Avaliação da correspondência entre relatos subjetivos e alvos visuais durante tentativas de experiências fora do corpo (2026)

Alegações de percepção verídica frequentemente acompanham as experiências fora do corpo (EFCs), mas sua avaliação sistemática em condições controladas continua sendo um desafio. Investigamos se descrições produzidas após tentativas de EFC correspondiam a alvos visuais ocultos além do que seria esperado pelo acaso, utilizando métodos computacionais de similaridade semântica. Vinte e um indivíduos vinculados a uma instituição especializada em treinamento para EFC tentaram perceber um alvo selecionado aleatoriamente, exibido em uma sala separada e inacessível. Os alvos foram extraídos de um banco de dados padronizado e permaneceram desconhecidos tanto para os participantes quanto para os pesquisadores. Dez participantes relataram ter vivenciado uma EFC, e treze forneceram descrições dos alvos para análise. As descrições dos participantes e as legendas dos alvos foram convertidas em representações semânticas vetoriais de alta dimensionalidade por meio de um modelo de linguagem previamente treinado. Em cada ensaio, calculou-se o coeficiente de similaridade do cosseno entre a descrição do participante e cada um dos 100 alvos candidatos. O alvo correto foi então comparado à distribuição dos alvos de distração do mesmo ensaio por meio de uma métrica baseada em classificação ordinal (análise principal) e de escores z padronizados (análise secundária, de caráter descritivo). Análises de controle confirmaram que o procedimento identificava corretamente os alvos quando havia correspondência semântica, embora esses controles não demonstrem sensibilidade à linguagem humana natural. Nenhum ensaio individual apresentou correspondência estatisticamente significativa acima do nível esperado pelo acaso, e um teste combinado baseado em classificação ordinal, abrangendo os 13 ensaios, também não revelou evidências de desempenho superior ao acaso. Dois participantes, entretanto, relataram espontaneamente detalhes corretos sobre a localização e as atividades dos pesquisadores em uma sala adjacente. Embora os resultados referentes à identificação dos alvos não ofereçam suporte à hipótese de cognição anômala, esses relatos espontâneos do ambiente podem ter relevância metodológica e merecem investigação sistemática. Para ler em português, clique aqui. Para ler em inglês, clique aqui.

3 respostas a “Avaliação da correspondência entre relatos subjetivos e alvos visuais durante tentativas de experiências fora do corpo (2026)”

  1. Gorducho Diz:

    cosseno entre a descrição do participante e cada um dos 100 alvos candidatos.

  2. Vitor Diz:

    Oi, Gorducho
     
    Imagine que um participante descreveu o que acreditava ter percebido:
     
    “Vi algo vermelho, arredondado, parecido com uma fruta.”
     
    No banco de dados havia 100 imagens possíveis (maçã, martelo, bicicleta, xícara, banana etc.), cada uma com uma legenda textual gerada por IA.
     
    O programa transformava:
     
    a descrição do participante;
    a legenda de cada uma das 100 imagens;
     
    em vetores numéricos (embeddings).
     
    Depois calculava a similaridade do cosseno entre a descrição do participante e cada uma das 100 legendas.
     
    Assim ele produzia uma lista como esta (exemplo hipotético):
     
    Imagem Similaridade
    Maçã 0,82
    Tomate 0,75
    Bola vermelha 0,68
    Banana 0,41
    Martelo 0,12
     
    Quanto mais próximo de 1, maior a semelhança semântica; quanto mais próximo de 0, menor.
     
    O que significa “cada um dos 100 alvos candidatos”
     
    Não quer dizer que havia 100 alvos realmente apresentados.
     
    Em cada sessão:
     
    apenas uma das 100 imagens era o alvo verdadeiro;
    as outras 99 imagens serviam como “iscas” (decoys).
     
    Então a descrição do participante era comparada com:
     
    o alvo verdadeiro;
    as outras 99 imagens.
     
    O que os autores queriam saber
     
    Eles perguntavam:
     
    “A descrição do participante combina mais com a imagem correta do que com as outras 99 imagens?”
     
    Por exemplo:
     
    se a imagem correta obtivesse a maior similaridade de todas, ela ficaria em 1º lugar;
    se fosse apenas a 50ª mais parecida, ficaria em 50º lugar;
    se fosse uma das piores correspondências, ficaria perto do 100º lugar.
     
    Portanto, a frase:
     
    “Em cada ensaio, calculou-se o coeficiente de similaridade do cosseno entre a descrição do participante e cada um dos 100 alvos possíveis”
     
    quer dizer simplesmente:
     
    Em cada sessão experimental, a descrição fornecida pelo participante foi comparada semanticamente com as legendas das 100 imagens possíveis, uma por uma, para verificar em que posição ficava a imagem que realmente havia sido escolhida como alvo.

  3. Gorducho Diz:

    Só me resta dizer: wow😲
    E se bem entendi: resultado auspicioso pra nós céticos, certo?

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