Livro Gratuito! “Viagens a Mundos Invisíveis”, de Anthony Peake (2011)
Em Viagens a Mundos Invisíveis, Anthony Peake investiga fenômenos associados às experiências fora do corpo (EFCs), partindo de um episódio pessoal vivido em abril de 2010, quando psicólogos austríacos o convidaram à Suíça para testar o dispositivo de estimulação luminosa Lucia. Durante cerca de 20 minutos, Peake, de olhos fechados, viu luzes internas em explosões azuis e manchas amarelas que não provinham da máquina, mas de sua própria atividade cerebral. A certa altura, suas percepções se dissociaram completamente do ambiente físico: ele se viu flutuando sobre uma vasta planície, milhares de metros acima dela, experimentando vertigem intensa e a sensação de estar simultaneamente na sala e em outro “lugar”. Vibrações corporais atravessaram-no como se parte de si estivesse se desprendendo do corpo físico. Assustado, pediu que o aparelho fosse desligado. Esse episódio marcou o início de sua investigação sistemática sobre estados ecsomáticos.
Peake então revisita relatos de experiências de quase morte, como os clássicos casos analisados por George Ritchie, Raymond Moody e Michael Sabom, nos quais pacientes descrevem ver seu corpo durante reanimações. Também examina episódios considerados “verídicos”, incluindo o célebre “Sapato de Maria”, no qual uma paciente descreveu com precisão um tênis encontrado depois em um parapeito externo. O autor registra, porém, críticas importantes: o caso carece de documentação independente além do testemunho da assistente social que encontrou o sapato, e análises posteriores sugerem que o objeto poderia ter sido visível a partir de certos ângulos internos, enfraquecendo sua força probatória. Porém, o autor também cita casos mais fortes.
A narrativa passa ainda pela obra de Robert Monroe, que relatou viagens a diferentes “Locais” durante estados fora do corpo, embora seus testes com o psicólogo Charles Tart não tenham conseguido validar percepções verificáveis. Outro eixo importante envolve os experimentos de visão remota com Ingo Swann no Stanford Research Institute. Apesar de Swann afirmar identificar objetos ocultos, Peake registra a crítica do mágico Milbourne Christopher, que questionou a falta de controle experimental, incluindo o fato de Swann ter ficado sozinho no ambiente e não ter percebido números posicionados onde um espelho improvisado não os alcançaria.
Peake faz um excelente trabalho mostrando as forças e fraquezas de cada caso, mostrando uma honestidade intelectual que merece ser muito elogiada!
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março 17th, 2026 às 6:26 PM
Boa noite, Vitor.
O tema apresentado me fez lembrar dos experimentos de Michael Persinger com o chamado “Capacete de Deus”, no qual ele tentava correlacionar as experiências de quase-morte (EQMs) com a atividade cerebral, além de buscar induzir fenômenos como a percepção extrassensorial (PES) por meio do dispositivo. Persinger acreditava que tais fenômenos poderiam ser explicados fisicamente pela ação de campos eletromagnéticos de frequência extremamente baixa (ELF). No entanto, vale notar que pesquisadores como Stephan Schwartz e a Marinha dos Estados Unidos demonstraram que a taxa de transferência de informações por ELF é extremamente limitada, insuficiente para explicar fenômenos como a visão remota e, menos ainda, a precognição — que exigiria, em tese, um sinal viajando do futuro para o passado.
Sobre as experiências fora do corpo (EFCs), penso que as EQMs oferecem indícios fortes de que a chamada “projeção da consciência” ocorre, ao menos, no limiar entre a vida e a morte biológica. Isso se torna particularmente relevante se considerarmos o argumento de Pim van Lommel acerca do paradoxo entre a universalidade transcultural do fenômeno e sua ocorrência relativamente rara (entre 10% e 20% dos sobreviventes de parada cardíaca reanimados com sucesso). Van Lommel também analisa explicações de base fisiológica, como as EFCs induzidas por substâncias como o DMT ou aquelas observadas em pilotos de caça submetidos a altas acelerações. Em ambos os casos, embora haja semelhanças superficiais com as EQMs, tais modelos não conseguem explicar aspectos centrais do fenômeno, como a chamada “revisão da vida”.
Pessoalmente, estou convencido da realidade do fenômeno das EFCs, com base nas evidências provenientes tanto da PES quanto das experiências de quase-morte.
março 17th, 2026 às 6:54 PM
Sobre o fenômeno da Percepção Extra-Sensorial (PES) em relação a sujeitos excepcionais, na era contemporânea, desconheço indivíduos que tenham se destacado mais em laboratório do que Swann e Harribance — este último, para mim, foi o maior médium já estudado na história. Convido aqueles que não conhecem esses médiuns a lerem os artigos que o Vitor gentilmente traduziu.
Além disso, no âmbito da ciência mainstream, a American Psychological Association (APA), em seu periódico American Psychologist, revisou alguns fenômenos da parapsicologia, entre eles o PES, que apresentaram resultados altamente significativos. Vale lembrar que a APA é a mais importante instituição psicológica da América do Norte, e acredito que esses fenômenos foram muito bem avaliados pelos devidos pares.
março 17th, 2026 às 7:10 PM
Analisando a revisão publicada pela American Psychologist (Cardeña, 2018), um fato notável emerge: a existência de meta-análises que fornecem suporte estatístico para fenômenos que desafiam a visão de mundo convencional. Considero a Macro-Psicocinese (Macro-PK) o fenômeno mais incomum, pois sugere uma influência direta da intenção sobre objetos macroscópicos, algo que parece contrariar a física clássica.
A pesquisa de Radin e Ferrari (1991), detalhada na revisão de Cardeña, é um exemplo paradigmático. Em sua meta-análise sobre experimentos de queda de dados (dice), eles encontraram um efeito pequeno, mas altamente significativo, na direção da intenção dos participantes. Enquanto o grupo controle não apresentou desvio do acaso (Z = 0,36; p > 0,05), o conjunto de 73 estudos com intenção produziu um resultado cumulativo impressionante (Z = 18,2; p < 0,001), com um tamanho de efeito (TE) de 0,0072. Mesmo após controlar para vieses e homogeneizar a amostra (59 estudos), o efeito permaneceu significativo (TE = 0,0029; IC 95% [0,0017, 0,0041]).
Esses dados estatísticos dão um contexto robusto para se pensar em casos individuais históricos, como o de Felicia Parise. A capacidade de mover objetos sem contato físico, que dividiu opiniões entre mágicos e cientistas, deixa de ser uma mera narrativa anedótica e encontra paralelo em um fenômeno replicado em laboratório, ainda que em escala micro ou estatística. A consistência dos resultados da meta-análise sugere que a habilidade de Parise, por mais extraordinária que pareça, pode ser uma manifestação rara e explícita do mesmo tipo de perturbação anômala detectada nos experimentos controlados.
Portanto, a Macro-PK não é apenas um fenômeno incomum que desafia a física; ela se junta à Percepção Extrassensorial (PES) e às Experiências de Quase-Morte (EQM) como um conjunto de evidências que, quando vistas em sua totalidade e com o suporte de meta-análises rigorosas como as revisadas por Cardeña (2018), apontam para a realidade de fenômenos totalmente anômalos. O desafio agora não é mais meramente questionar sua existência, mas integrá-los a uma nova compreensão da consciência e da realidade, como o próprio autor sugere ao final de seu artigo.
março 19th, 2026 às 9:20 PM
Boa noite Lucas, isso que você comentou vai muito de acordo com a Hipótese da Física Estendida que eu escrevi com ajuda do DeepSeek.
Enfim, eu penso que isso é um tema que é muito pouco explorado e/ou simplesmente tratado como um mero detalhe, tal como aquilo do “Extraordinário Ordinário” e da “Anomalia Normal” e afins.
É complicado, mas eu penso que você consegue entender bem do que isso se trata.
Mesmo que a Wikipedia seja bem cética, a galera do r/AskPhysics e do r/AskScience tem umas críticas boas do pq utilizar a Wikipedia para pesquisar sobre assuntos controversos ou parcialmente controversos não é tão bom assim quanto dizem por aí.
março 20th, 2026 às 1:05 PM
Olá Vitor,
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Bem interessante o livro do Peake. Li o capítulo 10, “A Fisica”, com especial atenção para as proposições mais recentes de Penrose e Hamerhoff. No capítulo Peake descreve o modelo Penrose-Hamerhoff, cuja proposição principal é a existência de estados quânticos no cérebro.
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Pois bem, estados quânticos no cérebro foram recentemente confirmados por dados experimentais (cf. Ultraviolet superrradiance from mega-networks… Journal of Physical Chemistry, 2024), possivelmente confinados em pequenas estruturas celulares chamadas microtúbulos. De acordo com Penrose-Hamerhoff, a consciência emerge através do colapso de onda nos microtúbulos cerebrais.