Neuroimagem durante estado de transe: uma contribuição ao estudo da dissociação (2012)

Este artigo – publicado na revista Plos One – já havia sido tema de debate no blog neste link, porém, ainda não havia sido traduzido, o que foi feito agora graças à revista “Inovação! Brasileiros”. Parabéns pela iniciativa!

Quanto ao artigo em si, gostei da menção à médium Piper, mas detestei a menção a Chico Xavier. O artigo também é bem mais cauteloso do que a reportagem da revista ÉPOCA deu a entender.

Neuroimagem durante estado de transe:

uma contribuição ao estudo da dissociação 

Julio Fernando Prieto Peres*, Alexander Moreira-Almeida, Leonardo Caixeta, Frederico Leão e Andrew Newberg

Resumo

Embora a dissociação patológica e não-patológica despertem interesse crescente, poucos pesquisadores se concentram nas experiências espirituais envolvendo estados dissociativos como a mediunidade, na qual um indivíduo (o médium) alega se comunicar com a (ou ser controlado pela) mente de uma pessoa morta. Investigamos a psicografia – na qual, supostamente, “o espírito escreve pela mão do médium” – para avaliar potenciais associações com alterações específicas na atividade cerebral. Examinamos dez médiuns saudáveis – cinco menos experientes e cinco com experiência substancial, que variava entre 15 e 47 anos de atividade psicográfica e realização de duas a 18 psicografias por mês – usando tomografia computadorizada com emissão de fóton único (SPECT) enquanto eles escreviam, tanto em estado de transe dissociativo como fora do transe (no estado habitual de consciência).

A complexidade do conteúdo escrito que os médiuns produziram foi analisada para cada um deles individualmente e para a amostra como um todo. Durante a psicografia, em comparação com a escrita em estado habitual, os médiuns mais experientes apresentaram níveis mais baixos de atividade no cúlmen esquerdo, hipocampo esquerdo, giro occipital inferior esquerdo, cíngulo anterior esquerdo, giro temporal superior direito e giro pré-central direito. A complexidade dos escritos psicografados foi maior que a dos textos escritos no estado habitual, no caso da amostra geral e especialmente dos médiuns mais experientes.

O fato de que os indivíduos escreveram conteúdos complexos, apesar de menor ativação cerebral em estado de transe dissociativo, sugere que eles não estavam só relaxados, e o relaxamento parece uma explicação improvável para a subativação que se verificou em áreas cerebrais relacionadas ao processamento cognitivo. Esses achados merecem mais investigação, tanto em termos de replicação como de hipóteses explicativas.

 

Introdução

A dissociação é definida como a ausência de integração de pensamentos, sensações e experiências à consciência e à memória [1]. A ideia de que experiências traumáticas causam sintomas dissociativos é um tema recorrente na literatura clínica e na literatura sobre neuroimagem, e alguns dos fenômenos cognitivos associados à dissociação parecem depender da atenção e respectivo contexto emocional [2], [3]. Embora a dissociação não patológica seja comum na população em geral, as experiências dissociativas têm sido estudadas como fator de risco para patologias [4], [5]. A espiritualidade e a religiosidade são prevalentes em pacientes com esquizofrenia e sintomas dissociativos [6].

Entretanto, a variedade de aspectos metodológicos e as discrepâncias entre os estudos realizados até agora tornam difícil articular uma estrutura abrangente da atividade cerebral e dos mecanismos cognitivos relativos à dissociação patológica e não patológica. A natureza da mente e sua relação com o cérebro ainda estão entre as questões mais desafiadoras para a ciência [7]-[10], e a despeito de tais perguntas não serem até o momento conclusivamente respondidas, suposições a esse respeito orientam intervenções terapêuticas [11]-[13]. Este estudo leva em conta importantes teorias que examinam a criatividade e o planejamento de conteúdos escritos, potenciais substratos neurais envolvidos, experiências religiosas e a hipótese da comunicabilidade espiritual. A Associação Psiquiátrica Americana [14] destacou a necessidade de realização de mais pesquisas no âmbito da religiosidade ao reconhecer a categoria não diagnóstica (não patológica) dos “Problemas Espirituais e Religiosos” no DSM-IV, para que formas de dissociação saudáveis [15], [16] possam ser diferenciadas das formas patológicas [2], [5].

A mediunidade, fenômeno espiritual relatado com frequência em culturas ao longo da história, é definida como experiência na qual o médium alega manter comunicação com a mente de uma pessoa falecida [17] ou estar sob controle da mesma. Essas experiências são em geral dissociativas, com manifestações de automatismo motor, sensorial ou cognitivo (exemplo: ouvir espíritos, relatar/escrever pensamentos gerados por espíritos) e de identidade alterada ou de possessão. Assim, não surpreende que o estudo da mediunidade tenha sido crucial para o desenvolvimento das ideias sobre os processos inconscientes e/ou dissociativos. O estudo clássico de Pierre Janet sobre a dissociação, de 1889, examinou vários médiuns; a tese de doutorado de Carl Jung envolveu um estudo de caso mediúnico, e William James pesquisou a médium Leonore Piper [18], [19]. Atualmente, a dissociação pode ser dividida em duas categorias: separação (sentimento de desconexão do “eu” ou do mundo) e compartimentalização (inabilidade de controlar deliberadamente ações ou processos cognitivos que normalmente estariam sob controle) [20]. Embora, por vezes, a mediunidade também envolva separação, em geral está relacionada ao subtipo compartimentalização.

A psicografia é uma das muitas formas dissociativas da expressão mediúnica [17]. “Médiuns escreventes” alegam escrever sob a influência de espíritos e alguns escritos psicografados tiveram impacto em comunidades em todo o mundo. O mais prolífico e importante médium psicógrafo brasileiro, Chico Xavier, que não estudou além da escola primária, produziu mais de 400 livros psicografados, abrangendo uma gama de gêneros literários e amplas áreas do conhecimento, e milhões de exemplares foram vendidos, com todos os direitos autorais doados para a caridade [21], [22].

Um estudo sobre a saúde mental de 115 médiuns [17], [23] mostrou que os indivíduos tinham alto nível socioeducacional, baixa prevalência de problemas psiquiátricos e eram socialmente bem ajustados em relação à população em geral. A experiência mediúnica se mostrou distinta do transtorno de identidade dissociativa, também conhecido como transtorno de personalidade múltipla. Contudo, poucos estudos investigaram os substratos neurais subjacentes aos estados de consciência relacionados a experiências religiosas [24]-[26]. Um estudo precedente que utilizou a neuroimagem para estudar a glossolalia – um estado de transe em que há vocalizações que soam como linguagem, mas não têm estrutura linguística clara – mostrou que os indivíduos apresentavam atividade reduzida no núcleo caudado esquerdo e no córtex pré-frontal direito, além de aumento da atividade nos lobos parietais superiores [25]. A pesquisa neurofuncional sobre experiências complexas como as de tipo religioso requer métodos específicos que não afetem adversamente o desempenho dos voluntários [27].

Portanto, tal como no estudo da glossolalia, o presente estudo utilizou a tomografia computadorizada com emissão de fóton único (SPECT) para medir o fluxo sanguíneo cerebral regional (FSCr), correlacionado com a atividade encefálica. Utilizamos o método SPECT de neuroimagem por este permitir que os sujeitos desempenhem suas tarefas complexas que exigem silêncio e concentração num ambiente adequado e livre de efeitos que possam distrair ou causar ansiedade. Até onde sabemos, o presente estudo é a primeira investigação mundial sobre a associação entre estados mediúnicos dissociativos e alterações específicas no fluxo sanguíneo cerebral.

Com base em pesquisas sobre práticas subjetivas como meditação e oração, concentramo-nos especialmente no córtex pré-frontal e no giro cingulado anterior, já que ambos se relacionam com a rede atencional do cérebro [24], [25]. Além disso, essas áreas se relacionam com a produção da fala, assim como a Área de Broca. Também encontramos evidência de que modificações na atividade talâmica em estruturas límbicas, como o hipocampo e a região temporal superior, relacionam-se a vários processos cognitivos, incluindo a compreensão da linguagem. O giro pré-central pode estar envolvido na função motora ligada à escrita. Nossa análise de hipóteses, assim, concentrou-se nessas regiões.

Estudamos a natureza neurofisiológica da mediunidade dissociativa em psicografia medida por alterações no fluxo cerebral sanguíneo. Durante a psicografia, os indivíduos escrevem narrativas estruturadas e legíveis, mas frequentemente alegam desconhecer o conteúdo ou a estrutura gramatical do texto escrito. O objetivo do presente estudo foi determinar se esse tipo de estado de transe dissociativo se relaciona com alterações específicas na atividade cerebral que sejam distintas das verificadas quando se escreve normalmente, isto é, fora de um estado de transe dissociativo. Como o conteúdo das psicografias apresenta complexidade e planejamento, nossa hipótese a priori era a de que as áreas envolvidas em processos cognitivos quando se escreve conscientemente, tais como raciocínio e planejamento de conteúdo, deveriam mostrar ativação semelhante durante o transe mediúnico.

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Métodos

Examinamos dez médiuns brasileiros com 15 a 47 anos de experiência mediúnica e que produziam de duas a 18 psicografias por mês (tabela 1), que dividimos em cinco médiuns “menos experientes” e cinco com “experiência substancial”. Todos os indivíduos eram brancos, destros, sem transtornos mentais (tabela 2) e não utilizavam drogas psiquiátricas/neurológicas. O critério usado para classificar os médiuns como “experientes” foi que tivessem praticado a mediunidade há pelo menos 20 anos e produzissem no mínimo dez psicografias por mês à época do início do estudo.

Os dez médiuns eram bem ajustados nos pontos de vista familiar, social e profissional e regularmente ajudavam pessoas que haviam perdido entes queridos (tabela 1). Nenhum deles recebia pagamento pela atividade mediúnica, que consideravam parte de sua missão de auxiliar pessoas que sofrem. Todos relataram ter tido experiências espirituais na infância ou adolescência. Os dois grupos apresentaram a mesma idade média: experientes (48 +- 9, 8 anos) e menos experientes (48,6 +- 6, 7 anos). Os médiuns “experientes” praticavam a mediunidade havia 37,4 +- 8,8 anos, com média de 15,6 +- 2,2 experiências de psicografia por mês, ante os 22,4 +- 14,8 e 4,8 +- 3, respectivamente, dos médiuns “menos experientes”.

O número de participantes exigido para determinar o poder estatístico do estudo baseou-se em pesquisa anterior sobre a glossolalia [25]. Diversas escalas de saúde mental e avaliações qualitativas de experiências subjetivas foram aplicadas. Sintomas depressivos foram avaliados com a Escala de Depressão de Beck (BDI) [28]; sintomas de ansiedade, com utilização da Escala de Ansiedade de Beck (BAI) [28]; transtornos, com o Protocolo para Avaliação Clínica em Neuropsiquiatria (SCAN) [30]; transtorno de personalidade borderline e histórico de abuso na infância basearam-se em dados do Protocolo de Entrevista para Transtornos Dissociativos (DDIS) [31], e patologias psiquiátricas foram rastreadas com o uso do Questionário Autoaplicável de Rastreio Psiquiátrico (SRQ) [32] (tabela 2).

Os comitês de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e da Universidade da Pensilvânia autorizaram o estudo, e todos os participantes assinaram termos de consentimento.

Procedimentos de neuroimagem

Medimos o fluxo sanguíneo cerebral utilizando SPECT durante a psicografia (escrita em estado de transe dissociativo) e comparamos os dados com aqueles coletados durante a escrita em estado habitual de consciência ou de ausência de transe (tarefa de controle). O ato de escrever, nos dois casos, realizou-se em ambiente silencioso e com luz suave, em uma antessala do laboratório de neuroimagem. Pediu-se aos voluntários que fizessem a psicografia tal como em sua atividade regular como médiuns. Todos seguiram o mesmo procedimento: sentaram-se confortavelmente, fecharam os olhos, concentraram-se e fizeram uma oração. De modo geral, entraram em transe em poucos minutos, pegaram um lápis e começaram a escrever. Os médiuns relataram entrar em transe com grande facilidade e tranquilamente. Para a escrita controle (em estado habitual de consciência), no mesmo local, foi-lhes pedido que escrevessem sobre seus pensamentos e sobre temas semelhantes aos que escreviam durante as psicografias.

Depois da tarefa de psicografia, perguntou-se a todos os indivíduos se eles haviam alcançado o estado mediúnico (contato com uma pessoa falecida), e também foi pedido que avaliassem o nível alcançado de vivência mediúnica durante a pesquisa, de 1 para “precariamente alcançado” até 4 para “plenamente alcançado”. A ordem das tarefas foi randomizada entre os indivíduos, para evitar o efeito sequência, e o intervalo entre as tarefas monitorado para garantir a distinção entre os estados de transe e não transe para a escrita psicografada e a escrita de controle, respectivamente. O uso do SPECT para os fins deste estudo permitiu avaliar o estado de transe em si, de modo que as neuroimagens refletiram o que ocorria durante a escrita controle ou psicográfica. Essa técnica também é utilizada clinicamente para avaliar convulsões em pacientes durante a própria convulsão, quando a injeção é administrada [33]. Os indivíduos são escaneados depois, mas a distribuição do marcador não é revertida imediatamente depois que ele é administrado e fica impregnado no tecido cerebral, o que permite a captação de imagem do estado de transe em si.

Após os indivíduos terem iniciado a escrita há dez minutos receberam a injeção, por meio de cânulas IV (inseridas em seus braços esquerdos), de 7 mCi de 99mTc-EDC. Depois de escreverem por mais 15 minutos, um pesquisador sinalizou para que parassem de escrever, e eles foram levados para o scanner SPECT para uma sessão de 40 minutos de captação das imagens.

As imagens foram adquiridas por um scanner SPECT de três cabeças (Trionix Research Laboratory) com colimadores de alta resolução. As imagens de projeção foram obtidas em intervalos de ângulo 3° em uma matriz de 128 × 128 (tamanho do pixel de 3,56 × 3,56 milímetros) em 360°. As imagens SPECT foram reconstruídas, usando filtro de correção/atenuação de Chang.

Depois do scan da primeira tarefa, os indivíduos retornaram à antessala para realizar a segunda tarefa (psicografia ou controle). Depois de serem observados na realização da tarefa por dez minutos, receberam igualmente a injeção com 25 mCi of 99mTc-ECD. Os indivíduos, então, prosseguiram na segunda tarefa por mais 15 minutos, quando a sessão foi encerrada. Cada indivíduo foi escaneado (segundo escâner de tarefa de escrita) por 40 minutos, com uso dos mesmos parâmetros. A experiência fenomenológica dos médiuns durante a psicografia e a tarefa de controle foram avaliadas em uma entrevista semiestruturada logo depois da aquisição das neuroimagens por escâner.

Análise de imagem e estatísticas

Os dados brutos de FSCr foram convertidos para formato ANALYZE e pré-processados ??usando SPM5 (Wellcome Trust Center for Neuroimagem, em Londres), implementado em Matlab 7,10. As imagens FSCr de ambas as tarefas de escrita foram então realinhadas para correção de pequenas alterações entre as análises, utilizando seis parâmetro de transformação rígida com grau 4 B-spline de interpolação. As imagens foram então normalizadas para o modelo espacial ponderado T1, fornecido pela Montreal Neurological Institute (MNI) por meio de uma abordagem de quadrados mínimos e 12 parâmetros de transformação espacial, seguido pela estimativa de deformações não lineares, conforme implementado no SPM5 e suavizado com um filtro Gaussian de 8 milímetros.

As imagens pré-processadas de fluxo sanguíneo cerebral de cada indivíduo passaram por um primeiro nível de análise comparando os dois grupos (experientes versus menos experientes) e as duas condições (psicografia versus controle). As imagens de cada indivíduo passaram então por um segundo nível de análise de grupo exploratória, com realização de 2×2 Repeated Measures ANOVA (SPM5) para determinar os efeitos principais para os grupos (experientes versus menos experientes) e as condições (psicografia versus controle). As diferenças de intensidade global foram corrigidas com o uso de escala proporcional. A resultante SPM{F} do teste de efeito dos mapas de interação foi estabelecido em p1,64) e uma extensão de cluster de 100 voxels contíguos. Clusters identificados foram então divididos em regiões anatômicas, utilizando a base de dados Daemon Talairach [34]. Finalmente, um modelo de correlação linear foi aplicado para comparar alterações na complexidade do conteúdo escrito às alterações no fluxo sanguíneo cerebral nas regiões com diferenças significativas entre psicografia e estado de controle.

Análise da complexidade do conteúdo escrito

O conteúdo escrito durante os 25 minutos sem pausa foi avaliado por um brasileiro com doutorado em literatura brasileira, com grande experiência em corrigir redações elaboradas em vestibulares de uma das principais universidades brasileiras. Ele realizou uma Avaliação Analítica [35], [36], que atribui pesos a várias características ou componentes da escrita para classificar com profundidade as habilidades de escrita e sua qualidade. A escrita avaliada envolveu aproximadamente 350 palavras relacionadas ao período em que o cérebro esteve impregnado com o marcador. Essa análise foi “cega”, de modo que o analista não sabia a que grupo cada voluntário pertencia. Os seguintes critérios foram utilizados para avaliar o conteúdo escrito: (i) pontuação, (ii) seleção de itens do léxico e ortografia, (iii) concordância verbal e nominal, (iv) desenvolvimento do tema, (v) estrutura das sentenças e articulação entre as partes, e (vi) coerência. Os escores variaram de 1 a 4 para cada critério, do seguinte modo: (1) fraco, (2) regular, (3) bom e (4) muito bom (tabela 3). Os escores para o conteúdo elaborado pelos dois grupos foram comparadas com a utilização do Teste de Wilcoxon.

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Resultados

Embora os voluntários do presente estudo tenham relatado alucinações auditivas, alterações de personalidade e outros comportamentos dissociativos, não apresentaram transtornos mentais e foram capazes de utilizar suas experiências mediúnicas para ajudar outras pessoas. Entrevistas clínicas estruturadas excluíram transtornos psiquiátricos. Nenhum dos indivíduos, exceto um com sinais prévios de transtorno de personalidade borderline, mostravam qualquer sinal claro de transtornos mentais do Eixo I ou Eixo II no momento do estudo [14] (tabela 2). Todos os indivíduos declararam se sentir confortáveis durante o estudo e conseguiram alcançar seu usual estado de transe durante a tarefa de psicografia (4: “plenamente alcançado”), e essa avaliação foi feita pouco depois da tarefa de psicografia.

Todos relataram estar em estado habitual de consciência/de vigília durante a tarefa de controle. Sete voluntários consideraram fácil escrever durante a atividade controle, e três mencionaram alguma dificuldade, relatando que geralmente achavam difícil elaborar textos em suas vidas cotidianas. Durante a psicografia, todos os médiuns relataram estados alterados de consciência, mas em diferentes graus. Os médiuns experientes mencionaram um transe mais profundo, com consciência turvada, frequentemente relatando estar fora do corpo e ter pouca ou nenhuma consciência do que escreviam. Médiuns menos experientes estavam em estado de transe menos pronunciado e geralmente relataram escrever frases ditadas a eles por espíritos.

Os grupos foram randomizados para que não houvesse diferenças significativas no intervalo entre os scans. Com a utilização de um teste T, baseado na contagem de voxels, não houve diferenças significativas quando o grupo inteiro foi analisado. O fluxo sanguíneo cerebral significativamente maior (p<0.001 para todas as regiões) ocorreu em várias áreas dos cérebros dos médiuns menos experientes, particularmente no cúlmen esquerdo, hipocampo esquerdo, giro occipital inferior esquerdo, cíngulo anterior esquerdo, giro temporal superior direito e giro pré-central direito (figura 1, tabela 4) durante a psicografia, em comparação com a escrita produzida em estado normal (sem transe). O foco do giro pré-central na verdade abrange o giro pré-central e o giro medial frontal, mas descrevemos a região com base nas coordenadas MNI (tabela 4). Os indivíduos experientes mostraram atividade significativamente mais alta (p<0.001 para todas as regiões) que os médiuns menos experientes.

Os médiuns experientes, ao escreverem em estado de transe, apresentaram decréscimo de fluxo sanguíneo cerebral nas mesmas regiões em comparação à escrita da condição controle (figura 1) – a diferença foi significativa na comparação com os menos experientes (p<0.05). O conteúdo escrito produzido pelos indivíduos durante os dois tipos de tarefas – com ou sem transe mediúnico – nunca havia sido escrito anteriormente. O nível de complexidade dos dois tipos de escrita (psicografado e de controle) foi analisado individualmente para cada indivíduo.

Os escores médios de complexidade para conteúdo psicografado foram mais altos do que na escrita em vigília (tabela 3), tanto para amostra geral [16.8 (DP 3.33) vs 14.4 (DP 2.95) - p = 0.007] como para os médiuns mais experientes [18.4 (DP 2.30) - p = 0.041]. Para médiuns menos experientes, a diferença foi próxima da significância estatística [15.2 (DP 3.63) vs 13.4 (DP 2.41) – p = 0.066].

Por fim, realizamos análises de correlação linear comparando as mudanças no escore de complexidade do conteúdo escrito a mudanças no fluxo sanguíneo cerebral nas seis regiões identificadas como significativamente associadas com o estado de psicografia. Houve uma tendência de correlação inversa entre mudança na complexidade e mudança no fluxo sanguíneo em cada região. Os coeficientes de correlação variaram de 0.59 a 0.74 para valores p de 0.03 a 0.12. Todas as correlações foram inversas, de modo que maiores níveis de complexidade estiveram associados com fluxo sanguíneo cerebral progressivamente decrescente em cada região.

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Discussão

Nossa hipótese não se confirmou entre os médiuns menos experientes, já que os resultados apresentaram significativas alterações no fluxo sanguíneo em diversas áreas do cérebro (figura 1, tabela 4) durante a psicografia, em comparação com a escrita fora do estado de transe. Mais ainda, contrariando a nossa hipótese, os médiuns experientes, durante a escrita em estado de transe dissociativo, apresentaram FSCr significativamente mais baixo nessas regiões em comparação à escrita habitual da condição controle (figura 1).

Em relação à sugestão hipnótica, alguns estudos mostraram ativação pré-frontal e dos circuitos relacionados à atenção [37], mas outros [38] em indivíduos facilmente hipnotizados, não; enquanto os médiuns experientes do presente estudo apresentaram níveis mais baixos de atividade no sistema atencional frontal. Embora tenham sido observadas redução na conectividade frontal-parietal [39] e desativações frontais depois de indução hipnótica em indivíduos altamente sugestionáveis [40], a hipnose é fenomenologicamente distinta das expressões mediúnicas, e por isso as duas condições não são diretamente comparáveis [41]. Além disso, a ideia de que a hipnose reflita um estado dissociativo ainda é controvertida [42].

Estudos neurofuncionais em meditação encontraram aumento de atividade no lobo frontal e na rede atencional relacionada [24], [43], [44], diferentemente do que encontramos no caso dos médiuns experientes. Embora os estados meditativos não envolvam necessariamente dissociação, e as expressões fenomenológicas sejam bastante diferentes da psicografia, um estudo recente sugeriu que a meditação aumenta a eficiência de atividade cerebral, de modo que os níveis de atividade dos meditadores experientes são menores que os dos menos experientes [45], um padrão semelhante ao relatado no presente estudo envolvido com outra tarefa cognitiva: a escrita.

Investigações com neuroimagem mostraram que a escrita é um processo complexo que exige sincronização de habilidades cognitivas, linguísticas e perceptomotoras [46]. A complexidade do conteúdo escrito reflete a criatividade e planejamento do autor, destacados na atividade no giro pré-central, giro temporal superior direito, cingulado anterior esquerdo, hipocampo, cúlmen e lobos occipitais. Dano ou hipoperfusão nessas regiões têm sido relacionados a graves dificuldades para escrever [46]-[48]. Em particular, os médiuns experientes tiveram escores mais altos de complexidade, sugerindo que o planejamento para o conteúdo psicografado era mais sofisticado que o do conteúdo escrito fora do estado dissociativo de transe mediúnico. A maior complexidade do texto, envolvendo mais criatividade e planejamento durante a psicografia, presumivelmente exigiria maior atividade no giro pré-central direito, giro temporal superior direito, cingulado anterior esquerdo, hipocampo esquerdo, cúlmen esquerdo e giro occipital inferior esquerdo [46]-[48] do que a tarefa de controle menos complexa – mas não foi o que ocorreu, especialmente no caso dos médiuns experientes (figura 1).

Níveis mais baixos de atividade no hemisfério esquerdo e mais altos no hemisfério direito têm sido relatados em expressões patológicas de experiências psicóticas e dissociativas [49], [50]. Diferentemente de nossos voluntários, pacientes com esquizofrenia apresentam níveis mais baixos de fluxo sanguíneo nas regiões do hemisfério esquerdo, enquanto as áreas com fluxo mais alto podem refletir uma necessidade de engajar o hemisfério direito para compensar as deficiências nas redes do hemisfério esquerdo [51].

Anormalidades de fluxo sanguíneo cerebral no cingulado anterior, pré-central, temporal e cúlmen podem predizer o desenvolvimento de psicoses em indivíduos de alto risco, com subsequente transição para psicose [50], [52], [53]. O cingulado anterior está relacionado ao sistema de atenção em conjunção com regulação emocional, aprendizado, memória, detecção de erro, monitoramento de conflitos, estratégia de planejamento e empatia [54], [55]. A atividade reduzida no cingulado anterior, giro pré-central, giro temporal superior e hipocampo nos médiuns experientes pode explicar em parte a ausência de foco, de autoconsciência e de consciência sobre o conteúdo psicografado durante o estado dissociativo. Apesar de várias similaridades com a ativação cerebral relacionada em pacientes de esquizofrenia [50], [52], [53], os médiuns participantes do presente estudo não sofriam de esquizofrenia ou outros transtornos mentais (tabela 2). Esses achados reforçam a importância de realizar mais pesquisas sobre diagnóstico diferencial entre dissociação patológica e não patológica [5], [16], [17].

Buscamos o máximo de similaridade possível entre os grupos para melhor comparar suas atividades cerebrais.

As diferenças observadas no fluxo sanguíneo cerebral podem estar ligadas a níveis distintos de experiência, mas também podem refletir diferenças em graus de ansiedade/expectativa, esforço ou eficiência. Por exemplo, estudos demonstram que a ansiedade está associada a maior atividade na insula/putamen e no córtex pré-frontal ventral direito e esquerdo [56]. Algumas alterações que observamos podem ter sido reflexo de ansiedade, embora pouco provável, considerando que nenhum dos voluntários tenha relatado níveis particularmente elevados de ansiedade/expectativa ou estresse de acordo com o inventário BAI e a entrevista qualitativa pós tarefas.

Estudos sobre expertise cognitiva revelaram dois padrões gerais de alterações na atividade cerebral. O nível de atividade na área da face fusiforme (FFA) esteve envolvido em atividades desempenhadas por especialistas e não especialistas [57], [58]. Outros estudos mostraram algumas regiões cerebrais com maior atividade durante tarefas realizadas por experts/especialistas [59]. A observação de cálculos feitos por indivíduos especialistas mostrou aumento de atividade no giro frontal medial, giro para-hipocampo, giro cingulado anterior e junção occiptotemporal médio-direita, além do lóbulo paracentral anterior [60]. Voluntários com especialização em aritmética mostram aumento de atividade em regiões mais amplas [61].

Esses resultados sugerem que os especialistas expressaram maior atividade em rotas cerebrais diferentes ou mais extensas. Entretanto, outros estudos sugerem que os indivíduos mais habilidosos fazem uso mais eficiente da atividade e das regiões cerebrais. Nessas circunstâncias, observa-se menor atividade cerebral em tarefas cognitivas. Aqueles que se esforçam mais para realizar tarefas cognitivas frequentemente precisam engajar mais áreas cerebrais como mecanismo de compensação [62]. Os resultados do presente estudo sugerem que o nível de especialização pode ter um efeito importante na atividade cerebral. Houve uma tendência de correlação inversa entre a variação de complexidade e a alteração no fluxo sanguíneo cerebral em cada região. Como essas correlações foram inversas, a implicação aparente é que maior complexidade esteve associada com fluxo sanguíneo cerebral progressivamente atenuado em cada região. Porém, esse interessante achado, quando se leva em conta a complexidade dos textos psicografados, merece discussões mais aprofundadas, investigações futuras e hipóteses elucidativas. Alguns poderiam especular que tais achados estejam relacionadas àqueles mostrados em estudos sobre improvisação musical, em que a diminuição da atividade em algumas áreas relacionadas a atenção pode ter envolvido o treinamento para a inibição da atenção, favorecendo a emergência da criatividade [63], [64]. Ainda sobre criatividade, um estudo recente mostrou que o consumo de álcool, que reduz a atividade do lobo frontal, parece aumentar a criatividade ou talvez, na verdade, diminuir a crítica [65]. Contudo, os estados de improvisação musical – com acentuada participação da memória motora – e consumo de álcool são bastante particulares e distintos da psicografia, que envolve elaboração de textos inteligíveis com mensagens éticas, conteúdos não improvisados e, portanto, não podem ser comparáveis entre si. É necessário realizar mais pesquisas para comparar minuciosamente a psicografia a outros estados similares e elucidar com precisão as possíveis relações entre a atividade do lobo frontal e a profundidade, intensidade e complexidade do conteúdo escrito produzido nesse interessante estado mediúnico.

De modo geral, o fato de que médiuns experientes apresentem FSCr menor que os médiuns menos experientes pode ser devido ao fato de que possuem mais anos de prática e fazem mais psicografias por mês (tabela 1, figura 1). Entretanto, considerando os altos escores de complexidade dos escritos dos mais experientes, não está claro se a atividade cerebral reduzida está ligada ao funcionamento mais eficiente do cérebro durante a tarefa ou à influência de outras possíveis variáveis como o transe mediúnico em si e a comunicabilidade espiritual.

Embora cientes dos problemas de conceitualização do transe, para o propósito deste estudo utilizamos uma definição mais conceitual e fenomenológica de transe proposta por Cardeña [66]: uma alteração temporária da consciência, identidade e/ou comportamento evidenciada por no mínimo dois dos seguintes aspectos: (1) alteração marcante de consciência; (2) reduzida consciência do ambiente ao redor do indivíduo; (3) sensação de que os movimentos estão fora do controle do indivíduo. Em termos qualitativos, já que não existe uma única expressão de mediunidade, mas diferenças importantes entre pessoas e ocasiões, nossos indivíduos relataram tipos variáveis de “contatos espirituais”. Os médiuns menos experientes relataram se sentir como que inspirados durante a psicografia e estar em um estado de semiconsciência – as frases lhes vinham como se fossem ditadas – em relação ao conteúdo escrito, enquanto os médiuns mais experientes diziam estar “fora de seus corpos” e não ter controle do conteúdo “elaborado pelo espírito”. O giro temporal superior, que contém o córtex auditivo, foi mais ativado durante a psicografia no caso dos médiuns menos experientes, que ouviam frases como se elas lhes fossem ditadas, mas menos ativado nos indivíduos experientes, que não tinham controle consciente do conteúdo psicografado. O giro temporal superior também está envolvido na compreensão linguística e em uma área fundamental relacionada à alucinação auditiva em pacientes psicóticos [49].

A redução da atividade no córtex pré-frontal, envolvido na categorização e classificação de experiências [3], [67], pode estar em parte relacionada à explicação subjetiva do transe dissociativo tal como relatado pelos médiuns experientes, e é mais condizente com a noção de escrita inconsciente do que com o conteúdo de escrita planejada. Estudos de processamento de linguagem sistematicamente mostram o envolvimento do córtex temporal superior e do giro pré-central como fundamental para processar palavras, e sua hipoperfusão resulta em dificuldades seletivas de escrita [46], [47], [48]. A ativação dessas áreas durante a escrita é esperada em indivíduos saudáveis. Essas regiões foram menos ativadas no cérebro dos indivíduos experientes durante a psicografia, e eles não demonstraram a esperada dificuldade de escrever na presença de hipoativação [46], [47], [68]. O nível reduzido de atividade no córtex temporal, giro pré-central, hipocampo e cingulado anterior em médiuns experientes também reforça os seus relatos subjetivos de que não tinham consciência do conteúdo escrito durante a psicografia. Deve-se notar que não se observaram as alterações no fluxo sanguíneo cerebral no núcleo caudado descritas anteriormente no caso da glossolalia. Os indivíduos também apresentaram fluxo sanguíneo cerebral reduzido no córtex pré-frontal direito, e essas discrepâncias podem estar relacionadas às diferentes tarefas de processamento de linguagem durante esses estados de transe [25].

Os médiuns estudados atribuíram a autoria das psicografias aos “espíritos” comunicantes. Na comparação com escritos em estado normal, médiuns menos experientes apresentaram ativação maior nas mesmas áreas de processamento cognitivo durante a psicografia, enquanto os médiuns experientes apresentaram nível de ativação significativamente menor (figura 1). Possivelmente, os médiuns menos experientes tiveram de “trabalhar mais”, como mostram seus níveis relativamente mais altos de ativação das áreas relacionadas ao processamento cognitivo durante a psicografia. Médiuns experientes apresentaram fluxo sanguíneo cerebral nas áreas descritas significativamente reduzido durante a psicografia, o que condiz com a noção de escrita não consciente e suas alegações de que uma “fonte externa” estava planejando o conteúdo escrito. Regiões do cérebro sabidamente envolvidas no planejamento da escrita foram menos ativadas, mesmo quando o conteúdo era mais elaborado de que a escrita em estado normal (tabela 3). Os presentes resultados não condizem com simulação ou fraude, que têm sido oferecidos como explicações para a psicografia. Circuitos neurais relacionados ao planejamento presumivelmente seriam recrutados para a composição dos textos caso os indivíduos estivessem simulando estados de transe (figura 1, tabela 4). Ao contrário, estudos das regiões de processamento cognitivo envolvidas em raciocínio e planejamento de conteúdo escrito [46]-[48] mostraram redução de atividade nos médiuns experientes, que relataram que não tinham controle do conteúdo escrito, afirmando que “a autoria da psicografia não pode ser atribuída ao cérebro do médium, mas ao espírito comunicante”. Os indivíduos relataram que seu estado de transe envolvia um “estado de relaxamento mental”.

O relaxamento mental sozinho poderia explicar a atividade geral reduzida do cérebro, mas o fato de que os indivíduos produziram conteúdos complexos em estado de transe dissociativo sugere que eles não estavam meramente relaxados. Mais ainda, o relaxamento parece uma explicação improvável para a subativação de áreas cerebrais especificamente relacionadas ao processamento cognitivo que ocorria. Como primeiro passo para compreender os mecanismos neurais envolvidos na dissociação não patológica, enfatizamos que essas descobertas merecem mais investigação em termos de replicação e hipóteses explicativas.

Em condições não patológicas, os indivíduos podem viver de maneira saudável com manifestações dissociativas no âmbito religioso, embora tal condição dissociativa possa ser patológica depois de acontecimentos adversos/traumáticos [3]-[5]. A ausência de distúrbios do Eixo I ou II [14] nos médiuns estudados está de acordo com as atuais evidências de que as experiências dissociativas são comuns na população em geral e não necessariamente relacionadas a transtornos mentais, especialmente em grupos espirituais/religiosos [16]. As alterações de FSCr durante a psicografia evidencia a diversidade do fenômeno dissociativo em indivíduos saudáveis e sugere que futuras investigações devem precisar critérios para distinguir expressões dissociativas saudáveis e patológicas no escopo da mediunidade.

Uma limitação deste estudo foi o tamanho pequeno da amostra estudada, que limitou a análise detalhada que uma amostra maior poderia suportar. Novos estudos com maior numero de voluntários permitirão análises mais robustas corrigidas para comparações múltiplas para possivelmente determinar outros achados e diferenças relevantes entre grupos.

Diferentes linhas de pesquisa estão se associando, o que é um acontecimento promissor rumo a uma compreensão aprofundada da consciência e da dissociação [7]–[9], [17], [31]. Embora o estudo de experiências espirituais como a mediunidade tenha sido fundamental para o desenvolvimento de nossa compreensão atual da mente, sua relevância foi negligenciada pelos cientistas no século passado [10], [19]. O presente estudo fornece dados preliminares e aponta a utilidade potencial de estudos epistemologicamente bem fundamentados dos estados dissociativos de consciência e das experiências espirituais para aprimorar nossa compreensão da mente e de suas relações com o cérebro, assim como para estudar e considerar intervenções terapêuticas eficazes.

Agradecimentos

Nossos agradecimentos aos doutores Alexandre Caroli Rocha pela análise da complexidade dos textos, a Peter Fenwick e a Homero Vallada pelos comentários úteis a uma versão preliminar deste manuscrito, e a Nancy Wintering e Jeverson Reichow pelo valioso trabalho como assistentes.

Contribuição dos autores

Conceberam e formataram os experimentos: JFP AN. Realizaram os experimentos: JFP AMA LC FL AN. Analisaram os dados: JFP AN. Contribuíram com reagentes, materiais e ferramentas de análise: JFP AMA LC FL AN. Escreveram o estudo: JFP AMA LC FL AN.

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*Julio Fernando Prieto Peres – Psicólogo clínico, doutor em Neurociências e Comportamento – Instituto de Psicologia USP. Pós-doutorado no Centro de Espiritualidade e Mente – Universidade Pensilvânia, EUA. Pós-doutorado na Radiologia Clínica/Diagnóstico de Imagem – UNIFESP. Filiações: Serviço de Medicina Nuclear do Departamento de Radiologia da Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, Pensilvânia, EUA, Centro de Espiritualidade e da Mente, da Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, Pensilvânia, EUA, e PROSER (Instituto de Psiquiatria, Universidade de São Paulo- USP, Brasil). Autor correspondente: [email protected] 

Alexander Moreira-Almeida – Residência e doutorado em Psiquiatria pela USP, pós-doutorato pela Duke University, EUA. Professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e diretor do NUPES (Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da UFJF, MG, Brasil). Coordenador da pós-graduação Stricto Sensu da UFSF. Membro do Comitê Diretor da Seção em Espiritualidade e Psiquiatria da Associação Mundial de Psiquiatria. Filiação: NUPES.

Leonardo Caixeta – Psiquiatra, mestre e doutor em Neurologia. Escola de Medicina da Universidade Federal de Goiás, GO, Brasil.

Frederico Leão – Psiquiatra e psicoterapeuta. PROSER (Instituto de Psiquiatria, Universidade de São Paulo, USP, Brasil).

Andrew Newberg – Médico, diretor de Pesquisa do Jefferson-Myrna Brind Centro de Medicina Integrativa e especialista em neuroimagem de experiências religiosas, é autor de vários livros (Biologia da Crença e Princípios de Neuroteologia). Filiações: Serviço de Medicina Nuclear do Departamento de Radiologia da Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, Pensilvânia, EUA, Centro de Espiritualidade e da Mente, da Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, Pensilvânia, EUA, e Centro Myrna Brind de Medicina Integrativa, Universidade Thomas Jefferson, Filadélfia, Pensilvânia, EUA.

32 respostas a “Neuroimagem durante estado de transe: uma contribuição ao estudo da dissociação (2012)”

  1. montalvão Diz:

    COMENTÁRIO: o texto é complexo para leitura leiga: cita profusamente termos, conceituações e estruturas cerebrais cujo significado só especialistas podem verificar se estão corretos. Como ilustração, vejamos o conteúdo de um parágrafo:

    “Durante a psicografia, em comparação com a escrita em estado habitual, os médiuns mais experientes apresentaram níveis mais baixos de atividade no CÚLMEN ESQUERDO, HIPOCAMPO ESQUERDO, GIRO OCCIPITAL INFERIOR ESQUERDO, CÍNGULO ANTERIOR ESQUERDO, GIRO TEMPORAL SUPERIOR DIREITO E GIRO PRÉ-CENTRAL DIREITO. A complexidade dos escritos psicografados foi maior que a dos textos escritos no estado habitual, no caso da amostra geral e especialmente dos médiuns mais experientes.
    .
    COMENTÁRIO: o artigo é indicado para especialistas em neurologia e psicologia, não há meios de o leigo avaliar seguramente se os construtos cerebrais citados têm a importância e o significado que lhes é descrito no texto. Fica, pois, prejudicada a adequada análise do conteúdo.
    .
    De qualquer modo, vê-se uma “puxadinha de brasa” para o lado mediúnico, na loa que o artigo faz a Chico Xavier:
    .

    “A psicografia é uma das muitas formas dissociativas da expressão mediúnica [17]. “Médiuns escreventes” alegam escrever sob a influência de espíritos e alguns escritos psicografados tiveram impacto em comunidades em todo o mundo. O mais prolífico e importante médium psicógrafo brasileiro, CHICO XAVIER, que NÃO ESTUDOU ALÉM DA ESCOLA PRIMÁRIA, PRODUZIU MAIS DE 400 LIVROS PSICOGRAFADOS, abrangendo uma gama de gêneros literários e amplas áreas do conhecimento, e milhões de exemplares foram vendidos, com TODOS OS DIREITOS AUTORAIS DOADOS PARA A CARIDADE [21], [22].”
    .
    COMENTÁRIO: O que os autores querem dizer com isso? Tive a impressão de que, sutilmente, propõem a autenticidade mediúnica, ou seja, real contato com espíritos, pelo menos da parte do homem de Uberaba.
    .
    Outra coisa, para mim não ficou claro se a meta do estudo foi mostrar que médiuns efetivamente comunicam com espíritos, ou apenas evidenciar que mentes em estado dissociativo apresentam reações atípicas. O título do trabalho é “uma contribuição ao estudo da dissociação”. Então, os investigadores não pretenderam desvendar se a mediunidade é comunicação intermundos, sim apresentar subsídios às investigações das dissociações.
    .

    Seria importante, para melhor compreensão do teor do artigo, que um “médium” traduzisse para linguagem comum os termos técnicos e a importância das estruturas cerebrais citadas nos fenômenos dissociativos. A Revista Isto é, que publicou recentemente reportagem de capa, afirmando que o cérebro dos médiuns é “diferente”, coisa que teria sido provada pela ciência, aparentemente seria esse ente intermediário, a verter em linguagem comum a tecnicidade do artigo. Porém, o exame da cobertura é frustrante. A citação ao experimento é superficial e incorreta. Não teve essa de a ciência “provar” diferenças nos cérebros dos médiuns (seriam eles feitos de rapadura e goiabada?). Além disso, os repórteres de Isto é dizem coisas que nem os espíritas aceitariam, por exemplo:

    .
    “São cinco os meios de expressão da mediunidade. A psicografia, que consagrou Chico Xavier, é a mais conhecida. Nela, o médium escreve mensagens e histórias que recebe de espíritos. Estaria sob o controle deles o que as mãos transcrevem. A vidência permite enxergar os mortos que não conseguiram se desvencilhar da Terra ao não aceitarem a morte ou que aparecem para enviar recados a entes queridos. Na psicofonia, o sensitivo é capaz de ouvir e reproduzir o que os espíritos dizem e pedem. A psicopictografia, ou pintura mediúnica, permite ao médium ser instrumento de artistas desencarnados (termo usado pela doutrina para designar mortos). A mediunidade da cura é responsável pelas chamadas cirurgias espirituais. Não é incomum um mesmo indivíduo reunir mais de um tipo de dom.”
    .
    COMENTÁRIO: Esses cinco meios de expressão mediúnica deixam de fora outras mediunidades. Para tristeza de nosso amigo Arduin, os autores desprezaram a mediunidade de efeitos físicos, tão arduínicamente querida (conforme falei antes para ele, hoje nem os espíritas dão bola para materializações). Também deixaram de lado outras expressões alegadamente fomentadas pela espiritualidade, como a música mediúnica, a xenoglossia…
    .
    Outro erro da reportagem, embora este seja amiúde repetido por espíritas, é transformar os pensamentos em ondas eletromagnéticas transmissíveis interdimensionalmente:
    .
    “Qualquer um seria capaz de emitir pensamentos em forma de ondas eletromagnéticas que chegariam a outros planos.”
    .
    Se ondas eletromagnéticas chegam ao além então bastaria produzir-se estações transmissores e os contatos efetivos e reais seriam realizados. Haveria coisas como telefones, rádios, celulares, televisores mediúnicos. Onde estão?
    .
    Por fim, a grande dúvida não foi esclarecida pelo estudo em pauta: afinal, espíritos comunicam ou não comunicam? Os autores poderiam ter aproveitado a estrutura montada e a voluntária participação dos médiuns para efetuar essas apurações. Se o fizessem estariam melhor contribuindo para os objetivos do estudo, pois consignariam objetivamente que dissociações são fenômenos mentais, adstritos às concatenações psíquicas: nada, pois, de espiritualidade. Mas, parece que, pelo menos para um dos investigadores – o Alexander Moreira-Almeida – a meta é justamente a contrária: mostrar científicamente que espíritos agem neste mundo. Certamente não será com o presente estudo que se obterá tal coisa.
    .
    Saudações escaneantes.

  2. Kelly Diz:

    Uma observação ligeiro eu faço:
    O Montalvão disse:

    Se ondas eletromagnéticas chegam ao além então bastaria produzir-se estações transmissores e os contatos efetivos e reais seriam realizados. Haveria coisas como telefones, rádios, celulares, televisores mediúnicos. Onde estão?

    É preciso que os homens reencarnados inventem primeiro estas estações transmissoras que detectem as ondas cerebrais, não lhe parece?
    Onde estão estes aparelhos?
    Quem sabe se depois de inventados nós não poderem facilitar as comunicação intra-mundos dispensando os médiuns?
    Pense nisso senhor.

  3. Antonio G. - POA Diz:

    Também tive dificuldade em compreender perfeitamente o texto, em função da abundância de termos e expressões que eu desconheço (problema meu, bem sei), além de ter tido a mesma impressão de que, apesar do artigo ser francamente simpático à hipótese da existência da mediunidade, ele não consegue ser conclusivo quanto à existência ou não dos espíritos. Para tal, continuamos dependendo da aceitação de dogmas, pois não há evidências.
    .
    Sds

  4. Kelly Diz:

    Senior Antonio, cometes um equívoco: não existe nenhum dogma no espiritismo.
    O senior conhece o espiritismo? Qual dogma se refere!

  5. Vitor Diz:

    Será que essa Kelly é o Scur?
    Kelly, leia o site criticandokardec.com.br

  6. montalvão Diz:

    PREZADÍSSIMA KELLY
    .
    Visite e excursione pelo site http://falhasespiritismo.org/, nele encontrará respostas objetivas para suas dúvidas.
    .
    O problema dos “reencarnados” construirem estações transmissoras para o além esbarra num ponto inelucidável: a apatia dos espíritos em cooperarem com os vivos quando há real necessidade de cooperação. Veja bem: eles mandam recadinhos para cá (pelo menos assim dizem os crentes), se materializam, concedem poderes variados aos médiuns (até para pintarem quais artistas famosos), no entanto, quando deveriam os dois lados atuarem conjuntamente para desenvolver tecnologia que incrementasse as comunicações, de modo a torná-las inegáveis a toda a humanidade, eles (os espíritos) parecem preferir ir para a praça jogar baralho. Se realmente ondas magnéticas chegassem ao além seria mui fácil que os tecnólogos de lá se juntassem aos daqui e, conjuntamente juntos, produzissem os mais engenhosos engenhos que a engenhosidade pudesse engenhosidar. Por que não sai, numa parceria entre os dois plano, nem um celularzinho desbloqueado para a estação telefônica Dalém&daquém? Nem um radinho de galena os desencarnados construíram em sociedade com os de carne. Nem mesmo uma churrasqueirinha…
    .
    Se você crê que os recados ditos provindos da espiritualidade, todos subjetivíssimos, são reais manifestações da parte “deles”, respeito profundamente sua crença (e vou morrer defendendo seu direito de acreditar no que lhe traz conforto), mas aqui estamos a discutir a realidade dessas alegações, então temos que ser severos no julgamento. Anote em seu caderninho, para posterior reflexão: quando a mediunidade é submetida a aferição objetiva, pode crer, não passa no teste. No entanto, reconheço que posso estar equivocado: se souber de contatos que seguramente evidenciem a atuação de mortos dentre os vivos noticie nesse espaço para que fiquemos esclarecidos.
    .
    Até lá, aceite minhas saudações eletromagnéticas.

  7. Kelly Diz:

    Senhor Montalvão – é certo que um dia o senhor compreenderá os motivos e abandonará o ceticimo. Esperar é o que resta por hora.
    Boas pesquisas por enquanto.

  8. Antonio G. - POA Diz:

    Então, não existem dogmas no espiritismo? É pegadinha…
    .
    Kelly = Scur.

  9. Toffo Diz:

    Realmente este texto é uma pedreira para o tradutor, hein, Vitor? hehe

    Bem, eu já o conhecia previamente, e fico com o Montalvão: a pesquisa me parece inconclusiva, como tudo o que se refere ao sobrenatural. Mas me parece bem razoável que a suposta “mediunidade” possa ser uma faculdade treinável, a partir de elementos mentais do próprio sujeito – aliás, como em todo processo criativo. Com anos de prática, os médiuns podem escrever aquilo que quiserem. É o caso do mais famoso (e inexplicavelmente laureado neste texto), CX, que no final da sua carreira se limitava a reproduzir ad infinitum o mesmo teor de autoajuda de suas supostas mensagens psicografadas, com conteúdo bastante raso e previsível. Eu não posso dizer capitalmente, mas a essa altura da minha vida estou convencido de que fenômenos mediúnicos, assim como outros fenômenos creditados ao sobrenatural, inclusive Deus, são muito mais uma criação humana – ou encarnada, no jargão espírita – do que partidas de
    entidades autônomas, voluntárias, extrafísicas. Em outras palavras: não existe.

  10. montalvão Diz:

    prezados,
    .
    Se a doce Kelly for o acre Scur este estará deverasmente bem disfarçado. A impressão que me deu é que se trata de uma jovem, ou portuguesa, ou, de algum país de língua espanhola e que aprendeu a falar e escrever em português. O estilo redativo da moça me leva a tal suposição. Vejo também (se não for disfarce) que se trata de crente sincera na veridicidade de contatos espirituais e reencarnações. Tanta certeza tem dessas “verdades” que acredita que um dia acreditarei nelas. Gostaria muito de ter essa confiança toda, mas quanto mais reflito menos convencido me sinto. Sniff, bela Kelly.
    .
    Saudações pranteativas.

  11. Toffo Diz:

    Eu diria que Kelly não é tão doce assim. Ela repete o mesmo jargão dos defensores do espiritismo: a) não tem dogmas; b) o opositor não conhece espiritismo. É sempre assim.

  12. montalvão Diz:

    Kelly, você não informou se seguiu a sugestão do Vitor, de conhecer o esclarecedor site por ele recomendado, e da minha de visitar o não menos elucidativo por mim indicado. Turistando por esses dois espaços estou certo de que se ilustrará mucho e mucho.
    .
    Buena suerte.

  13. Marcos Diz:

    O artigo é simpático à hipótese da mediunidade porque um dos autores, Alexander Moreira-Almeida, é espírita e acredita no DOGMA da reencarnação e da comunicação com os mortos.
    .
    Obs: aos que não me conhecem, aceito as evidências da parapsicologia. O que não dá é fazer o que Alexander faz: misturar espiritismo com pesquisas acadêmicas. Acho isso inaceitável. E o mais estranho: diversas universidades do país estão se rendendo a isso. Acho muito perigoso. Vamos ter ciência sem religião!

  14. montalvão Diz:

    Pensava eu que o Marcos fosse o Arduin economizando nome, mas agora vejo que não poderia ser…

  15. Abreu Diz:

    Olá pessoal,

    Em primeiro lugar, como já comentado, a tradução de um paper dessa área é sempre uma tarefa difícil. Por isso, fica a recomendação para, sempre que possível, ler o texto original, também publicado aqui.

    Quanto ao comentário do Marcos, é preciso dizer seu argumento, apesar de interessante, não é valido. O trabalho de um pesquisador ou a conclusão de artigo científico devem ser analisados pelo conteúdo em si (desenho da pesquisa, cuidados na condução das atividades, resultados observados) e não por meio de detalhes da vida pessoal do pesquisador.

    Na prática, não faz a menor diferença se Moreira-Almeida, em seu íntimo, acredita em reencarnação ou em duendes; atribuir valor a um trabalho com base na pessoa, como vocês certamente sabem, representa uma falácia “ad hominem” e não pode ser seriamente considerado.

    Quanto ao artigo, também discordo dos colegas quanto a sua suposta tendência a favor da existência da mediunidade. Não consegui ler dessa forma.

    Os autores apenas colocam o relaxamento como explicação insuficiente para dar conta da hipoativação de áreas cerebrais observada quando indivíduos produziam escrita complexa sob transe. Chegam a citar que observações parecidas são observadas em indivíduos de grande expertise, cujo cérebro aparentemente faz um uso mais eficaz dos circuitos durante a execução da uma determinada ação.

    Em relação a mediunidade em si, pelo que vejo, os autores apenas comentam que os resultados observados são condizentes (ou compatíveis) com a hipótese da escrita automática. Em nenhum momento afirmam, concluem ou sequer sugerem que essa é a melhor hipótese para explicar o fenômeno.

    Por fim, como todo estudo exploratório, ele não comporta conclusões, apenas traz apontamentos que merecem futuras investigações.

    A despeito de não ser conclusivo, me pareceu uma pesquisa bem interessante e adequadamente desenhada.

  16. montalvão Diz:

    O esclarecedor comentário do Abreu está correto em essência. Uns pequenos pontos me pareceram ponderáveis. Sobre o possível ad hominem do Marcos veremos como ele se explica. De minha parte, não diria exatamente que o dileto argumentou contra a pessoa. Se for possível demonstrar que o Alexander Moreira mistura em suas pesquisas apologias espíritas a apreciação será acertada.
    .
    Outro ponto, embora o artigo possa ser lido com vários olhos, inclusive alguns eufóricos estão a declarar, provavelmente baseado nesse estudo, que a ciência “provou” que o cérebro do médiuns é diferente, o que vai dar origem a mais uma lenda espiritista, há nele discreto, porém nítido, viés favorável à mediunidade como contato com desencarnados. Mesmo desconsiderando-se o desnecessário exaltativo a Chico Xavier (que, por tabela, acaba sendo exaltativo da mediunidade), encontramos outras declarações que, sutilmente, parecem pretender induzir o leitor a concluir que médiuns de fato contatam desencarnados. Vejamos exemplos.

    1) “Os dez médiuns eram bem ajustados nos pontos de vista familiar, social e profissional E REGULARMENTE AJUDAVAM PESSOAS QUE HAVIAM PERDIDO ENTES QUERIDOS”.
    .
    COMENTÁRIO: que “ajuda” dão os médiuns aos que perderam entes queridos? Distribuem cestas-básicas? Não, claro que não, “recebem” contatos de falecidos. O texto em caixa-alta para compor declaração neutra deveria constar mais ou menos: “por ACREDITAREM receber recados de falecidos CONSIDERAM que proporcionam consolo aos enlutados”.

    2) “Depois da tarefa de psicografia, PERGUNTOU-SE A TODOS OS INDIVÍDUOS SE ELES HAVIAM ALCANÇADO O ESTADO MEDIÚNICO (CONTATO COM UMA PESSOA FALECIDA), e também foi pedido que avaliassem o nível alcançado de vivência mediúnica durante a pesquisa, de 1 para “precariamente alcançado” até 4 para “plenamente alcançado”.”
    .
    COMENTÁRIO: aqui é dito que o “estado mediúnico” significa “contato com uma pessoa falecida”. Apesar de ser possível defender que subtende-se “suposto” (“suposto contato com uma pessoa falecida”), pareceu-me haver direcionamento do leitor a pensar concretamente na mediunidade como real contato com mortos (sem suposições).

    .
    3) “Embora os voluntários do presente estudo tenham relatado alucinações auditivas, alterações de personalidade e outros comportamentos dissociativos, não apresentaram transtornos mentais e FORAM CAPAZES DE UTILIZAR SUAS EXPERIÊNCIAS MEDIÚNICAS PARA AJUDAR OUTRAS PESSOAS. Entrevistas clínicas estruturadas excluíram transtornos psiquiátricos.”
    .
    COMENTÁRIO: repete-se o afirmado anteriormente, o que demonstra haver discreta exaltação da mediunidade em termos de comunicação espiritual.
    .

    4) “Médiuns experientes apresentaram fluxo sanguíneo cerebral nas áreas descritas significativamente reduzido durante a psicografia, o que condiz com a noção de escrita não consciente e suas alegações de que uma “fonte externa” estava planejando o conteúdo escrito. Regiões do cérebro sabidamente envolvidas no planejamento da escrita foram menos ativadas, mesmo quando o conteúdo era mais elaborado de que a escrita em estado normal (tabela 3). OS PRESENTES RESULTADOS NÃO CONDIZEM COM SIMULAÇÃO OU FRAUDE, QUE TÊM SIDO OFERECIDOS COMO EXPLICAÇÕES PARA A PSICOGRAFIA. Circuitos neurais relacionados ao planejamento presumivelmente seriam recrutados para a composição dos textos caso os indivíduos estivessem simulando estados de transe (figura 1, tabela 4). Ao contrário, estudos das regiões de processamento cognitivo envolvidas em raciocínio e planejamento de conteúdo escrito [46]-[48] mostraram redução de atividade nos médiuns experientes, que relataram que não tinham controle do conteúdo escrito, afirmando que “a autoria da psicografia não pode ser atribuída ao cérebro do médium, mas ao espírito comunicante”. Os indivíduos relataram que seu estado de transe envolvia um “estado de relaxamento mental”.”
    .
    COMENTÁRIO: o trecho está um tanto nebuloso: dá a impressão de querer dizer que além da hipótese de a mediunidade ser comunicação entre vivos e mortos resta a alegação de fraude. Ora, a mediunidade pode ser (e acho provável que seja) fenômeno psíquico, acontecido em cérebros que possuem capacidade dissociativa, somadas com elevada atenção e boa capacidade imaginativa. Fraude apesar de haver, e muita, não seria a única explicação concorrente.
    .

    5) “Diferentes linhas de pesquisa estão se associando, o que é um acontecimento promissor rumo a uma compreensão aprofundada da consciência e da dissociação [7]–[9], [17], [31]. EMBORA O ESTUDO DE EXPERIÊNCIAS ESPIRITUAIS COMO A MEDIUNIDADE TENHA SIDO FUNDAMENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO DE NOSSA COMPREENSÃO ATUAL DA MENTE, SUA RELEVÂNCIA FOI NEGLIGENCIADA PELOS CIENTISTAS NO SÉCULO PASSADO [10], [19]. O presente estudo fornece dados preliminares e aponta a utilidade potencial de estudos epistemologicamente bem fundamentados dos estados dissociativos de consciência e das experiências espirituais para aprimorar nossa compreensão da mente e de suas relações com o cérebro, assim como para estudar e considerar intervenções terapêuticas eficazes.”
    .
    COMENTÁRIO: seria importante verificar se a mediunidade teve esse grau de importância que lhe é atribuído para o desenvolvimento da compreensão da mente. Desconfio haver exagero na declaração, porém isso precisaria ser melhor averiguado…
    .
    Conquanto não tenha relação direta com os comentários precedentes, destaco um trecho que me pareceu curioso:
    .
    “Todos os indivíduos eram brancos, destros, sem transtornos mentais (tabela 2) e não utilizavam drogas psiquiátricas/neurológicas.”
    .
    Qual seria a razão desse singular descritivo das características dos médiuns? Será que não existem médiuns negros e médiuns canhotos, ou eles são mais raros? Ou, será que os brancos destros são melhores médiuns?
    .
    Saudações lobulofrontais.

  17. Marciano Diz:

    Bah, estou sem palavras. Montalvão já disse tudo.
    Gênio esse cara!

  18. Marcos Diz:

    Abreu, dizer que devemos analisar o trabalho “em si”, sem características pessoais de quem o fez ou traduziu é uma utopia.
    .
    Importa SIM se Alexander é espírita ou não, se acredita ou não na reencarnação, pois seu viés acabará por considerar tais fenômenos como verdadeiros, pois está escrito no Livro dos Espíritos. Se Hitler fizesse um experimento “científico”, divulgasse dados para provar sua teoria, então, quer dizer, que iria analisar apenas os “dados”?
    .
    A mesma coisa: dizer que um psicólogo ter fé não prejudicaria em nada sua profissão. Mas isso é mentira. Não dá pra separar as coisas.
    .
    Pessoas religiosas tendem a crer em fantasias. Se Alexander é espírita, então, certamente, terá alguma tendência em crer em Deus, reencarnação, carma, etc, etc, etc… Então, como confiar em suas pesquisas? Me perdoe, mas isso é INACEITÁVEL em ciência!
    .
    Este trecho: ” foram capazes de utilizar suas experiências mediúnicas para ajudar outras pessoas”. Francamente! Onde está provado que contato com os mortos é realidade???

  19. Marciano Diz:

    Marcos, permita-me uma correção: se Alexander é espírita ele não terá, certamente, uma TENDÊNCIA em crer em deus, reencarnação, carta, etc. etc. etc.; ele CRERÁ firmemente nessas coisas. E essa crença desqualifica qualquer pesquisa séria. Ele PENSA já saber o resultado, só pesquisa para procurar justificar suas crenças. Isso é IMPENSÁVEL em ciência.

  20. Marciano Diz:

    Não é “carta”, é “carma”.

  21. Marciano Diz:

    Vitor diz:
    1. Vitor Diz:
    fevereiro 27th, 2013 às 19:18
    Será que essa Kelly é o Scur?
    Kelly, leia o site criticandokardec.com.br
    1. Antonio G. – POA Diz:
    fevereiro 28th, 2013 às 06:40
    Então, não existem dogmas no espiritismo? É pegadinha…
    .
    Kelly = Scur.
    1. montalvão Diz:
    fevereiro 28th, 2013 às 14:11
    prezados,
    .
    Se a doce Kelly for o acre Scur este estará deverasmente bem disfarçado. A impressão que me deu é que se trata de uma jovem, ou portuguesa, ou, de algum país de língua espanhola e que aprendeu a falar e escrever em português. O estilo redativo da moça me leva a tal suposição. Vejo também (se não for disfarce) que se trata de crente sincera na veridicidade de contatos espirituais e reencarnações. Tanta certeza tem dessas “verdades” que acredita que um dia acreditarei nelas. Gostaria muito de ter essa confiança toda, mas quanto mais reflito menos convencido me sinto. Sniff, bela Kelly.
    .
    Saudações pranteativas.
    1. Toffo Diz:
    fevereiro 28th, 2013 às 15:47
    Eu diria que Kelly não é tão doce assim. Ela repete o mesmo jargão dos defensores do espiritismo: a) não tem dogmas; b) o opositor não conhece espiritismo. É sempre assim.
    Scur deixou Vitor em dúvida, não enganou Antonio e me enganou.
    Troquei umas ideias com o Scur, ele me disse pra contar pra vocês que a Kelly era ele mesmo.
    Vejam o que ele me disse:

    “Tá errado velho, claro que era eu tchê. tive que usar um nome de mué para enganar o trouxa do Maria Antonieta, só que depois que usei o meu IE estava para apagar os dados e não lembrava do email que tinha sido aprovado por ele, aí resolvi ficar quieto e achar graça dos baba ovos que ficaram se lançando para o nome de Kelly. Não podem ver nome de mulher que ficam se derretendo. E se fosse uma puta baranga gorda, sebosa e ranhenta, cheia de pereba? E se fosse um traveco?
    No caso do nome que usei era de Kelly, bem nome de vagabunda para os boca-abertas ficarem ouriçados”.
    . . .
    Recado do Scur para o Vitor:
    “Assim eu consigo passar o trote no maria antonieta. diz para ele banir a Kelly também.”

  22. Carlos Diz:

    Marcos,
    .
    Todo o cientista possui preferências, tendências, achismos, etc, pois não há como isolar o humano de suas crenças. E muitas vezes ele conduz a pesquisa de modo a confortar suas ideias, modelos, etc. Isso é perfeitamente normal. No entanto, para evitar ou minimizar o “achismo” pessoal, é preciso submeter o estudo ao exame de pares e publicar o trabalho informando os métodos utilizados, seus resultados e conclusões. Nesse aspecto o que está publicado no blog obedece adequadamente ao que se denomina “honestidade intelectual”.
    .
    Note ainda que os autores comentam que “os achados merecem mais investigação, tanto em termos de replicação como de hipóteses explicativas”. Ou seja, eles admitem que estão em fase de exploração e, portanto, qualquer modelo oriundo daqueles resultados compromete apenas a quem os formula.

  23. montalvão Diz:

    O Scur está se ufanando de ter enganado o pessoal daqui, mas ele enganou a quem? O único que ficou meio convencido fui eu, os demais prontamente o reconheceram. Se o chamei de doce foi porque ele se mostrou menos, muito menos, ácido que normalmente, mas é claro que se trata de uma gentileza, pois não teria visto a moça e dela nada sabia. De qualquer modo, isso demonstra que o mancebo(a) tem uma porção mulher bem feminina, talvez devesse explorar melhor esse lado, pode ser que lhe traga muita satisfação.
    .
    De um modo ou de outro, e como sempre, afeminado ou trogloditado, o moço não teve muito o que acrescentar em seus pronunciamentos e, certamente, não deu atenção aos bons conselhos que gratuitamente lhe foram passados…
    .
    Saudações andróginas.

  24. Marciano Diz:

    Eu também fui enganado, Montalvão. E o Vitor ficou em cima do muro.

  25. Marcos Diz:

    Marciano, você tem razão.

  26. Biasetto Diz:

    Olá,
    Só pra deixar um abraço pra vocês e fazer algumas revelações, rs …
    1º) O Scur é meu amigo, mas é tonto demais.
    Perdi a paciência com ele, há uns dias, porque ele teve a incrível, a sensacional e fantástica capacidade de insistir comigo que o Sai Babão indiano não era pilantra. Inclusive me disse que os vídeos do youtube não provam nada contra o cara. Bem, diversos vídeos mostrando o safado usando de ilusionismo (muito mal, inclusive) para enganar os coitados lá, precisa mais alguma coisa? E tem mais informações e críticas fundamentadas contra o babão, é só pesquisar que encontra.
    2º) Em certa ocasião aqui, o Vítor estava bloqueando o Scur, que já usava de fakes. Aí tinha um Bruno lá das Minas Gerais, e o Vítor cismou que era o Scur. Bloqueou o Bruno, mas pelo que pude saber, equivocou-se. O Bruno entrou em contato comigo e eu disse pro Vítor que não era o Scur. Mantivemos uma conversa: eu, o Vítor e Scur. E o Vítor disse: “Se o Bruno não for o Scur, então eu sou a Maria Antonieta”.
    Então, o Scurzório gaúcho tontão, passou a chamar o Vítor de Maria Antonieta.
    Isto não mudou em nada a vida de vocês, rs …
    Mas fica a informação.
    Abraços !

  27. Marciano Diz:

    Biasetto, tem um vídeo que foi mostrado originalmente no Jornal Nacional, todos aqui devem conhecer, o Macedo falando “ou dá ou desce”, ensinando como tomar dinheiro dos crentes. Todos eles (as vítimas) disseram que o vídeo (gravado por um pastor descontente) não provava nada, era coisa do diabo.

  28. Biasetto Diz:

    É isto aí meu amigo DeMarte.
    A pessoa ser enganada por falta de conhecimento, vá lá né?
    Eu também fui, admito.
    Mas a partir do momento que são mostradas inúmeras evidências de fraudes e tudo mais e, a pessoa tendo este conhecimento, esta informação, o mínimo que se espera, é que a pessoa admita que “a coisa é meio complicada, suspeita”. Entretanto, parece que é o mesmo que falar com um paralelepípedo.
    Tanto que o Scur, diz ele, NUNCA viu um único artigo deste blog, que desqualifique Chico, Divaldo e cia. E ele não está só, tem vários assim.
    Fazer o quê, tem gente que gosta de passar a vida sendo enganada. Bem, de qualquer forma, este parece ser a grande piada da vida: já que não deve existir “nenhum além”, então, tanto faz, como tanto fez.
    Abração.

  29. Marciano Diz:

    Abração, Biasetto, apareça com mais frequencia, comente no novo tópico, espiritismo não é ciência.

  30. Antonio G. - POA Diz:

    Estes “trabalhos honestos de pesquisadores neutros” são um porre… É assim que funciona: O cara tem convicções espiritualistas, mas, como se entende por cientista, anuncia que quer investigar “seriamente” fenômenos mediúnicos. E monta um “elaborado e cuidadoso esquema investigativo. Tudo bem “neutro”. Só que o resultado é bem previsível: Quando a conclusão não é escancaradamente afirmativa no sentido da existência de tais fenômenos, o que se conclui é que há fortes indícios de que existe alguma coisa de extraordinário. É sempre assim.
    .
    Nunca vemos uma pesquisa deste tipo concluir pela não existência de fenômenos sobrenaturais. E isto ocorre por um singelo motivo: Não há cientistas “de verdade” interessados em provar que Papai Noel não existe.
    .
    Grande Biasetto! Saudades de seus comentários, cara!
    .
    Abraço!

  31. Toffo Diz:

    Gostei, Biasa. Não suma! Os seus comentários podem ser comparados a uma limonada sem açúcar (como há gente que gosta de limonada mais doce faz careta com a falta de açúcar), mas assim mesmo não deixa de ter limão e vitamina C!

    Eu identifico duas espécies de enganação: a mais primária, que é essa dos pseudochefes de religião, pseudopastores e pseudobispos que exploram a fé alheia sem nenhum pudor e não estão nem aí para isso; e a outra, muito mais sutil, mas não menos enganadora, que é a perpetrada por CX & Cia., na qual eu caí por tantos anos, e cuja descoberta me deixou imensamente revoltado (intelectualmente) por ter sido logrado por tanto tempo. Ambas são igualmente perniciosas.

  32. Abreu Diz:

    Olá, pessoal. Infelizmente a correria não me permitiu participar das discussões, mas vou tentar registrar alguns breves comentários:

    1) Marcos, analisar o trabalho realizado – e não o cientista – não representa utopia, mas apenas a aplicação racional do que se entende propriamente pelo método científico. Dizer que a crença pessoal de um pesquisador per se prejudica os resultados é, repito, não apenas falacioso mas ilógico. Quando a pesquisa é bem desenhada e boas práticas são adotadas – como registro prévio do experimento, disponibilização dos dados para análise de outros pesquisadores, seleções randomicas e duplamente cegas, etc. – os dados falam por si e eventuais casos de fraude, sejam elas conscientes ou inconscientes, tendem a aparecer. Não é a toa que, em ciência, como bem comentou o Carlos, é feita a análise pelos pares, replicações por laboratórios independentes e análises estatísticas.

    2) Quanto a não publicação de resultados negativos (o chamado “efeito gaveta) ele é combatido com a prática do registro prévio do experimento, cada vez mais comum em experimentos em parapsicologia. Agora, publicar resultados negativos, infelizmente, é algo bastante difícil no nosso sistema por outro motivo. Como algumas pesquisas já mostraram, as próprias comissões responsáveis pelos periódicos científicos parecem muito mais propícias a publicar apenas resultados positivos , rejeitando os negativos. Aí fica difícil.

    3) Não há sentido em reclamar-se da falta de conclusão em pesquisas que são, por princípio, exploratórias.

    4) Nessa época em que os “egroups” e “foruns” estão às moscas, bacana encontrar pessoas, como vocês, com disposição para conversar amigavel e profundamente sobre temas nem sempre fáceis ou palatáveis. Bacana.

    Abraço e bom fim de semana

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