Galileu Galilei se materializa!
quinta-feira, março 5th, 2026O artigo relata uma sessão espírita ocorrida em 5 de junho de 1947 no Centro Espírita Padre Zabeu, em São Paulo. O médium João Rodrigues Cosme foi rigidamente algemado e acorrentado antes do início dos trabalhos, sendo trancado dentro de uma cabine para garantir, segundo os observadores, a autenticidade dos fenômenos. Duas médiuns auxiliares, Alicinha e Olga, também foram amarradas à frente da cabine.
A sessão começou sob luz vermelha, com grande expectativa entre as 50 pessoas presentes. Logo se ouviram ruídos vindos da cabine, seguidos pela execução da “Ave Maria” de Gounod, momento em que a luz se apagou e um megafone luminoso surgiu no ar. A voz atribuída ao espírito do Padre Zabeu saudou os presentes, fez comentários bem-humorados e deu instruções sobre caridade e a missão da casa, que dizia ser dedicada “à Criança Pobre”.
Então veio o ponto alto: o espírito anunciou que tiraria uma fotografia junto ao confrade Salgado. Ele orientou o posicionamento da cadeira e pediu ao presidente da sessão, o Sr. João Sebastião da Silva, que preparasse a máquina e disparasse após contar mentalmente até quatro. A foto foi tirada — mas, segundo o relato, quando o filme foi revelado, uma surpresa apareceu: não era o Padre Zabeu na foto, mas sim o espírito de Galileu Galilei. Acima dele, surgia parte da figura espiritual de Djanira Marques, e sobre o peito de uma das médiuns, a aparição do espírito de Zézinho, cuja viúva estava presente no salão.
Ao final, o espírito do Padre Zabeu se despediu e todos verificaram que o médium permanecia exatamente como havia sido amarrado no início. A narrativa é apresentada como documento fiel, acompanhado da fotografia original e resgatado dos Estudos Psíquicos de maio de 1949.
O relato é fascinante como documento histórico da cultura espírita brasileira, e sua narrativa é rica em elementos dramáticos, visuais e simbólicos. Entretanto, não resiste a um exame cético rigoroso. A combinação de escuridão, expectativas emocionais e ausência de controle independente coloca o episódio no mesmo patamar de inúmeros casos clássicos de fraude mediúnica do século XX.
Como registro cultural e literário, é cativante. Como evidência de fenômenos paranormais, é extraordinariamente frágil.
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