Testando a Telepatia de um Papagaio com Capacidade Linguística Notável (2003)

Aimée Morgana observou que seu papagaio-cinzento-africano, N’kisi, dotado de uma notável capacidade linguística, frequentemente parecia responder aos seus pensamentos e intenções de uma maneira aparentemente telepática. Com o objetivo de verificar se essa aparente capacidade telepática se manifestaria em testes formais, organizamos uma série de experimentos nos quais Aimée e o papagaio permaneciam em salas diferentes, situadas em andares distintos, sob condições que impediam N’kisi de receber qualquer informação sensorial proveniente de Aimée ou de qualquer outra pessoa. Durante esses testes, tanto Aimée quanto o papagaio foram filmados continuamente. No início de cada ensaio, Aimée abria um envelope lacrado e numerado contendo uma fotografia e a observava durante dois minutos. Essas fotografias correspondiam a uma lista previamente definida de palavras-chave presentes no vocabulário de N’kisi e haviam sido selecionadas e randomizadas antecipadamente por uma terceira pessoa. Realizamos um total de 147 ensaios de dois minutos. As gravações de N’kisi durante esses testes foram transcritas às cegas por três transcritores independentes. De modo geral, houve boa concordância entre as transcrições. Utilizando um método de pontuação por maioria, no qual pelo menos dois dos três transcritores precisavam concordar, verificou-se que N’kisi pronunciou uma ou mais palavras-chave em 71 ensaios. Ele obteve 23 acertos, isto é, as palavras-chave que pronunciou correspondiam às imagens-alvo. Em uma Análise de Permutação Randomizada (Randomized Permutation Analysis, RPA), um número de acertos igual ou superior ao obtido por N’kisi ocorreu em apenas 5 das 20.000 permutações aleatórias realizadas, resultando em um valor de p = 5/20.000 = 0,00025. Em uma Análise de Reamostragem Bootstrap (Bootstrap Resampling Analysis, BRA), apenas 4 das 20.000 permutações igualaram ou superaram a pontuação efetivamente obtida por N’kisi (p ? 0,0002). Tanto na RPA quanto na BRA, o número médio de acertos esperado ao acaso foi de 12, com um desvio-padrão de 3. Além disso, N’kisi repetiu as palavras-chave com maior frequência quando elas correspondiam corretamente à imagem-alvo do que quando não correspondiam. Esses resultados são compatíveis com a hipótese de que N’kisi estava reagindo telepaticamente à atividade mental de Aimée. Para lero restante do artigo, clique aqui.

13 respostas a “Testando a Telepatia de um Papagaio com Capacidade Linguística Notável (2003)”

  1. Toplad1981 Diz:

    Assunto: Dúvida sobre sintonia mediúnica e sonhos premonitórios com obras artísticas (Relato Anônimo)

    Olá, equipe do Obras Psicografadas,

    Gostaria de submeter um relato e uma dúvida para análise, optando por manter minha identidade em sigilo por motivos de foro íntimo.

    Em determinado período, vivenciei experiências recorrentes em que tive sonhos nítidos que anteciparam, com dias de antecedência e exatidão, músicas que um artista musical viria a lançar publicamente. Nesses sonhos, o conteúdo criativo das obras era revelado antes mesmo da divulgação oficial na matéria.

    Diante disso, gostaria de saber como a Doutrina Espírita e a pesquisa sobre mediunidade explicam esse tipo de fenômeno: trata-se de emancipação da alma (via sonhos) com sintonização no campo mental do autor, um processo de intuição coletiva, ou outra forma de captação espiritual?

    Agradeço pela atenção ao tema e pelo espaço de esclarecimento do site.

    Atenciosamente,

    Anônimo

  2. Vitor Diz:

    Oi, Toplad1981
     
    Pelo Espiritismo seria emancipação da alma mesmo:
     
    https://mediunidadeespirita.wordpress.com/2017/01/10/sonhos-premonitorios-pressentimentos/

  3. Lucas Arruda Diz:

    Boa tarde, Toplas1981.
    Eu pessoalmente já tive algumas vezes sonhos premonitórios que particularmente mostravam questões muito específicas ( e em todas as vezes insignificantes ) do dia seguinte ao acordar ( muitas vezes envolvendo vídeos aleatórios ou questões semelhantes que foram publicadas por exemplo, no dia seguinte à algumas horas ).
    Existe um artigo traduzido pelo Vitor relacionado a um médium chamado Malcolm Bessent, que demonstrou habilidades incríveis relacionadas a precognição em laboratório. Depois de uma olhada aqui no blog.
    Tenha uma boa tarde.

  4. Lucas Arruda Diz:

    Bom, em relação à natureza desse fenômeno, a Parapsicologia o denominou Percepção Extrassensorial ( PES ), que atualmente se divide em três categorias principais: telepatia, visão remota ( ou clarividência ) e precognição.

    Segundo os estudos, tanto a telepatia quanto a visão remota apresentam dados estatísticos extremamente robustos, muitas vezes superando a casa dos bilhões de possibilidades contra o acaso. Além disso, pesquisas mais recentes vêm encontrando evidências igualmente sólidas para a precognição.

    Recomendo a leitura dos artigos sobre o efeito Ganzfeld traduzidos pelo Vitor, que reúnem alguns dos melhores experimentos comprobatórios para telepatia e visão remota.

    Não sou especialista no assunto, mas vale mencionar que pesquisadores como Michael Persinger e Edwin C. May tentaram elaborar teorias materialistas para esses fenômenos. Persinger com base no eletromagnetismo, e May com modelos avançados de física. No entanto, em minha avaliação, ambas as abordagens enfrentam sérias dificuldades: a teoria de Persinger sobre ondas ELF foi contestada por Stephan Schwartz, que demonstrou que essas ondas não transportam informação em tempo hábil. Já a proposta de May, ao depender de um sinal vindo do futuro para o presente, esbarra no fato de que, se tal sinal existisse, já deveria ser detectável na visão remota contemporânea, dado que seu conteúdo é muitas vezes análogo ao da precognição.

    Diante disso, entendo que a Percepção Extrassensorial aponta, até o momento, para duas conclusões importantes: primeiro, que há algo em nós que não é físico; segundo, que esse algo, seja por expansão ou por desprendimento, é o que possibilita a ocorrência desses fenômenos.

  5. Lucas Arruda Diz:

    Além da precognição, existe outro fenômeno intimamente relacionado a ela, chamado por Julia Mossbridge de Antecipação Fisiológica Preditiva. Segundo seus estudos, a fisiologia humana parece reagir alguns segundos antes de um evento futuro ocorrer, como se o corpo já soubesse o que vai acontecer.

    Recomendo a leitura dos seguintes materiais:

    · Meta-análise de Julia Mossbridge (2018):
    https://app.box.com/s/gyqyheerq7w8rhwd0r4hf13e802u1ygx
    · Revisão do efeito Ganzfeld (1998):
    https://app.box.com/s/wcef0xtvr1zkh10kff6cxqm685w4jmkx
    · Artigo de Stephan Schwartz (em inglês) sobre experimentos com submarinos e visão remota:
    https://www.academia.edu/37303056/Two_Application_Oriented_Experiments_Employing_a_Submarine_Involving_a_Novel_Remote_Viewing_Protocol_One_Testing_the_ELF_Hypothesis

    Agora, coloco uma questão central: se toda a percepção extrassensorial dependesse exclusivamente de sinais físicos vindos do futuro para o presente, por que o estudo de Mossbridge não conseguiu identificar tais sinais físicos influenciando diretamente a fisiologia humana? Da mesma forma, por que os experimentos Ganzfeld, os estudos de Persinger e as pesquisas em visão remota também não detectaram esses mesmos marcadores físicos?

  6. Lucas Arruda Diz:

    Finalizando por enquanto, desejo desde já a todos uma boa noite.

    Gostaria de compartilhar uma dúvida sincera que tenho cultivado. Muitas correntes esotéricas, como a Rosacruz e até mesmo o Espiritismo, afirmam que o ser humano possui quatro veículos de manifestação da consciência ( no CEAEC, essa estrutura é chamada de Holossoma ).

    Pessoalmente, estou convencido da existência do Duplo-Astral ( Psicossoma ) e suspeito fortemente que o conceito de Corpo Mental ( Mentalsoma, no CEAEC ) seja verdadeiro, especialmente porque, em muitos relatos de EQMs, as pessoas descrevem uma sensação de conexão universal e de acesso a um conhecimento total ( exatamente como o CEAEC atribui ao Mentalsoma, e como também é descrito pela AMORC e por tradições orientais, como o estado de Nirvana no Budismo ). Quanto ao Duplo-Astral, as próprias EQMs parecem confirmar que a “cópia” do corpo físico no plano extrafísico é idêntica ao original, tal como apontam tanto o CEAEC quanto a AMORC.

    Minha dúvida genuína, no entanto, recai sobre a existência do Duplo-Etérico. Em nenhum relato de EQM que tive acesso, as vítimas mencionaram observar esse “invólucro”, o Cordão de Prata ou mesmo os chakras. Durante uma viagem que fiz a Campos do Jordão, tive contato com um livro ( e outros ) de autoria do maçom Charles Webster Leadbeater, publicados pela Editora Pensamento, nos quais ele afirma, há muito tempo, que o Duplo-Etérico e os chakras são realidades constatáveis por meio da clarividência extrafísica. Ainda assim, permaneço com sérias reservas quanto a essa afirmação.

    Diante disso, pergunto: existem estudos sérios sobre clarividência extrafísica que possam ser analisados de forma minimamente objetiva? Confesso que, na literatura parapsicológica que conheço, jamais encontrei algo nesse sentido.

  7. Gorducho Diz:

    ==================================================================
    Sr. Lucas Arruda disse:

    do maçom Charles Webster Leadbeater

    ==================================================================
    🤔
    ==================================================================

    nos quais ele afirma, há muito tempo, que o Duplo-Etérico e os chakras são realidades constatáveis por meio da clarividência extrafísica.

    ==================================================================
    Bom deixar claro pra outros leitores que Duplo-Etérico, chakras e clarividência são conceitos da Teosofia, que é onde ele se notabilizou.

  8. Gorducho Diz:

    Clarividência também do Espiritismo, claro 😀

  9. Lucas Arruda Diz:

    Oi Gorducho, bom dia colega!
    Obrigado pelo esclarecimento.
    7777

  10. Lucas Arruda Diz:

    Em relação à interpretação de Edwin May de que toda PES seria, na verdade, um fenômeno precognitivo, surge uma objeção que considero crucial para desmontar essa hipótese.

    Segundo May ( ao menos no que pude entender do seu artigo de 2015 ), o sinal precognitivo seria essencialmente aleatório e impossível de rastrear com precisão. Mas, se assim o é, como explicar os resultados obtidos em condições experimentais “ao vivo”, como no efeito Ganzfeld e na visão remota? Nesses protocolos, os participantes descrevem com notável precisão exatamente o alvo que lhes foi solicitadon, e não uma miríade de outros eventos aleatórios que poderiam estar “pipocando” no espaço-tempo ( como, por exemplo, a morte de um peixe X em um aquário distante ).

    Ora, se o sinal fosse genuinamente aleatório e imprevisível, seria de se esperar que os relatos dos participantes oscilassem caoticamente entre infinitas possibilidades, sem qualquer vínculo com o alvo definido pelo experimentador. No entanto, tanto o Ganzfeld, com mais de cem experimentos independentes replicados, quanto os trabalhos de visão remota de nomes como Ingo Swann e Sean Harribance demonstram consistentemente que os sujeitos acessam informações específicas e pertinentes à tarefa proposta.

    Diante disso, parece-me impossível sustentar a teoria de May como explicação abrangente para a PES. A correspondência entre o pedido experimental e a resposta obtida aponta para um direcionamento intencional da percepção, e não para um ruído precognitivo fortuito.

  11. Lucas Arruda Diz:

    No caso, o nome do artigo de 2015 seria: THE MULTIPHASIC MODEL OF PRECOGNITION:
    THE RATIONALE1
    By Sonali Bhatt Marwaha* and Edwin C. May

    Na interpretação dos dados, é comentado:
    One of the biggest problems that psi researchers face is that we do not know when, where, or for
    how long psi occurs (i.e., we are unable to pin down the speciic moment when RC information is obtained
    from the external world). Further, we do not know the nature of the RC signal, nor what the information
    carrier is. We do not know from where the apparent stochastic nature of the RC signals arises. We do not
    know its genuine transmission rate (bits/symbol). We do not know who has psi ability and why we cannot
    train for it—although we now have a model (MMPC) that addresses this point and provides testable hy
    potheses.

  12. Lucas Arruda Diz:

    Em meu raciocínio, três questões centrais me levam a questionar a hipótese de uma origem puramente física para a PES:

    =====

    1. Se a PES fosse um sinal físico futuro estocástico, como propõe May, como explicar, em termos probabilísticos, a precisão dos médiuns em tarefas que exigem a identificação específica de alvos determinados? Em um cenário aleatório, a dispersão de respostas seria a regra, e não a exceção. No entanto, os resultados observados demonstram consistência muito acima do esperado pelo acaso.

    ====

    2. Se o sinal fosse eletromagnético (ELF), como justificar que os médiuns do projeto Deep Quest tenham identificado com exatidão atividades ao vivo, em menos de 10 minutos, mesmo sob rigorosas condições de blindagem? Um sinal eletromagnético seria severamente atenuado ou totalmente bloqueado por tais barreiras, o que torna os resultados incompatíveis com essa explicação.

    ====

    3. Se o sinal fosse, afinal, um fenômeno físico “ao vivo”, por que, até o momento, nenhum pesquisador conseguiu detectar ou medir esse mesmo sinal com equipamentos convencionais, mesmo em condições controladas?

    ====

    Diante dessas inconsistências, concluo que a PES aponta para uma origem não física.
    Essa, pelo menos, é a interpretação que me parece mais coerente.

  13. Lucas Arruda Diz:

    Quanto ao ponto 2, podemos incluir também os experimentos Ganzfeld sem emissores, os quais excluem a telepatia e apontam para a visão remota.

    Embora os experimentos de Stephan Schwartz em submarinos tenham sido realizados em número reduzido, é fato que Leonid Vasiliev demonstrou, em seus estudos, que frequências acima da faixa ELF não afetam o desempenho da PES. Além disso, tanto a literatura científica quanto a própria Marinha dos EUA reconheceram que a ELF apresenta uma taxa de transmissão de dados extremamente baixa, da ordem de poucos bits por segundo.

    Com base nos dados de blindagem das cabines utilizadas por Vasiliev, é possível calcular com precisão a quantidade de bits efetivamente transmitidos nessas condições. Mesmo na ausência de blindagem, apenas a frequência ELF poderia ser considerada como veículo de informação em experimentos Ganzfeld, e isso dentro de um intervalo temporal bem definido.

    Seguindo o raciocínio empregado por Vasiliev, torna-se possível excluir, de forma definitiva, a hipótese de que a ELF seja capaz de transmitir sinais funcionais em um período de tempo relevante para o Ganzfeld.

Deixe seu comentário

Entradas (RSS)