O Caso de Kemal Atasoy (2010) – Uma Forte Evidência de Reencarnação? Parte 2

Este artigo visa a analisar os problemas concernentes à metodologia de pesquisa de CORTs a partir da descrição do caso Kemal Atasoy (KA) feita pelos investigadores Jim Tucker e Jurgen Keil. Também se verificam problemas na exposição do caso pelos investigadores. Como possíveis soluções para os problemas apresentados, sugerem-se a adoção de gravadores e câmeras de vídeo que permitiriam um registro muito mais confiável das entrevistas e testes de reconhecimento de pessoas e objetos, os últimos passando a ser de responsabilidade de um especialista em leitura fria. Ressalta-se a importância de testes psicológicos, tanto para a criança, quanto para a família. Recomenda-se também a confecção de um quadro com a árvore genealógica dos envolvidos bem como a de questionários duplo-cegos.

Palavras-Chave: reencarnação, metodologia, registros, testes

Como Melhorar a Pesquisa e Documentação de CORTs?

Uma Reanálise do Caso Kemal Atasoy 

Vitor Moura Visoni

Em 2005, H. H. Jurgen Keil e Jim B. Tucker descreveram o caso de Kemal Atasoy, um menino da Turquia, que alegava possuir memórias de uma vida prévia. O caso foi publicado por ambos no Journal of Scientific Exploration e na introdução do livro Life Before Life, de Jim Tucker, aparentemente devido à sua força como indicativo de um fenômeno anômalo e sugestivo de reencarnação.

A partir da leitura do caso, fiquei com a impressão que ele poderia ter sido melhor descrito para o público. Mais que isso, acredito que ele poderia ter sido melhor pesquisado também. Tentarei aqui, portanto, expor de forma objetiva as fraquezas que vi na documentação e exposição do caso, e sugerir melhorias.

A Participação do Intérprete 

De acordo com o artigo, é informado o uso de um intérprete: 

“O intérprete de JK era conhecido dos pais de KA, que concordaram em organizar esta primeira visita. O intérprete mencionou o interesse de JK em crianças que falavam de vidas passadas aos pais de KA, e lhe disseram que KA estava fazendo isto.” 

Tais pesquisas já sofreram bastante com a acusação de fraude por parte dos tradutores. O médico e psiquiatra canadense Ian Stevenson, recentemente falecido, em sua auto-biografia, informa o atraso que seu material sofreu devido às acusações que envolviam um de seus intérpretes: 

“O relatório de meus primeiros estudos na Ásia estava sendo impresso quando inesperadamente um homem que me ajudou com alguns casos foi acusado de fraudulento. Embora a alegação fosse aplicada a experimentos com os quais eu não fazia parte, levantou-se uma suspeita sobre o trabalho que o homem acusado tinha feito para mim, levando o editor a parar de imprimir meu relatório. Eu tinha outros intérpretes além do homem acusado de fraude, e, crendo que o homem não tinha fraudado quando trabalhou comigo, eu propus retornar a Índia e estudar os casos novamente. Isto requereu grande despesa adicional, e eu pedi conselho a Chester Carlson. Ele me encorajou a retornar a Índia. Eu fiz isto e, com novos intérpretes, mostrei a autenticidade dos casos. A impressão de meu relatório foi então recomeçada, e foi propriamente publicada como Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação.” 

Este intérprete era Hemendra Nath Banerjee, que também publicou vários livros sobre casos sugestivos de reencarnação que ele próprio investigou.

Além disso, os pesquisadores, não sendo fluentes na língua e cultura, não poderiam avaliar no momento a fiabilidade do interrogatório pelo tradutor.

No caso de KA, o intérprete era conhecido da família e tinha parentes em Istambul (local em que viveu a personalidade prévia) o que aumenta a possibilidade de fraude.

Minha sugestão para minimizar tais problemas seria a gravação em áudio e vídeo das entrevistas, o que permitiria a qualquer um fluente na língua conferir o que está sendo dito posteriormente. Tratarei disso especificamente mais abaixo, respondendo aos argumentos dos pesquisadores de por que tal método não foi usado. Seria interessante também que os investigadores apresentassem um quadro com a árvore genealógica dos envolvidos, mostrando assim que não há – ou que há – parentesco que facilite a transmissão de informações. 

A Entrevista com a Criança 

O processo de entrevista com o garoto se deu do seguinte modo, segundo o artigo: 

“Sua mãe esteve presente durante a entrevista inteira, e seu pai juntou-se à entrevista durante o seu curso. O intérprete traduziu o que era dito após curtos intervalos, e JK tomou notas e fez perguntas. Registros de áudio não foram feitos porque JK descobriu que um gravador freqüentemente gera uma distração. Após o seu primeiro encontro, JK ficou impressionado com a clareza das afirmações de KA e com a confiança com que ele as tinha feito.” 

Não foram feitos registros da entrevista em vídeo e áudio, o que é uma lástima. Tal registro permitiria que outros investigadores pudessem verificar as palavras exatas da criança, que podem ser mal compreendidas pelo tradutor, especialmente com relação aos nomes. Antonia Mills descreve o caso de Sakte Lav, em que criança disse os nomes de Amlapur, Vishnu e Avari quando na verdade estaria se referindo a Jamlapur, Kishnu e Itwari, respectivamente. Mills ainda informa que o pai da criança jamais mencionou as distorções iniciais dos nomes proferidos pela criança, apenas a mãe.

A explicação de que gravadores criam uma distração a meu ver não é aceitável. Micro-câmeras escondidas nas vestimentas são largamente usadas por detetives, jornalistas e policiais, e permitem excelente registro, tanto em áudio como em vídeo. Essa precaução deveria ter sido usada ao menos em relação à criança, após obtida a devida autorização dos pais, para evitar qualquer distração. Com relação aos pais, os métodos costumeiros, embora menos sofisticados, podem continuar a ser usados, e uma variedade de motivos razoáveis podem ser oferecidos para justificá-lo. Na revisão de uma versão prévia deste artigo, Erlendur Haraldsson citou muitos deles, incluindo um que minimizaria os problemas relativos ao uso do intérprete: 

As gravações em áudio poderiam ser usadas mais freqüentemente, mas como Keil e Tucker declaram em seu artigo sobre Kemal Atasoy (…) tais gravações são freqüentemente uma distração para a criança e outras testemunhas, e podem mesmo fazer os entrevistados mais relutantes em falar livremente. O uso de equipamento de vídeo é embaraçoso. Tem que ser montado, causa muitas perguntas e curiosidade e pode fazer as testemunhas relutantes em participar (“Essa entrevista vai aparecer na televisão?”). A investigação de CORT freqüentemente envolve um equilíbrio entre o idealmente desejável e o praticamente possível. Normalmente acabamos tomando notas escritas à mão e tentando fazer o melhor uso dos intérpretes (que nunca são profissionais) e a maioria tende a nos dar uma tradução resumida do relatório em vez de uma completa, contudo muitos deles são encorajados a fazer a última. 

A presença constante da mãe é outro problema. Ela poderia de forma sutil ajudar o menino a responder as perguntas. Um exemplo disso foi constatado, novamente, por Antonia Mills, no caso de Sakte Lal. Na Índia não se aceita dinheiro dos parentes por casamento. Com base nisso, houve um teste feito pelo padrasto da filha da personalidade prévia com o sujeito do caso para confirmar sua identidade. Assim, o padrasto ofereceu dinheiro a Sakte Lal, querendo saber se ele lhe devolveria o dinheiro ou não. A criança devolveu, o que no momento foi considerado uma prova positiva de sua reencarnação. Felizmente Mills fez um registro em áudio e vídeo desse momento, e após rever por pelo menos 3 vezes a fita e editá-la para uma apresentação foi que conseguiu ouvir a irmã de Sakte Lal falar-lhe para devolver o dinheiro! Assim, a prova positiva foi considerada inválida. A frase da irmã escapou dos ouvidos de ambos os tradutores que Mills utilizou. Além da necessidade de gravação, o episódio também mostra a importância de se buscar entrevistar todos os envolvidos individualmente.

Erlendur Haraldsson adiciona mais duas críticas interessantes:

No caso de Kemal Atasoy, a criança e a mãe parecem ter sido entrevistadas apenas uma vez, já que não é declarado o contrário. (Entretanto, ver na página 92 “ Em abril… JA encontrou KA pela primeira vez”, o que indica que houve mais de uma entrevista, mas nenhum detalhe adicional é oferecido). Stevenson – bem como este revisor – fez uma regra sempre entrevistar uma criança em mais de uma ocasião particularmente quando o caso era de interesse especial ou ia ser publicado. Isto envolveria outra ou mais visitas vários meses ou um ano mais tarde para testar a consistência das declarações da criança e de outras testemunhas.

Outro ponto muito importante é achar tantas testemunhas das declarações da criança quanto possível, não só a mãe, mas avós, irmãos, companheiros etc. No papel em Kemal Atasoy, não é mencionado que outra testemunha tenha sido entrevistada (nem achada?), e isso justifica alguma crítica do caso e sua investigação. Entretanto, devemos ter em mente que é possível que haja circunstâncias atenuantes, tal como falta de fundos (sempre difícil de achar) para muitas visitas e o tempo que os pesquisadores têm para sua investigação. 

A Entrevista com o Sr. Toran Togar 

Uma vez recolhidas as declarações da criança, Keil tratou de verificá-las com um historiador local, chamado Toran Togar. Eis como decorreram os acontecimentos, segundo Tucker, em seu artigo:

“Quando JK entrevistou o rr. Togar, ele tomou o cuidado de não estimular qualquer resposta ou fazer quaisquer sugestões. Eles se encontraram perto da casa da personalidade prévia, e JK perguntou ao sr. Togar o que ele se lembrava acerca das pessoas que tinham vivido nesta casa. JK lhe disse que ele queria descobrir alguns detalhes sobre uma família que talvez tivesse conexão com a casa, mas ele não disse que uma criança havia tinha provido informações sobre isso.” 

É bom saber que Keil tomou o cuidado de não conduzir a entrevista, mas no meu entender, para tornar a investigação mais robusta, a entrevista não deveria ter sido feita por Keil, que já estava de posse das declarações da criança, mas por outro investigador independente, completamente ignorante das mesmas. O procedimento foi simples-cego, quando poderia ter sido duplo-cego. E, mais uma vez, deveria ter sido feito um registro em áudio e vídeo da entrevista. Um exemplo da importância de tal procedimento foi citado por Matlock (1990) a respeito do caso Mounzer Haidar. Ao investigar este caso, o pesquisador Ian Stevenson primeiro desenhou o local de uma marca de nascimento situada no abdome do sujeito. Quando ele, posteriormente, entrevistou a mãe da personalidade prévia, perguntou onde tinha sido o tiro, e ela apontou para o lado direito do próprio abdome. Stevenson então mostrou seu desenho, e a mulher disse que a ferida estava no lugar marcado. Isso é conduzir a testemunha. O ideal seria que Stevenson tivesse primeiro pedido que a mulher desenhasse o local onde a bala tinha entrado no corpo antes de mostrar seu desenho.

Assim, os registros da entrevista constituiriam uma garantia que tais erros não ocorreram. Entretanto, caso o procedimento tivesse sido duplo-cego, eu acredito que o procedimento poderia ser feito sem o registro em vídeo da entrevista para evitar possíveis problemas de distração e inibição que a câmera poderia causar nos entrevistados, já que em tal caso não haveria meio de o pesquisador influenciar o entrevistado.

Os Testes de Reconhecimento 

A criança não foi levada até a casa da personalidade prévia para saber se ela seria capaz de reconhecer objetos e fazer mais declarações. Keil simplesmente levou uma fotografia da casa para Kemal, que aparentemente ficou muito impressionado. Considero isso uma falha de Keil. Keil sequer filmou a reação da criança à fotografia, e perdeu a chance de ter misturado a fotografia da casa de Karakas em meio às fotografias de outras casas e pedido para a criança selecionar aquela que seria correspondente à de sua vida passada.

Entretanto, uma questão mais séria permanece: por que a criança não foi levada ao local onde se poderiam fazer testes de reconhecimento? Ou, melhor ainda, por que não arranjaram para que ela mostrasse o trajeto até a casa, de carro, por um caminho que a vida passada estivesse habituada a percorrer? Evidentemente, para evitar que a criança colhesse pistas da localização da casa através das pessoas, no carro deveriam constar apenas pessoas que desconhecessem por completo o trajeto e qualquer informação concernente ao caso. O trajeto seria filmado do início ao fim, para termos certeza que a criança não teve nenhum meio de adquirir informações (placas na estrada poderiam fornecer pistas, por exemplo).

Uma vez chegando a casa, se poderiam realizar testes de reconhecimentos de objetos e de pessoas. No caso de Kemal, a casa estava abandonada, mas o conselho serve para os demais CORTs. O ideal seria que tais testes fossem realizados por um especialista em leitura fria, um mágico ou mentalista, de forma que impedisse que a criança reconhecesse seus parentes e amigos da vida prévia por pistas inconscientemente – ou conscientemente! – transmitidas por eles ou mesmo pelos investigadores, que já estariam cientes de quem seriam os tais amigos e parentes. Naturalmente, tudo sendo devidamente gravado.

Testes Psicológicos 

Em nenhum momento relata-se a feitura de testes psicológicos na criança ou nos pais. A criança seria facilmente influenciável? A família possuiria algum histórico de doença mental? Tudo isso precisa ser abordado no artigo de forma a tornar a pesquisa mais robusta e a tornar o número de explicações normais possíveis para o caso menor. Estou ciente do fato que provas psicológicas com crianças que alegam lembrar uma vida passada já foram executados por Haraldsson (1997 & 2000) e os resultados dessas provas indicaram bem fortemente, ao menos concernente aos casos resolvidos, que crianças reivindicando memórias de vidas passadas não eram mais sugestionáveis que crianças da mesma idade que vivem em circunstâncias comparáveis. No entanto, ao analisarmos um caso particular, é bom procurarmos todas as garantias possíveis de que o caso em questão não se constitui uma exceção à regra. Podemos comparar isto a CORTs baseados em fraude: são muito raros, mas existem (Stevenson et al., 1988). Em minha visão, o fato de que casos de fraude ou casos em que crianças são altamente sugestionáveis são extremamente raros em CORTs não implica que nós não necessitamos tomar as precauções necessárias para evitá-los. Além do mais, replicação é parte do processo científico. No entanto, mais uma vez, existem fatores atenuantes, os quais Haraldsson alude na sua revisão:

Existem testes de sugestibilidade, mas nenhuma norma para vários países ou faixa etária. Portanto, eles não podem ser usados para uma única criança. 

A Descrição do Caso no JSE e no Livro Life Before Life 

Keil informa que Kemal foi bem claro em suas declarações, mas nem no artigo publicado no Journal of Scientific Exploration, nem no livro de Jim Tucker, são transcritas as palavras exatas da criança. E mais, também não são transcritas as perguntas feitas a Kemal ou ao Sr. Togar, embora com relação ao último se tenha dado uma boa idéia das perguntas feitas. A transcrição das entrevistas, com as perguntas e respostas, é essencial para o leitor ter a certeza que não houve nenhuma espécie de indução dos informantes da parte do entrevistador. Esse material podia ser publicado separadamente do texto principal, como um apêndice, ou online em alguma página web dos autores, de modo que não afete a leitura do artigo principal.

O Caso Permanece Forte? 

Após apontar diversas fraquezas na metodologia dos pesquisadores, uma questão pertinente é se o caso permanece ‘forte’, no sentido de uma explicação por meios normais ser extremamente difícil. No meu entender, a resposta é positiva. Isso porque considero improvável que todo o conjunto de possibilidades que sugeri tenha existido simultaneamente neste caso: um intérprete fraudador, um parente auxiliando sutilmente a criança a responder às perguntas dos pesquisadores de forma correta, indução da resposta dos entrevistados pelos próprios pesquisadores. Tais falhas, que seja de meu conhecimento, foram encontradas apenas isoladamente em outros casos.  De fato, a impressão que eu tenho ao examinar um caso como o de Kemal é que é uma tarefa extremamente difícil achar uma explicação naturalista minimamente plausível.

Críticas Anteriores 

Edelmann e Bernet (2007) teceram críticas às atuais pesquisas de CORTs abordando diversas das melhorias aqui sugeridas, mas criaram um modelo de pesquisa que é, a meu ver, demais complexo e desnecessário. Acredito que minhas recomendações são suficientes e muito mais cabíveis de serem adotadas pelos pesquisadores.

Conclusão 

Há ainda muito a melhorar nas pesquisas de CORTs. Recomendo o registro em áudio e vídeo de todas as entrevistas realizadas, e tais entrevistas devem constar transcritas de forma completa nos artigos publicados. Uma apresentação da árvore genealógica dos envolvidos seria interessante de ser adotada, assim como questionários duplo-cegos na confecção das entrevistas. Uma parceria com mágicos e/ou especialistas em leitura fria é recomendável quando da aplicação de testes de reconhecimento de pessoas e objetos. Sempre que possível, realizar testes psicológicos com os envolvidos. De forma a gerar maior conhecimento e interesse da comunidade científica nas pesquisas de CORTs, sugiro que o máximo de material possível – como as gravações em áudio e vídeo – seja colocado na internet, de forma que maior número de cientistas tenha acesso aos estudos, podendo identificar mais facilmente as forças e fraquezas dos casos. Tais medidas, quando adotadas, certamente colocarão num nível muito mais alto as evidências da ocorrência de algum fenômeno paranormal em CORTs.

Agradecimentos 

Agradeço ao biólogo Julio César Siqueira por seus conselhos e idéias que muito melhoraram esse artigo. O pesquisador Titus Rivas também foi de grande ajuda na tradução. Eu também gostaria de agradecer aos revisores do artigo, especialmente Erlendur Haraldsson, por suas críticas construtivas.

Bibliografia 

Edelmann, J.; Bernet, W. Setting Criteria for Ideal Reincarnation Research. Journal of Consciousness Studies 14 (12) (2007):92-101.

Haraldsson, E. (1997). A psychological comparison between ordinary children and those who claim previous-life memories. Journal of Scientific Exploration, 11, 323-335.

Haraldsson, E., Fowler, P., & Perriyannanpillai, V. (2000). Psychological characteristics of children who speak of a previous life. A further field study in Sri Lanka. Transcultural Psychiatry, 37, 525-544.

Keil, J. H. H.; Tucker, J. B. Children Who Claim to Remember Previous Lives: Cases with Written Records Made before the Previous Personality Was Identified. Journal of Scientific Exploration, Vol.19, Nº 1, Article 4 (Spring 2005)

Matlock, J. G. Past Life Memory Case Studies. In S. Krippner (editors.), Advances in Parapsychological Research 6. Mcfarland. Jefferson, N.C., 1990. pp. 184-267.

Mills, A. Are Children with Imaginary Playmates and Children Said to Remember Previous Lives Cross-Culturally Comparable Categories? Transcultural Psychiatry (March 2003), Vol. 40, No. 1, 62-90

Mills, A.; Lynn, S. J. “Past-Life Experiences.” in Varieties of Anomalous Experience: Examining the Scientific Evidence. (2000). Etzel Cardena, Steven Jay Lynn, and Stanley C. Krippner, editors.  American Psychological Association.

Stevenson, I. Pasricha, S., & Samararatne, G. (1988). Deception and self-deception in cases of the reincarnation type: Seven illustrative cases in Asia. Journal of the American Society for Psychical Research, 82, 1-31.

Stevenson, Ian. Half a Career with the Paranormal. Journal of Scientific Exploration, Vol. 20, No. 1, pp. 13–21, 2006

Tucker, J. B. Life Before Life: A Scientific Investigation of Children’s Memories of Previous Lives. St. Martin’s Press. (2005) 

Referência original: Moura Visoni, V. (2010). How to improve the study and documentation of cases of the reincarnation type: A reappraisal of the case of Kemal Atosy. Journal of Scienti?c Exploration, 24, 101–108.

9 respostas a “O Caso de Kemal Atasoy (2010) – Uma Forte Evidência de Reencarnação? Parte 2”

  1. Paloma Diz:

    Vitor, parabéns por mostrar todos os lados da história. Lendo os três artigos, minha conclusão é que o conjunto de possibilidades sugeridas é bastante provável, sim. O intérprete não necessariamente seria fraudador mal intencionado, mas poderia ser levado, por sua própria mente, a omitir/fantasiar algumas partes da história. O parente auxiliando sutilmente: acredito fortemente que isso possa ter acontecido. E a indução das respostas é algo que ocorre muito no jornalismo, por exemplo (uma pena, mas é verdade…); não vejo por que não aconteceria nesse caso também…

  2. Vitor Diz:

    Oi, Paloma
    mas o intérprete não sabia quem era a personalidade passada, como ele poderia saber qual parte omitir/fantasiar? Os parentes também não sabiam a quem a criança se referia, como poderia induzi-la a dar as respostas corretas? São hipóteses que a meu ver podem ser descartadas.

  3. Paloma Diz:

    Sei não, Vitor. Vai que os pais e o intérprete sabiam sim, mas quiseram omitir esse detalhe pra parecer mais crível? Entrevistei o Shermer ontem (ó, resposta pra vc em primeira mão, já que a matéria nem saiu…) e perguntei sobre essas pesquisas de reencarnação, veja o que ele diz (tô com preguiça de traduzir a degravação, mas vc não precisa mesmo):

    Most of his data comes from self-reports of parents who want to believe that their children are special (all parents want to believe this), and so once they come to believe that their child is the reincarnation of some previous person and they know who it is, they then find evidence to fit that belief. This is what we call the confirmation bias, where we look for and find confirming evidence for what we already believe and ignore the disconfirming evidence.

  4. Antonio G. - POA Diz:

    Paloma e Vitor, eu acho mesmo que a prediposição à confirmação de que fala o Shermer está na causa de inúmeros casos aparentemente sem explicação. O sujeito quer tanto que seja real que omite, sonega detalhes que colocariam em dúvida a autenticidade de algum fenômeno. Não seria por má fé, mas por uma espécie de condicionamento psicológico.

  5. Vitor Diz:

    Oi, Paloma
    não é razoável pensar que os pais e o intérprete soubessem quem era a vida passada e fingiram desconhecer porque eles não fizeram absolutamente nada para ajudar os investigadores na resolução do caso, que durou mais de um ano. O 1º encontro de Keil com o menino foi em abril de 1997, e o caso só foi definitivamente solucionado em outubro de 1998, quando ele encontrou o historiador – tido como a pessoa mais familiarizada com a história da região e que, aliás, não conhecia a família ou o intérprete. Será que o historiador estaria envolvido também? Além disso, perceba que descobrir fraudes com crianças parece ser fácil. Lembra-se do caso da família que disse que o menino deles estava em um balão? Bastou uma entrevista para a farsa vir à tona: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u639720.shtml
    .
    Imagine as múltiplas entrevistas como as que foram realizadas.
    .
    Agora eu te digo o seguinte: ainda que o intérprete e a família, por algum meio inimaginável, estivessem de posse das informações, e ainda que conseguissem sustentar a fraude em que pese as múltiplas entrevistas e investigações, é extremamente difícil você fazer com que uma criança, que tem uma personalidade própria, adquira outra personalidade a ponto de se identificar com uma pessoa falecida. Isso a Psicologia não explica. É claro que os pais exercem influência no comportamento de uma criança. Mas não se conhece uma influência a esse ponto. No livro “Vinte Casos”, Stevenson diz:
    .
    Só posso dizer que, com exceção de crianças em casos do tipo reencarnação, eu nunca soube de criança alguma que se identificasse de tal modo com outra personalidade, que chegasse a afirmar, durante um longo período de tempo, crer numa unidade da sua personalidade com outra, como o fazem muitas das crianças que alegam ter vivido antes. Isso realmente ocorre com pacientes adultos psicóticos que por vezes afirmam outras identidades. Mas psicoses de qualquer espécie são extremamente raras em crianças, e a identificação falsa com uma outra pessoa parece ainda mais rara. Discuti essa questão com dois psiquiatras de crianças, um particularmente especializado em esquizofrenia infantil. Nenhum deles jamais havia ouvido falar em algum caso em que a criança afirmasse ser uma outra pessoa. As crianças, em verdade, ocasionalmente identificam-se por curto tempo, com outras pessoas ou animais, quando brincam, e algumas crianças psicóticas identificam-se com máquinas. Mas não descobri nenhum caso na literatura psiquiátrica, de alegações prolongadas de uma outra identidade, por parte de crianças fora as dos casos sob discussão aqui. [...]O esvanecimento dos aspectos informativos e de comportamento nos presentes casos apresenta uma outra objeção a que se atribua a identificação da criança com uma personalidade anterior à influência dos pais[...]Visto essas influências dos pais terem sido quase sempre inconscientes, elas tendiam a persistir até que uma intensa terapia nos mesmos revelasse as origens de seus impulsos relevantes e modificasse sua motivação em influenciar ocultamente os filhos. Em suma, se a influência dos pais for suficientemente forte para promover a ocorrência de sintomas, ela será suficientemente forte para perdurar durante muitos anos. Mas a hipótese de que os pais nos presentes casos impuseram aos filhos a identificação com uma personalidade anterior, sugere também que as motivações dos pais alteram-se depois de alguns anos, permitindo assim que ocorra o esvanecimento das aparentes lembranças e da personificação das crianças.
    .
    E quanto ao Shermer, ele diz: “and so once they come to believe that their child is the reincarnation of some previous person and they know who it is, they then find evidence to fit that belief”. O problema dessa explicação está justamente quando os pais não sabem quem a personalidade passada é – como é o caso de Kemal – então não há como haver viés de confirmação.

  6. Vitor Diz:

    Oi, Antonio
    o problema é que esses casos também acontecem em culturas que não acreditam em reencarnação…aliás, em tais culturas, os pesquisadores por vezes tiveram que contar com proteção policial para poder realizar as investigações…

  7. Rafael Maia Diz:

    Sim sim. Isso aconteceu na europa e nos E.U.A, onde a cultura predominante nega a reencarnação. Há casos, como os casos de crianças que lembram de uma vida em outro pais, onde a familia, por ser pobre, jamais teria condição de saber informações especificas sobre uma familia que vive em outro pais.

  8. Paloma Diz:

    Vitor, vou reler o artigo amanhã (não consegui baixar o outro até agora; meu PC tá ferrado e o ipad não abre)… Ou mandar pro Shermer também, ele é super gente boa, acho que vai gostar de ler!

  9. Antonio G. - POA Diz:

    É… Realmente há casos em que a gente fica “com a pulga atrás da orelha”. Quem sabe, um dia, alcançaremos a certeza sobre a autenticidade (ou não) destas evidências de reencarnação. Por enquanto, eu acho que ainda restam dúvidas. Sempre é preciso ao menos uma pitada de fé para se aceitar plenamente a ideia. O problema, para quem já viu tanta mistificação e fraude nestes fenômenos, é que nada menor do que um “prova irrefutável” serve para um convencimento absoluto. E talvez nunca se obtenha tal prova.
    Abraço.

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