O Caso José Divino Nunes

Este artigo analisa o famoso caso de José Divino Nunes, em que o médium Chico Xavier teria psicografado uma carta da vítima assassinada por ele que foi usada no julgamento. A vítima, chamada Maurício Garcez Rodrigues, foi morta em 8 maio de 1976 com um tiro no tórax, e era amiga do assassino. Na carta Maurício perdoava José Divino Nunes, pois o tiro teria sido acidental. Aqui vamos comparar as assinaturas do Maurício “psicografado” e do Maurício “vivo”, além de estudar o conteúdo da carta.

Primeiro, deve-se saber que a 1ª carta psicografada por Chico só apareceu em 27 de maio de 1978, portanto, 2 anos após a morte de Maurício, tempo mais do que suficiente para o médium se inteirar por completo do caso. A essa altura, José Divino já havia dado sua versão do caso. Segundo o livro “Lealdade” (1982):

Desde a sua primeira declaração à autoridade policial, José Divino negou que tivesse desejo de matar Maurício, afirmando ter sido também vítima de terrível fatalidade, ao provocar-lhe, involuntariamente, um ferimento fatal. Vizinhos e colegas de escola, sempre freqüentando a mesma classe, eram amigos íntimos havia quatro anos. Mas, por força da Lei, abriu-se um inquérito policial para apuração do fato delituoso. 

As páginas 19, 20, 91 e 92 (Reconstituição dos eventos) e 100 do processo assim registrou o interrogatório de José Divino, única testemunha ocular do fato: 

“(…) no dia que se deu o fato, ambos estavam no quartinho de despensa que fica anexo à cozinha, e após 25 minutos deu vontade de fumar na vítima, sendo que ele pediu ao declarante que desse um cigarro e que por motivo do mesmo não te-lo, a vítima foi até onde estava a pasta do pai do declarante para tirar cigarro. Pois os mesmos estavam acostumados a pegar cigarros naquele objeto, mas não encontrando-os a vítima pegou o revólver que o pai do declarante sempre guardava na pasta, quando não a usava em seu serviço de Oficial de Justiça. Em seguida, na presença do declarante, a vítima manejou o revólver de maneira que o seu tambor caiu para a esquerda, havendo a queda dos cartuchos dentro da pasta. Pensando que a arma se encontrava vazia, a vítima puxou o gatilho em direção do declarante por duas vezes. Neste momento, o declarante disse à vítima que seu pai não gostava que mexesse nas coisas dele e que lhe entregasse a arma, sendo que o declarante tomou a mesma da mão dele. Em seguida, a vítima saiu para a cozinha para buscar cigarros, que fica à esquerda do local onde estavam. No quartinho existe um espelho grande do guarda-roupa, que fica ao lado da porta que dá para a cozinha e o declarante olhava para ele, brincando com aquela arma, e quando sintonizava uma estação no aparelho de rádio, colocado sobre o guarda-roupa, puxou o gatilho no exato momento em que a vítima, vinda da cozinha, entrava pela porta. A arma detonou, indo o projétil atingir a vítima, que gritou, sendo socorrida pela mãe do declarante, juntamente com ele, e a seguir levada, de táxi, ao Hospital mais próximo.” 

* * *

Os peritos que realizaram a reconstituição dos eventos concluíram que “a versão narrada por José Divino pode ser aceita”, por inexistir contradição entre sua palavra e os dados técnicos. 

A carta psicografada por Chico Xavier apenas corrobora o depoimento de José Divino Nunes, sem acrescentar qualquer coisa que pudesse ser verificada. Vejamos apenas o conteúdo relativo ao acidente:

O José Divino e nem ninguém teve culpa em meu caso. Brincávamos a respeito da possibilidade de se ferir alguém, pela imagem no espelho; sem que o momento fosse para qualquer movimento meu, o tiro me alcançou, sem que a culpa fosse do amigo, ou minha mesmo. O resultado foi aquele. 

Não há absolutamente nada relativo ao acidente que já não constasse no depoimento de José Divino Nunes. Nada.

Agora vamos às assinaturas:clip_image002

Podemos ver claras diferenças na assinatura, a começar pelo “M”, que na identidade possui dois arcos completos em cada extremidade, enquanto na psicografia não. O “G” da psicografia é formado por linhas retas, enquanto que na identidade as linhas são bem curvas. O “H” também possui diferenças, na psicografia possui um traço reto, enquanto que na identidade o traço é curvo. As demais letras estão muito confusas para uma análise mais precisa.

Quem conferir a carta psicografada por completo notará outros detalhes: o início da carta é idêntico ao de muitas outras cartas por Chico, começando por “querida mamãe, querido papai”, e pedindo a benção. Parece que quase todos os espíritos possuem a mesma personalidade e o mesmo modo de falar, as mesmas expressões. Além disso, o livro “Lealdade” informa que o 1º contato dos pais de Maurício com Chico se deu em julho de 1976 e que eles voltavam a cada 2 meses a Uberaba esperando por uma carta. Imagina-se o quanto de informação não foi trocada com o médium durante essas frequentes visitas até o recebimento da primeira carta em 1978!

O caso, portanto, guarda explicações completamente normais, não havendo qualquer indício de paranormalidade, seja nas assinaturas, seja no conteúdo informativo da carta relativo ao acidente.

39 respostas a “O Caso José Divino Nunes”

  1. Biasetto Diz:

    Mais uma vez, Vítor: PARABÉNS! Parabéns pela coragem, ousadia, de “mexer nestas coisas”, esclarecendo fatos, mostrando características, detalhes que a mídia vendida e puxa-saco, jamais se preocupou em pesquisar.
    Este caso, é um ABSURDO TOTAL. Onde já se viu, aceitar como provas para inocentar uma pessoa, que tirou a vida de um jovem, bruscamente, uma “carta do além”. Absurdo, lamentável!
    E tem mais, pelo que foi dito aí, o autor do disparo, merecia uma pena, mesmo que não tivesse tido a intenção de cometer o crime, só pela imprudência, xeretice de mexer onde não deve, “brincar” com coisa séria, que nem lhe pertencia.
    Olha, estou cada vez mais convencido que estes “médiuns de merdas” (incluindo Xavier e Divaldo Babão Franco) causaram e continuam causando um PREJUÍZO ENORME à sociedade. E ainda são adorados, bajulados, elogiados, amados, reverenciados…
    Preciso tomar um “tranquilizante”, logo cedo.
    - E o Scur reaparece no blog pra defender o Robson Pinheiro. “Santa Ignorância, Deus Pai do Céu”.

  2. Juliano Diz:

    Vitor

    Parabéns por mais uma pesquisa. Um artigo curto mas muito elucidativo. Só não vê quem não quer ver.

  3. MOACIR Diz:

    muito fraco esse estudo, a assinatura passou por testes na época vc nao deve ser a pessoa mais habilitada pra ver se vale como verdadeira ou nao. outra coisa que se for realmente um espírito, claro que haverá interferência de um corpo e nao ficará perfeita a assinatura, outra coisa é que a as assinaturas mudam com o passar do tempo e você nao o conhecia como a mãe e pai dele para saber se bate ou nao. ou aqui vejo que a farça nao é ele e sim vc

  4. Vitor Diz:

    Moacir,
    a assinatura, ao contrário do que é veiculado, não passou por testes. No livro “Por Trás do Véu de Ísis” não é feita menção a esse exame grafotécnico. No link http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=1191 é dito que os pais analisaram a letra, não um perito:
    .
    “tempos depois os pais analisaram a assinatura constante na psicografa com as dos documentos, e reconheceram a autenticidade”
    .
    Assim, não creio que tenha havido exame grafotécnico no caso de José Divino Nunes,

  5. Paloma Diz:

    Minha avó procurou uma vez um médium que era muito famoso no Rio de Janeiro (não sei o nome) e os auxiliares dele perguntaram muito sobre meu avô. Ela só disse que se chamava Antonio e se recusou a dar detalhes. O “espírito” escreveu na carta que estava bem, que abençoava os filhos (fácil imaginar que uma senhora viúva tinha filhos) etc etc etc. Ao final, assinou: “Totonho”. Meu avô nunca, jamais, foi chamado de Totonho! Era um italiano sisudo, mau humorado mesmo. Minha vó saiu do centro furiosa.

  6. Paulo-rs Diz:

    MOACIR, cadê o seu espírito crítico?
    “claro que haverá interferência de um corpo e nao ficará perfeita a assinatura”
    Qual a referência, fora de mundo místico, que vc usa para sustentar essa afirmação?
    Veja que vc mesmo não tem certeza, quando diz “outra coisa que se for realmente um espírito”. Senão for um espirito, é a maluquice do Chico falando mais alto, ou temos uma outra opção?

    Vc quer uma pessoa habilitada para criticar Chico?
    Que tal essa:
    “Crítico literário Leo Gilson Ribeiro, “Uma coisa é clara: Quando o ‘espírito’ sobe, sua qualidade desce. É inconcebível? que grandes criadores de nossa língua, depois da morte fiquem por aí gargarejando o tatibitate espírita. Os escritos de Chico Xavier o fundo é sempre o mesmo por mais diferentes que tenham sido os “espíritos” aos que se atribuem: Uma ‘religiosidade’ moralista, piegas, melíflua, repetitiva, absolutamente infantil…Quase três adjetivos por linha. (Diário de S. Paulo8Agosto1971)”

  7. Paulo-rs Diz:

    Paloma, sua vó foi esperta e teve cautela!
    Parabéns!

  8. Paloma Diz:

    No ano retrasado, a polícia civil de Brasília resolveu ouvir uma “médium” que era até estudada por um pseudo físico (ele não era, mas se fazia passar por), sobre um caso até hoje não solucionado, de um crime no qual um casal de advogados foi assassinado. A principal suspeita é uma das filhas. A “vidente” indicou a casa onde os policiais encontrariam a chave do apartamento. Foram até a casa, acharam a chave. Mais tarde, descobriu-se que a chave foi plantada na casa de dois pobres coitados – era a mesmíssima chave recolhida pela perícia no dia do homicídio. A vidente foi presa e o núcleo de estudos paranormais da Universidade de Brasília, que estudava essa mulher, foi fechado. A quem interessar: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2010/08/31/interna_cidadesdf,210637/index.shtml e http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3798

  9. Paulo-rs Diz:

    Eu e o Biasa, vamos abrir uma revenda de carro usado, visando o consumidor espírita.

  10. Paloma Diz:

    Paulo, a coitada virou piada na família por causa disso ;)
    Eu respeito quem acredita, mas não tenho respeito nenhum por quem produz essas farsas…

  11. Paulo-rs Diz:

    Revenda ” Carrinho de luz- a simplicidade que consola”
    Somente vendas a vista.

  12. Paloma Diz:

    Quem quiser rir um pouco: http://www.csicop.org/specialarticles/show/electronic_voice_phenomena_voices_of_the_dead/
    Esse site traz três gravações de vozes de espíritos. Além de não dar para ouvir nada, a segunda gravação seria de um suposto espírito falando “potato”. Por que alguém voltaria do Além para falar “batata” é que não sei…

  13. Biasetto Diz:

    Paulo,
    Estou precisando ganhar mais mesmo, vamos analisar o negócio. Olha, se a gente oferecer por Scur, sem ele saber que é nós que estamos no negócio, ele compra. É só jogar um apelo emocional, uma história fabulosa, tipo: “este carro pertenceu a um espírita muito dedicado, caridoso. Depois que ele desencarnou, a família está passando necessidade, então precisa vender o carro, o único bem que ele deixou aos entes queridos… ele se manifestou no centro, dizendo pra família vender o veículo, senão ele não vai conseguir paz lá em Morada Querida (nome da colônia).” O Scur paga três vezes o valor de mercado.
    .
    Não precisa nem PERDER TEMPO na análise das assinaturas. Já disse várias vezes aqui: fui bancário por 12 anos, trabalhei como caixa, fiz cursos e cursos – a assinatura pode até ser muito parecida que não vai provar nada, neste caso. O perito analisa uma série de detalhes, os traços, a gênese gráfica, o tipo de assinatura. O ABSURDO é a justiça levar em consideração, como prova, uma mensagem do além. Isto é inaceitável, a não ser (e olhe lá), se oferecesse algo MUITO MAIS do que foi exposto. Oferecesse, por exemplo, uma prova que TODOS desconhecessem, o que não foi o caso, pelo que se vê. Além disso, “querida mamãe, querido papai”, já é muito comprometedor – o Chico, nestas mensagens, deveria ter sido mais criativo, variar um pouco.

  14. Biasetto Diz:

    Paloma,
    Quem precisa ver (ouvir) isto aí que você indicou é o Ed.

  15. Biasetto Diz:

    Paloma,
    Este da vidente de Brasília, eu havia comentado aqui. É a tal que foi no Jô Soares, uma picaretaça!

  16. Paloma Diz:

    Biasetto,
    eu já entrevistei esse físico (ele é físico mesmo, mas costuma vincular as ‘pesquisas’ que faz ao Instituto de Física da UnB, sem autorização alguma da faculdade). Ele dizia que lia pensamento. Veja o nível. A tal vidente é cria desse cara. Fizeram uma reportagem com ela aqui no jornal, antes do escândalo do crime, e muitos colegas meus resolveram se “consultar”. Primeiro era preciso depositar R$ 150 na conta dela. Depois, ela “atendia” por telefone. Isso foi em 2009. Ela garantiu que uma colega minha iria engravidar de uma menina naquele mesmo ano e que o Palmeiras seria o campeão brasileiro. Minha colega não engravidou coisa nenhuma. Quanto ao Palmeiras, como boa palestrina que sou, adoraria que a previsão tivesse sido verdadeira. Infelizmente, não passamos do quinto lugar ;)
    A picareta, que ficou presa no Presídio Feminino do DF, além de tudo é criminosa. No inquérito policial do caso do triplo homicídio (a empregada do casal foi morta também) consta que ela se encontrou com a principal suspeita do crime um dia antes de se apresentar voluntariamente na delegacia para indicar onde estava a chave…

  17. Biasetto Diz:

    Paloma,
    Que bom que você apareceu aqui.
    Legal tuas informações. Mas se prepare viu, porque, às vezes aparecem uns aqui, dizendo que a gente faz calunias e tudo mais. Tem uma turma que tenta transformar os pesquisadores, os que mostram as fraudes, as farsas em pessoas do mal.
    Obs.: Também sou palmeirense. Pena que nem nisso a picareta acertou. rs…

  18. Biasetto Diz:

    Paloma,
    Eu não sei o quanto você conhece aqui do blog. Tem diversos artigos mostrando plágios nos livros de Chico Xavier. Tem até alguns artigos meus. Vários livros dele, apresentam semelhanças além da conta nas histórias, com outros livros, frases, sequência de assuntos, personagens praticamente idênticos. Mas, com tudo isto, ainda tem quem afirme que não vê as semelhanças, ou quem afirme a “culpa” é dos espíritos. Pode??? Ah … pode, quando a fé é cega, TUDO PODE.
    Quando eu comecei a acessar este blog, na época eu era espírita e acreditava muito no Chico Xavier como médium. Fui lutando aqui, do jeito que dava, pra tentar mostrar que as evidências de fraudes eram frágeis, mas acabei jogando a toalha. Não teve jeito. Pesquisei e encontrei por mim mesmo, as inúmeras evidências de que Chico Xavier pesquisava livros pra escrever os seus. E TODOS estes livros, que serviram de fonte pra ele, estavam publicados no Brasil, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do XX. Além disso, eram referências que os espíritas da época liam, difundiam, admiravam. Quer mais provas que isto?

  19. Paloma Diz:

    Biasetto,
    estou superpreparada para ataques. A “médium” da qual falei no meu primeiro comentário me jogou até praga ;)
    E, como jornalista, estou mais que acostumada com ofensas!
    PS: quem sabe a médium de Brasília errou só o ano? Se bem que, com Frizzo e Tirone, acho que só na próxima encarnação – ops – vou ver o Verdão campeão novamente, haha

  20. Paloma Diz:

    Biasetto,
    eu descobri o blog ontem à noite, fiquei um tempão lendo, vi os artigos sobre os plágios. Sempre achei que o Chico Xavier era esquizofrênico, por ouvir vozes, mas pensava que era bem intencionado. Depois do que li aqui, estou certa de que se trata de um picareta de primeira linha. Quando as pessoas querem acreditar em algo, é muito difícil convencê-las do contrário, mesmo com milhões de argumentos. Não sou ateia e acredito em vida após a morte. Mas não vejo o menor sentido em reencarnação, aparição de espírito, psicografia… O sentido da fé, claro, é acreditar no que não se pode ser provado. O problema é que essa gente justamente quer convencer os outros de que existem provas para suas crenças – no caso, as tais cartas, as manifestações de entidades que ‘baixam’ nas pessoas, as gravações de voz de espírito, as ‘cirurgias’ espirituais… E essas ‘provas’ são fáceis de desmascarar! Aquelas fotos de gente vestida com lençol para parecer fantasma, meu Deus, aquilo é risível! E por que jamais aceitam um confronto sério com cientistas? Ficam dizendo que não têm de provar nada… Têm, sim! Eles enganam uma multidão, se dizem especiais, dizem ter um dom, etc etc etc. Então que provem! Mas duvido que um médium aceite ser completamente investigado por cientistas…
    Essa história dos plágios é simplesmente patética. Vou mostrá-la a uma amiga que viu os filmes (!) e está super convencida a virar espírita por causa disso (!!!!!).

  21. Vitor Diz:

    Oi, Paloma
    o Chico realmente NÃO era esquizofrênico, pois “o quadro clínico da esquizofrenia é devastador e com profundo impacto funcional.” Espero em breve publicar um artigo com um amigo meu em que um diagnóstico mais preciso para o Chico possa ser fornecido.

  22. Paloma Diz:

    Biasetto,
    é como o caso desses videntes que cobrarm para ler o futuro das pessoas. Elas não querem acreditar que aquilo é enganação: “Nossa, mas o tarólogo disse que estou passando por um momento difícil, e estou mesmo!”… Me dá um baralho que eu dou um show de adivinhação também! Entendo sua frustração com esses crédulos. Dá preguiça tentar fazê-los entender que sempre ouvirão o que querem ouvir, seja de tarólogos, caboclos, espíritos, pais de santo e afins…

  23. Paloma Diz:

    Vitor,
    será ótimo um artigo sobre isso! Porque eu sempre tive pena do Chico Xavier, pensava mesmo que era esquizofrênico (para a raiva das minhas amigas espíritas, que consideram isso um desrespeito com ele…), mas seu blog me abriu os olhos. Imagina se um esquizofrênico ia se dar ao trabalho de copiar tantos livros, colecionar jornais, contratar ajudantes… O que me chateia é que, pelo menos no Brasil, existe uma boa vontade muito grande de todos com o espiritismo. Sim, temos de respeitar a religião das pessoas, quaisquer sejam, mas chega a ser proselitismo o que fazem com o Chico Xavier. É filme, seriado, livro, revista, tudo querendo convencer que era um santo, iluminado, enviado de Deus, sei lá o quê.
    Seria ótimo mesmo poder nos comunicar por carta ou mensagens de rádio com os “entes queridos” que partiram. Mas, infelizmente, isso não existe. E gente tipo o Chico Xavier só alimenta falsas esperanças em pessoas desesperadas.
    A pior desculpa que costumo ouvir quando me mostro incrédula é: “Você é muito resistente, então os espíritos não se manifestam”. Como é fácil essa argumentação! De fato, os espíritos não se manifestam comigo de jeito nenhum (ainda bem, hahaha); já testei tábua de ouija, brinquei de copo, fiquei em pseudo casa assombrada. Nunca vi nem ouvi nada. Agora estou bem interessada em gravar a voz dos espíritos. Quando chegar em casa, vou ligar meu gravador. Aí aposto que vão me dizer: “Ninguém apareceu porque a entidade ficou chateada com você, que não acredita nela”. Ah, tá…

  24. Paulo-rs Diz:

    Paloma, que equipamento irá usar? Um PC para fazer a gravação e análise, um microfone e um rádio de pilha?

  25. Paloma Diz:

    Paulo,
    pois é, estou atrás de instruções técnicas… Li em um site que o ideal é ligar por Skype, mas não tenho o número de telefone de nenhum espírito, hahaha. O jeito vai ser ligar meu gravador digital mesmo. Li também que qualquer pessoa pode se comunicar! É só dizer onde está, o nome completo, o dia e a hora (pra quê, heim?) e pedir que alguém se manifeste. Diz lá nesse site (poxa, não lembro o endereço!) que depois é só ouvir com atenção. Prometo toda a atenção do mundo. Mas, no máximo, devo ouvir os latidos do meu cachorro no fundo, haha.

  26. Toffo Diz:

    Paloma, o que nos traz aqui é a dúvida. Nunca duvidei de que a dúvida é o princípio da sabedoria. E acho muito legal participar destas discussões, mesmo com os chiquistas chiliquistas que aqui vêm. Só pra elucidar um pouquinho: tenho 57 anos, Chico Xavier estava no leite materno que me alimentou, meus pais estavam entre a meia dúzia de gatos pingados que participaram da primeira reunião da Comunhão Espírita Cristã em 1/1/1959, no début de CX em Uberaba. A família da minha mãe é de lá, e nas férias e feriadões estávamos invariavelmente lá, e muitas vezes ia com meus pais na CEC, portanto me habituei a conviver com aquela figurinha esquisita, efeminada, sempre mal-ajambrada, que falava macio. Minha mãe dizia, “está vendo? esse é o homem mais evoluído da terra” e eu, nos meus sete ou oito anos, ficava espantado como podia aquela criatura estranha ser a mais evoluída da terra entre os bilhões de habitantes do mundo… Fui assim cristalizando uma imagem que vinha do fundo dos tempos. Depois, já adulto, eu li várias vezes os livros dele e tive, como muitos aqui, a minha fase de entusiasmo com a obra chicoxavieriana. Cheguei mesmo a estudar com afinco alguns deles. Mas o curso da vida, o conhecimento do mundo, os conhecimentos que eu fui adquirindo acabaram por me convencer de que o edifício do espiritismo, que me parecia tão sólido, apresentava rachaduras difíceis de disfarçar. Assim, de crente me tornei um descrente. Cético, na verdade. E quando descobri este blog e comecei a ver aquilo que se falava de CX, as coisas começaram a se encaixar direitinho, mas pelo avesso, ou seja: eu comecei a entender QUEM na verdade é CX. E me sinto habilitado a dizer que o pessoal daqui tem razão. Não dá pra negar o embuste. Mas por que ele fazia isso? Quero crer que ele era movido por aquilo que, em juridiquês, nós chamamos de “dolus bonus”, ou seja, o cara agia com dolo, mas com boa intenção, por um processo psicológico que a gente não pode avaliar, já que ele jamais se deu a conhecer. Isso explica porque ele agia assim, segundo penso.

  27. Juliano Diz:

    Toffo

    Ótima colocação do “dolus bonus”. Mas até que ponto é justificável o “dolus bonus”? Também foi muito bem colocado a situação de que ele nunca se deu a conhecer. Provavelmente o verdadeiro CX quem poderia dizer mais sobre ele seria o Waldo Vieira. Eu tenho quase que uma certeza que na relação entre ambos, muito próxima, havia muito mais que uma amizade, pelo menos do lado do CX, visivelmente um homossexual. E o Waldo Vieira, um jovem médico na época que não consegue esconder o seu narcisismo primário, que poderia fazer qualquer coisa para se tornar conhecido.

  28. Paloma Diz:

    Toffo, concordo que é a dúvida que nos move, nos leva adiante, nos fez evoluir. Sou extremamente curiosa e desde criança me interesso por assuntos relacionados à espiritualidade. Sou de família católica por parte de mãe, embora meu avô materno fosse ateu. Ele, que morreu antes de eu nascer, dizia à minha mãe que, sempre que escutasse alguma coisa estranha, fosse atrás para descobrir o que era. Sigo esse conselho a vida toda, e as coisas estranhas sempre foram uma janela emperrada, ou uma folha solta de papel, ou qualquer outra coisa absolutamente natural. Agradeço a meu avô por ter deixado de herança esse conselho. Meu pai também se declara ateu; a mãe dele era umbandista, assim como as irmãs.
    Não sou ateia, sou católica. Mas sempre mantive a mente aberta em relação a qualquer tipo de crença. Por isso, estou sempre pesquisando muito. Trabalho com jornalismo científico, tenho profunda fé na ciência, mas não acho que tudo se resuma a fórmulas e equações. Nas minhas investigações profissionais e pessoais, fui a centros de umbanda, candomblé, espiritismo; entrevistei muitos ditos paranormais, médiuns, tarólogos, pais de santos e até xamãs. Mas nunca, jamais, me convenci de que existem espíritos, entidades, guias etc. Nunca presenciei nada que fugisse à normalidade, e olha que já investiguei bastante.
    Acredito que a vida não se encerra quando morremos. Mas o mundo como conhecemos é dos vivos – não creio que mortos sejam capazes de se comunicar, interferir, manifestar… Também não vejo o menor sentido em reencarnação, carma, predestinação.
    Gostaria de ser convencida do contrário: não seria ótimo se pudéssemos nos comunicar com as pessoas que já foram embora? É quase como pegar o telefone e ligar para alguém que está distante. Porém, não acredito mesmo nisso e me irrita ver pessoas se aproveitando da ingenuidade alheia. Por tudo que estou lendo aqui, parece que o Chico Xavier era uma dessas pessoas. Se fosse apenas um louco bem intencionado, não precisava plagiar, mandar jogarem perfume no ar, vestir os auxiliares de fantasma…mas a discussão é boa e rende muito. Estou feliz de ter descoberto o blog.
    Grande abraço,

  29. Vitor Diz:

    Oi, Paloma
    .
    eu coloquei aqui algumas evidências de reencarnação, por exemplo, o caso do menino druso libanês Imad Elawar estudado por Ian Stevenson e o caso Antonia pesquisado por Linda Tarazi.
    .
    a) Caso Imad Elawar (Parte 1 de 6: http://obraspsicografadas.haaan.com/2011/o-caso-de-imad-elawar-parte-1-1974-relatrio-completo/)
    .
    b) Caso Antonia: http://obraspsicografadas.haaan.com/2011/o-caso-antnia-evidncia-extraordinria-de-reencarnao/

  30. Paloma Diz:

    Vitor, vou ler amanhã com toda a atenção. Dei uma rápida olhada no primeiro texto, o que não foi suficiente para tirar conclusões. O que estranho quanto a relatos de reecarnação é que sempre vêm de lugares remotos, ou então a pessoa se lembra de vidas passadas no Egito, em Roma, Israel… Já reparou que ninguém se lembra de ter sido um índio, um esquimó, um tribalista africano? Me parece tão fantasiosa essa coisa de soldado romano, sacerdote egípcio, princesa árabe etc. Vi, porém, que, no caso do menino,se tratava da possível reencarnação de um jovem bem comum. Vou ler com tempo e calma. Obrigada pelos links!

  31. Vitor Diz:

    Oi, Paloma
    esses casos de reencarnação com crianças que possuem lembranças de vidas passadas são radicalmente diferentes da maioria dos casos de hipnose. Nesses casos (com crianças) Ian Stevenson apresentou dezenas de casos entre índios, esquimós e tribalistas africanos… não só ele, como a pesquisadora Antonia Mills também…caso você queira um resumo excelente dessas pesquisas, recomendo a leitura do artigo de Matlock que coloquei aqui: http://www.4shared.com/document/eIKhuZVU/matlockport.html

  32. Vitor Diz:

    Ah, Paloma, para ter acesso às outras partes do caso Imad Elawar, digite “Imad Elawar” no sistema de busca do blog. São 6 partes, como disse.

  33. Toffo Diz:

    Paloma, na brincadeira, tá? (gosto de humor): então você é a encarnação daquela garota abelhuda que arrisca até as sobrancelhas para investigar um malfeito, e acaba conseguindo, como a gente vê nos filmes e nas histórias de ficção. Estou certo?
    Bem, agora na boa: você está certa em seguir os passos do seu avô, que era uma pessoa sensata. Nessa esteira investigativa, em que você foi a campo e pesquisou diferentes religiões e seitas, e nada viu de extraordinário, você adquiriu autoridade para poder afirmar tudo isso que tem afirmado. Eu não fui tão a fundo, mas os anos bem vividos me trouxeram esta mesma convicção. Eu tenho uns espinhos encravados dentro de mim, por exemplo: minha mãe afirma que via espíritos desde criança, sempre foi médium em sessões espíritas e tal, e desde que meu pai morreu, há quase 30 anos, ela passou a “psicofonar” comunicações dele em reuniões familiares, comunicações estas muito emotivas, as minhas irmãs choram, saudades mil etc etc, mas lá dentro, lá dentro, eu sentia um espinho me doendo, porque via minha própria mãe fazendo aquilo, via todos chorando, mas não tinha o que dizer sobre tudo isso. Como podia dizer que minha própria mãe fraudava, ou mistificava? Eu nunca via nada de excepcional no conteúdo das mensagens, nada, em suma, do que evidenciasse que meu pai estivesse em outra dimensão. Invariavelmente, eram ou sermões ou recomendações, coisas que qualquer pai dá. Hoje, aos 80 anos, minha mãe sofre de Alzheimer, ainda em estágio moderado. A memória dela é péssima, mas ela conserva ainda muito da capacidade intelectual, ou seja, ela sustenta uma conversação. Igual ao Roberto Carlos e seu show anual de natal, ela também faz a sua “sessãozinha” de natal todo santo ano, na qual invariavelmente há uma “comunicação” do meu pai. Este natal passado, pela primeira vez, aconteceu que ela não deu. Todos ficaram surpresos, porque esperavam por ela. A resposta dela: “seu pai não quis falar porque vocês estão com fome e querem comer”. Fiquei pasmo! Lembrei-me imediatamente de Shakespeare em Hamlet, “to be or not to be, that’s the question”. É fácil discutir esses assuntos quando se está isento. Mas quando isso envolve valores de família, fica complicado!

  34. Paloma Diz:

    Toffo, imagino que situação seja mesmo complicada pra você! Talvez sua mãe desejasse tanto se comunicar que ela realmente sentisse que seu pai pudesse falar com ela. O cérebro cria mecanismos de compensação e conforto (por exemplo, diante de uma dor muito forte, desmaiamos para sermos poupados); talvez isso tenha ocorrido com ela. Mas o fato é que nunca vamos saber. Infelizmente, reconheço a frustração de que, mesmo sendo a reencarnação da menina abelhuda ;) , algumas coisas ficarão sem explicação. Um abraço para você e para sua mãe!

  35. Antonio G. - POA Diz:

    É… A ficha pode cair mesmo quando já se tem 80 anos, ou mais…

  36. AGENOG Diz:

    Temos aqui apenas meia dúzia de pessoas, todas incrédulas quanto à veracidade do estudo. Parafraseando o Mestre, que nos esclareceu: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” por que eles não estudam todo o conteúdo do “O Livro dos Espíritos” antes de de opinar?
    Não se arrependerão.
    Ou será que têm medo de ler e se convencer?

  37. Sabrina Diz:

    Estou lendo os diversos artigos do blog, todos muito bem desenvolvidos, muito bem escritos. Parabéns, Vítor.
    Muito legal em ver que as pessoas que comentam aqui de fato discutem as idéias propostas! Adorei! :) Toffo, entendo como pode ser difícil esse tipo de situação. As vezes gostaria de ser “mais burrinha” ou “alheia” para lidar melhor com certas situações que ocorrem no ambiente familiar. É realmente arrebatador para nós que “percebemos” certas coisas.
    Estou lendo todo o caso do Imad Elawar, incrivelmente relatado aqui no blog. Existe algum registro de Imad nos dias de hoje?
    Vítor, mais uma vez, parabéns pelo trabalho! Tem muita coisa pra eu ler ainda por aqui, voltarei sempre! Abraços à todos!

  38. Vitor Diz:

    Que bom que gostou, Sabrina. Não creio haver nada mais significativo e recente nos dias de hoje. É claro que o caso Imad Elawar será muitas vezes citado ainda na literatura. Mas creio que o mais importante já foi dito.

  39. Anderson Girardi Martins Diz:

    Eu gostaria de ter as cartas que eu Psicografar, serem analisadas por você, pois não tenho compromisso com a mentira e busco correr de forjações mentais.

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