Uma reanálise da ocorrência de recepção anômala de informações: o caso de Chico Xavier e Isidoro Duarte Santos

Pereira et al. (2026) analisam a ocorrência de recepção anômala de informações em uma sessão mediúnica gravada em áudio, realizada em 1955, com o médium brasileiro Chico Xavier, durante a visita do líder espírita português Isidoro Duarte Santos ao Brasil. O objetivo foi investigar a precisão das informações produzidas, a possibilidade de acesso por meios convencionais e a plausibilidade de hipóteses explicativas, com destaque para a mediunidade enquanto evidência da sobrevivência da consciência. Para os autores, as explicações convencionais — como fraude, criptomnésia, leitura fria ou acesso prévio a fontes escritas — mostraram-se insuficientes para explicar o conjunto dos dados. O estudo conclui que, diante da diversidade, complementaridade e alta precisão das informações, a hipótese da sobrevivência da consciência oferece uma explicação mais simples e parcimoniosa para os fenômenos observados. Veremos que este está longe de ser o caso. Para ler a refutação, clique aqui.

112 respostas a “Uma reanálise da ocorrência de recepção anômala de informações: o caso de Chico Xavier e Isidoro Duarte Santos”

  1. Alessandro Diz:

    Vale pena organizar o material e mandar para a mesma revista! Opa aí vamos descobrir quem é o famoso Míssel Crítico!

  2. C. Diz:

    Carlos, a Isabel e o marido moraram no Brasil, eram espíritas e frequentaram centros espíritas por muitos anos, e o Chico Xavier conhecia pessoas do meio espírita dos quatros cantos do Brasil.
    Eu penso que o estudo sob crítica não consegue garantir a impossibilidade de que alguém que conhecesse a Isabel ou o marido também conhecesse o Chico. Não houve qualquer controle sobre a possibilidade de outros familiares ou conhecidos dela já terem trocado correspondências com ele anteriormente. Se não tiveram nenhum método para descartar essas hipóteses, que seriam as mais comuns, a conclusão apresentada torna-se frágil.
    Tome como comparação os estudos feitos com a TRH (terapia de reposição hormonal) realizados nos anos 80. Eles mostravam que mulheres que utilizavam a TRH apresentavam taxas consideravelmente menores de ataques cardíacos, com uma redução de 30% a 50% em comparação às que não a utilizavam. Esses resultados levaram, por muito tempo, à ideia de que a TRH poderia ser usada não só para sintomas de menopausa, mas também como método de tratamento a doenças cardíacas.
    Estudos posteriores, mais rigorosos, mostraram que a história era outra: na década de 80, as mulheres que faziam TRH tendiam a ser de classe econômica mais alta, mais escolarizadas, com melhor acesso a médicos, diagnósticos, medicina preventiva e hábitos saudáveis. Esse perfil era a verdadeira causa da alta taxa de proteção cardíaca.
    Quando os estudos utilizaram mulheres que não faziam TRH anteriormente, e misturaram ricas, pobres, atletas e sedentárias em dois grupos distintos, sortearam um que iria usar TRH e outro o placebo, a incidência menor de eventos cardíacos em quem usou o tratamento desapareceu.
    Sem um controle rigoroso você não está observando a realidade, está apenas observando suas próprias expectativas. Se o estudo não dá conta de descartar a hipótese mais comum, a de que pessoas passaram informações ao Chico Xavier, ele serve apenas como narrativa propagandística, e não como evidência científica.

  3. William Anthony Mounter Diz:

    **Caro C.,**

    Li seu comentário com atenção, e agradeço pela seriedade com que você aborda a questão metodológica. Você tem um ponto válido: correlação não é causalidade, e vieses de seleção podem distorcer resultados. O exemplo da TRH (terapia de reposição hormonal) é uma ótima ilustração de como um controle inadequado pode levar a conclusões enganosas.

    No entanto, creio que você comete uma **falácia categorial** ao exigir que um estudo histórico sobre Chico Xavier atenda aos mesmos padrões de um ensaio clínico randomizado (ECR). Permita-me explicar por que essa exigência é epistemicamente problemática, a partir das ciências sociais, humanas e do marxismo.

    ## 1. ECRs servem para medicamentos, não para história

    Um ECR funciona para fenômenos **repetíveis**, **controláveis** e **manipuláveis experimentalmente**. Você pode sortear mil mulheres, dar TRH para metade e placebo para a outra, controlar variáveis de estilo de vida, e isolar o efeito do tratamento. Isso é maravilhoso — para a medicina.

    Agora, tente fazer isso com a história: pegue 100 médiuns, sorteie 50 para receberem visitas de portugueses com parentes falecidos, 50 para não receberem, e veja quem “acerta” as mensagens. Impossível. O passado não se repete em laboratório. Os atores históricos são singulares. O fenômeno Chico Xavier é um evento único, situado em um tempo e lugar específicos, com documentos, testemunhos e contextos que não podem ser randomizados.

    **Exigir “controle rigoroso” no sentido dos ECRs para um estudo histórico é cometer um erro categorial** — é como exigir que um peixe suba em árvore para depois dizer que ele não existe. As ciências humanas têm seus próprios critérios de validade: análise documental, triangulação de fontes, consistência interna, plausibilidade contextual, datação cruzada, etc. Esses critérios não são “menos rigorosos” — são **rigorosos de outra forma**, adequada ao seu objeto.

    ## 2. O problema da “regressão da dúvida”

    Você afirma que, se o estudo não descartou “a hipótese mais comum” (alguém passou informações a Chico), então sua conclusão é frágil. Mas qual seria o padrão de prova para descartar essa hipótese? Seria preciso monitorar 24 horas por dia, por anos, todas as interações de Chico com qualquer pessoa que pudesse ter contato com os visitantes portugueses? E mesmo assim, sempre se poderia alegar “e se houve um contato não documentado?”.

    Esse tipo de exigência leva ao que o filósofo Marcello Pera chamou de **“regressão da dúvida”**: sempre se pode pedir um controle a mais, uma variável a mais, uma fonte de erro a mais. No limite, nenhum conhecimento histórico seria possível — nem mesmo a afirmação de que Napoleão existiu, pois sempre se poderia alegar “e se todos os documentos foram forjados?”.

    O marxismo, desde seus clássicos, criticou esse **empiricismo abstrato** que exige “provas” impossíveis para fenômenos sociais complexos. Marx, em *O 18 Brumário*, não fez experimentos controlados; ele analisou documentos, discursos, relações de classe, e construiu uma explicação causal plausível. Ninguém exige que ele “controle” a variável “o que Napoleão III comeu no café da manhã” para validar sua análise.

    ## 3. O duplo padrão: por que essa exigência não é aplicada a outras áreas?

    Você aplica um padrão de “controle rigoroso” ao estudo espírita que **nunca** seria aplicado a outras áreas das ciências humanas. Pergunto, C.:

    – Quando um historiador conclui que a Inconfidência Mineira ocorreu por razões econômicas e iluministas, alguém exige um ECR randomizando Tiradentes e seus colegas?
    – Quando um sociólogo afirma que o aumento da desigualdade causa mais violência, alguém exige que se sorteie cidades para receber ou não desigualdade?
    – Quando um economista diz que o Plano Real controlou a inflação, alguém exige que se repita o período sem o plano para comparação?

    Claro que não. Nessas áreas, aceitamos **evidências históricas, estatísticas e comparativas** como suficientes. Por que, então, para o fenômeno mediúnico, exige-se um padrão impossível? A resposta, me parece, é **ideológica**: quando o fenômeno ameaça o paradigma materialista, elevam-se os critérios de prova ao infinito. É o que Imre Lakatos chamou de “blindagem do núcleo duro do programa de pesquisa” — protege-se o materialismo contra qualquer refutação potencial.

    ## 4. A hipótese do “vazamento de informação” não é uma explicação

    Você chama a hipótese de que “alguém passou informações a Chico” de “a mais comum”. Mas essa “comum” é comum para quem? Para o materialista que já parte do princípio de que mediunidade é impossível. Para o pesquisador sem compromisso a priori, a hipótese mais comum é a de que **se há múltiplos casos bem documentados de informação que Chico não poderia ter obtido por meios normais, então algo extraordinário pode estar ocorrendo**.

    Além disso, a hipótese do “vazamento” não é uma explicação — é um **nome para a ignorância**. Ela não especifica quem, como, quando, por que, e por que não deixou rastros. É uma hipótese ad hoc, invocada apenas para evitar a conclusão desconfortável. O marxismo, desde Engels, sempre alertou contra o uso de explicações ad hoc para proteger uma teoria da refutação. Quando os fatos contradizem a teoria, inventa-se uma causa oculta não verificada para salvá-la. Isso não é ciência — é apologética.

    ## 5. Ciência não é sinônimo de ECR

    C., seu comentário é um exemplo perfeito do que se discute na filosofia da ciência contemporânea: a tentativa de impor os padrões das ciências laboratoriais como única forma legítima de conhecimento, desqualificando todas as outras — história, sociologia, antropologia, psicanálise, e certamente qualquer estudo sobre fenômenos paranormais.

    Mas a realidade é mais complexa. A ciência é plural, não una. Há diferentes métodos para diferentes objetos. Exigir um ECR para estudar Chico Xavier é tão absurdo quanto exigir análise documental para testar um novo fármaco.

    As ciências humanas e o marxismo têm muito a contribuir para a compreensão de fenômenos como a mediunidade — não porque aceitem cegamente o sobrenatural, mas porque **reconhecem que a realidade é mais rica do que o que cabe nos protocolos de laboratório**. E porque sabem que a exigência de “controle rigoroso”, quando usada como arma de desqualificação, não é ciência — é política.

    ## Para encerrar

    C., não estou dizendo que o estudo sobre Chico Xavier seja perfeito ou incontestável. Estou dizendo que **o padrão de prova que você exige é inadequado para o objeto** e, se aplicado consistentemente, inviabilizaria qualquer conhecimento histórico ou social. Antes de acusar os outros de “narrativa propagandística”, que tal aplicar o mesmo “controle rigoroso” às suas próprias premissas? Que tal perguntar por que você aceita facilmente explicações ad hoc para fenômenos que desafiam seu paradigma, mas exige provas impossíveis do outro lado?

    A resposta pode ser desconfortável — mas, como diria Marx, a verdade é sempre revolucionária.

    Com respeito ao debate,
    **Um leitor das ciências humanas.**

  4. Carlos Diz:

    C.
    O artigo deve ter passado pelo processo de revisão por pares. É possível que as objeções que você comenta já tenham sido discutidas entre autores-revisores durante a revisão. Cabe agora manifestação do Pereira, que evidentemente o fará se provocado por alguém não convencido com os métodos/procedimentos adotados no trabalho.

  5. William Anthony Mounter Diz:

    É uma discussão bem complicada.

    Na prática, se formos fazer isso em praticamente todos os artigos, vamos ver que isso sempre acontece.

    Inclusive citando o C. até mesmo é possível fazer a mesma coisa com estudos controlados, estudos duplo-cego e afins. O que concluímos que a questão social, cultural, econômica, de situação/local e afins estão até mesmo presentes nestas situações.

    Enfim, essa discussão entraria em um campo onde que iria requer a gente pensar em literalmente n-dimensões. Para ver como que a realidade é bem mais complexa que a lógica clássica ocidental…

    Como Carlos disse, certamente isso foi discutido durante a revisão por pares. Então faço as palavras dos Carlos as minhas palavras neste ponto específico.

  6. MOIZES Diz:

    /
    Entendi nada não! Sumiram diversos comentários, inclusive meus!
    .
    Coisa estranha…

  7. Vitor Diz:

    Moizés,
    Estou apagando as discussões com o William e os alter-egos dele porque eles escrevem textos quilométricos, às vezes desfigurados, tornando o ambiente no blog totalmente insalubre, insuportável. Continuarei a fazer isso até que se manquem, mas não aprendem, continuam a escrever textos quilométricos, estou vetando as novas respostas deles.

    Quando aprenderem que ninguém tem tempo para ler textos quilométricos gerados por IA, aí poderei voltar a publicar textos deles.

  8. MOIZES Diz:

    /
    VITOR DISSE:
    Moizés,
    Estou apagando as discussões com o William e os alter-egos dele porque eles escrevem textos quilométricos, às vezes desfigurados, tornando o ambiente no blog totalmente insalubre, insuportável. Continuarei a fazer isso até que se manquem, mas não aprendem, continuam a escrever textos quilométricos, estou vetando as novas respostas deles.
    /
    COMENTÁRIO: Acontece que ficou um texto do Mounter, ao qual avaliei:
    .
    ——————————
    William Anthony Mounter Diz:
    abril 19th, 2026 às 6:38 PM
    **Caro C.,**
    —————————–
    .
    MInha resposta foi eliminada, mas o textão dele permanece…

  9. Vitor Diz:

    Montalvão, sua resposta começou com “WILLIAM ANTHONY MOUNTER, seu texto de abril 19th, 2026 às 6:51 PM” e o texto dele, como você mesmo disse agora, é de “abril 19th, 2026 às 6:38 PM”, por isso eliminei pois achei que se referia a um texto já apagado.

  10. Gorducho Diz:

    M/modo de ver sobre a estrutura dos Comentários
     
     
    · Suficientemente sucintos & focados n’1 único ponto, pra permitir aos demais Comentaristas responderem.
    Desejando abordar outros aspectos, fazê-lo noutros Comentários, de modo que respostas possam ser dadas a cada ponto individualizadamente.
     
    · Uso de redação via AI só como auxiliar em pequenos específicos segmentos da argumentação REDIGIDA PELO(A) COMENTARISTA.
    Quotes só de trechos relevantes da(s) fonte(s).
    Claro: depois referenciá-las, incluída(s) AI(s) se for o caso.

  11. William Diz:

    Então Gorducho, você aplica isso para debunking/debunkismo como um todo? Caso contrário, isso é só mesmo questão de ideologia, de política e de poder. E o fato de que certamente o Vitor não irá aprovar este comentário só prova que isso aqui não é sobre ciência, nunca foi e nunca será.

  12. Vitor Diz:

    William, se você quiser escrever textos quilométricos, salva em word e depois salva no box. Aí em vez de fazer flood aqui, apenas põe o link para o seu texto exatamente como eu faço para os meus.
    Aprenda que blog não é lugar pra textão. Se quiser textão publica um livro. Blog não é pra isso.

  13. Gorducho Diz:

    ============================================================
    Sr. William disse:

    você aplica isso para debunking/debunkismo como um todo?

    ============================================================
    Pra qualquer comentário pertinente — por definição, claro — à temática da Casa.
    Es decir: Espiritismo + Parapsicologia.
    E sim, certamente debunking faz parte de temas pertinentes, desde que relativos aos 2 focos da Casa.
     
    E os Comentários devem propiciar a quem quiser, responder objetivamente, ponto-por-ponto.
    Por isso devem ter 1 tamanho suscinto, e focar cada 1 n’1 aspecto. Isso pra permitir respostas específicas.
    Pois se não houver respostas e debates, não faz sentido o Sítio.
    Note que Comentários Artigo ou Monografia.

  14. William Diz:

    Então, Vitor e Gorducho, os textos quilométricos eu prefiro escrever no Google Docs já que eu tenho mais afinidade e me sinto mais a vontade lá. Apesar que eu nem sei se realmente vale a pena, pois penso que seria melhor eu criar o meu próprio blog.
    Já sobre o Debunkismo e temas afins, bem, nem vou entrar neste mérito pq existem literaturas de ambos os lados sobre este tema e relacionados.
    Já sobre as leis da física e afins, bem, eu sei que não vale a pena discutir sobre isso já que isso seria igual como discutir sobre o Warp Drive de Alcubierre e se o mesmo violaria ou não as leis da física. Assim como discutir sobre formas onde que a Comunicação FTL e Viagem FTL seriam possíveis.
    Já sobre Chico Xavier e afins, bem, eu sei que a discussão aqui já se mostrou não ser apenas sobre o espiritismo mas sobre todas as religiões no geral.
    Mas sobre a Navalha de Ockham, bem, essa hipótese do vazamento requer que haja conspirações enormes que beiram teorias da conspiração. Então isso é algo que cabe muito bem discutir sobre a filosofia da ciência e a filosofia da epistemologia/conhecimento/realidade.
    Já sobre o argumento das leis da física e da natureza, penso que ambos, Luke Smith e Nassim Nicholas Taleb já falaram sobre como que este argumento de Hume e afins é problemático e um argumento metafísico.

  15. William Diz:

    Mas de qualquer forma, obrigado Moizes por mostrar que a questão aqui não é apenas sobre espiritismo, mas sim sobre todas as religiões, por mais que o Vitor negue isso até o fim.

    Ou seja, a disputa aqui não é apenas científica, ela também é sobre política, sobre poder, sobre ideologia, sobre religião e afins. Por mais que o Vitor fale que não, não e não.

    Enfim, não vou comentar muito para o Vitor não apagar estes meus comentários aqui. Mas de qualquer forma Moizes, você é bem mais honesto que Montalvão quando se trata deste tema.

    A questão nunca foi o “combate ao charlatanismo/fraude do espiritismo” nem sobre “espiritismo é caso de psiquiatria e de polícia.” E sim sobre desacreditar religião, espiritualidade e afins. Assim como tratar religião, espiritualidade e afins como caso de psiquiatria e de polícia…

    Obrigado de novo pela honestidade Moizes. Talvez vc deveria assistir Jiang Xueqin e ver como que o Brasil não existe na prática, igual como ele prova que não existe estados nação no “mundo físico” na série dele História Secreta. Assim como que a ciência, ateísmo, as leis da física/natureza e afins também são religiões.

  16. William Diz:

    Caro Moizes,
    Pelo que parece você tem um conhecimento bem avançado em física.
    Qual a tua posição sobre este artigo aqui?
    https://obraspsicografadas.org/2012/fsica-moderna-e-mundos-sutis/
    Fique a vontade para escrever um Box ou um comentário longo no artigo do link.
    Ele fala várias coisas que contradizem o que você disse sobre a ciência mostrar que a mediunidade e afins são “impossíveis.” Ele diz que mediunudade e afins são possíveis.
    Assim como ele deixa implícito que nem toda pseudociência/pseudagem é a mesma coisa na prática.
    Ou seja, que a fronteira entre ciência e pseudociência é algo fuzzy e n-dimensional, ao invés de branco e preto como que vários divulgadores científicos e a própria Wikipedia tentam impor para todos.
    Aguardo resposta.

  17. MOIZES Diz:

    /
    Vitor Diz:
    abril 27th, 2026 às 6:03 PM
    Montalvão, sua resposta começou com “WILLIAM ANTHONY MOUNTER, seu texto de abril 19th, 2026 às 6:51 PM” e o texto dele, como você mesmo disse agora, é de “abril 19th, 2026 às 6:38 PM”, por isso eliminei pois achei que se referia a um texto já apagado.
    /
    COMENTÁRIO: tem razão. O Mounter respondera a um texto do C. às 6:38, depois, às 6:51 acrescentou novas considerações. Eu havia selecionado este último (6:51) e fiz as apreciações que julguei cabíveis. Devia ter abordado os dois, só que, haja saco para ler milhas e milhas de ponderações mounterianas! Se tiver um tempo sobrando, pegarei o escrito que restou e criticarei.

  18. William Diz:

    Aproveita Moizes, e critique este artigo aqui em questão: https://obraspsicografadas.org/2012/fsica-moderna-e-mundos-sutis/

    Estou curioso para ver quantas “falácias lógicas” e “vieses cognitivos” o astrofísico Robert D. Klauber cometeu neste artigo em questão.

    Isso vai ser interessante pq certamente vai ser um exemplo de como as hipóteses do Generativismo Lógico e da Recursividade Lógica são de fato válidas, que por exemplo, a propriedade de gerar falácias lógicas e vieses cognitivos em literalmente quaisquer argumentos e em quaisquer textos, inclusive em até mesmo artigos da Nature e da Wikipedia.

    É tipo como você apontar quantas falácias lógicas e vieses cognitivos Miguel Alcubierre cometeu naquele artigo que ele propôs aquele método do Warp Drive que é sobre viagem FTL.

    O que é irônico já que desta forma entramos no que podemos chamar de “transcológica” que é isso de tratar a lógica e afins como estando em um plano paralelo e transcendental ao plano material estilo como a teologia era tratada na idade média.

    Mas enfim, Moizes, obrigado por mostrar que o debate aqui não é apenas sobre ser contra o espiritismo, mas sim ser contra religião como um todo. De novo, todas as religiões tem direito de haver seus milagres e afins. Assim como suas próprias metafísicas. Inclusive até mesmo o próprio ateísmo de Internet e o próprio debunkismo de Internet possuem suas próprias metafísicas e afins. Mas isso eu penso que qualquer um que estude ciências sociais/humanas aplicadas pode entender muito bem.

    Enfim, a hipótese do Universo Sandbox não é um “Ad Hoc” para mediunidade, e sim uma hipótese para também explicar como que viagem FTL e comunicação FTL são possíveis. Mas na prática, a mediunidade não viola as leis da física, basta ler o artigo “Física Moderna e Mundos Sutis: Não Mutuamente Excludentes ” de Robert D. Klauber. A menos que você refute o artigo ponto por ponto. Tudo bem então.

    Mas não é pq algo é considerado pseudociência hoje que quer dizer que é 100% falso/mentira, inclusive temos vários exemplos históricos e atuais de como que o conceito de ciência e pseudociência são conceitos políticos, ideológicos e sociais. Isso é método histórico-dialético aplicado. Exemplo, existe todo um lobby para considerarem o Marxismo como pseudagem, ao mesmo tempo que há toda uma campanha de legitimação do QI como ciência mesmo com Nassim Nicholas Taleb provando que QI é 100% pseudagem.

    Enfim, proselitismo/pregação ateia/científica/debunkista ainda é proselitismo/pregação, mas eu sei que aqui não é o lugar para debater isso. O ateísmo, a ciência, debunkismo e afins são ideologias na questão social etc.

    Mas sim, se vc quer discutir sobre Jiang Xueqin e como que estados nação, dinheiro, indivíduos, fronteiras nacionais, sistemas jurídicos e afins são pseudagens, então tudo bem. Igual como eu discuti com o Vitor sobre como que democracia é pseudagem e que não há problema em defender que a constituição de 1988 seja substituída por uma copicola da constituição chinesa de 1982/2018.

    Enfim, já falei demais sobre isso.

  19. William Diz:

    Ainda sim, Moizes.

    A minha crítica ao C. ainda é válida.

    Pois tipo, poderíamos também falar em reducionismo de controle rigoroso.

    É possível tornar qualquer coisa em placebo ou em igual a placebo se você forçar o controle demais.

    Eu sei que isso ainda não tem um nome acadêmico, mas é um fenômeno que acontece bastante, onde que você consegue tornar qualquer coisa em placebo se você forçar demais o controle rigoroso.

    A exigência de “controle rigoroso” pode ser levada a um extremo tal que qualquer fenômeno se dissolve em placebo ou artefato estatístico. Não é um princípio científico universal; é uma estratégia de invalidação disfarçada de método.

    Se levarmos o controle ao paroxismo – exigindo replicação infinita, cegamento total, randomização perfeita, ausência de qualquer variável não controlada –, conseguimos anular até os efeitos mais robustos da medicina. O próprio efeito placebo é um exemplo: ele não desaparece quando controlamos; ele é o controle. A homeopatia, quando testada sob protocolos extremamente rigorosos, frequentemente apresenta resultados nulos – mas isso não prova que a homeopatia não tenha nenhum efeito; prova que os protocolos foram desenhados para eliminar justamente a dimensão subjetiva (a relação terapêutica, a expectativa, o ritual) que poderia ser seu mecanismo de ação. Não apenas a homeopatia, o mesmo se aplica para suplementos, para vitaminas e até mesmo para qualquer remédio e até mesmo para alimentos e praticamente qualquer coisa.

    O mesmo vale para a mediunidade. Se você exige que o médium funcione como uma máquina de medir, em ambiente hostil, com experimentadores céticos e controles que eliminam qualquer possibilidade de sintonia, você não está testando a mediunidade – está garantindo sua falha. É como testar a capacidade de um atleta de correr amarrando seus pés.

    Chamo isso de reducionismo de controle rigoroso (RCG): a crença de que quanto mais controle, mais “científico” é o experimento, ignorando que o controle excessivo pode destruir o próprio fenômeno. Na física quântica, a medição destrói o estado quântico. Na psicologia, o ambiente laboratorial inibe comportamentos naturais. Na parapsicologia, o “panóptico científico” impede a ocorrência do psi.

  20. William Diz:

    Então Moizes,

    Você insiste que a mediunidade é impossível porque violaria as leis da física. Pois bem. O artigo do astrofísico Robert D. Klauber, Física Moderna e Mundos Sutis: Não Mutuamente Excludentes (2000), publicado no Journal of Scientific Exploration, demonstra exatamente o oposto: a física moderna não apenas permite, como torna perfeitamente plausível a existência de mundos sutis (espíritos, anjos, outros planos) sem qualquer contradição com as leis conhecidas.

    Klauber parte de um fato simples, mas revolucionário: a descoberta de De Broglie de que todas as partículas são ondas. Isso significa que múltiplas partículas podem ocupar a mesma região do espaço simultaneamente, assim como ondas na água se cruzam sem se destruir. A razão pela qual sua mão não atravessa uma porta não é porque o espaço é “sólido”, mas porque os elétrons da sua mão interagem com os elétrons da porta via troca de fótons virtuais (força eletromagnética). Se essa interação não existisse, sua mão passaria pela porta como se ela não estivesse lá – exatamente o que acontece com neutrinos, que atravessam bilhões de partículas sem sentir nada.

    Ora, se há partículas que interagem apenas pela força fraca (neutrinos levógiros) e outras que não interagem por nenhuma das quatro forças conhecidas (neutrinos dextrogiros), então nada impede a existência de famílias inteiras de partículas com interações próprias, desconectadas das nossas. Essas partículas poderiam formar átomos, moléculas, estruturas complexas, até seres conscientes – e tudo isso coexistindo no mesmo espaço que nós, sem jamais serem detectados por nossos instrumentos, porque não há união (interação) entre os dois sistemas.

    Klauber conclui: “Se há uma tal outra família, por que não muitas?” É aí que entramos na Hipótese do Universo Sandbox: a realidade pode ser estratificada em múltiplas camadas (sandboxes) com regras próprias. O hiperespaço, a hiperfísica, o hipéruniverso – todos são nomes para essa mesma possibilidade: domínios ontológicos superpostos, mas causalmente isolados ou fracamente acoplados.

    E mais: se o acoplamento é fraco ou seletivo, então fenômenos como mediunidade, materialização macroscópica e EQM seriam justamente momentos de interação entre sandboxes. O vácuo quântico, longe de ser “nada”, é o substrato onde essas flutuações e acoplamentos poderiam ocorrer. A materialização de objetos, a comunicação com espíritos, a reencarnação – tudo isso se torna natural, não violação de leis, mas efeitos de uma física mais ampla que ainda não mapeamos.

    Portanto, Moisés, quando você exige “provas” no padrão ECR, está ignorando que a própria física teórica já abriu a porta para o que você chama de “sobrenatural”. A diferença é que você parou no século XIX. A física do século XXI está muito mais perto do espiritismo do que você imagina.

  21. Gorducho Diz:

    Puxa Sr. William: ele nem começou a responder e o Sr. já fez 3 comentários mencionando e.g.:
    · Generativismo Lógico e Recursividade Lógica;
    · Alcubierre Drive;
    · Universo Sandbox;
    · método histórico-dialético aplicado;
    · QI;
    · estados nação, dinheiro, indivíduos, fronteiras nacionais, sistemas jurídicos;
    · democracia.
    Wow❗
     
    Ele foi durante bastante tempo o Líder da nossa Bancada Cética cá na Casa. Proponho que ele inicie respondendo a

    Então Moizes,
    Você insiste que a mediunidade é impossível porque violaria as leis da física.

    Mas o Sr. precisa dar tempo pra ele ou qualquer outro debatedor responder.
    A pontos específicos, explícitos, claro.
    🆗❔

  22. William Diz:

    Oi Gorducho, bem me desculpe pelo comentário longo, eu não resisti.
    Só mais última coisa, Moizes, então, o que definimos como ciência e pseudociência é sim socialmente construído e uma construção política e ideológica, o que definimos como fatos e como consenso parte de todo um tratado social e político. Isso não é “pós-modernismo relativista”, e sim apenas materialismo histórico-dialético aplicado. Bem, eu poderia entrar na discussão sobre a dialética entre a realidade material e a ciência como consensos/fatos que criamos sobre a realidade material. Inclusive Kant falou bastante sobre isso.
    Enfim, as nossas leis da física não são absolutas, nem mesmo a ciência ela é absoluta, há várias hipóteses e afins que explicam a mediunidade e afins. E outra, nem toda pseudociência é igual, ciência e pseudociência é como a lógica fuzzy, você tem um espaço/espectro literalmente infinito entre ciência e pseudociência igual como a lógica fuzzy diz que há um espaço infinito entre 0 e 1.
    A Wikipedia e vários divulgadores científicos e até mesmo a própria filosofia analítica foram hard-coded para que não consigamos pensar assim. É complicado isso na prática. Infelizmente a lógica formal clássica ocidental foi e é bastante benéfica para o capitalismo pós-WW2. Mas enfim, eu penso que isso é mais um tema para você refutar.
    Na prática, crenças espirituais/sobrenaturais/paranormais/religiosas não podem ser testadas objetivamente, o que você tem são aproximações/sugestões materiais/naturais. Por isso que a lógica fuzzy e a metodologia fuzzy são importante. Sem contar que os próprios conceitos de sistemas emergentes e de sistemas dinâmicos-complexos mostram que a mediunidade e afins não são pseudagem igual a Terra Plana. Infelizmente há um lobby extremo para que não consigamos pensar assim. Inclusive, a Senhorita Bira fez um vídeo recente sobre este tema, dando como exemplo o DSM-5 e o conceito de esquizofrenia.
    Enfim, eu acho que eu falei demais, agora vou esperar a resposta de Moizes, como Gorducho disse.
    Sim Gorducho, era só mais isso que eu queria adicionar ao debate.

  23. William Diz:

    Aqui estão os artigos do Luke Smith sobre o tema:

    https://archive.ph/VEpBW
    https://archive.ph/2qxpw
    https://archive.ph/XJJDk
    https://archive.ph/9zgLv
    https://archive.ph/Rm3eD
    https://archive.ph/FA22E
    https://archive.ph/1Dp4Q
    https://archive.ph/ILUPz

  24. William Diz:

    Caro Moizes.

    Desculpa te mandar mais links aqui, mas eu gostaria de saber o que você pensa destes artigos do/da ??zhenli:

    https://archive.ph/vCyTJ
    https://archive.ph/npKBO
    https://archive.ph/dqlmR
    https://archive.ph/D6kMU
    https://archive.ph/pu4Dc

    Ele/ela e é materialista e não acredita no Sobrenatural, mas ele/ela fala muitas coisas interessantes sobre o tema.

  25. MOIZÉS Diz:

    /
    William Diz:
    abril 28th, 2026 às 4:52 PM
    Mas de qualquer forma, obrigado Moizes por mostrar que a questão aqui não é apenas sobre espiritismo, mas sim sobre todas as religiões, por mais que o Vitor negue isso até o fim.
    .
    COMENTÁRIO: Não entendi bem… “a questão aqui não é apenas sobre espiritismo”? Creio que é sim. Certo que se pode estendê-la a outras religiões, mas para quê, se o estudo tem por meta avaliar a alegação de que Chico recebia informações da espiritualidade? Se for possível provar que o homem de Uberaba efetivamente se articulava com espíritos, pode-se inferir que, além dele, outros tenham igual capacidade. As decorrências dessa prova (desde que concretamente estabelecida) seriam inimagináveis!
    .
    A mediunidade precisa primeiro ser devidamente elucidada: se a espiritualidade comunica com a matéria, essa descoberta não pode ficar restrita ao entorno mediúnico, aí sim, deve ser estendida a todos os segmentos religiosos!
    .
    A meu ver, “a questão aqui” está em conferir se realmente a única, ou a melhor, explicação para o teatro de Chico Xavier seja admitir que mortos com ele conversavam.
    .
    Tenho milhões de razões para defender que mortos NÃO falavam com Chico, tampouco falam com qualquer outro ser vivo (ou encarnado, conforme linguajar espírita). E, digo mais, é muito fácil verificar isso, mais fácil que mastigar água. O problema é que os espíritas não querem saber de realizar os experimentos que responderiam taxativamente se sim ou não. Preferem ficar contando acertos em cartinhas ditas psicografadas. Esse tipo de prova é prova que nada prova.
    /
    /
    William Diz:
    Ou seja, a disputa aqui não é apenas científica, ela também é sobre política, sobre poder, sobre ideologia, sobre religião e afins. Por mais que o Vitor fale que não, não e não.
    .
    COMENTÁRIO: a “disputa” vai ser sobre esses trecos todos que cita só se você quiser e achar quem também queira ampliar o escopo da discussão ao infinito!
    .
    A discussão propõe avaliar um estudo – em minha opinião, pseudocientífico –, que intenta provar que a mediunidade é fato! E como busca dar essa prova? Brincando de contar acertos em psicografias! Estudos dessa natureza não têm nada de científico quando aplicados à acreditada comunicação entre mortos e vivos, podes crer!
    .
    Anote aí no seu caderninho, para meditar nas horas insones: não faz sentido usar a coisa a ser provada como prova do que se quer provar! Se não entendeu, explico: o intercâmbio entre mortos e vivos não está demonstrado de forma cabal, é apenas crença cultivada pelos adeptos dessa ideia!
    /
    /
    William Diz:
    Enfim, não vou comentar muito para o Vitor não apagar estes meus comentários aqui. Mas de qualquer forma Moizes, você é bem mais honesto que Montalvão quando se trata deste tema.
    .
    COMENTÁRIO: tenho dó do Montalvão. Ele bem que tentou enfrentar – como foi mesmo que ele disse? – a “maçaroca” de considerações que jorravam de seus prolongados textos. O erro dele foi tentar responder quesito por quesito, quando deveria ter identificado o cerne equivocado de suas ponderações e denunciá-lo.
    .
    Responder quesito por quesito dá certo quando se aborda considerações de tamanho civilizado, como é o caso do texto que ora respondo. Seu pronunciamento atual se presta a esse procedimento, diferentemente dos que pôs em outros títulos.
    /
    /
    William Diz:
    A questão nunca foi o “combate ao charlatanismo/fraude do espiritismo” nem sobre “espiritismo é caso de psiquiatria e de polícia.” E sim sobre desacreditar religião, espiritualidade e afins. Assim como tratar religião, espiritualidade e afins como caso de psiquiatria e de polícia…
    .
    COMENTÁRIO: creio que está equivocado… se não sou eu que me equivoco, a ideia de “combater charlatanismo/fraude do espiritismo” não seria bem a pretensão das conversas aqui havidas, mas cada participante expor seus pontos de vista a respeito dos assuntos veiculados, quer sejam favoráveis ou contrários.
    .
    Há velho ditado que reza: “da discussão nasce a luz”. Isso quer dizer que quando as pessoas discutem (em vez de debater) buscam a melhor compreensão do tema em pauta. O confronto de argumentos tende deixar os envolvidos melhor ilustrados, mesmo que não mudem de opinião.
    /
    /
    William Diz:
    Obrigado de novo pela honestidade Moizes. Talvez vc deveria assistir Jiang Xueqin e ver como que o Brasil não existe na prática, igual como ele prova que não existe estados nação no “mundo físico” na série dele História Secreta. Assim como que a ciência, ateísmo, as leis da física/natureza e afins também são religiões.
    .
    COMENTÁRIO: Se quiser trazer Jiang Xueqin para ser avaliado, proponha ao Vitor apresentar texto do referido, desde que esteja afinado com os temas de estudo do blog. Pode ser que ele tope. Só que, pelo que diz, as ideias de Xuequin são pra lá de espantosas! O sujeito “provar” que não existem estados-nação e pôr ciência, ateísmo, leis científicas “e afins” no mesmo saco das religiões não é pra qualquer um!

  26. MOIZÉS Diz:

    /
    William Diz:

    Caro Moizes,
    Pelo que parece você tem um conhecimento bem avançado em física.
    Qual a tua posição sobre este artigo aqui?
    https://obraspsicografadas.org/2012/fsica-moderna-e-mundos-sutis/
    Fique a vontade para escrever um Box ou um comentário longo no artigo do link.
    .
    COMENTÁRIO: vou ver se acho um tempo para examinar o material. Mas, não superestime meu “conhecimento avançado em física”, o físico do blog é o nosso amigo Gorducho…

  27. Gorducho Diz:

    =======================================================
    Analista MOIZÉS disse:

    o físico do blog é o nosso amigo Gorducho…

    =======================================================
    👎 MechEng.
    Mas então irei responder pra eliminar esta pendência… 
    Sr. William: não cabe cá analisar o citado artigo, pois a questão não deve ser posta em termos do arcabouço da Física atual.
    Veja: ~126 anos atrás os fenômenos quânticos seriam considerados a priori impossíveis.
    Bem como a Relatividade ainda não desenvolvida.
    Pros nossos fins cá, se trata de verificar se seres ultramundanos normalmente invisíveis pra nós — = espíritos no Espiritismo — podem e soem se comunicar com pessoas particularmente dotadas — = médiums no Espiritismo.
    Esta é a discussão pertinente à Casa.

  28. William Diz:

    Caros Moisés, Gorducho e Vitor,

    Agradeço pelas respostas e pela oportunidade de aprofundar este debate que, ao longo destas mensagens, revelou camadas muito mais amplas do que a simples discussão sobre se Chico Xavier falava ou não com mortos. Acumularam-se argumentos sobre o estudo de 2026, sobre física, parapsicologia, epistemologia, sobre a relação entre ciência e poder e, sobretudo, sobre o lugar que reservamos ao espiritual num mundo dominado por um certo discurso científico. Tentarei, neste comentário único, reunir esses marcos de forma ordenada, mostrando que o cerne da questão não é um caso isolado, mas a legitimidade de investigar fenômenos que o materialismo dogmático descarta antes de examinar.

    Comecemos pelo recorte que vocês propõem. Moisés, você afirma que a discussão é apenas sobre Chico Xavier e a mediunidade, sem ampliar para “todas as religiões”. Em tese, concordo: o estudo de Pereira et al. é específico, centrado no caso Isidoro Duarte Santos. No entanto, o ceticismo que você aplica a esse caso é exatamente o mesmo gesto que os debunkistas dirigem a qualquer manifestação espiritual, mas com uma assimetria reveladora. Quando o alvo é uma psicografia, exige-se “provas controladas” com um padrão quase impossível; quando o alvo são as aparições de Fátima, os milagres eucarísticos ou a ressurreição de Jesus, a exigência desaparece e vira “questão de fé respeitável”. Se você não reconhece essa hierarquia de legitimidade, sugiro uma reflexão sincera. Você afirma que “é muito fácil verificar que mortos NÃO falam com vivos”. Ótimo. Então proponha um experimento que ambos os lados aceitem e que refute definitivamente a mediunidade. Mas cuidado: se o experimento for desenhado de modo que o médium não possa “ganhar” — replicação imediata em ambiente hostil, sem qualquer sintonia — você não estará testando a mediunidade, estará garantindo sua falha. É o que chamo de reducionismo de controle rigoroso.

    Você critica o que chama de “contar acertos em cartinhas psicografadas” e acusa os espíritas de não quererem realizar experimentos. Mas o estudo de Pereira et al. não é sobre cartinhas; é sobre uma sessão gravada em áudio em 1955, com testemunhas, na qual Chico forneceu nomes, datas e eventos privados que, segundo os autores, não poderiam ter sido obtidos por meios normais. Reduzi-lo a “brincar de contar acertos” é desqualificação, não refutação. Se você acha que o estudo está errado, aponte qual explicação convencional se aplica ao caso e mostre evidência de vazamento ou fraude, não uma suposição ad hoc. Quanto à alegação de que espíritas fogem de laboratório, isso é simplesmente falso. Charles Tart, Karlis Osis, Julie Beischel, Dean Radin e muitos outros conduziram pesquisas controladas com médiuns, publicaram em periódicos revisados por pares e obtiveram resultados positivos, ainda que modestos. O problema não é falta de experimentos; é que, quando os resultados desafiam o paradigma, a fasquia sobe: exige-se replicação independente, amostras maiores, controle de viés. Quando essas exigências são atendidas em metanálises, recua-se para “não há mecanismo conhecido”. É uma escada rolante da dúvida que nunca se satisfaz, porque sua função não é chegar, mas manter o ceticismo permanentemente insaciável.

    Gorducho, você insiste em que o artigo de Klauber não é pertinente, pois o foco deve ser apenas “verificar se espíritos se comunicam com médiuns”. Com todo respeito, essa separação é artificial e ignorá-la seria como projetar uma ponte sem considerar a física do solo. A pergunta “é fisicamente possível?” é prévia e central. Klauber demonstra, a partir da teoria quântica de campos, que mundos sutis podem coexistir conosco sem qualquer contradição com a física atual. Partículas podem ocupar o mesmo espaço sem interagir, assim como neutrinos atravessam nosso corpo sem serem detectados. Se existem famílias inteiras de partículas que não interagem por nenhuma das quatro forças conhecidas, elas podem formar ecossistemas próprios, com sua própria química e, potencialmente, seres conscientes. Isso não prova a mediunidade, mas derruba o principal argumento materialista: o de que “as leis da física proíbem”. A mediunidade seria justamente um acoplamento fraco e intermitente entre esses mundos, talvez mediado por flutuações quânticas coerentes no cérebro de um médium sensibilizado. Você é engenheiro, sabe que a realidade física não se esgota no que os sentidos captam; por que excluir a priori essa possibilidade?

  29. Gorducho Diz:

    =======================================================
    Sr. William disse:

    você insiste em que o artigo de Klauber não é pertinente porque a discussão deve se ater a “verificar se espíritos se comunicam com médiuns”. Com todo respeito, essa separação é artificial e ignorá-la seria como projetar uma ponte sem considerar a física do solo. Klauber demonstra, a partir da teoria quântica de campos, que mundos sutis podem coexistir conosco sem qualquer contradição com a física atual.

    =======================================================
    “Separação” nenhuma👎
    Admitamos pra efeitos das nossas discussões cá, que sim, é possível👍
    Possibilidade teórica existência na realidade “extra teórica” so to speak. Só comprovação experimental pode dizer se QUALQUER Teoria tem correspondência c/a realidade.
    Lógico que não falo pelos outros debatedores, em particular pelo Sr. Administrador. Mas falei que pra nós interessa cá comprovações experimentais, podendo-se admitir em tese possibilidade teórica.
    Eu particularmente admito in abstracto a possibilidade. Meu interesse é verificação experimental, não possibilidade teórica.
    Note que eu me CRIEI no Espiritismo, então pra mim possibilidade em tese sempre resultou natural.
    E também aprendi que a Física não pode ser limitada a priori, então pra mim não é esse o ponto focal.

  30. William Diz:

    Para Gorducho

    Você acaba de escrever algo que merece ser posto em itálico, sublinhado e talvez emoldurado:

    “Admitamos pra efeitos das nossas discussões cá, que sim, é possível. Possibilidade teórica ? existência na realidade… Meu interesse é verificação experimental, não possibilidade teórica.”

    Aceito de bom grado. E registro o valor dessa concessão, porque ela já delimita o alcance da réplica: não estamos mais discutindo se é possível; estamos discutindo o que fazer com os experimentos que temos.

    E aqui, caro Gorducho, está o nó. Você diz que seu foco é a comprovação experimental. Mas comprovar, em ciência, nunca é binário, nunca é um interruptor que se acende num único ECR definitivo. É sempre uma questão de peso cumulativo, de convergência de linhas independentes. Essa é a lição de consiliencia de Whewell, que EO Wilson retomou: quando múltiplas linhas de evidência apontam para o mesmo lugar, a conclusão se fortalece muito além do que qualquer experimento isolado poderia garantir.

    Que linhas temos? Não são poucas. O estudo de Pereira et al. com Chico Xavier, que traz informações específicas não disponíveis em fontes públicas. As metanálises de Radin e Utts sobre Ganzfeld, cujos resultados positivos não são explicados por viés de publicação, como Bancel mostrou em 2018. A replicação independente de Bem sobre precognição, contestada mas replicada. Os estudos triple-blind de Julie Beischel com médiuns, publicados em periódicos revisados por pares. E, saindo da parapsicologia para o campo do que já é aceito, a própria física de Klauber — que você, para efeitos da discussão, admite — oferece o arcabouço que torna o fenômeno plausível.

    Ora, se nenhuma dessas linhas, isoladamente, “prova” de forma cabal a mediunidade, sua convergência é, no mínimo, um sinal de que não se trata de pura fantasia. O alienígena da parábola de Luke Smith que postula peças no tabuleiro de xadrez está, afinal, mais perto da verdade do que o cético que atribui tudo ao cara-ou-coroa.

    Você se criou no Espiritismo. Sabe, portanto, que a mediunidade não é um fenômeno que se reproduza sob as luzes frias de um laboratório hostil, com um médium tratado como réu e não como sujeito de uma experiência intersubjetiva. Isso não é desculpa para ausência de controle; é reconhecimento de que o fenômeno tem ontologia própria. Exigir replicação mecânica imediata de um evento que envolve vontades livres é o tal erro categorial que mencionei — como exigir do gato o comportamento do elétron.

    Dito isso, você está certo em separar possibilidade teórica de existência real. O que lhe peço é que aplique o mesmo critério com equanimidade: se a física de Klauber é “admissível em tese”, então os experimentos que temos não precisam derrubar toda a física conhecida para serem levados a sério. Eles só precisam ser bons o suficiente para que a hipótese da sobrevivência da consciência não seja descartada com um riso. E, pelo que os dados mostram, eles já são.

  31. William Diz:

    Gorducho

    Sua concessão — “admitamos que sim, é possível” — tem implicações mais profundas do que talvez você imaginasse ao escrevê-la. Permita-me explorar duas delas.

    Primeira: a companhia que você acaba de ganhar. Se mundos sutis coexistentes são fisicamente admissíveis, então não é só o Espiritismo que ganha um fundamento de plausibilidade. O Céu e o Inferno cristãos, o Paraíso islâmico, os reinos de devas do hinduísmo, os estados de Bardo do budismo tibetano, o Orun do candomblé, o mundo dos ancestrais das tradições indígenas — todos eles, em tese, encontram abrigo sob o mesmo guarda-chuva teórico. Não estou dizendo que todos são verdadeiros ou idênticos; estou dizendo que a física que você admite não faz distinção entre o plano espiritual de Chico Xavier e a Jerusalém celeste de Agostinho. Se a estrutura do universo comporta dimensões sutis, então a experiência religiosa da humanidade — que é virtualmente unânime em postular tais realidades — deixa de ser “ilusão coletiva” para tornar-se, no mínimo, intuição digna de investigação. O cético que ridiculariza o espiritismo mas respeita a ressurreição de Jesus está, a partir de agora, em dívida epistêmica com você: terá que explicar por que a mesma física que torna o primeiro plausível não se aplica à segunda.

    Segunda: a causalidade não é o obstáculo que se imagina. Você se criou no Espiritismo e sabe que a objeção clássica à comunicação com espíritos é que ela exigiria um “sinal” viajando mais rápido que a luz, violando a causalidade relativística. Mas isso só é verdade para sinais que atravessam o espaço-tempo usual. A relatividade geral admite, há décadas, configurações onde o próprio espaço-tempo é manipulado: o warp drive de Alcubierre, os buracos de minhoca de Morris-Thorne, o universo de Gödel. Em todos esses cenários, existe a possibilidade de viagem ou comunicação superluminal sem violação da causalidade, desde que certas condições sejam satisfeitas — é a chamada hipótese da Causalidade Preservada em Cenários FTL, estudada seriamente por físicos como Krasnikov, Everett e Roman. O princípio é simples: se o atalho conecta regiões que já estão fora do cone de luz causal uma da outra, ou se a topologia do espaço-tempo impede curvas fechadas de tipo tempo, a comunicação pode ser efetivamente instantânea entre os mundos sem que um sinal retorne ao passado do emissor.

    Ora, um “mundo sutil” de Klauber, coexistindo conosco mas não acoplado pelas forças conhecidas, já está, por definição, fora do nosso cone de interação eletromagnética. A comunicação mediúnica não seria um sinal atravessando o espaço — seria um acoplamento fraco entre dois domínios que a topologia do universo já mantém adjacentes. Não se viola causalidade porque não se percorre distância; sintoniza-se uma frequência. Para você, engenheiro, isso tem um paralelo familiar: dois circuitos podem estar galvânicamente isolados e ainda assim trocar informação por acoplamento indutivo ou capacitivo. Nenhum elétron viaja de um lado ao outro; no entanto, a informação passa.

    Você diz que seu interesse é verificação experimental, não possibilidade teórica. Justo. Mas a física que você admite já dissolveu o principal argumento contra a plausibilidade dos experimentos existentes. E se múltiplas religiões, múltiplas culturas e múltiplas linhas de pesquisa independente convergem para o mesmo ponto — a existência de domínios sutis acessíveis à consciência —, então o ônus da prova já não está apenas sobre os que investigam. Está também sobre os que, diante da convergência, insistem em olhar para o outro lado.

    Você quer verificação experimental. Eu também. Mas verificação exige que o fenômeno seja investigado com protocolos adequados à sua natureza — e, sobretudo, que os resultados não sejam descartados com um riso quando contrariam a metafísica dominante. Enquanto o multiverso for “ciência de fronteira” e a mediunidade for “pseudagem”, não há debate honesto. Há apenas a manutenção de um monopólio ontológico que, como todo monopólio, um dia cai.

  32. MOIZES Diz:

    /
    William Diz:
    .
    Ele fala várias coisas que contradizem o que você disse sobre a ciência mostrar que a mediunidade e afins são “impossíveis.” Ele diz que mediunudade e afins são possíveis.
    Assim como ele deixa implícito que nem toda pseudociência/pseudagem é a mesma coisa na prática.
    Ou seja, que a fronteira entre ciência e pseudociência é algo fuzzy e n-dimensional, ao invés de branco e preto como que vários divulgadores científicos e a própria Wikipedia tentam impor para todos.
    Aguardo resposta.
    .
    COMENTÁRIO: não lembro de ter dito que “que a mediunidade e afins são ‘impossíveis’.” Se eu dissesse tal coisa teria que saber o conteúdo desse “afins”: sinceramente, não faço a menor ideia!
    .
    A mediunidade seria perfeitamente possível, desde que provado haver real e efetivo contato entre os que estão do lado de “lá” com os que estão do lado de cá. Desde o século XIX que alguns homens de ciência tentam demonstrar que isso ocorre, em vão…
    .
    Sobre ciência e pseudociência, em princípio, é difícil traçar uma linha demarcatória entre as duas, mas, na medida em que as hipóteses são testadas e os resultados aparecem (ou não) essa demarcação se torna objetiva. Por exemplo, a chamada “ciência espírita”, que resultados concretos produziu, que avanço proporcionou ao conhecimento científico, além de nenhum? Semelhantemente a parapsicologia (ou pesquisa psi): dessa área não adveio qualquer contribuição ao desenvolvimento da ciência.

  33. Gorducho Diz:

    =======================================================
    Sr. William disse:

    Quando o alvo é uma psicografia, exige-se “provas controladas” com um padrão quase impossível; quando o alvo são as aparições de Fátima, os milagres eucarísticos ou a ressurreição de Jesus, a exigência desaparece e vira “questão de fé respeitável”.

    =======================================================
    Porque foi o Kardec mesmo quem desde logo delineou essa diferença fundamental em relação a outras Religiões, apresentando a DE como também Científica.
    E.g. n’O que é o Espiritismo, Capítulo II, 32:

    O Espiritismo é a ciência que nos faz conhecer essa lei, como a mecânica nos ensina as do movimento, a óptica as da luz etc.

    E não: os desenhos de experimentos que apresentamos cá são os compatíveis com o modelo Espírita.

  34. Vitor Diz:

    MOIZÉS DISSE:
     
    “Semelhantemente a parapsicologia (ou pesquisa psi): dessa área não adveio qualquer contribuição ao desenvolvimento da ciência.”
     
    Isso é falso. O EEG foi criado por Hans Berger ao estudar telepatia. Meta-análises também foram desenvolvidas graças à Parapsicologia. Descobertas arqueológicas foram feitas graças ao psíquico George McMullen. Psíquicos já trabalharam e ainda trabalham com a polícia auxiliando na resolução de casos.
     
    Pesquisadores psi foram pioneiros no uso rigoroso de:
     
    ->Testes estatísticos aplicados à psicologia (ex.: cartas Zener)
    -> Protocolos de controle experimental contra fraude e viés
    -> Estudos de probabilidade e acaso em contextos psicológicos
     
    Isso ajudou a fortalecer práticas que hoje são padrão na psicologia experimental e em outras ciências comportamentais.

  35. Lucas Arruda Diz:

    Interessante, Vitor. Não sabia que o EEG tinha sido desenvolvido por Hans Berger quando ele estudava a Telepatia. Obrigado por mostrar isso!

  36. Lucas Arruda Diz:

    Bom, peço desculpas por me intrometer na conversa, mas em relação a outros avanços da parapsicologia no cotidiano, eu acredito que o próprio Dr. Sam Parnia pode ser relacionado a essa questão.
    Sam Parnia, se não me engano, é atualmente um dos melhores especialistas em ressuscitação cardiopulmonar do mundo. Ele provou que as EQMs são experiências que de fato ocorrem ( sem afirmar se são materialistas ou dualistas ) no AWARE II. No caso também, Sam Parnia descobriu que durante a parada cardíaca, o cérebro humano tem capacidade de sobrevier por mais tempo do que se imaginava.

  37. Lucas Arruda Diz:

    Um documentário ( infelizmente longo, mais de 40 minutos ) do laboratório do Dr. Parnia no caso explica bem todas as descobertas do AWARE II:

    https://youtu.be/_18UdG4STHA?si=mNJY7clGGtydCuhU

  38. Lucas Arruda Diz:

    Outro avanço relacionado a parapsicologia foi feito pelo MD Anderson Câncer Center, quando eles estudaram o médium tão falado aqui no blog, Sean Harribance, em que eles analisaram a correlação do médium a cura de tumores cancerígenos em camundongos de laboratório:

    https://mdanderson.elsevierpure.com/en/publications/human-biofield-therapy-modulates-tumor-microenvironment-and-cance/

    Pessoalmente, acredito que no futuro, quando esse fenômeno for mais estudado, grandes avanços médicos poderão ocorrer.

  39. Lucas Arruda Diz:

    E como o próprio Vitor comentou, algumas e importantes descobertas arqueológicas foram realizadas por psíquicos ( como Ingo Swann, se não me engano ), lideradas por Stephan Schwartz.
    Existe um filme feito por Schwartz e sua equipe onde Swann e outro psíquico descobriram um naufrágio desconhecido por muitos e muitos anos, onde o vídeo pode ser encontrado aqui:
    https://youtu.be/BEC-GBTTLBg?si=9lB7AfmJXksNgcID

  40. Lucas Arruda Diz:

    Além disso, já vi em um vídeo relacionado a uma palestra acadêmica em que o Dr. Michael Persinger ( o neurocientista cético que defendeu até o fim da vida que PSI era eletromagnética ) deu a entender que Harribance foi recrutado pelo governo dos EUA para tentar localizar Saddam Hussein ( ele não disse o nome do ditador, mas ficou bem claro quem era ).

    https://youtu.be/qgawWCBj2Jk?si=F4RsuElu3zmgsW1Q

    Bom, fato é que existem documentos oficiais da CIA sobre o Projeto Stargate, que confirmam que Ingo Swann, o mesmo psíquico do naufrágio, foi estudado por físicos como Russell Targ ( um dos pioneiros do laser ) e Edwin C. May.
    Targ afirma no seu livro que Swann, através de PSI, espionava bases militares da China, por exemplo.

    Bom, vai saber o que esses caras não sabem hoje ?. Pessoalmente não duvido de nada.

  41. Gorducho Diz:

    =======================================================
    Sr. Administrador disse:

    Descobertas arqueológicas foram feitas graças ao psíquico George McMullen.

    =======================================================
    Acaso Alexandria?
    Se sim, já não discutimos cá?

  42. Lucas Arruda Diz:

    Oi Gorducho, boa noite!
    No caso, se não me engano, foi Stephan Schwartz quem foi o responsável pela investigação arqueológica de Alexandria através de PSI ( se não me engano, é claro ).

  43. Vitor Diz:

    Gorducho, não, me refiro às pesquisas de Norman Emerson e outros arqueólogos canadenses com o George, como a descoberta de uma paliçada.

  44. MOIZES Diz:

    /
    Vitor Diz:
    maio 6th, 2026 às 6:33 PM
    MOIZÉS DISSE:

    “Semelhantemente a parapsicologia (ou pesquisa psi): dessa área não adveio qualquer contribuição ao desenvolvimento da ciência.”

    Isso é falso. O EEG foi criado por Hans Berger ao estudar telepatia. Meta-análises também foram desenvolvidas graças à Parapsicologia. Descobertas arqueológicas foram feitas graças ao psíquico George McMullen. Psíquicos já trabalharam e ainda trabalham com a polícia auxiliando na resolução de casos.
    .
    COMENTÁRIO: curioso, você cita meu texto, mas ele não aparece no quadro, ao menos para mim! Atualizei a página várias vezes e continua invisível!
    .
    Sobre a contribuição parapsicológica de Berger à ciência, mais tarde comento, mas adianto: estás equivocado! Não no fato de Berger ter inventado o treco, mas na alegação de que se trata de contribuição da pesquisa psi à ciência. Aliás, se bem me lembro, o assunto foi exaustivamente discutido aqui. Vou ver se encontro.

  45. MOIZES Diz:

    /
    Cancele o desaparecimento do texto, falo de outro que postei há poucos minutos e ainda não apareceu. Se continuar não aparecendo rebotarei.

  46. MOIZES Diz:

    Vitor, vou postar novamente meu texto, se der duplicidade, exclua um, só um, por favor.

  47. MOIZES Diz:

    /
    Estranho, meu texto não entra! Será que algum espírito brincalhão está bloqueando?

  48. MOIZES Diz:

    /
    William Diz:
    .
    Caros Moisés, Gorducho e Vitor,
    Agradeço pelas respostas e pela oportunidade de aprofundar este debate que, ao longo destas mensagens, revelou camadas muito mais amplas do que a simples discussão sobre se Chico Xavier falava ou não com mortos. Acumularam-se argumentos sobre o estudo de 2026, sobre física, parapsicologia, epistemologia, sobre a relação entre ciência e poder e, sobretudo, sobre o lugar que reservamos ao espiritual num mundo dominado por um certo discurso científico. Tentarei, neste comentário único, reunir esses marcos de forma ordenada, mostrando que o cerne da questão não é um caso isolado, mas a legitimidade de investigar fenômenos que o materialismo dogmático descarta antes de examinar.
    .
    COMENTÁRIO: William, você insiste em ampliar a conversa desmedidamente! Sua opção é pelo debate, ou seja, defende seus complexos pontos de vista sem levar em conta os dos opositores. Tem sido lhe dito que a DISCUSSÃO (há diferença entre discussão e debate e parece que não está interessado em saber disso), então, a discussão se cinge em analisar as provas de que Chico (e, por extensão, outros médiuns) possuía a faculdade de se articular com o transcendente (ou com a espiritualidade). Se resolvermos essa pendência, aí sim, se poderia pensar nas implicações estendidas que possam advir e, talvez, discuti-las produtivamente.

  49. MOIZES Diz:

    /
    William Diz:
    .
    Comecemos pelo recorte que vocês propõem. Moisés, você afirma que a discussão é apenas sobre Chico Xavier e a mediunidade, sem ampliar para “todas as religiões”. Em tese, concordo: o estudo de Pereira et al. é específico, centrado no caso Isidoro Duarte Santos. No entanto, o ceticismo que você aplica a esse caso é exatamente o mesmo gesto que os debunkistas dirigem a qualquer manifestação espiritual, mas com uma assimetria reveladora. Quando o alvo é uma psicografia, exige-se “provas controladas” com um padrão quase impossível; quando o alvo são as aparições de Fátima, os milagres eucarísticos ou a ressurreição de Jesus, a exigência desaparece e vira “questão de fé respeitável”.
    .
    COMENTÁRIO: Embora sua fala seja mais uma queixa a respeito do que considera exigências descabidas em relação à mediunidade e grande generosidade com os milagres cristãos, talvez inadvertidamente, disse uma verdade: as aparições da Virgem, os milagres, a ressurreição de Cristo são dogmas de fé. Não há como leva-los à experimentação, a fim de aferir se aconteceram ou não. O mais provável é que não aconteceram, mas os crentes pensam de outro modo, por isso é questão de fé.
    .
    A mediunidade e eventos comuns no meio pentecostal (profecias, expulsão de demônios, etc.), estes sim, são testáveis. Se testes forem realizados, deles se deve exigir controle rigoroso, como convém a qualquer experimento que almeje verificar a legitimidade de alguma alegação. O foco aqui é a mediunidade, pois os espíritas costumam ser mais afetos a discutir suas crenças, visto que o kardecismo é considerado também ciência. Se um crente carismático quiser defender suas certezas nesse fórum, e o administrador topar, poderá fazê-lo. Aliás, alguns já transitaram por aqui…

  50. MOIZES Diz:

    /
    parti o texto e entrou uma parte, a outra não quer!

  51. MOIZES Diz:

    /
    Desisto!

  52. MOIZES Diz:

    /
    William Diz:
    .
    Se você não reconhece essa hierarquia de legitimidade, sugiro uma reflexão sincera. você afirma que “é muito fácil verificar que mortos não falam com vivos”. ótimo. então proponha um experimento que ambos os lados aceitem e que refute definitivamente a mediunidade. Mas cuidado: se o experimento for desenhado de modo que o médium não possa “ganhar” — replicação imediata em ambiente hostil, sem qualquer sintonia — você não estará testando a mediunidade, estará garantindo sua falha. É o que chamo de reducionismo de controle rigoroso.
    .
    COMENTÁRIO:
    .
    Vamos a uma sugestão de experimento. Preste atenção!
    .
    Pede-se a uma pessoa que ponha numa caixa um pequeno texto, de modo que o espírito possa ler o que está escrito. Essa pessoa não sabe para o quê a embalagem se destina. A caixa é lacrada. A pessoa que cuida dessa parte não terá contato com os demais experimentadores. Ele deixa o material num local previamente combinado e se retira. Outra pessoa pega a caixa leva até o onde experimento se realizará, deixa-a diante da porta e se retira. Assim não haverá contato algum entre os que cuidaram da preparação com os que darão continuidade ao experimento.
    .
    A caixa é colocada em uma mesa atrás do médium.
    .
    O médium invocará algum espírito e pedirá a este que leia o escrito e lhe transmita. O médium escreve o que ouviu do espírito e passa ao experimentador. A caixa é aberta e se confere se bateu… bateu?
    .
    Dentro dessa linha, várias modalidades de experimento podem ser implementadas. Se após várias repetições a resposta estiver correta — aleluia! –, mortos comunicam!
    .
    Experimentos desse tipo são objetivos, pois proporcionam retornos conclusivos. Agora, diga, por que ninguém opta por essa via? Por que os defensores da mediunidade preferem provar a coisa por meio de aferições nebulosas?

  53. MOIZES Diz:

    /
    William Diz:
    .
    Você critica o que chama de “contar acertos em cartinhas psicografadas” e acusa os espíritas de não quererem realizar experimentos. Mas o estudo de Pereira et al. não é sobre cartinhas; é sobre uma sessão gravada em áudio em 1955, com testemunhas, na qual Chico forneceu nomes, datas e eventos privados que, segundo os autores, não poderiam ter sido obtidos por meios normais. Reduzi-lo a “brincar de contar acertos” é desqualificação, não refutação. Se você acha que o estudo está errado, aponte qual explicação convencional se aplica ao caso e mostre evidência de vazamento ou fraude, não uma suposição ad hoc. Quanto à alegação de que espíritas fogem de laboratório, isso é simplesmente falso. Charles Tart, Karlis Osis, Julie Beischel, Dean Radin e muitos outros conduziram pesquisas controladas com médiuns, publicaram em periódicos revisados por pares e obtiveram resultados positivos, ainda que modestos.
    .
    COMENTÁRIO: psicofonia ou psicografia, dá no mesmo. O método de validação é similar: se o médium acertou, então tá tudo bem! Como ele sempre acerta alguma coisa, para o crente a coisa está provada! Ora, como a coisa estaria provada por esse caminho se a comunicação entre mundo não foi demonstrada, por meio de verificações objetivas?
    .
    Inverte-se o caminho da evidência: primeiro toma-se como premissa que mortos comunicam, depois procuram-se as provas! Como já está admitida a comunicação, qualquer arremedo de prova passa a valer!
    .
    Os autores que cita (Charles Tart, Karlis Osis, Julie Beischel, Dean Radin) estão ligados à parapsicologia. Se fizeram testes com médiuns foi para provar coisas como telepatia, clarividência, etc. Que eu saiba não defenderam a comunicação entre vivos e mortos.
    .
    William Diz: “Reduzi-lo a ‘brincar de contar acertos’ é desqualificação, não refutação.”
    .
    RESPOSTA: É refutação sim, pois não é dessa maneira que se prova o alegado! Esse tipo de prova é prova para quem não precisa de prova, pois qualquer coisinha que possa minimamente validar a conjetura é contabilizada como certeza! Basta que os autores (ansiosos por demonstrar que a mediunidade é real) digam que Chico não poderia ter obtido informações por meio normais e isso se torna sacramentado!
    /.
    William Diz: “aponte qual explicação convencional se aplica ao caso e mostre evidência de vazamento ou fraude, não uma suposição ad hoc.”
    .
    RESPOSTA: Nada de ad hoc, a explicação convencional é trivial: obtenção de informes por caminhos naturais. A refutação é que é ad hoc: “segundo os autores, não poderiam ter sido obtidos por meios normais”. Ora, desde quando a palavra dos autores é irrefutável? Quais evidências deram de que a informação estava tão bem guardada que Chico jamais poderia obtê-la por caminho terreno? Isso é o que eles acham, mas não quer dizer que seja o certo! Você diante de um clamoroso ad hoc acusando-me de recorrer a esse estratagema!
    .
    De qualquer modo, deveria ter percebido que por essa trilha não se chega a conclusão satisfatória. Quem adepto da mediunidade minimizará a probabilidade de a informação ter chegado ao médium por caminho banal, embora este seja um dos pontos mais frágeis do relato. Transformar a fragilidade em evidência robusta, só porque “os autores disseram” não muda os fatos!

  54. MOIZES Diz:

    /
    Tive que podar parte do texto e recorrer aos meus poderes paranormais…

  55. William Diz:

    Caros Moisés, Gorducho, Vitor e Lucas,

    Agradeço pelas contribuições das últimas horas. A conversa se adensa, e como bem observou Moisés, pode ser que da discussão nasça alguma luz. Vamos a ela.

    Sobre a contribuição da parapsicologia à ciência

    Moisés, você afirmou que da parapsicologia “não adveio qualquer contribuição ao desenvolvimento da ciência”. Vitor e Lucas já mostraram que essa afirmação é factualmente incorreta. Hans Berger desenvolveu o EEG enquanto investigava telepatia — e isso não é um detalhe lateral, é o contexto explícito de sua pesquisa. As metanálises, hoje ferramenta padrão em medicina e psicologia, foram em grande parte desenvolvidas por pesquisadores psi para lidar com efeitos pequenos. Técnicas de controle experimental contra vazamento sensorial e viés, que você mesmo exige, foram os parapsicólogos que as refinaram. O projeto Stargate produziu protocolos de visão remota que geraram inteligência aproveitável, conforme documentos oficiais da CIA. E, como Lucas lembrou, o AWARE II de Sam Parnia — um dos maiores estudos sobre consciência durante parada cardíaca — nasceu da investigação de experiências de quase-morte, tema historicamente marginalizado pela neurologia convencional até que a pesquisa psi lhe desse dignidade metodológica.

    Você pode argumentar que o EEG teria sido inventado de qualquer modo, sem a telepatia. Mas isso é contrafactual e, sobretudo, irrelevante para a questão histórica: Berger chegou ao EEG porque estava investigando telepatia. A motivação de um pesquisador não invalida o fruto. Ninguém diz que a genética mendeliana é inválida porque Mendel era um monge agostiniano tentando entender a ordem divina da criação. A ciência não exige atestado de materialismo para aceitar uma descoberta. Exigir que a parapsicologia prove sua utilidade antes de ser levada a sério, e depois rejeitar os exemplos de utilidade como “não sendo contribuição genuína”, é novamente a escada rolante.

    Sobre o experimento da caixa lacrada

    Você propõe um experimento simples e aparentemente definitivo: texto lacrado, médium de costas, ninguém sabe o conteúdo, o espírito lê e o médium transcreve. Digo “aparentemente” porque experimentos desse tipo já foram feitos — e as coisas não são tão simples.

    A literatura parapsicológica está cheia de protocolos com alvos ocultos, envelopes selados e objetos-alvo. O problema é que o índice de acertos, embora frequentemente acima do acaso em metanálises, raramente atinge a perfeição que um cético exigiria para se convencer. E quando um médium acerta 70% das vezes, o cético atribui os acertos a vazamento sensorial ou leitura fria, e os erros à ausência de comunicação. Em outras palavras: se o médium erra, o fenômeno não existe; se acerta, houve trapaça. É um duplo vínculo do qual nenhum experimento escapa.

    Além disso, você desenhou um protocolo que ignora deliberadamente a natureza do fenômeno tal como descrito por quem o estuda. A mediunidade, se real, não é uma máquina de fax espiritual que reproduz textos com fidelidade mecânica. Envolve sintonia, estados alterados, filtros inconscientes do médium, e — crucialmente — a vontade do próprio espírito comunicante, que pode ou não querer participar de um teste desenhado por céticos. Se eu lhe pedisse que lesse um texto lacrado, mas você não soubesse quem o escreveu, por que o fez, nem confiasse nos organizadores, sua motivação seria baixa. Se o espírito existe como consciência autônoma, submeter-se a um protocolo humilhante não está garantido. Você pode achar isso uma desculpa conveniente. Mas é o tipo de variável que qualquer ciência que lida com sujeitos — e não com objetos — precisa considerar. A psicologia não trata pacientes como elétrons; a mediunidade não pode ser tratada como um fenômeno físico simples.

    Ainda assim, há estudos que se aproximam do seu desenho. Julie Beischel, por exemplo, conduziu experimentos triple-blind em que o médium fornecia informações sobre um falecido a partir apenas do primeiro nome, sem contato com os consulentes. Os acertos, modestos, foram publicados. Mas você não os cita. Talvez porque, se os lesse, teria que admitir que o experimento “objetivo” já foi tentado — e que o resultado, longe de ser nulo, é positivo mas modesto. E então a fasquia subiria novamente.

    Sobre Kardec e o Espiritismo como ciência

    Gorducho, você tem razão: foi Kardec quem disse que o Espiritismo é “a ciência que nos faz conhecer essa lei, como a mecânica nos ensina as do movimento”. Isso convida ao escrutínio científico, e o movimento espírita aceitou esse convite. Mas há uma nuance histórica. No século XIX, “ciência” não significava o que significa hoje. Significava conhecimento sistemático, racional, baseado em observação e classificação. Kardec usou o termo no sentido amplo de uma disciplina organizada, não no sentido experimental-popperiano que só se consolidaria décadas depois. Tratar a afirmação de Kardec como se ele tivesse prometido ECRs duplo-cegos é anacrônico.

    Dito isso, aceito o ônus. Se o Espiritismo se apresenta como passível de verificação, que seja verificado. Mas então a exigência deve ser simétrica. O catolicismo também fez alegações testáveis: aparições, milagres, estigmas. Se a mediunidade de Chico Xavier está sob o microscópio, por que as aparições de Fátima — testemunhadas por 70 mil pessoas que viram o sol “dançar” — não são submetidas ao mesmo padrão? Por que o milagre eucarístico de Lanciano, supostamente carne e sangue preservados há séculos, não é tratado como “caso de polícia e psiquiatria”? Você pode responder que são “questões de fé”. Mas foi o próprio Kardec quem disse que “fé inabalável é só aquela que pode encarar a razão face a face”. Se o Espiritismo aceita o escrutínio, ótimo. Mas então as outras religiões não podem se esconder atrás da “fé respeitável” quando o mesmo escrutínio lhes é dirigido. Ou o tribunal é para todos, ou é um tribunal de exceção.

    Sobre a “obtenção de informes por caminhos naturais”

    Moisés, você diz que a explicação convencional é trivial: Chico obteve informações por meios normais. Mas isso não é uma explicação; é uma hipótese. Para que fosse uma explicação, você precisaria mostrar qual meio normal, quando e como. O estudo de Pereira et al. afirma que as informações eram específicas, privadas e não estavam disponíveis em fontes públicas. Você pode duvidar dessa afirmação, mas duvidar não é refutar. Dizer “desde quando a palavra dos autores é irrefutável?” é justo, mas você também não apresentou nenhuma evidência de vazamento. Estamos, então, em um impasse: você supõe que houve vazamento sem demonstrá-lo; os autores supõem que não houve, mas documentaram por quê. Entre uma suposição sem evidência e uma suposição com documentação, a balança não está equilibrada.

    Você me acusa de transformar fragilidade em evidência robusta. Mas o que estou dizendo é mais modesto: o estudo existe, foi publicado, não foi refutado com contraevidência. Isso não prova a mediunidade. Mas torna desonesto o gesto de descartá-lo com um riso. Se o estudo é frágil, mostre a fragilidade com dados, não com generalidades sobre “caminhos naturais”.

  56. Lucas Arruda Diz:

    William, peço que por favor reduza o tamanho dos seus textos para facilitar a compreensão dos membros.

    Outro ponto: um dos seus textos foi apagado, onde você mencionou que eu teria citado e defendido a teoria de um autor chamado Luke Smith na minha argumentação. Isso não é verdade. Além disso, não conheço esse autor.

    Embora eu acredite plenamente na veracidade de alguns fenômenos parapsicológicos, peço que, ao se referir a mim, cite corretamente aquilo que eu realmente defendo.

  57. Vitor Diz:

    William,
     
    estou podando suas mensagens, já que você voltou aos textões. Se você não tomar simancol, vou ter que suspender sua participação no blog, assim não é possível.
     
    Isso aqui seu é inacreditável:
     
    “você diz que a explicação convencional é trivial: Chico obteve informações por meios normais. Mas isso não é uma explicação; é uma hipótese. Para que fosse uma explicação, você precisaria mostrar qual meio normal, quando e como. O estudo de Pereira et al. afirma que as informações eram específicas, privadas e não estavam disponíveis em fontes públicas. Você pode duvidar dessa afirmação, mas duvidar não é refutar. Dizer “desde quando a palavra dos autores é irrefutável?” é justo, mas você também não apresentou nenhuma evidência de vazamento. Estamos, então, em um impasse: você supõe que houve vazamento sem demonstrá-lo; os autores supõem que não houve, mas documentaram por quê. Entre uma suposição sem evidência e uma suposição com documentação, a balança não está equilibrada.”
     
    Para você dizer uma insanidade dessas, é porque não leu absolutamente NADA do artigo que aqui pus. Eu e o Míssel Crítico fizemos justamente isso que você pediu!

  58. Lucas Arruda Diz:

    Sobre o debate geral em relação ao fenômeno da psicografia: pessoalmente considero que os experimentos relacionados a isso, especialmente aqueles que apresentam índices de acerto estatisticamente superiores ao acaso, como os estudos associados a Tressoldi, oferecem evidências relevantes em favor da autenticidade do fenômeno. Além disso, também atribuo importância aos laudos de alguns peritos grafoscópicos que se dedicaram a analisar esses casos, sobretudo porque, até o momento, desconheço teorias que demonstrem que a grafoscopia seja, por si só, uma prática pseudocientífica.
    No caso, respeito opiniões contrárias, pois o tema é controverso para muitos, mas acredito que tantos os dados estatísticos quanto determinadas análises grafoscópicas demonstram a veracidade do fenômeno.

  59. Lucas Arruda Diz:

    Como referência a questão acima, o artigo do Dr. Tressoldi, em um experimento de 100 cartas, identificou 65% de análises corretas relacionadas à cartas psicografadas.

    https://app.box.com/s/axrmqxwybpfhn6bnz3f8bzbqn8mfbssk

  60. Lucas Arruda Diz:

    Além disso, no artigo referindo, a uma referência muito interessante relacionada a uma meta-análise de 2020 em que Tressoldi está envolvido.

    Segundo os autores, os estudos somados ultrapassaram a linha do acaso, reforçando a possibilidade do fenômeno da psicografia ser genuíno:

    Sarraf, M., Woodley Menie, M. A., & Tressoldi, P. (2020). Anomalous information reception by mediums: A meta-analysis of the scientific evidence. https://doi.org/10.1016/j.explore.2020.04.002.

  61. Gorducho Diz:

    =======================================================
    Sr. William disse:

    A literatura parapsicológica está cheia de protocolos com alvos ocultos, envelopes selados e objetos-alvo. O problema é que o índice de acertos, embora frequentemente acima do acaso em metanálises,
    raramente atinge a perfeição que um cético exigiria para se convencer.

    =======================================================
    Parapsicologia. Nossos experimentos se destinam a testar MEDIUNIDADE ⇒ Espiritismo.
    Espiritismo não é Estatístico como a Parapsicologia.
     
    =======================================================

    quando um médium acerta 70% das vezes, o cético atribui os acertos a vazamento sensorial ou leitura fria,

    =======================================================
    Por isso mesmo experimentos bem desenhados devem impossibilitar qualquer tipo de alegações nesses sentidos.
    Bem como descartar telepatia.
    Nenhum dos experimentadores tem ideia do que está sendo mostrado na “cabine”, então só pode ser o Espírito enxergando e, claro, comunicando mediunicamente.  
    =======================================================

    Mas há uma nuance histórica. No século XIX, “ciência” não significava o que significa hoje. Significava conhecimento sistemático, racional, baseado em observação e classificação. Kardec usou o termo no sentido amplo de uma disciplina organizada, não no sentido experimental-popperiano que só se consolidaria décadas depois. Tratar a afirmação de Kardec como se ele tivesse prometido ECRs duplo-cegos é anacrônico.

    =======================================================
    Não tinha a formalização atual do conceito. Mas observar fatos = verificar se fatos se sucedem.
    Então é forma não formalizada de experimentação.
    [LE – Introdução, III]

    Lembremos primeiramente, em poucas palavras, a série progressiva dos fenômenos que deram origem a esta doutrina.
    O primeiro fato observado foi o de objetos diversos postos em movimento?

    Sendo que no caso específico do Espiritismo – que é o que interessa aqui – a repetibilidade é intrínseca ao modelo, pelo próprio conceito de séances.
    E onde falamos em ECRs ou duplos-cegos pra testar Mediunidade❔❔❔
     
    =======================================================

    Mas foi o próprio Kardec quem disse que “fé inabalável é só aquela que pode encarar a razão face a face”. Se o Espiritismo aceita o escrutínio, ótimo. Mas então as outras religiões não podem se esconder atrás da “fé respeitável” quando o mesmo escrutínio lhes é dirigido. Ou o tribunal é para todos, ou é um tribunal de exceção.

    =======================================================
    👎
    O KARDEC estabeleceu isso pra Religião DE dele. Ele não tinha autoridade sobre outras Religiões que não a dele.
    Se ele quis introduzir Ciência – na conceituação do século dele 🆗 não muda nada – problema dele.
    Fé não é debatível evidentemente. Por isso não o fazemos.

  62. William Diz:

    Caros Vitor, Lucas, Moisés e Gorducho,

    Peço desculpas pela extensão das mensagens anteriores. Vou ser direto, como pedem.

    Ao Lucas: Você tem toda razão. Não foi você quem citou Luke Smith — fui eu, em resposta a outros comentários, e errei ao associar seu nome a essa referência. Registro a correção e agradeço pela honestidade. Seu ponto sobre a meta-análise de Tressoldi et al. (2020), com 65% de acertos em 100 cartas e resultados acima do acaso, é bem-vindo. É exatamente o tipo de dado que mostra que o fenômeno merece mais investigação, não menos.

    Ao Vitor: Você diz que eu não li o artigo e que você e o Míssel Crítico já fizeram o que pedi — apontar o meio normal pelo qual Chico teria obtido as informações. Se fizeram e eu não vi, por favor, me indiquem o trecho específico. Não tenho apego a estar errado. Se há evidência concreta de vazamento — um jornal da época, um parente que contou, um registro público —, eu a incorporo e ajusto minha posição. Mas até agora, o que vi foram hipóteses genéricas de “caminhos naturais”, sem lastro documental. Aponte-me a página, o parágrafo, o dado. Se ele existir, o debate avança.

    Sobre a meta-análise de Tressoldi: Ela se soma às de Radin, Utts, Bem e Bancel. O padrão é consistente: efeitos pequenos, mas estatisticamente significativos, que resistem a controles de viés. Isso não torna a mediunidade “provada” no sentido absoluto, mas a coloca numa posição muito distante do terraplanismo ou da astrologia de jornal — exatamente como os modelos de espectro multidimensional que discutimos mostram. A psicografia pode ser classificada como um programa de pesquisa ainda em formação, com falhas, mas com sinal positivo.

    Concluindo: Não peço que aceitem a mediunidade. Peço que a avaliem com o mesmo critério aplicado a outros campos que lidam com subjetividade e complexidade. Se houver evidência de vazamento no caso Isidoro, mostrem-me. Se não houver, admitamos que a hipótese mediúnica é frágil, mas não refutada — e que os dados cumulativos da parapsicologia sugerem que algo real está acontecendo, ainda que não saibamos exatamente o quê.

    Fico no aguardo das referências. E prometo textos mais curtos.

  63. MOIZES Diz:

    /
    O EEG DE HANS BERGER REPRESENTA CONTRIBUIÇÃO DA PARAPSICOLOGIA À CIÊNCIA?
    ;
    Dean Radin, no livro Mentes Interligadas, narra a aventura de Hans Berger, que teria redundado na invenção de um aparelho destinado a medir ondas cerebrais, responsáveis pelos contatos a distância, sem a participação dos sentidos. Conforme o relato, Berger cavalgava e acabou caindo do cavalo no momento em que uma enorme carroça carregando canhões dele se aproximava. Vendo a morte de perto, Berger se viu tomado de pavor. Felizmente, o condutor do veículo conseguiu parar os cavalos antes que o pior acontecesse.
    .
    Radin escreveu: “EXATAMENTE NESSE MOMENTO a muitos quilômetros de distância, na casa de seus pais, a irmã mais velha de Hans sentiu-se subitamente assoberbada por uma certeza nefasta de que alguma coisa ruim havia acontecido com Hans.”
    .
    Como foi que o escritor cronometrou esse “momento exato” ele não explica…
    .
    A preocupação da Irmã fez com que o pai de Hans enviasse um telegrama a ele, indagando se estava tudo bem. Hans entendeu que vivenciara uma experiência telepática, na qual sua irmã atuara como receptora de seu “pedido de socorro”.
    .
    Tendo concluído de que algo paranormal ocorrera, Hans, que abandonara os estudos de medicina, retornou à universidade e se formou em psiquiatria. Na cabeça dele um só pensamento: detectar a energia psíquica que permite a cérebros distanciados se comunicarem. Depois de vários anos se sacrificando por produzir um engenho que desse conta do desafio, finalmente apresentou ao mundo o resultado desse esforço.
    .
    Mas, que pena… o aparelho não serviu para a finalidade colimada! Era incapaz de identificar ondas telepáticas! Entretanto, Hans havia atirado no que vira e acertado no que não vira: a máquina serviu para que a medicina pudesse dela fazer uso em outra função, muito mais nobre que procurar barba em ovo…
    .
    Porém, é dito que o EEG advém de estudos da telepatia! Cuma?! Berger, pelo que sei, não “estudava” telepatia, ele acreditava nela! A crença de que existiria uma “força psíquica” não catalogada pela ciência vem de alguns séculos. No século XIX, diversos pesquisadores intentaram provar sua existência, até hoje ninguém conseguiu. Alguns fizeram experimentos com alegados sensitivos, outros apenas teorizaram a respeito. Berger não estudou a telepatia, no sentido de propor uma teoria a respeito. Se assim tivesse feito, hoje contaríamos com alguma obra de sua lavra, tipo “Tratado de telepatia”, ou coisa parecida.
    .
    Poderíamos dizer que a pesquisa psi trouxera contribuição à ciência se o engenho criado por Hans de fato expusesse a tão buscada energia, ou força, telepática. Se tal ocorresse, a paranormalidade deixaria de ser mera especulação para se tornar objeto de estudo científico de fato! Lamentavelmente, ainda não foi dessa vez…

  64. Vitor Diz:

    “Se fizeram e eu não vi, por favor, me indiquem o trecho específico.”
     
    Se você não se interessa em ler o artigo todo, não sou eu que vou perder meu tempo selecionando os trechos.

  65. MOIZES Diz:

    /
    William diz:
    .
    Moisés, você afirmou que da parapsicologia “não adveio qualquer contribuição ao desenvolvimento da ciência”. Vitor e Lucas já mostraram que essa afirmação é factualmente incorreta. Hans Berger desenvolveu o EEG enquanto investigava telepatia — e isso não é um detalhe lateral, é o contexto explícito de sua pesquisa. As metanálises, hoje ferramenta padrão em medicina e psicologia, foram em grande parte desenvolvidas por pesquisadores psi para lidar com efeitos pequenos.
    .
    COMENTÁRIO:
    O que o Lucas e o Vitor mostraram é que ACREDITAM nessa suposição, de que a parapsicologia desenvolveu a ciência com o EEG!
    .
    Reitero o que falei no artigo precedente: onde foi que Berger publicou o resultado de suas pesquisas em telepatia? Conhece obra do dito em que teoriza a respeito? Se conhece, por favor, indique para a conheçamos e avaliemos… Até prova em contrário, o único “estudo” de Berger a respeito foi crer que sua experiência de quase atropelamento reportava evento telepático!
    .
    Onde estão as acreditadas ondas telepáticas? O EEG as mostra? Se mostra, então, ponto para a paranormalidade, que se revela realidade e não mera suposição que fascina a alguns. Se não mostra, lamento…

  66. MOIZES Diz:

    /
    Vitor, consegue achar a discussão em que a experiência de Berger foi citada? Tentei a busca do blog, mas não retornou nada.

  67. Vitor Diz:

    Moizés,
     
    seu texto falha ao ignorar que:
     
    1) Berger explicitamente buscava base fisiológica para telepatia, o que motivou o EEG.
     
    2) A origem motivacional não invalida a contribuição científica (muitos avanços surgem de hipóteses erradas).
     
    3) Sua crítica confunde ausência de prova conclusiva com inexistência de evidência experimental fraca ou exploratória.

  68. Lucas Arruda Diz:

    Moizes, respeitosamente, gostaria de fazer uma correção.
    No meu primeiro comentário sobre o EEG, em nenhum momento afirmei que acreditava que a parapsicologia desenvolveu essa ciência. O que escrevi foi apenas:
    “Interessante, Vitor. Não sabia que o EEG tinha sido desenvolvido por Hans Berger enquanto ele estudava a Telepatia. Obrigado por mostrar isso!”
    Ou seja, tratava-se apenas de uma resposta a essa curiosidade histórica que o Vitor mostrou, e não de uma afirmação no caso.
    O que defendo como avanços científicos são, na verdade, pesquisas como o AWARE II, os estudos conduzidos pelo MD Anderson Cancer Center e as descobertas arqueológicas associadas a Stephan Schwartz, todos mencionados nos links acima.

  69. Lucas Arruda Diz:

    Como curiosidade a resposta acima que mandei, aqui está o link do estudo do laboratório em Sean Harribance, onde comprovadamente os camundongos de laboratório com câncer tiveram melhoras. Os autores acreditam que houve nexo de causalidade em relação a Sean Harribance e a cura dos camundongos:
    https://mdanderson.elsevierpure.com/en/publications/human-biofield-therapy-modulates-tumor-microenvironment-and-cance/

    Pessoalmente, para mim não existem dúvidas de que houve nexo causal entre Harribance e os camundongos.

  70. MOIZES Diz:

    /
    Dentre meus múltiplos cães está a Miúcha, a última e, espero, derradeira aquisição. Ela é linda, ativa, saudável e possuída por algum demônio. Já me comeu mais de 8 óculos (felizmente, óculos de camel^), mastigou meu celular, rói paredes, móveis… um encanto!
    .
    Eu havia comprado um HD grandão (em capacidade) para transferir meus arquivos do antigo, que começava a dar sinais de cansaço. A coisa estava indo bem, quando precisei ir ao dentista. Deixei as peças sobre minha bancada de trabalho. Por precaução a enrolei num pano, para o caso de que se algum caísse no chão não se danificaria.
    .
    A Miúcha achou que era brinquedo e passou a arrastar os Hds pela casa, até saírem da proteção. Quando retornei o estrago estava feito. O pior é que o HD antigo não se danificou, o novo sim. Boa parte de meus arquivos já estavam nele, incluindo minhas discussões no Obras e em outros sites. Entrei em contato com o fabricante, pois a peça estava na garantia. Foi-me oferecido a recuperação dos dados, fiquei alegre, nada se perderia!
    .
    O equipamento foi remetido aos EUA, meca da tecnologia. Mas estava tão machucado que não recuperaram nada! Mais de dez anos de material armazenado perdido!
    .
    É por isso que, às vezes, choro…

  71. Lucas Arruda Diz:

    Em relação ao segundo comentário que fiz no post, com base na resposta do Vitor sobre essa curiosidade histórica, mencionei outros avanços associados à parapsicologia. Porém, não afirmei acreditar fielmente que o desenvolvimento do EEG tenha ocorrido diretamente por meio da parapsicologia.
    No caso, peço desculpas se as 2 primeiras respostas feitas por mim aqui no tópico ficaram um pouco confusas, mas foi isso que quis transmitir.

  72. Lucas Arruda Diz:

    Proponho uma reflexão, pois foi isso que me convenceu na aceitação da PES como fato:

    Sobre a questão da telepatia ( e dos fenômenos de Percepção Extra-Sensorial ), em geral, muitos cientistas tentaram identificar seus possíveis mecanismos físicos. Destaco o Dr. Michael Persinger, um cético militante conhecido por criar o “Capacete de Deus”. Ele teorizou que as ondas ELF ( frequência extremamente baixa ) seriam o mecanismo de transporte físico para a telepatia e a visão remota, embora sua teoria não explicasse a precognição.

    Contudo, a hipótese de Persinger foi refutada ainda na década de 1970 por Stephan Schwartz, que demonstrou que as ondas ELF transportam muito poucos bits por segundo, quantidade insuficiente para explicar os milhares de bits exigidos pela visão remota. Além disso, a teoria tampouco abordava a precognição.

    Nos dias atuais, destaca-se o Dr. Edwin May, físico PhD que trabalhou por anos no projeto Stargate. Ele sugere que a PES poderia ser explicada por relações físicas extremamente complexas, como buracos de minhoca. No entanto, o próprio May admite que o mecanismo de transporte do fenômeno permanece completamente desconhecido.

    Vale mencionar ainda os experimentos Ganzfeld ( um dos protocolos mais rigorosos para estudo da PES ). Em períodos de aceitação na ciência mainstream ( como a publicação na American Psychologist, em 2018 ), ficou demonstrado que as evidências estatísticas são extraordinárias ( ultrapassando astronomicamente a linha do acaso ).

    Eis a questão central: o mecanismo para o Ganzfeld e a PES contínua “invisível”, porém, se não houvesse uma causa para tal fenômeno, como explicar os desvios de bilhões e bilhões contra o acaso tão comumente relatados nos experimentos?

  73. Lucas Arruda Diz:

    No caso do Ganzfeld, comentei no último post do blog sobre o artigo de Peter A. Bancel, de 2018, intitulado “Simulating Questionable Research Practices”. Nele, o autor realizou simulações para identificar possíveis práticas de pesquisa questionáveis, como o efeito gaveta ( não publicação intencional de resultados negativos ), fraudes descaradas e outros tipos de vieses experimentais, tanto para o Ganzfeld quanto para outro fenômeno chamado micro-PK.

    As simulações foram conduzidas ao máximo em todos os quesitos possíveis e, ainda assim, o efeito para o Ganzfeld permaneceu praticamente intacto. Como conclusão de seus cálculos, Bancel afirma que o Ganzfeld é genuíno, o mesmo valendo para a micro-PK.

    Recomendo a leitura do artigo. Segundo o ResearchGate, ele ainda aguarda revisão por pares, mas já foi citado em outro artigo de 2025 ( se não me falha a memória ).

  74. Gorducho Diz:

    =======================================================
    Sr. Lucas Arruda disse:

    não afirmei acreditar fielmente que o desenvolvimento do EEG tenha ocorrido diretamente por meio da parapsicologia.

    =======================================================
    Claro que não foi.
    Mas não fique pedindo desculpas. A Casa é pra discussões & debates; caso contrário não serviria pra nada.
    Só o que não pode acontecer é saturação por textos enormes, e/ou espraiando a discussão pra diversas temáticas. Assim sem permitir aos demais responderem focadamente ponto-por-ponto.
     
    =======================================================
    Sr. Administrador disse:

    1) Berger explicitamente buscava base fisiológica para telepatia, o que motivou o EEG.
     
    2) A origem motivacional não invalida a contribuição científica (muitos avanços surgem de hipóteses erradas).

    =======================================================
    Claro que não invalida – 1 das + importantes contribuições de todos os tempos pra tecnologia médica!
    Mas nada-a-ver c/eventual existência d’algum Ψ.
    Certamente tem muitos casos em Ciências + Artes & Ofícios onde alguém dotado de genialidade, e recursos ou capacidade de improvisação, buscando fazer algo acaba obtendo utilidade n’outra área fora do propósito original. Nesses casos, não há “mérito” no “propósito original” per se.
    Bem como a ideia d’1 base fisiológica também não seria tão fantástica, eis que já circulavam há 60+ anos ideias
    como e.g. desde 1850 no
    Physikalisch-physiologische Untersuchungen über die Dynamide des Magnetismus, der Elektrizität, der Wärme, des Lichtes, der Krystallisation, des Chemismus in ihren Beziehungen zur Lebenskraft,
    do Barão Karl Ludwig Freiherr von Reichenbach.
    Como o Sr. sabe perfeitamente, claro.

  75. Lucas Arruda Diz:

    Oi Gorducho, boa tarde!
    Obrigado pela resposta e esclarecimentos colega.

  76. MOIZES Diz:

    /
    1. William Diz:

    .
    Moisés, você afirmou que da parapsicologia “não adveio qualquer contribuição ao desenvolvimento da ciência”. … As metanálises, hoje ferramenta padrão em medicina e psicologia, foram em grande parte desenvolvidas por pesquisadores psi para lidar com efeitos pequenos. Técnicas de controle experimental contra vazamento sensorial e viés, que você mesmo exige, foram os parapsicólogos que as refinaram. O projeto Stargate produziu protocolos de visão remota que geraram inteligência aproveitável, conforme documentos oficiais da CIA. E, como Lucas lembrou, o AWARE II de Sam Parnia — um dos maiores estudos sobre consciência durante parada cardíaca — nasceu da investigação de experiências de quase-morte, tema historicamente marginalizado pela neurologia convencional até que a pesquisa psi lhe desse dignidade metodológica.
    .
    COMENTÁRIO: estamos discutindo mediunidade, não parapsicologia. De qualquer modo, faço pequenas apreciações:
    .
    – Projeto Stargate: se essa empreitada rendesse frutos reais não teria sido desativada e hoje teríamos sensitivos enxergando alienígenas na face oculta da lua, conversando com os habitantes de Vênus, trocando ideias com Mozart em Júpiter…
    .
    – Projeto Aware, de Sam Parnia: tás de brinca, não? Parnia fez grande alarde em seu empreendimento, cujo melhor resultado foi não ter dado em nada! Ele queria que os espíritos, em situação de quase morte, desgrudados do corpo e volitando acima de si mesmos, lessem bilhetinhos que pusera em pontos altos no local da internação e, depois que a alma retornasse ao corpo, noticiassem o que viram! Experimento científico? Putz! Programa humorístico, isso sim! Sam, teimosamente, rejeitou o fato de que toda experiência fora do corpo é um devaneio mental. Se existe um espírito dentro dos seres e esse sai, babou! Isso se denomina morte! Meus pêsames…
    .
    O que se chama de experiência de quase morte – EQM é um processo psíquico, que ocorre com algumas pessoas (há quem diga que com 18% dos pacientes graves), que entram em estado onírico, enquanto o organismo luta para sobreviver. Se o infeliz retorna à consciência traz consigo lembranças desse sonho. Têm histórias fabulosas de gente que viajou não se sabe para onde, e deixou seu corpítio descansado no leito hospitalar; até pessoas que foram ao céu e retornaram e de lá trouxeram mil e uma fantasias! Crês tu nisso?
    .
    A lei universal de vida e morte reza que se morreu não volta, se voltou é porque não morreu! Simples, direto e lógico.
    .
    Ao que parece, Parnia não levava fé nos que garantem ser capazes de projetar sua consciência para fora do corpo e realizar deliciosas excursões, sem estarem em situação de quase morte. Waldo Vieira era professor de projeção astral, até encontrou uma raça alienígena nessas “viagens”: os serenões. Pelo nome devem ser seres muito calmos e pacíficos…
    .
    Se Parnia testasse esses projetores de fora de si mesmos seria mais fácil de aferir se realmente são capazes do que alegam serem capazes… Em vez de esperar que comatosos quase morressem, para depois relatarem histórias inverificáveis, poderia pôr sob escrutínio técnico os capazes de projetar suas mentes, ou almas, consciências, ou o que fosse.
    .
    Eu já vivenciei uma EQM, se houver oportunidade, narrarei minha aventura, da qual estou arrepiado até agora…

  77. MOIZES Diz:

    /
    Lucas Arruda Diz:
    .
    Moizes, respeitosamente, gostaria de fazer uma correção.
    No meu primeiro comentário sobre o EEG, em nenhum momento afirmei que acreditava que a parapsicologia desenvolveu essa ciência. O que escrevi foi apenas:
    “Interessante, Vitor. Não sabia que o EEG tinha sido desenvolvido por Hans Berger enquanto ele estudava a Telepatia. Obrigado por mostrar isso!”
    […].
    O que defendo como avanços científicos são, na verdade, pesquisas como o AWARE II, os estudos conduzidos pelo MD Anderson Cancer Center e as descobertas arqueológicas associadas a Stephan Schwartz, todos mencionados nos links acima.
    .
    COMENTÁRIO: sesculpe, meu camarada, como não pude ainda ler todos os seus pronunciamentos, entendi que a fala do William reportasse depoimento de sua pessoa:
    .
    ————————————
    “Moisés, você afirmou que da parapsicologia “não adveio qualquer contribuição ao desenvolvimento da ciência”. VITOR E LUCAS JÁ MOSTRARAM QUE ESSA AFIRMAÇÃO É FACTUALMENTE INCORRETA.”

    —————————————
    .
    Sendo assim, desconsidere a citação de seu nome na apreciação.
    .
    Sobre o Aware de Parnia fiz algumas ponderações ao William. Se quiser refutá-las fique à vontade.
    .
    Os estudos do Anderson Câncer desconheço, ou esqueci, portanto não posso comentar por enquanto.
    .
    Quanto às supostas descobertas arqueológicas associadas a Stephan Schwartz, o assunto foi longamente discutido aqui no Obras. Veja se consegue acha-lo, caso não encontre, peça socorro à clarividência do Vitor. Nessa discussão há comentários interessantes a respeito.

  78. Lucas Arruda Diz:

    Moizes comentou sobre a resposta de William:

    “Projeto Stargate: se essa empreitada rendesse frutos reais, não teria sido desativada. Hoje teríamos sensitivos enxergando alienígenas na face oculta da Lua, conversando com habitantes de Vênus ou trocando ideias com Mozart em Júpiter.”

    Comentário:

    Targ e May afirmam que o Projeto Stargate não conseguiu treinar os psíquicos a ponto de produzirem resultados operacionais concretos. No entanto, os efeitos detectados ultrapassaram de forma significativa o mero acaso, conforme documentado em diversas referências.

    Quanto à resposta: “…hoje teríamos sensitivos enxergando alienígenas… (etc), essa suposição, vejo eu, não invalida os dados obtidos, que, novamente, superam de maneira astronômica o acaso, permitindo concluir, com base estatística sólida, que o efeito existe.

    Sobre as referências do AWARE II:

    Parnia demonstrou que o fenômeno da EQM ocorre, mas não afirma se ele é de natureza materialista ou dualista. O estudo AWARE II também provou que vítimas de parada cardiorrespiratória (RCP) podem manter ou emergir consciência, mesmo estando clinicamente inconscientes segundo os sinais disponíveis aos médicos. Recomendo a leitura completa do artigo.

    Questão crucial sobre os 18% de relatos de EQM:

    Esse dado provém de um estudo publicado em 2001 na The Lancet, conduzido pelo Dr. Pim van Lommel. Nas próprias palavras do autor:

    “Interpretação: Não sabemos por que tão poucos pacientes cardíacos relataram uma EQM após a RCP, embora a idade seja um fator. Se a explicação fosse puramente fisiológica — como anoxia cerebral —, a maioria dos pacientes que esteve clinicamente morta deveria relatar a experiência.”

    Van Lommel demonstrou que fatores fisiológicos, neurofisiológicos e psicológicos, como tempo de RCP, profundidade da anoxia cerebral, medo da morte ou uso de medicamentos, não influenciaram a ocorrência das EQMs. Para ele, uma explicação puramente fisiológica não consegue justificar a baixa incidência de relatos. Se o fenômeno fosse universal e estritamente fisiológico, a maioria dos pacientes deveria relatá-lo, o que não ocorre, não apenas no estudo da The Lancet, mas em todas as pesquisas sérias sobre o tema até hoje, todas apontando para baixas incidências.

    Recomendo a leitura de ambos os artigos.
    Tenha uma boa tarde, e uma boa tarde também a todos do blog.

  79. Lucas Arruda Diz:

    Sobre o tema da Percepção Extra-Sensorial e do projeto Stargate, recomendo fortemente a leitura de um artigo já traduzido pelo Vitor há algum tempo: o de Etzel Cardeña, publicado na American Psychologist (2018). O trabalho não apenas aborda a PES de forma abrangente, mas também analisa o Efeito Ganzfeld, atualmente o procedimento laboratorial mais confiável para estudar a PES. Os resultados da metanálise apresentada por Cardeña são expressivos, ultrapassando significativamente o que seria esperado pelo acaso.

    Quanto às críticas e dúvidas metodológicas envolvendo o Ganzfeld, recomendo igualmente a leitura do artigo de Peter Bancel (2018), intitulado “Simulating Questionable Research Practices”. Nele, Bancel realiza simulações computacionais para testar o impacto de possíveis vieses, como fraudes explícitas, efeito de gaveta ( isso é, a omissão intencional de resultados negativos ) e outras más práticas de pesquisa. As simulações, em seu conjunto, não confirmaram a influência desses vieses nos resultados positivos do Ganzfeld. Segundo o próprio Bancel, isso reforça a autenticidade do fenômeno.

    ( Obs: parece que o artigo de Bancel ainda aguarda revisão por pares, ou seja, validação independente por outros pesquisadores. No entanto, notei que ele já foi citado em um trabalho de 2025 ).

    No caso, por hoje, não vou mais indicar os artigos citados, pois já indiquei algumas vezes os mesmos aqui nesse tópico e não quero poluir a página.

  80. Lucas Arruda Diz:

    No caso, para complementar uma pendência sobre a discussão das EQMs, onde fiquem a vontade para comentar suas opiniões:

    Há 40 anos, Sabom conduziu um estudo comparando vítimas de EQMs que relataram experiências fora do corpo ( EFCs ) durante parada cardíaca ou anestesia cirúrgica com pacientes cardíacos experientes, que nunca relataram EQMs ( e que já haviam permanecido em hospitais). Sabom descobriu que as vítimas de EQMs acertavam com muito mais precisão os detalhes de procedimentos de RCP ou de cirurgias específicas do que os cardiopatas experientes.

    Posteriormente, a revista The Lancet documentou uma EFC considerada verídica pelos próprios autores do artigo. Mais adiante, no estudo AWARE I, Parnia registrou o caso de uma vítima de parada cardíaca, clinicamente inconsciente, que relatou consciência plena tanto do ambiente quanto dos sons. No AWARE II, Parnia demonstrou que pacientes clinicamente inconscientes podem preservar a capacidade de recordar estados de consciência, mesmo quando os registros médicos indicam o contrário.

    ( Obs: Parnia mostrou que apenas 1% das vítimas durante a RCP abrem ou movem os olhos ).

    Diante disso, pergunto: como vítimas de EQMs profundas, geralmente com os olhos fechados, conseguem acertar de forma consistente os aspectos visuais das manobras de RCP realizadas, conforme demonstrado pelos estudos do The Lancet e do AWARE I?

  81. William Diz:

    Caros Moisés, Vitor, Lucas e Gorducho

    Serei conciso. Três pontos apenas, respondendo ao essencial.

    1. Sobre o EEG e a parapsicologia
    Moisés, você argumenta que o EEG não representa uma contribuição da pesquisa psi porque Berger não publicou um tratado de telepatia, e o aparelho jamais detectou a “energia psíquica” que ele buscava. Isso é historicamente preciso: o EEG não provou a telepatia.

    Mas o ponto de Vitor nunca foi esse. O ponto é que a motivação de Berger — a busca por uma base fisiológica para a telepatia — foi o motor que o levou a desenvolver o EEG. A hipótese era errada, o fruto foi real. Isso não torna a telepatia verdadeira, mas mostra que a investigação de fenômenos anômalos pode gerar avanços inesperados. A física de Klauber que discutimos, o Projeto Stargate, os protocolos Ganzfeld — todos são exemplos de que a fronteira do desconhecido é onde as ferramentas se refinam. Se a regra for “só é contribuição se provar o paranormal”, então nenhum campo nascente jamais contribuiu para a ciência — porque todos começaram com hipóteses erradas.

    2. Sobre o Projeto Stargate e o AWARE
    Você diz que o Stargate foi desativado porque não produziu frutos. Parcialmente verdade. Foi desativado por questões políticas e de custo-benefício operacional, mas produziu resultados estatisticamente significativos — como os documentos da CIA atestam e como Lucas bem lembrou. Resultado estatístico positivo não é o mesmo que arma operacional.

    Quanto ao AWARE, sua crítica aos “bilhetinhos” é conhecida. Mas Lucas trouxe um dado que merece destaque: Van Lommel mostrou que, se a EQM fosse puramente fisiológica (anóxia cerebral), a maioria dos pacientes a relataria. Não relatam. O AWARE II demonstrou que pacientes clinicamente inconscientes podem ter recordações verificáveis do ambiente. Isso não prova dualismo, mas torna a explicação puramente materialista insuficiente — e justifica continuar investigando.

    3. Sobre mecanismo versus evidência
    Lucas falou algo decisivo: os experimentos Ganzfeld mostram desvios astronômicos contra o acaso, mas o mecanismo de transporte da informação permanece desconhecido. Isso é comum na história da ciência. A gravidade newtoniana funcionava sem mecanismo conhecido por séculos. A deriva continental de Wegener foi ridicularizada por falta de mecanismo. Exigir que a mediunidade revele seu mecanismo antes de aceitarmos que os dados existem é inverter o ônus da prova.

    Quanto ao artigo do Míssel Crítico: Vitor diz que eu não li. Se há nele uma refutação documentada de vazamento no caso Isidoro — com fontes, datas e evidência positiva —, aguardo a referência. Até agora, o que vi são hipóteses genéricas de “caminhos naturais”. Isso não refuta.

    Concluindo: a mediunidade não está provada. Mas está documentada, metanalisada e alinhada com uma física que admite os mundos sutis. Se a exigência for simétrica, ela merece o mesmo tratamento que a ciência dá a outros fenômenos sem mecanismo conhecido: investigação contínua, não ridículo.

    William Anthony Mounter

  82. Lucas Arruda Diz:

    Pelo amor de Deus, Sr. William…
    Já foi dito que os textos devem ficar menores!

  83. Lucas Arruda Diz:

    Desculpe, não vou ler os textos, pois já é sacanagem depois de tantos avisos o sr. postar essa quantidade imensa de textos.

  84. Vitor Diz:

    Lucas,
    o William vai aprender por bem ou por mal. De todo modo apaguei os excessos.

  85. Vitor Diz:

    William, já que você não quer ler o meu artigo e do Míssel, faz assim, como você adora usar IA, pede para ela localizar o que você quer no artigo.

  86. Lucas Arruda Diz:

    Vitor, a conta parece ser de um troll pelo visto. Ninguém com seriedade faz isso novamente depois de um turbilhão de avisos.

  87. Lucas Arruda Diz:

    Se ninguém até agora lhe escreveu, eu escrevo:
    Aqui é um blog de debates e traduções de artigos sérios, não um circo.
    Se o sr. quer fazer palhaçada, aqui não é o lugar.
    Estamos aqui pra debater assuntos e estudos sérios, não pra zoar.

  88. MOIZES Diz:

    /
    William Diz:
    .
    1. Sobre o EEG e a parapsicologia
    Moisés, você argumenta que o EEG não representa uma contribuição da pesquisa psi porque Berger não publicou um tratado de telepatia, e o aparelho jamais detectou a “energia psíquica” que ele buscava. Isso é historicamente preciso: o EEG não provou a telepatia.
    .
    Mas o ponto de Vitor nunca foi esse. O ponto é que a motivação de Berger — a busca por uma base fisiológica para a telepatia — foi o motor que o levou a desenvolver o EEG. A hipótese era errada, o fruto foi real. Isso não torna a telepatia verdadeira, mas mostra que a investigação de fenômenos anômalos pode gerar avanços inesperados. A física de Klauber que discutimos, o Projeto Stargate, os protocolos Ganzfeld — todos são exemplos de que a fronteira do desconhecido é onde as ferramentas se refinam. Se a regra for “só é contribuição se provar o paranormal”, então nenhum campo nascente jamais contribuiu para a ciência — porque todos começaram com hipóteses erradas.
    .
    COMENTÁRIO: Eu te entendo, Mounter… Ouvi falar de um pesquisador psi que tentava provar que as formigas se comunicam telepaticamente. Depois de muito observar ele descobriu que os tamanduás preferem as fêmeas no cio, pois são mais nutritivas. A telepatia entre formigas (e entre humanos) não foi provada, mas se o interessado em paranormalidade não fosse interessado em paranormalidade a preferências dos tamanduás nunca seria percebida (ou demoraria mais para ser). Então, podemos contabilizar essa história como mais uma contribuição da paranormalidade para o conhecimento geral… E assim a pesquisa de fenômenos anômalos segue seu curso, nunca conseguindo demonstrar nada em seu campo investigativo, mas enriquecendo a ciência de montão… (atenção, tem ironia).
    .
    Todos os campos nascentes científicos começaram com hipóteses erradas? Quais foram as hipóteses erradas da física quântica?
    .
    Em pensava que as hipóteses, em termos científicos devem ser testáveis e, a partir das testagens, são confirmadas ou refutadas. O que você chama de hipótese errada é melhor denominada hipótese refutada. Hipóteses “erradas” não são exclusividade das ciências no nascedouro, elas fazem parte do desenvolvimento do saber científico.
    /
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    William Diz:
    ,
    2. Sobre o Projeto Stargate e o AWARE
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    Você diz que o Stargate foi desativado porque não produziu frutos. Parcialmente verdade. Foi desativado por questões políticas e de custo-benefício operacional, mas produziu resultados estatisticamente significativos — como os documentos da CIA atestam e como Lucas bem lembrou. Resultado estatístico positivo não é o mesmo que arma operacional.
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    COMENTÁRIO: tu é brincalhão mesmo! Um projeto que consumiu milhões e produziu o quê? Resultados estatísticos… Precisa dizer mais?
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    William Diz:
    ,
    Quanto ao AWARE, sua crítica aos “bilhetinhos” é conhecida. Mas Lucas trouxe um dado que merece destaque: Van Lommel mostrou que, se a EQM fosse puramente fisiológica (anóxia cerebral), a maioria dos pacientes a relataria. Não relatam. O AWARE II demonstrou que pacientes clinicamente inconscientes podem ter recordações verificáveis do ambiente. Isso não prova dualismo, mas torna a explicação puramente materialista insuficiente — e justifica continuar investigando.
    .
    COMENTÁRIO: não sei porque a falta de oxigênio no cérebro teria que produzir iguais sintomas em todos que a experenciassem! As pessoas não são cópias idênticas umas das outras, reagem de modo variado ante iguais estímulos. Os sintomas comuns são os sonhos insólitos, os conteúdos desses sonhos são múltiplos. Se nem todos relatam sensações oníricas não significa que não as experimentaram, podem ter tido devaneios leves e deles esquecido. Existem pessoas que garantem que nunca sonham, mas se postos sob experimento controlado os sonhos aparecem.
    /
    /
    William Diz:
    .
    3. Sobre mecanismo versus evidência
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    Lucas falou algo decisivo: os experimentos Ganzfeld mostram desvios astronômicos contra o acaso, mas o mecanismo de transporte da informação permanece desconhecido. Isso é comum na história da ciência. A gravidade newtoniana funcionava sem mecanismo conhecido por séculos. A deriva continental de Wegener foi ridicularizada por falta de mecanismo. Exigir que a mediunidade revele seu mecanismo antes de aceitarmos que os dados existem é inverter o ônus da prova.
    .
    COMENTÁRIO: és mesmo um pândego otimista! Desvios astronômicos, o Ganzfeld?! Se fosse nessa monta estratosférica que garante, a coisa restaria provada e experiências telepáticas se reproduziriam a mancheias! Contatos ocorreriam rotineiramente. Embora na atualidade o celular substitua com vantagens mil as medonhas limitações das acreditadas telepatizações, se estas fossem úteis como pedido de socorro, como alguns acreditam, teriam salvado pessoas perdidas em variadas situações de perigo: desaparecidos em florestas, trilhas, cavernas, em urbes que não conhecem, sequestrados, e afins…
    .
    O que de melhor se pode dizer sobre a pesquisa psi está contido no postulado de Moi, que assim reza:
    .
    ————————————
    “PSI, caso exista, é “força” de atuação tênue, de ocorrência esporádica e imprevisível, sem controle da parte quem supostamente a possui, e sem utilidade conhecida.”
    ———————————-
    ./
    /

    William Diz:
    .
    Quanto ao artigo do Míssel Crítico: Vitor diz que eu não li. Se há nele uma refutação documentada de vazamento no caso Isidoro — com fontes, datas e evidência positiva —, aguardo a referência. Até agora, o que vi são hipóteses genéricas de “caminhos naturais”. Isso não refuta.
    .
    Concluindo: a mediunidade não está provada. Mas está documentada, metanalisada e alinhada com uma física que admite os mundos sutis. Se a exigência for simétrica, ela merece o mesmo tratamento que a ciência dá a outros fenômenos sem mecanismo conhecido: investigação contínua, não ridículo.
    .
    COMENTÁRIO: curiosa sua argumentação: “a mediunidade não está provada. Mas está documentada”… o mesmo se pode dizer de tantas coisas… astrologia, vidência, profecias, homeopatia, florais de Bach, acupuntura, radiestesia… e afins…
    .
    “alinhada com uma física que admite os mundos sutis”. Que física é essa, invenção de sua criatividade? Ou falas da quântica? Se for esta, dá pena da pobre coitada, tão usurpada em seus postulados, para amparar as mais exóticas cogitações!
    .
    Algo que me causa grande espanto e profunda admiração é vê-lo reclamar de que estão invertendo o ônus da prova e vemos sua bela pessoa fazendo essa inversão de forma dramática! Sua reclamação é a de que lhe provem que as informações contidas nas mensagens mediúnicas vazaram para Chico por meios banais, triviais. Se não lhe for provado bem provadinho, então passa a valer a tese mediúnica! Ora quem tem que provar é quem defende a mediunidade. A “prova” que ostenta, favorável ao intercâmbio entre mortos e vivos, é a de que os experimentadores garantem que Chico não teve acesso aos informes. Se eles assim asseveram então fim de papo! Codidoido!
    .
    A conjetura como explicação se refuta a si mesma, visto que, você mesmo concorda, “não está provada”: como é que pode usar algo que não está provado (ou demonstrado) como prova do que quer que seja? Quando muito, pode servir como hipótese de trabalho, como prova jamais!
    .
    Sorry.

  89. Lucas Arruda Diz:

    Moizes comentou sobre a postagem do William:
    “não sei porque a falta de oxigênio no cérebro teria que produzir iguais sintomas em todos que a experenciassem! As pessoas não são cópias idênticas umas das outras, reagem de modo variado ante iguais estímulos. Os sintomas comuns são os sonhos insólitos, os conteúdos desses sonhos são múltiplos. Se nem todos relatam sensações oníricas não significa que não as experimentaram, podem ter tido devaneios leves e deles esquecido. Existem pessoas que garantem que nunca sonham, mas se postos sob experimento controlado os sonhos aparecem.”

    Comentário:
    Infelizmente, não sou médico, mas li o artigo de 2001 do Dr. van Lommel, no qual fica claramente registrado que a fisiologia, a neurofisiologia e a psicologia, em conjunto, não conseguem explicar a baixa incidência do fenômeno EQM, como o próprio autor afirma na página 8 do artigo:
    “Nós não mostramos que os fatores psicológicos, neurofisiológicos, ou fisiológicos causaram estas experiências após a parada cardíaca.”

    O conceito básico de fisiologia, de acordo com breves pesquisas na internet, refere-se às reações orgânicas do próprio organismo e ao seu funcionamento voltado para a regulação do equilíbrio interno.

    É fato que a The Lancet é uma revista médica de renome, com artigos revisados por outros médicos e especialistas da área. Portanto, é fato que seus revisores conhecem a fisiologia humana, ou seja, o funcionamento do organismo e seus componentes biológicos, incluindo os mecanismos neurofisiológicos do cérebro.

    Nessa mesma revista, com base na análise de três especialistas, interpreta-se que a neurofisiologia cerebral, quando submetida à anoxia cerebral ( fenômeno universal induzido por parada cardíaca ), apresenta reações neurofisiológicas universais. No entanto, tais reações não explicam a baixa incidência do fenômeno EQM. Os autores concluem, então, que o mecanismo envolvido não é fisiológico, uma vez que todo o processo básico desencadeado pela anoxia é universal.

    ( Obs: No artigo, é relatado que a minoria dos pacientes com menos de 60 anos relatou o fenômeno da EQM, se não me falha a memória apenas 1/4. Se considerarmos que o conceito de “maioria” corresponde a pelo menos 51% dos casos, então é correto afirmar que a maioria dos jovens deveria ter relatado a experiência, o que não ocorreu. Vale lembrar que todos esses jovens se encontravam em condições médicas idênticas: estavam em parada cardíaca e clinicamente mortos ).

  90. Lucas Arruda Diz:

    Destaco 2 passagens do artigo:

    Página 1:
    “Várias teorias sobre a origem da EQM foram propostas. Alguns pensam que a experiência é causada por alterações fisiológicas no cérebro, como as células cerebrais que estão morrendo como resultado de anoxia cerebral.2–4 Outras teorias abrangem uma reação psicológica à morte se aproximando,5 ou a uma combinação de tal reação e anoxia.6”

    Página 7:
    “Nossos resultados mostram que fatores médicos não podem explicar a ocorrência de EQM; embora todos os pacientes tenham estado clinicamente mortos, a maioria não passou por uma EQM. Além disso, a gravidade da crise não esteve relacionada com a ocorrência ou a profundidade da experiência. Se fatores puramente fisiológicos resultantes da anoxia cerebral causassem a EQM, a maioria de nossos pacientes deveria ter tido esta experiência. A medicação dos pacientes também não esteve relacionada com a frequência da EQM. Fatores psicológicos são improváveis de serem importantes, já que o medo não foi associado à EQM.”

    Em relação à passagem da página 7, é confirmado que a fisiologia humana não explica a baixa incidência dos relatos, onde é afirmado que a maioria deveria relatar a EQM.
    ( obs: sobre a questão psicológica, van Lommel comentou em várias entrevistas disponíveis no YouTube que o medo da morte não está relacionado a causa da EQM pelo fato das vítimas não terem ciência que irão ter uma parada cardíaca ).

  91. Lucas Arruda Diz:

    Sobre esse comentário na postagem do William:
    “COMENTÁRIO: tu é brincalhão mesmo! Um projeto que consumiu milhões e produziu o quê? Resultados estatísticos… Precisa dizer mais?”
    Em relação ao projeto Stargate, que custou milhões: eu acredito que isso não correlaciona com o fato da PES ter produzido resultados estatísticos que ultrapassaram bilhões e bilhões de vezes a linha do acaso, demonstrando que o efeito de fato ocorreu. Infelizmente, não sou estatístico, mas desconheço na ciência estatística algo que consiga explicar pelo acaso um fenômeno cuja magnitude ultrapasse o próprio acaso em bilhões de vezes.

  92. Lucas Arruda Diz:

    Ao meu ver, sobre a PES em geral e sua relação com as ciências estatísticas, sugiro a leitura do artigo de Etzel Cardeña publicado na American Psychologist da APA, periódico com revisão por pares ( se não me engano, essa edição foi revisada pela própria presidência da revista ) no âmbito da psicologia da América do Norte.

    Na revista, Cardeña comenta o seguinte:
    “O TE de alguns protocolos psi não são apenas comparáveis, mas muito maiores que os dos usos clinicamente recomendados de aspirina ou propanolol para prevenir doenças cardíacas (Spencer, 1995; Utts, 1991) e seriam classificados como ‘baseados em evidências’ aplicando os critérios da prática clínica (cf. Haidich, 2010).”

    Recomendo também a leitura do próprio artigo de Utts e uma referência de Daryl Bem, que pertence à APA, nos quais ele comenta essa mesma questão.

    American Psychologist ( 2018 ):
    https://app.box.com/s/7okanski3sorelx2gmci07uwy8m2q9uf

    Daryl Bem:
    https://app.box.com/s/evorxiwhst4frru3l6zfwx1fcqqxg2g1

    Jéssica Utts:
    https://app.box.com/s/uvifxq1tisk4q9b2hw0xskovj8kcg71e

  93. Lucas Arruda Diz:

    E finalizando por enquanto, desde já desejo a todos uma boa tarde.

    No AWARE II, Sam Parnia escreveu nas conclusões do artigo:

    “Conclusões: A consciência e os processos cognitivos podem ocorrer durante a PC. A emergência de atividade EEG normal pode refletir a retomada de uma atividade cognitiva em nível de rede e ser um biomarcador de consciência, lucidez e ERM (experiências autênticas de “quase morte”).”

    A respeito da emergência de atividade EEG normal, o artigo admite a possibilidade de retomada da atividade cognitiva, ainda que em outro trecho seja afirmado:

    “A identificação de potenciais biomarcadores eletrocorticais da consciência não resolve esse enigma, pois uma associação não implica causalidade.”

    Link do artigo AWARE II:
    https://app.box.com/s/mgxwyamkr805owch63rlbl8u1wefvisv

    Escrevo isso porque já vi céticos argumentarem que o fenômeno seria exclusivamente cerebral, com base nessa passagem do artigo.

    No entanto, o mecanismo que desencadeia o fenômeno em sua ocorrência não é explicado pela fisiologia, conforme amplamente discutido nos últimos comentários. Se o mecanismo fosse fisiológico, mais de 50% das vítimas de RCP deveriam relatar o fenômeno, interpretando o artigo da The Lancet de Pim van Lommel (2001).

    No estudo da The Lancet, 18% relataram o fenômeno estando clinicamente nas mesmas condições, o que demonstra que o mecanismo do fenômeno não é fisiológico.

    Link do artigo traduzido da The Lancet (2001):
    https://app.box.com/s/9007c2ncxo3yifx2neslaaitx6mn7kyb

  94. Lucas Arruda Diz:

    Uma última questão, relacionada ao estudo da The Lancet e às EQMs em geral:

    Já observei alguns céticos que afirmam que o DMT seria a causa das visões relatadas nas EQMs.
    Sabe-se, de fato, que o corpo humano produz DMT de forma endógena, conforme demonstrado nesse estudo:
    https://www.nature.com/articles/s41598-019-45812-w

    Além disso, já vi um vídeo em que o neurologista Dr. Edson Amâncio relata que idosos tendem a produzir menos DMT do que pessoas mais jovens. Também é fato que o estudo da The Lancet identificou que apenas uma minoria dos idosos clinicamente mortos relatou EQMs, sendo que a maioria dos que vivenciaram o fenômeno tinha menos de 60 anos.

    Diante disso, alguns céticos interpretam que o DMT seria o agente causal das EQMs.

    Porém, se o DMT realmente causa o fenômeno, então por que a maioria dos jovens em parada cardiorrespiratória, estando sob a combinação de anoxia cerebral + presença de DMT endógeno, não relata EQMs?
    Ora, se os jovens se encontram na mesma condição fisiológica de anoxia cerebral e produção de DMT, seria de se esperar que a maioria ( ou mais de 50% ) deles relatasse o fenômeno, o que não ocorre. Segundo o estudo da The Lancet, apenas cerca de 1 em cada 4 jovens relatou EQM ( se não me falha a memória ), ou seja, uma minoria.

    Portanto, interpreto que o DMT isoladamente não causa as EQMs e não explica por que os jovens, teoricamente com maior produção dessa substância, não vivenciam o fenômeno com mais frequência.

  95. Lucas Arruda Diz:

    Encontrei o vídeo em que o Dr. Edson Amâncio fala sobre o DMT e sua baixa produção em idosos:

    https://youtu.be/6EGBjrzODIc?si=FiNNNNQATI_RZeR5

    O minuto do vídeo é: 19:41

  96. Gorducho Diz:

    Acho que irei conseguir responder…
    Mas inicialmente 1 dúvida de quem é especializado em Espiritismo: DTM❔

  97. Gorducho Diz:

    DMT Sr. Administrador
    e, claro, fvr. apague pra não poluir.
    amanhã n’1 “computador” articulo respostas.

  98. Lucas Arruda Diz:

    Com base nos dados da The Lancet, fiz alguns cálculos ( se estiverem errados, por favor, não deixem de me corrigir ):

    · Total de entrevistados: 344
    · Idosos: 216
    · Jovens: 128

    Dos 216 idosos, 30 relataram EQMs, o que corresponde a 14%.
    Dos 128 jovens, 32 relataram EQMs, equivalente a 25%.

    Interpretando o artigo da The Lancet, em que o conceito de “maioria” seria mais de 50%, e aceitando que o DMT é produzido de forma endógena e universal no organismo dos jovens ( já que os idosos possuem menos zinco, substância que, segundo o Dr. Amâncio, é crucial para a formação do DMT ), então a The Lancet deveria ter encontrado pelo menos mais 33 jovens relatando o fenômeno ( totalizando 51% ) para que se pudesse interpretar que o DMT é a causa das EQMs.

    Diante disso, estou convencido de que a relação entre anóxia cerebral e presença de DMT não causa o fenômeno. Confio que o argumento do estudo da The Lancet demonstra que a fisiologia humana não explica o mecanismo das EQMs.

    ( Errata: em um dos primeiros textos que escrevi nesse debate recente, tinha relatado que 3 especialistas do artigo tinham concluído que a fisiologia humana não causa o fenômeno EQM. Na verdade, são 4 especialistas, juntando o Dr. Pim van Lommel e os outros 3 autores ).

  99. Gorducho Diz:

    ============================================================
    Sr. Lucas Arruda disse:

    Se o mecanismo fosse fisiológico, mais de 50% das vítimas de RCP deveriam relatar o fenômeno, interpretando o artigo da The Lancet de Pim van Lommel (2001).
    No estudo da The Lancet, 18% relataram o fenômeno estando clinicamente nas mesmas condições, o que demonstra que o mecanismo do fenômeno não é fisiológico.

    ============================================================
    Tem 3 coisas envolvidas na questão:
    1) Eventual reação fisiológica, e que não será = em todos organismos.
    2) Reação individual de cada cérebro a essa.
    3) A eventual LEMBRANÇA desta reação do cérebro, eis que o relato sempre vai ser a posteriori.

  100. Lucas Arruda Diz:

    Bom dia, Gorducho!
    Sobre a questão “Eventual reação fisiológica, e que não será = em todos organismos”, eu tenho uma interpretação diferente. Entendo que a conclusão dos autores está relacionada à ideia de que o conceito de “maioria” deveria corresponder a mais de 50% dos casos. No trecho em que o Dr. van Lommel apresenta a parte “puramente fisiológica”, essa expressão, vejo eu, se refere ao conjunto universal da fisiologia humana. Como ele mesmo escreve: “Com uma explicação puramente fisiológica, tal como anoxia cerebral para a experiência, a maioria dos pacientes que esteve clinicamente morta deveria relatar uma.”

  101. Lucas Arruda Diz:

    Sobre a relação da memória, é relatado no artigo:

    “Uma RCP longa às vezes pode induzir a perda de memória e os pacientes afetados dessa forma relataram EQMs em um número significativamente menor do que outros (tabela 3).”

    Porém, segundo a minha interpretação do artigo, a memória não explica a ocorrência da experiência em si.

    Interpreto assim usando o próprio resumo:

    “Com uma explicação puramente fisiológica, tal como anoxia cerebral para a experiência, a maioria dos pacientes que esteve clinicamente morta deveria relatar uma.”

    E também na parte da discussão do documento:

    “Se fatores puramente fisiológicos resultantes da anoxia cerebral causassem a EQM, a maioria de nossos pacientes deveria ter tido esta experiência.”

  102. Lucas Arruda Diz:

    É também relatado nas descobertas do artigo:
    “A ocorrência da experiência não esteve associada com a duração da parada cardíaca ou do estado inconsciente, medicação ou o medo da morte antes de uma parada cardíaca. A frequência da EQM foi afetada pelo modo como definimos este conceito, a natureza prospectiva da pesquisa em pacientes cardíacos mais velhos, a idade, a sobrevivência à parada cardíaca no primeiro infarto do miocárdio, mais de uma reanimação cardiopulmonar (RCP) durante a permanência no hospital, EQMs anteriores e problemas de memória após uma RCP prolongada.”

    Ou seja, à frequência da EQM estava relacionada a problemas de memória em RCPs longas, mas a ocorrência ( ou causa ) do fenômeno não estava relacionado a duração da parada cardíaca ou gravidade da inconsciência.

    Pessoalmente, estou convencido que o mecanismo que causa o fenômeno não é fisiológico, com base nos dados apresentados.

  103. Lucas Arruda Diz:

    Para finalizar por enquanto, eu concordo com a interpretação do artigo que conclui que a falta de memória é um fator que afeta o relato da EQM, mas não a sua causa. A causa permanece sendo não fisiológica, pois mesmo pacientes sem problemas de memória e com condições clínicas semelhantes ( mesmo tempo de parada cardíaca, anóxia, medicação e etc ), não vivenciaram a EQM.
    E sobre a questão de saber que a maioria dos pacientes tinha boa memória, convido analisar a tabela 1 e a tabela 3, onde é demonstrado que:
    344 pacientes passaram por morte clínica ( parada cardíaca ).
    Destes, 282 ( 82% ) não relataram EQM.
    Destes 282, a grande maioria tinha memória preservada ( pois apenas 40 pacientes no total apresentaram falha de memória ).
    Ora, se a anoxia cerebral fosse a causa direta da EQM, os 282 pacientes com boa memória deveriam ter lembrado da experiência. Como não lembraram ( ou não tiveram a experiência ), isso indica, para mim, que a falta de memória não é a causa da ausência da EQM.

  104. Gorducho Diz:

    ============================================================
    Sr. Lucas Arruda disse:

    isso indica, para mim, que a falta de memória não é a causa da ausência da EQM.

    ============================================================
    O Sr. interpretou mal o que eu falei acerca da memória❗
    Veja: NDEs dependem por definição de memória, eis que só são verificadas por relatos a posteriori – = óbvio.
    Se trata de como cada cérebro irá reagir caso-a-caso e não se o(a) paciente “tem boa memória” ou não na sua vida quotidiana.
     
    ============================================================

    interpreto assim usando o próprio resumo:
    “Com uma explicação puramente fisiológica, tal como anoxia cerebral para a experiência, a maioria dos pacientes que esteve clinicamente morta deveria relatar uma.”

    ============================================================
    O “mecanismo” fisiológico é bem complexo, dependente de vários fatores caso-a-caso!
    Então DUVIDO que se possa generalizar as reações de cada cérebro em cada – claro – situação particular. Como exemplo cito esse trecho de
    Hypoxic Brain Injury

    The brain depends on a constant energy supply of glucose and oxygen but cannot store energy. With the cessation of blood flow, intracellular production of adenosine triphosphate is diminished. This results in the dysfunction of energy-dependent ion channels, contributing to intracellular sodium accumulation and cytotoxic edema. Ongoing ischemia releases glutamate, an excitatory neurotransmitter, which promotes calcium influx through N-methyl-D-aspartate (NMDA) receptors. Calcium influx exacerbates neuronal injury by activating lytic enzymes, precipitating free radical formation, and interfering with mitochondrial function.

    Então duvido que se possa “pautar” as reações individuais de cada cérebro, fruto d’1 “produto cartesiano”
    cada cérebro particular x cada situação clínica particular.

  105. Lucas Arruda Diz:

    Existe um vídeo recente do Dr. Pim van Lommel no qual ele comenta o estudo publicado na The Lancet em 2001:
    https://youtu.be/9ZkNfvVPCqI?si=MsRT9SA3x4VuVzET

    No minuto 5:48, van Lommel descarta as hipóteses baseadas em causas fisiológicas para o mecanismo das EQMs.

  106. Lucas Arruda Diz:

    Boa tarde, Gorducho.
    Sobre a segunda questão: não sou médico nem profissional da área da saúde, mas confio na afirmação do artigo e discordo da interpretação da dúvida que o senhor propõe.
    Como não tenho conhecimento médico, mas sei que os revisores da revista têm, confio plenamente na interpretação de que o mecanismo não é explicado pela fisiologia. Acredito que o artigo tenha sido revisado palavra por palavra por especialistas desse periódico, que conhecem profundamente a biologia humana. Diante disso, não questiono essa conclusão enquanto não houver provas de que tal afirmação, publicada na própria revista, seja falsa.

  107. Lucas Arruda Diz:

    Até que se resolva, em bases materialistas, o seguinte paradoxo sobre as EQMs: o fenômeno é demograficamente universal ( ocorre com pessoas de todas as etnias, gêneros, nacionalidades e classes sociais, afetando a variável da idade ), mas estatisticamente seletivo ( segundo todas as pesquisas sérias que li, como os dados da revista The Lancet, o fenômeno acontece com uma minoria das pessoas ). Enquanto não se provar, por exemplo, uma possível causa genética que explique ao mesmo tempo sua universalidade demográfica e sua seletividade, hipótese que considero improvável diante do aparente paradoxo, considero correta a interpretação de Van Lommel sobre o fenômeno.

  108. Gorducho Diz:

    ============================================================
    Sr. Lucas Arruda disse:

    Até que se resolva, em bases materialistas, o seguinte paradoxo sobre as EQMs: o fenômeno é demograficamente universal ( ocorre com pessoas de todas as etnias, gêneros, nacionalidades e classes sociais, afetando a variável da idade ), mas estatisticamente seletivo ( segundo todas as pesquisas sérias que li, como os dados da revista The Lancet, o fenômeno acontece com uma minoria das pessoas ).

    ============================================================
    · Materialisticamente: resolve-se pelo fato de humanos serem… humanos – qualquer que seja o lugar do globo onde tenham nascido ou vivam.
    · Seletividade: resolve-se pela especificidade da conjuntura de fatores necessária pra se anotar NDE, como teorizei acima.
     
    ============================================================

    considero correta a interpretação de Van Lommel sobre o fenômeno.

    ============================================================
    Justo pra isso que serve a Casa: cada 1 obtém e daí expõe seu próprio entendimento sobre as temáticas discutidas👍

  109. Lucas Arruda Diz:

    Que assim seja, Gorducho, respeito sua conclusão.

    Para finalizar a questão, mantenho minha defesa das conclusões do artigo justamente por ele ter passado por revisão de especialistas em medicina. Afinal, o texto não contém apenas as conclusões de seus quatro autores, mas também a avaliação de outros especialistas que não identificaram explicações fisiológicas capazes de justificar o fenômeno.

    Cumpre ainda ressaltar uma última pendência, que considero relevante para outros leitores: a memória definitivamente não se correlaciona com a experiência de EQM. O próprio artigo afirma:

    “Nenhuma relação foi encontrada entre a frequência da EQM e o tempo entre a RCP e a primeira entrevista (variação de 10-70 dias).”

    E, nas conclusões:

    “Esquecer ou reprimir tais experiências nos primeiros dias após a RCP era improvável de ter ocorrido no restante dos pacientes porque nenhuma relação foi encontrada entre a frequência da EQM e a data da primeira entrevista.”

    Ou seja: se a maioria das vítimas tivesse vivenciado uma EQM e depois a esquecesse, imediatamente ou após alguns dias, como explicar que aqueles que relataram EQMs se lembraram delas independentemente do momento da entrevista ( seja dois dias ou várias semanas depois )? Todos estavam em estado clinicamente semelhante. Portanto, a ausência de correlação temporal reforça que o esquecimento não é uma explicação plausível para a não recordação do fenômeno.

  110. Lucas Arruda Diz:

    Finalizo a minha participação definitivamente no debate, caso não tenhamos contra-argumentos, com os seguintes dados e interpretações do autor e do artigo em geral:

    Sobre os fatores psicológicos ( medo/esquecimento ou repressão ):
    Segundo Pim van Lommel ( em diversas entrevistas facilmente encontradas no YouTube ) e usando as informações do artigo, essas questões não explicam as EQMs. O medo não se correlacionou, pois a maioria das vítimas não esperava a parada cardíaca ( segundo van Lommel ). Já a hipótese de esquecimento ou repressão precoce também é improvável: se fosse o caso, pacientes entrevistados logo após a RCP relatariam mais EQMs, com queda progressiva ao longo do tempo. Porém, nenhuma correlação temporal foi encontrada. Como o próprio autor afirma na página 8 da The Lancet:
    “Boa memória de curta duração parece ser essencial para lembrar uma EQM. Pacientes com falhas de memória após a reanimação prolongada relataram menos experiências do que outros pacientes em nosso estudo. Esquecer ou reprimir tais experiências nos primeiros dias após a RCP era improvável de ter ocorrido no restante dos pacientes porque nenhuma relação foi encontrada entre a frequência da EQM e a data da primeira entrevista”.
    Portanto, o esquecimento generalizado nos primeiros dias não justifica por que apenas a minoria relatou a experiência.

    Sobre a fisiologia geral:
    O próprio artigo, nas descobertas, relata:
    “A ocorrência da experiência não esteve associada com a duração da parada cardíaca ou do estado inconsciente, medicação ou o medo da morte antes de uma parada cardíaca.”
    E relata na interpretação:
    “Nós não sabemos por que tão poucos pacientes cardíacos relataram uma EQM após a RCP, embora a idade seja um fator. Com uma explicação puramente fisiológica, tal como anoxia cerebral para a experiência, a maioria dos pacientes que esteve clinicamente morta deveria relatar uma.”

    Lembro mais uma vez que a interpretação do artigo foi revisada por especialistas na área ( medicina/fisiologia ), em uma revista séria ( The Lancet ), e, até o momento, desconheço interpretações que demonstrem que essas informações estejam erradas.

  111. Gorducho Diz:

    Finalizo a minha participação definitivamente nesta rubrica como segue.
     
    ============================================================
    Sr. Lucas Arruda disse:

    Já a hipótese de esquecimento ou repressão precoce também é improvável: se fosse o caso, pacientes entrevistados logo após a RCP relatariam mais EQMs, com queda progressiva ao longo do tempo.

    ============================================================
    Nunca tive isso em mente ao me referir à memória. Me refiro às reações do cérebro DURANTE a emergência clínica.
    Es decir: não temos como saber se houve ou não armazenamento em memória das sensações do cérebro durante a emergência.
     
    ============================================================

    E relata na interpretação:
    “Nós não sabemos por que tão poucos pacientes cardíacos relataram uma EQM após a RCP, embora a idade seja um fator. Com uma explicação puramente fisiológica, tal como anoxia cerebral para a experiência, a maioria dos pacientes que esteve clinicamente morta deveria relatar uma.

    ============================================================
    Obtempero de novo mencionando a extrema complexidade das reações possíveis de acontecerem
    1) em cada situação de emergência com suas particularidades,
    e
    2) em cada cérebro específico.

  112. Willis Guy Diz:

    Olá, bem, talvez eu esteja atrasado para esta discussão mas eu vou deixar os meus 50 centavos aqui:

    Não querendo tomar o lado nem do William nem do Moizés, claro, William falou coisas bem problemáticas mas que dá para entender, apesar de que seria melhor o William criar seu próprio blog ou algo do tipo.

    Sobre o Moizés, bem, eu discordo integralmente deste argumento “A ciência provou que mediunidade é impossível logo mediunidade é caso de psiquiatria e de polícia.” Claro, eu não vou fazer um ensaio de ciências sociais e humanas sobre isso já que eu sei que Moizés nunca vai mudar de posição.

    Mas, vale citar que a ciência já “provou” várias coisas como impossíveis e que acabaram se tornando possíveis. Assim como já teve várias coisas “refutadas/desmistificadas” que foram provadas verdade.

    O problema é as pessoas quererem tratar a ciência, comprovação científica, evidência científica e afins como absolutos/objetividade quando na verdade não é bem assim que funciona. Assim como que o próprio conceito e demarcação de pseudociência/pseudagem é, em parte, socialmente construídos.

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