Humberto e Chico: Intertextualidade ou Apropriação Textual?

Em sua tese O Caso Humberto de Campos: Autoria Literária e Mediunidade (2008), Alexandre Caroli Rocha identifica múltiplas correspondências entre obras psicográficas de Chico Xavier atribuídas ao espírito de Humberto de Campos e textos publicados por Humberto de Campos em vida. Segundo o autor, tais aproximações visariam criar, entre leitores familiarizados com a literatura de Humberto, um “efeito de sobrevivência”: a impressão de que a voz do escritor persiste após a morte.

Reunimos parte dessas correlações em tabelas. Também nos valemos de exemplos próprios — inclusive oriundos não de livros, mas de matérias publicadas em jornais ou revistas da época. Consideramos, contudo, que a hipótese de plágio oferece uma explicação mais parcimoniosa para tais semelhanças do que a ideia de um efeito literário pós-morte. Os motivos explicitaremos no decorrer da análise. Para ler mais, clique aqui.

5 respostas a “Humberto e Chico: Intertextualidade ou Apropriação Textual?”

  1. Guilherme Diz:

    Ao ler mais uma análise primorosa de sua parte acerca de “problemas” envolvendo as psicografias de Chico (permita-me o uso de eufemismos, por favor!), grita em mim um incômodo que tem sido cada vez mais afastado pelas ciências humanas: o distanciamento.
    Que diferença faz uma análise fria, que busca o máximo da objetividade possível, em assuntos sensíveis como o da espiritualidade.
    O que Caroli, com sua declaração pública de fé, enxerga como indício de sobrevivência da individualidade de Haroldo, pode não passar de um desejo incontido do analista. Impossível não lembrar alguns dos artigos do Alexander Moreira, espírita, que categoriza frases como “ele gostava de carros” no rol de expressões que indicariam a sobrevivência da alma, por ser “muito específica”.
    O relativismo pós-moderno, que advoga a falta de necessidade de distanciamento do autor-objeto, é muito perigoso…

  2. Guilherme Diz:

    Mais uma coisinha (besta), Vitor:

    “Alexandre Caroli Rocha identifica múltiplas correspondências entre obras psicográficas atribuídas a Chico Xavier”

    Seria atribuídas ao Espírito Humberto de Campos, não?

  3. Vitor Diz:

    Oi, Guilherme
     
    de fato, corrigi agora no texto do blog. No arquivo em docx eu conserto na segunda-feira. Grato pela observação!

  4. Gorducho Diz:

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    Sr. Guilherme disse:

    grita em mim um incômodo que tem sido cada vez mais afastado pelas ciências humanas: o distanciamento.

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    Poderia aportar algum texto que a S/ver exemplifique tal atitude por parte das Humanidades atualmente?
    Pra quem não é do ramo – e.g. me = MechEng + Espiritismo – poder captar melhor.

  5. Guilherme Diz:

    Olá Gorducho,
    Não saberia te informar um texto em especial, mas é algo que pode ser sentido ao presenciar debates em congressos e ao visitar cursos de pós-graduação, por exemplo.
    É muito bem-vindo hoje em dia “estudar a si mesmo”, um excesso de autoetnografia que desafia o espírito crítico. Em antropologia, isso é gritante (candomblecista que estuda o candomblé, petista que estuda o PT, e assim por diante). Algumas vozes dizem que isso tem a ver com o giro decolonial, mas é preciso maior aprofundamento para entender esse fenômeno.

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