LIVRO HÁ DOIS MIL ANOS: UMA FRAUDE HISTÓRICA COMPLETA

Este artigo, escrito pelo pesquisador Sr. José Carlos Ferreira Fernandes, demonstra de forma fortemente convincente que o livro “Há Dois Mil Anos”, “psicografado” por Chico Xavier, não passa de uma completa ficção. Em suma, é uma fraude histórica. Há problemas desde a completa ignorância da construção dos nomes romanos, passando pela aceitação de documentos comprovadamente falsos e culminando na completa inexistência da entidade que teria ditado o livro, no caso, Emmanuel/ Públio Lêntulo. As conseqüências disso para o kardecismo brasileiro, desnecessário dizer, são gravíssimas.

Antes de apresentar o estudo, acho pertinente colocar algumas palavras do Sr. José Carlos sobre seu trabalho:

Meu trabalho nada tem a ver com a existência, ou a não existência, da mediunidade. Também não tem nada a ver com a existência, ou a não existência, duma entidade que se autodenomina “Emanuel”. Meu trabalho procura simplesmente responder à seguinte indagação: esse tal “Emanuel” (seja uma “entidade”, seja um ET, seja o inconsciente do sr. Francisco Cândido Xavier, seja o que for), pelas coisas que narra em “Há Dois Mil Anos”, se encaixa no perfil que ele próprio apresenta de si – o do senador romano Públio Lêntulo, contemporâneo de Cristo, testemunha ocular de fatos importantes ligados à vida de Jesus, fatos esses que registrou a partir do médium Francisco Cândido Xavier? Sim ou não? Eu, por mim, estou firmemente convencido de que NÃO. Esse “Emanuel” pode ter sido tudo, mas não foi um senador romano Públio Lêntulo, contemporâneo de Cristo, testemunha ocular de fatos importantes de sua vida, etc. Se se trata de uma “entidade”, é uma entidade mentirosa, ou galhofeira, ou absurdamente esquecida – ou seja, em qualquer hipótese, não confiável. Que pôde se impor ao “maior médium do mundo”, e passar as suas “mensagens” a toda uma comunidade sem que nenhum intelectual espírita exercitasse o lado “científico” do Espiritismo e as analisasse “cientificamente”; e sem que nenhum espírito “superior” sequer se desse ao trabalho de avisar Xavier, ou o próprio meio espírita, que “Emanuel” era uma fonte, no mínimo, duvidosa.

Porque (infelizmente) não é só a mensagem que importa. Joio se mistura facilmente com trigo, madeiras de terceira com madeiras de lei, e o conjunto nem sempre é facilmente separável. Se a “entidade” (se é que se trata de uma entidade) pôde se enganar, ou mentir, acerca de sua identidade – onde mais se enganou, onde mais mentiu? Não poderia passar mensagens falsas, agasalhando-as no meio de mensagens verdadeiras? Quem é capaz de se enganar, ou mentir, acerca de sua própria identidade, do que mais é capaz?

Dito isso, segue o estudo:

NOTA ACRESCENTADA DIA 15/09/2008: No link http://www.4shared.com/file/63104287/b77a1e58/Epistula_Lentuli_I_atualizada.html coloquei uma versão mais atualizada deste artigo. Nesta versão foram feitas algumas correções, a maior parte ortográficas; também foi acrescida uma nova nota de rodapé, acerca de um dos procuradores da Judéia, Quinto Lucéio Albino, que era originário de Lisboa.  Na conclusão, também foi acrescido o fato de que as magistraturas anuais, e o posto de senador, eram onerosos, ou seja, não se recebiam salários por isso (como Emanuel insinua).  Por fim, é apresentada uma bibliografia completa e comentada, já que houve quem reclamasse da bibliografia anterior (que era apenas de índole geral, e resumida)

EPISTVLA LENTVLI 

Algumas Considerações acerca da Veracidade e da Historicidade da Assim Denominada “Carta de Públio Lêntulo”

 

I) Introdução Geral:

 

Não podem ser negadas as íntimas relações entre o médium Francisco Cândido Xavier e um de seus mais importantes mentores espirituais, o espírito que a si mesmo denominava-se “Emanuel”, e que afirmava haver sido outrora, numa de suas passagens pela Terra, Públio Lêntulo, senador romano contemporâneo de Jesus.  Pode-se até mesmo falar dum “ciclo de Emanuel” nas obras de Xavier, e muito da autoridade e do prestígio que o referido médium obteve nos meios kardecistas brasileiros, desde a década de 1930 até à sua morte, advieram em boa parte da autoridade desse espírito – do fato de que ele (o espírito) era efetivamente quem dizia ser.  Sem dúvida, cita-se amiúde a vida abnegada de Xavier, sua dedicação a servir aos pobres e necessitados, etc., mas (e isso é inegável, e sem se entrar no mérito de suas qualidades morais) a posição singular de Francisco Cândido Xavier era (e é) justificada primariamente pelo fato de, médium, ter contado como mestres alguns eminentes “espíritos superiores”, dentre os quais “Emanuel” despontava de modo ímpar.  Portanto, um estudo crítico a respeito das credenciais efetivas de “Emanuel” para se apresentar do modo como se apresentou não pode ser considerado como desprovido de importância, especialmente pelo fato de, incidentalmente, ao longo das várias obras que Xavier psicografou sob a influência de “Emanuel”, haver uma série de afirmações históricas (acerca do próprio “Emanuel”, bem como acerca do ambiente da época) passíveis de verificação independente.

Quanto mais alguém se dedica a estudar, em termos de evidenciação histórica, a identificação de “Emanuel”, mais percebe que, ao fim e ao cabo, tudo tende a girar em torno dum ponto específico, ou melhor, dum documento específico, a assim denominada “Carta de Lêntulo”.  De fato, “Emanuel” afirma ter tido várias “encarnações” no mundo dos vivos; três delas são as mais famosas, referindo-se a personagens históricas importantes: ele teria sido Lêntulo Sura, o conspirador catilinário; depois, Públio Lêntulo, bisneto por linha paterna desse Lêntulo Sura, e senador contemporâneo de Cristo; enfim, muitos séculos depois, o padre jesuíta Manuel da Nóbrega (daí, talvez, tenha tirado o nome pelo qual escolheu ser conhecido, “Emanuel”).  Contudo, dessas três, de longe a mais importante foi a de Públio Lêntulo, o contemporâneo de Cristo, que com Ele conviveu, que sobre Ele escreveu a seus superiores em Roma, e mais, que d’Ele, inclusive, teria obtido uma graça particular, a cura de sua filha Flávia Lentúlia, acometida de lepra (os detalhes encontram-se na psicografia “Há Dois Mil Anos”).  E, ao se analisar melhor essa personagem, Públio Lêntulo, nota-se que tudo o que se sabe dela por outros meios além das psicografias “emanuelinas” de Xavier resume-se nesse documento, a epistula Lentuli, a “carta de Lêntulo”.

Portanto, todo o presente trabalho refere-se à análise dessa carta.  Poderia parecer algo simples, já que diria respeito a apenas um documento, e a um documento bem definido – e não tão longo assim, já que se trata duma carta, duma correspondência.  Não obstante, como há de se tornar claro, não é um documento qualquer.  De fato, tal como se encontra, é a edição final, por assim dizer, duma série de desenvolvimentos que se foram construindo ao longo de séculos.  Dissecando esses desenvolvimentos, separando as camadas sucessivas da tradição e da fantasia, descobrem-se coisas interessantíssimas, vislumbra-se uma parte importante da transmissão das memórias e das tradições cristãs – mas também evidencia-se que essa carta, historicamente falando, não existiu, como também não existiu aquele que pretensamente a teria escrito.

Sobre isso é que tratarão os itens a seguir.  A fim de apresentar a enorme quantidade de evidências dum modo o mais didático possível, o estudo foi dividido em duas partes.  Na primeira, analisa-se o documento em si, dentro de sua plausibilidade histórica no que diz respeito ao ambiente da época e à pessoa que se diz tê-la escrito.  Na segunda, esboçam-se os principais pontos da evolução da fixação da aparência física de Jesus, da physiognomia Christi, ao longo dos séculos – porque a “carta de Lêntulo” foi um dos pontos finais dessa evolução.

 

II) Primeira Parte

Análise do Documento e de sua Possibilidade Histórica:

 

II.1) Em busca da “versão primitiva” da Carta de Lêntulo:

Já que aqui se trata da análise dum documento específico, uma primeira providência seria obter uma versão a mais “fidedigna” possível dele.  A “carta de Lêntulo” chegou até nós a partir duma série de versões manuscritas, datáveis dos séculos XV (talvez, com alguma boa vontade, dos finais do séc. XIV) e XVI, que continham inúmeras variações entre si, como, aliás, era de se esperar na era anterior à imprensa.  As variações do texto (“corpo”) do documento são, em geral, pequenas, e podem ser harmonizadas; as variantes dos destinatários (“cabeçalho”) são, contudo, mais graves e importantes, devendo ser tratadas com algum detalhe.  Podem ser resumidas nos pontos a seguir:

·        Alguns manuscritos afirmavam que a carta havia sido escrita por Públio Lêntulo e enviada ao Senado Romano;

·        Outros manuscritos afirmavam que a carta havia sido escrita por Públio Lêntulo e enviada a Otaviano César;

·        Outros manuscritos, ainda, afirmavam que a carta havia sido escrita por Públio Lêntulo e enviada ao Imperador Tibério.

Em todas essas versões, Públio Lêntulo é considerado como um alto funcionário romano presente, por algum motivo, em Jerusalém (os títulos a ele ligados são vários, dos quais o mais comum parece ser praeses Hierosolymitanorum, literalmente “presidente (ou líder) dos habitantes de Jerusalém”, mas que, nalguns manuscritos, aparece até, absurdamente, com o título de “procônsul”[1]), e que escreve uma carta, ou melhor, um relatório, às altas autoridades de Roma a respeito dum certo Jesus Cristo.  Nalguns documentos, é inclusive informado que ele havia sido “antecessor de Pilatos” – o que é um flagrante erro histórico, já que se conhecem, a partir das obras do historiador Flávio José, todos os praefecti ou procuratores romanos da Judéia entre os anos 6 dC e 66 dC, e entre eles não há nenhum Lêntulo.

Boa parte do relatório resume-se à descrição física do rosto de Cristo.  Contudo, as variações dos destinatários são importantes.  De fato, uma coisa era um funcionário dirigir seu relatório ao Senado Romano; outra, bem distinta, diretamente à pessoa do Imperador (fosse Augusto ou Tibério) – isso indicaria, para início de conversa, um “status” diferente para a província (e para o funcionário) em questão.

A Palestina, até ao ano 4 aC, era um reino cliente de Roma, governada por Herodes, o Grande, rex amicus et socius populi Romani, “rei amigo e aliado do povo romano”.  Com a morte de Herodes, nesse ano, e de acordo com suas disposições testamentárias, ratificadas pelo Imperador Augusto, seus domínios foram divididos por três de seus filhos.  Grosso modo, Herodes Filipe (filho do 5o casamento de Herodes, com Cleópatra de Jerusalém), com o título de “tetrarca” (literalmente, “chefe duma quarta parte do reino” – o título significava, na prática, “chefe duma porção do reino”), havia obtido uma série de territórios periféricos (a Batanéia, a Gaulanítide, a Aulanítide e o distrito de Pânias), lá reinando até à sua morte, no ano 34 dC; Herodes Antipas (filho do 4o casamento de Herodes, com Maltace, a samaritana), também com o título de “tetrarca”, havia obtido a Galiléia e a Peréia, lá reinando até 39 dC; enfim, Herodes Arquelau (também filho de Maltace), com o título mais pomposo de “etnarca” (“chefe do povo”), havia obtido a parte mais importante e valiosa dos domínios herodianos – a Judéia e a Samaria, com as duas capitais, Jerusalém e Cesaréia Marítima.  Foi apenas 10 anos depois, em 6 dC, que, a partir das queixas dos próprios judeus (ou, se se preferir, de suas classes dirigentes), Arquelau foi deposto e exilado por Augusto, e seus domínios (a Judéia e a Samaria) se transformaram na província da Judéia, posta diretamente sob a autoridade do Imperador, e não do Senado (i.e., como uma província que na época era chamada “de César”, e que hoje os historiadores preferem denominar “província imperial”)[2].

A nova província não tinha tropas romanas (legionárias) estacionadas.  O funcionário enviado pelo governo romano para governar esses novos domínios (e que tinha inicialmente o título puramente militar de praefectus, “prefeito”[3]) não era de nível senatorial, mas sim eqüestre, e residia na portentosa cidade que Herodes o Grande havia fundado no litoral, Cesaréia Marítima.  Para a segurança da província, contava com tropas auxiliares (auxilia), recrutadas entre estrangeiros não-judeus, mas que não faziam parte do complexo legionário romano.

Assim, a “Judéia” (Iudaea), compreendendo tanto a Judéia quanto a Samaria, era uma “província imperial”, que nada tinha a ver com o Senado.  Não obstante, as mais antigas versões manuscritas da “carta de Lêntulo” fazem esse “líder dos habitantes de Jerusalém”, ou “procônsul”, escrever ao Senado – o “cabeçalho” é, quase sempre, Lentulus Hierosolymitanorum Praeses S.P.Q. Romano, “Lentulus Hierosolymitanorum Praeses S(enato) P(opulo)Q(ue) Romano”, “Lêntulo, o presidente [ou líder, ou comandante] dos habitantes de Jerusalém, ao Senado e ao Povo Romanos, [saudações]”.

Isso, por si só, já deveria deixar qualquer investigador histórico de sobreaviso.  As variantes posteriores do endereçamento destinaram-se quer a fixar o documento mais solidamente num contexto histórico, quer a corrigir o “erro” dum oficial numa província imperial dirigir-se ao Senado, e não ao Imperador.

Dentro da primeira tendência (fixar um contexto histórico), o escolhido inicialmente foi o do próprio Augusto (Gaio Júlio César Otaviano), o primeiro Imperador, em cuja época Cristo nasceu – e, portanto, em cuja época ele teria vivido, assim se pensava.  Típico dessa fase é o cabeçalho dum manuscrito da carta, datado de 1501, constante na biblioteca de Iena, na Alemanha: Temporibus Octaviani Caesaris, Publius Lentulus, Proconsul in partibus Judaea et Herodis Regis, Senatoribus Romanis hanc Epistolam scripsisse fertur, quae postea ab Eutropio reperta est in Annalibus Romanorum.  Algo como: “Nos tempos de Otaviano César [i.e., Augusto], Públio Lêntulo, procônsul na região da Judéia e junto ao Rei Herodes, escreveu a seguinte carta aos senadores romanos, carta essa que, retirada dos Anais dos Romanos, foi incluída na obra de Eutrópio”.  Desnecessário dizer que no “Resumo de História Romana” (Breviarium) de Eutrópio (um escritor dos meados do séc. IV dC) não há a menor menção, por indireta que seja, a esse documento.

Duma carta escrita ao Senado na época de Augusto, o documento passou paulatinamente a uma carta escrita ao Imperador Augusto, bem como ao Senado.  Então, do simples Lentulus Hierosolymitanorum Praeses S.P.Q. Romano, passou-se a descrições mais elaboradas do “cabeçalho”, como aquela constante num manuscrito atualmente na biblioteca universitária de Estrasburgo, datável de 1492-1501: Temporibus Octaviani Cesaris, cum ex universis mundi provinciis illi qui preerant regionibus scriberent senatoribus continuas novitates que occurrerunt per mundi climata, quidam nomine Lentulus, officialis in partibus Judeorum tempore Herodis, scripsit hanc epistolam senatoribus.  Algo como “Nos tempos de Otaviano César [i.e., de Augusto], quando vários senadores continuamente lhe escreviam acerca das muitas novidades que ocorriam nas várias províncias e regiões, um, de nome Lêntulo, que desempenhava funções oficiais na região dos judeus no tempo de Herodes, escreveu a seguinte carta, também aos senadores…”.

   Mas as coisas evoluem, e também o conhecimento das pessoas.  Como a província judaica havia criada em 6 dC, se o relatório de Lêntulo tivesse sido efetivamente enviado a Augusto, somente poderia sê-lo entre os anos 6 dC (data da criação da província) e 14 dC (data da morte do Imperador).  Contudo, o ministério público de Jesus, conforme os próprios Evangelhos, iniciou-se apenas após a pregação de São João Batista.  Como a pregação do Batista (conforme o Evangelho de Lucas), por sua vez, iniciou-se “no décimo quinto ano de Tibério César” (ou seja, em alguma data em torno do ano 28 ou 29 dC), a cronologia (e o Imperador destinatário) foi então convenientemente modificada, entrando enfim em cena Tibério (que reinou, após a morte de Augusto em 14 dC, daquele ano até 37 dC).

Nota-se, assim, uma evolução progressiva do cabeçalho do documento, com a finalidade de melhor encaixá-lo no que um cada vez mais apurado conhecimento histórico apontava.  Essa tendência, somada ao fato de não se conhecerem manuscritos da tal “carta” anteriores, na melhor das hipóteses, aos finais do séc. XIV, já seria suficiente para que se encarasse o relatório desse Lêntulo, no mínimo, com algumas reservas.

Contudo, embora o “cabeçalho” tivesse sofrido tais alterações progressivas, talvez o “corpo” do texto pudesse, de algum modo, remontar a um documento original, escrito, quem sabe, por algum Lêntulo presente, por qualquer motivo que fosse, em Jerusalém, entre os anos 28-30 dC (ou 28-33 dC), e que pôde mandar uma correspondência a Tibério, em Roma… Quem sabe? Poderia nele haver um “núcleo de verdade” que não deveria ser desprezado – ainda mais pelo fato de fornecer não apenas um testemunho independente da existência de Cristo, mas até mesmo uma descrição de seu aspecto físico.

De qualquer modo, deve-se ater, ao menos para o início das investigações, ao texto mais “antigo” atestado da carta, aquele no qual Lêntulo (quem quer que fosse) enviava seu relatório ao Senado.  Tal versão é a seguir apresentada, do modo como consta na 2a edição da “Orthodoxographia” de Johann Jakob Grynnaeus, impressa na Basiléia, na oficina tipográfica de Heinrich Petri, em 1569 (mais tarde, falar-se-á especificamente dessa edição):

Lentulus Hierosolymitanorum Praeses S.P.Q. Romano.  Adparuit nostris temporibus et adhuc est homo magnae virtutis, nominatus Christus Jesus, qui dicitur a gentibus propheta veritatis, quem ejus discipuli vocant filium Dei, suscitans mortuos et sanans languores. Homo quidem stature procerae, spectabilis, vultum habens venerabilem, quern intuentes possunt et diligere et formidare: capillos vero circinos et crispos, aliquantum coeruliores et fulgentiores, ab humeris volitantes, discrimen habens in medio capitis juxta morem Nazarenorum: frontem planam et serenissimam, cum facie sine ruga ac macula aliqua, quam rubor moderatus venustat: nasi et oris nulla prorsus est reprehensio, barbam habens copiosam et rubram, capillorum colore, non longam sed bifurcatam: oculis variis et claris exsistentibus. In increpatione terribilis, in admonitione placidus ac amabilis, hilaris servata gravitate, qui nunquam visus est ridere, flere autem saepe. Sic in statura corporis propagatus, manus habens et membra visu delectabilia, in eloquio gravis, rarus et modestus, speciosus inter filios hominum.  Valete.

Que pode ser traduzida, com razoável precisão, do modo que segue:

Lêntulo, chefe dos cidadãos de Jerusalém, ao Senado e ao Povo Romano, saudações.  Nestes tempos apareceu, e ainda encontra-se entre nós, um homem de grande virtude [ou: de grande poder], que se chama Cristo Jesus, o qual é considerado pelas pessoas [ou: pelos não-judeus?] como profeta da verdade, e que seus discípulos [ou: seguidores] chamam de Filho de Deus, pois ele se mostra capaz de ressuscitar os mortos e de curar as doenças.  É um homem de estatura alta, de aspecto digno [ou: venerável], e que inspira a quem o observa tanto o amor quanto o temor.  Seus cabelos são dum tom entre o acobreado e o acastanhado, levemente ondulados até à altura de suas orelhas, mas, a partir daí, mais escuros, encrespados e brilhantes, até à altura dos ombros; tem-nos divididos ao meio, no estilo dos Nazarenos [ou: dos Nazareus].  Seu rosto é bem conformado, e de aspecto sereno; não possui nem rugas e nem cicatrizes na face, que um rubor moderado torna ainda mais bela, sem nenhuma imperfeição nem em seu nariz, nem em sua boca.  Possui barba espessa, da cor dos cabelos, não longa, mas bifurcada na altura do queixo.  Sua expressão é simples e natural, e seus olhos, de tom acinzentado, são brilhantes e claros [ou: marcantes].  Quando [em suas pregações] reprova [ou: condena] [alguma atitude] exibe um comportamento assustador [ou: extremamente severo]; quando aconselha, seus modos são serenos e amáveis, até mesmo quase alegres, mas sem perder sua dignidade, já que ninguém jamais o viu rir, embora o tenham visto chorar muitas vezes.  Seu talhe corporal é de tipo esbelto, com mãos e braços proporcionais; seu modo de falar é grave, reservado e modesto, que se pode comparar de modo bastante favorável ao da maioria das pessoas, em geral.  Passai bem.

 

II.2) Quem foi Públio Lêntulo?

Portanto, parte-se do pressuposto que, apesar de somente aparecer (ou reaparecer) a partir dos finais do séc. XIV, e de sofrer, em seu “cabeçalho”, uma série de modificações, a “carta de Lêntulo” ainda possa referir-se a algum documento autêntico da época de Cristo.  A partir daí, uma série de perguntas poderiam ser feitas, e a primeira, obviamente, seria: quem foi esse Públio Lêntulo?

O cognome “Lêntulo”, na época, era exclusivo dum ramo da “gens” Cornélia – os Cornélios Lêntulos eram membros da velha aristocracia patrícia, duma “stirps” que se destacara dos antigos Cornélios Maluginenses e Cossos, sendo seu primeiro representante Sérvio Cornélio Lêntulo, filho de Gneu, neto de Gneu, cônsul em 303 aC.  Seria por demais cansativo acompanhar as vicissitudes dessa família ao longo dos 300 anos seguintes, mas o fato é que ela ainda existia no início da era cristã, e mais, nos reinados de Augusto, o primeiro Imperador (31 aC – 14 dC), e de seu sucessor Tibério (14 – 37 dC) estava de novo no meio do círculo governante romano, com uma importância longe de pequena.  Como o “Públio Lêntulo” autor da carta era contemporâneo de Cristo e bisneto de Lêntulo Sura, então a resumida investigação genealógica a seguir centralizar-se-á nesses dois tópicos.

 

II.2.1) Lêntulo Sura, o conspirador catilinário, e sua improvável progênie:

            Públio Cornélio Lêntulo Sura (114 – 63 aC), com certeza neto do Públio Cornélio Lêntulo (cônsul sufeta em 162 aC), foi qüestor em 81 aC, pretor em 74 aC e cônsul em 71 aC.  Sua carreira iniciou-se com algum atraso, mas isso deveu-se ao fato de estar, entre 86 aC e 82 aC, servindo sob as ordens de Sila, o Ditador, que alias o fez avançar nos cargos públicos, permitindo-lhe obter a qüestura em 81 aC; nessa ocasião, ao que se diz, comportou-se de modo extremamente corrupto, a ponto de ter sido chamado à atenção pelo próprio Sila –  mas isso, aparentemente, não interferiu com seu progresso político posterior.

Apesar de ter atingido o consulado, e de sua carreira parecer estar consolidada, os ventos políticos mudaram, e ele, bem como inúmeros outros, foi enfim expelido do Senado pelos censores de 70 aC (Gneu Cornélio Lêntulo Clodiano e Lúcio Gélio Publícola), alegadamente por conduta imoral.  A partir daí, a fim de recuperar-se, optou por posturas políticas mais “radicais”.  Ligou-se ao grupo de descontentes que girava em torno de Lúcio Sérgio Catilina, que em 63 aC concorreu (sem sucesso) para o consulado.  Mas Sura teve mais sorte, nesse ano foi eleito pretor pela 2a vez, podendo assim reassumir sua cadeira no Senado.

            O grupo de Catilina advogava medidas bastante ousadas, como o cancelamento das dívidas dos pobres e o assentamento dos veteranos em lotes de terras públicas (terras essas que, muitas vezes, haviam sido apropriadas pelos grandes latifundiários).  Era quase certo que as medidas não visavam o bem da população, mas serviriam apenas como trampolim para o poder; qualquer que fosse o caso, a violenta oposição dos “situacionistas”, comandados por Cícero, cônsul em 63 aC, parecia frustrar os planos de Catilina.  Após um discurso bombástico contra Catilina (21 de outubro de 63 aC), no qual o acusou abertamente de conspirar contra a República, Cícero conseguiu que o Senado aprovasse a “lei marcial” (senatus consultum ultimum); diante dos fatos, e percebendo que uma tomada do poder em linhas mais ou menos legais estava agora fora de cogitação, Catilina resolveu sair de Roma (8 de novembro), e reuniu seus partidários (basicamente veteranos sem terras e proletários) em Fésulas, na Etrúria (atual Fiesole).  A situação quedou-se inconclusa em Roma, já que Catilina e seu grupo possuíam muitos contatos entre os senadores, e nem todos estavam certos da existência duma conspiração.  Mas isso mudaria no dia 3 de dezembro, quando documentos comprometedores chegaram às mãos de Cícero.  De fato, os partidários de Catilina em Roma (entre os quais Lêntulo Sura) haviam solicitado, por escrito, apoio dos embaixadores dos gauleses alóbragos, então presentes na cidade, para um eventual levante – e essas solicitações acabaram caindo nas mãos de Cícero, o qual, enfim, pôde mostrá-las a um Senado aterrorizado como provas indiscutíveis de conspiração[4].  Aproveitando-se do calor do momento, e da lei marcial ainda em vigor, Cícero prendeu todos os implicados (entre os quais Sura), e os fez executar (5 de dezembro).  Ao saber do ocorrido, Catilina e seu exército tentaram sair da Itália, rumando para o norte, em direção à Gália.  Não obstante, interceptados por forças senatoriais muito mais numerosas em Pistória (atual Pistóia), comandadas por Gaio Antônio Híbrida, o outro cônsul (tio de Marco Antônio), foram derrotados e quase todos mortos, incluindo-se o próprio Catilina, depois de renhida batalha (janeiro de 62 aC).

            Essa, em resumo, é a famosa conspiração catilinária, por causa da qual Lêntulo Sura perdeu a vida.  Sendo membro do “partido derrotado”, sobre ele caiu toda a espécie de acusação de vida desregrada, viciada e imoral.  Obviamente, ele não era nenhum exemplo de virtude, mas praticamente nenhum político da época (talvez nem o próprio Cícero) era, e seu maior pecado, sem dúvida, foi o de ter sido derrotado.  A questão que aqui se coloca, porém, é: teve Lêntulo Sura descendentes em linha masculina? Porque, segundo “Emanuel”, Públio Lêntulo, o senador contemporâneo de Cristo (e autor do “relatório” a Tibério) era bisneto de Lêntulo Sura.

            Há toda a probabilidade de que Lêntulo Sura não tenha tido herdeiros masculinos que a ele sobrevivessem.  Da vida pessoal de Sura, sabe-se que casou-se com Júlia, a viúva de Marco Antônio Crético (o pai do famoso Marco Antônio, o triúnviro, futuro marido da rainha Cleópatra do Egito).

            Essa Júlia, filha de Lúcio Júlio César (cônsul 90 aC), havia se casado inicialmente com o já citado Marco Antônio Crético, que foi pretor em 74 aC e logo depois foi nomeado propretor com poderes extraordinários para combater os piratas orientais, de Creta e da Cilícia, entre 73 e 71 aC (daí retirou seu cognome “Crético”, ou seja, “Cretense”).  Contudo, não foi bem sucedido, e morreu em campanha, deixando Júlia viúva com três filhos: o famoso Marco Antônio (o filho mais velho, nascido em 82 ou 81 aC), Gaio Antônio e Lúcio Antônio.  A fim de assegurar tanto a sua sobrevivência quanto o futuro político de seus três filhos, Júlia fez o que qualquer viúva romana em sua situação faria: procurou um novo marido, politicamente conectado, que estivesse disposto a se casar com ela – e encontrou essa pessoa em Públio Cornélio Lêntulo Sura.

            Todas as evidências históricas disponíveis são claras: foi Lêntulo Sura quem criou, com Júlia, os três filhos que ela tivera com Marco Antônio Crético.  Isso é confirmado por Cícero, que, vários anos depois, num de seus famosos discursos contra Marco Antônio[5], explicitamente declara, a fim de ter mais uma arma com que acusar seu inimigo, haver sido ele criado pelo conspirador catilinário.  Muito da ira de Marco Antônio contra Cícero veio do fato de este último haver condenado à morte o seu padrasto de modo sumário, sem o benefício dum julgamento.  Mas há mais: por ocasião da morte de Sura, foi Marco Antônio que reclamou o seu corpo e providenciou o seu enterro, como narra Plutarco no início de sua biografia de Antônio:

[I].[01] O avô de Antônio foi o famoso orador, morto por Mário por ser partidário de Sila.  Seu pai foi Antônio, cognominado Crético, de fama moderada e que não se distinguiu sobremaneira na vida pública, mas, no consenso geral, um bom homem, particularmente notável por sua liberalidade, como o exemplo a seguir mostrará.  [02] Ele nunca tinha sido muito rico, e, por essa razão, sempre teve sua tendência às liberalidades combatida por sua esposa; tendo, certo dia, um amigo necessitado lhe solicitado um empréstimo, e não tendo Antônio dinheiro para lhe ceder, mandou um escravo trazer-lhe água numa bacia de prata; lavou o rosto na água, como se fosse a seguir barbear-se; [03] despedindo o escravo, a pretexto de um ou outro afazer, deu a bacia ao amigo, para que a usasse conforme suas necessidades.  E quando, depois, instalou-se um grande rebuliço na casa por causa da bacia desaparecida, e sua esposa estava já prestes a convocar todos os domésticos para uma busca rigorosa à peça faltante, Antônio finalmente confessou o que havia feito, pedindo-lhe perdão.

[II].[01] Sua esposa era Júlia, da família dos Césares, que, por sua prudência e comportamento honrado, não era em absoluto inferior a nenhuma das grandes matronas de seu tempo.  Sob sua guarda, o jovem Antônio recebeu sua educação, tendo ela se casado novamente, após a morte do marido, com Cornélio Lêntulo, aquele que foi executado por Cícero por sua participação na conspiração de Catilina.  [02] A morte do padrasto esteve, provavelmente, na origem do clima de inimizade e desconfiança que sempre imperou no relacionamento entre Cícero e Antônio.  Com efeito, Antônio afirmou, mais tarde, que ao corpo de Lêntulo fora negado o enterro, e que somente por intermédio duma súplica sua dirigida à esposa de Cícero foram os restos de seu padrasto devolvidos a Júlia.  [03] Isso, contudo, parece inverídico, já que a ninguém dentre aqueles executados sob o consulado de Cícero foi negada a sepultura.

(Plutarco de Queronéia, “Vidas Paralelas”, “Vida de Antônio”, capítulos I (inteiro) e II (seções 1 a 3)

            Ora, essa tarefa caberia aos filhos; se o enteado, com menos de 20 anos na ocasião (Antônio nasceu em 82 ou 81 aC, e a execução de Sura deu-se nos finais de 63 aC), a tomou para si, a conclusão lógica é a de que Sura não tinha filhos vivos que pudessem assumir essa sagrada responsabilidade.  Portanto, ou ele não se casou (sendo Júlia sua primeira esposa)[6], ou, se se casou antes, não teve filhos, ou, se os teve, eles não sobreviveram à idade adulta.  Portanto, torna-se bastante difícil sustentar que Públio Lêntulo, o senador romano da época de Cristo (se é que de fato existiu), pudesse vir a ser bisneto de Lêntulo Sura, o conspirador catilinário.

 

II.2.2) Os Lêntulos da Época Imperial:

            Assim, torna-se problemático ligar “Públio Lêntulo”, o pretenso contemporâneo de Cristo, e autor do famoso “relatório” a Tibério, à progênie de Lêntulo Sura.  Mas afinal haveria alguma referência, entre os Lêntulos da primeira época imperial, a algum “Públio Lêntulo” que pudesse vir a ser o autor da carta? É isso que agora se há de investigar.

            A ligação entre os Lêntulos da época final da República e os Lêntulos da primeira época imperial nem sempre é tarefa fácil, mas esse problema não será abordado aqui.  O pretenso bisneto de Lêntulo Sura, Públio Cornélio Lêntulo, a mais famosa encarnação de “Emanuel”, é apresentado como contemporâneo de Cristo – assim, deve ter nascido por volta do início da era cristã; com certeza (segundo a psicografia “Há Dois Mil Anos”), morreu na erupção do Vesúvio que soterrou Pompéia no início do império de Tito, ou seja, no ano 79 dC.  Por conseguinte, grosso modo, Lêntulo/“Emanuel” nasceu entre, diga-se, 5 aC e 5 dC, e morreu em 79 dC.  Portanto, a questão que se põe é bem simples: haveria alguma referência a um Públio Cornélio Lêntulo, entre o início da era cristã e o final do período júlio-cláudio, diga-se, entre os anos  1 e 68 dC, que possa vir a ser o famoso Públio Lêntulo contemporâneo de Cristo?

            Os membros da família mais facilmente atestáveis (e identificáveis) foram aqueles que conseguiram obter a máxima honra da carreira pública, o consulado, quer o consulado ordinário, quer o consulado sufeta (substituto).  A partir de 18 aC (ano em que reentraram novamente nas graças políticas, em “grande estilo”), são os seguintes os Lêntulos que foram cônsules:

·        18 aC: Públio Cornélio Lêntulo Marcelino, filho de Públio, e Gneu Cornélio Lêntulo, filho de Lúcio (no ano 18 aC, ambos os cônsules foram Lêntulos – o ano é comumente designado como “ano do consulado dos Lêntulos”)

·        16 aC: Públio Cornélio (Lêntulo) Cipião, filho de Públio, neto de Públio

·        14 aC: Gneu Cornélio Lêntulo, o Áugure, filho de Gneu

·        3 aC: Lúcio Cornélio Lêntulo, filho de Lúcio (neto de Lúcio)

·        1 aC: Cosso Cornélio Lêntulo, filho de Gneu (neto de Gneu), dito Getúlico

·        2 dC: (sufeta): Públio Cornélio Lêntulo Cipião, filho de Gneu, neto de Gneu

·        10 dC (sufeta): Sérvio Cornélio Lêntulo Maluginense, filho de Gneu, neto de Gneu

·        24 dC: Sérvio Cornélio (Lêntulo) Cétego, filho de Sérvio, neto de Gneu

·                   (sufeta) Públio Cornélio Lêntulo Cipião, filho de Públio, neto de Gneu

·        25 dC: Cosso Cornélio Lêntulo Getúlico, filho de Cosso, neto de Gneu

·        26 dC: Gneu Cornélio Lêntulo Getúlico, filho de Cosso, neto de Gneu

·        27 dC: Lúcio Cornélio Lêntulo Cipião, filho de Públio, neto de Gneu

·        51 dC: Sérvio Cornélio (Lêntulo Cétego Cipião) Salvidieno Orfito, filho de Sérvio, neto de Sérvio

·        55 dC (sufeta): Gneu Cornélio Lêntulo Getúlico, filho de Gneu, neto de Cosso

·        56 dC: Públio Cornélio (Lêntulo) Cipião, filho de Lúcio, neto de Públio

·        60 dC: Cosso Cornélio Lêntulo Getúlico, filho de Cosso, neto de Cosso

·        68 dC (sufeta): Públio Cornélio (Lêntulo) Cipião Asiático, filho de Públio, neto de Públio

Públio Cornélio (Lêntulo) Cipião Asiático, nomeado por Galba nos finais de 68 dC, foi o último dos Lêntulos a obter o consulado (embora não tenha sido, em absoluto, o último Lêntulo “de sangue” atestado, como se verá).  Para todos os efeitos práticos, a estirpe dos Lêntulos chegou enfim à extinção, ao menos nas linhas masculinas.

Apresentar-se-ão, a partir de agora, de modo forçosamente breve e resumido, os cônsules referidos acima, mostrando-se suas ligações genealógicas, bem como alguns outros membros de suas famílias.

Para o início da era cristã, cuidadosas pesquisas genealógicas[7] permitiram mostrar que os Lêntulos sobreviventes podem ser considerados, didaticamente, como pertencentes a três ramos distintos: a) o dos Lêntulos Clodianos, representado unicamente por Gneu Cornélio Lêntulo, o Áugure (cônsul 14 aC), filho de Clodiano; b) o dos descendentes de Lúcio Cornélio Lêntulo Níger, pretor 61 aC e flâmine de Marte, representados por Gneu Cornélio Lêntulo, filho de Lúcio (cônsul 18 aC) e por seu provável irmão Lúcio Cornélio Lêntulo, filho de Lúcio (cônsul 3 aC); c) o prolífico ramo dos Lêntulos Marcelinos, que terá de ser tratado separadamente.

Deve-se notar, antes de mais nada, que os Lêntulos Clodianos não eram, a rigor, Lêntulos de sangue, mas sim o resultado de adoção testamentária no seio dos Cláudios (quase certamente, dos Cláudios Pulcros, patrícios) – portanto, não havia qualquer ligação entre eles e Lêntulo Sura.  O mesmo se pode dizer dos Lêntulos Marcelinos – eram também o resultado de adoção testamentária, desta vez no seio dos Cláudios Marcelos (plebeus), e também não exibiam ligação de espécie alguma com Lêntulo Sura.  E, enfim, a estirpe de Lêntulo Níger, embora pudesse se gabar de ser “genuinamente” do sangue dos Lêntulos desde as mais antigas gerações, sem o uso do recurso à adoção testamentária, não tinha nenhuma ligação com o ramo de Lêntulo Sura[8].

Assim, nenhum dos representantes atestados dos Lêntulos entre o início da era cristã e o final da família em linha masculina exibe a menor relação, indireta que seja, com Lêntulo Sura.

Gneu Cornélio Lêntulo, o Áugure (porque exerceu esse importante ofício sacerdotal), cônsul 14 aC, teve sua carreira favorecida pelo Imperador Augusto, gozando também da estima e da consideração de seu sucessor Tibério; a herança paterna, bem como o beneplácito imperial, fez com que se tornasse extremamente rico – uma das maiores fortunas de Roma[9]; sabe-se também que possuía propriedades na Hispânia Tarragonense, onde ânforas de vinho com seu selo foram descobertas.  Após seu consulado, comandou os exércitos romanos na fronteira danubiana, como governador da Mésia, ao norte da Ilíria (c.10 a c. 6 aC), derrotando os Getas[10] e fazendo jus aos ornamentos triunfais (ornamenta triumphalia).  Procônsul na Ásia entre 3 e 2 aC, morreu no ano 25 dC, sem herdeiros, deixando ao Imperador Tibério sua enorme fortuna.

De Gneu Cornélio Lêntulo, um dos dois Lêntulos que foram cônsules no ano 18 aC, virtualmente nada se sabe, afora o seu consulado ordinário.  Quanto a Lúcio Cornélio Lêntulo, seu parente, e também progênie de Lêntulo Níger, ele ocupou o prestigioso posto sacerdotal de flâmine de Marte (flamen Martialis), foi cônsul ordinário em 3 aC e, logo depois (4-5 dC), procônsul da África.  Sabe-se com certeza que morreu em terras africanas, derrotado pelos berberes Nasamões, numa das endêmicas campanhas que os romanos foram obrigados a mover contra esses nômades das fímbrias do deserto do Saara, que constantemente invadiam não apenas as regiões fronteiriças da província romana, mas também os territórios do reino-cliente da Mauritânia[11].  Também se sabe que não teve filhos homens, mas apenas uma única filha, Cornélia, herdeira de todos os seus bens, e que haveria de se casar com Lúcio Volúsio Saturnino, cônsul sufeta em 3 dC, e já de certa idade.  Ela lhe daria dois filhos: o mais velho, nascido por volta do ano 20 dC, foi Lúcio Volúsio Saturnino, o Moço, membro do colégio dos pontífices, mas que morreu relativamente jovem, por volta do ano 55 dC, sem ter tido oportunidade de ascender ao consulado; o mais novo, contudo, nascido no ano 24 ou 25 dC, Quinto Volúsio Saturnino, seria cônsul em 56 dC [12].

            Para a morte de Lêntulo em terras africanas, bem como para o fato de ter tido uma única filha, há testemunhos diretos.  Um fragmento de Dionísio o Periegeta, conservado pelo escritor bizantino do séc. XII, Eustácio, arcebispo metropolitano da Tessalônica, assim informa[13]:

Porque eles [i.e., os Nasamões, uma tribo berbere da fronteira norte-africana] traiçoeiramente mataram Lêntulo, um general dos romanos, quando ele lá esteve, e, por essa razão, acabaram mais tarde escravizados pelos romanos.

A sua morte (e o fato de ter apenas uma filha) é também confirmada incidentalmente por uma citação nas “Instituições” de Justiniano, a respeito dos codicilos:

Ante Augusti tempora constat ius codicillorum non fuisse, sed primus Lucius Lentulus, ex cuius persona etiam fideicommissa coeperunt, codicillos introduxit. nam cum decederet in Africa scripsit codicillos testamento confirmatos, quibus ab Augusto petiit per fideicommissum ut faceret aliquid: et cum divus Augustus voluntatem eius implesset, cuius deinceps reliqui auctoritatem secuti, fideicommissa praestabant, et filia Lentuli legata quae iure non debebat solvit, dicitur Augustus convocasse prudentes, inter quos Trebatium quoque, cuius tunc auctoritas maxima erat, et quaesisse, an possit hoc recipi nec absonans a iuris ratione codicillorum usus esset: et Trebatium suasisse Augusto, quod diceret, utilissimum et necessarium hoc civibus esse propter magnas et longas peregrinationes, quae apud veteres fuissent, ubi, si quis testamentum facere non posset, tamen codicillos posset. post quae tempora cum et Labeo codicillos fecisset, iam nemini dubium erat quin codicilli iure optimo admitterentur

Institutiones, lib. II, tit. XX, “De Codicilis”

Ou seja:

Antes do tempo de Augusto, o direito referente aos codicilos não existia.  Lúcio Lêntulo foi o primeiro a introduzi-lo, e através dele tiveram início também os fideicomissos.  De fato, estando ele na África, onde morreu, redigiu um codicilo confirmado no seu testamento; nesse codicilo, solicitou a Augusto, por meio dum fideicomisso, que executasse um determinado ato.  Dado que Augusto executou a sua vontade [i.e., aceitou a incumbência que Lêntulo lhe havia rogado, por meio do codicilo], outros foram, pouco a pouco, com o exemplo do príncipe, adicionando a seus testamentos fideicomissos, e a própria filha de Lêntulo cumpriu desse modo os legados a que juridicamente não tinha direito.  Conta-se que Augusto então convocou vários juristas, dentre os quais Trebácio Testa, que então gozava de grande prestígio, e lhes colocou a seguinte questão: seria tal prática admissível, e seria o emprego de codicilos dissonante com toda a coerência da ordem jurídica? Trebácio, diz-se, persuadiu o príncipe desta maneira: fazendo-o ver que era muito útil aos cidadãos, respondendo também a uma necessidade real, dadas as longas e contínuas estadas em países estrangeiros, então muito freqüentes, o poder fazer codicilos, se não era possível fazer um testamento.

Instituições, livro II, título 25, “Sobre os Codicilos”.

Originariamente um fideicomisso (fideicommissum) era um pedido dum testador a seu herdeiro para que cumprisse determinado ato (usualmente o pagamento duma soma de dinheiro, ou a transferência duma propriedade, para um terceiro).  Os codicilos (codicili – o termo é sempre usado no plural) eram um documento escrito, mas sem as formalidades testamentárias, por um testador para que determinadas vontades suas fossem implementadas após a sua morte (exceto a instituição de herdeiro).  Normalmente, os codicilos continham disposições fideicomissárias, mas havia uma diferença entre um legado (obrigação ao herdeiro) e um fideicomisso, que era a disposição duma última vontade, efetuada em termos de requerimento, e cuja execução era deixada à lealdade do onerado.  O Imperador deu aos codicilos que continham disposições fideicomissárias um caráter juridicamente vinculante, como se legados fossem, tornando-os assim testamento confirmati e equiparando-os a legados.

Agora, resta examinar os Lêntulos da época imperial descendentes dos Lêntulos Marcelinos, ou seja, descendentes do casamento de Públio Cornélio Lêntulo Marcelino, monetalis 101 aC, e de Cornélia, filha de Públio Cornélio Cipião Násica Serapião, cônsul 111 aC.  Marcelino era, ele mesmo, um plebeu (dos Cláudios Marcelos), adotado testamentariamente por um filho (Públio Cornélio Lêntulo) daquele Lêntulo Lupo que havia sido cônsul em 156 aC – portanto, embora utilizassem o gentílico e o cognome de “Cornélios Lêntulos” patrícios, os Lêntulos Marcelinos eram tecnicamente plebeus.  A partir do casamento do primeiro dos Marcelinos com a filha dum Cipião, patrício, todos os seus descendentes passaram a reivindicar ascendência cipiônica e, cada vez mais, a se agarrar a essa pretensão.  No início da era cristã, havia, entre os Lêntulos Marcelinos, três sub-ramos distintos: a) o dos “Cipiões”, descendentes do filho mais velho do casamento do primeiro Marcelino com Cornélia, Públio Cornélio Lêntulo Marcelino, questor propretoriano 75-74 aC; b) o dos “Getúlicos”, oriundos do filho mais novo do casamento, Gneu Cornélio Lêntulo Marcelino, cônsul 56 aC, por meio do filho mais velho deste último, Gneu Cornélio Lêntulo, que lutou na Sicília; c) enfim, o dos “Escribonianos”, logo extintos, que descendiam também do cônsul de 56 aC, mas por meio do filho mais novo deste, Lúcio Cornélio Lêntulo, cônsul sufeta 38 aC e, ao que tudo indica, marido da famosa Scribonia Caesaris.  De todos, os mais importantes foram, sem dúvida alguma, os Getúlicos.

Começando pelos “Escribonianos”: Lúcio Cornélio Lêntulo, cônsul sufeta em 38 aC, filho mais novo de Gneu Cornélio Lêntulo Marcelino (cônsul 56 aC), foi o pai (provavelmente tendo Escribônia como esposa) de Gneu Cornélio Lêntulo, o outro dos dois Lêntulos que foram cônsules em 18 aC, e de mais uma Cornélia.  De Lêntulo não se conhecem descendentes, mas Cornélia casar-se-ia com Paulo Emílio Lépido, e sua filha sobrevivente, Cornélia Emília Lépida, haveria, como visto, de se casar com Lúcio Cornélio Lêntulo, o flamen Martialis.  Isso resume os Escribonianos.

Segue-se agora para os “Cipiões”.  Públio Cornélio Lêntulo Marcelino, sobrinho do cônsul de 56 aC, foi pretor em 29 aC; deve ter morrido logo depois, por não ter podido ascender ao consulado, mas teve um filho, Públio Cornélio (Lêntulo) Cipião, que seria cônsul em 16 aC.  Lêntulo Cipião preferiu usar a nomenclatura mais simples, embora mais impressionante, de “Públio Cornélio Cipião”, deixando cair em desuso o cognome “Lêntulo”.  Após o seu consulado, foi procônsul da Ásia, ao que tudo indica por dois turnos (12-11 aC e 11-10 aC)[14]; e moedas foram cunhadas com a sua efígie pela cidade asiática de Pitane[15].

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O filho desse Cipião foi o seu homônimo Públio Cornélio Cipião, cuja carreira (bem como a de seu filho, neto do primeiro Cipião) pode ser reconstituída com razoável detalhe a partir duma famosa inscrição[16] encontrada na 2a metade da década de 1960 no Vaticano[17], que é reproduzida a seguir, juntamente com a sua reconstituição[18]:

 

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Pela inscrição, da época de Tibério, tem-se que Cipião iniciou sua carreira como decênviro para julgamento de assuntos relativos à cidadania (decemvir stlitibus iudicandis), um posto júnior (talvez c. 1 dC); depois, foi questor com poderes propretorianos (i.e., governador em exercício) na Acaia (Grécia) em 2-3 dC[19]; de retorno a Roma, exerceu as funções de tribuno da plebe, e depois de pretor (talvez c. 7 dC); tendo alçado a pretura, atuou, logo após, com o título apropriado de procônsul, como governador numa província senatorial (provavelmente 12-13 dC)[20], seguindo-se serviço na fronteira do Reno, como legado (i.e., comandante de uma legião – provavelmente a II Augusta, na qual seu filho também servia – ver próximo parágrafo), nos últimos tempos de Augusto e nos primeiros de Tibério (c.14 a c.16 dC)[21].  Se, com essa notável ficha de serviços, não ascendeu ao consulado, isso significa que morreu antes de fazê-lo.

O filho desse Cipião, Públio Cornélio Cipião Orestino, é mencionado na inscrição mais à esquerda, que, reconstituída, permite constatar que, após acompanhar o futuro Imperador Tibério à fronteira do Reno (c. 10-12 dC), iniciou formalmente sua carreira do mesmo modo que o pai, como decemvir stlitibus iudicandis (talvez c. 13-14 dC), prestando depois serviço militar como tribuno da 2a legião (provavelmente entre os anos 14 e 16 dC) – quase certamente, essa seria a II Augusta, anteriormente na Espanha[22] mas desde 9 dC transferida para a fronteira germânica do Reno, e, a partir de 17 dC, definitivamente estacionada em Argentorate (a atual Estrasburgo), até 43 dC, quando fez parte da invasão romana da Britânia, onde permaneceria a partir de então.  Como o pai, não ascendeu ao consulado, e mais, não seguiu o resto da carreira senatorial normal (p.ex., não obteve sequer uma pretura), o que faz crer que tenha morrido relativamente novo – talvez pouco depois do pai; de qualquer forma, não se conhecem representantes posteriores, e com ele extinguiu-se esse sub-ramo, ao menos na linha masculina.  O agnome de Cipião, “Orestino”, pode indicar que a sua mãe era uma Lívia Orestina (ou Orestila); de fato, o próprio Orestino foi o pai de Cornélia Lívia Orestina (ou Orestila), que seria a 2a esposa do Imperador Calígula[23].

Falta agora examinar os Getúlicos.

O filho mais velho de Gneu Cornélio Lêntulo Marcelino, cônsul 56 aC, é, certamente, o Gneu Cornélio Lêntulo atestado como comandando, para Otaviano (o futuro Augusto), uma frota na Sicília c. 30 aC[24].  O filho desse almirante foi seu homônimo Gneu Cornélio Lêntulo, que exerceu o cargo de “questor de César” (quaestor Caesaris) nalguma data entre 30 e 28 aC na Acaia (Grécia), atestado numa inscrição de Delfos[25].  Note-se que nenhum dos dois atingiu o consulado.  Para o almirante, isso se deve, quase certamente, à agitada época da última fase das guerras civis; quando, após o triunfo de Otaviano (Augusto), o caminho lhe estaria aberto, é provável que tenha morrido.  Para o questor[26], uma carreira promissora estava despontando; o fato de ele não ir além, e de desaparecer da História, aponta, mais uma vez, para uma morte prematura.

O questor imperial teve – e isso já está razoavelmente estabelecido – três filhos: Cosso Cornélio Lêntulo, Públio Cornélio Lêntulo Cipião e Sérvio Cornélio Lêntulo Maluginense.  Os nomes (e cognomes) que escolheu para os filhos são notáveis – “Cosso”, “Cipião” e “Maluginense” são antigos cognomes da gens Cornélia.  Os Cossos e os Maluginenses foram as mais antigas stirpes dos Cornélios, e estavam há muito extintas; quanto aos Cipiões, o questor era, por sangue (convém não esquecer esse detalhe), um Lêntulo Marcelino, portanto reivindicando ascendência cipiônica a partir de sua antepassada, a filha de Públio Cornélio Cipião Násica Serapião, cônsul 111 aC, que se havia  casado com Públio Cornélio Lêntulo Marcelino, monetalis 101 aC,.

Dos três, o mais notável foi Cosso – amigo pessoal tanto de Augusto quanto de Tibério.  Ele começou sua carreira como monetalis c. 12 aC (suas moedas ostentam tanto a efígie de Augusto quanto a de Agripa, o mais competente general de sua época, fiel partidário de Augusto desde o início e casado com sua filha Júlia; a efígie de Agripa ostenta uma dupla coroa naval e mural, fato que se deve ligar às homenagens prestadas ao grande general por ocasião de sua morte, em 12 aC[27]); exerceu o ofício sacerdotal de qüindecênviro para assuntos sagrados (quindecimvir sacris faciundis), galgou todos os postos até ao consulado ordinário em 1 aC, seguindo-se o proconsulado da África entre 5 e 7 dC.  Permaneceu no favor tanto de Augusto quanto de seu sucessor Tibério, sendo nomeado em 33 dC prefeito urbano de Roma – exercia esse prestigiosíssimo cargo quando morreu, de morte natural, em 36 dC.

O ponto central de sua carreira foi a sua atuação como procônsul da África, entre os anos 5 e 7 dC – justamente após a derrota e morte de Lúcio Cornélio Lêntulo, o flamen Martialis, naquela província, nas mãos dos berberes Nasamões.  Ao contrário de Lúcio, porém, as campanhas de Cosso foram coroadas de sucesso, tendo ele derrotado os Musolanos e os “Gétulos” (este último um nome genérico para todos os berberes) ao longo da fronteira romana do Saara e no próprio reino-cliente da Mauritânia, recebendo enfim (6 dC) os ornamentos triunfais (ornamenta triumphalia) e o direito de usar o nomen triumphalis de Getúlico (Gaetulicus) – direito esse que não exerceu, mas que passou aos seus descendentes[28].  Apenas para constar, deixando a palavra a Orósio:

E então, na África, quando os Musolanos e os Gétulos atacaram tais regiões, Cosso, general de César, reduziu seus territórios, confinou-os, e compeliu-os, por medo, a manterem-se distantes das fronteiras fortificadas dos romanos.

(Paulo Orósio, “Histórias Contra os Pagãos”, livro VI, cap. 21, par. 18)

Adicionalmente, as campanhas de Cosso são atestadas epigraficamente, a partir da inscrição[29] encontrada em Lépcis a Grande (Lepcis Magna), na Tripolitânia (atualmente o campo de ruínas de Labdah ou Lebdah, na Líbia), cuja ilustração[30], transcrição e tradução seguem: 

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Transcrição:

Marti Augusto sacrum. Auspiciis Imp(eratoris) Caesaris Aug(usti), Pontificis Maxumi(!), Patris  Patriae, ductu Cossi Lentuli, co(n)s(ulis), XVviri sacris faciundis, proco(n)s(ulis) provincia Africa, bello Gaetulico liberata, civitas Lepcitana.

Tradução:

Dedicado pela cidade de Lépcis, e sagrado a Marte Augusto.  Sob os auspícios do Imperador César Augusto, Sumo Pontífice, Pai da Pátria, e sob o comando de Cosso Lêntulo, cônsul, qüindecênviro para assuntos sagrados e procônsul, a província da África foi libertada da guerra movida pelos Gétulos.

Cosso Lêntulo teve dois filhos, mas, antes de se examinarem suas carreiras, tratar-se-á de seus dois irmãos mais novos.  Públio Cornélio Lêntulo Cipião foi cônsul sufeta em 2 dC, e Sérvio Cornélio Lêntulo Maluginense foi cônsul sufeta em 10 dC.

Públio, o sufeta de 2 dC, por sua vez, teve dois filhos: Públio Cornélio Lêntulo Cipião, cônsul sufeta em 24 dC, e Lúcio Cornélio Lêntulo Cipião, sufeta em 27 dC.  Desse Públio mais novo, que foi pretor em 15 dC[31], sabe-se que, por ocasião da revolta de Tacfarinas, na África, comandou a IX Legião, Hispana, como legatus legionis, entre os anos 21 e 24 dC – uma honra excepcional, especialmente tendo em vista que ele era apenas de nível pretoriano na ocasião, e não consular.  Seu comando é atestado tanto por fontes literárias[32] quanto epigráficas: um fragmento de dedicatória (ou de pedestal de estátua) no cardo da cidade africana de Lépcis a Grande tem o seu nome (ver ilustração a seguir)[33], e há, além disso, uma inscrição em sua honra encontrada em Bríxia (a atual Bréscia na Venécia, norte da Itália)[34], que se apresenta da seguinte forma:

 

Apresentação e Transcrição:

P CORNELIO LEN…

SCIPIONI COS PR…

AERARI LEGATO TI

CAESARIS AVG

LEG VIIII HISPAN PONTIF

FETIALI D D

P(ublio) Cornelio Len[tulo] / Scipioni co(n)s(uli) pr[aet(ori)] / aerari legato Ti(beri) / Caesaris Aug(usti) leg(ionis) / VIIII Hispan(ae) pontif(ici) / fetiali d(ecreto) d(ecurionum).

Tradução:

(Dedicado) por decreto dos decuriões [i.e., dos magistrados municipais de Bríxia] a Públio Cornélio Lêntulo Cipião, cônsul, pretor encarregado do erário [o tesouro senatorial], legado de Tibério César Augusto para a 9a legião, Hispana, pontífice e fecial [estes dois últimos eram cargos sacerdotais].

 

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Sabe-se que Públio Cornélio Lêntulo Cipião foi, ainda, procônsul da Ásia, quase certamente no período 41-42 dC, ou seja, no início do império de Cláudio[35].  O filho desse Públio Cipião foi justamente Públio Cornélio Cipião Asiático, cônsul sufeta no final de 68 dC, nomeado por Galba após o fim de Nero, e o último dos Lêntulos a ocupar tal cargo.  Sua mãe era ninguém menos que Popéia Sabina, a filha de Gneu Popeu Sabino (que morreu em 35 dC), cônsul 9 dC, governador da Mésia c. 12 a c. 35 dC, e da Macedônia e da Acaia de c. 15 a c. 35 dC.  O primeiro marido de Popéia Sabina havia sido Tito Ólio, e desse primeiro casamento ela tinha tido uma filha, Ólia Popéia Sabina, a Moça.  A dama em questão havia se casado inicialmente com Rúfio Crispino, um dos prefeitos pretorianos de Cláudio, e depois com Marco Sálvio Otão (o futuro Imperador), companheiro de farras do Imperador Nero; logo passou a amante (c. 58 dC) e depois a esposa (62 dC) deste último.  Inteligente, bela, rica, ambiciosa e cruel, incitou Nero a se livrar da mãe, Agripina (59 dC) e de sua primeira esposa, Otávia (62 dC); Popéia morreu grávida no ano 65 dC, ao que se diz por causa dum pontapé que Nero, num acesso de fúria, lhe aplicou.

Portanto, Asiático era meio-irmão, por parte de mãe, da Imperatriz Popéia Sabina; sua nomeação por Galba para o consulado, no final do conturbado ano de 68 dC, pode ser entendida como uma tentativa de conciliar a antiga nobreza e de tentar demonstrar que a normalidade voltara.

De Lúcio Cornélio Lêntulo Cipião, o sufeta de 27 dC, conhece-se um filho, Públio Cornélio (Lêntulo) Cipião, cônsul 56 dC.  Tanto o pai quanto o filho são apenas dois nomes nos Fastos, e com o cônsul ordinário de 56 dC e o sufeta de 68 dC, meio-irmão de Popéia Sabina, termina a progênie do sufeta de 2 dC.

O irmão mais novo de Cosso Cornélio Lêntulo, Sérvio Cornélio Lêntulo Maluginense (que morreu em 23 dC), cônsul sufeta 10 dC, exerceu o prestigioso posto de flâmine de Júpiter (flamen Dialis) desde a época de seu consulado.  Apesar de seu posto sacerdotal o impedir de se ausentar de Roma (por tradição, o flâmine de Júpiter não podia deixar a cidade, a fim de dedicar-se integralmente ao culto de Júpiter Ótimo Máximo; por isso, recebia uma série de privilégios honoríficos e sociais), Maluginense, ainda assim, tentou obter para si o proconsulado da Ásia, a que tinha teoricamente direito pelo seu “status” consular; mas, no debate que se seguiu no Senado (22 dC), justamente Lêntulo, o Áugure, convenceu o Imperador Tibério de que a antiga tradição devia ser cumprida – e bloqueou a tentativa de Maluginense[36].

Teve uma filha, chamada Coscônia Galita (o que faz presumir que sua esposa fosse uma Coscônia Gala), que seria esposa de Sejano[37], e pelo menos um filho, Sérvio Cornélio Lêntulo Cétego, cônsul 24 dC, e procônsul da África nalguma data entre 40 e 50 dC[38].

Lêntulo Cétego, de qualquer forma, não teve filhos homens – apenas uma filha, que casou-se com um Salvidieno Orfito.  A fim de perpetuar o nome da família, Sérvio adotou testamentariamente o genro, que passou então a se denominar Sérvio Cornélio (Lêntulo Cétego Cipião) Salvidieno Orfito; ele foi cônsul 51 dC e procônsul da África 61-62 dC; dele originaram-se inúmeras “stirpes” nobres, que carregaram os nomes “Cornélio”, “Cipião” e “Cétego” até ao séc. VI dC.  A linha masculina continuou, ininterrupta, pelo filho de Salvidieno Orfito, Sérvio Cornélio Salvidieno Orfito (sufeta entre 80 e 87 dC – ele não usou nem o cognome “Lêntulo”, nem o cognome “Cipião”, talvez por prudência, já que se estava na época do desconfiado Imperador Domiciano); pelo filho desse Orfito, Sérvio Cornélio Cipião Salvidieno Orfito, cônsul 110 dC, prefeito urbano de Roma 138 dC; por seu filho homônimo, Sérvio Cornélio Cipião Salvidieno Orfito, cônsul 149 dC e procônsul da África 163-64 dC; por seu filho, Sérvio Cornélio Cipião Orfito, cônsul 178 dC, e, por fim, pelo filho deste, mais um Sérvio Cornélio Cipião Orfito, que foi sálio palatino em 189 dC e, morrendo jovem e sem herdeiros masculinos, representou a extinção do ramo principal[39].  Contudo, no que diz respeito aos Lêntulos propriamente ditos, o primeiro dos Salvidienos Orfitos pode ser considerado como o ponto final da linhagem – mesmo porque nem ele, e nem nenhum de seus descendentes utilizaram o cognome “Lêntulo” – preferiram usar o mais pomposo (e famoso) de “Cipião”, mais uma vez enfatizando a tênue linha que ia até aos Lêntulos Marcelinos e ao casamento de um deles com a filha dum Cipião Násica, como se viu.

Fica-se apenas, agora, com os descendentes de Cosso Cornélio Lêntulo, o vencedor dos gétulos.  Ele teve dois filhos: Cosso Cornélio Lêntulo Getúlico, o mais velho, cônsul 25 dC, e o mais novo (e mais famoso), Gneu Cornélio Lêntulo Getúlico, cônsul 26 dC, e uma mulher, Cornélia Getúlica[40].  Pode-se notar nesses três filhos do velho Cosso, e no próprio, o embrião dum verdadeiro “poder paralelo”, ou, se se quiser, duma “facção”.  Cosso, o pai, como se viu, foi amigo íntimo de Tibério, e prefeito urbano de Roma de 33 dC a 36 dC, quando morreu.  Cosso, o filho, após o seu consulado, foi o comandante (legado) encarregado da área militar da Germânia Superior (i.e., do sul da fronteira do Reno), com quatro legiões estacionadas, além de numerosas tropas auxiliares (c. 26 dC até 29 dC) – e foi sucedido nesse comando por seu irmão Gneu, de 29 dC até 40 dC, quando Calígula o prendeu e o mandou executar, acusando-o de conspiração.  Mais ainda, a irmã de Gneu e do jovem Cosso, Cornélia Getúlica, casou-se, por sua vez, com Gaio Calvísio Sabino, colega de Gneu no consulado de 26 dC, e governador da Panônia de 36 a 39 dC – uma província na qual estacionavam duas legiões.

É difícil saber ao certo se Gneu Getúlico realmente esteve envolvido nalgum tipo de conspiração contra Calígula – talvez não.  Mas o fato é que permaneceu no comando das quatro legiões da Germânia Superior, ininterruptamente, desde 29 dC; mais ainda, era casado com Aprônia Cesiana, filha de Lúcio Aprônio, cônsul sufeta 8 dC, procônsul da África 18-21 dC, e comandante da região militar da Germânia Inferior (i.e., do norte da fronteira do Reno), com mais quatro legiões e tropas auxiliares, desde c. 24 dC. 

Assim, de c.26 dC até 36 dC, oito legiões (quatro da Germânia Superior e quatro da Inferior) estavam sob o comando, direto ou indireto, dos Lêntulos Getúlicos; e, de 36 até 39 dC, dez, contando as duas de Sabino na Panônia – quase a metade de todo o exército imperial romano.  O apogeu dessa situação ocorreu, sem dúvida, nos últimos tempos de Tibério, mais especificamente o ano 36 dC, quando o velho Cosso era prefeito urbano de Roma, seu filho Gneu comandava quatro legiões, seu genro Sabino (casado com sua filha Cornélia Getúlica) mais duas, e o pai de sua nora (Aprônio), casada com Gneu, mais quatro.  Isso sem contar as ligações que o velho Cosso havia sem dúvida estabelecido na África, especificamente no reino da Mauritânia, desde suas campanhas vitoriosas na região.

Como quer que fosse, uma situação como essa era totalmente anômala, e capaz de tirar o sono de qualquer Imperador – ainda mais do desconfiado e um tanto desequilibrado Calígula, que sucedeu a Tibério em 37 dC.  Gneu Getúlico já havia demonstrado estar por demais apegado ao seu comando[41], e pior, estava mais interessado em cortejar a popularidade dos soldados do que em manter a disciplina[42] – há evidências palpáveis de deterioração na capacidade combativa das forças tanto de Getúlico quanto de seu sogro, diante dos germanos: a partir do ano 28 dC, os frísios enfrentaram os romanos com sucesso na Germânia Inferior, e, pelos fins do reinado de Tibério, incursões bárbaras na fronteira da Germânia Superior tinham-se tornado comuns[43].

Mas Gneu Cornélio Lêntulo Getúlico era também um homem sofisticado – um poeta de mérito.  De fato, nove epigramas da Antologia Palatina, num grego elegante, levam o seu nome; ele é louvado por Plínio o Moço[44], e citado pelo poeta Marcial, no prólogo de suas obras, como um precedente para justificar a liberdade poética no uso da linguagem.  Getúlico tentou usar seus dotes literários para conquistar Calígula – há indícios de que tenha escrito uma obra em prosímetro (ou duas obras, uma em versos e outra em prosa), de conteúdo laudatório, acerca da expedição que o Imperador intentava contra a Britânia – quem sabe esperando comandar as tropas nessa que parecia ser mais uma gloriosa campanha militar…  Mas não funcionou.

Em 39 dC, Calvísio Sabino foi chamado de volta a Roma, sob acusação de conspiração – ele e a esposa, Cornélia, acharam melhor cometer suicídio.  Em 40 dC, Calígula, agindo rapidamente, a partir de agentes especialmente enviados, exonerou Aprônio de seu comando da Germânia Inferior (ele, contudo, não foi morto, já que o filho de Aprônio, Lúcio Aprônio Cesiano, era amigo pessoal de Calígula, e colega desse Imperador no consulado de 39 dC – isso, aparentemente, salvou a vida do pai) e, ao mesmo tempo, acusando Getúlico de conspirar contra sua vida, prendeu-o e executou-o imediatamente.  Na mesma época, convidou o rei Ptolomeu, da Mauritânia, a uma visita a Roma; lá, mandou prendê-lo e matá-lo, iniciando o processo de conversão de seu reino em província romana.

Para o comando das duas Germânias – isto é, para a guarnição da fronteira do Reno, e para fazer frente aos bárbaros germanos – Calígula nomeou dois militares experientes e dedicados: Públio Gabínio Segundo para a Germânia Inferior e Sérvio Sulpício Galba (o futuro Imperador) para a Germânia Superior.  Além de levantarem duas novas legiões, para a planejada campanha de conquista da Britânia (que, afinal, seria iniciada pelo sucessor de Calígula, Cláudio), eles se esmeraram em restaurar a combatividade e a disciplina das forças romanas, tanto legionárias quanto auxiliares, treinando-as repetidamente em manobras, mantendo-as ocupadas com atividades de construção (paliçadas, estradas militares, fortificações) e, enfim, liderando-as em incursões limitadas ao território germano, além do Reno, com o objetivo de amedrontar os bárbaros e de dissuadi-los de qualquer tentativa de invasão.  O sucesso dessa nova política pode ser medida pelos seguintes versos, que logo se tornaram populares entre os soldados de Galba:

Aprende, ó soldado, a seres um soldado:

Agora tens Galba, não mais Getúlico![45]

A ira do Imperador, contudo, não se alastrou à famílias de Getúlico.  Os descendentes de ambos os filhos do velho Cosso tiveram carreiras normais, inclusive com mais dois cônsules – mas não mais se ouvem falar de comandos militares.  Embora sua influência social e seu “status” dentro da velha nobreza e da alta sociedade de Roma tenham permanecido intactos, sua influência política e, mais precisamente, militar, havia acabado.

Gneu Cornélio Lêntulo Getúlico teve com certeza três filhos, dois homens e uma mulher.  Da mulher, Cornélia Cesiana (indicando no cognome o fato de ter como mãe Aprônia Cesiana, a filha de Lúcio Aprônio), restou apenas o epitáfio, encontrado na cripta dos Cipiões[46].

Dos filhos, um seu homônimo, Gneu Cornélio Lêntulo Getúlico, o Moço, foi cônsul sufeta 55 dC, sem descendentes conhecidos; o outro, Cosso Cornélio Lêntulo, filho de Gneu, foi o pai daquela infeliz Cornélia que, no ano 62 dC, foi cooptada para o colégio das Virgens Vestais[47]; mais tarde, pelo ano 90 dC, sob o império de Domiciano, já como Grande Vestal (virgo vestalis maxima), foi enterrada viva, segundo o costume antigo, acusada de adultério.  O pai de Cornélia não atingiu o consulado, pelo que se depreende que morreu antes de poder vir a fazê-lo – ao menos um consulado sufeta ter-lhe-ia sido concedido, pela sua nobreza.  Nenhum outro descendente é conhecido; assim terminou a progênie do cônsul de 26 dC, o poeta e comandante das tropas do Reno.

O irmão de Gneu, Cosso Cornélio Lêntulo Getúlico (cônsul 25 dC), teve um filho homônimo, Cosso Cornélio Lêntulo Getúlico, filho de Cosso, que foi cônsul 60 dC, tendo o próprio Imperador Nero como colega.  Conhece-se dele um filho, que foi adotado testamentariamente por Décimo Júnio Silano, e que passou a denominar-se Décimo Júnio Silano Getúlico[48].  Ele foi cooptado em 63 dC pelo colégio sacerdotal dos sálios colinos[49]; não chegou ao consulado, presumindo-se que tenha morrido relativamente jovem.  Casou-se com uma Lutácia, talvez a última descendente dos nobres Lutácios Cátulos; dela teve um filho, Marco – em cuja nomenclatura constavam os nomes dos Júnios Silanos e dos Lutácios Cátulos, e em cujas veias corria o sangue dos Lêntulos Getúlicos – portanto, dos Lêntulos Marcelinos e, em última análise, bem indiretamente, dos Cipiões Násicas.  Melhor pedigree, impossível.  A família ainda era, apesar de tudo, nobre e rica, e o rapaz, sem dúvida, era um dos “bons partidos” de Roma – talvez destinado a se casar com a filha dum dos “novos ricos”, emergentes, de origem italiana ou mesmo provinciana, hábeis, eficientes, totalmente dedicados ao Imperador, que agora monopolizavam os comandos militares e os importantes cargos públicos.  Quantas esperanças não estariam depositadas nele!…

O jovem Marco começou bem sua carreira; foi associado ao colégio sacerdotal dos sálios colinos, da mesma forma que o pai[50], e começou sua carreira pública, como outros Lêntulos já citados, exercendo o cargo de decênviro para julgamento de assuntos relativos à cidadania (decemvir stlitibus iudicandis).  Mas, aos 20 anos e 9 meses de idade… morreu.

A placa de mármore com seu epitáfio, que marcava o lóculo na cripta dos Cipiões onde outrora encontrava-se sua urna cinerária, sobreviveu intacta; dela são as duas imagens a seguir[51].  Em letras cuidadosamente cinzeladas, consta sua impressionante (e orgulhosa) titulatura e ascendência:

Apresentação e Transcrição:

M IVNIVS SILANVS

D SILANI F GAETVLICI

NEPOS COSSI PRON

LVTATIVS CATVLVS XVIR

STLITIB IVDIC SALIVS COLLIN

VIXIT ANNIS XX MENSIBVS VIIII

 

M(arcus) Iunius Silanus / D(ecimi) Silani f(ilius) Gaetulici / nepos Cossi pron(epos) / Lutatius Catulus Xvir / stlitib(us) iudic(andis) salius collin(us) vixit / annis XX mensibus VIIII

 

Tradução:

Marco Júnio Silano Lutácio Cátulo, filho de Décimo Silano, neto de Getúlico, bisneto de Cosso, decênviro para julgamento de assuntos relativos à cidadania, sálio colino, viveu 20 anos e 9 meses.

 

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Quantas esperanças, quantos projetos de reerguimento político, de recaptura de influência enfim, não teriam morrido juntamente com esse jovem; ele foi, de fato, o último dos Lêntulos “de sangue” atestados.  Após sua morte, talvez ocorrida entre os anos 80 e 90 dC, apenas os Salvidienos Orfitos, por linha feminina, mantiveram-se – contudo, não mais utilizando o cognome Lêntulo, e sim os de Cipião e de Cétego, como visto.  Seguindo-se às exéquias de Marco, fechou-se definitivamente a cripta dos Cipiões, ninguém mais lá sendo inumado, e encerrando-se um ciclo da História de Roma[52].

Concluindo esta parte do trabalho, pode-se ver que, ao contrário do que se possa pensar à primeira vista, sabem-se muitas coisas acerca da família dos Lêntulos na primeira época imperial romana.  Evidentemente, há lacunas, e mesmo alguns pontos incertos, mas o quadro geral é razoavelmente claro, como se espera ter podido mostrar.  Não há, assim, como se alegar (como muitas vezes é feito por aqueles que, desesperadamente, querem justificar a existência de “Públio Lêntulo”, o contemporâneo de Cristo) que “não há registros suficientes ou fidedignos”, ou que “os documentos originais se perderam”.  A união dos testemunhos literários, epigráficos e mesmo numismáticos permite pintar um quadro razoavelmente coerente, e mesmo detalhado, para a época, fornecendo um pano de fundo contra o qual se pode comparar o testemunho de “Emanuel”, que pretende ter sido um dos membros (não atestado) dessa família, na primeira metade do séc. I dC.

II.3) Estrutura Administrativa do Império Romano sob Augusto e os Júlio-Cláudios:

II.3.1) Províncias “de César” e províncias “do povo”:

            Após o final das guerras civis, com a vitória definitiva de Otaviano (o futuro Augusto) diante de Marco Antônio e Cleópatra, inicialmente na batalha naval do promontório de Ácio, no Épiro (31 aC), e depois com a conquista do Egito (30 aC), seguindo-se o suicídio de seu rival e da última representante dos Ptolomeus, o mundo mediterrânico, governado, direta ou indiretamente, por Roma, ansiava por paz e estabilidade.  Medidas extraordinárias, mesmo à margem da lei, que podiam ter sido justificadas em épocas mais conturbadas, tinham, de algum modo, de cessar – as coisas deviam retornar à normalidade, e isso incluía o governo e a administração.

            Contudo, uma volta à antiga República era impossível; o chefe do partido vitorioso, Gaio Júlio César Otaviano, sobrinho-neto e filho adotivo (testamentariamente) de Gaio Júlio César, o Ditador, não iria abrir mão de seus poderes extraordinários.  Aliás, nem se esperava que o fizesse.  O governo de um só parecia a todos, sem exceção, ser a garantia de que as guerras civis, que se vinham estendendo num crescendo desde 133 aC, não mais voltariam, e de que haveria ordem, progresso e paz[53].  Os homens, então como em muitas outras ocasiões da História, estavam dispostos a trocar uma possível “liberdade”, difícil de conquistar e manter, por uma “prosperidade material” palpável, imediata e real.  Essa situação é ainda bem captada pelo início da grande obra do historiador Tácito (c.56 – c. 117 dC), “Anais”, que cobria o período compreendido entre a morte do Imperador Augusto e o suicídio de Nero (14 a 68 dC):

 

[1] No princípio, Roma foi governada pelos reis.  A liberdade e o consulado foram estabelecidos por Lúcio Bruto, com o uso temporário das ditaduras apenas nos tempos de crise.  Mesmo o poder dos decênviros não durou mais do que dois anos, e nem a jurisdição consular dos tribunos militares foi longa.  Os despotismos de Cina e de Sila foram breves; o poder de Pompeu e de Crasso logo curvou-se diante de César, e as armas de Lépido e de Antônio terminaram por se submeter a Augusto, o qual, enfim, estando o Império farto das guerras civis, subjugou-o à sua vontade e intitulou-se Príncipe.  Mas, se os feitos memoráveis de outrora foram escritos por famosos historiadores, intelectuais de brilho declinaram de escrever sobre os tempos de Augusto, amedrontados pelo crescente servilismo.  As histórias dos governos de Tibério, Gaio [i.e., Calígula], Cláudio e Nero, por outro lado, enquanto estes encontravam-se no poder, foram falsificadas pelo terror, tendo sido, após suas mortes, reescritas num espírito de vingança.  Assim, meu propósito é relatar alguns fatos acerca de Augusto (mais particularmente seus últimos atos), e depois o império de Tibério e o de seus sucessores, sem rancor ou parcialidade, sentimentos dos quais encontro-me bastante distanciado.  [2] Após a derrota de Bruto e de Cássio, não havendo mais exércitos que lutassem pela causa republicana; após a derrota de Pompeu na Sicília; após Lépido ter sido afastado e Antônio eliminado: restava apenas um único líder, o da facção juliana, Augusto, que, despojando-se do título de triúnviro, mas mantendo o poder consular e a autoridade tribunícia para a proteção do povo, conquistou os soldados com donativos, a plebe com trigo barato e todos com o alívio representado pelo fim das contendas civis, fazendo seu poder crescer degrau a degrau, concentrando em suas mãos as funções do Senado, dos magistrados e das leis.  Tudo isso ele conquistou sem oposição, já que os mais aguerridos espíritos haviam tombado nas guerras, ou haviam sido vitimados pelas proscrições, enquanto os aristocratas sobreviventes, prontos para aceitar a servidão, foram contentados com riquezas e promoções, e de modo tal que, tendo sido suas fortunas aumentadas pelo novo regime, passaram a preferir a segurança do presente às incertezas do recente passado.  E nem as províncias mostraram-se insatisfeitas com o novo estado das coisas, pois odiavam o governo do Senado e do povo romano, por causa das rivalidades que percebiam entre as lideranças e da rapacidade exibida pelos administradores, não lhes servindo a proteção das leis para nada, continuamente desrespeitadas que eram pela violência, pelas intrigas e pela corrupção.

(Tácito, “Anais”, livro I, capítulos 1 e 2)

            Otaviano (que desde 27 aC tomou o título de “Augusto”) teve sucesso onde seu tio-avô César e os demais senhores-da-guerra haviam falhado porque soube ser prudente e mais dissimulado (ou, se se quiser, mais hipócrita): mostrou sempre o maior respeito pelas antigas instituições romanas, pelo Senado, pelos magistrados – mas, na prática, instituiu uma nova ordem de coisas, oculta pela antiga nomenclatura.  Não podia ser chamado “rei” (rex, basileus) – desde a expulsão dos reis, os romanos haviam jurado que jamais dobrariam os joelhos diante dum déspota.  Era o princeps, o “primeiro cidadão”, e o Estado romano continuou, até ao fim, a ser chamado respublica, “coisa pública”, e a ostentar nas inscrições oficiais a abreviatura SPQR (senatus populusque Romanus -  “o Senado e o Povo Romanos”).  Todavia, Augusto era um monarca em tudo, exceto no nome.  Construiu seu poder em cima de três pilares:

·        o imperium proconsulare maius: tinha os poderes de um cônsul (especialmente o comando dos exércitos), tanto em Roma quanto em todos os territórios romanos, sendo ainda seu poder consular um poder “maior” (maius) do que o de qualquer outro cônsul ou procônsul – base militar do novo regime;

·        a tribunicia potestas: tinha o poder tribunício, ou seja, sem ser tribuno, gozava de todos os direitos do ofício (a inviolabilidade pessoal, o direito de proteger os plebeus contra qualquer ato dos magistrados, o direito de veto sobre as decisões do Senado, etc.) – base civil do regime;

·        o sumo pontificado (summum pontificatum): após esperar pacientemente pela morte de Lépido, ele, que já era membro do colégio sacerdotal dos pontífices, fez-se eleger Sumo Pontífice (Pontifex Maximus), chefe da religião estatal romana, última palavra no que tangia à interpretação e à aplicação da lei divina – base religiosa do regime.

Se César havia anexado a Gália e a Numídia, Otaviano encetou guerras apenas com o sentido de “retificar” as fronteiras.  Na Espanha, terminou enfim a conquista da península, esmagando os ástures e cântabros; na Europa, procurou primeiro atingir os rios Reno e Danúbio (criação das províncias da Mésia, 29 aC; da Récia e Nórico, 15 aC; da Panônia, 10 dC), e no Oriente anexou alguns reinos-clientes (Galácia e Panfília em 25 aC).  Seu grande sonho foi a conquista de todos os germanos (como César havia conquistado os gauleses), criando a província da “Grande Germânia” (Germania Magna), do Reno ao Elba, mas a derrota catastrófica de Públio Quintílio Varo em 9 dC, na qual ele foi emboscado e morto, com a perda quase integral de três legiões (a XVII, a XVIII e a XIX, num total de cerca de 15.000 homens[54]), pôs um fim a esse projeto – a fronteira romana na Europa seguiria o Reno e o Danúbio, sendo a parte renana transformada em duas áreas militares (denominadas “Germânia Superior” e “Germânia Inferior”), destacadas da Gália e sob pesada guarnição (quatro legiões em cada uma, além de tropas auxiliares).

            De qualquer modo, com a situação normalizando-se, Augusto sentiu que poderia proceder a uma reorganização dos governos provinciais, e dum modo tal a satisfazer o Senado sem perder seus poderes.  Em 27 aC renunciou a todos os poderes extraordinários que havia assumido por ocasião da guerra contra Antônio, mas retendo o império proconsular maior e o poder tribunício[55], e, ao mesmo tempo, transferiu para o governo direto “do povo” (i.e., do Senado) uma série de províncias, geralmente as mais prósperas, e onde, no geral, não havia legiões estacionadas, mantendo as demais para si.  Dando a palavra a um contemporâneo, o geógrafo Estrabão, natural de Amásia do Ponto:

[24, final] De todos os territórios que atualmente encontram-se sujeitos aos romanos, alguns são governados [indiretamente] por reis, enquanto outros são governados diretamente, recebendo a designação de “províncias”, e tendo governadores e coletores de impostos designados [por Roma] para os seus habitantes.  Há também cidades livres, algumas das quais ligaram-se a Roma por tratados desde tempos imemoriais, enquanto outras receberam o privilégio da liberdade posteriormente, como uma distinção honorífica por serviços prestados.  Alguns dinastas, chefes tribais e governantes de linhagem sacerdotal também estão sujeitos aos romanos; nesse caso, administram seus territórios e governam seus povos de acordo com suas antigas leis e costumes ancestrais.  [25] As províncias sempre tinham sido divididas, quer dum modo, quer de outro.  Atualmente, elas encontram-se organizadas de acordo com as disposições de César Augusto, já que, quando seus conterrâneos lhe conferiram o supremo poder, e ele tornou-se responsável pela guerra e pela paz, dividiu o Império em duas partes, designando uma para si e outra para o Povo.  A sua parte seria constituída por todas as áreas que necessitassem de presença militar, ou seja, pelas áreas mais remotas e pelas vizinhas de povos ainda não conquistados, ou por aquelas que, inóspitas e carentes, com mais facilidade haveriam de se revoltar.  Para o Povo foi atribuído o resto dos territórios, onde quer que houvesse regiões pacificadas e que pudessem ser governadas sem o recurso freqüente à força das armas.  Ele dividiu cada uma das duas partes numa série de províncias, sua parte sendo chamada “de César” [i.e., as províncias imperiais], e a outra, “do Povo” [i.e, as províncias senatoriais].  Às províncias de César, ele enviou governadores e administradores por ele próprio nomeados, dividindo as regiões ora duma maneira, ora de outra, controlando-as de acordo com as necessidades.  Para as províncias do Povo, o próprio Povo [i.e., o Senado, agindo em nome do “povo” romano] envia os respectivos magistrados, denominados procônsules.  E esses últimos territórios [i.e., os “do Povo”] foram também divididos numa série de províncias, de acordo com as necessidades.  O arranjo utilizado para as províncias do Povo fez duas delas de caráter consular: a Líbia [i.e., a África], com as partes sujeitas ao controle dos romanos, exceto as regiões que outrora pertenceram ao rei Juba e que atualmente estão sob o governo do rei Ptolomeu, seu filho [i.e., o reino da Mauritânia], e a Ásia, a ocidente do rio Hális e dos montes Tauro, com exceção da região dos gálatas e das tribos sujeitas ao rei Amintas, bem como da Bitínia e da Propôntide.  E dez das províncias do Povo foram consideradas como pretorianas, na Europa e nas ilhas adjacentes, quais sejam: em primeiro lugar, a Hispânia Ulterior, como é chamada [i.e., a Bética, atual Andaluzia], na região dos rios Bétis [hoje Guadalquivir] e Anas [hoje Guadiana]; depois, a Gália Narbonense [hoje, sul da França]; em terceiro lugar, a Sardenha-e-Córsega; em quarto, a Sicília; em quinto e sexto, a parte do Ilírico perto do Épiro e a Macedônia; em sétimo, a Acaia, com a Tessália, a Etólia, a Acarnânia e certas partes do Épiro não inclusas na Macedônia; em oitavo, Cirene-e-Creta; em nono, Chipre; e em décimo lugar, a Bitínia-e-Ponto, juntamente com a Propôntide.  César controla o restante das províncias, a algumas mandando homens de dignidade consular para as governar, a outras pessoas com a dignidade pretoriana, e a outras ainda membros da ordem eqüestre.  Reis, dinastas e outros governantes autônomos estão, como sempre estiveram, ao dispor do Imperador, e sujeitos ao seu controle.

(Estrabão, “Geografia”, livro XVII, cap. 3, parágrafos 24, final, e 25)

            O sistema é descrito de forma bastante semelhante por um historiador do séc. III dC, o senador Cássio Dião Coceiano, natural da Nicéia bitiniana:

[12.1] E assim ele [Augusto] teve sua supremacia ratificada tanto pelo Senado quanto pelo Povo.  Contudo, apesar de ter tomado para si o cuidado de todos os assuntos públicos, sob o pretexto de que sua supervisão se tornava necessária, não queria ser considerado um déspota, [2] e portanto declarou que, apesar de tudo, não governaria pessoalmente todas as províncias, e mesmo as que governasse, poderia não vir a fazê-lo para sempre.  Assim, restaurou ao Senado as províncias com menor presença militar, alegando que já se encontravam pacificadas e livres de guerras, retendo para si, ao contrário, as mais guarnecidas de tropas, afirmando que a situação nestas últimas era mais insegura e precária, quer por causa de inimigos além-fronteiras, quer pelo perigo de revoltas internas. [3] O motivo que apresentou para justificar tal ação foi o de querer que o Senado usufruísse da melhor porção do Império, enquanto com ele ficavam as maiores responsabilidades e perigos; mas seu propósito real foi o de manter os senadores sem acesso a exércitos, e desprovidos de apoio militar, ao passo que somente ele controlaria as forças armadas.  [4] A África, a Numídia, a Ásia, a Grécia com o Épiro, os distritos da Dalmácia e da Macedônia, Creta e a porção da Líbia chamada Cirenaica, a Bitínia com o Ponto, a Sardenha e a Bética foram então devolvidas ao Povo e ao Senado, [5] ao passo que a César continuaram a pertencer o restante da Espanha, ou seja, o distrito de Tarragona e a Lusitânia, bem como todas as províncias gaulesas, ou seja, a Gália Narbonense, a Gália Lugdunense, a Aquitânia e a Bélgica, incluindo tanto os nativos dessas regiões quanto os estrangeiros que porventura lá estivessem.  [6] Porque alguns dos Celtas, que nós chamamos “germanos”, tinham ocupado todo o território belga ao longo do rio Reno, fazendo com que fosse chamado “Germânia”, com limites se estendendo desde as fontes do rio até ao Oceano Britânico.  [7] Assim, essas províncias, juntamente com a Celessíria, como é chamada, a Fenícia, a Cilícia, Chipre e o Egito, ficaram sob a responsabilidade de César; algum tempo depois, ele devolveu Chipre e a Gália Narbonense ao Povo, tomando para si, em troca, a Dalmácia.  [8] Trocas dessa espécie foram efetuadas, ao longo do tempo, para algumas outras províncias, como o curso de minha narrativa tornará claro; contudo, fiz questão de, aqui, especificar a situação de todas essas províncias porque atualmente cada uma delas é governada separadamente, ao passo que, de início, e em alguns casos por longos períodos, algumas delas foram administradas em grupos de duas ou três.  [9] Quanto às demais províncias [que hoje estão sob governo romano], não as menciono agora porque algumas delas foram conquistadas posteriormente, e, quanto às restantes, mesmo que já estivessem sob controle romano, não eram diretamente governadas pelo poder romano, sendo quer autônomas, quer administradas por reis.  Todas aquelas que posteriormente vieram a ficar sob a soberania romana foram adicionadas às províncias governadas pelo Imperador.

(Cássio Dião, “História Romana”, livro LIII, cap. 12)

Os modernos historiadores, e com razão, preferem chamar as províncias “de César” de “províncias imperiais” (estando diretamente sob o controle do Imperador), e as províncias “do Povo” de “províncias senatoriais” (estando diretamente sob o controle do Senado, que agia “em nome do povo romano”).  Mas o Imperador (fazendo uso de seu poder proconsular) tinha também o controle efetivo, quando e como quisesse, mesmo sobre as províncias senatoriais.

            Para as províncias senatoriais, eram enviados dois ex-cônsules (caso da África e da Ásia) e (na época de Augusto) dez ex-pretores (para as demais), designados por sorteio; todos eles, contudo, quer ex-cônsules, quer ex-pretores, tinham o título de “procônsules”.  Havia, desse modo, um “procônsul da África” (que era, efetivamente, um ex-cônsul), assim como, p.ex., um “procônsul de Chipre” (que era, na prática, um ex-pretor).

            Não havia legiões estacionadas nas províncias senatoriais, com uma única exceção: a província da África, com uma extensa fronteira bordejando o Saara, tinha a III Augusta, além de tropas auxiliares[56] – já se viu como Lúcio Cornélio Lêntulo, procônsul da África, foi derrotado e morto, e como Cosso Cornélio Lêntulo, por suas vitórias, lá ganhou o nomen triumphalis de Getúlico.  Ambos, sendo ex-cônsules, estavam agindo como procônsules duma província senatorial (“do povo”), nomeados por sorteio[57].  Era, contudo, uma situação anômala; no ano 40 dC, ao mesmo tempo em que mandava matar Gneu Cornélio Lêntulo Getúlico por conspiração e executava o incompetente rei Ptolomeu da Mauritânia, incorporando seus territórios, Calígula retirou o comando da III Augusta das mãos do procônsul da África, confiando-o a um legado nomeado diretamente pelo Imperador e criando, na zona fronteiriça africana, um distrito militar (semelhante aos distritos militares da Germânia Superior e da Germânia Inferior, destacados das províncias gaulesas).  A partir de então, o Senado não controlou mais nenhuma força militar.

            Quanto às províncias imperiais (“de César”), havia três tipos delas, que podiam se enquadrar em cinco espécies distintas.  Os tipos eram: a) as províncias que tinham tropas legionárias estacionadas (além de tropas auxiliares); b) as que não tinham tropas legionárias estacionadas, mas apenas tropas auxiliares; c) o Egito, uma categoria sui generis por si só (o Egito possuía tanto legiões estacionadas quanto tropas auxiliares).

            Quanto às cinco espécies: as províncias do tipo “a” eram governadas por senadores, ex-cônsules (no caso de haver duas ou mais legiões estacionadas) ou ex-pretores (no caso de haver apenas uma legião estacionada), que recebiam indistintamente o título de legati Augusti pro praetore, “legados de Augusto com poderes propretorianos”.  No caso da província possuir apenas uma legião estacionada, o legado propretoriano acumulava as funções de governador e de comandante dessa legião.  As províncias de tipo “b” podiam ser de dois tipos: ou eram governadas por ex-pretores, que também recebiam o título de legati Augusti pro praetore (caso, p.ex., da Lusitânia, da Aquitânia, da Gália Lugdunense e da Bélgica, que não tinham tropas legionárias estacionadas), e eram chamadas “de primeira classe”; ou, se eram pequenas, ou consideradas, por qualquer razão, menos importantes (caso da Judéia, das províncias alpinas, das duas Mauritânias), eram governadas por membros da ordem eqüestre (a 2a ordem estamental da sociedade romana, por riqueza, abaixo dos senadores), tendo seus governadores o título de “prefeitos” (praefecti) ou de “procuradores” (procuratores), geralmente sob o controle indireto, para fins militares, duma província vizinha que dispusesse de legiões estacionadas; o Egito, enfim, a exceção das exceções, era governado por um membro da ordem eqüestre, que tinha o título de “prefeito do Egito” (praefectus Aegypti), mas que comandava as legiões estacionadas no país.  Assim:

·        As províncias imperiais com mais de uma legião estacionada eram governadas por ex-cônsules, que recebiam o título de “legados de Augusto com poderes propretorianos”; cada uma das legiões estacionadas era comandada por um “legado de legião” (legatus legionis), senador que tinha já atingido o cargo de pretor (i.e., um ex-pretor).

·        As províncias imperiais com apenas uma legião estacionada eram governadas por ex-pretores, que também recebiam o título de “legados de Augusto com poderes propretorianos” e que acumulavam a função com o comando direto, como legati legionum, da legião presente.

·        As províncias imperiais sem tropas legionárias estacionadas chamadas “de primeira classe”, eram governadas por ex-pretores que igualmente tinham o título de “legados de Augusto com poderes propretorianos”, os quais comandavam todas as tropas auxiliares eventualmente presentes.  Embora não dispusessem de legiões, tais províncias eram ainda consideradas suficientemente importantes para merecer um governador de nível senatorial.

·        As províncias imperiais sem tropas legionárias estacionadas chamadas “de segunda classe” eram governadas por membros da ordem eqüestre (não senadores), que tinham o título de “prefeitos” ou “procuradores”, e que comandavam as tropas auxiliares eventualmente presentes.

·        Enfim, o Egito, especificamente, apesar de possuir legiões estacionadas, não era governado por senadores (ex-cônsules ou ex-pretores), mas sim por um membro da ordem eqüestre, que tinha o título de “prefeito do Egito” (mais tarde, de “Prefeito Augustal do Egito”), o qual, mesmo sendo da ordem eqüestre, estava no comando das legiões estacionadas.  Para evitar conflitos e problemas de precedência, os comandantes das legiões estacionadas no Egito (i.e., os legati legionum) não eram senadores (ex-pretores), mas sim, igualmente, membros da ordem eqüestre (seria inadmissível que um senador, comandante duma legião, recebesse ordens dum governador eqüestre, seu inferior hierárquico na estrutura social)[58].

            Essa, enfim, de modo bastante resumido, a estrutura administrativa do Império Romano no período de Augusto (31 aC – 14 dC) e dos Júlio-Cláudios (14 a 68 dC), seus sucessores imediatos, englobando os governos de Tibério (14 – 37 dC), Gaio, chamado Calígula (37 – 41 dC), Cláudio (41 – 54 dC) e Nero (54 – 68 dC).  Note-se que houve algumas modificações de detalhe – principalmente, a criação de novas províncias imperiais, formadas usualmente a partir da absorção de antigos reinos-clientes: sob Augusto, a organização das províncias danubianas da Mésia (29 aC, mas reorganizada em 15 dC por Tibério), da Récia e do Nórico (15 aC) e da Panônia (10 dC), já citadas, e a absorção dos reinos da Galácia e da Panfília (25 aC, após a morte de seu rei Amintas) e da Judéia (6dC); sob Tibério, a absorção final do reino-cliente da Capadócia (17 dC, após o suicídio de seu rei Arquelau[59]) e da Comagena (anexada à província da Síria no mesmo ano, após a morte de seu rei Mitrídates III); sob Calígula, a extinção do reino da Mauritânia em 40 dC (organizado posteriormente por Cláudio no início de seu governo em duas províncias, a Mauritânia Cesariense e a Mauritânia Tingitana[60]); sob Cláudio, a absorção da confederação “independente” das cidades da Lícia (43 dC), a conquista da Britânia (a partir de 43 dC) e a absorção final do reino da Trácia (46 dC); ao longo de todo o período, a organização das províncias alpinas[61].

            Por fim, note-se também que estava ao alcance do Imperador tanto criar uma província quanto desfazer o processo, sempre que julgasse necessário.  Assim, a reclamação dos representantes judeus fez com que Augusto depusesse Arquelau e transformasse sua etnarquia na província da Judéia (6 dC); por ocasião de sua ascensão ao poder (41 dC), o Imperador Cláudio reverteu a situação, transformando novamente a Judéia num reino-cliente e dando-o ao seu amigo Herodes Agripa I, até à morte de Agripa (44 dC), quando, uma vez mais, a Judéia voltou ao governo romano direto.  Em 37 dC, Calígula havia restaurado o reino da Comagena, dando-o, juntamente com a Cilícia Traqueótide, a Antíoco IV, o filho de Mitrídates III – ele reinaria até 72 dC, quando, acusado de ligações suspeitas com os partos, inimigos de Roma, foi deposto, sendo seu reino absorvido pela província da Síria.  E, entre finais de 66 e inícios de 67 dC, Nero, por ocasião de seu giro teatral na Grécia, quando participou dos Jogos Olímpicos[62], restabeleceu a “liberdade” para a província da Acaia, extinguindo-a e tornando os gregos, novamente, “livres” e isentos de impostos[63].  A decisão seria revogada em 72 dC por Vespasiano – a província da Acaia foi restabelecida, e a “liberdade” e a isenção de impostos dos gregos, anuladas[64]. 

II.3.2) O “cursus honorum” dum senador:

            Nessa mesma época de reformas e de consolidação administrativa, emergiu, de forma consistente, uma “carreira das honras”, i.e., uma “sucessão de cargos públicos” (cursus honorum) tanto para os senadores quanto para os cavaleiros, os dois mais altos grupos da sociedade[65] – ou seja, uma sucessão mais ou menos padronizada de cargos a serem ocupados, em parte herdada dos tempos republicanos, em parte adaptados às novas situações.  Interessa aqui a carreira senatorial (cursus honorum senatorium), já que “Públio Lêntulo”, o senador contemporâneo de Cristo, a haveria necessariamente de seguir – quanto a isso, não havia exceções.

            O “esqueleto” de tal carreira era constituído pelos postos juniores do “vigintivirato” e pelas antigas magistraturas anuais republicanas, exercidas na cidade de Roma (em ordem crescente de importância, e cronológica de ofício: a questura, o tribunato da plebe, a edilidade, a pretura, e enfim o consulado); ao longo desse esqueleto, foram sendo adicionados outros novos cargos, de modo que, na época dos Júlio-Cláudios, a estrutura como um todo tinha o seguinte aspecto:

·        Entre os 18 e os 20 anos, o jovem filho de senador estreava num dos 20 postos juniores conhecidos como “vigintivirato”, todos exercidos na cidade de Roma; eram eles: os decênviros (comissão de 10 pessoas) para julgamento de assuntos relativos à cidadania (decemviri stlitibus iudicandis); os triúnviros (comissão de 3 pessoas) encarregados da cunhagem ou fundição de ouro, prata e cobre, também chamados de triúnviros monetários (triumviri auro argento aere flando feriundo, ou triumviri monetales), os triúnviros (comissão de 3 pessoas) responsáveis pelo julgamento de ações que podiam resultar, para os cidadãos, em pena de morte (triumviri capitales) e, enfim, os quatuórviros (comissão de 4 pessoas) encarregados da manutenção da limpeza das ruas de Roma (quattuorviri viis in Urbe purgandis, ou quattuorviri viarum curandarum).

·        Usualmente depois disso (algumas vezes antes), o jovem procurava ser associado a algum cargo religioso; nisso, contava a influência dos pais, da família, dos contactos sociais, a fim de se arranjar ao postulante um lugar o mais prestigioso possível num dos exclusivos colégios sacerdotais de Roma: o dos qüindecênviros para assuntos sagrados, o da Irmandade Arval, os dos sálios (colinos ou palatinos), o dos áugures, o flaminato de Júpiter, o flaminato de Marte, especialmente o colégio dos pontífices (cujo chefe, Pontifex Maximus, era sempre o Imperador, que atuava assim como o líder da religião estatal romana).

·        Seguia-se a estréia na carreira militar, fora de Roma.  Os cidadãos comuns iniciavam sua carreira militar como simples soldados; os membros da ordem eqüestre, como oficiais de 2a linha, almejando chegarem a centuriões e, daí, alavancarem suas carreiras[66].  Os jovens filhos de senadores começavam seu serviço militar como tribunos militares.  Cada legião possuía seis tribunos militares, oficiais seniores, que auxiliavam o legado no seu comando.  Desses seis postos, cinco eram reservados à ordem eqüestre (tribunos ditos “angusiclavos”[67]), e um era exclusivo para filhos de senadores (tribuno dito “laticlavo”[68]).  O tempo de serviço variava bastante; esperava-se que o jovem servisse no mínimo um ano, na média dois ou três.  Mas havia os que se identificavam com a carreira militar, e serviam bem mais – mas, se servissem por muito mais tempo do que a média, poderiam atrasar seu “cursus”.

·        Logo depois, o rapaz podia exercer a questura (idade mínima, 25 anos, completados em serviço); originariamente, os questores administravam as finanças do Estado (os triumviri monetales cuidavam exclusivamente da cunhagem das moedas); mas passaram também a atuar como auxiliares financeiros junto aos procônsules, nas províncias senatoriais.  Assim, havia 20 questores no total, sendo 8 em Roma e 12 nas diversas províncias senatoriais.  Ao exercer a questura, o jovem filho de senador ganhava enfim um assento no Senado, tornando-se um senador de pleno direito.

·        Seguia-se o tribunato da plebe, ou a edilidade (idade mínima, 28 anos, completados em serviço), em Roma.  Os tribunos da plebe (em número de 10) ainda eram tecnicamente os magistrados encarregados de defender os plebeus; os edis (em número de 6, sendo 3 “edis plebeus” e 3 “edis curuis” – a diferença era irrelevante, e ligava-se a tecnicalidades e precedência) haviam perdido muitas de suas funções originais, mas ainda eram os responsáveis pela manutenção da ordem pública nas ruas de Roma, bem como pelo recolhimento de certas multas.  Essa etapa não se aplicava aos patrícios – patrícios não podiam ser nem tribunos da plebe, nem edis.  Plebeus obrigatoriamente tinham que passar por essa fase.

·        Vinha a seguir a pretura (idade mínima, 30 anos, completados em serviço).  Esse era o ponto crítico, o “filtro”, o “funil” da carreira senatorial.  Havia 12 pretores, sendo dois em Roma: o pretor urbano (praetor urbanus) e o pretor peregrino (praetor peregrinus); as atribuições do cargo eram de ordem judiciária – em Roma, o pretor urbano julgava casos envolvendo cidadãos romanos, e o pretor peregrino, casos envolvendo não cidadãos.  Nas províncias, pretores atuavam sempre em missões judiciais, usualmente nas províncias imperiais.  Ao exercer a pretura, o senador entrava para o seleto grupo dos “pretorianos” (praetorii).

·        Após a pretura, uma série de cargos (denominadas “funções pretorianas”) se abriam ao senador.  Podia tornar-se curador do suprimento do trigo[69] (curatores frumenti dandi: 2 cargos, depois 4, exercidos em Roma); ou prefeito do tesouro de Saturno (praefecti aerarii Saturni: 3 cargos, exercidos em Roma, para cuidar do tesouro do Senado[70]); ou prefeito do tesouro militar[71] (praefecti aerarii militaris: 3 cargos, exercidos em Roma, para cuidar do caixa responsável pelo pagamento dos soldos e das reformas militares – ofício de responsabilidade, cujos detentores eram cuidadosamente escolhidos pelo Imperador); ou curador das estradas[72] (curatores viarum: 9 postos, na Itália, encarregados da manutenção das estradas); ou encarregado especial do Imperador em missões junto a cidades, ou para tratar de assuntos específicos de índole jurídica (curatores civitatum e legati iuridici: número variável, em Roma, na Itália e nas províncias senatoriais[73]); ou comandante duma legião (legatus legionis); ou procônsul duma província senatorial, exceto a Ásia e a África, reservadas aos ex-cônsules; ou legado propretoriano (legatus Augusti pro praetore) duma província imperial, quer uma na qual não houvesse uma legião estacionada, quer uma na qual houvesse apenas uma legião estacionada (nesse caso, seu cargo de governador confundia-se com o de comandante dessa legião).

·        Seguia-se (ou podia vir a se seguir), enfim, o consulado (idade mínima, 42 anos, completados em serviço, se se tratasse dum plebeu; ou 32 a 35 anos, completados em serviço, se se tratasse dum patrício, ou se houvesse uma especial dispensa por parte do Imperador).  O ofício, agora eminentemente ornamental, ainda representava a suprema magistratura do Império.  Era exercido em Roma, onde, anualmente, havia dois cônsules “ordinários” (que tomavam posse no dia 1o de janeiro, e davam o nome ao ano), substituídos, ao longo do período, por um número variável de “sufetas”.  Ao exercer o consulado (quer ordinário, quer sufeta), o senador entrava para o seletísismo grupo dos “consulares” (consulares), a “nata” do Senado.

·        Após o consulado, o senador podia então exercer os cargos “de alto escalão”, mais cobiçados.  Podia ser curador das margens do Tibre[74] (curatores alvei et riparum Tiberis: cinco cargos, em Roma, encarregados da manutenção dos esgotos e da navegabilidade e estabilidade das margens do Tibre; era ofício largamente ornamental, mas prestigioso); ou curador das águas[75] (curator aquarum: um cargo, em Roma, encarregado do abastecimento d’água e da manutenção dos aquedutos da capital); ou curador dos edifícios públicos[76] (curatores aedium sacrarum et operum locorumque publicorum: dois cargos, em Roma, encarregados da manutenção dos templos, monumentos e edifícios públicos); ou procônsul da Ásia ou da África; ou, enfim, e principalmente, legado propretoriano de províncias imperiais nas quais houvesse duas ou mais legiões estacionadas (legati Augusti pro praetore) – como a Síria, ou as duas Germânias.

·        Como um coroamento da carreira, aberto apenas a uns poucos, podia exercer um segundo consulado, ou um terceiro, em casos excepcionalíssimos[77]; e poderia terminar como prefeito urbano de Roma[78] (praefectus Urbis), pináculo da carreira senatorial – como o velho Cosso Cornélio Lêntulo, amigo íntimo do Imperador Tibério. 

II.3.3) Documentos, Arquivos e Correspondências Oficiais no Mundo Romano:

            Seria o Império Romano, mais especialmente na época de Augusto e dos Júlio-Cláudios, uma “burocracia”, no sentido moderno da palavra? Eram todos os atos administrativos anotados por escrito, e arquivados ordenadamente, de modo a poderem ser consultados? Havia troca efetiva e contínua de correspondência entre o governo central, em Roma, e os governadores das províncias (das províncias imperiais para o Imperador, e das províncias senatoriais para o Senado)?

            Podem ser respondidas as perguntas do parágrafo anterior, de modo genérico, com a seguinte assertiva: a formalização, a fixação por escrito e a guarda de documentos era importante[79], mas: a) essa guarda se fazia de modo relativamente descentralizado, e b) tão importante quanto isso eram as teias de relacionamento pessoal, de patronato e clientela, e de comunicação oral.

            As municipalidades e as famílias mais proeminentes sempre mantiveram arquivos, isto é, coleções de documentos de seu interesse – e Roma era originariamente uma cidade-Estado.  Foi no exemplo romano republicano do arquivo público – o tabularium – que se desenharam tanto os arquivos municipais ao longo de todo o Império quanto, posteriormente, os arquivos dos governadores das províncias e, mesmo, o arquivo do Imperador (separado do arquivo público).

            Quando o direito de cidadania foi sendo estendido em bloco a várias comunidades urbanas, principalmente no Ocidente, suas cartas municipais foram decalcadas na antiga administração municipal da Roma republicana – e incluíam instruções acerca dos arquivos públicos.  É a partir de alguns desses documentos que sobreviveram, bem como de citações esparsas e casuais em diversas fontes literárias, que se pode ter uma idéia de como eram tais arquivos, e o que continham.  O mais notável desses documentos é a chamada lex Irnitana, a lei de constituição do município de Irni, na província da Bética (atual Andaluzia, sul da Espanha), datada de 91 dC[80].

            Desses testemunhos sabe-se que cada municipalidade possuía um arquivo oficial, num prédio próprio (usualmente no fórum: perto da basílica, onde eram tratados os assuntos judiciais; da sala do conselho municipal; e dos principais templos do culto cívico), sendo tanto o arquivo em si quanto o prédio denominados tabularium.  Em Roma, o primitivo tabularium funcionou (junto com a casa da moeda) no templo de Saturno, nos contrafortes da colina capitolina, até que, após o violento incêndio de 83 aC, Sila, o Ditador, construiu um esplêndido edifício em separado, no local, para os arquivos do Estado, edifício esse que ficou conhecido desde então como o “Tabulário de Sila” (as obras somente terminaram em 69 aC).

            Mas o que se guardava nesses arquivos? Como o próprio nome diz, guardavam-se tabulae, literalmente “tábuas”.  A palavra latina tabula podia ser utilizada para qualquer superfície plana e rígida na qual se escrevia um texto: fossem placas de bronze[81], ou uma lousa branca e lisa[82], mesmo uma simples tabuinha encerada[83] – ou seja, incluía tanto meios de preservação permanente quanto temporária.  Originariamente ao menos, não estavam incluídos documentos em papiro, muito menos no bem mais caro e escasso pergaminho.

            Dos documentos originariamente presentes num tabularium, apenas as tábuas de bronze se adequavam a uma preservação permanente – e, além de tábuas (placas finas) de bronze, os textos muito importantes podiam ser inscritos em paredes voltadas à rua ou em monumentos públicos, tanto com a finalidade de preservá-los quanto com a de torná-los os mais conhecidos possíveis[84].  As lousas brancas (album, plural alba) eram inscritas com tinta (atramentum), e laváveis, destinando-se a textos que seriam depois apagados e substituídos por outros.  Esse também era o caso das tábuas enceradas (tabulae ceratae), geralmente de madeira, nas quais se aplicava uma fina camada de cera, sobre a qual se escrevia com estilete.  Raspando-se a camada de cera, e substituindo-a por uma nova camada, tinha-se a tabuinha pronta para novo uso.  A fim de proteger a mensagem, essas tabulae ceratae eram confeccionadas em duas folhas (“dípticos”), com as faces enceradas se fechando internamente, podendo o conjunto ser amarrado ou selado.

            Papiro e pergaminho eram utilizados normalmente para a confecção de livros, mas, embora isso não seja dito explicitamente pelas fontes, é razoável supor que comunicações em papiro[85] acabassem por ser arquivadas.  Mas constituíam-se em espécimes intermediárias: a) se o que os documentos originais continham era de suma importância, seria eventualmente providenciado um texto em bronze, para o tabulário, ou a confecção duma inscrição em pedra, ou ambos; b) se o conteúdo não fosse em absoluto importante para ser guardado, o material era rapidamente destruído, ou, se possível, reutilizado (apagado e reescrito, ou então reescrito no verso); c) se se requeria uma resposta a um assunto corriqueiro, ela era dada usualmente no próprio documento original – quer na frente, se houvesse espaço, quer no verso; d) enfim, se o conteúdo, ou o assunto tratado, ou a resposta demandada, se revestissem duma certa importância, mais do que corriqueira, mas não vital, podia-se guardar o documento original nos arquivos, ao menos durante algum tempo.

            Nesse último caso, as folhas ou tiras de papiro (muito raramente, os rolos) podiam resistir por décadas, talvez por uns poucos séculos.  Mas, de tempos em tempos, o acúmulo de material teria forçado uma limpeza daquilo que não tivesse apodrecido com a umidade, ou tivesse sido roído por insetos, ou tivesse sido presa de incêndios (tão comuns no mundo antigo[86]).  Ou seja, no que concerne aos arquivos públicos, apenas o que fosse efetivamente gravado em bronze (ou em pedra) tinha alguma chance de sobreviver por bastante tempo.

            Seguindo os textos das leis municipais existentes, sabe-se com razoável precisão quais os documentos, provisórios ou permanentes, que compunham um arquivo municipal típico:

·        Inicialmente, e antes de tudo, a própria carta municipal, em tábuas de bronze – foi desse modo que porções consideráveis da Lex Irnitana, da Lex Salpensana e da Lex Malacitana, p.ex., sobreviveram;

·        Acta (literalmente: “atos”, “decisões”) e Commentarii (literalmente: “relatórios”): transcrições das sessões, quer do conselho municipal (curia), formado pelos senadores municipais (decuriones, decuriões), quer das assembléias populares (comitia), incluindo eleições, bem como observações acerca desses atos.  As notas originais eram tomadas, sem dúvida, na ocasião, via tabuinhas enceradas; se houvesse algo de notável, poderia ser transcrito em papiro, e guardado por algum tempo. Casos verdadeiramente excepcionais podiam ser transcritos para o bronze e/ou para a pedra[87]. Podiam ser feitas transcrições das sessões em lousas brancas, que eram então expostas publicamente, durante algum tempo, para a informação de todos[88].  Terceiros interessados podiam tomar suas próprias notas, ou mesmo requisitar, posteriormente, cópias (se o texto estivesse disponível);

·        Decreta Decurionum (literalmente: “decretos dos decuriões”): os decretos oficiais da assembléia (incluindo aspectos legislativos, judiciais ou honoríficos, recordando privilégios dados ou recebidos, etc.), depois de terem, a partir das acta e commentarii, sua redação final acertada, eram então lidos formalmente (recitatio) diante da assembléia, confeccionando-se então as tábuas de bronze a partir desse texto oficialmente aprovado e dado como definitivo.  As tábuas eram depositadas no tabularium, e há indícios de que lá eram arquivadas ordenadamente, organizadas cronologicamente, por ano e por meses.  Do mesmo modo, terceiros interessados podiam requisitar cópias, que eram transcritas em papiro por copistas profissionais, a partir da consulta aos arquivos do tabularium;

·        Documentação Financeira e de Impostos: o tesouro municipal estava depositado num edifício à parte – a esse edifício, bem como ao tesouro que continha, chamava-se aerarium (em Roma, o erário público estava estabelecido no templo de Saturno, daí a expressão aerarium Saturni)[89].  Há indícios, contudo, de que, ao menos nalguns casos, a documentação referente ao estado das finanças municipais (total do numerário em caixa) encontrava-se arquivada no tabularium.  Não em placas de bronze, contudo, mas usualmente em lousas brancas escritas com tinta, ou em rolos de papiros; qualquer que fosse o modo, tais documentos eram constantemente atualizados com os ingressos (entradas) e com os os gastos (saídas).  É possível que existisse também um cadastro de devedores de impostos, com os nomes e quantias devidas, em atraso ou não, também permanentemente atualizado;

·        Cadastro Municipal: envolvendo tanto aspectos públicos quanto privados: a) informações referentes aos limites do território sob jurisdição da cidade, bem como das subdivisões porventura existentes (distritos eleitorais ou fiscais, p.ex.); ao menos algumas dessas informações poderiam estar gravadas em tábuas de bronze, em inscrições públicas ou em marcos delimitadores de fronteiras; b) relação das propriedades públicas, com sua localização, tamanho, uso, rendimentos e, se fosse o caso, cópias de contratos de arrendamento ou aluguel; é razoável supor que tal relação fosse mantida em papiro, mas, de qualquer modo, era atualizada constantemente; c) nalguns casos, relação de propriedades privadas também, obtidas a partir do censo qüinqüenal (podiam também ser mantidas em papiro, e atualizadas constantemente); d) registro de multas – quase certamente, era mantido em lousas, muito raramente em papiros, mas, mesmo assim, estava em constante atualização; e) registro de decisões judiciais referentes a litígios entre cidadãos, condenações, etc., mantidos em papiros, mas atualizados de tempos em tempos (pode-se supor que, com alguma sorte, se pudesse obter registros de até 100 ou 200 anos do passado); f) nalguns casos, também o registro público de testamentos, provavelmente mantido em papiros, mas igualmente atualizado de tempos em tempos; g) registro de embaixadas recebidas ou enviadas[90] (se os assuntos tratados, e os resultados obtidos, eram realmente importantes, redundariam em decretos dos decuriões, e seriam arquivados como tábuas de bronze; caso contrário, seriam mantidos por algum tempo relatórios em papiro);

·        Censo Municipal: a cada cinco anos procedia-se a um censo de todos os habitantes do município, anotando-se seus nomes, os de seus familiares e dependentes, que ofício exerciam, se eram ou não cidadãos do município e/ou cidadãos romanos[91], e suas respectivas fortunas, ou mais especialmente seus rendimentos médios anuais, avaliados em moeda sonante (nalguns casos também a relação detalhada de suas propriedades).  Tal censo servia tanto para o lançamento dos impostos quanto para determinar o número de cidadãos, e quem poderia servir nos cargos públicos.  Os dados também serviam para comprovar a identidade e os bens daqueles que estavam obrigados à prestação de serviços públicos, bem como para evidenciar os que eram obrigados a pagar os impostos, quer municipais, quer imperiais, incidentes sobre as pessoas e/ou sobre as propriedades e ofícios.  Dados consolidados eram enviados à capital da província, e daí uma nova consolidação era enviada a Roma[92].  Pode-se supor que, a nível municipal, os dados do censo fossem conservados cuidadosamente em papiro, ao menos até ao censo seguinte;

·        Fastos Municipais: incluíam a) a relação dos decuriões do ano; b) a relação dos magistrados do ano; c) a relação do pessoal auxiliar da administração (apparitores) a serviço dos magistrados; d) o calendário municipal, mostrando os dias festivos, os feriados e os dias impróprios para atividades oficiais (ou seja, os dias nos quais as assembléias populares e o senado local não se poderiam reunir, qualquer que fosse o motivo); era renovado a cada ano, constituindo-se sua confecção na primeira tarefa a cargo dos magistrados daquele ano.  Os itens “a” a “c” eram mantidos em lousas brancas, renovadas a cada ano.  Quanto ao item “d”, a forma específica, válida para o ano corrente, era mantida em lousas brancas, mas era usual que uma forma mais geral, fixa, que não variava, ou variava pouco, ao longo dos anos, fosse gravada numa parede, no fórum municipal, a fim de que todos pudessem ter acesso às informações.  Esses calendários gravados podiam ser relativamente simples, ou altamente complexos.  Incluíam os nomes dos meses e, para cada mês, o número de dias do mês, em que dia caíam as nonas e os idos, o elenco dos dias, um a um, indicando, para cada dia, se este era um feriado (e, no caso, qual feriado); podiam agregar informações agrícolas e astronômicas (ou astrológicas) de índole geral (para cada mês, duração média do dia e da noite; mensagens do tipo “equinócio da primavera”; “sol em Capricórnio”; “plantio do trigo”; “vindima”; etc.), e também uma lista, para muitos anos, tanto dos magistrados epônimos locais (os duúnviros) quanto dos cônsules romanos (que serviria como auxiliar para a datação dos documentos).

O elenco acima pode ser adaptado, com relativa facilidade, para o arquivo oficial de Roma, presente no Tabulário de Sila – as informações seriam basicamente as mesmas, apenas referentes ao Império como um todo, e mais detalhadas no que dizia respeito à cidade de Roma, à Itália e às províncias senatoriais.  Tal processo é também válido para o arquivo do Imperador (tabularium principis), situado numa dependência da residência imperial da colina palatina, bem como para os arquivos provinciais (presentes nas capitais das províncias).

Assim, p.ex., no Tabulário de Sila constavam, em placas de bronze, os decretos do Senado (senatus consulta); os dados consolidados dos censos; as relações de províncias, tanto imperiais quanto senatoriais, com seus limites, distritos e cidades constituintes; os fastos municipais de Roma (i.e., o elenco, ano a ano, e levado desde a fundação da cidade, dos vigintiviri e de todos os magistrados tradicionais – questores, edis, tribunos da plebe, pretores e cônsules); os tratados celebrados com países estrangeiros, ou reis; algumas relações de embaixadas importantes enviadas por cidades; provavelmente também os fastos sacerdotais (relação, ao longo do tempo, dos ocupantes de cargos nos colégios sacerdotais da cidade).  Em papiro, poderiam estar os acta e commentarii mais importantes das sessões do Senado (sendo possível talvez recuar uns 100 ou 200 anos), informações mais detalhadas dos últimos censos, os fastos das províncias (relação de governadores, fossem procônsules, legados propretorianos ou procuradores), correspondência com os procônsules nas províncias senatoriais, decisões judiciais várias e documentos de índole cadastral semelhantes aos já verificados para os arquivos municipais.  Uma série de dados ou informações de interesse apenas momentâneo também seriam guardados e/ou exibidos publicamente em lousas brancas, como nos casos vistos para os arquivos municipais.

Nos arquivos provinciais, não se sabe se eram utilizadas tábuas de bronze.  É possível que sim – e que incluíssem cópias dos decretos do Senado de interesse para a província, uma relação detalhada dos distritos e comunidades urbanas constituintes da mesma, bem como os fastos da província (relação dos governadores e pessoal auxiliar, ao longo dos anos).  Em papiro (podendo-se talvez recuar uns 100 ou 200 anos), haveria dados censitários mais detalhados (incluindo-se impostos), decisões judiciais e correspondência com o Senado, ou com o Imperador, se fosse o caso.  Do mesmo modo, uma série de informações relevantes apenas para o momento seriam disponibilizadas em lousas brancas, apagáveis e renováveis.

Enfim, no arquivo do Imperador provavelmente não se faria uso de tábuas de bronze – seria um arquivo constituído quase que integralmente de rolos ou folhas de papiro, ficando as tábuas de bronze no Tabulário de Sila.  Os documentos constantes incluiriam relatórios detalhados em termos do censo das províncias, dos impostos, da situação das propriedades do Imperador em cada província (fosse senatorial ou imperial), das informações acerca dos exércitos estacionados nas diversas províncias (efetivo, localização, oficiais responsáveis, aerarium militare, etc.)[93], decisões judiciais referentes a casos apresentados diante do Imperador (por cidadãos romanos, em virtude de seu poder tribunício, e por provincianos, em virtude de seu poder proconsular) e eventual correspondência com os governadores das províncias imperiais (legados propretorianos ou procuradores).

Qual o grau de detalhe das correspondências trocadas entre o governo central e os governadores provincianos? Será que tudo seria reportado ao Imperador, ou ao Senado?

Sem dúvida, sabe-se que os legados propretorianos podiam receber instruções por escrito do Imperador, acerca do modo como deveriam proceder.  Mas é possível que isso ocorresse apenas em casos especiais.  Cita-se sempre o caso de Plínio, o Moço, que as recebeu do Imperador Trajano quando partiu para a Bitínia, c. 109 dC[94]; mas o caso de Plínio era, efetivamente, excepcional – a Bitínia era uma província senatorial que o Imperador havia tomado para si, por causa da progressiva deterioração de sua situação financeira, para lá enviando Plínio a fim de “pôr ordem na casa” – era natural que recebesse instruções específicas, nesse caso[95].

Decisões judiciais do Senado, bem como, cada vez mais, pronunciamentos do Imperador acerca de assuntos jurídicos, criavam precedentes que eram, a pouco e pouco, incorporados nas leis.  Assim, além da prática jurídica, os arquivos imperiais tornaram-se a fonte dos grandes jurisconsultos que, a partir de Sálvio Juliano, sob o império de Adriano (117-138 dC), impulsionaram o estudo científico e a codificação do Direito Romano.  Eles puderam se basear tanto em originais ainda presentes nos arquivos imperiais quanto em cópias guardadas por terceiros interessados, ou pelos arquivos provinciais.  Mas isso é posterior à época dos Júlio-Cláudios.

Assim, os arquivos públicos estavam em constante mutação – os documentos em lousas brancas rapidamente desapareciam, e os guardados em papiros também acabavam perecendo, por acidente ou intencionalmente, após algumas poucas gerações.  A essência desses arquivos, principalmente no que diz respeito aos aspectos jurídicos, foi aproveitada, sumarizada e generalizada pelos jurisconsultos romanos, e guardada, nas suas fórmulas gerais, nas grandes obras desses jurisconsultos, depositadas não mais nos arquivos públicos, mas sim nas bibliotecas, tanto públicas quanto privadas.

Tudo que tivesse sido gravado em bronze ou em pedra, obviamente, poderia sobreviver por muitos séculos – de fato, muita coisa, principalmente em pedra, chegou até aos nossos dias.  Mas não se gravavam em bronze ou na pedra as correspondências triviais do dia-a-dia da administração, trocadas entre o governo central e os governadores provincianos.

De fato, mesmo em seus dias, essa correspondência era limitada.  Os Imperadores não queriam, em absoluto, ser afogados num fluxo constante de cartas informando situações triviais do dia-a-dia; queriam ordem, paz nas províncias e os impostos sendo recolhidos em dia – se isso ocorria, o resto era secundário, e o modo como os seus subordinados conseguiam isso, irrelevante[96].  De fato, o princípio geral era o seguinte: uma vez que o assunto possa ser resolvido localmente, a bom termo, não se deve levá-lo à consideração das instâncias superiores.  Esperava-se que, em caso de arbitrariedades, havendo a necessidade de apelação, os interessados a providenciariam[97].

Os arquivos públicos eram um espelho disso, constando muito mais de documentos referentes a “status” social e a impostos do que de correspondências entre os governadores e seus superiores acerca de seus atos do dia-a-dia – como, p.ex., executar supostos criminosos.  O dia-a-dia da administração passava bem ao largo da confecção e do envio de tal tipo de correspondência.  Assim, nem o grande incêndio do Tabulário de Sila, em 69 dC, conseqüência do fogo que consumiu o vizinho templo de Júpiter Ótimo Máximo, Juno e Minerva na colina capitolina, por ocasião das guerras civis que se seguiram à morte de Nero, com a perda de 3.000 tábuas de bronze[98], e nem o incêndio do arquivo imperial do Palatino, que ardeu totalmente no ano 192 dC[99], significaram qualquer interrupção ou empecilho verificável no andamento da máquina administrativa[100].

 

II.3.4) A Judéia como “província de César” (“imperial”), e seus governadores:

            As vicissitudes administrativas da região da Palestina desde a morte de Herodes o Grande (4 aC) até ao início da revolta contra Roma (66 dC) já foram comentadas, ao menos por alto, ao longo do presente trabalho.  Resta agora apenas enfatizar alguns pontos, à luz do que já se expôs acerca da estrutura administrativa do Império Romano sob Augusto e os Júlio-Cláudios.  Servirá para isso um texto paradigmático de Tácito, que sumariza a história do relacionamento entre judeus e romanos, desde a tomada de Jerusalém por Pompeu o Grande (63 aC) até imediatamente antes do início da revolta de 66 dC.

“Gneu Pompeu foi o primeiro dos romanos a subjugar os judeus; pelo direito de conquista, ele penetrou em seu Templo, mostrando a todo o mundo que seu sacrário estava vazio, com nenhuma imagem divina albergada, e que, ao fim das contas, nada havia a ser revelado.  As muralhas de Jerusalém foram destruídas, mas o Templo foi deixado incólume.  Após essas regiões terem caído, no curso de nossas guerras civis, nas mãos de Marco Antônio, Pácoro, rei dos partas, conquistou a Judéia; mas ele foi derrotado e morto por Públio Ventídio, e os partas retrocederam novamente para além do Eufrates.  Gaio Sósio então reduziu mais uma vez os judeus à nossa sujeição.  O poder real, que havia sido outorgado por Antônio à pessoa de Herodes, foi aumentado e consolidado pelo vitorioso Augusto.  Por ocasião da morte de Herodes, um certo Simão, sem esperar pela aprovação do Imperador, usurpou o título real, sendo então punido por Quintílio Varo, governador da Síria, e a nação dos judeus, com suas liberdades restringidas, foi dividida em três tetrarquias, postas cada uma sob o comando dos filhos de Herodes.  Sob Tibério, tudo permaneceu calmo.  Mas quando os judeus foram instados por Gaio [Calígula] a erguerem sua estátua no Templo, eles preferiram, ao invés, a guerra.  A morte do Imperador, contudo, pôs fim ao distúrbio.  Estando os antigos reis ou mortos ou reduzidos à insignificância, Cláudio confiou a província da Judéia a cavaleiros romanos, ou a seus próprios libertos, um dos quais, Antônio Félix, mergulhando em todo o tipo de comportamento violento e vicioso, exerceu seu mandato com os poderes de um rei e com a alma de um escravo.  Ele casou-se com Drusila, neta de Antônio e Cleópatra, e portanto era, com o próprio Imperador, aparentado de Antônio[101].

(Tácito, “Histórias”, livro V, cap.9)

Nem toda a “Palestina”, ou seja, o conjunto de territórios que originariamente faziam parte do reino de Herodes o Grande, foi transformada, no ano 6 dC, em província romana.  A província romana da Judéia (Iudaea) compreendia apenas os territórios antes governados por Arquelau (ou seja, a Judéia propriamente dita, a Iduméia e a Samaria, com uma renda anual estimada de impostos em 400 talentos de prata).  A Galiléia e a Peréia (esta última a região “do outro lado”, isto é, a oriente, do rio Jordão), com rendimento de 200 talentos, continuou sendo governada pelo tetrarca Herodes Agripa, e Herodes Filipe continuou de posse de seus territórios excêntricos (a Batanéia, a Gaulanítide, a Aulanítide e o distrito de Pânias, com rendimento estimado de 100 talentos).

Herodes Filipe governou calmamente seus territórios até à sua morte, ocorrida no ano 34 dC; não tendo herdeiros, seus domínios foram anexados pelo Imperador Tibério à província da Síria[102].  Contudo, com a morte de Tibério e a ascensão ao trono imperial de Calígula, este nomeou seu amigo Herodes Agripa I para a antiga tetrarquia de Filipe (37 dC), e mais, não com o título de tetrarca, mas sim com o de rei (basileus)[103].

Herodes Antipas governou a Galiléia e a Peréia até ao ano 39 dC, quando foi deposto por Calígula, e exilado; seus territórios foram dados a Herodes Agripa I[104].

Enfim, por ocasião do assassinato de Calígula, em 41 dC, Agripa, que então se encontrava em Roma, serviu de intermediário entre Cláudio e o Senado na confusão que se seguiu, e foi recompensado com a Judéia, a Iduméia e a Samaria, bem como com a antiga tetrarquia do itureu Lisânias – desse modo, foi reconstituído em “grande estilo” o antigo reino de Herodes o Grande (mesmo um pouco maior, já que incluía a Abilena de Lisânias, que nunca antes havia estado sob o governo judaico).  Mais uma vez, toda a nação judaica estava “independente” e unida, sob um rei judeu próprio e com um território considerável (que incluía, mesmo, vários distritos habitados majoritariamente por não-judeus)[105].  E, além disso, o irmão de Agripa, também chamado Herodes, recebeu de Cláudio o território sírio de Cálcis, com o título de rei[106].

Esse reino multifacetado não duraria muito – Agripa I morreu em 44 dC, e seu filho, também chamado Agripa, era jovem (17 anos) e inexperiente em termos políticos.  Desse modo, Cláudio resolveu restaurar a província da Judéia, desta vez englobando todo o antigo reino – isto é, não apenas a Judéia, a Iduméia e a Samaria, mas também a Galiléia, a Peréia e os demais territórios excêntricos[107].  Não obstante, para aliviar um pouco a situação, o irmão sobrevivente de Agripa, Herodes de Cálcis, recebeu do Imperador a prerrogativa de custodiar as vestes dos sumo-sacerdotes, de administrar o tesouro do Templo de Jerusalém e de nomear os sumo-sacerdotes[108].  Com a morte de Herodes de Cálcis, seu tio (48 dC), o jovem Agripa, conhecido como Herodes Agripa II, recebeu o seu reino (49 dC)[109], bem como seus direitos concernentes às vestes sacerdotais, ao tesouro sagrado do Templo e à nomeação dos sumo-sacerdotes.

Em 53 dC, Cláudio considerou possível uma promoção de Agripa II – retirou-lhe o pequeno reino de Cálcis, dando-lhe, em compensação, a Batanéia, a Gaulanítide, a Traconítide, a Abilena e o distrito de Pânias[110].  Enfim, logo depois, no início do império de Nero (54 dC), o novo Imperador acrescentou aos domínios de Agripa II as cidades de Tiberíades e de Tariquéia, na Galiléia, bem como o distrito de Julíades, na Peréia, confirmando-o também na Abilena[111].  Permaneceram assim, sob governo romano, a Judéia, a Iduméia, a Samaria, grande parte da Galiléia e grande parte da Peréia.  Essa foi a situação até à eclosão da revolta contra Roma, em 66 dC.  Note-se que, na guerra que se seguiu, Agripa II lutou ao lado dos romanos; conservou seu reino até à sua morte, ocorrida no final do séc. I dC, quando então seus domínios foram repartidos entre a província da Judéia e a província da Síria.

Isso quanto aos descendentes de Herodes, e às áreas que governaram.  Quanto aos territórios que, ao longo do período, estiveram sob domínio romano, ou seja, a província que o governo de Roma chamava “Judéia”, Iudaea (apesar de albergar não apenas judeus, mas também samaritanos, pagãos, etc.), era uma província imperial sem tropas legionárias estacionadas e governada por um representante imperial (inicialmente com o título de praefectus, depois de procurator) de nível eqüestre, residente não em Jerusalém, mas na cidade da Cesaréia Marítima[112].  Sob esse aspecto, Jerusalém, embora o coração da província, e, sem dúvida, sua cidade mais importante, devido ao seu caráter de centro de peregrinação para os judeus da Judéia, os idumeus, os judeus da Galiléia e também os de todas as regiões do Império Romano (e mesmo de fora dele – da Mesopotâmia dos partas, p.ex.), além da multidão cada vez maior de prosélitos e “tementes a Deus” do mundo mediterrânico, não era a capital da província.

Não havia, assim, “legionários” romanos presentes na Judéia – quanto a isso, tudo o que se lê em romances históricos, ou se vê em filmes épicos[113], é incorreto.  No caso específico da Judéia, havia várias unidades de infantaria, de fato cinco, commo se verá (cohortes) e uma única unidade de cavalaria (ala), cada uma com aproximadamente 500 homens.  É altamente provável que o núcleo dessas tropas se constituísse simplesmente das forças originais de Arquelau, postas sob o comando do procurador após a organização da província em 6 dC.  Por sua vez, o exército de Arquelau se constituía no núcleo do exército de seu pai Herodes o Grande, que ele herdara com a sua etnarquia em 4 aC.  Sabe-se, com efeito, que o núcleo das tropas herodianas englobava um total de 3.000 homens, recrutados entre os samaritanos e organizados à moda romana, em batalhões de cerca de 500 homens, sendo comandados por oficiais que provavelmente eram romanos, a julgar por seus nomes (Grato e Rufo)[114].

Assim, é razoável supor que esse núcleo, esses 3.000 samaritanos (em números redondos), eram divididos em seis unidades de 500 homens, sendo cinco se infantaria e uma de cavalaria.  Com a constituição da província, essas unidades (se é que já não o eram antes) foram renomeadas ao modo romano: Cohors I, II, III, IV e V Sebastena (ou Sebastenorum) e Ala I Sebastena (ou Sebastenorum).  Que havia cinco unidades de infantaria chamadas “sebastenas” é confirmado quer por Flávio José[115], quer por testemunhos epigráfico[116].

Além das unidades de infantaria (cohortes), havia seguramente uma de cavalaria (ala), chamada justamente “Sebastena” e estacionada na capital, Cesaréia Marítima[117].  Portanto, confirma-se que o “núcleo” do exército herodiano, constituído por cinco unidades de infantaria e uma de cavalaria, recrutadas entre os samaritanos, permaneceu como guarnição da província.

A maior parte das forças armadas (se não todas) encontrava-se estacionada na Cesaréia Marítima, à disposição do procurador – além da unidade de cavalaria, citada no parágrafo anterior, também pelo menos quatro unidades de infantaria, todas “sebastenas” [118].

No modelo militar romano, as unidades auxiliares, tanto de infantaria quanto de cavalaria, podiam ser quingenariae (i.e., com cerca de 500 homens) ou milliariae (i.e., com cerca de 1.000 homens).  As unidades estacionadas na Judéia eram quingenariae.  Cada unidade de infantaria auxiliar (cohors) quingenaria era composta por 6 centúrias (centuriae) de 80 homens cada, comandadas por centuriões (perfazendo-se um total de 480 homens); por sua vez, cada unidade de cavalaria auxiliar (ala) quingenaria era composta por 16 turmas (turmae) de 30 homens cada, comandadas por decuriões (mais uma vez, perfazendo-se um total de 480 homens).  Assim, as forças tipicamente à disposição do procurador romano na Judéia compreendiam 2.400 homens de infantaria, divididos em cinco cohortes, e 480 cavaleiros, numa única ala.  Com esse efetivo, tinha que manter a ordem na província.

Há, porém, indícios de que houve algum tipo de reforço na ocasião da restauração da província, em 44 dC – nessa época, o tamanho original das terras sob domínio romano praticamente dobrou, já que, como visto, além dos territórios da província original (Judéia, Iduméia e Samaria) foram acrescentados a Galiléia, a Peréia, a Gaulanítide, a Batanéia, a Traconítide, o distrito de Pânias e a Abilena.  Embora, logo depois, alguns desses territórios tenham sido postos sob o governo de Agripa II, mesmo assim a província passava a incorporar, além de seus territórios originais, grande parte da Galiléia e da Peréia.  Mas exatamente como tais reforços se deram é ainda um assunto controverso – e diz respeito às unidades de infantaria chamadas “Augusta” e “Itálica”.

Nos Atos dos Apóstolos (cap.10, vers. 1o) é feita referência a Cornélio, centurião da unidade de infantaria chamada “Itálica”, que se encontrava na Cesaréia Marítima, e que se tornou o 1o gentio convertido ao Cristianismo, pelas mãos de São Pedro[119], pouco antes da restauração do reino judaico por Agripa I (41 dC).  Sabe-se da existência de duas coortes com esse nome, que estacionaram no Oriente nos finais do séc. I dC[120]; não há, contudo, evidências de que tenham permanecido por longo tempo na Judéia – é provável que tenham seguido, depois da restauração do reino judeu sob Agripa I, para a Síria.  No mesmo livro dos Atos (cap. 27, vers. 1o), é nomeada uma unidade de infantaria cujo nome é normalmente traduzido como “Augusta”, e cujo centurião, Júlio, escoltaria São Paulo em sua viagem a Roma, onde apelaria por sua inocência no tribunal de Nero (59/60 dC)[121].  Pelo texto, contudo, pode-se verificar que não se tratava duma unidade nova, mas sim duma das coortes “sebastenas”.  A palavra grega para “Augusto” é Sebastos, e Herodes o Grande havia restaurado a cidade da Samaria chamando-a Sebástia justamente em honra a Augusto.  Daí a confusão; não se trataria duma nova coorte “Augusta”, mas, quase certamente, duma das coortes “sebastenas” que já foram aqui mencionadas[122].

Um caso interessante diz respeito à cidade de Ascalão, cidade de população pagã, na época fora da província judaica (embora território excêntrico, estava ligada diretamente ao governo da província da Síria).  Desde o início da revolta de 66 dC, bandos de judeus saquearam seu território[123]; foram logo seguidos por forças mais organizadas, que, não obstante, terminaram por ser debeladas pela guarnição da cidade, com grande mortandade de judeus.  Essa guarnição, comandada por um Antônio, era constituída por uma tropa de infantes e uma de cavaleiros, sendo que os infantes (ao menos alguns deles) puderam usar eficazmente suas flechas contra as fileiras judaicas[124].  A força presente em Ascalão é atestada epigraficamente, e trata-se da Cohors I Ascalonitanorum Sagittaria Equitata (“primeira coorte dos arqueiros Ascalonitanos, equipada com cavalaria”).  O nome indica que foi recrutada na cidade de Ascalão; que era equipada com arqueiros; e que possuía um reforço de 120 cavaleiros (4 turmae de 30 homens), além dos seus 480 infantes.  Essa unidade, não obstante, não pode ser considerada como fazendo parte da guarnição da província da Judéia, já que, como dito, Ascalão não pertencia a essa província.

Por outro lado, na enumeração das forças romanas que lutaram contra a revolta judaica de 66 dC[125], o historiador Flávio José cita, além das três legiões, dezoito coortes de fora da Judéia, mais cinco coortes e uma ala de cavalaria vindas de Cesaréia.  Informa ainda que, das 23 coortes, 10 eram miliárias, e as demais eram quingenárias, equipadas com alas de cavalaria.  Daí se conclui: a) que a guarnição da província constituía-se, efetivamente, de cinco unidades de infantaria (cohortes) e de uma de cavalaria (ala), estacionadas usualmente na Cesaréia Marítima; b) que, em alguma ocasião, as coortes de infantaria foram reforçadas, quer com o aumento dos efetivos (tornando-se miliárias), quer com a adição de cavalaria[126].  Exatamente quantas unidades foram transformadas em miliárias (i.e., passaram a ser constituídas por 10 centuriae de 80 infantes, no total 800 homens) e quantas ganharam uma ala de cavalaria (i.e., tornaram-se equitatae, acrescentando 4 turmae de 30 cavaleiros aos seus 480 infantes) é ainda incerto; não se sabe também se a ala de cavalaria permaneceu quingenária, ou se foi transformada numa ala miliária (i.e., constituindo-se de 24 turmae de 30 cavaleiros, no total 720 homens).  De qualquer modo, esse reforço ligou-se, sem dúvida, à restauração da província judaica em 44 dC, após a morte de Agripa I.

Tem-se o elenco completo dos governadores (prefeitos ou procuradores) romanos da Judéia, desde a primeira implantação da província (6 dC) até ao início da revolta.  O quadro a seguir resume a situação.

Imperador

Nome do Governador

Governo

Território

Fontes

Augusto (até 14 dC)

Copônio

6 – 9 dC

Judéia, Iduméia e Samaria

Fl. José, Ant. Jud., XVIII.1.1; XVIII.2.2; Guerra Jud., II.8.1

Marco Ambívio

9 – c.12 dC

Fl. José, Ant. Jud., XVIII.2.2

Ânio Rufo

c.12 – 14/15 dC

Fl. José, Ant. Jud., XVIII.2.2

Tibério (14-37 dC)

Valério Grato

c.15 – 26 dC

Fl. José, Ant. Jud., XVIII.2.2

Pôncio Pilatos

c.26 – c. 36 dC

Fl. José, Ant. Jud., XVIII.2.2; XVIII.3.1; XVIII.3.2; XVIII.4.1; XVIII.4.2; XVIII.6.5; Guerra Jud., II.9.2; II.9.3; II.9.4; Tácito, Anais XV 42; estela encontrada na Cesaréia Marítima

Calígula (37-41 dC)

Marcelo (ou Márulo)

37-41 dC

Fl José, Ant. Jud., XVIII.4.2; XVIII.6.10

Cláudio (41-54 dC)

Reino “Independente” sob Herodes Agripa I

Cúspio Fado

44-46 dC

Judéia, Iduméia, Samaria, Galiléia, Peréia, Gaulanítide, Traconítide, Batanéia, Abilena e Pânias

Fl. José, Ant. Jud., XV.1.4; XIX.4.2; XX.1.1ff; Guerra Jud., II.11.6

Tibério Júlio Alexandre

46-48 dC

Fl. José, Ant. Jud., XX.5.2; Guerra Jud., II.11.6

Ventídio Cumano

48-52 dC

Fl. José, Ant. Jud., XX.5.2; Guerra Jud., II.12.1

Nero (54-68 dC)

Marco Antônio Félix

52-58/9 dC

Judéia, Iduméia, Samaria, Galiléia, Peréia, Gaulanítide, Traconítide, Batanéia, Abilena e Pânias (até 53 dC); Judéia, Iduméia, Samaria, Galiléia e Peréia (até 54 dC); mesmos territórios, exceto algumas regiões da Galiléia e da Peréia, a partir de 54 dC

Fl. José, Ant. Jud., XX.7.1; XX.8.5; XX.8.7; XX.8.9; Guerra Jud., II.12.8; II.13.7

Pórcio Festo

58/9-62 dC

Judéia, Iduméia, Samaria, grande parte da Galiléia e da Peréia

Fl. José, Ant. Jud., XX.8.9; XX.9.1; Guerra Jud., II.14.1

Lucéio Albino

62-64 dC

Fl. José, Ant. Jud., XX.9.1; Guerra Jud., II.14.1; VI.5.3

Géssio Floro

64-66 dC

Fl. José, Ant. Jud., XX.9.5; XX.11.1; Guerra Jud., II.14.1; II.14.2; II.14.3; II.14.6; II.14.9; II.15.1ff; II.16.1

Obviamente, dentre eles não consta nenhum “Públio Lêntulo”; e mais: o historiador Flávio José explicitamente informa que, sob o império de Tibério (14-37 dC), apenas dois governadores, Valério Grato e Pôncio Pilatos, foram nomeados para a Judéia[127].

Outro item que não se pode esquecer, e que se depreende da narrativa de Tácito, é que a província da Judéia estava sob a supervisão do governador da Síria, um legado propretoriano de nível consular, que comandava (usualmente) quatro legiões, além de numerosas tropas auxiliares.  Assim, se houvesse algum problema de ordem militar, ou alguma situação difícil, que escapasse ao controle do procurador da Judéia, era o governador da Síria que tomava as providências necessárias.  Como se lê no texto de Tácito, foi o legado propretoriano da Síria, Públio Quintílio Varo (c.6 aC-4 aC, o mesmo que haveria de morrer na Germânia), que restaurou a ordem na província, por ocasião dos distúrbios que se seguiram à morte de Herodes o Grande em 4 aC[128].  Mas esse não foi o único caso: do mesmo modo, foi o legado propretoriano da Síria, Públio Sulpício Quirínio (c.6 – c.8 dC), que tomou todas as providências necessárias para a anexação da etnarquia de Arquelau, incluindo-se a realização dum censo[129]; também foi o legado da Síria, Públio Vitélio (35-39 dC, tio do futuro Imperador) que interveio na província e depôs Pôncio Pilatos, a partir da queixa dos samaritanos[130]; foi o seu sucessor, Públio Petrônio (39-42 dC), que atuou no “affair” da estátua de si próprio que Calígula queria instalar no Templo de Jerusalém[131]; foi o legado da Síria, Gaio Umídio Dúrmio Quadrato (50-c.57 dC) que atuou decisivamente para restaurar a ordem, em 52 dC, por ocasião da degeneração do conflito entre galileus e samaritanos, após a procuradoria de Ventídio Cumano e o início da de Antônio Félix[132]; enfim, na eclosão da grande revolta, em 66 dC, diante da impotência do procurador Géssio Floro para a conter, foi mais uma vez o legado da Síria, Gaio Céstio Galo (65-67 dC), que lhe veio em auxílio – inutilmente, tendo sido fragorosamente derrotado pelos insurgentes[133].

Assim, se houvesse a necessidade de qualquer providência extraordinária na Judéia, essa seria tomada a partir do legado da Síria, que tinha autoridade (era de nível senatorial, e mais, consular) e meios (legiões e tropas auxiliares) para tanto.

Dentro desse espírito, é importante notar a frase com a qual Tácito resume o que ocorreu na Judéia no tempo de Tibério (14-37 dC): “Sob Tibério, tudo permaneceu calmo” (Sub Tiberio quies).  Não é o que se depreende da narrativa de Flávio José, especialmente sob Pôncio Pilatos: o caso das insígnias nos estandartes militares, levadas a Jerusalém, e que geraram um motim, que por pouco não degenerou em banho de sangue[134]; a questão da construção, em Jerusalém, do aqueduto com o dinheiro do tesouro sagrado do Templo (“corban”), desencadeando uma revolta popular a qual foi esmagada com brutalidade, e redundou em muitas mortes[135]; a repressão extremamente cruel dos samaritanos revoltados[136], que enfim motivou a deposição de Pilatos pelo legado da Síria, Vitélio, diante das queixas a ele levadas pelos mais importantes representantes samaritanos[137].  Sem falar, é claro, na crucifixão de Jesus.  Então é isso que se chama “calma”?

Mas a visão de Tácito (ele próprio um senador) é a visão dos círculos senatoriais do governo central – durante a época de Tibério, não houve necessidade de intervenção militar, na Judéia, por parte do legado propretoriano da Síria; todos os problemas puderam ser solucionados localmente – daí, “tudo permaneceu calmo”.  Essa simples frase de Tácito, quando confrontada com o que se sabe por outras fontes, é terrível e brutalmente esclarecedora, e coloca na sua devida importância (do ponto-de-vista da classe dirigente romana) os acontecimentos ligados a um certo Jesus de Nazaré.  Era um assunto local numa província imperial procuratoriana; esperava-se que, em casos assim, o procurador, com a ajuda dos “maiorais” locais, pudesse resolver a questão, rápida e eficientemente (afinal de contas, do ponto-de-vista do governo romano, e das classes dirigentes judaicas, foi o que ocorreu…).  Admitir que um senador romano perdesse seu tempo com um assunto desse tipo, ou mesmo que ele pudesse vir a gerar uma carta, ou relatório, enviado ao Imperador – ao próprio Imperador! – é desconhecer totalmente a História. 

II.4) Conclusão da Primeira Parte – Dupla Implausibilidade da “Carta de Lêntulo” e de seu Autor:

            A partir de agora, enfim, podem ser tecidos alguns comentários finais a esta primeira parte, referentes tanto à “Carta de Públio Lêntulo” quanto ao seu pretenso autor. 

II.4.1 – Sob o prisma genealógico – Houve realmente um “Públio Lêntulo”/Emmanuel?

            Conforme visto, não há nenhuma evidência de um “Públio Lêntulo” contemporâneo de Cristo que tivesse sido “antecessor de Pôncio Pilatos”, ou que tivesse exercido algum tipo de missão na Palestina na época da procuradoria de Pilatos.  Mais ainda, tendo em vista as características familiares de “Públio Lêntulo”, tais como apresentadas na psicogravia “Há Dois Mil Anos”, essa personagem simplesmente não existiu.

            Num outro trabalho, já foi exaustivamente demonstrada a série de inconsistências nos nomes próprios romanos utilizados na referida psicografia; isso, por si só, deveria bastar para, no mínimo, levantar sérias dúvidas acerca da autenticidade do pretenso espírito-guia.  Adicionalmente, este trabalho acrescenta ainda mais implausibilidades à existência da referida personagem.

            De acordo com o ambiente traçado em “Há Dois Mil Anos”, Públio Lêntulo seria casado com uma dama chamada Lívia (pág. 18)[138], que o texto dá a enteder ter sido sua primeira e única esposa.  Com Lívia teria tido uma filha, Flávia Lentúlia (pág. 20, sic) e um filho, Marcus (pág. 34), que depois teria sido raptado.  O texto também faz crer que esses teriam sido os únicos filhos do casal.

            Lêntulo é apresentado com bisneto, por linha paterna, de Lêntulo Sura, o conspirador catilinário (pág. 22).  De seus parentes, “que há tanto tempo se conservam ausentes de Roma” (pág. 35), um é citado explicitamente (e as circunstâncias gerais do texto fazem crer, indiretamente, que se trate do único parente sobrevivente, porque nenhum outro é citado), um certo Sálvio Lêntulo, seu tio, irmão mais moço de seu pai (pág. 35).

            Por essas poucas observações, nota-se que os Lêntulos retratados em “Há Dois Mil Anos” nada têm a ver com os Lêntulos atestados historicamente para o mesmo período.

Inicialmente, como visto, não há nenhuma evidência de que Lêntulo Sura tenha tido descendentes; e, analisando a questão por um outro ângulo: nenhum dos Lêntulos atestados na época imperial era descendente de Lêntulo Sura, como já foi mostrado.  Queda-se impossível que alguém com antepassados tão notórios tenha escapado totalmente ao registro histórico.

Além disso, não há nenhuma evidência dum “Sálvio Lêntulo” (nome aliás impossível para um Cornélio Lêntulo).  Por ocasião do início cronológico da psicografia, por volta do ano 32 dC, quem “Públio Lêntulo”, se realmente tivesse existido, encontraria em Roma ou nas províncias ostentando o nome dos Lêntulos? Sem dúvida, Gneu Cornélio Lêntulo, o Áugure, já teria morrido (25 dC); mas (apenas para citar os nomes mais famosos) ainda estava vivo (e prestes a ser nomeado Prefeito Urbano) o velho Cosso Cornélio Lêntulo, o vencedor dos gétulos, o amigo íntimo do Imperador Tibério.  Também estavam vivos, e atuantes, o filho do velho Cosso, Gneu Cornélio Lêntulo Getúlico, já legado propretoriano da Germânia Superior; e também Públio Cornélio Lêntulo Cipião, o sufeta de 24 dC, que haveria de se casar com Popéia Sabina, bem como Sérvio Cornélio Lêntulo Maluginense, o cônsul ordinário de 24 dC, que, por essa época, estaria para ser nomeado procônsul da África.  Onde, na psicografia, essas pessoas (que historicamente existiram) são citadas? E onde, na História, está atestado o tal “Sálvio Lêntulo”, citado explicitamente por “Emanuel”? Simplesmente, o mundo da História e o mundo de “Emanuel” não se misturam, são como se fossem dois conjuntos disjuntos, dois líquidos imixíveis.  Aliás, com tantos parentes importantes, em funções de alto escalão, para quê ir à Palestina?

Portanto, resumindo: a) não há nenhuma evidência histórica de um “Públio Lêntulo” que possa se encaixar no perfil do autor da suposta carta descrevendo Cristo, e isso numa época para a qual há a evidência histórica firme (conforme mostrado) de inúmeros membros da família dos Lêntulos, atuantes e ocupando postos importantes, inclusive o consulado; b) não há nenhuma evidência de que Lêntulo Sura tivesse tido descendentes, ao contrário, tudo aponta para o fato de que não teve filhos, já que foi o seu enteado, Marco Antônio, que teve de recuperar seu corpo e providenciar suas exéquias; e c) nenhum dos Lêntulos atestados historicamente para o período dos Júlio-Cláudios descendia de Lêntulo Sura (nunca é demais repetir isso).

Assim, do ponto-de-vista estritamente genealógico, não há como afirmar a existência do senador “Públio Lêntulo”, contemporâneo de Jesus, presente na Palestina na época de Pôncio Pilatos, e autor duma carta (possivelmente ao Imperador) na qual descrevia Cristo.  Ao contrário, todas as evidências apontam claramente para a sua não existência.

 

II.4.2 – Sob o prisma histórico-administrativo – Um senador teria estado na Judéia em missão, e escrito ao Imperador?

            A questão torna-se ainda mais clara quando se tenta analisar a personagem de “Públio Lêntulo” à luz da organização imperial vigente na época.  Apresentou-se neste trabalho um esboço da estrutura social e administrativa do Império sob os Júlio-Cláudios; elencou-se, com bastante detalhe, o cursus honorum dum senador, que “Públio Lêntulo” forçosamente teria de seguir.  A respeito disso, o que é que se informa em “Há Dois Mil Anos?”

            De “Públio Lêntulo”, diz-se que exercia atividades no Senado: o “… senador Públio Lentulus Cornelius (sic), homem ainda moço que, à maneira da época, exercia no Senado funções legislativas e judiciais, de acordo com os direitos que lhe competiam, como descendente de antiga família de senadores e cônsules da República” (págs. 17-18).  Se tinha assento no Senado, então já teria exercido a questura, e estaria prestes, pela idade, a assumir a pretura.  Assim, já teria prestado serviço militar, antes da questura, obviamente como tribuno laticlavo.  Onde isso é mencionado no texto? Aliás, que “funções legislativas e judiciais” exercia? De fato, se já havia exercido a questura, e estava para exercer a pretura, não exercia, na ocasião, nenhuma função especial.  Teria, sem dúvida, iniciado sua carreira exercendo um dos cargos do vigintivirato (qual? Mais uma vez, “Emanuel” se cala…); depois, teria obtido um sacerdócio (onde isso é mencionado no texto?); depois, teria prestado o serviço militar; enfim, teria assumido a questura.  Como questor, teria exercido funções de índole financeira, e não propriamente “legislativas e judiciais”.  E somente após exercer a pretura (como se viu) é que ele teria aberto o leque duma série de cargos importantes.  Pela idade, ele estaria para exercer a pretura – e, mesmo assim, prefere ir à Palestina, e lá passar uma série de anos.  Uma atitude no mínimo estranha, pois fatalmente atrasaria o seu “cursus”.  E, mais uma vez, por que a Palestina?

            O texto alude (pág. 35) a um período de um ano no qual, na mocidade, teria atuado na administração da cidade de Esmirma (antes da questura? Logo depois dela?).  Ora, isso não tem sentido.  Esmirna era uma das cidades da província da Ásia (província senatorial de nível consular), mas os romanos não mandavam administradores para as cidades.  Esmirna, como aliás todos os centros urbanos do Império, com exceção da própria Roma e de Alexandria, tinha um governo municipal independente (melhor dizendo, “autônomo”), com suas assembléias e magistrados locais, e inclusive com o seu magistrado epônimo, que ostentava o pomposo título de “portador da coroa”, ou “coroado” (stephanêphoros)[139]; era também a sede de um dos conventus iuridici da província da Ásia[140], ou seja, dos lugares onde o procônsul, em seu giro anual, realizava audiências.  Não havia lá funcionários romanos atuando, durante um ano inteiro, na sua administração.  O que é informado a esse respeito por “Emanuel” não faz nenhum sentido; simplesmente, não era assim que as coisas funcionavam.

            Informa-se na psicografia que Sálvio Lêntulo, o tal tio de “Públio Lêntulo”, era um pretor há muito destituído do governo das províncias, ocupando, na ocasião, simples atribuições de funcionário junto ao procurador da Judéia, Pôncio Pilatos, sendo casado com Cláudia, irmã da esposa de Pilatos (págs. 35-36).  Há, nesses dados, um amontoado de absurdos.  Mesmo que tivesse sido destituído dum governo provincial (como se viu, como pretor poderia ter exercido vários tipos de governos provinciais, p.ex., o proconsulado de províncias senatoriais de nível pretoriano), jamais um senador (e Sálvio Lêntulo, por força, seria um senador) exerceria “simples atribuições de funcionário” tendo como superior hierárquico um cavaleiro, numa província de 2a classe.  Isso significaria que um cavaleiro daria ordens a um senador – algo impensável e impossível na época.  Sálvio Lêntulo teria permanecido em Roma, à espera da oportunidade de retomar sua carreira, ou então (se a situação fosse grave) no exílio, tentando voltar a Roma.  E, se conseguisse recuperar-se, ainda que parcialmente, não iria jamais servir sob as ordens de alguém que lhe era hierarquicamente inferior; e, mesmo que quisesse isso (teria que estar extremamente desesperado, ou louco), nem o Imperador e nem o Senado o permitiriam – seria degradar sua condição de senador.

            Também é muitíssimo pouco provável que ele se casasse com alguém de nível eqüestre (como era o caso da irmã da esposa de Pilatos); isso também seria degradar sua condição de senador.  Estranho mundo, esse de “Emanuel”…

            Depois dum período aparentemente passado em Roma, nas lides do Senado, “Públio Lêntulo” seguiu para Jerusalém, como “legado do Imperador, para a solução de vários problemas administrativos de que fora incumbido junto ao governo da Palestina” (pág. 39).  A situação é posta da seguinte maneira por seu amigo Flamínio Severo (outra personagem sobre a qual não há nenhum testemunho histórico): “…existem ali [na Judéia] regiões de clima adorável, que operariam, talvez, a cura de tua filhinha, restabelecendo simultaneamente as tuas forças orgânicas.  Quem sabe? Esquecerias o tumulto da cidade, regressando mais tarde ao nosso meio, com energias novas.  O atual Procurador da Judéia é nosso amigo.  Poderíamos harmonizar vários problemas do nosso interesse e de nossas funções, porquanto não me seria difícil obter do Imperador dispensa dos teus trabalhos no Senado, de modo a que continuasses recebendo os subsídios do Estado, enquanto permanecesses na Judéia” (pág. 30).

            Mais absurdos.  Como se viu, a província da Judéia estava sob a supervisão da província da Síria; se houvesse necessidade duma missão “para a solução de vários problemas administrativos”, das duas uma: a) ou o legado propretoriano da Síria despacharia alguém de seu “staff”, obviamente um cavaleiro, para tratar do assunto junto ao prefeito/procurador da Judéia; ou b) se o caso fosse grave, o legado da Síria simplesmente convocaria o prefeito/procurador da Judéia a Antióquia para se explicar, e, se não ficasse satisfeito, suspendê-lo-ia de suas funções e mandá-lo-ia a Roma, para se explicar junto ao Imperador.  O Imperador jamais mandaria um legado de nível senatorial à Judéia, mesmo porque criaria uma série de problemas: “Públio Lêntulo” (convém lembrar) era um senador, e Pôncio Pilatos (também convém lembrar) era um cavaleiro – inferior, social e hierarquicamente, a Lêntulo.  Se estivesse lá, Lêntulo daria ordens a Pilatos, e ponto final.  Jamais tratá-lo-ia como um igual.  E não é esse o comportamento de “Públio Lêntulo” na Judéia, segundo a psicografia – ele e Pilatos tratam-se como iguais.  Na “vida real”, se tal “missão” tivesse de fato existido, Lêntulo não precisaria ter escrúpulos, e nem levar em conta o que quer que Pilatos pensasse.  Com um mandato imperial, faria o que quisesse, e a autoridade de Pilatos reduzir-se-ia a nada a partir do instante em que o senador pusesse o pé na província; justamente por isso é que esse tipo de missão era impossível de ocorrer – existe apenas nas mentes dos que não conhecem a estrutura administrativa do Império na época.

            Menciona-se a existência de “litores” e de “soldados pretorianos”, sob o serviço de Pilatos, na Judéia (pág. 40), bem como de centuriões e legionários, vindos de toda a província, presentes em Jerusalém por ocasião da Páscoa (pág. 133).  Ou seja, a psicografia supõe que as forças romanas na Judéia se constituíam de legionários.  Contudo, viu-se que jamais estacionaram legiões na Judéia antes da revolta de 66 dC; a guarnição da província constituía-se de corpos auxiliares, tanto de infantaria (cohortes) quanto de cavalaira (alae).  A atmosfera está bem mais para “Ben-Hur” do que para a História real…

            Mas há mais: “Públio Lêntulo” permaneceu na província por quinze anos, passando por inúmeras peripécias, incluindo o rapto e desaparecimento de seu filho, a cura de sua filha por Jesus e o julgamento e a morte desse mesmo Jesus, retornando enfim a Roma (pág. 221).  Evidentemente, se assim foi, arruinou o seu “cursus”.  Chegou a exercer a pretura? E os cargos pretorianos? E, mais importante, o consulado? Alguém como ele fatalmente obteria um consulado, nem que fosse um consulado sufeta.  Contudo, mais uma vez, o “cursus” real da carreia senatorial é absolutamente ignorado.  Esse senador, ao que parece, ostentou uma carreira absolutamente atípica, para a qual não há nenhum registro na época.

            Já em Roma, muito tempo depois, aparentemente envolveu-se na conspiração que teve por fim o afastamento de Nero (pág. 390); era, ademais, amigo pessoal do novo Imperador, Vespasiano (pág. 391), que o indicou para compor, com outros dois patrícios, um “conselho de civis”, com o fim de assessorar Tito na etapa final do cerco de Jerusalém, tendo emvista seus conhecimentos do local e de seus costumes (pág. 392-93).  Tendo sido capturado e cegado pelo inimigo, conseguiu não obstante sobreviver, retirou-se honrosamente da vida pública e acabou morrendo por ocasião da erupção do Vesúvio, em Pompéia, sob o império de Tito.

            Outro amontoado de tolices.  Conhece-se com detalhe, a partir da obra “A Guerra Judaica”, do historiador Flávio José, toda a história da revolta de 66-72 dC; não há nenhuma menção a um “Públio Lêntulo” que participasse, de que forma fosse, do conselho de guerra de Tito.  Sabe-se quais legiões lutaram na guerra, bem como o nome de seus comandantes, e sabe-se a composição do conselho de guerra de Tito – e lá não há nenhum “Públio Lêntulo”.

            As forças reunidas na primavera de 67 dC em Ptolemaida, a cargo de Vespasiano, constituíam-se de três legiões: a V Macedonica (comandada por Sexto Vetuleno Cereal), a X Fretensis (comandada por Marco Úlpio Trajano, pai do futuro Imperador) e a XV Apollinaris (comandada por Tito, o filho de Vespasiano), além de numerosas tropas auxiliares (23 coortes de infantaria e 6 alas de cavalaria, aí incluindo-se a guarnição da Judéia) e forças cedidas pelos reis-clientes (Herodes Agripa II, Antíoco IV da Comagena, Soemo de Émeso e Malco II dos árabes nabateus).

            Resumidamente, em 67 dC grande parte da Galiléia foi conquistada; na primavera de 68 dC, caíram o restante da Galiléia, a Peréia e Jericó.  Preparava-se então o cerco de Jerusalém, quando a própria guerra civil em Roma (revolta de Sérvio Sulpício Galba; suicídio de Nero, na madrugada de 8 para 9 de junho de 68 dC) fez Vespasiano suspender operações e aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

            A situação na Itália não se acalmou com o novo governo de Galba, que acabou assassinado (janeiro de 69 dC), sucedendo-lhe Marco Sálvio Otão, o qual, por sua vez, suicidou-se em abril, diante da aproximação das legiões de Aulo Vitélio, legado da Germânia Inferior.

            Durante todo o período de inatividade dos romanos, os judeus entregaram-se a uma série de conflitos internos pela liderança da revolta.  Em julho, Vespasiano deslocou-se a Alexandria, no Egito já pensando em também lutar pelo trono (o Egito, com suas duas legiões, e a sua produção de trigo, seria um ponto de apoio importante, caso Vespasiano tivesse que lutar pelo poder); deixou Tito como comandante-em-chefe na Judéia, onde as operações bélicas se reiniciaram.  Em Alexandria, Vespasiano obteve o apoio do Prefeito do Egito, o judeu (apóstata) Tibério Júlio Alexandre (sobrinho do filósofo Fílon, e que havia sido procurador da Judéia), e assim das duas legiões do país (III Cyrenaica e XXII Deiotariana), que embarcam em seguida para a Judéia.  No mesmo mês, as legiões estacionadas na Judéia também se puseram ao lado de Vespasiano; em agosto, foram as da Síria e as do Danúbio que se declararam a favor de Vespasiano.  Com tal apoio, Vespasiano marchou para Roma; suas forças entraram na Itália (finais de outubro), marcharam pela península ao longo de novembro, derrotaram as forças de Vitélio, e entraram enfim em Roma (22 de dezembro), sendo Vitélio morto cruelmente pela populaça, e Vespasiano proclamado Imperador.

            Na Judéia, Tito assumiu as operações da guerra, como comandante-em-chefe (a XV Apollinaris passou a ser comandada por Tito Frígio), e terminou a conquista do restante do país; no final de 69 dC, restavam apenas em poder dos judeus Jerusalém e as fortalezas de Masada, Heródio e Maqueronte.  Chamado por Vespasiano, Trajano deixou a Judéia, para ocupar cargos mais importantes (inclusive o consulado), e o comando da X Fretensis passou a Aulo Lárcio Lépido Sulpiciano.  Tibério Júlio Alexandre foi nomeado segundo-comandante, braço-direito de Tito.  Enfim, começou o cerco de Jerusalém (inícios de 70 dC); a cidade foi completamente bloqueada por ocasião da Páscoa de 70 dC; nos dois meses seguintes (junho e julho) a fome progressivamente tomou conta dos sitiados.  Entre os finais de junho e os inícios de agosto, os romanos conseguiram ultrapassar as muralhas exteriores, chegando à esplanada do Templo.  No dia 30 de agosto de 70 dC, o Templo foi enfim tomado de assalto e incendiado; no dia 8 de setembro, as últimas resistências cessaram, e Jerusalém encontrou-se totalmente nas mãos dos romanos.  Para todos os efeitos práticos, a revolta estava debelada.

            Antes do assalto final ao Templo, Tito reuniu seu conselho de guerra, cuja composição o historiador Flávio José se dá ao trabalho de fornecer:

Então, no dia seguinte, Tito ordenou que parte de suas forças apagasse o fogo [ateado aos portões exteriores do Templo], e construíssem uma passagem para facilitar o assalto final, enquanto ele próprio reunia o seu conselho de guerra, composto pelos seis comandantes mais graduados: Tibério Alexandre, comandante geral de campo; Sexto Cereal, comandante da 5a legião; Lárcio Lépido, comandante da 10a legião; Tito Frígio, comandante da 15a legião; Etérnio Frontão, comandante das duas legiões egípcias; e Marco Antônio Juliano, procurador da Judéia [é a única vez que esse nome é mencionado; trata-se, provavelmente, do sucessor nomeado de Géssio Floro].  Também estavam presentes os demais prefeitos e tribunos [i.e., os comandantes das tropas auxiliares e os tribunos militares das legiões, como ouvintes].  Tito solicitou-lhes o parecer acerca de como agir no ataque ao Templo.

(Flávio José, “A Guerra Judaica”, livro VI, cap. 4o, par. 3o [236-238])

            Aonde está, aí, “Públio Lêntulo”?

            Enfim, a carta, ou relatório, a Tibério.  Trata-se de algo inexistente numa missão que não ocorreu.  Parte do pressuposto que o Império Romano na época era uma “burocracia”, e que os governadores das províncias (todos no mesmo nível, sem a distinção entre províncias senatoriais e imperiais, entre províncias consulares, pretorianas e procuratorianas…) regularmente enviavam correspondência ao governo central, informando-o detalhadamente de tudo o que se passava.  Como se viu, não era assim que a máquina administrativa romana operava.  O Imperador (e o Senado, e Roma) queria paz e impostos, não relatórios ex post facto.  Nunca se deve esquecer da frase de Tácito: sub Tiberio quies.  Sob Tibério, tudo permaneceu calmo.  Já se viu que tipo de documentos havia nos arquivos municipais e provinciais, e nos arquivos centrais de Roma (o Tabulário de Sila e o arquivo imperial do Palatino); massas de relatórios sobre obscuros bandidos ou insurgentes condenados seguramente não faziam parte deles.  Havia coisas mais importantes com que se preocupar.

            Assim, abundam as evidências de que tanto a “carta de Públio Lêntulo” quanto o seu pretenso autor simplesmente não existiram.  Na 2a parte deste trabalho, procurar-se-á estabelecer a origem desse bizarro documento – que é a culminância duma série de tradições, elaboradas ao longo dos séculos, sobre o aspecto físico de Jesus. 

Bibliografia da Primeira Parte 

·        Barrett, Anthony A., Caligula – The Corruption of Power, Routledge, London & New York, 2000

·        Cheesman, G. L., The Auxilia of the Roman Imperial Army, Ares Publishers, Chicago, 1975.

·        Flower, Harriett I., Ancestor Masks and Aristocratic Power in Roman Culture, Clarendon Press, Oxford, 1996

·        Josephus, The Jewish War, Penguin Classics, Penguin Books, London, 1981

·        Josephus, The Works of Josephus – Complete and Unabridged, Hendrickson Publishers, Peabody, MA, USA, 2004

·        Levick, Barbara, The Government of the Roman Empire – A Sourcebook – Croom Helm, London & Sydney, 1985

·        Settipani, Christian, Continuité Gentilice et Continuité Familiale dans les Familles Romaines à l’époque imperiale – Mythe et Réalité, Linacre College, Oxford, 2000

·        Sherk, Robert K., Translated Documents of Greece and Rome – Vol 4, Rome and TheGreek East to the Death of Augustus, Cambridge University Press, 1984

·        Sherk, Robert K., Translated Documents of Greece and Rome – Vol. 6, The Roman Empire – Augustus to Hadrian, Cambridge University Press, 1988

·        Sumner, G.V., The Orators in Cicero’s Brutus – Prosopography and Chronology, University of Toronto Press, 1973

·        Syme, Ronald, The Augustan Aristocracy, Clarendon Paperbacks, Oxford University Press, 1989 



[1] Nunca nenhum governante romano da Judéia teve o título de “procônsul”.

[2] Note-se, contudo, que Herodes Antipas e Herodes Filipe continuaram governando seus respectivos territórios de modo autônomo, como clientes de Roma.  Assim, até ao início de seu ministério público, Jesus, vivendo em Nazaré da Galiléia, estava sob a autoridade dum governante judeu (Antipas), e não sob a do governo romano direto.

[3] Em língua portuguesa, utiliza-se sempre a expressão “governador”.  O governo romano direto na Judéia (6 dC a 66 dC) abrangeu dois períodos, separados por um brevíssimo interlúdio (41-44 dC) de “independência”.  O 1o período foi de 6 dC (deposição de Arquelau) até 41 dC (restauração da “independência” judaica, sob Herodes Agripa I, nomeado “rei dos judeus” pelo Imperador Cláudio); o 2o foi de 44 dC (recondução da Judéia à condição de província, pelo mesmo Cláudio, após a morte de Herodes Agripa I) até 66 dC (início da revolta contra Roma).  Para o 1o período, o título do governador romano era “prefeito” (praefectus Iudaeae); para o 2o, “procurador” (procurator Iudaeae).  Assim, Pôncio Pilatos (governador 26-36 dC), tecnicamente, não foi um “procurador”, mas sim um “prefeito”.  A partir do império de Cláudio (reinou 41-54 dC), a terminologia, bem como os procedimentos, tendeu cada vez mais à padronização.  Na prática, fora a nomenclatura, os poderes de prefeitos ou procuradores eram virtualmente os mesmos.

[4] Lêntulo Sura havia, junto com outros conjurados, assinado a solicitação, apondo-lhe inclusive o seu selo.  Esse selo era justamente uma imagem do avô, o cônsul sufeta de 162 aC, impressa num anel que Sura herdara.  Esse detalhe não passou despercebido por Cícero, que, usando todo o seu talento retórico, faz um paralelo entre Sura, o conspirador, que tramava a ruína da República, e o avô, acerbo opositor dos Gracos, e que havia sido outrora princeps senatus (Terceira Catilinária, 5.10).  Os embaixadores dos gauleses alóbragos, não querendo se imiscuir na confusão, entregaram a solicitação dos partidários de Catilina a Quinto Fábio (Alobrógico) Sanga (talvez o cônsul sufeta de 45 aC, mas mais certamente o pai deste), seu patrono em Roma, que então entregou o documento a Cícero.

[5] Segunda Filípica, seções 17 e 18.

 

[6] O que, aliás, seria uma razão a mais para Júlia procurar casar-se com Sura: não tendo filhos dum casamento anterior, poderia ser um padrasto mais dedicado a seus próprios filhos (dela, Júlia).  Nunca se deve subestimar a sagacidade das mulheres, especialmente no que se refere à defesa de sua prole.

[7] Ver as obras de Settipani, Sumner e Syme citadas na Bibliografia.

[8] Lêntulo Níger descendia de Lúcio Cornélio Lêntulo Lupo (cônsul 156 aC), que era primo de Públio Cornélio Lêntulo (cônsul sufeta 162 aC), o avô de Lêntulo Sura.

[9] Sêneca o Filósofo, “Sobre os Benefícios”, livro II, cap. 27, seções 1 e seguintes.

[10] Tácito, “Anais”, livro I, cap. 27; livro II, cap. 32; livro III, cap. 68; livro IV caps. 29 e 44.

[11] O reino-cliente da Mauritânia (que ocupava, grosso modo, o que é hoje o Marrocos e o noroeste da Argélia) havia sido constituído em 25 aC por Augusto e entregue a Juba II, filho daquele Juba, rei da Numídia, que havia sido derrotado outrora por Júlio César.  Juba II casou-se com Cleópatra Selene, filha de Cleópatra do Egito e de Marco Antônio, e o casal teve um filho, chamado Ptolomeu, que sucedeu a seu pai Juba II como rei-cliente da Mauritânia, até ser deposto, aprisionado e executado por Calígula no ano 40 dC.

[12] Cf. Plínio o Velho, “História Natural”, livro VII, cap. 62.  Ela é denominada Cornelia Scipionum gentis, “Cornélia da estirpe dos Cipiões”.  Como o pai, Lúcio Cornélio Lêntulo, não tinha nenhuma ligação direta com os Cipiões, presume-se que a mãe o tivesse – é bem possível que se tratasse de Cornélia Emília Lépida, a filha sobrevivente de Cornélia (de estirpe cipiônica, pois ligada aos Lêntulos Marcelinos) e de Paulo Emílio Lépido, nascida em 22 aC.

[13] Paráfrase de Dionísio o Periegeta, in Geographi Graeci Minores, vol. II, pág. 255, linhas 8 a 10.  Citado por Sherk (q.v. Bibliografia).

[14] Veja-se “The Proconsulship of P. Cornelius Scipio”, in Classical Quarterly, 51.1, 201-205 (2001).

[15] Honra dada a apenas alguns poucos procônsules da África e da Ásia, e num curto intervalo de tempo, a última década do século I aC.

[16] CIL VI, 41.050 = AE 1992, 186 = AE 1994, 144.

[17] Ela foi inicialmente publicada por M.Castelli, “Dedica onoraria di età tiberiana a due membri della famiglia degli Scipioni”, MEFRA CIV (1992) 177 ff.

[18] A fonte das ilustrações é a Prosopographia Imperii Romani (PIR), e elas são aqui reproduzidas dentro da expectativa do “fair use”, tendo em vista o uso não-comercial deste trabalho.

[19] Tem-se uma confirmação independente disso a partir da inscrição AE 1967, 458.

[20] Não se sabe qual – não era costume, nas inscrições da época de Augusto e dos primeiros tempos de Tibério, designar expressamente o nome da província.

[21] A inscrição em honra de Cipião é dedicada pelos praefecti de (pelo menos) cinco unidades auxiliares de cavalaria (alae): Ala V dos Ástures, Ala Agripiana, Ala Veterana dos Hispanos, Ala Pretória e Ala dos Recrutas Hispanos.  Essas unidades auxiliares devem ter dado apoio à legião que Cipião comandava na fronteira do Reno.

[22] Os nomes de três das cinco unidades de cavalaria listadas na inscrição traem recrutamento espanhol.  A II Augusta, enquanto na Espanha, participou de campanhas no norte da península, entre os cântabros e ástures (i.e., na Cantábria e nas Astúrias) – e uma das unidades tem justamente o étnico “ásture”.

[23] Ele casou-se com ela em fins de 37 ou inícios de 38 dC, divorciando-se logo depois.  Seu nome é dado como “Lívia Orestila” pelo historiador Suetônio, e como “Cornélia Orestina” pelo historiador Cássio Dião (cf. Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida de Gaio”, cap. 25, parágrafo 1o; Cássio Dião, “História Romana”, livro LIX, cap. 8o).

[24] CIL IX, 6.058.

[25] Fouilles de Delphes, III.1.58.

[26] Um quaestor Caesaris (mais tarde, a partir de 27 aC, quaestor Augusti, quando o Imperador tomou o título de “Augusto”) era um questor cujo nome, como candidato, havia sido proposto às assembléias pessoalmente pelo Imperador por ocasião das eleições – é claro que isso garantia a vitória do felizardo.  Portanto, Gneu Cornélio Lêntulo, o quaestor Caesaris honrado na inscrição de Delfos, era alguém que gozava da amizade do Imperador – isso explica-se pelo fato de seu pai haver comandado uma frota na Sicília, pouco tempo antes, em nome de Otaviano.

[27] Nesse ano, o cometa de Halley passou pela Terra, e dizia-se que era a alma de Agripa sendo levada aos céus.  Também nesse ano, terminaram enfim as obras colossais que Herodes o Grande estava realizando no hieron (o santuário principal) do Templo de Jerusalém (embora as obras assessórias continuassem ainda em parte inacabadas por ocasião da eclosão da revolta contra Roma, em 66 dC – isso dá uma pálida idéia da grandiosidade do projeto, que era considerado uma das maravilhas do Império).

[28] Cássio Dião, “História Romana”, livro LV, cap. 28, par. 4o; também Floro, “Epítome dos Césares”, livro II, cap. 31.

[29] IRT 301 = AE 1940, 68 = AE 1941, 105 = AE 1948, 6 = AE 1954, 201a.

[30] A fonte da ilustração é a IRT (Inscriptions of Roman Tripolitania), e ela é aqui reproduzida dentro da expectativa do “fair use”, tendo em vista o uso não-comercial deste trabalho.

[31] Cf. ILS 9.349.

[32] Tácito, “Anais”, livro III, cap. 74, par. 2o.

[33] A fonte da ilustração é o portal de história www.livius.org, e ela é aqui reproduzida dentro da expectativa do “fair use”, tendo em vista o uso não-comercial deste trabalho.

[34] ILS 940 = CIL V, 4.329.

[35] Inschr. Eph. III, 659.

[36] Tácito, “Anais”, livro III, cap. 39, par. 1o.

[37] ILS 8.996 (de Volsínios, na Etrúria, atual Bolsena).

[38] A questão acerca dos filhos de Maluginense é bastante delicada.  Que Sérvio Cornélio Lêntulo Cétego, cônsul 24 dC, era filho de Maluginense, não há dúvidas; mas, quando dá notícia da morte do flâmine de Júpiter, em 23 dC, Tácito (“Anais”, livro IV, cap. 16) usa uma terminologia ambígua: sub idem tempus de flamine Diali in locum Servii Maluginensis defuncti legendo (…) et filius Maluginensis patris suffectus.  Isso tanto pode significar “e Maluginense, o filho, assumiu o seu lugar [como flâmine de Júpiter]” quanto “e o filho de Maluginense assumiu o seu lugar”.  A 1a leitura implicaria em aceitar um outro filho para Maluginense, além de Cétego, que tinha o mesmo cognome do pai, que herdou o seu posto sacerdotal, e de quem não mais se ouviu falar (talvez tenha morrido cedo); a 2a leitura implicaria que Cétego, único filho varão de Maluginense, herdou o flaminato de Júpiter.  Se assim foi, então, de algum modo, conseguiu superar as restrições do cargo, já que exerceu tranqüilamente o proconsulado da África.

[39] Mas não, frise-se, de vários ramos secundários, com inúmeras quebras (i.e., com continuidade apenas pelas linhagens femininas), que usualmente utilizavam o cognome “Cétego” para os homens e “Cetegila” para as mulheres, até Rúfio Petrônio Nicômaco Cétego, cônsul 504 dC!

[40] Cujo epitáfio (CIL VI, 1.392 = CIL VI, 31.643) foi encontrado na cripta dos Cipiões.

[41] Tácito, “Anais”, livro VI, cap. 30.

[42] Tácito, “Anais”, livro IV, cap. 72; livro VI, cap. 30; Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida de Tibério”, cap. 41, e “Vida de Galba”, cap. 6.  Note-se especificamente Tácito, “Anais”, livro VI, cap. 30, par. 6o: Gaetulicus ea tempestate superioris Germaniae legiones curabat mirumque amorem adsecutus erat, effusae clementiae, modicus severitate et proximo quoque exercitui per L. Apronium socerum non ingratus (“Getúlico, por essa época, comandava as legiões da Germânia Superior, ganhando-lhes a afeição, com sua grande clemência e com sua moderação na disciplina – e sua popularidade espalhou-se mesmo no exército vizinho, comandado por seu sogro, Lúcio Aprônio”).

[43] Tácito, “Anais”, livro IV, caps. 72-74; Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida de Tibério”, cap. 41.

[44] Plínio o Moço, “Cartas”, livro V, carta 3a, parágrafo 5o.

[45] Disce, miles, militari: Galba est, non Gaetulicus – cf. Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida de Gaio”, cap. 44, e “Vida de Galba”, cap. 6.

[46] CIL VI, 1.391.

[47] Para a cooptação, cf. Tácito, “Anais”, livro XV, cap. 22, par. 2ª: defunctaque virgo Vestalis Laelia, in cuius locum Cornelia ex familia Cossorum capta est (“e, tendo morrido a virgem vestal Lélia, em seu lugar foi cooptada Cornélia, da parentela dos Cossos”).  Para os testemunhos epigráficos, ver CIL VI, 9.834 e CIL VI, 17.170.

[48] Esse Décimo Júnio Silano, da distinta família dos Júnios Silanos, representantes da mais alta nobreza, era filho de Lúcio Júnio Silano, cônsul sufeta 26 dC, e neto daquele Décimo Júnio Silano, um dos envolvidos no nebuloso escândalo de adultério de Júlia a Moça, a neta de Augusto, filha de sua filha Júlia e de Agripa.  Sentido a situação perigar, Décimo, Iuliae adulter, se auto-exilou em 8 dC; no ano 20 dC, Tibério enfim permitiu que retornasse a Roma (cf. Tácito, “Anais”, livro III, cap. 24).

[49] CIL VI, 2.002.  Ver também “Fasti Sacerdotum”, por Jörg Rüpke e Anne Glock, vol. II, “Biographien”, Franz Steiner Verlag, 2005, págs. 1.085 e 1.086.

[50] Mais um indício de que Décimo Júnio Silano Getúlico teria morrido jovem, sucedendo então Marco Júnio Silano Lutácio Catulo ao pai no seu posto sacerdotal.

[51] CIL VI, 1.439 = ILS 959.  A fonte da 1a ilustração é a Prosopographia Imperii Romani (PIR); a da 2a, uma gravação do famoso artista do séc. XVIII, Piranesi.  Elas são aqui reproduzidas dentro da expectativa do “fair use”, tendo em vista o uso não-comercial deste trabalho.

[52] Para marcar sua ascendência cipiônica, os Lêntulos Getúlicos passaram a reutilizar a antiga cripta dos Cipiões, na via Ápia, perto da atual Porta de São Sebastião – embora não mais fossem inumados, utilizando sarcófagos, como os velhos Cipiões, mas sim cremados, com suas cinzas depositadas em urnas cinerárias.  Uma lápide bastante fragmentada (CIL VI, 41.049) atesta o nome de Sérvio Lêntulo Maluginense (ou o cônsul sufeta de 10 dC ou o seu filho, cônsul 24 dC); as lápides de Cornélia Getúlica (CIL VI, 1.392 = CIL VI, 31.643), irmã de Gneu Getúlico, o cônsul de 26 dC, e de Cornélia Cesiana, sua filha com Aprônia Cesiana, a filha de Lúcio Aprônio (CIL VI, 1.391), também foram encontradas na cripta; e, enfim, a de Marco Júnio Silano Lutácio Cátulo (CIL VI, 1.439 = ILS 959).

[53] Didaticamente falando, pode-se dizer que as guerras civis romanas, com alguns intervalos de paz, compreenderam quatro fases distintas, de crescente ferocidade: i) os Gracos e a luta pela distribuição de terras (133 a 102 aC); ii) Mário e Sila (102 a 79 aC); iii) Pompeu e César (79 a 44 aC); iv) Antônio e Otaviano (44 a 30 aC).

[54] Esses números jamais foram utilizados novamente por nenhuma legião romana.  Diz-se que o Imperador Augusto, já idoso, durante meses, em sinal de luto pelos que morreram, não cortou o cabelo e nem barbeou-se; e, sem conseguir conciliar o sono, perambulava pelo palácio, exclamando: “Quintílio Varo, devolve-me as minhas legiões!” (Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida do Divino Augusto”, cap. 23; ver a narrativa circunstanciada em Cássio Dião, “História Romana”, livro LVI, caps. 18 a 24).  Ao contrário do que dizem alguns, Varo não era um comandante inábil, ou covarde.  Públio Quintílio Varo, da distinta família dos Quintílios, havia sido cônsul 13 aC, procônsul da África 8-7 aC, e governador da Síria 6-4 aC (tendo de lidar, na ocasião, com os distúrbios que se seguiram à morte de Herodes o Grande).  Tinha uma excelente ficha de serviços, era um administrador metódico e um comandante militar cuidadoso, e parecia a escolha certa para consolidar as conquistas germânicas – mas foi enganado e superado pela tática de “guerrilha” adotada pelo chefe germano, Armínio (Hermann), da tribo dos queruscos, que o fez avançar por florestas e pântanos, internando-o, e a seus legionários, em lamaçais, densas e escuras florestas e terrenos acidentados – enfim, em locais onde as táticas de combate romanas não se mostravam as mais adequadas, e onde o grande tamanho dum exército tornava-se uma nítida desvantagem.  Varo, por assim dizer, “seguiu fielmente o manual”, e por isso acabou derrotado.  Seu desastre alertou os romanos – eles jamais voltaram a subestimar os germanos.

[55] Ele obteria o Sumo Pontificado apenas em 12 aC, após a morte (natural) do Sumo Pontífice Lépido (que sempre recusara obstinadamente a hipótese de renunciar a tal cargo); Augusto podia tê-lo matado, mas não quis macular com um assassinato a sua ascensão a um cargo sacerdotal tão importante; preferiu esperar pacientemente pela morte do rival.

[56] A província da África Proconsular incluía, do ocidente para o oriente: a parte oriental da Argélia; a Tunísia; a faixa litorânea líbia chamada “Tripolitânia” (por causa de suas “três cidades” de Oéia, Sabrata e Lécpis a Grande), até à fronteira com Cirene, na região dos Altares dos Filenos.  A fronteira sul seguia o limite das terras cultiváveis, na região de transição entre a estepe e o deserto do Saara – uma fronteira extensa, mal definida, sem linhas naturais de defesa.  Daí a facilidade com que os nômades berberes (nasamões, musolanos, garamantes, “gétulos”, etc.) podiam realizar incursões.  Daí também a importância estratégica da província, de sua única legião, e de suas numerosas tropas auxiliares, presentes um pouco por toda a parte ao longo dessa extensa e fluida fronteira.  E, além de cuidar dos assuntos da própria província, o procônsul tinha também, várias vezes, que ajudar o vizinho reino-cliente da Mauritânia, às voltas com os mesmos problemas (até Calígula resolver a situação, anexando o reino).  A região da Mauritânia era chamada “a terra dos mauri”, isto é, “mauros” – daí a origem tanto da palavra “mouro” quanto do nome “Marrocos” (o atual país africano chamado “Mauritânia” praticamente nada tem a ver, geograficamente, com a antiga “Mauritânia” dos tempos romanos, que englobava o norte e o centro do atual Marrocos e a parte mais ocidental da atual Argélia, com a fronteira seguindo, como sempre, o limite do Saara).

[57] Acredite-se, se se quiser, que tais “sorteios” eram isentos.  Os próprios senadores podiam, entre si, “ajeitar as coisas”, designando um ou outro ex-pretor ou ex-cônsul para tal ou qual província.  E o Imperador, obviamente, podia “indicar” seus favoritos – ou interferir, usando seu poder proconsular, se algum indicado, por qualquer motivo que fosse, não lhe agradasse.  Os cargos proconsulares da África e da Ásia, duas províncias ricas, altamente urbanizadas e civilizadas, com suas capitais respectivamente em Cartago e Pérgamo (na prática, Éfeso), eram muito cobiçados, e normalmente reservados aos mais nobres entre os nobres, como um coroamento de carreira.  Especificamente quanto à África, uma boa parte das terras era de propriedade das ricas famílias senatoriais romanas – esse, inclusive, foi um dos principais motivos por que Augusto permitiu que essa província, tão próxima da Itália, tão rica e tão estrategicamente importante (grande produtora de trigo para exportação), com sua legião e sua enorme quantidade de tropas auxiliares, permanecesse nas mãos do Senado.  Ele sabia ser diplomático.  Calígula, ao contrário, foi bem mais direto, eficiente – e brutal, como era seu estilo.

[58] O Egito, portanto, como se vê, era um caso bem distinto.  Augusto, após conquistar o país (30 aC), reservou-o para si, quase como uma propriedade privada, e jamais permitiu que os senadores tivessem qualquer influência nessa província.  Era uma questão estratégica – o país era o maior produtor de trigo do mundo antigo, facilmente coletável, transportável (via Nilo) e armazenável em Alexandria, para uso tanto dos habitantes de Roma e dos exércitos, quanto para venda.  A organização e a administração da “frota imperial de Alexandria” (Classis Augusta Alexandrina), encarregada do transporte do trigo até Óstia, o porto de Roma, era um sério assunto de Estado.  Dentro do Egito, o Imperador romano era, para todos os fins práticos, um rei (para os gregos), ou um Faraó (para os nativos); era, inclusive, representado, no estilo egípcio, nas paredes dos templos do país, com seu nome encapsulado em cartuchos e gravado em hieróglifos, e com toda a titulatura dos antigos Faraós (“Rei do Alto e do Baixo Egito”; “filho de Rá”; “amado por Ptá e por Ísis”, etc.).  Nesse contexto, os governadores e administradores romanos enviados para o Egito, todos de nível eqüestre, eram bem mais submissos ao Imperador, e, na média, bem mais competentes em termos de arrecadação de impostos.

[59] Esse Arquelau (que não deve ser confundido com o Arquelau filho de Herodes o Grande) era reputado como um tanto desequilibrado mentalmente; Tibério o havia convocado a Roma nos finais de 14 dC, a fim de responder a graves acusações referentes a atos de má administração; é provável que, vendo a situação perdida, ele tenha enfim se suicidado.  O filho de Arquelau, contudo, Arquelau II, manteve uma parte dos domínios paternos, a Cilícia Traqueótide, juntamente com as cidades de Derbe e de Laranda; governou até à sua morte, em 37 dC, no início do império de Calígula.  Seus territórios foram então incorporados no recém-restabelecido reino da Comagena.

[60] Foram duas províncias de segunda classe, governadas por procuradores eqüestres.  Seus nomes derivam de suas capitais, respectivamente Cesaréia da Mauritânia (a atual Cherchel, na Argélia) e Tíngis (a atual Tânger, no Marrocos).

[61] Alpes Marítimos, Alpes Graios e Peninos e Alpes Cótios (províncias procuratorianas, como as duas Mauritânias): o processo iniciou-se sob Augusto e concluiu-se c. 63-65 dC, sob Nero.

[62] Os jogos (da 211a Olimpíada) deveriam ter sido realizados em 65 dC, mas foram adiados por dois anos, tendo em vista a visita programada do Imperador, que havia manifestado expressamente o seu desejo de competir.  Logicamente, Nero venceu uma série de provas, não apenas de índole poético-literária (a dos heraldos, a dos citaredos e a da composição de tragédias), mas também hípicas (corrida de biga puxada por dois cavalos, de biga puxada por dois potros e corrida de carruagem puxada por dez potros).  Ver Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida de Nero”, cap. 24.

[63] Ele concebeu também um plano grandioso para cortar um canal no istmo de Corinto; os trabalhos, apesar de iniciados, foram interrompidos com o fim do reinado de Nero e com as desordens dos anos 68-69 dC (cf. Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida de Nero”, cap. 19 e cap. 24; também Filóstrato, “Vida de Apolônio de Tiana”, livro IV, cap. 24, e Cássio Dião, “História Romana”, livro LXII, cap. 16).

[64] Cf. Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida de Vespasiano”, cap. 8o, par. 4o; também Pausânias, “Descrição da Grécia”, livro VII, cap. 17, par. 4o.

[65] Para pertencer à ordem senatorial, ou dela continuar a fazer parte, uma fortuna 800.000 sestércios, depois aumentada para 1.200.000 sestércios (em dinheiro sonante e/ou em bens de raiz) era requerida; para a ordem eqüestre, o piso era de 400.000 sestércios (disposições finais de Augusto a partir duma lei de sua autoria, Lex Iulia de Magistratibus, de 12 aC, cf. Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida do Divino Augusto”, cap. 41; Cássio Dião, “História Romana”, livro LIV, cap. 17).  Em ambos os casos, a pessoa tinha que ter nascido livre, i.e., libertos não podiam, em hipótese alguma, ser senadores ou cavaleiros (mas seus filhos, se nascidos livres, sim).

[66] O cursus honorum eqüestre iniciava-se, necessariamente, via carreira militar.  O serviço no exército, então como depois em muitas sociedades, constituía-se num importante instrumento de flexibilidade e de ascensão social.

[67] Isto é, “da faixa estreita” – referência à estreita faixa púrpura que os membros da ordem eqüestre podiam usar em suas togas (os cidadãos comuns usavam uma toga lisa, sem nenhum ornamento).

[68] Isto é, “da faixa larga” – referência à larga faixa púrpura que os senadores e seus filhos podiam usar em suas togas.  Nas legiões estacionadas no Egito, todos os seis tribunos eram “angusiclavos” – não havia senadores lá.

[69] Desde 22 aC.  Desde 18 aC, o seu título passou a ser de “prefeitos do suprimento do trigo” (praefecti frumenti dandi), e seu número, originariamente de 2, passou a 4.

[70] Desde 28 aC.

[71] Desde 6 dC.  O aerarium militare (criado nesse ano), além de aportes advindos da fortuna pessoal do Imperador (fiscus), era alimentado por um imposto especial, também instituído nessa ocasião, a taxa de 5% sobre as heranças e legados (vicesima hereditatium et legatorum).  Passaram a existir, assim, três “tesouros”: o aerarium (tesouro público), o fiscus (tesouro pessoal do Imperador) e o aerarium militare (o caixa específico para os soldos e reformas do exército).

[72] Desde 20 aC.

[73] É importante notar que todas as evidências explícitas para tais “missões” vêm apenas a partir do séc. II dC, ou seja, duma época em que a estrutura administrativa imperial já se encontrava mais amadurecida.  Se as houve na época dos Júlio-Cláudios, e mesmo dos Flávios, era algo sumamente excepcional

[74] Desde 15 dC, sob Tibério.

[75] Desde 12 ou 11 aC.

[76] Data incerta, mas da época de Augusto.

[77] A não ser que fosse da família imperial, exercer três consulados era considerado o summum fastigium, o máximo da distinção a que podia aspirar socialmente um senador.  Pouquíssimos chegaram a esse ponto, que indicava um grau especial de consideração, e de favorecimento, por parte do Imperador.

[78] Desde 26 aC.

[79] Afinal, é dos romanos o velho ditado, verba volant, scripta manent (“as palavras voam, os escritos ficam”).

[80] Citem-se, também da Espanha, e de c. 82-84 dC, a lex Salpensana e a lex Malacitana.

[81] Chamadas tabulae aenea (CIL I2, 2.924), ou tabula aerea, cf. Plínio o Velho, “História Natural”, livro XXXIV, par. 99.

[82] Tabula dealbata, cf. CIL XI, 1.421 = ILS 140.  A lousa era também chamada alba.

[83] Tabula cerata, p.ex. Plauto, “Asinária”, verso 763.

[84] As cidades antigas estavam, assim, repletas de inscrições públicas; mesmo que a esmagadora maioria das pessoas fosse analfabeta, podiam pedir que alguém lhes lesse.  As inscrições eram usualmente postas nos lugares de grande trânsito de pessoas – daí o acúmulo delas nos mercados (fóruns), nas basílicas, nas proximidades dos templos, ao longo das ruas principais e, mesmo, nas vizinhanças (ou no interior) de teatros, anfiteatros, circos e banhos públicos.

[85] O pergaminho, na época de Augusto e dos Júlio-Cláudios, e mesmo depois, era por demais caro para esse tipo de uso.  A esmagadora maioria dos livros era escrita em rolos de papiro, e num lado só; cartas, recibos, contratos, e documentos curtos da espécie o eram em folhas individuais, ou tiras, de papiro, também num lado só, podendo a resposta, se requerida, ser enviada no mesmo material, escrita no verso (daí a expressão rescripta – escrito novamente).

[86] Não se deve esquecer que, mesmo nos edifícios de pedra, a cobertura do teto era feita usualmente de madeira – mesmo nos templos, basílicas, prédios públicos, mansões e palácios.  Raros eram os edifícios construídos inteiramente com pedra – um exemplo notável foi o Panteão de Agripa, em Roma, após a reforma de Adriano.  Sua cobertura cupulada era de concreto, coberta originariamente com telhas de bronze, fixadas à estrutura por meio de buchas de chumbo.  Por isso o prédio sobreviveu virtualmente intacto até aos dias de hoje.  Os banhos públicos também eram construídos, usualmente, em estruturas abobadadas de pedra, tijolo ou concreto – o uso de madeiramento no teto poderia induzir mais facilmente a incêndios, especialmente em prédios nos quais queimava-se lenha continuamente para manter as águas aquecidas.

[87] O exemplo clássico foi o discurso pronunciado pelo Imperador Cláudio no Senado em 48 dC, acerca da entrada naquela assembléia de ricos provincianos oriundos da Gália situada além da Provença (i.e., das “Três Gálias”, a Lugdunense, a Aquitânia e a Bélgica).  A transcrição verbatim foi encontrada, em grande parte, em tábuas de bronze em Lugduno (Lião), na Gália (CIL XIII, 1.668 = ILS 212), e o historiador Tácito (que escreveu nos inícios do séc. II dC) fez uma paráfrase desse mesmo discurso (“Anais”, livro XI, caps. 23 e 24), obviamente a partir da consulta aos arquivos presentes no Tabulário de Sila.  Mas a situação era excepcional: o próprio Imperador discursava, e mais, referia-se a um assunto delicado: a inclusão no Senado, no próprio Senado de Roma, na mais alta ordem da sociedade, de gauleses da Gallia Comata, cujos avós até recentemente haviam sido inimigos ferozes do Estado romano, e conquistados por Júlio César apenas cerca de 100 antes do principado de Cláudio.

[88] Júlio César, no seu 1o consulado (59 aC), fez publicar desse modo as acta senati (cf. Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida do Divino Júlio”, cap. 20); a prática foi descontinuada por Augusto (cf. Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida do Divino Augusto”, cap. 36).

[89] O erário (aerarium) era sempre o tesouro público (no caso de Roma, o tesouro do Senado); o fisco (fiscus), ao contrário, era o tesouro pessoal do Imperador (que, na prática, ao longo das gerações, foi se tornando um tesouro público também).  A esses dois tesouros acrescentou-se, como já se mencionou, o aerarium militare em 6 dC.

[90] Tanto entre cidades quanto entre cidades e governadores provinciais, ou mesmo entre cidades e Imperadores.  As cidades podiam enviar embaixadas diretamente ao Imperador, em Roma, para tratar de assuntos de seu interesse.  Usualmente escolhiam-se os mais ricos e/ou cultos cidadãos para liderar essas embaixadas.

[91] Além da cidadania romana (teoricamente, a cidadania da cidade de Roma), cada centro urbano do Império (civitates em latim; poleis em grego) tinha a sua própria cidadania; quem não era cidadão era considerado “estrangeiro residente” (peregrinus lat., metoikos gr.), mesmo que tivesse nascido na cidade.  Apenas cidadãos (cives lat., politai gr.) podiam pertencer às assembléias populares (comitia lat.; koinoi gr.), votar e concorrer aos cargos públicos; igualmente, apenas cidadãs podiam se beneficiar de algumas benesses, como banquetes públicos, lugares privilegiados nos teatros, anfiteatros e circos, ou distribuições gratuitas de trigo em tempos de escassez.  E, dentre os cidadãos, apenas os mais ricos podiam exercer os diversos cargos públicos (decalcados nas antigas magistraturas anuais republicanas da cidade de Roma – a ordem usual para as magistraturas municipais era questores, edis e duúnviros, estes últimos os análogos dos pretores e cônsules), bem como pertencer ao conselho municipal dos senadores locais (curia, nalguns casos mesmo senatus lat.; boulê ou sygkletos gr.), chamados decuriões (decuriones lat.; bouleutai gr.).  Dentre os decuriões, era costume que os dez mais ricos e influentes (os “dez primeiros” – decemprimi lat., dekaprôtoi gr.) tivessem especial distinção e, na prática, conduzissem todos os assuntos municipais importantes.  Era usualmente com esses “dez primeiros” que as autoridades romanas lidavam; eram eles que normalmente eram enviados em embaixadas ao governador provincial ou ao Imperador, e eles passavam por representar toda a comunidade.

[92] Era importante para o governo central saber o número dos cidadãos romanos e o montante de seus recursos, já que havia impostos que incidiam apenas sobre os cidadãos.  E, é claro, era importante também ter dados acerca da população total do Império e de seus recursos, a fim de poder avaliar o orçamento do Estado como um todo.  Contudo, apenas os dados consolidados alcançavam a capital; é razoável supor que, ao menos numa forma resumida, fossem gravados em tábuas de bronze e depositados no Tabulário de Sila.

[93] Note-se, contudo, que os documentos de baixa honrosa (honesta missio) eram guardados em tábuas de bronze no Tabulário de Sila.

[94] Plínio o Moço, “Cartas”, livro X, carta 22.

[95] O Senado não recebeu nada em troca da Bitínia-e-Ponto, já que a transferência era considerada “provisória”; mas em 180 dC, quando o Imperador enfim decidiu que a transferência seria permanente, pela Bitínia-e-Ponto o Senado foi “indenizado” com a insignificante Lícia-e-Panfília.  Instruções semelhantes foram dadas a Domício Corbulão por Nero, mas aí também se tem um caso excepcional, no contexto das grandes campanhas militares a serem levadas a efeito no Oriente, contra os partas.

[96] Cita-se muito, mais uma vez, o caso de Plínio o Moço, cujo décimo livro de suas “Cartas” lida com a correspondência que manteve com o Imperador Trajano, durante seu governo na Bitínia-e-Ponto (c.109 – c. 113 dC).  Contudo, sua missão, como visto, era especial.  Além do mais, Plínio era um senador, e ex-cônsul; tinha proximidade suficiente com Trajano para poder dirigir-lhe uma correspondência volumosa.  Dum modo geral, na visão dum governador provinciano, quanto menos precisasse contatar o Imperador, tanto melhor.  E, para o Imperador, quanto menos fosse incomodado com questões provincianas, melhor.

[97] Daí a importância das embaixadas, enviadas por cidades ou por províncias, diretamente ao legado propretoriano mais próximo (no caso de províncias de 2a classe), ou mesmo diretamente ao Imperador, sem necessidade de qualquer “permissão” do governador provinciano.

[98] “Ele [Vespasiano] iniciou pessoalmente a restauração do Capitólio, sendo o primeiro a limpar, com as próprias mãos, os detritos do incêndio, transportando inclusive a primeira carga deles.  E providenciou a reposição de três mil tábuas de bronze, que haviam sido destruídas [no Tabulário] juntamente com o templo capitolino, ordenando que fossem feitas cópias – antiqüíssimos e valiosíssimos testemunhos dos atos do Império, contendo os decretos do Senado e do Povo, quase desde a fundação da cidade, a respeito de alianças, tratados e privilégios especiais garantidos a indivíduos.” (Ipse restitutionem Capitolii adgressus, ruderibus purgandis manus primus admovit ac suo collo quaedam extulit; aerearumque tabulatum tria milia, quae simul conflagraverant, restituenda suscepit undique investigatis exemplaribus: instrumentum imperii pulcherrimum ac vetustissimum, quo continebantur paene ab exordio urbis senatus consulta, plebiscita de societate et foedere ac privilegio cuicumque concessis. – Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida de Vespasiano”, cap. 8).

[99] Cássio Dião, “História Romana”, epítome do livro LXXIII, parágrafo 24: “Imediatamente antes da morte de Cômodo, ocorreram uma série de portentos: várias águias de mau agouro voaram ao redor do Capitólio, grasnando de forma terrível, como a anunciar uma tragédia; e, além disso, uma coruja surgiu no local.  Logo a seguir, um incêndio iniciou-se na região do Templo da Paz, espalhando-se por uma série de depósitos cheios de mercadorias egípcias e árabes, onde ganhou força e terminou por alcançar o Palácio [i.e., o conjunto das edificações imperiais da colina palatina], consumindo grande parte dele, de modo tal que todos os arquivos imperiais foram destruídos.  Isso tornou claro que um grande mal atingiria não apenas a Cidade, mas também todo o mundo civilizado; porque as chamas não puderam em hipótese alguma ser extintas pelo esforço humano, e isso apesar duma grande multidão de soldados e de civis as combaterem com vigor, lançando-lhes água ininterruptamente, tendo o próprio Cômodo vindo de uma das residências imperiais suburbanas, onde então se encontrava, para os encorajar.  Apenas quando completou a destruição de todos os lugares que tinha alcançado é que o incêndio finalmente perdeu força, e acabou por ser dominado.”

[100] Isso mostra que, mesmo que se suponha que alguma narrativa oficial do processo de Jesus tenha algum dia existido (e é virtualmente certo que nunca existiu), ela não poderia ter sobrevivido aos finais do séc. II dC.

[101] Romanorum primus Cn. Pompeius Iudaeos domuit templumque iure victoriae ingressus est: inde vulgatum nulla intus deum effigie vacuam sedem et inania arcana. Muri Hierosolymorum diruti, delubrum mansit. Mox civili inter nos bello, postquam in dicionem M. Antonii provinciae cesserant, rex Parthorum Pacorus Iudaea potitus interfectusque a P. Ventidio, et Parthi trans Euphraten redacti: Iudaeos C. Sosius subegit. Regnum ab Antonio Herodi datum victor Augustus auxit. Post mortem Herodis, nihil expectato Caesare, Simo quidam regium nomen invaserat. Is a Quintilio Varo obtinente Syriam punitus, et gentem coercitam liberi Herodis tripertito rexere. Sub Tiberio quies. Dein iussi a C. Caesare effigiem eius in templo locare arma potius sumpsere, quem motum Caesaris mors diremit. Claudius, defunctis regibus aut ad modicum redactis, Iudaeam provinciam equitibus Romanis aut libertis permisit, e quibus Antonius Felix per omnem saevitiam ac libidinem ius regium servili ingenio exercuit, Drusilla Cleopatrae et Antonii nepte in matrimonium accepta, ut eiusdem Antonii Felix progener, Claudius nepos esset.

[102] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVIII, cap. 4o, par. 6o (106-108); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 9o, par. 6o (181).

[103] Esse Agripa, ou Marco Júlio Agripa, para se dar o seu nome romano, era filho de Aristóbulo, um dos filhos de Herodes o Grande do seu 1o casamento, com Mariana I, a princesa judia da família dos Hasmoneus (portanto, Agripa era neto de Herodes o Grande).  Tanto Aristóbulo, seu pai, quanto Alexandre, seu tio, filhos de Mariana, haviam sido executados por Herodes, sob suspeitas de conspiração.  Agripa havia sido criado em Roma, na casa de Antônia, a filha de Marco Antônio e Otávia (irmã de Augusto), onde também havia sido criado Calígula.  Os dois eram companheiros de farras.

[104] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVIII, cap. 6o, par. 10o (237); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 9o, par. 6o (181-183).  Calígula também prometeu a Agripa os antigos territórios dos árabes itureus que haviam estado sob o governo de Lisânias, isto é, o distrito da Abilena, com sua capital na cidade de Ábila; mas tais terras apenas lhe foram dadas por Cláudio, em 41 dC, na ocasião da abolição da província da Judéia – Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XIX, cap. 5o, par. 1o (275).

[105] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XIX, caps. 1o a 5o, par. 1o (1-277); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 11, par. 1o a 5o (204-217).  O reino de Agripa I compreendia, assim, a Judéia, a Iduméia, a Samaria, a Galiléia, a Peréia, a Batanéia, a Traconítide, a Gaulanítide, a Abilena e o distrito de Pânias; de todas essas regiões, apenas a Judéia e a Galiléia podiam ser consideradas efetivamente como “judaicas”, tanto em termos religiosos quanto étnicos; a população da Iduméia (de onde, aliás, era originário Herodes o Grande) era de religião judaica, mas mantinha uma forte idiossincrasia regional, já que não descendia, majoritariamente, de judeus étnicos; os samaritanos, embora cultuassem o mesmo Deus que os judeus, eram seus inimigos declarados, e não reconheciam o culto do Templo de Jerusalém; quanto às demais regiões, eram majoritariamente pagãs, e sem dúvida prefeririam o governo romano ao judaico.

[106] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XIX, cap. 5o, par. 1o (277); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 11, par. 5o (217).  Para distingui-lo de outros Herodes, ele é conhecido como “Herodes de Cálcis”.

[107] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XIX, cap. 9o, par. 2o (362-363); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 11, par. 6o (218-220).

[108] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XX, cap. 1o, par. 3o (15).  Com sua morte, esses direitos passaram para Agripa II, até à revolta do ano 66 dC.

[109] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XX, cap. 5o, par. 2o (104); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 12, par. 1o (223).

[110] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XX, cap. 7o, par. 1o (137); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 12, par. 8o (247).

[111] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XX, cap. 8o, par. 4o (159); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 13, par. 2o (252).

[112] Ele subia a Jerusalém, acompanhado de tropas, por ocasião das grandes festas, especialmente da Páscoa, a fim de poder melhor controlar as multidões e, se necessário, debelar qualquer distúrbio no nascedouro.  Quando na cidade, instalava-se, com seus soldados, na fortaleza Antônia, vizinha à esplanada do Templo.

[113] Inclusive o tão polêmico “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson.  Pilatos é corretamente retratado como um militar (a carreira eqüestre era eminentemente militar); alguns de seus auxiliares diretos podiam ser oficiais legionários, mas os soldados sob seu comando não eram legionários.  Pilatos podia muito bem falar em latim com seu “staff” direto, mas provavelmente falaria em grego com esses auxiliares, e, certamente, em grego com as autoridades judaicas.  A única língua estrangeira que os romanos se dignavam aprender e falar era o grego, a “língua franca” do oriente do Império.

[114] Cf. Flávio José, “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 3, par. 4o (53), referindo-se às desordens que se seguiram à morte de Herodes o Grande em 4 aC: “Muitos daqueles que haviam lutado sob o rei [Herodes] acabaram abandonando os romanos, e uniram-se aos judeus em seus distúrbios; mas os melhores dentre eles, o núcleo do exército, constituído de 3.000 homens de Sebástia [i.e., samaritanos], juntamente com seus comandantes, Rufo e Grato [To mentoi polemikôtaton meros, Sebastênoi trischilioi Rhouphos te kai Gratos epi toutois], permaneceram leais a Roma.  Grato era o chefe da infantaria, e Rufo, da cavalaria [Rhouphos de tous hippeis]; eram ambos guerreiros eficientes e experimentados, e puderam virar a maré da guerra.”

[115] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XIX, cap. 9o, par. 2o (364-365), referindo-se aos tumultos que se seguiram à morte de Agripa II, na iminência da restauração da província da Judéia: “E ele [o novo procurador, Cúspio Fado, 44-c.46 dC] deveria [por ordem do Imperador Cláudio] retirar os corpos de soldados que se encontravam em Cesaréia e em Sebástia [Samaria], com os cinco regimentos de infantaria [tas pente speiras], para o Ponto, a fim de que passassem a prestar o serviço militar lá, substituindo-os por igual número de tropas recrutadas entre as forças romanas da Síria [tôn d’en Syrían Rhômaikôn tagmatôn epileksai stratiôtas kat’arithmous kai ton ekeinôn anaplêrôsai totton].  Mas tal ordem não foi cumprida, conseguindo-se demover Cláudio, permanecendo essas forças na Judéia – esses mesmos soldados que seriam a fonte de tantas calamidades para os judeus nos tempos que se seguiriam, e cujas sementes seriam colhidas por Floro [Géssio Floro, o último dos procuradores, 64-66 dC]; tanto que, quando Vespasiano finalmente subjugou todo o país, removeu-os para fora da província.”

[116] AE 1948, 150 (encontrada na região da Samaria, próxima à antiga Sebástia): ] Arr[3] / tesse[rarius(?) 3] / coh(ortis] V [Augustae(?)] / c(ivium) R(omanorum) [Sebastenae(?) 3] / per C(aium) [3] / Sabin[um.  A inscrição em si pode datar de depois da revolta judaica; por sua participação ao lado dos romanos, os soldados podem ter ganho a cidadania romana (a coorte é intitulada civium Romanorum, “de cidadãos romanos”).

[117] Cf. Flávio José, “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 12, par. 5o (236): “E Cumano [o procurador Ventídio Cumano, 48-52 dC] tomou de Cesaréia uma unidade de cavaleiros, chamada a tropa de Sebástia [Koumanos de analabôn apo tês Kaisareias mian ilên hippeôn kaloumenên Sebastênôn], indo em socorro dos [samaritanos] que estavam sendo atacados por Eleazar, debelando os atacantes, matando um grande número deles, tomando o restante como prisioneiros e depois os executando”.  O caso refere-se aos tumultos que se seguiram à morte dum peregrino galileu a caminho de Jerusalém, quando o grupo no qual viajava foi atacado por samaritanos; isso serviu para que vários grupos de judeus, por sua vez, se organizassem e, liderados por Eleazar, passassem a atacar inúmeras aldeias dos samaritanos.

[118] Cf. Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XX, cap. 6o, par. 1o (122): “Quando Cumano soube dos distúrbios [os ataques de Eleazar aos samaritanos], tomou [de Cesaréia] as tropas sebastenas, com quatro regimentos de infantaria [Koumanos de tês prakseôs eis auton aphikomenês analabôn ten tôn Sebastênôn hilên kai pezôn tessara tagmata], armou os samaritanos e marchou contra os judeus, capturando-os, matando um grande número e aprisionando vários”.  Essa narrativa refere-se aos mesmos tumultos relatados na nota anterior.  Assim, depreende-se que Cumano utilizou tanto a unidade de cavalaria quanto as de infantaria para impor a ordem.

[119]Atos, cap. 10, vers. 1o e 2o: “Na cidade de Cesaréia morava um homem chamado Cornélio, centurião da coorte chamada Itálica [Anêr de tis hên em Kaisareiai onomati Kornêlios hekatontarchês ek speirês tês kaloumenês Italikês].  Era piedoso e, junto com todos os de sua casa, pertencia ao grupo dos tementes a Deus; dava muitas esmolas ao povo, e orava sempre a Deus.”

[120] São a I Italica Milliaria Civium Romanorum e a II Italica Milliaria Equitata Sagittaria Voluntariorum Civium Romanorum.  Como seus nomes dizem, eram ambas constituídas por cidadãos romanos, e recrutadas originariamente na Itália.  Essas unidades, assim como inúmeras outras com a denominação voluntariorum (“dos voluntários”) e semelhantes, originaram-se: a) com certeza, de duas conscrições emergenciais feitas na época de Augusto, entre cidadãos pobres e mesmo libertos, para lidar com a revolta da Panônia (6 a 9 dC) e com a derrota de Quintílio Varo na Germânia (no ano 9 dC) – cf. Cássio Dião, “História Romana”, livro LV, cap. 31 e livro LVI, cap. 23; Veleio Patérculo, “Histórias”, livro II, cap. 111; Suetônio, “Sobre as Vidas dos Césares”, “Vida do Divino Augusto”, cap. 25; b) talvez duma outra conscrição emergencial, feita por Tibério em 19 dC entre 4.000 libertos, adeptos dos cultos egípcios ou “tementes a Deus” que nutriam simpatias pela religião judaica, para lidar com os guerrilheiros que infestavam o interior da Sardenha, como alternativa à sua expulsão da cidade de Roma (cf. Tácito, “Anais”, livro II, cap. 85).  É tentador considerar que a “coorte Itálica” presente na Cesaréia Marítima na ocasião fosse de sobreviventes simpatizantes do judaísmo que haviam lutado na Sardenha.  Tratar-se-ia, no caso, da I Italica Milliaria Civium Romanorum, e explicaria a boa-vontade de Cornélio para com a religião judaica.

[121] Atos, cap. 27, vers. 1o: “Quando foi decidido que embarcaríamos para a Itália, Paulo e alguns outros prisioneiros foram entregues a um centurião chamado Júlio, da coorte ‘Augusta’ [Ôs de ekrithê tou apoplein hêmas eis ten Italian paradidoun ton te Paulon kai tinas heterous desmôtas hekatontarchêi onomati Iouliôi speirês Sebastês]”

[122] Há evidência duma unidade semelhante na inscrição AE 1925, 121, datada dos anos 80 dC, e referente a uma coorte “Augusta”, comandada por um Lúcio Obúlnio, e parte do exército do remanescente reino de Agripa II.  Mas deve tratar-se do mesmo caso – antiga unidade da guarnição da província da Judéia, agora servindo a Agripa II.

[123] Flávio José, “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 18, par. 1o (460).

[124] Flávio José, “A Guerra Judaica, livro III, cap. 2o, par. 1o (9-28).

[125] Flávio José, “A Guerra Judaica”, livro III, cap. 4o, par. 2o (65-68).

[126] Ao menos uma das coortes sebastenas tornou-se miliária, cf. AE 1948, 151: miles coh(ortis) 3] / c(ivium) Romanorum m(illiariae) S[ebastenae 3] / Treblan[us 3] / Rufus S[.  A inscrição pode ser posterior à revolta judaica, tendo a unidade sido recompensada com a cidadania romana por sua participação ao lado de Vespasiano.

[127] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVIII, cap. 6o, par. 5o (177).

[128] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVII, caps. 10 e 11, par. 1o (250-299); “A Guerra Judaica”, livro II, caps. 3o a 5o (39-79).

[129] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVIII, cap. 1o, par. 1o (1-3).

[130] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVIII, cap. 4o, par. 2o (88-89).

[131] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVIII, cap. 8o, pars. 2o a 9o (261-309); “A Guerra Judaica, livro II, cap. 10o, pars. 1o a 5o (184-203).

[132] Flávio  José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XX, cap. 6o, par. 2o (125-133); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 12, pars. 5o e 6o (239-244).

[133] Flávio José, “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 1, pars. 9o e 10o (499-512); livro II, cap. 19, pars. 4o a 9o (527-555).

[134] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVIII, cap. 3o, par. 1o (55-59); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 9o, pars. 2o e 3o (169-174).

[135] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVIII, cap. 3o, par. 2o (60-62); “A Guerra Judaica”, livro II, cap. 9o, par. 4o (175-177).

[136] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVIII, cap. 4o, par. 1o (85-87).

[137] Flávio José, “As Antiguidades Judaicas”, livro XVIII, cap. 4o, par. 2o (88-89).

[138] Os números das páginas seguem a numeração da obra “Há Dois Mil Anos”, 29ª edição, 386º a 410º milheiro, Federação Espírita Brasileira, obtido em arquivo de extensão “pdf” no portal da referida Federação.

[139] Veja-se Sherk, R. K., “The Eponymous Officials of Greek Cities – IV”, in Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik 93 (1992), págs. 223–272.  Uma mulher, Coscônia Mirte, exerceu três vezes esse cargo, entre o final do reinado de Domiciano e o ano 118 dC.

[140] Ver Sherk, R. K., “Rome and the Greek East to the Death of Augustus”, págs. 96-97.

277 respostas a “LIVRO HÁ DOIS MIL ANOS: UMA FRAUDE HISTÓRICA COMPLETA”

  1. Carlos Magno Diz:

    Mãe do Céu!!!

    A verborragia ataca outra vez! Vou pedir a um escriba juramentado para ler para mim. Quem sabe até o Natal ele consiga terminar.

    Benditas sejam as fraudes do Chico e as falsas personalidades de seus guias, – seus alteregos – que conseguiram colocar milhões de desesperançados no caminho da luz, da esperança e da renovação!

    Que trouxeram reflexões profundas e abriram um leque imenso de estudos e credibilidade ao espírito da doutrina!

    Benditos sejam os mentirosos do Chico, que com seus teores de altíssima energia e vibrações, permearam maravilhosamente a todos que dele se acercavam , – eu inclusive, – e que deram graças a Deus dele ter nascido junto a nós, no Brasil!

    Volte, Chico, por favor, volte com suas trapaças, milhões o aguardam ansiosamente, irão comemorar o seu retorno à Terra e de seus falsos guias! Quantos outros irmãos serão curados espiritualmente e renovados na fé pela luz-fantasia de Emmanuel, André Luiz e tantos outros!

    Volte, Chico, por favor, volte, para matar de vez do coração e fazer mugir e babar de ódio os teóricos redundantes, escravos da letra, que acreditam que a história é exatamente como a tomaram de todas as crônicas. Que adoram perder seu tempo com a forma, que se comprazem em se crer iconoclastas, em ver mentiras onde somente há verdades, em buscar defeitos onde defeitos não há, em exaltar a dubiedade onde os homens realmente trapacearam para encobrir verdades!

    Volte, Chico, por favor, volte, para ignorar solenemente esses seus detratores, sequer tomar conhecimento de suas perfídias e incestuosas invejas, esses caçadores de fama, que usam ao estilo, à semântica e a verborragia como instrumentos coniventes de suas más intenções.

    Essas águas turvas e barrentas representam somente um riacho diante da imensidão do mar onde Chico navegou, e serão diluídas de encontro às gigantescas ondas, ou serão clareadas em seus caminhos pela límpida e cristalina chuva que cai todos os dias sobre justos e injustos!

    Não vale a pena, Chico, realmente não vale incomodá-lo, nesse momento, onde você trabalha envolto de luz e verdades, para vir nos confortar, pois já aprendemos a lidar com os coveiros sinistros, os detratores estilistas e os maus intencionados.

    Mas volte, Chico, quando Deus lhe mandar, aqui estaremos para recebê-lo de braços e corações abertos e lágrimas de gratidão!

  2. Serena, SP Diz:

    Um estudo muito bom que, para os apaixonados pela história, esclarece muito.

    O Chico era um sapeca, vê-se pelas fotos de “materializações” de espíritos envoltos em lençóis que circulam pela internet.

    Quanto aos “milhões” que o veneram, basta lembrar que, sem comparação moral, apenas quanto ao fenômeno popular, The goat foi também adorado e venerado. Por ocasião de seu assassinato, milhares de adoradores foram ao enterro da figura. Ser adorado pelas multidões, como se vê, não significa muito em termos de verdade. Mas um bom estudo histórico significa sim.

    Cresci dentro do espiritismo ao lado de adoradores deste sapequinha, que produziu outros tantos plagiários, outros tantos “estudos históricos” distorcidos, biografias falsas etc.

    Quem sabe, com o passamento dessa figura central, o início de um novo momento no espiritismo seja possível, no qual possamos denunciar as sapequices e obter um trabalho mais cuidadoso e honesto.

    E isso sem nenhum prejuízo das obras sociais que a maioria dos centros espíritas promovem, e que não pertencem a ninguém em particular, por mais famoso que seja o personagem.

  3. Carlos Magno Diz:

    Serena,

    Olhe, conheci o Chico e convivi com pessoas que o conheceram melhor do que eu, e ninguém jamais falou dele com esse veneno que você destila. Você o conheceu mesmo, se aproximou dele algum dia?

    Cresceu no espiritismo? Desculpe, não acredito, senão você teria aprendido um mínimo! Ou então dormia nas cadeiras!

  4. Chico Xavier, "Há Dois Mil anos" como ficção | CeticismoAberto notícias Diz:

    [...] lendo: – LIVRO HÁ DOIS MIL ANOS: UMA FRAUDE HISTÓRICA COMPLETA Veja tambémChico Xavier speaks Engrish "A idéia de que Chico falava muitas línguas [...]

  5. Gabriel Torquato Diz:

    Duvido que alguém leia este texto todo!!! Faz-se (ou se faz, sempre confundo…) necessária uma síntese, senão não dá…

  6. Patola Diz:

    “Benditas sejam as fraudes do Chico e as falsas personalidades de seus guias, – seus alteregos – que conseguiram colocar milhões de desesperançados no caminho da luz, da esperança e da renovação!”

    Isso que é querer ser enganado! Se fosse só a você, tudo bem, mas querer que os outros sejam também? Aí você é cúmplice do bandido…

    Se a “esperança e renovação” forem baseadas em premissas falsas, mais vale que essas premissas sejam desmentidas e esperança e renovação melhores, mais sólidas, VERDADEIRAS, sejam obtidas. Você não pode querer que as pessoas vivam na mentira, a não ser que seja realmente desonesto.

  7. Carlos Magno Diz:

    Patola:

    Sua capacidade de interpretação é exatamente (-) zero.

    Seu nome quase faz jus ao seu cérebro, quase, pois ficaria melhor Pá-tolado!

    Continue seduzido pelos inimigos do Chico, por suas conversas e seus hipnóticos textos cobertos de um verniz brilhante: devem lhe fazer um bem imenso, e exultá-lo! Esses críticos sabem dourar muito bem a pílula.

    Queria vê-los levar uma missão grandiosa como a do médium de Uberaba. Não dariam nem o primeiro passo!

    Você certamente não entenderá, mas outros sim: “La critique est facile l’art est difficile”

    A física tem toda a razão quando diz (se é que você também entenderá): “matéria atrai matéria na razão direta das massas e no inverso do quadrado da distância”. Perfeito para vocês!

    A propósito, duvido que você tenha paciência e discernimento para ler aquele quilométrico texto, pretensamente derrocador.

    Aliás, muitos virão por aqui aplaudindo e fingindo que leram, mas terão passado em branco! É verborragia das mais puras e castas!

  8. Fernando Ferreira Diz:

    Sempre leio os artigos deste site e até o momento não me manifestei. É incrível o destempero deste senhor Carlos Magno. Ao invés de rebater os textos com dados concretos, estudos, ataca os autores. Ataca até os comentaristas, sempre a pessoa nunca o texto. Usa e abusa desse expediente, demonstrando, além de falta de educação, despreparo e desconhecimento de que este procedimento é considerado uma falácia, um erro grosseiro na argumentação. Lamentável.

  9. Carlos Magno Diz:

    Fernando, por favor, vamos dialogar.

    Apresente argumentos educados que também serei educado.

    Somente devolvo aos críticos o mesmo tom que eles me enviam.

    Mas se você acha que promover campanha orquestrada contra o Chico e a doutrina espírita, – não gratuíta, – pois há muitos interesses por trás disto, é estar na finíssima educação somente porque os textos demolitórios estão bem escritos, então não teremos realmente condições de dialogar!

    No entanto, quem sabe, valeria a pena tentar!

  10. Guilherme Diz:

    A riqueza de detalhes é cansativa, mas é necessária para validar o artigo, que a mim passou credibilidade.

    Muito bom!

  11. Jorge Diz:

    Salve, Vitor.

    Eu não gostei apenas de não ser um trabalho teu.

    Ficaria mais colorido, se colocasses alguma coisa que saiu de tuas entranhas.

    Lembre-se, sempre, os espíritas sérios e honestos (se os há, logo se descobrirá) estão do teu lado.

    O bom do espiritismo é o amor pela verdade, a honestidade de aceitá-la, a pureza para difundi-la, a concórdia nas discussões, a harmonia das palavras, o amor fraternal sem hipocrisia, a condescendencia com os que não amadureceram para o espírito (sabem tudo da carne, mas de espírito…).

    Logo, o estudo de teu amigo é bem vindo.

    Precisariamos apenas passar pelo crivo de mais alguns filólogos e historiadores com especialização na civilização romana.

    Só a opinião dele não é definitivo, entendes?

    abraços

    (e escreva tuas idéias aqui)

  12. Maria Salete da Silva Diz:

    Tenho graduação e sou apaixonada por História. O trabalho dessa pesquisa é denso e merece consideração. Passível de erros,discordâncias, controvérsias, dúvidas graves, mas é válido. O autor infelizmente não apresenta isenção de ânimo, a bibliografia é pequena, não constando historiadores reconhecidos.Concordo com o Jorge qto. a necessidade de outros crivos, aliás, é imprescindível que isso seja feito, caso contrário é só mais uma maneira de ver as coisas. Filólogos , historiadores e demais estudiosos c/especialização em civilização romana sem dúvida ajudarão muito.

    Abraços.

  13. Carlos de Castro Diz:

    Um pequeno adendo no tópico nº 113. Parabéns pelo grande estudo, baseado principalmente no “Testimonium Flavianum”, os escritos de Flávius Josefus, Ben -Matathias Yussef, judeu helenizado ( Guerras Judaicas, Antiguidades Judaicas). Mas existiam legiões na Judéia. Pesquisas arqueológicas recentes sugerem que em Megido, no vale do Jordão no ano 68, estava posicionado o acampamento de uma importante legião romana, a Legio VI Ferrata Fidelis. Durante o cerco de Masada a fortaleza foi tomada pela Legio X Fretensis reforçada com unidades vindas da Germânia.

  14. Vitor Diz:

    Caro Carlos,

    note o ano: 68. O texto do Sr. José Carlos afirma explicitamente:

    “Contudo, viu-se que jamais estacionaram legiões na Judéia antes da revolta de 66 dC; ”

    Um abraço,
    Vitor

  15. Carlos Magno Diz:

    Vitor:

    Como poderia entender o José Carlos se dando ao trabalho de fazer uma pesquisa de um tamanho descomunal, ou encomendar para fazerem-na?
    1. Somente para tentar provar que Emmanuel estaria mentindo?
    2. Por que você pediu?
    3. Por que ambos são amigos e precisavam dar uma resposta ao Carlos Magno e outros? (obrigado, não mereço)
    4. Por que julgam que ao provar a inexistência de Emmanuel ganharão projeção internacional?

    Por amor a uma possível lisura ou por ódio a uma mentira ultrajante realmente não é! Nem você nem seu amigo são tão virtuosos a ponto de perder dias e dias nessa pesquisa com esse honroso fito.

    E não são nem um pouco sábios a ponto de conseguir realmente se antepor a uma corrente de mentes muitíssimo mais capazes, legião de espíritos milenares e de estudiosos encarnados. E você pode dizer o que quiser, o José idem, mas a ingenuidade de ambos nessa empreitada seria somente comparável a um orgulho até infantil, ou justificada pela ambição desmedida.

    Ambição sim, nesse ponto dou-lhes inteira razão, afinal ninguém é perfeito! Orgulho infantil, jamais, mas sua malícia e o super-esforço do José os remetem a uma visualização das menos recomendáveis.

    Olhe, com toda a sinceridade, não desfazendo da capacidade do José em copiar, acho também que ambos estão sendo subvencionados. Não é sempre que se consegue juntar o bom ao necessário, e a subvenção, principalmente, seria muito bem vinda. Perder tempo somente com críticas, e de graça? Até relógio precisa de corda ou pilha!

    Você acha realmente que esse calhamaço histórico virá atestar inequivocamente a não existência de Públio Lêntulo?

    Vai não, querido! Quem virá estudar a fundo as falhas históricas dessa pesquisa somente para provar que o José está errado? Quem? Ninguém! Os milhões de espíritas da doutrina de Kardec vão simplesmente dar de ombros. Para eles basta o que Emmanuel escreveu, o que Chico psicografou, nada mais!

    E quem é Vitor Moura? Quem é José Carlos? Quem são ambos diante de obras mediúnicas sólidas da vencedora doutrina espírita?.

    Basear-se nesses documentos históricos é somente tentar abrir demandas para discussões inócuas, se houver espíritas dispostos a perder tempo para tal. Aliás, a história é cheia de armadilhas, surpresas e relatos imaginosos e achar que por esse cabedal de textos copiados e obras elencadas, tudo contém sobre o assunto é outra cândida infantilidade.

    Mas fiquem tranqüilos, repito, nenhum espírita virá, verdadeiramente, igualar tal pesquisa quantitativa. No máximo uma referência aqui, outra ali, um comentário mais ácido como são os meus e nada mais, aliás, como já começamos a fazer!

    Mas terão aplausos também, já estão aplaudindo! Afora os aficionados em história sem qualquer comprometimento com os méritos, chegarão os mesmos de sempre, aqueles que são contra o espiritismo unicamente porque desejam ser; muitos desses incultos e de linguagem chula, sem objetivos superiores, sem argumentos, que não saberiam sequer formular uma tese, nada que se sustente. E outros críticos contumazes, céticos e ateus, e na sua grande maioria os que somente discutem o espiritismo com rancor e discriminação, sem verdadeiramente saber nada. Os mesmos de sempre, somente eles. Mas com esses, os espíritas leais e verdadeiros – milhões, repito – já sabem como tratar, jamais se incomodarão, já os conhecem, e estarão ocupados com a doutrina e com seus progressos espirituais, como lá estão nesse exato instante.

    E no final, sabe o que irá dar? Nada, nadinha. Esse volumoso trabalho amanhã será página virada. E sabe, principalmente, por quê? Porque foi levado a cabo por pessoas interessadíssimas em somente encontrar fraudes, pessoas declaradamente contra o espiritismo de Kardec, ateus confessos, e isso vai se transformar numa vibrante arma contra vocês. Pensando bem, estou até exagerando, para que espíritas irão necessitar dessa arma? Mas da lei do carma, não escaparão, quer creiam ou não! Entendam como quiserem, mas ação e reação são inerentes à vida e obras humanas!

    Ou você e o José acham que depois dessa imensa e documentada campanha, os livros do Chico serão retirados de circulação, ou cairão no desuso, ou serão desvalorizados? As obras do Chico não foram convertidas em ações na Bolsa de Valores, por isso a cotação delas continuará nos padrões de sempre, sem a menor dúvida!

    Talvez historiadores gostem se conseguirem ler, como a moça que se pronunciou acima, mas não leu tudo, duvido que tenha lido minuciosamente, é tudo maçante, é cansativo, é notória a profusão de detalhes inúteis somente para confundir.

    Você perdeu, parceiro, o José perdeu também, não valeram seus esforços demolitórios. Os espíritas seguirão tranqüilos como sempre, Graças a Deus!

    Abraço, Vitor. José, um abraço também!

  16. Codename V. Diz:

    Ah, meu.

    Isso que é perder tempo, mesmo! Eu até admiro o trabalho todo para provar a inexistência de Emmanuel. Já que estamos falando de personagens inexistentes, que tal você postar o livro eletrônico da ateus.net que prova fatalmente a inexistência de Jesus? Daí matamos a pau tudo de uma vez! É o fim. Do Cristianismo e do Espiritismo. Um forte abraço! E coragem: porque nesse país quem fala o que quer, ouve o que não quer.

    Bem, você já deve ter notado isso.

    Mas tudo bem!

    A vida segue. E mais “Emmanuéis” aparecem.

    Boa diversão!

  17. Andre Diz:

    O Sr. José Carlos Ferreira Fernandes por um acaso é aquele da SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, que foi acusado de gastar R$ 315.902,75 do dinheiro público sem justificatívas plausíveis, e também recentemente intimado a comparecer a depor na CPI a respeito do vazamento do dito Dossiê…..Em caso positivo, vemos que trata-se de um trabalho com lastro não é….
    Abraços fraternos……

  18. Vitor Diz:

    Não, não é. E mesmo que fosse, isso em nada macularia seu estudo. O raciocínio que você faz é falacioso, conhecido como ad-hominem, em que ao invés de criticar a obra, critica o autor.

  19. Codename V. Diz:

    Pessoal. Espíritas como eu, principalmente. Vamos estudar. Ao invés de perder tempo discutindo a idoneidade do Vitor ou do produtor deste artigo, analisem com calma o estudo, façam comparações e procurem outras fontes que foram deixadas de lado (se é que foram, mesmo). Movimentem-se, analisem cautelosamente. Façam a união, rebatam os argumentos com coerência e parem de choramingar como se fossem o Vitor e o Sr. José Carlos dois monstros com a finalidade de destruir crenças. Até onde eu sei, Allan Kardec era humano. E os médiuns que ele consultou também. Nada está isento de erros. Isso é tudo. Estudem. Simplesmente. A Doutrina não é dogmática. Ela é relativa como relativa é nossa ciência. Mas ainda assim: ela precisa de defensores sérios e não detratores da moral alheia (como já vi colegas em relação ao dono do blogue). Isto é bobagem, bem como perda de tempo.

    O tempo vai decidir se Emmanuel é uma fraude. Anteriormente achei-o uma perda de tempo, já que era mesmo muito difícil provar a existência da personalidade romana. Mas agora considero-o uma necessidade (principalmente após perceber certos comportamentos vergonhosos por aqui). O Vitor está fazendo um serviço que muitos espíritas de carteirinha deveriam ter a coragem de fazer (em relação a tudo o que se diz “espírita”). Passar bem.

  20. Carlos Magno Diz:

    Vitor disse:

    “Não, não é. E mesmo que fosse, isso em nada macularia seu estudo. O raciocínio que você faz é falacioso, conhecido como ad-hominem, em que ao invés de criticar a obra, critica o autor.”

    Carlos Magno:

    E acaso o que você e o José Carlos estão pretendendo fazer com o Chico, não se chama ad-hominem?

    Outro dia veio um internauta me criticar dizendo que não discuto a doutrina, mas somente a intelectualidade. E dá para discutir? Esse site por acaso foi feito para se discutir a doutrina espírita? Até se discute por derivação, em raras ocasiões, mas o cerne mesmo é a moralidade dos médiuns, suas falcatruas e seus poderes sedutores segundo, claro, sua visão Vitor, e dos acusadores. Nenhum médium aqui em destaque foi poupado, nenhum.

    Acho que os críticos deveriam antes se inteirar melhor do que seja isso por aqui, pois está bem claro:

    “O objetivo deste site é analisar cientificamente livros ou mensagens ditos “psicografados”, ou seja, escritos ou ditados por um suposto espírito através de um “médium”, apontando erros e acertos à luz da Ciência atual. Também busca analisar possíveis fontes de informação em que o médium teria se baseado para escrever a obra, possibilidades de plágio (fraude), de “plágio inconsciente” (também conhecido como criptomnésia), e mesmo a possível ocorrência de um genuíno fenômeno paranormal. Serão analisadas obras de médiuns famosos e menos conhecidos.”

    O que é isso, senhor Vitor, senão um sinal verde para brutal, truculenta, específica e direcionada campanha ad-hominem contra, principalmente, as pessoas do Chico Xavier e do Divaldo, muito bem armada com enorme arsenal de granadas, metralhadoras, canhões e tudo mais que você e o José dispõem e demais parceiros?

    Nunca houve a intenção de se discutir a doutrina, não senhor, ou outra matéria qualquer que não moralidade, isso está bem explicitado na proposta do site, nem dá para disfarçar com as dissimulações de sua conhecida semântica! Você mesmo quis assim! E agora vem reclamar por que estão criticando seu amigo? Tenha paciência, ou você esperava somente aplausos, inferências categorizadas ou manifestações de cátedras, se a intenção de vocês dois está mais do que clara até para leigos no espiritismo?

    E por que o senhor José Carlos não vem aqui responder às críticas, e somente você se faz seu porta-voz?

  21. Vitor Diz:

    Não, Carlos Magno, não é ad-hominem. Estamos criticando a obra, a mediunidade de Chico, e não o próprio Chico. Em nenhum momento vc verá aqui qualquer acusação, a menos com provas cabais, de que Chico era uma má pessoa, de que Chico pegava parte do dinheiro destinada às obras de caridade ou coisa do tipo. Não senhor. Aqui estão em análise apenas os livros e determinadas situações de sua mediunidade.

    O senhor José Carlos acompanha o blog, e responderá quando houver real necessidade de o fazê-lo. Não vejo nenhuma necessidade da interferência dele por enquanto. No momento ele está trabalhando na segunda parte de seu estudo.

    Um abraço.

  22. Carlos Magno Diz:

    Vitor, por favor, não subestime a inteligência dos comentaristas.

    Não foi você mesmo quem disse lá no Religião é Veneno que demoliria quem quer que fosse, Sai Baba ou qualquer um? Você não falava de obras, falava de personalidades.

    E, por acaso, quem é acusado de memorizar e copiar assinaturas de falecidos, quem é apontado de se dizer incorporado de Emmanuel quando não estaria, quem se passaria por dono das mensagens ao invés do comunicante, o que seria essa pessoa ao seu conceito?

    Não foi você mesmo quem deu imensos destaques a essas possíveis falência morais do Chico, ao insistentemente trazê-las a público? E esqueceu-se de analisar a doutrina.

    Então você dirá, eu não acusei, somente apresentei evidências. Para quem entende, um pingo é letra, meu caro, você manipula com seu elemento, você está no seu elemento, essas coisas estão firmadas por você mesmo como o único objetivo do site, bem claramente, para que usar agora de subterfúgios?

    Tentei ler duas vezes o texto do José, mas quase dormi e desisti. Entretanto, ambos, você e ele, possivelmente, terão sido extremamente cautelosos para não ofender diretamente a hombridade do Chico a fim de evitar críticas ou problemas. Mas faz nenhuma diferença, por que é nítida e transparente sua mensagem demolitória, que, sem dúvidas, atinge a moral do homem.

    Você e seu parceiro sabem muito bem o que aconteceria com o prestígio do Chico se uma parte dos espíritas do Brasil acreditasse nessa parafernália que montaram.

    Sonhos, devaneios, claro, pois quantos espíritas lêem de fato suas crônicas? E quantos se importam? Essa última indagação, Vitor, felizmente não é somente a grande diferença de sua derrocada, mas a única diferença!

  23. Carlos Magno Diz:

    correção: falências

  24. Vitor Diz:

    Carlos Magno,

    não lembro do que disse no Religião é Veneno. Mas demolirei qualquer um desde que tenha provas cabais disso. Para mim, lugar de charlatão é na cadeia. Porém, não tenho provas cabais sobre as intenções do Chico, não sei o que se passava na cabeça dele, ok? Quando em transe, acho que nem ele sabia o que se passava na cabeça dele.

    Eu não acusei o Chico de memorizar e copiar as assinaturas dos falecidos. Isso é apenas uma hipótese que precisa ser levada em consideração. Outra é de coincidência. Outra ainda é de um possível fenômeno paranormal desvinculado da atuação de espíritos. Há várias hipóteses além da atuação de um espírito que poderiam, em tese, explicar a questão da assinatura. Em Ciência lidamos com as hipóteses possíveis, goste ou não. Mas não ofereço provas cabais para nenhuma delas. Não tenho porque ou como ofender a moralidade do Chico. Não é esse o objetivo do blog.

  25. Carlos Magno Diz:

    Alea Jacta Est!

  26. Gilberto Diz:

    Meus caros, não se preocupem em tentar desmoralizar o Espiritismo, pois ninguém vai conseguir isso. O discurso dos espíritas é sempre o mesmo: se a ciência não explica hoje, é óbvio que um dia haverá enxurradas de provas cabais da existência de espíritos, da vida em Marte, e, porque não, da existênca de Púbicos Lentilhos, com fotos autografadas ao lado de Jesus e com teste de DNA do programa do Ratinhus provando a existência desse ser. A arrogância dos espíritas é impressionante: se hoje não se explica, no futuro haverá explicações, pois é claro que o espiritismo está SEMPRE certo, a ciência é que está engatinhando perante a sapiência dos caboclos Calungas e sua sabedoria milenar, como a grande contribuição da Umbanda para a ciência: a cura do “NÓ NAS TRIPA” com raízes secas misturadas com sangue de galinha preta! Todo mundo tem ódio do Espiritismo porque todos rejeitam a verdade que essa religião traz, como os ônibus de Nosso Lar que confundimos com OVNIs e a assessoria de Ashtar Sheran para a proteção de nosso planeta ante as ameaças das Galáxias do Mal! Não se tem provas disso? Não se preocupem, a ciência um dia reconhecerá todas as verdades que o Espiritismo prega. Como disse o Carlos Magno, a ciência ainda vai provar que o planeta Nemesis “raspará” na Terra, não em 2000 como Ramatis disse, mas nos próximos 6.666 anos! Esperem e verão como o Espiritismo está sempre certo. 6.666 anos passam rapidinho, e a vida e obra de Ramatis e Chico Xavier continuarão, e o nome de Vítor Moura, Gilberto Azevedo, e de Diogo Mainardi cairão no esquecimento. Justiça divina para esses que ODEIAM os espíritas. E coitada da ciência, com seus ateus que não fazem nada, apenas interferem com Deus, criando, por exemplo, a cura da pólio pelo Judeu-Ateu Jonas Salk, que fez com que milhões de pessoas deixassem de levar seus carmas à cabo com dores intoleráveis e defeitos físicos permanentes, que nada mais eram do que a “vontade” de Deus e sua infalível lei de “causa e efeito”. Eles mereciam sofrer, e esse ateu provavelmente fez o que fez por ódio de Deus, Jesus e do Espiritismo. E outro Judeu, Albert Sabin, ainda inventou uma vacina oral que erradicou essa doença do Brasil. Ele provavelmente odiava Deus, Jesus e o Espiritismo também, e deixou todas aquelas crianças, que mereciam sofrer muito, brincando felizes com sorrisos falsos em seus rostos, os miseráveis! Não se preocupem, o Espiritismo está muito acima de qualquer crítica, pois milhões acreditam nas verdades expressas por Kardec, Xavier, Ramatis e Caboclo Calunga, como por exemplo, que o “espírito consolador” revelado por Jesus era o tal espírito que revelou as verdades do espiritismo para Kardec. É claro qe BILHÕES de cristãos e dezenas de milhares de teólogos no mundo todo nem discutem esse absurdo, é claro que por ódio de Deus, Jesus e do espiritismo, e criaram uma fantasia coletiva chamada “Espírito Santo”. Mas quanto a Púbicos Lentilhos, não se preocupem, em pelo menos 6.666 anos a verdade será revelada e a ciência odiosa se curvará diante do Espiritismo, que nunca erra o Português, pois como disse Xavier, ninguém “deita”, apenas fica em “decúbito dorsal”.

  27. Gilghamesh Diz:

    Nunca imaginei que um dia, poderia dar meus parabéns a um espírita…

    Vitor, lembro de você lá no RV, e quero lhe dar meus sinceros parabéns, por você estar, confrontando, analisando e pesquisando coisas, de forma racional, e sem vínculos sentimentais com a religião que professa.

    Parabéns Guerreiro, continue lutando com bravura em busca da verdade!

  28. APODman Diz:

    Parabéns ao sr José Carlos, admirável sua paciência em elaborar esta pesquisa apesar de que acho que o tema não necessitaria algo tão elaborado.

    Em todo caso os espíritas não demorarão em jogar alguns “ad hocs” ( as respostas que a “fé raciocinada” produz ) sobre o estudo justificando os erros da citada obra.

    Afinal …

    “You can’t convince a believer of anything; for their belief is not based on evidence, it’s based on a deep seated need to believe.”
    Carl Sagan

    [ ]´s

  29. Anna Diz:

    Parabéns ao pesquisador e ao Vitor por manter a pesquisa on line. Um pesquisador, mesmo que de outra área, reconhece um extenso trabalho de pesquisa e de busca pela veracidade das informações, assim como sabe o quanto custa em termos de tempo, dedicação e paciência.
    Espero que os espíritas aproveitem esse trabalho e sejam mais criteriosos e críticos com seus próprios dogmas.

  30. Chico Bóia Diz:

    Sinceramente, por se tratar de um estudo pretensamente comprobatório da inexistência de Emmanuel/Públio Lêntulus, ou de que o livro Há dois mil anos trata-se de fraude ou fantasia, o texto fracassa miseravelmente, não apenas pelas desnecessárias digressões como pela quase total ausência de foco na pesquisa, ou seja, o autor não acerta o rumo, fazendo da leitura do texto um exercício de extenuante tortura mental, onde o leitor procura desesperadamente identificar a que veio tamanha avalanche de palavras.
    Eu não sei se Emmanuel existiu ou não, e vou continuar não sabendo, já que este texto não esclarece nada.
    Já vi, neste site, boas críticas às obras de Chico Xavier, mas este aí é um completo fiasco, se depender dele, Chico e o Espiritismo ganham mais do que perdem.

  31. laércio Diz:

    tortura mental esse texto, se Emmanuel é fraude ou não,
    eessa pesquisa não prova nada.

    aproveite seu talento e pesquise algo realmente importante…… obrigado/////

  32. Vitor Diz:

    Laércio e Chico Bóia,

    exercitar uma parte do corpo que estava há muito atrofiada, como os neurônios, certamente é uma tortura. Mas vale a pena :)

    Para tornar a tarefa menos desagradável, fiz um tópico com uma síntese das críticas, dêem uma olhada.

    Um abraço.

  33. Marcelo Cândido Diz:

    Caros Contestadores, Sr. José Carlos Ferreira Fernandes e Sr. Vitor,
    .
    Perdoa-me a contundente objetividade, mas:
    .
    Acaso não seria “Públio Lentulus Cornelius”?
    .
    Pelo que entendo, os desprovidos de argumentos usam da deturpação do nome, dentre outras técnicas, para desvalidar ou desacreditar o objeto de sua oposição. Em suma, PURA RETÓRICA, PURA SOFÍSTICA. E desde o início de seu texto de contestação grafa “Públio Lêntulo”.
    .
    Seria no intuito de desvalidar e desacreditar, o fato dos Srs. não utilizarem do registro do livro “Há 2000 Anos…”, qual seja “Públio Lentulus Cornelius”?
    .
    Se não for, por quais motivos mantêm no texto a desfiguração do nome grafado no livro, “Públio Lentulus Cornelius”? Um pesquisador com precisão milimétrica, jamais permitiria a si mesmo tamanho equívoco, tamanha imprecisão. De outro modo, não é pesquisador! E antes altercador, UM SOFISTA, tal e qual àqueles apontados por Sócrates de Platão.
    .
    Traria alguma mínima seriedade ao seu trabalho, se ao menos isso fosse mantido.
    .
    Sinceramente,
    .
    Marcelo Cândido

  34. Vitor Diz:

    Marcelo Cândido,

    tanto faz Lêntulo ou Lentulus. Lêntulo é a versão aportuguesada. Agora, o correto não seria Públio Lentulus Cornelius, e sim Públio Cornélio Lêntulo. Eis o diz o Sr. José Carlos a respeito disso:

    A personagem principal é apresentada, ao longo de toda a obra, pelo seu prenome e pelo seu cognome, o que é razoável no que se refere a uma casa aristocrática, já que determinados cognomes estavam indelevelmente ligados a determinadas gentes (assim, no meio aristocrático, “Metelo” somente podia referir-se aos Cecílios; “Marcelo” somente podia referir-se aos Cláudios plebeus; “Nero” ou “Druso” somente podiam referir-se aos Cláudios patrícios; “Lêntulo” e “Cipião” somente podiam referir-se aos Cornélios, etc.). Portanto, a apresentação “Públio Lêntulo”, que é em si correta, ocorre por economia, não pelo fato de a personagem em questão pertencer à “família” dos Lêntulos. Não obstante, o autor do livro parece não captar esses detalhes: a relação de Públio Lêntulo com a gens Cornélia, aparentemente, era-lhe um tanto obscura ou problemática, e ele se refere a Lêntulo, de forma ambígua, como “descendente da orgulhosa gens Cornelia” (pág. 9), e o apresenta, aparentemente na sua titulatura completa, como “Públio Lentulus Cornelius” (pág. 17). Deve-se notar, contudo, que tal relação e que tal apresentação são inadequadas: Públio Lêntulo não era “descendente” da gens Cornélia; ele era membro da gens Cornélia; sua “família”, por assim dizer, era a “família” (gens) Cornélia e, dentro da “família” Cornélia, ele pertencia ao ramo (stirps) dos Lêntulos; o que definia sua condição familiar (e patrícia) era o fato de ser um Cornélio, de poder ligar-se, como os demais Cornélios (Cipiões, Dolabelas, etc.) a um mesmo antepassado legal masculino comum. Adicionalmente, o cognome se seguia ao nome gentílico: a titulatura completa desse Lêntulo seria Públio Cornélio Lêntulo, e não Públio Lêntulo Cornélio. Tem-se a impressão de que algum tipo de relacionamento entre os Lêntulos e os Cornélios era conhecido do autor, que, contudo, não sabia muito bem como encaixar as peças.

  35. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sobre a Grafia de Nomes Gregos e Romanos:

    É de praxe aportuguesar os nomes próprios gregos e romanos. Da mesma forma, os antigos romanos latinizavam os nomes gregos (grafando, p.ex., “Alexander” ao invés de “Aleksandros”, “Plato” ao invés de “Platôn”, “Athenae” ao invés de “Athênai”, “Corinthus” ao invés de “Korinthos”, etc.).

    Assim, grafamos normalmente “Júlio César”, e não “Iulius Caesar”; “Marco Antônio”, e não “Marcus Antonius”; “Aníbal”, e não “Hannibal”; “Nápoles”, e não “Neapolis”; “Cartago”, e não “Carthago”; “Éfeso”, e não “Ephesus”; mesmo “Lugduno”, e não “Lugdunum”, etc.

    Dentro desse espírito, é perfeitamente lícito escrever-se “Públio” ao invés de “Publius”, e “Lêntulo” ao invés de “Lentulus”. Não há nada de errado nisso; tal prática, ao contrário do insinuado, não se constitui em nenhuma desfiguração do nome, nem indica qualquer tentativa de desacreditar a psicografia “Há Dois Mil Anos”. Já deve ter sido deixado claro que a referida obra tem muitos outros motivos, de sobra, e bem sérios, para ter sua integridade histórica posta em dúvida. Seria interessante que tais motivos, especificamente, fossem objeto de estudo e, se possível, de refutação. Afinal, ninguém é infalível; alguma informação relevante pode ter sido negligenciada, ou pode ser de desconhecimento do autor. Os argumentos foram apresentados, e as fontes de consulta foram citadas (se há quem acredita que são insuficientes, ou que existem outras mais exatas, que as apresente).

    Especificamente no que diz respeito ao modo como o nome de Públio Lêntulo aparece na psicografia, ele é nela usualmente grafado “Públio Lentulus”. Ou seja, o prenome “Públio” é aporguguesado, o cognome “Lentulus” é apresentado no original latino. Com certeza, a personagem não seria denominada desse modo em sua época; se se dá tanta importância assim à exatidão, ela deveria ser cobrada, antes de mais nada, do próprio “Emanuel”. Porque seria mais razoável que ele se denominasse ou “Públio Lêntulo” (aportuguesando tudo), ou “Publius Lentulus” (deixando tudo no nominativo latino). Contudo, não se quis entrar nesse tipo de detalhe.

    Enfim, a expressão “Públio Lentulus Cornelius”, que também ocorre na psicografia, além do problema já citado anteriormente (o prenome “Públio” aportuguesado, o cognome “Lentulus” no original latino), exibe o gentílico (“Cornelius”) posposto ao cognome, o que fere as regras onomásticas romanas; o correto seria “Publius Cornelius Lentulus” (prenome + nome gentílico + cognome), e não a forma aberrante apresentada, “Públio Lentulus Cornelius”. Isso, aliás, já foi fartamente explorado num outro trabalho, que mostra o total desconhecimento, por parte do escritor da psicografia, quem (ou o que) quer que tenha sido ele, das mais elementares regras onomásticas romanas vigentes no período de Augusto e dos Júlio-Cláudios, e não se quis, mais uma vez, repetir tais coisas.

    JCFF.

  36. Rocio Diz:

    Sr. Vitor

    Sinceramente não fui capaz de ler o trabalho todo, espero que tenha sido elaborado com objetivo outro que não o de destruir toda uma doutrina baseada em princípios cristãos e consoladores. Imagino que tudo isso tenha tomado imensa parte do teu tempo. Não considero que a ciência esteja aqui para destruir, mas sim construir. O espiritismo nunca foi contrário a ela, mas nasceu nas mãos de um homem da ciência, não apenas historiador, mas pedagogo, matemático e etc. Ler seus comentários me fez lembrar de uma tarde em que me deparei (dentro da biblioteca da Universidade de Bolonha – Italia) com uma obra feita especialmente para refutar as considerações de Beccaria expressas em seu livro ” Dos delitos e das penas”, engraçado, que ninguém teve conhecimento do crítico, mas já da obra… aquela que para a época e os olhos da ciência era absurda… fundamentou toda uma revolução e ainda serviu de base para a formulação da declaração dos direitos do homem, reformulando todo o conceito do direito penal moderno. Pense nisso: é válida a crítica, mas muito mais válida é aquilo que se constrói. Se preocupe menos em destruir e mais em construir. Ninguém é o dono da verdade. Ela simplesmente existe, e feliz é aquele que consegue derrubar o véu que o cega e trazer a luz ao seu caminho! Importante estudar o evangelho, mas é mais importante vivê-lo, seja você cristão ou budista, católico, protestante ou espírita.

  37. Vitor Diz:

    Rocio,

    o objetivo é construir, mas para isso, é preciso destruir a velha conjuntura espírita. Para se construir um prédio novo, é preciso dinamitar o antigo.

    Um abraço.

  38. Briana Diz:

    Boa tarde, foi por mero acaso que vi este artigo e acabei por lê-lo. É valido o artigo do Sr José Carlos, disso não posso discordar, pois qualquer estudioso busca aprimorar-se junto daquilo que mais lhe agrade. No rodapé desta página grifasse que “o objetivo deste site é analisar cientificamente livros ou mensagens ditos “psicografados”". Meu comentário é apenas para lembrar que sempre encontraremos pessoas que acreditem ou não. Se Emmanuel existiu ou não isso não vem ao caso. O que deve ser levado em conta é apenas o artigo. Que para mim não acregou nada do que já tinha conhecimento. Já que se quer desvendar os mistérios da vida além da morte o intuito seria outro. Que dizer então do homem que foi inocentado no tribunal devido a uma carta psicografada pela pessoa que havia sido assassinada? Que dizer de muitos crimes serem desvendados por aqueles que chamamos de médium?
    Religião é um assunto em que cada um tem sua opinião.
    Querer desmerecer uma pessoa, seja por um personagem, seja por um livro, queira por sua crença, isto é indigno. Façam comentários a respeito do artigo. Caso já tenham lido o livro, então para bom entendedor nas primeiras páginas já vai notar que ali é um retrato da pessoa Emmanuel e não dos fatos históricos… Então por que minha filha nasceu no dia da indepêndencia da república, eu não posso grafar em minhas lembranças…
    Acho que devemos nos preocupar com os assasínios desmeditos que ocorrem em nossa volta, com a poluição que cresce a cada dia, com o meio ambiente, com a saúde do Planeta… e não em derrubar uma religião por ignorância de princípios e mesquinhez de sentimentos.
    O livre arbítrio é dados a todos, mais em certo momento é melhor guardar para si as imundices de cada um.

  39. Rodrigo Diz:

    O Carlos Magno pelo menos comprova a tese de que todo espírita tem tendências a perturbações mentais

  40. Ernesto Almeida Diz:

    Respeito o estudo, pode parecer convincente, mas nessa área, na minha opinião, ninguém tem o direito de se arvorar como dono da verdade. Inclusive, historiadores, pois como sabemos a História é relatada sempre pelos vencedores e detentores do poder, com vícios de origem.Inclusive a própria Bíblia não foge a essa crítica. Por isso devemos ficar com o que diz nossa INTUIÇÃO. É assim que vejo essas questíúnculas envolvendo o maior médium brasileiro, reconhecido mundialmente. Acho muito dificil que estivesse vítima de um Obsessor, deturpando o cristinianismo na sua essência. Claro que não sou crédulo a ponto de negar a existência de embusteiros nesse processo. Mas como disse acima. cada um deve entender como seu fôro íntimo lhe revele.

  41. Ernesto Almeida Diz:

    É Rodrigo. O processo psicológico da projeção deve passar por você. Procure um especialista que parece que está precisando. Alias olhe para sua mão quando apontar o dedo. Ai entenderás a que estou me referindo. E que Deus o auxilie e abençõe.

  42. Marcelo Machado Diz:

    Caros amigos, o que penso sinceramente é que discussões como essa só servem para gastar tempo, energia e desviar o foco do que realmente importa: “O CONTEÚDO DAS MENSAGENS”. Não importa se Emanuel foi fulano ou cicrano, se Jesus existiu ou não existiu, etc… O que importa realmente é se o que eles entre tantos outros (Confúcio, Kardec, Krishna, Ghandi, Madre Teresa, ou até mesmo o meu vizinho) deixaram como ensinamento serve ou não para nós, se acrescenta algo as nossas vidas ou não, se nos faz melhores pessoas ou não. Vamos gastar nossas inteligências, tempo, boa vontade com o que realmente importa, olhar e fazer algo para diminuir a dor do outro.
    Um abraço a todos.

  43. Matheus Diz:

    Sr. Marcelo Machado. Importa e muito saber a procedência de tais mensagens. Você confiaria ou seguiria as dicas contidas nas mensagens de uma pessoa desonesta? Se o fenômeno é falso, se não passa de picaretagem, é muito importante alertar a população ingênua, SIM.

  44. Matheus Diz:

    Porque (infelizmente) não é só a mensagem que importa. Joio se mistura facilmente com trigo, madeiras de terceira com madeiras de lei, e o conjunto nem sempre é facilmente separável. Se a “entidade” (se é que se trata de uma entidade) pôde se enganar, ou mentir, acerca de sua identidade – onde mais se enganou, onde mais mentiu? Não poderia passar mensagens falsas, agasalhando-as no meio de mensagens verdadeiras? Quem é capaz de se enganar, ou mentir, acerca de sua própria identidade, do que mais é capaz?

    Parabéns por esse magnífico trabalho de remoção de vendas da população brasileira tão ingênua e crédula!

  45. Carlos Magno Diz:

    “É muito importante alertar a população ingênua.”

    Matheus, o ingênuo aqui é você.

    Quantas dezenas de pessoas você acha que lêem esse blog e que tipo seriam de leitores ou comentaristas?

    Poderia ao menos nos informar suas credenciais como estudioso, pesquisador, homem público, escritor ou formulador de teses amplamente discutidas?

    Cada gênio que me aparece!!

  46. washington lins Diz:

    desejo saúde mental a todos nós, mas analisando essa polêmica vejo uma contemplação muito grande, tanto do lado crítico como, do lado defensor ao espiritismo,não conheço Vitor e nem Carlos magno, mas posso arriscar a dizer que o Vitor acredite mais na existência de Emmanuel,
    do ponto de vista psicológico,falando, mas siga em frente Vitor eu te adimiro muito, você é muito racional, mas creio que você terminará nos caminhos da imaculada consciência, deteriorando a incerteza ou ceticismo, perdão, mas sabemos que isso é uma tortura e essa consciência citada, foi desenvolvida por Buda,Cristo,xavier e vários outros, é so do que o ser humano precisa, dessa consciência lavada e nada mais.ok, sobre a polêmica sei que devemos respeitar os historiadores, pesquisadores e tal, mas estamos falando de coisa de dois mil anos atrás, daria pra acreditar 100% em nossos historiadores Vitor, não precisa reponder, eu já sei a sua resposta, que pensa como você jamais acreditaria, por que você é muito racional, e enquanto ao espirito é bom investigar sim, mas tente analisar a personalidade de xavier é uma forma eficaz de chegar a alguma conclusão, bons estudos.

  47. washington lins Diz:

    meu irmão enviou a menssagem sem que eu fizesse
    a correção, perdão.
    correção: (em nossos historiadores Vitor ?)
    (responder),(quem)

  48. Marcelo Druyan Diz:

    Prezados amigos

    Em primeiro lugar, e por mais cansativo possa parecer, é necessário ler o texto que foi postado. Atitudes do tipo “não li e não gostei” não contribuem em nada para o debate, tampouco as respostas emocionais e os ataques pessoais.

    Também não se pode fazer juízo de valor sobre o que foi escrito, simplesmente por serem contrários a própria fé.

    Os fundamentalistas sabem que estão certos porque leram a verdade num livro sagrado e sabem, desde o começo, que nada os afastará de sua crença. A verdade do livro sagrado é um axioma, não o produto final de um processo de raciocínio. O livro é a verdade e se as provas parecem contradizê-lo, são as provas que devem ser rejeitadas?

    Não é o que se espera de um espírita estudioso, ciente da importância que Kardec sempre atribuiu a fé raciocinada.

    O texto é bom e desafiador. Há muito circula pela internet e acredito que algum intelectual espírita deveria rebater seus argumentos com outros argumentos. Seria muito interessante para todos.

    Saudações

    Marcelo Druyan

  49. Daniel Torres Diz:

    Adorei o conteudo tao esclarecedor historicamente que realmente,sem duvidas,poe em questao a obra que eu li (e acreditei)mas como nao verifiquei os fatos (a maioria de nos,leitores,nao o faz)aqui encontrei uma razao e explicacao logica para certos aspectos deste livro.
    Excelente trabalho,principalmente quando voce “cutuca”
    na ferida daqueles que sao fanaticos do espiritismo!
    Parabens!

  50. Emerson Diz:

    Parabéns pelo trabalho. Apesar de alguns reclamarem, basta que quem ache o trabalho defeituoso encontre em alguma referência que corrija a tabela dos governadores romanos da Judéia e inclua o tal “Públio Lêntulo”.

    O espiritismo pode ser mais facilemente questionado pela sua alegada cientificidade, pois ela é algo em que só se acredita pela fé na doutrina e no positivismo e não pelos fatos. Apenas para citar três exemplos que sempre se pode usar para perguntar em salas espíritas sem obter alguma resposta razoável:

    Sobre o que diz o “Livro dos Espíritos” no capítulo III – Criação pergunta 46:

    (http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/le/ )

    “46 Ainda há seres que nascem espontaneamente?

    – Sim. Mas o germe primitivo já existia em estado latente. Todos os dias vós mesmos sois testemunhas desse fenômeno. Não dormitam, em estado latente, tanto no homem quanto no animal, bilhões de germes de uma multidão de vermes aguardando o momento de despertar para iniciarem a putrefação que vai provocar a decomposição cadavérica indispensável à sua existência? Este é um pequeno mundo que dorme e se cria.”

    O que se defende aí é simplesmente a abiogênese, que já se suspeitava ser falsa por causa dos experimentos de Redi em 1668. O livro dos espiritos foi escrito em 1857. Em 1862 Pasteur enterrou definitivamente a abiogenese, pelo menos nas condições ambientes de hoje, mas em boa parte das edições nada se comenta a respeito. Além disso em nenhum atlas de anatomia ou dermatologia existe qualquer estrutura “em estado latente”, nem que “dorme”…

    No livro “A Gênese” o capítulo VIII chamado “Teorias sobre a formação da Terra” e a Teoria da Incrustração diz que

    (http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/ge/index.html)

    “Após o arrebatamento do planeta desconhecido, que chegara à maturidade, ou de harmonia com o que existiu no lugar que hoje ocupamos, a alma da Terra recebeu ordem de reunir seus satélites, para formar a Terra atual, segundo as regras do progresso em tudo e por tudo. Quatro apenas desses astros concordaram com a associação que lhes era proposta. Só a Lua persistiu na sua autonomia, visto que também OS GLOBOS TÊM O SEU LIVRE-ARBÍTRIO. …”

    E eu que pensava que a Terra era apenas um pedaço de rocha esfriando continuamente… onde será o cérebro da Terra?

    E finalmente essa: Kardek faz uma descrição dos habitantes de júpiter em “Jupiter e outros mundos” :

    “A conformação dos corpos é quase a mesma desse mundo, mas é menos material, menos denso e de uma maior leveza específica. Ao passo que rastejamos penosamente na Terra, o habitante de Júpiter se transporta, de um lugar para outro, roçando a superfície do solo, quase sem fadiga, como o pássaro no ar ou o peixe na água. Sendo a matéria, da qual o corpo está formado, mais depura­da, ela se dissipa, depois da morte, sem ser submetida à decompo­sição pútrida. Ali não existe a maioria das enfermidades que nos afligem, sobretudo aquelas que têm sua fonte nos excessos de todos os gêneros e na desordem causada pelas paixões. A alimen­tação está em relação com essa organização etérea; não seria bas­tante substanciosa para os nossos estômagos grosseiros, e a nossa seria muito pesada para eles;… “

    O artigo está disponível na net…

    http://www.pedroozorio.com.br/espirita/jupiter_e_alguns_mundos.htm

    Sempre pergunto o que algum espírita acha desse texto.

    A resposta que obtenho na maioria dos casos é que o texto é bom e não há nenhum problema com ele.

    Aí argumento sobre a parte que fala que a alimentação ” não seria bastante substanciosa para os nossos estômagos grosseiros, e a nossa seria muito pesada para eles; ” ? e a resposta continua a mesma. A seguir pode-se apresentar os dados de Júpiter:

    A sonda cassini esteve em júpiter em 2000. Veja o que ela revelou sobre a constituição do planeta: “Júpiter é composto de um centro rochoso relativamente pequeno, imerso em hidrogênio metálico, o qual é circundado por uma camada de hidrogênio líquido, recoberta por sua vez de gás hidrogênio. Não há uma fronteira clara entre essas camadas de diferentes densidades de hidrogênio;”

    http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BApiter_(planeta)

    Como pode haver plantas que nós poderíamos comer e que seriam muito leves para nossos estômagos se o planeta se constituí de um pedaço de rocha imerso em um oceâno de hidrogênio metálico a -108°C? Ocorreria uma queimadura química cuja extensão poderia levar a morte…

    Mas esquece… o que ocorre com o espiritismo é o mesmo que ocorre com boa parte das religiões. Fatalmente acaba-se caindo em algum momento em “culto(s) de personalidade(s)” cujas obras são aceitas sem qualquer senso crítico ou então via inúmeros remendos…

    Um site de um ex-espírita muito bom que rebate inúmeras alegações biblicas espíritas, problemas de tradução e histórias sobre a reencarnação que os espíritas alegam que era defendida pelo Origenes e outros:

    http://br.geocities.com/falhasespiritismo/index_int_2.html

    Nele se discute como é a ciência real funciona em comparação com a visão científica do século XIX do espiritismo…

  51. Lair Amaro Diz:

    Não posso fazer ainda uma consideração mais geral sobre o texto, mas pretendo ir lendo aos poucos e à medida que as dúvidas forem surgindo ir postando-as, esperando que elas sejam respondidas.

    Assim, em dado momento, escreve-se a respeito de Sura:

    “Portanto, ou ele não se casou (sendo Júlia sua primeira esposa), ou, se se casou antes, não teve filhos, ou, se os teve, eles não sobreviveram à idade adulta.”

    Dúvida: não poderíamos aventar a possibilidade de que ele teve filhos, mas que eles não vivessem com o pai e ali tendo seus filhos, mais tarde reinseridos na sociedade romana?

  52. Lair Amaro Diz:

    Tenho minhas dúvidas em relação à afirmação seguinte:

    “Sabe-se, com efeito, que o núcleo das tropas herodianas englobava um total de 3.000 homens, recrutados entre os samaritanos e organizados à moda romana, em batalhões de cerca de 500 homens, sendo comandados por oficiais que provavelmente eram romanos, a julgar por seus nomes (Grato e Rufo)”

    Sabe-se de judeus com nomes gregos (André, Felipe), porque estes Grato e Rufo não poderiam ser judeus com nomes romanos?

  53. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Tratam-se a seguir de duas dúvidas levantadas por Lair Amaro.

    A primeira diz respeito à progênie de Lêntulo Sura. Quanto a isso, deve-se ter em mente que a sociedade romana era fortemente patriarcal. Os filhos pertenciam aos pais, e se os pais não os reconhecessem, com um gesto solene diante de testemunhas, eles eram descartados – abandonados, usualmente num monturo (se tivessem “sorte”, mercadores de escravos, ou empresários de bordéis, os pegavam; se não, morriam de fome e de frio). Esse gesto solene era o seguinte: após o parto, a criança, envolta num cobertor, era depositada no chão, aos pés do pai; este então, se a reconhecia como filho (ou filha), a pegava aos braços e a levantava em direção ao céu. A vontade da mãe não tinha a menor importância; era o pai que decidia. Se a mãe não quisesse o filho, teria que tomar medidas por assim dizer mais “radicais”: beber, às escondidas, uma poção abortiva durante a gravidez (havia inúmeros tratados médicos que elencavam as receitas de tais poções), ou então sufocar o filho, após nascido. Se isso fosse descoberto, ela podia ser condenada à morte – não por matar um ser humano, mas por subtrair do pai uma sua “propriedade”. Os direitos de propriedade eram levados muito a sério.

    Se houvesse divórcio, os filhos ficavam com o pai, não com a mãe, porque os filhos (e filhas), convém lembrar, eram “propriedade” do pai, que tinha sobre eles inclusive o poder de vida e de morte, e o direito de vendê-los como escravos. Filhos e filhas levavam o nomen do pai – o filho homem de um Júlio era um Júlio, a filha era uma Júlia, mesmo que sua mãe fosse, p.ex., uma Fábia. Filhos que ficavam com a mãe eram o sinal de que o pai era “desconhecido” – ou então de que a mãe era uma viúva (caso de Júlia e de seus filhos com Marco Antônio Crético).

    Um exemplo ilustra bem isso: Augusto (então triúnviro, com o nome de Gaio Júlio César Otaviano) conseguiu casar-se com Lívia Drusila. Ela era casada com Tibério Cláudio Nero, o Velho, que dela se divorciou, a pedido de Augusto (a questão era eminentemente política, e ligada a poder; os dois homens se entenderam, e o divórcio foi perfeitamente amigável; o próprio Nero foi convidado para a festa de casamento de Augusto). Lívia já tinha um filho com Nero, Tibério Cláudio Nero, o Moço (o futuro Imperador Tibério), que permaneceu com o pai, e estava grávida do seu segundo filho. Casou-se grávida; isso pôde ser feito porque os dois homens concordaram acerca da paternidade do futuro bebê. Quando ele nasceu (trata-se de Nero Cláudio Druso, o irmão de Tibério), foi imediatamente devolvido ao pai, e criado na casa deste, com o irmão maior.

    Note-se: Lívia não ficou com os filhos; e ambos, sendo filhos dum Cláudio, eram Cláudios – não eram “Júlios”, muito menos “Lívios”. Tibério Cláudio Nero, o Velho, morreria logo depois; por causa disso os seus dois filhos (Tibério e Druso), agora órfãos, foram morar com a mãe, e com o padrasto Augusto. O resto é História.

    Assim: os filhos ficavam na casa (“domus”) do pai, sob o seu domínio. Não se punha o caso de filhos viverem fora da casa do pai, a não ser que o pai tivesse morrido, ou que eles fossem já adultos e que tivessem, por sua vez, constituído famílias, sendo eles próprios, agora, pais. Outra possibilidade seria o caso de terem sido dados à adoção (no caso, adoção plenária). Mas, ao serem adotados plenariamente, deixavam de pertencer à gens do pai, passando à do pai adotivo. Se um “Júlio”, filho natural dum “Júlio”, fosse adotado por um membro da “gens” “Fábia”, ele passava a ser um “Fábio”. Se Lêntulo Sura tivesse filhos vivendo fora de sua casa, seriam adotados plenariamente por uma outra gens, não mais sendo Cornélios. Isso não é dito em nenhuma fonte.

    Evidentemente, outra possibilidade seria a de filhos ilegítimos, mas, como tais, não seriam (no caso) Cornélios, não poderiam reivindicar tal nome gentílico, e nem teriam herdado o “status” patrício, por não terem sido reconhecidos pelo pai.

    Assim sendo, todas as evidências, e principalmente o fato de que foi Marco Antônio (enteado de Lêntulo Sura) que providenciou as suas exéquias, apontam para o fato de que Lêntulo Sura não tinha filhos sobreviventes, tivesse ou não se casado anteriormente ao seu casamento com Júlia.

    Agora, tratando da questão dos nomes.

    Os nomes, em geral, podem nos dizer muita coisa – já fizemos um estudo pormenorizado dos nomes romanos empregados no romance “Há Dois Mil Anos”, confrontando-os com o que se conhece da onomástica romana da época dos Júlio-Cláudios, e mostrando a incoerência da maneira pela qual “Emanuel” nomeia as personagens romanas. Hoje em dia, os nomes não têm mais a força que antigamente tinham. Assim, p. ex., eu me chamo “José Carlos”. “José” é um nome de origem hebraica, e “Carlos” é de origem germânica – mas não se segue daí, apenas por meu nome composto, que eu saiba falar hebraico e alemão.

    Contudo, a rigor, “José” não é um nome hebraico, e nem “Carlos” é um nome germânico: são formas portuguesas, já absorvidas pela língua, de nomes que eram originariamente hebraico e germânico, respectivamente. E o que ocorreu na língua portuguesa, ao longo da Idade Média (absorção de nomes estrangeiros, que passaram a fazer parte integrante dela, sendo incorporados em seu patrimônio), ocorreu também noutras línguas européias (na língua inglesa, p.ex., “Joseph” e “Charles”; dever-se-iam considerar “Joseph” e “Charles” não como nomes hebraico e germânico, mas sim como formas inglesas, incorporadas à língua inglesa, e nomes originariamente hebraico e germânico).

    Mas a situação era diferente na Antiguidade, em geral, e na época de Augusto e dos Júlio-Cláudios, em particular – e mesmo depois; o processo de absorção de nomes originariamente “estrangeiros” por uma língua pode levar várias gerações, ou mesmo séculos. Os nomes gregos foram sendo absorvidos no latim, e os latinos no grego, ao longo dos séculos I, II e III dC, a partir da concessão da cidadania romana a vários gregos (entrando os nomes gregos como cognomes no “tria nomina”, p. ex., Públio Élio Aristides). O processo acelerou-se a partir da Constituição Antoniniana de 212 dC, que concedeu a todos os habitantes livres do Império a cidadania romana. Quanto a nomes hebraicos, ou semitas em geral, somente passaram a ser maciçamente absorvidos no grego, e logo depois no latim (passando posteriormente do latim às demais línguas européias, latinas ou não) a partir de já avançada a cristianização oficial do Império Romano, ou seja, a partir da segunda metade do séc. IV dC; assim, apenas como exemplo, a listagem sobrevivente dos bispos presentes no Concílio de Nicéia, de 325 dC (mais de 200 nomes) os mostra majoritariamente com seus nomes gregos (ou latinos), em alguns casos mesmo teofóricos (como Harpocrácio de Alcoforante, no Egito, ou Asclepas de Gaza, na Palestina), ocorrendo apenas (poucos) nomes semíticos em bispos das regiões orientais, nomeadamente Mesopotâmia (Máreas de Macedonópolis, Simeão de Amida, Marutas de Martirópolis) ou Cilícia (Moisés de Castabala).

    Portanto, na época de “Lêntulo”, os nomes eram ainda indubitavelmente um apanágio de seus povos, e intimamente ligados às suas respectivas culturas. Um cidadão romano nascido livre não usaria um nome que não fosse romano (ou seja, fora da estrutura do “tria nomina”); um grego que não fosse cidadão romano não podia usar um nome especificamente romano, quanto mais um tria nomina; um egípcio nativo estava proibido de usar um nome grego, muito menos ainda um nome romano, e um judeu não usaria um nome grego – a não ser que fosse oriundo da Diáspora mediterrânica (Egito, Grécia, Ásia Menor, Itália, grandes cidades da Síria e da Fenícia).

    Os judeus oriundos de tal diáspora tinham (à exceção dos migrantes recentes, ou seja, de primeira geração) o grego por língua materna (tendo, muitas vezes, especialmente se fossem da 2a geração de migrantes, ou das gerações posteriores, inclusive esquecido o aramaico). Não se deve esquecer o fato de que tiveram de traduzir as próprias Escrituras Sagradas, em Alexandria, para o grego, a famosa “versão dos Setenta”, a fim de possibilitar o seu conhecimento pro parte da comunidade judaica daquela cidade. Vivendo num ambiente grego, falando grego, desenvolvendo inclusive literatura de alta qualidade em grego (caso do filósofo Fílon de Alexandria, contemporâneo um pouco mais jovem de Cristo), tinham, muitas vezes, nomes gregos (a maior parte das vezes nomes “neutros”, ou seja, não diretamente ligados à religião e à mitologia gregas: Fílon, Alexandre, Teodoro, Teódoto, Aristóbulo; um nome muito utilizado era “Jasão”, porque foneticamente era semelhante a “Josué”). Nesse contexto encaixam-se judeus com os nomes de Filipe (“Philippos”) e André (“Andreas”). Nalguns casos, até mesmo nomes gregos teofóricos podiam ser utilizados por judeus helenizados: um dos discípulos de São Paulo Apóstolo (citado em Atos 18:24 e 19:1) era um judeu de Alexandria chamado justamente Apolo (nome dum deus!)…

    Deve-se, não obstante, notar que casos extremos assim eram raros; e mais, que os judeus da Diáspora babilônica mantiveram nomes de raiz aramaica, sendo raríssimos entre eles nomes gregos – é que esses judeus viviam num mundo linguisticamente semelhante ao seu mundo original, um mundo aramaico, e continuaram usando nomes distintamente aramaicos, semitas.
    Assim, nomes são importantes, muito importantes, no contexto da época; eles nos dizem muito mais acerca de seus portadores do que usualmente podemos supor. No caso de dois discípulos de Jesus de nomes gregos, “André” e “Filipe”, seus nomes gregos dizem que eram oriundos portanto da Diáspora grega (ou então filhos de imigrantes da Diáspora que haviam retornado à Palestina). Pode-se até mesmo presumir que conhecessem o idioma grego, ao menos o grego coloquial, o grego comum, “koinê dialektos”.

    Isso quanto a nomes gregos usados por judeus (por alguns judeus, em condições especiais). O uso de nomes romanos, por outro lado, era, na ocasião, restrito a cidadãos romanos, ou a libertos. Portanto, os nomes romanos “Rufo” e “Grato” explicam-se com maior probabilidade, ainda mais ligados a comandantes militares, como nomes de pessoas de origem romana. É claro, poderiam ser judeus libertos – ex-escravos judeus que serviram a senhores romanos, nomeados por esses senhores de forma romana (“Rufo” e “Grato” são cognomes latinos), posteriormente libertados. Isso também é possível, embora bem menos provável. Na época em que tratamos (época de Augusto), a cidadania romana era pouco espalhada no Oriente; apenas pessoas muito importantes a possuíam – os reis-clientes, p.ex., eram agraciados com ela, inclusive os próprios herodianos, que eram “Júlios”. Se um comandante dum corpo não judaico (samaritano) a serviço de Herodes possuía um nome romano, é grande a possibilidade de tratar-se dum mercenário romano contratado, a serviço do rei.

  54. Lair Amaro Diz:

    Existe um amplo consenso acadêmico que o ano da morte de Jesus se deu em 30 E.C. e não em 33 E.C. Na página 18 de Há dois mil anos (Primeira Parte, “Dois amigos”) o autor escreve:

    “Eram dezenove horas de um dia de maio de 31 da nossa era.”

    Portanto, quando Emmanuel narra sua história pessoal situando-se como testemunha dos fatos, Jesus já estava morto há quase um ano. E então, como explicar o romance como factual?

  55. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    A data da morte de Jesus é um assunto ainda controverso – não está de modo algum resolvida, e talvez nunca venha a estar, pois todas as indicações, no caso, são aproximadas. Sabe-se que ocorreu sob a procuradoria de Pôncio Pilatos (26-36 dC); sabe-se também que João Batista iniciou o seu ministério “no décimo quinto ano de Tibério César”. Tibério reinou de 14 a 37 dC; seu décimo quinto ano (dependendo do modo de contar os anos) cairia entre os anos 27-29 dC, com maior probabilidade no ano 28 dC; os Evangelhos dão a entender que Jesus teria começado o Seu próprio ministério pouco depois.

    Pelos Sinópticos, é-se levado à conclusão que o ministério terreno de Jesus teria durado um ano (somente se menciona uma única Páscoa, e uma única ida a Jerusalém); de acordo com o Evangelho de João, ao contrário, pelo menos uns três anos, o que parece mais coerente (e, aliás, não invalidaria os Sinópticos, que teriam utilizado um esquema lógico, e não cronológico). Assim, a morte de Jesus poderia ter ocorrido por volta do ano 31 dC, ou pouco depois. Levando-se em conta os anos em que o dia 14 do mês de Nisan foi uma 6a feira, têm-se os anos 30 (7 de abril) e 33 (3 de abril) como os mais prováveis para a Crucifixão (eu, pessoalmente, prefiro mais o 33). Assim, em termos estritamente cronológicos, não haveria incoerência nessa informação específica em “Há Dois Mil Anos”.

    Note-se que, de acordo com os Sinópticos, houve um período de 3 horas de escuridão em plena luz do dia, quando Jesus morreu – o que poderia dar-se por ocasião dum eclipse – talvez aquele que o escritor Flégon de Trales (c. 140 dC) narra que ocorreu no 4o ano da 202a Olimpíada (32-33 dC), durando três horas e concomitante a terremotos sentidos na Bitínia (Ásia Menor) – embora a exata datação do eclipse, a duração, o fato de ser lunar ou solar, e de ser visível em Jerusalém, ainda sejam um tanto problemáticas.

    De qualquer modo, creio que há um certo exagero em se dizer existir um “amplo consenso acadêmico” que fixe inequivocamente a data da Crucifixão em 30 dC.

  56. Lair Amaro Diz:

    Não acho que tenha havido exagero de minha parte. Problema para mim é considerar a escuridão em plena luz do dia como um dado histórico. Sigo a linha de raciocínio que atribui esta passagem ao que poder-se-ia chamar “profecia historicizada”, quer dizer, os autores evangélicos teriam adaptado uma profecia, supostamente relacionada a Jesus, conferindo-lhe historicidade para legitimar a crença de que ele era o messias. Até porque, e principalmente, compartilho da ideia de que nenhum dos seguidores de Jesus sabia o que de fato havia acontecido após a prisão de Jesus. Tudo foi inventado posteriormente.

  57. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    A questão dizia respeito ao fato de existir um “amplo consenso acadêmico” que fixasse inequivocamente a data da Crucifixão para 30 dC. O que se mostrou, de forma bem abreviada, é que a data de 30 dC é uma boa possibilidade, mas que também a data 33 dC é, igualmente, uma boa possibilidade. Há bons argumentos que podem defender uma, ou outra. De fato, datas situadas entre c. 26 dC e c. 36 dC são plausíveis. O estudo de eclipses antigos, sua datação e a sua relação com determinados eventos históricos é algo fascinante, mas, na maior parte das vezes, é difícil chegar-se a uma conclusão. A escuridão em plena luz do dia poderia ter ocorrido, ou não; poderia dever-se ou não a um eclipse; poderia (se eclipse) ser, ou não, especificamente, aquele relatado por Flégon de Trales. Há muitas incertezas, e várias hipóteses. Claro, uma delas é que “tudo foi inventado posteriormente” – mas, no atual nível de nossos conhecimentos, é apenas uma hipótese, que parte dum pressuposto, dum “a priori” – o de que não existem milagres, ou o de que os textos são “profecia historicizada” (ou “reversa”) e os Apóstolos, ou os primeiros seguidores, eram capazes de tal tipo de atitude. Esse é um pressuposto. Como o “existir milagres” e “a profecia efetivamente se cumprir” é outro. Em termos estritamente históricos, ambos são irrisórios e irrelevantes. Quando se vai por esse caminho, a discussão deixa de ser calcada em evidências históricas, e passa a sê-lo em pressupostos filosóficos. Eu, pessoalmente, não gostaria de discutir sob tais bases, aqui ou em qualquer outro lugar, e por uma simples razão: as pessoas, no Brasil (e refiro-me a pessoas relativamente inteligentes e instruídas, como as que, no geral, frequentam este portal) não conseguem sequer lidar com evidências históricas, algo bem mais “simples” e “direto”, por assim dizer; quanto mais com posições que embutem todo um posicionamento filosófico, mesmo metafísico! Assim, restrinjo-me ao seguinte: Cristo foi crucificado nalguma data situada, provavelmente, entre 30 e 36 dC, sendo que 30 dC e 33 dC são bons palpites. Eu, pessoalmente, prefiro 33; e ignoro qualquer consenso verdadeiramente “acadêmico”, calcado em evidenciação histórica, que possa inequivocamente apontar uma, ou outra, ou uma terceira.

  58. Lair Amaro Diz:

    José Carlos, de fato, acho que você está corretíssimo ao não estender este debate, pois o foco aqui é outro. Todos os historiadores em que me apoio, inclusive meu orientador, concordam ser improvável Jesus ter sido crucificado em 33 E.C., em função de suas análises históricas e literárias. Entretanto, vamos dar por encerrada essa discussão.
    Em verdade, nas horas vagas venho preparando um estudo com o objetivo de analisar a viabilidade histórica deste romance. Já levantei uma boa quantidade de material que põem por terra a narrativa mediúnica enquanto relato de uma “testemunha ocular”, mas não quero me precipitar e continuar estudando.

  59. msirius Diz:

    ..blá blá blá..blá blá blá..
    como explicar aos cegos as cores do sol poente?

  60. Lair Diz:

    Msirius, quem é cego? Quem enxerga? Na falta de argumentos, é melhor silenciar.

  61. Carlos Magno Diz:

    Particularmente não aceito a história oficial como fonte única e fidedigna documental comprobatória de todos os eventos humanos que se têm notícias.
    -
    Sabemos que muitos preciosos documentos foram destruídos de bibliotecas da antiguidade, por bárbaros e saqueadores, enquanto outros foram apocrifamente substituídos anos ou décadas depois passando a representar documentos originais.
    -
    A todo o momento nos chegam informações e argumentos investigativos dando conta de que trechos e eventos históricos até então intocáveis em narrativas originais de patriotas, historiadores ou representantes governamentais de qualquer nação, foram desmistificados, realinhados ou recuperados em suas verdadeiras e primitivas texturas – quando essas existiram de fato. Em nosso país, felizmente, são freqüentes as repescagens por heróicos investigadores independentes e as recuperações das lisuras de muitos episódios distorcidos, fantasiosos ou manipulados, principalmente no Brasil Império e Brasil República e mais recentemente no Brasil ditadura. Com exemplo clássico, nos reportamos à guerra contra o Paraguai, verificando quantas mentiras nos foram impostas desde os tempos escolares.
    -
    Claro que sem documentos e provas não existiria a história oficial. Hoje em dia, no entanto, na medida em que crescem e avançam as explorações e escavações arqueológicas bem como os estudos antropológicos, trazendo vasto e riquíssimo material comprobatório de outra história não oficial, – paralela por assim dizer, – mais se buscam ignorar as novas e incontestes provas e as recorrentes e inevitáveis remontagens de capítulos históricos sob novas cronologias, nomenclaturas, inserções, ou descartes de mentirosos eventos.
    -
    Há uma proposital hibernação e blindagem de inúmeros fatos históricos, a superproteção da cultura em termos definitivos, e uma incomensurável má vontade dos postos oficiais em ir buscar, estudar seriamente, reconhecer e adotar novas posições, teorias, hipóteses, teses, adições ou admitir, pelo menos a priori, as retificações dos investigadores, principalmente independentes. Esses últimos, a quem não alcançam as censuras governamentais, são, em contrapartida, ignorados, lhes são fechadas as portas, são tachados de sonhadores e a muitos os trituram com ironias e mentiras.
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    Mas surge a emergente pergunta: a quem não interessa as mudanças na infra-estrutura da história universal, principalmente nos estudos da antropologia e teoria da seleção natural darwinista?
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    Como exercício simples, imaginemos quantos bilhões de dólares ao ano são movimentados no globo terrestre a enriquecer grupos monopolizadores dos veículos divulgadores culturais em conluio com governos, ou a encher os cofres dos próprios órgãos governamentais diretamente ligados à incrível e monumental indústria da impressão e venda de farto material didático, e o que mais em torno gravita sob a moderna tecnologia – todos responsáveis pela cultura universal como é ensinada. E como seriam o catastrófico e espetacular ruidar dos pilares desse astronômico edifício de interesses “multimiliardários” no mundo inteiro e o gestar de inúmeras outras visões e relatos hodiernos? Imagino incrível desordem e irreparáveis rombos das milenares bases da cultura catalogada e um efeito dominó, irremediavelmente caótico, da economia mundial. Além, claro, de uma mudança de visão da origem do homem e de seu papel aqui na Terra, o que conflitaria valores tradicionalmente acalentados pelo orgulho de pseudo superioridades étnicas ou raciais, e moveria para outra busca ou reavaliação de direitos.
    -
    Em conseqüência, no campo antropológico, por exemplo, ainda dando formas ao exercício imaginativo embora plausível, logo entraríamos com sede e apetite nas bases do edifício darwinista, reabrindo para valer ampla e muito bem fundamentada discussão entre as hipóteses evolucionistas e o criacionismo desmistificado, considerando as descobertas mais recentes que dão conta de que o homem moderno não evoluiu do Cro-magnon, segundo incontestes achados do chamado homem da Galiléia na década de 80, desprezados até o momento pelos doutos teóricos devoradores de livros em bibliotecas sob excelente ar refrigerado.
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    Além disto, viriam à luz mais amplificada as fantásticas inferências de capítulos da pré história, sob fotos e vídeos de desenhos rupestres encontrados em desconhecidas cavernas, e as mais eloqüentes interpretações de antigos símbolos, imagens, estátuas, sistemas da engenharia de montagem de santuários em cidades acima da terra ou subterrâneas, recentemente encontradas nas Américas, – tudo documentado na mais atual das gerações tecnológicas, – além das constatações de redes de imensos e inexplorados túneis de milhares de quilômetros de extensão, com milhões de anos de existência, ligando países, – alguns desses túneis já detectados por satélites da NASA, – e de reavaliações dos textos sagrados muito bem decodificados, deixados por culturas em extinção ou já extintas. E o darwinismo deixaria de ser o carro-chefe dos mais fortes argumentos do ateísmo e moderno ceticismo.
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    Bem, sob esse prisma de desconfianças quanto aos dados históricos, depoimentos manipulados, tradições orais, documentos achados em cavernas e ainda não reconhecidas suas autenticidades, e pela não aceitação das provas concretas existentes, afirmam-se da mesma maneira que Jesus não teria nascido no ano 0 (zero) da era cristã, mas sim no ano 03, logo seria crucificado em 36 d.C., aos 33 anos de idade. A cifra 33 serve literalmente aos religiosos, mas não da mesma forma aos ocultistas e esotéricos. Para esses últimos, toda a história dos evangelhos, a par de sua seqüência de acontecimentos humanos nos palcos da vida, traz nas suas narrativas, além dos ensinamentos filosóficos e práticos do grande mestre, patamares superiores de interpretações simbológicas. E por assim existir num livro popular, deteve a seguridade da permanência de seus segredos iniciáticos pelos milênios vindouros, mas cujas chaves de suas mais profundas interpretações, Jesus as teria ainda passado aos seus apóstolos mais íntimos, dois ou três mais adiantados em consciência.
    -
    Nesse mesmo segmento, baseados nos estudos da cabala e de escolas da gnose antiga, há correntes de estudiosos que afirmam Jesus estar com seus 42 anos de vida e não 33 ao adentrar a porta de Jerusalém, não tendo perecido na cruz como encerram sua história, além de a data de seu nascimento ser a 15 ou 16 de setembro, sob o signo de virgem.
    -
    A relação de que Jesus seria do signo de peixes, ou capricorniano de 25 de dezembro, não se sustenta entre estudiosos do ocultismo. Essa falsa assertiva provém das deformações interpretativas de suas características como emissário e implantador de um novo ciclo evolutivo da humanidade, calcadas em antigas e não entendidas previsões astrológicas por leigos, e na identidade que ele encarnaria na era de peixes, de 2250 anos, a se findar astrológica e definitivamente nos próximos séculos, apesar da já entrada da era de aquário, conhecida pelos esotéricos.
    -
    Além do mais, na data de 25 de dezembro, em Belém e Oriente Médio em geral, sob inverno rigoroso com nevascas, não seria possível nem um menino nascer naquelas condições atmosférica numa manjedoura sem perecer de frio, e nem os três reis magos ser guiados pela estrela debaixo de um céu profundamente cintilante e encantador, que não existia naquela hora e momento, devido às freqüentes e gélidas tempestades.
    -
    Portanto, as discussões históricas nos moldes atuais estarão longe de acabar enquanto autoridades culturais, muitos sinceros e honestos, insistirem em se manter irredutíveis e insensíveis às novas provas que periodicamente emergem, não se inclinando diante das novas premissas formuladas por modernos pesquisadores, e, principalmente, enquanto os monopólios internacionais das culturas prevalecerem com seus interesses.

  62. Lair Amaro Diz:

    Prezado Carlos Magno, com todo o respeito, não entendi absolutamente nada do que você escreveu…

    Você, a priori, descarta a historiografia oficial no que diz respeito aos “eventos humanos que se têm notícias”. Isso, por um lado, é uma prática corrente até mesmo entre nós, historiadores, quando adotamos uma postura crítica em relação à documentação. Por outro lado, corre-se o risco de abrir campo para qualquer tipo de “notícia” (boatos, lendas, mitos, ilusões) como sendo portadora do fato.

    De fato, a busca pelo Jesus histórico deu um salto qualitativo quando incorporou dados advindos da arqueologia e estabeleceu um diálogo construtivo com a antropologia, de modo que a Palestina no século I veio a ser mais bem conhecida sob vários aspectos.

    Porém, se estamos falando de pesquisas históricas, acadêmicas, não faz sentido trazer ilações do ocultismo e doutrinas místicas para completar o quadro que, supostamente, estaria incompleto. Supondo que eu tenha entendido sua proposta.

    Assim, que “novas provas” são essas que você menciona?

  63. Carlos Magno Diz:

    Prezado Lair:
    -
    É sua confissão não ter entendido realmente sobre o que escrevi, mas não escreverei tudo novamente sob outro ângulo, desculpe-me. Há coisas que talvez tenha exagerado, não tendo conseguido atingir um meio termo. Mas o cerne da crônica reflete aquilo que penso, e creio com clareza.
    -
    Entretanto, falar de Jesus e desejar transportá-lo para os anais da história oficial é quase heresia intelectual, é forçar para que mais represente um personagem mítico, dual, inverossímil, manobrando-o para uma vestidura anacrônica, uma simples menção sem qualquer base ou respaldo, visto, pelo apresentado sobre sua existência ter sido sempre refutado pelos doutos e céticos da oficialidade cabal. E para a oficialidade única, ou seja, histórica geral, a transposição da imagem do mestre aos olhos de estudiosos compiladores e copistas, – muitos ateus e céticos, – é fraca, falível, duvidosa, inexistente até senão por relatos da tradição, e suscita um milhão a mais de dúvidas do que certezas.
    -
    Falar de Jesus, repito, sem evocar e reconhecer a memória mística, a intelectualidade dos profetas, o conhecimento milenar dos ocultistas, a sabedoria das religiões, é tornar o tema realmente intolerante, sem a essencialidade original, sem o motivo verdadeiro que tantos seguidores e religiosos intuitivos acreditaram e louvaram no justo instante da efeméride.
    -
    E continuam acreditando contra todos os anátemas dos historiadores, das provas bipartidas de um lado obscuro, eivado de hiatos, suposições, incertezas, corrupções e mentiras. Mas assim mesmo aceitas sem grandes relutâncias.
    -
    Sinto muito Lair, mas há muito a considerar de uma história às vezes paralela, às vezes com fatos transmigrados, mas que sem a austera oficialidade governamental, é plena de razões que os orgulhosos e senhores do saber teimam em relegar e jamais admitir pelas tais faltas de provas concretas, mas que não as buscam onde elas realmente estão.

  64. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Não deixa de ser interessante como determinadas correntes “esotéricas”, detentoras dum “conhecimento especial” (como alegavam os antigos gnósticos), encarnam a História, em geral, e a evidenciação de pontos-de-vista com base em documentos ou fontes históricas, em particular (aqui incluindo-se também a Arqueologia, a Numismática, a Epigrafia, etc.). Numa fantástica construção conspiratória, tais correntes desdenham as evidências históricas ora disponíveis, alegando: a) que foram forjadas pela “corrente oficial” da História, ou então: b) que várias das referidas evidências desapareceram ao longo do tempo, mostrando-se o quadro remanescente como incompleto. Dessa forma, a visão, ou a reconstituição, de fatos ou acontecimentos históricos capaz de ser esboçada hoje em dia seria: a) quer incompleta num enorme grau, b) quer altamente tendenciosa – e, em ambos os casos, em termos práticos, imprestável. Por outro lado, apesar de desdenharem desse modo a pesquisa histórica, invocam a própria (pretensa) antiguidade de seus pontos de vista (isto é, a legitimidade histórica dos mesmos) para os mostrarem como superiores a qualquer coisa que a pesquisa histórica possa apresentar, embora jamais consigam fornecer qualquer prova minimamente sustentável para tudo aquilo que alegam.

    Tal posicionamento, obviamente, é tautológico: segundo essas pessoas, a versão “oficial” dos acontecimentos passados é falsa e/ou incompleta, porque os documentos originais se perderam. Mas, se se perderam, como é que se sabe que algum dia existiram? E como é que se sabe algo sobre o seu conteúdo? Afinal, se perderam! Como não podem apresentar qualquer evidência sólida para o que afirmam, essas pessoas passam a apelar para “revelações”, “sabedoria oculta”, e coisas do gênero, ou seja, para uma autêntica “gnose” (aqui no sentido técnico, e depreciativo, do termo), que detêm de modo exclusivo, ou quase, como se fossem os guardiões duma veneranda, antiga e arcana “espiritualidade” – os modernos “pneumatikoi” que pairam acima dos ordinários “psychikoi” e “hylikoi”, que somos nós, os mortais que não compartilham desses segredos.

    Todavia, nessas pretensões nada há de espiritualidade, mas apenas de construções pseudo-místicas recentíssimo, de verniz sincrético. Embora se apresentem como herdeiras, ou continuadoras, de antigas tradições, essas idéias absolutamente nada têm a ver com autênticas tradições antigas, que, sim, em linhas gerais nos chegaram, e que, sim, podem ser (apesar de com grande trabalho e estudo) reconstituídas.

    Embora torçam o nariz diante das pesquisas históricas, acusando-as de prolixidade, nada mais podem oferecer a não ser tolices ou banalidades enfeitadas com uma grossa casca terminológica (essa sim) empolada, e cuja finalidade é justificar a “sabedoria” duns poucos “eleitos”, os quais, no fundo, quando se investiga a questão detalhadamente, não passam de almas espiritualmente subnutridas. Nisso, como em quase todas as investigações, vale a frase: “tudo aquilo que é gratuitamente afirmado também pode ser gratuitamente negado”.

    Por essa razão, quando escrevo algo, procuro, tanto quanto possível, ser cuidadoso e detalhista, mostrar as fontes – ainda assim, resumindo muito, e, mesmo assim, sabendo que posso enganar-me, ora muito, ora pouco. Esses textos estão, assim, abertos à investigação e à crítica (é bom que estejam!); não são uma relíquia sagrada. Todavia, são, claro, considerados “prolixos”, “verborrágicos”, etc., escritos com a única finalidade de demolir as lindas e açucaradas “verdades”, que servem, apenas, para iludir as pessoas e afastá-las (isso sim) duma verdadeira espiritualidade, duma autêntica experiência metafísica. A conspiração dos malditos “materialistas”, insensíveis, que, com suas garras imundas, tentam acabar com tudo o que existe de belo e de bom. Claro, despejam essas acusações sem sequer se darem ao trabalho de mostrarem de onde tiraram os seus pontos-de-vista, em quê, afinal, se baseiam para os defender com tanto ardor.

    Sem dúvida, a pesquisa séria dá trabalho, e muito. Uma coisa é dizer, para uma platéia crédula, justamente aquilo que ela quer ouvir; que se tem um conhecimento esotérico obtido numa revelação, sabe-se lá de que tipo, capaz de, mágica e quase instantaneamente, resolver suas angústias. Espetacular! Outra coisa, muito diferente, é pesquisar, muitas vezes anos a fio, seguindo pistas ora verdadeiras, ora falsas, tentando cotejar diferentes versões, enganando-se muitas vezes, acertando umas poucas, construindo devagar, com idas e vindas, uma visão ao menos coerente e razoavelmente próxima da realidade, tanto quanto as evidências o permitam. Dá trabalho, e muito, e não é, em absoluto, algo espetacular – é chato, e toma muito tempo. Mais ainda, não é, quase sempre, “vendável”. Não tem “marketing” – não é espetaculoso, não promete curas, não resolve os problemas “espirituais” das pessoas. Não há ectoplasmas baixando, ou reis, rainhas, senadores, monges, de milhares de milhares de anos, falando, e falando, e falando, entoando sempre os mesmos discursos pomposos, as mesmas banalidades pseudo-piedosas, a mesma moralidade “naïve”, as mesmas generalidades que se adaptam a qualquer um e a qualquer situação, numa proveitosa ambigüidade. É apenas a prosa meio seca, concatenada, que vai tentando disciplinar o cérebro, que vai cortando, devagar mas impiedosamente, as ilusões – por mais belas que possam parecer. Porque há belezas que envenenam a alma.

    Quer-se dar a esse embate o cunho de “espiritualidade” versus “materialismo”, mas isso é absolutamente falso. Não há, praticamente, espiritualidade no Brasil. O que aqui passa por espiritualidade é um conjunto de posturas contratualistas de cunho absolutamente material diante de poderes que não são entendidos – rezo-e-obtenho-o-que-quero-aqui (vale qualquer reza, a qualquer nume). Algo bem pior que o antigo paganismo. Por isso volto a repetir o que já disse aqui noutra ocasião – acho verdadeiramente inútil discutirem-se assuntos espirituais, ou metafísicos, quando sequer conseguimos discutir algo mais básico, que é a evidenciação histórica e a pesquisa meramente lógica: o que podemos, de fato, e racionalmente, dizer acerca do que ocorreu, diante dos testemunhos que restaram. Se houve documentos “escondidos”, onde estão eles? Onde a evidência de que existiram? Se houve “revelações”, que evidência de que foram, mesmo, revelações, e não fraudes, ou alucinações? Se não conseguimos sequer lidar com isso, como queremos ir adiante? Se não somos capazes de pesquisar a parte, como queremos abocanhar o todo?

    Imploro a quem porventura leia este texto que o considere apenas, em parte, como um desabafo, e, em parte, como um ponto-de-vista. Não pretendo polemizar quanto a isso – é absolutamente inútil, afinal, que é possuidor de “revelações misteriosas” e de “sabedoria esotérica” jamais admitirá a fragilidade daquilo que possui, ou a possibilidade da análise histórica desafiar esse seu “tesouro”. Seria um diálogo de surdos. É fácil fazer “baixar” um Faraó numa sessão espírita – mas é difícil aprender egípcio, estudar a História antiga daquele país, pesquisar sobre sua vida e religião. É fácil ler as obras “psicografadas” por grandes escritores – mas é difícil ler as obras originais desses mesmos escritores, pesquisar sua época, as condições sociais, econômicas, psicológicas em que viveram, e nas quais escreveram. É fácil “fazer uma promessa”, a Deus, a um santo, a uma entidade – mas é difícil modificar a própria vida, e tentar seguir o caminho do bem, por ele só. É fácil dizer que o espiritual não existe – mas é difícil adotar uma postura verdadeiramente filosófica, porque a filosofia, como todo o conhecimento, é algo que vai além da matéria, é espiritual.

    De novo: fazer pesquisa séria dá trabalho, e não é, usualmente, “vendável”. Absolutamente, não é para qualquer um – só para os que se dispõem a um trabalho fatigante, que será sempre (SEMPRE) menosprezado pela maioria. Só para aqueles que, desde o início, sabem que não obterão, praticamente, nenhum tipo de reconhecimento, seja material, seja espiritual, da esmagadora maioria das pessoas, que querem permanecer ignorantes, que querem ser iludidas, que endeusam os que as enganam e que seriam capazes de matar os que lhes querem abrir os olhos. E isso é tristemente verdadeiro neste nosso país – não é à toa que o gigante Brasil é um anão cultural. Falta-lhe espiritualidade – e a cultura é algo espiritual. Os “espiritualistas” daqui não honram o seu nome.

    Para encerrar, quanto a mim, ainda “ardendo em legítima curiosidade intelectual” continuo esperando pela apresentação, mesmo que de forma resumida, de evidências históricas efetivas (documentos ou outras fontes fidedignos) para a) o fato de que os “rabinos” judeus do Antigo Testamento conheciam as “leis do Karma” – aliás, para o fato de que havia “rabinos” no Antigo Testamento; b) o fato de que os ensinamentos reencarnacionistas já tinham “milhões de anos”; c) o fato de que, desde o início (refiro-me aos Vedas, principalmente ao Rig-Veda, não aos Upanishades), os brâmanes, e a sociedade hindu em geral, era reencarnacionista – qualquer leitura cuidadosa dos Vedas e das tradições hindus mais antigas, inclusive referentes aos costumes funerários, aponta justamente para o contrário; d) idem, para os atlantes, o que quer que isso signifique; e) idem, para os lemurianos, o que quer que isso signifique; f) idem, para “todos os sacerdotes da Antiguidade” – citar quais sacerdotes, e quais mistérios, especificamente;
    g) idem para os egípcios – citar as obras teológicas egípcias (papiros, hierofanias e teofanias gravadas nas paredes dos templos, etc.) que apóiem efetivamente uma crença reencarnacionista na religião egípcia (não me refiro aos pastiches gnósticos ou herméticos da época helenística ou romana, mas sim aos autênticos testemunhos, em língua egípcia, oriundos da própria civilização faraônica). O “Livro dos Mortos” egípcio era reencarnacionista?

    Eu continuo esperando pelas evidências… Tudo aquilo que é gratuitamente afirmado também pode ser gratuitamente negado…

    Enfim, quais as evidências efetivas do “conhecimento milenar dos ocultistas”? Que conhecimento é esse? É algo sólido, ou simples mistificação? Como saber se é uma coisa, ou outra? Que provas ele fornece de si mesmo? E que “ocultistas” são esses? Que evidências mostram para o pretenso saber que reivindicam? Como saber se esses “ocultistas” atuais são realmente os herdeiros, numa “catena aurea”, dos brâmanes, dos sacerdotes egípcios, dos pitagóricos, do pessoal da Atlântida, dos lemurianos (sic), dos marcianos, ou dos habitantes do sul de Urano? Como confiar nisso? De fato, o que há, em toda essa mistificação que posa de espiritualista é uma “catena plumbea”, nada mais.

  65. Carlos Magno Diz:

    Ao José Carlos:

    Olhe amigo, não sei se aprecio seus argumentos e tento entendê-los como um mortal comum, ou por um descuido me permitirei ser atropelado pela imensa e descomunal carroça locomotiva extraordinariamente acadêmica que você impolutamente arremete contra mim e contra a cultura e tradição espiritual e esotérica.
    -
    Citar como você faz é uma prova de conhecimento, sem dúvida, ou mera colagem enciclopédica, ou transcrição do erudito, ou memória fotográfica, mas nada me impressiona quanto a isso. Há valores nisso? Sim, não duvido, mas no mais absoluto relativismo. Conhecer do que se fala e diz, saber lidar com o pragmatismo, libertar as teorias e a erudição de seus próprios círculos limitadores, elaborar e realizar, comprovar e sentir, são coisas que teóricos estilistas e estilizado jamais alcançaram, pois tais coisas transcendem as páginas marchetadas e margeadas de todos alfarrábios da cultura humana de que esses dedicados lançam mão no tempo e no espaço.
    -
    Diga o que desejar, defenda com ardor o academismo reto ou o tortuoso, o cético ou o maleável, o orgulhoso ou o sutil; cite as fontes orientais ou ocidentais que lhe aprouver; faça a escolha mais incomum que desejar: é seu o direito, é sua pura e insofismável opção, mas como o dia é dia e a noite é noite, e os raios do sol irrompem todas as manhãs, o saber que verdadeiros esotéricos e ocultistas algo ensinam e zelosamente guardam na sua maior conta, está tão longe dessa realidade convencional de convergente teoria mundana, que se torna algo de abstruso para o não iniciado entender… e jamais entenderá.
    -
    Sugiro, portanto, que não cruzemos argumentos porque não falamos e nem escrevemos o mesmo idioma; definitivamente não nos entendemos, pois não sou teórico profundo, filólogo ou dicionarista: sou um pobre pensador com um pouco de expressão; sou prático naquilo que realizo e me valho tanto do intelecto como da intuição e, principalmente, do conhecimento dos ofícios de minhas funções na espiritualidade. E se escrevo o que escrevo, se dou pistas que dou, é porque sei com toda a certeza do que falo e a quem falo, e sei onde está a origem dos argumentos que me permito utilizar.
    -
    Entretanto, os que se julgam habituais do conhecimento universal, porque esse conhecimento está compilado sob o corolário das narrativas e processos de pesquisas rebuscados, porque esses processos são oficiais e acadêmicos, porque os usam pela maior facilidade de comunicar com o vernáculo e porque pintam muitíssimo bem com o verniz belo, lindo e reluzente, da maior qualidade literária, – esses não entendem que primeiramente se alimentam do brilho falso, e depois de suas próprias vaidades. Mas quem não é vaidoso? Ponto para vocês!
    -
    Sugiro, assim, que deixemos descer sobre nós, qual fênix rediviva ao ar, o silêncio aterrador de nossos diálogos indiretos, mais tácitos do que abertos, esperando que quanto menos escrevamos um para o outro mais consigamos dizer.

  66. Carlos Magno Diz:

    A reencarnação, ou o processo de transmigração de almas de um lado a outro,- considerado o lado oculto aos sentidos físicos um espaço, pois na verdade são muitos os espaços chamados dimensões ou planos de existência, – é tão somente polêmica e discutível para quem não deseja admiti-la.
    -
    Se não se admite um Deus Cósmico construtor dos universos e um deus triplicado em nosso sistema solar, a representar os ideais do Deus Cósmico, e não admitir-se que tantos as leis mecânicas que regem os trânsitos e órbitas dos astros, quanto as leis que concretizam os ciclos do nascer-viver-morrer-renascer, estejam todos sob a vigilância e engenharia de muitas outras inteligências que se constituem em hierarquias, – é pura bobagem discutir-se.
    -
    A reencarnação é um processo lógico e natural; é racional e sensato, simples até de se entender nas mais elementais bases, que justifica a presença da vida na Terra e explica as diferenças tão gritantes entre povos e sociedades. Ainda que religiões não aceitem abertamente essa afirmação lógica, pois muito se apegam às interpretações literais obrigatórias de seus textos, sutras, revelações, parábolas ou qualquer outra forma de exposição, um número bem grande de seus representantes a admitem e já estudam alguns dos princípios de causas e efeitos indissociados de um reincidente ciclo de vida e morte dos corpos materiais. Tenho amigos religiosos, ecléticos, que assim fazem.
    -
    Há céticos, no entanto, que não desejando aceitar esse conhecimento, por diversas razões pessoais, somente encontram incoerências na idéia, e baseados em suas interpretações a tudo negam. Sem problemas. Também as ciências negaram fatos, sempre incursionaram nas hipóteses do impossível chegando a construir um edifico de premissas negativistas, mas através de seus representantes mais ilustres elas mesmas, no decorrer dos séculos, desmentiram-se e emolduraram novas premissas formulando leis.
    -
    Desejar convencer um ateu, um cético materialista, um agnóstico ou pesquisador preconceituoso, é pura perda de energia. Há aqueles que somente vêem o que desejam ver, buscam provar somente o que admitem ser a verdade, – sua verdade, – e negam de todas as maneiras o que não desejam admitir. Ponto final.
    -
    Se alguém desejar encontrar somente erros na Bíblia, no Alcorão, no Livro dos Vedas, na doutrina cardecista, nos livros esotéricos, nas práticas religiosas, somente encontrará erros, e provará a si mesmo os erros. Demonstrará que sua visão é a mais correta, sejam quais forem suas razões que movam sentimentos ou ambições. Essa é a visão unilateral que muitos afirmam não possuí-la, mas que por muitos meandros do intelecto continuam fortemente a condicioná-la.
    -
    Enquanto as ciências pretenderem demonstrar que a vida é somente matéria, e a matéria é a razão única da existência, que novos eventos astronômicos: novos big bangs, nebulosas, buracos negros, energias quânticas, etc, são as formas ou expressões unicamente da materia universal e dela somos suas criaturas e serviçais, não há verdadeiramente diálogo aproveitável.
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    Por mim não passa o herético pensamento de que possa ser matéria o psiquismo, os sentidos, o raciocínio intelectivo, as próprias reações instintivas, o fluido nervoso e tudo mais que permeia um mundo extra-sensorial do ser humano, que não sendo composto de gases, líquidos e sólidos, não pode ser capturado pela processualidade dos métodos científicos, estando assim além da tridimensionalidade conhecida.
    -
    Da mesma forma, seria uma grande brincadeira do Pai-Mãe matéria das ciências, inventar uma criatura imaterial, que criaria todo o universo, e a ela todas as nações, todos os povos, o mundo enfim, a reverenciariam e por ela organizariam cultos e religiões. Pois concluo, pelas próprias ilações dos ateus e cientistas, que se eu fora um modelo ou cópia dessa infinita e sábia fonte de vida chamada matéria, seria igualmente matéria, minha fonte de expressão somente se daria pelo meu cérebro, a mente seria matéria, portanto, eu seria um EU-MATÉRIA e esse filho do gens matéria, inventaria Deus e as crenças, a alma e o espírito, e todo um processo de submissão de vida e morte calcado numa tal reencarnação.
    -
    Que grande incoerência e impotente paradoxo: a própria matéria inventar Deus, o oculto, o abstrato, as crenças, as religiões, os céus e as criaturas infernais, e pelos cérebros ateus e céticos vir provocar dissensões, guerras e lutas contra ela mesma! Sim, pois lutam até hoje espírito x matéria, que ela mesma através de seus ateus não aceita e nem entende. Nossa, que imenso caos, que confusão dos diabos, que processo macabro desse Pai-Mãe sinistro! Bem, respeitemos quem pensa assim ou pelo menos não deseja inferir e nem refletir sob esse ângulo.
    -
    E para não dizer que não falei de flores, desejo salientar que a idéia da reencarnação vem de milhões de anos, de tempos imemoriais, lemurianos, atlantes, impossíveis aquilatar perfeitamente ou veicular sob outros instrumentos de provas, senão por livros praticamente intemporais guardados pela tradição iniciática e que um dia, quando a humanidade não for mais belicosa, hipócrita e nem desrespeitosa com os deuses (espíritos superiores) que trabalham pela evolução dos reinos planetários e, em particular, da humanidade, essas fontes, esperamos, virão a ser mostradas. O Sepher Yetzirah, entregue a Abrão, e de qual toda a ciência cabalista derivou, já é uma cópia dos anais desse livro original quando ele já era considerado uma relíquia.
    -
    Esse livro primordial é chamado Livro de Dzyan, e segundo H.P. Blavatski; “ completamente desconhecido dos filólogos modernos, não figura em nenhuma biblioteca européia. Esta obra, escrita em folhas de palma, tratadas por um processo desconhecido que as impermeabilizou à ação do fogo e da água, é de uma antiguidade que não se pode calcular”.
    -
    Segue ainda H.P.B.” O Shu-King, – bíblia primitiva dos chineses, os livros sagrados de Thot Hermes, os Puranas da Índia, o Livro dos Números (caldeu), e o Pentateuco mesmo, todos se originaram daquele volume pai. Diz a tradição que foi escrito em Senzar, a língua secreta sacerdotal, conforme as palavras dos seres divinos que o ditaram aos Filhos da Luz, na Ásia Central, no começo de nossa raça, quando o Senzar era conhecido pelos iniciados de todas as nações, quando os antepassados dos Toltecas o sabiam tanto quanto os atlantes que o herdaram da 3ª. Raça, os Manuchis que os receberam dos Devas da Primeira e Segunda raças.”
    -
    “Já os Puranas, eram uma coleção de escritos simbólicos e alegóricos, em número de dezoito, que se supõe foi escrito por Vyasa, autor de o Mahabharata. Os Puranas são lendas ou narrações de tempos antigos. Descrevem os poderes e feitos dos deuses e parecem ter sido compostos para uso da parte menos instruída do país que não sabia ler os Vedas”.
    -
    Segundo Krichna Zastri Godbole, de Bombaim, através de pesquisas e estudos astrológicos, os Vedas devem ter sido escritos há pelo menos 25.000 anos, menção essa apoiada pelo professor Cowel no seu apêndice do livro A História da Índia de Elphinstone.
    -
    Tanto os ensinamentos védicos quanto a religião bramânica se confundem no conteúdo através dos tempos, e o povo ário encarregou-se de espalhar os ensinamentos por toda a Ásia e parte do Oriente Médio. Os Vedas, que são livros divididos em salmos, hinos, conhecimento de fórmulas sagradas e magia de encantamento, alertam também sobre o carma, que através das más condutas, e pelas faltas e dívidas morais, provoca a volta das almas à Terra pelos samsaras – as reencarnações.
    -
    Já o Livro dos Mortos do antigo Egito, é também citado como um dos livros mais antigos do mundo, e além de abordar a passagem das almas nos mundos supra físicos, e suas lutas para se livrar das prisões das forças inferiores, estabelece tópicos que inferem sobre a reencarnação dos deuses. Como o seguinte trecho, no capítulo LXIV: “ Eu sou o Hoje. Eu sou o Ontem. Eu sou o Amanhã. Através de meus numerosos nascimentos permaneço jovem e vigoroso. Eu sou a Alma Divina e misteriosa que, em outro tempo, criou os deuses e cuja essência oculta nutre as divindades do Duat, do Amenti, do Céu”.
    -
    Sabem os iniciados dos mistérios egípcios que a alma é universal, tanto habitando deuses quanto homens, e desde princípio de tudo o Espírito, – a Mônada Divina, – é Um com Deus! Eu e meu Pai somos Um, dizia Jesus, um iniciado egípcio.
    -
    Não há porque alegar-se falta de provas sobre o conhecimento da tradição religiosa dos antigos, mescladas hoje com o que se considera na sua totalidade, elementos do conhecimento esotérico. Há um passado pulsante que não se pode negar nem desmentir, unicamente porque não há nos anais acadêmicos o reconhecimento e a chancela dos doutos ocidentais. Mas os doutos e sábios orientais chancelam o que afirmam!
    -
    Os reencarnacionistas espíritas fazem bem em buscar nos ários e nos livros sagrados dos Vedas a fonte do saber de onde o espírito experimentado e iniciado de Kardec certamente bebeu e conheceu a lei do carma (Kardec era da maçonaria francesa) e os motivos e processos da reencarnação. E essa sabedoria viajaria com Buda, – antes no Egito conhecido por Thot, mais tarde Hermes, na Pérsia há 31 000 anos conhecido por Zoroastro onde proclamou a religião do fogo, e na Grécia chamado de Orpheus, onde ensinou pela música, – durante seus períodos de iluminação nas matas de Gaia em que construiu suas máximas. E delas Jesus beberia através de suas próprias viagens aos mosteiros budistas e vivência entre os essênios, verdadeiros precursores da gnose, que mais tarde chegaria à Grécia transformando-se em filosofia, porém mantendo sua fidelidade às raízes do conhecimento budista.
    -
    Há contradições nessa história? Somente para os acadêmicos, não para os iniciados dos menores graus quase populares das ciências espirituais, ou para os iniciados do outro lado do mundo, de cujos templos e livros todos os princípios, doutrinas, rituais, filosofias espiritualistas e práticas, as religiões ocidentais a tudo deles herdaram. Inclusive a prática da mediunidade, pois as videntes e pitonisas de antanho, eram médiuns incorporadoras de deuses e espíritos superiores que por elas falavam e ensinavam!

    Carlos Magno.

  67. Carlos Magno Diz:

    Correções:

    1. Admitir-se que tanto as….
    2. estejam todas sob a vigilância…
    3. O Sepher Yetzirah entregue a Abrão e do qual….
    4. e desde o princípio de tudo…
    5. dizia Jesus, um iniciado no Egito.

  68. Gilberto Diz:

    “A reencarnação é um processo lógico e natural; é racional e sensato, simples até de se entender…” Tal afirmativa só possui DUAS forma de se comprovar: morrendo e esperando que, se for verdade, você ainda se lembre da vida anterior e consiga até mesmo comprová-la, visitando o local de sua vida anterior, revendo os sobreviventes e chegando à conclusão: eu reencarnei. Infelizmente isso nunca aconteceu. A segunda forma seria a forma que os espíritas usuam: eles se comunicam com mortos, que, por estarem mortos, sabem de todo o segredo que Deus, apesar de se revelar abertamente aos esotéricos, sempre guarda com zelo. Mas esse é o ponto principal: será que os mortos se comunicam mesmo? Os próprio espíritas divergem. Seriam essas comunicações confiáveis? Por que os psicológos (não esotéricos, que são a maioria) dizem que conversar com mortos é distúrbio mental? Seria apenas o materialismo insensato deles dizer isso? Por que NUNCA surgiu um médium que fizesse REALMENTE alegações verdadeiras e bombásticas do além? É tudo sempre etéreo e impossível de verificar imediatamente (como Xavier e Ramatis sobre Marte. Na época não se podia verificar, mas agora vemos que eram baboseiras). Se Deus revela tudo, por que ele não deixa claro, em TODAS as religiões que Kardek é que estava certo? Que a reencarnação existe (é claro que os espíritas dizem que a Bíblia afirma a reencarnação, mas todas esses argumentos são desmontados com facilidade por qualquer católico ou evangélico com um mínimo de conhecimento bíblico).

    E” delas Jesus beberia através de suas próprias viagens aos mosteiros budistas e vivência entre os essênios…”

  69. Carlos Magno Diz:

    Gilberto:

    Ceticismo e religiões, ciências e espiritismo normalmente divergem por suas próprias naturezas. Os parâmetros são diversos, pois cada corrente vê segundo seu pensamento. Então não dá para explicar porque espíritas, esotéricos e ocultistas não só acreditam em reencarnações, mas, principalmente, conhecem-nas e sequer duvidam por um segundo.

    Para eles são fatos tão óbvios que passam por cima com a maior naturalidade, não as considerando absolutamente dogmas ou questão de fé: é a realidade vista de dentro para fora.

    Além do mais, acreditam nas mensagens, nas vidências, nas íntimas certezas e intuições, nos ensinamentos de seus mestres. Por que tantos milhões de pessoas estariam enganadas e somente os céticos que não convivem nesse meio, não interagem com espíritos das mais diversas linhas e culturas estariam certos, se somente teorizam e negam?

    Em todo o mundo há muitos relatos de espíritos que se materializam subitamente, ensinam seus discípulos avançados e desaparecem. Como eles fazem isso sem a necessidade de renascer? Ciência espiritual meu caro, e é para lá que estamos avançando.

    Pode você negar e encontrar quantos argumentos contrários desejar, afinal há sempre fatos que não se comprovaram. Como nas ciências do mundo, que erram todos os dias, cometem absurdos, mas cujos erros são imediatamente anistiados pelos aficionados que logo arranjam mil desculpas, ficando por isso mesmo. No entanto, a mesma tolerância não se verifica para com espíritas e esotéricos, e quando fatos anunciados não se comprovam os céticos ávidos caem de pau, ignorando os acertos anteriores.

    O que posso mais dizer em defesa é que não há onisciências: tudo são desafios, busca de conhecimentos e verdades, e um dia quando as ciências terrenas se juntarem às ciências espirituais, sem disputas nem preconceitos, haverá enorme salto de qualidade em nosso mundo.

  70. Carlos Magno Diz:

    E quanto a vida noutros planetas, os resultados divulgados das prospecções no solo marciano, foram até o momento risíveis, irrisórios, patéticos e somente em poucos itens coincidem com a afirmativa de vida biológica lá encontrada.
    -
    A NASA está escondendo o leite; ela fez descobertas que não revela, embora registradas por fotos e vídeos. Já disse isso uma vez e repito: há dois aposentados: um funcionário da NASA e outro de uma grande companhia associada aos projetos espaciais, que descolaram mais de 1000 fotos dos arquivos secretos da NASA e juntos publicaram um livro. Esse livro, pelo material coletado, comprova fatos alienígenas incríveis desde as viagens à Lua e recentemente à Marte.
    -
    Agora mesmo, publicado pelo jornal O Globo, um cientista astrônomo na Escócia, catalogou, pelo que conseguiu coletar através dos telescópios espaciais e processos da astronomia, mais de cinco mil planetas na Via Láctea com sinais de vida tanto semelhantes à da Terra, quanto mais atrasadas ou adiantadas. E afirmou que existem inúmeros outros planetas em idênticas condições.
    -
    É a ciência oficial que afirma isso, e pouco se comenta!
    -
    Por falar em Ramatís, ele não se enganou, vamos aguardar mais um pouco. Além de tudo, onde há cidades e populações em Marte, são regiões em que o módulo da NASA não desceu e nem explorou, sendo uma delas acobertadas por nuvens e tempestades que dificultam sua exata localização.
    -
    E Ramatís informou que a ciência dos marcianos é infinitamente superior à da Terra e que possuem instrumentos que retransmitem para telas gigantescas os movimentos da vida terrena, além de conhecerem todos os recursos minerais e vegetais de nosso planeta.
    -
    Acredito que se não desejarem ser vistos pelos exploradores da Terra, eles facilmente desviarão as naves terrenas de seus objetivos iniciais, como creio ter acontecido. Motivo? Diante deles somos selvagens heréticos, carregados de bactérias mortais ao contato de seus corpos purificados…

  71. Lair Amaro Diz:

    Carlos Magno:

    Qual o nome do livro escrito por esses dois senhores?

    De tudo o que você escreveu em seu post é a única coisa que se pode verificar, quer dizer, o livro. Por que o restante pertence ao campo da crença e aí, meu caro, fica o dito pelo não dito ou a palavra de um contra a palavra de outro.
    Afinal, pelo que parece, há uma grande brincadeira de esconde-esconde: a NASA esconde; os marcianos se escondem. E só uns privilegiados é que sabem a Verdade.

    Desconfio que esse debate está perdendo a seriedade.

  72. Carlos Magno Diz:

    Lair:
    -
    “De tudo o que você escreveu em seu post é a única coisa que se pode verificar, quer dizer, o livro. Por que o restante pertence ao campo da crença e aí, meu caro, fica o dito pelo não dito ou a palavra de um contra a palavra de outro.”
    -
    Tenho escrito muitas coisas que se podem verificar: falei de H.P.Blavatski, de Ramatis, de Jesus, do budismo, do cientista escocês, do Livro dos Vedas, do Livro dos Mortos do Antigo Egito, da Bíblia, do Sepher Yetzirah, do Shu King, dos Puranas, etc., puxa, quantas coisas concretas!
    -
    O que seja crença ou não, para uns é, principalmente, questão de visões distendidas para patamares superiores; para outros é simplesmente negação cética do negar pelo negar; finalmente para tantos é o “não li, não gostei!”
    -
    Ah, sim o livro: procure a referência no seguinte endereço:
    http://www.dominiosfantasticos.xpg.com.br/id87.htm

  73. Lair Amaro Diz:

    Carlos Magno, penso que essa nossa conversa não irá chegar a lugar algum. O endereço que você recomenda (domínios fantásticos), embora eu respeite por uma questão de educação, não é um site que possa ser levado a sério.

    E dizer que a Bíblia, Ramatis, Teosofia e os demais são dados concretos… Mundo criado em seis dias… Um homem na barriga de um peixe por três dias… Realmente, muito concreto.

  74. Carlos Magno Diz:

    É Lair, o problema de vocês que se dizem céticos é o apego e unilateralidade às próprias idéias. Mas falam isso dos místicos e religiosos.

    Nunca procuro convencer quem se diz cético e nem desejo isso, não é meu feitio, e longe de mim insistir por não haver um mínimo de proveito. Argumento, critico e até me divirto, mas só isso, pois cada um se inclina ao perfil de suas idéias, sejam elas próprias e originais, retilineamente acadêmicas ou obedientes ao estereótipo comum condicionante, correntes no ceticismo.

    Desnecessário seria também dizer que jamais imaginaria você abrir um livro de Ramatís, ler os Vedas ou Blavatski, mas me surpreende sua critica ao contexto bíblico que expressa a criação do mundo em seis dias, quando é obvio que isso não é literal, sendo, pois, mero simbolismo, como é a existência de Adão e Eva, da serpente e da maçã, e são também simbólicos muitos aspectos de outras passagens bíblicas, inclusive dos evangelhos de Jesus.

    Tudo bem, estamos por ai, mas não se sinta cerceado ou qualquer coisa do gênero, embora confesse que construímos diálogos de não chegar a lugar algum, se numa futura oportunidade deseje atalhar um comentário meu, contestando ou opinando contrariamente. Aceitarei numa boa, ao meu próprio e pessoal jeito.

    Abraços.

  75. Fabio Diz:

    Se todo o tempo gasto tentando provar que algo está errado fosse utilizado em fazer o bem a alguém, não seria mais interessante?? Dane-se se é mentira ou verdade. Tanta gente precisando de ajuda, passando fome, desesperada e ninguém faz nada para ajudar. Em vez disso ficam aqui discutindo coisas inúteis e que não interfere na realidade de quem desconhece esses fatos. Gastem seu tempo ajudando o próximo, ofereça auxílio a quem precisa, tire uma criança da rua. Pelo menos os espíritas fazem isso e não perdem tempo com blá, blá, blá .. Se fizessem algo de bom por alguém, independente da crença, seu esforço em provar algo já seria válido.

  76. Carlos Magno Diz:

    Falou, Fábio!

    Mas Jesus, o Grande e Sábio Mestre, já dizia: “Nem
    só de pão vive o homem!”

    Já imaginou se todos somente gostassem do amarelo? Ou somente do preto? Coisa triste, não?

    E quem pode afirmar definitivamente que a caridade sistematica feita nessa forma de escambo com os espíritos que você induz, é a correta e a mais sábia? E a caridade por obrigação é necessária a todos? A caridade é um carma, sabia? E quem não possui esse carma não necessita da caridade; se prontifica a fazer se desejar, mas nós, os civilizados, sempre gostamos de ajudar, não é mesmo?

    Já ouviu dizer que da discussão nasce a luz? Será que trazer luz por palavras e filosofias não seria um tipo de caridade?

    Pense, meu caro, pois pensar mexe com os miolos como escrever desenvolve a ambos os hemisférios do cérebro, então você estará sendo caridoso com você mesmo. Aliás, a maior das caridades é consigo mesmo, estamos aqui para aprender e quem não ama a si mesmo não consegue amar ao próximo.

    “Mateus, primeiro os teus!” Já dizia também o sábio Mestre!

    Abraços, prezado.

  77. Lair Amaro Diz:

    Carlos Magno, perfeita sua observação.

    Um dos entraves ao progresso do espiritismo no Brasil é essa mentalidade espírita de que polêmicas são negativas e que basta a prática da caridade para um mundo melhor.
    Para esse tipo de espírita, Herculano Pires, Deolindo Amorim, Carlos Imbassahy e outros intelectuais espíritas nem precisavam ter nascido ou perderam um tempo considerável fazendo o que fizeram.
    Eu não perco mais meu tempo com essa gente.

  78. Carlos Magno Diz:

    Lair:

    Muito bom que concordamos. Mas quando discordarmos também será proveitoso.

    Abraços.

  79. luiz Diz:

    Se o indivíduo é espírita mesmo, de verdade, deveria orar a Deus pelo seu irmão, e não criticá-lo de forma desrespeitosa só porque não partilha de suas crenças.

  80. ERTUZIO DE SOUZA CALAZANS Diz:

    Meu amigo e irmão Marco Túlio!…
    Você deixou-se impressionar pelos comentários deste deconhecido José Carlos Ferreira Fernandes? Não perca o seu precioso tempo lendo tais desinformações! Você sabe, tanto quanto eu, que o Espiritismo é O Consolador Prometido por Jesus e que Ele, O Divimo Mestre, não confiaria um trabalho de tamanha envergadura a um Espírito qualquer! Se Jesus confiou a Emmanuel a orientação da Obra imensa e ímpar de Chico Xavier, ele, o guia espiritual do médium mais famoso e sensitivo do Mundo, não pode ser preterido a um “simples e desconhecido pesquisador”! Quem é este José Carlos? Ninguém o conhece, mas o Chico Xavier é admirado não somente pelos Espíritas mas também pelos católicos do mundo inteiro! Um homem simples e pobre, com um terceiro ano primário, começou a sua missão recebendo poesias de escritores famosos (ver o livro Parnaso de Além Túmulo) e o Espírito Emmanuel não escreveu somente o livro Há dois mil anos! Os livros de Emmanuel são inquestionáveis e de rara beleza! Há dois mil anos sucederam: 50 anos depois, Ave Cristo, Renúncia, Paulo e Estevão, A Caminho da Luz, Fonte Viva, Vinha de Luz, O Consolador, Palavras de Emmanuel, Caminho Verdade e Vida, Pão Nosso e mais 100 livros! A bibliografia do Chico Xavier ultrapassa a soma dos 420 títulos! Quero lembrar-lhe, meu irmão, que Jesus disse que “se conhece a árvore pelo fruto”! Mostra pra mim, na história do Cristianismo alguém que tenha legado tanto à humanidade! Veja, Marco Túlio, essa gente mal conhece a história do Brasil… ora, o Espírito Verdade prometido por Jesus veio para reavivar os seus ensinos, tal como Ele mesmo prometeu!
    Eu não censuro o pesquisador JOSÉ CARLOS FERREIRA FERNANDES, censuro, sim, os Espíritas que dão crédito às suas desinformações! Mande para ele um e-mail bem carinhoso, sugerindo a leitura mais cuidadosa dos Livros de Emmanuel. Depois, de André Luiz, Humberto de Campos e dos inúmeros Espíritos que se serviram da mediunidade do maior paranormal do planeta para consolar os entes queridos que ficaram chorando na retaguarda. Depois, me conte! Abraços do amigo e Irmão em Cristo. Ertúzio
    Ertúzio de Souza Calazans

  81. jar.io Diz:

    A Tentação de Tito…

    ……

  82. HELENA MASTER Diz:

    MEU CARO. SUA PESQUISA FOI LONGE HEIM, PORÉM NEM ASSIM CONSEGUIRÁS DESESTIMULAR O ENTENDIMENTO DE AMOR QUE EMMANUEL PASSA AOS CORPOS QUE DESEJAM A LUZ. ATÉ MESMO A BÍBLIA SAGRADA QUE EU AMO E RESPEITO É FRAGMENTADA. NÃO PRECISAS QUESTIONAR, BASTA ENTENDER AS LIÇÕES DE AMOR QUE ESSES ESPIRÍTOS TRAZEM AO NOSSO MUNDO TÃO CHEIO DE DORES E ESPECTATIVAS. TUDO É ILUSÓRIO QUANDO BUSCAMOS A REALIDADE DAS COISAS. TUDO PASSA E SOMENTE FRAGMENTOS HISTÓRICOS FICAM .
    A VERDADE É DEUS E TUDO VEM DELE…PRINCIPALMENTE AS LEITURAS QUE NOS EDIFICAM. LEIA COM CUIDADO E PEÇAS INSPIRAÇÃO A DEUS PARA ENTENDERES E VERÁS QUE NÃO PRECISARÁS PROVAR NADA PARA NINGUÉM. PORQUE QUEM LEU E ENTENDEU O AMOR QUE ELAS PERPASSAM, FICAM SATISFEITOS E ILUMINADOS.

  83. Lisandro Hubris Diz:

    Estou oferecendo o link de acesso à primeira versão do meu E-book em PDF “Lampejos de Reflexões Mitológicas”.
    Que têm 330 páginas, 350 imagens belíssimas e pode ser lido grátis via Internet.
    Faça o Download Now clicando no link
    http://ateus.net/ebooks/
    E-books: Acervo Geral Lisandro Hubris

    Em 2010 vou publicar a 2 versão que terá 800 imagens, será 50% mais interessante e se chamará “A Bíblia Desmascarada”…
    O meu PDF (que poderá ser consultadas na íntegra e em formato digital), servirá como fonte de consulta e para a garimpagem de dados que provarão que:
    A Torah não foi traduzida em 72 dias, por 72 sábios.
    O ufanista Josué não teria detido o Sol.
    A “Trindade cristã” não existe.
    Nero não teria torturado os cristãos no Coliseu.
    No Inicio os vegetais não produziam frutas!
    A expulsão dos hiksos virou o Êxodo bíblico.
    A “Virgem Maria” foi plagiada de SEMÍRAMIS.
    Há mais de 6000 anos já se fazia o “T” ou “Sinal da Cruz”
    Jesus foi um bastardo e não o prometido Messias.
    O “recenseamento cristão” é um engodo
    A Páscoa cristã plagiou a lenda da Deusa Ostera
    As muralhas de Jericó foram construídas e derrubadas milhares de anos depois…
    Até porque, hoje em dia, com o simples esforço de ler o e-book do Lisandro Hubris, em minutos é possível reformulará dezenas de mentiras que há milhares de anos vem parasitando a mente dos místicos.

    http://ateus.net/ebooks/
    Acervo Geral Lisandro Hubris

  84. Roger Diz:

    O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!

  85. Carlinha Diz:

    Srs. e Srªs.,

    Um ano se passou e não saímos do lugar,pois não?
    O Sr. Carlos Magno poderia, por favor, indicar onde eu possso obter a informação sobre o Cro-Magnon?
    As obras “esotéricas” citadas(não gosto da alcunha,mas facilita o entendimento), eu li durante 30 anos: O Gita, Ananda,Apócrifos,Blavatsky,textos sumérios,O Livro dos Mortos, A epopéia de Gigamesh,pode perguntar. Minha memória é excelente,podendo gravar trechos inteiros,páginas e páginas se for necessário. A Torá, As Leis do direito Romano, tudo o que a nossa civilização, nestes milhares de anos,deixou como legado em termos de auto conhecimento e evolução espiritual, eu li para conhecer. Para enterder. Ou até mesmo para contestar. O Corão, livro sagrado do Islã,eu li aos 31 anos, por falta de um exemplar confiável; acabei me tornando a única pessoa a defender esse povo e sua cultura. Após o 11 de setembro,então,pude ver o medo,motor da humanidade,em cada muçulmano, ou árabe, ou armênio,ou qualquer praticante da religião de Maomé. Essa muito mais tolerante que diversas outras,ainda que os fundamentalistas (presentes,infelizmente,em toda parte)preguem o contrário. O alcance de uma obra pode ser medido pelo número dos beneficiados, mas como podemos mensurar,sem cair no favoritismo,as bênção realmente obtidas? Nada pode impedir a divulgação da felicidade quando ela é alcançada, nada pode impedir a disseminação da bondade quando ela ocorre. Nenhum dos cientistas citados escondeu ou guardou para poucos “iniciados” os frutos de suas descobertas benéficas. Opor ciência à espiritualidade é tão coerente quanto exigir dos religiosos as provas de sua fé…
    Mas a história se prova,se renova, se atualiza. Podemos até citar um livro bem conhecido: “Nada há que esteja oculto que não venha a ser revelado”. Ou seja, a luz da lógica, da clareza de raciocínio,do embasamento documental pode e dever ser usado para esclarecer e jamais para confundir. Abstenho-me de comentar sobre as posturas aqui descritas, mas gostaria de dizer a todos que da imensa gama de idéias apresentadas, a fascinante viagem pela Roma dos “Senectus” e legiões em busca do procurador foi a que mais me agradou…

    Abraços

  86. Eliane Diz:

    Meu Deus! Estou pasma com alguns comentários tão ignorantes a respeito do que não se conhece.

  87. Eliane Diz:

    Houve ocasiões em que realmente achei o Sr.Carlos Magno bem malcriado, mas entendo, que ele é um ser humano como todos nós, que muitas vezes perde a paciência com tantas bobagens colocadas por pessoas que não se dá ao trabalho de pesquisar, colocar o ponto do vista de maneira concreta e eficaz. Ninguém é obrigado a acreditar no Chico Xavier, mas falar dele de maneira tão grosseira é uma tremenda ignorância, só pode ser de quem não tem o menor compromissao com a verdade. O Chico Xavier, independentemente de quem acredita ou não em mediunidade, é uma personalidade importante em nossa história, e para aqueles que não conhecem o seu trabalho, no mínimo deve ficar quieto, como todos devemos fazer quando ignoramos qualquer assunto que não no interessa estudar. Não tenho um conhecimento profundo do espírismo,assim com da vida do Chico Xavier, mas julgá-lo como mal feitor de acordo com meus poucos conhecimentos, aí, é bem ignorância mesmo.

  88. Peladão Diz:

    Sejamos realistas, a única coisa que serve para o ser humano atualmente é cuidar do seu habitat! Esqueçam as religiões! Esqueçam o que tem lá fora, trabalhem pelo que tem aqui, como se fosse o último dia de sua vida! Cuidem dos animais, das plantas, da terra, esqueçam este deus que não existe, estas crenças que só te fazem mal! Vivam pelo viver, e não pelo o que vai vir depois da morte…

  89. Ricardo RJ Diz:

    COM,SEM OU APESAR DE SEUS DETRATORES,TUDO O QUE CHICO XAVIER NOS DEIXOU EM TERMOS DE OBRAS PSICOGRAFADAS, EXEMPLO DE VIDA E TRABALHO ATIVO NO BEM,ESTÁ AÍ PARA APRECIAÇÃO GERAL,DOS SIMPLES E DOS DOUTOS,DOS CRENTES E DOS CÉTICOS,DOS ESPÍRITAS E DOS NÃO ESPÍRITAS.CERTOS COMENTÁRIOS FEITOS ACIMA,PELA SUA VULGARIDADE ATÉ BEIRANDO A OBSCENIDADE NÃO SÃO DIGNOS DE OUTROS COMENTÁRIOS.CRITICAR,CONTESTAR E REFUTAR OS ENSINOS DE CHICO,TUDO BEM!É UM DIREITO DE QUALQUER UM.MAS MANTENHAMOS UM NÍVEL CIVILIZADO E A MÍNIMA ELEGÂNCIA NO DEBATE DE IDÉIAS,QUE SEMPRE É POSITIVO.CHICO E SUA MEMÓRIA NÃO MERECEM SER TRATADOS ASSIM.

  90. Pinheiro Martins Diz:

    Meus caros debatedores, espero não ofender ninguém, de nenhum dos lados da controvérsia, mas vocês não se deram conta de uma coisa, um detalhe importante? Trata-se do seguinte: o livro “Há dois mil anos” foi apresentado pela FEB (Federação Espírita Brasileira), pelo médiun Chico Xavier e, também, é bom lembrar, pelo próprio Emmanuel como um ROMANCE, ou seja, uma obra de ficção. Vocês estão tropeçando no óbvio, ou seja: discutir a existência histórica da PERSONAGEM LITERÁRIA Públio Lentulus seria tão despropositado quanto discutir a existência ou não de “Ben-Hur” (cujo autor, por sinal, foi homenageado e premiado pelo Vaticano, mas esta é outra história). O objetivo dessas obras literárias, quer sejam espíritas, como as do Chico, “Ben-Hur” ou quaisquer outras do gênero é o da edificação moral, não o de ensinar História. E eu o digo com a plena consciência de alguém que, além de professor de História, teve também sua educação no Espiritismo. Ora, desde jovem eu li as obras de “Emmanuel” com a necessária distância crítica de quem sabia estar lidando com romances edificantes, e não textos “históiricos”. Pensem nisso, também, antes de ficarem debatendo se Públio Lentulus existiu realmente ou não. Se a obra é, assumidamente UM ROMANCE, então seu(s) autor(es) tem direito à chamada “licença poética” (ou licença artística; como seja).
    Espero que tenham me entendido. Cumprimentos a todos do Prof. Pinheiro Martins

  91. Vitor Diz:

    Caro Prof. Pinheiro Martins,

    O livro Há Dois Mil Anos tem de fato nuances literárias, mas tem eminentemente uma pretensão histórica. E acima de tudo, ele é visto pela comunidade espírita (kardecista) nacional como relato/revelação histórica.

    Como se não bastasse, no livro vem escrito como subtítulo “EPISÓDIOS DA HISTÓRIA DO CRISTIANISMO NO SÉCULO I”. Assim, o livro tenta ser historiografia, no que falha totalmente.

    Um abraço.

  92. Pinheiro Martins Diz:

    Caro Vítor:
    Agradeço o acolhimento em vosso site. Entendo suas posições, pois eu mesmo me senti discriminado, várias vezes, no meio espírita, quando tentava abrir os olhos dos meus correligionários para que eles aprendessem a separar as coisas, e fui mal-entendido. Principalmente os espíritas mais velhos não aceitavam (e continuam não aceitando: e olha que já tenho 42 anos!) que um jovem pudesse lhes dar orientação em qualquer coisa sobre a história do cristianismo. Mistura-se, nesse meio religioso, a falta de cultura com a arrogância (para não se falar na preguiça de estudar). Vou até dizer o nome de uma figura do movimento espírita, já desencarnada, e que ocupava posição importante no movimento espírita fluminense, e que tinha esse tipo de postura, imprópria inclusive a um diretor de escola: o Prof. José Jorge, de saudosa memória para muitos, me chamou de jovem pretensioso apenas por tê-lo informado (discretamente, após uma palestra) que o Concílio de Nicéia, convocado pelo imperador Constantino, ocorrera no ano 325, e não em 312, como ele equivocamente afirmara (ele confundiu com a data da Batalha da Ponte Mílvio). E ele não foi o único! Não consegui obter respeito ou reconhecimento pelo meu trabalho de pesquisa e divulgação histórica nem mesmo após publicar quatro livros sobre História do cristianismo e do espiritismo, para não falar de uma dúzia de artigos, aproximadamente, que consegui publicar também em duas revistas espíritas, hoje extintas. Hoje, praticamente não consego publicar mais nada. Até hoje muitos espíritas não me perdoam, entre outras coisas, por ter escrito que algumas das cartas de Paulo, no Novo Testamento, são apócrifas, ou por ter negado que João Evangelista fosse a reencarnação do profeta Daniel… (se quizer cópia dos textos, posso enviá-los: explique-me como). Continuo “espírita” por que creio em reencarnação e, mais ainda, que Deus existe e que Jesus é o Messias. Também acho que os livros de Chico Xavier são OBRAS LITERÁRIAS edificantes, com algumas pretensões “semiautobiográficas” reencarnacionistas, mas… é bom lembrar que nem mesmo os autores encarnados que investem neste gênero tiveram a pretensão de descrever, em seus “romances (semi)autobiográficos” a “História verdadeira tal como ela aconteceu”. Exemplo contempolrâneo: o escritor norte-americano Kurt Vonegut escreveu um romance dessa natureza, baseado em sua experiência de combate na Segunda Guerra Mundial. Trata-se de “Matadouro 5″, no qual ele reproduz algumas situações vividas por ele mesmo e seus companheiros, entremeadas com alguma ficção, como ele mesmo admite no prefácio do livro. E assim por diante. Enfatizo: os livros de Francisco Cândido Xavier são literatura ficcional edificante, muitos dos quais assumidamente publicados como coletâneas de CONTOS ou como ROMANCES (para não falar dos poemas). Se foram escritos com ajuda de espíritos ou não, esta já é outra história, que podemos debater depois. Inclusive, mais tarde, posso dar algumas palavrinhas sobre a PERSONAGEM LITERÁRIA Públio Lentulus. Bom, fico por aqui, pois já me estendi demasiado. Um abraço a todos os que leêm este sítio; que sejamos mais tolerantes uns com os outros, não importa qual seja nossa crença (pois até o ateísmo é uma crença). Tchau!

  93. Pinheiro Martins Diz:

    P.S.: Me desculpem os meus erros de digitação, ou de ortografia mesmo, que eu próprio considero imperdoáveis em um professor, o qual, além disso, é escritor também (ou pelo menos tem a pretensão de sê-lo). Deveria ter mais atenção ao revisar minhas mensagens. Reitero meu pedido desculpas e lhes desejo uma boa noite!

  94. Vitor Diz:

    Oi, Prof. Martins,

    note que Kurt Vonegut deixa claro no prefácio que ele está misturando fatos com ficção. A situação, a meu ver, é bem diferente no caso de Emmanuel. “Públio Lêntulo”/”Emanuel” afirma ter sido testemunha ocular da história que narra, a qual não pode, em absoluto, ser considerada como mera peça de ficção (págs. 11 a 14).

    Tenho-me esforçado, quanto possível, para adaptar uma história tão antiga ao sabor das expressões do mundo moderno, mas, em relatando a verdade, somos levados a penetrar, antes de tudo, na essência das coisas, dos fatos e dos ensinamentos.

    “Para mim essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas. Suaves pela rememoração das lembranças amigas, mas profundamente dolorosas, considerando o meu coração empedernido, que não soube aproveitar o minuto radioso que soara no relógio da minha vida de Espírito, há dois mil anos.

    Entrarei em contato com o senhor sobre as demais questões por email.

    Um abraço.

  95. Carlos Magno Diz:

    Professor Pinheiro Martins:
    *
    O Vitor tem razão. Emmanuel não coloca Públio Lêntulo como personagem ficcionista, mas sim histórico. Tenho certeza de que nem Emmanuel nem o Chico seriam tão ingênuos a ponto de comprometer suas relações com a doutrina cardecista reencarnacionista, ao supostamente criar personagens históricos fictícios com reencarnações fictícias para o deleite de leitores crédulos. Há narrativas, sim, analogias espíritas com a realidade; é literatura doutrinária sabemos disso, mas não aqui.
    *
    E o senhor acha mesmo que tanto Emmanuel como o Chico seriam tão irresponsáveis? Por outro lado, a história tem muitas coisas mal explicadas; tem remendos, inserções políticas e religiosas, hiatos, documentos perdidos ou destruídos por vândalos, e suas resenhas não são absolutamente tão confiáveis como imaginam certos críticos. Na verdade, a história oficial não é a mesma registrada nos anais do espaço! E acreditar 100% nos relatos e documentos oficiais é também complicado.
    *
    E o Públio Lêntulo citado por Emmanuel, trouxe na sua aura um sentimento de ódio e aversão aos amantes da oficialidade, que a todo custo procuram desmentir sua existência através de frestas documentais.
    *
    Gostaria que o prezado professor pudesse também demonstrar-nos como ou porquê João Evangelista não era Daniel, visto essas afirmações reencarnacionistas serem profundamente enigmáticas para os próprios mentores das diversas correntes da espiritualidade, havendo entre eles afirmações díspares.

  96. Vitor Diz:

    Caro CM,

    o Professor Martins já enviou-me seu texto referente à questão Daniel/João Evangelista. Espero em breve publicá-lo no blog, com a devida autorização dele. Seja só um pouquinho paciente.

    Um abraço.

  97. Carlos Magno Diz:

    Ok. Aguardarei.

    Abs.

  98. lair amaro Diz:

    Pessoal, ajudem-me a decifrar isso:

    “esperando eu a possibilidade de grafarmos as nossas lembranças do tempo em que se verificou a passagem do Divino Mestre sobre a face da Terra” – palavras de Emmanuel no prefácio.

    “agora verificarei a extensão de minhas fraquezas no passado, (…), a fim de que a minha confissão seja um roteiro para todos” – idem.

    “para mim, essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas (…) o meu coração emperdenido, que não soube aproveitar o minuto radioso que soara (…) há dois mil anos” – idem.

    “permita Jesus que eu possa, (…), apresentando, nesse trabalho, não uma lembrança interessante acerca de minha pobre personalidade” – idem.

    Posso estar enganado, mas são expressões de quem se pretende testemunha participante do texto escrito. Ou seja, ainda que um romance, um relato supostamente autobiográfico.

  99. almir Diz:

    parece que faço com atraso algumas considerações aqui: descobri recentemente este blog, e já fui lendo quase todo o texto sobre o suposto publio lentulo… isto é realmente pesquisa histórica e não conversa de “espíritos”. que bom que a história coloca os pingos nos ís…. belo trabalho.

    tem gente que naõ se dobra mesmo diante das evidências, deixem que continem sonhando… é fácil ditar um livro com uma suposta reencarnação num passado longiquo, aonde é praticamente impóssivel alguém ir buscar uma evidência, mas certos “autores espirituais” comentem algumas cagadas que podem ser descobertas com muita facilidade. aí está o exemplo.

  100. icaro Diz:

    Ja esta confirmado que as hitorias pesquizadas e etc. não falam toda a verdade, agora fica ai para você pensar se você estava la para comprovar tudo oque você disse.

  101. Sonia N. Diz:

    Descobri há poucos dias o Ceticismo Aberto. Por tratar de assuntos de meu interesse, tenho feito alguns comentários. Li alguma coisa a respeito dos estudos históricos a respeito de Publio Lentulus, estudos estes elaborados por José Carlos Ferreira Fernandes. Tal qual o comentarista Carlos Magno, não consegui ler na íntegra, por conter, o que parece ser, verborragia proposital e cansativa, par darmos por favorável a finalização, ao estudioso em questão. É tão grande que não temos condição alguma de checar qualquer coisa.
    Entretanto, em lendo os comentários de EMERSON, efetuado em 5 de Janeiro de 2009, sobre outro assunto, ou seja, as TEORIAS sobre a Terra, título do capítulo VIII do livro “A Gênese”, de Allan Kardec, fica explicitada a má fé com relação ao Espiritismo. A Ciência não admite mentiras e nem má fé. O trecho onde se pode ler: “Depois do arrebatamento do planeta desconhecido, chegado à maturidade ou em harmonia com aquilo que existia no lugar que hoje ocupamos, a alma da Terra recebeu ordem de reunir seus satélites para formar nosso globo atual segundo as regras do progresso em tudo e por tudo. Somente quatro destes astros consentiram na associação que lhes era proposta; apenas a lua persistiu em sua autonomia, eis que também os globos têm livre arbítrio…” faz parte de uma das teorias sobre a formação da Terra, ainda naquela época. E Kardec só faz assinalá-las e NUNCA endossá-las. As teorias citadas são as seguintes: Teoria da Projeção, de autoria de Buffon, porque a seu tempo, eram conhecidos apenas 6 dos planetas que orbitam o nosso sol. Kardec dá informações como qualquer professor o faria sobre assuntos controversos. Em segundo lugar, cita a Teoria da Condensação, mais conforme a ciência de hoje, como sendo a que melhor se justifica pela observação, a que resolve o maior número de dificuldades e, que mais que todas as outras, se apóia sobre o grande princípio da unidade universal. E em terceiro lugar, cita a Teoria da Incrustração, que transcreverei do início, para melhor entendimento de todos e não como queria o Sr. Emerson, que acreditassem que Allan Kardec ou os espíritos que o auxiliaram, são uns tontalhões. E poderá ser checado, por qualquer um, pois consta do livro em questão:
    O texto, ao qual o Emerson se
    Logo em seguida a citraçreferiu, inicia-se assim:
    TEORIA DA INCRUSTRAÇÃO
    4. Mencionamos essa teoria unicamente por memória, já que nada tem de científica; e o fazemos apenas porque ela teve alguma repercussão nos últimos tempos e porque não deixou de seduzir algumas pessoas. A carta a seguir transcrita, resume-a:
    “Deus, segundo a Bíblia, criou o mundo em seis dias, quatro mil anos antes da era cristã. Isso é contestado pelos geólogos, pelo estudo dos fósseis e pelos milhares de caracteres incontestáveis de velhice que fazem remontar a origem da Terra a milhões de anos, e portanto as Escrituras dizem a verdade, e assim igualmente os geólogos; e um simples campônio (1) foi quem os fez ficarem de acordo, quando nos ensinou que nossa Terra apenas é um planeta incrustativo, bastante moderno, composto de materiais bastante antigos.
    “Depois do arrebatamento do planeta desconhecido, chegado à maturidade ou em harmonia com aquilo que existia no lugar que hoje ocupamos, a alma da Terra recebeu ordem de reunir seus satélites para formar nosso globo atual segundo as regras do progresso em tudo e por tudo. Somente quatro desses astro consentiram na associação que lhes era proposta; apenas a lua persistiu em sua autonomia, eis que também os globos têm livre arbítrio. Para proceder a essa fusão, a alma da Terra lançou em direção aos satélites um raio magnético atrativo, que colocou em estado cataléptico todos os seres, vegetais, animais e humanos, trazidos para a comunidade. Tal operação apenas teve por testemunhas, a alma da Terra e os grandes mensageiros celestes que a ajudaram nesta grande obra, abrindo os globos para tornar comuns suas entranhas. Operada a soldadura, as águas escorreram para os vazios deixados pela ausência da Lua. As atmosferas se confundiram, e começou o despertar, ou a ressureição dos germens cataleptisados; o homem foi tirado de seu estado de hipnotismo, por último, e viu-se rodeado pela vegetação luxuriante do paraiso terrestre, e pelos animais que em paz pastejavam ao seu redor. Tudo isso pôde ser feito em seis dias, com o auxílio de trabalhadores tão poderosos, como os que Deus havia encarregado de tal realização. O planeta Ásia nos trouxe a raça amarela, a de civilização mais antiga; com o planeta Africa veio a raça negra; a Europa trouxe a raça branca e o planeta América, a raça vermelha. A Lua talvez nos trouxesse a raça verde ou azul…”
    (1) referência ao Sr. Michel de Figagnières (Varone), autor de “Chave da Vida” . E, portanto da Teoria da Incrustração.
    Interessante ler todo o capítulko, para se inteirar dos comentários e argumentações de Allan Kardec que, como todos devem saber, era professor de física, química, matemática, astronomia e outras ciências. E não um místico tolinho. Quanto às informações sobre Júpiter ou qualquer fato ou fenômeno não comprovado pela Ciência, ou que o próprio Kardec considerava exótico, afirmava sempre que os espíritos são de ordens e graus de elevação totalmente diversos e, por isso mesmo, davam opiniões relativas ao seu conhecimento, usando de seus livres arbítrios. Portanto, cabe a cada um de nós observar se há lógica ou não, tanto nas informações, quanto nos ditos fenômenos mediúnicos.
    Abraços

  102. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Quando não são mostradas evidências, a crítica (aliás, correta) é: “mas como se pode verificar tudo isso que foi dito, como se pode ter certeza de que as coisas são assim mesmo”? No entanto, quando se detalham as evidências, surpreendentemente, o texto é, gratuitamente, acusado de “verborragia”. De fato, me parece que ambas as posturas não passam de desculpas para se manter (e se deixar de investigar) uma posição que, ao fim, carece de fundamentos racionais, no mínimo que seja. Na maior parte das vezes, basta dizer: “mas trata-se de asserções gratuitas; onde estão as evidências, de onde é que você tirou isso tudo?” – e se sai, por assim dizer, com as mãos limpas e o coração justificado. Contudo, quando, enfim, se mostram as tais evidências, as pessoas (ou algumas pessoas), ao invés de se darem ao trabalho de as ler, de as verificar, de expor suas dúvidas e, mesmo, de questionar embasadamente as conclusões, simplesmente repetem, sem saída, a mesma cantilena: “o que vale é a mensagem” (se o que vale é “a mensagem”, para quê espíritos e sessões – basta ler a Bíblia, por exemplo, ou quaisquer outros compêndios sapienciais, lá estão as mensagens…), “o texto é muito longo”, “é verborragia”; e, agora, o pior: a acusação, ou melhor, a calúnia, gratuita, de que se trata dum texto longo com a deliberada intenção de impedir que os fatos sejam verificados (!!!). Teria sido muito mais honesto, creio, confessar que não se quer (ou não se tem capacidade de) ler, compreender e criticar uma exposição de índole histórica, DOCUMENTADA, com bibliografia detalhada E VERIFICÁVEL (dá trabalho, mas é o ônus que se paga se se quer investigar algo!), ou então admitir francamente que, para seu nível de apreensão mental e de satisfação psicológica, textos “consoladores” são suficientes, independentemente de sua plausibilidade ou mesmo de sua veracidade, do que me imputar esse tipo de atitude e me caluniar desse jeito. Um pedido de desculpas seria o mínimo razoável, todavia creio que dificilmente posso contar com isso. Mas, afinal, o que é que se poderia esperar, no Brasil, esse gigante “deitado eternamente em berço esplêndido”, e, ao mesmo tempo, esse anão cultural, das pessoas que esposam a “fé raciocinada” dos espíritas kardecistas, ou mesmo o “espírito crítico” das pessoas que se apresentam como “investigadores” das verdades religiosas (sejam elas próprias crentes ou não)? Mais fácil caluniar do que pensar, mais fácil acusar gratuitamente do que “raciocinar”. É triste, mas, das críticas recebidas, todas, fora algumas colocações do sr. Lair Amaro, foram ou gratuitas (“texto longo”; “verborragia” – desculpas para a preguiça mental, tipo “não li e não gostei”), ou falsas (afirmando do texto coisas que não foram ditas, p.ex., que se quereria provar que “Jesus não existiu”) ou “ad hominem” (me confundindo maliciosamente com um homônimo famoso por escândalos; ou me acusando de ser um “cético”, ou um “materialista”, quando nem sou isso, e, mesmo que fosse, isso nada tem a ver com o texto em si, que deve ser analisado pelo que contém de evidenciação histórica; e, agora, que ajo de má-fé, compondo textos longos para “impedir” os pobres e subnutridos cérebros de nossos investigadores metafísicos de verificar a autenticidade do que se afirma)… Vamos bem, vamos muito bem assim… Depois, não sabem a razão deste país continuar a ser a miserável nação subdesenvolvida que ainda é.

  103. Sonia N. Diz:

    José Carlos, louvo (de verdade!), o seu esforço e reconheço o trabalho exaustivo de compilação de dados.
    Parabéns, a você e a todos aqueles que se dedicam dessa forma em suas atividades.
    Mas, não confunda informação e/ou cultura com inteligência. Quem muito informa, não se forma, ou seja, acumula tanta experiência alheia, que se afasta da sabedoria (capacidade de experimentar: saborear, sentir a própria experiência).
    Abraços afetuosos e sinceros

  104. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    O trabalho não se resume a uma mera compilação de dados (embora esse aspecto seja de primordial importância, já que, sem dados minimamente confiáveis, qualquer afirmação é incompleta, gratuita, falsa ou eivada de má-fé), mas inclui também a interpretação de tais dados e a sua aplicação a uma situação específica, e importante – Emanuel/Públio Lêntulo é, de fato, quem diz ser? Talvez outros dados fundamentais podem não ter sido considerados; ou então, talvez, a interpretação dos dados apresentados pode ter sido falha. Mas, se é esse o caso, se dados fundamentais não foram considerados, seria interessante que esses dados “faltantes” fossem apresentados; se, por outro lado, a interpretação dos dados mostrou falhas, tais falhas também devem ser elencadas – e eu não vi nada disso aqui; basta ler os comentários… Sem dúvida, a massa de informações necessárias à análise pode ser grande, e a própria análise pode se apresentar como cansativa em muitos aspectos, mas, mais uma vez, insisto que esse é o preço que se paga se se quer realizar uma pesquisa minimamente decente. Pode custar dinheiro, mas, principalmente, custa tempo (muito tempo – anos!), e paciência. As coisas são assim, infelizmente. Quando afirmo que a identidade do “guia”, ou “controle”, dum dos médiuns mais famosos do país apresenta uma série de contradições tais a inviabilizar essa própria identidade, tal como apresentada (e é disso que se trata, afinal), entendo que essa afirmação é séria, porque toca nas crenças e, mesmo, na visão de mundo, de muitas pessoas. Não seria justo, quer para com a busca da verdade, quer (principalmente) para com essas mesmas pessoas, afirmar (e publicar) isso gratuitamente, sem o suporte razoável das evidências. E essas pessoas têm o direito de saber de que evidências se trata, afinal, e quais são elas; se não querem (ou se não podem) checar a bibliografia, sinto muito, ESSE problema eu não posso resolver; o que posso é apresentar as evidências e mostrar onde as obtive. O que mais me parece triste nisso tudo é que esse tipo de trabalho (chame-o de “invectivas do advogado do Diabo”, se quiser…) teria de ser feito pelos próprios espíritas kardecistas, no interesse da sanidade de sua própria doutrina, e de suas próprias pretensões, por assim dizer, científicas. Eu lhe garanto, minha cara Sônia, que, se isso tivesse sido feito décadas atrás, quando tudo começou, com muito menos “texto” se poderia verificar (com relativa facilidade) toda a problemática da identidade do “guia” de Xavier como “Públio Lêntulo”. Contudo, tanto quanto pude verificar em minhas investigações, ao longo de muitos anos, o Espiritismo kardecista (mesmo o francês, e, é claro, o brasileiro), no geral, não primou por investigações sérias e embasadas das alegações de vários de seus médiuns (isso começou com o próprio Kardec, diga-se de passagem, que ignorou todo um conjunto de manifestações “espíritas”, p.ex., as da corrente anglo-saxã, e mesmo, na França, as de Piérart, na ânsia de impor a sua dogmática reencarnacionista), o que não ocorreu, ou ocorreu muito menos, no Espiritismo anglo-saxão, onde há vários testemunhos de investigações cuidadosas. Embora eu não seja espírita, e considere, pessoalmente, o Espiritismo como um grande equívoco, tenho muito mais respeito intelectual pela corrente anglo-saxã do que pela corrente francesa kardecista (de onde os brasileiros beberam o seu Espiritismo). Mas isso é outra história.

  105. Sonia N. Diz:

    Meu caro José Carlos, concordo consigo sob muitos aspectos. Entretanto, não posso me furtar a oportunidade de lembrar que, tanto as suas pesquisas, quanto às outras feitas nesses blogs, são baseadas em pesquisas alheias, ou seja, em autores que também se basearam em outros, e por aí vai, cada autor (ou pesquisador) dando dados de acordo com a SUA VISÃO sobre o assunto. Não estou dizendo que você faz isso intencionalmente, você é obrigado, porque tem que partir de algum ponto. Mas que certeza você pode ter sobre a veracidade das fontes das quais você se vale para ir montado o seu trabalho?
    Tudo é muito relativo. Um copo com água pela metade, poderá ser descrito por uns, como um copo meio cheio. E por outros, como um copo meio vazio.
    Um homem tido como mais ou menos bom, também pode ser visto como mais ou menos mal.
    O Vitor, por exemplo, me respondeu outro dia que o não pode significar o mesmo que sim e vice-versa. Usou até uma de nossas expressões estranhas, herdadas do “português”: Poi sim (querendo dizer não) e Pois não (querendo dizer sim).
    Por exemplo, há alguns livros citados por vocês, nessas pesquisas, que são escancaradamente tendenciosos, encomendados por gente interessada nesses conflitos.
    Quando vocês põem em dúvida a honestidade do trabalho de um homem tão honrado como Chico Xavier, estão automaticamente abrindo precedentes para tenhamos todo o direito de duvidar daquelas onde vão buscar subsídios para fortalecer suas pesquisas. Quais as garantias, para crermos que essa fonte de informações é “seca”?
    Quero deixar claro minha admiração pelo seu esforço e dedicação, na busca pela verdade.
    Mas, não posso esquecer que a verdade é relativa a cada busca e é aí que precisamos ter cuidado.
    Quantas tragédias já foram provocadas, em nome da verdade? A história da humanidade é eivada de crimes, guerras, traições, em nome de verdades relativas, que hoje são consideradas verdadeiras loucuras.

  106. Sonia N. Diz:

    Só pra completar…
    Sócrates – Galileu – Giordano Bruno – Jesus – Gandhi -
    Mandela – e outros milhões de anônimos, que já passaram por este mundo, vítimadas em nome da verdade.
    Abraços afetuosos

  107. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Cara Sônia, sem dúvida o manuseio das fontes requer cuidados; a rigor, TODAS são tendenciosas, quer num aspecto, quer noutro, quer para um lado, quer para outro. É por isso que procuro ter um cuidado redobrado nisso – e, no geral, confrontando-as e comparando-as, pode-se, quase sempre, perceber qual o seu viés, e fazer os devido descontos. Claro, isso não garante TOTALMENTE as coisas, mas, principalmente quando se utiliza e se confronta o consenso de vários estudiosos e especialistas (e quando esses estudiosos não têm nenhum interesse específico quer de destruir ou de glorificar o Espiritismo, em geral, e Xavier, em particular), bem como quando se consultam as próprias fontes primárias, a possibilidade de erro diminui bastante. A sra. mencionou “livros tendenciosos”. Quais seriam exatamente tais livros, e em que sentido seriam eles tendenciosos? Por que, e em que medida, estariam “interessados no conflito”? Há, sem dúvida, lacunas no conhecimento, p.ex., da História Romana do séc. I dC, mas o acúmulo de estudos e evidências, quanto a isso, é avassalador. Todas as obras de referência que utilizei apóiam-se (cada uma delas) numa vasta bibliografia, bem como em exaustivos estudos das próprias fontes históricas (inscrições, moedas, textos da época, etc.). Volto a enfatizar que nenhuma dessas pessoas, apesar de suas limitações humanas, estava interessada especificamente em construir teses anti-espíritas, muito menos anti-Xavier. Eu mesmo utilizei, várias vezes, as próprias fontes epigráficas, elas estão disponíveis na Internet. E o uso dessas fontes históricas, e dessas obras de referência (não se tratam de almanaques, mas de livros ou estudos especializados, muitas vezes altamente especializados) mostram um quadro que é inequívoco no sentido de apontar para a total implausibilidade (no caso) da existência de Públio Lêntulo, tal como descrito por Xavier. Veja bem: as próprias fontes históricas, bem como as obras de referência de historiadores e pesquisadores de renome, internacionalmente conhecidos como se pefilando entre os melhores em suas áreas (veja a Bibliografia detalhada, no texto disponível para “download”), apontam para “A”; e a psicografia de Xavier aponta para “B” – não num detalhe ou noutro, mas EM TUDO. O “mundo romano” de Xavier (pretensamente, por Públio Lêntulo, uma suposta testemunha ocular…) é TOTALMENTE DIFERENTE do mundo romano que nos é revelado por esses estudos e por essas fontes. Imagine, por um momento apenas, que Xavier já não carregasse a fama que hoje tem, que (como mencionei num comentário anterior), se estivesse “no início de tudo”, que a sra. tivesse nas mãos todo esse material, e que tivesse que proferir um julgamento – honestamente, que tipo de julgamento proferiria? Por outro lado, tentar justificar tudo baseando-se na “mensagem” ou na “obra” me parece insuficiente. Se é assim, pode-se justificar qualquer coisa. Por exemplo, é inegável o “alto teor moral” da mensagem dos frades Dominicanos, do próprio São Domingos de Gusmão; é também inegável o conjunto de suas obras, mesmo de obras de caridade, de consolo, de aconselhamento, etc. Então isso automaticamente desculpa Torquemada e os demais inquisidores ,que foram dominicanos? Do seu ponto de vista, bem como do ponto de vista de todos os que se agarram “à mensagem” e “às obras”, sim (se se usasse o “mesmo peso” e a “mesma medida”). Não se poderia, portanto, criticar a Inquisição, já que “o que importa é a mensagem, e as obras” – e nisso os Dominicanos, bem como a Igreja Católica, pode apresentar uma brilhante “folha de serviços”. Veja bem, não estou, em absoluto, menosprezando quer o conteúdo moral da mensagem, quer a utilidade efetiva das obras, mas creio que isso não é suficiente – não justifica, nem desculpa, algo construído sobre uma ilusão (nem uso aqui a palavra “fraude”). Porque, por melhores que sejam as intenções, por mais belas que sejam as mensagens, por mais portentosas que venham a ser as obras, nada de bom, NO LONGO PRAZO, pode ser construído em cima duma ilusão, dum erro. Mais cedo ou mais tarde, a fragilidade das fundações aparecerá, e contaminará todo o (ainda que belo) edifício construído acima. Não sei se fui claro em minha exposição, mas, por mais perturbadoras que possam vir a ser, as pesquisas racinalmente embasadas ainda são um de nossos melhores baluartes contra a ilusão. Novamente, se há omissões de fontes, ou fontes tendenciosas no que se refere ao assunto em questão, ou então se tirei conclusões incompletas ou erradas a partir do material que consultei, gostaria muito (sinceramente) que esses pontos fossem apresentados e detalhados. Afinal, eu não sou perfeito, posso me ter enganado, apesar de todo o cuidado que procurei tomar (e que me custou muito tempo e paciência). Enfim, quanto à sua lista, apóio plenamente apenas os nomes de Sócrates e de Jesus. Tenho algumas dúvidas com relação a Mandela e a Gandhi, e muitas com relação a Galileu e, principalmente, a Bruno (embora, é claro, lamente a sua morte). Acredite, ele não foi nenhum “mártir da verdade”, muito menos “da Ciência”.

  108. Carlos Magno Diz:

    Prezada Sonia:
    -
    Gosto do seu estilo destemido, embora por vezes irrefletido, mas ardente e defensor do que ama e acredita. Simpatizo muito com você. Mas cuidado com os rolos de barbantes, aqueles que para dizer simplesmente “sim” ou “não” escrevem antes 450 palavras. Adoram!
    -
    Abraços.

  109. Sonia N. Diz:

    Olá Carlos:

    Agradeço suas palavras e retribuo sua gentileza, afirmando que me agradam muito os seus comentários, extremamente oportunos. Você tem sempre um leque de opções e informações, que enriquecem aqueles que acompanham o blog.

  110. Sonia N. Diz:

    Olá José Carlos Ferreira Fernandes:

    Mais uma vez, meus respeitos pelo seu esforço e trabalho.
    Mas, comparar a ERA DE HORROR de Torquemada e a Inquisição, ao AMOR das “supostas fraudes” psicográficas de Chico Xavier, é passar dos limites da razão; é embrenhar-se nos caminhos da loucura.
    Há tanta gente para ser pesquisada e desmascarada no meio espírita… use melhor os seus esforços e sua prática em pesquisa. Os espíritas não refletem o Espiritismo. Não são a mesma coisa. Quanto ao Chico Xavier, você vai despender tempo e energia e, por mais que isso possa lhe “render” , não vai valer a pena…
    Abraços afetuosos

  111. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Olhe, Sônia, não sei se meus comentários anteriores foram claros, mas eu não “comparei” Torquemada com Xavier, mesmo porque tratam-se de épocas (e de situações de poder) bastante distintas. O que afirmei (e continuo afirmando) é que apenas basear-se “na mensagem” é algo que pode ser perigoso, e que, de qualquer modo, é insuficiente. A maioria dos inquisidores, afinal, também acreditava, sinceramente, que estavam realizando um trabalho meritório, “por amor” por assim dizer, ajudando a salvar as almas, impedindo-as de, por causa de seus “erros”, irem se danar no Inferno por toda a Eternidade… Você mesma disse, afinal, numa mensagem anterior, que “…tudo é muito relativo; um copo com água pela metade, poderá ser descrito por uns, como um copo meio cheio; e por outros, como um copo meio vazio; um homem tido como mais ou menos bom, também pode ser visto como mais ou menos mal [sic]”. Eu, ao contrário, creio que as coisas não são tão relativas assim, há (ao menos em linhas gerais) um “certo” e um “errado”, e, por melhores que sejam as intenções (“dar consolo”, “salvar almas”, ou o que quer que seja), nada justifica, ou desculpa, uma ilusão, que é uma coisa “errada”, e que não pode, no longo prazo, gerar nada de bom, nada que, ao fim, preste. Eu posso querer queimar certas pessoas por amor (afinal, o que é um “pequeno” sofrimento na carne, comparado com a glória da salvação eterna?), mas isso absolutamente não é certo; eu posso querer consolar alguém a qualquer preço (afinal, o que é uma pequena “ilusão” se a mensagem é bonita, e a pessoa se sente bem?), mas isso também não é certo. Ambas as posições podem gerar tremendos equívocos; o que parece “bobinho” pode crescer e se mostrar, verdadeiramente, monstruoso. A grande (e maior) “loucura”, a meu ver, Sônia, não é uma (suposta) comparação entre Torquemada e Xavier, é justamente pensar que o “amor” (se é que se trata de “amor”), ou a “consolação” (se é que se trata, mesmo, de “consolação”), podem se sobrepor à verdade, ou, ao menos, à busca pela verdade. Agora, não pense que eu, pessoalmente, tenha uma “cisma” especial contra Xavier. No que me diz respeito, a questão é muito simples, e também muito emblemática: o tal “guia”, “Emanuel”, não disse coisas genéricas, do tipo “Veja, eu fui contemporâneo de Cristo, testemunhei sua missão terrena, e a lição que pude tirar dela foi essa e aquela”. Se esse tivesse sido o caso, a psicografia de Xavier teria de ser analisada (se se a quisesse analisar) noutros termos. Mas o “guia” se apresentou, deu nome, família, afirmou uma série de fatos de sua vida e da de Cristo, forneceu detalhes acerca da época em que teria vivido, etc. – ou seja, mostrou-se historicamente, assumiu uma identidade específica; e mais, DESSA IDENTIDADE derivou muito de sua autoridade e de sua fama – além da “mensagem” (que, no fundo, é um pastiche edulcorado de temas evangélicos e um amontoado de lugares-comuns e de banalidades piedosas, mas isso não vem ao caso), o prestígio que ele, Emanuel, e seu médium, Xavier, adquiriram, originaram-se amplamente dessa suposta identidade – de Emanuel ter sido, de fato, numa encarnação passada, uma personagem histórica real, Públio Lêntulo, contemporâneo de Cristo, que O conheceu pessoalmente, etc. Nisso baseou sua autoridade, por isso tornou-se famoso e tornou Xavier famoso; e, uma vez famoso, respeitado, e levado em consideração. Ora, se seu “guia” se apresentou historicamente, assim com tantos detalhes verificáveis historicamente por fontes independentes, ESSE ASPECTO da psicografia de Xavier podia (e devia) ser analisado historicamente, e foi o que fiz, e é o que qualquer um pode fazer, se quiser. Os resultados estão aí, Sônia, abertos a qualquer um, sem ônus, e com as fontes de consulta detalhadas. Jamais entrei no mérito, digamos, “metafísico” da questão – se se trata mesmo dum espírito ou se Xavier o inventou ou não; para o tipo de investigação que realizei, isso é irrisório. O que mostrei, e creio que com sólidas bases, é que esse “Emanuel” NÃO PODERIA TER SIDO QUEM DISSE QUE É. Por que, afinal, mentiu? Por que assumiu uma identidade que não era, claramente, a dele? E mais, por que nenhum espírito “superior” se manifestou para avisar Xavier, ou a comunidade espírita kardecista brasileira? Percebe as implicações, Sônia? Muito mais importante do que dizer se “Emanuel” era mesmo um espírito, ou se era o “subconsciente” de Xavier”, ou se era um ET, ou um demônio, ou uma invenção (consciente ou não), ou o raio que o parta, é encarar esse FATO; é o Espiritismo kardecista brasileiro assumir essas questões, e lhes dar respostas minimamente coerentes – é analisar “kardequianamente”, à luz de suas próprias doutrinas, essa contradição – porque há, claramente, uma contradição. “Emanuel” diz uma coisa, a pesquisa histórica cuidadosa diz outra. E aí? O que é que vale? A verdade ou a consolação? Claro, as pessoas podem fechar os olhos quanto a isso e a firmar uma série de idiotices gratuitas: dizer que o trabalho de pesquisa se trata de “verborragia”; que “não se pode ter certeza da reconstituição histórica”; que “os documentos importantes se perderam”; que há uma “conspiração materialista” contra Xavier; que a pesquisa é “tendenciosa”, feita por um miserável céptico materialista que só quer pisar em Xavier; etc. Paciência. O que não podem – o que não puderam, ao menos até agora – é efetivamente analisar tal pesquisa e, embasadamente, impugná-la no que viesse a ser pertinente. Não porque eu seja infalível, ou dono da verdade, ou dotado de inteligência superior; simplesmente porque pesquisei, não alguns meses, mas ao longo de muitos anos (não só esse tema, é claro, mas vários temas ligados a História Antiga, e à prosopografia e epigrafia romanas, em particular). Qualquer um pode fazer isso, se se dispuser. Qualquer espírita – afinal, o Espiritismo não é a “fé raciocinada”? Você pode, Sônia, nesse campo mesmo, ou noutro. Espero, sinceramente, que o faça, que não aceite só “as mensagens”, mas que as investigue, usando o método que for mais aplicado. No caso específico de se investigar a IDENTIDADE HISTÓRICA do “guia”, se “Emanuel” era, ou podia ter sido, “Públio Lêntulo”, o método histórico foi o mais apropriado; para outros tipos de investigação, outros métodos seriam, sem dúvida, mais indicados. Cada vez estou mais convencido, Sônia, que não impugnam a pesquisa porque não podem, porque as contradições são evidentes demais. E admiti-las é admitir que Emanuel (supondo que exista, de fato, uma “entidade” Emanuel) MENTIU, que é um espírito brincalhão, ou galhofeiro, ou inferior, em todo o caso NÃO CONFIÁVEL; que aqui, no mundo dos “encarnados” e dos “kardecistas racionais”, ninguém pôde descobrir isso; e que “além” nenhum espírito “superior” se deu ao trabalho de desfazer a trama, de alertar o pobre mundo material – trama essa que engolfou “o maior médium do Brasil” e virtualmente todo o movimento espírita kardecista nacional por décadas. Tudo isso, Sônia, sem sequer se entrar no mérito da existência ou não de espíritos, da existência ou não da mediunidade. Percebe as conseqüências? Admitir essa contradição, levar os FATOS na devida conta, é um golpe muito mais profundo no Espiritismo kardecista, tal como praticado amplamente no Brasil, do que qualquer descoberta de “fraude” de materializações… Mas isso terá de ser enfrentado, cedo ou tarde. Teria sido muito melhor que um próprio espírita kardecista, no princípio de tudo, tivesse se dado conta disso…

  112. Carlos Magno Diz:

    Sônia:
    *
    Pergunto a você, prezada amiga, e comento:
    -
    1. Como alguém não sendo espírita, pode julgar dessa maneira a um espírita?
    -
    2. Como alguém não tendo conhecido pessoalmente o Chico Xavier, e não conhecendo nada, absolutamente nada, na prática, do mecanismo da mediunidade, pode a quilômetros de distância julgar a procedência de uma entidade que por ele se manifestou no passado recente?
    -
    3. Como alguém, baseado em informações históricas pode definir o que “não seja” um novo momento revelador de uma entidade culta, cujo conhecimento dessa entidade bate com o de estudiosos do ocultismo e espiritualidade, se o crítico nada conhece desses assuntos?
    -
    4. Como alguém pode achar que a história é infalível, que os manuscritos e pergaminhos das narrativas romanas são exatos; que toda a história é quadradinha, bonitinha, exata e perfeita como é contada oficialmente, se sabemos que a história vive sendo corrigida ou ignorando fatos novos por interesses espúrios, se já foi remontada alguma vezes, tendo documentos originais destruídos?
    -
    5. Como alguém não conhecendo o caráter do Chico, seu íntimo e capacidade mediúnica, a sensibilidade extraordinária em saber sentir vibrações, pode julgar que ele não perceberia que Emmanuel seria entidade ET ou mentirosa; que estaria sendo vítima de um espírito maligno e mesmo assim continuaria na encenação?
    -
    Ora, Chico saberia pela presença incômoda, pela vibração negativa e estranha da entidade, pelo mal estar que ela transmitiria. Isso é o mínimo que pessoas do ramo, perseverantes no caminho, honestas, competentes e do ofício percebem. E o Chico era gênio, não era um médium simplório!
    -
    6. O que você diria daquele que julga a quem dele nada sabe, quando ao tratar do Chico primeiro de tudo tem de ser do ramo, precisará provar que sabe mais que o Chico – o que não é nada fácil – pois para isso precisará estudar anos a fio, obter conhecimentos profundos do mecanismo mediúnico, do espírito e demonstrar na prática e tecnicamente que de fato conhece. Osmose?
    -
    Abraços prezada, e obrigado pelas palavras amigas.

  113. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Carlos, nesta sua última mensagem você simplesmente confirma tudo aquilo que eu venho comentando. Por favor, não me leve a mal, mas sua posição é o protótipo da ignorância, da estreiteza de visão, do obscurantismo e do ódio à pesquisa séria e embasada, tudo isso travestido de pseudo-conhecimento, de pseudo-espiritualidade e de pseudo-caridade, tão comum neste nosso país. Todo o mundo está errado; todos os pesquisadores sérios de História (crentes ou não…) estão errados; todos os esforços de erudição e pesquisa levados a cabo por décadas, às vezes até por mais de um século, de historiadores, economistas, latinistas, arqueólogos, etc., das mais renomadas instituições do Primeiro Mundo, “pondo a mão na massa”, estudando, verificando os testemunhos existentes, cotejando versões, estão errados e equivocados; somente nós, aqui no Brasil, estamos certos, estamos corretos, temos a Verdade – que conseguimos não com esforço, dedicação e pesquisa, mas a partir de “revelações” esotéricas. Parafraseando uma passagem bem interessante de Peter Brown, creio que em seu livro “The World of Late Antiquity”, pessoas como você são como intelectuais deslumbrados dum país subdesenvolvido que pensam ser possível dominar os segredos da Teoria da Relatividade e da Energia Atômica através de sonhos, como os antigos doentes que iam aos templos de Esculápio a fim de sonharem com a cura… Esse é o seu mundo, Carlos… Diante disso, o que mais eu posso falar? Nada… De novo, Carlos, não me leve a mal, isso não é pessoal, é possível que você esteja, REALMENTE, acreditando que aquilo que você chama de “conhecimento” e de “sabedoria” tem algum valor. Não tem. É a pirita espiritual, o “ouro dos tolos” metafísico… Você não tem evidência concreta para nada do que alega; o seu esoterismo não passa dum amontoado de pastiches e de sincretismos mal-costurados, muito mais recentes do que os “milhares de milhares de anos” de transmissão que você diz que representam; você ignora totalmente as verdadeiras tradições e a verdadeira espiritualidade. Você não sabe nada, de verdade, sobre os Egípcios, sobre Hinduísmo, Budismo, Hermetismo, Reencarnação e temas afins – só um amontoado de remendos, de cultura de almanaque, de clichês e de grossos erros factuais. Como você, efetivamente, não sabe das coisas, e nem tem evidência palpável para nada, você despreza as evidências. Como o grosso do nosso povo, e, mesmo (isso é o mais terrível), de seus “intelectuais” (sejam “crentes” ou “cépticos”), você se baseia na “emoção”, numa emoção abastardada, vestida numa capa de “mistérios”, que transpira desprezo e ódio por qualquer trabalho sério de pesquisa. Mas, é claro, eu nunca o convencerei disso, o que é uma lástima. De verdade. Você tem ímpeto intelectual, e fome de saber; eu vejo isso nas suas mensagens, mas você direciona esse potencial para caminhos que levam diretamente ao obscurantismo e à perpetuação da ignorância. Me desculpe, mais uma vez, se minhas palavras o deixam ofendido, não é essa a minha intenção, de verdade, mas suas sucessivas colocações ao fim me forçaram a me expressar como agora me expresso. Não o conheço, não sei que peripécias da vida o levaram a esposar essas convicções tão irracionais, tão obscurantistas e tão contrárias à verdadeira espiritualidade; você, afinal, deve ter tido as suas razões, e, acredite-me, eu não as menosprezo; nesse ponto, eu não o julgo, diferentemente de você, que, sem me conhecer, vem me tachando de céptico, materialista, ignorante dos “verdadeiros mistérios” (talvez sejam os “verdadeiros mistérios” dos egípcios reencarnacionistas, dos atlantianos, dos lemurianos, dos “rabinos do Antigo Testamento”, da sabedoria de “milhões de anos”…), e mesmo de coisa pior… Tudo bem. Mas não vejo mais motivos de se continuar com esse “diálogo de surdos”. Não vou mais responder às suas alegações, é inútil, contraproducente e, creio, somente aumenta a chance de animosidade recíproca, algo que eu não gostaria que acontecesse (embora talvez você não acredite nisso). E saiba que percebo claramente que você tem muito mais “audiência” do que eu. Você fala o que as pessoas QUEREM ouvir (que podem agarrar um fragmento da Verdade sem muito esforço; que podem, como no dizer de Brown, “dominar o átomo” a partir de “sonhos”); eu procuro falar, dentro de minhas limitações, o que as pessoas DEVEM ouvir (que é preciso pesquisar bastante, e tão racionalmente quanto possível, e que a busca da verdade é preferível ao pseudo-consolo e à ilusão). Como vê, não há como eu ser “popular”. As coisas são assim… Você escolheu a sua via, e eu escolhi a minha. Tudo de bom para você, Carlos, de verdade.

  114. Carlos Magno Diz:

    Olhe, José Carlos, há como entender sua posição, sim claro, seu trabalho, mas não há como levar sua pesquisa à sério sobre um assunto ou demais recorrentes, de que você já demonstrou nada saber.
    -
    Você é pura teoria, pura literatura histórica; tudo bem adoro história, mas você não pode confundir as coisas. Há historiadores sérios, claro que há, mas cada um na sua. Mesmo que a história universal não seja exatamente essa, meu caro, e os ortodoxos e as oligarquias internacionais não permitam mostrar a outra face: é história, sem dúvida. É tudo somente capa? Claro que não, seria por demais radical e o radicalismo leva à cegueira e estupidez! E como não sou nem cego e nem estúpido não vejo tudo capa.
    -
    Mas você acha realmente que todos os acontecimentos modernos, a guerra do Vietnã, das Malvinas, revoluções, guerras entre países árabes, bolchevismo, stalinismo, a primeira e segunda guerras mundiais – ah, o 11 de setembro dos USA – etc, sejam exatamente como são contados? Se você acha que sim vou lhe mandar o diploma de o “pesquisador” mais ingênuo do milênio!
    -
    Se esses acontecimentos mais recentes estão cheios de mentiras, crimes, traições e hediondos acordos secretos, ainda mantidos secretos, e, pasme José Carlos, conspirações tipo Nova Era, Rotchild, Rockfeller, reis mundiais do petróleo, sionismo etc., e a história moderna é manipulada, falsamente inserida, infiltrada, recortada, colcheteada, inventada, omitida e invertida, imagine então a história antiga!
    -
    Se você quer ser enganado, tudo bem, problema seu, mas se meter no espiritismo com essa erudição linear adolescente, com esse conhecimento de almanaques e falar mal do esoterismo quando nada você sabe do assunto, da tradição milenar secreta, é realmente coisa de doido, ou de inconsequente, ou está lucrando! Bem, aí, uma ressalva, e acharia então que se há lucro você tem nada de inconsequente e nem de doido! Acharia, veja bem o tempo do verbo!
    -
    Você pensa mesmo que meus conhecimentos são pastiche etc? Então mudei os parâmetros e agora sinto-me elogiado por que me parece, enfim, que você andou estudando esoterismo ou espiritismo e já sabe avaliar. Que bom, camarada, que legal, eu realmente pouco sei e preciso de uns puxões de orelhas!
    -
    Mas a prática, o mais importante de tudo, ao que a teoria sequer se aproxima, a prática amigo José Carlos, você a estaria também realizando? Espero que sim, colega, pois precisamos tanto no espiritismo como no esoterismo de operários dedicados e esclarecidos, se cultos melhor ainda!
    -
    Grande abraço José Carlos, tudo de bom prezado e até uma próxima se Deus quiser!
    -

  115. Carlos Magno Diz:

    Ah! Amigo José Carlos, se me permite uma orientação. Tome uns banhos de rosas brancas que acalmam e tranquilizam (mas tem de molhar a cabeça), e chá de camomila. Você está muito revoltado, cuidado com o infarto!
    -
    Abraços.

  116. Vitor Diz:

    Carlos Magno,

    alguns exemplos de fatos históricos que manipulação alguma pode distorcer:

    a) caíram duas bombas no Japão, uma em Hiroshima, outra em Nagazaki, com milhares de mortos.

    b) ambas as Torres Gêmeas nos EUA foram atingidas por aviões em 11 de setembro de 2001, vindo a desabar no mesmo dia, com milhares de mortos.

    Não há como esconder sobre isso, por maior vontade que se queira manipular a História. Posso acrescentar outro fato:

    c) Nunca existiu um senador romano chamado Públio Lentulus contemporâneo de Cristo tal qual Chico descreve em “Há Dois Mil Anos”. Se você acha que sim, me explique por que a suposta entidade não consegue nem escrever seu nome direito, colocando seu primeiro nome em português (Públio) e o segundo em latim (Lentulus). Essa é a única pergunta que vou te fazer.

  117. Carlos Magno Diz:

    Vitor:
    -
    Os fatos vistos por todos e documentados não podem ser apagados. O cerne de meu comentário não é esse, você sabe. O que a história oficial não conta são as manipulações diabólicas, o que antecedeu, as guerras financiadas para ambos os lados, os interesses espúrios, o que as 13 ou 14 oligarquias mundiais fazem há séculos, antes até das navegações, para dominar todas as produções, a economia do planeta, as necessidades básicas e os governantes de nações. Claro que você sabe disso, e assim eles mandam na história.
    -
    Por exemplo, já se sabe que o darwinismo foi movido por farsas, está provado pela própria ciência que vários fósseis famosos são montagens grosseiras feitas por homens ávidos por fama e dinheiro. Por que não se corrigem essas mentiras e continuam a ensinar nas escolas? Qual é o interesse? Muitos e diversos!
    -
    E se você duvida que as oligarquias mandam no mundo, você já reparou como uns após outros, os grandes bancos e financeiras estão sendo incorporados por dois ou três grupos maiores? E os grandes atacadistas, especialmente os supermercados? O que vai sobrar disso senão um domínio mundial cada vez maior das elites sobre as populações?
    -
    Quanto ao Publio Lentulus, acredito no que Emmanuel disse, o enfoque do José Carlos está errado, faltam com certeza elementos que foram suprimidos, ou ele não soube pesquisar ou quer mesmo provar a qualquer custo que o Chico e o Emmanuel foram mentirosos.
    -
    Dessa mesma maneira a história está manipulada para não reconhecer Jesus e suas pregações libertadoras.
    -
    A questão da ortografia é irrelevante, não prova absolutamente nada, só nas cabeças de vocês. Já vi psicografias escritas com erros de Português serem revisadas, corrigidos vocábulos e passar como originais e puras. E não quer dizer que foram adulteradas ou eram falsas. Já disse isso várias vezes, a entidade trabalha com idéias e com ajuda do médium, mas vocês acham que a entidade não pode sequer escorregar, então continuem a pesquisar no vazio!
    -
    Se você é amigo do Jose Carlos, sugira-lhe buscar elementos em pesquisadores modernos somente comprometidos com as verdades. Há muitos, é só procurar que encontra. Mas acho difícil porque o José somente se preocupa com fontes oficiais e em mostrar erudição. Então, 0 x 0!

  118. Sonia N. Diz:

    José Carlos Ferreira Fernandes:

    Mais uma vez quero parabenizá-lo pelo seu trabalho e pelo seu esforço. Confesso que não fui “talhada” para este tipo de trabalho, que exige tantos detalhes, por isso mesmo, sei dar o devido valor a quem o faz.

    Embora seja simpatizante do Espiritismo, devo confessar que sou cética quanto à questão da mediunidade. Digo isto porque tive experiências muito negativas a este respeito. E a partir daí, comecei a ficar mais observadora e menos crente. Portanto, qualquer pessoa que se diga médium ou que seja apresentada como tal, seja lá por quem for, simplesmente dou de ombros. Mas, quanto ao Chico Xavier, devo dizer que, para mim, continua a ser o ÚNICO médium e ser humano inteiramente confiável.

    Os espíritas é que estão acabando com o Espiritismo, porque querem dar respostas prontas para todos os acontecimentos da vida. O Carma é a principal resposta para tudo – para os crimes, os assassinatos, os estupros, os acidentes e, enfim, tudo que diz respeito ao livre arbítrio do homem. Ridiculamente, negaram a autoria da carta de Chico Xavier, na qual ele denuncia o plágio de Divaldo P. Franco às suas comunicações mediúnicas, pedindo as devidas providências a respeito,
    a fim de que o Movimento Espírita não sofresse com isso.

    No entender dos espíritas, o Chico nunca teria essa atitude!!! E ele teve essa atitude porque ninguém se manifestou. As Federações agiram como se fosse a coisa mais normal do mundo. Apenas o Grupo Emmanuel, da cidade de Garça redigiu um manifesto a respeito do assunto, no que aliás, também foi criticado. Isso porque, repito, os “espíritas” seguem “à risca”, ao “pé da letra”, alguns tópicos de mensagens mediúnicas. A principal é NUNCA julgar, divulgar, ou sequer comentar, os erros alheios. Espírito então, nem se fala. Pode dizer a maior bobagem do mundo, mas se é um espírito que está falando…

    Pois é, eu já testemunhei “coisas do arco da velha” neste particular, por isso fiquei cética.
    Mas, voltando a você e à sua pesquisa que, sinceramente, admiro, só gostaria de dar um pequeno exemplo. Você e o Vitor afirmam categoricamente que o Emmanuel nunca existiu e a partir daí foi construída uma trama que perdurou por 75 anos de trabalho do Chico e que continua até os dias de hoje, perfazendo um total de 83 anos de engodo. E que nenhum espírito superior veio alertar quanto a esta fraude tão bem urdida e que também não foi reconhecida pelos altos escalões do Espiritismo. José Carlos, será que nenhum espírito superior veio alertar, exatamente porque não havia fraude alguma? Ou será porque no Brasil não havia nenhum médium íntegro para isso? Se foi esse o caso, por que não se comunicaram através de Geraldine Cummins, que foi a plagiada por Chico Xavier, pelo que entendi dos comentários mais antigos do Vitor, denunciando essa fraude horrível, que gerou milhões de exemplares de livros perigosos, cujos conteúdos geraram creches, orfanatos, asilos, hospitais, etc. E grandes mudanças em indivíduos, transformando-os em monstros de bondade, de renúncia, de fraternidade, etc. Eu, com toda a ignorância de meu ser, acredito que algum dia, em algum lugar, a História fará justiça a Chico Xavier, a Emmanuel e a Públio (ou Publius) Lentulus. Espero que seja verdadeiro e que venha à tona, o manuscrito de Publius Lentulus gravado em bronze e que se encontra na Biblioteca da Ordem dos Lazaristas de Roma…

    Quantos documentos foram perdidos ao longo da História. O incêndio da Biblioteca de Alexandria transformou em cinzas o passado de homens e de nações.

    E criou um hiato na História, um espaço a ser preenchido com hipóteses. Hipóteses construídas por historiadores e pesquisadores, porque esse é o único caminho, quando nada é definido.

    Vou parar porque o sono está me pegando.

    Abraços afetuosos a você, ao Carlos e ao Vitor, que muito têm me ajudado a pensar com mais clareza.

  119. Vitor Diz:

    Sônia,

    eu não disse que Chico plagiou Geraldine Cummins. Acho muito improvável que o fizesse, a distância era muito grande, os livros de Cummins não foram até hoje traduzidos… O que eu disse é que a pseudo-mediunidade de Chico era bastante comum. Como exemplo da triviliadade do fenômeno, citei diversos médiuns que faziam e fazem a mesmíssima coisa que o Chico. Cummins é um exemplo de médium anterior ao Chico, assim, não poderia ser um “filhote de Chico”, como você havia alegado. Isso é só para lhe mostrar que Chico, em termos de qualidade mediúnica, não tinha nada demais, era só mais um entre tantos. Ele apenas se destacou aqui no Brasil por aparentemente ter sido o primeiro a exibir esse fenômeno, assim como Cummins foi a primeira na Irlanda.

    Com relação a sua pergunta, de por que Espíritos Superiores não recorreram a outro médium alertando para a fraude – ou ilusão – quanto à entidade Emmanuel, meu palpite é que Espíritos Superiores jamais poupariam os homens de estudar…

    Um abraço.

  120. Vitor Diz:

    Carlos Magno,

    acho inconcebível que uma entidade, tida como Espírito Superior, deixaria que seu nome fosse escrito de forma errada – pelo livro todo! – jamais alertando o médium para esse ‘detalhe’. Se esse erro passou, nem imagino quantos outros passaram, o que torna a mediunidade de Chico absolutamente não confiável.

    Um abraço.

  121. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sônia, vou tentar responder pelo menos à maioria de suas muitas indagações da forma mais abreviada possível, mas esta mensagem será, forçosamente, longa… Tenha paciência. Olhe, o que eu afirmo, e creio que dum modo bem embasado, é que “Emanuel”, seja quem (ou o que) for, não existiu da forma como se apresentou a Xavier, aos espíritas e ao mundo – não foi “Públio Lêntulo”, senador romano da família dos Cornélios Lêntulos, bisneto por linha paterna de Lêntulo Sura, o conspirador catilinário, que viveu na época de Cristo, O conheceu, exerceu uma espécie de “mandato” na Judéia sob a procuradoria de Pôncio Pilatos, e escreveu ao Imperador (ou ao Senado) um relatório sobre Jesus, cujo cerne é uma descrição da aparência de seu rosto. As evidências históricas contra a existência dessa personagem específica (veja bem, não estou tratando de “Emanuel”, estou tratando do tal “Públio Lêntulo”) são esmagadoras. Demonstrei sob dois aspectos: a) que não há atestação alguma dum “Públio Lêntulo” tal como descrito por “Emanuel” entre os Lêntulos contemporâneos de Cristo e dos Júlio-Cláudios (digamos, do início da era cristã a c. 68 dC), e que nenhum dos Lêntulos atestados nessa época descendia de Lêntulo Sura – isso é um fato; e b) que o “mundo romano”, o mundo político-administrativo romano, mais especialmente o referente à província da Judéia, tal como descrito por “Emanuel” em “Há Dois Mil Anos”, viola flagrantemente o que a pesquisa histórica mostra – a sociedade da época não era como “Emanuel” narra. Isso também é um fato. Tanto para “a” quanto para “b” são mostradas, em detalhes, as fontes consultadas, que estão (repito) abertas à contestação, assim como as conclusões a que cheguei. Não deve ser muito difícil, afinal, encontrar evidências contrárias, caso existam; na dúvida, pode-se consultar o próprio Lêntulo/”Emanuel”! Fiz, há algum tempo, um outro estudo (o Vítor o tem, se o quiser creio que lhe pode fornecer) em que analiso os nomes romanos constantes em “Há Dois Mil Anos” e DEMONSTRO, embasadamente, que o modo como “Emanuel” denomina suas personagens romanas não tem nada a ver com as regras prosopográficas romanas; mais ainda, me dei ao trabalho de compilar toda uma série de inscrições romanas de Olissipona (a atual Lisboa) e analisá-las, uma a uma, mostrando, num exemplo prático, como era a onomástica romana REAL, e como ela diferia do que “Emanuel”/Lêntulo apresentava. A questão Públio/Publius, para mim, é secundária, tanto que nem toquei nesse assunto, e nem insisti nisso. Como vê, as evidências são simplesmente avassaladoras. Temos um “senador romano” que nada sabe acerca do mundo em que afirmou viver… E aí? Bem, além de afirmar que não existiu um “Públio Lêntulo” do modo como descrito por “Emanuel”, afirmo também que essa situação esdrúxula (sinceramente, não sei se se tratou duma “trama”, e nem isso é importante), sim, perdurou por décadas. Isso também é um fato. E igualmente afirmo que nem ninguém no mundo dos “encarnados” (espíritas ou não) teve competência para analisar a identidade do “guia”, e nem ninguém no “lado de lá”, nenhum espírito “superior”, teve a “caridade” de “dar um toque” a Xavier, ou ao movimento espírita, e de ajudar esse abjeto mundo material. Isso, mais uma vez, também é um fato. Nada disso é mera suposição; tudo isso está documentado e demonstrado. Perdurou por tanto tempo, creio, porque o nosso nível cultural (bem como a nossa predisposição à pesquisa séria) é bem sofrível. Tanto entre os “espíritas” quanto entre os “não-espíritas”. Dum lado, credulidade total; doutro, a negação gratuita; em ambos, ausência de investigação séria e cuidadosa. As coisas são assim no Brasil, ainda hoje, infelizmente. Uma tal situação, creio firmemente, jamais prosperaria em países como EUA, Reino Unido, França, Alemanha; lá, haveria investigações acerca das alegações do tal “guia” – afinal, são alegações estupendas! Você já pensou nisso? Ter contato com alguém da alta aristocracia romana, que conviveu com Jesus e que poderia dar informações valiosas sobre Ele, e também sobre aquela época? Isso é fantástico – mais, é revolucionário! Para se aceitar isso, o mínimo que se poderia esperar seria uma investigação minuciosa e cuidadosa das evidências disponíveis por outros meios e por outras fontes. Foi justamente o que NÃO ACONTECEU neste nosso Brasil varonil. Uns aceitaram cegamente; outros negaram cegamente. É triste. E note adicionalmente que, quando se investiga ou pesquisa algo, não há a necessidade de se ir além do tópico específico. Por exemplo, se estou interessado no Teorema de Pitágoras sob o ponto-de-vista estritamente matemático, não preciso, a rigor, estudar a história dos pitagóricos e o seu contexto sócio-político; basta-me estudar a demonstração do teorema, quer pelo meio geométrico usual, quer algebricamente. Por outro lado, se estou interessado nos pitagóricos, preciso conhecer-lhes a História e o contexto sócio-político (e nisso se inclui a enunciação do teorema); mas não preciso, de fato, saber a demonstração do dito. Se se utilizasse o argumento do sr. Carlos Magno, o de que somente aquele que “sabe tudo” acerca do esoterismo e dos mecanismos da mediunidade poderia “analisar Xavier” e estudá-lo, nada, ao fim, poderia, na prática, ser estudado com viabilidade, porque, para estudar qualquer coisa, ter-se-ia obrigatoriamente que saber de antemão TUDO. Assim (voltando ao exemplo do teorema de Pitágoras), segundo o argumento do sr. Carlos Magno, se se quisesse analisar os pitagóricos, ter-se-ia de investigar não apenas a sua História e o seu contexto sócio-político, mas também se teria (obrigatoriamente!) de conhecer a demonstração matemática do teorema… Ora, isso não faz sentido. Minha investigação não se ligou especificamente à mediunidade de Xavier; ligou-se à análise da identidade do “guia”, identidade que o próprio “guia” forneceu, com abundantes detalhes históricos verificáveis (“Públio Lêntulo”, patrício, senador romano, bisneto de Lêntulo Sura, tendo exercido “funções administrativas e judiciais” em Esmirna na juventude, partindo numa missão específica na Judéia no tempo da procuradoria de Pilatos, membro do “conselho de guerra” de Tito na época da revolta judaica de 66-72 dC, etc., etc., etc…), e que, portanto, podiam ser verificados historicamente. Só isso. Eu não precisei me dedicar a pesquisas sobre mecanismos da mediunidade; o assunto da minha investigação não fazia isso necessário. E minha tese continua sendo a que mencionei antes: mesmo sem se levar em conta o fato de a “entidade” Emanuel existir ou não, ou de a mediunidade existir ou não em Xavier, muita coisa pôde ser investigada, e descoberta – e as conseqüências são tremendas. Você falou, Sônia, acerca de “documentos perdidos ao longo da História”, e citou o incêndio da biblioteca de Alexandria. Olhe, Sônia, muito se perdeu, mas muito foi preservado, e o que foi preservado foi, no geral, o suficiente. O acaso (e não teorias conspiratórias mirabolantes), muitas vezes, assumiu papel primordial. Posso lhe assegurar que a imagem da grande biblioteca ardendo, reduzindo a cinzas boa parte do conhecimento humano, é um mito. Não vou entrar em detalhes aqui, porque seria novamente acusado de verborragia, mas posso lhe adiantar que havia muitas cópias de muitos livros em vários lugares, e que o trabalho de compilação salvou uma boa parte do conhecimento que merecia ser salvo. Por exemplo, pouco havia na Matemática grega que valesse a pena além do que foi efetivamente salvo de Euclides de Alexandria (sua própria obra, os “Elementos”, era um compêndio) e de seus comentadores, de Arquimedes de Siracusa, de Apolônio de Perga, de Diofanto de Alexandria, de Papos de Alexandria, mesmo de Cláudio Ptolomeu de Alexandria. O essencial se manteve; no caso específico do exemplo que dei, o da Matemática, veja, as obras de todos esses alexandrinos sobreviveram, mesmo com o tal “incêndio” (que não ocorreu, ao menos no modo que a mitologia popular imagina…). Claro que houve perdas, claro que lacunas se formaram, mas, no geral, o arcabouço foi mantido. As fontes sobreviventes, suplementadas pelas ciências auxiliares históricas desenvolvidas modernamente (p.ex., a epigrafia e a numismática), mais a Arqueologia, dão, sim, Sônia, uma boa visão do que ocorreu no passado. Há, repito, algumas falhas, há lacunas, há dubiedades, claro, há enfim períodos mais afortunados e outros menos afortunados no que diz respeito à quantidade e à qualidade do que restou, mas o quadro está bem, bem distante do deserto desolado que o sr. Carlos Magno quer pintar, para ocultar a sua ignorância e a sua total incapacidade de fornecer evidências para o que afirma. E, ainda por cima, para sorte nossa, e azar de “Emanuel”, o período de Augusto e dos Júlio-Cláudios é um dos mais bem documentados da História romana e da História judaica, tanto pelas fontes históricas quanto pelos restos sobreviventes (arqueológicos, epigráficos, numismáticos…). A ignorância crassa que, no Brasil, se tem acerca de assuntos históricos em geral, e de História Antiga, em particular (como aliás de tudo), foi suficiente para encobrir Públio Lêntulo por muito tempo – mas isso não significa que os dados não existissem. Vou lhe dar apenas um pequeníssimo exemplo. Christian Settipani é uma das maiores autoridades atuais em genealogia (pequena nota biográfica em: http://en.wikipedia.org/wiki/Christian_Settipani); sua obra de 2000, “Continuité gentilice et continuité familiale dans les familles sénatoriales romaines: mythe et réalité” (uma das obras que utilizei), é uma das boas fontes para o conhecimento das famílias nobres romanas do período imperial, inclusive os Cornélios Lêntulos, com abundante análise documental e epigráfica. Um “adendo” a seu livro está disponível gratuitamente na Internet, no seguinte endereço: (http://www.linacre.ox.ac.uk/Linacre/resources/docs/research/prospographical/addrome.doc/view), ligado à seção de Prosopografia e de Genealogia do Linacre College, da Universidade de Oxford – sim, a Oxford da Inglaterra. Consulte esse “adendo”, veja, por ele, o grau de sofisticação e de cuidado do trabalho, e o nível de detalhes a que se consegue chegar a partir do cotejamento de todas as fontes históricas sobreviventes – textos, moedas, inscrições… É esse tipo de conhecimento que é tão desprezado pelos ignorantes. E esse é apenas um exemplo, que pode ser consultado diretamente na Internet, sobre o grau de complexidade e de cuidado dos estudos históricos sérios que se fazem em países sérios, por pessoas sérias. Você também fala, Sônia, de sua esperança de que a carta de Lêntulo venha à luz, a partir dum “manuscrito gravado em bronze” na biblioteca dos Lazaristas de Roma. Essa carta, Sônia, não é autêntica; os seus manuscritos mais recentes são do séc. XV. Não é mencionada por nenhuma fonte antiga; surgiu como que do nada, provavelmente a partir dum texto bastante semelhante (mas não igual, e nem mencionando “Lêntulo”) presente no Prólogo da “Vida de Cristo” do monge cartuxo Ludolfo da Saxônia (c.1300-1378), incorporando uma série de lugares-comuns do latim cristão da Idade Média, num modo e estilo que nenhum senador romano de cultura clássica usaria (eu ainda chegarei a esse tema na continuação de meu trabalho). Se você procurar na Internet, irá encontrar essa “carta” como tendo sido “achada” quer na Biblioteca Vaticana, quer nessa tal dos Lazaristas, quer na do “duque de Cesadini” (ou Cesarini), etc. Tudo bem; podem até existir versões da “carta de Lêntulo” nesses lugares, e as há em muitos outros mais, mas são manuscritos que circularam a partir do séc. XV, não são manuscritos originais, nem sequer da Alta Idade Média. Não há nenhuma “corrente de transmissão” para esse documento – ele, como disse, surge do nada no séc. XV, não sendo citado por nenhum escritor cristão anterior a essa data. Estranho, não? A “carta de Lêntulo”, um documento pretensamente contemporâneo de Cristo, e que, se genuíno, seria um bom marco para estabelecer a existência histórica de Jesus, simplesmente não é mencionada por ninguém do séc. I ao séc. XIV; depois, quando a iconografia da imagem “canônica” de Cristo já estava fixada (assunto que abordo na 2a parte de minha pesquisa, ainda em curso), então, de repente, após a publicação da “Vida de Cristo” de Ludolfo, ela aparece… Por que os escritores cristãos anteriores não a mencionaram? Seria um grande trunfo para mostrar a todos os pagãos ou descrentes! Eles, que mencionaram tantas outras coisas, muito mais fantásticas (e inverossímeis), não mencionaram justamente essa carta? Por quê? Esse documento não é citado na “História Eclesiástica” de Eusébio de Cesaréia (séc. IV dC), que, ao contrário cita uma série de “documentos” cristãos correntes em seu tempo, inclusive os ligados ao ciclo de Abgar, rei de Edessa; nem mencionada na “História Eclesiástica” de Nicéforo Calisto Xantópulo, o escritor bizantino do séc. XIV, que é pródigo em fornecer detalhes de tudo; mais, ela não é citada nem na “Legenda Áurea” de Tiago de Varagine, que se deu ao trabalho, no séc. XIV também, de recolher todas as tradições cristãs referentes à vida de Jesus, de Maria e dos Santos – e aparece então de repente! Não é estranho? Enfim, você fala de “livros perigosos, cujos conteúdos geraram creches, orfanatos, asilos, hospitais, etc., e grandes mudanças em indivíduos, transformando-os em monstros de bondade, de renúncia, de fraternidade”. Quanto a isso, eu somente posso repetir o que já disse – que nada de bom, no longo prazo, pode ser construído sobre uma ilusão. E, além disso, devolvo-lhe uma outra pergunta: por que tais creches, orfanatos, asilos, hospitais, etc., não puderam ser construídos a não ser com o concurso dum “guia”, digamos, mais do que duvidoso? Será que só a partir desses patrocínios “fantásticos” a caridade das pessoas é encorajada? São incapazes de fazer o bem pelo bem, ou simplesmente a partir da leitura dos Evangelhos, por exemplo, ou a partir da pregação de padres, ou pastores, ou da exortação, sem ectoplasmas e psicografias, de líderes espíritas sérios? Têm que ser “inspiradas” por “entidades” que “incorporaram” senadores romanos inexistentes? Se é assim, então, Sônia, estamos mal, muito mal, apesar de todas essas creches, orfanatos, asilos, hospitais, etc… E mais: será que foram só creches, orfanatos, asilos, hospitais, etc., que foram erguidos sob esse patrocínio? Ele não serviu (e serve) para sustentar toda uma poderosa máquina de propaganda espírita, livros e editoras inclusive, máquina essa que dá emprego (ou sustento) a muita gente? Quanto foi (e é) efetivamente gasto num tipo de ação, e quanto o é no outro? “Emanuel”/Lêntulo só gerou coisas boas? Você tem certeza disso? De novo, eu volto a enfatizar: nada de bom, no longo prazo, pode resultar duma ilusão. Até mais, e obrigado por sua grande paciência. Talvez eu não mereça tanto…

  122. Sonia N. Diz:

    Meu querido José Carlos, o que você merece, após essa exposição clara e apaixonada, é o meu aplauso…de pé!
    Aplaudo você, extremamente comovida, pelo seu interesse em esclarecer-me, até o seguinte trecho do seu comentário:
    “- e aparece de repente. Não é estranho?”
    Depois disso quero esclarecer também a você que, quando se entende verdadeiramente a dourina espírita, não se dá, assim como nunca dei, importância a títulos, hierarquias, status, heranças, nomes, sangue azul, nobreza. Tudo isso é nada, diante das verdadeiras leis que regem as nossas vidas. É tudo balela! Portanto, jamais passou pela minha cabeça e, acredito eu, que pela cabeça de nenhum espírita, a importância de um senador romano (´tanto é que na encarnação seguinte, ele veio como um escravo grego!). E nem do fato de Emmanuel ter afirmado encontrar com Jesus Cristo, porque ele não alterou em nada o seu comportamento, fato do qual ele confessa envergonhar-se. Para mim, o Públio Lentulus foi um cidadão como outro qualquer daquela época, a ocupar um cargo do qual se valia para obter privilégios para si e seus afetos, tal qual qualquer político dos dias de hoje. A Lívia sim, é que foi a estrela da história. Portanto, não foi o Públio quem gerou orfanatos, asilos, hospitais, creches, homens e mulheres mais bondosos, etc.
    Este, foi Emmanuel que, redimido, DOIS MIL ANOS mais tarde, veio exortar-nos à prática do Bem, através de milhares de mensagens, cheias de orientações edificantes.
    Emmanuel, prá mim, é um Professor de Responsabilidade, matéria inexistente em nosso planeta. Da responsabilidade nascem todas as virtudes.
    No final de seu comentário, além de citar as creches, orfanatos, asilos, etc., você cita as outras coisas geradas por Emmanuel: uma máquina poderosa de propaganda espírita, que dá emprego (e sustento) prá muita gente, etc. E faz uma pergunta dirigindo-se a mim: “Emmanuel/Públio só gerou coisas boas? Você tem certeza disso?”
    Desculpe, meu querido José Carlos, ou eu sou muito burra e não entendi o que você quis dizer, ou você esqueceu de digitar alguma frase que denunciasse algo ruim gerado por Emmanuel/Públio!?
    Apesar de que eu também considero esse amontoado de romances espíritas, tipo “quem leu um, leu todos”, uma exploração dos diabos. Só que tem uma coisa, essa situação específica não se deve a Emmanuel/Públio e, muito menos, a Chico Xavier. Essa usura, essa ganância deve-se aos que estão com as rédeas do poder no meio espírita – os “donos” de grandes centros espíritas, que tem suas próprias gráficas, editoras, livrarias e seus próprios médiuns, prolíferos em manter a “boiada” anestesiada com fantasias, semelhantes às novelas da Globo. E tudo isso justificado pela necessidade de divulgar-se a doutrina espírita. Que piada! Romance lá é doutrina?! Aves de rapina, travestidos de ovelhas. Pensam enganar quem?
    Essa atitude, meu querido, nem você e nem ninguém viu em Chico Xavier que, no seu entender, era “controlado” por um falsário, um mistificador. Se o foi, foi dos melhores, porque não orientou o Chico a enriquecer e nem a ser hipócrita! Chico era a simplicidade em pessoa!

    Meu querido José Carlos, vou parando por aqui, porque estou caindo de sono.
    Boa noite a você! Tenha bons sonhos! E obrigada pelo seu interesse.

  123. Sonia N. Diz:

    Vitor,

    Apesar do sono, não posso furtar-me a responder-lhe também.

    Quando me referi aos “filhotinhos” de Chico, não incluí Geraldine Cummins, pois, naquela ocasião me era totalmente desconhecida. Foi você quem me falou sobre ela. Os “filhotinhos” aos quais me referi são todos brasileiros e, logicamente, mais novos do que Chico Xavier, que foi para os médiuns, o que o Papa é para os católicos. Nenhum médium que se prezasse, debutaria sem pedir a sua bênção.

    Quanto à minha pergunta:
    “Por que os espíritos superiores não procuraram um médium íntegro, como por exemplo, Geraldine Cummins…”
    Você, Vitor, foi quem primeiro redigiu desta forma a mim, fazendo este questionamento.
    Você trabalha bem com as palavras e, desta forma, vai colocando-as em nossa boca, quando na verdade sairam da sua.

    Sua esperteza, aguça a nossa …
    Abraços afetuosos.
    Boa noite. Tnha bons sonhos.

  124. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Cara Sônia, não sei se consegui entender corretamente os seus posicionamentos; se não for esse o caso, por favor, não hesite em me corrigir. Pelo que pude compreender, para você o mais importante são os “frutos” efetivos gerados por “Emanuel”/Públio e por Xavier (as escolas, as creches, os hospitais, etc.); a comprovação histórica do “guia” (“Públio Lêntulo”), que ele mesmo forneceu, ainda que se mostre, digamos, problemática, é secundária diante disso, e, de qualquer modo, tem um peso pequeno no julgamento em si do “fenômeno”. Afinal (segundo você), “quando se entende verdadeiramente a doutrina espírita, não se dá, assim como nunca dei, importância a títulos, hierarquias, status, heranças, nomes, sangue azul, nobreza. Tudo isso é nada, diante das verdadeiras leis que regem as nossas vidas” (até aqui, suas palavras), sendo que “foi Emmanuel que, redimido, DOIS MIL ANOS mais tarde, veio exortar-nos à prática do Bem, através de milhares de mensagens, cheias de orientações edificantes” (até aqui, novamente, suas palavras). Muito bem. Ora, mas se é assim, por que ele (sendo um espírito “superior”, apto a nos dar lições morais) se enganou tanto acerca da sua identidade e acerca da caracterização da época em que viveu? Se os títulos, hierarquias, “status”, etc., nada valiam, por que ele fez questão de se apresentar pomposamente com todo o seu “pedigree”? Se se tratasse ao menos de algo que pudesse ser corroborado a partir da pesquisa cuidadosa em fontes independentes, mas não, trata-se de algo que foi, como mostrei em meu trabalho, e venho comentando “ad nauseam” nestas últimas mensagens, CABALMENTE DESMENTIDO pela pesquisa histórica – se não, então, pelo amor de Deus, mostre-me evidências em contrário! Ou seja (supondo-se que haja uma “entidade” Emanuel), o “guia” ou é mentiroso, ou é brincalhão, ou é maluco – de qualquer modo, não pode ser reputado nem como confiável, o que se dirá “superior”… Essas, e somente essas, são as escolhas, infelizmente. De novo, Sônia, ele podia simplesmente ter se apresentado em termos gerais, ter dito: “Olhem, se quiserem podem me chamar de ‘Emanuel’, já que vocês precisam me dar um nome; é apenas um nome de conveniência, nada mais; eu fui um contemporâneo de Cristo, até convivi esporadicamente com Ele, passei por muitas peripécias, então e depois, e, acreditem-me, sei do que falo. Mas não me perguntem mais; nomes, datas e funções são irrisórios, vocês têm que entender isso e se desapegarem desses vernizes que adquirimos ao longo das nossas muitas vidas; a experiência de ter convivido com o Mestre é o que importa, e, a partir de agora, iniciaremos um programa de mensagens necessárias para o enriquecimento espiritual de vocês” – tudo bem, não haveria o que fazer do ponto de vista histórico, e a mediunidade de Xavier com relação a “Emanuel” teria de ser investigada, se se a quisesse investigar, a partir de outros métodos – no caso, a análise tanto do conteúdo moral das mensagens quanto dos mecanismos da mediunidade em si. Contudo, se ele tivesse se apresentado assim, nesses termos tão nobres, provavelmente não atrairia muita atenção… Mas então, que se apresentasse em termos verdadeiros! Porém, não foi assim. Ele, “Emanuel”, se apresentou de modo “completo”, e DESSA APRESENTAÇÃO, DESSA IDENTIDADE (supostamente verdadeira), derivou sua autoridade. Ele, o “guia” (se de “guia” se trata) criou toda uma “mise-en-scène” histórica, um teatrinho para nos convencer de que ele era importante, de que sabia das coisas, e de que devia ser levado a sério. Tente pensar na situação não de agora, Sônia, com Xavier já famoso e idolatrado, e as creches, os hospitais, etc., já construídos, mas na da época, no Brasil da década de 1930: Xavier ainda era quase desconhecido, e sua fama assentou-se a partir do guiamento de “Emanuel”/Lêntulo, justamente por “Emanuel” ser o que afirmava ser – não um qualquer, mas um senador romano que convivera com Cristo, etc., etc., etc. A “mise-en-scène” histórica, AGORA revelada em toda a sua problemática, foi ENTÃO imprescindível na construção do “mito”. Nesses termos, simplesmente NÃO HÁ como separar uma coisa da outra, porque a “crença” no que Xavier dizia, a partir de “Lêntulo”/Emanuel, das suas mensagens e admoestações (e a fama de Xavier, por tabela), derivava, se não totalmente, ao menos em larguíssima medida, DE SUA SUPOSTA IDENTIDADE. Foi ou não foi assim? Estou afirmando algo falso, por acaso? Diante disso, quando você diz que “Emanuel” foi um “Professor de Responsabilidade”, eu, infelizmente, devo discordar veementemente. Ele (supondo que exista um “ele”) foi – mais uma vez enfatizo – ou um mentiroso, ou um brincalhão, ou um maluco; de qualquer forma, um irresponsável. Isso tudo, até aqui, quanto à origem do fenômeno. Repito: nada de bom, no longo prazo, pode surgir a partir duma ilusão, ou duma mentira. Agora, quanto aos tais “frutos”. Usa-se muito a passagem evangélica segundo a qual “a árvore se conhece por seus frutos”, mas, a meu ver, esses frutos são interpretados, quase sempre, de forma canhestra. “Frutos”, aqui, são TODOS OS FRUTOS, tanto os da matéria quanto os do espírito. Imagine a seguinte situação (trata-se dum símile extremo, uma “reductio ad absurdum” para ilustrar melhor um ponto – não estou comparando Xavier com ninguém!!!): um bilionário corrupto e libertino, que chafurda em todos os tipos de vícios possíveis, que não teme nem a Deus e nem aos homens, e que deve toda a sua fortuna à prática do mal, faz uma doação miliardária para creches e hospitais – devidamente tornada pública e documentada, para fins de propaganda e de desconto no Imposto de Renda. Ele se torna bom por causa disso? Seu estilo de vida passa a ser desculpado por causa disso? Mais ainda, ele ganhará algum tipo de recompensa espiritual por causa disso? Creio, Sônia, que você concordará comigo que não – ele não se tornou bom por causa disso; seu estilo de vida não pode ser justificado por causa disso; e ele não terá nenhuma recompensa espiritual advinda de seu ato, pois aqui “já teve a sua recompensa”. O fenômeno Xavier-“Emanuel” originou creches, orfanatos, asilos, hospitais, etc., mas também originou outras coisas. Outros frutos. Também materiais, mas igualmente espirituais. Você já pensou em quais seriam eles, por trás de creches, orfanatos, asilos, hospitais, etc.? Já me referi à poderosa máquina de propaganda espírita; e note também que, indiretamente, o fenômeno Xavier/”Emanuel” deu suporte ao “establishment” espírita da FEB, que você, ao menos num certo grau, critica (os tais “líderes” que conspurcam a pureza do movimento espírita – todos lucraram, dum modo ou de outro, com a “confirmação” do Espiritismo advinda das mensagens de “Lêntulo”, do “ciclo de Emanuel”, e depois dos outros livros psicografados por Xavier). E nessa própria máquina de propaganda, obviamente nem todos os recursos foram utilizados para creches, orfanatos, asilos, hospitais, etc, bem como para a sua manutenção. Qual a proporção do que foi efetivamente utilizado, você sabe? Eu não sei, mas creio que seria um ótimo tema para uma tese de Sociologia, não? Quanto desse dinheiro “escorreu pelo ralo”? Há, ou houve, auditoria acerca disso? Onde estão os números, as proporções, os dados; onde estão os levantamentos? Mais ainda: além da “máquina de propaganda” (a qual obviamente se beneficia duma série de isenções que a legislação brasileira concede a atuações desse tipo, mas que, sem dúvida, sustenta muita coisa, e muita gente, e não apenas creches, orfanatos, asilos, hospitais, etc.); além do suporte, indireto que seja (mas, na prática, efetivo), ao “establishment” espírita – a “dobradinha” Xavier-“Emanuel” tornou viável (de fato, virtualmente criou) a “indústria do romance espírita”, aqueles mesmos dos quais você diz que, tendo-se lido um, lêem-se todos. Porque o sucesso do “ciclo de Emanuel”, e o modo acrítico e absolutamente servil pelo qual ele foi devorado pelos espíritas kardecistas brasileiros (aqueles mesmos da “fé raciocinada”, lembra-se?) indubitavelmente inspirou uma hoste de imitadores. Ou você tem alguma dúvida acerca disso? Veja bem, Sônia, não estou negando a importância das creches, dos orfanatos, dos asilos, dos hospitais, etc., e creio que Deus receberá essas obras com satisfação, bem como levará em consideração, dalgum modo que seja, todos aqueles que, DE BOA FÉ E DE BOA VONTADE, nelas colaboraram (e colaboram) – afinal, mesmo das coisas ruins Deus pode fazer surgir coisas boas. Mas isso não justifica o engodo “Públio Lêntulo”, do mesmo modo que a doação miliardária não justifica o bilionário malvado. Xavier pode ter sido pessoalmente pobre e humilde, manso e simples; mas gerou em torno de si uma estrutura que não era nem pobre e nem humilde, nem mansa e nem simples. Que utilizou, e utiliza, seus meios materiais para se perpetuar, não só no que possa ter de bom, mas também no que tem de mau. Se, mesmo diante disso tudo que discuti até agora, você ainda preferir ignorar, ou dar um peso muito pequeno, às inconsistências da identidade original do “professor de responsabilidade”, tudo bem, é a sua posição. Mas, nesse caso, eu lhe imploro, Sônia, seja coerente, e use esse mesmo peso para todas as demais situações. Se o que vale então são os “frutos” materiais (não todos os frutos, mas só os materiais, porque os pretensos frutos espirituais são uma cópia mal-arranjada de mensagens evangélicas – bastava ler e praticar os Evangelhos para os ter, e os ter bons, sem a necessidade de se recorrer a um senador romano inexistente…), que esse critério seja aplicado a tudo. Viva o milionário malvado que fez com que fossem erguidas creches e hospitais! Os doentes e as criancinhas o receberão, com lírios brancos na mão, e lágrimas etéreas em seus rostos sublimados, nos portais do Paraíso!

  125. Sonia N. Diz:

    Meu querido José Carlos, mais uma vez parabenizo você pelo seu trabalho e pelos esforços empreendidos, na tentativa de provar suas teorias.
    #
    Entretanto, sou obrigada a dizer que neste último comentário você se repetiu, usando praticamente os mesmos argumentos.
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    Você foi muito infeliz no exemplo que usou, do milionário malvado, porque nem o Chico e nem o Emmanuel se encaixam nesta condição.
    #
    Num trecho do seu comentário, você diz o seguinte:
    “Xavier pode ter sido pessoalmente pobre e humilde, manso e simples; mas gerou em torno de si uma estrutura que não era nem pobre e nem humilde, nem mansa e nem simples. Que utilizou, e utiliza, seus meios materiais para se perpetuar, não só no que possa ter de bom, mas também no que tem de mau”.
    #
    José Carlos, você é responsável por tudo que acontece na sua vizinhança?
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    Se ele tivesse ficado com o dinheiro gerado pelos seus livros psicografados, com certeza, teria sido “crucificado e excomungado”, dentro e fora da doutrina.
    #
    Mas, não foi isso o que aconteceu. Ele sempre afirmou que não poderia auferir lucros por uma obra que não era sua. Desta forma, fez o que considerou o melhor a fazer. Doou para a FEB, para que esses recursos gerassem outros, na sustentação e divulgação da Doutrina Espírita, já que o Espiritismo não admite dízimos ou obrigatoriedades financeiras de seus adeptos.
    Essa atitude foi maléfica? Em quê sentido?
    #
    Agora, a maneira pela qual a FEB utilizou esses recursos; se houve ou não lisura na utilização desses recursos; se os mesmos sustentam situações alheias à doutrina ou à divulgação, isso diz respeito à FEB e é a essa Instituição que devem ser dirigidas as dúvidas e exigências, quanto à clareza de propósitos e realizações.
    #
    Outra coisa, José Carlos. Quando me refiro aos hospitais, creches, asilos, orfanatos, etc. que você faz questão de repetir enfaticamente, quero esclarecer que, a maioria não foi criada com esses recursos. E sim, por iniciativa privada, por parte de pessoas e grupos sensibilizados com as orientações vindas através dos LIVROS E MENSAGENS ESPIRITAS, resgatando os ensinamentos cristãos, referentes à caridade e à necessidade de fazer-se o Bem.
    E, se esses grupos incorreram também nos mesmos erros, desviando-se dos objetivos iniciais, o Chico e o Emmanuel também não têm nada a ver com isso.
    Essa atitude, infelizmente, está relacionada à ganância, ao egoísmo e à hipocrisia que ainda acompanham os ser es humanos, a ponto de relegarem a segundo plano os princípios básicos do cristianismo e do espiritismo.
    E é essa atitude que também me deixa indignada…e muito!
    #
    E é essa mesma ganância e egoísmo que mudou completamente os rumos do Cristianismo, dando origem à Igreja Católica Romana e, posteriormente, ao Vaticano, sócio das maiores empresas do mundo.
    #
    E, acredite, não penso que o que vale mesmo são os frutos materiais. O Emmanuel também não. Porque é dele a seguinte frase: “A maior caridade a ser feita é a divulgação da Doutrina Espírita”. E isso, porque uma sociedade só muda para melhor, ao mudar o comportamento. E o comportamento só muda para melhor, ao mudar o campo das idéias, dos anseios e objetivos. E é nisso que eu também acredito.
    #
    Você me surpreende, quando me pede, de uma forma nada convencional a um pesquisador, racional, cético:
    “Mas, nesse caso, eu lhe imploro Sônia, seja coerente, e use esse mesmo peso para todas as demais situações”.
    #
    Desculpe, mas eu acho que você é que está sendo incoerente, porque não apresentou ainda as situações horríveis, decorrentes do fato do Chico não ter ficado com nenhum tostão das obras psicografadas. Eu acho que você se perdeu em algum trecho. E a sua expressão
    “eu lhe imploro”, está parecendo mais “uma cópia mal-arranjada de mensagens evangélicas”, de acordo com o seu próprio texto.
    Veja bem, eu não estou ironizando, mas considero um “ato falho”.
    Abraços afetuosos.

  126. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    ### Minha cara Sônia, vamos então seguir ponto a ponto sua última mensagem, talvez assim não nos percamos. Meus comentários estarão entre os “###”. ###

    Meu querido José Carlos, mais uma vez parabenizo você pelo seu trabalho e pelos esforços empreendidos, na tentativa de provar suas teorias.

    ### Agradeço-lhe muito. Mas insisto no fato de que não são simples teorias. Estão muito bem fundamentadas. A menos, é claro, que se tome por pressuposto que toda a pesquisa histórica mundial está errada, que não sabemos nada acerca da Roma de Augusto e dos Júlio-Cláudios e da Judéia contemporânea, e que “Emanuel” sim é que está certo. Para quem acredita nisso, sugiro (sinceramente) que faça um apanhado cuidadoso dessa “visão emanuelina”, num ou em vários “papers”, devidamente embasados, com citações e bibliografia, e os publique nas revistas e simpósios especializados em História Antiga de todo o mundo. Vejamos que revista séria aceitaria isso.###

    Entretanto, sou obrigada a dizer que neste último comentário você se repetiu, usando praticamente os mesmos argumentos.

    ### Em parte sim, mas vários pontos foram desenvolvidos, se você notar bem. E são os argumentos necessários e suficientes para o que estamos discutindo. E você também vem se repetindo. Nada contra isso; as mesmas coisas podem ser ditas de várias maneiras, e talvez devam sê-lo, a fim de se tentar clarificar os pontos de vista. A repetição é um tipo de aprendizado.###

    Você foi muito infeliz no exemplo que usou, do milionário malvado, porque nem o Chico e nem o Emmanuel se encaixam nesta condição.

    ### Deixei bem claro que era um “símile extremo”, uma “reductio ad absurdum” para ilustrar melhor um ponto, e que não estava comparando Xavier com quem quer que fosse. Não o conheci pessoalmente, e nem pesquisei profundamente sobre o seu caráter. Não costumo escrever (a não ser “por hipótese” – o que não foi sequer o caso aqui) sobre temas nos quais não me sinta à vontade, e dos quais não tenha um conhecimento o mais abrangente possível das várias fontes, opiniões e tendências envolvidas. É chato, e às vezes frustrante, mas é o preço a ser pago. Não sou (pelo menos tento não ser) inconseqüente.###

    Num trecho do seu comentário, você diz o seguinte:

    “Xavier pode ter sido pessoalmente pobre e humilde, manso e simples; mas gerou em torno de si uma estrutura que não era nem pobre e nem humilde, nem mansa e nem simples. Que utilizou, e utiliza, seus meios materiais para se perpetuar, não só no que possa ter de bom, mas também no que tem de mau”.

    ### Sim. Isso vale não só para o que cerca Xavier, mas para outras instituições também. Os monges, p.ex., são, tecnicamente, pobres (fazem votos de pobreza, obediência e castidade, ao contrário dos padres seculares, que fazem apenas votos de obediência e de castidade), não possuem nenhuma propriedade pessoal, embora as ordens possam ser (e muitas de fato o sejam) imensamente ricas.###

    José Carlos, você é responsável por tudo que acontece na sua vizinhança?

    ### Em termos morais (talvez não jurídicos, mas não estamos aqui discutindo tão-somente as imputabilidades legais, creio), por tudo aquilo que endosso, direta ou indiretamente, a partir da aposição de meu nome, ou de palavras, atos ou omissões, sim. O Presidente da República é, quanto a isso, responsável por tudo o que ocorre sob o seu governo, embora, obviamente, seja apenas um ser humano, e não possa “vigiar” pessoalmente todos os seus subordinados. Isso não o exime da responsabilidade. O Papa é responsável por tudo o que ocorre na Igreja Católica, mesmo que, mais uma vez, seja apenas um ser humano, e não possa estar presente em todas as sacristias de todas as paróquias. É assim que funciona. Xavier é responsável por tudo o que se fez, direta ou indiretamente, em seu nome, ou sob o seu beneplácito, gostasse ou não, concordasse ou não. De novo, as coisas funcionam assim – porque se não, a responsabilidade simplesmente se dilui. Para se eximir da responsabilidade moral (isso é possível nalguns casos), há que se ter uma declaração explícita e uma explicação pormenorizada – se Xavier deixou alguma coisa nesse sentido, com relação a um ponto ou outro, então, para esses pontos, pode vir a não ser responsabilizado, mesmo que seu nome tenha sido utilizado; se não, não. Não é possível se refugiar na omissão, se ficar “em cima do muro; a responsabilidade é, por regra, sempre institucional. Se há padres pedófilos, a Igreja como um todo é responsável; não adianta dizer que a culpa foi apenas duns poucos degenerados (mesmo que tenha sido esse o caso). Se há médiuns comprovadamente fraudulentos, todo o Espiritismo sofre com isso, e deve responder por isso. Compreende onde quero chegar?###

    Se ele tivesse ficado com o dinheiro gerado pelos seus livros psicografados, com certeza, teria sido “crucificado e excomungado”, dentro e fora da doutrina.

    ### É possível. Não tenho meios de saber se ele ficou com algum dinheiro; aparentemente não; portanto, sou forçado a concluir (por uma aplicação análoga à do princípio “in dubio pro reu”) que ele não tenha ficado, pessoalmente, com proventos diretamente oriundos de seus direitos autorais – da mesma forma que um monge não fica, pessoalmente, com nenhum provento oriundo de qualquer ação sua; tudo pertence à sua Ordem, que, esta sim, lhe garante o sustento. Gostaria de acrescentar que todas essas suposições acerca do caráter de Xavier não têm nada a ver com a identidade de “Emanuel”. O que eu esperava que ocorresse – que alguém analisasse o trabalho e as suas conclusões – ainda não ocorreu, infelizmente. Note, Sônia, como é difícil lidar com simples dados históricos – o que se dirá com suposições metafísicas!###

    Mas, não foi isso o que aconteceu. Ele sempre afirmou que não poderia auferir lucros por uma obra que não era sua. Desta forma, fez o que considerou o melhor a fazer. Doou para a FEB, para que esses recursos gerassem outros, na sustentação e divulgação da Doutrina Espírita, já que o Espiritismo não admite dízimos ou obrigatoriedades financeiras de seus adeptos. Essa atitude foi maléfica? Em quê sentido?

    ### Bem, vamos por partes. A atitude de Xavier, se foi essa que você citou (e, veja bem, não tenho nenhum motivo para duvidar disso, foi sempre o que ouvi dizer, e as vozes em contrário foram poucas e, no geral, tendenciosas), é louvável. Tão louvável quanto a de milhares de monges, por exemplo (ao menos potencialmente), quando assumem seus votos. Você acha que essa atitude do monacato é maléfica? O Espiritismo, como qualquer religião (ou doutrina filosófica organizada, se preferir), não vive de ar. Pode não estipular regras explícitas de contribuição, mas tenho certeza que contribuições são incentivadas, sim, ainda que indiretamente, ainda que por “sugestão”. Não há nada de errado nisso, no meu entender. O operário é digno de seu salário – se os meios não forem ilegais, ou calcados no engano.###

    Agora, a maneira pela qual a FEB utilizou esses recursos; se houve ou não lisura na utilização desses recursos; se os mesmos sustentam situações alheias à doutrina ou à divulgação, isso diz respeito à FEB e é a essa Instituição que devem ser dirigidas as dúvidas e exigências, quanto à clareza de propósitos e realizações.

    ### Diz respeito diretamente à FEB, sem dúvida, e a seu corpo dirigente, mas, ao menos indiretamente, a Xavier também. Não tenho detalhes (você talvez m’os possa fornecer, ou então pesquisar o assunto), mas, se Xavier manteve suas doações de direitos autorais à FEB ao longo de sua vida, ou a projetos patrocinados e/ou apoiados por essa entidade, isso significa que endossou a política da FEB, e o “establishment” espírita que ela representava. Não pode querer escapar por omissão. Simples assim. Se um monge franciscano vive uma crise de identidade insolúvel em sua Ordem, deve ou procurar uma nova Ordem (tornar-se beneditino, ou dominicano, ou jesuíta, etc.), ou então largar o hábito.###

    Outra coisa, José Carlos. Quando me refiro aos hospitais, creches, asilos, orfanatos, etc. que você faz questão de repetir enfaticamente, quero esclarecer que, a maioria não foi criada com esses recursos. E sim, por iniciativa privada, por parte de pessoas e grupos sensibilizados com as orientações vindas através dos LIVROS E MENSAGENS ESPIRITAS, resgatando os ensinamentos cristãos, referentes à caridade e à necessidade de fazer-se o Bem.

    E, se esses grupos incorreram também nos mesmos erros, desviando-se dos objetivos iniciais, o Chico e o Emmanuel também não têm nada a ver com isso.

    Essa atitude, infelizmente, está relacionada à ganância, ao egoísmo e à hipocrisia que ainda acompanham os seres humanos, a ponto de relegarem a segundo plano os princípios básicos do cristianismo e do espiritismo.

    E é essa atitude que também me deixa indignada…e muito!

    ### De novo, Sônia, vamos por partes… Se, como você diz, as obras materiais meritórias (hospitais, creches, asilos, orfanatos, etc.) não foram, na maioria dos casos, criadas diretamente com os recursos materiais oriundos dos direitos autorais de Xavier, então a situação é bem mais grave do que eu supunha, já que a fração utilizada para a sustentação da máquina de propaganda espírita (leia-se, na prática, da FEB e do seu “establishment”, para o qual você própria exibe um certo grau de crítica) foi proporcionalmente bem mais relevante. Quanto à inspiração que moveu todas essas pessoas a contribuírem para tais obras, pode ter vindo, claro, em parte, do estímulo dos livros e das mensagens espíritas, mas não só disso. A Igreja vem sempre, historicamente, no Brasil, insistindo na prática da caridade “material”, digamos da “caridade beneficente”, e creio que essa influência é, no mínimo, tão poderosa quanto a do Espiritismo nesse mister. Mais: a própria noção de “caridade” do Espiritismo kardecista brasileiro tem mais ligação com a noção católica usual da “caridade beneficente”, das “obras de caridade”, do que, propriamente, com o conceito de Kardec (ou melhor, dos “espíritos”) sobre a “caridade” (“benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas”, cf. “Livro dos Espíritos”, questão 886). Quanto à influência especificamente espírita nessas obras caritativas, reitero o que já escrevi: que Deus as receberá com satisfação, e que levará em consideração, dalgum modo que seja, todos aqueles que, em boa fé, nelas colaboraram (e colaboram), porque (como já mencionei), mesmo das coisas ruins Deus pode fazer surgir coisas boas. Mas repito: isso não justifica o engodo “Públio Lêntulo”. Quanto à responsabilidade de Xavier sobre os rumos que tomou o Espiritismo kardecista no Brasil, ou, ao menos, o comportamento do “establishment” espírita em geral, já comentei acima.###

    E é essa mesma ganância e egoísmo que mudou completamente os rumos do Cristianismo, dando origem à Igreja Católica Romana e, posteriormente, ao Vaticano, sócio das maiores empresas do mundo.

    ### Reveja suas fontes históricas. O que você falou acima não é correto. Se você acha que se trata dum posicionamento correto, e tem confiança nisso, sugiro, ao invés de começarmos um debate inútil, que escreva um texto bem fundamentado sobre o assunto, com as devidas fontes de consulta claramente identificadas, e o poste no “blog” do Vítor (ou nalgum outro que julgar conveniente). Mostre que Igreja Católica surgiu a partir da ganância e do egoísmo, e que desvirtuou a mensagem cristã. Se isso é verdade, não deve, afinal, ser difícil de ser demonstrado – note bem, demonstrado, a partir das fontes históricas, porque se trata dum fato histórico. Não há pressa. Apenas me avise quando tiver o texto pronto. Gostaria imensamente de lê-lo e de comentá-lo.###

    E, acredite, não penso que o que vale mesmo são os frutos materiais. O Emmanuel também não. Porque é dele a seguinte frase: “A maior caridade a ser feita é a divulgação da Doutrina Espírita”. E isso, porque uma sociedade só muda para melhor, ao mudar o comportamento. E o comportamento só muda para melhor, ao mudar o campo das idéias, dos anseios e objetivos. E é nisso que eu também acredito.

    ### Fico muito feliz por você não se restringir apenas aos frutos materiais. Quanto à frase de “Emanuel”, não sei em que contexto ele a proferiu; tomando-a isoladamente, e do modo como você a enunciou, ela é, no mínimo, dúbia. Na prática, uma boa parte da “divulgação da doutrina espírita” que Xavier gerou com seus romances psicografados foi: a) o fortalecimento da FEB, de seu “establishment” e de seu modo de ver o Espiritismo, e b) a multiplicação, como cogumelos brotando em madeira podre, duma quantidade imensa de “romances espíritas” dos quais você mesma disse que, ao se ter lido um, já se teriam lido todos. Quanto à mudança de comportamento, concordo integralmente com você; mas, sinceramente, Sônia, me é muito difícil aceitar que tal mudança de comportamento possa ocorrer quando um dos “guias” pretensamente promotores disso exibe tantas e tão graves dúvidas (bem fundamentadas) acerca de sua própria identidade.###

    Você me surpreende, quando me pede, de uma forma nada convencional a um pesquisador, racional, cético:

    “Mas, nesse caso, eu lhe imploro Sônia, seja coerente, e use esse mesmo peso para todas as demais situações”.

    ### Meu pedido é inteiramente racional – que você use seus critérios de julgamento para tudo, não apenas para justificar “Emanuel”, mesmo quando se acumulam evidências de que ele não é quem disse ser. Apenas expressei-me duma forma que julguei mais humana e mais próxima, mesmo um tanto íntima. Se isso a desagradou, peço-lhe desculpas. Considere a frase acima retirada, e substituída pela seguinte: “Tendo em vista os critérios de julgamento esposados por si, os mesmos, a bem da coerência e da honestidade intelectual, devem ser utilizados para todas as demais situações, envolvendo ou não tópicos espíritas”.###

    Desculpe, mas eu acho que você é que está sendo incoerente, porque não apresentou ainda as situações horríveis, decorrentes do fato do Chico não ter ficado com nenhum tostão das obras psicografadas. Eu acho que você se perdeu em algum trecho. E a sua expressão “eu lhe imploro”, está parecendo mais “uma cópia mal-arranjada de mensagens evangélicas”, de acordo com o seu próprio texto.

    Veja bem, eu não estou ironizando, mas considero um “ato falho”.

    Abraços afetuosos.

    ### Creio que respondi a suas objeções quanto ao uso do verbo “implorar” no item anterior. Quanto aos “atos horríveis”: não utilizei essa expressão. Apenas afirmo, e reafirmo (caramba, isso está ficando repetitivo…), aparentemente ao contrário de você, que nada de bom, no longo prazo, pode se basear num engano, ou numa mentira; que meros frutos materiais positivos não justificam uma impostura inicial; e que os frutos “emanuelino-xavierianos” não foram apenas nutritivos e cor-de-rosa; que seu nome foi utilizado numa poderosa máquina de propaganda, e na sustentação dum “establishment” que você própria condena (ao menos parcialmente), sem que, aparentemente, ele tomasse explicitamente partido contra isso; e, enfim, em termos semelhantes, que ele incentivou, por seu exemplo, o surgimento do fenômeno do “romance espírita”, sobre o qual você própria, também, exprime várias dúvidas. Tudo isso com o consentimento tácito do próprio Xavier (e, se quiser, do próprio “Emanuel”). Tudo de bom para você, Sônia, e me desculpe qualquer “escorregada”.###

  127. Sonia N. Diz:

    Meu querido José Carlos, obrigada e me aguarde, pois, tenho estado muito ocupada. Mas voltarei com novidades.

    Abraços afetuosos.

  128. Carlos Magno Diz:

    Caracóis! Para que tanto bla, bla, bla do José Carlos para dizer que nada presta, que o espiritismo é um mal, que as creches, hospitais e clínicas comunitários e movimentos assistenciais são calcados na ilusão, na mentira do espiritualismo?
    -
    José Carlos se manca. Espera que os governos com a realidade das cruéis máquinas administrativas resolvam tudo? O que é ilusão? O homem é uma realidade inteira? A educação acadêmica é a realidade educacional que preenche todos os vazios humanos? Ou o é a ciência materialista? A política e os homens da política respondem filosófica e idealisticamente ao que se propõem e ao que estabelece a constituição de um país? Como você pode provar à distância que espiritismo é ilusão, que mediunidade do Chico é farsa, que Emmanuel não existe? Pelas letras, pela verborragia calcada na história, pelo seu ceticismo? Ou somente pelos indícios coletados pelo Vitor? Brincadeira!
    -
    Você afirma que as mensagens do Chico e dos espíritas são tudo aquilo que as pessoas desejam ouvir. Será que todos somos gado sem intelecto algum, sem discriminação nenhuma, sem experiências na mediunidade e devemos ser materialistas como V.Sa. e aclamar sua sabedoria teórica-enciclopédica-acadêmica?
    -
    A desculpa sobre Publius Lentulus é mais do que oportuna, não é mesmo? Só que a história também mente, omite e é manipulada e a nova arqueologia e os novos antropólogos dão enormes lições de como a história está vinculada aos interesses dos organismos internacionais. Mas a mídia não divulga tudo. Engraçado, né?
    -
    Não sei se você sai de casa. Mas se for a algumas instituições filantrópicas espíritas, da maçonaria, de movimentos espiritualistas e até católica, (e mesmo evangélicas) verá que na esmagadora maioria ninguém fica ali fazendo a cabeça de ninguém. Realizam os trabalhos assistenciais e fim de papo. Há as exceções, claro, mas são exceções não regras, e cada um escolhe o que quer ou o que pode. As necessidades são muitas. Portanto, os recursos espíritas do Chico e de outros que abriram mão de seus “investimentos intelectuais ilusórios”, servem e muito a quem necessita, e não os obrigam a nada! Bem diferente das instituições assistenciais governamentais, e falidas, que vivem de propagandas eleitoreiras!
    -
    A propósito, o que você acha dos planos de saúde? Perfeitos para o povo, não? E para os governos?
    -
    Abraços prezado, mas se resolver responder por favor seja objetivo em poucas linhas.

  129. Sonia N. Diz:

    Carlos Magno,
    parabenizo você pelos anos, pela paciência e pela persistência com que você posta neste blog, tentando defender o Espiritismo, as Ciências Ocultas e o Chico Xavier.

    De minha parte, já percebi qual é a deles…

    Fui.
    Abraços afetuosos a você e ao William.

  130. Carlos Magno Diz:

    Sonia, prezada, um grande abraço. E a parabenizo da mesma maneira.
    -
    Também fui!!!

  131. Carlos Martel Diz:

    O Sr. Carlos Magno é um gênio da raça humana e tem toda razão.

    Não é preciso citar dezenas de livros que a maioria dos mortais tem dificuldade de entender porque são mal escritos.

    Os grandes pensadores como Madre tereza de Calcutá, Raul Seixas, Buda e Jesus não escreveram nada e é porisso que êles são grandes.

    Como o sr. Carlos Magno, muito propriamente, diz com a sensibilidade invulgar que só os seres mais iluminados possuem, é que o mundo é um lugar muito racional.

    É preciso substituir este mundo extremamente racional com estas guerras que se explicam com argumentos perfeitamente racionais por um outro completamente irracional onde a relação de causa e efeito seja abolida de uma vez por todas em nome do Amor.

    Onde ninguém precise provar nada citando fonte nenhuma porque todos somos irmãos e acreditaremos em todos.

    Se nosso irmão Bush diz que há armas de destruição em massa no Iraq temos que acreditar com a fé abençoada e não duvidar como Tomé.

    Se a televisão diz que Suzan Boyle é a maior cantora de todos os tempos temos que acreditar com a mesma fé.

    Eu acredito no sr. Carlos Magno por uma razão profunda que não sei explicar: os argumentos contra êle são racionais e bem fundamentados mas não fazem sentido para mim, não chegam a meu coração. No entanto as palavras do sr. Carlos Magno, mesmo com seus eventuais erros (afinal, errar é humano e, se eu acreditasse em lógica, eu até diria mais) fazem sentido para mim porque eu o escuto com o meu coração do mesmo geito que escutei as palavras inspiradoras de um extra-terrestre que me abduziu dizendo que era de Júpiter.
    Mesmo que as pessoas me digam (e até me provem) que ele veio, na verdade, de Marte, isto não é relevante.
    O que é relevante é que ele me disse que Raul Seixas não morreu e eu acreditei. Toda a vez que vejo o nome do sr. Carlos Magno sai um raio de luz do meu computador e o meu computador está desligado.
    Muitos não acreditam em milagres mas, se voces morassem nas condiçoes mais inóspitas deste páis abençoado por Deus, que é o Brasil, passando todo o sofrimento que um ser humano é capaz de passar, voces iriam compreender porque o Brasil é o país mais maravilhoso do mundo e porque Raul Seixas, o sr. Carlos Magno e o bom rei Dagoberto são os espíritos de luzes mais importantes de toda a criação. Eu não concordo que o mundo foi criado a milhões de anos como dizem os cientistas mentirosos da NASA. Eles acham que Bob Dylan é mais importante que Raul Seixas e nós (e os extra-terrestres também) sabemos que não é verdade. Assim como Jesus, Raul Seixas viva com uma prostituta e ela até disse que não entendia porque todos diziam que o Raul era um gênio quando ele passava o dia inteiro jogando sinuca. Coitada, temos que perdoar a pobrezinha. Ela viveu com um ser tão luminoso que ficou cega… Só os mal intencionados não conseguem enxergar a verdade que é simplesmente: o sr. Carlos Magno é o novo Raul Seixas! Eu me ajoelho diante desta realidade que a razão não pode contestar. Só os puros de coração discordarão que o espírito de Lady Di está com êle.
    Bendito seja o sr. Carlos Magno. Vocês não o entendem porque ele é bom demais para este blog.
    Na próxima Páscoa, se ele for a Jerusalem, ele corre o risco de ser confundido com Nosso Senhor.
    Aí voces verão que eu e os extra-terrestres tinhamos razão o tempo todo. Viva o Amor e abaixo a razão!!!

  132. Carlos Martel Diz:

    Carlos Magno,

    Parabenz mais uma vez pela defesa intrasigente do irracionalismo que é o outro nome do Amor.
    O Amor não pode se confundir com a razão em nenhum ponto e é isto que os céticos não entendem.
    Por outro lado, os indivíduos realmente amorosos como eu e os outros que o defendem, não podemos entender toda esta baboseira racional destes críticos da Paixão.

    Temos que fazer tudo o que não é possível para defender o Espiritismo, as Ciências Ocultas e o Chico Xavier, Zé Arigó, Thomas Morton e Lengruber.

    As pessoas precisam sentir a verdade com o coração e fechar os ouvidos para a razão cega.

    Eu também já percebí qual é a deles…

    Abraços a todos e especialmente aos cegos pela luz para que eles esqueçam e razão e voltem a enxergar um dia.

    Carlos e Beto (Dagoberto).

  133. Carlos Magno Diz:

    Sinto-me extremamente recompensado por conseguir enraivecer mais um. É assim que se começa por que o sarcasmo, a ironia e o praguejamento retornam sempre ao emissor. É lei da física. Então só haverá uma saída. Ganhei o dia. Obrigado Martel (ou Gilberto) e tantos que me leem! Obrigado de coração!
    -
    OM MANI PADME HUM!

  134. Carlos Magno Diz:

    Correção: os tantos que leem preguejando!

  135. Carlos Magno Diz:

    preguejando, não! Praguejando!

  136. Sonia N. Diz:

    Meu caro Carlos Magno:

    Não dê atenção às MARTELadas, do outro Carlos.

    Aliás, é melhor dar sim. É um tremendo estímulo para as tuas respostas, que acho geniais.

    Amordaçaram-me, meu amigo, portanto, só contamos com você na continuação dessa jornada.

    Abraços afetuosos.

  137. Carlos Magno Diz:

    Amiga Sonia:
    -
    Isso não é nada. Já reparou quanto tempo o Gilberto gastou para escrever tantas coisas inúteis. Não seria melhor ele estar fazendo algo de útil, qualquer coisa? Mas ele se sente bem em falar bobagens, bufanismos, paciência.
    -
    Grande abraço, Sonia, vou tirar umas férias daqui porque se reiniciam minhas atividades espirituais a partir de março.
    -
    Até uma próxima. Adorei você!

  138. Sonia N. Diz:

    Meu caro José Carlos,

    Fiz minha pesquisa sobre o Catolicismo Romano e adoraria passá-la para você. Infelizmente, resultou em 18 páginas, número impossível de ser postado aqui. Além do mais, você, certamente, ficaria extremamente magoado por eu ter conseguido ultrapassá-lo em quantidade de dígitos e laudas.

    Portanto, estou postando hoje, só para mantermos contato, para que você não esqueça de mim, enquanto preparo uma “sinopse” da pesquisa.

    Abraços afetuosos. Tenha bons sonhos…

  139. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sônia,

    O Vítor tem o meu correio eletrônico particular do Terra, creio que pode passá-lo a você. E creia que eu não me incomodo em absoluto com o tamanho, mas sim com o conteúdo (que, no seu caso, creio ter sido escolhido com cuidado)… Afinal, se espero que leiam minhas pesquisas e meus “posts”, também é justo que eu leia os de outros… Não terei pressa de ler sua pesquisa, a fim de o fazer do modo mais cuidadoso possível. Obrigado, e (espero) até breve!

  140. Sonia N. Diz:

    Meu querido José Carlos,

    Você acha que eu vou furtar aos leitores do blog, a oportunidade de lerem também, os dados históricos sobre o Catolicismo Romano e, de lambuja, o Vaticano?

    Essa será forma democrática de analisarem TODOS os fatos históricos ligados ao que convencionamos chamar de Cristianismo.

    Podemos até nos corresponder fora do blog, mas não nesse caso. Por favor, não subestime a minha inteligência. É pouca, mas eu costumo usá-la (detalhe: não sou e nunca fui loira!) rsss.

    Abraços afetuosos e um bom dia, meu querido!

  141. Vitor Diz:

    Sônia,
    coloque a pesquisa em algum site de compartilhamento de arquivos, eu aconselho o 4shared (www.4shared.com), é só se cadastrar, depois você faz o upload do arquivo e fornece o link para download.

  142. Sonia N. Diz:

    Vitor,

    Você não dorme?! Parece parteira de plantão…
    #

    Desculpe, mas o seu post está todo em inglês e eu não entendi nada…rssssss
    #
    Abraços afetuosos.

  143. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sônia,

    Não subestimei sua inteligência. Não subestimo a inteligência de ninguém. Foi você mesma que deu a entender que o tamanho de sua pesquisa era muito grande. Eu só quis facilitar as coisas, no sentido de ter acesso a seu trabalho. Você pode postá-lo onde quiser, quando quiser, e quantas vezes quiser.

  144. Sonia N. Diz:

    Meu querido José Carlos,
    A sua última frase está valendo mesmo, ou é força de expressão?
    #
    Responda, por favor, se posso ir postando aos poucos, a minha pesquisa sobre o Catolicismo Romano. Por mais que eu queira “enxugá-la”, fica cada vez mais difícil, porque é muito mais interessante do que eu imaginava…
    E também, porque tenho que conciliar com diversas outras atividades.
    #
    Abraços afetuosos

  145. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sônia,

    Na minha opinião, você não necessita “enxugar” nada, quanto mais detalhes melhor, especialmente quando se trata de um assunto assim tão vasto. Eu tenho interesse em conhecer seus argumentos e suas fontes, do modo mais detalhado possível. Você mesma me havia dito que o texto era longo, e eu apenas lhe havia dado uma sugestão para m’o enviar (pelo meu correio eletrônico particular); o Vítor deu outra sugestão, aliás melhor: inclua o texto todo, ou então o inclua por partes, num portal de compartilhamento, como o “4shared”, e comunique aqui o endereço (como o Vítor fez com os meus textos – ele os publicou aqui, e os disponibilizou também no “4shared”, para “download” por quem quisesse). Não me parece que uma pesquisa sobre o Catolicismo esteja dentro do assunto deste “blog”, portanto talvez não seja razoável publicá-la aqui (nem o Vítor é obrigado a isso), mas você pode torná-la conhecida de todos aqui com um (ou vários) “posts”, anunciando aqui onde ela se encontra. Se achar conveniente ir publicando aos poucos, tudo bem. Só lhe peço que inclua a bibliografia de onde retirou seus dados. Sds,

    JCFF.

  146. Sonia N. Diz:

    José Carlos,

    Não alimente ilusões quanto à minha “pesquisa”. Não sou pesquisadora. Esta área é sua. E sua experiência é indiscutível, independente de eu aceitar ou não os resultados. Minha área se restringe ao ser humano. E, embora goste de escrever, não me entendo muito bem com máquinas (incluindo o computador). Sou uma pessoa ocupada e preocupada com pessoas, portanto, sobra-me pouco tempo para atividades fora do meu costumeiro. Por isso, apesar do assunto ser fascinante, não tenho tempo e nem a sua capacidade para realizar um empreendimento, que corresponda às suas espectativas.

    Justifico-me e peço desculpas por não estar à sua altura (ou, no mínimo, à altura do que você espera de mim).

    Espero que você compreenda e releve as minhas dificuldades e parcas possibilidades.

    Até mais e…abraços afetuosos.

    Desta forma, restou-me (reconheço!) a paupérrima possibilidade de “Googlar” as informações que, na maioria das vezes, não indica a procedência.

  147. Sonia N. Diz:

    José Carlos,

    Infelizmente sempre sai algo errado.
    #
    A última frase deveria estar depois de : , que corresponda às suas espectativas.

  148. Sonia N. Diz:

    José Carlos,
    Espero ter feito a “coisa” certa, ou seja, o “4shared” (credo!), porque, como já disse, não me entendo bem com máquinas.
    #
    A primeira matéria é: O CATOLICISMO ROMANO, que você e outros leitores do blog poderão acessar (assim, espero!), pelo link:
    #http://www.4shared.com/file/237949836/d2e1ae37/header.html
    #
    Você fez o seguinte comentário, lá em cima:
    “Eu tenho interesse em conhecer seus argumentos e suas fontes, do modo mais detalhado possível”.
    Então, eu repito que minhas “fontes” foram as que encontrei no Google. Há muito mais, entretanto, eu perderia parte de minha vida, revirando a rebotalha humana vestida de púrpura, disfarçando a podridão de suas almas encharcadas no sangue de mulheres e crianças indefesas; e de homens sábios, que tentaram contradizer o seu poder cheio de mentiras.
    E ficariam por fazer, minhas tarefas do Bem.
    #
    Ah! meu caro José Carlos, o Catolicismo Romano e o Vaticano não merecem isso de mim e de ninguém. Bastam-lhes o horror que semeiam e a peçonha que espalham ao longo de 1.600 anos de dominação e manipulação, tanto de “nobres”, quanto “burgueses” . Com a mesma determinação, desprezam e mantêm propositalmente, na ignorância e na miséria, as massas incontáveis de injustiçados, através de “tratados”, “concordatas” “bulas”, “encíclicas” e outras invenções, com a finalidade principal do enriquecimento ilícito e do poder que vem com o dinheiro. Sem contar, os “milagres” inventados com a mesma vil finalidade.
    #
    José Carlos, é difícil comentar, sem se indignar. Aliás, as próprias narrativas são tão perturbadoras, que se transformam nos próprios argumentos.
    #
    Não quero me estender mais, porque as leituras me causaram muito mal. Um mal estar no corpo, um enjoo que surgiu não sei de onde… mas acho… acho não, tenho certeza, que me veio da alma, do coração, da mente que não consegue admitir o que “ELES” fizeram e continuam fazendo, em nome de Deus. Se o diabo existisse, não se atreveria a tanto! O Catolicismo Romano e tudo o que ele gerou como Instituição, não tem NADA a ver com o Cristianismo. São opostos, antônimos, avessos, contrários.
    #
    E você vem tentar me convencer, e a todos que acessam esse blog, que o Chico Xavier é um mal, porque fez tanto bem. É um mal para a humanidade porque você não encontrou o Públio Lêntulus na História de Roma e, através dessa “mentira sordidamente engendrada”, promoveu o “stabilishment” do Espiritismo. Como se fosse um crime, “estabelecer” a Doutrina Espírita. Não é isso que se espera de qualquer Instituição digna? Que tenha clareza de propósitos?
    #
    Preste atenção ao que você vai ler; aliás, não precisa prestar atenção para entender, basta saber ler, porque está tudo tão bem explicado nas matérias, que não é necessário qualquer esforço. O Catolicismo Romano esconde a sete chaves os seus propósitos, os seus crimes, mas muita coisa veio à tona, porque “não se pode enganar tantos o tempo todo”.
    #
    Eu comparei a sua pesquisa e a “minha”.
    # Na sua, você apenas não encontrou o que procurava: o nome de Públio Lêntulus/Emmanuel. Só isso! E nem assim, fica invalidado o que, no seu entender, essa “suposta mentira”, tenha trazido de Bem prá tanta gente.
    # Na minha, encontrei tudo que não deveria ter encontrado: crimes, traições, mentiras, estupros, pedofilias, abortos, roubos, saques, feitiçarias, torturas, enfim, o inferno descrito por Dante, seria um Parque de Diversões. E esta é a História do Catolicismo Romano e, consequentemente, do Vaticano e seu Papado. Os instrumentos de tortura, criados por eles, na época de Inquisição é melhor nem lembrar. Algumas das matérias que eu postei, trazem os desenhos originais. Nascer mulher naqueles tempos era um verdadeiro martírio. Sorte daquelas que não vingavam e já nasciam mortas…
    #
    Pois é, meu caro José Carlos, não há muito a comentar. Só a lamentar. Mas, algo me diz, que você encontrará argumentos para defendê-los. E se isso ocorrer (espero que não!!!!!!), meus pêsames antecipados, porque você é só um corpo, sua alma e seu coração já morreram há muito tempo… E eu confesso que vou ficar muito chateada(ou melhor, decepcionada), porque percebo nas entrelinhas dos seus comentários, uma emoção dissimulada, um vago tremor (ou será temor?) por ser descoberto?
    #
    Abraços afetuosos

  149. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Minha cara Sônia,

    Tenha certeza de que lerei seu trabalho com o máximo de cuidado e com toda a isenção possível. No entanto, suas duas últimas mensagens me deixaram estupefato. Portanto, antes mesmo de me debruçar sobre a sua pesquisa, gostaria que você (e os leitores…) me permitissem alguns comentários. Para não perder o rumo, vou comentando ao longo de seus próprios textos. Meus comentários entre “###”.

    —(*)—

    José Carlos,

    Não alimente ilusões quanto à minha “pesquisa”. Não sou pesquisadora. Esta área é sua

    ### Não, Sônia, essa área é de todos nós, de todos os que se dispuserem a enfrentar a busca pela Verdade. Só assim é que podemos ter (alguma) moral para concordar ou discordar, para louvar ou condenar. Se não, ou somos mal intencionados, ou somos meras marionetes. Se eu afirmo o que afirmo, é porque tenho segurança nisso, e tenho segurança porque pesquisei. Acredite-me.###

    E sua experiência é indiscutível, independente de eu aceitar ou não os resultados.

    ### Muito obrigado, Sônia, não mereço tanto. Qualquer um pode fazer o que venho fazendo. Se há alguma virtude nisso, é, sem dúvida, a paciência. Quanto aos resultados, aceite-os ou não; mas eu me sentiria muito mais recompensado se você, em os não aceitando, o fizesse baseada em evidências e em raciocínio, não em paixão, irracionalidade, desconhecimento ou opiniões preconcebidas.###

    Minha área se restringe ao ser humano. E, embora goste de escrever, não me entendo muito bem com máquinas (incluindo o computador).

    ### Pratique. Não se detenha diante dessa pequena dificuldade. Você vale muitíssimo mais do que um mero computador e, acredite-me, jamais será “derrotada” por um…###

    Sou uma pessoa ocupada

    ### Também sou.###

    e preocupada com pessoas,

    ### também tento ser…###

    (…) portanto, sobra-me pouco tempo para atividades fora do meu costumeiro. Por isso, apesar do assunto ser fascinante, não tenho tempo e nem a sua capacidade para realizar um empreendimento, que corresponda às suas espectativas.

    ### Sônia, não são as “minhas expectativas”, eu sou um nada, não é comigo que você tem que se preocupar, e nem é a mim que você tem que provar alguma coisa – é a você mesma. Ser exigente numa pesquisa é ser exigente com você mesma, é não insultar a sua inteligência, é procurar a verdade, a fim de colher os melhores frutos possíveis.###

    Justifico-me e peço desculpas por não estar à sua altura (ou, no mínimo, à altura do que você espera de mim). Espero que você compreenda e releve as minhas dificuldades e parcas possibilidades.

    ### De novo: você não tem que estar “à minha altura”; você tem que estar à SUA altura, e, principalmente, à altura da busca da verdade. E, sim, compreendo suas dificuldades. No começo de minhas pesquisas de História, na minha longínqua adolescência, eu também me sentia, muitas vezes, esmagado diante da tarefa que me impunha, e tentado a “encontrar logo as respostas”. Isso é natural. Mas vamos vencendo as limitações, aos poucos, ao longo dos anos. Não desanime. Se é que posso lhe dar algum conselho, vá em frente, procure pesquisar e se informar – mas faça isso com o máximo de isenção possível, e praticando uma “suspensão de juízo” sobre o que estiver investigando. Não há outro meio decente de se fazer a coisa.###

    Até mais e…abraços afetuosos.

    ### Idem.###

    Desta forma, restou-me (reconheço!) a paupérrima possibilidade de “Googlar” as informações que, na maioria das vezes, não indica a procedência.

    ### Essa sua última observação me preocupou muito, Sônia. Você tem idéia da magnitude da questão envolvida? Julgar uma instituição duplamente milenar, que foi em grande parte responsável, para o bem ou para o mal, pela própria construção de nossa civilização ocidental? E você considera que isso é possível, ou factível, ou razoável, apenas a partir de informações (como você mesma diz) “googladas”, cuja procedência (você também reconhece!) muitas vezes não é sequer indicada? Você gostaria (e acharia justo) que eu julgasse Xavier e o movimento espírita baseando-me APENAS nesse mesmo tipo de informações? Você se lembra do que comentei numa outra mensagem, acerca da coerência de julgamento, do “mesmo peso e mesma medida”? Sinceramente, se você é tão pouco exigente assim para coletar informações “contra” a Igreja Católica, como é que você pode querer ter moral para criticar uma pessoa, qualquer pessoa, que também seja bem pouco exigente para coletar informações “contra” Xavier, ou o movimento espírita? Mais ainda – como é que você pode ter alguma esperança de cotejar e controlar as informações, separar o exagero do fato, a mentira da verdade? Percebe a situação, Sônia? Percebe como o seu posicionamento mina a própria confiabilidade das conclusões a que você possa vir a chegar com sua pesquisa?###

    —(*)—

    José Carlos,
    Espero ter feito a “coisa” certa, ou seja, o “4shared” (credo!), porque, como já disse, não me entendo bem com máquinas.

    ### Não recue diante da tecnologia, e nem tema enfrentá-la. Ela está a nosso favor.###

    A primeira matéria é: O CATOLICISMO ROMANO, que você e outros leitores do blog poderão acessar (assim, espero!), pelo link: http://www.4shared.com/file/237949836/d2e1ae37/header.html

    ### Vou baixar o arquivo assim que for possível, talvez ainda hoje, e vou começar a lê-lo com o cuidado e a atenção que merece.###

    Você fez o seguinte comentário, lá em cima:

    “Eu tenho interesse em conhecer seus argumentos e suas fontes, do modo mais detalhado possível”.
    Então, eu repito que minhas “fontes” foram as que encontrei no Google.

    ### Isso me preocupa muito… Não que na Internet não se possa encontrar material muito bom, mas basear-se em dados coletados APENAS na Internet é problemático. Na rede se põe virtualmente o que se quer; muitas informações simplesmente NÃO SÃO isentas, são mentirosas, ou então mostram apenas parte dos fatos… Embora eu tenha utilizado bastante a Internet (e continue a utilizá-la) para minhas pesquisas, procuro basear minhas conclusões, tanto quanto possível, em livros de autores especializados que representem o “estado da arte” da questão. Isso me dá tanto um grau de conforto relativamente grande quanto uma certa moral para defender e sustentar meus pontos de vista. Jona Lendering, o responsável pelo (muito bom) portal de História Antiga “Livius” (www.livius.org) põe esse problema de forma a meu ver bastante lúcida num seu artigo: http://www.livius.org/opinion/opinion0017.html, cuja leitura eu lhe recomendaria…###

    Há muito mais, entretanto, eu perderia parte de minha vida, revirando a rebotalha humana vestida de púrpura, disfarçando a podridão de suas almas encharcadas no sangue de mulheres e crianças indefesas; e de homens sábios, que tentaram contradizer o seu poder cheio de mentiras. E ficariam por fazer, minhas tarefas do Bem.

    ### Quanto veneno, Sônia, quanto veneno, e baseado em quê? Apenas (ou em grande parte) em informações “googladas” e de procedência duvidosa… Como você mesma confessa… Permita-me discordar de TUDO o que você falou no parágrafo anterior. A busca da verdade não é, jamais, perda de tempo, muito menos “perda de vida”; se se trata duma “rebotalha humana, etc.”, isso tem, sim, que ser desnudado, e desnudado em detalhes, e proclamado aos quatro ventos – desde devidamente embasado. Se não for, percebe que você pode estar julgando (e julgando terrivelmente) uma multidão de pessoas, ao longo de séculos, baseando-se em informações de segunda mão, e nem sempre confiáveis? Sinceramente, você gostaria que eu classificasse Kardec, Xavier, a FEB e os líderes espíritas kardecistas em geral de “rebotalha humana vestida hipocritamente com o manto da pseudo-caridade, disfarçando a podridão de suas almas encharcadas no engano e na ilusão de mulheres, crianças e famílias indefesas e que desesperadamente buscam consolo; e de homens sábios, pesquisadores sérios, que tentaram contradizer suas falsas materializações e psicografias, a fim de quebrar o seu poder cheio de mentiras”? Porque, usando as MESMÍSSIMAS fontes que você usou, “googlando”, eu (ou qualquer um) poderia, FACIL E RAPIDAMENTE, chegar a essa conclusão (e muitos chegam…). Se você acha que a “conclusão” que (retoricamente) esbocei acima é falsa e injusta, será que não lhe passa pela cabeça a possibilidade, ao menos a possibilidade, de que a sua própria conclusão, que exsuda veneno por cada poro, também possa ser falsa e injusta? Por último, Sônia, muito cuidado: não use os pretextos de “falta de tempo”, ou de “necessidade de praticar o bem” para furtar-se à análise cuidadosa e basear suas opiniões em pesquisas superficiais e rasteiras. Se não tem tempo, ou ânimo, para pesquisar, abdique também do direito de emitir opiniões sobre o assunto, ou então as emita com uma máxima cautela. É o que eu usualmente faço. É o que você, aparentemente, não fez: você CATEGORICAMENTE condena a Igreja Católica. De fato, você constrói um gigante de pedra (opinião forte e categórica) em pés de barro (uma pesquisa fraca). Isso é muito, muito perigoso.###

    Ah! meu caro José Carlos, o Catolicismo Romano e o Vaticano não merecem isso de mim e de ninguém. Bastam-lhes o horror que semeiam e a peçonha que espalham ao longo de 1.600 anos de dominação e manipulação, tanto de “nobres”, quanto “burgueses” . Com a mesma determinação, desprezam e mantêm propositalmente, na ignorância e na miséria, as massas incontáveis de injustiçados, através de “tratados”, “concordatas” “bulas”, “encíclicas” e outras invenções, com a finalidade principal do enriquecimento ilícito e do poder que vem com o dinheiro. Sem contar, os “milagres” inventados com a mesma vil finalidade.

    ### Eu espero, Sônia, que cada afirmação anterior esteja muito bem demonstrada no seu trabalho. Embora, pelas suas “fontes”, eu duvide; de fato, tendo em vista o modo como você escreveu (obviamente sem nenhuma racionalidade), e as fontes que você mesma disse que consultou, você deve ao menos admitir que não se trata, no seu caso, duma investigação imparcial, ou tão imparcial quanto humanamente possível. De novo: você gostaria que Kardec, Xavier e o Espiritismo em geral fossem tratados da mesma maneira por pretensos “pesquisadores”? Apenas adiantando algo, Sônia, saiba que tudo aquilo que você falou no parágrafo anterior é falso. Cada afirmação, cada uma delas. Embora eu tema que não possa vir a convencê-la disso; o que me parece, Sônia (e me corrija se eu estiver errado) é que você, de antemão, já decidiu em quê acreditar, e somente coleta “pro forma” textos para sedimentar ainda mais suas convicções prévias. Não estou pedindo que você se converta ao Catolicismo; estou apenas pedindo que, para emitir uma opinião em assunto tão importante, pesquise com isenção e com cuidado. Creio que isso eu posso pedir, não?###

    José Carlos, é difícil comentar, sem se indignar. Aliás, as próprias narrativas são tão perturbadoras, que se transformam nos próprios argumentos.

    ### Para você se indignar de forma justa, tem que conhecer. E para conhecer, tem que pesquisar, com o máximo cuidado possível, e tão racionalmente quanto puder, cotejando os dois (ou muitos) lados envolvidos. Sem isso, a indignação ou é hipocrisia, ou é tolice.###

    Não quero me estender mais, porque as leituras me causaram muito mal. Um mal estar no corpo, um enjoo que surgiu não sei de onde… mas acho… acho não, tenho certeza, que me veio da alma, do coração, da mente que não consegue admitir o que “ELES” fizeram e continuam fazendo, em nome de Deus. Se o diabo existisse, não se atreveria a tanto! O Catolicismo Romano e tudo o que ele gerou como Instituição, não tem NADA a ver com o Cristianismo. São opostos, antônimos, avessos, contrários.

    ### Mais veneno, mais gigantes com pés de barro… Novamente: espero que isso esteja efetivamente demonstrado no seu trabalho; para tanta indignação, é o mínimo que se pode exigir…###

    E você vem tentar me convencer, e a todos que acessam esse blog, que o Chico Xavier é um mal, porque fez tanto bem. É um mal para a humanidade porque você não encontrou o Públio Lêntulus na História de Roma e, através dessa “mentira sordidamente engendrada”, promoveu o “stabilishment” do Espiritismo. Como se fosse um crime, “estabelecer” a Doutrina Espírita. Não é isso que se espera de qualquer Instituição digna? Que tenha clareza de propósitos?

    ### Vamos por partes, Sônia. Eu não quero convencer ninguém que Chico Xavier é um “mal”. Nunca disse isso. Não torça meus argumentos, e nem ponha palavras na minha boca. Sobre o valor das obras meritórias, creio que já deixei minha posição bem clara. O que afirmo, e afirmo embasadamente, sem “googladas” e sem fontes de origem duvidosa, é que o “guia” Emanuel (se de fato existe) não poderia ser Públio Lêntulo, e que, portanto, ou é galhofeiro, ou é mentiroso, ou é maluco. Também não disse que Emanuel/Lêntulo é uma “mentira sordidamente engendrada”. Xavier podia REALMENTE acreditar que se tratasse do tal senador romano, não sei; e, de fato, isso pouco importa. Seus argumentos me parecem uma tentativa de desviar o assunto, e de não ter de enfrentar a situação: há evidências históricas esmagadoras para o fato de que Públio Lêntulo não existiu; e isso compromete todo o teatrinho, toda a “mise-em-scène” de Emanuel. Não é um crime estabelecer uma doutrina; mas o é quando se apela a fraudes, conscientes ou não. Veja como você, Sônia, usa dois pesos e duas medidas! A Igreja Católica “não presta”, como bem lhe dizem as fontes “googladas” e de procedência ignorada, mas a sacrossanta doutrina espírita “tem o direito de se estabelecer”, mesmo que tenha que utilizar “guias” (se é que há “guias”) com seriíssimos problemas de identidade (problemas esses estabelecidos a partir duma pesquisa bem cuidadosa, e totalmente documentada), e “romances psicografados” sobre os quais (é você mesma que afirma!), ao se ler um, se leram todos. Isso, para você, não apresenta problema algum… Puxa, isso sim é que é uma “fé raciocinada”!###

    Preste atenção ao que você vai ler; aliás, não precisa prestar atenção para entender, basta saber ler, porque está tudo tão bem explicado nas matérias, que não é necessário qualquer esforço. O Catolicismo Romano esconde a sete chaves os seus propósitos, os seus crimes, mas muita coisa veio à tona, porque “não se pode enganar tantos o tempo todo”.

    # Pode ter certeza que prestarei o máximo de atenção ao que vou ler. Mas, apenas para constar, o Catolicismo não esconde “a sete chaves” os seus “propósitos” e “crimes”; há, ao contrário, uma vastíssima documentação a esse respeito – inclusive quanto aos “crimes”. Ao contrário, é o Espiritismo (ou a sua “versão oficial”) que procura esconder os fatos. Espero poder tratar disso oportunamente, mas não agora… E, de fato, você está corretíssima: não se pode enganar tantos o tempo todo. Públio Lêntulo que o diga…###

    Eu comparei a sua pesquisa e a “minha”. Na sua, você apenas não encontrou o que procurava: o nome de Públio Lêntulus/Emmanuel. Só isso! E nem assim, fica invalidado o que, no seu entender, essa “suposta mentira”, tenha trazido de Bem prá tanta gente.

    ### Não, Sônia. Eu encontrei evidências bem sólidas de que um assim considerado “espírito superior” era ou galhofeiro, ou mentiroso, ou maluco; que enganou o “maior médium do Brasil”; e que ninguém, quer “do lado de cá”, quer “do lado de lá” deu uma mãozinha para ajudar a esclarecer as coisas. Você acha isso pouco? Quanto aos “bens”: se você justifica Emanuel pelos “bens”, por que não justifica também a Igreja Católica pelos mesmos “bens”? Veneno… Dois pesos e duas medidas…###

    Na minha, encontrei tudo que não deveria ter encontrado: crimes, traições, mentiras, estupros, pedofilias, abortos, roubos, saques, feitiçarias, torturas, enfim, o inferno descrito por Dante, seria um Parque de Diversões. E esta é a História do Catolicismo Romano e, consequentemente, do Vaticano e seu Papado. Os instrumentos de tortura, criados por eles, na época de Inquisição é melhor nem lembrar. Algumas das matérias que eu postei, trazem os desenhos originais. Nascer mulher naqueles tempos era um verdadeiro martírio. Sorte daquelas que não vingavam e já nasciam mortas…

    #De novo, veneno… dois pesos e duas medidas… exagero… falta de efetivo conhecimento histórico…###

    Pois é, meu caro José Carlos, não há muito a comentar. Só a lamentar. Mas, algo me diz, que você encontrará argumentos para defendê-los. E se isso ocorrer (espero que não!!!!!!), meus pêsames antecipados, porque você é só um corpo, sua alma e seu coração já morreram há muito tempo… E eu confesso que vou ficar muito chateada(ou melhor, decepcionada), porque percebo nas entrelinhas dos seus comentários, uma emoção dissimulada, um vago tremor (ou será temor?) por ser descoberto?

    ### Muito cuidado com o que você diz, Sônia. Eu seria o último a negar (ou a tentar esconder) uma série de fatos terríveis que ocorreram no passado. Quando se é responsável por construir toda uma civilização, quando se tem que assumir (mesmo que contra a vontade) a direção duma sociedade, nem sempre as coisas ocorrem da melhor forma possível. Muitos equívocos são desculpáveis, ou mesmo justificáveis; muitos não o são, e teremos que conviver com eles, esperando que não se repitam, e que tenhamos, ao fim, aprendido alguma coisa. Você pode não acreditar, mas eu não sou (ao menos não me considero) um beato, e não me sinto absolutamente obrigado a “justificar” uma atitude (não dogmática) da Igreja, por ter sido da Igreja. Quem “põe a mão na massa” inevitavelmente erra. Gente ruim e nojenta sempre existiu, e sempre existirá, em todos os meios. A Igreja Católica (como o Espiritismo, e, de resto, tudo) não é exceção. Mas todas essas limitações têm que ser comparadas ao “outro lado”, àquilo que efetivamente foi construído. E muito, muitíssimo foi construído – justamente o que você ignora, cegada por seus preconceitos. De novo: não espero convertê-la (ou a ninguém) ao Catolicismo, isso é algo que pertence a uma outra esfera, à esfera metafísica, filosófica e teológica; o tipo de argumento é totalmente distinto dos argumentos históricos (embora argumentos históricos possam também entrar, mas sempre de modo subsidiário). Aqui, trato apenas de evidências históricas. Você diz que a Igreja Católica é um circo de horrores; eu digo que não, que, apesar de muitas falhas, algumas até graves, ela construiu a nossa civilização ocidental – uma civilização vencedora, em muitos sentidos. Não é preciso sequer ser católico para admitir isso. São fatos. Você tem as suas fontes para afirmar o que afirma, eu tenho as minhas. Ah, e outra coisa: nem você, e nem ninguém, tem condições de “julgar” minha alma; isso só Deus fará. Creio que você foi, no mínimo, extremamente infeliz e mal-educada ao afirmar que minha alma e meu coração já morreram há muito tempo. E o que você quer efetivamente dizer quando diz que apresento uma “emoção dissimulada”, um “vago temor/tremor por ser descoberto”? Seja clara. Quais são as suas evidências para isso? As mesmas que você coletou no “Google” para reafirmar os seus preconceitos?###

    Abraços afetuosos

    ### E, para você, tudo de bom também. Mas cuidado com uma paixão excessiva… Isso não é saudável…###

  150. Sonia N. Diz:

    Meu caro José Carlos,

    Vamos por partes, como você mesmo faz. Entretanto, comentarei apenas “alguns “ tópicos, visto que outros nem adianta comentar…
    @
    Pularei seus primeiros comentários, porque apesar da sua ironia, sou bastante ocupada mesmo. Meus comentários, em resposta aos seus, estarão entre parênteses. Espero que você possa compreender, porque não sou tão organizada quanto você.
    @
    ### Pratique. Não se detenha diante dessa pequena dificuldade. Você vale muitíssimo mais do que um mero computador e, acredite, jamais será derrotada por um…###
    (Nisto eu concordo inteiramente com você: eu valho muitíssimo mais do que qualquer computador, ou qualquer “coisa” que exista, GRAÇAS A DEUS!!!! Assim como, todo e qualquer sêr humano na face desta terra ou fora dela.
    Minha dificuldade vem do fato de não me sentir atraída por máquinas, e não de incapacidades. Não me obrigo a fazer o que não gosto, tanto quanto me é possível. Você usou o verbo no imperativo: PRATIQUE. Deve estar acostumado a dar ordens. Eu estou habituada a solicitar).
    @
    ### Também sou### ###também tento ser###
    (o que eu quis dizer é que não tenho tempo disponível para dedicar-me à pesquisa, assim como você, porque pelo que entendi essa é a sua profissão, portanto, em tempo integral. Se você fosse mulher,entenderia melhor o que eu quis dizer).
    @
    ### Sonia, não são as “minhas expectativas”, eu sou um nada…###
    (Essas palavras não combinam com você!)
    ### não é comigo que você tem que se preocupar…###
    (Eu não me preocupo, por que haveria de?)
    ### e nem é a mim que você tem que provar alguma coisa – é a você mesma ###
    (Não tenho que provar nada pra você e nem pra ninguém – não sou eu a causa da pesquisa – não estou num tribunal! Ou estou?)
    @
    ### Ser exigente numa pesquisa é ser exigente com você mesma, é não insultar a sua inteligência, é procurar a verdade, a fim de colher os melhores frutos possíveis ###
    (Essa exigência é sua, porque é o seu interesse prioritário na vida – pesquisar. Jesus ao calar-se diante da pergunta de Pilatos, deu a entender que cada um tem a sua Verdade, de acordo com o seu interesse e o seu entendimento. De nada adiantaria ele responder qual era a Verdade Dele, pois, nem Pilatos e nem ninguém iria entender, como não entendemos até os dias de hoje. Você, com seu afinco e paciência, tem colhido os seus frutos, com certeza, doces e compatíveis com os seus esforços na semeadura). Neste particular, tenho um grande respeito por você e pelo seu trabalho!!! Com toda a sinceridade!!!
    @
    ### De novo: você não tem que estar “à minha altura”, você tem que estar à SUA altura e, principalmente, à altura da busca da verdade. E, sim, compreendo suas dificuldades… Não desanime. Se é que posso lhe dar um conselho…###
    (Eu estou à MINHA altura, naquilo que me compete. Mas, no que tange à competência ALHEIA , não.
    Do mesmo modo que, possívelmente, você não esteja à altura de minhas competências (principalmente, de mãe) que, inclusive, ignora. Quanto à questão da Verdade, já me expliquei no tópico de cima. Quanto ao seu conselho, não vou desanimar. Vou desistir! Já afirmei em outra ocasião que não sou talhada para esse tipo de trabalho. Cada qual veio a esse mundo com tendências e aptidões diferentes. Não estou interessada em competir com você e nem com ninguém).
    @
    ### Essa sua última observação me preocupou muito, Sonia. Você tem idéia da magnitude da questão envolvida? Julgar uma instituição duplamente milenar, que foi em grande parte responsável, para o bem ou para o mal, pela própria construção de nossa civilização ocidental? E você considera…informações (como você mesma diz) “googladas”, cuja procedência…… com sua pesquisa ###
    (Claro que eu tenho a idéia da MAGNITUDE da questão envolvida. Porque entendo que NENHUMA INSTITUIÇÃO RELIGIOSA deveria apropriar-se do direito de construir (ou destruir) qualquer civilização. A função da Religião é encarregar-se da construção MORAL DOS CIDADÃOS. A Construção Social da Civilização Ocidental DEVERIA E DEVE restringir-se aos seus respectivos governos, de acordo com as leis vigentes em cada um, pois, são eles os legítimos encarregados deste trabalho. Quanto às informações “ Googladas”, tentei de uma forma bem-humorada, informá-lo de que não estive a pesquisar livros em bibliotecas, como você faz (e muito bem, porque é sua “praia” – se me permite, mais uma vez, o bom-humor) mas, as “googladas” não são tão inconseqüentes, quanto você está afirmando, sem ter ao menos, lido. O seu sangue ferveu nas veias e você veio me atacando, sem comprovar nada. Quando você abrir o link que eu passei, vai verificar a bibliografia, pois, eu tive esse cuidado. Portanto, não fui inconseqüente, como você está afirmando).
    @
    ### Não recue diante da tecnologia… Ela está a nosso favo r###
    (Essa, meu querido, é a SUA VERDADE. Nem sempre ela está a nosso favor. Doenças novas estão surgindo, devido à tecnologia. Existem grupos terapêuticos se formando – não devido às drogas ou ao álcool – e sim, a uma nova droga, um novo vício – o computador! O problema está ficando sério! Você poderia pesquisar… veja que não usei o imperativo)
    @
    ### Quanto veneno, Sonia, quanto veneno, e baseado em quê?###
    (Concordo com você! Era muito veneno mesmo… que os Bórgia (um deles, o Papa Alexandre VI – 1492-1503) utilizavam em seus banquetes de confraternização para a construção do Mundo Ocidental. Isto é Histórico, está nos livros. Não é “Googlada” e nem é a minha opinião, porque eu não fui testemunha do fato)
    @
    ### Eu tenho interesse em conhecer seus argumentos e suas fontes, do modo mais detalhado possível ###
    (Essa sua frase é que me fez sentir pressionada a executar um trabalho, ao qual não estou acostumada e para o qual não me sinto competente. Já disse que gosto de escrever um pouco; li alguns livros durante minha vida, sobre assuntos diversos, e já os doei todos para a biblioteca do bairro, mas NUNCA tive o hábito, que vejo em outras pessoas, de rabiscar livro, assinalar frases. Tem até caneta pra isso, o marca-texto. Por isso, o pouco que aprendi, guardo na memória. Quando estou num assunto do qual tenho lembranças, elas saltam como pipocas de meu baú de memórias. Isso não é suficiente para corresponder ao que senti que você estava esperando de mim. Pelo menos, é o que se percebe na sua frase. Então, o que fiz foi me desculpar, ao citar minhas fontes, de forma bem-humorada, só isso. Mesmo assim, procurei não ser inconseqüente, como você terá ocasião de confirmar ).
    @
    ### Permita-me discordar de TUDO o que você falou no parágrafo anterior. A busca da verdade não é jamais, perda de tempo, muito menos, “perda de vida”, se se trata duma “rebotalha humana, etc.”, isso tem, sim, que ser desnudado, e desnudado em detalhes, e proclamado aos quatro ventos###
    (Embora tenham sido “Googladas”, procurei por muitas fontes, que confirmam a dificuldade de COMPROVAÇÃO,
    através de documentos, das manipulações para evitar-se que certos fatos, venham à público)
    (Abro outro parêntese para assunto paralelo, se me permite: a política brasileira está plena de casos NÃO CONFIRMADOS de corrupção ativa, POR FALTA DE PROVAS DOCUMENTAIS. Há um político no Estado de São Paulo, que o mundo inteiro sabe de suas trapaças, de dinheiro ilícito, etc., mas nenhum juiz ou promotor conseguiu provar nada contra ele.
    Se me permite, a pergunta:
    Criminoso documenta as provas de seus crimes? )
    @
    ### Sinceramente, você gostaria que eu classificasse Kardec, Xavier, a FEB e os líderes espíritas kardecistas em geral, de “rebotalha humana vestida hipocritamente…###
    (Mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa… reconheço, humildemente, que fui grosseira e estúpida, expressei-me como uma verdadeira bronca, totalmente destituída de educação e de esmero; e me retrato. É o maldito Escorpião, que me acompanha desde o nascimento, como um estigma, a queimar-me o peito e a incendiar-me os pensamentos, sempre que me vejo às voltas com assuntos que envolvam injustiça, crueldade, hipocrisia, etc. E acabo por me expressar de forma, igualmente, injusta e deselegante. Perdoe-me, e se possível, releve a minha falta de trato/tato. Quanto a classificar Kardec e Chico Xavier (e eu complemento, o Espiritismo), eu realmente ficaria bastante indignada, porque não há indícios, nem documentados e nem “genéricos” (não me ocorreu palavra melhor), de que mereçam esses meus(que vergonha!) termos tão pesados. Entretanto, temos notícias de alguns CANALHAS, que enxameiam o meio espírita e que eu, ao contrário dos meus pares, penso que deveriam ser apontados e desmascarados, para que a hipocrisia não estabeleça um padrão de normalidade, desfigurando completamente os fundamentos dignos do Espiritismo, assim como, aconteceu com o Cristianismo. Tem muita gente que não vale nada, se escondendo atrás de espíritos de escól e, às vezes, da Skoll). Tá vendo, José Carlos, às vezes, não resisto a um trocadilho, a uma brincadeirinha, prá quebrar o amargor do assunto…
    @
    ### Por último, Sonia, muito cuidado:……….você CATEGORICAMENTE condena a Igreja Católica…………..
    Você constrói um gigante………. Isso é muito, muito perigoso ###
    (José Carlos, é impressão minha, ou você está me ameaçando? Você não acha que a sua raiva está me dando uma importância que eu não tenho? Eu não afirmei nada, eu apenas transcrevi o que li, o que está na História, que você preza tanto. Eu não consegui influenciar nem aos meus filhos, a respeito das minhas crenças!
    Quanto mais influenciar alguém aqui neste blog ou fora dele. O meu objetivo único ERA (nem quero mais!), conhecer os argumentos dos CÉTICOS e trocar idéias a respeito. Claro que gostei dos argumentos do Carlos Magno, do William e de qualquer um que defenda o Chico Xavier, constantemente martelado neste blog. Você, apesar de ser o pesquisador que dá alimento a essas marteladas, me parecia super equilibrado, consciencioso, inteligente, elegante. No meio em que vivo, uma pessoa com essas qualidades é uma RARIDADE. Reconheço que extrapolei, passei dos limites, da falta de educação. Mas, ameaçar-me, é, no mínimo, estranho!!! Você se expressa como se tivesse condições de me atingir, não virtualmente, mas REALMENTE. O que significa isso? Um esclarecimento seria de bom tom).
    @
    ### Para você se indignar de forma justa, tem que conhecer. E para conhecer…………Sem isso, a indignação ou é hipocrisia ou é tolice ###
    (Na minha opinião, os hipócritas e os tolos nunca se indignam. Os primeiros não têm dignidade para indignar-se e os segundos não têm o devido raciocínio).
    @
    ### Vamos por partes, Sonia. ……………………Seus argumentos me parecem uma tentativa de desviar o assunto………………Mas a sacrossanta doutrina espírita “tem o direito de se estabelecer”, mesmo que tenha que……………Puxa, isso sim que é uma fé raciocinada###
    (José Carlos, “vamos e venhamos”, como diz o caipira. Em ambos os lados, eu e você raciocinamos sobre alguns pontos. E a respeito de outros, ou seja, quando entra em foco os nossos “pontos nevrálgicos”, quem pensa por nós são as nossas vísceras. E fervilhamos de raiva, quando nos opomos. Ou nos alegramos, quando combinamos. Essa dualidade faz parte dos seres humanos normais. Quanto à Doutrina Espírita, sugiro a você, uma pesquisa sobre a História do Espiritismo).
    @
    ### De novo, veneno… dois pesos e duas medidas…exagero…falta de efetivo conhecimento histórico…###
    (O meu texto dizia: ”Na minha (pesquisa), encontrei tudo que não devia ter encontrado: crimes, traições,……… Nascer mulher naqueles tempos, era um verdadeiro martírio. Sorte daquelas……..e já nasciam mortas”.
    José Carlos, na nossa vizinhança havia um moço que dizia não acreditar na existência dos Campos de Concentração dos nazistas. Ele afirmava que era tudo exagero, e que os judeus é que inventaram o Holocausto. E o pior, não é só ele que diz isso, não. Tem grupos que acreditam que foi tudo exagero e que as montanhas de corpos que foram encontrados, à espera de cremação, é simples “efeito de filmagem”. E que os milhões de judeus barbamente assassinados na Segunda Guerra Mundia, pelos nazistas, é pura ficção! É extremamente preocupante você chamar de “exagero” os fatos citados, não por mim, mas pela História, pois, demonstra indiferença quanto às crueldades cometidas contra as mulheres, principalmente, e contra crianças e homens também, a pretexto de defender a Instituição)
    @
    ###Muito cuidado com o que você diz, Sonia. Eu seria o último a negar (ou a tentar esconder) uma série de fatos que ocorreram no passado. Quando se é responsável por construir toda uma civilização, quando se tem que assumir (mesmo contra a vontade) a direção de uma sociedade, nem sempre a coisas ocorrem da melhor forma possível. Muitos equívocos são desculpáveis…###
    (Novamente você me ameaça, esquecendo-se de que eu não afirmo nada, só transcrevo. Eu não inventei a História. Você se posicionou como se fosse o fundador da Igreja Católica, desde sempre. E não entendi porque a Igreja Católica foi obrigada a assumir a sociedade, mesmo sem querer. Essa explicação que eu gostaia de ter, porque não encontrei em parte alguma.)
    @
    ### Gente ruim e nojenta sempre existiu…………………..têm que ser comparadas ao “outro lado”, àquilo que foi construído. E muito, muitíssimo foi construído – justamente o que você ignora, cegada por seus preconceitos###
    (Antes de mais nada, não tenho pré-conceitos, tenho conceitos. As coisas “boas”, ninguém ignora, nem eu. Mesmo “cegada por preconceitos”, segundo sua opinião. As igrejas riquíssimas, semelham-se a palácios, destacando-se as pinturas, as esculturas, verdadeiras obras de arte; preservam um enorme patrimônio artístico e cultural, ao mesmo tempo em que oferecem um serviço religioso a seus fiéis, da melhor qualidade . O próprio Vaticano, por si só, pela peculiaridade de sua existência, é um “legado à Humanidade”. As escolas e as universidades, abertas ao público em geral, possibilitam aos milhões de católicos, o acesso gratuito a um ensino de qualidade. Os hospitais, as maternidades, os sanatórios, os asilos, os orfanatos e os abrigos, pertencentes à Igreja Católica, em todo o mundo, destacam-se pela assistência constante e gratuita, aos necessitados e aflitos, de acordo com os ensinamentos de Jesus, fonte viva e inspiradora de todos os empreendimentos da Instituição. Diante desta realidade, temos que nos curvar).
    @
    ### ela construiu a nossa civilização ocidental, uma civilização vencedora, em muitos sentidos. Não é preciso sequer ser católico para admitir isso. São fatos.###
    (Quanto a esses tópicos, já dei minha opinião lá em cima. Não vou me repetir).
    @
    ### Ah, e outra coisa, nem você e nem ninguém, tem condições de “julgar” minha alma: isso só Deus fará.###
    (José Carlos, você leva o que eu escrevo, muito a sério. O ASSUNTO do qual estamos tratando, é muito pesado; o assunto não é você. E nem eu. Somos pessoas civilizadas, “conversando” através do blog. É claro que não estou aqui julgando você. Nem você e nem ninguém. Não estamos num tribunal. Ou estamos, sem que eu saiba disso? Você parece estar com muita raiva de MIM. Como você pode ter raiva de alguém que nem conhece? Eu posso entender que fique com raiva das minhas opiniões… mas, de MIM? Eu não sou as minhas opiniões. Você também não é as suas. Nós somos muito mais que simples comentários. Cada um de nós carrega uma bagagem enorme de experiências diferentes, de conhecimentos, de lembranças diversas, boas e más, alegres ou tristes. E temos um maleiro enorme, ainda vazio, a ser preenchido pelo que ainda virá, influenciando e sendo influenciados por pessoas extraordinárias ou medíocres, por fatos importantes ou tolos, por dores lancinantes ou alegrias esporádicas e fugidias. Eu não consigo nem me imaginar com raiva de você. Isso é absurdo! Você não é o assunto).
    @
    ###Creio que você foi, no mínimo, extremamente infeliz e mal-educada ao afirmar que minha alma e meu coração já morreram há muito tempo###
    (José Carlos, a sua RAIVA está deixando você cego! Como é que eu (ou quem quer que seja) posso AFIRMAR que a sua alma e o seu coração já morreram há muito tempo? Minha nossa! Você perdeu a capacidade de discernir. É uma forma de expressão! Não notou a brincadeira implícita? Nós dois já NOS escrevemos tanto, em tão pouco tempo e, mesmo assim, você não notou, que volta e meia, eu incluo uma brincadeira, uma ironia, um deboche, prá quebrar um pouco o ascetismo do ceticismo? Já me desculpei por ter sido mal-educada e grosseira, em outros tópicos. Mas, neste caso, não tive qualquer intenção de ofendê-lo!!! Só quis “mexer” com você…cutucar um pouco, prá ver no que ia dar. E veja só o que eu arranjei prá mim – um ódio virtual! É nisso que dá viver enterrado (desculpe, encerrado, rss) nos livros) Tá vendo, eu não resisto a uma brincadeirinha, vez em quando…
    @
    ### E o que você quer efetivamente dizer, quando diz que apresento uma “emoção dissimulada”, um “vago tremor/temor por ser descoberto”? Seja clara. Quais são as suas evidências para isso? As mesmas que você coletou no “Google” para reafirmar os seus preconceitos?###
    (Eu fui clara! Eu sou mulher e já afirmei que prefiro pessoas, a máquinas. Esse é o meu elemento. Portanto, sinto nas entrelinhas informativas dos seus escritos, um outro tipo de vibração, que você tenta esconder, mas transparece, pelo menos para mim. Quais as evidências? Bem, além do meu sexto sentido, para provar, teria que rever todos os comentários que você já postou e, isto seria extremamente exaustivo. Mas, o que fica evidente para mim é a doçura velada de certas expressões utilizadas por você, enxertadas, timidamente, em meio às informações. É evidente para mim, que algumas vezes, você se emociona ao postar, sentindo uma certa ansiedade na continuidade das postagens. E esse vago tremor (ou temor) de ser descoberto, é tão claro. Mais claro é impossível. Eu noto a sua preocupação em esconder que é uma pessoa bastante emocional. A solidão do trabalho de pesquisa (é pura especulação, porque nada sei sobre você) talvez efetuado há muitos anos, possivelmente, ajudou a mascarar as suas emoções. Que vieram à tona, agora, ao sentir-se ameaçado, ofendido. E as emoções estão aí, gritando pela tela do computador: “Sonia, eu odeio você! Como você se atreve a invadir meu claustro emocional? Você me paga!!!” – Confesso que não esperava essa reação rancorosa, apesar de reconhecer (mais uma vez) que me expressei tal qual um elefante em uma loja de cristais. Repito, perdoe-me! Não foi minha intenção ofendê-lo. Mesmo porque, tenho gostado muito dessas trocas de comentários e não tinha intenção alguma de interrompê-las. E você, possivelmente, não vai querer continuar estas trocas de comentários comigo. Portanto, se eu soubesse que desencadearia este tipo de reação, teria esmagado aos pés aquele maldito Escorpião. E, principalmente, porque o sem-vergonha, apesar de venenoso, é vagabundo, passando meses sem dar por si. E justamente agora, resolve acordar e pregar-me uma peça, envenenando você contra mim).
    @
    ### E, para você tudo de bom também. Mas cuidado com uma paixão excessiva… Isso não é saudável…###
    (Novamente, você me ameaça, veladamente, dando fechamento à postagem. O que prá mim não é saudável, é essa sua colocação, enfatizada diversas vezes).
    @
    José Carlos, quando ao final de minhas mensagens, escrevo “abraços afetuosos”, sou sincera, apesar de não conhecer quem está do “outro lado”. Prá mim, é o mesmo que desejar coisas muito boas para a pessoa. É como dizer “Vai com Deus”, ou “Deus te abençoe”, com outras palavras. Portanto, não mereço sua ironia, me desejando “tudo de bom também” e, ao mesmo tempo, alertando-me quanto a alguma coisa ruim que possa me acontecer.
    @
    Para encerrar, tenho outras matérias complementares já no 4shared, que tencionava linkar prá você, aos poucos, mas em vista desses aborrecimentos, paro por aqui.
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    Abraços afetuosos e, procure acalmar as emoções negativas, para que as positivas possam trazer de volta, o bom-humor e a alegria.
    Sonia N.

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  151. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Cara Sônia,

    Vamos tentar esclarecer alguns mal-entendidos. Não comentarei todos os pontos de sua mensagem, nem a reproduzirei, porque isso geraria um texto enorme; contentar-me-ei com os principais. Se você sentir que alguma coisa ficou pendente, me comunique.

    1. Que me lembre, nunca tencionei ser irônico com você. Se alguma vez passei essa impressão, peço-lhe desculpas.

    2. O tempo verbal do Imperativo é (ou deveria ser) utilizado tanto para comandos ou ordens quanto para solicitações. A expressão “faz favor”, p.ex., está no imperativo. Ao contrário do que você insinua, eu não estou acostumado a dar ordens (quem é que está sendo irônica agora?…); como você, eu apenas peço. Não posso (e, francamente, não quero) fazer mais que isso.

    3. Não sou “pesquisador” de profissão – muito menos em tempo integral. Também tenho outras atividades e obrigações. Também tenho família.

    4. A exigência e o rigor numa pesquisa é o mínimo que se pode desejar. O grau de exigência é proporcional à importância do tema e à ênfase das declarações. Grandes afirmações exigem grandes comprovações. É assim que funciona, se se quiser manter um nível relativamente alto nos debates – se não, descamba-se para insultos e acusações gratuitas.

    5. Discordo de sua interpretação do silêncio de Jesus diante de Pilatos. Isso geraria um debate teológico-exegético longo, que não é, em absoluto, o tema nem deste “blog”, nem do assunto especificamente, mas permita-me dizer que Jesus, a meu ver, não falava de “muitas verdades” – “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai a não ser por Mim…”, etc.

    6. Sinto pela sua desistência. É óbvio que não conseguimos saber tudo, pesquisar tudo, abarcar o mundo todo com as mãos. Por isso nossa ênfase (e nossas intervenções) devem ser graduadas. Por exemplo, há muitos outros debates (alguns bem acalorados, e conduzidos de forma miseravelmente deprimente) neste “blog”, que são de meu interesse, mas eu não me manifesto, porque não tenho suficiente conhecimento do assunto, ou, por outra, um conhecimento que me deixe razoavelmente confortável para me manifestar, de modo a poder (talvez…) acrescentar algo às discussões.

    7. Claro, mesmo quando não se domina plenamente um assunto, temos o direito de ter opiniões, e até de as manifestar. Mas, no caso, serão sempre calcadas no “conhecimento médio publicamente disponível”, por assim dizer, que pode estar distante (bem distante…) da verdade. Portanto, é de bom tom utilizarmos expressões como “tanto quanto é de meu conhecimento”, “pelo que pude notar”, “ao que me parece”, “de acordo com o que tenho sempre escutado/lido/presenciado”, etc. Mas você (no caso específico) não utilizou nenhuma dessas expressões – você enunciou “imperativamente” uma tese, a de que a Igreja Católica não presta, etc. Como eu também enunciei (talvez nem tão imperativamente assim, mas, de qualquer modo, de forma bem firme e enfática) uma outra, a de que Públio Lêntulo não existiu, etc. São coisas sérias e enunciadas com um grau bem forte de autoridade, cada uma a seu modo. Portanto, têm que ser (ambas) muito bem justificadas. Eu, de minha parte (como você, ou qualquer um, pode notar, ao ler o trabalho), procurei ser o mais cuidadoso e detalhado possível, e isso me tomou anos de pesquisa – em respeito, inclusive, às pessoas cujas crenças seriam afetadas pelos resultados de meu trabalho. Você, por outro lado, disse que se baseou exclusivamente em informações da Internet, várias inclusive de origem indeterminada. O que é que você esperaria que eu sentisse?

    8. Você diz: “a função da religião é encarregar-se da construção moral dos cidadãos; a construção social da civilização ocidental deveria e deve restringir-se aos seus respectivos governos…”. Tudo bem, mas, e quando não há governo? Quando os bárbaros aparecem às portas da cidade, prontos a destruir, matar, queimar, pilhar e estuprar (e essas ameaças não eram, e nem deviam ser, postas em dúvida…), e o governo (e suas “leis” e “soldados” e “funcionários” e “magistrados”) simplesmente entra em colapso, ou foge (e só aparece, quando aparece, depois, quando os bárbaros vão embora, para cobrar impostos escorchantes a uma população já machucada)? Como é que as coisas ficam? Quem fala pela sociedade? Quem organiza a bagunça? Quem vai tratar com os chefes dos bandos de saqueadores? Quem zela pela continuidade, no mínimo que seja, da administração e da justiça? Note bem, não num caso ou noutro, ou apenas por curtos períodos de tempo – mas sim diante dum quadro de completo e permanente colapso do “governo”, da “sociedade civil” e de seus “representantes”, por anos ou gerações a fio?

    9. Que eu saiba, Sônia, nunca a ataquei, muito menos a ameacei. Se alguém “atacou”, creio que não fui eu. As afirmações categóricas que fiz, eu as justifiquei detalhadamente – era o meu dever.

    10. Quanto ao seu material, até ontem vi no “4shared” quatro arquivos, que considerei, numa primeira “vista d’olhos”, extraordinariamente incapazes de justificar suas afirmativas contra a Igreja Católica. Vou esperar os restantes, e comentar aos poucos. Talvez demore um pouco. Talvez eu também abra um espaço no “4shared” para abrigar os comentários. Mas isso são detalhes. Mande seu material – mais uma vez, sem pressa.

    11. Sônia, eu não a estou pressionando – mas você foi tão enfática, e exibiu tanta certeza nas suas acusações, que se fica, logicamente, curioso para se verificar em quê se baseia tudo isso. Como já disse – leve o tempo que quiser. Eu não tenho pressa. Estou pesquisando sobre Públio Lêntulo desde os inícios de 2002. Procurei, por todos os modos possíveis e imagináveis, descobrir se podia haver mesmo um “Públio Lêntulo” senador romano, contemporâneo de Cristo, descendente de Lêntulo Sura, etc., etc., etc. Não saí por aí “acusando Emanuel”; dei a ele todas as chances, todo o benefício da dúvida. Li e reli as obras psicografadas referentes ao assunto, o “Há Dois Mil Anos” principalmente, mas também outras, como “Cinqüenta Anos Depois” e “Paulo e Estevão”. Pesquisei o que os próprios espíritas diziam a respeito dessa personagem (desculpe-me, Sônia, mas praticamente só encontrei baboseiras). Reli meus livros de História Romana, comprei mais livros, livros especializados, de pessoas que entendiam do assunto, e que sabiam do que falavam; pesquisei exaustivamente nas fontes, cheguei quase a especializar-me em epigrafia romana e na onomástica e prosopografia do período tardo republicano e dos Júlio-Cláudios. Ninguém me pagou por isso, e não estou “a serviço” de ninguém, como já se insinuou neste “blog”. Tudo isso justamente para não ser injusto, ou leviano. Para não falar abobrinhas, para não insultar as pessoas, para não enganá-las. Não é mérito – é obrigação. Portanto, tenho todo o direito de exigir isso dos outros. Não peço aos outros o que eu mesmo não fiz.

    12. Sem dúvida, “um criminoso não documenta as provas de seus crimes”. Mas deixa vestígios. Que, mesmo não podendo levá-lo eventualmente a uma condenação judicial, podem ser utilizados pelo historiador e pelo pesquisador. Judicialmente há, muitas vezes, como se safar (alegando-se, p.ex., ilegalidade da coleta de provas). Historicamente, a coisa é diferente. Não se deve confundir provas juridicamente válidas com evidência documental.

    13. Não sei de onde você tirou a idéia de que eu a ameaço, ou de que pretendo, de algum modo, atingi-la. Não fui eu que verti aqui uma série de acusações, em linguagem bem forte… Sinceramente, se alguém nessa história toda, aqui neste “blog”, pode ter motivos de se sentir insultado, e até certo ponto ameaçado (além do Vítor, claro…), sou eu – é só você reler todas as mensagens, neste tópico e em outros. Apenas acho (acho!…) que você tem que ir com mais prudência, mesmo porque (como você mesma disse), suas pesquisas não foram suficientemente profundas. O ódio profundo que você expressa me preocupa, e me entristece, simplesmente porque (além de ser um “ódio”, e, portanto, irracional por si só), tem pouca base, e conclusões tão enfáticas tiradas a partir de bases não tão sólidas podem lhe ser prejudiciais – porque podem lhe dar uma visão falsa, ou no mínimo incompleta, da questão, e levá-la a posicionamentos incorretos ou injustos, mesmo com toda a sua boa-vontade e boas intenções. Só isso.

    14. Você diz que sou “o pesquisador que dá alimento” às “marteladas” contra Xavier. O que você quer, efetivamente, dizer com isso? Onde é que eu insultei Xavier? Tudo o que afirmei, afirmei embasadamente, disponibilizei o trabalho e suas fontes para escrutínio geral – e o que veio, e você pode verificar isso por si mesma, foi, quase sempre, uma torrente de insultos, muitos inclusive pessoais. Naquilo que não tinha pesquisado com cuidado, e onde não me sentia inteiramente confortável, não me imiscuí. Isso inclui também toda a problemática da fenomenologia espírita (comunicação com mortos, materializações, o problema da identificação e do consenso acerca do conteúdo dogmático das mensagens, etc.). Minhas pesquisas nessa área ainda estão engatinhando, mesmo porque os argumentos aqui não são apenas históricos, e toda uma base conceitual filosófica tem que ser, inicialmente, confeccionada, e confeccionada com os necessários cuidado e amplitude. Na parte propriamente histórica já avancei bastante (definição precisa de conceitos, estudos etimológicos do uso de determinadas palavras ou expressões, levantamento histórico das posições de diversas correntes, com os respectivos avanços e aporias, etc.), mas a parte filosófica ainda tem muito a ser feito. Portanto, não me manifesto acerca disso tudo, ao menos por enquanto, e talvez por mais alguns bons anos.

    15. Tenho um vastíssimo material sobre a História do Espiritismo, recolhido desde cerca de 2000. Mas não está organizado, e uma quantidade razoável ainda tem que ser verificada e re-verificada (inclusive com a aquisição e anexação de cópias dos textos originais). Alguns núcleos já estão suficientemente consolidados. Um resumo de parte disso eu inclusive postei aqui neste “blog”, no tópico referente a “Luís Antônio Gasparetto e suas pinturas” (mensagens minhas de 6 e de 7 de abril de 2008, no referido tópico).

    16. Não me considero “indiferente quanto às crueldades cometidas”, muito pelo contrário. Creio que deixei minha posição bem clara quanto a isso.

    17. Sobre o fato de a Igreja Católica ter assumido (muitas vezes contra a vontade, ao menos no início…) a construção e a organização da sociedade, o assunto é vasto, mas uma primeira “pista” eu já coloquei no item “8”. Se for realmente de seu interesse, DEPOIS, podemos voltar a tocar no assunto.

    18. No fim de sua mensagem (enfim!…) você reconhece uma série de “bens” gerados pela Igreja Católica. Isso é muito reconfortante. Você não tinha mencionado nada a esse respeito antes, e tinha deixado a nítida impressão (como mencionei) que a Igreja Católica era apenas um “circo de horrores”. Note que esses bens (que você, enfim, reconhece), necessariamente, atenuam, de certa forma, a sua acusação inicial.

    19. As pessoas são responsáveis pelo que falam/escrevem. Eu sou responsável pelo que coloquei neste “blog” sobre “Emanuel”. Qualquer um tem o direito de me questionar a respeito (embora, no geral, tenham apenas me insultado, e ao trabalho…). E eu tenho o dever de esclarecer o que porventura não tenha sido esclarecido. Eu levo, sim, as palavras a sério. Bem a sério. Algumas das maiores desgraças da Humanidade surgiram porque não se deram às palavras o devido peso, ou então porque pessoas lançaram palavras insensatas ao vento – palavras que depois alimentaram ações. Se as pessoas tivessem levado a sério as palavras de Hitler, talvez muitos horrores tivessem sido evitados – todo o programa do sujeito estava lá, no “Minha Luta”, clara e escancaradamente, era só ler. Palavras para mim importam, e muito.

    20. Não estou com raiva de você. Não tenho motivos para isso. Por algumas outras pessoas que postam neste “blog” tenho, não raiva, mas um profundo desprezo. Nada disso por você – até agora, você não me deu motivo algum para tal. No máximo, estou preocupado com o modo pelo qual você chega a algumas conclusões. Só isso.

    21. Achei muito interessante seu estudo “psicológico” sobre mim (de verdade), mas creio que devo alertá-la para o fato de que é muito difícil, e arriscado, tentar desvendar a personalidade de alguém apenas a partir de postagens num “blog”. Eu não me senti ameaçado por você; nalguns momentos, sim, me senti ofendido, mas isso foi conseqüência direta da linguagem que você empregou. Se não era essa a sua intenção, ótimo. Não considero que eu tenha sido rancoroso com você – apenas reagi a certas insinuações que, sim, foram, ao menos aparentemente, ofensivas.

    22. Espero que você coloque seus outros materiais no “4shared”.

    23. E tudo de bom para você, Sônia. Sinceramente.

  152. Sonia N. Diz:

    José Carlos:
    #
    Primero, gostaria de pedir desculpas aos católicos que postam neste blog e a qualquer pessoa, religiosa ou não, pela maneira grosseira de expressar algumas opiniões, a respeito da Igreja Católica e a respeito de outros assuntos, em postagens nesta e em outras matéria deste blog.
    #
    Em segundo lugar, peço ao Vitor, que me perdoe também, as indelicadezas cometidas, malbaratando as oportunidades que ele nos concede de, livremente, debatermos os assuntos pertinentes ao seu blog.
    ##
    José Carlos, quanto à sua última postagem, serei breve, indicando alguns poucos tópicos, que considero de relevância:
    #
    7 – Agradeço a aula e, como sempre, a sua elegância, nas pontuações. Reflito, olhando vez ou outra, para o Escorpião, que pus de castigo, por tempo indeterminado…
    8 – Quando você puder, gostaria de explicações mais detalhadas, a respeito dessa obrigatoriedade.
    10 – Agora é que me dei conta que você comentou em uma postagem anterior, que já foi da Igreja Católica. Só não explicou em que condição. Deve saber tudo sobre ela. Portanto, prá que perder meu tempo?
    11 – O que você pretende com essa insistência, relacionada à Igreja Católica? O que eu li, prá mim é suficiente para continuar espírita. Quanto mais eu ler, mais motivos terei para agradecer a Deus, ter nascido livre, livre do estigma do batismo católico. Não sou convertida ao Espiritismo; nunca fui católica, como a maioria dos “espíritas”. Não sou dissociada, não sou dividida, como os “convertidos”, que vão três vezes por semana ao centro espírita e à missa no domingo. E quando se pergunta a eles qual a sua religião, dizem: “católica”. Jesus disse que “Todo reino dividido perde a força”. Eu não divido e nem dividirei o meu.
    Quanto ao Públio Lêntulus, que você não encontrou na História, tão bem pesquisada por você, transformando Emmanuel numa ficção, gostaria de retornar a esse assunto, pois, é ele a pauta deste blog.
    Você acusa Chico Xavier/Emmanuel pela proliferação de romances que, resumidamente (prá não repetirmos sempre as mesmas coisas), assolaram o país e propiciaram o “stabilishment” da Doutrina Espírita (como se isso fosse um crime!). Então eu gostaria de fazer o seguinte esclarecimento: dos 451 livros psicografados por Chico Xavier, 121 são de autoria de Emmanuel, mas apenas 5 são romances, ou seja, “Há dois mil anos”, “Cinqüenta anos depois”, “Paulo e Estevão”, “Renúncia” e “Ave Cristo”. E são os únicos romances psicografados por Chico Xavier, dos 451. Portanto, responsabilizar cinco romances, pela proliferação de centenas (talvez milhares) de outros, de “médiuns” diferentes, é querer provar o improvável. E, principalmente, porque os ditos romances psicografados não iniciaram por Chico Xavier. A médium Vera Kryzhanovskaia, nascida em Varsóvia, em 14/07/1861, aos 18 anos começou a psicografar obras assinadas pelo espírito Conde J.W. Rochester. Vera, após uma vida muito atribulada, faleceu na miséria, em 29/12/1924, deixando um acervo de mais de 80 romances psicografados. Seus livros, traduzidos para vários idiomas, inclusive, o português, continuam fazendo um sucesso tremendo, inclusive, no Brasil. Li alguns, nos meus verdes anos de juventude e são realmente de prender a atenção. Recomendo (se é que você ainda não leu), “A abadia dos Beneditinos” . E quanto ao Emmanuel, eu gostaria de reafirmar o que já declarei, apesar do resultado de suas pesquisas (que eu respeito e muito!). Já dei também minha opinião sobre o encontro de Públio Lentulus com Jesus no “Há dois mil anos”. Entretanto, a narração de Emmanuel no livro “A caminho da luz”, nos põe diante de um Jesus que ninguém conhecia até então. E é esse Jesus que me emociona, que me traz certezas, mais do que esperanças, que vale a pena ser bom, digno, honesto, solidário, generoso, compassivo, alegre, pensativo. Não é o Jesus diariamente crucificado pela nossa ignorância e coroado com os nossos espinhos. Também não é o Jesus entronizado, coberto de ouro e pedrarias. Nem aquele Jesus com cara de “santinho do pau-oco”, como dizem os caipiras, com o coração prá fora do peito (que mal gosto, credo!). É o Jesus do “A caminho da luz”, de Emmanuel, aquele que nunca existiu, que foi inventado. Da mesma forma que Jesus, que também não é encontrado na História. E que pode muito bem ter sido inventando pelos romanos, para acalmar as massas revoltosas ao tempo de Constantino. Em sendo assim, todo o Império Católico foi construído a partir de uma mentira. O que é que você ou a História conta sobre isso?
    13 – Eu não sinto “ódio” , nem profundo e nem raso. Eu sinto indignação por injustiças, por hipocrisias, por crueldades. Acho que foi isso que Jesusa(se é que Ele existiu mesmo!)sentiu ao entrar no Templo de Jerusalém e testemunhar todo aquele comércio. Usando o palavreado atual, o Templo parecia mais a 25 de Março do que com a Casa de Deus.
    18 – Desculpe, mas tenho que ser sincera. Fui irônica. Ou você é muito ingênuo e não percebeu. Ou usou de sagacidade, usando minhas palavras, como se eu aprovasse a Igreja Católica. Mas, numa coisa fui super sincera: o patrimônio artístico e cultural, que é fabuloso, principalmente o artístico. Mas só! Quanto ao mais, peço até desculpas, sinceramente. Mas, não posso deixar passar essa, principalmente, com alguém que vive em busca da verdade, como você. Eu não vou passar por “boazinha”, sendo hipócrita desse jeito. Desculpe-me!
    21 – Prá que você tocou no assunto?
    22 – Vamos ver…
    Abraços afetuosos prá você também

  153. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Cara Sônia,

    Sua última mensagem merece uma série de considerações que, infelizmente, não poderei fazer totalmente aqui e agora, sob pena de criar uma resposta longa demais. Vou apenas apontar alguns itens, e espero que, no que não lhe puder responder agora, você tenha paciência. Mais uma vez, vou seguir sua mensagem; meus comentários entre “###”:

    —–(*)—–

    Primeiro, gostaria de pedir desculpas aos católicos que postam neste blog e a qualquer pessoa, religiosa ou não, pela maneira grosseira de expressar algumas opiniões, a respeito da Igreja Católica e a respeito de outros assuntos, em postagens nesta e em outras matérias deste blog.

    ### Por mim, desculpas plenamente aceitas. Indignar-se é humano. A questão é saber sobre que bases nos indignamos – quais são fontes para a nossa indignação… Viremos então a página… ###

    Em segundo lugar, peço ao Vitor, que me perdoe também, as indelicadezas cometidas, malbaratando as oportunidades que ele nos concede de, livremente, debatermos os assuntos pertinentes ao seu blog.

    ### A Internet tem muitas coisas lamentáveis, mas uma das coisas boas é a existência de espaços onde pessoas bem diferentes possam mostrar suas posições de modo razoavelmente educado e civilizado, e, como muitos dos antigos filósofos, “concordar em discordar”… ###

    José Carlos, quanto à sua última postagem, serei breve, indicando alguns poucos tópicos, que considero de relevância:

    7 – Agradeço a aula e, como sempre, a sua elegância, nas pontuações. Reflito, olhando vez ou outra, para o Escorpião, que pus de castigo, por tempo indeterminado…

    ### O importante, creio, é não nos contentarmos com explicações superficiais, ou simplistas – embora isso não seja tão fácil como parece, reconheço. O problema é saber (ou determinar) o quão profundamente podemos (ou devemos) ir, já que não teremos tempo para tudo – a vida é breve. Por isso existem as necessárias convenções de incerteza: para comunicar que temos, sim, algum conhecimento do assunto, a ponto de formarmos opiniões, mas que reconhecemos que são, por assim, dizer, “opiniões provisórias”, como muita coisa aliás em nossas vidas. ###

    8 – Quando você puder, gostaria de explicações mais detalhadas, a respeito dessa obrigatoriedade.

    ### Não foi “obrigatoriedade”, Sônia, foi pura e simples necessidade. As autoridades eclesiásticas relutaram bastante em tomar a peito as responsabilidades de guiamento e liderança da sociedade como um todo; afinal, para quê fazê-lo? Era muito mais cômodo ficar como na época de Constantino e de seus sucessores (e, no Oriente, até bem depois), com o Estado tomando conta de tudo e a Igreja apenas recebendo as doações (oficiais ou não…), quase sem responsabilidades. Você quer coisa melhor? Nunca se construíram tantas igrejas em tão pouco tempo como na época do “Império Romano Cristão” de Constantino e de seus sucessores, todas com dotação de verbas e de terras para o sustento de seu corpo de funcionários – padres, diáconos, porteiros, serventes, cantores, exorcistas; fora os serviços “terceirizados” para pedreiros, carpinteiros ou marceneiros, mestres-de-obras, operários de construção, marmoristas, pintores ou mosaicistas; e os fornecedores (artesãos especializados e/ou comerciantes) de incenso, de azeite para as lâmpadas (depois, de cera para as velas), de paramentos, de material litúrgico ou para-litúrgico, como cortinados, almofadas, incensários, candelabros e lâmpadas, cálices, patenas, píxides, relicários, tudo em marfim, ouro ou prata, muitas vezes forrados com esmaltes, pérolas e pedras preciosas ou semi-preciosas; quem não viu aquilo, não viu nada… Verbas oficiais ou privadas, mas todas sustentadas pelo sistema jurídico da sociedade “civil”, com suas leis, defesa de contratos e de propriedade de terras, e sistemas de recolhimento de taxas. Toda uma nova superestrutura foi posta às costas da sociedade, sugando recursos; claro, houve, mesmo na época, o desenvolvimento de asilos e hospitais, mas, no geral, nada que se comparasse ao que viria depois, já na Idade Média européia – o governo civil que cuide dos pobres, é a sua obrigação; nós aqui rezamos a Deus e consolamos as pessoas; e cobramos bem por isso… A maior parte dessas belíssimas basílicas acabaram destruídas (e seus tesouros saqueados) depois, principalmente nos Bálcas (com as invasões avaras, búlgaras e eslavas) e no Oriente Médio (com as invasões persas e árabes, e a posterior islamização); a maior parte do que sobreviveu está em Roma e em Ravena, na Itália, e também em Constantinopla, e (embora a velha São Pedro tenha sido demolida para a construção da nova basílica, nos sécs. XVI e XVII), o que restou ainda é impressionante. E veja bem, não é só uma questão do Cristianismo como religião oficial, ou favorecida: mesmo antes de Constantino e seus sucessores e da “festa” do séc. IV (e, no Oriente, do séc. V e, até certo ponto, VI dC), na 2ª metade do século III dC, entre as perseguições de Valeriano e de Diocleciano (grosso modo, entre os anos 260 e 300 dC), houve toda uma geração de paz; a Igreja muito prosperou e se fortaleceu nessa época, abrigada sob a proteção dum Estado e duma sociedade civil ainda atuantes (apesar das crises militares nas fronteiras); foi também, de certo modo, uma “época de ouro”, inclusive sob o ponto de vista cultural, mesmo que o Cristianismo não fosse, nessa ocasião, a religião oficial do mundo romano. Só que, a partir do séc. V dC, o sonho acabou, o Estado simplesmente desabou, primeiro no Ocidente. E aí? Não desabou da mesma forma, ou na mesma velocidade, em todos os lugares (o Oriente lutou bravamente por séculos); e as autoridades eclesiásticas ocidentais, principalmente na Itália, sempre apoiaram as tentativas do governo (inicialmente do governo imperial ocidental, e, a partir de Justiniano, do governo oriental) no sentido duma restauração da “ordem civil” – ou seja, duma restauração do bom e velho Império Romano; esse sonho do “Império” permaneceu, até Carlos Magno pelo menos – no Oriente, permaneceu por mil anos, até ao fim, já no séc. XV… Mas, à medida que foi ficando claro no Ocidente que o “bom e velho” Império não poderia ser restaurado, e que se teria que viver, bem ou mal, com os bárbaros, e que a sociedade, como quer que se organizasse e funcionasse, só se organizaria e funcionaria se as autoridades eclesiásticas “pusessem a mão na massa”, a atitude mudou – devagar, “aos trancos e barrancos”, com inevitáveis avanços e recuos, mas mudou; tipo, “para sobrevivermos, temos que pôr ordem nessa bagunça, não adianta esperar que os ‘civis’ façam isso, não farão” – e estavam certos, não fariam… Veja, estou resumindo e simplificando bastante as coisas; esse é um assunto fascinante, porque nós, da civilização ocidental, somos o que somos por causa dessa decisão. Isso não aconteceu no Oriente, onde a estrutura do Estado centralizado sobreviveu, e onde a Igreja permaneceu sempre subordinada a esse Estado, quer em Bizâncio, quer depois na Rússia dos czares; quase como um “departamento de crenças” do Estado; ou então, como representante das minorias cristãs, no Islão – o patriarca jacobita de Antióquia, o patriarca copta de Alexandria (depois do Cairo), o patriarca nestoriano de Selêucia-Ctesifonte (depois de Bagdá) e os vários patriarcas “melquitas” respondiam perante os governantes muçulmanos, respectivamente, por seus correligionários cristãos jacobitas, cristãos coptas, cristãos nestorianos e cristãos ortodoxos calcedonianos, p.ex. Dum modo geral, não houve “conflito entre o Estado e a Igreja” no Oriente – as coisas eram bem claras, o Estado governava tudo, inclusive os assuntos eclesiásticos, impunha seus candidatos aos bispados, usava os tesouros da Igreja toda vez que precisasse, etc. Isso ocorreu quer onde não havia muita liberdade religiosa (como em Bizâncio, e depois na Rússia), quer onde havia uma certa “tolerância” religiosa (como no Islão – mesmo no Islão, os bispos precisavam do aval dos governantes muçulmanos para se instalarem em suas sés; e pagavam polpudas somas para isso); o próprio Islamismo adotou esse ponto de vista, e num modo extremo – para ele, a rigor, não há “sociedade civil” e “sociedade religiosa” separadas; tudo é uma coisa só; e nós hoje ainda estamos sofrendo por isso, porque não conseguimos compreender essa peculiaridade da organização das sociedades islâmicas. O Ocidente foi, quanto a isso, único, e (é minha opinião) foi a partir dessa unicidade que construiu uma civilização que, ao fim, revelou-se vencedora. Não se esqueça: o Oriente Médio (principalmente a Síria e o Iraque), o sul dos Bálcãs (principalmente a Grécia e a Trácia) e o norte da África (principalmente o Egito), eram as regiões mais desenvolvidas do Império Romano (ou, no caso do Iraque, do Império Persa), fora a Itália, a Sicília e o sul da França e da Espanha. O Império Romano Oriental (e depois o califado islâmico) ficou com o melhor, o mais desenvolvido; a Cristandade ocidental (com o Papa na liderança, ao menos na liderança espiritual teórica) ficou com o “osso”, as partes que já eram as menos desenvolvidas, e que, além disso, sofreram terrivelmente com as invasões e o desmantelamento da sociedade “civil” romana, primeiro com as invasões dos germanos, depois com as dos eslavos, depois enfim com as dos magiares (os atuais húngaros, finalmente “domesticados” no país que ainda hoje tem o seu nome) e dos escandinavos (os “vikings”, lembra-se? Também, ao fim, “domesticados” na Escandinávia, na Bretanha, na Inglaterra e na Sicília)… Tudo gente boa, que não matava à toa… Os governos orientais, as “sociedades civis” que controlavam a(s) sua(s) religião(ões), ficaram com o “filé mignon”; a Igreja ocidental (sem apoio de qualquer “governo civil”!) ficou a “carne de pescoço”, onde “sociedade civil” significava “anarquia”. Então a Igreja pôs mãos à obra, mas, veja bem, Sônia, nunca, nunca assumiu um “controle total”; sempre insistiu que havia dois poderes, o civil e o eclesiástico (a famosa “teoria dos dois gládios”), embora com preponderância para o eclesiástico, porque, no fundo, ela sabia que não tinha se organizado (e nem Jesus a havia organizado) para assumir um governo civil; e o que ela esperava (ao menos no início), ainda que inconscientemente, era que um “bom e velho” governo civil voltasse; e essa é a origem da nossa visão ocidental da “separação de poderes entre o Estado e as religiões”, entre o “religioso” e o “laico”, uma visão única e específica da sociedade ocidental; a origem disso, Sônia, pasme se quiser, acredite ou não, foi a recusa da Igreja, na Idade Média, a controlar tudo, e sua confissão, ainda que implícita, de que ela não havia sido constituída para cuidar dos aspectos “seculares” da sociedade. Mesmo os bispos, no Ocidente, quando governavam Estados feudais (p.ex., na Alemanha), tinham “dupla investidura”, “pelo báculo e pelo anel”, porque eram considerados depositários, numa única pessoa, de “dois poderes” distintos. Claro, as coisas depois tomaram outro rumo, que não interessa aqui explorar, mas o que interessa por ora analisar é que a “carne de pescoço”, organizada/guiada pela Igreja, que se impunha à sociedade como um todo e mesmo aos “governos” civis feudais que existiam, se constituiu numa civilização que (malgrado suas limitações), ao fim, mostrou-se vencedora. Foi a Igreja (principalmente as ordens monásticas) que preservou o que restara da cultura clássica (isso quase todos sabem); mas também foi a Igreja (mais uma vez, principalmente a partir das ordens monásticas) que disseminou a tecnologia do mundo mediterrânico pelo norte da Europa (como as rodas d’água, a alvenaria de pedra e tijolo…); foi a Igreja que apoiou (inclusive financeiramente) e desenvolveu ativamente as novas técnicas agrícolas, inventadas na Idade Média, que viabilizaram a produtividade das terras pesadas desse mesmo norte – a rotação trienal de culturas, o desenvolvimento da charrua (adequada aos solos pesados e úmidos do norte, e bem mais eficiente que o velho arado mediterrânico), etc. Foi nos mosteiros, principalmente nos cistercienses, que toda uma série de “experiências” botânicas foram efetuadas ao longo de gerações, redundando em sementes com maior produtividade e maior resistência às pragas. Foi no seio das ordens monásticas, e com o seu apoio, que se espalharam novas tecnologias, quer especificamente européias, quer tomadas dos povos das estepes euro-asiáticas: técnicas metalúrgicas mais apuradas, de origem germânica mas desenvolvidas no seio da Europa, inicialmente utilizadas pelos guerreiros para as suas espadas e armaduras, mas, no meio monástico, adaptadas para a confecção de implementos agrícolas; os moinhos de vento com eixos móveis (os do Oriente tinham eixos fixos), que podiam aproveitar ventos que sopravam de várias direções; os estribos e as ferraduras para os cavalos, e o novo modo de os arrear, que permitiu seu uso para puxar as charruas, ou as carroças, dum modo bem mais eficiente que as juntas de boi (ou seja, o cavalo, antes um animal usado apenas para a guerra e, portanto, economicamente improdutivo, passou a ser também usado na agricultura e no transporte de cargas). Etc., etc., etc. – a lista é longa, paro por aqui. Esqueça o estereótipo da “Idade Média” como uma “Idade das Trevas”; quem afirma isso não conhece nada de História. Enquanto isso, os velhos pólos do Oriente Médio e do norte da África, que tinham partido dum nível bem mais alto, ou estagnavam ou declinavam, com seus aparatos administrativos separados de suas hierarquias religiosas, mesmo com sua relativa “tolerância” religiosa. O processo de ascensão civilizacional do Ocidente começou lá pelo séc. X, e chegou ao seu auge nos séculos XII/XIII, embora continuasse ainda depois – o que veio depois foi a conseqüência do que se plantou nesse período. De novo, estou resumindo (bastante!) e simplificando (muito!) um assunto que é bem complexo, mas pense nisso. Novamente, se você se interessar, DEPOIS, podemos entrar em tantos detalhes quantos você queira, mas não agora, e nem aqui, porque seria cansar os leitores e desvirtuar os objetivos deste “blog”. Que o resumo compactadíssimo que ora escrevi seja suficiente, por enquanto. ###

    10 – Agora é que me dei conta que você comentou em uma postagem anterior, que já foi da Igreja Católica. Só não explicou em que condição. Deve saber tudo sobre ela. Portanto, prá que perder meu tempo?

    ### Convicções pessoais são (ou deveriam ser…) secundárias para os assuntos deste “blog”; os textos/comentários/pesquisas deveriam ser analisados pelo conteúdo, não pelas convicções pessoais de que os escreveu, sejam elas quais forem. Mas, tendo você tocado no assunto, esclareço que sou (ou tento ser) católico. Leigo. Nunca senti a menor vocação para a carreira eclesiástica, principalmente por causa dos compromissos de celibato que ela impõe, e muito menos pelo monasticismo, porque não consigo me ver fazendo um voto de pobreza. São limitações minhas. Admiro muito quem se dedica a essas vias, e que honra os votos que fez; esses devem ser, sem dúvida, pessoas efetivamente felizes. Não tenho nenhum cargo na Igreja, nem nenhuma ordem. Nunca estudei em colégios católicos, sempre em colégios públicos: primeiro numa escola municipal/estadual (na época, do Estado da Guanabara), depois num colégio federal (Pedro II), onde fiz o que se chamava “ginásio” e “colegial” e ganhei um título pomposo, “bacharel em ciências e letras”, a par duma educação “humanista” e “laica” bem acentuada (foi lá que aprendi a gostar de História, e a somente me dar por satisfeito, como dizia a saudosíssima professora Lydinea Gasmann, com as coisas comprovadas racionalmente; foi lá que tive belíssimas aulas de Português e de Gramática; de Literatura; de Matemática, de Desenho Geométrico e de Geometria Descritiva; péssimas aulas de Inglês; e dois anos de latim e um de grego); depois numa universidade federal, onde me formei engenheiro civil. Atuei como engenheiro ferroviário, depois como engenheiro de tráfego. Atualmente, sou funcionário público, numa autarquia federal, na praça de São Paulo. Resumidamente, esse é o meu perfil. Não sei “tudo” sobre a Igreja, longe disso. Minha família (i.e., meus pais) é católica, mas sempre foi bem pragmática; minha mãe (meus pais são portugueses) sempre me citava o dito dum velho bispo, não me lembro o nome, de antes de ela vir ao Brasil: “a religião se quer como o sal na comida: nem muito, nem pouco”; e creio que me passaram isso. Lá pelos meus 16-18 anos, passei, como todo mundo, por meu período de profundo cepticismo e descrença. Mas, ao contrário de muitos, resolvi simplesmente seguir a “suspensão de juízo” de Pirrão de Élis, e investigar profundamente a questão, dialeticamente, examinando com o máximo cuidado possível todos os lados envolvidos – afinal, “aquele troço” existia há dois mil anos, tinha tido uma enorme influência na construção da nossa civilização, e só isso já lhe dava, por assim dizer, direito ao “benefício da dúvida”. Isso foi por volta de 1980. Li de tudo e pesquisei de tudo; inclusive, com especial atenção, as críticas à Igreja; também as “ciências esotéricas” (sic) – afinal, aqueles “malucos” podiam ter alguma razão… Não foi fácil, e, muitas vezes, foi terrivelmente trabalhoso. Mas tudo bem – era o preço a pagar, e, no final, saiu bem barato. Só por volta de 1996-98 é que pude dar a questão (no que me dizia respeito) como solucionada, ao menos em linhas gerais, decidindo-me a permanecer católico apostólico romano. Quanto a você “perder o seu tempo”, se com essa frase você quer dizer que não valeria a pena trocarmos informações, creio que isso seria um equívoco: se não se aceita um argumento de alguém a favor da Igreja Católica por ele ser católico, e então “obviamente ser parcial”, então não se poderia também aceitar um argumento dum espírita a favor do Espiritismo pelos mesmos motivos, ou dum céptico a favor do Materialismo, e assim por diante, e virtualmente toda a troca de idéias tornar-se-ia impossível – só falaríamos com quem concordasse conosco; não seria algo chato e sumamente pobre? Por exemplo, eu e o Vítor temos crenças bastante diferentes, mas nos entendemos razoavelmente bem – e isso não é porque sejamos ambos “anti-espíritas”; eu não sou “anti-espírita” (embora não seja espírita, e, como já citei, considere o Espiritismo como um equívoco), e, tanto quanto sei, ele também não é. Quanto àqueles que, sem me conhecerem, já me taxaram, aqui, de “céptico” e de “materialista”, voto-lhes o meu mais profundo desprezo, não pelo fato de encarar “cépticos” ou “materialistas” como pessoas ruins (não encaro), mas sim pelo julgamento pré-concebido, testemunho duma alma absolutamente inferior, duma alma de escravo. Para mim, um dos mais sórdidos vícios é se julgar sem base, é se emitir uma “opinião firme” sem uma justificativa e um embasamento igualmente “firmes”. ###

    (CONTINUA…)

  154. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    (…CONTINUAÇÃO)

    11 – O que você pretende com essa insistência, relacionada à Igreja Católica?

    ### Não sou eu que estou insistindo – quem começou isso tudo foi você, quando acusou firmemente a Igreja Católica e o Vaticano de não prestarem. Eu apenas quis (e quero) saber quais suas bases para tal julgamento. Sinceramente, Sônia, não me leve a mal, mas já chega de as pessoas falarem o que quiserem e não se sentirem obrigadas a justificar suas posições. Eu justifiquei as minhas. Laboriosa e detalhadamente. Tenho direito de exigir isso dos outros – e exigirei. ###

    O que eu li, prá mim é suficiente para continuar espírita.

    ### Mostre-me o que você leu. ###

    Quanto mais eu ler, mais motivos terei para agradecer a Deus, ter nascido livre, livre do estigma do batismo católico.

    ### Como você pode ter certeza disso? Note bem, Sônia, isso já não é como que uma posição tomada de antemão? E reforça o que eu já havia mencionado; tais palavras dão a entender (espero que não seja esse o caso!!!) que você já tomou a sua decisão, e que nada, nenhum argumento, a fará mudar de idéia. Que você apenas coleta, seletivamente, textos para justificar, “pro forma”, a opinião que você (por qualquer razão que seja) já tem. Isso pode lhe dar conforto, mas não creio que seja intelectualmente honesto. ###

    Não sou convertida ao Espiritismo; nunca fui católica, como a maioria dos “espíritas”. Não sou dissociada, não sou dividida, como os “convertidos”, que vão três vezes por semana ao centro espírita e à missa no domingo. E quando se pergunta a eles qual a sua religião, dizem: “católica”. Jesus disse que “Todo reino dividido perde a força”. Eu não divido e nem dividirei o meu.

    ### Fico muito feliz por você assumir plenamente uma determinada corrente de pensamento (no caso, religioso). Sincretismos não levam a nada. ###

    Quanto ao Públio Lêntulus, que você não encontrou na História, tão bem pesquisada por você, transformando Emmanuel numa ficção, gostaria de retornar a esse assunto, pois, é ele a pauta deste blog.

    ### Sem dúvida! ###

    Você acusa Chico Xavier/Emmanuel pela proliferação de romances que, resumidamente (prá não repetirmos sempre as mesmas coisas), assolaram o país e propiciaram o “stabilishment” da Doutrina Espírita (como se isso fosse um crime!).

    ### Eu não acusei Xavier de nada; meu trabalho lida com Emanuel/Lêntulo, sob o prisma da evidenciação histórica. Foi você que mencionou os romances espíritas, e tentou “justificar” Emanuel a partir das “obras” e do “consolo”. Eu simplesmente expus meu ponto de vista quanto a isso. Mais uma vez: quem começou isso foi você. O que eu queria (e quero…) é que as eventuais críticas se foquem no tema do trabalho de pesquisa. Eu mostrei evidências históricas esmagadoras no sentido de provar que “Emanuel” não poderia ser esse tal “Públio Lêntulo”; que, se se trata dum “espírito”, enganou-se miseravelmente; que ele não é nenhum “espírito superior” – é ou um galhofeiro, ou um mentiroso, ou um maluco; ou, mesmo, um pouco dos três… Mostrem-me evidências em contrário. Até agora, nada… Só insultos e desculpas… ###

    Então eu gostaria de fazer o seguinte esclarecimento: dos 451 livros psicografados por Chico Xavier, 121 são de autoria de Emmanuel, mas apenas 5 são romances, ou seja, “Há dois mil anos”, “Cinqüenta anos depois”, “Paulo e Estevão”, “Renúncia” e “Ave Cristo”. E são os únicos romances psicografados por Chico Xavier, dos 451.

    ### Sim, legal, mas, e daí? Permanece o fato de que o “guia” afirmou ser Públio Lêntulo… ###

    Portanto, responsabilizar cinco romances, pela proliferação de centenas (talvez milhares) de outros, de “médiuns” diferentes, é querer provar o improvável

    ### Vamos por partes, Sônia: a) eu não estou responsabilizando ninguém por nada; foi você que falou dos romances que “uma vez lido um, é como se fossem lidos todos”. Por mim, os médiuns podem escrever o que quiserem, psicografias ou não; Deus os julgará por isso, não eu, e nem ninguém. Eu tomei o caso do “ciclo de Emanuel” para análise porque para essa personagem, especificamente, se poderia aplicar um método histórico de investigação, já que o dito cujo dava a sua identidade e o seu “pedigree” completo; b) você falou dos 121 livros do “ciclo de Emanuel”, sendo que apenas 5 foram “romances”. Ora, mesmo que 116 não sejam romances, repousam na “autoridade” do guia, ou seja, no fato de ele ter sido quem disse ser: Públio Lêntulo, etc., etc., etc. – ou seja, no fundo, repousam na autoridade emanada justamente daqueles cinco; c) por tabela, boa parte da produção literária posterior de Xavier, e também de outros médiuns (que, pelo seu sucesso e boa recepção, sentiram-se sem dúvida encorajados a enveredar por trilhas semelhantes), repousa, assim, nessa mesma base, no “guiamento” de Emanuel (como “Públio Lêntulo”, e mais, como Manuel da Nóbrega!!!) sobre Xavier. Isso não é pouca coisa, e nem algo irrelevante. ###

    E, principalmente, porque os ditos romances psicografados não iniciaram por Chico Xavier. A médium Vera Kryzhanovskaia, nascida em Varsóvia, em 14/07/1861, aos 18 anos começou a psicografar obras assinadas pelo espírito Conde J.W. Rochester. Vera, após uma vida muito atribulada, faleceu na miséria, em 29/12/1924, deixando um acervo de mais de 80 romances psicografados. Seus livros, traduzidos para vários idiomas, inclusive, o português, continuam fazendo um sucesso tremendo, inclusive, no Brasil. Li alguns, nos meus verdes anos de juventude e são realmente de prender a atenção. Recomendo (se é que você ainda não leu), “A abadia dos Beneditinos” .

    ### Legal, mas, e daí? Não sei se se poderia aplicar aos livros dessa polonesa uma investigação histórica. Não sei se são bons literariamente, como “ficção”, ou não. E nem me interessa isso – tudo isso está longe tanto do meu campo de atuação quanto do assunto aqui, que é Emanuel/”Públio Lêntulo”. De novo – mostrem-me evidências contrárias às que coletei… ###

    (CONTINUA…)

  155. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    (…CONTINUAÇÃO)

    E quanto ao Emmanuel, eu gostaria de reafirmar o que já declarei, apesar do resultado de suas pesquisas (que eu respeito e muito!). Já dei também minha opinião sobre o encontro de Públio Lentulus com Jesus no “Há dois mil anos”.

    ### Sua escolha… Mas seja coerente – mesmos princípios para tudo, mesmos pesos, mesmas medidas. Se pouco é exigido para justificar Emanuel, também pouco deve ser exigido para compreender e justificar a Igreja Católica, ou qualquer outra instituição de relevo… Se você se contenta com pouco, aplique esse princípio a tudo. De minha parte, eu não me contento com pouco. ###

    Entretanto, a narração de Emmanuel no livro “A caminho da luz”, nos põe diante de um Jesus que ninguém conhecia até então.

    ### Não li esse livro. Tomando sua frase tal como você a põe, será que ninguém conhecia “esse Jesus” simplesmente porque ele, de fato, nunca existiu assim? Que evidências você tem para verificar a veracidade dessa psicografia? Note bem, o assunto é sério: um Jesus “que ninguém conhecia até então”… É uma afirmação extraordinária; a meu ver, para aceitá-la seriam requeridas evidências também extraordinárias… De que evidências você dispõe? Novamente: se você se contenta com pouco, tudo bem, a escolha é sua, mas aplique esse princípio a tudo, não apenas aos assuntos ligados ao Espiritismo… ###

    E é esse Jesus que me emociona, que me traz certezas, mais do que esperanças, que vale a pena ser bom, digno, honesto, solidário, generoso, compassivo, alegre, pensativo.

    ### “Que me emociona”… Sônia, procure tomar um certo cuidado com as emoções. Veja bem, não lhe estou pedindo que não se emocione, mas sim que tenha cuidado. As emoções, muitas vezes, cegam. As multidões também se emocionavam com os discursos de Hitler – e deu no que deu. Minha humilde opinião: se você não conseguiu ter certeza de que vale a pena ser “bom, digno, honesto, solidário, generoso, compassivo, alegre, pensativo”, diretamente a partir dos Evangelhos e do Novo Testamento, mas teve que “se emocionar” com um “troço” que nem se sabe se é verdadeiro ou não, então estamos mal, muito mal… Esse, aliás, é o grande problema do Brasil: as pessoas “se emocionam”, não pensam… ###

    Não é o Jesus diariamente crucificado pela nossa ignorância e coroado com os nossos espinhos. Também não é o Jesus entronizado, coberto de ouro e pedrarias. Nem aquele Jesus com cara de “santinho do pau-oco”, como dizem os caipiras, com o coração prá fora do peito (que mal gosto, credo!). É o Jesus do “A caminho da luz”, de Emmanuel, aquele que nunca existiu, que foi inventado.

    ### Reitero o que escrevi acima… ###

    Da mesma forma que Jesus, que também não é encontrado na História.

    ### Você se engana, Sônia, ele é. A existência histórica de Jesus é algo que, para os padrões históricos geralmente aceitos, não pode e não deve ser posta em dúvida. Jesus existiu historicamente. Uns cépticos xiitas podem até negar isso, mas estão simplesmente fazendo propaganda, não analisando os fatos… ###

    E que pode muito bem ter sido inventando pelos romanos, para acalmar as massas revoltosas ao tempo de Constantino.

    ### Ridículo. As massas não estavam revoltosas. E, onde estivessem, o bom e velho exército resolvia a questão. O Império Romano nunca foi ameaçado por revoltas populares internas (o caso de Espártaco foi uma exceção, e mesmo ele foi rapidamente esmagado assim que um general competente e enérgico tomou nas mãos a situação); ele caiu por pressão externa. Claro, houve fraquezas internas que ajudaram, mas a “revolta das massas” não se conta entre elas. Se, realmente, você quiser discutir sobre a realidade histórica de Jesus, e sobre como os seus discípulos e seguidores o viam, podemos, BEM DEPOIS, fazer isso; aqui não é o lugar. Você tem que ter paciência; as coisas bem feitas demandam tempo. Enquanto isso, o meu conselho é que você vá revendo as suas fontes históricas… ###

    Em sendo assim, todo o Império Católico foi construído a partir de uma mentira. O que é que você ou a História conta sobre isso?

    ### Reitero o que mencionei antes. A História tem muito a dizer sobre isso. BEM DEPOIS podemos discutir esse assunto. Vá pesquisando… ###

    13 – Eu não sinto “ódio”, nem profundo e nem raso. Eu sinto indignação por injustiças, por hipocrisias, por crueldades. Acho que foi isso que Jesus (se é que Ele existiu mesmo!) sentiu ao entrar no Templo de Jerusalém e testemunhar todo aquele comércio. Usando o palavreado atual, o Templo parecia mais a 25 de Março do que com a Casa de Deus.

    ### Jesus existiu historicamente (aqui fala o pesquisador histórico, não o crente). Seus discípulos o tinham como divino (idem). Ele (como o Judaísmo) nunca pregou a reencarnação (idem). Ele foi, realmente, Deus (aqui fala o crente, não o pesquisador histórico), que morreu por nossos pecados (idem). Fico muito feliz com o fato de você não sentir ódio, mas não foi isso, em absoluto, que suas mensagens passaram. Mas, se você diz que não sente ódio, então eu acredito – “in dubio pro reu”… Concordo, em linhas gerais, com sua opinião acerca da atitude de Jesus no Templo. Mas Ele tinha evidências concretas para fazer o que fez – lá estavam de fato os cambistas e os vendedores de animais sacrificiais… ###

    18 – Desculpe, mas tenho que ser sincera. Fui irônica. Ou você é muito ingênuo e não percebeu.

    ### Pensei que você estivesse simplesmente sendo honesta, e verificado o que está aí, diante dos olhos de qualquer um. ###

    Ou usou de sagacidade, usando minhas palavras, como se eu aprovasse a Igreja Católica.

    ### Não sou esse tipo de pessoa. E eu sei que você não a aprova. Aliás, você não a precisa aprovar; mas seria razoável que não a acusasse gratuitamente, como fez. ###

    Mas, numa coisa fui super sincera: o patrimônio artístico e cultural, que é fabuloso, principalmente o artístico. Mas só!

    ### É o que, para mim, menos conta. Conta, é óbvio, mas menos do que uma série de outras coisas – como construir a nossa civilização ocidental. ###

    Quanto ao mais, peço até desculpas, sinceramente. Mas, não posso deixar passar essa, principalmente, com alguém que vive em busca da verdade, como você. Eu não vou passar por “boazinha”, sendo hipócrita desse jeito. Desculpe-me!

    ### Sônia, pense o que quiser, mas seria bom que pensasse baseando-se em fontes sólidas. Se não, seria igualmente bom que expressasse suas opiniões com a devida cautela. Não deixe de ter suas opiniões, mas seja um pouquinho mais prudente… ###

    21 – Prá que você tocou no assunto?

    ### Foi você que começou. Eu o estou simplesmente concluindo. Para mim, trata-se de caso encerrado. ###

    (CONTINUA…)

  156. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    (…CONTINUAÇÃO)

    22 – Vamos ver…

    ### Estou esperando. Não tenha pressa. Apenas uma observação, Sônia. Um dos artigos que você postou no seu “4shared”, “Fátima, a deusa do cascalho”, foi escrito por uma certa sra. Mary Schultze. Você, aparentemente, tomou o que ela disse por verdade, sem contestação. Legal. Ela escreve no “Centro de Pesquisas Religiosas” (www.cpr.org.br/), de Teresópolis – RJ (mais detalhes sobre esse Centro, nas próprias palavras deles, em http://www.cpr.org.br/oqueecpr.htm). A pessoa em questão, assim, é uma ativa evangélica, especializada aparentemente em artigos anti-católicos (você pode se dar ao trabalho de lê-los em http://www.maryschultze.com/articles.php; delicie-se, e colete cuidadosamente seus argumentos). Lá consta, entre muitos outros, o seu: http://www.maryschultze.com/articles.php?article_id=57. Não há nada de errado, em princípio, em se consultar artigos de anti-católicos para se fazer uma pesquisa acerca do Catolicismo (como também não há nada de mais em se consultar artigos de anti-espíritas para o mesmo fim, no que diz respeito ao Espiritismo). Afinal, apesar da notória falta de isenção, pode ser que haja algo que preste… No entanto, tal tipo de consulta serve apenas como um mero início de pesquisa, um meio de se obter um elenco de temas a serem investigados. Pois, tendo em vista inclusive o tom proselitista (e, no caso dessa senhora, o ódio que ela tem à Igreja), cada afirmação deve ser, obrigatoriamente, checada e verificada, com o máximo cuidado. Isso, aparentemente, você não fez. Aceitou o que ela disse, e pronto. Ela deve ser especial para você. Assim, você, por coerência, deveria também levar na devida conta o que ela fala acerca do seu amado Espiritismo: apenas para exemplo, leia seus artigos “Reencarnação” (www.maryschultze.com/articles.php?article_id=86) e “Passaporte para o Inferno” (www.maryschultze.com/articles.php?article_id=93) – neste último você obterá também, de quebra, para a sua coleção, mais uma série de sandices anti-católicas. A minha pergunta é simples: essa senhora está, no geral, certa ou errada? Ou certa-e-errada ao mesmo tempo: certa quando fala mal do Catolicismo, e errada quando fala mal do Espiritismo? Esclareça, Sônia, meu pobre coração… ###

    Abraços afetuosos prá você também.

    ### Para você também, Sônia, com sinceridade. Mas faça a sua indignação valer de verdade – cuidado com as fontes!… ###

    (ENFIM, O FIM…)

  157. Sonia N. Diz:

    José Carlos,
    Espero que você possa compreender meus comentários, em reposta aos seus (que foram bastante extensos!). Eu os coloquei em letras maiúsculas e entre parênteses. Alguns se encontram no meio de seus textos.
    ### O importante, creio, é não nos contentarmos com explicações superficiais, ou simplistas – embora isso não seja tão fácil como parece, reconheço. O problema é saber (ou determinar) o quão profundamente podemos (ou devemos) ir, já que não teremos tempo para tudo – a vida é breve###( PRÁ MIM, A VIDA É ETERNA!))
    8 – Quando você puder, gostaria de explicações mais detalhadas, a respeito dessa obrigatoriedade.
    ### Não foi “obrigatoriedade”, Sônia, foi pura e simples necessidade… As autoridades eclesiásticas relutaram ………primeiro com as invasões dos germanos, depois com as dos eslavos, depois enfim com as dos magiares (os atuais húngaros, finalmente “domesticados” no país que ainda hoje tem o seu nome) e dos escandinavos (os “vikings”, lembra-se?) (NÃO, FELIZMENTE, NÃO SOU DESSA ÉPOCA!) Também, ao fim, “domesticados” na Escandinávia, na Bretanha, na Inglaterra e na Sicília)… Tudo gente boa, que não matava à toa (INTERESSANTE A SUA COLOCAÇÃO!!!)……Igreja ocidental (sem apoio de qualquer “governo civil”!) ficou com a “carne de pescoço” (QUE DUREZA, HEM!), onde “sociedade civil” significava “anarquia”. Então a Igreja pôs mãos à obra, mas, veja bem, Sônia, nunca, nunca assumiu um “controle total”; sempre insistiu que havia dois poderes, o civil e o eclesiástico (a famosa “teoria dos dois gládios”), embora com preponderância para o eclesiástico, porque, no fundo, ela sabia que não tinha se organizado (e nem Jesus a havia organizado) (SERÁ QUE É PORQUE NÃO DIZ RESPEITO À RELIGIÃO?) para assumir um governo civil; e o que ela esperava (ao menos no início), ainda que inconscientemente (O QUÊ???!) era que um “bom e velho” governo civil voltasse; e essa é a origem da nossa visão ocidental da “separação de poderes entre o Estado e as religiões”, entre o “religioso” e o “laico”, uma visão única e específica da sociedade ocidental; a origem disso, Sônia, pasme se quiser (QUERO!), acredite ou não (NÃO ACREDITO!), foi a recusa da Igreja, na Idade Média, a controlar tudo……Mesmo os bispos, no Ocidente, quando governavam Estados feudais (p.ex., na Alemanha), tinham “dupla investidura”, “pelo báculo e pelo anel”, porque eram considerados depositários, numa única pessoa (QUE OPORTUNO!) de “dois poderes” distintos. Claro, as coisas depois tomaram outro rumo, que não interessa aqui explorar (CLARO QUE NÃO!) mas o que interessa por ora analisar é que a “carne de pescoço”(DE NOVO?!), organizada/guiada pela Igreja, que se impunha à sociedade …… foi a Igreja que apoiou (inclusive financeiramente) (RECURSOS SURGIDOS DE ONDE?) e desenvolveu ativamente as novas técnicas agrícolas, inventadas na Idade Média, que viabilizaram a produtividade das terras pesadas desse mesmo norte – a rotação trienal de culturas, o desenvolvimento da charrua (adequada aos solos pesados e úmidos do norte, e bem mais eficiente que o velho arado mediterrânico), etc. Foi nos mosteiros……………… uso para puxar as charrua(ou seja, o cavalo, antes um animal……………………a lista é longa, paro por aqui. Esqueça o estereótipo da “Idade Média” como uma “Idade das Trevas”; quem afirma isso não conhece nada de História (EU ENTENDI PERFEITAMENTE QUE A IGREJA CUIDOU MUITO BEM DE SEU ESPÓLIO) – Enquanto isso, os velhos pólos do Oriente Médio ……………….. De novo, estou resumindo (bastante!) e simplificando (muito!) um assunto que é bem complexo, mas pense nisso. Novamente, se você se interessar, DEPOIS (DEPOIS DE QUÊ?), podemos entrar em tantos detalhes quantos você queira, mas não agora, e nem aqui, porque seria cansar (VOCÊ RECONHECE ISSO?) os leitores e desvirtuar os objetivos deste “blog”. Que o

  158. Sonia N. Diz:

    (continuação)

    resumo compactadíssimo que ora escrevi seja suficiente, por enquanto. ### (COM CERTEZA, É MAIS DO QUE SUFICIENTE!!!)
    (http://www.historiadomundo.com.br/idade-media/ ESSE LINK É ÓTIMO E NÃO É RELIGIOSO, É HISTÓRICO. E FALA MAIS OU MENOS AS MESMAS COISAS QUE DEIXARAM VOCÊ TÃO INDIGNADO COMIGO – ACONSELHO AOS LEITORES DO BLOG)
    10 – Agora é que me dei conta que você comentou em uma postagem anterior, que já foi da Igreja Católica. Só não explicou em que condição. Deve saber tudo sobre ela. Portanto, prá que perder meu tempo?
    ### Convicções pessoais são (ou deveriam ser…) secundárias para os assuntos deste “blog”; os textos/comentários/pesquisas deveriam ser analisados pelo conteúdo, não pelas convicções pessoais de que os escreveu, sejam elas quais forem. Mas, tendo você tocado no assunto, esclareço que sou (ou tento ser) católico. Leigo. (VOCÊ CITOU EM UMA DAS POSTAGENS, QUE SAIU DA IGREJA; SAIU DE QUÊ? Nunca senti a menor vocação para a carreira eclesiástica, principalmente por causa dos compromissos de celibato que ela impõe, e muito menos pelo monasticismo, porque não consigo me ver fazendo um voto de pobreza (EU NEM PRECISEI FAZER VOTOS, JÁ NASCI POBRE). São limitações minhas.– Só por volta de 1996-98 é que pude dar a questão (no que me dizia respeito) como solucionada, ao menos em linhas gerais, decidindo-me a permanecer católico apostólico romano### (VOCÊ NÃO RESPONDEU À MINHA PERGUNTA!) ### Por exemplo, eu e o Vítor temos crenças bastante diferentes, mas nos entendemos razoavelmente bem – e isso não é porque sejamos ambos “anti-espíritas”; eu não sou “anti-espírita”(QUE BÊNÇÃO!) (embora não seja espírita, e, como já citei, considere o Espiritismo como um equívoco)(VOCÊ É QUE ESTÁ EQUIVOCADO, MEU CARO JC) e, tanto quanto sei, ele também não é. Quanto àqueles que, sem me conhecerem, já me taxaram, aqui, de “céptico” e de “materialista”, voto-lhes o meu mais profundo desprezo, não pelo fato de encarar “cépticos” ou “materialistas” como pessoas ruins (não encaro), mas sim pelo julgamento pré-concebido, testemunho duma alma absolutamente inferior, duma alma de escravo (ABSOLUTAMENTE DEMOCRÁTICO!)) Para mim, um dos mais sórdidos vícios é se julgar sem base, é se emitir uma “opinião firme” sem uma justificativa e um embasamento igualmente “firmes”. ###
    11 – O que você pretende com essa insistência, relacionada à Igreja Católica?
    ### Não sou eu que estou insistindo – quem começou isso tudo foi você, quando acusou firmemente a Igreja Católica e o Vaticano de não prestarem (EU NÃO USEI ESSE TERMO; APENAS APONTEI FATOS HISTÓRICOS, DE UMA FORMA MAL-EDUCADA E JÁ ME DESCULPEI). Eu apenas quis (e quero) saber quais suas bases para tal julgamento. Tenho direito de exigir isso dos outros – e exigirei. ### (JOSÉ CARLOS, O QUE FAREI É PASSAR OS LINKS DE ARTIGOS INTERESSANTES QUE ENCONTRAR, EM RESPEITO AOS LEITORES DO BLOG QUE ESTÃO ACOMPANHANDO ESTA BATALHA “PULGA -PIOLHO”)
    ### Como você pode ter certeza disso? ( QUESTIONANDO MINHAS ESCOLHAS?) Note bem, Sônia, isso já não é como que uma posição tomada de antemão? E reforça o que eu já havia mencionado; tais palavras dão a entender (espero que não seja esse o caso!!!) que você já tomou a sua decisão, e que nada, nenhum argumento, a fará mudar de idéia. (EXATAMENTE E, ENTÃO, ESTAMOS CONVERSADOS!) Que você apenas coleta, seletivamente, textos para justificar, “pro forma”, a opinião que você (por qualquer razão que seja) já tem. Isso pode lhe dar conforto (DESCULPE, PRÁ MIM, NÃO HÁ CONFORTO EM INJUSTIÇAS, EM ATROCIDADES. PRÁ VOCÊ JUSTIFICÁVEIS, NÃO PRÁ MIM). mas não creio que seja intelectualmente honesto. ### (MAS O QUE SIGNIFICA ISSO: INTELECTUALMENTE HONESTO???)
    ### Eu não acusei Xavier de nada; meu trabalho lida com Emanuel/Lêntulo, sob o prisma da evidenciação histórica

  159. Sonia N. Diz:

    (continuação)

    Foi você que mencionou os romances espíritas (OS ROMANCES ”ESPÍRITAS” AOS QUAIS ME REFERI, NÃO SÃO OS QUE FORAM PSICOGRAFADOS POR FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER; NENHUMA DAS MINHAS DÚVIDAS RELACIONADAS AO MEIO ESPÍRITA, DIZ RESPEITO AO MÉDIUM FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER; ELE ESTÁ ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA), e tentou “justificar” Emanuel ( EU NÃO PRECISO “JUSTIFICAR” EMMANUEL; SEU LEGADO LHE FAZ JUSTIÇA) a partir das “obras” e do “consolo”. Eu simplesmente expus meu ponto de vista quanto a isso. Mostrem-me evidências em contrário Até agora, nada… Só insultos e desculpas…(SE VOCÊ PREFERIR, FICO SÓ NOS INSULTOS, rsss…) ###
    ### Sim, legal, mas, e daí? (E DAÍ???) Permanece o fato de que o “guia” afirmou ser Públio Lêntulo… ###
    ### Vamos por partes, Sônia: a) eu não estou responsabilizando ninguém por nada; foi você que falou dos romances que “uma vez lido um, é como se fossem lidos todos”. Por mim, os médiuns podem escrever o que quiserem, psicografias ou não; Deus os julgará por isso (DEUS NÃO JULGA NINGUÉM!), não eu, e nem ninguém. Eu tomei o caso do “ciclo de Emanuel” para análise porque para essa personagem, especificamente, se poderia aplicar um método histórico de investigação, já que o dito cujo (GROSSERIA QUE NÃO COMBINA COM SUA EDUCAÇÃO, TÃO ESMERADA) dava a sua identidade seu “pedigree” (VOCÊ ESTUDOU TANTO PARA SER GROSSEIRO DESSE JEITO???); b) você falou dos 121 livros do “ciclo de Emanuel”, sendo que apenas 5 foram “romances”. …………………. no “guiamento” de Emanuel (como “Públio Lêntulo”, e mais, como Manuel da Nóbrega!!!) (POIS É, SR. JOSÉ CARLOS, A ÚNICA COISA QUE ME INCOMODA PROFUNDAMENTE EM EMMANUEL É EXATAMENTE ISTO, TER SIDO PADRE QUATRO VEZES) sobre Xavier. Isso não é pouca coisa, e nem algo irrelevante. (A AUTORIDADE DO ESPIRITISMO REPOUSA EM DEUS, DEPOIS EM JESUS CRISTO E, FINALMENTE, EM ALLAN KARDEC, SR. JOSÉ CARLOS)###
    ### . De minha parte, eu não me contento com pouco. ###(POIS PRÁ MIM O SENHOR SE CONTENTA COM MUITO POUCO…)
    ### Não li esse livro (É UMA PENA, VOCÊ NÃO SABE O QUE ESTÁ PERDENDO). Tomando sua frase tal como você a põe, será que ninguém conhecia “esse Jesus” simplesmente porque ele, de fato, nunca existiu assim? (EXISTIU, NÃO. ELE EXISTE!!!) Que evidências você tem para verificar a veracidade dessa psicografia? Note bem, o assunto é sério: um Jesus “que ninguém conhecia até então”(PRÁ VOCÊ VER COMO OS ESPÍRITAS SÃO PRIVILEGIADOS…)… É uma afirmação extraordinária; a meu ver, para aceitá-la seriam requeridas evidências também extraordinárias… De que evidências você dispõe? (A EVIDÊNCIA DE RACIOCINAR, CONTRARIAMENTE AOS QUE SE CONTENTAM COM RESPOSTAS PRONTAS) Novamente: se você se contenta com pouco, tudo bem, a escolha é sua, mas aplique esse princípio a tudo, não apenas aos assuntos ligados ao Espiritismo…(AQUI NEM DÁ PRÁ COMENTAR, PORQUE MAIS ADIANTE, JÁ VI SUA OPINIÃO SOBRE JESUS) ###
    E é esse Jesus que me emociona, que me traz certezas, mais do que esperanças, que vale a pena ser bom, digno, honesto, solidário, generoso, compassivo, alegre, pensativo.
    ### “Que me emociona”… Sônia, procure tomar um certo cuidado com as emoções. Veja bem, não lhe estou pedindo que não se emocione (JC, QUEM VOCÊ PENSA QUE É?) , mas sim que tenha cuidado. As emoções, muitas vezes, cegam (DESCULPE, MAS O PROBLEMA É A BURRICE, NÃO AS EMOÇÕES; EMOÇÕES NÃO DÃO EM ÁRVORES; ELAS DESPERTAM A PARTIR DO RACIOCÍNIO. NINGUÉM SENTE ÓDIO PENSANDO NO AMOR, E VICE-VERSA) As multidões também se emocionavam com os discursos de Hitler (PORQUE ESTAVAM ACOSTUMADOS A OBEDECER, INCONDICIONALMENTE, AS AUTORIDADES, COMO BURROS QUE OBEDECEM AOS GRITOS DE SEUS DONOS)– e deu no que deu. Minha humilde opinião: se você não conseguiu ter certeza de que vale a pena ser “bom, digno, honesto, solidário, generoso, compassivo, alegre, pensativo”, diretamente a partir dos Evangelhos e do Novo Testamento (A INQUISIÇÃO E O SANTO OFÍCIO, COM CERTEZA, FORAM INSPIRADOS NOS EVANGELHOS E NO NOVO TESTAMENTO, NÃO É MESMO?) mas teve (EU NÃO TIVE QUE ME EMOCIONAR. EU ME EMOCIONEI!, LEVADA POR PENSAMENTOS MARAVILHOSOS) que “se emocionar” com um “troço”(SINTO MUITO POR VOCÊ, MEU AMIGO…TANTO ESTUDO, TANTA HISTÓRIA E PRÁ QUÊ?) que nem se sabe se é verdadeiro ou não, então estamos mal, muito mal…(VOCÊ ESTÁ MAL; EU ESTOU ÓTIMA!) Esse, aliás, é o grande problema do Brasil: as pessoas “se emocionam”, não pensam…(É O MAIOR PAÍS CATÓLICO DO MUNDO, VOCÊ DEVERIA ESTAR EXULTANTE, MEU AMIGO. A PORCENTAGEM DE ESPÍRITAS É INSIGNIFICANTE E, DE ACORDO COM AS PESQUISAS, ENCONTRA-SE NAS CLASSES A e B) ###

  160. Sonia N. Diz:

    (continuação)

    Da mesma forma que Jesus, que também não é encontrado na História.
    ### Você se engana, Sônia, ele é. A existência histórica de Jesus é algo que, para os padrões históricos geralmente aceitos, não pode e não deve ser posta em dúvida. Jesus existiu historicamente. Uns cépticos xiitas podem até negar isso, mas estão simplesmente fazendo propaganda, não analisando os fatos…###(EU PESQUISEI E NÃO ENCONTREI NADA QUE CONFIRME, HISTORICAMENTE, A EXISTÊNCIA DE JESUS; O QUE, ALIÁS, NÃO MUDA EM NADA MINHA DEVOÇÃO, CADA VEZ MAIOR A ELE, PRINCIPALMENTE, DEPOIS DE TER LIDO “A CAMINHO DA LUZ” E TODOS OS LIVROS DE EMMANUEL – VOU CITAR UMA FRASE DE EMMANUEL, A RESPEITO DE JESUS, QUE EU APROVEITEI PARA MANDAR FAZER UM CARTÃO DE NATAL – “E QUANDO TE PERGUNTARES QUEM É ESSE ALGUÉM QUE TE GARANTE A VIDA NA TERRA, EM NOME DE DEUS; RECOLHE OS TEUS OUVIDOS AOS RECESSOS DA PRÓPRIA ALMA, E OUVIRÁS O CORAÇÃO A DIZER-TE QUE ESTE ALGUÉM É JESUS”)
    ### Ridículo. As massas não estavam revoltosas ( AS MASSAS SEMPRE VIVERAM FELIZES E GRATAS AOS SEUS “IMPERADORES”!) E, onde estivessem, o bom e velho exército (O BOM E VELHO EXÉRCITO…) resolvia a questão. ………..Se, realmente, você quiser discutir sobre a realidade histórica de Jesus, e sobre como os seus discípulos e seguidores o viam, podemos, BEM DEPOIS (BEM DEPOIS, DO QUE?) fazer isso; aqui não é o lugar (NÃO?!). Você tem que ter paciência; as coisas bem feitas demandam tempo (COM CERTEZA!) Enquanto isso, o meu conselho é que você vá revendo as suas fontes históricas…(QUANTA GENTILEZA!!!) ##
    ### Reitero o que mencionei antes. A História tem muito a dizer sobre isso. BEM DEPOIS (NOVAMENTE, EU PERGUNTO: BEM DEPOIS, DO QUE? DO APOCALIPSE?) podemos discutir esse assunto. Vá pesquisando… ### (JOSÉ CARLOS, VOCÊ É UMA GRAÇA, SABIA?)
    13### Jesus existiu historicamente (aqui fala o pesquisador histórico, não o crente). Seus discípulos o tinham como divino (idem). Ele (como o Judaísmo) nunca pregou a reencarnação (idem)(VOCÊ NÃO PRESTOU ATENÇÃO. UM CONSELHO, VÁ PESQUISANDO, SEM PRESSA…) Ele foi, realmente, Deus (aqui fala o crente, não o pesquisador histórico) (NÃO ACREDITO QUE ESTOU LENDO ISSO; ENTÃO VOCÊ ACHA MESMO QUE DEUS DEIXOU O UNIVERSO À DERIVA, PARA ENCARNAR NESTE PLANETINHA INSOSO, NOS LIMITES DA VIA LÁCTEA???) , que morreu por nossos pecados (idem) (QUE PECADOS???). Fico muito feliz com o fato de você não sentir ódio, mas não foi isso, em absoluto, que suas mensagens passaram. Mas, se você diz que não sente ódio, então eu acredito (QUE BOM, SÓ ASSIM EU POSSO DORMIR TRANQUILA!)– “in dubio pro reu”(JOSÉ CARLOS, POR FAVOR, NÃO USE PALAVRAS OU EXPRESSÕES ESTRANGEIRAS COMIGO, NÃO TIVE A FELICIDADE DE PODER ESTUDAR, COMO VOCÊ!)… Concordo, em linhas gerais, com sua opinião acerca da atitude de Jesus no Templo. Mas Ele tinha evidências concretas para fazer o que fez – lá estavam de fato os cambistas e os vendedores de animais sacrificiais…###(FINALMENTE!!! CONCORDAMOS EM ALGUMA COISA).
    18### Pensei que você estivesse simplesmente sendo honesta, e verificado o que está aí, diante dos olhos de qualquer um### (TANTO SOU HONESTA, QUE FALEI A VERDADE. IRONIA É UMA FORMA VELADA DE DIZER VERDADES, HIPOCRISIA É FALSIDADE).
    ### Não sou esse tipo de pessoa. E eu sei que você não a aprova. Aliás, você não a precisa aprovar; mas seria razoável que não a acusasse gratuitamente, como fez. ### (NÃO SÃO ACUSAÇÕES E NÃO SÃO “GRATUITAS”, SÃO CONSTATAÇÕES. BASTA UMA ÚNICA FRASE DE JESUS: “MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO” E UMA VISTA D’OLHOS NO IMPÉRIO (CATÓLICO) ROMANO EM TODO O MUNDO OCIDENTAL. O VATICANO É UM TERRITÓRIO COM ATRIBUIÇÕES DE ESTADO E IMUNIDADES ESPECIAIS E VOCÊ SABE DISSO. E, ACREDITE, ATÉ ENTENDO O QUANTO POSSA SER DESCONFORTÁVEL A SUA POSIÇÃO NESTE MOMENTO, DE DEFENDER O INDEFENSÁVEL)
    ### Sônia, pense o que quiser, mas seria bom que pensasse baseando-se em fontes sólidas. Se não, seria igualmente bom que expressasse suas opiniões com a devida cautela. Não deixe de ter suas opiniões, mas seja um pouquinho mais prudente…###(JOSÉ CARLOS, EU TENHO QUASE CERTEZA DE QUE VOCÊ É PADRE. COMO VOCÊ É MANIPULADOR!).
    22 – Vamos ver…

    ### Estou esperando. Não tenha pressa. Apenas uma observação, Sônia. Um dos artigos que você postou no seu “4shared”, “Fátima, a deusa do cascalho”, foi escrito por uma certa sra. Mary Schultze. Você, aparentemente, tomou o que ela disse por verdade, sem contestação. Legal. Ela escreve no “Centro de Pesquisas Religiosas” (www.cpr.org.br/), de Teresópolis – RJ (mais detalhes sobre esse Centro, nas próprias palavras deles, em http://www.cpr.org.br/oqueecpr.htm). A pessoa em questão, assim, é uma ativa evangélica, especializada aparentemente em artigos anti-católicos (você pode se dar ao trabalho de lê-los em http://www.maryschultze.com/articles.php; delicie-se, e colete cuidadosamente seus argumentos). Lá consta, entre muitos outros, o seu: http://www.maryschultze.com/articles.php?article_id=57. Não há nada de errado, em princípio, em se consultar artigos de anti-católicos para se fazer uma pesquisa acerca do Catolicismo (como também não há nada de mais em se consultar artigos de anti-espíritas para o mesmo fim, no que diz respeito ao Espiritismo). Afinal, apesar da notória falta de isenção, pode ser que haja algo que preste…(ENCONTREI EM UM DOS SEUS ARTIGOS, A CARTA DE PÚBLIO LÊNTULUS, DATADA DE 30 DC.) No entanto, tal tipo de consulta serve apenas como um mero início de pesquisa, um meio de se obter um elenco de temas a serem investigados. Pois, tendo em vista inclusive o tom proselitista (e, no caso dessa senhora, o ódio que ela tem à Igreja), cada afirmação deve ser, obrigatoriamente, checada e verificada, com o máximo cuidado. Isso, aparentemente, você não fez. Aceitou o que ela disse, e pronto. Ela deve ser especial para você (NÃO A CONHEÇO. SIMPLESMENTE, “COLEI” O SEU ARTIGO. JÁ DISSE QUE PARA MIM, A ÚNICA PESSOA E MÉDIUM ESPECIAL, É O CHICO XAVIER; E NADA VAI MUDAR ISSO!). Assim, você, por coerência, deveria também levar na devida conta o que ela fala acerca do seu amado Espiritismo (NÃO ADIANTA IRONIZAR, JOSÉ CARLOS… EU ATÉ ENTENDO, PORQUE IRONIZO TAMBÉM. MAS, EU NÃO ME INCOMODO COM ISSO, PORQUE ESTOU ACOSTUMADA, DESDE CRIANÇA, A RECEBER ATAQUES, POR SER ESPÍRITA. VOCÊ SE INCOMODA PORQUE SEMPRE FEZ PARTE DA “SITUAÇÃO”, ENTÃO O SEU ORGULHO ESPICAÇA, NÃO É MESMO?) –###): apenas para exemplo, leia seus artigos “Reencarnação” (www.maryschultze.com/articles.php?article_id=86) e “Passaporte para o Inferno” (www.maryschultze.com/articles.php?article_id=93) (AO CLICAR NOS DOIS LINKS SURGE SEMPRE A MESMA MENSAGEM – ARQUIVO CORROMPIDO)# neste último você obterá também, de quebra, para a sua coleção, mais uma série de sandices anti-católicas ### (ALGUMAS “SANDICES” CATÓLICAS” JÁ VIVI NA MINHA PELE – QUANDO CRIANÇA, NO PRIMÁRIO, POR SER A AULA DE RELIGIÃO OBRIGATÓRIA – E ENTENDA-SE POR “RELIGIÃO”, O CATOLICISMO – MEU PAI FOI À ESCOLA PEDIR QUE EU FOSSE DISPENSADA DA AULA DE RELIGIÃO, NÃO SÓ PORQUE ÉRAMOS ESPÍRITAS, MAS PRINCIPALMENTE, PORQUE EU TINHA PESADELOS HORRÍVEIS À NOITE, DEVIDO AOS DESENHOS QUE HAVIAM NO “CATECISMO”, DO INFERNO E DO DIABO, ESPETANDO O TRIDENTE NAS PESSOAS . A ESCOLA NÃO ERA CATÓLICA, MAS HAVIA ESSE ACORDO COM A IGREJA MAIS PRÓXIMA. POIS BEM, A DOCE “IRMÃ LUISA” BELISCAVA-ME SEMPRE QUE TINHA UMA OPORTUNIDADE. BEM MAIS TARDE, TIVE PROBLEMAS NO HOSPITAL (CATÓLICO) EM QUE NASCERAM DOIS DOS MEUS QUATRO FILHOS; SENDO QUE QUANDO NASCEU MINHA FILHA, TIVE RETENÇÃO DE PLACENTA, QUE PRECISOU DE MANOBRA AGRESSIVA PARA SER RETIRADA; COMO CONSEQUÊNCIA, TIVE UMA HEMORRAGIA QUE, NO MOMENTO, FOI CONTROLADA, MAS NECESSITAVA DE SUPERVISÃO CONSTANTE POR PARTE DAS “ENFERMEIRAS-FREIRAS” DURANTE AS HORAS QUE SE SEGUIRAM. CONCLUSÃO: NENHUMA DELAS VEIO V ER-ME, POIS, A MINHA CONDIÇÃO DE ESPÍRITA CAUSAVA-LHES REPULSA E FOI MINHA IRMÃ QUE SALVOU-ME DA MORTE CERTA AO PERCEBER A CAMA ENCHARCADA DE SANGUE E CORREU A CHAMAR UM MÉDICO. O QUE SOFRI PARA ESTANCAR UMA HEMORRAGIA UTERINA A SANGUE FRIO, HORAS APÓS UM PARTO, SÓ DEUS É QUEM SABE – POIS É, SANDICES DE CATÓLICOS – NÓS, OS ESPÍRITAS JAMAIS DISCRIMINAMOS QUEM QUER QUE SEJA E MUITO MENOS EXIGIMOS VOTO À NOSSA CRENÇA PARA AUXILIAR ALGUÉM.) ### ###A minha pergunta é simples: essa senhora está, no geral, certa ou errada? Ou certa-e-errada ao mesmo tempo: certa quando fala mal do Catolicismo, e errada quando fala mal do Espiritismo? Esclareça, Sônia, meu pobre coração… ### (ESCLAREÇO AO SEU POBRE CORAÇÃO QUE ESTOU ARREPENDIDA DE TER ENTRADO NESTA HÁ UM MÊS ATRÁS. NUNCA LI TANTA OFENSA, TANTA BABAQUICE, TANTA IGNORÂNCIA, EM TÃO POUCO TEMPO, EM SITES E BLOGS DITOS RELIGIOSOS. COMO PODE HAVER TANTA INCOERÊNCIA? HÁ UMA VERDADEIRA “GUERRA SANTA” SE DESENVOLVENDO, ATRAVÉS DA INTERNET. OS RELIGIOSOS SE XINGAM, SE MALDIZEM, SE ODEIAM, SE ATACAM, TUDO EM NOME DE DEUS E DE JESUS!!!) POR MAIS INCRÍVEL QUE POSSA PARECER, É NO “CETICISMO ABERTO” QUE ENCONTRAMOS MAIS EDUCAÇÃO, MAIS RESPEITO E MAIS CONHECIMENTO, ACERCA DOS ASSUNTOS ABORDADOS. E DESAFIO VOCÊ, JOSÉ CARLOS, A ENCONTRAR ALGUM PORTAL, SITE OU BLOG ESPÍRITA KARDECISTA, ATACANDO OU DESMERECENDO QUEM QUER QUE SEJA)

    ### Para você também, Sônia, com sinceridade. Mas faça a sua indignação valer de verdade – cuidado com as fontes!… ### (OBRIGADA PELO CONSELHO, TOMAREI MINHAS PRECAUÇÕES, INCLUSIVE, COM AS SUAS FONTES, OK?)..
    Abraços afetuosos…

  161. Sonia N. Diz:

    Vitor,

    Desculpe a extensao dos comentários. Mas, eu precisava esclarecer melhor alguns pontos, com o Sr. José Carlos.
    Procurarei ser mais sucinta nas próximas postagens.

    Abraços afetuosos…

  162. Sonia N. Diz:

    José Carlos,

    Realmente, não me entendo com máquinas – ou elas que não me entendem. Não estou conseguindo mais passar artigos/matérias para o “4shared”, desde que mudei o navegador do notebook. Então, estou mandando por aqui. Fiquei chocada com algumas informações deste site, principalmente as que se referem às tais Concordatas entre o Vaticano e demais países. Inclusive, aconteceu com o nosso, às escondidas, entre
    o nosso presidente Lula e o Papa atual. E eu pergunto: por que às escondidas?
    http://www.espada.eti.br/catolica.htm
    #
    Mas, desse estou gostando muito:
    http://www.historiadomundo.com.br
    #
    E desse também. Só que esse, haja tempo para ler… quero ver se consigo terminar ainda nesta encarnação…Deus me dê vida longa!!!

  163. Sonia N. Diz:

    (cont.)
    #
    Desculpe, pulou antes da hora.
    http://historiablog.wordpress.com/2008/10/16/as-16-datas-que-mudaram-o-mundo-o-nascimento-de-cristo/
    #
    É bem possível que você conheça todas, mas, mesmo assim, estou tentando…e ao mesmo tempo pesquisando coisas minhas para comentar no blog.
    #
    Como sempre, abraços afetuosos…
    Sonia N.

  164. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    PRIMEIRA PARTE – AO SR. VÍTOR MOURA E A TODOS.

    Fica muito difícil manifestar-me diante da torrente de injúrias que me foram lançadas na última “mensagem” (se é que se a pode assim chamar) da sra Sônia N. Tal invectiva não mereceria em absoluto qualquer tipo de resposta, mas, ainda que penosamente, devo fornecer uma. Em parte porque, se não o fizesse, essa sra provavelmente pensaria ter obtido alguma vantagem sobre aquilo que defendo (embora, creio, qualquer um que esteja acompanhando com isenção o desenrolar dos fatos perceba claramente não ser esse o caso). Mas, principalmente, como uma satisfação às pessoas que acompanham este “blog”. De qualquer modo, a última manifestação da sra Sônia N. me fez pensar bastante. E tenho que admitir que, realmente, estava muito equivocado com relação a algumas coisas.

    Assim, esta minha resposta terá duas partes. Uma (esta primeira) endereçada ao sr. Vítor Moura e a todas as pessoas que acompanham este “blog”. E outra (a próxima) endereçada especificamente à sra Sônia N.

    Como já (exaustivamente) expliquei, meu estudo não diz respeito à existência de espíritos, ou à possibilidade de comunicação entre os vivos e os mortos, a partir da vontade de pelo menos uma das partes (o cerne do “Espiritismo”), ou mesmo à mediunidade do sr. Francisco Cândido Xavier. Ele é bem mais restrito – diz respeito à verificação histórica do fato do “guia” de Xavier, dito “Emanuel”, ter sido, numa outra encarnação, um certo Públio Lêntulo, senador contemporâneo de Cristo, bisneto do conspirador catilinário Lêntulo Sura, que escreveu ao Senado (ou ao Imperador) um relatório sobre Cristo, etc. Tudo isso não fui eu que afirmei; foi o próprio “guia”. Ou é mentira, ou é verdade. A questão é importante porque: a) se verídica, lançaria uma nova luz sobre a existência e a mensagem de Cristo; b) dessa pretensa identidade de “Emanuel” derivou muito da autoridade de Xavier. E como o “guia” afirma uma série de fatos historicamente verificáveis, tanto tendo em vista sua própria pessoa, e sua ancestralidade, quanto também referentes ao modo de vida e à estrutura político-administrativa do Império Romano sob os Júlio-Cláudios, pôde-se submeter todas essas informações, mais especificamente as constantes na psicografia “Há Dois Mil Anos”, a uma análise histórica cuidadosa. Num outro trabalho (não publicado neste “blog”), já havia demonstrado que o modo pelo qual Xavier/”Emanuel” nomeia os romanos em sua psicografia era completamente diferente do modo como os romanos eram efetivamente nomeados, no período em questão. Mas não entremos nesse detalhe específico. Meu estudo atual ainda não se encontra completo. A parte que aqui foi postada diz respeito à análise da existência desse tal Públio Lêntulo e à plausibilidade da sua “missão” à Judéia.

    Provar uma negativa, ainda mais em História Antiga, é um trabalho hercúleo. A inexistência dum “Públio Lêntulo” bisneto de Lêntulo Sura somente poderia ser provada, p.ex., se houvesse sobrevivido (ou se se vier a descobrir) alguma fonte fidedigna que informasse que Lêntulo Sura não teve descendentes masculinos que lhe houvessem sobrevivido. Isso, de fato, não existe, até ao presente momento. Não obstante, puderam ser levantados argumentos históricos bastante sólidos (calcados numa bibliografia que procurou seguir o “estado da arte”, e que encontra-se disponível, em detalhes, para verificação e escrutínio, no final do trabalho – basta baixar o respectivo arquivo no “4shared”) no sentido de tornar a existência desse Lêntulo muitíssimo implausível: a) não se conhecem descendentes de Lêntulo Sura, ao contrário, tudo indica que ele não os teve, já que foi seu enteado Marco Antônio que teve de providenciar suas exéquias; b) nenhum dos Lêntulos citados na época imperial, de Augusto e dos Júlio-Cláudios (portanto, contemporâneos de Cristo e da geração apostólica), pode ser considerado como descendente de Lêntulo Sura; c) nenhum desses Lêntulos históricos é citado na psicografia; d) os únicos Lêntulos citados na psicografia (o próprio Públio Lêntulo e um seu “parente”, Sálvio Lêntulo) não são citados nas fontes históricas; e) toda a “mise-en-scène” histórica da psicografia é derrubada pelo conhecimento factual de que se dispõe sobre a sociedade romana, e judaica, bem como sobre a estrutura político-administrativa e social do Império Romano na época: p.ex., nenhum senador exerceria funções “em Esmirna”, nem iria numa “missão” numa província procuratoriana como a Judéia; e, enfim, não houve nenhum Lêntulo no “conselho de guerra” de Tito por ocasião da guerra judaica.

    Isso tudo no que diz respeito ao texto aqui presente. Como continuação, investigo a origem da imagem canônica, usual, de Cristo (o adulto barbado e de cabelos compridos), e posso demonstrar: a) que tal imagem somente se formou a partir dos finais do séc. IV dC, e que só se tornou dominante a partir do séc. VI dC, ou depois; b) que, antes dessa época, havia desacordo sobre o aspecto físico de Jesus, pelo fato de nenhuma tradição genuinamente antiga referente a esse tema ter sido preservada; c) que, portanto, a descrição do rosto de Jesus presente na “epistula Lentuli” (que coincide com a imagem “canônica”) aponta fortemente para o fato de que o documento seja, no mínimo, posterior ao séc. V dC. Uma boa porção dessa 2ª parte de meu trabalho já se encontra neste “blog” (“Estudo da Aparência Física de Jesus”, partes 1 a 4). Ainda faltam alguns detalhes para concluir esse estudo acerca da aparência de Cristo – principalmente documentando o progressivo triunfo da nova imagística, ao longo dos séculos V, VI e VII dC; a crise iconoclasta em Bizâncio, no séc. VIII dC e na 1ª metade do séc. IX dC; e o triunfo final da nova imagem, suplantando enfim todas as demais representações, a partir do triunfo da ortodoxia, em 843 dC e depois.

    Por fim, faltaria analisar o próprio documento em si: e mostrar que não há nenhuma menção dele até ao séc. XV dC; que ele parece ser uma adaptação dum trecho do Prólogo da “Vida de Cristo” de Ludolfo da Saxônia, do final do séc. XIV (de texto bastante semelhante, mas no qual não se menciona nenhum “Lêntulo”); que a descrição do rosto, baseada na imagem “canônica”, estava fortemente influenciada pelas descrições dos manuais de pintores sacros bizantinos e tardo-medievais, etc. Isso ainda terá que aguardar. Estou organizando o material, checando e re-checando informações, etc.

    Portanto, todo o estudo acerca de Lêntulo/Emanuel apresenta-se em três vertentes: a) a do autor; b) a da imagem; c) a da carta, em si. O item “a” está completo, e já lança seriíssimas dúvidas (bem sustentadas) acerca da identidade do “guia”; o item “b” encontra-se quase completo; o que já foi aqui postado é suficiente, creio, para demonstrar que a descrição de Cristo, a “physiognomia Christi”, presente na carta, não poderia ter sido escrita por um contemporâneo. O último item, “c”, ainda não se encontra disponível – mas mostrará que não há nenhum indício de que a “carta” tenha existido antes do séc. XV, ou talvez do fim do séc. XIV.

    Tudo isso muito bem documentado. Sem nenhuma afirmação gratuita. Com a bibliografia correspondente posta às claras.

    Apesar de esperar oposição, eu (e nisso, reconheço, fui muito ingênuo, e mesmo estúpido) esperava que um assunto assim tão grave, e posto por mim duma forma a mais cuidadosa e documentada possível, geraria discussões num nível e numa tônica totalmente diferentes daquelas aqui verificadas – ainda mais tendo em vista os princípios que os espíritas kardecistas esposam, ou dizem esposar. No geral, esperava três coisas: a) inicialmente, tinha confiança de que as discussões seriam educadas, já que eu também havia procurado mostrar o máximo de educação e isenção; b) também esperava questionamentos especificamente ligados aos aspectos do trabalho em si – mostrando eventuais falhas na bibliografia (existência de outras fontes, p.ex.), ou mesmo falhas no uso da própria bibliografia; c) enfim, esperava que elas se mantivessem restritas ao tema, e que não fossem desviadas para outros assuntos, que não faziam (e não fazem) parte do estudo.

    Como disse, enganei-me totalmente. Infelizmente, creio que, quanto a isso, superestimei os espíritas kardecistas – ou, ao menos, alguns deles. De todos os questionamentos, os únicos que praticamente tiveram algo a ver com o texto em si, exprimindo dúvidas legítimas, foram as intervenções do sr. Sr. Lair Amaro, entre os dias 6 e 8 de janeiro de 2009. E, no que concerne ao posicionamento necessário ante a pesquisa, a única consideração digna foi a da pessoa denominada “Codename”, de 17 de julho de 2008, que merece ser reproduzida na íntegra, já que concordo com cada uma de suas palavras:

    “Pessoal. Espíritas como eu, principalmente. Vamos estudar. Ao invés de perder tempo discutindo a idoneidade do Vitor ou do produtor deste artigo, analisem com calma o estudo, façam comparações e procurem outras fontes que foram deixadas de lado (se é que foram, mesmo). Movimentem-se, analisem cautelosamente. Façam a união, rebatam os argumentos com coerência e parem de choramingar como se fossem o Vitor e o Sr. José Carlos dois monstros com a finalidade de destruir crenças. Até onde eu sei, Allan Kardec era humano. E os médiuns que ele consultou também. Nada está isento de erros. Isso é tudo. Estudem. Simplesmente. A Doutrina não é dogmática. Ela é relativa, como relativa é nossa ciência. Mas ainda assim: ela precisa de defensores sérios, e não detratores da moral alheia (como já vi colegas em relação ao dono do blog). Isto é bobagem, bem como perda de tempo. O tempo vai decidir se Emmanuel é uma fraude. Anteriormente achei-o uma perda de tempo, já que era mesmo muito difícil provar a existência da personalidade romana. Mas agora considero-o uma necessidade (principalmente após perceber certos comportamentos vergonhosos por aqui). O Vitor está fazendo um serviço que muitos espíritas de carteirinha deveriam ter a coragem de fazer (em relação a tudo o que se diz ‘espírita’). Passar bem.”

    Essas considerações ponderadas foram levadas adiante? Bem, respondam-me os leitores…

    O que se tem visto, ao invés (e, mais uma vez, apelo ao testemunho dos próprios leitores), tem sido uma continuada tentativa de, através de meios sórdidos, desacreditar a pesquisa, já que, contra ela, ao que parece, nenhuma evidência sólida pode ser apresentada. Tal tentativa vem sendo expressa, resumidamente, das seguintes maneiras: a) mediante ataques à minha pessoa, inclusive caluniosos, como se, atacando a pessoa, não precisassem mais debater a pesquisa e o seu conteúdo; b) desdenhando da pesquisa histórica em si, dizendo (sem qualquer fundamento) que “documentos se perderam”, que “não podemos confiar na História oficial”, enfim que há uma “conspiração” contra o Espiritismo e contra Xavier/Emanuel, e outras bobagens do gênero; enfim, c) levando a questão para outros lados, desviando-a de seu fulcro, que é a evidenciação da identidade do “guia” – isso é o que tem sido feito ultimamente, com as posições (passionais e irracionais) de justificativa de Xavier a partir de sua “mensagem” e das “obras” a ele ligadas, e, mais recentemente, claro, um ataque à Igreja Católica – como se esses assuntos fossem o tema da discussão, ou tivessem alguma vez sido questionados, ou como se pudessem “resolver” magicamente a questão da identidade do “guia”.

    Em todos esses casos, demonstram meus acusadores, constantemente, não apenas hostilidade, mas até mesmo um quê de indignação, como se estivessem sendo pessoalmente insultados. Descambando para o insulto puro e simples e para o escárnio grotesco, dão-se, ao mesmo tempo, ares de “perseguidos”…

    De fato, quanto a isso, somente posso citar, como pertinente, o comentário do sr. Juliano, postado no dia 2 de março do presente ano neste mesmo blog, mas no tópico referente ao “affair” de Waldo Vieira (“Waldo Vieira acusa Chico Xavier e outros médiuns de Uberaba de Fraude”); embora escrito num outro contexto, peço ao autor licença para utilizar suas palavras, já que elas encaixam-se aqui como uma luva: “(…) antes de mais nada, digo que eu sempre desconfiei do discurso do amar, amar, amar. É amar, amar, amar o próximo para todo o lado, quando todo mundo fala a mesma língua. Uma moleza. Mas é só contrariar um pouco que o patrulheiro raivoso aparece por trás do santo.”

    É irônico nisso tudo que essas pessoas se apresentem como defensoras do Espiritismo kardecista e de um de seus maiores representantes nacionais, Francisco Cândido Xavier. Mas, investiguemos então mais profundamente a questão. De fato, há vários modos de se avaliar as opiniões duma pessoa. Um deles é aplicar-lhes os próprios princípios nos quais dizem acreditar. Assim, já que essas pessoas se dizem espíritas kardecistas, ou então defensoras do Espiritismo kardecista, nada mais justo do que dar a palavra a Kardec, e ver, através duns poucos exemplos, o que ele teria a dizer acerca de temas correlatos ao presente “debate” (se é que se trata, mesmo, dum debate) – a numeração das páginas, nas citações a seguir, refere-se às últimas edições, em extensão “pdf”, disponíveis para “download” no portal da Federação Espírita Brasileira:

    Sobre como se comportar diante das investigações científicas, em geral, e de qualquer investigação racionalmente baseada, em particular:

    I) “O Espiritismo, pois, não estabelece como princípio absoluto senão o que se acha evidentemente demonstrado, ou o que ressalta logicamente da observação. (…) Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.” (“A Gênese”, cap. I, “Caráter da Revelação Espírita”, seção 55, pág. 59)

    II) “Lançar anátema ao progresso, por atentatório à religião, é lançá-lo à própria obra de Deus. É ao demais, trabalho inútil, porquanto nem todos os anátemas do mundo seriam capazes de obstar a que a Ciência avance e a que a verdade abra caminho. Se a Religião se nega a avançar com a Ciência, esta avançará sozinha.” (“A Gênese”, cap. IV, “Papel da Ciência na Gênese”, seção 9, pág. 116)

    III) “Somente as religiões estacionárias podem temer as descobertas da Ciência (…) Uma religião que não estivesse, por nenhum ponto, em contradição com as leis da Natureza, nada teria que temer do progresso e seria invulnerável.” (“A Gênese”, cap. IV, “Papel da Ciência na Gênese”, seção 10, págs. 116-117)

    Sobre como se deve entender a fé:

    IV) “Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade.” (“O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. XIX, “A Fé Transporta Montanhas”, item “A Fé Religiosa – Condição da Fé Inabalável”, seção 7, pág. 388)

    Sobre o que é, efetivamente (ou, o que deveria ser), “caridade” para o Espiritismo:

    V) “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? [Resposta dos espíritos] Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.” (“O Livro dos Espíritos”, cap. XI, “Da Lei de Justiça, de Amor e de Caridade”, seção “Caridade e Amor ao Próximo”, Pergunta nº 886, pág. 497)

    Sobre como se comportar diante de “revelações” e de “mensagens”:

    VI) “Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom-senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.” (“O Livro dos Médiuns”, cap. XX, “Da Influência Moral do Médium”, item 230, pág. 340)

    Que isso baste, por enquanto.

    O peixe morre pela boca. Não são palavras minhas. São as do próprio Kardec. Julguem os leitores se essas pessoas que se colocam, aqui, como defensoras do Espiritismo, conhecem, de fato, o Espiritismo.

    Não sou eu que as condeno; não, em absoluto. É o próprio Kardec, em quem depositam sua confiança, que as condena.

    Mas mais irônico ainda é que tudo isso poderia ter sido, como se costuma dizer, “cortado pela raiz”, se, p.ex., apenas a citação “VI” de Kardec acima reproduzida tivesse sido utilizada quando, nas longínquas Gerais, no final da década de 1930, um certo médium afirmou ter como “guia” um espírito denominado “Emanuel”, que havia sido, entre outras encarnações, o senador Públio Lêntulo, contemporâneo de Jesus, autor dum relatório sobre Ele ao Imperador (ou ao Senado), etc., etc., etc. (!!!) Alegações, sem dúvida, tremendas. Nos grotões do Brasil, reencarnava-se a fina flor da aristocracia romana! Fantástico! Valeria a pena ir-se pesquisar um pouco mais a situação. Afinal, os espíritas kardecistas orgulham-se de sua “fé raciocinada”…

    Um intelectual espírita (eu ainda acredito que os há, e creio que, talvez com mais probabilidade, os haveria na então capital federal brasileira nos finais da década de 1930), atuante na FEB, no Rio de Janeiro, ao ter conhecimento desses fatos assombrosos, poderia ter dedicado algum tempo a pesquisar acerca desse tal “Lêntulo”, contemporâneo de Jesus, etc. Talvez não tivesse acesso à edição da “The Catholic Encyclopaedia” de 1913, onde há um contundente artigo sobre “Publius Lentulus” (esse artigo está disponível “online”, para quem quiser, é só procurar via “Google”) – não sei se havia disponível, na Biblioteca Nacional, um exemplar dessa obra, e nem sei se ela seria encontrada com facilidade. Mas, se ele fosse à Biblioteca Nacional, na Cinelândia, com certeza poderia consultar a “La Grande Encyclopédie” (Paris, H. Lamirault et Cie. Éditeurs), que já estaria disponível (já que os volumes ostentam um carimbo datado de 1935 do catálogo da “Bibliotheca Nacional”); como um intelectual, e, mais ainda, nos anos 1930, leria facilmente o francês. E, no tomo 22, pág. 18, após a enumeração dos Lêntulos históricos (esses, sim, existiram…), poderia ler: “Le Publius Lentulus, prédécesseur supposé de Pilate en Judée, auquel on a atribué une lettre ao Sénat décrivant la physiognomie de Jésus-Christ, n’as pas de caractère historique”.

    Hum… estranho… Precisamos ser prudentes (pensaria esse intelectual espírita), afinal, o Codificador já nos havia alertado quanto a situações assim… Mas ele não desiste; é um homem de fibra, disposto a dar ao médium mineiro o benefício da dúvida, e vasculha a vetusta biblioteca com mais atenção… temas históricos… nada… temas bíblicos… e, então, encontra uma obra que lá já estava desde o início do século (XX), o “Dictionnaire de la Biblie”, de F. Vigouroux e outros, Letouzey & Ané Éditeurs, Paris, 1908. E, no seu quarto tomo (quatrième tome), entre as colunas 167 e 172, encontra então um belo e detalhado verbete acerca de “Publius Lentulus”. Lá poderia ler, entre outras coisas, o seguinte:

    “Publius Lentulus: personnage immaginaire auquel on attribué une lettre apocryphe décrivant la personne de Notre Seigneur. Il est pensé avoir été gouverneur de la Judée, avant Ponce Pilat, et avoi écrit la lettre qui suit au Sénat romaine.”

    (…)

    “L’Epistula Lentuli se trouve en manuscrit dans de nombreuses bibliothèques. Elle fut imprimé d’abord dans La ‘Vita Iesu Christi’ de Ludolphe Le Chartreux, qui parut in-fo à Cologne, 1474, Prooemium, 14 (t. I. pag. 10, de l’édition de Paris, 1870), et à Nuremberg em 1491 dans l’Introduction aux oeuvres de Saint Ansèlme de Cantobéry (E. von Dobschütz, ‘Christusbilder’, 309-10, et L. Hain, ‘Repertorium Bibliographicum’, t. I, 1826, n. 1163, p. 126), ainsi que dans les ‘Opuscula’ du même docteur, sans date. Plus tarde, elle fut reproduite dans l’Ecclesiastica Historia per Aliquot Studiosos et Pios Viros in Urbe Magdeburgica, connue sur le nom de ‘Centuries de Magdebourg’, 13, in-8º, Bâle, 1559-1574, t. I, p. 344. Elle a eté souvent réimprimée depuis, en particulier dans plusieurs collections de livres apocryphes du Nouveu Testament. L’auteur de cette lettre s’était visiblement proposé de satisfaire la pieuse curiosité des fidèles, avides de détails sur la personne de Notre-Seigneur.”

    (…)

    “La lettre de Lentulus est une composition apocryphe; la caractère apocryphe de cette lettre est indubitable. Les copistes savent trop quel titre donner à son auteur prétendue; ce titre varie dans la plupart des manuscrits qu’on en connait; les uns l’appelent proconsul, d’autres gouverneur ou ‘praeses Hierosolymitanorum”, etc. Leur embarras provient de ce qu’il n’y a jamais eu à Jérusalem ni en Judée de gouverneur de nom Lentulus.”

    (…)

    “D’ailleurs, un Romain n’aurait jamais pu employer plusieurs des expressions qu’on lit dans la lettre: ‘propheta veritatis’, ‘filii hominum’; ce sont là des hébraïsmes, et le dernier est emprunté au Ps. XLIV, 3. La dénomination de ‘Jesus Christus’ trahit aussi une époque postérieure et est emprunté au Nouveau Testament. Enfin, sans relever d’autres détails, notons que, si elle avait été écrite par um procurateur de Judée, elle aurait été adressée non au Sénat, mais à l’empereur, parce que la Syrie, dont faisait partie La Judée, était une province impériale, et non une province sénatoriale.”

    (…)

    “Aucun ancien écrivain ecclésiastique n’a parlé de la lettre de Lentulus, quoiqu’ils aient si souvent cité les autres écrits apocryphes connues de leur temps.”

    (…)

    “Le manuscrit d’Iéna qui contient l’Epistula Lentuli part à la fin ces mots: ‘Explicit epistula Iacobi de Columna, anno Domini 1421 reperit eam in annalibus Romae, in libro antiquissimo in Capitolio ex dono Patriarchae Constantinopolitani’. Si l’on peut s’en repporter à cette note, la lettre aurait donc été envoyée de Constantinople au XVe siècle, comme présent à la cour romaine et un Jacques Colonna, de l’illustre familie de ce nom, l’aurait travée em 1421 au Capitole et insérée dans les Annales de Rome. Mais le patriarche de Constabntinople n’avait pu envoyer em Italie que des manuscrits grecs et le premier auteur de la Epistula Lentuli dut s’en servir pour la composer. Sa parenté avec le portrait tracé par Nicéphore [Callixte Xantopoulos] est incontestable: l’un et l’autre ont puisé à des sources communes. D’aprés E. von Dobschütz, ‘Christusbilder’, p. 330, elle est probablement pour le fond d’origine grec, mais elle a été rédigée en latin, en Occident, au XIIIe siècle ou au XIVe siècle; elle a reçu de quelque humaniste du XVe siècle ou du XVIe siècle la forme nouvelle sous l’aquelle elle s’est répandue partout dans l’Église latine”.

    De forma bem abreviada, mas igualmente bem documentada, e isenta, teria o nosso intelectual espírita uma série de informações, disponíveis, sobre esse tal “Lêntulo”, que teria sido uma das “encarnações” do médium das Gerais. Levaria isso imediatamente ao conhecimento da FEB, recomendando, na melhor das hipóteses, a máxima prudência com relação à nova “maravilha”. De fato, o melhor, tendo em vista o que havia prescrito o Codificador, (“não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência” (…) “fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai (…) o que a razão e o bom-senso reprovarem” (…) “melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea”), o melhor mesmo era esquecer esse assunto. Discretamente. Um Espiritismo sadio não necessitaria disso.

    Não é assim que devia ter sido? Ou eu estou alucinado? Não é assim que autênticos seguidores de Kardec deveriam ter procedido? Ou perdi alguma coisa?

    Agora, o que eu peço aos próprios espíritas kardecistas (pois creio que, na multidão de pretensos seguidores, os há, ainda, de verdade) é o uso dos próprios princípios de Kardec para a situação atual. Porque, da mesma forma que, como se costuma dizer, o patriotismo é o último refúgio dum canalha, igualmente a hostilidade, o fanatismo e a (pseudo) indignação são o último refúgio daqueles que não têm argumentos válidos a apresentar.

    Fico por aqui, e agradeço a paciência dos que leram esta mensagem até ao final. É óbvio que, diante das circunstâncias, a partir de agora abster-me-ei de qualquer interferência que não seja especificamente ligada ao tema da pesquisa, e mais, apenas se disser respeito a dúvidas ou objeções educada e racionalmente expressas.

  165. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    SEGUNDA PARTE – À SRA “SÔNIA N”

    Agora, sra Sônia N., vamos então tratar dos nossos assuntos.

    Apesar do início pouco auspicioso, eu, sinceramente, cheguei a pensar que poderia haver entre nós um diálogo baseado num mínimo de cortesia e de respeito mútuo – respeito inclusive às diferenças, o “concordar em discordar”. Enganei-me. Devia ter prestado mais atenção, desde o princípio, ao seu primeiro comentário no que dizia respeito a minha pesquisa (8 de fevereiro deste ano): “li alguma coisa a respeito dos estudos históricos a respeito de Publio Lentulus, estudos estes elaborados por José Carlos Ferreira Fernandes. Tal qual o comentarista Carlos Magno, não consegui ler na íntegra, por conter, o que parece ser, verborragia proposital e cansativa, para darmos por favorável a finalização, ao estudioso em questão. É tão grande que não temos condição alguma de checar qualquer coisa.”

    Acusação bem grave, não? E com base em quê? Aliás, a sra já leu toda a pesquisa? Porque, pelo jeito, minha mente a sra consegue ler, e minhas intenções descobrir, pondo a nu uma “conspiração” para atacar o Espiritismo e o seu tão amado Xavier, através dum como que acúmulo de dados… Justos Céus!

    “Verborragia proposital e cansativa”. Se não se apresentam as fontes, e nem se detalham os argumentos, o texto, o seu conteúdo e as suas conclusões são gratuitos, e não devem ser levados em conta (e nisso há total razão, diga-se de passagem); mas quando, ao contrário, se apresentam as fontes e se detalham os argumentos… bem, como se está “contra” o tão amado Xavier, trata-se (óbvio!) de “verborragia proposital e cansativa”… Mostra-se aí, com a maior clareza possível, a desculpa dos incapazes de analisar um texto e de apresentar, se fosse o caso, argumentos lógicos e válidos sequer para o criticar, quanto mais para o refutar. Foi esse comentário que gerou minha resposta de 9 de fevereiro, à qual a sra respondeu no dia 10, num tom (aparentemente) mais ameno, seguindo-se então uma troca de mensagens nas quais, no geral, parecia-me que era possível entabular, como já citei, um diálogo construtivo. Mas, mesmo nessa ocasião, e nas seguintes, a sra não perdeu nenhuma oportunidade de “torcer” meus argumentos, e de dar a entender que eu tinha dito o que, de fato não tinha. Apenas alguns (poucos) exemplos: a) insinuando (obviamente, sem qualquer base) que meu trabalho de pesquisa era uma mera compilação de dados (mensagem sua de 10 de fevereiro), quando conclusões foram apresentadas, de forma lógica, a partir de todos os dados levantados; b) dando a entender que eu estava “pondo em dúvida a honestidade do trabalho de um homem tão honrado como Chico Xavier” (mensagem sua de 12 de fevereiro), quando isso nem de longe estava sendo debatido (debatia-se a identidade do “guia”, lembra-se?); c) insinuando que eu estava comparando a “era de horror” de Torquemada e da Inquisição ao “amor” das psicografias de Xavier (mensagem sua de 18 de fevereiro), quando isso tinha sido claramente utilizado num contexto de defesa da tese de que basear-se apenas “na mensagem” e, “pela mensagem”, justificar-se tudo, era algo insuficiente e mesmo perigoso; d) após um período de aparente “distensão”, novamente insistindo (mensagem sua de 20 de fevereiro) nas “obras”, no “caráter” e na “mensagem” de Xavier, algo que, em absoluto, não era (e não é) o objeto da pesquisa – o que acabou gerando minha mensagem de 21 de fevereiro; e) enfim, na sua mensagem de 21 de fevereiro, torcendo miseravelmente o meu símile do “milionário malvado”; declarando peremptoriamente que a Igreja Católica havia sido originada a partir de ganância e de egoísmo, etc.; e, na mesma mensagem, fazendo troça, e troça grosseira, de minhas palavras, quando eu lhe solicitava, da maneira mais polida que me foi possível, que usasse o mesmo peso e as mesmas medidas na análise das várias situações ou instituições – já que se tornava evidente tanto a sua excessiva condescendência com relação a tudo o que dizia respeito a Xavier quanto a sua excessiva dureza e exigência com tudo o que era contrário a Xavier, e, também, com tudo o que se referia à Igreja Católica.

    Foi a partir de então, ao que me parece, que a situação por fim degenerou – ou melhor, que a máscara caiu. As únicas coisas que lhe pedi, sra, nas mensagens seguintes, resumidamente, foram: a) coerência nos seus critérios de julgamento: ou condescendência para com tudo, ou dureza para com tudo; b) que mostrasse quais as evidências para a sua opinião tão taxativamente negativa acerca da Igreja – ou então, se não as pudesse mostrar, que se expressasse com a devida cautela.

    A todas as suas mensagens eu procurava responder com a maior clareza e educação possível, porque acreditava na sua boa-vontade. Relevei tanto o seu insulto inicial quanto várias outras insinuações suas feitas nas entrelinhas (das quais alguns exemplos citei acima). Afinal, somos todos seres humanos, e temos as nossas paixões. Devo, mais uma vez, confessar que enganei-me; chegou-se a um nível intolerável, e absolutamente indigno deste blog e de seus leitores – e não por minha culpa.

    Nunca lhe pedi que abandonasse suas opiniões – óbvio. Apenas pedi-lhe que as justificasse (caso as enunciasse taxativa e autoritariamente), ou então que as continuasse expressando, mas que as expressasse com prudência. Creio que não lhe pedi nada demais. Falando a sra o que fala da Igreja, põe todos os católicos (passados, presentes e futuros) no mesmo saco, ou como ingênuos enganados, ou como manipuladores enganadores – sem direito a uma terceira opção. Na sua opinião, sra Sônia N, nenhum de nós presta – ou somos bobos, ou somos maus. O que eu (sincera e ingenuamente) esperava é que a sra moderasse um pouco a sua linguagem (afinal, eu sempre procurei ser educado consigo; eu nunca insultei Xavier como pessoa, nem as obras meritórias que se fizeram sob a sua égide, e nem tampouco insultei o Espiritismo; foi a sra mesma quem falou em romances espíritas sobre os quais, “tendo-se lido um, lêem-se todos”; igualmente, foi a sra quem trouxe à baila restrições acerca da liderança espírita). Mas (agora reconheço), sem querer, toquei num seu ponto sensível – o seu ódio (irracional) contra a Igreja. A sra, em seu ódio irracional, pensou que poderia, mesmo, a partir de algumas consultas à Internet, “provar” que a Igreja Católica não prestava; mesmo diante de minha sugestão de que esse assunto fosse tratado em particular, já que se desviava por completo do tema do blog (mensagem minha de 7 de março), a sra insistiu em torná-lo público, e disponível aos leitores do blog, como “forma democrática de analisarem TODOS os fatos históricos ligados ao que convencionamos chamar de Cristianismo”, insinuando mesmo que eu subestimava a sua inteligência, por não querer (pretensamente) mostrar a todos a real situação da Igreja (mensagem sua de 7 de março) – o “horror que semeiam e a peçonha que espalham ao longo de 1.600 anos de dominação e manipulação, tanto de ‘nobres’, quanto de ‘burgueses’” (mensagem sua de 10 de março).

    E a sra, é claro, na mesma mensagem, compara “sua” “pesquisa” (feita em poucos dias, e a partir de portais da Internet mais do que duvidosos…) e a “minha”; suas palavras, sra: “na sua, você apenas não encontrou o que procurava: o nome de Públio Lêntulus/Emmanuel. Só isso! E nem assim, fica invalidado o que, no seu entender, essa ‘suposta mentira’, tenha trazido de Bem prá tanta gente. Na minha, encontrei tudo que não deveria ter encontrado: crimes, traições, mentiras, estupros, pedofilias, abortos, roubos, saques, feitiçarias, torturas, enfim, o inferno descrito por Dante, seria um Parque de Diversões. E esta é a História do Catolicismo Romano e, conseqüentemente, do Vaticano e seu Papado. Os instrumentos de tortura, criados por eles, na época de Inquisição é melhor nem lembrar. Algumas das matérias que eu postei, trazem os desenhos originais. Nascer mulher naqueles tempos era um verdadeiro martírio. Sorte daquelas que não vingavam e já nasciam mortas…”

    Quanta má fé! Quanta falta de “caridade”! Minha pesquisa dizia (diz) respeito à identidade do “guia” Emanuel. Só isso. Ele poderia ter sido Lêntulo? Sim ou não – tudo girou em torno disso, e é claro que as conclusões teriam de se limitar a isso. A sua, sra, nem pesquisa é, é um apanhado mal-arranjado de textos da Internet, sem verificação ou checagem, fruto de ódio e não de desejo de conhecimento, escolhidos pura e simplesmente porque são contrários ao Catolicismo. Qualquer um, sra, é capaz de fazer, como a sra fez, uma “pesquisa” desse mesmo nível, em poucos dias, provando qualquer coisa que queira. Eu mesmo poderia recolher uma série de “podres” (reais ou fictícios, pouco importa) sobre o Espiritismo, sobre Kardec, sobre Xavier, apenas “googlando”, e brindar as pessoas com uma “comprovação” de que o Espiritismo/Kardec/Xavier não prestam. Se a sra aceita esse “método” (!!!) nojento como válido para a SUA pesquisa, teria então que aceitá-lo para QUALQUER pesquisa – e engolir, calada e sem reclamar, qualquer coisa “anti-espírita” e “anti-Xavier” que um “pesquisador” “sério”, do mesmo naipe que a sra, pudesse obter na Internet. E obteria, sra, pode ter certeza que obteria… Ah, é claro, desculpe-me, esqueci-me que a aplicação de “mesmo peso, mesma medida” não é o seu forte, sra Sônia N. Mas não preciso insistir muito nisso, já que, como todos viram, a sra caiu em sua própria armadilha; o escorpião picou-se a si próprio, injetou em si mesmo sua peçonha insana – e a sra fornece, entre outras pérolas contra a Igreja Católica, uma peça “agit-prop” comunista e um texto duma pesquisadora evangélica anti-católica que, igualmente, abomina o Espiritismo… Fantástico, sra Sônia N!

    Agora, pense um pouco comigo: o que Kardec, o seu Kardec, acharia de tudo isso? Entre a MINHA pesquisa e a SUA pesquisa, qual ele provavelmente respeitaria mais, e com qual a sra pensa que ele teria mais probabilidade de concordar? Se não leu, releia as citações de Kardec que postei na mensagem anterior, e aprenda um pouco do Espiritismo que a sra diz (equivocadamente) seguir…

    Se Kardec vivesse nos anos 1930 no Brasil, é quase certo que, à luz de seus próprios princípios, rejeitasse as pretensões “lentulianas” do médium dos confins das Gerais. Não por ser dos confins das Gerais, ou por ser uma pessoa humilde – mas simplesmente porque a coisa não se encaixaria, de forma intelectual e racionalmente válida, no ainda que incompleto conhecimento histórico disponível (demonstrei isso em minha mensagem anterior). Se vivesse hoje, é provável (mais uma vez, seguindo seus próprios princípios) que, ainda que dum modo discreto e diplomático, passasse a revisar criticamente toda a “revelação” de Emanuel/Lêntulo. “Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom-senso reprovarem. (…) Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea”; “se uma verdade nova se revelar, ele [o Espiritismo] a aceitará”; “se a Religião se nega a avançar com a Ciência, esta avançará sozinha”. Foi assim que a sra procedeu, sra Sônia N?

    Isso porque, quer no Brasil dos anos 1930, quer atualmente, creio, Kardec esperaria encontrar “kardecistas”, não “kardecólatras” – e muito menos “chicólatras”. Pessoas com algum senso crítico, não “ovelhinhas de presépio”. Pessoas capazes de sustentar lógica e racionalmente suas convicções, não fanáticos com as mentes engolfadas pelo ódio, e absolutamente impermeáveis a qualquer argumentação ponderada.

    (Continua…)

  166. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    (…continuação)

    Agora, enfim, passemos à resposta dos pontos que considero menos indignos de esquecimento de sua última mensagem. Embora a sra tenha tido a delicadeza adicional de escrever seus comentários em maiúsculas, eu os transcreverei em minúsculas. Meus comentários logo a seguir, entre “###’s”

    —(*)—

    “Para mim, a vida é eterna!”

    ### De certo modo também para mim, sra, quer no sentido de que acredito ser a alma imortal, quer no sentido de que a vida, em si, continua, mesmo depois que partimos. O que quis dizer é que o espaço de uma vida é breve. Quer se acredite (como nós, cristãos, acreditamos) que, após essa vida, suceder-se-á o julgamento divino, quer se acredite (como os espíritas) que haverá sucessivas encarnações, o fato é que cada vida, individualmente, é breve, e, ao longo de seu curso, escolhas devem ser feitas. ###

    Senti que, ainda que brevemente, não poderia furtar-me a adiantar-lhe algo sobre o papel da Igreja na própria constituição de nossa civilização ocidental. Em parte por sua insistência (que tomei – equivocadamente – como desejo de se esclarecer), em parte porque eu não sentia ser justo para consigo lançar uma frase assim tão forte sem que alguns pontos, pelo menos, fossem abordados, por mais superficialmente que fossem. Esperava, sinceramente, que as observações esparsas que esbocei servissem para aguçar-lhe a curiosidade e para fazê-la, sra, expor alguns questionamentos – havia muitas perguntas interessantes a serem feitas, mesmo a partir do pouco que escrevi. O que a sra me retornou, contudo, no geral, foi uma sucessão de deboches. Realmente, sra, assumo minha idiotice em pensar que estivesse (ou que esteja) à procura de esclarecimentos. Agora respondendo às suas, por assim dizer, “observações”:

    “Não, felizmente não sou dessa época”

    ### Não quis insinuar isso (e a sra bem sabe que não); quis apenas lembrá-la de que os “escandinavos” eram os “vikings”, já que o nome “viking” está, usualmente, mais presente na memória das pessoas. No meu entender, seu comentário, sra, foi absolutamente desnecessário, e pareceu apenas ter como objetivo debochar dum assunto sério. ###

    “Interessante a sua colocação!!!”

    ### Não é meramente interessante; é verdadeira. Esses povos estavam lá (ao menos no início) para saquear, matar e estuprar. ###

    “Que dureza, hem!”

    ### Sim, foi duro. E difícil. Decisões tinham que ser tomadas – e decisões vitais; muitas vezes, rapidamente, ao sabor das circunstâncias, sem planejamento prévio de espécie alguma. Nós, em nosso mundo atual, no qual gozamos, bem ou mal, de toda uma estrutura sócio-político-administrativa atuante, não podemos fazer idéia da situação na época. É claro, sra, que sua colocação foi, mais uma vez, pautada pelo deboche, dando inclusive a entender que minha observação era mentirosa – que a Igreja herdou uma sociedade rica e organizada. Pesquise seriamente, e verá que não. ###

    “Será que é porque não diz respeito à religião?”

    ### Sem dúvida, sra. A Igreja Cristã (diferentemente do Islamismo) não foi preparada pelo seu fundador (ainda bem!) para assumir a condução “civil” duma sociedade. Mas teve de improvisar, diante das circunstâncias. Se tivesse simplesmente “lavado as mãos” (como Pilatos), não estaríamos aqui. Algumas conseqüências dessa decisão ainda perduram. Muito fácil criticar; numa situação semelhante, o que a sra faria? ###

    “O quê???!”

    ### Quis dizer que, no fundo, a hierarquia ansiava pelo retorno dum governo civil suficientemente forte e organizado, mas que (obviamente) apoiasse e preservasse a estrutura eclesiástica. ###

    “Quero!” (…) “Não acredito!”

    ### Azar o seu, sra. Pesquise com cuidado (não apenas copie da Internet textos anti-católicos), e verá que as coisas foram efetivamente assim. ###

    “Que oportuno!”

    ### Não era oportuno, sra. Era simplesmente a constatação de que o poder civil (“gládio temporal”) e de que o poder eclesiástico (“gládio espiritual”) eram distintos. Em várias regiões, onde o colapso da autoridade civil foi completo, ou então onde a própria civilização foi erguida a partir da chegada do Cristianismo e da Igreja, restou apenas o representante eclesiástico (“bispo”) para cuidar de todos os assuntos, do melhor modo que fosse possível; diante dessa situação, alguns bispos (não todos – alguns, principalmente na Alemanha) assumiram também o governo civil de suas dioceses. Mas, mesmo nesses casos, sempre ficou claro que se tratavam de dois poderes distintos. Isso também ocorreu com o Papado; o Papa era o bispo de Roma (diretamente responsável, em termos eclesiásticos, pela diocese romana), o Patriarca do Ocidente (com supremacia doutrinal sobre toda a Igreja, e, mais especialmente, sobre a Igreja Ocidental, fora da pentarquia dos patriarcados orientais e da igreja autocéfala de Chipre) e soberano (secular) dos Estados Pontifícios. Houve uma época em que isso foi necessário – a única maneira de garantir um mínimo de independência de ação e de seriedade de propósitos ao Papado; depois, principalmente a partir do início do séc. XIX, tornou-se anacrônico. Tanto que os Estados Pontifícios foram absorvidos pelo reino italiano (à exceção do Vaticano), e, mesmo assim, o Papado sobreviveu. ###

    “Claro que não!”

    ### Tratava-se dum resumo, mais especificamente sobre como (e por quê) a Igreja Católica teve que assumir, ainda que reticentemente, a própria construção da civilização ocidental. Ir além do período medieval seria alongar por demais uma exposição a qual já não era breve. Obviamente, a sra, em seu ódio e malícia, tomou a expressão “que não interessa aqui explorar” como pretexto para dar a entender que eu estava me esquivando do assunto, ou então escondendo algo – afinal, não passo, como a sra mesma diz mais abaixo, dum católico manipulador, não é mesmo? ###

    “De novo?”

    ### Sim, de novo. Acostume-se a isso – foi o que efetivamente ocorreu. E era o que a Europa Ocidental de fato era: “carne de pescoço”. Pesquise (seriamente) e verá. ###

    “Recursos surgidos de onde?”

    ### Esses recursos foram, em parte, oriundos da base econômica ainda existente (mesmo que diminuída); depois, aumentados a partir do aumento da produtividade agrícola; e enfim, ampliados a partir da expansão da fronteira agrícola, tanto no “coração” da velha Europa quanto nas terras do Norte e do Leste, abertas à civilização (e à agricultura) principalmente pela ação das ordens monásticas. ###

    “Eu entendi perfeitamente que a Igreja cuidou muito bem de seu espólio.”

    ### Sim, e, com isso, possibilitou um desenvolvimento da agricultura, da tecnologia em geral, e da própria cultura, que viabilizou a civilização ocidental. A sra acha isso pouco? ###

    “Depois de quê?”

    ### Com isso, sra, quis dizer que não podia lhe prometer tratar dum assunto assim tão vasto e tão importante imediatamente. De fato, para além de minhas outras ocupações e deveres, tencionava (note bem, sra, tencionava, no passado…) ir discutindo consigo tais temas, à medida de suas dúvidas, e também das minhas (afinal, não sei tudo…) e de suas observações. Pensei, na minha ingenuidade, que isso fosse possível. Enganei-me. ###

    “Você reconhece isso?”

    ### Sem comentários. Pura malícia e deboche. ###

    “Com certeza, é mais do que suficiente!!!”

    ### Não é, mas é o que a sra terá. Apenas em consideração aos leitores deste blog (não à sra, mas a eles), algumas fontes que podem esclarecer, ao menos em linhas gerais, esse assunto (não se tratam de textos obscuros e suspeitos da Internet), derrubando o mito da Idade Média como “Idade das Trevas”, ilustrando também a importância da Igreja na consecução da nova civilização:

    a) “Engineering in the Ancient World”, J. G. Landels, University of California Press: uma visão geral acerca da tecnologia na Idade Antiga (para servir de comparação com o que posteriormente se desenvolveu na Idade Média);

    b) “Medieval Technology and Social Change”, Lynn White Jr., Oxford University Press: examina o papel da inovação tecnológica no desenvolvimento da sociedade medieval; trata do novo método de arreio dos cavalos (inclusive o uso dos estribos), sobre a “revolução agrícola” da Idade Média (novos arados e charruas, o uso do cavalo na agricultura, o afolhamento trienal, etc.), e máquinas e implementos;

    c) “A Revolução Industrial na Idade Média”, Jean Gimpel, Zahar Editores: mostrando que a Revolução Industrial do séc. XVIII mergulha suas raízes em plena Idade Média, “quando o mundo do trabalho foi literalmente transformado pela descoberta e uso de novas fontes de energia e de novas técnicas de fabricação”. Também observações sobre as “fazendas-modelo” cistercienses;

    d) “Cathedral, Forge, and Waterwheel – Technology and Invention in the Middle Ages”, Frances & Joseph Gies, Harper Perennial Ed.: “in this account of Europe’s rise to world leadership in technology, Frances and Joseph Gies make use of recent scholarship to show how early modern technology and experimental science were direct outgrowths of the decisive innovations of medieval Europe, in the tools and techniques of agriculture, craft industry, metallurgy, building construction, navigation, and war”. ###

    “Esse link (historiadomundo.com.br/idade-media/) é ótimo e não é religioso, é histórico. E fala mais ou menos as mesmas coisas que deixaram você tão indignado comigo – aconselho aos leitores do blog”

    ### Tem razão, sra, não é dos piores, especialmente tendo em vista o que há usualmente na Internet. Note que, na chamada do referido “link”, há o seguinte texto:

    [Quando falamos em Idade Média, é quase impossível não se lembrar daquela antiga definição que costuma designar esse período histórico como sendo a ‘Idade das trevas’. Geralmente, este tipo de conceituação pretende atrelar uma perspectiva negativista ao tempo medieval, como sendo uma experiência de pouco valor e que em nada pôde acrescer ao ‘desenvolvimento’ dos homens. Para entendermos tamanha depreciação, é necessário que investiguemos os responsáveis pela crítica à Idade Média. Foi durante o Renascimento, movimento intelectual do período Moderno, que observamos a progressiva consolidação desta visão histórica. Para os renascentistas, o expresso fervor religioso dos medievais representou um grave retrocesso para a ciência. Seguindo esta linha de pensamento, vemos que a Idade Média é simplificada à condição de mero oposto aos ditames e valores que dominaram a civilização greco-romana. Não por acaso, os renascentistas se colocavam na posição de sujeitos que se deram o trabalho de ‘seqüenciar’ o conjunto de traços culturais, estéticos e científicos que foram primados na Antiguidade Clássica e ‘melancolicamente’ abandonados entre os séculos V e XV. Entretanto, um breve e mais atento olhar ao mundo medieval nos revela que estas considerações estão distantes dos vários acontecimentos dessa época. Afinal de contas, se estivessem vivendo nas ‘trevas’, como seriam os medievais os responsáveis pela criação das primeiras universidades? Essa seria apenas uma primeira questão que pode colocar a Idade Média sob outra perspectiva, mais coerente e despida dos vários preconceitos perpetuados desde a Idade Moderna.]

    Ora, isso parece-me estar, no geral, mais próximo do que eu afirmei do que daquilo que a sra vem afirmando… É, sem dúvida, um razoável ponto para o início de investigações. Mas só para o início, e merece ser chamado “razoável” apenas tendo em vista o nível deplorável do que há na Internet. Deve-se levar em conta que, se o portal relativamente pouco fala dos progressos técnicos ocorridos na Idade Média (muitas vezes ligando equivocadamente as “novas técnicas” ao “declínio do feudalismo”), e mesmo da evolução da cultura medieval (há apenas um magro artigo acerca do tema, intitulado “Universidades na Idade Média”), dá um peso bem maior à Inquisição (artigos “Inquisição” e, principalmente, “As Torturas da Inquisição”). Claro, não podia deixar de ser. Sem alongar-me por demais no assunto, diga-se que a “Inquisição”, tal como se a conhece operacionalmente, iniciou-se no final do séc. XII (1183), no evento das guerras contra os albigenses, e não foi oficializada a não ser em 1233. Seu período mais ativo, contudo, iniciou-se no final do séc. XV, estendendo-se até aos finais do XVII. Assim, muito mais do que um assunto “medieval”, foi um assunto da “Idade Moderna”, com os tribunais inquisitoriais sendo usados pelo poder civil para fomentar a autoridade régia. Nisso se está numa outra época, sob outras circunstâncias.

    Se a sra estiver mesmo interessada em compor uma visão um pouco mais imparcial acerca da Inquisição, sugerir-lhe-ia consultar alguns portais católicos, para obter uma visão mais balanceada da questão. Procure no “Google”, sra, com o mesmo zelo com que procura textos anti-católicos.

    Acerca da cultura medieval, tão pobremente tratada nesse seu “ótimo link”, apenas à guisa de exemplo sugeriria, além da bibliografia já citada anteriormente, o “A Mensuração da Realidade”, de Alfred W. Crosby, da Unesp (edição original da Cambridge University Press), o importante “Herdeiros de Aristóteles”, de Richard E. Rubinstein, Editora Rocco – um livro muito bom, e relativamente barato; e, enfim, o portal relativo a Hugo de São Vítor e à teologia tomista, http://www.cristianismo.org.br/sumario.htm. Nesse portal a sra (se quiser) encontrará um “link” para a “Micro Book Studio”, http://www.microbookstudio.com/ebooks.htm. Em ambos os portais há material suficiente para uma boa avaliação da cultura medieval, podendo-se igualmente ver o ponto de vista católico sobre vários assuntos. ###

    “Você citou em uma das postagens, que saiu da Igreja; saiu de quê?”

    ### Exatamente, onde falei isso? Que palavras empreguei, e sob que contexto? Sinceramente, não me lembro de alguma vez ter dito isso. Eu nunca me considerei “fora” da Igreja – a não ser que a sra considere meu período de estudos e de “suspensão de juízo” como um período em que eu estava “fora” da Igreja. Eu não considero, pois nunca a reneguei. ###

    “Eu nem precisei fazer votos, já nasci pobre”

    ### Eu também, sra. Meus pais chegaram a este país sem nada, e tudo o que conseguiram, conseguiram com trabalho duro. Quanto a mim, nunca fui apadrinhado por ninguém (graças a Deus!), e o que tenho, obtive com meu esforço e perseverança, ajudado por Deus. ###

    “Você não respondeu à minha pergunta!”

    ### Respondi, sim. ###

    “Que bênção!”

    ### Sem dúvida. Ao contrário da sra, que, movida pelo ódio irracional, é anti-católica, eu não sou anti-espírita, embora não seja espírita e não concorde em absoluto com as idéias espíritas, quer as da corrente anglo-saxã, quer as da corrente francesa (“kardecista”), as quais considero – repito – um equívoco. Mas eu sentiria nojo dum católico que escrevesse “contra” o Espiritismo do modo como a sra “escreveu” (ou melhor, “pesquisou”) contra a Igreja. Como sinto nojo dessa sua “pesquisa”, e do modo como a sra a conduz. ###

    “Você é que está equivocado, JC!”

    ### Eu poderia dizer exatamente a mesma coisa da sra. ###

    “Absolutamente democrático!”

    ### Tão “democrático” quanto a pessoa em pauta. ###

    “Eu não usei esse termo; apenas apontei fatos históricos, de uma forma mal-educada, e já me desculpei”.

    ### Sem dúvida, sra Sônia N, a sra não usou especificamente esse termo. Usou piores. E, na verdade, creio que se desculpou apenas “pro forma”, porque seu ódio afinal ficou muito exposto, e “pegava mal”. Na continuação de suas mensagens (e isso qualquer um pode constatar, basta lê-las), continuou destilando um ódio irracional à Igreja, e insultando-a, e a todos os católicos indistintamente. Mas, de fato, a sra tem sua razão – o termo em questão, em si, a sra não usou. Quanto aos “fatos históricos”, a sra não apontou nenhum, apenas fez acusações não comprovadas. Repito: qualquer um, usando o mesmo “método” duvidoso que a sra aplicou, poderia facilmente dizer as mesmíssimas “cobras e lagartos” do Espiritismo, de Kardec e de Xavier. Portanto, a sra está muito, muitíssimo distante, de apontar qualquer “fato histórico”. ###

    “José Carlos, o que farei é passar os links de artigos interessantes que encontrar, em respeito aos leitores do blog que estão acompanhando esta batalha ‘pulga-piolho’”

    ### Belo método de “pesquisa”! Se quer de fato respeitar os leitores deste blog, sra, mude seus métodos, e apresente fatos documentados, não textos pinçados da Internet apenas por serem anti-católicos – porque o seu conceito de “interessante”, sra, é justamente esse; basta que seja anti-católico, não importando a origem, para que seja “interessante”… Devo, mais uma vez, confessar-lhe minha ingenuidade: não pensei (até bem pouco tempo) que estivéssemos numa “batalha”; pensava que estivéssemos trocando idéias e opiniões. Foi a sra quem transformou isso numa batalha, tentando justificar Xavier de qualquer maneira e, agora, tentando “provar” que a Igreja Católica não presta, e que os católicos ou são burros, ou são maus. ###

    “Questionando minhas escolhas?”

    ### Sim. Apenas para lembrá-la do contexto, a sra havia afirmado: “quanto mais eu ler, mais motivos terei para agradecer a Deus, ter nascido livre, livre do estigma do batismo católico.” E eu simplesmente lhe perguntei (e lhe pergunto): como a sra pode ter certeza disso? Certeza do futuro? De que nada, absolutamente nada, poderá fazê-la mudar de idéia, ou então, ao menos, suavizar suas posições? Essa é a atitude do fanático, sra Sônia N. A única certeza que a sra pode ter é aquela embasada na rocha de seu fanatismo e de sua irracionalidade. ###

    “Exatamente, e, então, estamos conversados!”

    ### Confirma exatamente o que eu afirmei anteriormente. A sra não está buscando o esclarecimento ou a verdade, sequer a compreensão; a sra não quer debater nada. A sra já tomou sua decisão, já escolheu suas opções, e as petrificou – nada a fará mudar de idéia… ###

    “Desculpe, pra mim não há conforto em injustiças, em atrocidades. Pra você justificáveis, não pra mim.”

    ### A sra agora se supera em malícia, sra Sônia N. Não sinto nenhum conforto nem em injustiças, nem em atrocidades. Apenas não sou irracional, e cotejo as coisas tendo em vista a época, o lugar e as circunstâncias. Todos aqueles que erraram pagarão por isso. Ora mais, ora menos, dependendo do erro e das circunstâncias. Deus levará tudo em conta, para o bem e para o mal, para a recompensa e para o castigo. E, especificamente quanto às “injustiças” e “atrocidades”, espero ainda a evidenciação. De novo: poderia, com o seu “método”, coletar também muitas “injustiças”, e até mesmo “atrocidades”, reais ou imaginárias, referentes ao Espiritismo ou a qualquer outro “ismo”. Isso não leva a nada. ###

    “Mas o que significa isso: intelectualmente honesto?”

    ### Apenas para começar, usar (ou, ao menos fazer o possível para usar) os “mesmos pesos” e as “mesmas medidas” em todas as análises; e procurar sempre averiguar os fatos dialeticamente, buscando os prós e os contras, verificando um lado e outro – porque sempre há (pelo menos) dois lados em cada questão, ou em cada afirmação. ###

    “Os romances ‘espíritas’ aos quais me referi não são os que foram psicografados por Francisco Cândido Xavier; nenhuma das minhas dúvidas relacionadas ao meio espírita diz respeito ao médium Francisco Cândido Xavier; ele está acima de qualquer suspeita…”

    ### “Chicólatra”. O que Kardec diria disso? ###

    “Eu não preciso ‘justificar’ Emanuel; seu legado lhe faz justiça.”

    ### Reitero o que mencionei no item anterior. ###

    “Se você preferir, fico só nos insultos.”

    ### Faça como quiser, sra. Isso é irrelevante para mim. ###

    “E daí?”

    ### Sim, e daí? Nesses poucos romances, ao fim, baseia-se toda a autoridade das obras posteriores. ###

    “Deus não julga ninguém”

    ### Apenas considerando os Evangelhos: Mateus, cap. 10, vers. 11-15; cap. 11, vers. 20-24; cap. 12, vers. 36-37 e 41-42; cap. 25, vers. 31-46. Lucas, cap. 10, vers. 10-16; cap. 11, vers. 31-32; cap. 20, vers. 34-36. João, cap. 5, vers. 22-23 e 27-29. Etc. ###

    “Grosseria que não combina com a sua educação tão esmerada”.

    ### Se a sra se refere à expressão “dito cujo”, e a considera “grosseria”, como é que você classifica as suas próprias expressões? ###

    “Você estudou tanto para ser tão grosseiro desse jeito?”

    ### Se a sra se refere à palavra “pedigree”, ela originariamente era utilizada indistintamente para qualquer registro genealógico – é usado nessa acepção, p.ex., por Gibbon, no seu “Fall of the Roman Empire” (cf. também pt.wikipedia.org/wiki/Árvore_genealógica). Mas, de fato, o seu uso atual é bem mais comum quando se refere a animais. Não obstante, não houve, de minha parte, intenção de insinuar que “Emanuel”/Lêntulo fosse um animal. Considere, assim, a palavra retirada, e substituída por “genealogia”. ###

    “Pois é, sr. José Carlos, a única coisa que me incomoda profundamente em Emmanuel é exatamente isto, ter sido padre quatro vezes”.

    ### Mais uma evidência de anti-catolicismo e de deboche. ###

    “A autoridade do Espiritismo repousa em Deus, depois em Jesus Cristo e, finalmente, em Allan Kardec, sr. José Carlos.”

    ### Quanto a Deus, isso depende – não na do meu Deus. Muito menos em Cristo, e na Bíblia em geral, que jamais endossou a reencarnação. Quanto a isso, para não perdermos tempo em discussões estéreis, sugeriria que a sra consultasse a excelente pesquisa no seguinte endereço eletrônico “Falhasespiritismo”. E, quanto a Kardec, sugeriria que a sra o estudasse com mais atenção, e seguisse, quanto às pesquisas e à aceitação das “maravilhas”, as diretrizes que o Codificador estipulou, as quais me dei ao trabalho de transcrever numa mensagem anterior. ###

    “Pois pra mim o sr. se contenta com muito pouco…”

    ### Ao contrário, sra. Sou bastante exigente – para poder enunciar a tese de que há seriíssimos problemas com a identidade do “guia” Emanuel, estudei e pesquisei profunda e longamente. Ao contrário da sra, para quem basta uma “googlada”. É a sra que se contenta com muito pouco (quando é de seu interesse, claro), não eu. ###

    “É uma pena, você não sabe o que está perdendo”

    ### Talvez, sob o ponto de vista duma obra de ficção. Mas, como creio que já mencionei, a vida é breve, não há tempo para tudo, e temos que fazer opções. ###

    “Existiu, não. Ele existe!!!”

    ### Prove. Demonstre. ###

    “Pra você ver como os espíritas são privilegiados”

    ### Ou, ao contrário como (alguns) espíritas são iludidos… ###

    “A evidência de raciocinar, contrariamente aos que se contentam com respostas prontas”.

    ### Desculpe-me, sra, mas sua “evidência” pode ser de qualquer origem, menos do raciocínio. E, ao contrário do que afirma, a sra demonstrou cabalmente que, de fato, se contenta com respostas prontas. ###

    “Aqui nem dá pra comentar, porque mais adiante já vi sua opinião sobre Jesus”.

    ### Claro, sra. Esqueci-me de que não posso pedir-lhe nem isenção e nem equilíbrio. ###

    “JC, quem você pensa que é?”

    ### Eu não penso quem sou; eu SEI quem sou. E reitero – cuidado com as emoções… ###

    “Desculpe, mas o problema é a burrice, não as emoções; emoções não dão em árvores; elas despertam a partir do raciocínio. Ninguém sente ódio pensando no amor, e vice-versa”

    ### Não concordo. As emoções são fáceis, e, sim, “dão em árvores”. Basta ver qualquer culto evangélico, “missa-show” carismática , “atendimento mediúnico” ou, mesmo, a torcida numa partida de futebol, ou a platéia dum “show” popular. É fácil fazer as pessoas se emocionarem. O raciocínio ponderado é que é raro. As emoções, via de regra, não despertam a partir do raciocínio, ao contrário, o raciocínio controla as emoções, ou, ao menos, os seus efeitos mais nefastos. E é possível, sim, sentir-se ódio a partir do amor. Um amor pelo aperfeiçoamento da Humanidade pode gerar ódio aos “inferiores”. A sra também é um exemplo: seu “amor” ao Espiritismo e a Xavier alimentam muito de seu ódio (irracional) à Igreja. Vice-versa, o ódio a uma religião formalista e vazia pode (pode!…) levar a um amor mais genuíno a Deus, p.ex. ###

    “Porque estavam acostumados a obedecer, incondicionalmente, às autoridades, como burros que obedecem aos gritos de seus donos”.

    ### Isso (talvez) possa explicar, mas apenas em parte, a continuidade de Hitler no poder; não, em absoluto, a sua tomada do poder. Antes de chegar ao poder, ele não era autoridade nenhuma; não era da aristocracia “junker”, não era da alta burguesia, não era um intelectual conhecido, nem um funcionário público respeitado ou de renome. Era um ex-cabo do Exército Imperial, e nem sequer era alemão de nascimento… Enfim, a última pessoa a quem um alemão “legítimo” pensaria em “obedecer”. Além disso, ele estava num ambiente bem “competitivo”: os alemães viviam sob uma república democrática (a “República de Weimar”), que reconhecia uma ampla gama de direitos; Hitler estava totalmente fora do corpo governante, e seu partido era um entre muitos. Durante muito tempo, esteve longe de ser o maior. Ele foi organizado legalmente, participou de eleições legalmente; e chegou ao poder também legalmente, nesse ambiente. Basicamente, porque as pessoas “se emocionaram” com a sua mensagem. Emoções podem ser perigosas… Quanto aos alemães em si, claro, eles eram burros. Quem não sabe disso? Nós, brasileiros, é que somos inteligentes, sarados e espertos… Quem também não sabe disso? Afinal, vivemos no “coração do mundo”, na “pátria do Evangelho”… ###

    “A Inquisição e o Santo Ofício, com certeza, foram inspirados nos Evangelhos e no Novo Testamento, não é mesmo?”

    ### Óbvio que não, mas essa sua frase foi inserida totalmente fora de contexto – nada tendo a ver com o que se discutia antes. A sra, obviamente, mudou de assunto, a fim de não ter de enfrentá-lo. Volto a insistir: se a sra não conseguiu ter certeza de que vale a pena ser boa, digna, honesta, solidária, generosa, compassiva, alegre e pensativa diretamente a partir dos Evangelhos e do Novo Testamento, mas teve que “se emocionar” com um “troço” que nem se sabe se é verdadeiro ou não, então estamos mal, muito mal… Quanto à Inquisição, já comentei sobre o assunto – adicione às suas buscas anti-católicas algumas buscas pró-católicas, e faça o cotejamento dos textos e das informações; seria um bom começo. Isso, se for capaz de tanto. ###

    “Eu não tive que me emocionar, eu me emocionei, levada por pensamentos maravilhosos”

    ### Sim, acredito, sra. Como aquelas pessoas no culto, ou na “missa-pop”, ou no ambulatório mediúnico, ou na torcida de futebol, ou no “show” popular. Todas elas se emocionaram, levadas por “pensamentos maravilhosos”. Nisso a sra está corretíssima. ###

    “Sinto muito por você, meu amigo… tanto estudo, tanta História, e pra quê?”

    ### Para tentar enfrentar a vida com um mínimo de racionalidade e, assim, fazer valer a minha natureza humana; para não ser apenas mais um na boiada; para tentar chegar um pouquinho mais perto da Verdade. ###

    “Você está mal; eu estou ótima!”

    ### Sinto desapontá-la, sra, mas não estou mal. Talvez as pessoas confundam um pouco a preocupação com a tristeza – neste mundo moderno, é-se quase obrigado a ser feliz, ou, ao menos, a se fingir felicidade… E se a sra diz que se sente bem, então devo dar-lhe o benefício da dúvida, e considerá-la como tal. ###

    “É o maior país católico do mundo, você deveria estar exultante, meu amigo. A porcentagem de espíritas é insignificante, e, de acordo com as pesquisas, encontra-se nas classes ‘A’ e ‘B’”.

    ### Não creio que o Brasil seja o maior país católico do mundo – bem, pode até ser, nominalmente, o maior; mas penso que, se somarmos todas as religiões “professadas” (tanto as formalmente declaradas quanto as efetivamente seguidas), o resultado inevitável é muito superior a 100%… Aqui, tanto o Catolicismo quanto as diversas correntes protestantes, e mesmo o Espiritismo e seus correlatos necromântico-mediúnicos (como os cultos afro-brasileiros, “esotéricos”, etc.) mal passam dum verniz pseudo-espiritual (mal) aplicado a uma sociedade visceralmente materialista, imediatista, hipócrita e contratualista – e as pessoas acendem não duas, mas várias velas, a qualquer “coisa” que lhes possa resolver os problemas, ou prometer resolvê-los. Sem dúvida, uma parcela razoável (embora nem de longe única) da responsabilidade por essa situação deplorável encontra suas raízes na própria organização eclesiástica colonial, na igreja realenga e seu regime de Padroado, e no seu pouco caso pela educação religiosa do povo. Isso é um fato, que eu reconheço (e lamento). Noutras circunstâncias, teria sido muito interessante discutirmos isso, sra, mas, sinceramente, não acredito que, atualmente, venha a ser de alguma valia fazê-lo – não confio, em absoluto, em sua isenção para tal. Não tenho dados para comprovar o fato de os “espíritas” (que espíritas? Os “kardecistas”? Mas que kardecistas? E quanto aos “sincréticos”, “kardecólatras”, “chicólatras”, “divaldianos”, umbandistas, “new age’s”, etc.?) serem “poucos”, e se concentrarem nas classes mais altas em termos de renda. Supondo que isso seja verdade, do meu ponto de vista apenas configuraria mais um indício do verdadeiro vazio espiritual dessas pessoas mais endinheiradas (não que, no geral, os menos endinheirados estejam melhor)… Embora seja terrível (e vergonhoso) ter de admitir algo assim, talvez os “menos ruins”, quanto a isso, venham a ser justamente os que, explicitamente, não se preocupam com as “barganhas religiosas” do dia-a-dia – ou seja, os agnósticos, os cépticos e os materialistas em geral. Mas isso há de ter uma razão; Deus castigou os hebreus com o flagelo de Nabucodonosor; talvez nós, que nos dizemos “espiritualistas”, precisemos dum flagelo dessa envergadura, ou maior… “Eu castigo aqueles que amo”, com varas e chicote. Essa é, ao fundo, a minha esperança. ###

    “Eu pesquisei e não encontrei nada que confirme, historicamente, a existência de Jesus…”

    ### Pesquise melhor… ###

    “… o que, aliás, não muda em nada a minha devoção cada vez maior a ele…”

    ### Isso é preocupante. Mas eu já devia estar acostumado; coerência e racionalidade não parecem, sra, ser o seu ponto forte…###

    “… principalmente depois de ter lido “A Caminho da Luz” e todos os livros de Emanuel.”

    ### Mais preocupante ainda… ####

    “Vou citar uma frase de Emanuel a respeito de Jesus, que eu aproveitei para mandar [gravar num] cartão de Natal – ‘e quando te perguntares quem é esse alguém que te garante a vida na Terra, em nome de Deus; recolhe os teus ouvidos aos recessos da própria alma, e ouvirás o coração a dizer-te que esse alguém é Jesus’”

    ### Sinto muito, sra, mas qualquer frase de Emanuel a respeito de Jesus tem para mim tanto valor quanto os escritos dos lemurianos e da Atlântida… ###

    “As massas sempre viveram felizes e gratas aos seus ‘Imperadores’”

    ### As massas, geralmente, viviam uma vida bem dura, e curta; procuravam ser “felizes” tanto quanto podiam; odiavam o “governo” (i.e., os cobradores de impostos), mas, muitas vezes, não conseguiam fazer a ligação entre eles e a pessoa distante, abstrata, quase divina, do “Imperador”, o “bom Imperador”, que, se os ouvisse, far-lhes-ia justiça (ecos disso permaneceram até bem depois, p.ex., no “batiushka Tsar”, o “Paizinho Tsar” da velha Rússia). A cobrança de impostos era efetuada a partir dos funcionários municipais, não da burocracia imperial, que somente foi crescendo aos poucos. Havia, evidentemente, revoltas, mas eram locais, sem lideranças representativas, e ocorriam usualmente apenas em ocasiões de grandes desastres (secas, inundações, pragas, invasões bárbaras), quando, por qualquer motivo, o governo, ainda assim, exigia a coleta integral das taxas… No geral, as pessoas sofriam em silêncio, e esperavam que o “bom Imperador” ouvisse suas queixas e as aliviasse. ###

    “O bom e velho exército…”

    ### Expressão irônica. Como alguém tão afeita à ironia, a sra deveria identificar essa figura… ###

    “Bem depois do quê?”

    ### Creio que já respondi a essa questão, mais acima. Claro, agora, “bem depois de nada”. Pesquise por sua conta e risco, sra, se quiser. ###

    “Não?”

    ### Não, não é. E, agora, nem será em nenhum outro. ###

    “Com certeza!”

    ### É bom que pense assim – é um começo… ###

    “Quanta gentileza!”

    ### Disponha. ###

    “Novamente, eu pergunto: bem depois do quê? Do Apocalipse?”

    ### Já respondido. ###

    “José Carlos, você é uma graça, sabia?”

    ### Não. Mas, se a sra diz… ###

    “Você não prestou atenção. Um conselho, vá pesquisando, sem pressa…”

    ### Já pesquisei. Exaustivamente. Inclusive, indiquei-lhe um bom portal, na Internet, sobre esse assunto (o portal “Falhas do Espiritismo”, procure no “Google”). Leia, se puder. É a sra que deve pesquisar, e sem pressa… ###

    “Não acredito que estou lendo isso; então você acha mesmo que Deus deixou o Universo à deriva para encarnar neste planetinha insosso, nos limites da Via Láctea???”

    ### Ele não deixou o Universo à deriva. Procure, sra, conhecer mais as outras crenças que não as suas, a fim de não falar tolices. ###

    “Que pecados?”

    ### Consulte o “Catecismo da Igreja Católica”, ou então algum portal católico na Internet, para se esclarecer sobre isso. Apenas para ajudá-la um pouco: Mateus, cap. 1, vers. 20-21; cap. 9, vers. 1-8; cap. 26, vers. 26-29. Marcos, cap. 2, vers. 3-12. Lucas, cap. 5, vers. 17-26; cap. 24, vers. 46-47. João, cap. 20, vers. 21-23. Atos dos Apóstolos, cap 2, vers. 36-38. Primeira carta de São Paulo Apóstolo aos Coríntios, cap. 4, vers. 1-5. Carta de São Paulo Apóstolo aos Hebreus, cap. 10, vers. 11-13. Primeira carta de São João Evangelista, cap. 2, vers. 1-2; cap. 2, vers. 12; cap 4, vers. 7-10. Apocalipse, cap. 1, vers. 4-6. ###

    “Que bom, só assim posso dormir tranqüila!”

    ### Folgo em sabê-lo. ###

    “José Carlos, por favor, não use palavras ou expressões estrangeiras comigo, não tive a felicidade de poder estudar, como você!…”

    ### Não se trata duma língua estrangeira, mas sim de nossa língua-mãe, o latim. E a expressão é por demais conhecida, a sra certamente a conhece e, se não a conhece, pode facilmente descobrir seu significado. E tenha como certo, sra, que não sou nenhum “privilegiado” de alta classe, como a sra insidiosamente tem procurado dar a entender; se estudei, foi porque meus pais se sacrificaram para isso; porque eu mesmo dei o melhor de mim, dentro de minhas muitas limitações; e porque Deus se dignou a me ajudar. ###

    “Finalmente!!! Concordamos em alguma coisa.”

    ### Sempre há esperança. ###

    “Tanto sou honesta, que falei a verdade. Ironia é uma forma velada de dizer verdades. Hipocrisia é falsidade.”

    ### Devo admitir, sem dúvida, que a sra foi honesta, dentro de sua obstinação e cegueira. Não quis ver o que é óbvio, e, de fato disse isso. Realmente, nisso a sra está certa. ###

    “Não são acusações, e não são ‘gratuitas’, são constatações”

    ### São acusações – pois a sra acusa, não especula; não são constatações – a sra não fornece nenhuma justificativa para elas, pinçando-as descuidadamente da Internet apenas porque são “anti-católicas” e se encaixam em seu modelo pré-concebido de ódio. Por isso mesmo, são gratuitas. ###

    “Basta uma única frase de Jesus: ‘meu reino não é deste mundo’, e uma vista d’olhos no Império (católico) romano em todo o mundo ocidental”

    ### A sra confunde a mensagem com a organização. A transmissão da mensagem sempre demandará algum tipo de organização. Bem ou mal, Kardec teve sua “Revista Espírita”, p.ex.; os espíritas atuais têm seus centros, suas federações, etc. Os modelos variam, mas sempre há organizações – sem elas, as mensagens não sobrevivem a seu enunciador. Podemos discutir se as estruturas das organizações são adequadas ou não, mas isso é outra história. Normalmente, seu estado atual é função de sua história passada. ###

    “O Vaticano é um território com atribuições de Estado e imunidades especiais, e você sabe disso.”

    ### E daí? Isso é, por si só, algo pecaminoso? Claro, pode ser usado para o mal, como aliás qualquer organização, por mais simples que seja, pode. A FEB pode ser usada para o mal. Por causa disso deveria, necessariamente, ser extinta? No próprio núcleo da sociedade, o poder paterno (e materno) também pode ser usado para o mal – por causa disso, deveria ser eliminado? Centros espíritas também gozam (ou podem gozar) de “imunidades”, como entidades de utilidade pública. Por causa disso não prestam? ###

    “E, acredite, até entendo o quanto possa ser desconfortável a sua posição neste momento, de defender o indefensável.”

    ### Engana-se, sra, não sou eu que defendo o indefensável – é a sra, justificando, do modo tosco como tem feito, a existência de “Públio Lêntulo”, ou tentando “provar”, dum modo miseravelmente falho e patético, que a Igreja Católica não presta. ###

    “José Carlos, eu tenho quase certeza de que você é padre. Como você é manipulador!”

    ### Mais uma vez engana-se, sra. Não sou, e nem nunca fui, padre. Quanto a ser manipulador, quer me parecer que é a sra a candidata mais provável, a partir de suas acusações desconjuntadas e injustificadas, tomadas aleatoriamente da Internet apenas por satisfazerem a seu ódio particular. Se isso não é manipulação, então o que é? ###

    “Encontrei em um dos seus artigos a carta de Públio Lêntulo, datada de 30 dC.”

    ### Prove que é dessa data. Prove que é genuína. Estou esperando. Só não me venha, sra, com “revelações” de “scéances”. Refiro-me a provas efetivas, historicamente fundamentadas. ###

    “Não a conheço. Simplesmente, “colei” o seu artigo. Já disse que, para mim, a única pessoa e médium especial é o Chico Xavier; e nada vai mudar isso!”

    ### Ah, sim, desculpe-me, sra, havia esquecido de seu peculiar “método de pesquisa”… Embora, para mim, isso se chame “fanatismo”. De novo: o que Kardec diria disso? ###

    “Não adianta ironizar, José Carlos… Eu até entendo, porque ironizo também. Mas eu não me incomodo com isso, porque estou acostumada, desde criança, a receber ataques, por ser espírita. Você se incomoda porque sempre fez parte da ‘situação’, então o seu orgulho espicaça, não é mesmo?”

    ### Não se trata de ironia, sra, mas sim de exigir a razão de seus pontos de vista. Os quais a sra vem se mostrando incapaz de justificar plausível e racionalmente. Quanto à perseguição que a sra diz ter sofrido desde criança, lamento muitíssimo. Mas isso não lhe dá o direito de julgar peremptoriamente todos os católicos, nem toda a Igreja, nem ninguém – além daqueles que, efetivamente, a maltrataram. Por sofrermos injustiças pessoais não adquirimos automaticamente o direito de sermos fautores de injustiças coletivas. Especificamente quanto a mim, nunca me vi como parte duma “situação”. Se a sra não sabe, ou não desconfia, os católicos (ou os que tentam sê-lo) são bem desprezados em certos meios deste país; mesmo por aqueles que apenas “se dizem” católicos. Novamente: não sou membro duma “elite” econômica ou social. Também tive que lutar, e muito. O que tenho não me caiu do céu, como se diz. Também sofri minha dose de preconceitos (embora não possa dizer, claro, se sofri “mais” do que a sra; talvez não; é possível que a sra, pelo simples fato de ser mulher, tenha sofrido mais). Isso, obviamente, não me dá o direito de odiar gratuitamente as coletividades daqueles que foram injustos para comigo. Nem eu, e nem a sra, somos o centro do mundo. ###

    “Ao clicar nos dois links surge sempre a mesma mensagem – arquivo corrompido”.

    ### Desculpa esfarrapada. Se a sra efetivamente quisesse, e tivesse o mesmo interesse em obtê-los que tem coletando material anti-católico, poderia acessar os artigos a partir da página de artigos da sra Mary Schultze, fornecida, e que funciona perfeitamente. Ambos os textos encontram-se na lista dos artigos de 2002: “Passaporte para o Inferno” encontra-se na pág. 3, “Reencarnação” na pág. 4. Minha pergunta (encare, sra, como um desafio) continua de pé: a sra Mary Schultze está certa ou errada? ###

    “Algumas das ‘sandices católicas’ já vivi na minha pele – quando criança, no primário, por ser a aula de Religião obrigatória (e entenda-se por ‘Religião’ o Catolicismo), meu pai foi à escola pedir que eu fosse dispensada da aula, não só por sermos espíritas, mas principalmente porque eu tinha pesadelos horríveis à noite, devido aos desenhos que havia no ‘Catecismo’, do Inferno e do Diabo, espetando o tridente nas pessoas. A escola não era católica, mas havia esse acordo com a igreja mais próxima. Pois bem, a doce ‘irmã Luísa’ beliscava-me sempre que tinha uma oportunidade.”

    ### Bem, finalmente começa-se a entender a razão de seu posicionamento tão duro e tão enfático contra a Igreja. Como muitas vezes ocorre, essas atitudes extremas e inflexíveis não são fruto de estudo, de meditação, ou de escolha – originam-se de algum problema, ou trauma, ou decepção, que a pessoa teve, na infância ou adolescência, com pessoas ligadas à instituição ora odiada. Saiba, sra, que lamento muitíssimo essa situação. Mas reitero meu argumento anterior: isso não nos dá o direito de julgar TODA uma comunidade. Claro, seu alheamento, até mesmo sua raiva, é compreensível sob esse prisma, mas a sra está simplesmente pagando uma injustiça com uma outra, muito maior – porque envolve bem mais gente. Especificamente em seu caso de infância, tratou-se, talvez, duma menina sensível de mais (isso não é um defeito, por favor!), e duma instrutora sensível de menos (isso, sem dúvida, é um defeito, e grave). Lamentável. Mas coisas do gênero podem ocorrer em várias outras circunstâncias, vitimando quaisquer pessoas, espíritas ou não; pessoas insensíveis, ou despreparadas, ou simplesmente más, existem espalhadas em todas as correntes de pensamento. Se as imagens infernais e a perseguição dessa Dulce a acabrunharam, imagens da “reencarnação”, e atitudes insensíveis semelhantes, podem muito bem acabrunhar alguma outra criança (também sensível), quando esteja estudando os rudimentos do Espiritismo, por exemplo. Para as crianças, as coisas são simplificadas, ao seu nível de entendimento – muitas vezes, desastrosamente simplificadas. Tal situação pode fazer compreender a repulsa em relação àqueles que nos magoaram, e até mesmo, em certo sentido, em relação às suas convicções. Somos seres humanos, em nossas veias corre sangue, não linfa. Mas daí a justificar uma acusação “em bloco”, há, a meu ver, uma grande distância. Isso vale para qualquer caso, não apenas para o Catolicismo. ###

    “Bem mais tarde, tive problemas no hospital (católico) em que nasceram dois dos meus quatro filhos; sendo que, quando nasceu minha filha, tive retenção de placenta, havendo necessidade de manobra agressiva para ser retirada; como conseqüência, tive uma hemorragia que, no momento, foi controlada, mas necessitava de supervisão constante por parte das ‘enfermeiras-freiras’ durante as horas que se seguiram. Conclusão: nenhuma delas veio ver-me, pois a minha condição de espírita causava-lhes repulsa. E foi a minha irmã que salvou-me da morte certa, ao perceber a cama encharcada de sangue, correndo a chamar um médico. O que sofri para estancar uma hemorragia uterina, a sangue frio, horas após um parto, só Deus é quem sabe – pois é, sandices de católicos – nós, os espíritas, jamais discriminamos quem quer que seja, e muito menos exigimos voto à nossa crença para auxiliar alguém”.

    ### Não entrarei no mérito, sra, acerca dos detalhes de sua história; vou tomá-la exatamente como a sra a narrou (como as enfermeiras sabiam que a sra era espírita? Como ter certeza de que não cuidaram de si por questões religiosas, e não por pura e simples negligência, p.ex.?). Além de, evidentemente, lamentar a situação, posso apenas dizer que sou eu mesmo testemunha de vários casos de pessoas não católicas (e que faziam questão de dizer isso, em alto e bom som) internadas em hospitais católicos e que, aparentemente ao menos, não sofreram nenhuma discriminação visível. E falo não apenas de casos que tenha presenciado pessoalmente (afinal, pode-se sempre alegar que houve maus tratos depois, quando ninguém olhava…), mas também de vários testemunhos de pessoas não católicas, de minhas relações, ao longo de anos, que foram tratados de modo perfeitamente correto em hospitais católicos (e nisso não fazem nada além de sua obrigação, tanto comercial quanto, principalmente, moral). O que me parece, tanto a partir de minha experiência de vida quanto do que tenho ouvido e lido, é que, no geral, ao menos no Brasil, os hospitais confessionais e as obras de benemerência ligadas a alguma corrente religiosa não costumam olhar a quem fazem o bem – portanto, mesmo respeitando seu sofrimento, sra, e sem querer em momento algum menosprezá-lo, creio que não estou muito longe da verdade quando penso que casos como o seu são mais a exceção do que a regra. Novamente, parece-me um tanto injusto lançar um ódio extensivamente a toda uma comunidade por causa de sofrimentos pessoais. É compreensível? Sim, é. É justo? Creio que não. Se assim fosse, então qualquer pessoa que se visse, p.ex., vítima de erros médicos (que ocorrem, infelizmente, numa proporção maior do que a que poderíamos julgar tolerável) estaria “no direito” de condenar TODOS os médicos, indistintamente, como mercenários, incompetentes, “a máfia de branco”, etc. Ou então, uma pessoa que fosse humilhada ou maltratada numa obra de benemerência sustentada por espíritas (isso, afinal, não poderia ocorrer?) estaria, se se utilizasse essa mesma lógica, “no direito” de condenar TODOS os espíritas, como gananciosos, hipócritas, etc. ###

    “Esclareço a seu pobre coração que estou arrependida de ter entrado nesta há um mês atrás.”

    ### Se ao “nesta” a sra quer dizer na troca de mensagens para comigo, devo dizer-lhe que a evolução da mesma para um tom pouco amistoso não ocorreu por minha vontade. ###

    “Nunca li tanta ofensa, tanta babaquice, tanta ignorância, em tão pouco tempo, em sites e blogs ditos religiosos. Como pode haver tanta incoerência? Há uma verdadeira ‘guerra santa’ se desenvolvendo, através da Internet. Os religiosos se xingam, se maldizem, se odeiam, se atacam, tudo em nome de Deus e de Jesus!”

    ### Sem dúvida, sra, tudo isso é sumamente lamentável. Mas (infelizmente) devo lembrá-la que seu próprio comportamento, ao menos para comigo, foi justamente nesse sentido, de “guerra santa”… ###

    “Por mais incrível que possa parecer, é no ‘Ceticismo Aberto’ que encontramos mais educação, mais respeito e mais conhecimento acerca dos assuntos abordados”

    ### Se é assim, fico feliz. Resta saber apenas se se trata mesmo duma atmosfera de tolerância ou, ao contrário, duma porção do referido blog na qual a maioria dos comentaristas é pró-espírita e, portanto, a comunhão de idéias é maior… ###

    “E desafio você, José Carlos, a encontrar algum portal, site ou blog espírita kardecista atacando ou desmerecendo quem quer que seja”.

    ### Bem… experimente, na parte de mensagens do blog “Espiritismo-Brasil”, na “busca”, digitar a palavra “católica”, e vá lendo, com calma, as mensagens selecionadas… ###

    “Obrigada pelo conselho, tomarei minhas precauções, inclusive, com as suas fontes, OK?”

    ### Sem dúvida. Com todas. Minhas, suas e de terceiros. É assim que funciona. Mas com os mesmos pesos, e as mesmas medidas. ###

    “Abraços afetuosos…”

    ### Sinceramente, sra, não sei o que pensar desse seu cumprimento final. Quereria acreditar nele, mas, honesta e sinceramente, não consigo. ###

    —–(*)—–

    Diante das circunstâncias, sra, creio que não há mais nenhuma razão para continuarmos trocando mensagens. Também não me considero mais na obrigação de comentar a respeito de nenhuma de suas “pesquisas” anti-católicas na Internet. A cada texto ou portal anti-católico que a sra vier a apresentar, basta a qualquer interessado a procura de algum portal ou texto pró-católico. Isso, ao fim, não leva a nada, e não perderei mais meu tempo com essa tolice. Se quiser meus comentários, apresente uma PESQUISA digna desse nome, e bem documentada. Sobre as suas últimas mensagens de 22 de março, a sra menciona um texto dum portal em que se citam as “concordatas”. A sra não aprende mesmo… É outro “site” ligado a protestantes anti-católicos, ao que parece de índole bem mais fundamentalista do que a sra Mary Schultze: http://www.espada.eti.br/, e ligados ao “The Cutting Edge”… A sra pode verificar por si mesma no que crêem: http://www.espada.eti.br/declafe.asp. E também o que pensam do Espiritismo: http://www.espada.eti.br/contemplativa.asp – trata-se dum texto denominado “A Oração Contemplativa — Espíritos Enganadores e Doutrinas de Demônios”; caso a sra tenha dificuldade em acessá-lo, vai aí apenas uma citaçãozinha: “Independente de como a ‘presença’ é rotulada (espíritos-guia, anjos guardiões, Jesus, Deus, etc.) essas pessoas estão na realidade experimentando os espíritos enganadores, também conhecidos como demônios. [1 Timóteo 4:1,7]”. A minha pergunta final, sra Sônia N, é a mesma: esse pessoal está certo ou está errado?

  167. Sonia N. Diz:

    José Carlos,
    Eu também gosto muito de você! Mas, apesar de seus protestos, me ausentarei por uns tempos,
    para que outras pessoas possam usufruir de sua sabedoria, sua bondade e suas verdades.
    Deixo como lembrança, uma quadrinha-acróstico:
    #
    J osé Carlos…mal-me-quer
    O u será o Carlos Martel?
    S ó por causa do Xavier
    E do espírito Emmanuel!
    #
    Eu sei, eu sei, é pobrezinha…mas, fazer o que? É o resultado de minha insignificância e
    inferioridade. Mas, é de coração…
    #
    Como sempre…abraços afetuosos
    Sonia N.

  168. Carlos Magno Diz:

    Voltei:
    -
    Prezada Sonia, adorei sua resposta-síntese ao jc ( j.c. – ironia, não?). Você pegou na veia (gíria do futebol, quando o jogador bate em cheio na bola).
    -
    Olhe, juro que tento ler os argumentos do jc, mas não consigo. Ele é um superdotado na arte de cansar qualquer franciscano descalço ou calçado. Que volúpia pela verve, que fome de passar sua verborragia, que necessidade de justificar o injustificável!!
    -
    Acho que você tem razão, ele deve ser padre ou seminarista. Não é qualquer um que dispõe de tantas fontes de consultas para se deleitar. Precisa realmente dispor de muito tempo para tanto escrever!
    -
    Sonia, quase chorei diante dos argumentos do jc,(fui pulando as linhas, mas assim mesmo consegui ler umas oito, se tanto) coitadinho tão perseguido! Que diremos nós do Chico e do Emmanuel? E a respeito do amor, amor, amor? Que análise fria, voltariana, ou ao estilo de Maquiavel! Uffa, quase me converto ao ceticismo literário, teórico-pleno, cheio-redundante!
    -
    Só voltei para saudá-la, guerreira! Não pretendo tão cedo entrar em debates, pois estou realmente muito ocupado. Hoje consegui um tempinho para ler algo. O William vai indo muito bem.
    -
    A propósito, reparou como muitos mudaram o discurso radicalmente quando o Marcos Guerra se pronunciou? Ficaram tão comedidos, tão pianinhos, tão conciliadores! Até o tal oportunista do Guilherme (mais um ávido por catar migalhas da fama alheia) procurou justificar-se e mudou o vídeo! Tutti buona genti!
    -
    Abraços.

  169. Sonia N. Diz:

    Olá Carlos Magno,
    #
    Que saudade de você e do William…
    #
    Estou meio por fora de alguns tópicos do site, você poderia me indicar em qual deles se encontram os comentários de Marcos Guerra? Fiquei ansiosa por conhecer.
    #
    Atualmente, tenho “estado” mais no tópico sobre as materializações de Irmã Josefa. Mesmo assim, tem sido difícil porque também tenho minhas atividades espirituais costumeiras. E as minhas não têm férias…
    #
    Ah!… você não tem idéia da alegria que me deu ao ler sua postagem dirigida a mim.
    #
    Grande abraço a você e ao William.
    #
    Sonia N.

  170. Carlos Magno Diz:

    Sonia:
    -
    O recado do Marcos Guerra foi esse, nos tópicos sobre a revista O Cruzeiro:
    -
    “Marcos Guerra Diz:
    March 19th, 2010 às 1:53 am
    boa noite,

    Caso nao seja provado o que aqui esta sendo dito aqui, iremos denunciá-lo à justiça.”
    -
    O engraçado foi que imediatamente alguns enfiaram a viola no saco e mudaram o discurso. Agora estão se soltando novamente.
    -
    Abraços amiga, e excelente final de semana.

  171. Eduardo Diz:

    Li um pouco do estudo feito pelo José Carlos. Vou gravar o site para ler mais. Impressionante como ele busca referências para comprovar teses e como ele tem uma excelente capacidade de pesquisa. Muito bom. Os comentários, favoráveis ou não, são também excelentes com discernimento acima da média. Acho que vcs se equivalem em conhecimentos, sendo cada um à sua maneira e com sua crença.
    O dia que vcs entrarem em acordo sobre as idéias, que aparentemente são antagônicas, podemos esperar resultados incríveis de evolução no aprendizado. Guardem isso! Muitas coisas que parecem ser totalmente contrárias e até falsas guardam “verdades” que desconhecemos.

    Mas, como sou simpatizante da Doutrina Espírita, fiquei pensativo sobre Chico Xavier.
    Se ele de fato psicografou obras falsas com espíritos inferiores, ou até criou essas obras, sendo considerado, dessa forma, charlatão, estamos diante de um ser de uma inteligência absurda e que não ganhou dinheiro com esse “dom”.
    Por outro lado eu pensei: se Chico Xavier é tão “fraco” assim para, junto com os espíritos, cometer tantos erros, qual teria sido o propósito dele e desses espíritos?

    Divulgar o mal? Seria ele e o tão buscado (ou seria sonhado?) anti-cristo? Certamente é isso que alguns adeptos de outras religiões devem pensar. Eu não consigo ver o mal na pessoa de Chico Xavier e acho que até o mais fanático dos fanáticos não consegue.

    Um cidadão que escreve mais de 400 livros e passa toda a sua existência vivendo na mais pura simplicidade e ajudando os outros. Um cidadão que é reconhecido por todos, volto a dizer, até os mais fanáticos, como uma pessoa que só pensava em fazer o bem para o próximo.
    Se esse cidadão é tão imperfeito assim como alguns tentam nos passar o que sou eu? Se eu o considero como um ser muito superior a minha pessoa, o que sou eu se ele é “falso”.

    Sinceramente prefiro acreditar que há um propósito muito verdadeiro na vida de Chico Xavier e na Doutrina que ele divulgou. Não por eu ser Espírita, mas pela vida que esse homem teve e a forma como ele cuidava dos outros. Ou será de “nós”?
    Eu não faço uma mínima fração das boas ações que Chico fez e acho que nesse blog ninguém fez e não fará, então como eu vou pensar que Chico era uma fraude ou algo ruim?
    Se Chico Xavier não era um ser perto da perfeição, em termos de espiritualidade e no que tange a mensagem de Deus para o mundo, o que eu sou? Estou muito abaixo de um ser que é “falso”?

    Meus caros letrados, estudiosos e donos da verdade, Chico Xavier está muito acima de nós todos desse blog e Deus está “mais nele” do que da gente (hoje após a sua sua morte isso é literal).

    Eu li Há 2000 Anos e o que guardo desse livro não são os registros históricos. Guardo a mensagem do Cristo que está imbuída nas páginas da obra e dos ensinamentos de simplicidade que o orgulhoso Senador Públio Lentulos aprendeu durante a narrativa descrita na obra. Guardo comigo a pureza de coração e a coragem de Lívia Lentulia, uma veradeira esposa de um político poderoso que cultivava uma humildade fascinante. A obra de Chico me tocou no aspecto da simplicidade e na vantagem que leva os seres que seguem o evangelho de Jesus, no aspecto de ensinamentos morais. Se é verdade ou não que Públio existiu eu não sei, mas que sua historia me ensinou muito sobre Jesus é isso que me interessa e quem nos trouxe esse ensinamento foi Chico Xavier e Emmanuel.

    Tenho pesquisado sobre os que consideram Chico uma farsa e noto que ninguém cita que ele não foi um ser humano bom. Tentam criticar sua obra e o destino que deram a ela. Tentam criticar suas atividades espíritas. Não vi ninguém dizendo que Chico Xavier era um ser humano que viveu fora do evangelho (no aspecto moral) de Jesus. Se Chico fosse exatamente igual ao que foi e não fosse espírita eu acho que seria menos criticado.

    Isso me basta para saber o que ele foi e para continuar a estudar sua obra e a Doutrina Espírita.

  172. Sonia N. Diz:

    Sr. José Carlos:
    -
    Sei que o senhor deve estar bem chateado comigo e eu também estava com o senhor.
    -
    Mas, sinceramente, apesar do senhor se estender demais nos seus comentários, o que torna difícil a réplica, já estou com saudade da qualidade dos seus comentários.
    -
    Tenho lido bastante sobre a História do Cristianismo e o Império Romano, por isso, descobri muitas coisas interessantes. Uma delas é que o período discutido neste blog, é o mais falto de informações, por motivos diversos. Entre eles, a ausência de historiadores, possivelmente por ter sido um período rude, menos afeito às artes.
    -
    Esse dado, junto com outros do “Ciclo de Pilatos”, me animou a novas descobertas.
    -
    Estou progredindo nas minhas pesquisas. Logo o senhor terá notícias minhas, sobre esse assunto.
    -
    Não encerro com “abraços afetuosos”, porque o senhor, com certeza, dirá que é hipocrisia minha e também, porque o senhor tem horror às emoções, então não vou desperdiçá-las…
    -
    Até a próxima…

  173. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Sobre as referências históricas: Jesus x Públio Lêntulo.

    Esta mensagem está sendo postada nos tópicos “Revelações da ‘Superinteressante’ sobre Chico Xavier” e “Há Dois Mil Anos – Uma Fraude Histórica Completa”

    Não há como comparar o tipo de evidência histórica que se pode obter (ou que se esperaria obter) num caso e noutro (Jesus e “Lêntulo”). Jesus (e seu movimento) eram, inicialmente, algo marginal mesmo no Judaísmo, quanto mais para a sociedade romana como um todo – virtuais desconhecidos, muito longe do interesse da “corrente principal” de historiadores ou mesmo etnógrafos. Jesus não era um nobre, sequer era um sacerdote, num mundo (num lugar, e numa época) em que os sacerdotes dominavam não apenas a cena religiosa, mas também a política e, mesmo, a cultural. Assim, a existência de registros contemporâneos específicos com relação à pessoa de Jesus fica, inevitavelmente, prejudicada (daí, inclusive, a ausência de tradições sobre o seu aspecto físico…). No entanto, desde bastante cedo há evidências claras acerca do movimento cristão em si, e, nelas, acerca de seu fundador (referências suficientemente comprometedoras para afastar a hipótese duma “fantasia”); nenhum pesquisador sério contesta, p.ex., a historicidade das cartas de São Paulo Apóstolo, que fazem remontar as notícias sobre o movimento cristão, e sobre o próprio Jesus, seu ensinamento e sua morte, à década de 50 dC, estando viva ainda a geração que conviveu com Jesus (e podendo facilmente desmentir Paulo, se o que ele contasse acerca do pregador galileu não passasse de fábulas). Havia opositores ao movimento, mas não havia pessoas que negassem a existência de Jesus; o que estava em jogo era o que Jesus ensinava, e mais, o que Ele significava, não o fato de Ele ter ou não existido. E, mesmo que se considere que os Evangelhos canônicos (e os Atos dos Apóstolos) tenham sido escritos após a guerra judaica de 66-72 dC (uma teoria no mínimo questionável, mas, vá lá…), isso os poria no quarto final do séc. I dC, ainda suficientemente próximos aos eventos narrados e às testemunhas da primeira geração. Adicionalmente, há também referência clara aos cristãos em Suetônio (os “chrestiani” expulsos de Roma sob Cláudio, c. 49 dC, cf. Atos dos Apóstolos, cap. 18, vers. 2o, sobre Áquila e Priscila), bem como em Tácito (perseguição sob Nero, logo após o incêndio de Roma, em julho de 64 dC – cf. “Anais”, livro XV, cap. 44). E, por último, no começo do séc. II dC, sob o império de Trajano (98-117 dC), a carta de Plínio, o Moço, governador da Bitínia, acerca de como lidou com os cristãos na região (“Cartas”, livro X, carta 96, relatório de Plínio, e 97, reposta de Trajano). Mesmo as alusões histórico-geográficas constantes nos Atos dos Apóstolos (p.ex., os Sérgios Paulos de Chipre, os magistrados da Tessalônica corretamente denominados “politarcas”, etc.) são precisas – algo bem diferente do “mishmash” de “Lêntulo” em “Há Dois Mil Anos”.

    Quanto aos Lêntulos, ao contrário, lida-se não com elementos “marginais”, mas com o próprio “centro” do poder. Está-se referindo a uma família da aristocracia senatorial romana, e uma que esteve, ao longo do período de Augusto e dos Júlio-Cláudios (especialmente sob Augusto, Tibério e Calígula) bem próxima do círculo de poder e do próprio Imperador. O tipo de evidência histórica que se esperaria obter seria de outro tipo – e o é de fato; como já foi EXAUSTIVAMENTE mostrado, há evidências detalhadas de inúmeros Lêntulos dessa época. E, como também já foi exaustivamente demonstrado, há evidências bastante sólidas no sentido de apontar a inexistência específica dum “Públio Lêntulo”, descendente de Lêntulo Sura, contemporâneo de Cristo, etc. O que dele se diz em “Há Dois Mil Anos” é de tal modo importante que uma pessoa que tivesse tido a carreira que a psicografia lhe atribui teria deixado traços históricos – e simplesmente não há nenhum! Não apenas isso: todo o mundo desenhado por “Emanuel” na psicografia não existe na evidência histórica, e a evidência histórica somente aponta pessoas que não são citadas na psicografia. Especificamente sobre a família, assim, seria bom que os espíritas pudessem contestar o seguinte:

    O único “parente” de Lêntulo na psicografia, “Sálvio Lêntulo” (um nome aliás impossível pela prosopografia da época), não tem nenhum registro histórico;

    Ao contrário, nenhum dos Lêntulos historicamente atestados (principalmente os Getúlicos e os Salvidienos Orfitos) são sequer mencionados na psicografia;

    Nada se fala acerca do “cursus honorum” de “Lêntulo” na psicografia; e sua “missão” na Judéia, no contexto administrativo da época, não faz nenhum sentido.
    —-
    Adicionalmente, não houve um “Lêntulo” no conselho de guerra de Tito. Sabe-se (por Flávio José) a composição precisa desse conselho de guerra, e lá não consta nenhum “Lêntulo”…

    Não é necessário, assim, conhecer todos os 600 senadores romanos (desculpa esfarrapada, que brota de mentes fanáticas, as quais querem, por todos os meios, provar o que não pode ser provado) para se analisar “Lêntulo” e concluir que, na melhor das hipóteses, há seriíssimas dúvidas acerca de sua existência histórica.

    Aliás, muita coisa sobre a aristocracia senatorial romana e as famílias senatoriais da época imperial pode ser analisada na obra de Settipani, “Continuité Gentilice”, e na detalhadíssima bibliografia que o acompanha. É só pesquisar…

    Somando-se a isso, tem-se, adicionalmente: a) a ignorância de Xavier/Emanuel acerca da prosopografia romana da época – fato que já foi detalhado num outro estudo; b) sua ignorância acerca das estruturas administrativas da época (o “cargo” de Lêntulo em Esmirna, a sua inexistente atuação no “conselho de guerra” de Tito; a presença de tropas legionárias na Judéia antes da revolta de 66-72 dC, etc.); c) a descrição da figura de Jesus constante na “carta de Lêntulo”, que somente se formou a partir dos fins do séc. IV dC, e que somente se consolidou a partir do séc. IX dC; d) a ausência de qualquer referência, em qualquer escritor, cristão ou pagão, de “Lêntulo” e de sua carta, até ao séc. XV dC.

    Diante de tudo isso, então, estariam os espíritas na obrigação moral de (como em vários outros casos) simplesmente seguir as diretrizes do próprio Kardec, e rejeitar, no mínimo por prudência, essa identificação (como já comentei numa outra mensagem). Insistir nisso somente os leva a situações embaraçosas e cada vez mais afastadas da ciência histórica e da simples razão. Mas, é claro, já deve ter se tornado óbvio que o que menos alguns espíritas “kardecistas” fazem é seguir o próprio Kardec. Não são “kardecistas”; são apenas “kardecólatras” (quando lhes convém) ou “chicólatras”.

    De novo o desafio: se têm tanta certeza assim da efetiva existência de “Lêntulo”, façam então um apanhado, detalhado, de tudo isso, e publiquem (ou procurem publicar…) em revistas históricas conceituadas, no Brasil e no exterior. Deve haver historiadores de profissão entre os espíritas kardecistas. Se acreditam mesmo em “Lêntulo”, que façam isso. Vejamos quem aceita tais publicações, e mais, que tipo de críticas esse material receberia…

    Acrescente-se que, ao fim das contas, o ônus da prova, no que diz respeito a Lêntulo, pertence inteiramente aos “kardecistas” que afirmam categoricamente que ele existiu. Afirmam isso contra toda a evidência histórica (como já se mostrou aqui); portanto, devem provar, à exaustão, e convincentemente, e com argumentos racionais, que a pessoa em questão efetivamente existiu, que esteve na Judéia, que escreveu ao “Senado” (ou ao Imperador…), etc. E refiro-me a provas concretas, não à própria psicografia, ou de eventuais “revelações”. Ainda estou esperando… Produzam evidências palpáveis e documentos históricos fidedignos que mostrem que existiu um Públio Lêntulo, descendente de Lêntulo Sura, que exerceu funções em Esmirna, que esteve no conselho de guerra de Tito, que esteve numa “missão” na Judéia na época de Pilatos, e que escreveu um relatório (ao Senado? Ao Imperador?) sobre um certo Jesus de Nazaré.

    Dizer que a época de Augusto e dos Júlio-Cláudios (c. 30 aC a 68 dC) é um dos períodos pior documentados da História Romana é duma ignorância tão grande que é somente plausível (e cabível) na cabeça de alguns fanáticos. Essa, ao contrário, é uma das épocas MAIS BEM DOCUMENTADAS da História romana (e judaica), tanto pelos textos históricos em si quanto pelas evidências arqueológicas e epigráficas.

    Para o estudo (detalhado) do enorme corpo de inscrições do período, referentes tanto a aspectos administrativos quanto, principalmente, à genealogia das famílias senatoriais romanas, pode-se consultar tanto Sherk (“Translated Documents of Greece and Rome – The Roman Empire – Augustus to Hadrian”) quanto, principalmente, o já citado Settipani (“Continuité Gentilice et Continuité Familiale dans les familles sénatoriales romaines à l’époque imperial – mythe et realité”), citadas, inclusive, na Bibliografia da pesquisa.

    Sobre as fontes históricas, o período, ao contrário do que se diz, é coberto por várias obras. A seguir, um resumo despretensioso.

    Muitos compendiadores posteriores, consultando obras da época, deixaram resumos ou tabelas cronológicas que abarcaram o período em questão, e que fornecem detalhes preciosos: a “Crônica” de São Jerônimo, a “Epítome dos Césares” de Aurélio Vítor, o “Breviário” de Flávio Eutrópio, etc. Isso, claro, sem contar os cronistas bizantinos posteriores, ou sem considerar o tesouro de informações que se pode obter, esporadicamente, quer a partir da “Suda”, quer a partir da “Biblioteca” do patriarca Fócio. É questão de pesquisar…

    Acrescentem-se as listas consulares, principalmente os Fastos Capitolinos (completos até ao final do reinado de Augusto) e os Fastos Ostienses (relativamente completos para o período Júlio-Cláudio, com algumas falhas).

    A enorme obra “A Partir da Fundação da Cidade” (“Ab Urbe Condita”), de Tito Lívio, em 142 “livros” (i.e., rolos), cobria o período que vai desde a fundação (tradicional) de Roma, em 753 aC, até à época de Augusto (até c. 8 aC). Infelizmente, boa parte não sobreviveu no seu texto completo, mas tem-se um resumo (“Periochae”) de toda a obra, que fornece informações úteis.

    O historiador Tácito (que escreveu na época de Trajano), um dos grandes historiadores romanos, cobriu, em detalhes, com seus “Anais”, o período da morte de Augusto à de Nero (14-68 dC); dessa obra, restam completas as partes referentes aos anos 14 a 29 dC, 31 a 37 dC e 47 a 66 dC. Suas “Histórias” cobriam o período dos Flávios (68-96 dC), restando completos os acontecimentos referentes ao ano 69 dC e à terrível guerra civil da ocasião.

    Veleio Patérculo, que escreveu sob o império de Tibério (reinou 14-37 dC), deixou um “Compêndio de História Romana” em dois “livros” (rolos); o 1o é um resumo, que vai desde as “origens troianas” de Roma até à destruição de Cartago, na Terceira guerra púnica (146 aC); o 2o cobre o período de 146 aC a 29 dC, sendo que o período a partir de Júlio César é tratado com especial detalhe.

    O historiador Gaio Suetônio Tranqüilo, secretário particular do Imperador Adriano (reinou 117-138 dC), deixou, entre outras obras, o “Sobre as Vidas dos Césares”, cobrindo a biografia de Júlio César, o ditador, e dos onze Imperadores seguintes, de Augusto a Domiciano; fora o início da biografia de César, a obra chegou-nos completa, e revela detalhes importantes referentes a todo o período compreendido entre c. 50 aC e 96 dC.

    As “Cartas” de Plínio o Moço, embora um pouco posteriores, lançam luz sobre a alta sociedade romana do final do séc. I dC e inícios do séc. II dC.

    A “História Romana” (“Rhomaika”), do senador Cássio Dião Coceiano, natural da Nicéia bitiniana, que viveu sob os Severos, iniciava-se (como a de Tito Lívio) na fundação mítica de Roma, em 753 dC, indo até à época do autor (1o quartel do séc. III dC). Não nos chegou inteira, mas cobre, completa e detalhadíssima, todo o período de Augusto até ao ano 46 dC, tendo-se, a partir de então, um resumo (epítome) que leva a narrativa até ao ano 229 dC.

    Assim, dizer que não há fontes históricas para o período é algo inacreditável. Dois dos historiadores (Tácito e Cássio Dião) eram senadores, tinham acesso aos altos círculos do poder, e um (Suetônio) era secretário particular (“ab epistulis”) do Imperador, tendo acesso a documentos importantes. E, para o período de Augusto e dos Júlio-Cláudios, boa parte dessas obras nos chegou completas…

    Especificamente sobre a história judaica, temos as obras completas do historiador (sacerdote e, segundo ele próprio, fariseu) José, filho de Matias (ou Matatias), Iosef ben-Matathiahu, mais conhecido pelo seu nome romano de Flávio José (Flavius Iosephus). “As Antiguidades Judaicas”, em 20 “livros” (rolos) cobrem o período desde a Criação até imediatamente antes da eclosão da revolta contra Roma, em 66 dC; “A Guerra Judaica”, em 7 “livros”, cobre o período de 175 aC até ao final da revolta, com a rendição de Masada (c. 72 dC).

    Tudo isso, é claro, sem se esquecer todas as evidências históricas que a Numismática pode fornecer.

    As fontes históricas romanas começam a escassear (inicialmente de modo lento) depois do império de Adriano (117-138 dC); as lacunas tornam-se grandes na época dos Severos (193-235 dC), e, nos 50 anos seguintes, mostram-se bastante graves (o período da “anarquia militar”, 253-284 dC). A partir de Diocleciano, a situação começa a melhorar. Para Constantino e seus sucessores, até ao início do séc. V dC (grosso modo, da “Paz da Igreja” em 313 dC, até 410 dC, ano do saque de Roma pelos visigodos de Alarico), a situação melhora sensivelmente, para voltar a apresentar problemas a partir daí. Esse, resumidamente, é o estado das fontes históricas romanas para o período imperial. O período de Augusto (30 aC – 14 dC) e dos Júlio-Cláudios (14 – 68 dC) é um dos mais bem documentados, se não o mais bem documentado, de toda a História romana (exceção talvez para o período republicano final, especialmente a época de Cícero).

    Felizmente para nós, infelizmente para “Emanuel”…

    Gostaria, sinceramente, de saber qual o historiador que disse que o período em questão é um dos menos documentados da História Romana. Citação, nome, livro, etc.

    Por tudo isso, o “affair” “Públio Lêntulo” está virtualmente concluído – a não ser na cabeça de alguns “chicólatras”. Para esses, claro, nada do que se disser, ou do que se mostrar, será, algum dia, ou alguma vez, suficiente. Enfim, que julguem os leitores.

    A propósito, apenas para complementar, nenhum espírita, de qualquer espécie, e nem ninguém que pratica a necromancia, pode dizer-se “cristão”. Quanto mais não seja, pelo fato de a Bíblia, e o Cristianismo, renegarem explicitamente a reencarnação. Acerca disso, há, acessível na Internet, um estudo muito bem feito, documentado e pormenorizado, “A Reencarnação na Bíblia” (falhasespiritismo.6te.net/reencarnacao_biblica.html). Os espíritas, e outros do gênero, podem continuar se dizendo “cristãos” (afinal, o nome de Cristo é, ainda, um bom “marketing”), mas, da mesma forma que o fato de eu dizer que uma bola é um cubo não faz da bola um cubo, o dizer-se “cristão” JAMAIS fará um espírita ser cristão. Isso não quer dizer que um espírita seja, ipso facto, uma pessoa má, ou que (ao menos na visão soteriológica católica) esteja também automaticamente condenado ao Inferno (e nem o fato de se ser cristão é garantia suficiente de salvação, diga-se de passagem); quer dizer apenas que ele não é cristão, que não aceita o ponto fulcral da mensagem de Cristo, que é o Seu sacrifício expiatório pela humanidade pecadora, bem como uma série de doutrinas centrais do Cristianismo (p.ex., o Julgamento Final, a ressurreição dos mortos), afirmando, ao contrário, doutrinas que jamais foram esposadas, quer pelo Judaísmo, quer pelo Cristianismo, como a necromancia e a reencarnação. O fato de aspectos morais do ensinamento cristão serem levados em consideração, ou mesmo serem seguidos, por determinada pessoa não faz dessa pessoa, automaticamente, um cristão; um ateu, p.ex., pode considerar que a “parte moral” dos ensinamentos de Jesus (o “Sermão da Montanha” de Mateus, p.ex.) seja muito boa e nobre, e pode até procurar aplicar tais princípios, ora mais, ora menos, na sua vida do dia-a-dia; mas isso, obviamente, não faz dele um cristão – continuará sendo um ateu. Mais uma vez, isso não quer dizer que o ateu desse exemplo seja uma má pessoa, ou que (mais uma vez, na visão soteriológica católica) esteja automaticamente condenado ao Inferno – mas cristão, obviamente, ele não é. Como os espíritas. Eles são espíritas (aliás, muitos nem isso, porque sequer conseguem seguir os princípios gerais enunciados por Kardec acerca da evidenciação de fenômenos espíritas…), mas não são, em absoluto, cristãos. É uma questão de escolha. Só isso.

  174. Eduardo Diz:

    Prezado José Carlos.

    Creio que a parte final da sua análise, quando vc cita a questão da soteriologia, está meio que indagando sobre o meu dito da questão moral do evangelho de Jesus, que Chico Xavier foi um exemplo bem acima do que eu sou e arrisco dizer que tb de vc.

    De fato, de acordo com o catolicismo, nós espíritas não somos considerados cristãos. Eu sei disso. Sou oriundo de família católica e estudei em um colégio católico durante doze anos. Minha Bíblia é católica, sendo a que eu recomendo.

    Tive uma educação toda à luz da teologia da salvação do homem (soteriologia) de acordo com os princípios católicos e também tive influências de protestantes, os ditos evangélicos. Ouvi a vida toda de católicos e protestantes que espíritas não são cristãos. Sua fala pra mim não é novidade. Respeitamos seu pensamento, mas não concordamos em absoluto.

    Bom, para nós espíritas a moral contida no evangelho é a verdadeira mensagem cristã. Para os que acreditam na ressurreição não é. Pra mim isso está bem claro e acho que a forma como o católico ver a analisa essa questão muito forte e bem elaborada, porém não é a minha crença. Mesmo com toda a ciência, a nossa crença bate mais forte e nos leva às nossas “verdades”. Tb são mais de 2000 anos de estudos e evolução nas questões aqui citadas que a Igreja Católica tem. Aqui não adianta discutirmos. Vc tem a sua crença fundamentada no catolicismo e eu não. Discutir isso é perder tempo. Debater faz bem.

    Pra mim a Doutrina Espírita ainda não é para este mundo. Não me leve a mal, mas é exatamente isso que penso. Acredito que agora basta divulgar. Falando bem ou mal, que falem da Doutrina Espírita. Tenho notado que isso acontece de uma forma muito intensa e até arrisco dizer que tá aumentando essa “divulgação”. Talvez seja um plano muito bem elaborado. Vc mesmo está sendo um veículo de divulgação da Doutrina Espírita. Estudar a fundo, como vc tem feito, e colocar isso na internet é algo que a Doutrina Espírita necessita. Não há a intenção, pelo menos é o que vejo, de que a Doutrina Espírita seja a maior em quantidade de pessoas que a aceitam. Ainda não chegou este momento. Em um mundo como este basta que ouçam falar dela.

    Agradeço a sua análise, que é muito bem fundamentada. Gosto disso pq além de atuar no mercado tb sou estudante e sei como o conhecimento científico é construído. Entendo perfeitamente quando vc pede para que citem as fontes e sei que, no fundo, vc tem o interesse em pesquisar e os resultados que vc encontra é que norteiam seus pensamentos. Seu trabalho é cientifico e nós espíritas gostamos disso. Quando vc analisou o livro Há 2000 Anos vc achou que aquilo foi forte demais para não ter registros históricos. Acho isso muito bom e parabenizo o seu trabalho. Continue assim e faça tb um estudo sobre a obra Paulo e Estevão de Emmanuel e Chico Xavier. Eu não tenho conhecimento de história para fazer um estudo no nível do seu, por isso que estou sugerindo.

  175. Sonia N. Diz:

    Sr.José Carlos Ferreira Fernandes:
    -
    Contra as evidências, não há argumentos que resistam.
    -
    De acordo com a sua pesquisa, não há sinais, ao longo da História, tanto do Império Romano, quanto do povo judeu, à época reportada, da existência de um senador de nome Publio Lentulus, que correspondesse às afirmações contidas no livro psicografado por Francisco Candido Xavier, “Há dois mil anos”, de autoria do espírito Emmanuel. Consequentemente, conclui-se que Emmanuel não passa do produto de uma mente privilegiada (Chico Xavier), cujos mecanismos, ainda são absolutamente desconhecidos pelos adeptos da doutrina espírita. Assim como, infelizmente (e principalmente), pela ciência, que deveria ter sido acionada pela cúpula responsável pelo Regimento Estatutário da Doutrina Espírita, ou seja, a FEB, para estudá-lo.
    -
    Percebe-se ao longo de suas explanações, interesse genuíno, na busca da verdade, tanto mais que se nota um conhecimento profundo dos fundamentos da doutrina promulgada por Allan Kardec, muito embora o senhor pertença a uma crença religiosa, cujos ditames lhe sejam totalmente adversos, ou seja , O Catolicismo Romano.
    -
    Infelizmente, trabalho tão sério e meticuloso, indício de conhecimentos notáveis de História (que é sua área), encontra-se “perdido”, em meio a comentários jocosos, desonestos, descabidos e fora de propósitos, por parte dos céticos e de zombeteiros. E, mesmo por parte dos próprios espíritas (eu, inclusive), que deveriam seguir o seu conselho e “arrumarmos nós mesmos a nossa casa”, sem que houvesse necessidade de sermos lembrados de nossas responsabilidades, por parte de quem não é de direito.
    -
    Portanto, acreditando na sinceridade de sua iniciativa, creio que o senhor poderia dirigir-se à Federação Espírita Brasileira, legitimando as suas pesquisas, para que a FEB tome as devidas providências quanto a este caso, que é muito sério. A fim de que as diretrizes da Doutrina Espírita retome ou reforce o trabalho investigativo, quanto aos fenômenos mediúnicos, já que quanto à Doutrina propriamente dita, nada há a referendar, pela excelência de seus fundamentos, baseados todos nos ensinamentos de Jesus, o Cristo Salvador. Com a ressalva de que o Cristo não tem para nós, o mesmo significado instituído pela Igreja do Catolicismo Romano. Nosso entendimento de Cristo, é muito diferente, ou seja, resume-se a seguir, na prática, os seus ensinamentos e os seus exemplos.
    -
    Se o senhor não considera essa atitude de bom alvitre, acredito que poderia então, prestar um grande serviço à sociedade, publicando suas pesquisas, através da “mídia”, escrita, falada e televisiva, justificando empenho tão grande em desmistificar a obra do médium Francisco Cândido Xavier.
    -
    Com certeza absoluta, as obras geradas pela pessoa Chico Xavier e pelo médium Francisco Cândido Xavier, continuarão a dar seus frutos. Ninguém há de querer destruir a marretadas, todas as edificações espíritas geradas pelo seu trabalho, ou seja, os hospitais, as creches, os asilos, os orfanatos, os abrigos, as oficinas, as escolas, as distribuições de alimentos, as “sopas” diárias e tantas outras benesses diretamente ligadas à sua pessoa. A imensa quantidade de Entidades Beneficentes que carregam o nome de Emmanuel e de Chico Xavier, inspiradas em suas orientações, em todos os quadrantes do Brasil, continuarão os seus trabalhos de assistência dignificante.
    -
    Os “milhares de adeptos relapsos” poderão afastar-se, decepcionados quanto aos fenômenos mediúnicos, interesse único de suas incursões ao Espiritismo. Portanto, não farão falta ao Movimento Espírita, pois, nada fazem nesse sentido. Possivelmente, sentirão eles, falta do assistencialismo praticado no meio espírita, sem qualquer tipo de preconceito e sem qualquer tipo de cobrança.
    -
    Entretanto, os adeptos verdadeiros, semelhantes em tudo a Pedro, e não a Tomé,
    continuarão firmes em suas atividades no Bem, contribuindo com suas parcelas para uma sociedade mais justa e mais digna, em busca de um tempo de paz entre os homens de Bem, na Terra. E firmes em suas convicções espíritas. E, com certeza maior ainda, da autenticidade do trabalho, da bondade e do amor, genuinamente cristão, de Chico Xavier. Que nada há de apagar. Nem com escândalos. Porque nem os escândalos envolvendo o seu nome, diversas vezes, nesse país, fizeram-no desistir um único dia, de trabalhar em benefício do próximo.
    -
    E tendo o senhor, Sr. José Carlos, completado o seu trabalho, através da divulgação de sua pesquisa, não precisará daí em diante, esfalfar-se a explicar em detalhes, a cada comentarista deste blog, o grande equívoco dos espíritas. E poderá, finalmente, dormir em Paz!
    -
    Sr. José Carlos, não pense que estou sendo jocosa ou debochada. Estou sendo sincera. Acredito firmemente,
    em “cada” palavra que proferi.

    Abraços afetuosos, mesmo que o senhor pense que eu sou hipócrita e que as emoções fazem mal à saúde. Só quem está habituado a abraçar de verdade, sabe o quanto é emocionante e agradável (sem precisar de grandes explanações a respeito)

  176. José Carlos Ferreira Fernandes Diz:

    Caro Eduardo:

    Minha última mensagem foi escrita dentro do contexto de alegações, num outro tópico deste “blog” (“Revelações da ‘Superinteressante’ sobre Chico Xavier”), de que o período em que viveu Lêntulo/”Emanuel” seria um dos pior documentados da História romana. Foi também copiado aqui por questões de temática.

    No mais, agradeço suas considerações, e espero que a pesquisa lhe tenha podido ser, de algum modo, útil e proveitosa. Como creio que já repeti inúmeras vezes, ela não diz respeito nem à investigação do fenômeno em si (se se tratava duma “entidade”, ou do “inconsciente” do médium, ou de qualquer outra coisa), e nem aos aspectos moral e social da vida e da atuação de Xavier.

    A questão prende-se ao fato de que uma porção não negligenciável da autoridade de Xavier emanou da autoridade de “Emanuel”, e que a autoridade de “Emanuel”, por sua vez, derivou totalmente da aceitação como verdadeira de sua identidade com “Públio Lêntulo”. Embora isso esteja sendo alegado, “Há Dois Mil Anos” não se pretendeu como obra de ficção, e nem foi assim considerado pela comunidade e