Nina Kulagina e Mirabelli: fim do mistério.

Por muito tempo a psíquica russa Nina Kulagina e o médium brasileiro Carlos Mirabelli foram considerados como genuínos na literatura psíquica. Entretanto, minha pesquisa revelou diversas fraudes cometidas por Mirabelli e o mesmo padrão para a realização de seus truques foi encontrado em Nina Kulagina, sugerindo fortemente que ela também fraudava.

                                                                                                                                    

Introdução 

O médium Carlos Mirabelli (1889 –1951) foi muito famoso no Brasil enquanto vivo, havendo muitas fotos de suas supostas materializações de espíritos e levitações. Parecia exibir alguns poderes psicocinéticos, extraindo lápis de garrafas, fazendo-o levitar, acendendo lâmpadas elétricas ou derrubando caveiras colocadas em cima de copos, entre outros. A única evidência de fraude até hoje encontrada havia sido por noticiada por Guy Lyon Playfair com relação à trucagem de uma foto que mostrava o médium aparentemente levitando, mas descobriu-se que ele na verdade estava em pé sobre uma escada que foi apagada. Entretanto, ao consultar a Biblioteca Nacional buscando notícias da época sobre o médium, encontrei um jornal de São Paulo chamado Correio Paulistano que realizou uma extensa investigação no histórico de Mirabelli e descobriu seus diversos ofícios (um deles em uma casa fotográfica), o modo como ele adquiria informações sobre os consulentes, a presença de um cúmplice e a forma como realizava seus truques de efeitos físicos. A vasta reportagem sobre Mirabelli começa no dia 18 de maio de 1916 e termina no dia 13 de julho de 1916, com matérias diárias, cobrindo centenas de páginas, o que torna impossível sua reprodução integral aqui. Posteriormente, comecei a estudar o caso de Nina Kulagina (1926-1990), e encontrei semelhanças tão grandes no modus operandi de ambos que uma mera coincidência não é uma explicação razoável. Assim, traçarei paralelos entre as atitudes de Mirabelli e da psíquica russa Nina Kulagina, com a explicação de diversos fenômenos realizados por ambos. Antes, porém, farei um resumo das descobertas do Correio Paulistano com relação a Mirabelli.

A investigação do Correio Paulistano 

Os jornalistas do Correio Paulistano descobriram que Mirabelli:

1)     trabalhou como cocheiro do Sr. Manuel Garela;

2)     como artista de um circo, acumulando as funções de palhaço e prestidigitador, viajou durante alguns anos conhecendo quase todo o interior paulista e mesmo parte de outros estados;

3)     era versado numa brochura intitulada “O Magnetismo e a Magia Moderna” e em um livro chamado “Magnetismo e alta magia”, tendo conhecido o prestidigitador Vicente Pacoé – em outra parte referido como Vicento Pacce – que o industriara nos primeiros passos da arte do ilusionismo;

4)     trabalhou como leiteiro do sr. João de Sousa;

5)     foi negociante, estabelecido com charutaria, o que lhe permitiu relação com avultado número de pessoas;

6)     foi caixeiro da casa Villaça;

7)     teve casa de artigos elétricos durante alguns anos, a qual fazia instalações e outros serviços daquele ramo de negócios;

8)     foi empregado da companhia de gás entre 1904-1905, andando de porta em porta por todo o estado de S. Paulo, reformando instalações, colocando camisetas nos bicos da iluminação a gás e chaminés de vidro;

9)     foi empregado em gabinete dentário;

10) fez trabalhos em fotografia. Isso foi confirmado décadas depois por Guy Lyon Playfair (1992) aparentemente de forma completamente independente – ou seja, sem conhecer as reportagens do Correio Paulistano – ao analisar uma foto de uma suposta levitação e descobrir fortes evidências de trucagem na foto.

11)  empregou-se então na Companhia de Calçados Clark, em 1913.

12)  trabalhou na Farmácia Queiróz, entendo abandonado o emprego em 1916.

13)  possuía um sócio que pedia dinheiro em seu lugar e lhe ajudava na realização dos truques de vidência ao se fazer passar por um funcionário da Light ou da Companhia de Gás, entrando na casa das pessoas e adquirindo informações;

14)  seus truques de movimentação de objetos a distância eram feitos com o auxílio de fios de cabelo em cuja ponta havia um pedacinho de cera. Este fio era preso em seu paletó.

15)  foi apanhado em fraude várias vezes, por pessoas que não apenas conseguiram ver o fio que ele usava, como sentiram o fio passar por entre seus próprios dedos.

Passarei agora a analisar o caso de Nina Kulagina. A hipótese de fraude por parte de Nina fica fortemente evidenciada quando voltamos nossa atenção para as situações em que ela fracassava. 

Os insucessos de Nina e Mirabelli 

Keil et alii (1976) informam:

“Kulagina não era bem-sucedida quando os objetos eram colocados no vácuo. O vácuo foi considerado como uma barreira (Kulagin, 1971; Sergeyev, I971b) mas junto com suas dificuldades em mover objetos em recipientes hermeticamente fechados é possível que o selo hermético seja o principal responsável pela redução substancial em seu êxito (Pratt e Keil, 1973). Kulagina era também incapaz de mudar a posição das folhas de um eletroscópio (Kulagin, 1971). Kulagina indicou que ela acha difícil, se não impossível, demonstrar PK durante tempo quente (Herbert, 1973). Ainda que as condições fossem geralmente favoráveis, tempestades ainda pareceram impedir suas capacidades. Sergeyev (1971a) mencionou que o nível de umidade também tem um peso no índice de êxito, altos níveis presumivelmente são prejudiciais. Os fracassos também ocorriam quando não havia nenhuma razão identificável para eles (Kulagin, 1971). Na evidência presente não parece possível excluir fatores psicológicos desfavoráveis como a causa de alguns ou todos estes fracassos.” 

O insucesso de Nina Kulagina em mover objetos colocados no vácuo ou hermeticamente selados, bem como quando estivessem úmidos, é simplesmente idêntico ao insucesso de Mirabelli em realizar seus prodígios em condições em que não podia tocar nos objetos ou caso estes estivessem molhados. E o motivo disso é muito simples: sem poder tocar no objeto, Mirabelli dificilmente conseguiria prender o fio de cabelo que usava com um pedacinho de cera na ponta para a realização de seus truques. A cera também não se fixava se o objeto estivesse molhado. Eu não acredito que isso possa ser mera coincidência, ainda mais se considerarmos outras coincidências menores entre Nina e Mirabelli: Nina demonstrava grande desgaste físico ao realizar suas demonstrações de telecinese, como perda de peso, aceleração dos batimentos cardíacos, entre outros fenômenos. Mirabelli também. Esses fenômenos fisiológicos – aceleração do pulso, taquicardia, rubor, suores abundantes, dificuldades respiratórias e mesmo estado febril – seriam apenas o resultado do medo em ser descoberto na trapaça, e não o desgaste necessário para realizar um fenômeno paranormal. Outro ponto em comum é que as sessões podiam durar horas, tudo dependendo da possibilidade de se fixar os fios nos objetos para a realização dos fenômenos.

Conclusão 

A hipótese de um fio ligado à roupa já havia sido sugerida pelo mágico James Randi, inclusive tendo ele feito um vídeo de menos de 2 minutos disponível no Youtube chamado “James Randi Exposes Telekinesis” em que reproduz perfeitamente os poderes telecinéticos de Nina. Vejam:

 

Randi explica que os fios estão na roupa de Nina. Tendo em vista as situações em que ela fracassava, esse hipótese ganha agora alto grau de confirmação.

Referências 

Correio Paulistano, de 18 de maio a 13 de julho de 1916.

GL Playfair, ‘Mirabelli and the phantom ladder’, JSPR, 58 (1992) pp. 201-3. 

H. H. J. Keil, Montague Ullman, Benson Herbert, J. G. Pratt. Directly Observable Voluntary Pk Effects:1 A Survey and Tentative Interpretation of Available Findings from Nina Kulagina and Other Known Related Cases of Recent Date. PSPR Volume 56, 1973-1982, pp. 197-235.

67 respostas a “Nina Kulagina e Mirabelli: fim do mistério.”

  1. Marcos Diz:

    Fim do mistério??? Acho que não. Eu vi um vídeo dela no YouTube que mostra ela falando quais Cartas de Zener estavam atrás dela. Você sabe onde está o relatório deste experimento? No mais, a parapsicologia reconhece Nina. Ela consegui mover objetos em uma caixa acrílica lacrada, como se explica isso? Os fios não explicam esta hipótese. Depois em um experimento, Nina conseguiu parar o coração de um sapo. Em outro, ocasionou um sério desconforto em um cientista cético, que duvida da sua capacidade.

    E acabei de ler que o Fábio considera Nina como uma parapsíquica legítima. Curioso…

  2. Fabio Diz:

    O fato do James Randi reproduzir um efeito paranormal não significa que ele não exista ou mesmo que Nina Kulagina usava o mesmo método para fraudar. Não esqueça que Nina Kulagina foi objeto de estudos por mais de 20 anos e nunca foi constatada nenhuma fraude. O problema desses paranormais falecidos eh que hoje só podemos ficar na especulação. Mas sim, eles poderiam ter fraudado.

  3. Marcos Diz:

    Realmente Fábio. Lógica de Randi, “Se A causa B, B só pode ser causado por A”. Isso nao prova fraude nenhuma. Não sei se vc já viu um programa chamado Fact or Faked. É a demonstração perfeita desta lógica causal, que não responde e falha na explicação de muitas coisas.

  4. Vitor Diz:

    Marcos,
    desconheço a existência de tal relatório. E sem relatório, podemos supor N coisas, como ela ter embaralhado as cartas, disposto na ordem que queria e entregue para o cientista. Foi isso que aconteceu? Não sei. Mas sem relatório, como saber? E não, a Parapsicologia NÃO reconhece Nina. Veja o que diz George P Hansen nesse artigo publicado no The Journal of the American Society for Psychical Research, Vol. 84, No. 1, January 1990,
    pp. 25-80. :
    .
    http://www.tricksterbook.com/ArticlesOnline/DeceptionBySubjects.html
    .
    ” In some cases, field studies are quasi-experimental, as in Western scientists’ observations of Kulagina (e.g., Keil, Herbert, Ullman, & Pratt, 1976). In this case, the subject was amenable to controls; however, the time available for experiments was very limited. It seems fair to say that the researchers were able to participate more in demonstrations rather than fully controlled experiments. [...] One must consider the likelihood that the researcher would catch a trick if it indeed occurred. For instance, Pratt and Keil (1973) observed Nina Kulagina and reported: “We never observed any behavior suggesting that Kulagina was preparing a trick” (p. 387). Haraldsson and Osis (1977) watched Sai Baba and reported: “We were not able to detect any evidence of fraud” (p. 40). In these cases, given other statements made in the reports, it seems quite clear (to a magician) that the observers had no such relevant expertise whatsoever. When scientists report their observations in professional journals (as were these), they imply that they have the technical competence to make the observations and the expertise to evaluate them. Failure to report the lack of such background is deceptive to the reader. In the case of Sai Baba, it can be noted that Christopher (1979, pp. 114–116) described a number of events suggesting trickery. [...] Keil and Fahler (1976) filmed the movement of objects near Nina Kulagina. They claimed that their case was strong; however, no commentary was provided by someone with a background in magic. The descriptions read very much like effects revealed in The New Invocation, a periodical devoted to weird and bizarre magic. “

  5. Marcos Arduin Diz:

    Ei, Vitor, lembrando o caso lá do Mirabelli com o Carlos Imbassahy, este último citou que garrafas de água para serem fluidificadas foram enchidas com água e colocadas sobre uma mesa.
    Afirma o Imbassahy que NINGUÉM se aproximara delas a não ser a criada, ou seja, Mirabelli não tinha como chegar até lá para prender o fio com o pedacinho de cera.
    Mesmo assim uma garrafa se levantou e bateu COM FORÇA nas outras (dá pra fazer esses movimentos com um fio preso com cera?).
    .
    Lembra-me de te-lo cobrado a respeito: você tentou prender um fio com cera numa garrafa de vidro com água e erguê-la? Conseguiu?

  6. Vitor Diz:

    Oi, Arduin
    não fiz o experimento, mas os repórteres do Correio Paulistano fizeram e refizeram diante de várias pessoas e não tenho motivo algum para duvidar da demonstração que eles fizeram, ou dos relatos dos acadêmicos de que viram e sentiram os fios, e mesmo pegaram o Mirabelli em flagrante (como a série de reportagens do Correio mostra). E o relato do Imbassahy não foi escrito no momento em que aconteceu, ficando sujeito a falhas de memória, mais especificamente ao chamado *embelezamento*. De fato, sabemos que um embelezamento da história aconteceu, já que o Imbassahy pai conta a história assim:
    .
    “Imediatamente, à vista de todos, UMA das garrafas levantou-se a meia altura das outras e bateu nelas com toda força, repinicando por espaço de uns cinco a dez segundos, depois do que VOLTOU A OCUPAR O SEU LUGAR. Chegamos a pensar que elas se tivessem rachado.”
    .
    E o Imbassahy filho, no livro “Os fantasmas se divertem”, conta a história assim:
    .
    “Nesse momento DUAS das garrafas ergueram-se ao ar, tocaram-se em pleno vôo, INVERTERAM de posi­ção e tornaram a pousar estrondosamente na mesa.”
    .
    Temos duas contradições aqui. Um diz que foi só uma garrafa e que ela voltou pro lugar. O outro diz que foram duas garrafas e que elas trocaram de lugar. Quanto mais o tempo passa, mais a história fica fantástica.
    .
    Assim possuo grande convicção que a memória do Imbassahy pregou-lhe uma peça, e que o Mirabelli tocou sim em pelo menos uma garrafa podendo colocar o fio.

  7. Contra o Chiquismo Diz:

    To mesmo é com saudades dos posts detonando o CX…

  8. Marcos Diz:

    Vitor, a Parapsicologia Russa reconhece sim a Nina.

  9. Sergio Moreira Diz:

    E quando vão começar a detona o WV ? aproveita que ele ainda ta vivo.

  10. Vitor Diz:

    Marcos,
    não existe a Parapsicologia russa séria. Seria o mesmo que considerar um Quevedo um parapsicólogo de respeito. Diga-me nomes de cientistas russos filiados à Parapsychological Association.

  11. Marcos Diz:

    Poderia me dizer o motivo de considerar a Parapsicologia Russa motivo de piada?

  12. Marcos Diz:

    Dá uma olhada:

    http://psycnet.apa.org/psycinfo/1973-20106-001

    E o interessante este relataório onde Nina falha, teoricamente pelo clima quente, entretanto, o próprio autor afirma que ela conseguiu produzir uma sensação de choque em seu braço. Como é possível?

  13. Marcos Diz:

    Quero entender também como Nina conseguia movimentar uma bola de ping-pong em uma caixa de acrílico lacrada. Se puder refutar aquilo que apresentar, darei-me por convencido. Caso contrário, serão apenas palavras.

  14. Vitor Diz:

    Marcos,
    Na Rússia a Ciência sempre sofreu muita influência do governo. Stalin, por exemplo, expulsou a genética mendeliana da Rússia mas não pôde afetá-la no Ocidente. Não é questão de ser motivo de piada, mas de desconfiança.
    .
    E sensações de choque podem ser produzidas por sugestão. Você encontra exemplos bem mais bizarros em hipnose, e nada há de paranormal nisso.

  15. Vitor Diz:

    Marcos,
    ela já tinha tocado na bola de ping pong e posto o fio. Assim ela pôde mexer, mesmo com a caixa fechada, o fio é fino o suficiente para isso. Se acha que não, diga em que parte os autores afirmam ter impedido que Nina tocasse na bola de ping-pong.

  16. Marcos Diz:

    É verdade que sensações de choque podem ser produzidas por sugestão. Não tinha pensado nisso! Porém, mesmo que eu tentasse, jamais conseguiria produzir isso em algum cientista. Não é tão simples assim. Mas Vitor, e o caso onde ela conseguiu parar o coração de um sapo? No caso das Cartas de Zener, elas estavam atrás dela, além de conseguir identificá-las de olhos fechados, ela soube dizer uma série de números, corretamente, da mesma forma. No caso dos fios, essa hipótese parece não explicar o caso, pois Nina conseguia mover objetos imediatamente depois que eram colocados à sua frente. Em que momento ela teria colocado os fios?

    Além disso, pode me explicar como Nina produzia calor, registrado por máquinas?

  17. Vitor Diz:

    Marcos,
    os objetos são mostrados para nós aparentemente como tendo sido imediatamente colocados na frente dela, mas não foi assim que se passou. Ela já havia tocado nos objetos. E sobre as cartas zener, mais uma vez, sem um relatório publicado não se pode dizer nada. Ou até pode-se dizer que como um relatório não foi publicado, provavelmente não atendeu aos critérios do rigor científico. Alguns cientistas também podem ter sido obrigados pelo governo soviético a criar o mito de Nina para causar temor nos EUA,e aí você encontra esses vídeos de cartas zener, de quase matar um cientista e lendas de parar o coração de um sapo, etc.
    .
    Veja esses fatos na Rússia, por exemplo:
    .
    “A dependência da Ciência em relação à economia é igualmente evidente na União Soviética. Em 1917, os bolchevistas conquistaram o controle de um país relativamente subdesenvolvido. Compreenderam que para construir o socialismo, tinham que transformar uma sociedade predominantemente camponesa numa sociedade industrial. Como disse Lênin, “a eletrificação precede o socialismo”. Desde o começo, os líderes revolucionários procuraram submeter a Ciência às necessidades militares e eco¬nômicas. Em 1929, Stalin colocou a Ciência a serviço da teoria marxista. A verdade de uma teoria científica, declarou ele, reside em suas conseqüências econômicas; a Ciência desenvolve-se em resposta a necessidades econômicas. O Comitê Central do Partido foi investido da responsabilidade suprema pelo desenvolvimento da Ciência e sob a liderança de Stalin o Comitê adotou a genética de Trofim Lysenko.
    Lysenko prometeu que revolucionaria a agricultura russa, a qual estava terrivelmente atrasada. Rejeitando redondamente a concepção neodarwinista de que as características adquiridas nunca são herdadas e a prática ocidental da hibridação (o cruzamento de duas estirpes existentes), ele sustentou que as influências ambientais podem, por si mesmas, alterar os genes de culturas para produzir variações superiores. O trigo de primavera, por exemplo, com elevado conteúdo de proteína e baixa resistência ao frio, podia ser “transformado” por condicionamento ambiental em trigo de inverno, que tem as características opostas. Brotos de trigo de primavera foram expostos a temperaturas baixas, depois plantados e colhidos. Sem rebentos foram então semeados no outono, à semelhança do trigo de inverno; 99% morreram mas, segundo Lysenko, os que sobrevive¬ram eram física e geneticamente diferentes dos seus predecessores. Tinham-se convertido em trigo de inverno, com elevado conteúdo de proteína e capaz, disse ele, de transmitir esse conteúdo à geração seguinte.
    A tese de Lysenko nunca foi confirmada, mas ajustava-se bem à doutrina comunista de perfectibilidade humana num estado socialista e, por conseguinte, tornou-se a linha oficial. Embora o lysenkoísmo fosse um desastre para a ciência e a agricultura soviéticas, permitiu-se que seu autor dominasse a genética durante mais de duas décadas: somente foi demitido após a queda de Krushev, em 1965, quando seu trabalho foi denunciado como uma escandalosa fraude por uma comissão de eminentes cientistas soviéticos. Onze anos depois, Lysenko morreu em relativa obscuridade. Entretanto, suas idéias ainda persistiriam. No Instituto de Pesquisa de Seleção e Cultura de Trigo de Mironovka, elas estão sendo discretamente postas em prática e talvez estejam fadadas a uma ressurreição nacional (Los Angeles Times, 5 de dezembro de 1977).
    Uma outra baixa da ciência stalinista foi o Instituto Médico-Genético de Moscou. Num estudo das influências da hereditariedade e do meio ambiente, o instituto tinha colocado 1.000 pares de gêmeos idênticos em ambientes selecionados. Os resultados favoreceram fortemente a heredita¬riedade. Furioso com essa afronta à doutrina do Partido, Stalin aboliu o instituto e mandou fuzilar o seu diretor.
    Hoje, a comunidade científica na União Soviética é reconhecida como juiz final da verdade científica, mas os cientistas soviéticos ainda são solicitados a aderir ao materialismo dialético marxista. A nova Constituição Soviética (1977) garante a liberdade de investigação, desde que os re¬sultados não ameacem o Estado. “

  18. Marcos Diz:

    Uma dúvida: se ela havia tocado nos objetos, como os cientistas não teriam percebido qualquer espécie de fio preso a eles? Estranho.

    E a história do sapo é mentira então?

  19. Vitor Diz:

    Marcos,
    no caso de Mirabelli, alguns percebiam, mas consideravam ser parte da “essência fluídica” do médium. Mas só alguns sentiam.
    O caso do sapo provavelmente é mentira. Ou Nina deu um jeito de matá-lo sem que percebessem. Enfim, sem relatórios publicados, não dá para dizer muita coisa.

  20. Marcos Diz:

    Entendo, mas se tem uma coisa que eu não suporto é esse mistério em cima do caso! Me dá uma raiva. Fica tudo muito obscuro, passível de crendices e suposições.

  21. Sergio Moreira Diz:

    “Alguns cientistas também podem ter sido obrigados pelo governo soviético a criar o mito de Nina para causar temor nos EUA,e aí você encontra esses vídeos de cartas zener, de quase matar um cientista e lendas de parar o coração de um sapo, etc..”

    Vou ter de concordar. Veja o ex. dos Alemães e os “Discos voadores”. Tudo pra intimidar. Discos voadores numa época em que o próprio transistor nem existia.

  22. Fabio Diz:

    Eu acho gozado quando alguém faz deduções por conta de um relato querendo desmistificar mais de 20 anos de pesquisa…..

  23. Toffo Diz:

    Sobre Nina eu não sei nada. Sobre Mirabelli eu sei que ele andou metido naquelas famosas sessões de Santana, na década de 1940. Ele era bem conhecido, mas pelo que sei seu conceito hoje está abaixo de fiofó de cobra. Ele morreu atropelado na Av. Nova Cantareira, justamente na região de Santana.

  24. Toffo Diz:

    Eu cheguei a ver a famosa foto em que ele supostamente levita, mas pela informação aqui de que a foto foi manipulada, creio que é verdade.

  25. Antonio G. - POA Diz:

    A vida não é fácil para um pobre cético… O rol dos “falcatruas” é muito extenso. Tem “fenômenos indiscutíveis” para todos os gostos. Basta um ser desmascarado que os crentes logo apresentam outro, dizendo: ´”-Tá bom. Mas e este aqui, hein, hein?”
    A que mais aparece nestas horas é a Piper. Aquela nascida na metade dos anos 1800. Muito conveniente ser coisa tão distante no tempo… Fica difícil de discutir. E não aparece nada mais recente. Claro, tem a Ederlazil…

  26. Toffo Diz:

    Bem, vocês falaram em Rússia… realmente, o R dos Brics está pari passu com esta Botocúndia em matéria de falcatrua e corrupção. Aliás, acho que é até pior. Russo tem fama de picareta, e não sou eu que digo isso. Putin que o diga!

  27. Sergio Moreira Diz:

    De um lado temos casos fantásticos que desafiam o bom senso a ponto de serem irritantes. Do outro lado temos a Mãe Ciência puxando a nossa orelha dizendo “Não faça vistas grossas, não ria, um homem da ciência sempre bota fé mesmo que parece absurdo” . Os crentes que não gostam da ciência sempre usam isso contra os céticos.

  28. Rafael Maia Diz:

    Isso é verdade fábio. Infelismente isso é comum aqui. As vezes, os pesquisadores dedicam anos a pesquisa, juntam inúmeras informações mas chega sempre alguns comentaristas blogueiros e dizem apenas que “isso não vale” sem qualquer fundamento ou fazem pior dizendo que o pesquisador esta errado porque “desde de criança tem essa concepção da vida” ou então com base nas suas leituras de jornais aos sábado e domingo o fazem saber muito mais que os pesquisadores.

    Outros dizem que dados estatísticos coletados por especialistas também não tem valor, porque simplismente não é isso que eles vêem no dia dia de suas vidas.

    Esse tipo de situação me lembra os torcedores fanáticos do são paulo futebol clube que uma vez tiver oportunidade de estar junto a eles e assistir a um determinado jogo. Um deles com uma barriga do tamanho de um caminhão insistia em dizer que se tivesse lá no campo não teria perdido a oportunidade de marcar o gol que o luiz fabiano perdeu, jogador do são paulo na época.

    Claro, ele ignorou o fato do luiz fabiano ser um atleta profissional, viver jogando futebol e correr 12km por dia.

    Chega a ser engraçado realmente.

  29. Antonio G. - POA Diz:

    É comum confundirem “pesquisador” com “especulador apaixonado por determinada causa”…
    Pesquisar cientificamente é diferente de passar anos cavando “evidências” que corroborem uma crença. Não é o tempo dedicado a um determinado assunto que garante a legitimidade das conclusões. Método e isenção são muito mais importantes do que o tempo dispendido.

  30. Antonio G. - POA Diz:

    desculpem: é despendido, com “e”.

  31. Raphael Diz:

    Vitor, cheguei ao site pela indicação de um amigo e achei muito interessante.
    Queria parabenizá-lo pelo trabalho de resgate de material e divulgação na internet, porque isso aumenta o alcance da discussão. E creio que a discussão é a melhor ferramenta para testarmos nossas convicções.

    Sendo assim, gostaria de contribuir também com algumas observações sobre seu artigo. Eu não conheço em profundidade os médiuns que você cita nesta matéria. Só ouvi algumas coisas sobre o Mirabelli, então me baseio somente nos argumentos que constam na sua matéria. Sobre a Nina eu não sei nada.

    Artigo do Vitor:
    1) “O insucesso de Nina Kulagina em mover objetos colocados no vácuo ou hermeticamente selados, bem como quando estivessem úmidos, é simplesmente idêntico ao insucesso de Mirabelli (…)
    Eu não acredito que isso possa ser mera coincidência (…)”.
    Não concordo. Isso pode ser, sim, mera coincidência. Eles podem usar métodos de prestidigitação diferentes que não funcionem em determinadas condições. E neste caso, seria uma coincidência. Ou, sendo mais ousado, Nina poderia realmente gerar o fenômeno, e sua habilidade seria influenciada por estas condições. Então não podemos afirmar nada, já que não entendemos essa habilidade.

    2) “Esses fenômenos fisiológicos – aceleração do pulso, taquicardia, rubor, suores abundantes, dificuldades respiratórias e mesmo estado febril – seriam apenas o resultado do medo em ser descoberto na trapaça (…).”
    Qualquer atividade que ative a resposta do sistema autônomo simpático do organismo poderia desencadear esses sintomas. Tanto medo quanto a paixão fazem disparar estes “sintomas”. Por que descartar então que uma habilidade, sobre a qual nada conhecemos, pode fazer isso? Acho muito forte afirmar que é medo, sem ter outros detalhes. Mas achei a ideia de medo muito interessante! Vc saberia dizer mais sobre essa perda de peso?

    Quanto aos comentários:
    1) “O caso do sapo provavelmente é mentira.” (Vitor)
    Por quê? Acho que simplesmente não podemos afirmar nada. Nem que é mentira, nem que é verdade, se não conhecemos a história direito.

    2)”Eu acho gozado quando alguém faz deduções por conta de um relato querendo desmistificar mais de 20 anos de pesquisa….” (Fábio)
    “Isso é verdade fábio. Infelismente isso é comum aqui. As vezes, os pesquisadores dedicam anos a pesquisa, juntam inúmeras informações mas chega sempre alguns comentaristas blogueiros e dizem apenas que “isso não vale”” (Rafael Maia)
    Descordo. Se o trabalho não for bem feito, não tem nenhum problema em criticá-lo e apontar falhas. Inclusive esse é o melhor jeito de tentar melhorar.
    E não é só porque o cara é cientista que devemos aceitar o que ele fala. Isso é um erro grave. Acho que o máximo que podemos fazer é entender que o cientista tem um filtro um pouco melhor para falar de um assunto que ele tenha estudado. Isso não elimina se fazer uma análise racional do que ele diz para ver se não há erros.

    3) Achei muito sagaz o comentário sobre a influência política no contexto em que os experimentos são feitos.

  32. Vitor Diz:

    Obrigado, Raphael. A Nina perdia cerca de 1 kg após cada sessão. Isso não é muito. Até porque cada sessão podia durar horas… um jogador de futebol após uma partida de 1 hora e meia pode perder até uns 3 ou mesmo 4 kg…

  33. Raphael Diz:

    1kg!!!!
    Dei uma procurada na internet e achei um artigo (dialnet.unirioja.es/servlet/fichero_articulo?codigo=2944655) sobre a perda de peso em jogadores de futebol: média de 1,8 kg por partida. Apesar de a partida durar 1h30 ainda existem os acréscimo e aquecimentos.
    Eu estou impressionado! Estamos dizendo que um médium que fica sentado ou em pé e, pela prestidigitação ou por uma capacidade intrínseca, produz fenômenos que o faz perder metade do que perde um jogador de futebol que corre uns 9km em média (http://www.unifesp.br/centros/cemafe/Artigos/Artigo4.htm). Tem alguma coisa esquisita.
    Pra mim não é normal… Mesmo que as sessões durem horas. Eu fico sentado por horas às vezes na frente do computador e mesmo sem comer nada eu não perco nem perto disso de massa.

  34. Sergio Moreira Diz:

    Olha como uma pessoa sua quando esta pra ser descoberta:
    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=OTVWMY8EZCA

  35. Marcos Arduin Diz:

    “não fiz o experimento, mas os repórteres do Correio Paulistano fizeram e refizeram diante de várias pessoas e não tenho motivo algum para duvidar da demonstração que eles fizeram”
    _ Opa, havia me esquecido que dei pitaco neste tópico…
    Sabe, Vitor, já não me impressiona mais a desusada credulidade cética. Está claro que o pessoal cético é daquele que têm mentalidade religiosa e cheia de muita fé, conforme posso ver pelo seu escrito acima.
    Então você não vê motivos para duvidar do que disseram os repórteres do Correio Paulistano… Pois é, o pessoal cético também não vê motivos para duvidar de Jules Bois, de Paul Heuzé, do Sr ou Sra Marsault, ou do Philippe Davi (ou David ou Davis) exatamente porque esse pessoal todo aí disseram ter obtido confissões de fraudes por parte dos médiuns. Certamente eles nunca poderiam mentir…
    .
    Pedi-lhe uma coisa simples: pegue um pouquinho de cera de encerar o chão, dessas aí que se vende nos supermercados, passe um pouco num fio de linha e encoste-a numa garrafa de vidro cheia de água e tente erguê-la. Tá… talvez não seja esta a cera que Mirabelli usou, talvez fosse cera de abelha, mas veja lá se consegue fazer tudo isso numa boa e, melhor ainda, sem que NINGUÉM note nada de estranho e sem chegar nem perto da garrafa.
    .
    “Assim possuo grande convicção que a memória do Imbassahy pregou-lhe uma peça, e que o Mirabelli tocou sim em pelo menos uma garrafa podendo colocar o fio.”
    _ Não sei QUANTO tempo se passou desde o evento até o momento em que o Imbassahy escreveu o livro (ele foi editado em 1935), já o filho dele escreveu o seu muito depois disso. De qualquer forma, ele salienta que ninguém se aproximara das garrafas exceto a criada. Será que ele ia colocar essa ênfase se, ao contrário, Mirabelli houvesse mesmo chegado lá e segurado alguma delas?
    .
    Como se vê, no verdadeiro ceticismo, pega-se os argumentos mais agradáveis…

  36. Vitor Diz:

    Arduin,
    diferentemente de Jules Bois, de Paul Heuzé, do Sr ou Sra Marsault, ou do Philippe Davi, os repórteres do Correio Paulistano DEMONSTRARAM que conseguiam repetir com perfeição – ou perfeição até maior – PERANTE VASTO NÚMERO DE PESSOAS, que deram o seu depoimento de que o que os repórteres fizeram era IDÊNTICO. É IMPOSSÍVEL os repórteres terem inventado isso tudo sem serem denunciados – diferentemente das pessoas que você citou acima, que só possui como testemunhas elas próprias.
    E sim, o Imbassahy ia dar essa ênfase toda sim, justamente porque isso é uma falha de memória, e as pessoas falam com convicção, mesmo estando erradas. Há vários casos assim.

  37. Marcos Arduin Diz:

    Admito, Vitor, que precisaria ler o que os caras do Correio Paulistano fizeram, contudo, do que você me informou, seria o caso de um fio de linha preso com cera a uma garrafa cheia de água. Isso estou achando estranho, pois quanto pesaria esta garrafa cheia de água? Quanto o fio de linha aguentaria sem se arrebentar e, principalmente, como essa cera seguraria o fio aderido à garrafa? O mais provável é que o fio deslizasse pela cera ao se tentar erguê-la a garrafa. Teria de ser uma araldite, superbond ou durepox para segura esse fio de linha na garrafa.
    Entende qual é a minha dúvida? É por isso que lhe perguntei se você, que acha válido o que é declarado, experimentou a dita cuja hipótese.

  38. Vitor Diz:

    Arduin,
    não sabemos nem o tamanho da(s) garrafa(s), nem quanto passara(m) a pesar com a água. O caso é muito mal documentado. De repente as garrafas eram pequenininhas, não temos fotos ou coisa que estimule uma replicação mais precisa.

  39. Marcos Arduin Diz:

    Vitor
    Como eu admito, ainda não li o que se postou por aqui sobre o Mirabelli, mas veja bem uma coisa: se os caras “descobriram” esses truques apenas simulando coisas parecidas, então eles NÃO DESCOBRIRAM NADA.
    Por acaso eles pegaram o Mirabelli em flagrante de fraude, fazendo as coisas como eles supunham que ele fazia?
    .
    Se isso não foi feito, então é como um truque eu ensinei a um conhecido para fazer água virar vinho. Deu certo, o pessoal até acreditou no que viu, mas certamente não foi assim que Cristo fez lá no casamento do Caná…

  40. Vitor Diz:

    Oi, Arduin
    vários acadêmicos deram seus depoimentos de terem pego o Mirabelli em fraude. Isso tem nas reportagens transcritas. Os próprios repórteres acharam o fio que o Mirabelli usava após uma sessão.

  41. Marcos Arduin Diz:

    Que acadêmicos? Fizeram eles experimentos controlados, revistando o Mirabelli antes, durante e depois das sessões? Deram seus depoimentos onde? Bem, o Imbassahy mesmo disse ter dúvidas inicialmente, pois pessoas de sua confiança diziam que Mirabelli era uma burla, enquanto que outros, também de muita confiança, autenticavam o cara.
    .
    Acharam o fio APÓS A SESSÃO? Deram eles uma de repórteres do Cruzeiro? Por que não acharam o fio DURANTE a sessão e aí desmontavam a farsa na cara do cara e de várias outras testemunhas? Por que será que esse pessoal cético só gosta de fazer serviços meia boca?

  42. Vitor Diz:

    Arduin,
    quando os repórteres revistavam o Mirabelli, ele não produzia fenômeno algum. E o Mirabelli não deixava os céticos se aproximarem para darem o flagrante, porque ele dizia que era preciso estabelecer uma corrente, com todos dando as mãos. Assim ficavam impossibilitados de darem o flagrante, e a descoberta de truque só podia se dar após a sessão mesmo.

  43. Marcos Arduin Diz:

    Ah! Então quando REVISTADO, Mirabelli nada fazia? Suponho que foi porque durante a revista foi encontrada a aparelhagem de fraude… Ou será que ninguém imaginou algo assim: pouco antes da sessão começar, então dessem uma de desconfiados:
    _ Ei, seu Mirabelli, será que poderíamos fazer-lhe uma revista rápida?
    Se ele já tinha escondido as coisas na roupa, agora seria tarde para retirar e esconder em outro lugar…
    .
    Estabelecer uma “corrente” com todos dando as mãos… E os repórteres não poderiam, um deles, fingir estar na corrente e durante, o processo em que a fraude acontecia, se afastar para e examinar pra ver se havia mesmo fio fazendo garrafas cheias dágua levitarem-se?
    .
    Mas não adianta… Sempre tem uma desculpa. Agora não sabemos qual era o tamanho e peso das ditas garrafas… Exigem que eu creia por fé que é possível com um fio de linha coladinho com cera fria erguer as ditas garrafas. Nossa! Tudo parece tão simples assim falando…

  44. Vitor Diz:

    Oi, Arduin
    é facílimo se livrar dos fios, o Mirabelli só os jogava no chão e pronto. Ele não os escondia nesses casos. Se pedissem por uma revista rápida, ele se livraria facilmente, e não produziria fenômeno algum.
    .
    Abaixo seguem os relatórios de algumas das vezes em que Mirabelli foi pego em flagrante:
    .
    “O talentoso jovem sr. Evandro Silveira, acadêmico de direito e filho do brilhante literato dr. Valdomiro Silveira, teve ocasião de presenciar várias sessões do sr. Carlos Mirabelli. Desconfiado, porém, não se prontificou a acreditar nos fenômenos surpreendentes. E foi dominado pelo desejo de não se deixar ludibriar que o jovem resolveu comparecer, há tempos, a uma sessão do EX-MÉDIUM, em casa de uma pessoa de suas relações. O que viu e constatou vai abaixo, em palestra que nos concedeu:

    – O sr. Mirabelli embirrou comigo desde a primeira vez que me viu. Dizia sempre que eu era “fluido contrário”, e assim não consentia que eu assistisse às suas sessões. Uma vez, em casa de um amigo de meu avô dr. João Silveira, o sr. Mirabelli, pondo de lado os seus preconceitos de não me deixar vê-lo trabalhar, consentiu que eu fosse testemunha do que ele chama “os seus fenômenos”. Levou-me para um quarto da casa, e aí me disse que virasse as costas para o lado contrário em que ele se achava. Enquanto permanecia nessa posição, o “homem misterioso” colocou uma cadeira na ponta de uma mesa e depois, virando-se, exclamou: – “Já vem, já vem…” Referia-se ao espírito de meu tio Brenno Silveira, que dizia estar presente.
    E Carlos Mirabelli, o nosso “herói”, começou a dar pulos, mas pulos desesperados, assim como se virasse em caboclo e, ainda inexperiente, tentasse dançar num fandango. Irra! Fiquei encafifado! Um homem assim a pular, a pular! Não era sem motivo a minha admiração. Mas esta se tornou ainda maior quando Mirabelli, continuando com os seus pulos, gritou: – “Veja, a cadeira vai cair…”
    – “Coisa espantosa!” – diziam os crédulos mirabellicos; uma cadeira cair assim, sem mais nem menos”.
    Eu, porém, é que não concordei com o “negócio”. Pois como é que a cadeira não havia de cair, se estava colocada bem na ponta da mesa, e o homem, com os seus saltos, sacudia toda a casa?
    Protestei logo. Disse-lhe que aquilo nada era, nada provava. Isso me grangeou mais um pouco a inimizade de Mirabelli, que esbravejou, chamou-me de incrédulo, de criança, afirmando ter eu fluido contrário e uma porção de coisas mais, de que nem me lembro.
    Não sei o que me diria se soubesse que, certa vez, quando ele tentava realizar uma sessão em casa do dr. Leopoldo Ferreira, à rua da Liberdade, e que estava eu presente, fiz uma descoberta, que não lhe agradaria nada: VI, NA PONTA INFERIOR DO SEU PALETÓ, NA FRENTE, UM FIO DE CABELO, ENROLADO…
    – Mas era mesmo cabelo?
    – SE ERA! E DE UM LOIRO BELÍSSIMO, afirmo-lhe.
    COMO ERA NATURAL, OLHEI UM POUCO INDISCRETAMENTE PARA O PRECIOSO ACHADO, O “HOMEM” PARECE QUE DESCONFIOU, POIS QUE, ATO CONTÍNUO, FEZ UNS GESTOS, ENCOLHENDO O PALETÓ E ESCONDENDO ASSIM O FIOZINHO, QUE OS MEUS OLHOS ATÉ BEM POUCO TEMPO HAVIAM DEVORADO.
    TAMBÉM FIZ, NESSA OCASIÃO, OUTRA DESCOBERTA, QUE PARECE TER ALGUMA IMPORTÂNCIA: o sr. Mirabelli, DEPOIS DE TER ENCOLHIDO O PALETÓ, CONFORME LHE REFERI, LEVANTOU AS MÃOS E FEZ UNS GESTOS CARACTERÍSTICOS COM OS DEDOS: COMO QUE AMASSAVA ALGUMA COISA, UM PEDACINHO DE CERA, TALVEZ, pois que nada posso afirmar, quanto a este particular: só o vi mexer os dedos.
    Depois dessa sessão, NUNCA MAIS MIRABELLI QUIS QUE EU ASSISTISSE às suas experiências. Quando eu desejava isso fazer, dizia-me sempre:
    – “Você não pode, tem fluido contrário, e é criança…”
    E é só o que sei.

    Mirabelli pilhado em flagrante

    O famoso “homem misterioso”, antes da sua celebridade, não tinha segredos com as suas mágicas, antes, cheio de vaidade, se comprazia em mostrar a todos as suas habilidades de prestímano. Gozava com a estupefação dos seus espectadores e, muita vez, não se furtava ao prazer de dizer aos que o viam trabalhar: “Aqui está o segredo”. E mostrava os seus truques.

    Um dos lugares favoritos para a sua exibição foi uma alfaiataria. O sr. Mirabelli fizera conhecimento com o dono a casa por causa de um terno que encomendou.

    Depois, tornando-se frequentador assíduo das oficinas, o nosso homem não levou muito tempo a ser um motivo de risotas dos alfaiates. Sim, porque não passava dia que lá aparecesse sem que desse provas da sua agilidade: eram níqueis que passavam de um dos bolsos dos assistentes para o de outros e várias sortes, que os divertiam bastante. Nesse tempo, o sr. Mirabelli não se dizia o MÉDIUM EXTRAORDINÁRIO que hoje se intitula: fazia tudo como um simples mortal que levou grande parte de sua vida num circo de cavalinhos, operando “prodígios como pelotiqueiro” e que, mediante algumas lições de um compêndio de mágicas, se aperfeiçoou, a ponto de se tornar um habilíssimo prestidigitador.

    Nas oficinas citadas todos lhe conhecem a história.

    Algumas das pessoas da alfaiataria prestaram-nos esclarecimentos sobre o “homem”.

    A primeira com quem conseguimos falar foi com o sr. Juvenal Vianna, residente à rua Sete de Abril, nº 64, que respondeu à nossa pergunta!

    – Conheço bem o sr. Mirabelli. Era um freqüentador habitual duma alfaiataria em que eu trabalhei. Quase todos os dias lá estava, E FAZIA SORTES DE ESPANTAR mesmo.
    Mas, uma coisa eu vi ele fazer que me admirou extraordinariamente. Imagine o sr. Mirabelli, que até então tinha se limitado a fazer prestidigitação com moedas, lenços, etc., propôs-se a tirar um lápis de dentro de uma garrafa.
    – Que! Ele fazer aquilo, dissemos todos os presentes, era impossível.
    – Pois não é, disse Mirabelli. Já lhes vou provar o contrário.
    – Pois se fizer acreditaremos que você é um prestidigitador extraordinário. – dissemos-lhe.
    Mirabelli começou a trabalhar. Arregalou os olhos, fez uns gestos, e, coisa espantosa, o lápis começou a sair vagarosamente da garrafa.
    Todos os olhares estavam voltados para o homem, que fazia tal maravilha. E ninguém percebia nada, ou quase ninguém, pois que um dos nossos companheiros, num dado momento, aproximando-se do sr. Mirabelli, disse-lhe:
    – MAS QUE É ISSO QUE TENS AÍ PRESO NO BOTÃO DO COLETE?
    O homem mudou de cor, tentou recuperar a calma perdida. Depois, meio “encafifado”, exclamou:
    – OH! VOCÊS DESCOBRIRAM PORQUE A COISA FOI FEITA COM UM FIO DE RETROZ PRETO. SE FOSSE EMPREGADO UM CABELO, COMO DEVE SER, NUNCA DESCOBRIRIAM NADA.
    E aí está, meu senhor, como o sr. Mirabelli se viu atrapalhado numa simples alfaiataria…”
    .
    E os repórteres deram 5 chances ao Mirabelli de provar seus fenômenos, e ele, sob os olhares dos repórteres, não produziu 1 sequer…

  45. Marcos Arduin Diz:

    Oh! Então o Mirabelli fazia truques de ilusionismo… Que pena que não ficou só neles. Sinceramente não sei o que deu nele de querer virar médium numa época em que os médiuns eram tidos como gente com pacto com o Demo…
    .
    Jogar um fio no chão… Que gozado achar que fios resolvem tudo. O Imbassahy mesmo cita o caso ocorrido no salão da FEB, onde um GRANDE quadro se desprendeu da parede e foi bater direto na testa do Mirabelli. Como ele fez isso com fios de linha? E quanta inteligência ele teve de se arriscar a rachar sua própria cara. Isso é que querer convencer na marra!
    .
    Mas se tudo resumia-se a fios, nossa, como isso é simples de se resolver. Os repórteres deram chances pro Mirabelli produzir seus fenômenos, mas como foram essas chances? Revista-se todo o cara primeiro ou o deixa à vontade e, suspeitando-se de COMO A COISA É FEITA, então preparava-se um flagrante para o desmascaramento no DECORRER do evento (e não para se supor posteriormente que teria sido assim…)?
    .
    Ainda não estou satisfeito.

  46. Rodrigo Queiroz Diz:

    Vítor, Voce conhece o livro “O trabalho dso mortos” sobre a medium Ana Prado?Eu gostaria de saber se há indicios de fraude.
    Obrigado

  47. Vitor Diz:

    Oi, Rodrigo
    é só ver as fotos para perceber as fraudes.

  48. Marcos Arduin Diz:

    Ei, Rodrigo, aproveite também e leia “O trabalho dos mortos e a tolice dos vivos”, onde Nazareno Tourinho faz uma avaliação de um livro escrito por um parapsicólogo que diz avacalhar com a Ana Prado.

  49. Rodrigo Queiroz Diz:

    Vítor, as fotos realmente são estranhas algumas parecem montagens, mas o que me deixa intrigado é aquele documento assinado por várias autoridades que diziam ter presenciado os fenômenos. Se fosse realmente uma fraude elas não teriam percebido?

    Marcos, vou dar uma olhada neste livro também.

  50. Vitor Diz:

    Arduin,
    os relatos do Imbassahy não são confiáveis. Ele pode tê-los escritos dias, semanas ou mesmo meses depois de ocorrido. Não dá para confiar em um relato assim. Mesmo assim, não veja nada demais no quadro ter batido no Mirabelli por puro azar. Ele pode ter puxado com força e não esperava a trajetória do quadro.
    .
    Esse foi o desafio dos repórteres:
    .
    “basta para isso que o sr. em qualquer das suas sessões, apenas retire um lápis ou qualquer objeto (o que geralmente faz com grande facilidade) de dentro de uma garrafa, com a indispensável condição que aquele seja colocado no recipiente por um dos assistentes, sem que nem de leve lhe passe pelas mãos. Basta isso para que modifiquemos nossa opinião, comprometendo-nos mesmo a inserir a longa entrevista que nos concedeu, e que fornece excelente subsídio para os seus futuros biógrafos. ”
    .
    E ele falhou nas 5 tentativas.

  51. Vitor Diz:

    Rodrigo,
    veja o post que fala do Urbano Pereira. A fraude ocorreu na frente dele e ele não percebeu.

  52. Marcos Arduin Diz:

    Rodrigo, com relação a fotos, o problema é o seguinte: NADA DO QUE SE FAÇA AGRADARÁ AO PESSOAL CÉTICO.
    As fotos que William Crookes tirou da fantasma Kate King eram semelhantes às de uma pessoa viva normal. Que diz o pessoal cético? Que eram isso mesmo. Seriam fotos da médium disfarçada de fantasma ou de alguma cúmplice. Será que ninguém percebeu isso?
    .
    As fotos aí da Ana Prado eram DESPROPORCIONAIS, distorcidas, exatamente para mostrar que NÃO eram nem médium, nem cúmplice disfarçados. Que diz o pessoal cético? Mas não estão vendo que são só marionetes?
    .
    As que Eva Carriére produzia pareciam folhas de papel com imagens ou bonecas parecidas com panos. E que diz o pessoal cético? Mas não estão vendo que são só folhas de papel pintado ou retratos?
    .
    E é sempre assim, Rodrigo: somente o pessoal cético, que nunca esteve presente, nem fez experimento algum, é que tem capacidade para sacar tais possibilidades. Os pesquisadores, que estavam lá, vendo a coisa ao vivo e em cores e batendo as fotos são considerados pessoas vitimadas de uma burrice sem tamanho e por isso acreditavam nos fenômenos.
    .
    Eu até poderia acreditar que teriam um pouco de razão, se não mentissem para defender a fé cética.
    .
    E Vitor, suponho também que Imbassahy (que parece não ter estado presente neste evento do quadro, pois senão o relataria em primeira pessoa e certamente não desconfiaria de Mirabelli) não estivesse tão desmemoriado assim para esquecer coisas impressionantes. Certo, eu também esqueço muitos detalhes de coisas corriqueiras, que me acontecem todas as semanas ou meses, mas duvido que me esquecesse de algo que me chamasse muita atenção.
    .
    Essas linhas bem que gostaria de saber do que seriam feitas, pois sustentam tudo e grudam facilmente em tudo, não importa o peso que tenham… E é claro, o Mirabelli chega lá na FEB, olha e mexe no quadro, mas isso não chama a atenção de ninguém…
    .
    Que pena que os tais repórteres não são criativos: será que na hora que o Mirabelli estivesse tirando o lápis, não poderiam eles mandá-lo parar e passar uma vareta envolta do dito lápis para ver se ele estava preso a algum fio? O pessoal só tenta forçar experimentos e não sabe fazer nada apenas inicialmente com observações e aí programar um flagrante?
    .
    Por isso não fico contente com essa gente…

  53. Martinez Diz:

    Eu eatava lendo a matéria e não pude deixar de notar o video de James Randi sobre a telecinese,só quero dizer que os céticos,sempre que o estudo apontar para evidencia paranormal dirão que o estudo foi inconclusivo e o método foi equivocado e não prova nada,mas se provar o contrário não dirão absolutamente nada sobre o método usado e ainda dirão “Estão vendo,está provado que não existe oparanormal.

  54. Fabio Diz:

    http://youtu.be/8PTQ–jgIFU

  55. LEITOR Diz:

    Nossa, como o Vitor quer de qualquer jeito que seja fraude.
    Também acho impossível esse lance dos fios com cera.
    Mas até o tamanho das garrafas o Vitor diminuiu para manter a sua tese.
    Então Vitor, que seja feita a sua vontade.

  56. Matheus Diz:

    acho que pode ser verdade estudei muito tempo sobre isso e tenho uma pasiente que tem o mesmo diagnostico so que ela entra nas mentes das pessoas hoje ela é psicologa acredito nisso sim

  57. Marciano Diz:

    Teste:
    🎂

  58. Marciano Diz:

    🎬

  59. Marciano Diz:

    🎭

  60. Marciano Diz:

    🎃

  61. Marciano Diz:

    💭

  62. Marciano Diz:

    💯

  63. Marciano Diz:

    🔱

  64. Marciano Diz:

    🍔

  65. Marciano Diz:

    🍹

  66. Marciano Diz:

    🍼

  67. Marciano Diz:

    🍴

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