Arquivo ‘Livros Gratuitos’ Categoria

Livro Gratuito! “Viagens a Mundos Invisíveis”, de Anthony Peake (2011)

segunda-feira, março 16th, 2026

Em Viagens a Mundos Invisíveis, Anthony Peake investiga fenômenos associados às experiências fora do corpo (EFCs), partindo de um episódio pessoal vivido em abril de 2010, quando psicólogos austríacos o convidaram à Suíça para testar o dispositivo de estimulação luminosa Lucia. Durante cerca de 20 minutos, Peake, de olhos fechados, viu luzes internas em explosões azuis e manchas amarelas que não provinham da máquina, mas de sua própria atividade cerebral. A certa altura, suas percepções se dissociaram completamente do ambiente físico: ele se viu flutuando sobre uma vasta planície, milhares de metros acima dela, experimentando vertigem intensa e a sensação de estar simultaneamente na sala e em outro “lugar”. Vibrações corporais atravessaram-no como se parte de si estivesse se desprendendo do corpo físico. Assustado, pediu que o aparelho fosse desligado. Esse episódio marcou o início de sua investigação sistemática sobre estados ecsomáticos.

Peake então revisita relatos de experiências de quase morte, como os clássicos casos analisados por George Ritchie, Raymond Moody e Michael Sabom, nos quais pacientes descrevem ver seu corpo durante reanimações. Também examina episódios considerados “verídicos”, incluindo o célebre “Sapato de Maria”, no qual uma paciente descreveu com precisão um tênis encontrado depois em um parapeito externo. O autor registra, porém, críticas importantes: o caso carece de documentação independente além do testemunho da assistente social que encontrou o sapato, e análises posteriores sugerem que o objeto poderia ter sido visível a partir de certos ângulos internos, enfraquecendo sua força probatória. Porém, o autor também cita casos mais fortes.

A narrativa passa ainda pela obra de Robert Monroe, que relatou viagens a diferentes “Locais” durante estados fora do corpo, embora seus testes com o psicólogo Charles Tart não tenham conseguido validar percepções verificáveis. Outro eixo importante envolve os experimentos de visão remota com Ingo Swann no Stanford Research Institute. Apesar de Swann afirmar identificar objetos ocultos, Peake registra a crítica do mágico Milbourne Christopher, que questionou a falta de controle experimental, incluindo o fato de Swann ter ficado sozinho no ambiente e não ter percebido números posicionados onde um espelho improvisado não os alcançaria.

Peake faz um excelente trabalho mostrando as forças e fraquezas de cada caso, mostrando uma honestidade intelectual que merece ser muito elogiada!

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Livro Gratuito! “Incidentes na minha vida – Segunda Parte” (1872), de Daniel Douglas Home

sexta-feira, março 13th, 2026

Na continuação de sua autobiografia extraordinária, Daniel Dunglas Home — um dos médiuns mais célebres do século XIX — conduz o leitor por uma jornada intensa, repleta de fenômenos sobrenaturais, conflitos públicos, perseguições políticas e dilemas morais. Seu relato é menos um livro de memórias e mais um campo de batalha onde ciência, religião e incredulidade se confrontam.

Home revisita críticas devastadoras da imprensa europeia, confrontos com renomados cientistas céticos — entre eles Sir David Brewster e Lord Brougham — e demonstra como muitos destes opositores, mesmo tentando desmascará-lo, acabaram testemunhando fenômenos que desafiaram todas as explicações naturais: mesas que se erguem, instrumentos que tocam sozinhos, mãos espirituais que surgem no escuro, levitações e vozes que falam do além.

O livro se fortalece por meio de uma profusão de testemunhos: escritores, médicos, nobres, filósofos e até monarcas afirmam ter visto o impossível acontecer diante de seus olhos. A narrativa é impregnada de cartas, depoimentos e episódios detalhados, compondo uma defesa apaixonada da autenticidade de suas experiências — e colocando em xeque a arrogância de críticos que, segundo Home, atacam sem investigar.

Um dos episódios mais dramáticos da obra é sua expulsão de Roma, onde o governo papal o acusa de feitiçaria. O interrogatório policial é quase teatral: enquanto responde calmamente às perguntas, batidas misteriosas começam a soar na mesa, deixando os oficiais aterrorizados. A história ganha escala diplomática, chega à Câmara dos Comuns britânica e expõe os limites da tolerância religiosa e política do período.

Entre tensões públicas, Home narra também fenômenos delicados e íntimos: mensagens de consolo vindas de entes falecidos, previsões precisas de morte, curas surpreendentes e manifestações luminosas e perfumadas que testemunhas dizem ter observado no momento do falecimento de pessoas queridas.

A obra culmina no controverso caso Lyon v. Home, em que a viúva Jane Lyon — após adotar Home e presenteá-lo com grandes somas — o acusa de influência espiritual indevida. O livro apresenta cartas, declarações e documentos que revelam a complexidade emocional e jurídica por trás do escândalo, questionando o limite entre fé, generosidade, manipulação e ressentimento.

Ao final, o leitor se depara com uma figura paradoxal: Home é simultaneamente celebrado como prodígio espiritual, atacado como impostor e perseguido como herético — mas segue descrevendo suas experiências com serenidade e convicção inabalável.

Entre salões aristocráticos iluminados por vozes invisíveis, tribunais onde o invisível é julgado como crime, e sessões privadas que marcaram para sempre a vida de céticos eminentes, este livro é um mergulho fascinante no coração do espiritualismo vitoriano — um território onde o inexplicável desafia o senso comum e obriga o leitor a reconsiderar os limites do possível.

Para ler o livro em português, clique aqui. Para comparar com o original em inglês, clique aqui.

Livro Gratuito! “Incidentes na minha vida” (1863), de Daniel Douglas Home

quinta-feira, março 12th, 2026

A obra Incidentes na Minha Vida apresenta o registro sistemático das experiências mediúnicas de Daniel Dunglas Home ao longo das décadas de 1840 a 1860, tal como observadas e documentadas por testemunhas de diversas formações — médicos, cientistas, magistrados, aristocratas e religiosos. O livro descreve fenômenos físicos, luminosos, acústicos e inteligentes que, segundo os relatos, desafiam explicações fisiológicas ou mecânicas usuais.

O autor relata a ocorrência frequente de movimentação autônoma de objetos, incluindo mesas pesadas que se elevavam entre 45 cm e 1,20 m do solo, às vezes com pessoas sentadas sobre elas; móveis que se deslocavam sem contato humano; sinetas que tocavam sob a mesa; guitarras que eram tocadas no escuro ou mesmo a vários metros de distância; e objetos que desapareciam e reapareciam portando alterações físicas, como copos que retornavam cheios de substâncias diferentes.

Também são relatados episódios de levitação humana, nos quais o próprio Home teria sido elevado entre 90 cm e 1,50 m, inclusive tocando o teto, às vezes com marcas posteriormente verificáveis. Testemunhas afirmaram impossibilidade de fraude devido à iluminação adequada e ao controle visual contínuo.

A obra registra a aparição de mãos e braços incompletos, geralmente visíveis apenas até o pulso ou o cotovelo, com propriedades táteis (calor, pressão, textura), mas sem continuidade corporal. Estas mãos entregavam objetos, tocavam os presentes, escreviam mensagens e por vezes se dissolviam gradualmente ao serem seguradas.

Diversos episódios incluem pancadas inteligentes (rappings) que respondiam perguntas com precisão, além de vibrações no piso e no mobiliário semelhantes a tremores localizados. Sons complexos — como simulações de tempestades, ranger de navios ou ruídos metálicos — foram relatados por múltiplos observadores.

Fenômenos luminosos incluem luzes fosforescentes, clarões que percorriam paredes, globos luminosos associados a aparições, e brilhos que iluminavam parcialmente objetos no escuro. Tais manifestações eram percebidas por todos os presentes e, segundo as descrições, não obedeciam a padrões conhecidos de combustão ou reflexão.

As sessões frequentemente envolviam comunicação com entidades espirituais por meio de alfabetos soletrados, escrita direta ou fala em transe. Tais mensagens continham:

  • informações biográficas desconhecidas pelo médium,
  • previsões de morte confirmadas posteriormente,
  • descrições minuciosas de parentes falecidos,
  • e conteúdos morais ou religiosos.

O texto enfatiza o caráter intencional e não-aleatório dessas mensagens, distinguindo-as de simples coincidências ou ação ideomotora.

Home também descreve estados de transe com rigidez muscular extrema, perda parcial de consciência, alteração de temperatura corporal e episódios de exteriorização subjetiva (“desprendimento do corpo”), incluindo percepções visuais de ambientes distantes e de parentes no momento exato da morte. Alguns destes relatos foram posteriormente confirmados por correspondência de familiares.

A obra evidencia a tensão entre testemunho empírico e resistência científica. Figuras como Faraday e Brewster rejeitaram os fenômenos sem conseguir reproduzi-los ou explicá-los satisfatoriamente; já outros cientistas, médicos e juristas registraram declarações formais afirmando que os fenômenos ocorreram sob condições controladas e impossíveis de atribuir a truques conhecidos.

O livro também registra o impacto social das manifestações, incluindo conversões religiosas, debates públicos, hostilidade da imprensa e perseguições contra o médium. O espiritualismo é apresentado como um campo de investigação que, segundo os relatos, exige abertura metodológica e coleta rigorosa de testemunhos.

Para ler a obra em português, clique aqui. Para ler o original em inglês, clique aqui.

Livro Gratuito! “O Prodígio de Watseka”

terça-feira, março 10th, 2026

Na década de 1870, a pequena cidade de Watseka, Illinois, tornou-se o centro de um dos casos mais intrigantes da história do espiritualismo. A jovem Lurancy Vennum, antes saudável, passou a sofrer episódios súbitos de dor, perda de consciência e longos transes, durante os quais descrevia encontros com espíritos, parentes mortos e “visões do céu”. Sua condição rapidamente ultrapassou a compreensão médica da época: rigidez cadavérica, estados de êxtase, alternância de personalidades e declarações que inquietavam a comunidade.

Diante da possibilidade de ser enviada a um asilo, surge a intervenção decisiva de Asa B. Roff — pai de Mary Roff, uma moça falecida doze anos antes após longos episódios de catalepsia e distúrbios mentais. Os Roff, espiritualistas experientes, acreditavam que a aflição de Lurancy tinha origem espiritual e propuseram um tratamento alternativo conduzido pelo Dr. E. Winchester Stevens, mesmerista e investigador do caso.

A partir do primeiro encontro com Stevens, o quadro se transforma abruptamente: sob orientação hipnótica, Lurancy identifica diversas entidades espirituais e finalmente afirma que “Mary Roff” deseja assumir o controle do seu corpo para ajudá-la. O que segue tornou-se um marco no espiritualismo norte-americano: durante três meses e dez dias, a jovem comporta-se, fala e reconhece pessoas exatamente como Mary — não como Lurancy.

Na casa dos Roff, demonstra memória precisa de eventos ocorridos entre 1850 e 1865; reconhece amigos de infância, chama familiares por apelidos antigos, identifica objetos preservados por décadas e relata episódios íntimos da vida de Mary que Lurancy dificilmente poderia conhecer. Testemunhas relatam reencontros emocionantes entre “Mary” e sua mãe e irmã, além de descrições detalhadas da vida espiritual, supostas visitas ao “céu” e diálogos com entidades desencarnadas.

Durante esse período, o comportamento de Lurancy/Mary é estável, sereno e cooperativo — em contraste absoluto com os acessos violentos anteriores. Ela realiza tarefas domésticas, escreve cartas, aconselha familiares e até prevê crises de saúde de pessoas próximas. Toda a comunidade acompanha, dividida entre assombro, ceticismo e fascínio.

Em 21 de maio de 1878, a entidade anuncia que partirá e que Lurancy retornará “restaurada”. A transição ocorre exatamente no horário previsto. A jovem desperta confusa, mas lúcida — e permanece saudável nas décadas seguintes, casando-se, criando filhos e levando vida normal.

O caso, documentado por médicos, ministros, jornalistas, familiares e vizinhos, permanece um enigma que desafia explicações fáceis. Para alguns, prova da sobrevivência da consciência após a morte; para outros, um caso extraordinário de histeria, dissociação ou sugestão mesmerista. Mas, acima de tudo, é uma narrativa poderosa sobre identidade, memória, dor familiar e o desejo humano de reencontro com os mortos.

Para ler o caso em português, clique aqui. Para comparar com o original em inglês, clique aqui.

Livro Gratuito! “A Mediunidade de Jack Webber” (1941)

quarta-feira, dezembro 3rd, 2025

“A Mediunidade de Jack Webber” (1941), de Harry Edwards, documenta fenômenos físicos extraordinários atribuídos ao médium galês Jack Webber, incluindo levitações, materializações, emissão de ectoplasma e aportes de objetos, tudo acompanhado por fotografias infravermelhas. O autor defende que tais eventos provam a sobrevivência após a morte, mas a morte súbita do médium impediu qualquer teste independente posterior, deixando a alegação sem verificação. De todo modo, várias fotos a meu ver são uma prova auto evidente de fraude, mas vejam por si mesmos. Para o livro em português, cliquem aqui. Para o livro em inglês, cliquem aqui.

Livro Gratuito! “O Telégrafo Celestial” (1851) – Volume 2, por Louis Alphonse Cahagnet

segunda-feira, novembro 17th, 2025

O segundo volume de O Telégrafo Celestial aprofunda as experiências iniciadas no primeiro, ampliando as provas da sobrevivência da alma e da possibilidade de comunicação com os mortos. Cahagnet, determinado a afastar qualquer suspeita de charlatanismo, reuniu testemunhos assinados por pessoas respeitadas — magnetizadores, nobres, religiosos — e descreveu minuciosamente sessões que se tornaram verdadeiros laboratórios do invisível.

As sessões eram conduzidas com sonâmbulos em estado de êxtase magnético, especialmente a clarividente Adèle, cuja lucidez impressionava até os mais céticos. Bastava o nome de um falecido para que ela descrevesse sua aparência, vestes, hábitos e até detalhes íntimos desconhecidos pelos presentes. Muitas vezes, essas revelações vinham acompanhadas de fenômenos físicos: numa sessão, Adèle sofreu uma queimadura no rosto enquanto dizia ver um homem sob o sol escaldante do México; noutra, uma palavra escrita num rótulo desapareceu misteriosamente após a água ser “espiritualizada” por Swedenborg, espírito que se tornara guia constante das experiências.

Em outra sessão, um abade espanhol, inicialmente cético, pediu a evocação do irmão falecido; Adèle descreveu-lhe com detalhes o traje litúrgico, a doença, deixando o religioso atônito e convencido da veracidade das revelações.

Para ler mais, clique aqui.

Livro Gratuito! “O Telégrafo Celestial” (1851) – Volume 1, por Louis Alphonse Cahagnet

quinta-feira, novembro 6th, 2025

O primeiro volume de O Telégrafo Celestial (1851) é um marco do espiritualismo experimental do século XIX. Cahagnet busca provar a sobrevivência da alma por meio de experiências magnéticas com sonâmbulos extáticos, registrando diálogos e descrições do mundo espiritual. Entre os oito clarividentes — Bruno Binet, Fanny Binet, Françoise, Madame F., Madame Reviere, Adèle Magnot, Émile Rey e outros — Adèle Magnot se destaca pela constância e profundidade das revelações. Para a época, o método parecia rigoroso, pois o autor buscava confirmação das informações junto a consulentes, mas sob critérios científicos atuais, como as confirmações são testemunhais, falta maior controle. Apesar disso, a obra é valiosa como documento histórico, revelando a tentativa de conciliar ciência e espiritualidade em um contexto dominado pelo magnetismo animal. Algumas passagens, contudo, revelam preconceito racial, como quando se afirma que “as almas dos negros são tão alvas quanto as nossas; é apenas na pele que diferem de nós; mas no céu todos são brancos”, associando pureza espiritual à brancura. Longe de ser um tratado científico, O Telégrafo Celestial é um testemunho cultural que ilumina tanto a busca sincera por respostas quanto os limites e preconceitos de seu tempo. Para ler em português, clique aqui. Para ler em inglês, clique aqui.

Livro Gratuito! “Fotografia de Fantasmas” (1912), de Enrico Imoda

terça-feira, fevereiro 18th, 2025

Agradeço muitíssimo ao tradutor, há muito queria ver essa obra em português. Há várias fotos de supostas “ectoplasmias”. A “médium” é Linda Gazerra, que morreu em São Paulo em 1942. Para ler, clique aqui.

Livro Gratuito! “Os Dois Mundos de Isabel” (2020), de Daniela Arbex

terça-feira, novembro 12th, 2024

Desencarnou em 11/11/2024 a médium Isabel Salomão aos 100 anos. Sua mediunidade parecia mais voltada à cura. Um livro com sua biografia pode ser lido aqui.

Livro Gratuito! “A Verdadeira Religião Cristã”, de Emmanuel Swedenborg (1771)

sexta-feira, novembro 8th, 2024

Swedenborg certamente foi inspiração para George Vale Owen, e este por sua vez foi inspiração para Chico Xavier. Para ler sua obra “A Verdadeira Religião Cristã”, clique aqui (Volume 1) e aqui (Volume 2).

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