Outro Caso Fantástico na Arqueologia Náutica: O Projeto Caravela (1987)

Este artigo descreve como um grupo de psíquicos, trabalhando em conjunto com uma equipe arqueológica essencialmente cética, localizou mais uma vez restos de navio afundados numa área onde antes achava-se muito improvável  a existência de naufrágios.

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O PROJETO CARAVELA: A LOCALIZAÇÃO, DESCRIÇÃO E RECONSTRUÇÃO DE SÍTIOS SUBMERSOS ATRAVÉS DA VISÃO REMOTA, INCLUINDO UMA COMPARAÇÃO COM FOTOGRAFIA AÉREA, EXTRAÇÃO GEOLÓGICA, E SENSOR REMOTO ELETRÔNICO 

Por Stephan A. Schwartzi, Randall J. De Matteiii e Roger C. Smithiii  

Traduzido por Vitor Moura Visoni

                            Revisado por Marcel Tavares Quinteiro Milcent Assis 

RESUMO. O Projeto Caravelas de Colombo é um programa multi-fase de investigação, destinado a localizar e escavar na Baía de Santa Ana, Jamaica, os restos dos dois últimos navios de Colombo, Capitana e Santiago de Palos. Depois de um exílio forçado de um ano e cinco dias, Colombo e sua tripulação, abandonados, foram finalmente resgatados no dia 29 de junho de 1504. Eles partiram para Hispaniola e Espanha, deixando para trás dois dos mais antigos naufrágios registrados no Hemisfério Ocidental, e o primeiro sítio europeu na Jamaica. O Projeto Caravela foi organizado em 1982 pelo Instituto de Arqueologia Náutica (INA) em conjunto com o Instituto da Jamaica. A Sociedade Mobius juntou-se à pesquisa durante a temporada de verão de 1985. Este relatório apresenta apenas a fase dos trabalhos que envolve o uso de dados de Visão Remota sujeitos a confirmação de campo, após o emprego de uma análise especializada desenvolvida pela Mobius para uso em pesquisas arqueológicas de campo. Houve duas pesquisas posteriores da Baía, e elas também são abordadas na seção de discussão.  

Localização: Dentro de uma área de busca de 4,35 milhas quadradas, durante três temporadas, antes da investigação Mobius, pesquisas por magnetômetro, radar e sonar de varredura lateral, extrações e escavações debaixo d’água e em terra produziram materiais das atividades coloniais inglesas do século XVIII, incluindo os restos de dois navios abandonados. A Visão Remota, usando uma técnica previamente descrita, antes e após as equipes da Sociedade Mobius virem à Jamaica, selecionou, e depois confirmou no local, uma área de 1041 pés x 541 pés (= 0,02 milhas quadradas) como a área onde os achados seriam feitos. As descobertas de restos de artefatos e de navio foram feitas dentro da área prevista pela Visão Remota, e em nenhum outro lugar, embora áreas importantes fora dos locais de Visão Remota fossem revistadas.  

Como descrito e localizado pelos Observadores Remotos, um naufrágio até então desconhecido foi encontrado na Área de Consenso I. Um Observador também forneceu uma região muito menor de um sítio que, com base no sucesso inicial da Área de Consenso I, também foi explorado, com bons resultados. Dois outros pequenos sítios de observadores isolados foram improdutivos, fornecendo base para a premissa de que sítios previstos em consenso são mais suscetíveis de serem produtivos. Uma segunda área de consenso, por causa do tempo e das condições marítimas, não foi pesquisada. A Inspeção visual por mergulhadores foi a fonte que confirmou a previsão de cada localidade. Nenhuma escavação foi realizada, embora a Visão Remota sugerisse que os restos do navio estivessem soterrados por vários pés de terra e pedra. Descobertas de expedições subsequentes sob diferentes comandos fizeram tais descobertas. Para calcular a probabilidade de selecionar esses locais por acaso dentro da área de pesquisa, considere os achados relatados como uma célula em uma grade de 217 células semelhantes. A probabilidade de encontrá-la é p = 0,0046, o que sugere fortemente que o acaso não é uma explicação para os sítios. O local bem menor de material, no lado norte do recife exterior da baía, como previsto por um Observador Remoto, seria, de maneira análoga, ainda mais improvável. Alguns desses restos não identificados são de navios de um período posterior ao naufrágio de Colombo, mas grande parte dos detritos não está identificada, mesmo quanto ao período. Finalmente, por razões não parapsicológicas, a identificação de Capitana e Santiago de Palos pode nunca ser conseguida porque pode não haver subsídios suficientes para responder, de forma absoluta, a questão de onde as caravelas estão localizadas.  

Descrição e Reconstrução: a Visão Remota, além de fornecer a localização, descreveu a geografia submarina e de superfície da área a ser pesquisada, bem como forneceu dados descritivos e reconstrutivos sobre os objetos que seriam encontrados lá. No todo, 1012 passagens relativas a locais, descrições e reconstruções por Visão Remota foram apresentadas durante as entrevistas individuais por oito Observadores Remotos, cujos perfis psicológicos são definidos pelo sistema PAS, com a correção Saunders. Uma avaliação da precisão dos dados da Visão Remota foi realizada pelo Diretor Arqueológico de Campo do INA, com base em pesquisas de campo arqueológicas, geológicas e de sensoriamento remoto eletrônico e análise histórica. Apresenta-se, com cada passagem avaliada, uma escala de quatro pontos: “Correto”, “Parcialmente correto”, “Incorreto”, e “Não avaliável.” Quarenta e cinco por cento (45%) das passagens tiveram outra classificação que “Não Avaliável”. Estas passagens estão organizadas dentro de um sumário por categoria, de acordo com a metodologia descrita. Este estudo tem dez subgrupos principais de informação extraídos das entrevistas de Visão Remota. Os títulos e as taxas de acerto arqueologicamente úteis, compostas por uma combinação de “Correto” e “Parcialmente Correto”, são as seguintes: Restos, 54 por cento; Características do Fundo do Mar, 80 por cento; Sobrecamada, 90 por cento; Acontecimentos Posteriores ao Abandono dos Navios, 62 por cento; Posição dos Restos do Navio, 81 por cento; Diferenciação dos Dois Navios, 60 por cento; Geologia, 95 por cento; Arqueólogo Roger Smith, 78 por cento; Comentários re: Projeto, 53 por cento; Outros & Diversos, 76 por cento.  

INTRODUÇÃO E PANORAMA  

A QUARTA VIAGEM DE COLOMBO: UMA HISTÓRIA[1]: Quatro pequenas caravelas, tudo o que Columbus conseguiu reunir em 1502 na Espanha, levantaram âncora, em abril, para velejar pelo percurso familiar para as Índias. Era para ser a mais perigosa, menos rentável, e última viagem de descoberta. Ele a chamou alto viaje, ou viagem sublime, mas na verdade foi uma expedição repleta de frustração, constrangimento e desespero.  

Surpreendentemente, especialistas na evolução das embarcações marítimas sabem muito pouco sobre os navios de Colombo, o equivalente em tecnologia naqueles dias, às cápsulas espaciais de Mercúrio de hoje: O primeiro de uma longa linhagem de embarcações européias transoceânicas que tornaram possível a exploração do mundo e catapultaram a Europa Ocidental para além da introspectiva Idade Média.


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A aparência exata de uma caravela é desconhecida. Esta xilogravura, contemporânea à sua utilização, é uma das poucas imagens restantes.

Ilustração Um


Por todo o seu significado histórico, ninguém vivo já viu uma caravela navegando, (ver Ilustração Um), apesar de vários arquitetos navais e historiadores marítimos terem construído modelos dos navios de Colombo. Sabemos, no entanto, que eles foram adaptados a partir de várias tradições do Velho Mundo, e criados levando em conta leveza, velocidade e manobrabilidade pelos portugueses, os quais tentavam manter suas características de projeto um segredo. Os espanhóis eventualmente descobriram-nas, e alteraram o aparelhamento de suas novas caravelas para a captura dos ventos alísios do Atlântico. Colombo e seus colegas escolheram caravelas para cada uma de suas famosas viagens porque elas eram sua melhor opção.  

Buscando ouro e um estreito navegável para o Oriente, a frota de Colombo cruzou a costa da América Central por muitos meses, até que finalmente foi forçada a refugiar-se no Panamá, devido às constantes tempestades e o estado carcomido dos navios. A tentativa do almirante de estabelecer uma colônia lá, na foz de um rio a que deu o nome de Belém (Bethlehem), não obteve mais sucesso do que sua busca por um estreito. O esforço custou-lhe a vida de vários tripulantes, incluindo os dois calafates do navio durante um conflito com os índios, bem como um dos navios, que teve de ser abandonado em retirada. Logo depois, uma segunda embarcação foi abandonada, com avarias demais para impedir o naufrágio.

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© National Maritime Museum

Ilustração Dois

 

Buscando o porto seguro mais próximo, Colombo mandou sua cansada equipe ir para Hispaniola, mas logo descobriu que, navegando contra ventos e correntes contrários, não conseguiria ganhar progresso suficiente do lado a barlavento para alcançar o seu destino. Com as caravelas restantes, Capitana e Santiago de Palos agora tão avariadas que as bombas já não podiam mantê-las à tona, Colombo levou seus navios à baía que ele tinha descoberto e batizado Santa Gloria – atualmente Baía de Santa Ana – durante sua segunda viagem 10 anos antes. A data era 24 de junho de 1503, 13 meses desde a sua partida da Espanha.

Os dois navios carcomidos aterraram em águas rasas “dentro do alcance de um tiro de arco da costa”. Seus conveses inundaram, os cascos foram escorados e amarrados, e cabines foram construídas nos conveses para abrigar a tripulação. Dois bons córregos e uma grande aldeia indígena, que acabou fornecendo alimentos à expedição, foram localizados nas proximidades.  

Colombo e sua tripulação não tinham as ferramentas necessárias para construir um novo navio, e as habilidades de um calafate para torná-lo apto a navegar. E havia apenas uma vaga possibilidade de outro navio chegar à Jamaica estéril em ouro. A única esperança dos náufragos era enviar uma mensagem a Hispaniola. Diego Mendez, secretário de Colombo, se ofereceu para fazer a travessia, negociando um capacete de bronze, um casaco e uma camisa com um chefe local, em troca de uma canoa grande. O primeiro esforço falhou; durante uma tentativa bem sucedida, um grande grupo de espanhóis e índios finalmente conseguiu, depois de quase quatro dias de remo em mar aberto, chegar a Hispaniola. No entanto, a chegada à ilha foi apenas a primeira parte da operação de salvamento; Mendez ainda tinha que convencer o governador da ilha, Ovando, a salvar Colombo, de quem ele não gostava muito.  

Enquanto isso, em Santa Gloria, a tripulação encalhada esperava, não sabendo o destino da operação de resgate. A situação rapidamente degenerou em uma tropa cheia de homens doentes, famintos, e rebeldes. Porque os navios quase inundaram quando encalhados, apenas os conveses e as popas forneciam abrigo para aproximadamente 117 homens e meninos. Seus confinamentos intermináveis nos navios e nos acampamentos da ilha fomentaram o descontentamento e, finalmente – em janeiro 1504 – um motim. Foi inspirado por dois irmãos chamados Porras, aos quais se juntaram 48 homens e meninos desleais. Esperando por sua própria fuga de Hispaniola, o bando fugiu para o leste em 10 canoas, roubando os índios e colocando Colombo em descrédito ao longo do caminho. Seus esforços em mar aberto, porém, foram infrutíferos, e eles foram conduzidos de volta para a costa norte da Jamaica, onde estabeleceram um acampamento e passaram a hostilizar os nativos.  

Enquanto isso, Colombo, seriamente incapacitado e com dores de artrite, e seu leal contingente de 50 homens ficavam cada vez mais famintos, já que os índios a cada dia traziam menos provisões. Em um último esforço desesperado, mas inspirado, Colombo construiu um esquema para a sua salvação: observando em seu almanaque um iminente eclipse lunar, ele convocou os chefes indígenas, manifestou o desagrado de seu deus cristão sobre o tratamento que os índios davam a seus seguidores, e previu um destino terrível. Os chefes zombaram e partiram, mas, quando a lua começou a subir e, depois, desaparecer, eles voltaram, pedindo a intercessão de Colombo para restaurar a lua, e prometeram fornecer os suprimentos necessários aos marinheiros.  

Perto do final de março, uma pequena caravela adentrou Santa Gloria/Baía de Santa Ana, mas a exaltação dos náufragos logo se transformou em desespero quando souberam que o navio tinha chegado, não para resgatá-los, mas apenas para determinar a sua condição, e deixar alguns suprimentos simbólicos. O comandante do navio visitou Colombo, transmitindo uma mensagem de Diego Mendez, que um grupo de resgate ainda estava em processo de ser formado. O navio partiu na mesma noite.  

Procurando então remendar a ruptura com os amotinados, Colombo enviou mensageiros com uma porção dos magros estoques para o acampamento de Porras como prova da chegada da caravela. Embora lhes fosse oferecido um perdão geral, os amotinados preferiram atacar os companheiros, que foram comandados pelo irmão de Colombo, durante uma batalha campal perto da praia. Enquanto os índios assistiam espantados, os legalistas subjugaram os atacantes, matando e ferindo vários. Um irmão Porras foi capturado e colocado a ferros, o que fez com que os dissidentes restantes se rendessem.

Depois de um exílio forçado de um ano e cinco dias, os marinheiros abandonados finalmente foram resgatados no dia 29 de junho de 1504. Colombo e sua tripulação partiram para Hispaniola e Espanha, deixando para trás Capitana e Santiago de Palos, dois dos mais antigos naufrágios registrados no Hemisfério Ocidental, e o mais antigo sítio europeu na Jamaica.  

EQUIPE  

Houve três equipes envolvidas neste estudo:  

Equipe Arqueológica: O Diretor de Campo do INA, por cinco temporadas, Roger Smith, é um especialista reconhecido em “Navios dos Descobrimentos” do século XVI. Ele foi assistido pelo membro da equipe do INA KC Smith, o mestre de mergulho Marko Manicetti, o conservador Ted Keros, e o estudante de pós-graduação em Arqueologia Bonnie Foster. Eles eram todos especializados em algum aspecto de técnicas arqueológicas submarinas, que vão desde a conservação da recuperação de artefatos a análise cerâmica. Além disso, geólogos e outros especialistas foram trazidos e consultados quando necessário.  

Equipe Parapsicológica: O Presidente da Mobius e Diretor de Pesquisa, Stephan A. Schwartz, e o seu director executivo, Randall J. De Mattei, coordenaram a metodologia Mobius de Visão Remota consensual descrita neste documento, incluindo a fase de campo em 1985.  

Observadores Remotos: Oito homens e mulheres foram selecionados como Observadores Remotos neste experimento. Eles podem ser descritos da seguinte forma, e são definidos no âmbito do Personality Assessment System (PAS)[2] com subscrito adicional de Saunders[3], como:  

R-1: Judith Orloff, MD, mulher, 35, com graduação em psiquiatria. Ela é definida no PAS como uma IFU3. R-1 nunca esteve na Jamaica.  

R-2: Hella Hammid, mulher, 64 anos, fotógrafa de artes plásticas, definida no PAS como uma ERA8. R-2 nunca esteve na Jamaica.  

R-3: John Oligny, homem, 44 anos, fotógrafo de um grande jornal ocidental. Ele é definido pelo PAS como um IFA8. R-3 nunca esteve na Jamaica. Participou da equipe de campo Mobius.  

R-4: Ben Moses, homem, 44 anos, produtor de filmes de longa metragem e documentarista. Ele é definido pelo PAS como um EFU6. R-4 nunca esteve na Jamaica.  

R-5: Alan Vaughan, homem, 50 anos, autor, psíquico, palestrante e pesquisador parapsicológico. O trabalho de investigação de R-5 tem sido essencialmente em sonhos e precognição. Ele é definido pelo PAS como um IRU2. R-5 nunca esteve na Jamaica. Participou da equipe de campo Mobius.  

R-6: Andre Vaillancourt, homem, 36 anos, músico e produtor de filmes. Ele é definido pelo PAS como um IRU6. R-6 nunca esteve na Jamaica. Participou da equipe de campo Mobius.  

R-7: Rosalyn Bruyere, mulher, 36, diretora de uma clínica de pesquisa de cura. R-7 já havia participado em estudos de cura. Ela é definida pelo PAS como uma ERU6. R-7 nunca esteve na Jamaica.  

R-8: Ann Druffel, mulher, 61 anos, autora e uma assistente de pesquisa no Mobius. Ela é definida pelo PAS como EFU8. R-8 nunca esteve na Jamaica.  

Esses oito indivíduos foram selecionados com base no desempenho passado em outras experiências. Eles ofereceram cerca de duas horas de seu tempo, pelas quais não receberam qualquer pagamento.  

image A área de busca: Baía de Santa Ana, na Jamaica, onde Colombo e a sua tripulação abandonaram Capitana e Santiago de Palos em 1504. Visão do leste.

Ilustração Três. 

TRABALHO DE CAMPO ARQUEOLÓGICO ANTERIOR  

Pesquisa arquivística, sensoriamento remoto eletrônico e extrações geológicas:  

Investigações formais para encontrar as caravelas perdidas da quarta viagem de Colombo começaram em 1935, com o trabalho do arqueólogo amador William Goodwin, que explorou a Enseada Don Christopher ao lado da Baía de Santa Ana. Goodwin fez 150 escavações antes de desistir. Samuel Elliot Morrison liderou uma expedição da Universidade de Harvard em Santa Ana, em 1940. Ele acreditava que Goodwin não tinha considerado adequadamente a forma estreita e rasa da água da enseada, e que Santa Ana era, muito mais provavelmente, o local escolhido por Colombo, em especial a parte ocidental da baía, onde a água tranquila e profunda chegava perto da costa.  

Em meados dos anos 1960, Robert Marx visitou a Baía de Santa Ana, e sondou a lama no local indicado por Morrison. Fragmentos de madeira, pedra, cerâmica e obsidiana apareceram. Dois anos depois, Marx retornou, desta vez acompanhado por Harold Edgerton, que realizou uma pesquisa por sonar sob a superfície e revelou vários alvos na baía. Amostras do centro, na área previamente sondada, proveram material adicional. Este material foi examinado em diversos laboratórios e as amostras foram consideradas de datas diferentes.  

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Alan Vaughan, centro, fornece orientação de campo com Roger Smith, Diretor de Arqueologia do INA, direita, e Stephan Schwartz, esquerda, Diretor de Pesquisa do Moebius.

Ilustração Quatro

O intervalo, no entanto, não impede, ao menos, que alguns destes materiais sejam provenientes dos navios de Colombo. Um alvo sonar sugeriu que outro navio poderia se encontrar nas proximidades. Marx exortou o governo da Jamaica a prosseguir a escavação desse local e, com o apoio internacional, isso foi feito. Em 1969, durante uma operação de dragagem de vários dias, o mergulhador veterano francês Frederic Dumas localizou pedras de lastro e artefatos, incluindo bases de garrafa de vinho, e mapeou a área. Muito desse material foi datado como do século XVIII, e o sítio foi abandonado como um possível local das caravelas.

Em 1981, Smith e o geólogo John Gifford realizaram a próxima fase da pesquisa. Usando toda a documentação histórica, eles tentaram reconstruir a antiga linha de costa, e teorizaram que, devido às mudanças ocorridas ao longo do tempo, os sítios poderiam estar sob a praia atual. 

A partir de junho de 1982, essa baía relativamente pequena e circunscrita (ver Ilustração Três) também foi submetida a rigoroso e exaustivo levantamento de sensoriamento remoto eletrônico. Um sonar perfilador de subfundo foi empregado para detectar alvos enterrados sob o leito marinho. Um levantamento por magnetômetro das parcelas marinha e costeira da baía se seguiu, para distinguir anomalias magnéticas associadas com os restos dos naufrágios. Testes foram realizados e foram analisadas amostras de núcleo para estreitar as possibilidades de escavação. Técnicas padrão de escavação subaquática foram utilizadas para testar áreas limitadas de sítios detectados; caixões pequenos submersos foram empregados em partes da baía. Nenhum desses trabalhos de campo resultou nas descobertas buscadas. 

PROTOCOLO DE VISÃO REMOTA 

Em março de 1985, Mobius foi contactado pelo arqueólogo náutico Roger Smith do INA. Smith quis explorar um esforço conjunto, usando a abordagem de visão remota do Moebius, para localizar as duas caravelas de Colombo. Embora o seu trabalho de campo anterior não tenha sido bem-sucedido, Smith ainda estava convencido, de sua análise histórica, que a Baía de Santa Ana continuava a ser a área de busca, e propôs que a Mobius a pesquisasse. De 29 de julho a 2 de agosto, a Mobius realizou uma investigação por Visão Remota de Los Angeles, utilizando uma metodologia previamente relatada.[4] Depois disso, Schwartz e De Mattei, e três Observadores Remotos, Alan Vaughan, André Vaillancourt, e John Oligny, viajaram para a Jamaica para 12 dias de trabalho com a equipe do INA. 

PROCEDIMENTO 

As etapas da Metodologia Consensual foram:

1.) O INA fornece um mapa em branco

2.) Aos Observadores Remotos são atribuídos um número R, por exemplo, R-1, R-2, pelo qual eles serão designados

3.) Um entre dois entrevistadores é atribuído a cada Observador Remoto

4.) As entrevistas são gravadas

5.) As entrevistas gravadas são transcritas

6.) As transcrições são quebradas em passagens

7.) Produção de Transcrições Conceituais Numeradas e arquivos para alimentação do programa do banco de dados customizado

8.) Codificação e classificação das passagens por categoria, produzindo um documento Discriminado por Categoria de Passagem

9.) Produção de Carta de Campo Composta Máster

10.) Desenvolvimento de hipóteses para acompanhamento de trabalho de campo

11.) Armazenamento de todos os dados em um cofre, fora do controle da Mobius, para assegurar impecável cronologia de previsão, trabalho de campo e análise de resultados.

12.) Confirmação no local e desenvolvimento de dados adicionais dos sítios

13.) Trabalho de campo pelo INA por 12 dias em conjunto com a Mobius

14.) Preparação do Documento de Avaliação do Retorno

15.) Avaliação de passagens individuais e locais

16.) Preparação do relatório final 

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Cópia reduzida do mapa usado pelos Observadores Remotos. Note a ausência de nomes de lugares e cores.

Ilustração Cinco

A CARTA MARÍTIMA 

Em agosto de 1985, Smith apresentou uma fotocópia de uma carta marítima padrão na qual a maioria dos detalhes de localização tinha sido retirada, e a escala excluída. Uma rosa dos ventos parcial permitia a orientação para o Norte magnético. (Veja Ilustração Cinco) A original foi fotocopiada e uma nova cópia foi utilizada para cada entrevista. 

SESSÕES DE ENTREVISTA 

Além da carta marítima em branco, Schwartz e De Mattei não pediram qualquer informação sobre a área ou as caravelas e, mais tarde, no campo, Smith teve o cuidado verificar que nenhuma pista inadvertida fora dada. As informações contidas na Introdução e Panorama acima foram fornecidas após o trabalho de campo ter sido realizado. Entrevistas individuais foram realizadas com cada um dos Observadores Remotos. A fim de evitar possíveis vieses sutis que pudessem levar a pistas, as entrevistas foram divididas entre Schwartz e De Mattei. Ambos os entrevistadores estavam cegos para os resultados das entrevistas em que não participaram, até que todas as entrevistas tivessem sido concluídas. Os Observadores Remotos estavam cegos a tudo, exceto à própria sessão. Os entrevistadores também eram ignorantes quanto a detalhes factuais específicos em relação ao projeto, além dos nomes dos navios, o fato do seu abandono, e a data em que isso ocorreu. Uma vez que os locais tivessem sido estabelecidos, desenhos eram solicitados (Ver Ilustração Seis) assim como comentários sobre a geografia e geologia, para ajudar os mergulhadores em suas pesquisas posteriores. Quando a menção de objetos específicos era espontânea, pedia-se mais detalhes aos observadores.

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Típico desenho de sessão de Visão Remota.

Ilustração Seis

Quando todas as sessões foram concluídas, as cartas foram colocadas sobre uma mesa iluminada e alinhadas em registro, uma por uma, com o desenvolvimento da Carta de Campo Composta Máster. (Veja Ilustração Sete) Dessa forma, dentro da Carta de Pesquisa de Campo original, a área principal de sítios alvo surgiu como aglomerados ou círculos sobrepostos. Um aglomerado era o foco principal óbvio. Foi designado Área de Consenso I. Um aglomerado menor se tornou a Área de Consenso II. 

TRANSCRIÇÕES 

As fitas das sessões individuais foram transcritas em um arquivo de computador de processamento de palavras. Uma cópia dessas transcrições brutas foi então editada manualmente para produzir uma segunda versão, em que as sentenças foram divididas em passagens distintas e marcadas para a codificação. Conversas não-pertinentes, por exemplo, “Você poderia mudar as cortinas”, ou “ah…” ficaram sem códigos numéricos. Essa versão foi então salva como uma série de arquivos ASCII e convertida para um programa Fortran™ customizado que automaticamente atribuiu a cada passagem distinta um único designador alfanumérico, começando com a primeira passagem da primeira entrevista e processando sequencialmente até a passagem final da última entrevista. Dessa forma, cada passagem pode ser identificada, bem como o seu lugar na sequência de todas as passagens desenvolvidas durante as entrevistas.

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Carta de Campo Composta Máster. Cada círculo ou X é um observador individual. O retângulo vertical é a Área de Consenso I. O círculo imediato à direita é a única área do observador pesquisada. A notação “1041 x 541” é a área dos alvos reais dentro do retângulo.

Ilustração Sete

Experiência anterior sugeriu que há uma transição de uma sessão para outra, através de algum mecanismo desconhecido, e que na ocasião uma imagem de um observador em uma sessão será desenvolvida por outro observador em outra sessão. Às vezes uma expansão ocorre antes que a passagem inicial, como tal, tenha sido introduzido. Esse processo de separação das passagems pode ser visto no seguinte exemplo: “Eu acho que é um navio completamente destruído, e enterrado sob a areia, e há uma cabeça de coral visível saindo da água lá.” 

R-1: <1> Eu acho que existe um navio

R-1: <2> completamente destruído,

R-1: <3> e enterrado

R-1 <4> na areia,

R-1: <5> e há uma cabeça de coral

R-1: <6> saindo da água lá. 

A transcrição codificada para esse experimento, com suas cartas adjuntas e desenhos, é o conjunto básico de dados a partir do qual todas as análises posteriores serão extraídas. Para o Projeto Caravela, 1012 passagens codificadas foram proferidos pelos oito Observadores Remotos. 

SEPARAÇÃO DAS PASSAGENS POR CATEGORIA 

Além da localização, a tarefa básica da metodologia consensual Mobius é o reconhecimento de padrões, ou seja, a extração do comum, e presumivelmente os mais precisos padrões das diferentes descrições oferecidas pelos observadores individuais. Também é dada atenção às observações que, a priori, tem uma baixa probabilidade de ocorrência no contexto da entrevista. Esta tarefa de análise é semelhante à realizada por qualquer investigador de campo, seja sociólogo, antropólogo, jornalista, ou oficial da lei ao tentar selecionar informações precisas de reconstruções fornecidas por informantes ou testemunhas. Tal como acontece com testemunhas oculares, ou informantes culturais, Observadores Remotos não podem evitar filtrar suas percepções através dos seus próprios interesses pessoais e vieses. É um dado que não será totalmente exato. Eles não veem tudo, e vários aspectos do quadro total possuem um maior interesse para eles do que outros. Eles inconscientemente fornecem “pontes” para fazer a ordem lógica das diferentes imagens que percebem. Por esta razão, novamente como testemunhas oculares, é importante determinar onde os Observadores Remotos concordam, e dar mais peso às áreas de maior consenso. 

As transcrições numeradas são transferidas do programa customizado Fortran™ para um banco de dados customizado escrito em Double Helix ™. Um sumário da categoria da passagem é criado englobando todas as observações codificadas na transcrição. Os títulos da Categoria da Passagem do sumário emergem das próprias transcrições, não sendo impostos. Assim, a estrutura da série de dados é única para cada projeto. 

Fisicamente trabalhando juntos, como uma equipe unificada, os grupos INA e Mobius avaliaram em conjunto cada passagem e, por sua vez, atribuíram-lhe uma categoria. A fim de tornar esse consenso o mais completo e útil em trabalho de campo quanto possível, as passagens foram, por vezes, incluídas em mais de uma categoria, isto é, uma passagem “Características Básicas” pode também ser listada em “Geologia”, apesar de se manter uma única passagem para a avaliação de precisão. Este projeto desenvolveu 10 categorias distintas: “Restos”, “Características do Fundo do Mar”, “Sobrecamada”, “Acontecimentos Posteriores ao Abandono dos Navios”, “Posição dos Restos dos Navios”, “Arqueólogo Roger Smith”, “Diferenciação dos Dois Navios”, “Geologia”, “Comentários re: Projeto”, “Outros e Diversos”. Cada um desses, por sua vez, foi dividido em um número variável de subtítulos que, novamente, foram criados, e não impostos, dos dados nas transcrições, por exemplo, “2.0 Características do Fundo do Mar”, “2.1 Fundo”, “2.2 Saliência/Declive”, “2.3 Depressão/Local Profundo”, “2.4 Vida Marinha”, “2.5 Correntes”. (Veja Tabela I) 

Utilizando a categoria títulos e subtítulos, a repartição por documento de Categoria da Passagem foi elaborada em um programa customizado escrito em Double Helix™. É essa compilação que revela os níveis de consenso entre os respondentes, e que é utilizada para orientar o trabalho de campo posterior. 

TRABALHO DE CAMPO DE VISÃO REMOTA 

Enquanto na Jamaica, três Observadores proveram a equipe Mobius com Visão Remota adicional. Durante vários dias os Observadores Remotos foram levados, um de cada vez em um pequeno barco, e pedidos para, intuitivamente, guiar o barco para o local que haviam previamente marcado na carta – sem consultá-la. Isso foi realizado com sucesso. Pediu-se a eles também, ou eles ofereceram voluntariamente, materiais novos ou adicionais sobre sítios em terra. Grande parte das informações que veio dessas sessões de Visão Remota em campo parecia plausível a Smith. Porém, até o momento da escrita deste artigo o trabalho de campo para confirmar ou refutar essas informações não foi realizado, e por isso não está incluído. Em partes dos 12 dias em que a equipe Mobius estava na Jamaica, pesquisas de mergulho foram realizadas. Durante um dos dias de busca, Schwartz acompanhou a equipe para ter uma noção dos parâmetros de busca, e para inspecionar visualmente determinados locais que haviam sido determinados, e para comparar descrições de Visão Remota com a geografia marinha real. Esse trabalho continuou por várias semanas após a partida da Mobius. Em uma investigação de mergulho típica, três mergulhadores, nadando lado a lado, ligados por uma corda, se moviam acima do fundo do mar a uma altura de aproximadamente três pés. Artefatos ou partes de navio descobertos, ou geografia marinha prevista, eram estudados mais de perto, marcados e prosseguia-se como indicado. A visibilidade subaquática na área de busca era tipicamente de cerca de oito pés. 

DOCUMENTO DE AVALIAÇÃO E RETORNO 

Um ano depois, após a temporada do trabalho de campo de 1986 ter sido concluída, Smith realizou a avaliação necessária para estabelecer os níveis de precisão. Suas classificações são baseadas em mais de uma década de pesquisa em “Navios do Descobrimento”, em geral do século XVI, e especificamente no seu trabalho nesse projeto. Ele tinha sido responsável pela pesquisa histórica preliminar, supervisionado toda a investigação colateral por geólogos e outros consultores e passado pessoalmente cinco temporadas de verão no sítio, na Baía de Santa Ana, pesquisando pelos restos das caravelas de Colombo. Smith recebeu da Mobius cópias de todos os documentos, desenhos e cartas, assim como o Documento de Avaliação e Retorno (EFB) em branco e as seguintes instruções por escrito: 

As codificações das declarações neste relatório de avaliação correspondem às codificações transcritas originais para os oito participantes entrevistados no Projeto Caravela, isso é, <0020> R-1: Cada declaração codificada está marcada com uma das quatro avaliações: 

Correta (C)

Parcialmente Correta (PC)

Incorreta (IN)

Não Avaliável (NE) 

Quando você tiver os dados, através de pesquisa histórica ou de campo e experimental, as três primeiras opções aplicam-se. Uma declaração deve ser classificada como “Não Avaliável” se: 1.) o material resguardado é desconhecido; 2.) A área descrita não foi explorada em um grau que permita uma afirmação conclusiva; 3.) Um achado ou evento previsto ainda não ocorreu, 4.) A declaração não é um fato, ou seja, apenas um comentário como: “É o que parece.” Use o seu melhor juízo, lembrando-se que o quanto mais puder ser avaliado, mais precisa será a análise. Na seção de Comentários e Referências de cada página, por favor liste as referências específicas e, sempre que possível, inclua fotografias e desenhos. Essas referências são muito importantes, e seu esforço extra em gerá-las será muito apreciado. Igualmente, as cópias das transcrições que foram deixadas com você na Jamaica traziam algumas referências anotadas por sua equipe e registradas durante a sessão de Separação & Análise. Você poderia por gentileza incorporar essas notas no documento de avaliação? 

Muitas das declarações dos respondentes são descrições das áreas cercando os restos de navio visados. Às vezes, os respondentes primeiro dão suas impressões como uma visão remota, sem referir à carta marítima. Frequentemente, são oferecidas descrições relativas a um sítio particular que o respondente marcou na carta marítima, e muitos dos respondentes marcaram múltiplas localizações. Claramente, essa avaliação poderia ser multi-dimensional, e facilmente poderia tornar-se muito complexa. Procurando um equilíbrio entre um nível aceitável de minuciosidade e simplicidade razoável para manipular, escolhemos uma abordagem de dois níveis. 

Um subconjunto das declarações foi especialmente codificado, e deve ser avaliado em relação à área primária de consenso – a abertura do canal da Baía de Santa Ana. Essas declarações são precedidas com um “C”, isso é, C<0020>. Na vasta maioria dos casos, estas declarações “C” são repetições do padrão das declarações codificadas, tais como <0020>, de modo que você está avaliando a mesma declaração duas vezes; uma vez relativa à zona de consenso, e uma vez para outra área. Os respondentes 1 & 3 têm só um local marcado fora da área de consenso, de modo que a questão de qual usar para avaliação deve estar clara. 

Para um exemplo, veja a carta marítima de R-1 (adendo ao documento TRANSCRIÇÕES). Ela tem duas marcas, uma na zona de consenso e uma segunda além do recife a oeste. A declaração <0020> “E há muitos escombros ao redor deles,” seria considerada como o segundo círculo, e C<0020> como o círculo na abertura do canal. 

Os respondentes 2,4,5,6,7, e 8 tem mais de uma marca fora da zona de consenso. Se estiver claro, pelo contexto, sobre qual marca se está falando, considere a declaração codificada padrão (não-“C”) nessa área. Se estiver ambíguo qual sítio corresponde à declaração, ou se as imagens de visão remota do local estão sendo oferecidas sem se referir a uma marca da carta marítima, usa os seguintes sítios designados para sua avaliação (cartas marítimas de referência — adendo ao documento TRANSCRIÇÕES): 

R-2: Círculo #2 na baía oriental; R-4: Marca na ilha de coral na baía oriental; R-5: A marcação no contorno da costa mostrando somente o nordeste de Santa Ana na carta marítima (na segunda das duas cartas marítimas marcadas de R-5); R-6: Segundo círculo IA logo além e a oeste da abertura do canal; R-7: sítio em terra perto de Nova Sevilha; R-8: círculo do “Navio 1” em recife perto do Buraco Azul. 

O retorno de Smith sobre o EFB fornece a avaliação da exatidão dos dados de Visão Remota em áreas onde uma análise estatística da probabilidade ou não era possível ou não era apropriada. 

RESULTADOS 

Localização: Dentro da Área de Busca de 4,35 milhas quadradas previamente definida pelo Diretor Arqueológico do INA, as pesquisas por magnetômetro, fotografia aérea, sonar perfilador de subfundo, e extração geológica, tinham sido pouco produtivas. A Visão Remota, antes e depois de as equipes da Mobius virem à Jamaica, selecionou, e então confirmou in locu, uma área de 1041 pés x 541 pés = 0,02 milhas quadradas como a área onde os achados seriam feitos. A descoberta de artefatos e restos de navio foi feita dentro das áreas preditas pela Visão Remota, e em nenhum outro lugar, embora áreas substanciais fora dos locais da Visão Remota tenham sido procuradas. Através da descrição e localização dos Observadores Remotos, um naufrágio previamente desconhecido foi achado na Área de Consenso I.

image

 A Carta Marítima de Campo Composta Máster sobreposta pela Carta Marítima do Documento de Avaliação e Retorno. A qualidade de registro levemente ruim é um artefato dos ângulos em que as duas imagens foram tomadas.

Ilustração Oito

Um observador também forneceu uma localização muito menor de um sítio que, com base no êxito inicial da Área de Consenso I, também foi vasculhada, com bons resultados. Dois outros pequenos sítios de um único observador foram improdutivos. Uma segunda Área de Consenso, por causa do tempo e das condições do mar, não foi vasculhada. A inspeção visual de mergulhadores foi a fonte que confirmou cada localização predita. Para calcular a probabilidade de selecionar esses locais pelo acaso dentro da Área de Busca, considere os achados informados como uma célula numa grade de 217 células semelhantes. A probabilidade de achar essa célula = p0.0046, o que fortemente sugere que o acaso não é uma explicação para os achados. O local muito menor de material no lado norte do recife além da baía, como predito por um Observador Remoto, seria, analogamente, ainda mais improvável. Alguns desses restos são de navios não identificados de um período posterior ao naufrágio de Colombo, mas muitos dos escombros não estão identificados, mesmo quanto ao período. Finalmente, por razões sem ligação com a Visão Remota, a identificação de Capitana e Santiago de Palos pode nunca ser realizada. Esses fragmentos, embora parapsicologicamente significativos, podem não ser capazes de responder de uma maneira absoluta à pergunta de onde as caravelas estão localizadas.

 image

 

Pedras de lastro na Área de Consenso 1

Ilustração Nove

Descrição e Reconstrução: Smith avaliou todas as 1012 passagens, dando avaliações de “Correta”, “Parcialmente Correta”, ou “Incorreta” a 445 desse número, ou 45 por cento do total. As 1012 passagens das transcrições das Entrevistas foram classificadas em 10 categorias que constituem a estrutura de título para a Separação pela seção de Passagem por Categoria. Os 10 títulos de categoria, e a subcategoria em que eles são constituídos, são mostrados na Tabela Um junto com as pontuações para: o número de passagens na categoria título (mostrada como #); número das que foram “Correta” (C); “Parcialmente Correta” (PC); “Incorreta” (IC); e “Não Avaliável” (NE). Deve ser lembrado que 191 passagens foram designadas a mais de uma categoria, para um total de 1203 passagens nesta tabela. 

ACURÁCIA POR CATEGORIA DO CONCEITO 

Nº. da Passagem

Corr.

Parc. Corr.

Incorr.

Não Aval.

 

CATEGORIA DAPASSAGEM

312

26

35

53

198

1. RESTOS

1.1 Madeira; 1.2 Metal; 1.3 Estrutura/Vigas/Casco/Mastro; 1.4 Porcentagem Intacta; 1.5 Escombros; 1.6 Esferas; 1.7 Formato/Forma; 1.8 Aparência Total (Localização);

1.9 Artefatos/Carregamento

178

48

46

23

61

2. CARACTERÍSTICAS DO FUNDO DO MAR

2.1 Fundo; 2.2 Saliência/Declive; 2.3 Depressão/Local Profundo; 2.4 Vida Marinha; 2.5 Correntes

52

9

9

2

32

3. SOBRECAMADA

3.1; Coral; 3.2 Areia; 3.3 Barro/Lodo

50

7

6

8

29

4. EVENTOS SUBSEQUENTES AO ABANDONO DO NAVIO

4.1 Tempestade/Furacão; 4.2 Fogo; 4.3 Movimentos de Terra (Sísmicos); 4.4 Movimentos da Água

148

39

27

15

67

5. POSICIONAMENTO DOS RESTOS DO NAVIO

5.1 Distância da Margem; 5.11 Subaquático/Subterrâneo; 5.12 Recife; 5.2 Tamanho do Sítio; 5.3 Profundidade; 5.31 Água clara; 5.32 Água Escura; 5.4 Distância Entre Navios

44

3

3

4

34

6. DIFERENCIAÇÃO DE DOIS NAVIOS

56

12

6

1

37

7. GEOLOGIA

7.1 Contorno da Costa; 7.2 Água Subterrânea; 7.3 Sal

87

30

23

15

19

8. ROGER SMITH, ARQUEÓLOGO

8.1 Descrição Física; 8.2 Outros Comentários

40

5

3

7

25

9. COMENTÁRIOS RE; PROJETO

9.1 Dificuldade/Facilidade; 9.2 Resultado

236

36

18

17

165

10. Outros e Comentários Diversos

1203

215

176

145

667

TOTAIS

Tabela Um

As Categorias das Passagens, como mostrado na Tabela Dois, podem ser ainda consideradas em termos de exatidão percentual. Dos 45 por cento dos dados que podiam ser avaliados, a acurácia total avaliando para todos os Respondentes e todas as passagens é 40 por cento “Correto”, 33 por cento “Parcialmente Correto”, 27 por cento “Incorreto”. A “Taxa de Acerto” (combinado “Correto” e “Parcialmente Correto”) é 73 por cento. 

Sob as 10 categorias, a categoria com a mais alta porcentagem de materiais avaliáveis diz respeito às “Características do Fundo do Mar,” em 66 por cento. A mais baixa é “Diferenciação de Dois Navios,” em 23 por cento. Deve-se ter em mente que há uma distorção inerente a essa porção dos dados porque a petição original de Smith focou em localização e material descritivo que pudessem ser usados para guiar a equipe de busca in locu. Inicialmente, houve muito menos interesse em dados reconstrutivos históricos. 

A seguir, como mostrado na Tabela Dois, os dados podem ser extraídos desde o desempenho coletivo aos resultados individuais por Observador Remoto. A “Taxa de Acerto” para cada um é: 

OBSERVADOR REMOTO

“TAXA DE ACERTO”

Porcentagem

R-1

89

R-2

65

R-3

76

R-4

57

R-5

86

R-6

67

R-7

71

R-8

67

Tabela 2

DISCUSSÃO

Uma comparação total das categorias de passagens revela que há padrões claros nos resultados. Sem exceção, as categorias que descrevem detalhes físicos específicos marcam índices mais altos de “acerto” que assuntos mais problemáticos, tais como predições sobre o resultado da experiência. É difícil inferir muito a partir disto, contudo. Este grupo de Observadores Remotos está particularmente envolvido com experiências padrão de Visão Remota em laboratório e, em um grau desconhecido, estão condicionados ao tipo de observações concretas que atendem às necessidades de avaliação por computador da lista descritiva. Também isso é só uma única experiência. Ainda, quanto mais concreto e imediato o alvo, mais detalhadas e exatas as imagens são. Acreditamos que se isso, mais que um artefato, pode refletir a questão da intenção. 

Construímos nossas experiências como se estivéssemos construindo um tipo de biocircuito em que cada indivíduo é um componente, e todos os participantes são ligados por sua intenção comum primeiramente em participar da experiência, e então em achar os navios. A ideia de um Efeito do Observador cada vez mais é discutida em disciplinas desde a Física à Medicina, mas a questão da intenção, e consciência intencionada – consciência dentro de um contexto paranormal – recebe pouca consideração. Estranho, uma vez que o Efeito do Observador é uma expressão da consciência intencionada, isto é, não somente consciência, mas consciência formada por propósito e emoção. 

Está além do escopo deste artigo, ou mesmo desta linha de pesquisa, mas acreditamos que o estudo da intenção seria uma linha muito produtiva de pesquisa laboratorial. 

Esta experiência também ilustra claramente porque esses tipos de experiência de Visão Remota são intrinsecamente interdisciplinares. Sem a ajuda de consultores especialistas, a linha de pesquisa comparando a Visão Remota e várias espécies de sensores remotos eletrônicos não teria sido possível. Essa é a nossa quarta experiência em que a Visão Remota produziu resultados, enquanto a prospecção eletrônica não. 

Qualquer um menos conhecedor que Smith sobre “Navios do Descobrimento” do século XVI não teria podido realizar o mesmo nível refinado de avaliação concernente à descrição e categorias de reconstrução. Pequenos detalhes, tais como a cor de um pedaço de ferragem metálica, que seria sem sentido a mesmo muitos arqueólogos, forneceram dados e informações do tipo de navio a Smith. Claramente, os discernimentos e habilidades que um avaliador traz à tarefa de julgar a exatidão da passagem são significativos, e qualitativamente críticos a uma experiência deste tipo. 

Por tudo isso, Smith só pode avaliar a exatidão de uma minoria do material proferido – 45 por cento. Cinqüenta e cinco por cento das passagens foram marcadas como “Não Avaliáveis”. Em parte isso é porque uns 55 por cento eram intrinsecamente intestáveis – pontos que dizem respeito a crenças pessoais, ou algum acontecimento trivial que a história não registra. Mas muito do “observado” simplesmente vai além da capacidade do estado atual da técnica arqueológica para ser avaliado. Há também a questão das exigências físicas impostas aos pesquisadores fazendo a procura subaquática. Detalhes específicos do fundo do mar, por exemplo, que poderiam estar corretos, talvez não foram descobertos porque vasculhar o fundo do mar em profundezas de até 80 pés é uma arte exigente e imperfeita, raramente verdadeiramente completa. 

Apesar dessas limitações, a avaliação desses dados é talvez a mais completa já realizada numa experiência triplo-cega aplicada desse tipo. É por causa dessa completude que dados reais podem ser usados para responder a questão da probabilidade a priori. 

A ideia de que os “acertos” vistos nesta experiência podem ser explicados com o argumento de que mergulhar em qualquer lugar teria produzido achados, ou que as descrições dos sensores remotos poderiam ter sido aplicadas em qualquer lugar na Baía de Santa Ana, ou que as reconstruções históricas eram somente “histórias do mar” gerais, não é apoiada pela evidência, ou pelos anos de procura do INA. O resultado é que observações com base somente em descrições talvez pareçam triviais, mas na verdade podem apresentar uma ordem muito baixa de probabilidade, quando consideradas dentro da limitada Área de Busca. Os exemplos desse entendimento podem ser vistos neste trecho da cópia anexa às notas de avaliação de Smith em itálico. 

5.12 Recife 

69 R-1: Aqui estou, de pé acima da água, observando desse modo e vendo somente um crescimento pequeno de terra acima da água, como uma ilha plana. [Smith: “Ilha plana, recife costeiro”] 70: Não montanhosa, nenhuma montanha. Plana, e surge desse modo e apenas se inclina muito elegantemente. Uma ilha baixa. [Smith: “Ilha baixa”] 72 E não é povoada absolutamente. [Smith: “Não povoada”] 73: É somente essa massa de terra marrom que surge para fora da água. Eu podia vê-la sob a água, também. Ela vai bem para o fundo. [Smith: “Marrom é a cor correta para um coral submerso”] 74: Sob a água. Vai… como descrevo isso? Eu podia vê-la acima da água, e posso vê-la no fundo da água descendo, profundo. É como uma montanha subaquática que surge um pouquinho acima da água… você pode ver parte da terra. Mas a maior parte disso é subaquático. [Smith: “Boa descrição do recife ou canal que se afasta”] 75: Não sei. Vejo uma massa grande de terra que é colada na água. 84: Uma ilha que retrocede… [Smith: “Maré baixa na ilha recife à esquerda”.] 87: ….e pássaros magrinhos aterrissam aí. Empoleiram-se nesta massa de terra baixa e plana… estes pássaros brancos com pés magrinhos e pernas altas. [Smith: “Garçotas brancas na grama em maré baixa”]. Descrições esquisitas, bons exemplos de Visão Remota. Vendo fora do contexto da localização específica marcada, esta descrição talvez pareça geral ao Caribe. No entanto, dentro do contexto de localização esta descrição visual é correta e rara na Baía de Santa Ana. Não há outro lugar onde ‘pássaros brancos com pernas magrinhas…’ (na verdade garçotas) aterrisem, nem com uma geografia combinada relativa tanto aos pássaros quanto à visão”. 

Isso também pode ser visto no material de reconstrução histórica: 

            4.3 MOVIMENTOS DE TERRA/SÍSMICOS 

12 R-1: E há algo sobre quase um movimento subaquático, quase como uma corrente subaquática que moveu tudo mais para longe do local onde estava originalmente. E isso não necessariamente afetou a terra; teve a ver com a característica da água onde houve uma mudança importante na água. [Smith: “Cinco maremotos em 6 horas, 1692”] 124: Para achar esse navio você tem que conhecer alguém que saiba muito sobre mudanças da terra…e o que acontece ao espaço do oceano quando se tem uma alteração na terra e você tem o navio embaixo do espaço, depois que a terra se moveu. Que tipo de pessoa seria essa? [Smith: “Mudanças na Terra 1692 e mudanças graduais. Um geólogo”]. 

127: Mas há algum tipo de mudança que aconteceu na terra aqui, em algum período de tempo nos 400 anos passados. [Smith: “Alterações de Terra”] 

515 R-4: Como isso deve ser… logo abaixo d’água. ..ou logo acima, às vezes, e abaixo outras vezes. [Smith: “Recife é alternadamente seco e molhado”] 

925 R-7: Na parte interna. Há algo que eles tinham colhido em outro lugar e levado para essa localização. Então eles já tinham feito uma parada em algum lugar ou para estoques, ou comércio, ou algo. Não sei o quê…o mesmo também com esse material. Não posso compreender o que aconteceu ao outro mastro e os outros dois terços do navio. Oh, eles encontravam-se juntos num fundo bastante arenoso e há algum tipo de atividade sísmica… [Smith: “Terremotos de atividade sísmica em 1692.”] 934: Isso é interessante, porque esta área aparentemente não é conhecida por atividade sísmica. Em algum lugar em 1650, grosseiramente, houve algum tipo de atividade sísmica nessa baía que… [Smith: “Terremotos 1692”] 935: Coisas mudaram. Deve ter mudado a geologia da ilha, também. O nível hidrostático, ou algo, mudou ao mesmo tempo. É daí que vem a camada de sal. Veja você, eu não podia entender por que a ilha não tinha sido destruída. Não fazia sentido para mim. [Smith: “Chão abriu, maremoto”] 

4.4. MOVIMENTOS DA ÁGUA 

12 R-1: E há algo sobre quase um movimento subaquático, quase como uma corrente subaquática que moveu tudo mais para longe do local onde estava originalmente. E isso não necessariamente afetou a terra; teve a ver com a característica da água onde houve uma mudança importante na água. [Smith: “Cinco maremotos em 6 horas, 1692”] 

344 R-3: … e tem a ver com o modo com que as correntes se movem por esta área. [Smith: “Correntes no canal voltam e avançam, para dentro e para fora”]           

Esta experiência com o Instituto para Arqueologia Náutica continua a comparação em longo prazo da multi-experiência da Mobius entre a Visão Remota e uma variedade de tecnologias de sensores remotos eletrônicos. Em cada exemplo, a Visão Remota se saiu muito melhor. Para citar apenas um exemplo, objetos ferrosos preditos específicos, inclusive o resto de uma âncora alojada na metade de cima do recife de coral na Área de Consenso 1, não tinham sido detectados durante o uso do sensor remoto eletrônico. Parece-nos que um estudo de comparação direta especificamente projetado – pois este estudo não foi – para medir semelhanças e diferenças entre os sensores remotos eletrônicos e a Visão Remota seria um esforço vantajoso. 

Embora esteja claro que a Visão Remota pode, e tem, obtido êxitos onde outras técnicas de procura falharam, continuamos a acreditar que o melhor meio de empregá-la é junto com outras tecnologias de pesquisa. Há uma sinergia que ocorre quando percepções sentidas pela Visão Remota são adicionadas à série de dados que tem um valor intrínseco. Os cenários de Visão Remota sugerem novas maneiras de olhar dados antigos, e abrem novos rumos de inquérito, bem à parte da exatidão real de quaisquer dados fornecidos. A Visão Remota alarga nosso campo de percepção, e produz um entendimento mais refinado de um sítio e dos artefatos que ele contém. 

A escolha dos locais feita pelos Observadores Remotos sugere algo sobre a fonte dos dados neste experimento. Se a telepatia fosse o meio pelo qual a informação fosse obtida, então os Observadores Remotos procurariam por Smith, e não pelos entrevistadores, como fonte de informação. Os entrevistadores nunca tinham estado na área, e sobre ela sabiam pouco mais do os próprios Observadores. Smith, ao contrário, era essencialmente único na sua riqueza de conhecimento sobre Colombo, caravelas, a quarta jornada de Colombo e a Baía de Santa Ana. Se Smith tivesse sido a fonte da informação, os Observadores Remotos haveriam marcado não o solo marinho, mas a margem da costa, pois esse era o local que ele fortemente favorecia. Durante toda a fase das cartas náuticas do experimento, e até um bom tempo durante o trabalho de campo, muito tempo depois de os dados dos Observadores Remotos terem sido fornecidos a Smith e aos outros do INA, os membros do time da Mobius souberam que o INA tinha estado explorando não o mar, mas um sítio em terra, que eles estavam convencidos ser mais provável. 

Como já notado, o cenário inteiro concernente à Área de Consenso 1 estava muito em desacordo com a análise do INA. Enquanto Smith podia entender as caravelas abandonadas sendo levadas para mar, em vez de estarem em terra como tinha pensado, não podia aceitar a ideia de que o material estava alojado no coral do recife de quebra-mar como predito pela Visão Remota. De fato, ele considerou a ideia tão improvável que, com exceção das pesquisas por sensores remotos eletrônicos, a Área de Consenso 1 nunca tinha sido procurada visualmente. 

A falta de experiência de Smith na Área de Consenso 1 adiciona uma segunda dimensão ao modelo não telepático. Como ele considerava a área tão improvável como um local de naufrágio, Smith sabia relativamente pouco especificamente sobre a área. Nesse sentido, como os entrevistadores, ele estava “cego” e não poderia ter sido a fonte telepática para as detalhadas observações dos Observadores Remotos. 

Em experiências de laboratório, fotografias são freqüentemente usadas como alvos, e há dúvidas quanto a se o observador vai ao alvo em si, ou à fotografia. Neste caso, Smith não tinha nenhuma fotografia. As descrições físicas de maré baixa, quando era maré baixa, também sugerem que o observador está em contato de alguma maneira com o local real. 

Aqueles familiares com a pesquisa de Visão Remota executada em vários laboratórios notarão que as percepções proferidas no Projeto Caravela são semelhantes em qualidade e estilo às vistas em outros protocolos de Visão Remota, inclusive os desenhos. Isso nos sugere que essas imagens estão continuamente disponíveis ao indivíduo, e que o que às traz à consciência é o foco intencionado. As perguntas guiam a intenção. 

Stanford ofereceu uma teoria de psi em 1974, conhecida como Psi-Mediated Instrumental Response (PMIR), que postula: 

Na presença de uma necessidade em particular, o organismo usa psi (PES), assim como os meios sensoriais, para vasculhar seu ambiente por objetos e acontecimentos relevantes a essa necessidade e por informações crucialmente relacionadas a tais objetos e acontecimentos.[5]

Nesse caso não havia nenhuma entrada sensória intelectual exceto uma carta marítima em branco, padrão. Mas havia uma “necessidade” forte por uma experiência bem-sucedida que se sustentasse até perante críticas não previstas quando as perguntas fossem feitas. Talvez isso seja porque vários indivíduos consensualmente selecionaram as mesmas improváveis áreas-alvo. 

As experiências de laboratório também produzem porcentagens de material que podem e que não podem ser avaliadas, assim como numa pesquisa aplicada. No entanto, os alvos são muito melhor definidos numa experiência laboratorial e, consequentemente, como esperado, mais dados devem ser avaliados. Esse é o caso aqui, embora sintamos que as porcentagens relativas são simétricas em ambos os exemplos. 

Targ, Puthoff, e May no SRI informaram: 

Análises das evidências transcritas de visão remota geradas por indivíduos experientes indicam que, para um dado local alvo, grosseiramente dois terços dos materiais gerados pelos indivíduos constituem uma descrição exata do local, enquanto cerca de um terço é ambíguo, generalista, ou incorreto.[6]

Como a Mobius, eles também observaram que: 

A redundância, onde mais de um individuo tenta obter dados num dado alvo, melhora a confiabilidade, reduzindo-se o efeito dos vieses de sujeitos individuais.[7]

 

Isso pode ser visto claramente considerando os três sítios de observadores únicos que foram explorados. Só um foi produtivo, em contraste com o aglomerado da Área de Consenso I. 

Finalmente, achamos que vale observar que esta experiência sugere que mesmo uma equipe arqueológica essencialmente cética pode trabalhar dentro do contexto parapsicológico, e que o resultado representa algo que nenhuma disciplina sozinha poderia ter realizado. Sem a Visão Remota os sítios não teriam sido achados. Sem a arqueologia náutica os dados de Visão Remota não poderiam ter sido analisados de maneira eficaz. 

TRABALHO DE CAMPO SUBSEQUENTE 

Em 1990-91, e outra vez, em 1995[8] a baía de Santa Ana foi repesquisada. No esforço de 1990-91, o Diretor do Projeto, James Parrent, “empregou uma combinação de dispositivos de sensores remotos para localizar os sítios de naufrágio enterrados na Baía de Santa Ana”.[9] Usando um aparelho de sonar ainda mais avançado que penetra o fundo do mar desenvolvido por Steven Shock da Florida Atlantic University e Lester LeBlanc da Rhode Island University, esse novo equipamento rebocável foi posto em varredura padronizada pela Baía, durante o curso de duas pesquisas conduzidas de outubro a novembro de 1990 e de junho a agosto de 1991. Essas pesquisas “graficamente exibem (iram) objetos abaixo do fundo do mar a uma profundidade de 36 pés”.[10] Uma pesquisa por magnetômetro marinho e uma por terrestre também foram conduzidas.[11] Os sítios também foram testados com sonda de aço cilíndrico. O resultado foi que 27 sítios foram identificados, e 11 locais foram selecionados para escavações de teste.[12]

Este trabalho achou mais materiais na Zona de Consenso I, assim como em vários locais selecionados por Observadores Remotos isolados, durante o curso do trabalho da Mobius anos antes. Uma avaliação bruta é tudo o que foi possível datar, mas já está claro que o material julgado por Smith como sendo “Não-avaliável” agora deve ser mudado para as categorias “Correto” e “Parcialmente Correto”. Vários sítios profundamente enterrados descritos pelos observadores, que estavam além do alcance da pesquisa de Smith, provaram ser descrições exatas do que foi achado. Ainda mais intrigante, os novos sítios correspondem com as localizações dadas pelos Observadores Remotos. 

O que não aconteceu, depois de toda essa pesquisa de campo, foi a descoberta clara das caravelas procuradas. Isso sugere que a reconstrução dos acontecimentos fornecidos pelos Observadores Remotos, dos navios sendo arrastados para o mar por um maremoto, ganha mais peso. As descrições mais a colocação da Zona de Consenso I no corte separando o recife de coral, exatamente onde se esperaria que o material levado para o mar estivesse alojado, agora parece apropriado. Nada na pesquisa de campo subsequente emergiu contradizendo a localização pela Visão Remota e os dados de reconstrução. 

Artigo originalmente publicado como: Schwartz, Stephan A.; Mattei, Randall J. De; Smith, Roger C. The Caraval Project: The Location, Description, and Reconstruction of Marine Sites Through Remote Viewing, Including a Comparison with Aerial Photography, Geologic Coring, and Eletronic Remote Sensing. 




i A Sociedade Mobius (correspondência) 

ii A Soecidade Mobius 

iii Instituto de Arqueologia Náutica

[1] Este sumário dos acontecimentos foi extraído de: Roger C. Smith. “The Voyages of Columbus: The Search for his Ships. Capítulo dois. In Ships and Shipwrecks of the Americas. Editado por George F. Bass (Thames & Hudson: Nova Iorque, 1988).

Também Donald G. Geddes III. “Archival Research: The Search for the Columbus Caravels at St. Ann’s Bay, Jamaica”. Pp. 148-151.

Também, John C. Neville, Robert S. Neyland, e M. de James. Parrent. “The Search for Columbus’ Last Ships: The 1991 Field Season”. Pp. 152-158. Os dois últimos ambos em Proceedings. Society for Historical Archaeology: Underwater Archaeology, 1991.

[2] J.F. Winne and J. W. Gittinger. “An Introduction to the Personality Assessment System.” Journal of Clinical Psychology. Monograph Supplement No. 38. April, 1973. 

[3] D. R. Saunders. PAS Fourth Dimension.. 2nd ed. MARS Measurement Associates, 1985. 

[4] S. A. Schwartz. Deep Quest: An Experiment in Deep Ocean Psychic Archaeology and Distant Viewing. Invited Paper. Annual Meetings of the Southwestern Anthropology Association/ the Association for Transpersonal Anthropology. March 1978.

_________________ Project Deep Quest: A Prototype Experiment in the Application of Intuitively Derived Data in Marine Archaeology. Invited Paper. American Society for Psychical Research. January 1979.

The Use of Intuitionally Derived Data in Archaeological Fieldwork. Annual Meeting of the Southwestern Anthropological Association/Association for Transpersonal Anthropology, 10 March 1980

_________________ with Side-scan Sonar Survey by Harold E. Edgerton. A Preliminary Survey of the Eastern Harbor, Alexandria, Egypt, Including a Comparison of Side San Sonar and Remote Viewing. Annual Meetings of the Society for Underwater Archaeology. 11 January 1980.

_________________ The Ecuador Project: Remote Viewing in the Location and Reconstruction of a Pre-Columbian Site in Ecuador. Mobius Technical Report, 1980.

_________________ The Location and Reconstruction of a Byzantine Structure in Marea, Egypt, Including a Comparison of Electronic Remote Sensing and Remote Viewing. Invited Paper. Annual Meetings of The American Research Center in Egypt. De Young Museum. 14 April 1980.

_________________ “Preliminary Report on a Prototype Applied Parapsychological Methodology for Utilization in Archaeology, with a Case Report.” Research in Parapsychology 1981, Eds. William G. Roll, Robert L Morris, and Rhea White (Scarecrow: Metuchen, N.J. & London, 1982). pp. 25-27.

_________________ “First Steps in Application Methodologies for Parapsychology”. Invited Paper. Proceedings: Symposium on Applications of Anomalous Phenomena. 30 November – 1 December 1983.

_________________ with Rand De Mattei and Marilyn Schlitz. The Pecos Project: Reconstruction of Life in a Southwestern Indian Village Along the Lower Pecos River, Circa 8th Century A.D. American Anthropology Association Annual Meetings 1984.

_________________ Remote Viewing: An Applications-Oriented Perspective for Anthropology”. Invited Paper in A Summary of Data and Theories from Parapsychology Relevant to Psychological Anthropology. 84th Annual Meeting American Anthropology Association. 1985. 

[5] Rex G. Stanford. “An Experimentally Testable Model for Spontaneous Psi Events.” In “I. Extrasensory Events.” Journal of the American Society for Psychical Research Vol. 68 (1974), pp. 34-57. 

[6] Russell Targ, Harold E. Puthoff, and Edwin C. May. “Direct Perception of Remote Geographical Locations.” in Mind at Large, Ed. Charles Tart. (Praeger: New York, 1978) Table 3.3, pp. 96-97 

[7] Loc Cit. 

[8] O artigo de 1995 não pôde ser obtido enquanto esse artigo estava sendo escrito, mas, igualmente, não localizou as caravelas.  

[9] Neville et al. Op Cit. 

[10] Ibid. 

[11] Ibid. 

[12] Neville et al. Op Cit.

13 respostas a “Outro Caso Fantástico na Arqueologia Náutica: O Projeto Caravela (1987)”

  1. Biasetto Diz:

    Vítor,
    Muito interessante este artigo também, mas confesso que não consegui lê-lo ao todo. Ando bem cansado, e a tela está me deixando com os “olhos vermelhos”. Acho que estou ficando velho!
    .
    É verdade é que se um dia você conseguir juntar tudo que tem no blog, alguns belos comentários que apareceram por aqui também, sem dúvida alguma, surgiria um livro muito, mas muito interessante.
    .
    Belo trabalho!

  2. Adriano Diz:

    Vitor,
    Achei bem interessante. Li, preciso ler de novo pois não fixei todos os detalhes. Uma dúvida, que tá tarde você pode me poupar trabalho de reler: dos 8 observadores, quantos marcaram a área de consenso 1? 3? (são 3 círculos ali). E desses 3, como chegaram naquela parte que seria 1 em 217? os círculos não tem parte em comum…não entendi bem como chegaram no local exato.

    EM todo caso, bem intrigante. Sou cético quando a visão remota mas esse caso é de uma evidência bem interessante.

  3. Carlos Diz:

    Alguns trechos do artigo que me pareceram relevantes:
    .
    1. A descoberta de artefatos e restos de navio foi feita dentro das áreas preditas pela Visão Remota, e em nenhum outro lugar, embora áreas substanciais fora dos locais da Visão Remota tenham sido procuradas.
    .
    2. Sem a Visão Remota os sítios não teriam sido achados. Sem a arqueologia náutica os dados de Visão Remota não poderiam ter sido analisados de maneira eficaz.
    .
    3. Construímos nossas experiências como se estivéssemos construindo um tipo de biocircuito em que cada indivíduo é um componente, e todos os participantes são ligados por sua intenção comum primeiramente em participar da experiência, e então em achar os navios.
    .
    Os autores sugerem que o ponto de partida para entender o fenômeno é a “intenção” comum a todos (sensitivos e pesquisadores). No entanto. eles não fornecem maiores detalhes de como uma coisa (intenção) se relaciona a outra (taxa de sucesso). Honestamente não sei onde eles querem chegar, mas também não vejo nada melhor (ou então pura coincidência, ou quem sabe o espírito de Cristovam Colombo andou visitando o pessoal!)

  4. Vitor Diz:

    Adriano,

    o 1 em 217 eles fizeram pegando a área de 4,35 milhas quadradas (definida pelo diretor arqueológico do INA) e dividindo pela área de 0,02 milhas quadradas (definida pela visão remota).

    É dito que “cada círculo ou X é um observador individual.” Assim, mais de 3 marcaram a área. Eu consigo ver pelo menos mais 2 xis.Acho que escolheram como ponto o xis dentro do círculo maior do retângulo vertical.

  5. Gilberto Diz:

    Artigos impressionantes, esses de visão remota! Oh! Espero que achem o corpo do Ulisses Guimarães, para citar o Padre Quevedo… Brincadeira, Vítor, um voto de confiança no sobrenatural pra você. Espero que um dia você pare de assistir os episódios antigos de Arquivo X e assista alguns do Californication. O ator é o mesmo…

  6. Biasetto Diz:

    Campanha PRÓ-VÍTOR NO PROGRAMA DO JÔ
    Acessem:
    .
    http://programadojo.globo.com/platb/programa/
    .
    SUGESTÃO DE PAUTA

  7. Biasetto Diz:

    Gilberto,
    O Ulisses Guimarães, já morreu há quase 20 anos!
    Não tem psicometria que resolva!
    A não ser que você consulte a Mãe Diná.

  8. Biasetto Diz:

    Arquivo X é legal, hein?
    Duro de engolir são as psicografias do Wágner Paixão.
    .
    Quero aproveitar o espaço, mesmo porque o pessoal some do blog em sábados e domingos, para corrigir uma injustiça que tenho cometido aqui. Sempre que faço alguma crítica à madiunidade dos “médiuns” brasileiros, incluindo o Chico – é este também entrou na minha lista negra -, falo:
    “E aí, os espíritas querem que…”
    É injusta esta generalização, OS ESPÍRITAS, porque tem muito espírita sábio e crítico, como o Carlos, por exemplo, que aceita “certas falhas” ou questionamentos.
    Além disso, eu mesmo continuo espírita – já que continuo acreditando na existência do espírito e até mesmo da possibilidade da psicografia. Nesta linha, penso que o Vítor e o Juliano, também pensam mais ou menos igual.
    E, como disse o Montalvão: o espíritismo não é o Chico!

  9. Biasetto Diz:

    * madiunidade = MEDIUNIDADE

  10. Gilberto Diz:

    MAD-UNIDADE

  11. Biasetto Diz:

    Repetindo um comentário que acabei de fazer no post anterior:
    .
    Gilberto,
    Ainda não cheguei a uma conclusão segura sobre o Chico, mas estou seguro, de que você é maluco!
    Obs.: um maluco legal!.
    .
    Aliás, é bonito falar “POST” – aprendi isto no blog, com os modernos …
    .
    Aqui, no interior, “poste” é onde fica a lâmpada da rua!

  12. Flávio Josefo Diz:

    Andei sumido, estava me recuperando do choque que foi descobrir que o Chico não psicografou coisa alguma!
    Vocês me convenceram.
    Fiquei um tempo no “limbo”. Bom, que não foram oito anos como o André Luiz.
    Um dia desses, entrei em um blog, onde há umas informações de que a cidade “Nosso Lar” progrediu muito, desde que o Chico psicografou o André Luiz. Agora, o aerobus mudou de nome: chama-se “aerocar”. É sério!

  13. Jonsu Vasq Diz:

    Fiquei fascinado pela psicometria, se bem que o nome psicometria é pouco pelo o que ela pode fazer… Assim, gostaria de, se possível, ser agraciado com artigos e/ou dicas de livros/vídeos/entrevistas e correlatos, que contenham relatos, os mais detalhados e variados possívies, no que concerne a atuação (médios afins) da psicpmetria em relação à arqueologia (… quem construiu, e por que: as pirâmides; a esfinge; Göbekli Tepe – ?anl?urfa – na Turquia; Ruinas de Puma Punku – na Bolívia; Mistério de Baalbek – Vale Bekaa – Líbano; os Moais na Ilha de Páscoa; Stonehenge – planície de Salisbury – na Inglaterra; Newgrange – Vale do Boyne – na Irlanda; A Fortaleza de Sacsayhuaman – Cusco – no Peru; Linhas de Nazca no sul do Peru; etc…
    Desde já agradeço,
    Fraternal Abraço,
    Jonsu Vasq.
    [email protected]

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