Livro Gratuito! “Incidentes na minha vida” (1863), de Daniel Douglas Home
A obra Incidentes na Minha Vida apresenta o registro sistemático das experiências mediúnicas de Daniel Dunglas Home ao longo das décadas de 1840 a 1860, tal como observadas e documentadas por testemunhas de diversas formações — médicos, cientistas, magistrados, aristocratas e religiosos. O livro descreve fenômenos físicos, luminosos, acústicos e inteligentes que, segundo os relatos, desafiam explicações fisiológicas ou mecânicas usuais.
O autor relata a ocorrência frequente de movimentação autônoma de objetos, incluindo mesas pesadas que se elevavam entre 45 cm e 1,20 m do solo, às vezes com pessoas sentadas sobre elas; móveis que se deslocavam sem contato humano; sinetas que tocavam sob a mesa; guitarras que eram tocadas no escuro ou mesmo a vários metros de distância; e objetos que desapareciam e reapareciam portando alterações físicas, como copos que retornavam cheios de substâncias diferentes.
Também são relatados episódios de levitação humana, nos quais o próprio Home teria sido elevado entre 90 cm e 1,50 m, inclusive tocando o teto, às vezes com marcas posteriormente verificáveis. Testemunhas afirmaram impossibilidade de fraude devido à iluminação adequada e ao controle visual contínuo.
A obra registra a aparição de mãos e braços incompletos, geralmente visíveis apenas até o pulso ou o cotovelo, com propriedades táteis (calor, pressão, textura), mas sem continuidade corporal. Estas mãos entregavam objetos, tocavam os presentes, escreviam mensagens e por vezes se dissolviam gradualmente ao serem seguradas.
Diversos episódios incluem pancadas inteligentes (rappings) que respondiam perguntas com precisão, além de vibrações no piso e no mobiliário semelhantes a tremores localizados. Sons complexos — como simulações de tempestades, ranger de navios ou ruídos metálicos — foram relatados por múltiplos observadores.
Fenômenos luminosos incluem luzes fosforescentes, clarões que percorriam paredes, globos luminosos associados a aparições, e brilhos que iluminavam parcialmente objetos no escuro. Tais manifestações eram percebidas por todos os presentes e, segundo as descrições, não obedeciam a padrões conhecidos de combustão ou reflexão.
As sessões frequentemente envolviam comunicação com entidades espirituais por meio de alfabetos soletrados, escrita direta ou fala em transe. Tais mensagens continham:
- informações biográficas desconhecidas pelo médium,
- previsões de morte confirmadas posteriormente,
- descrições minuciosas de parentes falecidos,
- e conteúdos morais ou religiosos.
O texto enfatiza o caráter intencional e não-aleatório dessas mensagens, distinguindo-as de simples coincidências ou ação ideomotora.
Home também descreve estados de transe com rigidez muscular extrema, perda parcial de consciência, alteração de temperatura corporal e episódios de exteriorização subjetiva (“desprendimento do corpo”), incluindo percepções visuais de ambientes distantes e de parentes no momento exato da morte. Alguns destes relatos foram posteriormente confirmados por correspondência de familiares.
A obra evidencia a tensão entre testemunho empírico e resistência científica. Figuras como Faraday e Brewster rejeitaram os fenômenos sem conseguir reproduzi-los ou explicá-los satisfatoriamente; já outros cientistas, médicos e juristas registraram declarações formais afirmando que os fenômenos ocorreram sob condições controladas e impossíveis de atribuir a truques conhecidos.
O livro também registra o impacto social das manifestações, incluindo conversões religiosas, debates públicos, hostilidade da imprensa e perseguições contra o médium. O espiritualismo é apresentado como um campo de investigação que, segundo os relatos, exige abertura metodológica e coleta rigorosa de testemunhos.
Para ler a obra em português, clique aqui. Para ler o original em inglês, clique aqui.
março 13th, 2026 às 11:44 AM
Bom dia Vitor.
Vitor, vc saberia me dizer se esse artigo do Dean Radin tem tradução em português?
https://www.academia.edu/30794351/Evidence_for_consciousness_related_anomalies_in_random_physical_systems?email_work_card=title
Até o momento, não encontrei esse exemplar traduzido.
Desde já tenha um bom final de semana.
março 13th, 2026 às 3:33 PM
No livro “he Spiritualists: The Passion for the Occult in the Nineteenth and Twentieth Centuries” (1983), a Ruth Brandon descarta qualquer indício de fenômeno físico por parte do Daniel Home. Ela inclusive participou de uma briga pública nos anos 1980 com o Brian Inglis…
março 13th, 2026 às 4:54 PM
Uma pergunta: Pq não temos mais estes fenômenos espirituais hoje em dia? Pq eles eram tão comuns nos séculos 19 e 20 mas hoje no século 21 não são mais comuns? Não que eu estou querendo desacreditar a espiritualidade/paranormal/sobrenatural etc. Mas eu honestamente queria uma explicação científica/paracientífica para isso. Tipo, eu sei que as ciências espirituais, ocultas e afins são um campo válido de estudo, mas eu queria ler/ouvir uma explicação de algo fora dos paradigmas materialistas.
março 14th, 2026 às 11:53 AM
Oi, Lucas
O artigo ainda não tem tradução.
Oi, Guilherme
Esse livro da Ruth Brandon foi bastante criticado. Ela errou de longe até a data da morte da Piper!
https://mrobsr.blogspot.com/2015/01/losing-spirit.html
Oi, Guilherme Monteiro
uma explicação espiritualista é que os fenômenos espíritas são como movimentos artísticos. Há fases como o Impressionismo, o Cubismo, e hoje esses movimentos não se repetem mais. A explicação mais simples, evidentemente, é a de fraude, que não se repete porque já temos tecnologia para detectar a fraude.
março 14th, 2026 às 12:48 PM
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Sr. Guilherme Monteiro Junior disse:
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Como o Kardec diz no LM:
E no #60 ele diz:
Então como disse o Sr. Administrador acima: fases.
· 1ª Fase: convencimento dos humanos.
· Desenvolvimento e aplicação das Doutrinas decorrentes desse convencimento.
março 16th, 2026 às 6:08 PM
Olá Guilherme
Então, eu estava lendo mais a fundo sobre Ortodoxia Científica, Ortodoxia Ateia e afins, e de fato é um tema bem complicado de se discutir e de se falar sobre. Inclusive é um tema que não é fácil de se discutir/debater nas mídias sociais e na Internet como um todo.
Eu partilho da mesma linha de ceticismo e de materialismo que a Nyx Land e da Kasdeya, assim como tenho uma visão mais contingencial das ciências humanas, sociais e afins.
Infelizmente mesmo se tivessem evidências 100% objetivas/factuais para o paranormal/sobrenatural, elas não teriam efeito ao curto e médio prazo, já que haveria campanhas massivas para falseá-las e/ou elas seriam tratadas como “falsas” e afins.
Infelizmente isso é algo que só tem efeito ao longo prazo, tipo décadas pra frente, inclusive temos vários exemplos científicos dentro disso. Infelizmente a ortodoxia científica faz a gente pensar no curto e as vezes no médio prazo, não ao longo prazo.
Inclusive é por isso que a China está avançando tanto hoje em dia, inclusive a China já tem armas futuristas e mesmo assim a gente tá tratando isso como normalidade. Se fosse tipo a uns 25 anos atrás haveria um hype enorme, enquanto que hoje em dia é tratado como normalidade.
O mesmo acontece com Fusão Nuclear, hoje em dia Fusão Nuclear é tratada como algo totalmente banal/comum/corriqueiro.
O mesmo aconteceria com o paranormal/sobrenatural.
É difícil as pessoas conseguirem perceber como a Ortodoxia Científica funciona. Inclusive tem um vídeo do João Carvalho com a Mila (acho que é esse o apelido dela) em que eles falam de como que a ideologia e a política são bem fortes dentro da ciência citando a biologia e derivados e como que a normalização do capitalismo é muito forte dentro da biologia.
Mesmo com evidências para a vida após a morte e/ou para a reencarnação e para vidas passadas um dia serem 100% objetivas/factuais, ainda sim os defensores da Ortodoxia Científica iriam dar um jeito de falseá-las e/ou trata-las como algo banal/comum/corriqueiro.
É complicado isso, inclusive tem muitos lugares que se vc falar isso geral te acusa de ser “pós-modernista / pós-moderno / relativista” mesmo você discordando dos três…
Enfim, isso é um ótimo tema para uma conversa de bar ou uma conversa de cafeteria/refeitório sobre epistemologia, metaepistemologia, infraepistemologia, ciência, metaciência, infraciência etc. Falar sobre isso por meio da Internet é algo mais complicado de se fazer.
março 16th, 2026 às 6:09 PM
Desculpa, era pra ser “Oi Vitor”, eu acabei me distraindo na hora de escrever.
março 17th, 2026 às 6:35 PM
No título consta Daniel DOUGLAS Home, creio que o certo seja DUNGLAS.
março 17th, 2026 às 6:37 PM
GORDUCHO,
Como é que se põe em negrito, itálico e sublinhado? Esqueci…
março 17th, 2026 às 7:03 PM
Guilherme Monteiro Disse: Uma pergunta: Pq não temos mais estes fenômenos espirituais hoje em dia? Pq eles eram tão comuns nos séculos 19 e 20 mas hoje no século 21 não são mais comuns? NÃO QUE EU ESTOU QUERENDO DESACREDITAR A ESPIRITUALIDADE, PARANORMAL, SOBRENATURAL, ETC. Mas eu honestamente queria uma explicação científica/paracientífica para isso. Tipo, eu sei que as ciências espirituais, ocultas e afins são um campo válido de estudo, mas eu queria ler/ouvir uma explicação de algo fora dos paradigmas materialistas.
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COMENTÁRIO: não fique preocupado em não querer desacreditar esses breguetes, eles se desacreditam por si mesmos! Você deslindou o mistério: no passado os alegados fenômenos ocorriam às mancheias, no presente rareiam! Mas, mesmo no sec. XIX havia mais ceticismo que crença. Os autores que hoje exaltam os feitos antigos, citando relatos admiráveis, “esquecem” de apresentar o contraponto dos que denunciavam fraudes e ilusões, a partir de testes em que grandes médiuns (ou grandes paranormais) falharam.
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Bem parecido com os milagres, advindos da intervenção divina na natureza. Livros tidos como inspirados por Deus relatam ocorrências espantosas. Ora, se Deus agia no passado de forma tão concreta, por que não age nos dias atuais? Dizem que ele age sim, igrejas carismáticas contabilizam toda sorte de ação transcendental: mortos que ressuscitam, paraplégicos que andam, cegos que veem, pobres que enriquecem depois que seguem a fé; e os demônios? Esse é um caso à parte. O poder do Espírito faculta os combatentes do maligno a expulsar hordas de capetas dos corpos dos infelizes por eles vitimados! É demônio que não acaba mais, literalmente!
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O fato é que essas narrativas maravilhosas não resistem ao escrutínio rigoroso. Quando postos sob verificação controlada, pastores, médiuns, paranormais… todos ficam em segunda época (expressão antiga), quer dizer, são reprovados inapelavelmente!
março 17th, 2026 às 7:04 PM
Oi, Montalvão
A literatura espírita e parapsicológica no Brasil do século XX acabou adotando a forma “Douglas” em várias edições — especialmente livros de divulgação.
Seria parecido com chamar: “Charles Chaplin” -> “Carlitos” (adaptação cultural)
Quando uma forma incorreta se repete por décadas, ela vira uso consagrado.
E se você olhar o livro, tanto em inglês como em português, verá que várias vezes DUNGLAS está escrito DUNGLASS. Isso porque Dunglas originalmente deriva de um topônimo escocês (nome de lugar), e os topônimos na Escócia costumam aparecer tanto com 1 quanto com 2 S ao longo da história.
março 17th, 2026 às 10:05 PM
VITOR,
Não enxerguei essa “adoção” de Douglas em lugar de Dunglas. Embora a troca de nomes seja irrelevante para a avaliação do dito médium, dei uma pesquisada e observei que diversos sites e federações espíritas, utilizam o termo original. Veja exemplos:
https://www.feparana.com.br/topico/?topico=503
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https://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_Dunglas_Home#:~:text=Daniel%20Dunglas%20Home%20(pronuncia%2Dse,pancadas%20em%20casas%20%C3%A0%20vontade.
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https://www.luzespirita.org.br/index.php?lisPage=enciclopedia&item=Daniel%20Dunglas%20Home
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https://acaminhodaluz-scs.com.br/bibliografias.html
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https://www.instagram.com/correio.news/p/C4NzovFs0Vd/
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https://www.youtube.com/watch?v=swCSToxvSFY (este vale ver)
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Quanto aos nomes Dunglas e Douglas, o google informa que o primeiro é nome de família, que indica a origem escocesa. Douglas, também de origem escocesa, tem o sentido de “rio escuro”, “águas negras”. Quer dizer, Douglas não seria tradução de Dunglas…
março 18th, 2026 às 7:08 AM
Analista MONTALVÃO:
negrito se escreve <b>negrito</b>
itálico se escreve <i>itálico</i>
Sublinhado se escreve <u>Sublinhado</u>
mas não me lembro se renderiza neste editor cá🤔
Teste: cá tá sublinhado
E, não: claro que Douglas não é tradução de Dunglas.