Caso Fantástico na Arqueologia Subaquática: UMA PESQUISA PRELIMINAR DO PORTO ORIENTAL, ALEXANDRIA, EGITO, INCLUINDO UMA COMPARAÇÃO DE SONAR DE ESCANEAMENTO LATERAL E VISÃO REMOTA (1980)

Este artigo informa uma pesquisa preliminar de um dos portos mais históricos da humanidade, Alexandria, Egito. Constitui uma fase mais ampla de exame em conjunto da terra e do mar da maior e mais famosa cidade a carregar o nome de Alexandre, o Grande. A pesquisa como um todo tinha dois objetivos: 1.) resolver as incertezas locacionais relativas à configuração do passado da cidade, principalmente seus antecedentes Ptolemaicos; e, 2.) comparar as tecnologias de varredura que utilizam sensores remotos eletrônicos com a Visão Remota em geral, e a metodologia aplicada desenvolvida pelo Grupo Mobius, especificamente. Na área do Porto Oriental, o objetivo da pesquisa era: 1.) A localização da antiga linha costeira; a localização e descrição prevista de vários sítios, incluindo: a ilha de Antirrhodus e o complexo do Empório/Poseidium/Timonium; um complexo de um palácio associado à Cleópatra; e uma elaboração adicional, tanto em termos de localização quanto de descrição prevista, da área do farol de Pharos. 2.) Uma comparação entre os dados da Visão Remota e os do sonar de varredura lateral após cada abordagem ter pesquisado a mesma área. Este artigo descreve a provável localização do Empório, do Poseidium, e do Timonium, o complexo do palácio de Cleópatra, a ilha de Antirrhodus, um sítio na ponta do Forte Sisila (conhecido anteriormente como Ponto Lochias), novas descobertas referentes ao farol, e um templo associado. A descoberta mais importante, entretanto, é a identificação e localização do antigo dique que se estende ao longo do porto cerca de 65 metros além do que se imaginava anteriormente, e cuja localização resolve uma peça-chave no quebra-cabeça do desenho da antiga cidade. As descobertas informadas foram principalmente o resultado de Visão Remota. Com exceção de um “acerto” claro, o sonar de varredura lateral provou ser improdutivo por causa da grande quantidade de partículas na água.

História: Uma versão preliminar deste relatório foi apresentada como um artigo no Annual Meetings of the Society for Underwater Archaeology, em 11 de janeiro de 1980. 

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UMA PESQUISA PRELIMINAR DO PORTO ORIENTAL, ALEXANDRIA, EGITO, INCLUINDO UMA COMPARAÇÃO DE SONAR DE ESCANEAMENTO LATERAL E VISÃO REMOTA 

Stephan A. Schwartz – The Mobius Group 

Pesquisa de sonar de varredura lateral por Harold E. Edgerton – Radio Strobe Laboratory, Massachusetts Institute of Technology

INTRODUÇÃO 

Em 331 AEC, Alexandre da Macedônia parou numa pequena aldeia pesqueira no litoral mediterrâneo do Egito e traçou os limites do que se tornaria a maior cidade a receber o seu nome. Desde o início o seu destino esteve ligado ao mar.[1] Seu fundador apreciava isso, e fixou sua localização acreditando, como Arrian relata, que por causa do mar, “o local era o melhor possível para a fundação de uma cidade, e que esta cidade prosperaria”.[2] Para atingir suas metas, uma das principais prioridades de Alexandre era a criação do que veio a ser conhecido como O Porto Oriental. 

Quão sábia foi a decisão de Alexandre? De seus portos Ocidentais e Orientais, Alexandria logo passou a fornecer grão, vidro e metais preciosos ao mundo. O Strabo de Amasya em Pontius, cuja obra Geografia descreve a cidade três séculos depois de sua fundação, nos fornece uma avaliação da antiguidade: “…o único lugar em todo o Egito que é, por natureza, bem situado, com referência tanto ao comércio marítimo, por causa dos bons portos, quanto ao comércio por terra, porque o rio (Nilo) facilmente transporta e reúne todas as coisas… (Alexandria) é o maior centro de negócios do mundo habitado”.[3]

 

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O Porto Oriental como parece hoje.

Ilustração Um 

Fraser, escrevendo dois mil anos depois, faz uma avaliação moderna que é pouco diferente: “No final do período ptolomaico, Alexandria foi o centro, sem concorrentes, do comércio mundial”.[4] 

Hoje, apesar de Alexandria ser a segunda maior cidade do Egito, o Porto Oriental já não é um grande porto. No entanto, continua a ser um grande trunfo intelectual, porque sob suas águas se encontram respostas para resolver inúmeros enigmas arqueológicos. Os detritos de quase dois milênios e meio de comércio acumularam-se em seu leito marítimo. Em conseqüência do afundamento da linha costeira e de profundidades de até oito metros, um número considerável dos edifícios mais famosos da cidade antiga – estruturas associadas às figuras agora míticas de Cleópatra, Marco Antônio e César – também se encontram submersos.[5] O mais importante é o fato de que eles se encontram relativamente intactos, ao contrário do caos arqueológico a ser encontrado na costa, onde terraplenagem e construções estão em andamento desde 1882.[6] 

Mas, apesar das vantagens óbvias a serem obtidas através da execução de uma pesquisa do porto, uma combinação de obstáculos tecnológicos, políticos e financeiros, impediu que essa investigação fosse feita até agora. 

Em novembro de 1978, o Grupo Mobius começou a planejar uma pesquisa preliminar do porto, uma área, quando se olha de fora em direção ao mar, limitada a oeste por uma península feita pelo homem conhecida como a península Heptastadium, associada desde a antiguidade ao Farol de Pharos e, ao leste, por uma península menor, natural, embora já tenha sido muito alterada até hoje, conhecida como Forte Sisila e, anteriormente, como o Ponto Lochias. (Veja Ilustrações I e III). 

Esta pesquisa do porto constituía um segmento de um vasto exame em conjunto da terra e do mar de Alexandria. A pesquisa como um todo tinha dois objetivos: 

1.) Resolver incertezas locacionais relativas à configuração do passado da cidade, em especial seus antecedentes Ptolomaicos e, 

2.) Comparar as tecnologias de varredura de sensoriamento remoto eletrônico com a Visão Remota em geral, e a metodologia aplicada desenvolvida pelo Grupo Mobius, especificamente. 

Na zona leste do Porto, o objetivo da pesquisa foi: 

1.) A localização da antiga linha costeira; a localização e descrição preditiva de vários sítios, incluindo: a ilha de Antirrhodus e o complexo Emporium/Poseidium/Timonium; um complexo palaciano associado à Cleópatra; e uma elaboração adicional, tanto em termos de localização quanto de descrição previstas, da área do farol de Pharos. 

2.) Uma comparação entre os dados de Visão Remota e os do sonar de varredura lateral após cada abordagem ter pesquisado a mesma área. 

REVISÃO DA LITERATURA 

Strabo, que visitou a cidade em 24 AEC, na primeira década sobre o poder romano, é quem melhor descreve Alexandria e seus portos à altura. Diz que enquanto Dinocrates era o arquiteto principal, ele seguiu um plano urbano bem testado desenvolvido por Hippodemus de Mieltus, e anteriormente usado em Priene e Herculaneum.[7] Alexandre aparentemente o admirava, por ele ser responsável por um ambiente urbano com bom fluxo de ar e padrões de tráfego, e por produzir uma cidade com uma atmosfera graciosa. Arrian nos conta que o próprio Alexandre desenhou as paredes da cidade.[8] 

A antiga Alexandria tinha uma forma mais ou menos retangular. Strabo a chamava de “um clâmide estendido” – uma peça de roupa semelhante a um manto, usada por viajantes e soldados gregos.[9] Ele diz que Alexandria foi construída ao longo do mar e que se espalha por uma área que equivale a 30 estádios (1 estádio = 185m) de comprimento (5,55 km) e sete a oito de largura (1,29-1,48 km), com recortes nas laterais, causados pelo portos no norte, e do Lago Mareotis no sul.[10] A chave para o desenho da cidade foi suas duas ruas principais, que se cruzavam em ângulos retos, eram “particularmente largas, tendo mais de um pletro (30m) de largura.”[11] Essa comunidade urbana planejada deve ter sido muito bonita, sobretudo ao longo da fachada do mar, que era cheia de bosques sombreados e mansões, misturando-se com os edifícios públicos. Infelizmente, quase toda a cidade foi perdida, submersa em construções posteriores, ou por causa do afundamento de terra, de modo que visualmente a cidade na literatura da antiguidade existe hoje principalmente nos próprios escritos. 

Embora haja uma literatura moderna bastante extensa sobre Alexandria, as obras acadêmicas referentes à sua arqueologia e geografia são muito menores do que se esperaria em se tratando de uma cidade de tamanha proeminência no mundo antigo, e muito do que existe corresponde a um período anterior à Segunda Guerra Mundial. Nos últimos 20 anos, apenas a Universidade de Varsóvia teve uma presença arqueológica ativa contínua, e a totalidade de todo o trabalho arqueológico marinho anterior consiste em alguns mergulhos realizados ao redor de Kait Bey em 1962 pela Marinha Egípcia (que resultou no descobrimento de uma estátua quebrada de sete metros de comprimento de uma figura feminina),[12] e seis mergulhos na mesma área, em 1968, realizados por uma equipe conjunta UNESCO/ingleses como foi informado por Frost.[13] Também é importante notar que todo este trabalho subaquático anterior não derivou de algo na literatura, mas sim de um oficial alfandegário e entusiasta do mergulho amador, Kemal Abu al Saadat, o mergulhador especialista em antiguidades em Alexandria. 

Três temas principais estão presentes no moderno registro geográfico e arqueológico existente:                                    

1. Ciclos de habitação: Os pesquisadores Mobius ficaram surpresos ao descobrir indivíduos vivos que se lembram de muitas coisas sobre a cidade, principalmente que o leste do Porto Oriental era praticamente um deserto.[14] Diferentemente de Roma, a metrópole com que é mais freqüentemente comparada, Alexandria não gozou de habitação contínua desde seus primórdios, e a marca da literatura Alexandrina é um ciclo recorrente de quedas e ressurgimentos que ocorreram como uma marcha de culturas muito diferentes que subseqüentemente colocaram o seu selo sobre a cidade. 

A literatura deixa claro que esta agitação quase constante causou tanta confusão que uma das questões mais inquietantes foi exatamente onde e com que orientação as duas principais ruas da cidade original se encontravam.[15] Autoridades modernas chegaram perto de um consenso de que a rua leste-oeste é aproximadamente paralela à Sharia El Houriya (vulgarmente chamada de Rue Houriya) dos dias atuais.[16] A posição norte-sul da rua é menos clara. Fraser, que estudou a questão como ninguém, concluiu, em 1961, que a questão era muito confusa e admitiu não haver qualquer resposta definitiva.[17] 

2. Subsidência: Ao longo de sua história registrada, Alexandria foi (um pouco mais no passado do que agora) uma área geologicamente ativa. Começando com Strabo e seguindo em frente no tempo, quase todos os escritores que trataram da questão da topografia da Alexandria incluíram discussões sobre a atividade sísmica e seus possíveis efeitos sobre o inegável e substancial afundamento da costa. Jondet, no caso da maior parte das questões relacionadas diretamente aos portos de Alexandria, parece ser a melhor fonte,[18] apesar de Saint-Genis, o capitão do porto da era napoleônica, fazer muitas contribuições valiosas a este respeito.[19] 

Além da atividade sísmica, as razões oferecidas para o afundamento do litoral mediterrâneo da África variam desde o peso dos sedimentos provenientes da foz do rio Nilo perto de Rosetta, até uma mudança nas placas africanas. A subsidência é uma questão muito crucial, pois os dois mais importantes centros da cidade pré-islâmica, os Alojamentos Real e Administrativo, podiam ser encontrados ao longo da costa.[20] 

Como não existe um único arqueólogo mergulhador em Alexandria, a subsidência fez com que apenas algumas características particularmente proeminentes desses bairros antigos fossem descritas nos tempos modernos, e essas descrições são feitas a partir da superfície. 

3. Construção: Começando com o governo Khedival em meados do século XIX, um litoral completamente novo e quase completamente artificial foi construído, como uma parte substancial da literatura existente descreve.[21]

Contudo, quando se trata da maior parte das fontes antigas e modernas da literatura, predomina a colocação de Fraser: “É verdade que sabemos que certos edifícios, locais públicos, e assim por diante, foram planejados, construídos ou registrados como tendo sido planejados ou construídos por certos historiadores, mas a evidência é tão desconexa e às vezes tão incerta que não constitui nenhuma representação completa…”[22] 

SONAR DE VARREDURA LATERAL 

No Porto Oriental, a pesquisa de varredura lateral foi realizada com um sonar de varredura lateral modelo 259, e um de marca 1B Sistema Tow-Fish, ambos especialmente adaptados para as especificações de Edgerton pelo fabricante, EG&G.[23] (Ver Ilustração Dois). 

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Harold Edgerton realizando a pesquisa com o sonar de varredura lateral

Ilustração Dois 

VISÃO REMOTA/SENSORIAMENTO REMOTO 

Visão Remota e Sensoriamento Remoto são termos modernos e equivalentes para a capacidade que alguns indivíduos demonstram de descrever pessoas, lugares, ou acontecimentos aos quais eles não tiveram acesso por questões de espaço, tempo, e protocolos de “cegueira”. Eles fazem isso de forma bastante semelhante à que uma testemunha ocular faria. Todos os seus sentidos estão envolvidos; isto é, eles podem responder perguntas que envolvem aromas, sons, cores, formas, texturas, e até mesmo sabores. O mecanismo desta percepção é desconhecido. A tarefa do pesquisador é estruturar a sessão de entrevista de tal forma que os estímulos sensoriais normais estejam ausentes, e o acesso intelectual seja eliminado. O pesquisador envolvido em um experimento de Sensoriamento Remoto aplicado tal como este está cego quanto à informação correta; de fato, por definição, todo mundo está, e essa é a razão pela qual as perguntas estão sendo feitas. Embora este processo possa parecer inusitado, na verdade os pesquisadores se defrontam basicamente com uma apresentação singular de um problema familiar de engenharia: procurar um sinal fraco enterrado em ruído. No caso de um sonar de varredura lateral, o “ruído” é matéria em forma de partículas na água, cardumes de peixe e coisas do gênero; neste exemplo, a consciência sensória normal e o conhecimento prévio constituem o “ruído”. 

A pesquisa de laboratório mais relevante para o trabalho informado neste artigo foi a realizada por Puthoff e Targ,[24] na SRI Internacional; a pesquisa foi subseqüentemente replicada por outros, mais notavelmente por Schlitz e Grober.[25] 

O uso da Visão Remota na arqueologia adentra a literatura há 75 anos com as explorações da Catedral de Glastonbury na Inglaterra[26] e continua (embora raramente) a emergir periodicamente na pesquisa variando desde o trabalho de Poniatowski na Polônia,[27] Scott-Elliot na Inglaterra,[28] Pluznikov na União Soviética,[29] Weiant com Smithsonian em Tres Zapotes[30] e Reid nos sítios de índios Iroquois de Ontário (que usou George McMullen, R3, que também participou nesse projeto Alexandrino).[31] Toda esta exploração, no entanto, foi feita com ênfase muito pequena em manter um protocolo controlado com cegueira adequada. O mais importante de todo o trabalho dependeu dos dados de um único Observador Remoto. 

Em 1976, o autor começou a desenvolver uma metodologia consensual usando múltiplos respondentes que independente e individualmente respondiam às mesmas perguntas — em condições de cegueira intelectual e sensorial. A cada um foi pedido a localização de sítios arqueológicos, a descrição da geografia da superfície, e a descrição do subsolo, ou materiais submersos, que pudessem ser achados nesse sítio. Esta abordagem da equipe foi projetada para ajudar a melhorar a relação sinal-ruído anteriormente descrita. Os Observadores Remotos são, funcionalmente, os instrumentos das pesquisas, e usar mais de um no mesmo local é o equivalente a ter múltiplos sensores eletrônicos — reconhecimento de satélite, e varreduras por magnetômetro, por exemplo — descrevendo uma área e então definindo coletivamente o que nela existe. 

O primeiro uso desta metodologia consensual em arqueologia submersa é identificado no relatório de uma série de experiências feitas em 1977, utilizando o submersível de pesquisa Taurus I. O programa foi conduzido pelo Grupo Mobius junto com o Instituto para Estudos Marinhos e Litorâneos da Universidade da Califórnia do Sul.[32] Conhecido como Projeto Deep Quest, este projeto de campo demonstrou que Observadores Remotos podiam descrever em detalhes, apesar de distâncias de até 4.800 quilômetros, os destroços anteriormente desconhecidos de um navio naufragado em 92 + metros de profundidade.[33] 

Naquele caso, a Visão Remota pôde fornecer com êxito tanto a localização quanto especificidades sobre o que seria encontrado, uma descrição exata do local (inclusive desenhos), a causa do naufrágio do navio e o período aproximado em que o desastre ocorreu. Todos os pontos foram corroborados pela pesquisa de campo, revisão de literatura, e análises feitas por peritos.[34] 

COMPARAÇÃO ENTRE OS DADOS DO SENSOR REMOTO ELETRÔNICO E OS DE VISÃO REMOTA 

Um dos objetivos da investigação do programa egípcio era uma comparação entre a visão remota e o sensor remoto eletrônico. Além de comparar os dados, buscou-se desenvolver uma abordagem complementar que iria usar ambas as técnicas de pesquisa a fim de proporcionar aos investigadores a mais alta qualidade de orientação no trabalho de campo. Assim, o cenário “melhor caso”, que depende exclusivamente do sensor remoto eletrônico, passaria a ser o “pior caso” para o método combinado. 

METODOLOGIA MOBIUS 

FASE UM 

O Grupo Mobius conduziu a Visão Remota da seguinte maneira: 

1.) Uma série de perguntas, cada uma lacrada em seu próprio envelope, foi preparada. Os envelopes e um mapa de referência – um gráfico do Army Map Service americano (1: 10.000) – foram enviados a 11 respondentes. Os mapas foram especialmente preparados por terem as típicas cores múltiplas – o que poderia fornecer um sugestionamento “falso” – eliminadas e os nomes de muitos lugares removidos. Isso foi feito através da produção de um Mylar ™ máster, que foi, então, “impresso em azul”, produzindo um mapa de linhas simples e de cor uniforme. 

2.) A equipe de Visão Remota foi selecionada e a cada um dos interessados foi dada uma identificação anônima alfa-numérica, ou seja, R1. Isto foi feito para minimizar o possível impacto de diferentes posicionamentos pessoais do pesquisador garantindo assim a despersonalização da fonte dos dados. 

3.) Os dados das sessões de Visão Remota foram recolhidos. Algumas das entrevistas foram realizadas pessoalmente, outras foram realizadas por correspondência. Cada questão começou com um pedido de localização, em que eles tinham que fazer uma marca em seu mapa, seguido por um pedido para descreverem o material que seria encontrado no local escolhido, por exemplo: “Se você pudesse encontrar uma construção, ruína, ou artefato associado a uma mulher famosa na história conhecida como Cleópatra, onde você procuraria, e se pudesse descrever o que você acredita estar lá, como isso lhe pareceria?”[35] A pergunta foi feita de modo que não “sugestionasse” qualquer resposta específica descritiva ou a seleção de um local. 

4.) Um mapa composto, incluindo todas as informações contidas nos mapas individuais foi então desenvolvido. Nos locais onde as marcas individuais dos entrevistados se sobrepuseram, zonas de consenso foram criadas. Na fase de campo, estas zonas mais tarde teriam prioridade, apesar de todas as áreas marcadas serem exploradas. (Veja Ilustração Três.) 

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Nota: sítios submersos oferecidos não visitados.

O Mapa Composto do Inquérito Um. Note a falta de cor e a retirada dos nomes da maioria dos lugares; assim como as Zonas de Consenso onde as localizações individuais se sobrepuseram, e os sítios marinhos oferecidos no Porto Oriental.

Ilustração Três 

5.) Todas as entrevistas de Sensoriamento Remoto executadas por pessoas ou através do correio foram gravadas em áudio. Uma vez recolhidas, estas fitas foram transcritas. 

6.) Todos os trabalhos em papel ou fita foram copiados, e os originais foram, então, autenticados e entregues a uma terceira parte independente. (Neste caso, toda a documentação original estava nas mãos de um funcionário do banco e armazenada em um cofre do banco.) Isso produziu uma cadeia codificada de dados irrepreensíveis, estabelecendo uma cronologia clara dos acontecimentos. 

7.) Trabalhando a partir das fotocópias das respostas originais ao inquérito, a Equipe de Pesquisa de Visão Remota em seguida analisou o material proferido de Visão Remota procurando, nas palavras e desenhos, padrões de uniformização. Esses padrões não foram impostos, mas surgiram a partir do próprio material. Por exemplo, mais de um observador escolheu o mesmo local? Mais de um observador forneceu um desenho de uma estrutura particular nesse local? Quão similares foram as descrições dos observadores? A partir daí, e do Mapa Composto, um conjunto de hipóteses foi desenvolvido para orientar o trabalho de campo posterior. 

8.) Com esta fase da análise concluída, a investigação feita simultaneamente pelas Equipes de Arquivos e Registros foi integrada aos dados de Visão Remota. Isto tornou possível estabelecer o que era anteriormente conhecido, qual material proferido pelo Sensoriamento Remoto coincidia com as informações conhecidas, e qual material era novo. Deste último tipo de material, uma importância especial foi dada aos dados com uma baixa probabilidade a priori. Por exemplo, se alguém encontrasse um navio e descrevesse uma âncora, a observação pode ser correta, mas não seria inesperada. Se, por outro lado, eles descrevessem a mercadoria como contendo pratos com marcações especiais, as quais desenhassem, tal observação não seria esperada, e teria uma baixa probabilidade a priori. 

Coletivamente, os passos de um a nove são conhecidos como Mapa de Pesquisa. 

9.) Uma vez que nenhum mapa é detalhado o suficiente para indicar um local em um nível que seja suficiente para guiar escavações precisas, dois observadores remotos foram para o Egito para fornecer orientações no local. Lá cada um deles foi levado individualmente para a cidade e, sem acesso aos mapas, pedidos para localizar uma zona de consenso em particular. Se isso fosse realizado com sucesso, eles seriam convidados para localizar em pés e, às vezes, em centímetros o local dentro da zona. Outras informações relativas ao posicionamento do artefato dentro do sítio, o contorno das paredes e outros aspectos estruturais, condições de subsolo ou debaixo d’água (assoreamento, correntes e outras) foram solicitados. Desenhos foram solicitados, assim como uma referência à escala. 

10.) Tudo isso foi gravado e/ou filmado em tempo real, as fitas foram transcritas e as transcrições, fitas originais e desenhos originais, assim como com os dados anteriores adquiridos nos E.U.A., foram autenticados e enviados de volta antes do trabalho de campo ser iniciado para serem submetidos ao controle de armazenagem a ser feito pelo gerente do banco. 

11.) A partir desta segunda ordem de material, em forma de fotocópia, foi realizada uma análise adicional. Esta foi, então, juntada à primeira análise e, novamente, comparada com o que tinha sido adquirido a partir do registro etno-histórico, geográfico e arqueológico. Esta análise, quando integrada à primeira, produziu as hipóteses de orientação finais com base nas quais o trabalho de campo subseqüente foi conduzido. 

12.) Antes do trabalho de campo ser iniciado, um sensoriamento remoto eletrônico da área mapeada foi realizado com um sonar de varredura lateral. 

13.) Mergulhadores foram colocados dentro d’água para vasculhar o local. 

14.) Uma vez que este trabalho de campo foi concluído, foi feita uma análise comparando as previsões das pesquisas eletrônicas e da Visão Remota com os resultados reais do trabalho de campo. Foi a partir daí que a avaliação final quanto à exatidão do material de Sensoriamento Remoto foi realizada. 

FASE DOIS 

15.) Um segundo Mapa de Pesquisa utilizando nove Observadores Remotos Respondentes foi realizado focando (já que o primeiro Mapa de Pesquisa não o fez) especificamente no Porto Oriental e nas águas costeiras próximas. 

16.) A análise dos mapas individuais e do material descritivo relacionado foi iniciada antes de este itens deixarem os E.U.A e terminou após a chegada dos mesmos no Egito. Um segundo Mapa Composto com base nos mapas individuais também foi compilado. (Veja Ilustração Sete.) 

17.) Um programa de mergulho de três semanas foi realizado pela Mobius auxiliado por mergulhadores egípcios. 

18.) A análise final dos resultados foi feita e em seguida este artigo foi preparado. 

PESSOAL 

Para realizar este programa de pesquisa, sete equipes foram montadas, sendo cada um responsável por um aspecto da investigação. As equipes de peritos eram: 

1.) Equipe de História/Arqueologia: Mustafa el Abbadi, historiador, presidente do Departamento de Civilizações Antigas, Faculdade de Artes, da Universidade de Alexandria; Daoud Aboud Daoud, arqueólogo, professor de Arqueologia, do Departamento de Civilizações Antigas, Faculdade de Artes, da Universidade de Alexandria, e secretário da Sociedade de Arqueologia de Alexandria; Mohamed Hassan, arqueólogo, Inspetor de Antiguidades e Arqueólogo Assistente, Museu Greco-Romano, e, Mieczyslaw Rodziewicz, arqueólogo, Diretor da Universidade de Varsóvia Missão Arqueológica em Alexandria. 

2.) Equipe de Sensoriamento Remoto Eletrônico: Harold E. Edgerton, engenheiro elétrico, Radio Strobe Laboratory, Departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação, Massachusetts Institute of Technology e Capitão Mohamed Rashad, AREN, engenheiro hidrográfico naval, Quartel General da Marinha, Alexandria. 

3.) Equipe de Pesquisa de Visão Remota: Stephan A. Schwartz, parapsicólogo, Mobius; Beverly Humphrey, parapsicóloga, SRI, e Kathi Peoples, pessoal de apoio da Mobius. 

4.) Os Observadores Remotos Entrevistados: A maioria dos telespectadores que participou do primeiro Mapa de Pesquisa participou do segundo. Eles variavam dos trinta a meados dos sessenta anos, e vinham de diversos países, com níveis educacionais que vão desde o ensino fundamental a vários diplomas avançados. Quando não estão trabalhando com a Mobius, os Observadores Remotos individualmente têm carreiras de sucesso em áreas tão diversas quanto a engenharia aeronáutica, o conserto de automóveis, as artes plásticas e a literatura. 

Os Observadores foram selecionados com base em seu sucesso em pesquisas anteriores – principalmente em se tratando de experiências de laboratório com resultados estatísticos – embora a maioria tenha participado no experimento Deep Quest de localização do navio. 

Apenas um deles tinha alguma experiência em arqueologia, ou conhecia um arqueólogo. Este Respondente, George McMullen, R3, havia trabalhado durante alguns anos com o professor J. Norman Emerson, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Toronto, e com o pupilo dele que se chama Reid.[36] 

Nenhum dos Observadores tinha estado alguma vez em Alexandria; ninguém sabia de sua história, apesar de estarem, naturalmente, como as pessoas de modo geral estão, familiarizados com as personalidades históricas, como César, Alexandre o Grande, Marco Antônio, e Cleópatra. 

Todos os Observadores Remotos estavam “cegos” para as questões até que estas lhes fossem apresentadas, na verdade, nem sabiam que o projeto aconteceria no Egito. De qualquer maneira, mesmo que eles estivessem trabalhando com arqueólogos, isso não teria muita importância, porque as perguntas, para as quais o projeto procurava respostas, eram mistérios bem estabelecidos sobre os quais houve muita conjectura, mas nenhuma resolução. 

Os dois Respondentes foram levados para o Egito, McMullen, R3, e Hella Hammid, R5. 

5.) A Equipe de Mergulho: Comandante Mohamed Khaled, AREN, um grupo variável de mergulhadores da marinha, Stephan A. Schwartz, e Kathi Peoples. 

6.) A Equipe Arquivística e de Registros: Catherine Dees, historiadora; Kay Croissant, historiador; Karen Winters; diário de campo, David Keith, ilustrador e Jacqueline Kendall, pessoal de apoio. 

7.) A Equipe de Fotografia: Glenn Winters, filmagem em terra; Bradley Boatman, filmagem em terra. Gordon Waterman, filmagem submarina; Dyanna Taylor, filmagem submarina e fotografia de cena; Karen Winters, fotografia em terra e de cena, e Kathi Peoples, fotografia submarina e de cena. 

8.) A Equipe de Áudio: Sunny Meyers, áudio-filme; Osama Salama, áudio-filme; Stephan Schwartz, entrevistas; Beverly Humphrey, entrevistas. 

As Equipes de Fotografia e de Áudio foram estabelecidas de modo que existisse um registro áudio-visual em tempo real irrepreensível de cada aspecto da experiência. 

SENSORIAMENTO REMOTO ELETRÔNICO 

Antes da execução do sensoriamento remoto eletrônico com o sonar de varredura lateral, na verdade, antes da nossa saída dos Estados Unidos, vários Respondentes indicaram possíveis sítios nas águas em torno do Porto Oriental e marcaram-nos em seus mapas. (Veja Ilustração Três.) Informações adicionais foram oferecidas quando chegamos ao local, tanto antes de o trabalho no porto ser considerado possível (por causa das restrições governamentais), quanto posteriormente, mas antes que Edgerton chegasse ao Egito e o trabalho de campo começasse. 

Nós consideramos este material subaquático oferecido particularmente significativo, porque nenhuma pergunta especificamente dirigida para sítios subaquáticos tinha sido incluída na investigação inicial de Alexandria. Com base em experiências passadas, os analistas da Mobius eram particularmente sensíveis aos dados de Visão Remota oferecidos fora do âmbito do questionário.[37] Três áreas de especial interesse surgiram dessa maneira. (Veja Ilustração Quatro). 

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O exame de varredura lateral foi projetado para cobrir todos os locais de Visão Remota, bem como as áreas que não foram selecionadas por VR, escolhidas por Edgerton, com base em sua perícia, que foram designadas para atuar como controles. Nada foi descoberto exceto nas áreas selecionadas por Visão Remota, e a maioria dos sítios de VR não produziu “sucessos” por varredura lateral.

Ilustração Quatro

O exame de varredura lateral foi projetado para cobrir todos os locais de Visão Remota fornecidos, bem como as áreas que não foram selecionadas por RV, mas sim escolhidas por Edgerton, com base em sua perícia, para atuar como controles. Este trabalho começou no dia 8 de maio de 1979 e continuou nos quatro dias seguintes, dificultado quase continuamente pela grande quantidade de material particulado em suspensão na água. Os resultados foram decepcionantes, como o breve relatório de Edgerton deixa claro: 

“Este relatório aborda o uso de um sonar de varredura lateral EG&G, no Porto Oriental de Alexandria, conforme solicitado por Stephan Schwartz, diretor de pesquisa do Grupo Mobius, Los Angeles, Califórnia. Deixei Boston, em 1 de maio de 1979, tendo comigo um tipo de sonar de varredura lateral EG&G 259 que é especialmente útil para as áreas de pesquisa subaquáticas onde artefatos são projetados do fundo do mar. 

Um mapa do Porto Oriental de Alexandria (Ver Ilustração Quatro) com linhas pontilhadas indica alguns dos caminhos de pesquisa em que a navegação foi feita por Mohamed Rashad do Serviço Hidrográfico Egípcio. Ele usou dois sextantes que lêem em pontos da costa. Um rastreamento por sonar, feito em 13 de maio entre 8:46 – 8:50, corresponde ao curso indicado no gráfico acima do Porto Oriental. (Veja Ilustração Cinco.) A atenção está voltada para o local do alvo “cerâmico”, que está a 65 metros do dique atual, no lado leste do porto. 

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Registro do sonar de varredura lateral de 8:46 às 8:50 da manhã do dia 13 de maio de 1979, mostrando um alvo “cerâmico” em um sítio que os Observadores Remotos acreditaram que marcaria o antigo dique. Ele está a mais ou menos 65 metros da existente muralha junto à encosta e sugere que a cidade greco-romana tenha afundado muito mais do que se tinha imaginado anteriormente. 

Um segundo rastreamento (Ver Ilustração Seis) do registro de varredura lateral mostra uma visão vertical do mesmo alvo “cerâmico” já que o curso do navio de pesquisa foi diretamente sobre o alvo. Eu medi a altura acima do fundo do mar deste alvo como sendo de 1,2 metros.” 

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Registro da varredura lateral mostrando o alvo “cerâmico”.

Ilustração Seis.  

FASE UM DO TRABALHO DE CAMPO 

Durante a pesquisa de varredura lateral, fizemos vários mergulhos iniciais em locais identificados por varredura lateral ou Visão Remota. 

Uma nota de cautela sobre a precisão das nossas localizações: revelou-se muito difícil passar um teodolito a um mergulhador ou uma bóia da costa, sendo assim alguma variação, medida em metros, deve ser entendida. Para facilitar a comparação entre as várias fontes de dados, os sítios cobertos pela primeira fase do trabalho de campo são apresentados com a seguinte estrutura: 

1.) Revisão da Literatura

2.) Sonar de Varredura Lateral

3.) Visão Remota

4.) Observações de Campo

5.) Resumo 

PESQUISA 

FASE UM DO TRABALHO DE CAMPO 

PORTO CENTRAL 

SÍTIO 8 – O SÍTIO 8:46 

1.) Revisão da Literatura: Um pilar maciço foi descoberto neste sítio, e começamos uma busca por alguma menção a uma grande coluna nas fontes da literatura clássica, mas não encontramos nada que pudesse estar diretamente correlacionado. Henry H. Gorringe, um ex-oficial naval contratado para trazer de volta um dos obeliscos de Cleópatra para Nova York, faz uma referência ao que pensamos ser a mesma coluna, embora acrescente pouco e seja tão vago sobre a localização exata que é inútil para esse propósito: “… a cerca de cem metros da praia (uma medição feita em algum lugar na costa antes da construção da atual cornija – SAS), existe uma coluna quebrada erguida no fundo do mar, quase igual em diâmetro ao pilar de Pompeu”.[38] 

2.) Varredura Lateral: O sítio “8:46” foi descrito por Edgerton e bem delineado no rastreamento – demonstrando que a varredura lateral não apenas pôs-se à prova como demonstrou que estava funcionando apropriadamente. (Veja Ilustração Seis). 

3.) Visão Remota: Sem dados solicitados ou oferecidos. 

4.) Observações de Campo: 8:46 provou ser uma grande coluna de granito de Aswan deitada de lado. As dimensões da coluna tinham cerca de 4 metros de comprimento por 2,5 metros de diâmetro. Nenhum outro pilar que se aproximasse de suas dimensões foi encontrado nas imediações. Um mergulhador relatou que ele podia sentir uma base para o pilar, e o rastreamento sugere isto, não que a coluna possa ter sido o que o sonar registrou, mas não podíamos vê-la, uma vez que estava debaixo de uma grossa camada de areia e conchas quebradas. 

Perto dali, talvez entre nove e 10m de distância, e sem relação com o sucesso do sonar, encontramos evidência do que agora acreditamos que seja o antigo dique. O mergulhador disse que parecia “quase como cerâmica” e que o fragmento corria paralelo à estrada.[39] Um mergulho no dia seguinte resolveu esta descrição estranha: a descoberta não era, de fato, de cerâmica, mas de tijolos e pedras “soldados” pelo tempo e cobertos pela vida marinha que cresceu no local. 

5.) Resumo: Este sítio foi o único “acerto” claro da varredura lateral, embora haja uma confusão sobre se foi a base ou a coluna que acionou o rastreamento do sonar. A Equipe Arqueológica/Histórica acredita que a coluna deve ser comemorativa e não estrutural, sobretudo porque nada remotamente parecido com ela foi encontrado no local. Nós pensamos que esta é a mesma coluna descrita por Gorringe, e o fato de que ela não é mais visível a partir da superfície fornece alguma medida da mudança na qualidade da água do porto ao longo dos últimos cem anos. Além da descoberta em si, o posicionamento da coluna foi significativo, porque serviu de base para indicar que a localização do antigo dique era muito mais mar adentro do que se pensava anteriormente. Quanto ao que nós agora acreditamos ser um fragmento do dique: na época não havia sobrado o bastante para se chegar a qualquer conclusão. 

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O mapa de mergulho foi feito com base no primeiro e no segundo Mapa de Pesquisa Composto. Cada círculo foi inicialmente desenhado por um Observador Remoto individual. Primeiro os sítios foram vasculhados usando um sonar de varredura lateral e, depois, explorados por mergulhadores durante uma ou ambas as fases do trabalho de campo.

Ilustração Sete. 

PORTO CENTRAL 

SÍTIO 8 

1.) Revisão da Literatura: Uma vez que este sítio aparece em destaque na próxima fase do trabalho de campo, a descrição e as correlações correspondentes às várias fontes escritas serão apresentadas abaixo. 

2.) Varredura Lateral: Sítio pesquisado. Não há dados de contato. 

3.) Visão Remota: O respondente R11 selecionou este sítio através da visão remota quando estava em sua casa em Los Angeles, já que ele respondeu ao questionário do primeiro Mapa de Pesquisa. O Respondente não forneceu detalhes relativos ao local ou ao seu conteúdo, disse apenas que “era um local importante”.[40] 

4.) Observações de Campo: O piso do porto era literalmente cheio de colunas e bases, todas de granito vermelho Aswan, e todas elas certamente estavam no local, já que as colunas apontavam em uma direção e muitas tinham caído, de modo que se quebraram em fragmentos obviamente associados. O sítio em si estava sobre uma ligeira elevação ou quebra-mar, embora o acúmulo de sedimentos ao longo dos séculos tivesse reduzido a diferença entre essa zona e o fundo do mar ao redor. 

5.) Resumo: O Sítio 8 (Ver Ilustração Sete) foi o mais interessante dos sítios localizados visualmente no próprio porto durante a Fase Um. Desde o primeiro mergulho nesta área, ficou claro que este era um sítio importante. Mesmo nesta fase inicial, ambos Daod e Abbadi (que estavam presentes no barco de mergulho, quando os mergulhadores surgiram e comunicaram a descoberta) consideraram que o tipo e a configuração das ruínas correspondiam estreitamente ao Timonium de Marco António.[41] 

PORTO CENTRAL 

SÍTIO 4 

1.) Revisão da Literatura: Nada específico sobre o sítio. 

2.) Varredura Lateral: Pesquisado, sem dados de contato. 

3.) Visão Remota: Sítio oferecido. Visão Remota a partir dos dados fornecidos por R3 quando ele estava na casa dele no Canadá durante o primeiro Mapa de Pesquisa. Sítio associado ao antigo dique, que R3 sentiu se estender consideravelmente mais mar adentro do que é o caso atualmente. (Veja Ilustração Sete, Sítio 4). 

4.) Observações de Campo: Os mergulhadores encontraram o que parecia ser uma outra seção do dique. A descoberta deste sítio, também aproximadamente a 65 metros da atual muralha junto à encosta, pareceu fornecer suporte adicional para a conclusão de que tínhamos, de fato, localizado o antigo dique. 

5.) Resumo: Foi tomada a decisão de re-explorar esse sítio na Fase Dois. 

FORTE SILSILA/PONTO LOCHIAS 

SÍTIO 5 

1.) Revisão da Literatura: Strabo descreve: “Lochias com um palácio real sobre ela.”[42] O que as palavras retratam parece claro à distância, mas, ao considerá-las no sítio, percebe-se que as palavras estão sujeitas a mais de uma interpretação. Mesmo Fraser parece ficar confuso ao descrever a área em torno de Lochias. O problema torna-se ainda mais complicado quando se considera que a península oriental do porto vista por Strabo tinha uma configuração geográfica muito diferente daquela que Saint Genis viu no século XVIII, ou que Mahmoud Bey viu no século XIX,[43] e que é muito diferente da que vemos hoje. 

2.) Varredura Lateral: Sítio pesquisado. Sem dados de contato. 

3.) Visão Remota: Sítio oferecido. O respondente R11 selecionou o Sítio 5 ao longo do flanco ocidental do Forte Silsila. Descrição geral de edifícios importantes. (Veja Ilustração Sete, sítio 5) 

4.) Observações de Campo: Nos dias atuais, Lochias é uma faixa de terra baixa relativamente uniforme que, obviamente, tem sido alterada pelo homem e agora está praticamente cimentada por instalações militares. Em tempos passados era muito mais ampla e irregular do que é hoje.[44] Tem havido também um considerável afundamento da terra, o que só complica o quadro já confuso. Por causa das regras de segurança, apenas dois mergulhos, um com um mergulhador e outro, no dia seguinte, com dois mergulhadores, foram permitidos até certo ponto dentro do perímetro de segurança e em torno do Sítio 5. O primeiro mergulhador relatou um piso de 300 metros quadrados de blocos ou mosaicos de aproximadamente 20 centímetros quadrados. A bóia foi lançada para facilitar a localização, mas no dia seguinte, quando fizemos o nosso segundo mergulho, encontramos o que viria a se revelar uma fonte permanente de frustração. Embora a bóia estivesse no lugar, as correntes na baía tinham mudado e agora o local estava coberto de sedimento. Os mergulhadores podiam sentir os blocos sob os seus dedos a cerca de 20 centímetros de areia. 

5.) Resumo: Regras de segurança proíbem estrangeiros de se dirigirem para dentro de uma área de até 300 metros da linha da costa da península.[45] Decidimos tentar a suspensão da restrição para a próxima fase, já que Visão Remota não solicitada tinha indicado um sítio dentro da área restrita, e a exploração do mergulhador tinha descoberto o piso. 

LADO OCIDENTAL DO PORTO 

SÍTIOS UM E DOIS 

1.) Revisão da Literatura: Nada específico sobre o sítio. 

2.) Varredura Lateral: Área não pesquisada. 

3.) Visão Remota: Essa área foi selecionada, mas pouco material descritivo foi fornecido. 

4.) Observações de Campo: Dois mergulhadores verificaram este sítio que provou-se muito perigoso para ser examinado de perto. Esta é a parte do porto onde os barcos de passeio e de pesca são amarrados, e os barqueiros que entram e saem com os seus barcos não estavam familiarizados com o mergulho, e pareceram não reconhecer a bandeira dos mergulhadores. Durante os breves mergulhos, vimos o que parecia ser os restos de algumas construções, e trouxemos algumas ânforas quebradas. 

5.) Resumo: Este sítio não deve ser explorado até que seja possível contar com alguma forma de proteger os mergulhadores dos adereços dos barcos.

KAIT BEY – PHAROS

SÍTIO 7 

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O Forte Kait Bey visto do lado do mar. As descobertas do sítio Pharos estão aglomeradas na base deste promontório. Notem os blocos de quebra-mar modernos.

Ilustração Oito. 

1.) Revisão da Literatura: (Ver Fase II.) O relatório de Frost, uma cópia do qual nós finalmente localizamos em Alexandria um dia antes desse sítio ser pesquisado, descreve uma série de antiguidades estruturais nesta área, como estátuas,[46] muitas das quais combinavam com os dados de Visão Remota e fizeram com que este sítio fosse considerado de alta prioridade. 

2.) Varredura Lateral: Sítio examinado. Por causa dos grandes blocos de pedra utilizados na construção do quebra-mar, tornou-se impossível para a vistoria do sonar diferenciar qualquer antiguidade da instalação do moderno quebra-mar. (Veja Ilustração Oito). 

3.) Visão Remota: Dois meses antes de vir para o Egito, George McMullen, R3, voluntariamente forneceu informações importantes sobre o farol, desenhando-o como este lhe parecia durante vários períodos da sua história.[47] No final de março de 1979, quando Mobius estava concentrando-se na fase de exploração em terra do seu trabalho em Alexandria, McMullen começou novamente a fornecer informações sobre o farol. 

Depois do primeiro rápido mergulho exploratório, uma sessão no sítio foi realizada com McMullen, em 12 de maio de 1979. Isso produziu um desenho detalhado do farol e a observação de que o edifício foi construído de “granito vermelho”.[48] O que despertou um interesse particular foi a sua descrição de “coisas de pedra redonda”,[49] que não podem ser diretamente correlacionadas a quaisquer objetos descritos em fontes antigas, nem a algo que tenha sido visto em um único mergulho. Este é um bom exemplo de uma observação por Visão Remota com uma baixa probabilidade a priori. A Visão Remota adicional oferecida no primeiro Mapa de Pesquisa também nos levou a vasculhar uma área de aproximadamente 20 metros de distância. 

4.) Observações de Campo: Apenas um mergulho de 20 minutos, feito por um único mergulhador, foi possível devido às condições do mar e alguns problemas de permissão. No lado ocidental de Kait Bey, o mergulhador relatou o que parecia ser uma saída de esgoto e, no lado oriental de Kait Bey, o que pareciam ser restos de construção. No sítio, 20 metros mar adentro, restos de uma parede foram encontrados. 

5.) Resumo: Mesmo este levantamento superficial deixou claro que este sítio será uma prioridade para a fase dois. Os dados de Visão Remota também sugeriram que havia muito a ser descoberto. 

Os restos da parede que descobrimos podem ser o canal e a barragem mencionados por Jondet.[50] 

CONCLUSÃO 

Com exceção do Sítio 8:46, onde o pilar comemorativo foi encontrado, a fase do sonar de varredura lateral de nossa pesquisa foi, em geral, decepcionante. Foi igualmente evidente que a Visão Remota provou ser uma tecnologia de busca muito eficiente. Na ausência de dados de contato de varredura lateral, os sítios que poderiam ter levado dias ou mesmo semanas para serem encontrados usando técnicas de busca de rede, foram encontrados em poucos minutos. Independentemente de como os sítios foram localizados, ficou bastante claro para todos que o Porto Oriental mantinha uma promessa de achados arqueologicamente significativos mais do que equivalente às nossas expectativas mais otimistas. 

FASE DOIS DO TRABALHO DE CAMPO 

O sucesso da fase inicial do trabalho de campo nos levou a realizar um segundo Mapa de Pesquisa utilizando o protocolo já descrito. Questionários e um novo gráfico foram enviados em 17 de outubro de 1979 a nove respondentes. Este inquérito foi especificamente focado em sítios submarinos. Os gráficos e os questionários foram devolvidos em ou antes de 23 de outubro de 1979. Ficou imediatamente evidente que os resultados eram anormalmente consensuais, e que coincidiam com os sites indicados no primeiro Mapa de Pesquisa. (Veja Ilustração Sete.) Após a análise, três áreas principais: Sítios 7, 4/8, e 5/9 tornaram-se prioridade. Duas áreas adicionais, os Sítios 10 e 11, (Veja Ilustração Sete) foram alvo de exame como um segundo grau de prioridade. Sítios 1,2 e 6 constituíram um terceiro nível de trabalho. 

PHAROS 

SÍTIO 7 

1.) Revisão da Literatura: Strabo descreve o Farol como “… na extremidade da ilha, que é uma rocha banhada por todo o mar e tem sobre ela uma torre que é admiravelmente construída de Leucos lithos” – que por vezes tem sido traduzido como “mármore branco”.[51] Isso parece bastante simples, mas não é. Para começar, a área hoje conhecida como Kait Bey era, de fato, duas ilhas originalmente,[52] com um duplo arco que as ligava, o que permitia que os navios autorizados passassem entre os portos.[53] (Nenhuma imagem clara de como isso parecia pôde ser encontrada.) 

Algumas autoridades acreditam que o farol pode não ter sido construído no local onde o Forte Medieval Kait Bey agora está localizado, mas sim em cima de uma pequena ilhota, conhecida como Diamond Rock, que agora parece não estar relacionada à massa principal no fim do Heptastadium, embora, como Jondet e Saint Genis argumentam, possa ter estado uma vez conectada, como parte de um grande platô, cujas seções já afundaram.[54] Fraser, no entanto, discorda que Diamond Rock seja o local do farol.[55] 

O que confunde ainda mais o assunto é a questão do que Strabo entende por Leucos lithos. Acreditamos que o mármore não teria sido o material escolhido durante o tempo de Ptolomeu Filadelfo (cerca de 280 AEC), quando a maior parte da construção do farol foi realizada.[56] O mármore é vulnerável aos efeitos corrosivos da maresia e, mais do que isso, não existe uma fonte de material que se aproxime dele. Historicamente, o mármore era escasso e caro, tanto que muitas vezes as estátuas de Alexandria tinham apenas os rostos esculpidos nesse material, por isso é difícil imaginar até mesmo os ricos Ptolomeus assumindo os custos das toneladas de mármore necessárias para revestir uma estrutura tão grande.[57] 

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Uma cópia do verdadeiro formulário de questões da Segunda Pesquisa, mostrando desenhos do Farol de Pharos. Note as “contas” redondas ornamentando o primeiro nível, que foram discutidas nos locais das sessões, bem como particularidades dos materiais de construção a serem descobertos, e a referência ao espelho de latão.

Ilustração Nove

 

 

 

 

 

 

 

Note as “contas” de pedra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Frost apresenta uma hipótese alternativa com a qual concordamos: o edifício pode ter sido coberto por um gesso branco ou levemente colorido.[58] Isso está, certamente, dentro dos parâmetros conhecidos da arquitetura ptolomaica.[59] Esta idéia também parece ser sustentada por uma história narrada por Lucian, em que Sostratus (que pode ou não ter sido o arquiteto do farol)[60] escreveu uma dedicatória usando o próprio nome e, em seguida, a preencheu, pintando sobre esta nova superfície uma segunda dedicatória ao rei. Enquanto os anos progrediam, essa cobertura superficial de gesso desgastou-se (deve-se admirar a aguda noção de tempo de Sostratus, revelando, seguramente após a morte do monarca, a dedicação a Sostratus que existia embaixo da camada de gesso.[61] 

É significativo que nos seis mergulhos feitos por Frost, ela “… não viu o mármore branco embora tenhamos encontrado mármore preto no mar.”[62] Como provou ser o caso com as nossas próprias experiências de mergulho, este esforço inicial inglês patrocinado pela UNESCO em 1968 considerou o granito de Aswan como sendo o material de construção antiga original a permanecer neste sítio debaixo d’água, e isto está de acordo também com os materiais de construção em granito encontrados em sítios de terra.[63] 

A literatura sugere que grande parte do farol caiu no mar a partir de 956 AEC, quando 15 côvados (? 6,4 – 8,5m) tombaram a partir do topo do farol.[64] Um terremoto em 1303 parece ter causado danos ainda piores como foi mencionado no relatório que Ibn Battuta escreveu em 1326.[65] Em 1349, quando Ibn Battuta o visitou novamente, ele descobriu a estrutura em uma condição tão ruinosa que era impossível entrar ou subir até a porta.[66] Pouco tempo depois, ela parece ter desaparecido inteiramente do horizonte Alexandrino, já que relatos de testemunhas oculares das ruínas não são mais encontrados. 

2.) Varredura Lateral: Sítios examinados. Sem contatos úteis. 

3.) Visão Remota: O segundo Mapa de Pesquisa produziu uma grande quantidade de material novo, incluindo um desenho mais complexo do Pharos feitos por McMullen (R3) (Ver Ilustração Nove).[67] Além disso, os Observadores Remotos esboçaram o que parecia ser os restos do templo e do farol, especificamente, descrevendo “estátuas, colunas, cabeças, e as pedras de construção quadradas”.[68] Notavelmente ausente em todos os dados proferidos de Sensoriamento Remoto estavam as descrições. Não houve qualquer descrição – em contradição com o que era esperado – do tipo de restos maciços que se associaria a um edifício geralmente considerado como um dos mais altos no mundo antigo, possivelmente chegando a até 122 metros de altura.[69] Este é outro exemplo de uma observação de baixa probabilidade a priori. 

4.) Observações de Campo: Cerca de 43 horas de mergulho foram alocadas para o sítio Pharos durante a segunda fase, com até seis mergulhadores na água, ao mesmo tempo. A profundidade média varia entre 7 e 10 metros. Orientando-nos em Kait Bey, conduzimos nossa busca dividindo a área a partir do quebra-mar em setores com o formato de “fatias de torta”, preenchendo cada fatia antes de passar para a próxima. Nós também realizamos padrões similares de busca divergindo dos achados feitos pelo programa Frost/UNESCO. Estes mergulhos foram realizados durante os meses de outubro e novembro, que são considerados por mergulhadores locais como sendo a melhor “janela de mergulho” para essas águas.[70] A água certamente estava mais clara do que tinha sido durante os meses de verão, mas em momento algum alguém teria considerado as condições como ideais, devido a uma volumosa quantidade de esgoto bruto proveniente de uma tubulação de esgoto a oeste de Kait Bey. 

O mergulho é mais bem executado antes das 11h porque a corrente do fundo flui normalmente a oeste de Kait Bey até então, quando se inverte e retorna o esgoto para o leste, onde as antiguidades estão agrupadas. O esgoto, em seguida, torna-se tão denso que o seu cheiro pode ser sentido por meio de uma máscara subaquática. Nenhum mergulhador, mesmo quando os esgotos não estão em funcionamento, deve tentar explorar esta área sem um espectro completo das injeções de proteção na dose máxima para o peso corporal.[71] 

Para complicar ainda mais o quadro, enquanto estávamos mergulhando, grandes blocos de cimento (?2,5m x 2,5 m) foram trazidos por barcos e caíram na zona de antiguidades estendendo ou acumulando o quebra-mar. O efeito desse material de construção sobre as antiguidades foi devastador. 

Este trabalho no porto, entretanto, resultou em um efeito positivo. Depois que os blocos foram jogados, uma forte tempestade ocorreu em Alexandria, durante os dois dias seguintes, tornando impossível o mergulho. Quando retornamos ao local, descobrimos que os blocos de cimento causaram uma mudança nas correntes de fundo. Mais de dois metros de lodo, composto principalmente de areia e conchas quebradas tinham se deslocado, reduzindo efetivamente o nível do fundo. Felizmente, isso revelou uma série de restos estruturais antigos que não tinha sido previamente detectada. 

Em geral, a área mais interessante era uma espécie de zona particular em torno de Kait Bey, voltada para o leste, começando mais ou menos a 12 metros da costa e se estendendo do forte ao redor do quebra-mar de Kait Bey. Aqui, apesar da péssima turvação que reduziu a visibilidade a um metro ou menos, e da fotografia ter ficado comprometida de forma intermitente debaixo d’água, descobrimos o que claramente eram os restos de uma estrutura maior. O fundo do mar era quase carpetado com colunas, plintos, frontões, blocos (um metro quadrado ou mais) e outras estruturas. Em uma quase bisseção do ângulo criado pelo forte Kait Bey e o quebra-mar, uma esfinge foi encontrada. A esfinge estava deitada sobre o seu lado direito e não tinha cabeça. (Veja Ilustração Dez.) Ela tinha aproximadamente 2,1 metros de comprimento, descendo na parte traseira e 1,25 metros de altura, com uma espessura de pouco menos de um metro. Kemal Abu al Saadat, que estava mergulhando conosco, concordou que esta não era uma das esfinges relatadas pelo grupo Frost. 

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Esta esfinge, encontrada em um local especificado por Visão Remota, foi encontrada sem a cabeça, deitada sobre o seu lado direito.

Ilustração Dez.  

Um pouco mais distante e aproximadamente 20 metros para o leste, um grande bloco retangular foi localizado (Veja Ilustração Onze). Este bloco não parece ter sido previamente detectado. Saadat, o mergulhador local, nunca o tinha visto. O bloco tinha cerca de 3,60 metros de comprimento, 2,70 metros de largura e 3,60 metros de espessura. Do outro lado do que era quase certamente o seu topo encontra-se gravada uma variedade de grandes e pequenos cortes, entalhes e vãos (alguns dos quais estão dentro uns dos outros), sendo que todos eles obviamente são fruto do trabalho humano. 

Rodziewicz, quando lhe foram mostradas as imagens do bloco, forneceu uma possível explicação. Ele acredita que alguns dos vãos menores, que estavam localizados no interior dos grandes, provavelmente tinham sido feitos para permitir que as cunhas de madeira fossem inseridas para facilitar o fecho de um anel de levantamento no local. Isto permitia que o bloco fosse movido. O vão irregular mais largo era, evidentemente, projetado para conter a base de uma estátua.[72] A informação de que este vão tinha mais de dois metros de comprimento, nos dá uma idéia da impressionante natureza monolítica da estátua. Dois outros grandes blocos semelhantes, ambos relatados por Frost, foram redescobertos neste domínio.[73] Ambos exibiram cavidades semelhantes. 

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A escala impressionante deixa claro que o Farol e as áreas adjacentes devem ter sido tão impressionantes quanto as antigas testemunhas oculares sugerem. Note os entalhes na base.

Ilustração Onze. 

A estátua de Isis de 4,7 metros de comprimento, também relatada por Frost,[74] foi reencontrada. Ela tinha o que parecia ser uma espécie de relevo retangular longitudinal, possivelmente usado para ligá-la a um equivalente “feminino” numa parede, sustentando assim a explicação de Rodziewicz. (Veja Ilustração Doze.) 

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Uma porção da estátua de Isis que foi encontrada deitada de lado.

Ilustração Doze.

Nós não encontramos a Coroa de Isis Hathor relatada por Frost,[75] e suspeitamos que a inconstante natureza do mar e sua capacidade de esconder o que quer que mergulhe em suas águas foram responsáveis pelo seu desaparecimento. Contudo, uma outra coroa foi localizada. Esta ficava a mais ou menos 12 metros da praia, muito perto de uma enorme pilha de colunas. Tinha 1,8 metros de comprimento, com a combinação da marca registrada de Alexandria de elementos de design helenístico e faraônico. (Veja Ilustração Treze.) A coroa foi considerada como masculina pela Equipe Histórica/Arqueológica. Eles acreditam que esta coroa estava provavelmente associada a Osíris, principalmente em se tratando da proximidade dele com Isis. 

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A coroa Ossiriana mostra uma mistura Alexandrina típica de temas helenísticos e faraônicos.

Ilustração Treze

 

Próximo à coroa, localizamos vários aglomerados das “contas” de pedra incomuns previstas e descritas por R3 antes da primeira fase do mergulho ter começado. Eles aparentemente foram expostos quando o fundo do mar diminuiu, já que nós não os tínhamos visto, nem à coroa, em mergulhos anteriores. (Veja Ilustração Quatorze.) As contas tinham uniformemente 2,6 metros de circunferência e, assim como no desenho de R3, tinham buracos de aproximadamente 20 centímetros de largura e entre 15 e 20 centímetros de profundidade. 

5.) Resumo: Embora tenhamos encontrado uma quantidade impressionante de materiais de construção neste sítio, não havia o suficiente para corresponder a um edifício do tamanho do farol, o que confirmou o que os dados da Visão Remota haviam previsto. É muito provável que uma boa parte (na verdade, provavelmente a maior parte) do prédio tenha caído no mar, mas sim que arrastada para ser utilizada na construção de outros edifícios, incluindo possivelmente o Forte Kait Bey original, e isto explicaria a sua ausência. A Visão Remota forneceu uma observação sobre isso que não fomos capazes de investigar, mas que achamos que merece consideração futura: durante o curso de uma sessão de Sensoriamento Remoto em terra com o Respondente R3, ele afirmou que grande parte do material do farol havia sido reutilizado na construção da grande mesquita perto de onde a frota de pesca está atracada. 

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Essas grandes contas de pedra foram preditas por Visão Remota. Elas estavam reunidas em grupos, mas o seu número exato, assim como a sua utilidade, não foram determinados.

Ilustração Catorze

As descrições de granito – em vez de mármore – feitas por Visão Remota também foram confirmadas. Todos os objetos que encontramos foram feitos de granito de Aswan, exceto pela esfinge, a coroa e várias colunas que eram de um granito cinza ou de sienito. Um mergulhador relatou uma coluna de mármore branco, mas em mergulhos subseqüentes ela não pôde ser relocalizada. 

O trabalho de campo parece confirmar outra observação feita pela Visão Remota: uma vez que grande parte do material que encontramos era aparentemente de natureza religiosa, as descrições do Sensoriamento Remoto, relativas a um templo que ficava próximo ao farol, parecem muito razoáveis. Os arqueólogos acreditam que o templo estava provavelmente associado a Isis Pharia. 

O fato de a maioria desses restos estar agrupada em uma área, e estar evidentemente in situ, parece também argumentar que a região do templo não caiu no mar, mas sim que o terreno sobre o qual o templo ficava afundou. 

Apenas maiores explorações e estudos irão resolver definitivamente a questão do material em falta do farol e nos permitir separar o que são especificamente ruínas do templo dos restos do farol. 

A ausência de estátuas que podem corresponder às bases do que ambos os grupos Mobius e Frost descobriram poderia ser atribuída à deterioração do mármore no mar, embora a Equipe Histórica/Arqueológica acredite que algo deveria ter permanecido. Talvez as estátuas tenham sido retiradas, possivelmente, até mesmo destruídas, durante um dos inúmeros confrontos civis que tanto assolaram a história de Alexandria. 

Nós não resolvemos outro mistério envolvendo o farol: durante séculos, houve uma controvérsia sobre a forma como a luz do farol incidia – através de uma lente ou um espelho? Temos pouco a acrescentar, salvo observar que R3 o descreveu como um “arranjo de espelho de bronze polido”. (Veja Ilustração Nove.) Isto nos parece mais lógico do que a hipótese das lentes e, apesar de nós termos procurado por ambos, nada foi encontrado. Um espelho ou lente poderiam, naturalmente, ainda estar sob a areia. No entanto, acreditamos – especialmente se fosse um espelho – que é muito mais provável que essa massa de metal precioso teria sido levada para a refundição. 

Ninguém a quem foram mostrados os desenhos das “contas” de McMullen foi capaz de lançar alguma luz sobre o que elas eram. Nada argumenta contra os dados de Visão Remota, que sugerem que elas eram um elemento decorativo que revestia o topo de um dos terraços construídos do farol. De fato, esta parece ser a explicação mais provável. 

Com base em nossa pesquisa de campo, parece provável que Fraser esteja certo, e que Diamond Rock não era o local do farol. Vasculhamos a região de Diamond Rock e nada encontramos que pudesse ser identificado como os restos do farol. 

Dois últimos pontos merecem ser mencionados: ficou claro que este foi outro caso em que o “ruído” oprimiu o sinal na pesquisa de varredura lateral. E que a Visão Remota forneceu localizações precisas e reconstrução de dados do sítio que contradizem o senso comum. 

TIMONIUM/POSEIDIUM/EMPORIUM 

SÍTIO 8 

1.) Revisão da Literatura: Strabo diz: “Acima do porto artificial fica o teatro, na época  o Poseidium – um cotovelo, por assim dizer, projetando-se a partir do Emporium, como atualmente é chamado, e contendo um templo de Poseidon. Ao cotovelo de terra Antônio adicionou um dique se projetando ainda mais longe, no meio de um porto, e na extremidade dele construiu um Alojamento Real que ele chamou de Timonium.”[76] O sítio do Timonium sempre exerceu um fascínio especial, porque foi nele que Antônio supostamente caiu sobre sua espada, e foi de lá que, ainda vivo, ele foi levado para Cleópatra.[77] Mas a questão da localização exata do Timonium permaneceu incerta. 

Mahmoud Bey o inseriu no seu mapa da cidade, juntamente com uma descrição anexa colocando-o a cerca de 650 metros do local que ele descreveu como a localização do Porto Real, no flanco oeste de Lochias.[78] Além disso, ele afirma que o alojamento se projetava cerca de 200 metros da costa, com mais 300 metros de construção em alvenaria projetados além dessa área.[79] Hogarth, comentando a descrição de Saint Genis, sentiu que o que parece ser os restos do cais é provavelmente “… apenas as camadas de tijolos mais inferiores de grandes paredes…”[80] Uma dificuldade é que, mesmo na antiguidade, a cidade foi submetida a um período de abandono parcial nesta área. Ammianus Marcellinus indicou que, já em 273 AEC, grande parte da área central, incluindo os locais de muitas construções perto dos palácios, tinha sido abandonada.[81] Cerca de 100 anos mais tarde, outro escritor, Epifânio, chamou a área de um “deserto”.[82]

2.) Sonar de Varredura Lateral: Sítio examinado. Sem dados de contato. 

3.) Visão Remota: O Respondente R11 escolheu um local que ele associou ao Antônio, durante o Primeiro Mapa de Pesquisa, antes de partirmos para Alexandria. A segunda pesquisa, focada no porto, produziu várias sobreposições neste local inicial. O Respondente R4 realmente usou a palavra Timonium, dizendo: “Deve haver partes de colunas do Timonium e uma pequena área em sua extremidade acessível por um pequeno buraco, esse foi um pequeno local do próprio Antônio”.[83] O Respondente R9 descreveu “um anfiteatro pequeno, muito pequeno, uma sala para aproximadamente 20 pessoas”.[84] O Respondente R1 escolheu a mesma área, mas se sentia atraído por ela, inicialmente, porque acreditava que lá “havia também os degraus para um pequeno edifício onde Cleópatra andou”.[85] Ao analisar esses dados, pareceu-nos que mais do que um sítio estava envolvido, e que este deve, coletivamente, ter sido um centro ativo durante a época da cidade de Ptolomeu. 

4.) Observações de Campo: Como já foi mencionado, este sítio produziu achados substanciais durante o nosso primeiro mergulho no final da primavera de 1979, e tornou-se um dos nossos principais alvos para o mergulho durante a segunda fase. Ao todo, cerca de 30 homens/horas foram gastas mergulhando neste local durante a segunda fase do trabalho de campo. 

Tanto dentro do porto, como em Kait Bey, o momento mais propício para o mergulho é no início da manhã. Uma corrente se desenvolve entre 11h e 11h30min, momento em que a água já turva torna-se tão pesadamente carregada de partículas em suspensão que parece que se está nadando em uma sopa de legumes. A visibilidade por volta das 13h era freqüentemente reduzida para menos de um metro. Felizmente, a quantidade de esgoto presente nesta área não chega nem perto da que encontramos em Pharos, embora ainda seja possível ver pequenos trechos com manchas de óleo dos barcos de pesca e os detritos flutuantes habituais dos mais modernos portos das cidades em todo o mundo. Estranhamente, apesar do lixo, há muito pouco no fundo do mar, situado entre 6,5 e 8 metros de profundidade. O fundo é na maior parte composto de areia e conchas quebradas com algum crescimento marinho que se estende do chão. 

No local escolhido pelos Observadores Remotos, encontramos o que pareceu ser uma pequena península, no entanto, não a encontramos indo tão longe como Mahmoud Bey descreveu. Parecia haver uma redução gradual de cerca de 80 + metros para fora. Além disso, como mencionado anteriormente, o diferencial entre o fundo do mar característico e o nível da península agora debaixo d’água provavelmente não é tão grande como era antes. Hoje, mede (sabendo que isso pode variar cerca de um metro ou mais dependendo do clima e das correntes marítimas) cerca de um metro. 

A primeira coisa que chama a atenção do mergulhador é o grande número de colunas quebradas. Embora muitas estivessem em várias seções, elas estão claramente in situ – provavelmente quebrando ao caírem – porque todas elas apontam numa direção comum, ligeiramente a leste, perpendicular à linha da costa atual. Todas eram de granito vermelho de Aswan normal e, coletivamente, deram a impressão de que constituem o lado mais comprido de um edifício. Não só elas estão obviamente associadas, como são de diâmetro uniforme, de cerca de um metro. Há também um enorme (mais ou menos 15 metros de média lateral) “fragmento” de cerâmica. Várias amostras de cerâmica foram descobertas. Rodziewicz e Daoud avaliaram inicialmente que elas eram compostas de uma mistura romana e helenística.[86] É evidente que a associação ao sítio, é estritamente problemática nesta fase. 

Várias bases sem colunas foram descobertas, assim como diversos capitéis que mediam cerca de um metro transversalmente. Infelizmente, os capitéis estavam tão corroídos que nenhum detalhe podia ser verificado exceto pelo fato de que pareciam ter sido esculpidos. 

Na extremidade norte deste sítio 8, havia uma elevação. Porque tínhamos passado muito tempo explorando mais de perto o interior, e porque o mergulho só era possível algumas horas por dia, não fomos capazes de explorar esse aspecto da maneira minuciosa que gostaríamos. Os dois mergulhadores que nadaram na área relataram que a elevação pode se estender por uma certa distância. 

A questão de se estávamos vendo o antigo dique ou cais também foi resolvida através da localização posterior de um cais perpendicular aos fragmentos da parede que começamos a descobrir na primeira fase. Parcelas adicionais deste dique foram descobertas a leste do Sítio 4. 

5.) Resumo: À luz destas descobertas, acreditamos que o litoral antigo, alinhado com um paredão de tijolo, corria cerca de 65 a 75 metros da praia da cornija presente; a variação, provavelmente, explica-se pelo fato de que o antigo porto não era tão regular em aparência quanto a uniformidade dos dias atuais. 

Este sítio é obviamente uma série de construções importantes. Por tudo isso, nada encontramos que especificamente nos parecesse ser o pequeno teatro mencionado pelos Respondentes, mas o fato de que foi descrito e é sabido ter existido é estimulante. Nós também não descobrimos os 300 metros de alvenaria de Mahmoud Bey, mas poderia muito bem estar lá sob a areia. 

Esta área é claramente merecedora de um exame muito mais completo, a ser feito utilizando equipamentos que não dispúnhamos. 

LADO OCIDENTAL DO PORTO

INCLUINDO BASE DO FORTE SILSILA/PONTO LOCHIAS

SÍTIOS 5 e 9 

1.) Revisão da Literatura: Strabo diz, “…aparece à esquerda dos palácios reais internos, que são uma continuidade dos de Lochias e têm arvoredos e numerosas guaritas pintadas em várias cores.[87] (Veja também a Fase Um). 

2.) Sonar de Varredura Lateral: Sítio examinado. Sem dados de contato. 

3.) Visão Remota: O Respondente R3 marcou esta área, e iniciou sua resposta com a afirmação clara de que um palácio associado a Cleópatra tinha existido uma vez neste sítio.[88] Ele também declarou que foi na base de Lochias que Alexandre esboçou pela primeira vez os planos de construir a cidade.[89] O Respondente R4, no segundo Mapa de Pesquisa, voluntariamente traçou o que ela sentiu ter sido a antiga linha da costa e afirmou também que palácios tinham estado na base, enquanto o Porto Real estava nas proximidades do porto.[90] Lá, ela também descreveu um palácio associado à Cleópatra VII (a única Cleópatra lembrada na história): “O palácio de Cleópatra contemplava o Porto Real”.[91] Exatamente onde ela queria dizer que o Porto Real ficava, não está claro. Um palácio também foi descrito por R9 como tendo existido nesta área, e tanto ela quanto R3 fizeram desenhos que têm muitas semelhanças (Ver Ilustrações Quinze e Dezesseis). Como já havíamos mergulhado nesta área quando foi selecionada na primavera de 1979, foi com particular interesse que voltamos ao local para fazer um segundo exame. 

4.) Observações de Campo: Todas as advertências sobre as condições de mergulho no sítio Timonium/Poseidium se aplicam aqui também. Há restos de construções substanciais nesta área, mas a maior parte deles encontra-se abaixo do lodo, onde podem ser sentidos, mas não podem ser vistos. Tudo o que podia ser visto, pelo menos enquanto estávamos mergulhando, eram algumas colunas e uma base semelhante àquelas encontradas no sítio Timonium/Poseidium; as medidas e descrição são as mesmas. Encontramos também uma pequena elevação de cerca de 40 metros a partir de uma linha obtida dividindo o ângulo criado onde Lochias se junta à costa. Esta subida tem um tipo de forma amebiana e parece ter construções sob o lodo na parte da ascensão. A ascensão tem, talvez, 30 metros de largura no seu ponto mais largo, embora isso fosse difícil de estimar com precisão por causa da lama, do crescimento substancial de plantas no fundo do mar, e da visibilidade muito ruim. 

5.) Resumo: Embora este sítio fosse visualmente pouco gratificante, o fato de que o material foi encontrado, e de que muitos Respondentes, que tinham sido tão precisos sobre tantas outras questões, escolheram esta área, nos leva a crer que um exame muito mais abrangente deve ser feito. A descrição de Strabo aconselha ainda mais que isso aconteça, já que essa área pode muito bem fazer parte do Complexo Real que ele descreve como a casa dos Ptolomeus, incluindo, provavelmente, a lendária Cleópatra VII. 

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Descrições similares independentemente fornecidas por vários Observadores Remotos, como esta descrevendo o “Palácio de Cleópatra”, são consideradas particularmente significantes.

Ilustração Quinze

 

Em nossa opinião, a elevação que encontramos é outro sítio candidato para a ilha de Antirrhodus, que ficava fora do Porto Real. A confusão é decorrente da nossa tentativa de conciliar o que Strabo disse com o que nós descobrimos no porto. 

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Note a ausência dos temas faraônicos, que são evocados quando a maioria das pessoas pensa sobre o Egito.

Ilustração Dezesseis 

O CUME DE LOCHIAS 

SÍTIO 10 

1.) Revisão da Literatura: Não parece haver qualquer referência definitiva a esta área, além da declaração de Strabo de que havia um palácio no cume de Lochias.[92] Este é possivelmente o palácio para o qual Antônio foi levado depois de cair sobre a espada, o local da último momento entre ele e Cleópatra. No entanto, como a península está tão grosseiramente alterada, dificilmente se pode dizer onde se encontra o cume que Strabo viu em relação ao que está presente hoje. 

2.) Sonar de Varredura Lateral: Nenhum exame foi feito nessa área. 

3.) Visão Remota: Dois Respondentes, R3 e R4, escolheram uma área muito pequena e quase exatamente sobreposta no fim da península. Apesar da escassez de material de origem de literatura clássica e moderna, e do fato do sonar de varredura lateral sequer ter sido tentado – porque a água era muito turva – o local era tão específico que decidimos mergulhar nele. Os Observadores R3 e R4 sentiram que a área tinha algo a ver com Cleópatra, embora eles não estivessem de acordo quanto à associação, descrevendo-a como um “túmulo” ou uma “estátua” que Cleópatra tinha construído. 

4.) Observações de Campo: Nossas recomendações habituais sobre a segurança do mergulho prevalecem, porque há um esgoto com uma potência igual ao escoamento de Pharos na base oriental Lochias cuja embocadura passa em torno do ponto de mergulho. (Veja Ilustração Dezessete.) A profundidade média da água era de cerca de 8 metros e a clareza da água, quando o esgoto não estava presente, era provavelmente a melhor na área do porto. O fundo do mar também estava bastante limpo, com pouco crescimento de plantas e nenhum lixo. Neste local foi feito apenas um mergulho, de mais ou menos 45 minutos, por três mergulhadores. 

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A Lochias moderna está tão alterada em relação à sua configuração passada, que será muito difícil determinar o contorno da antiga península sem que um significativo trabalho de campo seja feito. Note os modernos blocos do quebra-mar.

Ilustração Dezessete. 

Exatamente na área marcada por R3 e R4, quatro grandes blocos retangulares foram localizados. Eles pareciam estar in situ e eram de um tamanho que torna improvável que eles pudessem ter sido movidos. Eles não são modernos. No entanto, devido ao seu ângulo – eles estavam em uma linha aproximada de um ângulo de mais ou menos 45 graus apontando para o oeste do cume de Lochias – é possível, embora não seja provável, que eles fossem antiguidades jogadas aqui em alguma data posterior para formar um quebra-mar. Os blocos eram todos de granito de Aswan, e uniformes em tamanho e forma, mediam cerca de 3,6 metros de comprimento por 1,5 metros de largura e 1,65 metros de espessura. Uma aba uniforme estendendo-se cerca de 10 centímetros e com cerca de 10 centímetros de espessura passava por todo o lado ao redor de uma extremidade. Eles lembravam uma das bases da plataforma para grandes estátuas vistas no sítio Pharos, mas não continham os vãos que identificamos no material encontrado no outro local. Um dos quatro blocos foi quebrado e procuramos determinar se eram ocos. No entanto, a ruptura, cerca de um metro a partir do final, estava posicionada de tal forma que isto não pôde ser determinado. 

5.) Resumo: Nós não conseguimos avaliar a importância deste sítio, apenas observamos que a localização foi baseada inteiramente em Visão Remota. 

MAR ABERTO – NORTE DE KAIT BEY 

SÍTIO 11 

1.) Revisão da Literatura: Nada específico sobre esse sítio. 

2.) Sonar de Varredura Lateral: Nenhum exame foi feito nessa área. 

3.) Visão Remota: Quatro Respondentes escolheram essa área. Dois sentiram que o sítio era o local de um barco afundado (Ver Ilustração Dezoito para o desenho de R5 e comentários).[93] 

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Um dos dois desenhos e descrições de “barcos” os quais, junto com as localizações, são produtos das sessões de Visão Remota.

Ilustração Dezoito. 

Cada um deles fez praticamente o mesmo desenho ao descrever o barco. (Ver Ilustração Dezenove para o desenho de R3). R3 sentiu que deveria haver também uma(s) estátua (s).[94] R8 sentiu que o local estava relacionado ao antigo farol.[95] 

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Um segundo observador, cego sobre o primeiro, forneceu essencialmente a mesma localização, descrição e esboço. O padrão repetitivo poderia ser remos ou ânforas – os quais foram encontrados no sítio.

Ilustração Dezenove. 

4.) Observações de Campo: Ao ser questionado sobre o sítio na manhã do mergulho, o mergulhador egípcio Saadat, que não sabia nada sobre as percepções obtidas nas sessões de Visão Remota, disse que, em 1961, ele esteve mergulhando neste local e encontrou um barco com uma carga composta de duas estátuas a bordo. Ele voltou ao local várias vezes, mas, por causa das areias inconstantes, nunca foi capaz de encontrar o barco nem as estátuas novamente. Saadat e outro mergulhador foram explorar a área detalhadamente. Eles encontraram várias ânforas, (Ver Ilustração Vinte.) e algumas áreas elevadas sugestivas, mas, por causa da lama, nada pôde ser identificado. 

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Ânforas encontradas no sítio por Visão Remota, e descritas como estando associadas a um naufrágio.

Ilustração Vinte 

5.) Resumo: Apesar de não ter se mostrado extremamente produtiva durante nossos mergulhos, a experiência anterior de Saadat, que autoriza os dados do Sensoriamento Remoto, além das observações dos Respondentes, sugere que este sítio merece ser mais explorado. 

LADO LESTE DE LOCHIAS 

SÍTIO 6 

1.) Revisão da Literatura: O mesmo material citado para o Sítio 5 pode ser relevante. 

2.) Sonar de Varredura Lateral: Nenhum exame foi feito nessa área.

3.) Visão Remota: Este parece ser um sítio de subsidência associado ao que tinha sido um palácio ou estrutura administrativa. 

4.) Observações de Campo: Ruínas são visíveis nas proximidades da superfície do mar em dias claros. Construções modernas perturbaram seriamente tudo neste sítio. Dois mergulhadores informaram o que pareciam ser construções que não podiam ser vistas, mas que podiam ser sentidas abaixo do lodo. 

5.) Resumo: A menos que sítios como este sejam explorados no futuro próximo, é provável que isso nunca acontecerá. Já que no cume de Lochias, e em volta de Kait Bey, as obras no porto moderno estão rapidamente impedindo que um estudo futuro seja possível. 

DISCUSSÃO 

Embora este trabalho apresente apenas uma sondagem preliminar de uma área complexa, propomos que várias conclusões independentes, porém associadas, podem ser sustentadas. 

1.) Arqueologia: Em primeiro lugar, os locais que exploramos e reconstruções que fizemos, quando adicionados ao que já havia na literatura, deixam claro que o Porto Oriental e arredores compõem uma área negligenciada pelo exame arqueológico subaquático, e que representa uma enorme promessa. Exceto pela presença incômoda dos esgotos, o mergulho é tecnicamente simples, já que a área não exige subsídio de descompressão, e as recompensas são grandes. Nós consideramos uma tragédia o fato de que tão pouco tenha sido feito neste local, embora reconheçamos que, até recentemente, as condições políticas não permitiram o acesso de mergulhadores estrangeiros a essas águas. No entanto, agora sob o novo governador, Dr. Hilmy, ele próprio um estudioso – foi professor na área de Planejamento Urbano da Universidade de Alexandria, durante muitos anos – existe um clima de investigação científica. O Departamento de Antiguidades recentemente também tem demonstrado algum interesse na exploração do porto. 

O trabalho nos sítios localizados apenas começou e, obviamente, ainda há muito a ser descoberto. Esperamos que toda a área do Porto Oriental possa ser declarada um parque arqueológico subaquático protegido, e que um programa plurianual sustentável, semelhante ao que é realizado pela Universidade de Varsóvia em Kom El Dikka, seja fundado e iniciado. 

O trabalho de campo também põe em dúvida algumas fontes antigas, principalmente Strabo. A complexidade das descobertas no local que nós designamos como Sítio 8 sugere que a descrição que ele fez do Porto Oriental em 24 AEC pode ser distorcida. As coisas que ele diz que estavam lá parecem estar lá, mas não exatamente onde ele indicou. 

2.) Comparação do Sensoriamento Remoto e Eletrônico: É óbvio que a Visão Remota foi mais produtiva do que a varredura lateral como uma abordagem de pesquisa neste cenário. Normalmente se teria levado semanas ou até meses fazendo exames padrões usando a varredura lateral e o magnetômetro para obter resultados nesses locais, se é que eles seriam obtidos. Em vez disso não houve procura. Fomos ao local indicado, mergulhamos, e fizemos as descobertas. Com a orientação da Visão Remota, nunca levou mais do que alguns minutos para localizar o sítio. Há muitos benefícios: a.) É mais barato procurar desta maneira. b) Ainda que o sensoriamento remoto eletrônico seja usado, o seu emprego pode ser muito mais concentrado (se a Visão Remota falhar, sempre se pode recorrer aos protocolos padrões de busca eletrônica). c) A arqueologia subaquática, na qual o tempo é sempre um problema, é mais eficiente com a utilização do Sensoriamento Remoto. d) O “pior” cenário usando a Visão Remota é o “melhor” cenário a ser obtido usando apenas sensores eletrônicos. Isso não significa que estamos defendendo o abandono de sensores eletrônicos, muito pelo contrário. Nossa opinião é que estas duas abordagens são melhores empregadas em conjunto, tanto de uma forma complementar quanto comparativa. 

3.) A Precisão da Visão Remota: Não está claro se os diferentes tipos de dados de Visão Remota todos devem ser tratados igualmente, e este é o problema mais urgente apresentado por essa tecnologia. Os dados de localização funcionaram muito bem. O material descritivo também foi impressionantemente preciso. As “contas” de pérolas, com seus pequenos buracos, são um bom exemplo. A parte que ainda não está clara é se o material de análise, isto é, se este sítio esteve associado a Marco Antônio, irá revelar-se igualmente correto. A nossa primeira conclusão é de que isso não acontecerá; A Visão Remota não provou ser muito útil para análises ou julgamentos subjetivos, ou seja, quantas vezes uma pessoa tem que estar em um prédio para ser associada a ele? Mas nos falta informações relevantes para que tenhamos certeza sobre isso. Apenas a experimentação adicional irá responder esta pergunta. 

4.) Questões de Cegueira: Um problema cuja resposta não era conhecida nem pelo investigador nem pelo Observador Remoto, mas que era conhecida por alguém ou alguma fonte da literatura, seria duplo-cego; uma questão cuja resposta era totalmente desconhecida, a ser revelada apenas através de trabalho de campo, seria considerada triplo-cega. A experiência do Porto Oriental incluía sítios onde vários graus de cegueira existiam. Determinados locais, principalmente o Farol de Pharos, eram conhecidos em pelo menos um sentido geral. Outros, como o sítio no flanco do Forte Silsila/Ponto Lochias, não eram. 

Os Respondentes provavelmente não tiveram acesso aos livros raros ou obscuros nem aos manuscritos que continham as informações citadas nas seções de Revisão da Literatura deste artigo, e eles não sabiam que seriam questionados sobre esses assuntos, até o início da sessão. Mas existe a possibilidade de que algum conhecimento geral ou até mesmo a sorte poderiam esclarecer alguns dos sucessos do Observador Remoto. 

Também é verdade que, mesmo quando a localização geral era conhecida, havia ainda as oportunidades de trabalho triplo-cego na localização e descrição de material anteriormente desconhecido dentro do sítio. O experimento como um todo mostra como as aplicações das experiências de Visão Remota diferem das pesquisas de laboratório. Em um experimento aplicado, o sucesso, em última análise, gira em torno de saber se o sítio que está sendo procurado é encontrado ou não, e se o material de reconstrução é exato. Isto está em contraste com a pesquisa de laboratório, na qual as avaliações de precisão, em última análise, são estatísticas. 

5.) Avaliação Final: Acreditamos que a avaliação mais precisa deste projeto de inquérito, no sentido conservador, seria que a revisão da literatura foi mais útil do que os dados do sonar de varredura lateral e que a Visão Remota – principalmente em termos de localização – foi mais valiosa do que todas as outras. O mecanismo da Visão Remota pode não ser bem compreendido, mas, operacionalmente, utilizar esta metodologia claramente produziu orientações locacionais complementares e originais significativas, bem como informações reconstrutivas preditivas precisas, todas confirmadas por trabalhos de mergulho e pela avaliação de peritos. Como era de se esperar, a utilização das três fontes de informação trabalhando em conjunto produziu os resultados mais satisfatórios. 

AGRADECIMENTOS 

Gostaríamos de reconhecer e agradecer à Sua Excelência o Senhor Dr. Mohamed Fouad Hilmy, governador de Alexandria, cujo apoio e bondade extrema tornaram possível realizar essa pesquisa. Agradecemos também ao Dr. Youseff Garianhi, diretor do Museu Greco-Romano, e sua equipe, pela assistência que nos foi prestada na pesquisa literária, que entrou neste artigo. Nossos agradecimentos também vão para o contra-almirante Aly, AREN, comandante das Forças Navais do Egito, em Alexandria, por tornar permitir que a equipe de mergulho comandada por ele trabalhasse conosco. Capitão Mosehn El-Gohary, AREN (aposentado), e o capitão Shafik Wahden, AREN (aposentado), diretores do Serviço de Mergulhadores do Mar Vermelho, queremos agradecer pela capacidade quase miraculosa de localizar o equipamento que precisávamos. Finalmente, e principalmente, agradecemos John e Pamela Leuthold, a Sra. Margaret Pereria, Trammell Crow e Gordon McLendon pelo generoso apoio financeiro, sem o qual este projeto não poderia ter sido realizado. 

Referênca original: Stephan A. Schwartz. Side scan sonar survey by Harold E. Edgerton. A Preliminary Survey of the Eastern Harbor, Alexandria, Egypt Including a Comparison of Side Scan Sonar and Remote Viewing. Presented at the Annual Meetings of the Society for Underwater Archaeology, 11 Jan 80.

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Este artigo foi traduzido para o português por Vitor Moura Visoni e revisado por Nicole Louise F. Rodrigues.




[1] The Greek Historian: The Complete and Unabridged Historical Works of. (Gen. Ed.) Francis R.B. Godolphin. Incorporating Arrian: The Anabasis of Alexander. Trns. Edward J. Chinnock. (Random House: New York, 1942), vol. 2, p. 468.

[2] Ibid, p. 467. 

[3] Strabo. The Geography of Strabo. Trans. Horace Leonard Jones. (Harvard Univ. Press: Cambridge and Heinemann: London, MCMXLIX). Vol. VIII, p. 53 (Strabo, 17.I.13). 

[4] P. (eter) M. Fraser. Ptolemaic Alexandria. (Oxford: Oxford, 1972), Vol. I, págs. 133-188. Os três volumes do trabalho de Fraser são inquestionavelmente a melhor fonte global moderna, embora não exista uma bibliografia formal propriamente dita. As referências são incluídas nas muitas notas que freqüentemente contêm abreviaturas que talvez sejam enigmáticas para aqueles que não estão completamente familiarizados com a literatura sobre a origem de Alexandria. Para procurar entender o comércio durante o período Ptolemaico não há nada melhor e mais rápido do que revisar o Vol. I, cap. 4, de Fraser. 

[5] São muitos os relatórios de ruínas submersas, mas talvez os melhores sejam os contidos em Description de L’Egypte, que foi preparado por pesquisadores que acompanharam Napoleão durante suas incursões ao Egito. Estes homens escreveram com um padrão de observação que no mínimo antecipa os dias modernos, e eles tiveram o benefício de ver Alexandria antes que Khedival e construções posteriores começassem. Em Description de L’Egypte, veja especialmente Saint-Genis em Antiquities, vol. II (1818), cap. XXVI, págs. 1-95, particularmente Section Premiere, Partie Maritime, págs. 12-14; também appendices, págs. 1-12, também Gratien le Pere em Etat Moderne, vol. II, 2 parties, págs. 262-324. 

[6] O litoral de Alexandria realmente tem atravessado um fluxo de alterações contínuas feitas pelo homem desde a fundação da cidade — sendo que o caminho de Heptastadium até a Ilha de Pharos é um exemplo. Mas foi no final do século XIX que ocorreram as maiores mudanças. No século XX, o próprio litoral da costa — ou pelo menos as estruturas existentes nele — manteve-se relativamente estável.

[7] Fauzi Fakharani. “The Tomb of Alexander the Great.” Unpublished paper. University of Alexandria, 1974. 

[8] Arrian. Loc Cit. i, ii. 

[9] Strabo. Vol. VIII, p. 33. 

[10] Ibid. 

[11] Ibid. 

[12] Nós nunca pudemos localizar qualquer registro escrito deste trabalho, embora Frost se refira à sua ocorrência, e vários de nossos consultores recordem este acontecimento, mas não exatamente o que aconteceu; aparentemente trata-se de um trabalho muito informal. 

[13] Honor Frost. “The Pharos Site, Alexandria, Egypt.” The International Journal of Nautical Archaeology and Underwater Exploration. Vol. 4, Mar. e Set., 1975, págs. 126-129. Embora muito limitado no escopo, o trabalho de Frost foi o único relatório anterior à pesquisa moderna do Porto Oriental que pudemos descobrir. 

[14] Oito cidadãos egípcios que tinham vivido a maior parte ou toda a vida ao longo da costa marítima foram entrevistados; a idade mediana entre eles era 63 anos. Eles informaram que durante suas vidas, ao leste de Lochias, e particularmente além da área de Chatby, a cidade tinha estado em grande parte desabitada. O governador Hilmy informa que: “Durante várias décadas Alexandria teve um problema de superpopulação crônico que estimulou um programa de construção extremamente ativo. Muitas partes desabitadas, e até mesmo os antigos jardins das vilas foram transformados em espaços para construções”. (Governador Hilmy. Comunicações Privadas, maio de 1979.) 

[15] Fraser. Vol. I, págs. 13-14. 

[16] Ibid, e cf 31. 

[17] Ibid. 

[18] G. Jondet. Veja Les Ports Submerged de l’Ancienne Ile de Pharos. Monografia 29 (Mem. Inst. Eg: Cairo, 1916); também Monografia 2 (Mem. Soc. Sultan de Georg.: Cairo, 1921). 

[19] Saint-Genis. Description de L’Egypte. Vol. II, cap., XXVI, págs. 1-95.

[20] Ibid. 

[21] A construção deste litoral tem causado enormes problemas para estabelecer qualquer contexto estratigráfico sobre descobertas perto da margem. Veja Fraser, vol. II, p. 13, nota 31. 

[22] Fraser. Vol. I, p. 36. 

[23] Harold Edgerton, Comunicação Privada, 8 de maio de 1979.

[24] H.(arold) E. Puthoff, Russell Targ. “Information Transmission Under Conditions of Sensory Shielding,” Nature. Vol. CCLII, Nov. 1974, pp. 602–607. Também “A Perceptual Channel for Information Transfer Over Kilometer Distances: Historical Perspective and Recent Research.” Proceedings of the Institute for Electrical and Electronic Engineering. Vol. LXIV. Março de 1976, no. 3, págs. 349–354. 

[25] Marilyn Schlitz e Elmer Grober. “Transcontinental Remote Viewing.” Unpublished Paper, Institute for parapsychology and Institut fur Grenzegebiete der Psychologie under Psycho-hygiene, N.D. 

[26] Stephan A. Schwartz. Secret Vaults of Time (Grosset & Dunlap: New York, 1978), pp. 1–56. Também págs. 353–354 para bibliografia. 

[27] Ibid. págs. 57–107. Também págs. 354–355 para bibliografia. 

[28] Ibid. págs. 108–127. Também págs. 355–356 para bibliografia. 

[29] Ibid. págs. 127–135. Também págs. 355–356 para bibliografia. 

[30] Ibid. pp. 222–238. Também Clarence W. Weiant. An Introduction to the Ceramics of Tres Zapotes, Veracruz, Mexico. Bulletin 139. (Smithsonian, Bureau of American Ethnology: Washington, 1943) e “Parapsychology and Anthropology.” Manas, vol. 13, no. 15 (1960). 

[31] Ibid. pp. 211–221. Também “Psychometrics and Settlement Patterns: Field Tests on Two Iroquoian Sites.” Unpublished paper, N.D. 

[32] Stephan A. Schwartz. Project Deep Quest, a Prototype Experiment in the Application of Intuitively Derived Data in Marine Archaeology. Mobius Report No. 4. Originalmente um convite para uma conferência. The American Society for Psychical Research. Janeiro de 1979. 

[33] Ibid. 

[34] Ibid.

[35] Questão #1, Inquérito II, 17 Out 1979.

[36] Norman Emerson, Departamento de Antropologia, Universidade de Toronto, entrevista de 14 de novembro de 1974. Emerson começou a informar sobre o seu trabalho usando Visão Remota em 1974 e continuou a fazê-lo até a sua morte. (Veja Norman Emerson. “Psychic Archaeology,” Psychic. Set/Out 1975, págs. 23-25. Veja também Stephan A. Schwartz, The Secret Vaults of Time, (Grosset & Dunlap, New York, 1978), págs. 356-357 para uma bibliografia completa do trabalho informado de Emerson.

[37] Embora nós não tenhamos encontrado nenhuma pesquisa especificamente desenhada para avaliar a precisão dos dados oferecidos vs solicitados, inúmeros pesquisadores mencionaram a conclusão subjetiva de que “o material resposta oferecido que o próprio sensitivo sente ser digno de menção, parece muitas vezes ser mais preciso do que as áreas pré-determinadas pelo pesquisador”.

[38] Henry H. Gorringe. Egyptian Obelisks. (The Author: New York, 1882) 

[39] Relatório do Mergulhador. 13 de maio de 1979.

[40] Transcrição da Visão Remota, Respondente R11, 16 de fevereiro de 1979. 

[41] Entrevista com Mostafa El Abbadi, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Alexandria, e Abou Daoud Daoud, Departamento de Arqueologia da Universidade de Alexandria, e secretário da Sociedade de Arqueologia de Alexandria, no sítio, 14 de maio de 1979. 

[42] Strabo. Vol. VIII, p. 39. 

[43] Mamoud-Bey (“El Falaki”). Memoire sur L’Ancienne Alexandrie. (N.P.: Copenhaguen, 1872). Mahmoud Bey, conhecido informalmente como “El Faliki” (o Engenheiro), foi na verdade um astrônomo no governo Khedival. Embora ele seja uma figura muito controversa, o seu trabalho de escavação de meados do século XIX foi uma das primeiras explorações arqueológicas sistemáticas de Alexandria – feito numa época em que muito do que era antigo ainda permaneceu relativamente in situ. 

[44] Fraser, Vol. 1, p. 23 

[45] Memorandum on Security Regulations Relating to Fort Silsila. Navy of the Arab Republic of Egypt, Mohamed Aly, Comandante das Forças Navais de Alexandria, N.D. Talvez valha a pena destacar que o pessoal de segurança egípcio nos acompanhou em todos os momentos durante a nossa pesquisa do Porto Oriental. 

[46] Frost. Loc Cit.

[47] Transcrição da Visão Remota, Respondente R3, 12 de maio de 1979. 

[48] Ibid. e desenho. 

[49] Quando este artigo foi preparado, a identificação destas “contas” de pedra ainda permanecia um mistério. 

[50] Jondet. Les Ports. págs. 48-50.

[51] Strabo. Vol. VIII, p. 25. 

[52] Frost. Loc Cit. p. 27 

[53] Ibid. 

[54] Saint-Genis. Loc Cit. págs. 17-29. 

[55] Fraser. Vol. II, p 44, cf 98. 

[56] Saint-Genis. Loc Cit. p. 23.

[57] Entrevista com Youssef El-Gheriani, diretor do Museu Greco-Romano de Alexandria, 7 de maio de 1979. 

[58] Frost. Loc Cit. p. 128. 

[59] Ibid. 

[60] Strabo. Vol. VIII, p. 25.

[61] Fraser. Vol. I, págs. 19-20. 

[62] Frost. Loc Cit. p. 128. 

[63] Ibid. 

[64] Ibid. 

[65] Ibn Battuta. Travels in Asia and Africa 1325-59. Trans. H.A.R. Gibb, London, 1929. 

[66] Ibid. 

[67] Transcrição da Visão Remota, Respondente R3, 17 de outubro de 1979. 

[68] Mapa de Análise Composto, Inquérito II, 17 de outubro de 1979. 

[69] Estranhamente, considerando a sua fama, não há qualquer fonte clara da antiguidade que forneça as dimensões do farol, não mais do que generalidades sobre a sua aparência. 

[70] Entrevista com o Capitão Moshen El Gohary, AREN (aposentado), Diretor do Serviço de Mergulhadores do Mar Vermelho, 9 de abril de 1979. Capitão Gohary provou ser, sem comparação, a melhor fonte em matéria de informações sobre mergulho nas águas de Alexandria. 

[71] O Conselheiro Médico Mobius, Donald Zimmerman, MD, M.E.E recomendou injeções de Gamma Gobolin B, tétano, tifo e cólera, como a proteção mínima para o mergulho nas águas perigosas do litoral de Alexandria.

[72] Entrevista com M. Rodziewicz, 17 Nov. 1979.

[73] Frost. Loc Cit. págs. 128-129. 

[74] Ibid. 

[75] Ibid.

[76] Strabo. Loc Cit. p. 39. 

[77] Plutarco. The Lives of the Noble Grecians and Romans. Trad. Grego para o francês por James Amyot; trad. Francês para o ingles por Thomas North. Texto preparedo por Rolan Baughman. (Heritage Press: New York, 1941), vol. II, págs. 1756-57. 

[78] Mahmoud Bey. Loc. Cit. 

[79] Ibid. 

[80] Fraser. Vol. II, p. 21, cf 36. 

[81] Ammianus Marcellinus. The History Of. (Surviving Books). Trans. John C. Rolfe. (Harvard University Press: Cambridge, 1950), vol. II, pp. 299-301. 

[82] Fraser. Vol. I, p. 10. 

[83] Transcrição da Visão Remota, Respondente R4, resposta ao Mapa de Pesquisa II, 17 de outubro de 1979. 

[84] Transcrição da Visão Remota, Respondente R9, resposta ao Mapa de Pesquisa II, 17 de outubro de 1979. 

[85] Transcrição da Visão Remota, Respondente R1, resposta ao Mapa de Pesquisa II, 17 de outubro de 1979.

[86] Entrevistas com Rodziewicz e Daoud 21 Nov 1979.

[87] Strabo. Vol. VIII, p. 39. 

[88] Entrevista do Respondente no local, de abril de 1979. Mapa de Pesquisa II, 17 de outubro de 1979. 

[89] Comentário do Respondente no local, R3, oferecido em 8 de abril de 1979. 

[90] Transcrição da Visão Remota, R4. Mapa de Pesquisa II, 17 de outubro de 1979. 

[91] Ibid.

[92] Strabo. Vol. VIII, p. 39.

[93] Transcrição da Visão Remota, Respondente R5, resposta ao Mapa de Pesquisa II, 17 de outubro de 1979. 

[94] Transcrição da Visão Remota, Respondente R3, resposta ao Mapa de Pesquisa II, 17 de outubro de 1979. 

[95] Transcrição da Visão Remota, Respondente R8, resposta ao Mapa de Pesquisa II, 17 de outubro de 1979.

14 respostas a “Caso Fantástico na Arqueologia Subaquática: UMA PESQUISA PRELIMINAR DO PORTO ORIENTAL, ALEXANDRIA, EGITO, INCLUINDO UMA COMPARAÇÃO DE SONAR DE ESCANEAMENTO LATERAL E VISÃO REMOTA (1980)”

  1. Vitor Diz:

    A revisão do artigo acima custou 350 reais. Agradeço ao Biasetto e ao Carlos (entre outros) que contribuíram para o pagamento do serviço de revisão.
    .
    Aviso, no entanto, que já estou precisando de mais dinheiro para pagar os próximos artigos! Quem estiver lendo isso e puder materializar dinheiro na minha conta a hora é essa! :D

  2. Biasetto Diz:

    Vítor, mais um bela matéria. Parabéns! Artigos assim, não acham em revistas no Brasil.
    .
    Gilberto, a monga, konga, sei lá! – já deixou você?
    Já achou o controle remoto?
    Pede pra algum sensitivo ir à tua casa.

  3. Carlos Diz:

    Vitor,
    .
    Parabéns pelo trabalho de tradução e disponibilização do texto para leitura.
    .
    Pelo que entendi o trabalho foi publicado no início dos anos 80. De lá para cá são 30 anos; você saberia informar se o Projeto Mobius ainda está ativo e se há equipes, nos dias atuais, utilizando visão remota como método de pesquisa? E afinal por onde anda o Schwartz?

  4. Vitor Diz:

    Oi, Carlos

    o Schwartz atualmente escreve para o jornal científico Explore: The Journal of Science and Healing. É um jornal com fator de impacto na comunidade científica. Tem sempre uma coluna dele lá.

    E sim, há equipes nos dias atuais usando visão remota na arqueologia. Vá nesse link:

    http://pt.scribd.com/doc/34468001/2010-PA-Convention-Abstracts-and-Program

    Baixe o arquivo. Vá até o artigo “Intuitive archaeology: Why is this topic not closed?” na página 30. Desde 2006 há uma equipe francesa usando visão remota em um projeto que levará 10 anos. Eles já apresentam alguns resultados de um projeto que não envolvia localização de artefatos, apenas a descrição.

    Em 2010 o trabalho de Schwartz foi citado em um artigo de altíssimo fator de impacto publicado no Psychological Bulletin, disponibilizado no link

    http://www.psy.unipd.it/~tressold/cmssimple/uploads/includes/MetaFreeResp010.pdf

    e que diz:

    Quanto a aplicações práticas de psi, este é um território largamente inexplorado (especialmente em laboratório), mas por muitos anos temos tido ciência de indivíduos psíquicos que são, ou foram, empregados remunerados na prática psi e produziram resultados úteis ou rentáveis (ver Schouten, 1993; Schwartz, 1983, 2000, 2005). Em sua abrangente revisão, Schouten (1993) constatou que “psíquicos podem, ocasionalmente, ter impressões que são difíceis de explicar e que poderiam ser consideradas paranormais” (p. 387), também comentando que “a medicina complementar merece um lugar no sistema de cuidados de saúde” (p. 399). Schwartz (1983, 2000, 2005) tem feito grandes esforços para demonstrar os usos de psi em arqueologia e antropologia, e essa abordagem estende-se à resolução e detecção de crimes— áreas que já viram aplicações (Schouten, 1994).

    As referências citadas são:

    Schouten, S. A. (1993). Applied parapsychology studies of psychics and healers. Journal of Scientific Exploration, 7, 375–401.

    Schouten, S. A. (1994). An overview of quantitatively evaluated studies with mediums and psychics. Journal of the American Society for Psychical Research, 88, 221–254.

    Schwartz, S. (1983). Preliminary report on a prototype applied parapsychological methodology for utilization in archaeology, with a case report. In W. G. Roll, R. L. Morris, & R. White (Eds.). Research in parapsychology 1981 (pp. 25–27). Metuchen, NJ: Scarecrow Press.

    Schwartz, S. (2000). The Alexandria Project. New York, NY: Authors Guild.

    Schwartz, S. (2005). The secret vaults of time. Charlottesville, VA: Hampton Roads.

  5. Carlos Diz:

    Vitor,
    .
    Enquanto as crianças estavam assistindo pela centésima vez o Harry Potter, dei uma volta no Google com os termos Sthepan+Schwartz+Mobius. Notei que o tema caiu nas graças do pessoal da “new-age”; há mesmo empresas que exploram o filão vendendo serviços para empresários, políticos, artistas, e mesmo militares. Nada contra… afinal para muita gente o que interessa é resultado. Porém face aos mútiplos interesses que o assunto suscita, certamente fica muito difícil hoje separar o que é fato de artefato nesse campo.
    .
    Evidentemente que os resultados práticos do projeto Mobius estão lá e, até onde posso julgar, eles me pareceram robustos. O que me vem a mente é o efeito “amplificação do ruído”, ou seja, um acerto torna-se muito mais impactante que dez tentativas frustradas. Bem, não sei… imagino que no projeto haviam pessoas (independentes ?) que avaliavam a relação erro-acerto.

  6. Carlos Diz:

    em tempo: agradeço os links e as informações. Boa semana a todos!

  7. Vitor Diz:

    Oi Carlos,
    no Projeto Caravelas – http://obraspsicografadas.haaan.com/2011/outro-caso-fantstico-na-arqueologia-nutica-o-projeto-caravela-1987/ – houve o INA (Instituto de Arqueologia Náutica) que avaliou a relação erro-acerto de forma independente.

  8. Paulo-RS Diz:

    Carlos, você falou bem…ruído e mais ruído …multiplicado pela vontade das pessoas em serem imortais e de não conseguirem viver o seu aqui e agora.

    Biasa, meu velho…sempre tive uma grande simpatia por sua pessoa mesmo não conhecendo pessoalmente …sabe porque? Por você ser um educador e um buscador do conhecimento…um sujeito que conseguiu largar o lugar comum e questionar suas verdades. Antes que nosso amigo Gilberto ( Vulgo Giba a quem virei fã por sua inteligência/ironia) me diga que estou “rasgando seda”, digo que foi muito bom trocar uma idéia com vocês.

    Foi legal ver um espirita largar suas fantasias e ter uma vida mais crítica e mais libertária.

    Biasa…queria eu ser um educador na minha area da eletrônica/programação…. mas a covardia e o “deixa pra depois” tomaram conta da minha vida. Em dezembro passado sofri um AVC e agora acho que tive um secundário ( vitor, edite meus textos , por favor).

    Deixo um abraço a todos aqui e queria dizer que não precisamos da fantasia para viver a realidade…e cara…a unica coisa que não fiz foi ir para machu-pichu…o resto eu fiz conforme o meu conhecimento. e ao conhecimento eu devo a libertação.

  9. Biasetto Diz:

    Grande Paulo, prazer em revê-lo.
    Gostaria que você entrasse em contato comigo:
    [email protected]
    Caso não esteja afim, não precisa justificar.
    Melhoras pra ti, muita saúde mesmo.
    Estes dias que você sumiu, sem rasgação de seda tb, senti bastante tua falta.
    Um grande abraço. Te cuida aí…

  10. Paulo-RS Diz:

    Bom, náo consegui falar com o biasa… se tiver algo depois eu juro que vou puxar ospes do sdur. meu lado esquerdo ta paralizado———vou nesa pesoaç

  11. Biasetto Diz:

    Paulo, força aí. Conte com nós. Meu email está aí. Se puder, se quiser, aguardo tua mensagem.
    Um abraço!

  12. Biasetto Diz:

    Vítor,
    Obrigado pelos “parabéns”.
    As coisas aqui andam meio mornas, mas é já que esquetam.
    Valeu!

  13. Gilberto Diz:

    Continuo com todos dentro do meu coração. Vocês são tão fofos! Com carinho, Gilberto. P.S. Parabéns pelo seu aniversário, querido Biasinha. Que todos os anjinhos do céu te encham de boa sorte e carinho de todos nós, que te amamos muito. Um beijo no seu coração.

  14. Biasetto Diz:

    Gil Santos, de todos os parabéns que recebi, este vindo de você, foi o mais emocionante!!!
    .
    Agradeço sim, a lembrança.
    E, falando sério, precisamos esquentar este blog aqui, porque sinto falta de vocês, na verdade mesmo!
    .
    A todos um ótimo feriadão.
    .
    Já achou o controle remoto?
    Bem, pelo menos me parece que a Konga te largou.

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