RUPRECHT SCHULZ: ESTRANHO CASO DE REENCARNAÇÃO QUE LEGITIMA O SUICÍDIO E O ABORTO

Em época de julgamento pelo STF do aborto de fetos anencéfalos, vale a pena publicar um caso de reencarnação investigado por Ian Stevenson que refuta duas ideias do espiritismo kardecista: 1ª- a de que a união da alma com o corpo começa na concepção (questão 344 do Livro dos Espíritos); 2ª- a de que a nova existência de um suicida será pior do que a anterior (questão 957 do Livro dos Espíritos). Muitos espíritas acreditam que o aborto seria um pecado ou um crime pelo simples “fato” de o feto já possuir uma alma desde a concepção. No entanto, este caso, que é o caso de Ruprecht Schulz, um suicida na vida anterior, prova de forma cabal que a reencarnação só poderia ter acontecido várias semanas após a concepção, ou seja, o feto não poderia ter alma alguma ligada a ele dentro desse espaço. Schulz também não se mostrou arrependido por ter cometido suicídio na vida anterior e gozou de uma vida muito melhor do que a da vida passada. Este é um dos mais fortes casos de reencarnação já investigados, com diversos documentos corroboradores. Foi publicado no livro “Casos Europeus de Reencarnação”, já traduzido para o português.

Obs: Fecundação é o momento de união do espermatozóide com o ovócito, dando origem a um objeto único, o zigoto, o que ocorre cerca de 22 horas após o encontro deles. Antes disso, o espermatozóide e o ovócito ainda são duas coisas distintas, apesar do espermatozóide já estar dentro do ovócito. Concepção é o desenvolvimento do embrião a partir de sua nidação (alojamento do ovo ou zigoto no útero – endométrio), o que acontece normalmente do 5º até o 8º dia após a fecundação. Muitos livros tratam como sinônimos fecundação e concepção, mas a tendência atual é que tais palavras tenham significados distintos.

RUPRECHT SCHULZ

Este caso tem duas características incomuns. Inicialmente, a correspondência da qual cito trechos fornece um registro escrito das lembranças de Ruprecht Schulz feito antes de ele ter tentado comprová-lo. Em segundo lugar, ele nasceu por volta de cinco semanas antes de a personalidade passada ter morrido.

Resumo do caso e sua investigação

Ruprecht Schulz nasceu em Berlim, Alemanha, em 19 de outubro de 1887. Seu pai era católico, mas a mãe pertencia à Igreja Protestante. Porém, eles devem ter sido receptivos à idéia de reencarnação. Quando ele tinha dez anos, Rosa, a irmã mais velha, morreu. Poucos meses mais tarde, sua mãe deu à luz gêmeos que não eram idênticos. Uma das gêmeas parecia tanto com a irmã mais velha falecida – em físico e em temperamento – que eles deram-lhe o nome Rosa.[1]

Ruprecht não tinha muito interesse na educação formal; e aos 18 anos, largou a escola e decidiu montar um negócio sozinho; aos 20 anos já contava com mais de 20 empregados. Mais tarde, ele disse que foi a primeira pessoa a fornecer o serviço de aluguel de lavanderia; o seu negócio foi bem-sucedido especialmente com as mães de bebês que viram com bons olhos o envio de fraldas limpas. Por fim, a sua empresa chegou a 200 empregados. Ele e a esposa possuíam seis propriedades, além de uma vila e tinham um motorista particular. Em suma, eram bem ricos. Ruprecht também era membro ativo dentro das questões da comunidade. Tornou-se membro do Conselho da Câmara de Comércio e representante do conselho municipal de seu distrito em Berlim.

Em 1939, começou a 2ª Guerra Mundial. Durante a guerra, os Aliados bombardearam Berlim e arruinaram ou destruíram muitas de suas propriedades. Após a guerra, a divisão de Berlim nos setores leste e oeste o afetou ainda mais. Suas propriedades remanescentes foram saqueadas. Antes da guerra, Ruprecht adorava Berlim, mas depois ele veio a desgostar do isolamento. Aos 68 anos, ele se aposentou e se mudou com a esposa para Frankfurt, onde morreu em 1967, com quase 80 anos.

Durante a infância, Ruprecht tinha o hábito de fazer um gesto com a mão como se fosse atirar em sua cabeça, quando lhe chamavam a atenção. Mais tarde, vou abordar essa questão novamente.

O sucesso de seus empreendimentos comerciais lhe permitiu viajar muito durante as duas guerras mundiais. Ele esteve na Itália e na Turquia, onde teve sensações de déjà vu, acompanhadas de lembranças vagas, difíceis de serem verificadas de vidas passadas, em algumas cidades que ele explorou.

As lembranças mais claras não surgiram para ele até o início da década de 1940, quando ele já tinha mais de 50 anos. Na essência do sonho, ele era um empresário que trabalhava com navios; ele se via dentro de um escuro prédio de escritórios olhando em livros de contabilidade que tirava de um velho cofre; ele descobria estar arruinado financeiramente e se matava. As lembranças pareciam incluir alguns detalhes comprováveis. Ele anotou alguns em um diário. Também ditou um relato deles para a secretária, Ingrid Wollensach, que o incentivou, até o estimulou a tentar comprová-los. Embora ele pensasse que isso seria possível, a guerra e suas seqüelas tornaram essa comprovação impossível até a década de 1950.

Finalmente, em maio e junho de 1952, ele usou o tempo livre de umas férias para iniciar a investigação. Acreditando que a vida passada da qual ele parecia se lembrar se passara em uma pequena cidade portuária do norte da Alemanha, escreveu aos funcionários municipais de seis cidades sobre essa descrição. Para começar, ele excluiu Hamburgo, Bremen e Kiel por serem grandes demais, deixando como possibilidades mais de meia dúzia de outros locais, pequenas cidades portuárias como Lubeck, Emden, Flensburgo, Bremerhaven, Wilhelmshaven, Rostock e Wismar. Destes, ele achou que Wilhelmshaven fosse provavelmente o local correto; escreveu a todas, e para garantir escreveu também para Bremen, Hamburgo e Kiel. Fingindo pesquisar a história da família na busca de um ancestral, quis obter informações sobre um homem que vivera e morrera na década de 1880, sobre o qual ele forneceu as principais particularidades que figuravam em sua memória. Todas as cidades, exceto uma, lhe responderam negativamente quanto às indagações. Ele recebeu uma carta (de 24 de julho de 1952) de Wilhelmshaven que mencionou brevemente a vida e o suicídio (em 1880) de um corretor marítimo e comerciante de madeiras que poderia ter sido a pessoa que Ruprecht Schulz buscava.

A primeira carta de Wilhelmshaven forneceu o sobrenome da suposta personalidade anterior como sendo Kohl. Imediatamente Rupert soube que o nome Kohl não estava muito correto e em uma carta posterior (de 11 de setembro de 1952) veio de Wilhelmshaven a correção do nome para Kohler. Nesse comunicado do município, também havia o nome e o endereço do filho ainda vivo de Helmut Kohler, Ludwig Kohler.

Ao receber o nome e endereço de Ludwig Kohler, Ruprecht lhe escreveu em 17 de setembro de 1952. Depois de se desculpar por se intrometer na vida familiar de um estranho, ele descreveu as suas lembranças e pediu para Ludwig verificar se elas batiam com acontecimentos da vida e da morte de seu pai. Felizmente, Ludwig respondeu cordialmente e, em uma carta (de 21 de setembro de 1952), ele reconheceu que as lembranças de Ruprecht correspondiam aos acontecimentos que levaram à morte de seu pai. Este homem, Helmut Kohler, tinha sido comerciante de madeiras, agente de despachos de navios e operador de serraria. Ele importava madeira, que processava na serraria e vendia. Em 1887, apostou erroneamente na ascensão do preço da madeira e perdeu uma enorme quantidade de dinheiro. Então ele conspirou com o seu contador para falsificar os registros, mas o contador entrou em pânico e fugiu com o dinheiro disponívelem caixa. Depoisdisto, Helmut perdeu o controle e se matou com um tiro.

Ruprecht Schulz e Ludwig Kohler trocaram várias outras cartas no outono de 1952; só se encontraram em outubro de 1956, quando Ruprecht foi até Wilhelmshaven pela primeira vez na sua vida. Antes, em 1956, o caso “Bridey Murphy” (Bernstein, 1956/1965) recebeu enorme publicidade na Alemanha (além de outros lugares). Como já mencionei no relatório do caso de Traude von Hutten, um jornal alemão, Das Neue Blatt, convidou os leitores a enviarem relatos pessoais de lembranças de vidas passadas. Recebeu centenas de candidatos, mas os editores julgaram apenas os casos de Traude von Hutten e de Ruprecht Schulz dignos de publicação e só decidiram publicar o relato de Ruprecht após terem enviado um repórter para entrevistá-lo em Frankfurt, e outro para entrevistar Ludwig em Wilhelmshaven.

A reportagem do Das Neue Blatt chamou a atenção de Hans Bender, o diretor do Institut für Grenzgebiete der Psychologie und Psychohygiene de Friburgo. Em agosto de 1960, ele conheceu e entrevistou Ruprecht. Pegou emprestado vários documentos como cartas e anotações que Rupert tinha guardado e tirou cópias. Ele as passou para mim, e eu também tirei cópias de alguns dos documentos mais importantes. Em 1960, o Dr. Müller entrevistou Rupert e também fez cópias de documentos importantes; ele me informou sobre o caso em 1962, deixando para mim algumas dessas cópias de documentos.

Fui até Frankfurt em 2 de maio de 1964 e fiz uma longa entrevista com Ruprecht e sua esposa, Emma. Depois disso troquei correspondência com ele até a sua morte.

Mais tarde, em 8 de dezembro de 1970, eu me encontrei com Emma Schulz novamente em Bonn, para onde se mudara para ficar perto da filha, que eu também entrevistei rapidamente. Emma me deixou examinar alguns dos documentos originais que mantinha para que eu pudesse compará-los com as minhas cópias. Ela também me forneceu o endereço da família Kohler em Wilhelmshaven.

Enquanto isso, Ludwig Kohler morreu, mas na esperança de obter informações relevantes eu escrevi para o seu filho, Ernst Kohler. Ele me respondeu com gentileza e depois de mais troca de correspondência, marquei de me encontrar com ele e com a sua irmã mais velha, Gertrud. Este encontro aconteceu em 15 de outubro de 1971, na casa de Gertrud e do marido, que se encontravaem Emden. Gertrudnascera em 1910 e Ernst em 1915. Como era de se esperar, eles pouco puderam cooperar em relação a novas informações sobre o caso. Algumas afirmações não batiam com outras anteriores fornecidas pelo pai, porém descreverei essas diferenças posteriormente.

As datas da morte de Helmut Kohler e do nascimento de Ruprecht Schulz têm significado especial neste caso, que é o que chamamos de “datas anômalas”. Para saber se eu estava correto a respeito das datas, eu me correspondi com os registros municipais de Wilhelmshaven e de Berlim. Ruprecht nasceu naquela parte de Berlim que, na década de 1970, era denominada Berlim Oriental. Pedi ajuda aos funcionários de Berlim Ocidental, e eles gentilmente passaram a questão para os funcionários de Berlim Oriental. Finalmente, obtiveram para mim uma cópia da certidão de nascimento de Ruprecht Schulz.

Duas outras questões que contribuíram merecem ser mencionadas aqui. O primeiro é uma troca de cartas entre o Dr. Müller e Ingrid Wollensach, que, como mencionei antes, fora secretária de Ruprech Schulz durante a década de 1940, quando ele recuperou as suas memórias (o diário dele se perdeu durante o bombardeio de Berlim na época da guerra). A segunda, um documento de 1º de agosto de 1952, é um relato das memórias que Ruprecht Schulz elaborou após ele ter começado a escrever para as cidades portuárias e ter recebido uma resposta inicial de Wilhelmshaven, embora ainda não tivesse iniciado a correspondência com Ludwig Kohler.

As circunstâncias da recuperação das lembranças de Ruprecht Schulz

Ruprecht Schulz deu a seguinte declaração (gravada em fita) para o Dr. Bender em agosto de 1960:

As memórias começaram a surgir para mim na época dos ataques de bombardeios em Berlim, durante a guerra [2ã Guerra Mundial; Ruprecht menciona em outro lugar como sendo os anos de 1942-3]. Tínhamos 700 alarmes de sirenes; nem todos eram seguidos de ataques aéreos, embora muitos fossem. Ficávamos alertas todas as noites [para tocar o alarme em caso de incêndio]. Embora fosse proibido, eu mantinha um diário. O turno de alerta era feito em rodízio e como eu estava acostumado a trabalhar aos sábados no meu próprio negócio, eu pegava o turno da noite de sábado até a manhã de segunda. Meu escritório ficava em Breitenstrasse, do outro lado do velho palácio de Berlim. A casa fora construída na época da Guerra dos Trinta Anos e estava registrada como monumento histórico. Eu podia ficar deitado em um sofá, mas tinha de permanecer totalmente vestido e ficar alerta. Nesses momentos [do meu turno] eu costumava colocar em ordem o serviço que se acumulara durante a semana… Como mencionei, o prédio era em estilo romântico; e o cofre era muito velho e, por motivos de segurança, não ficava em um lugar aberto, mas meio escondido em um tipo de corredor, mal-iluminado. Eu costumava ir até o cofre e retirar [e examinar] os livros de contabilidade. Foi assim que tudo começou. A idéia surgiu quando os livros de contabilidade mostraram como iam os negócios. Então toda a vez em que ia ao cofre e tirava os livros de contabilidade eu pensava: “Você já esteve nessa situação antes. Então qual teria sido essa situação [anterior]? O sentimento foi ficando mais forte e então – não em um transe ou estado de sono – como algo quase visível aos olhos, pude me observar como eu naquela época. Usava um colarinho alto e roupas formais; tinha voltado de uma cerimônia em um dia especial. Meu negócio estava falido; um empregado tinha sumido com o dinheiro – desfalcou a empresa e fugira com o dinheiro. Então fiquei sentado com os livros de contabilidade e pude ver que não havia mais futuro. Tudo terminara. Depois fiquei sozinho em uma sala e enfiei uma bala na cabeça, na têmpora direita. Podem chamar essas imagens de clarividência, mas para mim elas são lembranças.

Em outra declaração (de 8 de junho de 1960), Ruprecht enfatizou as semelhanças entre sua situação em 1942-3 e as da vida passada. Ele escreveu:

O cenário da vida passada era semelhante àquele pelo qual eu passava na época. O cofre estava em um local parecido, e os livros de contabilidade também eram semelhantes.

Em 2 de maio de 1964, fiz as seguintes anotações durante a minha reunião em Frankfurt com Ruprecht e Emma Schulz:

Quando RS começou a ter essas lembranças, elas eram vagas e nebulosas; mas nas semanas que se seguiram, tornaram-se cada vez mais claras. Ele nunca as tinha a não ser quando estava no escritório durante o seu turno aos domingos. Estava completamente acordado nessas vezes. Ele experimentou novamente as emoções da situação lembrada e viu as lembranças como uma imagem interior, não como uma visão projetada.

Provas de declarações escritas de Ruprecht Schulz feitas antes da comprovação

Como mencionei antes, Ruprecht usou o tempo livre de suas férias na primavera de 1952, para escrever cartas solicitando informações de cidades portuárias do norte da Alemanha. O primeiro registro escrito que temos de suas lembranças ocorreu nessas cartas nas quais fingia estar buscando detalhes de um ancestral cujo nome ele não sabia. A carta para o município de Wilhelmshaven (de 30 de maio de 1952) tinha o seguinte teor:

Na esperança de completar a história de minha família, estou tentando saber mais sobre um ancestral, ou talvez um parente distante… Ele teria falecido entre 1870, talvez um pouco antes de 1885. Morou em uma cidade portuária da Alemanha e estava ligado a embarques, fretes de navio, ou algo semelhante. Tinha cerca de 40 anos de idade. Ao retornar de alguma comemoração, ele se matou com um tiro devido a dificuldades financeiras.

A primeira resposta de Wilhelmshaven dizia que o homem que Ruprecht tentava localizar poderia ter sido um corretor marítimo e comerciante de madeira chamado Kohl (sic) que se matara em 1890.

Ruprecht respondeu a Wilhelmshaven e pediu mais detalhes sobre o comerciante de madeira Kohl. Antes de receber uma resposta, ele escreveu um relato de suas memórias, em 1º de agosto de 1952. Como este contém poucos detalhes adicionais aos que já mencionei anteriormente, não vou citá-lo aqui. No entanto, forneceu mais detalhes sobre a roupa formal: um fraque e o colarinho branco e duro que o homem, que ele acreditava ser ele mesmo, usava ao se matar. Também mencionou que ele pensava que a vida passada tinha se passado em uma pequena cidade portuária, não em uma grande (pela data de suas declarações, podemos notar que ele já sabia que um corretor marítimo de Wilhelmshaven tinha se matado no fim do século XIX).

A próxima carta do município de Wilhelmshaven (de 11 de setembro de 1952) fornecia o nome completo do madeireiro: Helmut Kohler. Também mencionava o nome e o endereço do filho, ainda vivo, de Helmut – Ludwig.

Ruprecht imediatamente escreveu a Ludwig Kohler. Sua carta de 17 de setembro de 1952 incluía o seguinte:

Desde que eu era muito novo, tinha a distinta impressão, com vários detalhes, de que fui [em uma vida passada] de certo modo ligado à construção de navios ou a uma agência de embarques de navios e que eu tinha acabado com a minha vida com um tiro. Estava no auge da minha vida. Quanto ao local [desta vida], sabia que ela se passara em uma antiga cidade portuária de tamanho pequeno ou médio; me pareceu, mais tarde e mais claramente, que essa cidade era Wilhelshaven. Além disso, o homem [que eu era] parecia estar em uma casa bem antiga. Nela havia uma saleta com um baú ou um tipo de cofre ou arquivo com documentos importantes e provavelmente também com um pouco de dinheiro vivo. A pessoa [que eu era] usava roupas escuras no estilo daquela época, como se tivesse vindo de alguma reunião importante ou de um evento especialmente relevante. Quanto à data desses acontecimentos – o suicídio da pessoa [que eu era] – me pareceu ter sido por volta de 1885.

Em 1960, o Dr. Müller escreveu à ex-secretária de Ruprecht Schulz, Ingrid Wollensach, que ainda moravaem Berlim. Recebeuduas cartas dela, de 24 e 30 de setembro de1960. Aprimeira carta de Ingrid incluía o seguinte:

“…Fico contente em lhe dizer que eu ainda me lembro da experiência mencionada em sua carta. Eu recordo que o Sr. Shultz disse que os acontecimentos [de suas memórias] ocorreram em uma pequena cidade portuária, Wilhelmshaven.[2]  Com certeza, não era uma grande cidade portuária como Hamburgo.

Também me lembro da idéia de férias, porque conversamos sobre as roupas necessárias para aquela ocasião.”

Como percebi que, em sua declaração de 1º de agosto de 1952, o Sr. Schulz dissera que na vida passada ele estava sozinho no escritório, gostaria de mencionar que o Sr. Schulz tem o hábito de trabalhar sozinho no escritório – após todos os outros terem ido para casa – inclusive aos domingos e feriados.

A segunda carta incluía o seguinte:

Em referência à sua carta sobre as lembranças do Sr. Ruprecht Schulz, refleti sobre o caso novamente. Aqui estão mais algumas informações do que me lembro.

Havia uma referência a estar preocupado com um negócio que envolvia madeira. A pessoa [das lembranças], em um dia de algum feriado especial, estava sozinha no escritório, examinou os livros de contabilidade e descobriu que um empregado indigno de sua confiança o enganara. Assim ele se viu em estado de falência. Se eu me lembro corretamente, um revólver, que era guardado na escrivaninha, foi a arma usada no suicídio.

Pode-se muito bem perguntar por que me é possível lembrar desses detalhes após tantos anos. O Sr. Schulz não apenas contou, como também ditou tudo para mim, para que eu datilografasse o que ele dizia. Neste caso, ele já tinha falado comigo sobre o assunto anteriormente, e também discutimos a questão juntos, mais tarde.

A verificação das declarações de Ruprecht Schulz

A primeira resposta do município de Wilhelmshaven à carta de Ruprecht Schulz veio em 24 de julho de 1952. Sugeria que o homem que Ruprecht buscava poderia ser “o corretor marítimo e o comerciante de madeira Kohl, que cometera suicídio em1890”.

A segunda carta de Wilhemshaven era de 11 de setembro de 1952 e forneceu informações mais específicas e corretas. Dava o nome completo de Helmut Kohler, descrevendo-o como comerciante de madeira e operador de serraria, disse que ele se suicidara com um tiro aos 54 anos em 23 de dezembro de 1887 (esta data também estava incorreta). Esta era a carta que fornecia o nome e o endereço do filho de Helmut Kohler, Ludwig, em Wilhelmshaven.

Com essa informação, Ruprecht escreveu a Ludwig Kohler em 17 de setembro de 1952. Já mencionei antes trechos relevantes dessa carta. Ludwig respondeu imediatamente a carta de Ruprecht em 21 de setembro. Após ter declarado inicialmente que ele achava doloroso compartilhar detalhes de sua vida familiar, explicou que sabia que a questão era importante para Ruprecht e que, portanto, ele se daria ao trabalho de responder as suas indagações. Também explicou que era apenas uma criança na época dos acontecimentos aos quais Ruprecht se referia (Ludwig Kohler nasceu em 1875, portanto tinha 12 anos quando o pai se matou). Sua carta prossegue:

Meu pai, Helmut Kohler, tinha negócios importantes em Wilhelmshaven que incluíam o comércio de madeira e uma serraria. Nossa residência ficava em Friedrichstrasse 25, bem ao lado ficava um prédio térreo que era usado para os escritórios. Esta construção dava para o norte, tinha apenas janelas pequenas, portanto estava sempre escura. Em um canto de uma das salas havia um cofreantigo, que você mencionou. Dentro havia dinheiro, livros de contabilidade e também uma caixa fechada com documentos importantes. Meu pai geralmente trabalhava com roupas escuras e onde quer que fosse usava uma cartola.

Ele importava madeira por navio de Danzig, Konigsberg e Memel, mas especialmente da Noruega, Suécia, Finlândia, Rússia e dos Estados Unidos. Em 1888,[3] ele acreditou (erroneamente) que os impostos alfandegários aumentariam e importou uma quantidade enorme de madeira. Infelizmente, foi uma especulação equivocada porque o preço da madeira caiu muito mais que o aumento de impostos alfandegários. A partir daí, ele passou a ter dificuldades para honrar as faturas. A fim de superar a crise, ele combinou com o contador, que tinha sido “seu braço direito” e no qual confiava cegamente, de falsificar os registros de suas transações com moeda estrangeira. Os dois acreditavam que eles se desembaraçariam das dificuldades assim que a taxa de câmbio caísse, o que acabou não acontecendo. O contador ficou com medo de ser preso, fugiu para os Estados Unidos levando consigo uma parte considerável dos fundos disponíveis da empresa. Meu pai entrou em pânico completo e se matou no Dia da Prece e do Arrependimento.[4] A empresa foi declarada falida, embora isto não fosse necessário, de fato. Embora o prédio, a serraria e a madeira da empresa tivessem de ser vendidas em leilão, todos os credores foram pagos.

Na carta de Ruprecht Schulz de 26 de setembro de 1952, na qual ele agradecia a Ludwig Kohler pela resposta de 21 de setembro, perguntou a Ludwig se o pai tinha dado um tiro “na têmpora direita ou no coração”. Na resposta de 30 de setembro, Ludwig escreveu que sabia apenas que o pai tinha atirado na cabeça.

O quadro 2 fornece um resumo de todos os itens comprovados para os quais temos provas de que Ruprecht Schulz realmente escreveu ou ditou para a secretária antes de eles serem verificados.

A visita de Ruprecht aos Kohler em Wilhelmshaven

Em outubro de 1956, Ruprecht e Emma Schulz foram até Wilhelmshaven onde se encontraram com Ludwig Kohler. A cidade tinha sido muito danificada pelos bombardeios durante a então recente guerra. Ruprecht acreditou reconhecer a Prefeitura e um antigo arco. Percebeu que podia reconhecer fotos dos filhos de Helmut Kohler tiradas junto com um enorme grupo de alunos de uma escola, mas não reconheceu as filhas. Não temos comprovação de nenhum dos reconhecimentos que Ruprecht acreditou ter feito. 

O desconhecimento de Ruprecht Schulz em relação à cidade de Wilhelmshaven

Na sua carta de 17 de setembro de 1952, Ruprecht mencionou:

Nunca estiveem Wilhelmshaven. Nãotenho nem nunca tive parentes ou ligação com ela. Apesar do meu interesse em ir até lá, nunca fui, por conta dos meus negócios, e também pelas dificuldades de viajar durante a época de Hitler e depois.

O “interesse” que Ruprecht tinha em ir para Wilhelmshaven se originava apenas da convicção que havia vivido e morrido lá; não tinha nenhum outro interesse na cidade, que fica370 kma noroeste de Berlim, em uma enseada do Mar do Norte.

Mais informações biográficas sobre Helmut Kohler

Durante as minhas entrevistas e pela leitura dos documentos aos quais tive acesso, soube de poucos detalhes sobre a vida de Helmut Kohler além dos já mencionados nas cartas citadas que Ludwig escreveu a Ruprecht.

Helmut Kohler nasceu em Wilhelmshaven em 7 de janeiro de 1834. Casou-se com uma prima e tiveram três filhos, dois meninos e uma garota. Ludwig, o segundo filho, também nasceu em Wilhelmshaven a 9 de maio de 1875.

Em1887, acidade tinha apenas um jornal, o Wilhelmshaven Zeitung. Em 24 de novembro de 1887, ele divulgou uma breve notícia sobre a morte de Helmut Kohler descrevendo-a como “repentina e inesperada”, porém sem detalhar a causa da morte.

Após retornar de sua primeira (e acredito única) visita a Wilhelmshaven, Ruprecht Schulz escreveu um relato do que ele descobrira durante a visita. Ele soube, por Ludwig Kohler, “que no dia de Buss –und Bettag, toda a família tinha ido à igreja. Depois se reuniram em casa para o almoço. De repente, Helmut Kohler se levantou, foi até o escritório e se matou. Isso ocorreu entre 2 e 3 da tarde”. 

Item

Registros

Verificação

Comentários

1. Seu negócio era relacionado a navios.

Carta de R. Schulz para L. Kohler de 17 de setembro de 1952.

Carta de 30 de maio de 1952 de R. Schulz para o Escritório Municipal de Wilhelmshaven.

Carta do Escritório Municipal de Wilhelmshav­en de 24 de julho de 1952. Carta de L. Kohler para R. Schulz de 21 de setembro de 1952.

Não há.

2. Seu negócio tinha algo a ver com madeira.

Carta de I. Wollensach para K. Müller em 30 de setem­bro de 1960.

Carta de L. Kohler para R. Schulz de 21 de setem­bro de 1952.

Não há.

3. Ele morava em uma cidade portuária peque­na ou de tamanho médio, mais provavelmente em Wilhelmshaven.

Carta de R. Schulz para L. Kohler de 17 de setembro de 1952.

Carta de I. Wollensach para K Müller de 24 de setembro de 1960.

Carta de L. Kohler para R. Schulz de 21 de setembro de 1952.

R. Schulz já sabia por uma carta de Wilhelmshaven de 24 de julho de 1952 que um homem chamado Kohl (sic) morou em Wilhelmshaven tinha um comércio de madeira e cometera suicídio. A carta de R. Schulz de 30 de maio de 1952 ao escritório municipal de Whilhelmshaven se referia a uma cidade portuária sem mencionar o tamanho.

4. Ele tinha uma casa antiga.

Carta de R. Schulz para L. Kohler de 17 de setembro de 1952.

Veja comentários.

Ernst Kohler me disse que a casa em si era de construção moderna (em 1887), mas era rodeada de prédios mais antigos. O prédio menor ligado à casa, que funcionava como escritório e onde ficava o cofre, deve ter sido de construção mais antiga, pois Ludwig Kohler disse que as janelas eram pequenas e era escuro.

5. Ele tinha um cofre antigo.

Anotações de R. Schulz de 1º de agosto de 1952.

Carta de L. Kohler para R. Schulz de 21 de setembro de 1952.

Não há.

6. Ele mantinha documentos, livros de con­tabilidade e dinheiro no cofre.

Carta de R. Schulz para L. Kohler de 17 de setem­bro de 1952.

Carta de L. Kohler para R. Schulz de 21 de setembro de 1952.

Não há.

7. O cofre era mantido em uma saleta bem escura.

Carta de R. Schulz para L. Kohler de 17 de setembro de 1952.

Carta de L. Kohler para R. Schulz de 21 de setembro de 1952.

O cofre era mantido em um canto de uma sala escura.

8. Ele tinha ido até o cofre, retirado os livros de contabilidade e ao examiná-los descobriu estar falido.

Anotações de R. Schulz de 1º de agosto de 1952.

Não confirmado especifica­mente, mas pode ser dedu­zido pela carta de L. Kohler para R. Schulz de 21 de setembro de 1952.

A primeira carta de R. Schulz ao Prefeitura de Wilhelmshaven mencionava apenas “difi­culdades financeiras”.

9. Ele foi traído por um funcionário de confiança, que o forçou à falência.

Carta de I. Wollensach para K. Müller de 24 de setembro de 1960.

Carta de L. Kohler para R. Schulz de 21 de setembro de 1952.

Não há.

10. Ele deu um tiro na têmpora direita.

Anotações de R. Schulz de 1º de agosto de 1952.

Parcialmente correto; carta de L. Kohler para R. Schulz de 30 de setembro de 1952.

Ludwig Kohler sabia apenas que seu pai atirara na cabeça, não em que parte da cabeça.

11. No dia em que atirou, ele participara de uma cerimônia importante.

Carta de R. Schulz para L. Kohler de 17 de setem­bro de 1952.

Carta de 30 de maio de 1952 de R. Schulz para o Escritório Municipal de Wilhelmshaven. Carta de I. Wollensach para K.Müller de 30 de maio de 1960.

Carta de L. Kohler para R. Schulz de 21 de setembro de 1952.

Era o Dia do “Arrependimento e da Prece”, feriado alemão.

12. Quando ele deu o tiro, ainda usava as rou­pas para a ocasião formal de que participara. Vestia um fraque e um colari­nho alto e engomado.

Anotações dc R. Schulz de 1º de agosto de 1952.

Provável, mas não pôde ser verificado de forma independente; veja comentários.

Em uma fotografia (que tenho) de Helmut Kohler, ele é visto usando um colarinho branco duro e um fraque preto. Ruprecht Schulz disse que Ludwig confirma­ra o fato com ele quando se encontraram em Wilhelmshaven.

13.          Usava roupa escura.

Carta de R. Schulz para L. Kohler de 17 de setem­bro de 1952.

Carta de L. Kohler para R. Schulz de 21 de setembro de 1952.

Não há.

14.          O suicídio ocorreu por volta de 1885.

Carta de R. Schulz para L. Kohler de 17 de setem­bro de 1952.

H. Kohler morreu em 23 de novembro de 1887. Viveu ainda uma semana após o tiro.

Em sua carta datada de 30 de maio de 1952 ao município de Wilhelmshaven, R. Schulz forneceu várias datas entre 1870 e 1885. Na época da carta a L. Kohler em 17 de setembro, ele soube por Wilhelmshaven que o ano da morte era 1887.

15. Estava no auge da vida, talvez com uns 40 anos.

Carta de R. Schulz para L. Kohler de 17 de setem­bro de 1952.

Anotações de R. Schulz de 1º de agosto de 1952.

Veja comentários.

A certidão de óbito de Helmut Kohler mencionava que ele tinha 53 anos ao morrer.

Testemunho diferente dos netos de Helmut Kohler

Os netos de Helmut Kohler, Gertrud Kohler Schmidt e Ernst Kohler, nasceram respectivamente em 1910 e 1915. Eles discordaram das declarações do pai em sua correspondência com Ruprecht Schulz em dois pontos.

Primeiro, disseram que a casa na qual acontecera a morte de Helmut Kohler não era antiga, mas moderna, embora rodeada de prédios velhos. Entretanto, acho que o prédio menor, ligado ao prédio e usado como escritório, onde Helmut mantinha o cofre, deve ter sido velho, porque Ludwig o descreveu como tendo janelas pequenas e estar sempre escuro.

Em segundo lugar, esses informantes negaram mais tarde que seu avô tivesse se envolvido em falsificação de registros. Gertrud Kohler Schmidt disse que o suicídio do avô tinha sido um escândalo na família, e ela apenas soube da morte do avô pela tia quando tinha cerca de 20 anos. Isso teria sido mais de 40 anos após a morte do avô.

Comentário. Ludwig Kohler não tinha a necessidade de inventar uma história sobre a desonestidade do avô se isso não fosse verdade. Acredito, portanto, que sua irmã (tia de Gertrud) escondeu dela o fato vergonhoso da desonestidade do avô.

As datas de nascimento e da morte

Ruprecht Schulz disse ter nascido em Berlim em 19 de outubro de 1887, e eu obtive uma cópia de sua certidão de nascimento.

Também obtive uma cópia da certidão de óbito de Helmut Kohler, que morreu em Wilhelmshaven em 23 de novembro de 1887. Confirmei a exatidão da data por meio da cópia do aviso de morte publicado no Wilhelmshaven Zeitung de 24 de novembro de 1887, que dizia da morte ocorrida “repentina e inesperadamente ontem”.

Helmut sobreviveu uma semana após o tiro. Em 1887, o feriado ocorreu em 16 de novembro, uma quarta-feira.

O intervalo entre o nascimento de Ruprecht Schulz e a morte de Helmut Kohler foi, portanto, de cinco semanas.[5]

Informações sobre o comportamento de Ruprecht Schulz

O comportamento de Ruprecht Schulz em relação à vida passada.

Ruprecht Schulz se lembrou que quando criança, toda vez em que se sentia deprimido ou que alguém ralhava com ele, moldava a mão na forma de um revólver com o indicador estendido. Punha o dedo na têmpora e dizia “vou me matar”. Fazia isso com tanta freqüência que a sua mãe ficou zangada e assustada. Ela considerava um mau agouro para uma desgraça futura e o proibiu de continuar com o hábito.

Desde a juventude, os revólveres fascinavam Ruprecht. Ele tinha muito mais interesse neles que em outras armas. Ele descobriu que pegar em um revólver de verdade era-lhe desagradável.

Ruprecht também descreveu ter tido desde cedo interesse por navios e navegação; colecionava modelos e gravuras de navios. Seu interesse podia não ter tido nenhum estímulo óbvio a partir das atividades em Berlim, uma cidade longe do mar, cortada apenas por um rio pequeno.

Ruprecht escreveu (em uma carta para mim de 26 de maio de 1964) que ele era extremamente cauteloso com as questões financeiras e evitava qualquer envolvimento que parecia levar ao risco de perda. Dentre seus parentes e círculo de amigos era conhecido como “consciente na segurança”. Ele atribuía esse traço ao desastre financeiro da vida passada quando arriscou e fez projeções erradas.

A atitude de Ruprecht Schulz em relação ao suicídio 

Em relação ao suicídio da vida passada, Ruprecht nem lamentou nem o aprovou. Entretanto, ele acreditava que em algumas circunstâncias da vida, o suicídio oferece uma solução racional. Ele mencionou as condições espantosas da Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial como, por vezes, propícias a um suicídio. Seria um meio de escapar de uma situação intolerável.

As atitudes dos adultos em relação ao caso

Ruprecht Schulz entendeu e concordou com o pedido de Ludwig Kohler, declarando antes na troca de correspondência que os detalhes dos negócios da família Kohler não deveriam ser expostos ao público. Assim, Ludwig ficou zangado quando Ruprecht, respondendo ao apelo de Das Neue Blatt, escreveu ao jornal narrando sua experiência. O jornal publicou o nome de Kohler sob um pseudônimo (não o que eu adotei), mas isso não adiantou para abrandar a insatisfação de Ludwig. Ruprecht também ficou um pouco irritado com a tendência da mídia de fazer sensacional ismo de sua experiência. Além do Das Neue Blatt, pelo menos outro jornal e uma revista ilustrada nacional publicaram relatos sobre o caso.

O próprio Ruprecht não tentou explorar as suas experiências. Respondeu a correspondentes que leram sobre o casoem Das Neue Blatt, ou que souberam dele de outra maneira; deu uma ou duas palestras; e cooperou com investigadores sérios como o professor Hans Bender, o Dr. Karl Müller e eu. Que eu saiba, ele não obteve ganhos financeiros e recebeu apenas a atenção pública efêmera pela publicação do seu caso na mídia.

A fórmula de Ruprecht Schulz para lembrar a vida passada

Em uma carta para o Dr. Müller de 24 de junho de 1959, Ruprecht destacou um tipo de fórmula para se lembrar de uma vida passada. Ele escreveu que precisava da coordenação de três elementos, a seguir:

a)    a pessoa deveria ser especialmente sensível, de certa forma, como um sismógrafo; mas também não poderia ser perturbada facilmente, tal qual “um feixe de nervos”.

b)    na vida passada deve haver algum acontecimento incomum que tenha deixado um efeito profundo no “eu interior”,

c)    a pessoa tem de encontrar na vida presente algum local, objetos ou acontecimentos que liberem a memória da vida passada.

Comentários

Diferentemente de muitos casos mais consistentes da Ásia, este apresenta a falha de eu não conseguir reunir grande número de informantes que pudessem confirmar suas declarações. Ruprecht permanece quase que totalmente o único informante das declarações antes de elas serem confirmadas. No entanto, não temos motivo para duvidar da autenticidade da troca de cartas entre ele e Ludwig Kohler que levou à confirmação de suas declarações. A carta de Ruprecht de 17 de setembro de 1952 propicia um registro tão bom quanto possamos desejar de um relato de declarações essenciais.

Podemos afirmar que confirmamos o caso quando o sujeito em estudo não mencionou nenhum nome pessoal e tampouco o nome de uma cidade portuária com certeza?[6] Ao responder esta questão devemos reconhecer que muitas declarações de Ruprecht poderiam se aplicar a vários homens de negócios de cidades portuárias no norte da Alemanha. Porém, quantos poderiam se aplicar conjuntamente a qualquer outra pessoa que não Helmut Kohler? Não há dúvida de que outros comerciantes alemães com dificuldades financeiras poderiam ter se matado em desespero diante da ruína financeira. Porém, quantos moravam em pequenas cidades portuárias do norte e cometeram suicídio em um dia especial de cerimônia religiosa? Quantos mantinham documentos em um cofre de estilo antigo que ficava em um canto de uma saleta escura? Não podemos excluir a possibilidade da morte de alguma outra pessoa ser semelhante à de Helmut Kohler, mas a probabilidade de encontrar essa pessoa me parece ser extremamente remota.

Igualmente remota parece ser a possibilidade de Ruprecht Schulz ter tido qualquer conhecimento dos negócios que culminaram com o suicídio de Helmut Kohler, que morava em uma cidade portuária (Wilhelmshaven) a370 quilômetrosde Berlim, onde Ruprecht Schulz morou durante toda a vida até se mudar para Frankfurt.

Por esses vários motivos considero este caso um dos mais fortes que já investiguei.


[1] Este é um exemplo de crença persistente dentre alguns europeus de que uma criança falecida (ou outro membro) de uma família pode renascer dentro dela (Bergunder, 1994). O caso de Alessandrina Samonà (Parte II deste livro) fornece outro exemplo desta crença e alguma prova sobre ela.

[2] Dr. Müller, em sua carta de investigação, tinha perguntado a Ingrid Wollensach se Ruprecht Schulz mencionara o porto de Wilhelmshaven pelo nome.

[3] Ludwig Kohler passou um ano ausente, no ano da morte do pai.

[4] Na Alemanha, este feriado se chama Buss- und Bettag, o dia do arrependimento e da prece. Sempre cai em uma quarta-feira de novembro. Em 1887, caiu no dia 16 de novembro.

[5] Os outros casos com datas anômalas incluem: Jasbir Singh, Chaokhun Rajsuthajarn, Smriti Kana Kunda, Sudhir Rastogi, Sumitra Singh e Manju Bhargava.

[6] O caso de Indika Guneratne incluiu igualmente poucos nomes próprios: os de uma cidade e de um criado. Ele não declarou nenhum nome de familiares, porém forneceu vários outros detalhes para garantir a minha crença de que eles correspondiam à vida de uma pessoa em particular que morou na cidade mencionada por ele.

64 respostas a “RUPRECHT SCHULZ: ESTRANHO CASO DE REENCARNAÇÃO QUE LEGITIMA O SUICÍDIO E O ABORTO”

  1. Biasetto Diz:

    Vítor,
    Muito interessante, legal!

  2. Carlos Diz:

    Vitor,
    .
    Acho que o Hernani Guimarães Andrade também relata no livro Reencarnação no Brasil um caso semelhante, pelo menos no que diz respeito ao relação sofrimento que um suicida deveria passar. Faz muito tempo que li o livro e não me lembro dos detalhes, mas na época me surpreendi com o relato. O que entendi foi que o sofrimento do suicida sempre vem, não necessariamente na próxima vida… enfim, era essa a explicação.
    .
    Uma outra observação é que no título a palavra “legitima” soa muito forte. Talvez “despenaliza” se encaixe melhor no contexto da lei de causa e efeito, a qual o você, me parece, quer referir.

  3. Carlos Diz:

    Corrigindo: …diz respeito em relação ao…

  4. Marden Diz:

    Não restam dúvidas que Ian Stevenson fez um excelente trabalho recolhendo dados ao redor do mundo, sobre possíveis casos de reencarnações e experiências de quase morte (EQM). E todo espírita, independente de qual doutrina estude, deverá concordar que faz muita falta investigadores assim como ele.
    .
    Mas como o próprio autor afirma em seus comentários finais “Diferentemente de muitos casos mais consistentes da Ásia, este apresenta a falha de eu não conseguir reunir grande número de informantes que pudessem confirmar suas declarações”. O que evidentemente deixa uma lacuna a ser preenchida, ou que não apresenta consistência, ou menos consistência que outros casos.
    .
    Portanto, baseando-me apenas no título, muito mal escolhido por sinal, acredito que este artigo não interessará aos críticos sérios, aos céticos isentos de paixões, com exceções dos atacadores do espiritismo ou céticos de carteirinha, que estão acostumados aos “disse-me disse”.
    .
    Este artigo também nada incomoda aos estudantes do espiritismo (sejam eles Kardecistas, Racionalistas Cristãos ou de outras doutrinas). E porque? Porque faltaram alguns elementos que não foram considerados por Ian Stevenson, que dentre eles está a telepatia, por exemplo. Um telepata poderia acessar informações especificas ou variadas, de um tempo presente ou passado. Poderia ser este o caso de Ruprecht, ser um telepata? Poderia ser ele um impostor ou mistificador? Poderia ser ele um médium intuitivo? E qual seria a razão dessas intuições?
    .
    O Racionalismo Cristão ensina que: “o espírito faz escolhas no que tange à nação, à família e a outras condições que lhe possam favorecer o processo de desenvolvimento”. E fornece explicações sobre a formação do feto e os elos de ligação com o espirito: “As emanações radiantes provenientes das vibrações do corpo fluídico vão originar em torno do corpo físico um halo luminoso que pode ser captado através da percepção extrassensorial de médiuns videntes. À medida que o corpo físico se desenvolve no útero materno, o espírito começa a se ligar a ele, gradativamente, a partir do terceiro mês de gestação, através de cordões fluídicos. Observa-se, por meio da pesquisa mediúnica, que esse corpo denso é modelado a partir de uma matriz fluídica, também chamada matriz etérica, construída em obediência a leis que regulam os processos naturais em dimensões superiores às terrenas.”
    .
    E o que diz o Racionalismo Cristão sobre o momento em que se processa a encarnação do espirito? – “O espírito toma posse do corpo físico por ocasião do nascimento. No entanto, o despertar para a realidade física só se faz paulatinamente, estendendo-se até, mais ou menos, o sétimo ano de vida, idade em que se consolidam as ligações entre os corpos.”
    .
    Note-se que este artigo pode induzir a se pensar que o aborto seria um ato aceitável, por exemplo até a quinta semana de vida do bebe, já que de acordo com a pesquisa de Ian Stevenson e com a aceitação e conivência deste blog, o espirito só encarnaria após algumas semanas do nascimento, como este e outros casos levariam a crer alguns estudiosos desavisados.
    .
    Para aqueles que quiserem ler o capítulo 8 da obra Racionalismo Cristão, que trata da encarnação do espírito, basta clicar no meu nome que será enviado para uma leitura online desta obra.
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    Um ótimo final de semana a todos!

  5. Vitor Diz:

    Oi, Marden
    .
    a lacuna foi preenchida pelos documentos: “não temos motivo para duvidar da autenticidade da troca de cartas entre ele e Ludwig Kohler que levou à confirmação de suas declarações. A carta de Ruprecht de 17 de setembro de 1952 propicia um registro tão bom quanto possamos desejar de um relato de declarações essenciais.” Isso é até melhor do que a declaração por informantes.
    .
    E Ruprecht não era telepata, ele jamais demonstrou esse tipo de capacidade em outras situações. Um telepata apresenta essa gama de fenômenos a vida toda, em diversas situações.
    .
    E o objetivo desse artigo era JUSTAMENTE ” induzir a se pensar que o aborto seria um ato aceitável, por exemplo até a quinta semana de vida do bebe, já que [...] o espirito só encarnaria após algumas semanas do nascimento, como este e outros casos levariam a crer.”
    .
    Qual o problema que você vê nisso?

  6. Carlos Diz:

    Vitor,
    .
    O incômodo que sinto em discutir a reencarnação é que, antes de chegar lá, alguns aspectos importantes para encaixar o modelo (reencarnação) nos processos naturais são muito mal compreendidos. Por exemplo, se o modelo é válido, ele funciona apenas para os humanos ou pode ser expandido a todo organismo vivo?
    .
    Um dos aspectos problemáticos quando se fala em reencarnação é o crescimento exponencial da população humana. Não há como reencarnar todo essa gente, a não ser que alguns encarnem pela primeira vez. Populações animais (dos mais simples aos mais biologicamente complexos) também podem crescer exponencialmente ou, invertendo a tendência, reduzir exponencialmente até a extinção. Não há problema pensar que a redução exponencial de uma presa possui uma relação direta com o crescimento exponencial do predador. Outros fatores, como o meio ambiente, também tem um forte impacto na variação populacional. Ou seja, a espécie humana reage exatamente como as demais espécies; estamos crescendo exponencialmente por que conseguimos interferir positivamente (para nossa espécie) no meio ambiente e melhorar a condição de vida. Certamente isso tem um limite, e não será surpreendente que a espécie humana decaia, quem sabe exponencialmente, se a interferência no meio ambiente passar dos limites toleráveis, ou então que fatores naturais, como uma era era glacial, interfiram no processo.
    .
    Portanto, podemos entender como se processa a variação populacional sem introduzir novos elementos, como a reencarnação. Com isso não quero dizer que a reencarnação seja uma ficção. Reconheço que o Stevenson fez um trabalho consciencioso; mas acho que suas conclusões provavelmente não abrangem todo o leque de possibiidades igualmente válidas para explicar as lembranças dos que afirmam ter encarnado um outro corpo em uma outra época. Adianto que não tenho uma explicação melhor que a do Stevenson, porém acho ainda muito cedo concluir que essa é a única alternativa viável.

  7. Marden Diz:

    Caro Vitor,
    .
    Vamos assumir então que uma leitora do seu blog, ativista pró-aborto, encontre aqui o seu direito de abortar, não só crianças no útero, mas também o direito de abortar todos os bebês de até um mês de idade, das mães que assim o desejarem. E ai muitas começam a fazer tal crime. E quando a justiça for notificada dessa barbárie e elas afirmando que tem um apoio, que seria este blog e portanto a justiça indo ao seu encalço, você endossaria o ato dessas mães abortivas?
    .
    Me admirei sobre o que você disse sobre telepatia. Então telepatia tem data e horário programado? Ocorre sempre e sempre da mesma maneira? Como explicar casos de pessoas que telepaticamente são avisadas de falhas de aviões, que nos próximos dias venham a cair? Como explicar os que foram avisados telepaticamente sobre a queda das torres gêmeas? Sendo que na maioria desses casos tais fenômenos nunca haviam ocorridos antes? A telepatia não poderia ocorrer uma única vez na vida? Na infância ou na velhice? Ou em qualquer época da vida? A telepatia, não pode ser espontânea? Ou você acredita que tem que ser induzida, forçada?
    .
    Veja aqui um relato de uma filha que se diz haver comunicado telepaticamente com sua mãe, que já estava em idade avançada e com sérios problemas de saúde e que viviam afastadas uma da outra. Veja que a resposta se baseia justamente em que pessoas idosas, acamadas, passam muito tempo deitadas, meditando quase o tempo todo, o que seria uma propensão para que tais fenômenos pudessem ocorrer com maior frequência. Veja o link: http://goo.gl/xFchW e também pode desfrutar mais leituras sobre telepatia clicando neste outro link: http://goo.gl/kcSml
    .
    E respondendo a sua última pergunta, eu vejo o homicídio de crianças de até um mês de idade uma contravenção penal. Você não?
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    Um abraço e bom final de semana, estes são os meus sinceros votos!

  8. Marden Diz:

    Carlos,
    .
    Primeiramente quero felicitá-lo pela forma clara e objetiva do seu último comentário. Também penso que dizer que não sabemos, é mais sensato do que afirmar algo sem ter conhecimento, ou tendo parcos conhecimentos.
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    Vou tentar esclarecer alguns pontos, baseando-me nos conhecimentos adquiridos no Racionalismo Cristão. Esta doutrina explana que nada há além de Força e Matéria. A Força se manifesta nos 3 reinos da natureza (mineral, vegetal e animal), agindo sobre a matéria. A Força evolui, já a Matéria se transforma. No último estágio dessa Força, aqui no nosso planeta, ela passa a receber o nome de espírito e passa a evoluir em corpo humano, porque já ganhou condições para isso, já adquiriu certos atributos conquistados. Portanto a reencarnação é um processo que ocorre com os espíritos, portando com o ser humano.
    .
    Esta doutrina também nos explica que há um vasto número de espíritos esperando uma oportunidade para encarnar. E novas partículas da Força vão evoluindo até chegarem o momento de processar sua evolução em corpo humano, ou seja, novos espíritos vão surgindo. Já por outro lado, outros espíritos deixariam de reencarnar neste planeta, continuando sua evolução em corpo astral apenas e aqui poderiam voltar em ocasiões especiais, desde que haja condições para tal.
    .
    Negar a reencarnação foi uma artimanha muito bem orquestrada, para assim poder exercer a dominação sobre os povos, principalmente no quesito da venda de indulgências. Então é mais fácil tirar as responsabilidades do próprio ser humano, que precisaria lutar para resgatar suas faltas, e colocar a culpa num “diabo” qualquer e mediante um pagamento, haveria a absolvição de um “deus” qualquer.
    .
    Mas quem raciocinar demoradamente, notará que o Universo está regido por leis Naturais e Imutáveis, da qual todos nós estamos sujeitos. E poderá chegar a conclusão que a reencarnação é um processo que justifica a evolução do ser humano e que atesta a igualdade universal, já que o espirito aqui poderá em suas múltiplas encarnações, nascer podre, rico, branco, preto, oriental, ocidental, feio, bonito, homem e mulher.
    .
    Um forte abraço a ti e aos demais leitores e bom final de semana a todos!

  9. Vitor Diz:

    Oi, Marden,
    .
    eu sou a favor do direito de abortar até o 3º mês de gravidez sem justificativa alguma. Depois disso passa a ser necessária alguma justificativa, porque a partir da 15ª semana começa a haver uma explosão de células nervosas, e na 20ª semana o feto já possui 2 bilhões de neurônios (o cérebro de um adulto possui 86 bilhões de neurônios). Com 18 semanas o feto já pode sentir dor. Quanto ao caso de recém-nascidos, o “Groningen Protocol” na Holanda permite que se provoque a morte deles caso o bebê esteja passando por um sofrimento terrível e incurável.
    .
    O que eu quis mostrar é que não podemos nos basear nos argumentos religiosos de que “há uma alma ligada ao feto, logo isso é assassinato”. Se formos nos basear em tal pressuposto, então casos em que definitivamente não havia uma alma ligada ao feto (como o caso desse post, em que nem feto era, e sim um bebê de 5 semanas) permitiriam o infanticídio.
    .
    Quanto à telepatia, veja as dificuldades que ela tem para explicar tais casos, segundo Stevenson:
    .
    “Primeiro, ela sozinha não explica a seleção do alvo para a informação percebida extra-sensorialmente. Quando a família já conhece a personalidade anterior, possivelmente um outro membro da família, a seleção do alvo pode provir de pensamentos sobre o falecido, por parte da família, e um desejo de que ele retorne. Mas como poderemos explicar a seleção da pessoa identificada quando as famílias (conforme seus relatos) não tiveram absolutamente qualquer relacionamento anterior entre si? ”
    .
    Esse é justamente o caso do Ruprecht, já que as famílias não se conheciam. Isso já difere do caso da filha e da mãe que você citou. Existem outros aspectos a serem levados em consideração. Sugiro que leia a discussão de Stevenson presente em seu livro “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação” para outros fatores que fazem considerar a reencarnação como uma explicação mais provável que a telepatia.
    .
    Um abraço.

  10. Bruno Diz:

    Marden, achei muito interessante suas elucidações sobre força e matéria, e sobre esse conceito de reencarnação adotado no racionalismo cristão.
    -
    Fiquei um pouco curioso, você poderia me enumerar algumas diferenças existentes entre o RC e o espiritismo?
    -
    Grande Abraço, Bruno

  11. Bruno Diz:

    Vitor, me tire uma dúvida. Você é a favor do aborto, antes dos 3 meses de gestação, em qualquer tipo de caso? Ou você se refere somente a anencefálos?
    -
    Abraços, Bruno

  12. Vitor Diz:

    Oi, Bruno
    sou a favor em qualquer tipo de caso até os 3 primeiros meses. Já é assim na Holanda e em outros países. Ainda não houve a 1ª explosão de células nervosas.

  13. Bruno Diz:

    Vitor,
    Deixando um pouco de lado a visão espiritual desse tipo de assunto, e entrando um pouco na realidade que temos, você acha realmente que o Brasil está preparado pra uma atitude com essa? Liberar o aborto no Brasil ao meu ver é i
    Você acha mesmo que o Brasil esteja preparado pra tomar uma atitude dessas?

  14. Bruno Diz:

    *Liberar o aborto é utopia.

  15. Vitor Diz:

    Bruno,
    por que não estaria preparado? o que você acha que aconteceria se fosse liberado hoje, por exemplo?

  16. Bruno Diz:

    Hoje não sei, mas creio que depois de algum tempo veriamos uma explosão no indice de abortos. Acredito que o aborto se tornaria um tipo de “anti-concepcional” do futuro, com o perdão da do erro de linguistica.

  17. Vitor Diz:

    Oi, Bruno
    na Holanda em que a prática é liberada é justamente um dos países com menores índices de aborto. Os países católicos em que a prática é proibida registra os mais altos índices de aborto.

  18. Carlos Diz:

    Marden,
    .
    Não conheço praticamente nada de RC, logo vou me eximir de comentar o que acha o RC sobre as relações força-matéria.
    .
    O que procurei realçar foi que um crescimento exponencial implica em taxas de nascimento aceleradas: há mais vagas que candidatos, dito de uma forma simples. Como as vagas são necessariamente ocupadas, as consequências disso são um tanto esquisitas: ou há muita gente que está aqui pela primeira vez e/ou há muito alienígena circulando por aí. Do ponto de vista espírita, a primeira opção não é a mais adequada. Quanto a segunda, bem, ela me faz lembrar o filme Homens de Preto (Men in Black) que , aliás, é bem engraçado.

  19. Bruno Diz:

    Pois é Vitor, é exatamente isso que eu quero dizer.
    A Holanda era um país que estava preparado para legalizar uma lei a favor do aborto. Eu acredito que os brasileiros não tem a maturidade necessária pra adotar uma lei tao controversa quanto essa, visto a baixíssima escolaridade do Brasileiro. Pensando quantitativamente, se você pegar a Holanda como parâmetro, verá o abismo que existe entre os dois países. O Brasil tem 16 milhões de analfabetos, isso é simplesmente a população total da Holanda. Na Holanda o índice de pessoas que tem um diploma de ensino superior é de quase 50% da população, enquanto que no Brasil esse índice chega a simplórios 8% – o Brasil tem quase 160 milhões de pessoas que sequer tem um diploma.
    -
    O brasileiro infelizmente não é nada instruído, não tem cabeça nem discernimento pra adotar medidas como as que a Holanda adota. Eu acredito que se algo assim fosse implementado no Brasil, a cabeça das pessoas seria do tipo: “Usar camisinha pra que? É só ir ao Hospital da esquina e abortar”. E acredite, essa é a realidade. Acho que é por esses e outros motivos que lá pode-se liberar a maconha e o aborto, enquanto que aqui isso se toraria totalmente inviável.

  20. Marden Diz:

    Oi Vitor,
    .
    Acredito que temos pontos de vistas bastante semelhantes em vários aspectos dos temas abordados aqui no blog. Sobre esta polêmica questão de ser aborto ou não e em particularmente neste quesito de anencéfalos, confesso que não tenho ainda uma opinião bem formada, por isso que me excluí de ficar debatendo sobre este tema, no post anterior, preferindo adotar uma postura de apenas leitura e reflexão, sobre os comentários levantados pelos outros participantes deste blog.
    .
    Tudo me leva a crer e neste caso estaríamos de acordo, que até o terceiro mês de gestação, não existe ainda uma completa formação dos órgãos, do que hoje pudêssemos dizer que seria um ser humano. Sem que não podemos deixar de considerar, o fato que o ser humano desde o útero até a fase madura, está sempre em desenvolvimento. Portanto, tudo parece indicar que até o terceiro mês e apenas nestes casos excepcionais, como a anencefalia, não haveria maiores problemas com a interrupção da gravidez, com o consentimento da mãe. Mas ainda é algo que não tenho bem claro e ainda careço de mais estudos. E nestes casos, adoto a postura de aceitar o curso natural das coisas.
    .
    Talvez você possa até me ajudar numa questão que tenho, fazendo uma pesquisa paralela, já que não consigo encontrar uma resposta satisfatória. Saberia por exemplo me dizer se em alguns desses casos de anencéfalos, esses bebés teriam horas de sono, se dormiam ou se ficavam completamente acordados 24h por dia?
    .
    Dependendo da resposta que você ou algum outro leitor do blog conseguir trazer à luz, novos direcionamentos poderiam ser adotados, principalmente do ponto de vista filosófico.
    .
    Um forte abraço.

  21. Marden Diz:

    Bruno,
    .
    Você diz que achou interessante as elucidações feitas por mim que foram baseadas nos ensinamentos do Racionalismo Cristão, sobre Forca e Matéria. E em seguida, me perguntou se poderia enumerar algumas diferenças entre o Racionalismo Cristão e o espiritismo.
    .
    Bem, gostaria de esclarecer que o Racionalismo Cristão é uma doutrina de difusão do Espiritismo. Porém o Racionalismo Cristão adota a postura nesta difusão, de acatar a ciência e deixar de lado o misticismo, a religiosidade e os evangelhos. Veja uma boa definição de Espiritismo por aquele que foi médico brasileiro e Senador da República do Brasil, Antônio Pinheiro Guedes: “O espiritismo é ciência profunda, vasta, eclética, cujo estudo fornece conhecimentos, não só sobre o homem espiritual, mas também sobre o homem corpóreo; e ensinamentos de ordem moral e de ordem intelectual.
    Ele nos faz compreender melhor o mecanismo das funções, não só das psíquicas ou mentais, mas, também das orgânicas ou vitais; e as relações da alma com o corpo, cujas perturbações são causas predisponentes e até determinantes de estados mórbidos.” – Retirado livro Ciência Espirita, capítulo Espiritologia.
    .
    Sobre sua dúvida em esclarecer alguns pontos divergentes, já havia feito em outro comentário, do qual volto aqui a transcrever: Por ventura, para alguns que normalmente gostam de se atentar às diferenças e que queiram saber, qual a diferença entre a doutrina Racionalista Cristã e a doutrina Kardecista, transcrevo algumas respostas dadas já em vários livros do Racionalismo Cristão:
    .
    1) o Kardecismo é uma doutrina religiosa evangélica; o Racionalismo Cristão não é uma religião e não dedica aos evangelhos maior atenção;
    2) o Kardecismo pratica o espiritismo e considera suas manifestações como uma graça divina; para o racionalista cristão, os fenômenos psíquicos, de toda ordem, são conseqüências de Leis Universais, são efeitos de causas bem definidas;
    3) a palavra ‘caridade’ não existe no dicionário do racionalista cristão; existe, isso sim, a noção precisa e clara do dever a cumprir (eis um conceito sempre presente para o racionalista cristão: cumprir o seu dever, e um deles é desenvolver o sentimento de solidariedade);
    4) no Racionalismo Cristão não existem ‘guias espirituais’; aprende-se a ser independente, usando-se a razão e as leis que regem os pensamentos para orientar o comportamento das criaturas humanas, evitar os sofrimentos e conquistar a felicidade relativa que se pode conseguir nesse planeta.
    .
    Bruno, espero ter satisfeito parte de sua curiosidade e se clicar em meu nome, você terá um vasto material para estudos. Cordiais saudações!

  22. Marden Diz:

    Carlos,
    .
    Entendo perfeitamente que você não conheça quase nada da filosofia Racionalista Cristã, mas com certeza você já pôde presenciar o que ali é ensinado e em vários casos, acredito eu, você deve ser um praticante dos princípios desta doutrina. Aliás no Racionalismo Cristão se costuma dizer: “existem várias pessoas no mundo que praticam os mesmos princípios que o Racionalismo Cristão vem difundindo, sem nunca terem tido o conhecimento desta doutrina”.
    .
    E que princípios seriam esses? A ordem, a paz e a harmonia no lar e na coletividade, a educação dos povos, o respeito ao semelhante, o trabalho honesto, o valor e a disciplina e o desejo em se tornar melhor e ser um cidadão mais justo e digno na sociedade. Esses são apenas alguns dos princípios difundidos por esta doutrina e que, acredito eu, você também se esforça em colocá-los em prática, talvez não todos, mas alguma parte deles.
    .
    Sinta-se livre em querer discutir, desapaixonadamente, sem ideias preconcebidas, sobre reencarnação ou ideias congêneres. Também busco por várias respostas e sei que não há verdades absolutas, ao menos aqui neste mundo em que vivemos.
    .
    Colocando seu raciocínio em ação, você conseguiria entender que no Universo, milhares de novas estrelas estejam nascendo, enquanto outras estejam morrendo? Sem haver prejuízos num sentindo amplo? Que esse nascer e morrer seja apenas transformações? Consegue ver que nos micro-organismos o mesmo se procede? Um nascer e morrer constante que resulta em transformações e que mantem tudo em equilíbrio, ou no caos, como querem alguns? Poderia o mesmo fenômeno ocorrer com um outro tipo de matéria que pouco conhecemos ainda, mas obedecendo os mesmos princípios?
    .
    Comece respondendo sinceramente essas perguntas e acredito que você estará trilhando um caminho para melhor entender e compreender o mecanismo da reencarnação. Se clicar em meu nome, você terá um vasto material para estudos. Cordiais saudações!

  23. Gazozzo Diz:

    “E que princípios seriam esses? A ordem, a paz e a harmonia no lar e na coletividade, a educação dos povos, o respeito ao semelhante, o trabalho honesto, o valor e a disciplina e o desejo em se tornar melhor e ser um cidadão mais justo e digno na sociedade. Esses são apenas alguns dos princípios difundidos por esta doutrina e que, acredito eu, você também se esforça em colocá-los em prática, talvez não todos, mas alguma parte deles.”

    Engraçado, quero

  24. Gazozzo Diz:

    (continuando)… quero todas essas coisas também, mas não acho que ninguém precise de doutrina algumna para isso.

  25. NBC Diz:

    Prezado Vítor,

    Embora muitos casos de reencarnação tenham sido investigados como esse de Ian Stevenson e dão a impressão que são verdadeiros, em poucos casos verdadeiramente ocorreu uma reencarnação. Na verdade sabemos muito pouco sobre as formas de retorno dos espíritos e o que foi revelado a Allan Kardec não reflete toda realidade do mundo espiritual. Não há como ocorrer uma reencarnação em tempo curto como a maioria dos casos tem revelado. Existem barreiras que impedem o retorno imediato do espírito a um novo corpo e, principalmente, aqueles que estiveram envolvidos em ações não virtuosas. Os espíritos sempre passa algum tempo em preparação e reparação para uma nova vida em função das ações praticadas na vida recente.

  26. Vitor Diz:

    Oi, Marden
    01 – “Saberia por exemplo me dizer se em alguns desses casos de anencéfalos, esses bebés teriam horas de sono, se dormiam ou se ficavam completamente acordados 24h por dia?”
    .
    Não sei dizer se teriam horas de sono. Segue o que pude descobrir: “A característica principal dos anencéfalos é não possuírem córtex cerebral (prosencéfalo) e os ossos da calota craniana. Mas existem variantes na anencefalia. Há casos que são encontrados anencéfalos: somente com o tronco encefálico rudimentar ou tronco encefálico funcionante; tronco encefálico e cerebelo completos ou rudimentares; vestígios ou rudimentos de diencéfalo
    (tálamo e hipotálamo), tronco encefálico e cerebelo; e até com vestígios de prosencefalos (anencefalia parcial). Se anencéfalos clássicos não apresentam prosencéfalos, os reflexos e estímulos sensoriais de dor e tácteis se limitam ao tronco encefálico e/ou diencéfalo e aos neurônios espinhais. Como o córtex sensório-motor está localizado no prosencéfalo não há resposta desta percepção de forma conscientemente apurada . Qualquer movimento reflexo que ocorrer em resposta a uma dor vai depender da integridade e funcionalidade do tronco
    encefálico e medula espinhal ou seja , somente com a participação do sistema neurovegetativo. Para saber com certeza se anencéfalos tem algum tipo de resposta a sensações tácteis e a dor, foram consultados pediatras de hospitais pois lá é muito comum aparecem esses caso. Descobriu-se que existem casos que: não há qualquer resposta ao estimulo da dor e ao tato, há outros que apresentam pequenos reflexos musculares à alguns estímulos, e existem casos de até manifestar o choro e bocejo. Isso tudo depende do grau de preservação do
    diencéfalo, cerebelo e tronco encefálico e até da presença de vestígios do córtex (prosencefalo) nos casos parciais de anencefalia. Nenhum pediatra consultado já presenciou anencéfalos coçando devido alguma irritação.”

  27. Zily Diz:

    Estranho, uma mulher quando se descobre grávida comemora com grande alegria a chegada deste novo ser e já o ama desde o príncipio. Não há quem ouse contraria-la e dizer que até os três meses de gestação se trata apenas de uma pedaço de carne e que após este prazo, ela pode sim, chama-lo de “meu filho”. Pode existir um amor tão grande, como o amor materno, por uma coisa que não seja algo divino? Somos criaturas inteligentes, mas teremos todas as respostas? Afinal, onde está a alma da criatura? No Cérebro? O que dirá de uma estrela do mar, coitada… não tem cérebro.

  28. Tati Diz:

    Zily,
    A mulher comemora com alegria e ama um punhadinho de células quando tem uma gravidez desejada ou, no mínimo, aceita com alegria uma indesejada. Outras, infelizmente, não conseguem criar empatia com o feto. Tomar a decisão de abortar nunca é fácil e muito menos feliz pra mulher. Ninguém vai fazer um aborto pensando: “uau, que dia lindo… Hoje vou abortar meu filho”.
    Achei muito interessante o artigo Vítor, parabéns por expor um assunto tão delicado.

  29. Roberto Diz:

    É Tati-quebra-barraco, talvez algum carrasco não ache fácil ou feli o seu trabalho também, a diferença é que ele seria pago para matar enquanto que uma mãe é quem paga que ajudem-na a matar, já que não consegue fazer sozinha (senão, faria).

  30. Tati Diz:

    Olá Roberto,
    Desculpe, mas é muito fácil desqualificar ou ridicularizar alguém simplesmente por ter ideias diferentes. “Tati-quebra-barraco”? Comece a atacar os argumentos de forma sólida e não as pessoas e quem sabe, poderemos ter um debate civilizado.
    Tenha um bom dia =)

  31. Roberto Diz:

    Tati (barraco intacto),
    Se uma pessoa está viva e alguém mata, matou, não tem esta sensibilidade falsa de que “ninguém fica feliz por estar matando”.
    Isso não é real. Aborto é um crime grave, e não coloquem religião para tirar esta conclusão, apenas a ciência materialista já chega – o que tu quer mais sólido do que isso?

  32. Vitor Diz:

    Um feto NÃO é uma pessoa, Scur.
    .
    “A maior parte dos ministros entende como tortura forçar a mãe a levar a gestação de um anencéfalo até o final. Prevaleceu a opinião do relator do processo, o ministro Marco Aurélio Mello, que argumentou que o aborto não representa assassinato. “O anencéfalo jamais se tornará uma pessoa. Em síntese, não se cuida de vida em potencial, mas de morte segura. Anencefalia é incompatível com a vida.” Assim sendo, as mulheres não mais necessitarão de autorização judicial para abortar a criança.”
    .
    http://colunas.revistamarieclaire.globo.com/mulheresdomundo/
    .
    E a Constituição Federal veda a tortura em qualquer caso. QUALQUER. Mas ela permite a morte de pessoas em legítima defesa ou em estado de guerra. Ou seja, o assassinato de pessoas é menos condenável que a tortura. E o feto NEM pessoa é.

  33. Vitor Diz:

    Outra coisa, Scur, PARE de dizer que o aborto de anencéfalos é crime. NÃO É MAIS. Simples assim. Seus próximos posts que alegarem ou mesmo sugerirem que o aborto de anencéfalos é crime serão deletados, por serem mentira.

  34. Zily Diz:

    Quem está sendo mais torturada, uma mãe cujo filho (sabidamente) nascerá com uma doença incapacitante que o manterá (e a ela consequentemente) preso ao leito por anos a fio sem nenhuma possibilidade de recuperação ou uma mãe que leva ao final uma gestação de um bebê que viverá algumas horas, talvez alguns dias e perecerá naturalmente? Que tortura para esta primeira mãe não pode seguir em frente por ter que propiciar cuidados intensivos 24hs por dia a este filho enfermo que talvez não fale, não escute e também não enxergue. A segunda, pelo contrário pode levar a gravidez a termo e enterrar seu filho dignamente. Haverá sofrimento, com certeza, mas somente o sofrimento de ter um filho anencéfalo, excluindo-se a dor e angústia do aborto. Acho o conceito de tortura um pouco subjetivo neste caso. Se a Constituição Federal veda qualquer tortura, então estaremos abrindo um parênteses para a “morte assistida” para doentes terminais?

  35. Tati Diz:

    Olá Roberto,
    O Vítor acabou respondendo (e muito bem, diga-se de passagem) seu comentário. É claro que um feto anencéfalo tem vida, aliás, até a grama do seu jardim tem vida. O que acontece é que, infelizmente, esse feto não tem chance de se transformar em uma pessoa. Se eu for até você e tirar sua vida é claro que isso é um crime afinal, estou frustrando um ser consciente de continuar vivendo. Com um feto já não acontece isso. Ele não tem consciência de si mesmo.

    Olá Zyli,
    Respeito sua opinião, mas você acredita em livre-arbítrio? Se sim, não acha que cada pessoa tem o direito de decidir por si mesmo o que é menos dolorido? Digo menos dolorido porque a dor é inevitável nesse caso. Se a mulher passar por essa situação e quiser continuar com a gestação, vai fazê-lo e será amparada pela justiça e pelo sistema de saúde. Se achar que o melhor é interromper a gravidez, terá os mesmos direitos que a primeira. Se vc é contra é muito simples: Se por infelicidade (e desejo que você nunca passe por isso) você engravidar de um feto anencéfalo, não aborte.

  36. Biasetto Diz:

    A mulher que quer fazer, se decide pelo aborto, acha um jeito e faz. No Brasil, todos os anos, ocorrem mais de 1 milhão de abortos, feitos em precárias e lamentáveis condições. Destes, pelo menos 1/4 resultam em sérias complicação à gestante: às vezes, a leva à morte, quando isto não acontece, sobre para o SUS, o ônus da ação mal feita e mal sucedida. Com certeza, em este meio, há casos de anencéfalos.
    Eu já disse que, a princípio, sou contra o aborto, mas aceito tal procedimento em condições excepcionais.
    Porém, o que mais me irrita, é hipocrisia de muitas pessoas. Os abortos estão acontecendo o tempo todo. Mas as pessoas, incluindo o seu Scur, ficam quietinhas, ninguém fala nada, porque é feito às escondidas, é como se não existisse, mas existe. Aí, quando vem uma decisão como esta, fazem este baita estardalhaço, como se esta decisão fosse levar à prática do aborto, que não existia.
    É muita farsa isto. Mas tudo se explica, porque os religiosos, mais incluindo o Scur, que ficam bravíssimos, revoltados com tudo isto, têm seu motivo mesmo: ELES ADORAM ACREDITAR EM FARSAS, tá tudo explicado.

  37. Biasetto Diz:

    * desculpem-me: a pressa me fez cometer erros ortográficos, ausência de vocábulos e erros de concordância, mas acho que a mensagem ficou clara.
    Tchau, vou trabalhar, que se faz necessário.

  38. Roberto Diz:

    Biasório,
    Quem disse que eu fico “quietinho”? Isso é tudo o que eu não faço e só pelo que eu digo aqui já dá para ver.
    Falo aqui e falo em qualquer lugar, falo sempre. Se me chega aos ouvidos que alguma mulher está pensando em abortar estarei procurando uma forma de mostrar uma outra face da história, aquela que não é contada, tipo o vídeo do aborto sendo feito e gravado, via ultrassom, em uma criança de 3 meses. Aí é mais fácil, a mãe vê e decide se é isso mesmo que ela quer.
    .
    Uma decisão como esta mostra a falência do estado pois torna-o um assassino oficial. Quando o estado mata, a sociedade sofre as consequências deste crime juntamente. A constituição sabiamente manda que se respeite a vida, e isso não é feito quando autoriza abortos.
    .
    A solução para os problemas decorrentes do aborto não é autorizá-lo, mas esclarecer as pessoas do que significa isso de fato para que não ocorram gravidezes indesejadas, e desta forma, construir resistências morais para evitar o ato nefando.
    .
    As pessoas vem com a falácia de que as mães tem o direito de decidirem sobre a sua vida, que o corpo é da mãe, e não sei mais o quê, mas não se preocupam com o direito da criança viver. É o egoísmo imperando.
    .
    A questão deve voltar sempre no mesmo ponto: há ou não há um ser humano num feto? Vamos colocar bem claro, não é há ou não vida, mas há ou não há um ser humano animando aquele corpo tenro em formação?
    .
    A resposta é inequívoca, há, isto é comprovado por quem use de honestidade na avaliação dos dados, das pesquisas sobre a gestação.
    .
    É incrível que queiram dar data de nascimento do ser humano dentro do ventre: ah, com 3 meses ainda não é ser humano, é brócolis, é a grama do meu jardim, e blábláblá. Tentam enganar a si mesmos, sem o conseguir.

  39. Roberto Diz:

    Quer dizer Tati que se a pessoa for inconsciente deve ser liquidada? Ah tá, entendi.
    Qual é a prova que tu já ouviu falarem de que o feto não têm consciência? Vamos, procure algo que seja o voto de minerva neste assunto, procure uma pesquisa científica que de conta do momento em que a consciência surge!
    Não vai achar Tati, nada disso, porque não há, nem haverá, mas muito pelo contrário, encontrará informações dando conta do contrário, pois a consciência NÃO ESTÁ na matéria, nos neurônios em formação nem nos neurôneos já formados de um adulto, nem em nenhuma outra célula. A individualidade, o eu, não é o teu corpo mas o que faz este corpo se movimentar, viver.
    Aí é que tá!

  40. Roberto Diz:

    Outra coisa Tati, dizer que o VM respondeu muito bem é temerário. Há dias atrás a lei dos homens dizia que era crime, momentos depois diz que não é mais, adiante poderá mudar diante de outros estudos e outros pareceres, mas o crime não é de ordem exclusivamente humana, o crime é crime independento o que os homens achem sobre ele.
    Tirar a vida é crime.

  41. Vitor Diz:

    Então quando você come um brócolis você está cometendo um crime, afinal, o brócolis estava vivo, não? Ou quando age em legítima defesa.

  42. Vitor Diz:

    01 – “há ou não há um ser humano animando aquele corpo tenro em formação?”
    .
    Não há, com certeza absoluta, até os 4 meses.
    .
    02 – “Quer dizer Tati que se a pessoa for inconsciente deve ser liquidada?”
    .
    Mesmo uma pessoa inconsciente possui neurônios. Diferentemente de um feto.
    .
    03 – “Qual é a prova que tu já ouviu falarem de que o feto não têm consciência?”
    .
    A ausência de neurônios.
    .
    04 – “a consciência NÃO ESTÁ na matéria,”
    .
    Então mais um motivo para considerarmos o feto um mero aglomerado de células que não é um ser humano.

  43. Roberto Diz:

    01 – Certeza absoluta? Há algumas postagens anteriores tu garantia que não tinha vida até os 3 meses, agora foi para 4. Mas o pior de tudo e falar, falar, e não ter como provar isso. Próprio de ti VMware.
    Falei várias vezes do vídeo mostrando o assassinato (ou aborto) de uma criança de 3 meses, mostrando a criança gritando pavorosamente quando o sugador invadia seu reduto de segurança (útero) para destruí-la, despedaça-la horrivelmente, e aí o boneco vai dizer que uma criança grita de pavo porque é um amontoado de células, apenas?
    Basta ver o vídeo para botar as barbas de molho e parar com este papo furado de que não é um ser humano, mas sobre isso tu e os teus amigos não tem coragem de falar, saem pela tangente, fogem para não verem suas teses claudicando.
    Como negar que nenhum amontoado de células têm inteligência para tentar “fugir” de instrumento intruso e perigoso, e ainda por cima gritar?
    Não, sai fora velho, esta é absolutamente insustentável, não desde que este vídeo foi feito, em 74, quando inventaram o ultrasom. Imagina o estrago que faria nos dias de hoje a filmagem de um aborto? Seria a sentença de morte das teses furadas de que não há um ser humano animando e auxiliando na organização celular, na sua multiplicação, enfim, na formação do próprio corpo que será seu veículo entre os reencarnados.
    .
    02/03/04 – Isso aí, sem neurônio, um aglomerado de células que teimam em te desautorizar porque pressentem o perigo, tentam fugir e, gritam por socorro pedindo talvez que a mãe lhes salve, mas a mesma está ocupada exercendo o seu direito de ser “matar” o próprio filho.
    Faça melhor da próxima vez porque essa tu não tem como explicar, e te resta ficar nestas frasezinhas curtas e vazias!

  44. Vitor Diz:

    01 a 04 – “Falei várias vezes do vídeo mostrando o assassinato (ou aborto) de uma criança de 3 meses, mostrando a criança gritando pavorosamente quando o sugador invadia seu reduto de segurança (útero) para destruí-la, despedaça-la horrivelmente, e aí o boneco vai dizer que uma criança grita de pavo porque é um amontoado de células, apenas?”
    .
    É o mesmo que dizer que a planta dormideira se fecha ao toque porque ela está morrendo de medo que lhe façam mal.

  45. Roberto Diz:

    A dormideira possui células sensíveis à luz que fecham quando são tocadas.
    As plantas abrem e fecham na transição do dia e da noite, esta fecha rapidamente, mas não se sabe porque que isso acontece, existem apenas expeculações (chutes, como tu gosta de dar, com a diferença que aqui não dizem que é a verdade final).
    .
    O feto em questão não reagiu porque foi tocado, velho, teve seu coração aumentando a pulsação sem que o objeto tivesse tocado ele, tentou escapar de usa presença e novamente, gritou. Repito, tua tese é furada demais.
    .
    Bote um vídeo desses na frente de qualquer mãe prestes a abortar para vermos se a maioria não desistirá envergonhada.

  46. Vitor Diz:

    01 – “esta fecha rapidamente, mas não se sabe porque que isso acontece, existem apenas expeculações ”
    .
    As explicações me parecem bem satisfatórias.
    .
    ” Na base de cada folhinha, existem células capazes de perder água com grande rapidez. Isso acontece quando a planta recebe um estímulo externo – o toque, por exemplo. Nesse caso, dois elementos químicos presentes em seu organismo – potássio e cálcio – direcionam a água para um espaço entre as células. Isso faz com que elas murchem, encolhendo as folhas. “Se cada folha fosse um braço, essas células da base fariam o papel do cotovelo, que muda a folha de posição conforme o estímulo”.
    .
    O curioso é que quanto mais forte o toque, maior é o número de folhas que se fecham. Mas o efeito é temporário: depois de um tempo sem ser tocada, a planta restabelece o equilíbrio de água em seu interior e as folhas voltam a abrir.”
    .
    http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-as-plantas-sensitivas-se-fecham-ao-serem-tocadas
    .
    02 – “O feto em questão não reagiu porque foi tocado, velho, teve seu coração aumentando a pulsação sem que o objeto tivesse tocado ele, tentou escapar de usa presença e novamente, gritou. Repito, tua tese é furada demais.”
    .
    Qualquer corpo estranho dentro do corpo provoca reações no organismo.

  47. Roberto Diz:

    VMware,
    Frase vazia!
    Não tens mais argumentos.
    Quer que crianças sejam mortas covardemente e não te interessa justificar de fato esta atitude.
    Fim de questão.

  48. Vitor Diz:

    Scur,
    Frase vazia!
    Não tens mais argumentos.
    Quer que mulheres sejam torturadas covardemente e não te interessa justificar de fato esta atitude.
    Fim de questão.

  49. Sonia Diz:

    Amgos, voltando à questão do caso de reencarnação citado no livro, se Ruprecht Schulz disse ter nascido em Berlim em 19 de outubro de 1887 e Helmut Kohlermorreu em Wilhelmshaven em 23 de novembro de 1887, então por um periodo de alguns meses o mesmo espirito esteve ligado ao mesmo corpo? Seria isso possivel? Alguém teria mais informações sobre pesquisas a esse resepito? Fiquei interessada, porque talvez pudesse ajudar no esclarecimento de um caso particular.
    Mas ainda acho mais aceitável outra hipótese : a do espirito do suicida ter se ligado por afinidade vibratória ao espirito de Ruprecht ainda bebê, seria então um caso de obsessão.

  50. Vitor Diz:

    Oi, Sônia

    eu diria que o bebê Ruprecht Schulz ou não tinha espírito algum por 5 semanas, ou que o espírito que habitava o bebê foi expulso pelo espírito de Schulz.

  51. Sonia Diz:

    Vitor, mas ele não chorava, não se mexia, não sentia?
    A sua segunda hipótese me interessou ainda mais :
    a expulsão ou troca de um espirito por outro no momento do nascimento (ou mesmo durante a gestação).
    Algo que venho matutando há anos, mas infelizmente nunca encontrei nada a respeito, voce é a primeira pessoa
    que encontro admitindo essa hipótese.
    Obrigada pela atenção.

  52. Vitor Diz:

    Oi, Sonia
    sim, ele chorava, ele mexia, ele sentia. Mas não sei se isso quer dizer que há um espírito ligado a ele. Eu não sei sequer se eu tenho um espírito.
    No caso a troca de espíritos, se ocorreu, não foi nem durante a gestação nem no momento do nascimento, mas 5 semanas após o nascimento.

  53. Sonia Diz:

    Bom, mas partindo dessa premissa, então não haveria sequer a vida passada. E o que seriam essas lembranças?

  54. Vitor Diz:

    Sonia, qual premissa? E por que não haveria vida passada?

  55. Sonia Diz:

    Da premissa de que não há um espirito animando um corpo, jpa que voce disse qeu não sabe se tem um espirito.
    Sendo assim, voce jamais lembraria de uma vida passada,
    da lembrança da vida passada que o espirito traz.
    Sem espirito, só a corpo e cérebro que morrem.
    Onde ficaria essa lembrança?

  56. Sonia Diz:

    Desculpe os erros, digitei muito rápido.

  57. Vitor Diz:

    Ok, Sonia, agora entendi. Bem, ali eu estava falando sobre mim. Não é porque algumas pessoas têm espíritos que todas teriam – assim como nem todas nascem com um ou ambos os braços ou com as pernas. Ou, outro exemplo, nem todos nascem com a genialidade, só bem poucos.
    .
    No meu caso eu não tenho lembranças de vidas passadas, então não sei se tenho espírito. Já quem tem essas lembranças fica mais fácil de chegar a uma conclusão positiva :)

  58. Biasetto Diz:

    Voltando ao tema “anencefalia”, muito boa esta matéria:
    .
    http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/04/chega-de-torturar-mulheres.html

  59. Sonia Diz:

    Valeu, Vítor.
    PS: Não acredito que você seja um robô.rssss

  60. sonia Diz:

    Vitor, posso repassar esse caso no meu grupo de discussão?

  61. Vitor Diz:

    Pode sim, Sonia!

  62. sonia Diz:

    Obrigada.

  63. José Luiz Diz:

    A questão de que a morte ocorreu após o nascimento daquele que seria a nova personalidade do reencarnado, no meu entender, invalida a hipótese de reencarnação. É mais possível que o sr. Rupert tenha, através dos mecanismos de mediunidade, recebido por afinidade espiritual mensagens do desencarnado com os detalhes dos quais se “lembrava”. Há alguma controvérsia sobre o momento em que o espírito assume definitivamente o corpo em formação, mas certamente isto ocorre muitos meses antes do nascimento; portanto, indubitavelmente, o aborto é uma ofensa moral que terá consequências na lei da causa e efeito, bem como o suicídio, que por leis naturais e não por “castigo” provoca o desequilibro do espírito, devido às energias vitais intensas que ainda carrega no momento do desencarne. O espírito do suicida, no caso, comunicou-se com o sr. Rupert cerca de 50 anos depois da sua morte física; neste meio tempo, provavelmente tentava se desvencilhar do sofrimento e confusão em que se encontra um espírito que não abandonou a crosta terrestre, consciente do ato que praticou.

  64. Phelippe Diz:

    Seria transmissão de consciência, nos moldes da doutrina tibetana? Há monges tibetanos (dizem) que antes da morte, tencionando preservar a individualidade e continuar aqui na terra, simplesmente “migram” suas consciências para um outro corpo. Enganam o mecanismo da reencarnação. Seria algo semelhante?

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