Terezinha Cavalcanti e Irmã Noiva (Maria Martins) se materializam!

O artigo de Estudos Psíquicos (1946) descreve, com entusiasmo quase jornalístico, uma série de supostas materializações de espíritos ocorridas no interior paulista — manifestações que teriam acontecido à luz clara, diante de médicos, familiares e diversos observadores. As protagonistas dessas aparições seriam Terezinha Cavalcanti e Irmã Noiva (Maria Martins), ambas jovens desencarnadas que, segundo os relatos, surgiam visíveis, tocáveis e até capazes de cantar, conversar longamente e oferecer flores.

O texto narra episódios cinematográficos: perfumes suaves que enchem o ambiente, luzes flutuantes, véus examinados pelos presentes, corações “ouvidos” pelos pais das jovens e fotografias tidas como provas cabais da imortalidade da alma. Ao longo das sessões, as entidades comunicam mensagens de conforto, fé e propósito espiritual, em um tom que mistura devoção religiosa e espetáculo de maravilhas.

Mas, ao mesmo tempo que fascina, o relato também deixa rastros de perguntas sem resposta. As descrições são extraordinariamente convenientes — espíritos surgindo em ambientes controlados pelos próprios médiuns, fenômenos confirmados apenas por testemunhas simpáticas à doutrina, fotografias cuja autenticidade não é examinada criticamente e detalhes físicos (como batimentos cardíacos) que em nada diferem de uma pessoa viva.

E, embora o artigo se esforce em afirmar que nada ali poderia ter sido fraude, a própria riqueza dramática da narrativa — mudanças de temperatura, brisas suaves, cantorias, aparições prolongadas — mais se aproxima de um teatro místico do que de uma observação imparcial.

No fim, o leitor fica dividido: teria sido aquele um momento histórico de contato entre dois mundos… ou apenas um exemplo clássico de crença moldando a percepção?

Para ler, clique aqui.

6 respostas a “Terezinha Cavalcanti e Irmã Noiva (Maria Martins) se materializam!”

  1. Guilherme Monteiro Junior Diz:

    Eu estava aqui conversando com o meu amigo Noah sobre como que existem influenciadores digitais e divulgadores científicos e ativistas antipseudociência/pseudagem que promovem pseudagem, como um influenciador digital que falou contra a sexologia cristã mas acabou promovendo pseudagem sobre denegrir ser um termo racista. Me fez pensar como que literalmente todo mundo tem sua própria pseudociência de estimação, todo mundo tem alguma crença ou defende algo que pode sim ser considerado como pseudocientífico e/ou como não-científico. E isso está tudo bem. Infelizmente de fato hoje a ciência se tornou como uma religião absolutista monoteísta estilo o cristianismo durante a idade média, e Nassim Nicholas Taleb acerta e muito sobre isso ser consequência direta do protestantismo, assim como Taleb também explica de maneira superficial mas válida as raízes protestantes do Neoateísmo e desse Hiperrealismo Cientificista/Neopositivista. Taleb também provou que QI é de fato pseudagem, mas mesmo assim o Lobby do QI continua bem forte em todo o mundo. Infelizmente o Debunking Bias e o Objectivity Bias e derivações de ambos de fato existem e são bem mais comuns que existem.

  2. Guilherme Monteiro Junior Diz:

    Inclusive uma resposta que eu daria pra esta thread do ResearchGate:

    Bem, a palavra chave neste contexto é a palavra “evidência”, sim, todo mundo tem um conceito diferente de evidência, assim como que evidência é algo que mais diz sobre o que as pessoam convém que é evidência do que a verdade/realidade em si, já que, na prática, tanto a verdade quanto a realidade e os fatos são conveções socialmente aceitas. Claro, eu não penso que eu precise escrever um artigo científico só explicando sobre isso. O que Paul Dessauer disse de que “Whether a delusion is a symptom of illness has more to do with the social context and the effects of the belief than the actual content of the delusion” de fato se aplica 100% neste contexto.
    Daniel Dessauer diz “My answer to Daniel’s original question, “Can you have delusion without mental illness?” is “Yes, of course you can”. We all suffer a variety of delusions (about ourselves, about others, about the nature of the world). This is simply part of the human condition. None of us have an objective view of the world or of ourselves, and we all carry delusions, some trivial and mundane, some extremely unusual or bizarre. Ultimately, whether delusions are symptoms of mental ill-health is not dependent on the content or floridity of someone’s delusions. It is determined by whether the delusions are causing distress, dysfunction, suffering, or increased risk of injury or death to the person exhibiting the delusions, their family, and the community they live with.” O que de fato faz sentido na prática.
    Assim como você pode ver delusion deste lado, você também pode ver do lado do que definimos como evidência, ele diz que “Religious and spiritual or supernatural beliefs can never be tested objectively, however even in cultures that actively encourage altered states of consciousness and belief in spirits and/or magic, there are still words to describe what we would call “delusion” or “psychosis”. E depois ele dá exemplos da cultura Yorubá e Inuit e em outro paragráfo ele fala sobre como a homossexualidade e a transsexualidade eram consideradas como doenças mentais no Ocidente até os anos 1970-1990.
    Mas voltando as evidências, sim, se você definir evidência como sendo único e exclusivamente evidências científicas, então de fato, todos nós somos delusional pois nossas visões de mundo não são baseadas em evidências científicas sem contar que elas mudam o tempo todo, elas são bastante dinâmicas-complexas nesta questão. Mas se vc definir evidência como algo que também inclui aquilo que é empírico, social, cultural, material, imaterial, tangible, intangible e parte da condição daquela pessoa e da condição humana, então de fato crenças religiosas, espirituais e sobrenaturais não são delírios desde que você tenha todo um sistema que dê suporte a estas crenças.
    Não é esquizofrenia a pessoa ter uma relação pessoal com um deus ou deusa ou deuses ou um panteão de um outro país/região/cultura, não tem problema nisso, a pessoa pode sim ter uma relação saudável com um deus/deusa/panteão e ainda sim ela ter sonhos, daydreams, conversas espirituais, experiências espirituais e afins com estas divindades em questão. Agora, se isso é algo de fato sobrenatural ou é apenas parte do natural, aí é outra conversa e outra discussão filosófica.
    Agora, se esta mesma pessoa está colocando a vida dela em risco e/ou a vida de outras em risco, e/ou se colocando em situações de risco na Internet e/ou na vida real, e/ou a pessoa está claramente em uma situação onde ela está totalmente inimputável de responder por ela mesma. Então ela de fato precisa de ajuda, não pelas crenças dela, mas sim por ter alguma variável extra ou espectral no meio, como TOC, autismo, depressão, ansiedade, sindrome do pânico, transtorno de personalidade borderline e afins.
    É sim possível você praticar projeção astral e afins e ser uma pessoa totalmente normal, assim como você ter uma relação pessoa com seus deuses e ter uma vida totalmente normal. Assim como que é possível você ser uma pessoa ateia/cética e mesmo assim você ter delusions that are causing distress, dysfunction, suffering, or increased risk of injury or death to the person exhibiting the delusions, their family, and the community they live with como o caso de dizer que todas as pessoas religiosas são “delirantes”, “doentes mentais”, “brainwashed” e afins. Assim como meter aquela clássica “where is your god now” e/ou “you are brainwashed/delusional/schizophrenic.”
    Então sim, a realidade na prática é bem mais complexa e dinâmica do que podemos aceitar e/ou do que nos dizem nas escolas e nos canais de divulgação científica. Nenhum humano tem uma visão objetiva da realidade, e é uma forma de viés de objetividade você pensar que é possível.

    https://www.researchgate.net/post/Can_you_have_delusion_without_mental_illness

  3. Lucas Arruda Diz:

    Boa dia a todos os leitores do Blog.

    Gostaria de abrir novamente um tema que, desde já peço desculpas por não estar diretamente relacionado ao post, mas acredito que possa enriquecer o debate sobre os fenômenos estudados em geral.

    Estive relendo os artigos de Van Lommel (2001): “https://app.box.com/s/9007c2ncxo3yifx2neslaaitx6mn7kyb”; e Parnia (AWARE II, 2023): “https://app.box.com/s/mgxwyamkr805owch63rlbl8u1wefvisv”; e notei um contraste importante entre os dois. No estudo de Parnia, foi possível identificar atividade de EEG mensurável em alguns pacientes durante a RCP, o que, à primeira vista, poderia sugerir uma base fisiológica para as experiências de quase morte (EQM). Confesso que esse dado me fez repensar minha interpretação inicial e me levou a reconsiderar o estudo clássico de Van Lommel com mais cuidado.

    Ao revisitar a conclusão de Van Lommel, encontrei um argumento que me parece ainda mais forte depois da leitura do AWARE II: se o mecanismo da EQM fosse puramente fisiológico, a maioria das pessoas que passam por parada cardíaca deveria relatar a experiência. No entanto, os dados mostram o contrário — a maioria não relata.

    Van Lommel demonstrou dois pontos cruciais que sustentam essa afirmação:

    1. O tempo de RCP não interfere na ocorrência da EQM.
    2. A gravidade da anoxia cerebral também não interfere.

    Se a experiência fosse determinada apenas por fatores fisiológicos objetivos, seria razoável esperar que, quanto maior o tempo de parada ou mais severa a hipóxia, maior a incidência de EQM. Mas não é isso que os dados mostram.

    Há ainda um terceiro ponto, que gostaria de explorar com mais calma: a possível relação com a ketamina e substâncias endógenas como o DMT.

    Três argumentos contra uma explicação puramente fisiológica

    1. Universalidade do fenômeno versus ausência de padrão hereditário ou demográfico

    Van Lommel demonstrou que fatores demográficos — como etnia, nacionalidade ou religião — não influenciam a ocorrência da EQM. Se o fenômeno fosse determinado por fatores genéticos ou hereditários, seria esperado encontrar grupos populacionais com incidência significativamente maior ou menor. No entanto, as EQMs são relatadas em todas as culturas e regiões do mundo, com uma taxa estimada relativamente estável entre 10% e 20% dos sobreviventes de parada cardíaca.

    Isso sugere que o fenômeno é universal, e não restrito a perfis demográficos específicos. Logo, se a causa fosse estritamente biológica, seria de se esperar que a fisiologia humana — sendo essencialmente a mesma em todos os indivíduos — produzisse o fenômeno de forma igualmente universal. Mas não é o que ocorre.

    2. Igualdade fisiológica versus desigualdade na experiência

    Se todos os pacientes analisados estavam em condição médica semelhante — clinicamente mortos, submetidos a RCP, com anoxia cerebral — por que apenas uma minoria relata a EQM? A fisiologia cerebral em seus aspectos fundamentais é a mesma entre os indivíduos. Não há, até o momento, nenhum marcador fisiológico ou anatômico conhecido que distinga os que relatam EQMs dos que não relatam.

    O argumento de Van Lommel permanece sólido: se a causa fosse puramente fisiológica, a maioria deveria relatar a experiência. O fato de isso não acontecer aponta para a necessidade de considerar outras variáveis — possivelmente não fisiológicas — para explicar o fenômeno.

    3. A hipótese da ketamina/DMT e seus limites

    O Dr. Edson Amâncio, do canal “Afinal, o que somos nós”, levantou um ponto interessante: idosos produzem menos DMT — uma molécula com efeitos semelhantes aos da ketamina — do que pessoas mais jovens. Sabemos que a ketamina pode induzir experiências subjetivas que se assemelham a alguns elementos da EQM, mas, como o próprio Van Lommel observa, tais experiências induzidas não incluem a revisão de vida, um dos componentes mais característicos e profundos da EQM.

    Ainda assim, suponhamos, por hipótese, que a combinação entre anoxia cerebral e liberação de DMT (ou administração de ketamina) pudesse explicar a ocorrência da EQM. Mesmo assim, restaria uma questão central: por que a maioria das pessoas mais jovens — que produzem DMT em níveis mais elevados e têm fisiologia semelhante — também não relatam a experiência? Se a fisiologia e a química cerebral fossem determinantes, o esperado seria que a incidência fosse muito maior nessa faixa etária. Mas não é o que os dados mostram.

    Uma analogia para ilustrar o problema

    Penso na seguinte analogia: imagine que temos dez lâmpadas idênticas, do mesmo modelo, mesma potência, mesma marca. Queremos testar se funcionam. Ligamos todas na mesma fonte de energia. O esperado é que todas acendam ou nenhuma acenda, já que são idênticas. Mas, no nosso caso, apenas duas acendem. As outras oito permanecem apagadas.

    Ora, se todas são iguais, como explicar que apenas algumas funcionem?

    Essa é a mesma perplexidade que os dados sobre EQM nos impõem. Se a fisiologia é essencialmente a mesma, por que o fenômeno não é universal?

    Conclusão

    Diante disso, pessoalmente, inclino-me a concordar com a interpretação de Van Lommel. Mesmo diante das descobertas de Parnia — que mostram atividade elétrica cerebral durante a RCP —, a existência de correlatos neurais não implica causalidade fisiológica. O fato de haver atividade elétrica não explica por que apenas uma minoria vivencia e recorda a experiência, nem por que o conteúdo das EQMs é tão consistente entre culturas e tão distinto de experiências induzidas por substâncias ou estímulos elétricos.

    A pergunta que fica é: se o cérebro é a fonte da consciência, por que ele só produz a EQM em uma minoria de casos, quando todas as condições objetivas para isso estão presentes na maioria?

    Se algum ponto da minha argumentação estiver logicamente frágil ou mal fundamentado, por favor, me corrijam.

    Desde já tenham um excelente domingo.

  4. Lucas Arruda Diz:

    No caso, escrevo isto porque entendo que, se o mecanismo fisiológico — intrinsecamente ligado ao ser biológico — não se faz presente (segundo as interpretações baseadas nos relatos de 10% a 20% dos experienciadores de EQMs), evidencia-se a existência de algo não biológico relacionado à consciência, que se manifesta nos limites da vida orgânica.

    Os estudos clássicos de Michael Sabom, realizados há mais de quatro décadas, somados ao relato de Van Lommel sobre o caso da dentadura e à observação de Parnia no estudo AWARE I — no qual o paciente descreveu com precisão a cena da reanimação cardiopulmonar, incluindo os dois bips emitidos pelo equipamento —, além de relatos anedóticos como os de Lloyd Rudy e Roberto Amado-Cattaneo (em que o indivíduo permaneceu 20 minutos sem batimentos cardíacos e sem RCP), sugerem, a meu ver, de forma extremamente contundente, que esse elemento não biológico é a própria consciência. Esta, ou se expande, ou se desprende do corpo biológico — o que, para mim, indica que a consciência não é um fenômeno meramente biológico e, com enorme probabilidade, sobrevive à morte biológica.

    Resta agora aguardar que o tempo confirme esse fato, principalmente na ciência mainstream de forma ampla.

  5. Lucas Arruda Diz:

    É importante fazer uma observação sobre o parágrafo que aborda a relação entre o DMT e sua baixa produção no organismo dos idosos, pois faltou um detalhamento no raciocínio. A menção aos idosos surgiu a partir da constatação de Van Lommel de que essa faixa etária relata menos Experiências de Quase-Morte (EQMs) do que pessoas mais jovens.

    O Dr. Amâncio, por sua vez, aponta que, como o DMT — substância capaz de produzir visões semelhantes às EQMs, embora sem a revisão de vida — apresenta níveis mais baixos nos organismos dos idosos, já se levantou a hipótese de que isso poderia indicar o DMT como uma das causas fisiológicas das EQMs. O raciocínio seria: idosos têm menos DMT e, coincidentemente, relatam menos EQMs.

    No entanto, há duas objeções importantes a essa linha de raciocínio. Primeiro, se o mecanismo por trás das EQMs fosse uma combinação de anoxia com a liberação de DMT, seria de se esperar que a maioria das pessoas jovens — que teoricamente teriam níveis mais altos da substância — relatassem tais experiências, o que não acontece. Segundo, e mais relevante, os dados empíricos não sustentam a premissa inicial. Parnia, no estudo AWARE I (ou em sua pesquisa anterior a ele), não encontrou diferença significativa na ocorrência de relatos entre idosos e jovens. Isso sugere fortemente que o fenômeno das EQMs ocorre de forma transversal em todas as faixas etárias, enfraquecendo a hipótese de que a variação nos níveis de DMT seja um fator determinante.

  6. Lucas Arruda Diz:

    Finalizando por hoje, e desde já boa noite a todos do blog, no caso montei um silogismo ( com a revisão do Deepseek, em que considero uma boa IA ), sobre o discutido:

    “Argumento sobre a insuficiência das explicações fisiológicas para as EQMs:

    Silogismo 1: Da universalidade fisiológica à baixa incidência

    Premissa maior (científico):
    Se um fenômeno é causado exclusivamente por processos fisiológicos universais (como anoxia cerebral durante parada cardíaca), então ele deveria ocorrer na maioria dos indivíduos submetidos às mesmas condições fisiológicas.

    Premissa menor (dado empírico):
    No estudo de van Lommel, apenas 18% dos 344 pacientes reanimados relataram alguma lembrança do período de morte clínica, e somente 12% tiveram uma EQM típica.

    Conclusão lógica:
    Logo, a EQM não pode ser explicada exclusivamente por processos fisiológicos universais, pois a baixa incidência contradiz a expectativa dedutiva.

    Silogismo 2: Da gravidade da crise à independência da experiência

    Premissa maior (lógica causal):
    Se um fenômeno é causado por um fator fisiológico (ex.: anoxia cerebral), então sua ocorrência e intensidade devem variar proporcionalmente à intensidade desse fator.

    Premissa menor (dado empírico):
    Van Lommel demonstrou que não há correlação entre a duração da parada cardíaca, o tempo de inconsciência ou a gravidade da anoxia e a ocorrência ou profundidade da EQM.

    Conclusão lógica:
    Portanto, a EQM não é função linear da gravidade fisiológica da crise, o que invalida a hipótese de causalidade fisiológica direta.

    Silogismo 3: Do medo da morte à distinção entre causa e modulação

    Premissa maior (distinção conceitual):
    Um fator que modula a intensidade de um fenômeno não é necessariamente sua causa.

    Premissa menor (dado empírico):
    O medo antes da parada influenciou a profundidade da EQM (p = 0,045), mas não sua ocorrência. Segundo Van Lommel, a maioria dos pacientes não sente medo, pois a parada cardíaca é súbita.

    Conclusão lógica:
    Logo, o medo atua como modulador, não como causa. A causa da EQM permanece indeterminada pelos fatores psicológicos avaliados.

    Silogismo 4: Da hipótese da DMT à refutação por insuficiência explicativa

    Premissa maior (condicional):
    Se a EQM fosse causada pela combinação de DMT (mais abundante em jovens) com anoxia cerebral, então a maioria dos jovens reanimados deveria relatá-la.

    Premissa menor (dado empírico):
    A maioria dos jovens reanimados não relatou EQM, embora a frequência seja maior entre eles (p = 0,012).

    Conclusão lógica:
    Portanto, a hipótese da DMT + anoxia é insuficiente, pois não explica por que a maioria dos jovens não tem a experiência, apesar de reunirem as supostas condições necessárias.

    Silogismo 5: Da universalidade demográfica à não hereditariedade

    Premissa maior (definição):
    Um fenômeno biológico hereditário ou culturalmente restrito deve apresentar variações significativas entre grupos étnicos, religiosos ou nacionais.

    Premissa menor (dado empírico):
    Van Lommel não encontrou influência de etnia, nacionalidade, religião ou escolaridade na frequência das EQMs.

    Conclusão lógica:
    Logo, a EQM não é um fenômeno biológico restrito a grupos específicos, mas sim demograficamente universal — o que torna ainda mais paradoxal sua baixa incidência.

    Silogismo 6: Do paradoxo universalidade versus incidência à limitação do paradigma

    Premissa maior (princípio de parcimônia):
    Se um fenômeno é universal (ocorre em todas as culturas, idades e épocas), mas atinge apenas uma minoria dos indivíduos expostos às mesmas condições objetivas, então ele não pode ser reduzido a variáveis fisiológicas objetivas, pois estas deveriam produzir efeitos uniformes.

    Premissa menor (dado empírico):
    A EQM é relatada em todo o mundo, por pessoas de todas as idades (embora mais frequente em jovens), credos e origens, mas apenas 10–20% dos sobreviventes de parada cardíaca a relatam.

    Conclusão lógica:
    Portanto, a EQM transcende o paradigma fisiológico vigente, exigindo modelos explicativos que incorporem a possibilidade de a consciência operar parcialmente independente do cérebro.

    Silogismo final: Síntese conclusiva

    Premissa 1 (negação do fisicalismo estrito):
    Se a EQM fosse puramente fisiológica, seria frequente, proporcional à gravidade da crise e explicável por variáveis biológicas conhecidas — o que não ocorre.

    Premissa 2 (negação do culturalismo restrito):
    Se a EQM fosse cultural ou hereditária, apresentaria variações demográficas significativas — o que não ocorre.

    Premissa 3 (afirmação do paradoxo):
    A EQM é universal (demograficamente) e rara (estatisticamente), o que configura um paradoxo inexplicável pelos modelos atuais.

    Conclusão final:
    Logo, a EQM não pode ser satisfatoriamente explicada pelo conhecimento científico atual baseado exclusivamente em causas fisiológicas, biológicas ou psicológicas. O fenômeno aponta para a necessidade de expandir o conceito de consciência para além do cérebro, admitindo a possibilidade de sua atuação em estados de dissociação corpo-mente — como o próprio van Lommel sugere ao final de seu artigo.”

    Desde já, caso observem quaisquer erro no silogismo, peço desse ja desculpas e que por favor relatem os possíveis erros.

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