança de domicílio. Ao começar a fuçar meus modestos haveres descobri a imensidão de quinquilharias armazenadas no espaço exíguo no qual sobrevivo. Estou tentanto peneirar o que presta e o que serve. Isso leva tempo e conduz a estado próximo da insanidade… Além disso, estou prestes a desligar o computador, o qual ficará em animação suspensa por vários dias… talvez até descubra que a vida é melhor sem ele…
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    ARDIRRUIM 3 – Bem, depois a gente conversa.

  311. Gilgamesh Diz:

    Mesmo assim, isso não prova que era um reflexo. Convenhamos, basta ver o vídeo várias vezes, não tem nada a ver com um reflexo. Se realmente houvesse tal possibilidade, alguém já teria provado, realizando uma simulação exatamente nas mesmas condições e com filme e equipamentos iguais, gerando um reflexo idêntico.

  312. Gilberto Diz:

    Gilgamesh: Mas não vamos descartar tudo, concordo. Quem sabe não foi algo realmente inexplicável? Só disse que pra mim pareceu simples. Pra você não. Essa é a beleza da vida… Um abraço!

  313. Gilgamesh Diz:

    http://www.youtube.com/watch?v=2Axr-HomblY&NR=1

  314. Gilgamesh Diz:

    Agora sim, Gilberto, concordo contigo. É inexplicável para mim e quando não tenho explicação, não me atrevo a fazer uma.

  315. Gilgamesh Diz:

    http://video.google.com/videoplay?docid=-3327644094192421723#

  316. Gilgamesh Diz:

    http://www.youtube.com/watch?v=Hp-RP31QmiQ&feature=related

  317. Marcos Arduin Diz:

    Gilberto, por favor, não falte com a verdade. Muitos tentaram desmascarar Chico Xavier, sem êxito, e ficavam só no campo das especulações. Chico Xavier teve inúmeros ferrenhos opositores, gente com coragem para desmascará-lo e levar a público, contudo, nunca tiveram sucesso.
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    Esse é um problema com o qual nós espíritas nos deparamos com frequência. Há sempre grandes sábios que encontraram alguma “explicação” para os fenômenos e para a atuação dos médiuns. Mas NUNCA encontramos o desmascaramento feito ao vivo e a cores contra médiuns efetivamente consagrados.
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    Quevedo em seus cursos fajutos de Parapsicologia já teria dito que num debate com Chico e Waldo em Uberaba, Chico titubeou e não soube responder aos questionamentos do hábil padre. Já o Waldo, a certa altura, saiu de fininho e se mandou de Uberaba, só voltando no dia seguinte, todo assustado.
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    O problema é que quando Quevedo foi questionado em que data ocorreu o tal debate, aí foi a vez dele de titubear e não saber responder, dizendo não se lembrar exatamente qual dia foi. Mas que estranho esquecer a data de tal evento tão memorável.
    .
    E o que vejo aqui é exatamente isso: _ Alguém disse que o Chico… Mas provas? Cadê? Ficamos na escolha seletiva: os testemunhos que desabonarem o Chico serão sempre corretos e válidos. Os que o endossarem terão sido ditos por pessoas acríticas, deslumbradas, ingênuas e portanto sem validade.
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    Vamos longe assim. Aliás, esse debate aqui já foi bem longe.

  318. Gilberto Diz:

    Gilgamesh: Depois de décadas estudando Ufologia, fiquei tão acostumado com tais efeitos de câmera que eu me atrevo a dar palpite. Uma ilusão de ótica, na minha ótica, ou devo ir à uma ótica? Abraços.

  319. Gilgamesh Diz:

    Gilberto, uma ilusão de ótica? Em virtude das circunstâncias daquele momento, isso foi descartado logo de início pelos peritos. Toda ilusão de ótica tem uma explicação; tem uma causa; um motivo; uma origem. Aquilo não, mas se você acha que foi… O que, então, teria causado a tal ilusão de ótica?

  320. Gilberto Diz:

    Por exemplo, um avião passando por cima daquele lugar. Um carro passando por perto, refletindo o sol. Mil coisas.

  321. Gilgamesh Diz:

    Gilberto, veja o vídeo novamente, se não for incômodo. Não há carros passando por perto; não há veículos ou superfícies refletivas em movimento dentro da área de abrangência das lentes da câmera; a câmera estava sob a sombra. Não se vê nenhum avião ou outro veículo aéreo passando sobre a área de abrangência da câmera. Contudo, suponhamos que um avião tivesse sobrevoado. Como um avião faria uma ilusão de ótica daquela? Você afirma que podem ser mil coisas. Mas como assim mil coisas? “Mil coisas” não é uma explicação coerente; mil coisas é demasiado vago. Se fosse uma ilusão de ótica proveniente de um veículo em movimento, um avião ou até mesmo mil coisas, os peritos teriam falado, e, desde 2001 pra cá, já teriam simulado algo idêntico exatamente nas mesmas condições para provar que foi um fenômeno físico normal. Todavia, especialistas, depois de exaustivas análises, não se arriscaram a dar explicações dentro do universo de fenômenos físicos. Eu penso o seguinte: Se especialistas dizem que é algo inexplicável fisicamente, quem sou eu para explicar?

  322. Eduardo Diz:

    Gilgamesh,
    -
    O fenômeno não tem explicação, de acordo com os especialistas ouvidos. Eu não tenho e nem arrisco uma explicação para o que foi aquilo.
    -
    O que mais me chamou a atenção foi o fato de Chico dizer, “foi minha mãe”. Como se ele soubesse do que estavam falando.
    -
    Mais uma das inúmeras coincidências que cercam a vida de Chico Xavier. Vitor, vc tem alguma opinião sobre o fenômeno?
    -
    Sds,

  323. Vitor Diz:

    Para mim é qualquer coisa MENOS um fenômeno espiritual. Parece que um dos fachos seria o Emmanuel (o outro seria a mãe de Chico), que não existiu. Provavelmente é só reflexo.

  324. Gilgamesh Diz:

    Aquilo não é reflexo. Se fosse, já teria sido provado. Coincidência? Coincidência de quê? Coincidência demais! Ocorrer uma inexplicável coincidência (que fatores geraram tal coincidência?) justamente com alguém tão singular em um momento especialmente delicado de sua vida?

  325. Eduardo Diz:

    Gilgamesh,
    -
    Era para eu ter escrito “coincidências”.
    -
    Em tempo, pra mim não é coincidência.
    -
    Sds,

  326. Gilgamesh Diz:

    Ok, Gilberto.

  327. Gilgamesh Diz:

    RETIFICANDO:
    Ok, Eduardo.

  328. Patrícia Diz:

    Enquanto algumas pessoas discutem religião, outras, gastam seu tempo salvando vidas, fazendo o bem, praticando boas ações, amando, doando-se em favor dos outros… Com quais delas estará a razão??? Só a consciência de cada um é capaz de responder…

  329. Luíz Diz:

    É triste ver Fundamentalismo religioso logo aqui no Ocidente. Eu vejo o Chico como a Patrícia (comentário acima) vê. Se for contabilizar fraudes, meu caro amigo, tanto a Igreja Católica Apostólica Romana quanto o Protestantismo são campeões. Temos dois princípios basilares para viver aqui no Ocidente: Nossas Constituições asseguram liberdade de religião ou credo e o bom senso em pleno século XXI diz: Respeite o credo alheio tanto quanto respeitam o seu. As fraudes podem ter acontecido mediante uma investigação laica e rigorosa mas o bem final é o que conta. Outra coisa para os “soldados de Jesus Cristo”: as religiões Orientais surgiram muito antes do carpinteiro nascer e as premissas em relação ao próximo são as mesmas. Ladainha de Pastor, Padre ou Ministro sem devida fundamentação histórica e não na Bíblia (adulterada por franciscanos, beneditinos, Vaticano e Judeus que proíbem o acesso aos escritos originais em seu poder). Vamos para o lado prático despido de razão e emoção: quem seria idiota de perder 90 anos de vida em função dos outros e vestir roupas baratas com tamanha cifra das publicações advindas dos adeptos do espiritismo. Me dê uma resposta plausível.

  330. Camila Diz:

    Discussões educadas são saudáveis, mas esse tipo de discussão definitivamente não é legal e é sem sentido. O nosso destino (seja sobreviver após morte corporal ou não) independe da OPINIÃO de vocês. Continuem cada um com suas crenças e parem de fazer pirraça, tentando satisfazer o ego. Todos vamos saber o que acontece após a morte, então não se preocupem!

  331. wca Diz:

    A religião é o ópio da humanidade

  332. jorge Diz:

    Voces acham que Valdo Vieira teria motivos para inventar sobre as fajutagens de Chico, voces acham que o sobrinho que disse em publico que treinavam psicografias junto com Chico e tudo era falso tambem tem algum motivo para mentir, voces acham que Otila (materializava espirito) atordoada com investigaçoes , tambem disse que era uma fajutagem,voces acreditam q quando Valdo Viera disse para Chico que nao mais participaria dessas seçoes fajutas ele começou a chorar , por que o choro Chico.Meu filho chora quando o repreendo e ele sabe que está errado
    Nao queremos impor absolutamente nada , queremos somente disser fatos que sabemos e talves alguem nao saiba
    Um abraço

  333. eduardo Diz:

    Vejam depoimentos do pai e da mãe de Roberto Muszkat em http://www.youtube.com/watch?v=qC8i4-JcqbY e tirem suas conclusões.

  334. Flavio Carlos Niewinski Villela Diz:

    Boa tarde! Vamos começar; Waldo nunca disse que Chico fraudava as cartas. Isto foi um ato desonesto,por parte de um blog católico. Waldo em outra gravação, e só procurar no yutube,e lá estará a resposta. Como pode Waldo ter dito que eram fraudes se ele próprio participou de livros,psicografados em conjunto. Agora temos aqui ´algumas informações. Dentro da Doutrina dos espiritos fundamentada por Kardec, e milhares de espiritos, e o Espirito a VERDADE,que segundo Kardec SERIA,Jesus,o espirito quando se apresenta aos seus familiares e amigos,de uma forma que ele possa ser identificado. Por algum fato íntimo,ou na materialização em uma forma que todos o conheça. Quando o espirito na terra,encarnado, analfabeto,no plano espiritual,ele deixa de ser pois ele agora é um espirito. O espiritos passa para o médium,por pensamentos o que ele quer escrever, quando ele ainda está materializado. Quando o fato termina,e ele recobra o que é,ai ele usa o braço do médium, pois Chico era um médium mecanico.Esta explicação que passei bem condensada,não é para defender Chico,não,muito pelo contrário. Em suas obras diversas,que passando pelo crivo da Doutrina dos Espiritos de Kardec, tem muita coisa falsa. E nos seus romances espiritas,usando a historia antiga e a arqueologia, existem muitos erros, e falta verdades históricas. Veja bem sou espirita,mas racional,pois a DE,de Kardec, e outra coisa, DE e filosofia e ciências.nada tem de religião. Infelizmente o movimentos espirita,criou regras,afastando os ensinos de Kardec, que só e utilizado quando quando de interesses,politicos e finaceiros,que e outra história. Procurem saber o que e Routanguismo.

  335. LUIZ Diz:

    “Ouça quem tem ouvidos de ouvir e veja quem tem olhos de ver.” Simples assim. O Chico Nunca quis provar nada, nunca foi à casa de alguém aqui dos comentários ou dos donos de alguma revista pedir algum favor ou algo emprestado. Ele só atendeu quem o procurava. Não roubou nada de ninguém. Roubou de vc? Então…não se preocupe com a vida dos outros. Muitos foram consolado e muitos que criticam nunca praticaram o amor ao próximo. Chico veio pra quem acredita no amor de Jesus, para quem acredita no bem, para os espiritualistas, para os que precisavam de consolo. Se vc nunca precisou não perca seu tempo com o Chico, todos que os procuravam eram por livre e espontânea vontade e nunca lhes foi pedido algo em troca. Chico não cobrava dízimo, não passava sacolinha, e nunca se beneficiou da venda de seus livros. Quando queria presentear algum amigo com alguma de “suas obras” ele comprava com sua aposentadoria. Não tinha carro, não tinha bicicleta, não tinha moto. Não ia pra balada, não ia pra pescaria…ia pras favelas, asilos, hospitais e presídios. Mas se mataram Jesus, que era puro, imagina Chico que se comparava a uma Besta. Uma vez sentindo muita dor nos olhos clamou por ajuda e pediu a presença do Dr. Bezerra. Daí a instantes chega com o Dr. Bezerra, que, olhando o Chico, se surpreende e lhe diz:
    - Mas, Chico, por que você não me disse que estava passando mal da vista? Eu lhe teria medicado.
    E o humilde Médium, emocionado por ver à sua frente o Espírito querido, todo iluminado, refletindo bondade, lhe pede:
    - Dr. Bezerra, eu não lhe peço como gente, mas como uma Besta cheia de pisaduras, que precisa curar-se para continuar seu trabalho e ganhar seu pão de cada dia. Cure, pois, por caridade, os meus olhos doentes…
    - Se você, caro Chico, é uma Besta e eu quem sou então? – retrucou-lhe o querido apóstolo.
    - O Sr., Dr. Bezerra, exclama o Chico, é o Veterinário de Deus!… Quanto não se tem algo de bom pra falar o melhor e ficar calado pois a boca fala do que o coração está cheio.

  336. Vitor Diz:

    Chico disseminou preconceito contra os judeus, meu caro. E várias de suas obras possuem erros científicos, históricos, dissemninando como reais personagens que jamais existiram, como o Publio Lentulus retratado em Há Dois Mil Anos.

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