Uma reanálise da ocorrência de recepção anômala de informações: o caso de Chico Xavier e Isidoro Duarte Santos
Pereira et al. (2026) analisam a ocorrência de recepção anômala de informações em uma sessão mediúnica gravada em áudio, realizada em 1955, com o médium brasileiro Chico Xavier, durante a visita do líder espírita português Isidoro Duarte Santos ao Brasil. O objetivo foi investigar a precisão das informações produzidas, a possibilidade de acesso por meios convencionais e a plausibilidade de hipóteses explicativas, com destaque para a mediunidade enquanto evidência da sobrevivência da consciência. Para os autores, as explicações convencionais — como fraude, criptomnésia, leitura fria ou acesso prévio a fontes escritas — mostraram-se insuficientes para explicar o conjunto dos dados. O estudo conclui que, diante da diversidade, complementaridade e alta precisão das informações, a hipótese da sobrevivência da consciência oferece uma explicação mais simples e parcimoniosa para os fenômenos observados. Veremos que este está longe de ser o caso. Para ler a refutação, clique aqui.
abril 18th, 2026 às 9:36 PM
Vale pena organizar o material e mandar para a mesma revista! Opa aí vamos descobrir quem é o famoso Míssel Crítico!
abril 19th, 2026 às 5:26 PM
Carlos, a Isabel e o marido moraram no Brasil, eram espíritas e frequentaram centros espíritas por muitos anos, e o Chico Xavier conhecia pessoas do meio espírita dos quatros cantos do Brasil.
Eu penso que o estudo sob crítica não consegue garantir a impossibilidade de que alguém que conhecesse a Isabel ou o marido também conhecesse o Chico. Não houve qualquer controle sobre a possibilidade de outros familiares ou conhecidos dela já terem trocado correspondências com ele anteriormente. Se não tiveram nenhum método para descartar essas hipóteses, que seriam as mais comuns, a conclusão apresentada torna-se frágil.
Tome como comparação os estudos feitos com a TRH (terapia de reposição hormonal) realizados nos anos 80. Eles mostravam que mulheres que utilizavam a TRH apresentavam taxas consideravelmente menores de ataques cardíacos, com uma redução de 30% a 50% em comparação às que não a utilizavam. Esses resultados levaram, por muito tempo, à ideia de que a TRH poderia ser usada não só para sintomas de menopausa, mas também como método de tratamento a doenças cardíacas.
Estudos posteriores, mais rigorosos, mostraram que a história era outra: na década de 80, as mulheres que faziam TRH tendiam a ser de classe econômica mais alta, mais escolarizadas, com melhor acesso a médicos, diagnósticos, medicina preventiva e hábitos saudáveis. Esse perfil era a verdadeira causa da alta taxa de proteção cardíaca.
Quando os estudos utilizaram mulheres que não faziam TRH anteriormente, e misturaram ricas, pobres, atletas e sedentárias em dois grupos distintos, sortearam um que iria usar TRH e outro o placebo, a incidência menor de eventos cardíacos em quem usou o tratamento desapareceu.
Sem um controle rigoroso você não está observando a realidade, está apenas observando suas próprias expectativas. Se o estudo não dá conta de descartar a hipótese mais comum, a de que pessoas passaram informações ao Chico Xavier, ele serve apenas como narrativa propagandística, e não como evidência científica.
abril 19th, 2026 às 6:38 PM
**Caro C.,**
Li seu comentário com atenção, e agradeço pela seriedade com que você aborda a questão metodológica. Você tem um ponto válido: correlação não é causalidade, e vieses de seleção podem distorcer resultados. O exemplo da TRH (terapia de reposição hormonal) é uma ótima ilustração de como um controle inadequado pode levar a conclusões enganosas.
No entanto, creio que você comete uma **falácia categorial** ao exigir que um estudo histórico sobre Chico Xavier atenda aos mesmos padrões de um ensaio clínico randomizado (ECR). Permita-me explicar por que essa exigência é epistemicamente problemática, a partir das ciências sociais, humanas e do marxismo.
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## 1. ECRs servem para medicamentos, não para história
Um ECR funciona para fenômenos **repetíveis**, **controláveis** e **manipuláveis experimentalmente**. Você pode sortear mil mulheres, dar TRH para metade e placebo para a outra, controlar variáveis de estilo de vida, e isolar o efeito do tratamento. Isso é maravilhoso — para a medicina.
Agora, tente fazer isso com a história: pegue 100 médiuns, sorteie 50 para receberem visitas de portugueses com parentes falecidos, 50 para não receberem, e veja quem “acerta” as mensagens. Impossível. O passado não se repete em laboratório. Os atores históricos são singulares. O fenômeno Chico Xavier é um evento único, situado em um tempo e lugar específicos, com documentos, testemunhos e contextos que não podem ser randomizados.
**Exigir “controle rigoroso” no sentido dos ECRs para um estudo histórico é cometer um erro categorial** — é como exigir que um peixe suba em árvore para depois dizer que ele não existe. As ciências humanas têm seus próprios critérios de validade: análise documental, triangulação de fontes, consistência interna, plausibilidade contextual, datação cruzada, etc. Esses critérios não são “menos rigorosos” — são **rigorosos de outra forma**, adequada ao seu objeto.
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## 2. O problema da “regressão da dúvida”
Você afirma que, se o estudo não descartou “a hipótese mais comum” (alguém passou informações a Chico), então sua conclusão é frágil. Mas qual seria o padrão de prova para descartar essa hipótese? Seria preciso monitorar 24 horas por dia, por anos, todas as interações de Chico com qualquer pessoa que pudesse ter contato com os visitantes portugueses? E mesmo assim, sempre se poderia alegar “e se houve um contato não documentado?”.
Esse tipo de exigência leva ao que o filósofo Marcello Pera chamou de **“regressão da dúvida”**: sempre se pode pedir um controle a mais, uma variável a mais, uma fonte de erro a mais. No limite, nenhum conhecimento histórico seria possível — nem mesmo a afirmação de que Napoleão existiu, pois sempre se poderia alegar “e se todos os documentos foram forjados?”.
O marxismo, desde seus clássicos, criticou esse **empiricismo abstrato** que exige “provas” impossíveis para fenômenos sociais complexos. Marx, em *O 18 Brumário*, não fez experimentos controlados; ele analisou documentos, discursos, relações de classe, e construiu uma explicação causal plausível. Ninguém exige que ele “controle” a variável “o que Napoleão III comeu no café da manhã” para validar sua análise.
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## 3. O duplo padrão: por que essa exigência não é aplicada a outras áreas?
Você aplica um padrão de “controle rigoroso” ao estudo espírita que **nunca** seria aplicado a outras áreas das ciências humanas. Pergunto, C.:
– Quando um historiador conclui que a Inconfidência Mineira ocorreu por razões econômicas e iluministas, alguém exige um ECR randomizando Tiradentes e seus colegas?
– Quando um sociólogo afirma que o aumento da desigualdade causa mais violência, alguém exige que se sorteie cidades para receber ou não desigualdade?
– Quando um economista diz que o Plano Real controlou a inflação, alguém exige que se repita o período sem o plano para comparação?
Claro que não. Nessas áreas, aceitamos **evidências históricas, estatísticas e comparativas** como suficientes. Por que, então, para o fenômeno mediúnico, exige-se um padrão impossível? A resposta, me parece, é **ideológica**: quando o fenômeno ameaça o paradigma materialista, elevam-se os critérios de prova ao infinito. É o que Imre Lakatos chamou de “blindagem do núcleo duro do programa de pesquisa” — protege-se o materialismo contra qualquer refutação potencial.
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## 4. A hipótese do “vazamento de informação” não é uma explicação
Você chama a hipótese de que “alguém passou informações a Chico” de “a mais comum”. Mas essa “comum” é comum para quem? Para o materialista que já parte do princípio de que mediunidade é impossível. Para o pesquisador sem compromisso a priori, a hipótese mais comum é a de que **se há múltiplos casos bem documentados de informação que Chico não poderia ter obtido por meios normais, então algo extraordinário pode estar ocorrendo**.
Além disso, a hipótese do “vazamento” não é uma explicação — é um **nome para a ignorância**. Ela não especifica quem, como, quando, por que, e por que não deixou rastros. É uma hipótese ad hoc, invocada apenas para evitar a conclusão desconfortável. O marxismo, desde Engels, sempre alertou contra o uso de explicações ad hoc para proteger uma teoria da refutação. Quando os fatos contradizem a teoria, inventa-se uma causa oculta não verificada para salvá-la. Isso não é ciência — é apologética.
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## 5. Ciência não é sinônimo de ECR
C., seu comentário é um exemplo perfeito do que se discute na filosofia da ciência contemporânea: a tentativa de impor os padrões das ciências laboratoriais como única forma legítima de conhecimento, desqualificando todas as outras — história, sociologia, antropologia, psicanálise, e certamente qualquer estudo sobre fenômenos paranormais.
Mas a realidade é mais complexa. A ciência é plural, não una. Há diferentes métodos para diferentes objetos. Exigir um ECR para estudar Chico Xavier é tão absurdo quanto exigir análise documental para testar um novo fármaco.
As ciências humanas e o marxismo têm muito a contribuir para a compreensão de fenômenos como a mediunidade — não porque aceitem cegamente o sobrenatural, mas porque **reconhecem que a realidade é mais rica do que o que cabe nos protocolos de laboratório**. E porque sabem que a exigência de “controle rigoroso”, quando usada como arma de desqualificação, não é ciência — é política.
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## Para encerrar
C., não estou dizendo que o estudo sobre Chico Xavier seja perfeito ou incontestável. Estou dizendo que **o padrão de prova que você exige é inadequado para o objeto** e, se aplicado consistentemente, inviabilizaria qualquer conhecimento histórico ou social. Antes de acusar os outros de “narrativa propagandística”, que tal aplicar o mesmo “controle rigoroso” às suas próprias premissas? Que tal perguntar por que você aceita facilmente explicações ad hoc para fenômenos que desafiam seu paradigma, mas exige provas impossíveis do outro lado?
A resposta pode ser desconfortável — mas, como diria Marx, a verdade é sempre revolucionária.
Com respeito ao debate,
**Um leitor das ciências humanas.**
abril 19th, 2026 às 10:21 PM
C.
O artigo deve ter passado pelo processo de revisão por pares. É possível que as objeções que você comenta já tenham sido discutidas entre autores-revisores durante a revisão. Cabe agora manifestação do Pereira, que evidentemente o fará se provocado por alguém não convencido com os métodos/procedimentos adotados no trabalho.
abril 20th, 2026 às 10:41 PM
É uma discussão bem complicada.
Na prática, se formos fazer isso em praticamente todos os artigos, vamos ver que isso sempre acontece.
Inclusive citando o C. até mesmo é possível fazer a mesma coisa com estudos controlados, estudos duplo-cego e afins. O que concluímos que a questão social, cultural, econômica, de situação/local e afins estão até mesmo presentes nestas situações.
Enfim, essa discussão entraria em um campo onde que iria requer a gente pensar em literalmente n-dimensões. Para ver como que a realidade é bem mais complexa que a lógica clássica ocidental…
Como Carlos disse, certamente isso foi discutido durante a revisão por pares. Então faço as palavras dos Carlos as minhas palavras neste ponto específico.
abril 26th, 2026 às 12:43 PM
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Entendi nada não! Sumiram diversos comentários, inclusive meus!
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Coisa estranha…
abril 26th, 2026 às 8:19 PM
Moizés,
Estou apagando as discussões com o William e os alter-egos dele porque eles escrevem textos quilométricos, às vezes desfigurados, tornando o ambiente no blog totalmente insalubre, insuportável. Continuarei a fazer isso até que se manquem, mas não aprendem, continuam a escrever textos quilométricos, estou vetando as novas respostas deles.
Quando aprenderem que ninguém tem tempo para ler textos quilométricos gerados por IA, aí poderei voltar a publicar textos deles.
abril 27th, 2026 às 5:54 PM
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VITOR DISSE:
Moizés,
Estou apagando as discussões com o William e os alter-egos dele porque eles escrevem textos quilométricos, às vezes desfigurados, tornando o ambiente no blog totalmente insalubre, insuportável. Continuarei a fazer isso até que se manquem, mas não aprendem, continuam a escrever textos quilométricos, estou vetando as novas respostas deles.
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COMENTÁRIO: Acontece que ficou um texto do Mounter, ao qual avaliei:
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William Anthony Mounter Diz:
abril 19th, 2026 às 6:38 PM
**Caro C.,**
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MInha resposta foi eliminada, mas o textão dele permanece…
abril 27th, 2026 às 6:03 PM
Montalvão, sua resposta começou com “WILLIAM ANTHONY MOUNTER, seu texto de abril 19th, 2026 às 6:51 PM” e o texto dele, como você mesmo disse agora, é de “abril 19th, 2026 às 6:38 PM”, por isso eliminei pois achei que se referia a um texto já apagado.
abril 28th, 2026 às 1:07 PM
M/modo de ver sobre a estrutura dos Comentários
· Suficientemente sucintos & focados n’1 único ponto, pra permitir aos demais Comentaristas responderem.
Desejando abordar outros aspectos, fazê-lo noutros Comentários, de modo que respostas possam ser dadas a cada ponto individualizadamente.
· Uso de redação via AI só como auxiliar em pequenos específicos segmentos da argumentação REDIGIDA PELO(A) COMENTARISTA.
Quotes só de trechos relevantes da(s) fonte(s).
Claro: depois referenciá-las, incluída(s) AI(s) se for o caso.
abril 28th, 2026 às 1:46 PM
Então Gorducho, você aplica isso para debunking/debunkismo como um todo? Caso contrário, isso é só mesmo questão de ideologia, de política e de poder. E o fato de que certamente o Vitor não irá aprovar este comentário só prova que isso aqui não é sobre ciência, nunca foi e nunca será.
abril 28th, 2026 às 2:19 PM
William, se você quiser escrever textos quilométricos, salva em word e depois salva no box. Aí em vez de fazer flood aqui, apenas põe o link para o seu texto exatamente como eu faço para os meus.
Aprenda que blog não é lugar pra textão. Se quiser textão publica um livro. Blog não é pra isso.
abril 28th, 2026 às 2:50 PM
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Sr. William disse:
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Pra qualquer comentário pertinente — por definição, claro — à temática da Casa.
Es decir: Espiritismo + Parapsicologia.
E sim, certamente debunking faz parte de temas pertinentes, desde que relativos aos 2 focos da Casa.
E os Comentários devem propiciar a quem quiser, responder objetivamente, ponto-por-ponto.
Por isso devem ter 1 tamanho suscinto, e focar cada 1 n’1 aspecto. Isso pra permitir respostas específicas.
Pois se não houver respostas e debates, não faz sentido o Sítio.
Note que Comentários ≠ Artigo ou Monografia.
abril 28th, 2026 às 4:29 PM
Então, Vitor e Gorducho, os textos quilométricos eu prefiro escrever no Google Docs já que eu tenho mais afinidade e me sinto mais a vontade lá. Apesar que eu nem sei se realmente vale a pena, pois penso que seria melhor eu criar o meu próprio blog.
Já sobre o Debunkismo e temas afins, bem, nem vou entrar neste mérito pq existem literaturas de ambos os lados sobre este tema e relacionados.
Já sobre as leis da física e afins, bem, eu sei que não vale a pena discutir sobre isso já que isso seria igual como discutir sobre o Warp Drive de Alcubierre e se o mesmo violaria ou não as leis da física. Assim como discutir sobre formas onde que a Comunicação FTL e Viagem FTL seriam possíveis.
Já sobre Chico Xavier e afins, bem, eu sei que a discussão aqui já se mostrou não ser apenas sobre o espiritismo mas sobre todas as religiões no geral.
Mas sobre a Navalha de Ockham, bem, essa hipótese do vazamento requer que haja conspirações enormes que beiram teorias da conspiração. Então isso é algo que cabe muito bem discutir sobre a filosofia da ciência e a filosofia da epistemologia/conhecimento/realidade.
Já sobre o argumento das leis da física e da natureza, penso que ambos, Luke Smith e Nassim Nicholas Taleb já falaram sobre como que este argumento de Hume e afins é problemático e um argumento metafísico.
abril 28th, 2026 às 4:52 PM
Mas de qualquer forma, obrigado Moizes por mostrar que a questão aqui não é apenas sobre espiritismo, mas sim sobre todas as religiões, por mais que o Vitor negue isso até o fim.
Ou seja, a disputa aqui não é apenas científica, ela também é sobre política, sobre poder, sobre ideologia, sobre religião e afins. Por mais que o Vitor fale que não, não e não.
Enfim, não vou comentar muito para o Vitor não apagar estes meus comentários aqui. Mas de qualquer forma Moizes, você é bem mais honesto que Montalvão quando se trata deste tema.
A questão nunca foi o “combate ao charlatanismo/fraude do espiritismo” nem sobre “espiritismo é caso de psiquiatria e de polícia.” E sim sobre desacreditar religião, espiritualidade e afins. Assim como tratar religião, espiritualidade e afins como caso de psiquiatria e de polícia…
Obrigado de novo pela honestidade Moizes. Talvez vc deveria assistir Jiang Xueqin e ver como que o Brasil não existe na prática, igual como ele prova que não existe estados nação no “mundo físico” na série dele História Secreta. Assim como que a ciência, ateísmo, as leis da física/natureza e afins também são religiões.
abril 29th, 2026 às 12:48 PM
Caro Moizes,
Pelo que parece você tem um conhecimento bem avançado em física.
Qual a tua posição sobre este artigo aqui?
https://obraspsicografadas.org/2012/fsica-moderna-e-mundos-sutis/
Fique a vontade para escrever um Box ou um comentário longo no artigo do link.
Ele fala várias coisas que contradizem o que você disse sobre a ciência mostrar que a mediunidade e afins são “impossíveis.” Ele diz que mediunudade e afins são possíveis.
Assim como ele deixa implícito que nem toda pseudociência/pseudagem é a mesma coisa na prática.
Ou seja, que a fronteira entre ciência e pseudociência é algo fuzzy e n-dimensional, ao invés de branco e preto como que vários divulgadores científicos e a própria Wikipedia tentam impor para todos.
Aguardo resposta.
maio 1st, 2026 às 8:03 PM
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Vitor Diz:
abril 27th, 2026 às 6:03 PM
Montalvão, sua resposta começou com “WILLIAM ANTHONY MOUNTER, seu texto de abril 19th, 2026 às 6:51 PM” e o texto dele, como você mesmo disse agora, é de “abril 19th, 2026 às 6:38 PM”, por isso eliminei pois achei que se referia a um texto já apagado.
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COMENTÁRIO: tem razão. O Mounter respondera a um texto do C. às 6:38, depois, às 6:51 acrescentou novas considerações. Eu havia selecionado este último (6:51) e fiz as apreciações que julguei cabíveis. Devia ter abordado os dois, só que, haja saco para ler milhas e milhas de ponderações mounterianas! Se tiver um tempo sobrando, pegarei o escrito que restou e criticarei.
maio 2nd, 2026 às 9:27 AM
Aproveita Moizes, e critique este artigo aqui em questão: https://obraspsicografadas.org/2012/fsica-moderna-e-mundos-sutis/
Estou curioso para ver quantas “falácias lógicas” e “vieses cognitivos” o astrofísico Robert D. Klauber cometeu neste artigo em questão.
Isso vai ser interessante pq certamente vai ser um exemplo de como as hipóteses do Generativismo Lógico e da Recursividade Lógica são de fato válidas, que por exemplo, a propriedade de gerar falácias lógicas e vieses cognitivos em literalmente quaisquer argumentos e em quaisquer textos, inclusive em até mesmo artigos da Nature e da Wikipedia.
É tipo como você apontar quantas falácias lógicas e vieses cognitivos Miguel Alcubierre cometeu naquele artigo que ele propôs aquele método do Warp Drive que é sobre viagem FTL.
O que é irônico já que desta forma entramos no que podemos chamar de “transcológica” que é isso de tratar a lógica e afins como estando em um plano paralelo e transcendental ao plano material estilo como a teologia era tratada na idade média.
Mas enfim, Moizes, obrigado por mostrar que o debate aqui não é apenas sobre ser contra o espiritismo, mas sim ser contra religião como um todo. De novo, todas as religiões tem direito de haver seus milagres e afins. Assim como suas próprias metafísicas. Inclusive até mesmo o próprio ateísmo de Internet e o próprio debunkismo de Internet possuem suas próprias metafísicas e afins. Mas isso eu penso que qualquer um que estude ciências sociais/humanas aplicadas pode entender muito bem.
Enfim, a hipótese do Universo Sandbox não é um “Ad Hoc” para mediunidade, e sim uma hipótese para também explicar como que viagem FTL e comunicação FTL são possíveis. Mas na prática, a mediunidade não viola as leis da física, basta ler o artigo “Física Moderna e Mundos Sutis: Não Mutuamente Excludentes ” de Robert D. Klauber. A menos que você refute o artigo ponto por ponto. Tudo bem então.
Mas não é pq algo é considerado pseudociência hoje que quer dizer que é 100% falso/mentira, inclusive temos vários exemplos históricos e atuais de como que o conceito de ciência e pseudociência são conceitos políticos, ideológicos e sociais. Isso é método histórico-dialético aplicado. Exemplo, existe todo um lobby para considerarem o Marxismo como pseudagem, ao mesmo tempo que há toda uma campanha de legitimação do QI como ciência mesmo com Nassim Nicholas Taleb provando que QI é 100% pseudagem.
Enfim, proselitismo/pregação ateia/científica/debunkista ainda é proselitismo/pregação, mas eu sei que aqui não é o lugar para debater isso. O ateísmo, a ciência, debunkismo e afins são ideologias na questão social etc.
Mas sim, se vc quer discutir sobre Jiang Xueqin e como que estados nação, dinheiro, indivíduos, fronteiras nacionais, sistemas jurídicos e afins são pseudagens, então tudo bem. Igual como eu discuti com o Vitor sobre como que democracia é pseudagem e que não há problema em defender que a constituição de 1988 seja substituída por uma copicola da constituição chinesa de 1982/2018.
Enfim, já falei demais sobre isso.
maio 2nd, 2026 às 10:16 AM
Ainda sim, Moizes.
A minha crítica ao C. ainda é válida.
Pois tipo, poderíamos também falar em reducionismo de controle rigoroso.
É possível tornar qualquer coisa em placebo ou em igual a placebo se você forçar o controle demais.
Eu sei que isso ainda não tem um nome acadêmico, mas é um fenômeno que acontece bastante, onde que você consegue tornar qualquer coisa em placebo se você forçar demais o controle rigoroso.
A exigência de “controle rigoroso” pode ser levada a um extremo tal que qualquer fenômeno se dissolve em placebo ou artefato estatístico. Não é um princípio científico universal; é uma estratégia de invalidação disfarçada de método.
Se levarmos o controle ao paroxismo – exigindo replicação infinita, cegamento total, randomização perfeita, ausência de qualquer variável não controlada –, conseguimos anular até os efeitos mais robustos da medicina. O próprio efeito placebo é um exemplo: ele não desaparece quando controlamos; ele é o controle. A homeopatia, quando testada sob protocolos extremamente rigorosos, frequentemente apresenta resultados nulos – mas isso não prova que a homeopatia não tenha nenhum efeito; prova que os protocolos foram desenhados para eliminar justamente a dimensão subjetiva (a relação terapêutica, a expectativa, o ritual) que poderia ser seu mecanismo de ação. Não apenas a homeopatia, o mesmo se aplica para suplementos, para vitaminas e até mesmo para qualquer remédio e até mesmo para alimentos e praticamente qualquer coisa.
O mesmo vale para a mediunidade. Se você exige que o médium funcione como uma máquina de medir, em ambiente hostil, com experimentadores céticos e controles que eliminam qualquer possibilidade de sintonia, você não está testando a mediunidade – está garantindo sua falha. É como testar a capacidade de um atleta de correr amarrando seus pés.
Chamo isso de reducionismo de controle rigoroso (RCG): a crença de que quanto mais controle, mais “científico” é o experimento, ignorando que o controle excessivo pode destruir o próprio fenômeno. Na física quântica, a medição destrói o estado quântico. Na psicologia, o ambiente laboratorial inibe comportamentos naturais. Na parapsicologia, o “panóptico científico” impede a ocorrência do psi.
maio 2nd, 2026 às 10:27 AM
Então Moizes,
Você insiste que a mediunidade é impossível porque violaria as leis da física. Pois bem. O artigo do astrofísico Robert D. Klauber, Física Moderna e Mundos Sutis: Não Mutuamente Excludentes (2000), publicado no Journal of Scientific Exploration, demonstra exatamente o oposto: a física moderna não apenas permite, como torna perfeitamente plausível a existência de mundos sutis (espíritos, anjos, outros planos) sem qualquer contradição com as leis conhecidas.
Klauber parte de um fato simples, mas revolucionário: a descoberta de De Broglie de que todas as partículas são ondas. Isso significa que múltiplas partículas podem ocupar a mesma região do espaço simultaneamente, assim como ondas na água se cruzam sem se destruir. A razão pela qual sua mão não atravessa uma porta não é porque o espaço é “sólido”, mas porque os elétrons da sua mão interagem com os elétrons da porta via troca de fótons virtuais (força eletromagnética). Se essa interação não existisse, sua mão passaria pela porta como se ela não estivesse lá – exatamente o que acontece com neutrinos, que atravessam bilhões de partículas sem sentir nada.
Ora, se há partículas que interagem apenas pela força fraca (neutrinos levógiros) e outras que não interagem por nenhuma das quatro forças conhecidas (neutrinos dextrogiros), então nada impede a existência de famílias inteiras de partículas com interações próprias, desconectadas das nossas. Essas partículas poderiam formar átomos, moléculas, estruturas complexas, até seres conscientes – e tudo isso coexistindo no mesmo espaço que nós, sem jamais serem detectados por nossos instrumentos, porque não há união (interação) entre os dois sistemas.
Klauber conclui: “Se há uma tal outra família, por que não muitas?” É aí que entramos na Hipótese do Universo Sandbox: a realidade pode ser estratificada em múltiplas camadas (sandboxes) com regras próprias. O hiperespaço, a hiperfísica, o hipéruniverso – todos são nomes para essa mesma possibilidade: domínios ontológicos superpostos, mas causalmente isolados ou fracamente acoplados.
E mais: se o acoplamento é fraco ou seletivo, então fenômenos como mediunidade, materialização macroscópica e EQM seriam justamente momentos de interação entre sandboxes. O vácuo quântico, longe de ser “nada”, é o substrato onde essas flutuações e acoplamentos poderiam ocorrer. A materialização de objetos, a comunicação com espíritos, a reencarnação – tudo isso se torna natural, não violação de leis, mas efeitos de uma física mais ampla que ainda não mapeamos.
Portanto, Moisés, quando você exige “provas” no padrão ECR, está ignorando que a própria física teórica já abriu a porta para o que você chama de “sobrenatural”. A diferença é que você parou no século XIX. A física do século XXI está muito mais perto do espiritismo do que você imagina.
maio 2nd, 2026 às 11:37 AM
Puxa Sr. William: ele nem começou a responder e o Sr. já fez 3 comentários mencionando e.g.:
· Generativismo Lógico e Recursividade Lógica;
· Alcubierre Drive;
· Universo Sandbox;
· método histórico-dialético aplicado;
· QI;
· estados nação, dinheiro, indivíduos, fronteiras nacionais, sistemas jurídicos;
· democracia.
Wow❗
Ele foi durante bastante tempo o Líder da nossa Bancada Cética cá na Casa. Proponho que ele inicie respondendo a
Mas o Sr. precisa dar tempo pra ele ou qualquer outro debatedor responder.
A pontos específicos, explícitos, claro.
🆗❔
maio 2nd, 2026 às 10:57 PM
Oi Gorducho, bem me desculpe pelo comentário longo, eu não resisti.
Só mais última coisa, Moizes, então, o que definimos como ciência e pseudociência é sim socialmente construído e uma construção política e ideológica, o que definimos como fatos e como consenso parte de todo um tratado social e político. Isso não é “pós-modernismo relativista”, e sim apenas materialismo histórico-dialético aplicado. Bem, eu poderia entrar na discussão sobre a dialética entre a realidade material e a ciência como consensos/fatos que criamos sobre a realidade material. Inclusive Kant falou bastante sobre isso.
Enfim, as nossas leis da física não são absolutas, nem mesmo a ciência ela é absoluta, há várias hipóteses e afins que explicam a mediunidade e afins. E outra, nem toda pseudociência é igual, ciência e pseudociência é como a lógica fuzzy, você tem um espaço/espectro literalmente infinito entre ciência e pseudociência igual como a lógica fuzzy diz que há um espaço infinito entre 0 e 1.
A Wikipedia e vários divulgadores científicos e até mesmo a própria filosofia analítica foram hard-coded para que não consigamos pensar assim. É complicado isso na prática. Infelizmente a lógica formal clássica ocidental foi e é bastante benéfica para o capitalismo pós-WW2. Mas enfim, eu penso que isso é mais um tema para você refutar.
Na prática, crenças espirituais/sobrenaturais/paranormais/religiosas não podem ser testadas objetivamente, o que você tem são aproximações/sugestões materiais/naturais. Por isso que a lógica fuzzy e a metodologia fuzzy são importante. Sem contar que os próprios conceitos de sistemas emergentes e de sistemas dinâmicos-complexos mostram que a mediunidade e afins não são pseudagem igual a Terra Plana. Infelizmente há um lobby extremo para que não consigamos pensar assim. Inclusive, a Senhorita Bira fez um vídeo recente sobre este tema, dando como exemplo o DSM-5 e o conceito de esquizofrenia.
Enfim, eu acho que eu falei demais, agora vou esperar a resposta de Moizes, como Gorducho disse.
Sim Gorducho, era só mais isso que eu queria adicionar ao debate.
maio 4th, 2026 às 3:27 PM
Aqui estão os artigos do Luke Smith sobre o tema:
https://archive.ph/VEpBW
https://archive.ph/2qxpw
https://archive.ph/XJJDk
https://archive.ph/9zgLv
https://archive.ph/Rm3eD
https://archive.ph/FA22E
https://archive.ph/1Dp4Q
https://archive.ph/ILUPz
maio 4th, 2026 às 3:28 PM
Caro Moizes.
Desculpa te mandar mais links aqui, mas eu gostaria de saber o que você pensa destes artigos do/da ??zhenli:
https://archive.ph/vCyTJ
https://archive.ph/npKBO
https://archive.ph/dqlmR
https://archive.ph/D6kMU
https://archive.ph/pu4Dc
Ele/ela e é materialista e não acredita no Sobrenatural, mas ele/ela fala muitas coisas interessantes sobre o tema.
maio 5th, 2026 às 11:01 PM
/
William Diz:
abril 28th, 2026 às 4:52 PM
Mas de qualquer forma, obrigado Moizes por mostrar que a questão aqui não é apenas sobre espiritismo, mas sim sobre todas as religiões, por mais que o Vitor negue isso até o fim.
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COMENTÁRIO: Não entendi bem… “a questão aqui não é apenas sobre espiritismo”? Creio que é sim. Certo que se pode estendê-la a outras religiões, mas para quê, se o estudo tem por meta avaliar a alegação de que Chico recebia informações da espiritualidade? Se for possível provar que o homem de Uberaba efetivamente se articulava com espíritos, pode-se inferir que, além dele, outros tenham igual capacidade. As decorrências dessa prova (desde que concretamente estabelecida) seriam inimagináveis!
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A mediunidade precisa primeiro ser devidamente elucidada: se a espiritualidade comunica com a matéria, essa descoberta não pode ficar restrita ao entorno mediúnico, aí sim, deve ser estendida a todos os segmentos religiosos!
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A meu ver, “a questão aqui” está em conferir se realmente a única, ou a melhor, explicação para o teatro de Chico Xavier seja admitir que mortos com ele conversavam.
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Tenho milhões de razões para defender que mortos NÃO falavam com Chico, tampouco falam com qualquer outro ser vivo (ou encarnado, conforme linguajar espírita). E, digo mais, é muito fácil verificar isso, mais fácil que mastigar água. O problema é que os espíritas não querem saber de realizar os experimentos que responderiam taxativamente se sim ou não. Preferem ficar contando acertos em cartinhas ditas psicografadas. Esse tipo de prova é prova que nada prova.
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William Diz:
Ou seja, a disputa aqui não é apenas científica, ela também é sobre política, sobre poder, sobre ideologia, sobre religião e afins. Por mais que o Vitor fale que não, não e não.
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COMENTÁRIO: a “disputa” vai ser sobre esses trecos todos que cita só se você quiser e achar quem também queira ampliar o escopo da discussão ao infinito!
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A discussão propõe avaliar um estudo – em minha opinião, pseudocientífico –, que intenta provar que a mediunidade é fato! E como busca dar essa prova? Brincando de contar acertos em psicografias! Estudos dessa natureza não têm nada de científico quando aplicados à acreditada comunicação entre mortos e vivos, podes crer!
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Anote aí no seu caderninho, para meditar nas horas insones: não faz sentido usar a coisa a ser provada como prova do que se quer provar! Se não entendeu, explico: o intercâmbio entre mortos e vivos não está demonstrado de forma cabal, é apenas crença cultivada pelos adeptos dessa ideia!
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William Diz:
Enfim, não vou comentar muito para o Vitor não apagar estes meus comentários aqui. Mas de qualquer forma Moizes, você é bem mais honesto que Montalvão quando se trata deste tema.
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COMENTÁRIO: tenho dó do Montalvão. Ele bem que tentou enfrentar – como foi mesmo que ele disse? – a “maçaroca” de considerações que jorravam de seus prolongados textos. O erro dele foi tentar responder quesito por quesito, quando deveria ter identificado o cerne equivocado de suas ponderações e denunciá-lo.
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Responder quesito por quesito dá certo quando se aborda considerações de tamanho civilizado, como é o caso do texto que ora respondo. Seu pronunciamento atual se presta a esse procedimento, diferentemente dos que pôs em outros títulos.
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William Diz:
A questão nunca foi o “combate ao charlatanismo/fraude do espiritismo” nem sobre “espiritismo é caso de psiquiatria e de polícia.” E sim sobre desacreditar religião, espiritualidade e afins. Assim como tratar religião, espiritualidade e afins como caso de psiquiatria e de polícia…
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COMENTÁRIO: creio que está equivocado… se não sou eu que me equivoco, a ideia de “combater charlatanismo/fraude do espiritismo” não seria bem a pretensão das conversas aqui havidas, mas cada participante expor seus pontos de vista a respeito dos assuntos veiculados, quer sejam favoráveis ou contrários.
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Há velho ditado que reza: “da discussão nasce a luz”. Isso quer dizer que quando as pessoas discutem (em vez de debater) buscam a melhor compreensão do tema em pauta. O confronto de argumentos tende deixar os envolvidos melhor ilustrados, mesmo que não mudem de opinião.
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William Diz:
Obrigado de novo pela honestidade Moizes. Talvez vc deveria assistir Jiang Xueqin e ver como que o Brasil não existe na prática, igual como ele prova que não existe estados nação no “mundo físico” na série dele História Secreta. Assim como que a ciência, ateísmo, as leis da física/natureza e afins também são religiões.
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COMENTÁRIO: Se quiser trazer Jiang Xueqin para ser avaliado, proponha ao Vitor apresentar texto do referido, desde que esteja afinado com os temas de estudo do blog. Pode ser que ele tope. Só que, pelo que diz, as ideias de Xuequin são pra lá de espantosas! O sujeito “provar” que não existem estados-nação e pôr ciência, ateísmo, leis científicas “e afins” no mesmo saco das religiões não é pra qualquer um!
maio 5th, 2026 às 11:03 PM
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William Diz:
Caro Moizes,
Pelo que parece você tem um conhecimento bem avançado em física.
Qual a tua posição sobre este artigo aqui?
https://obraspsicografadas.org/2012/fsica-moderna-e-mundos-sutis/
Fique a vontade para escrever um Box ou um comentário longo no artigo do link.
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COMENTÁRIO: vou ver se acho um tempo para examinar o material. Mas, não superestime meu “conhecimento avançado em física”, o físico do blog é o nosso amigo Gorducho…
maio 6th, 2026 às 8:52 AM
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Analista MOIZÉS disse:
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👎 MechEng.
Mas então irei responder pra eliminar esta pendência…
Sr. William: não cabe cá analisar o citado artigo, pois a questão não deve ser posta em termos do arcabouço da Física atual.
Veja: ~126 anos atrás os fenômenos quânticos seriam considerados a priori impossíveis.
Bem como a Relatividade ainda não desenvolvida.
Pros nossos fins cá, se trata de verificar se seres ultramundanos normalmente invisíveis pra nós — = espíritos no Espiritismo — podem e soem se comunicar com pessoas particularmente dotadas — = médiums no Espiritismo.
Esta é a discussão pertinente à Casa.
maio 6th, 2026 às 11:22 AM
Caros Moisés, Gorducho e Vitor,
Agradeço pelas respostas e pela oportunidade de aprofundar este debate que, ao longo destas mensagens, revelou camadas muito mais amplas do que a simples discussão sobre se Chico Xavier falava ou não com mortos. Acumularam-se argumentos sobre o estudo de 2026, sobre física, parapsicologia, epistemologia, sobre a relação entre ciência e poder e, sobretudo, sobre o lugar que reservamos ao espiritual num mundo dominado por um certo discurso científico. Tentarei, neste comentário único, reunir esses marcos de forma ordenada, mostrando que o cerne da questão não é um caso isolado, mas a legitimidade de investigar fenômenos que o materialismo dogmático descarta antes de examinar.
Comecemos pelo recorte que vocês propõem. Moisés, você afirma que a discussão é apenas sobre Chico Xavier e a mediunidade, sem ampliar para “todas as religiões”. Em tese, concordo: o estudo de Pereira et al. é específico, centrado no caso Isidoro Duarte Santos. No entanto, o ceticismo que você aplica a esse caso é exatamente o mesmo gesto que os debunkistas dirigem a qualquer manifestação espiritual, mas com uma assimetria reveladora. Quando o alvo é uma psicografia, exige-se “provas controladas” com um padrão quase impossível; quando o alvo são as aparições de Fátima, os milagres eucarísticos ou a ressurreição de Jesus, a exigência desaparece e vira “questão de fé respeitável”. Se você não reconhece essa hierarquia de legitimidade, sugiro uma reflexão sincera. Você afirma que “é muito fácil verificar que mortos NÃO falam com vivos”. Ótimo. Então proponha um experimento que ambos os lados aceitem e que refute definitivamente a mediunidade. Mas cuidado: se o experimento for desenhado de modo que o médium não possa “ganhar” — replicação imediata em ambiente hostil, sem qualquer sintonia — você não estará testando a mediunidade, estará garantindo sua falha. É o que chamo de reducionismo de controle rigoroso.
Você critica o que chama de “contar acertos em cartinhas psicografadas” e acusa os espíritas de não quererem realizar experimentos. Mas o estudo de Pereira et al. não é sobre cartinhas; é sobre uma sessão gravada em áudio em 1955, com testemunhas, na qual Chico forneceu nomes, datas e eventos privados que, segundo os autores, não poderiam ter sido obtidos por meios normais. Reduzi-lo a “brincar de contar acertos” é desqualificação, não refutação. Se você acha que o estudo está errado, aponte qual explicação convencional se aplica ao caso e mostre evidência de vazamento ou fraude, não uma suposição ad hoc. Quanto à alegação de que espíritas fogem de laboratório, isso é simplesmente falso. Charles Tart, Karlis Osis, Julie Beischel, Dean Radin e muitos outros conduziram pesquisas controladas com médiuns, publicaram em periódicos revisados por pares e obtiveram resultados positivos, ainda que modestos. O problema não é falta de experimentos; é que, quando os resultados desafiam o paradigma, a fasquia sobe: exige-se replicação independente, amostras maiores, controle de viés. Quando essas exigências são atendidas em metanálises, recua-se para “não há mecanismo conhecido”. É uma escada rolante da dúvida que nunca se satisfaz, porque sua função não é chegar, mas manter o ceticismo permanentemente insaciável.
Gorducho, você insiste em que o artigo de Klauber não é pertinente, pois o foco deve ser apenas “verificar se espíritos se comunicam com médiuns”. Com todo respeito, essa separação é artificial e ignorá-la seria como projetar uma ponte sem considerar a física do solo. A pergunta “é fisicamente possível?” é prévia e central. Klauber demonstra, a partir da teoria quântica de campos, que mundos sutis podem coexistir conosco sem qualquer contradição com a física atual. Partículas podem ocupar o mesmo espaço sem interagir, assim como neutrinos atravessam nosso corpo sem serem detectados. Se existem famílias inteiras de partículas que não interagem por nenhuma das quatro forças conhecidas, elas podem formar ecossistemas próprios, com sua própria química e, potencialmente, seres conscientes. Isso não prova a mediunidade, mas derruba o principal argumento materialista: o de que “as leis da física proíbem”. A mediunidade seria justamente um acoplamento fraco e intermitente entre esses mundos, talvez mediado por flutuações quânticas coerentes no cérebro de um médium sensibilizado. Você é engenheiro, sabe que a realidade física não se esgota no que os sentidos captam; por que excluir a priori essa possibilidade?
A física contemporânea vai muito além do que o senso comum materialista supõe. O vácuo quântico não é vazio, mas um mar de flutuações onde pares de partículas virtuais surgem e se aniquilam o tempo todo. Se o vácuo pode produzir partículas reais (efeito Casimir, criação de pares), não há proibição fundamental contra a materialização de objetos a partir desse estado fundamental — fenômenos que, se genuínos, seriam engenharia do vácuo quântico, não milagres. O emaranhamento quântico mostra correlações instantâneas que violam a localidade clássica; se a consciência operar em nível quântico, talvez acesse informação sem sinal local, o que tornaria a comunicação mediúnica uma forma de acesso não-local à informação, ecoando as hipóteses de David Bohm e Henry Stapp. A relatividade geral admite configurações como o warp drive de Alcubierre, que dobra o espaço-tempo sem violar a causalidade, e a cosmologia considera dimensões extras e multiversos. Dizer que a mediunidade viola as leis da física é referir-se à física do século XIX. A do século XXI — com campos quânticos, não-localidade, energia de ponto zero, matéria escura (95% do universo que nem sabemos o que é) — está muito mais aberta ao possível do que vocês imaginam. O materialismo dogmático não é conclusão científica; é uma metafísica assumida antes de qualquer investigação, e confundi-la com fato é o verdadeiro obstáculo ao conhecimento.
A parapsicologia, frequentemente rotulada de pseudociência, possui evidências que são sistematicamente ignoradas por dogma, não por método. As metanálises de Radin, Utts, Bem e o artigo de Bancel (2018) mostram que fenômenos como Ganzfeld e micro-PK apresentam efeitos pequenos, mas estatisticamente significativos, que não podem ser explicados por viés de publicação ou fraude. A demarcação entre ciência e pseudociência é, na prática, uma construção política e institucional, como mostraram Bourdieu, Latour e Feyerabend. A teoria das cordas, sem um único experimento confirmatório, é “física de fronteira”; a parapsicologia, com metanálises positivas replicadas, é “pseudagem”. A Wikipédia repete esse viés na primeira linha sobre parapsicologia. Isso não é rigor; é preconceito ontológico. E por que o ceticismo militante concentra seus fogos justamente no espiritismo, uma religião minoritária, brasileira e mestiça, enquanto poupa o catolicismo com seus 1,3 bilhão de fiéis? Fátima, Lourdes, a transubstanciação — onde estão os ECRs duplo-cegos? Se a exigência de provas controladas fosse imparcial, ela se aplicaria igualmente a todas as alegações sobrenaturais. A assimetria denuncia a agenda: o alvo é o que é fraco e pode ser ridicularizado sem custo institucional. Isso não é ceticismo; é covardia intelectual e hierarquia de legitimidade disfarçada de método.
O mundo espiritual, longe de ser uma invenção kardecista do século XIX, é uma constante antropológica. Xamanismo, hinduísmo, budismo, taoísmo, cristianismo, islamismo, candomblé, tradições indígenas — todas as culturas, sem exceção, chegaram a alguma versão de planos sutis, espíritos ou além-mundos. A resposta mais parcimoniosa não é “ilusão coletiva”, mas o reconhecimento de que a experiência humana (sonhos, visões, quase-morte, sincronicidades) aponta consistentemente para algo além da redutibilidade materialista. Patologizar essa experiência como “caso de polícia e psiquiatria” é repetir o gesto de sistemas autoritários que usaram a psiquiatria para silenciar dissidentes, como a União Soviética com a “esquizofrenia lenta”. A ciência de verdade não precisa de inquisição; precisa de humildade epistêmica.
E essa humildade é exatamente o que encontro em dois pensadores atuais que ajudam a desmontar a arrogância materialista. Luke Smith, no seu ensaio “Science vs. Soyence”, denuncia o que chamo de casca oca da ciência popular: uma “Soiência” que não refuta, mas afirma, funcionando como selo de autoridade, e que transforma discordância em irracionalidade. Em “In Defense of Pseudoscience”, ele mostra que a demarcação entre ciência e pseudociência foi uma invenção política do pós-guerra para excluir rivais da corrida por financiamento estatal, e lembra que a deriva continental de Wegener foi ridicularizada como pseudociência até tornar-se consenso. Todo conhecimento novo começa como heresia. Em “Miracles and Black Swans”, Smith demonstra que a cosmovisão científica padrão não refuta milagres; ela simplesmente não pode admiti-los, porque se baseia em replicabilidade. Se há eventos não replicáveis, eles são invisíveis para esse método — o que não significa que não ocorram. A metáfora da gota d’água numa folha, roçada por uma criatura de um universo maior, ilustra que um estímulo único jamais nos permitiria formular uma teoria testável, mas o evento teria ocorrido. Exigir replicabilidade de inteligências não-humanas com vontade própria é um erro categorial.
Smith também ilumina o problema da consciência. Em “Consciousness and Materialism”, ele retoma Hume para argumentar que fatos não geram consciência: a experiência subjetiva é a base de toda observação, e nenhum acúmulo de descrições sobre átomos em movimento produz a dor ou o vermelho do pôr do sol. Ele ironiza que as conferências sobre consciência estão cheias de gurus hindus porque os cientistas sérios reconhecem que não têm vantagem metodológica sobre tradições milenares; o behaviorismo de Dennett, que nega a subjetividade, é o beco sem saída a que o materialismo é forçado. A polêmica Searle-Dennett, com o beliscão no braço que atesta a dor mais real que qualquer dado, mostra o absurdo de um verificacionismo que nega a própria subjetividade que possibilita a ciência.
Smith também denuncia a amputação das quatro causas aristotélicas: ao banirmos a causa formal e a causa final, tornamos ilegítimo perguntar “para quê?”, declarando toda uma dimensão da realidade inexistente por decreto metodológico. E em “Conspiratorial Thinking and Multiple Outs”, ele mostra como as elites se beneficiam de qualquer evento porque dominam a arte dos “múltiplos resultados” — têm respostas prontas para cada cenário, criando a aparência de inevitabilidade. O materialismo, enquanto ortodoxia institucional, opera do mesmo modo: qualquer evidência anômala encontra uma explicação pronta para neutralizá-la (viés, fraude, falta de replicação, falta de mecanismo…). É uma escada rolante perpétua. Em “The Parable of Alien Chess”, Smith oferece uma joia: aliens que não veem as peças de xadrez criam um modelo no qual o vencedor é decidido por cara-ou-coroa — modelo parcimonioso e preditivo, mas falso. A parapsicologia está na posição do alienígena “crank” que postula peças invisíveis; seu modelo pode ser menos elegante, mas aponta para a realidade subjacente que o simplismo não alcança.
Paralelamente, Zhenli, um materialista convicto que não acredita no sobrenatural, reforça essa crítica a partir de dentro do establishment científico. Em “The Bell Conspiracy”, ele mostra como os físicos reescreveram a história para vender a ideia de que o teorema de Bell “provou” que a realidade é fundamentalmente aleatória e que partículas não têm propriedades até serem observadas, quando Einstein admitia a aleatoriedade, mas rejeitava a não-definição prévia, e a interpretação de ensemble permanece viável. Em “Dialectics and Quantum Mechanics”, ele desmonta a apropriação new age que tenta justificar o idealismo, mostrando que a mecânica quântica é compatível com o materialismo — desde que não o confundamos com o mecanicismo do século XIX. E, crucialmente, em “Physicalism was a Mistake; Let us Return to Materialism”, Zhenli argumenta que o fisicalismo contemporâneo traiu o materialismo original ao reificar campos, funções de onda e o próprio espaço-tempo como objetos ontológicos, enquanto o materialismo genuíno define a matéria por suas propriedades observáveis. O establishment que ridiculariza a mediunidade como impossível está fazendo metafísica disfarçada, postulando entidades invisíveis (campos) como causas reais — exatamente o que censura nos outros.
A lição que extraio de Zhenli é dupla e profundamente relevante. Primeiro, um materialista honesto pode reconhecer que muito do que passa por “ciência estabelecida” é metafísica disfarçada. Segundo, se até um materialista rigoroso denuncia as trapaças retóricas da física contemporânea, com muito mais razão deveríamos suspeitar de quem usa “a física” como martelo para esmagar a espiritualidade. A física de Klauber, que vocês querem descartar como irrelevante, faz exatamente o que Zhenli exige: mostra como campos sutis e mundos coexistentes podem ser postulados a partir da própria teoria quântica de campos, sem violar nenhuma lei conhecida. Não é especulação espírita; é astrofísica.
Portanto, Moisés, Gorducho e Vitor, vocês nos colocaram contra a parede: “provem que a mediunidade existe”. Nós apresentamos o estudo do caso Isidoro, com áudio e testemunhas. Exigiram replicação; mostramos metanálises de fenômenos psi. Exigiram mecanismo; mostramos a física de Klauber, a não-localidade, o vácuo quântico. Exigiram isenção; mostramos que o ceticismo seletivo trai um preconceito ontológico, e que a própria “ciência” institucional muitas vezes não passa de autoridade retórica. Se ainda assim a única resposta for “psseudagem”, “chorumela”, vocês não estão debatendo — estão condenando. A verdade, se existe, não tem pressa. Emerge do diálogo, da investigação honesta, não de tribunais que excluem antes de examinar.
A humildade epistêmica — de Sócrates a Popper, de Smith a Zhenli — é a única postura compatível com a finitude humana. Reconhecer que o materialismo pode ser incompleto, que a mediunidade pode ser real, que a consciência pode transcender o cérebro não é irracional; é a essência da racionalidade aberta. O “sobrenatural” de hoje pode ser apenas o natural de amanhã. Continuaremos investigando, errando e acertando, e responderemos ao vosso tribunal com o mesmo “SE” espartano: SE conseguirem provar que o mundo espiritual é impossível, provem. Até lá, a multiplicidade de ontologias que dão sentido a bilhões de pessoas merece o mesmo respeito que vocês exigem para o materialismo. Afinal, a única vitória que realmente vale é a da compreensão — e ela não se conquista com navalhas, mas com escuta.
Agradeço pelas respostas e pela oportunidade de aprofundar este debate que, ao longo de várias mensagens, revelou camadas muito mais amplas do que a simples discussão sobre se Chico Xavier falava ou não com mortos. Acumularam-se argumentos sobre física, parapsicologia, epistemologia e, sobretudo, sobre o lugar que reservamos ao espiritual num mundo dominado por um certo discurso científico. Tentarei, neste comentário único, reunir esses marcos de forma ordenada, mostrando que o cerne da questão não é um estudo de 2026 nem uma “brincadeira de contar acertos”, mas a legitimidade de investigar fenômenos que o materialismo dogmático descarta antes de examinar.
Moisés, você afirma que o foco está apenas no caso Isidoro Duarte Santos e na prova da mediunidade, sem ampliar para “todas as religiões”. Em tese, concordo: o estudo em questão é específico. No entanto, o ceticismo que você aplica ao espiritismo é exatamente o mesmo gesto que os debunkistas dirigem a qualquer manifestação espiritual, mas com uma assimetria reveladora. Quando o alvo é uma psicografia, exige-se um padrão de controle quase impossível; quando o alvo são as aparições de Fátima ou os milagres eucarísticos, a exigência desaparece e vira “questão de fé respeitável”. Você diz que é fácil verificar que mortos não falam com vivos; se é tão fácil, proponha um experimento que ambos os lados aceitem e que refute definitivamente a mediunidade. Mas cuidado: se esse experimento for desenhado de modo que o médium não possa “ganhar” — replicação imediata em ambiente hostil, sem qualquer sintonia — você não estará testando o fenômeno, estará garantindo sua falha. É o que chamo de reducionismo de controle rigoroso.
Você critica o que chama de “contar acertos em cartinhas psicografadas”. Mas o estudo de Pereira et al. não é sobre cartinhas; é sobre uma sessão gravada em áudio em 1955, com testemunhas, na qual Chico forneceu nomes, datas e eventos privados que, segundo os autores, não poderiam ter sido obtidos por meios normais. Você pode contestar as conclusões, mas reduzi-las a “brincar de contar acertos” é desqualificação, não refutação. Se o estudo está errado, aponte qual explicação convencional se aplica e mostre evidência de vazamento, não uma suposição ad hoc. Quanto à acusação de que espíritas não querem realizar experimentos, isso é simplesmente falso. Charles Tart, Karlis Osis, Julie Beischel, Dean Radin e muitos outros conduziram pesquisas controladas com médiuns, publicaram em periódicos revisados por pares e obtiveram resultados positivos, ainda que modestos. O problema não é a falta de experimentos; é que, quando os resultados desafiam o paradigma, a fasquia sobe: exige-se replicação independente, amostras maiores, controle de viés. Quando essas exigências são atendidas em metanálises, recua-se para “não há mecanismo conhecido”. É uma escada rolante da dúvida que nunca se satisfaz, pois sempre se pode exigir mais um degrau.
Gorducho, você insiste em que o artigo de Klauber não é pertinente porque a discussão deve se ater a “verificar se espíritos se comunicam com médiuns”. Com todo respeito, essa separação é artificial e ignorá-la seria como projetar uma ponte sem considerar a física do solo. Klauber demonstra, a partir da teoria quântica de campos, que mundos sutis podem coexistir conosco sem qualquer contradição com a física atual. Partículas podem ocupar o mesmo espaço sem interagir, assim como neutrinos atravessam nosso corpo sem serem detectados. Se existem famílias inteiras de partículas que não interagem por nenhuma das quatro forças conhecidas, elas podem formar ecossistemas próprios, com sua própria química e, potencialmente, seres conscientes. Isso não prova a mediunidade, mas derruba o principal argumento materialista de que “as leis da física proíbem”. A mediunidade seria justamente um acoplamento fraco e intermitente entre esses mundos, talvez mediado por flutuações quânticas coerentes no cérebro de um médium sensibilizado. Você é engenheiro, sabe que a realidade física não se esgota no que os sentidos captam; então, por que excluir a priori essa possibilidade? A pergunta “é fisicamente possível?” é prévia e central, e Klauber mostra que sim, é possível.
Além disso, a física contemporânea vai muito além do que o senso comum materialista supõe. O vácuo quântico não é vazio, mas um mar de flutuações onde pares de partículas virtuais surgem e se aniquilam o tempo todo. Se o vácuo pode produzir partículas reais (efeito Casimir, criação de pares), não há proibição fundamental contra a materialização de objetos a partir desse estado fundamental — fenômenos que, se genuínos, seriam engenharia do vácuo quântico, não milagres. O emaranhamento quântico mostra correlações instantâneas que violam a localidade clássica; se a consciência operar em nível quântico, talvez acesse informação sem sinal local, o que tornaria a comunicação mediúnica uma forma de acesso não-local à informação, ecoando as hipóteses de David Bohm e Henry Stapp. A relatividade geral admite configurações como o warp drive de Alcubierre, que dobra o espaço-tempo sem violar a causalidade, e a cosmologia considera dimensões extras e multiversos. Dizer que a mediunidade viola as leis da física é referir-se à física do século XIX. A do século XXI — com campos quânticos, não-localidade, energia de ponto zero, matéria escura (95% do universo que nem sabemos o que é) — está muito mais aberta ao possível do que vocês imaginam. O materialismo dogmático não é conclusão científica; é uma metafísica assumida antes de qualquer investigação, e confundi-la com fato é o verdadeiro obstáculo ao conhecimento.
A parapsicologia, frequentemente rotulada de pseudociência, possui evidências sólidas que são sistematicamente ignoradas por dogma, não por método. O artigo de Bancel (2018) e as metanálises de Radin, Utts e Bem mostram que fenômenos como Ganzfeld, micro-PK e o Global Consciousness Project apresentam efeitos pequenos, mas estatisticamente significativos, que não podem ser explicados por viés de publicação ou fraude. A demarcação entre ciência e pseudociência é, na prática, uma construção política e institucional, como mostraram Bourdieu, Latour e Feyerabend. A teoria das cordas, sem um único experimento confirmatório, é “física de fronteira”; a parapsicologia, com metanálises positivas replicadas, é “pseudagem”. A Wikipédia, que vocês talvez consultem, repete esse viés na primeira linha sobre parapsicologia. Isso não é rigor; é preconceito ontológico. E por que o ceticismo militante concentra seus fogos justamente no espiritismo, uma religião minoritária, brasileira e mestiça, enquanto poupa o catolicismo com seus 1,3 bilhão de fiéis? Fátima, Lourdes, a ressurreição de Jesus — onde estão os ECRs duplo-cegos? Se a exigência de provas controladas fosse imparcial, ela se aplicaria igualmente à transubstanciação ou à virgindade perpétua de Maria. A assimetria denuncia a agenda: o alvo é o que é fraco e pode ser ridicularizado sem custo institucional. Isso não é ceticismo; é covardia intelectual e hierarquia de legitimidade disfarçada de método.
O mundo espiritual, longe de ser uma invenção kardecista do século XIX, é uma constante antropológica. Xamanismo, hinduísmo, budismo, taoísmo, cristianismo, islamismo, candomblé, tradições indígenas — todas as culturas, sem exceção, chegaram a alguma versão de planos sutis, espíritos ou além-mundos. A resposta mais parcimoniosa não é “ilusão coletiva”, mas o reconhecimento de que a experiência humana (sonhos, visões, quase-morte, sincronicidades) aponta consistentemente para algo além da redutibilidade materialista. Patologizar essa experiência como “caso de polícia e psiquiatria” é repetir o gesto de sistemas autoritários que usaram a psiquiatria para silenciar dissidentes, como a União Soviética com a “esquizofrenia lenta”. A ciência de verdade não precisa de inquisição; precisa de humildade epistêmica. Sócrates duvidou, Descartes duvidou, Hume e Popper mostraram os limites da indução e ensinaram que a ciência avança por conjecturas e refutações, não por certezas. Vocês inverteram essa tradição ao transformar a dúvida em heresia e o método em tribunal. A humildade de reconhecer que o materialismo pode ser incompleto, que a mediunidade pode ser real e que a consciência pode transcender o cérebro não é irracional — é a essência da racionalidade aberta.
Moisés, você diz que “da discussão nasce a luz”. Então, que esta longa troca gere alguma luz. Não espero que mudem de opinião da noite para o dia, mas ao menos reconheçam a assimetria do discurso: a exigência de provas impossíveis não é rigor, é tática de silenciamento; a redução de um estudo com áudio, testemunhas e verificação a “cartinhas” não é argumento, é deboche. Se não puderem apontar o erro factual no estudo de Pereira et al., se não puderem mostrar, com lógica, por que a física de Klauber não se aplica, talvez a luz que nasça seja a da própria dúvida. A verdade, se existe, não tem pressa. Emerge do diálogo, da investigação honesta, não de rótulos que excluem antes de examinar. Continuaremos investigando, errando e acertando, e responderemos ao vosso tribunal com o mesmo “SE” espartano: se conseguirem provar que o mundo espiritual é impossível, provem. Até lá, a mediunidade e a multiplicidade de ontologias que dão sentido a bilhões de pessoas merecem o mesmo respeito que vocês exigem para o materialismo. Afinal, o “sobrenatural” de hoje pode ser apenas o natural de amanhã, e a única vitória que realmente vale é a da compreensão — que não se conquista com navalhas, mas com escuta.
Caros Moisés, Gorducho e Vitor, agradeço pelas respostas e pela oportunidade de aprofundar este debate. Peço desculpas antecipadas pela extensão, mas as questões levantadas tocam em fundamentos da ciência, da filosofia e da própria natureza da realidade. Tentarei, neste comentário, reunir os marcos já percorridos, incorporando as reflexões de Luke Smith e Zhenli, para mostrar que o cerne da questão não é um estudo de 2026, mas a legitimidade de investigar fenômenos que o materialismo dogmático descarta antes de examinar.
Comecemos por um diagnóstico contundente: o que chamamos de “ciência” no discurso público é, com frequência, uma casca oca do verdadeiro método científico. Luke Smith denuncia isso em “Science vs. Soyence”, onde distingue a ciência real — que avança por refutação constante — da “Soiência”, uma versão popular e dogmática que funciona mais como selo de autoridade do que como investigação genuína. A Soiência não refuta; ela afirma. E quem dela discorda é “irracional”, não importa quão sólidos sejam os argumentos. Esta demarcação entre ciência e pseudociência é, como Smith mostra em “In Defense of Pseudoscience”, uma invenção política do pós-guerra para excluir rivais acadêmicos da corrida por financiamento estatal, não um critério epistemológico genuíno. Antes, não havia tal divisão, e Smith lembra que a deriva continental de Alfred Wegener foi ridicularizada como pseudociência por décadas — até tornar-se consenso. Todo conhecimento novo começa como heresia, e a história da ciência é o cemitério das ortodoxias de ontem.
Essa inversão do método científico — de aventura crítica para tribunal inquisitorial — é o que permite ao materialismo dogmático excluir a priori fenômenos como a mediunidade. E aqui a análise de Smith é cirúrgica: em “Miracles and Black Swans”, ele demonstra que a cosmovisão científica padrão não refuta milagres ou o paranormal; ela simplesmente não pode admiti-los, porque se baseia em experimentação controlada e replicabilidade. Se existem eventos não replicáveis ou não sujeitos a causa e efeito previsível, eles são invisíveis para esse método — o que não significa que não ocorram. Smith oferece a metáfora da gota d’água: se nosso universo fosse uma gota numa folha, e uma criatura de um universo maior roçasse essa folha, sofreríamos um estímulo tão único e irrepetível que jamais poderíamos formular uma teoria testável sobre ele. Mas o evento teria ocorrido. Exigir replicabilidade de fenômenos que, por sua própria natureza, envolvem inteligências não-humanas com vontade própria é um erro categorial — é como exigir que um gato se comporte como um elétron.
A física, tantas vezes invocada como bastião do materialismo, é na verdade a mais frágil das ciências. Em “The Fragility of Physics”, Smith mostra que basta puxar uma peça do Jenga — como a constância da velocidade da luz — para que todo o edifício desabe. Nossos modelos são extraordinariamente sensíveis a novas interpretações, e o que hoje é “consenso” pode ser a exceção de amanhã. A solidez que atribuímos à física é, em grande parte, um efeito retórico, não uma necessidade ontológica.
Isso nos leva diretamente à ilusão que Smith chama de “Science of the Gaps”. O argumento é devastador: o cidadão comum assume que, porque existe um fóssil como Lucy, existe também o genoma completo de Lucy, e que este genoma prova inequivocamente a ancestralidade humana. Mas a realidade é que não temos DNA de hominídeos antigos — o DNA simplesmente não dura tanto tempo. Preenchemos as lacunas com “apenas imagine a ciência”, uma fantasia do que a ciência deveria ter encontrado, não do que de fato encontrou. É um deus-das-lacunas invertido: onde antes se colocava Deus no que não se entendia, agora se coloca “a Ciência” como entidade onipotente que já resolveu o que nem sequer foi investigado.
O problema não para na física, mas atinge o próprio cerne da experiência humana: a consciência. Em “Consciousness and Materialism”, Smith retoma David Hume para propor que, assim como fatos não geram valores morais, tampouco configurações materiais podem gerar consciência. A consciência não é algo que observamos; é a própria base de toda observação, e nenhum acúmulo de descrições sobre átomos se movendo pode produzir a experiência subjetiva de sentir uma dor ou contemplar o pôr do sol. Smith observa com ironia que as conferências sobre consciência estão repletas de gurus hindus, porque os cientistas sérios reconhecem que não têm a menor vantagem metodológica sobre tradições milenares. O behaviorismo de Daniel Dennett, que nega a própria existência da subjetividade, é o beco sem saída lógico a que o materialismo é forçado. Searle, ao pinçar o próprio braço, mostra o absurdo: sinto uma dor cuja realidade subjetiva é mais certa do que qualquer dado de laboratório. Smith retoma essa polêmica entre Searle e Dennett para mostrar que a negação da consciência é a consequência inevitável de um verificacionismo levado a sério: se só existe o que pode ser verificado por meios científicos, então a própria subjetividade que permite a ciência deixa de existir.
A questão da causalidade, central para entender fenômenos mediúnicos, é iluminada pelo apelo de Smith, em “We Want Our 4 Causes Back”, pelo resgate das quatro causas aristotélicas. A modernidade amputou a causa formal e a causa final, retendo apenas a material e a eficiente. Isso significa que perguntar “para quê?” ou “segundo que plano?” tornou-se cientificamente ilegítimo — e com isso, toda uma dimensão da realidade foi declarada inexistente por decreto metodológico, como Bacon já fizera ao taxar a causa final de “hopeless”. Mas essa amputação não é uma descoberta sobre o mundo; é uma escolha sobre quais perguntas merecem resposta.
E há uma dimensão de poder nessa escolha. Em “Conspiratorial Thinking and Multiple Outs”, Smith explica como as elites políticas se beneficiam de qualquer evento — pandemia, crise econômica, desastre natural — porque dominam a arte dos “múltiplos resultados”: têm respostas planejadas para cada cenário, criando a aparência de inevitabilidade. Não precisam conspirar para que tudo aconteça; basta estarem posicionadas para lucrar com o que acontecer. O materialismo, enquanto ortodoxia institucional, opera da mesma forma: qualquer evidência anômala que surja, há uma explicação pronta para neutralizá-la. Se o experimento psi falha, é porque o fenômeno não existe. Se o experimento psi funciona, é fraude, viés de publicação, ou falta de replicação. Quando a replicação aparece em metanálises, falta mecanismo. Quando a física de Klauber fornece o mecanismo, a física “não é o foco”. É uma escada rolante que nunca chega ao fim porque sua função não é chegar, mas manter o ceticismo permanentemente insaciável.
E por que as pessoas mantêm crenças religiosas apesar de todos os argumentos contrários? Em “Why People Do or Do Not Leave Religion”, Smith oferece uma explicação memética que vai muito além da simples “irracionalidade”: a religião não é um conjunto isolado de crenças, mas uma rede de memes interligados — moralidade, família, política, propósito — que formam a base da vida cotidiana. Abandonar a religião não é apenas descartar uma proposição factual; é desmantelar toda uma estrutura de sentido, o que explica por que argumentos puramente racionais raramente convencem alguém a abandonar sua fé. A aposta materialista, ao oferecer apenas o vazio como substituto, subestima profundamente o que está em jogo.
E quanto ao utilitarismo que tantas vezes serve de ética implícita ao materialismo? Em “The Problems with Utilitarianism”, Smith demonstra que “o maior bem para o maior número” é uma impossibilidade matemática: não se pode maximizar simultaneamente duas variáveis independentes. Além disso, a experiência subjetiva não é quantificável — você não pode sentir “exatamente o dobro” da felicidade que sentiu ao receber um presente. A pretensão de reduzir o bem-estar a grandezas mensuráveis é uma ficção que esconde escolhas de valor sob uma capa de neutralidade científica. E em “The Parable of Alien Chess”, Smith nos oferece uma joia epistemológica que resume a situação do debate psi: aliens que não conseguem ver as peças de xadrez criam um modelo no qual o vencedor é decidido por cara-ou-coroa — modelo que é mais parcimonioso e preditivo ao longo de muitos jogos do que qualquer teoria que postule peças invisíveis. No entanto, o modelo das peças é o que captura a verdadeira mecânica do jogo, e o cara-ou-coroa é um beco sem saída científico. A parapsicologia está na posição do alienígena “crank” que insiste em postular peças no tabuleiro: seu modelo pode ser menos elegante, mas está apontando para a realidade subjacente que o modelo simplista não pode alcançar.
Dito isto, a contribuição de Zhenli é inestimável para este debate justamente porque ela ou ele é materialista e não acredita no sobrenatural, mas critica severamente as pretensões do establishment científico a partir de dentro. Em “The Bell Conspiracy”, Zhenli mostra como os físicos reescreveram a história para fazer crer que o teorema de Bell “provou” que a realidade é fundamentalmente aleatória e que partículas não têm propriedades definidas até serem observadas. Mas o próprio Einstein, frequentemente caricaturado como um velho teimoso que não aceitava a mecânica quântica, tinha uma posição muito mais matizada: sua objeção principal não era à aleatoriedade em si — que ele admitia como perfeitamente plausível —, mas à ideia de que sistemas não têm propriedades até serem medidos. Bell mostrou que, para preservar o realismo local de Einstein, seria necessário aceitar efeitos superluminais (mais rápidos que a luz). Mas isso não prova que a realidade é fundamentalmente aleatória; prova apenas que certas premissas não podem ser mantidas simultaneamente. A interpretação de ensemble, que Einstein defendia, permanece perfeitamente viável e não menos “científica” do que a interpretação de Copenhague. Em “Dialectics and Quantum Mechanics”, Zhenli desmonta a apropriação new age da física quântica que tenta usá-la para justificar o idealismo, mostrando que a mecânica quântica é perfeitamente compatível com o materialismo — desde que o materialismo não seja confundido com o mecanicismo ingênuo do século XIX. E em “Physicalism was a Mistake; Let us Return to Materialism”, Zhenli argumenta que o fisicalismo contemporâneo — que reifica campos, funções de onda e o próprio espaço-tempo como objetos ontológicos — traiu o materialismo original ao postular entidades invisíveis e não-empíricas como reais. O materialismo genuíno define a matéria por suas propriedades observáveis; já o fisicalismo povoa o universo de “objetos” que ninguém jamais observou diretamente, como campos que “causam” o comportamento das limalhas de ferro, mas que são, em si mesmos, invisíveis.
A lição que extraio de Zhenli é dupla e profundamente relevante para nosso debate. Primeiro: um materialista honesto pode reconhecer que muito do que passa por “ciência estabelecida” é, na verdade, metafísica disfarçada. Quando o establishment ridiculariza a mediunidade como impossível, está fazendo uma afirmação metafísica, não científica, e Zhenli mostra que o próprio establishment é culpado do mesmo pecado que denuncia nos outros: postular entidades invisíveis (campos, funções de onda) como causas reais. Segundo: se até um materialista rigoroso como Zhenli reconhece os limites e as trapaças retóricas da física contemporânea, com muito mais razão deveríamos suspeitar das pretensões de quem usa “a física” como martelo para esmagar a espiritualidade. A física de Klauber, que vocês querem descartar como irrelevante, faz exatamente o que Zhenli exige: mostra como campos sutis e mundos coexistentes podem ser postulados a partir da própria teoria quântica de campos, sem violar nenhuma lei conhecida. Não é especulação espírita; é astrofísica.
A humildade epistêmica que Smith e Zhenli exemplificam — cada um a seu modo — é a única postura compatível com a finitude humana. Smith, cético da ciência institucionalizada, nos lembra que a ciência avança por refutação, não por afirmação. Zhenli, materialista convicto, nos adverte que a ortodoxia científica está repleta de mitos sobre sua própria história. Ambos convergem para um ponto que tenho repetido: a certeza é inimiga do conhecimento, e o tribunal que condena a mediunidade antes de ouvi-la não é científico — é inquisitorial.
maio 6th, 2026 às 12:14 PM
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Sr. William disse:
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“Separação” nenhuma👎
Admitamos pra efeitos das nossas discussões cá, que sim, é possível👍
Possibilidade teórica ≠ existência na realidade “extra teórica” so to speak. Só comprovação experimental pode dizer se QUALQUER Teoria tem correspondência c/a realidade.
Lógico que não falo pelos outros debatedores, em particular pelo Sr. Administrador. Mas falei que pra nós interessa cá comprovações experimentais, podendo-se admitir em tese possibilidade teórica.
Eu particularmente admito in abstracto a possibilidade. Meu interesse é verificação experimental, não possibilidade teórica.
Note que eu me CRIEI no Espiritismo, então pra mim possibilidade em tese sempre resultou natural.
E também aprendi que a Física não pode ser limitada a priori, então pra mim não é esse o ponto focal.
maio 6th, 2026 às 12:48 PM
Para Gorducho
Você acaba de escrever algo que merece ser posto em itálico, sublinhado e talvez emoldurado:
“Admitamos pra efeitos das nossas discussões cá, que sim, é possível. Possibilidade teórica ? existência na realidade… Meu interesse é verificação experimental, não possibilidade teórica.”
Aceito de bom grado. E registro o valor dessa concessão, porque ela já delimita o alcance da réplica: não estamos mais discutindo se é possível; estamos discutindo o que fazer com os experimentos que temos.
E aqui, caro Gorducho, está o nó. Você diz que seu foco é a comprovação experimental. Mas comprovar, em ciência, nunca é binário, nunca é um interruptor que se acende num único ECR definitivo. É sempre uma questão de peso cumulativo, de convergência de linhas independentes. Essa é a lição de consiliencia de Whewell, que EO Wilson retomou: quando múltiplas linhas de evidência apontam para o mesmo lugar, a conclusão se fortalece muito além do que qualquer experimento isolado poderia garantir.
Que linhas temos? Não são poucas. O estudo de Pereira et al. com Chico Xavier, que traz informações específicas não disponíveis em fontes públicas. As metanálises de Radin e Utts sobre Ganzfeld, cujos resultados positivos não são explicados por viés de publicação, como Bancel mostrou em 2018. A replicação independente de Bem sobre precognição, contestada mas replicada. Os estudos triple-blind de Julie Beischel com médiuns, publicados em periódicos revisados por pares. E, saindo da parapsicologia para o campo do que já é aceito, a própria física de Klauber — que você, para efeitos da discussão, admite — oferece o arcabouço que torna o fenômeno plausível.
Ora, se nenhuma dessas linhas, isoladamente, “prova” de forma cabal a mediunidade, sua convergência é, no mínimo, um sinal de que não se trata de pura fantasia. O alienígena da parábola de Luke Smith que postula peças no tabuleiro de xadrez está, afinal, mais perto da verdade do que o cético que atribui tudo ao cara-ou-coroa.
Você se criou no Espiritismo. Sabe, portanto, que a mediunidade não é um fenômeno que se reproduza sob as luzes frias de um laboratório hostil, com um médium tratado como réu e não como sujeito de uma experiência intersubjetiva. Isso não é desculpa para ausência de controle; é reconhecimento de que o fenômeno tem ontologia própria. Exigir replicação mecânica imediata de um evento que envolve vontades livres é o tal erro categorial que mencionei — como exigir do gato o comportamento do elétron.
Dito isso, você está certo em separar possibilidade teórica de existência real. O que lhe peço é que aplique o mesmo critério com equanimidade: se a física de Klauber é “admissível em tese”, então os experimentos que temos não precisam derrubar toda a física conhecida para serem levados a sério. Eles só precisam ser bons o suficiente para que a hipótese da sobrevivência da consciência não seja descartada com um riso. E, pelo que os dados mostram, eles já são.
maio 6th, 2026 às 12:56 PM
Gorducho
Sua concessão — “admitamos que sim, é possível” — tem implicações mais profundas do que talvez você imaginasse ao escrevê-la. Permita-me explorar duas delas.
Primeira: a companhia que você acaba de ganhar. Se mundos sutis coexistentes são fisicamente admissíveis, então não é só o Espiritismo que ganha um fundamento de plausibilidade. O Céu e o Inferno cristãos, o Paraíso islâmico, os reinos de devas do hinduísmo, os estados de Bardo do budismo tibetano, o Orun do candomblé, o mundo dos ancestrais das tradições indígenas — todos eles, em tese, encontram abrigo sob o mesmo guarda-chuva teórico. Não estou dizendo que todos são verdadeiros ou idênticos; estou dizendo que a física que você admite não faz distinção entre o plano espiritual de Chico Xavier e a Jerusalém celeste de Agostinho. Se a estrutura do universo comporta dimensões sutis, então a experiência religiosa da humanidade — que é virtualmente unânime em postular tais realidades — deixa de ser “ilusão coletiva” para tornar-se, no mínimo, intuição digna de investigação. O cético que ridiculariza o espiritismo mas respeita a ressurreição de Jesus está, a partir de agora, em dívida epistêmica com você: terá que explicar por que a mesma física que torna o primeiro plausível não se aplica à segunda.
Segunda: a causalidade não é o obstáculo que se imagina. Você se criou no Espiritismo e sabe que a objeção clássica à comunicação com espíritos é que ela exigiria um “sinal” viajando mais rápido que a luz, violando a causalidade relativística. Mas isso só é verdade para sinais que atravessam o espaço-tempo usual. A relatividade geral admite, há décadas, configurações onde o próprio espaço-tempo é manipulado: o warp drive de Alcubierre, os buracos de minhoca de Morris-Thorne, o universo de Gödel. Em todos esses cenários, existe a possibilidade de viagem ou comunicação superluminal sem violação da causalidade, desde que certas condições sejam satisfeitas — é a chamada hipótese da Causalidade Preservada em Cenários FTL, estudada seriamente por físicos como Krasnikov, Everett e Roman. O princípio é simples: se o atalho conecta regiões que já estão fora do cone de luz causal uma da outra, ou se a topologia do espaço-tempo impede curvas fechadas de tipo tempo, a comunicação pode ser efetivamente instantânea entre os mundos sem que um sinal retorne ao passado do emissor.
Ora, um “mundo sutil” de Klauber, coexistindo conosco mas não acoplado pelas forças conhecidas, já está, por definição, fora do nosso cone de interação eletromagnética. A comunicação mediúnica não seria um sinal atravessando o espaço — seria um acoplamento fraco entre dois domínios que a topologia do universo já mantém adjacentes. Não se viola causalidade porque não se percorre distância; sintoniza-se uma frequência. Para você, engenheiro, isso tem um paralelo familiar: dois circuitos podem estar galvânicamente isolados e ainda assim trocar informação por acoplamento indutivo ou capacitivo. Nenhum elétron viaja de um lado ao outro; no entanto, a informação passa.
Você diz que seu interesse é verificação experimental, não possibilidade teórica. Justo. Mas a física que você admite já dissolveu o principal argumento contra a plausibilidade dos experimentos existentes. E se múltiplas religiões, múltiplas culturas e múltiplas linhas de pesquisa independente convergem para o mesmo ponto — a existência de domínios sutis acessíveis à consciência —, então o ônus da prova já não está apenas sobre os que investigam. Está também sobre os que, diante da convergência, insistem em olhar para o outro lado.
Multiverso, Hiperfísica e a Companhia das Religiões
Sua admissão de que mundos sutis são fisicamente possíveis abre uma porta que a própria física mantém escancarada há décadas, embora raramente se diga isso ao grande público. Vamos cruzá-la.
Multiverso: a ideia mais científica que existe — e a mais religiosa também
A cosmologia contemporânea não tem um multiverso; tem pelo menos quatro níveis, sistematizados por Max Tegmark. O Nível I é o mais simples: o universo pode ser espacialmente infinito, com regiões além do nosso horizonte que são, para todos os efeitos, universos paralelos. O Nível II surge da inflação eterna: bolhas de vácuo com constantes físicas diferentes, cada uma um universo à parte. O Nível III é o multiverso quântico de Everett, onde todos os resultados possíveis de cada evento quântico se realizam em ramos distintos da realidade. E o Nível IV postula que todas as estruturas matemáticas consistentes existem fisicamente em algum sentido.
Nenhum desses níveis tem um único experimento confirmatório direto. Nenhum produziu uma única observação de outra bolha, outro ramo, outra região além do horizonte. São postulados teóricos, nascidos da matemática e da extrapolação de teorias bem-sucedidas. E, no entanto, são discutidos em departamentos de física respeitados, financiados, publicados em periódicos de alto impacto. Ninguém os chama de “pseudociência”.
Compare agora com o “mundo espiritual” do Espiritismo, do Cristianismo, do Hinduísmo, do Budismo, do Candomblé. Temos bilhões de relatos, milênios de tradição, documentação volumosa e — no caso específico da mediunidade — investigações experimentais com resultados estatisticamente significativos. A diferença de tratamento entre o multiverso e o plano espiritual não é metodológica. É política. O multiverso é postulado por físicos com cargos titulares. O plano espiritual é defendido por místicos, médiuns, pais e mães de santo — e por alguns físicos corajosos como Klauber. A hierarquia de legitimidade, como já disse, é uma hierarquia de poder.
Mas o mais irônico é o conteúdo. O Nível III de Everett, com seus infinitos ramos nos quais todas as possibilidades se realizam, é funcionalmente idêntico à ideia de um domínio onde consciências desencarnadas continuam a existir e a evoluir. Se cada decisão gera um universo, a sobrevivência da consciência após a morte é apenas mais um ramo — e os espíritos seriam nossos vizinhos na paisagem quântica. O paraíso cristão, os devas hindus, o Orun, todos encontrariam sua topologia nesse esquema. A diferença é que as religiões chegaram a essa intuição pela experiência contemplativa e visionária; a física, pela equação de Schrödinger. Ambas apontam para a mesma direção: a realidade não se esgota no visível.
Hiperfísica: o que já sabemos que não sabemos
“Hiperfísica” não é termo oficial, mas o conceito está disperso em várias frentes de pesquisa. Vejamos.
O hiperespaço é uma hipótese antiga: Kaluza e Klein, nos anos 1920, propuseram uma quinta dimensão para unificar gravidade e eletromagnetismo. A teoria das cordas contemporânea trabalha com 10 ou 11 dimensões, das quais só percebemos quatro. As demais estariam compactificadas em escalas minúsculas — ou, em versões como a de Randall-Sundrum, poderiam ser dimensões infinitas que simplesmente não percebemos porque nossas partículas estão confinadas a uma “brana” tridimensional.
Se há dimensões extras, há espaço para fenômenos que chamaríamos de sobrenaturais apenas por ignorância. Uma entidade que se movesse na quinta dimensão entraria e sairia do nosso espaço tridimensional como uma mão que atravessa um plano bidimensional — aparecendo “do nada”. O que um médium descreve como materialização de espírito seria, nesse quadro, uma intrusão dimensional. Não há violação de leis; há leis de dimensões superiores que ainda não dominamos.
Quanto às hiperondas, a física já conhece partículas que atravessam a matéria como se ela não existisse. Neutrinos, como já citei, e possíveis partículas de matéria escura. Se existem partículas que não interagem por nenhuma das forças do Modelo Padrão, elas podem transportar informação sem que nossos instrumentos as detectem. A comunicação mediúnica seria uma forma de “rádio hiperdimensional”, cujas ondas atravessam corpos e paredes sem atenuação, mas cuja sintonia exige um estado alterado de consciência.
Luke Smith, com sua parábola do alienígena e do xadrez, capturou o essencial: as peças invisíveis existem, mas o método que só admite o que é diretamente mensurável jamais as encontrará. O multiverso, as hiperdimensões, as hiperondas — tudo isso é admissível “em tese”, como você admite para Klauber. Mas entre a admissão em tese e a ridicularização do espiritismo há um abismo de inconsistência.
A companhia que você ganhou é imensa
Se a física admite a coexistência de mundos, dimensões extras, multiversos e partículas que não interagem com as nossas, então toda religião que postula um além-mundo ganha, no mínimo, o direito de não ser tratada como delírio primitivo. O Espiritismo está na mesma companhia que Agostinho, Ibn Arabi, Nagarjuna, os xamãs siberianos e os pais de santo. Todos apontaram para a mesma coisa com linguagens diferentes. A física do século XXI, ironicamente, começa a traduzir essa linguagem para a matemática.
Você quer verificação experimental. Eu também. Mas verificação exige que o fenômeno seja investigado com protocolos adequados à sua natureza — e, sobretudo, que os resultados não sejam descartados com um riso quando contrariam a metafísica dominante. Enquanto o multiverso for “ciência de fronteira” e a mediunidade for “pseudagem”, não há debate honesto. Há apenas a manutenção de um monopólio ontológico que, como todo monopólio, um dia cai.
maio 6th, 2026 às 6:01 PM
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William Diz:
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Ele fala várias coisas que contradizem o que você disse sobre a ciência mostrar que a mediunidade e afins são “impossíveis.” Ele diz que mediunudade e afins são possíveis.
Assim como ele deixa implícito que nem toda pseudociência/pseudagem é a mesma coisa na prática.
Ou seja, que a fronteira entre ciência e pseudociência é algo fuzzy e n-dimensional, ao invés de branco e preto como que vários divulgadores científicos e a própria Wikipedia tentam impor para todos.
Aguardo resposta.
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COMENTÁRIO: não lembro de ter dito que “que a mediunidade e afins são ‘impossíveis’.” Se eu dissesse tal coisa teria que saber o conteúdo desse “afins”: sinceramente, não faço a menor ideia!
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A mediunidade seria perfeitamente possível, desde que provado haver real e efetivo contato entre os que estão do lado de “lá” com os que estão do lado de cá. Desde o século XIX que alguns homens de ciência tentam demonstrar que isso ocorre, em vão…
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Sobre ciência e pseudociência, em princípio, é difícil traçar uma linha demarcatória entre as duas, mas, na medida em que as hipóteses são testadas e os resultados aparecem (ou não) essa demarcação se torna objetiva. Por exemplo, a chamada “ciência espírita”, que resultados concretos produziu, que avanço proporcionou ao conhecimento científico, além de nenhum? Semelhantemente a parapsicologia (ou pesquisa psi): dessa área não adveio qualquer contribuição ao desenvolvimento da ciência.
maio 6th, 2026 às 6:08 PM
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Sr. William disse:
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Porque foi o Kardec mesmo quem desde logo delineou essa diferença fundamental em relação a outras Religiões, apresentando a DE como também Científica.
E.g. n’O que é o Espiritismo, Capítulo II, 32:
E não: os desenhos de experimentos que apresentamos cá são os compatíveis com o modelo Espírita.
maio 6th, 2026 às 6:33 PM
MOIZÉS DISSE:
“Semelhantemente a parapsicologia (ou pesquisa psi): dessa área não adveio qualquer contribuição ao desenvolvimento da ciência.”
Isso é falso. O EEG foi criado por Hans Berger ao estudar telepatia. Meta-análises também foram desenvolvidas graças à Parapsicologia. Descobertas arqueológicas foram feitas graças ao psíquico George McMullen. Psíquicos já trabalharam e ainda trabalham com a polícia auxiliando na resolução de casos.
Pesquisadores psi foram pioneiros no uso rigoroso de:
->Testes estatísticos aplicados à psicologia (ex.: cartas Zener)
-> Protocolos de controle experimental contra fraude e viés
-> Estudos de probabilidade e acaso em contextos psicológicos
Isso ajudou a fortalecer práticas que hoje são padrão na psicologia experimental e em outras ciências comportamentais.
maio 6th, 2026 às 7:01 PM
Interessante, Vitor. Não sabia que o EEG tinha sido desenvolvido por Hans Berger quando ele estudava a Telepatia. Obrigado por mostrar isso!
maio 6th, 2026 às 7:09 PM
Bom, peço desculpas por me intrometer na conversa, mas em relação a outros avanços da parapsicologia no cotidiano, eu acredito que o próprio Dr. Sam Parnia pode ser relacionado a essa questão.
Sam Parnia, se não me engano, é atualmente um dos melhores especialistas em ressuscitação cardiopulmonar do mundo. Ele provou que as EQMs são experiências que de fato ocorrem ( sem afirmar se são materialistas ou dualistas ) no AWARE II. No caso também, Sam Parnia descobriu que durante a parada cardíaca, o cérebro humano tem capacidade de sobrevier por mais tempo do que se imaginava.
maio 6th, 2026 às 7:13 PM
Um documentário ( infelizmente longo, mais de 40 minutos ) do laboratório do Dr. Parnia no caso explica bem todas as descobertas do AWARE II:
https://youtu.be/_18UdG4STHA?si=mNJY7clGGtydCuhU
maio 6th, 2026 às 7:19 PM
Outro avanço relacionado a parapsicologia foi feito pelo MD Anderson Câncer Center, quando eles estudaram o médium tão falado aqui no blog, Sean Harribance, em que eles analisaram a correlação do médium a cura de tumores cancerígenos em camundongos de laboratório:
https://mdanderson.elsevierpure.com/en/publications/human-biofield-therapy-modulates-tumor-microenvironment-and-cance/
Pessoalmente, acredito que no futuro, quando esse fenômeno for mais estudado, grandes avanços médicos poderão ocorrer.
maio 6th, 2026 às 7:32 PM
E como o próprio Vitor comentou, algumas e importantes descobertas arqueológicas foram realizadas por psíquicos ( como Ingo Swann, se não me engano ), lideradas por Stephan Schwartz.
Existe um filme feito por Schwartz e sua equipe onde Swann e outro psíquico descobriram um naufrágio desconhecido por muitos e muitos anos, onde o vídeo pode ser encontrado aqui:
https://youtu.be/BEC-GBTTLBg?si=9lB7AfmJXksNgcID
maio 6th, 2026 às 7:53 PM
Além disso, já vi em um vídeo relacionado a uma palestra acadêmica em que o Dr. Michael Persinger ( o neurocientista cético que defendeu até o fim da vida que PSI era eletromagnética ) deu a entender que Harribance foi recrutado pelo governo dos EUA para tentar localizar Saddam Hussein ( ele não disse o nome do ditador, mas ficou bem claro quem era ).
https://youtu.be/qgawWCBj2Jk?si=F4RsuElu3zmgsW1Q
Bom, fato é que existem documentos oficiais da CIA sobre o Projeto Stargate, que confirmam que Ingo Swann, o mesmo psíquico do naufrágio, foi estudado por físicos como Russell Targ ( um dos pioneiros do laser ) e Edwin C. May.
Targ afirma no seu livro que Swann, através de PSI, espionava bases militares da China, por exemplo.
Bom, vai saber o que esses caras não sabem hoje ?. Pessoalmente não duvido de nada.
maio 6th, 2026 às 7:57 PM
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Sr. Administrador disse:
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Acaso Alexandria?
Se sim, já não discutimos cá?
maio 6th, 2026 às 8:01 PM
Oi Gorducho, boa noite!
No caso, se não me engano, foi Stephan Schwartz quem foi o responsável pela investigação arqueológica de Alexandria através de PSI ( se não me engano, é claro ).
maio 6th, 2026 às 8:07 PM
Gorducho, não, me refiro às pesquisas de Norman Emerson e outros arqueólogos canadenses com o George, como a descoberta de uma paliçada.
maio 6th, 2026 às 8:17 PM
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Vitor Diz:
maio 6th, 2026 às 6:33 PM
MOIZÉS DISSE:
“Semelhantemente a parapsicologia (ou pesquisa psi): dessa área não adveio qualquer contribuição ao desenvolvimento da ciência.”
Isso é falso. O EEG foi criado por Hans Berger ao estudar telepatia. Meta-análises também foram desenvolvidas graças à Parapsicologia. Descobertas arqueológicas foram feitas graças ao psíquico George McMullen. Psíquicos já trabalharam e ainda trabalham com a polícia auxiliando na resolução de casos.
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COMENTÁRIO: curioso, você cita meu texto, mas ele não aparece no quadro, ao menos para mim! Atualizei a página várias vezes e continua invisível!
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Sobre a contribuição parapsicológica de Berger à ciência, mais tarde comento, mas adianto: estás equivocado! Não no fato de Berger ter inventado o treco, mas na alegação de que se trata de contribuição da pesquisa psi à ciência. Aliás, se bem me lembro, o assunto foi exaustivamente discutido aqui. Vou ver se encontro.
maio 6th, 2026 às 8:18 PM
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Cancele o desaparecimento do texto, falo de outro que postei há poucos minutos e ainda não apareceu. Se continuar não aparecendo rebotarei.
maio 6th, 2026 às 9:41 PM
Vitor, vou postar novamente meu texto, se der duplicidade, exclua um, só um, por favor.
maio 6th, 2026 às 9:47 PM
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Estranho, meu texto não entra! Será que algum espírito brincalhão está bloqueando?
maio 6th, 2026 às 9:48 PM
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William Diz:
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Caros Moisés, Gorducho e Vitor,
Agradeço pelas respostas e pela oportunidade de aprofundar este debate que, ao longo destas mensagens, revelou camadas muito mais amplas do que a simples discussão sobre se Chico Xavier falava ou não com mortos. Acumularam-se argumentos sobre o estudo de 2026, sobre física, parapsicologia, epistemologia, sobre a relação entre ciência e poder e, sobretudo, sobre o lugar que reservamos ao espiritual num mundo dominado por um certo discurso científico. Tentarei, neste comentário único, reunir esses marcos de forma ordenada, mostrando que o cerne da questão não é um caso isolado, mas a legitimidade de investigar fenômenos que o materialismo dogmático descarta antes de examinar.
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COMENTÁRIO: William, você insiste em ampliar a conversa desmedidamente! Sua opção é pelo debate, ou seja, defende seus complexos pontos de vista sem levar em conta os dos opositores. Tem sido lhe dito que a DISCUSSÃO (há diferença entre discussão e debate e parece que não está interessado em saber disso), então, a discussão se cinge em analisar as provas de que Chico (e, por extensão, outros médiuns) possuía a faculdade de se articular com o transcendente (ou com a espiritualidade). Se resolvermos essa pendência, aí sim, se poderia pensar nas implicações estendidas que possam advir e, talvez, discuti-las produtivamente.
maio 6th, 2026 às 9:49 PM
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William Diz:
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Comecemos pelo recorte que vocês propõem. Moisés, você afirma que a discussão é apenas sobre Chico Xavier e a mediunidade, sem ampliar para “todas as religiões”. Em tese, concordo: o estudo de Pereira et al. é específico, centrado no caso Isidoro Duarte Santos. No entanto, o ceticismo que você aplica a esse caso é exatamente o mesmo gesto que os debunkistas dirigem a qualquer manifestação espiritual, mas com uma assimetria reveladora. Quando o alvo é uma psicografia, exige-se “provas controladas” com um padrão quase impossível; quando o alvo são as aparições de Fátima, os milagres eucarísticos ou a ressurreição de Jesus, a exigência desaparece e vira “questão de fé respeitável”.
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COMENTÁRIO: Embora sua fala seja mais uma queixa a respeito do que considera exigências descabidas em relação à mediunidade e grande generosidade com os milagres cristãos, talvez inadvertidamente, disse uma verdade: as aparições da Virgem, os milagres, a ressurreição de Cristo são dogmas de fé. Não há como leva-los à experimentação, a fim de aferir se aconteceram ou não. O mais provável é que não aconteceram, mas os crentes pensam de outro modo, por isso é questão de fé.
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A mediunidade e eventos comuns no meio pentecostal (profecias, expulsão de demônios, etc.), estes sim, são testáveis. Se testes forem realizados, deles se deve exigir controle rigoroso, como convém a qualquer experimento que almeje verificar a legitimidade de alguma alegação. O foco aqui é a mediunidade, pois os espíritas costumam ser mais afetos a discutir suas crenças, visto que o kardecismo é considerado também ciência. Se um crente carismático quiser defender suas certezas nesse fórum, e o administrador topar, poderá fazê-lo. Aliás, alguns já transitaram por aqui…
maio 6th, 2026 às 9:53 PM
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parti o texto e entrou uma parte, a outra não quer!
maio 6th, 2026 às 9:57 PM
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Desisto!
maio 6th, 2026 às 10:25 PM
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William Diz:
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Se você não reconhece essa hierarquia de legitimidade, sugiro uma reflexão sincera. você afirma que “é muito fácil verificar que mortos não falam com vivos”. ótimo. então proponha um experimento que ambos os lados aceitem e que refute definitivamente a mediunidade. Mas cuidado: se o experimento for desenhado de modo que o médium não possa “ganhar” — replicação imediata em ambiente hostil, sem qualquer sintonia — você não estará testando a mediunidade, estará garantindo sua falha. É o que chamo de reducionismo de controle rigoroso.
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COMENTÁRIO:
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Vamos a uma sugestão de experimento. Preste atenção!
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Pede-se a uma pessoa que ponha numa caixa um pequeno texto, de modo que o espírito possa ler o que está escrito. Essa pessoa não sabe para o quê a embalagem se destina. A caixa é lacrada. A pessoa que cuida dessa parte não terá contato com os demais experimentadores. Ele deixa o material num local previamente combinado e se retira. Outra pessoa pega a caixa leva até o onde experimento se realizará, deixa-a diante da porta e se retira. Assim não haverá contato algum entre os que cuidaram da preparação com os que darão continuidade ao experimento.
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A caixa é colocada em uma mesa atrás do médium.
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O médium invocará algum espírito e pedirá a este que leia o escrito e lhe transmita. O médium escreve o que ouviu do espírito e passa ao experimentador. A caixa é aberta e se confere se bateu… bateu?
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Dentro dessa linha, várias modalidades de experimento podem ser implementadas. Se após várias repetições a resposta estiver correta — aleluia! –, mortos comunicam!
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Experimentos desse tipo são objetivos, pois proporcionam retornos conclusivos. Agora, diga, por que ninguém opta por essa via? Por que os defensores da mediunidade preferem provar a coisa por meio de aferições nebulosas?
maio 6th, 2026 às 10:27 PM
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William Diz:
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Você critica o que chama de “contar acertos em cartinhas psicografadas” e acusa os espíritas de não quererem realizar experimentos. Mas o estudo de Pereira et al. não é sobre cartinhas; é sobre uma sessão gravada em áudio em 1955, com testemunhas, na qual Chico forneceu nomes, datas e eventos privados que, segundo os autores, não poderiam ter sido obtidos por meios normais. Reduzi-lo a “brincar de contar acertos” é desqualificação, não refutação. Se você acha que o estudo está errado, aponte qual explicação convencional se aplica ao caso e mostre evidência de vazamento ou fraude, não uma suposição ad hoc. Quanto à alegação de que espíritas fogem de laboratório, isso é simplesmente falso. Charles Tart, Karlis Osis, Julie Beischel, Dean Radin e muitos outros conduziram pesquisas controladas com médiuns, publicaram em periódicos revisados por pares e obtiveram resultados positivos, ainda que modestos.
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COMENTÁRIO: psicofonia ou psicografia, dá no mesmo. O método de validação é similar: se o médium acertou, então tá tudo bem! Como ele sempre acerta alguma coisa, para o crente a coisa está provada! Ora, como a coisa estaria provada por esse caminho se a comunicação entre mundo não foi demonstrada, por meio de verificações objetivas?
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Inverte-se o caminho da evidência: primeiro toma-se como premissa que mortos comunicam, depois procuram-se as provas! Como já está admitida a comunicação, qualquer arremedo de prova passa a valer!
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Os autores que cita (Charles Tart, Karlis Osis, Julie Beischel, Dean Radin) estão ligados à parapsicologia. Se fizeram testes com médiuns foi para provar coisas como telepatia, clarividência, etc. Que eu saiba não defenderam a comunicação entre vivos e mortos.
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William Diz: “Reduzi-lo a ‘brincar de contar acertos’ é desqualificação, não refutação.”
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RESPOSTA: É refutação sim, pois não é dessa maneira que se prova o alegado! Esse tipo de prova é prova para quem não precisa de prova, pois qualquer coisinha que possa minimamente validar a conjetura é contabilizada como certeza! Basta que os autores (ansiosos por demonstrar que a mediunidade é real) digam que Chico não poderia ter obtido informações por meio normais e isso se torna sacramentado!
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William Diz: “aponte qual explicação convencional se aplica ao caso e mostre evidência de vazamento ou fraude, não uma suposição ad hoc.”
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RESPOSTA: Nada de ad hoc, a explicação convencional é trivial: obtenção de informes por caminhos naturais. A refutação é que é ad hoc: “segundo os autores, não poderiam ter sido obtidos por meios normais”. Ora, desde quando a palavra dos autores é irrefutável? Quais evidências deram de que a informação estava tão bem guardada que Chico jamais poderia obtê-la por caminho terreno? Isso é o que eles acham, mas não quer dizer que seja o certo! Você diante de um clamoroso ad hoc acusando-me de recorrer a esse estratagema!
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De qualquer modo, deveria ter percebido que por essa trilha não se chega a conclusão satisfatória. Quem adepto da mediunidade minimizará a probabilidade de a informação ter chegado ao médium por caminho banal, embora este seja um dos pontos mais frágeis do relato. Transformar a fragilidade em evidência robusta, só porque “os autores disseram” não muda os fatos!
maio 6th, 2026 às 10:28 PM
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Tive que podar parte do texto e recorrer aos meus poderes paranormais…